Blogue colectivo, criado e editado por Luís Graça, com o objectivo de ajudar os ex-combatentes a reconstituir o puzzle da memória da guerra colonial, na Guiné. Iniciado em Abril de 2004, constitui já a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência desta guerra. Como camaradas que fomos, tratamo-nos por tu, e gostamos de dizer: O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande. Co-editores: C. Vinhal, E. J. Magalhães Ribeiro, V. Briote
Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
Guiné 63/74 - P5072: Direito à Indignação (1): Abaixo de cão, isto é uma vergonha! (Mário Pinto)
Guiné 63/74 - P5071: Memória dos lugares (47): Bambadinca, a bela Helena no meio de Oficiais & Cavalheiros (Passos Marques)


Guiné > Zona leste > Sector L1 > Bambadinca, > CCS/BART 2917 (1970/72) > s/d > Messe de oficiais > Da esquerda para a direita: (i) o Cap Art Passos Marques, comandante da CCS; (ii) o Alferes Sapador da CCS, Luís Moreira; (iii) a Helena, a mulher do Alf Mil Inf Carlão (CCAÇ 12); (iv) o Alf Mil Inf Abel Rodrigues (CCAÇ 12); (v) o Alf Mil Abílio Machado (CCS); (vi) e mais dois Alferes da CCAÇ 12 que não me recordo dos nomes (BD)... [Trata-se do Moreira, do 1º Gr Comb da CCAÇ 12; o que está à sua esquerda, de bigode, não pertencia à CCAÇ 12; não me recordo o seu nome. (L.G.)]A foto foi enviada pelo Passos Marques (major reformado, que vive em Faro), a legenda é do Benjamim Durães (ex-furriel miliciano do Pelotão de Reconhecimento, PEL REC, da CCS do BART 2917, Bambadinca, 1970/72, actualmente residente em Palmela) (*).
Foto: © Gualberto Magno Passos Marques (2009). Direitos reservados
[Título do poste: L.G. Um abraço para a Helena e o Carlão, que tive o prazer de rever em Fão, Esposende, no dia 26 de Novembro (de trágica memória!) de 1994, por ocasião do 1º convívio da malta de Bambadinca, 1968/71: CCAÇ 12, CCS do BCAÇ 2852 e outras subunidades).
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Nota de L.G.:
(*) Vd. último poste da série:
7 de Outubro de 2009 > Guiné 63/74 - P5070: Memória dos lugares (46): Bambadinca, ao tempo da CCS / BART 2917: O Arsénio Puim e o Abel Rodrigues (Passos Marques)
Guiné 63/74 - P5070: Memória dos lugares (46): Bambadinca, ao tempo da CCS / BART 2917: O Arsénio Puim e o Abel Rodrigues (Passos Marques)
Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > CCS / BART 2917 (1970/72) > s/d> O Alf Mil Capelão Arsénio Puim, expulso do Batalhão e do CTIG em Maio de 1971 (*).
Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > CCS / BART 2917 (1970/72)> s/d > O Al Mil Capelão Arsénio Puim, um religioso muçulmano local (provavelmente de etnia fula) e o Alf Mil Abel Rodrigues, da CCAÇ 12 (1969/71). (**)Fotos: © Gualberto Magno Passos Marques (2009). Direitos reservados
Gualberto Magno Passos Marques, de seu nome completo, vive em Faro (foto à esquerda) (***). Eis o mail que ele mandou, em 25 de Setembro último, ao Benjamim Durães, a acompanhar as citadas fotos:
Assunto - Fotos com o nosso capelão Arsénio Puim
Caro Benjamim Durães:
Conforme te prometi por telefone, aí vão as duas fotos em que está presente o nosso estimado padre Puím (***). São as únicas fotos em que ele está presente. Infelizmente o comando daquele batalhão não só não o soube compreender nem merecê-lo, como bom homem e um digno e humano camarada.
Enfim..... ele não foi o único elemento que esteve sujeito a decisões e atitudes pouco amistosas que só prejudicaram a convivência entre pessoas que mereciam ter um ambiente mais leal e fraterno.
Nas outras duas fotos [, a publicar posteriormente,] também estão alguns dos nossos camaradas que de vez em quando tinham oportunidade de confraternizar e trabalhar....
Um abraço e até amanhã
Gualberto
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Notas de L.G.:
(*) Sobre o Arsénio Puim, hoje enfermeiro reformado, a viver na Ilha de S. Miguel, Açores, vd. postes de:
21 de Setembro de 2009 > Guiné 63/74 - P4989: Memórias de um alferes capelão (Arsénio Puim, BART 2917, Dez 69/Mai 71)(3): De Bissau a Bambadinca, a cova do lagarto
14 de Junho de 2009 > Guiné 63/74 - P4521: Memórias de um alferes capelão (Arsénio Puim, BART 2917, Dez 69/ Mai 71) (1): No RAP 2, V.N. Gaia, onde fez mais de 60 funerais
10 de Julho de 2009 >Guiné 63/74 - P4666: Memorias de um alferes capelão (Arsénio Puim, BART 2917, Dez 69/Mai 71) (2): De Viana do Castelo a Bissau
3 de Junho de 2009 > Guiné 63/74 – P4455: Estórias cabralianas (50): Alfero, de Lisboa p'ra mim um Fato de Abade (Jorge Cabral)
26 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4416: Memória dos lugares (26): Bambadinca, CCS/BART 2917, 1970/72 (Arsénio Puim, ex-capelão)
25 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4412: Dando a mão à palmatória (20): O Arsénio Puim, capelão do BART 2917 (Bambadinca, 1970/72), só foi expulso em Maio de 1971
25 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4410: Cancioneiro de Bambadinca (4): Romance do Padre Puim (Carlos Rebelo † )
23 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4404: CCS do BART 2917: a emoção do reencontro, 38 anos depois (Arsénio Puim)
19 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4378: Arsénio Puim, o regresso do 'Nosso Capelão' (Benjamim Durães, CCS/BART 2917, Bambadinca, 1970/72)
18 de Maio de 2009 > Guiné 63/74 - P4372: Convívios (131): CCS / BART 2917 (Bambadinca, 1970/72), com o Arsénio Puim e os filhos do Carlos Rebelo (Benjamim Durães)
17 de Maio de 2007 > Guiné 63/74 - P1763: Quando a PIDE/DGS levou o Padre Puim, por causa da homília da paz (Bambadinca, 1 de Janeiro de 1971) (Abílio Machado)
(**) O Abel Rodrigues foi, até agora, o único dos oficiais milicianos da CCAÇ 12 (que ainda estão vivos) a entrar para a nossa tertúlia. Além dele, ainda havia o Carlão e o Moreira. Havia um outro Rodrigues, que infelizmente já faleceu. A CCAÇ 2590/CCAÇ 12 esteve em Contuboel e Bambadinca (Maio de 1969/Março de 1971).
O Abel, hoje bancário reformado, vive (ou vivia) em Mirando do Douro. Já tentei telefonar-lhe, mas em vão. Não tenho tido notícias dele. Julgo que o seu mail também está desactualizado.
Vd. postes de:
5 de Março de 2007 > Guiné 63/74 - P1565: A CCAÇ 12, o nosso 'neto' António Duarte e os nossos queridos 'nharros' (Abel Rodrigues)
13 de Outubro de 2006 > Guiné 63/74 - P1171: Abel Rodrigues, o primeiro ex-oficial miliciano da CCAÇ 12 a entrar para a nossa tertúlia
(***) Vd. poste de 6 de Outubro de 2009 > Guiné 63/74 - P5060: Memória dos lugares (45): Bambadinca, BART 2917, 1970/72, ex-Cap Art Passos Marques (Benjamim Durães)
Guiné 63/74 - P5069: Historiografia da presença portuguesa (22): África, da Vida e do Amor na Selva, Edições Momentos, 1936 (Beja Santos)
1. Mensagem de Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, Comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 1 de Outubro de 2009:Luís e Carlos,
Para mim, este livro é uma inteira revelação. Nem o Leopoldo Amado o menciona no seu importantíssimo ensaio 'A literatura colonial guineense'.
Tenho muito orgulho em passar esta informação para dentro da nossa caserna.
Um abraço do
Mário
A Guiné e o 1.º Prémio da literatura colonial, 1936
Beja Santos
É curioso como o título "África, da vida e do amor da selva” consta de toda a bibliografia elementar da história da Guiné e nunca foi me foi possível encontrar a obra nas principais bibliotecas. Na verdade, o autor mencionado é sempre João Silva e agora, quando finalmente encontrei o livro, o nome que consta é João Augusto. Trata-se de uma obra a vários títulos singular, pode perfeitamente emparceirar, pelo grau de importância, com “Mariazinha em África”, de Fernanda de Castro, e “Auá”, de Fausto Duarte, duas obras pioneiras na literatura colonial guineense. Não consegui encontrar quaisquer referências a João Augusto que, conforme se pode ler no livro “África, da vida e do amor da selva” viveu bastantes anos na Guiné (e pelo menos durante seis anos foi caçador). O que ainda aguça mais a curiosidade é querer descobrir o que ali fez João Augusto (Silva) e como estabeleceu uma relação tão profunda com a Guiné e o seu povo. Um desafio para todos nós, em Portugal e na Guiné.
Na introdução, ele escreve:
“Contam-se seis anos desde que embarquei em feio vapor encarvoado, com destino a África, decidido à vida aventurosa no sertão sob o céu dos trópicos”. Mais adiante, aludirá a uma experiência pretérita, pois “tinha recordações confusas de mandingas de cofió vermelho, ou negro turbante, largas calças de dril branco, a dar a dar, conforme caminho guiando os seus burricos carregados de mancarra”. Mas também tinha saudades de “aquele cheiro particular, seco e sedento do mato após as queimadas, a dor dos olhos, causado pelo sol violento do meio-dia, o odor desagradável dos pântanos, o esplendor do rio sereníssimo, como a superfície polida de um espelho, o mar encrespado das árvores, em cujas ondas verdes eu mergulhava, em busca dos ninhos das rolas, pombas verdes e colibris”.
A sua paixão pela Guiné não o impede de ter o seu olhar colonial desperto, não esquecera, por exemplo, a palmatória de pau-ferro para castigo dos africanos. Mas a sua paixão era irreprimível:
“Guiné, Guiné... terra bendita, onde as andorinhas cantam; terra bendita, do arroz, do amendoim e do óleo de palma, onde não se conhece a fome e onde não há mendigos”.
É bastante crítico sobre a colonização “feita pelas mais desvairadas gentes, desde os revolucionários profissionais e bandidos políticos, até àquelas almas generosas e boas, que procuram, em África, os esquecimentos das misérias terrenas”.
Revela que casou com três mulheres fulas e uma mandinga, sente-se permanentemente seduzido pela magia deste país de febres, país de terras vermelhas, entrecortado de rios sinuosos, de leito lodoso e fétido, onde habitam os crocodilos.
Após uma descrição das diferentes etnias guineenses, entramos propriamente neste livro de contos e lendas, onde se fala do suicídio do proprietário Kebala, das astúcias dos jovens Balantas nos roubos e pilhagens, a arte da caça, abarcando a gazela, o búfalo, o sim-sim (antílope grande), a onça (nome que na Guiné se dá erradamente ao leopardo), a fritamba (pequeno antílope muito ligeiro... é aqui que indiscutivelmente João Augusto se sente mais à vontade, falando das “longas” (espingardas de carregar pela boca), de bornais de pele de gazela contendo o chifre da pólvora, a caixinha das espoletas, o trapo para buchas, e até de um cinturão de cabedal benzido por um moiro virtuoso.
Há mesmo histórias de caça contadas por animais: Kemba, a gazela que oferece a sua vida ao caçador Ieró, suplicando-lhe que poupe Cumba, a gazelita sua filha, como também um diálogo entre um leopardo a sofrer com um osso entalado na garganta e uma hiena, a hiena salva-o e ele promete nunca atacar as suas crias que a hiena diz serem as mais belas espécies animais... tudo isto tem um sabor a fábulas de Esopo ou de La Fontaine. O produto final é admirável, é surpreendente dentro da literatura modernista da época, em suma, uma agradável surpresa de um caçador e de uma obra literária completamente desconhecidos (para mim).


Comentário: O livro de João Augusto intitula-se África da vida e do amor na selva, Edições Momentos, 1936. O livro está profusamente ilustrado, optou-se pelo seu auto-retrato, um bom exemplo do modernismo, há aqui qualquer coisa de Almada Negreiros.
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Notas de CV:
30 de Setembro de 2009 > Guiné 63/74 - P5036: Historiografia da presença portuguesa (21): Monografia da Agência Geral do Ultramar, 1961 (Beja Santos)
Guiné 63/74 - P5068: As nossas placas de identificação (Carlos Cordeiro)
1. Em mensagens com data de 4 de Outubro de 2009, o nosso tertuliano e camarada Carlos Cordeiro* (ex-Fur Mil que cumpriu a sua comissão em Angola) mandou-nos este trabalho de pesquisa sobre as célebres chapas de identificação, que alguns de nós usaram ao pescoço durante a permanência em Teatro de Operações.Se para mais não servir, será um pouco de cultura geral de um tempo passado que nos tocou muito.
AS NOSSAS PLACAS DE IDENTIFICAÇÃO
Decreto-Lei n.º 45838
Tornando-se necessário melhorar e uniformizar os meios de identificação individual para uso nas forças armadas e generalizar o seu emprego;
Verificando-se também ser necessário que aos elementos particulares de identificação sejam acrescentados outros dados de informação pessoal, particularmente úteis em caso de acidente grave;
Nestes termos:
Usando da faculdade conferida pela 1.ª parte do n.º 2.º do artigo 109.º da Constituição, o Governo decreta e eu promulgo, nos termos do § 2.º do artigo 80.º, para valer como lei, o seguinte:
Artigo 1.º É criada para uso do pessoal militar das forças armadas uma placa de identificação, destinada a conter os elementos de identificação necessários para reconhecimento do seu portador.
Art. 2.º O Ministro da Defesa Nacional definirá, em portaria, as características da placa de identificação.
Art. 3.º A placa de identificação será de distribuição generalizada e de uso obrigatório.
Publique-se e cumpra-se como nele se contém.
Paços do Governo da República, 30 de Julho de 1964. - ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR - José Gonçalo da Cunha Sottomayor Correia de Oliveira - Manuel Gomes de Araújo - Alfredo Rodrigues dos Santos Júnior - João de Matos Antunes Varela - António Manuel Pinto Barbosa - Joaquim da Luz Cunha - Fernando Quintanilha Mendonça Dias - Alberto Marciano Gorjão Franco Nogueira - Eduardo de Arantes e Oliveira - Inocêncio Galvão Teles - Luís Maria Teixeira Pinto - Carlos Gomes da Silva Ribeiro - José João Gonçalves de Proença - Francisco Pereira Neto de Carvalho - Francisco António das Chagas.
Portaria n.º 21289
Sendo necessário definir as características a que deve obedecer a placa de identificação criada pelo Decreto-Lei n.º 45838 , de 30 de Julho de 1964:
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Defesa Nacional, nos termos do artigo 2.º do mesmo diploma, aprovar e pôr em execução o modelo da referida placa, conforme anexo à presente portaria.
Presidência do Conselho, 19 de Maio de 1965. - O Ministro da Defesa Nacional, Manuel Gomes de Araújo.
Características da placa de identificação
1.º A placa de identificação tem a forma de uma oval, com 40 mm no eixo maior e 28 mm no eixo menor, e é feita da liga designada por metal branco ou argentão francês, com 1 mm de espessura.
2.º Na placa há dois orifícios, sendo destinados, um à passagem da corrente de suspensão e o outro para suspender a metade da placa no arquivo competente quando se verificar a circunstância prevista na última parte do n.º 3.º do presente anexo. O primeiro, com centro a 5,5 mm de um dos extremos do eixo menor, é semicircular, com 3,5 mm de raio; o segundo, com centro a 3,75 mm do outro extremo do eixo maior, é circular, com 1,75 mm de raio.
3.º No eixo menor da placa existem duas ranhuras de 8,5 mm de comprimento, separadas de 5 mm. Estas ranhuras, que têm 1 mm de largura, destinam-se a permitir que as duas metades da placa se separem fàcilmente, o que terá lugar em caso de morte do portador; nesta circunstância, a metade da placa por onde passa a corrente de suspensão acompanhará o corpo, enquanto a outra metade será remetida ao arquivo competente.
4.º A corrente de suspensão, que é usada ao pescoço, é constituída por esferas de alumínio, com dois elos de ligação afastados 310 mm um do outro, e tem as seguintes características:
Diâmetro das esferas - 3 mm ((mais ou menos) 0,1 mm));
Comprimento da corrente - 620 mm;
Tensão de ruptura dos elos - entre 2 kg e 2,5 kg.
5.º As inscrições a gravar, iguais em cada uma das metades da placa, são em caracteres latinos, maiúsculos, dispostos em quatro linhas horizontais, de forma que o seu aspecto seja idêntico, qualquer que seja o orifício pelo qual se suspenda a placa.
Inscreve-se o seguinte:
a) Na primeira linha - a palavra «Portugal»;
b) Na segunda linha, separadas por traços oblíquos:
1) A designação «OF», «SG» ou «PR», conforme o portador for, respectivamente, oficial, sargento ou praça;
2) A designação seguinte:
a. No Exército:
O número mecanográfico.
b. Na Armada:
1. Para oficiais do activo e da reserva da Armada (englobando cadetes):
O ano de admissão na Escola Naval (classes de marinha, dos engenheiros construtores navais, dos engenheiros maquinistas navais, de administração naval e dos engenheiros de material naval) ou o ano de ingresso nos quadros (classes dos médicos navais, dos farmacêuticos navais, do serviço geral e do serviço especial), seguido do algarismo atribuído à classe:
1 - Marinha.
2 - Engenheiros construtores navais.
3 - Médicos navais.
4 - Farmacêuticos navais.
5 - Engenheiros maquinistas navais.
6 - Administração naval.
7 - Engenheiros de material naval.
8 - Serviço geral.
9 - Serviço especial.
10 - Capelães.
2. Para oficiais, aspirantes a oficial e cadetes da reserva naval, reserva marítima e reserva legionária:
O ano de alistamento na Armada, seguido, respectivamente, das letras:
N - Reserva naval.
M - Reserva marítima.
L - Reserva legionária.
3. Para sargentos e praças do activo:
O número de matrícula, seguido do número de série a que aquele pertence.
4. Para sargentos e praças da reserva da Armada, reserva marítima e reserva legionária:
O número de matrícula atribuído pela 3.ª Repartição da Direcção do Serviço do Pessoal, seguido, respectivamente, das letras:
A - Reserva da Armada.
M - Reserva marítima.
L - Reserva legionária.
c. Na Força Aérea:
1. Para oficiais (pessoal permanente):
O ano de admissão na Academia Militar ou de ingresso no quadro, seguido dos números;
1 - Pilotos aviadores.
2 - Pára-quedistas.
3 - Pilotos navegadores.
4 - Engenheiros.
5 - Técnicos.
6 - Médicos.
7 - Intendência e contabilidade.
8 - Serviço geral.
2. Para oficiais milicianos (pessoal não permanente):
O ano de alistamento na Força Aérea, seguido do número correspondente à especialidade, conforme indicado na alínea anterior. Aos navegadores e aos farmacêuticos atribuem-se os n.os 3 e 6, respectivamente.
3. Para sargentos e praças:
O número de matrícula.
4. Para equiparados a militar:
O ano de ingresso no quadro, ou ano da equiparação, seguido dos números:
9 - Capelães.
10 - Médicos.
11 - Veterinários.
12 - Enfermeiros pára-quedistas.
13 - Músicos.
3) Um número indicando o ramo das forças armadas ao qual pertence o portador da placa, segundo a seguinte convenção:
1 - Exército.
2 - Armada.
3 - Força Aérea.
c) Na terceira linha - as iniciais dos dois primeiros nomes do portador e o último apelido, escrito por extenso.
No caso de o portador usar o apelido Júnior, escreve-se por extenso o penúltimo apelido, seguido da indicação abreviada «J.or»;
d) Na quarta linha:
1) O grupo sanguíneo, seguido do sinal + ou -, segundo o factor rH é positivo ou negativo;
2) A religião por uma das seguintes abreviaturas, conforme o caso: Bud (budista), Cath (católico), Ind (hindu), Isr (israelita), Mus (muçulmana) e Prot (protestante);
3) A letra T (indicação da vacina antitetânica), seguida dos dois últimos algarismos do ano em que tal vacina foi ministrada pela última vez.
6.º O esquema da placa de identificação, na escala 2:1, é o constante do apêndice ao presente anexo.
Presidência do Conselho, 19 de Maio de 1965. - O Ministro da Defesa Nacional, Manuel Gomes de Araújo.
APÊNDICE

Esquema da placa de identificação
(ver documento original)
Profundidade de gravação (letras e vincos): 0,25 mm a 0,30 mm.
Espessura da chapa: 1 mm.
Escala utilizada: 2:1.
Presidência do Conselho, 19 de Maio de 1965. - O Ministro da Defesa Nacional, Manuel Gomes de Araújo.
Portaria n.º 498/70 de 8 de Outubro
Sendo necessário assegurar a distribuição das placas de identificação a todos os militares do Exército e da Força Aérea antes do seu embarque para comissão de serviço no ultramar;
Considerando que a inscrição na placa de identificação, aprovada pela Portaria n.º 21289, de 19 de Maio de 1965, da designação «OF», «SG» ou «PR» retarda inconvenientemente a sua distribuição:
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Defesa Nacional, nos termos do artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 45838 , de 30 de Julho de 1964, que seja eliminada das placas de identificação em uso no Exército e na Força Aérea a designação «OF», «SG» ou «PR».
O Ministro da Defesa Nacional, Horácio José de Sá Viana Rebelo.
OBS:-Cheguei a estas informações a partir do Google (chapas identificação militares ultramar). O site da legislação é o seguinte: http://pt.legislacao.org/
Carlos Cordeiro
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Nota de CV:
(*) Vd. poste de 5 de Outubro de 2009 > Guiné 63/74 - P5055: Tabanca Grande (177): Carlos Cordeiro, ex-Fur Mil At Inf (Centro de Instrução de Comandos - Angola, 1969/71)
Guiné 63/74 - P5067: Guidaje, Maio de 1973 (1): Momentos difíceis para as NT (Manuel Marinho)
1. Mensagem de Manuel Marinho (*), ex-1.º Cabo da 1.ª CCAÇ/BCAÇ 4512, Nema/Farim e Binta, 1972/74, com data de 3 de Outubro de 2009:Caro Camarada Carlos Vinhal
Cá estou de novo (trata-me por Marinho) será mais fácilmente identificado por camaradas da minha Companhia se calharem de consultar o blogue como espero, pois ando à procura de alguns deles.
Agradeço as tuas palavras de cortesia, espero apenas contribuir modestamente em episódios vividos na Guerra da Guiné, para que o resultado final seja um esclarecedor relato de operações militares que se desenvolveram, na minha zona.
Grato igualmente pelos comentários recebidos, a todos eles sem excepção.
Este texto visa situar melhor os acontecimentos, até ao dia 29 Maio de 1973, dia da minha chegada a Guidaje, espero conseguir os meus intentos, e contribuir para um melhor entendimento do que se passou.
COLUNAS PARA GUIDAJE
2.ª Coluna de abastecimento a Guidaje, dia 10 de Maio
Composição das forças que a integraram:
2.º GCOMB/1.ª CCAÇ/BCAÇ 4512 de Nema
1 GCOMB da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4512 de Jumbémbem
2 GCOMB da CCAÇ 14 de Farim
1 GCOMB da CCAÇ Africana Eventual de Cuntima
2 GCOMB da 38.ª de Comandos
1 SEC/PEL MORT 4274
Esta coluna foi a primeira a chegar a Guidaje com os abastecimentos e armamento necessário para atenuar as muitas dificuldades existentes, servindo para dar ânimo aos militares do aquartelamento e à sua população.
O relato desta coluna já foi muito bem contado pelo camarada Amílcar Mendes nos postes 1201/1203/1205.
Neste dia estava eu na enfermaria de Farim, onde permaneci cerca de uma semana por causa dos estilhaços sofridos, ainda muito abalado psicologicamente pelo acontecido na véspera, por isso vou apenas falar por testemunho dum camarada do 2.º GCOMB da minha Companhia que fazia parte desta coluna e testemunhou a morte do camarada que ficou desfeito pela mina, que era da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4512. Os seus restos mortais estão sepultados em Guidaje.
“Seguíamos em fila indiana atentos a tudo o que nos rodeava, quando uma forte explosão nos obriga a mergulhar na picada. Ainda atordoado, dou conta de ter sido uma mina que destroçou um camarada que depois soube que era da 2.ª Companhia do Batalhão. Restou apenas o tronco que foi embrulhado num poncho e seguiu para Guidaje, onde ficou enterrado. Tive sorte pois verifiquei depois que ia em 4.º depois do morto e o segundo homem também foi projectado. O que me seguia foi ferido com estilhaços."
Quando da chegada da coluna vinda de Guidaje no dia 13 a Farim, fui saudar os meus camaradas e saber as últimas. Assisti entre outras coisas, ao evacuamento de heli do Comando que tinha pisado uma mina e o que me impressionou foi o grito que deu de Viva os Comandos, julgo eu, dado nas circunstâncias e no estado em que se encontrava.
Numa Berliet vinha um soldado morto nas valas em Guidaje, o ambiente era pesado e ninguém queria falar e voltar ao mesmo cenário. Do que tinham passado nas valas de Guidaje, auguravam-se tempos difíceis…
O nosso estado de espírito era lastimoso a todos os níveis, tínhamos mortos no mato sem sepultura, feridos que foram evacuados, e para eles, a guerra terminara de forma inglória. Nós tínhamos de lidar com os fantasmas do medo, que começavam a fazer os seus efeitos e ameaçavam paralisar-nos. Do meu grupo de 26 a 28 elementos, ficamos reduzidos a metade, em termos de operacionalidade, a solução temporária foi a junção dos 2 Grupos num só, para ficarmos de novo operacionais.
(Acho valer a pena referir, que o meu grupo teve um treino operacional muito exigente, por força de termos um Alferes que era Ranger, foi seguramente por isso que se evitou males maiores, noutros contactos com o IN anteriores e posteriores a Guidaje).
Em Abril houvera o reforço de mais um GCOMB da 3.ª CCAÇ do nosso Batalhão. Nós só em Junho deixamos Nema para nos juntarmos ao resto da Companhia em Binta.
A falta de Comando na Companhia, neste período, originou por sua vez alguma confusão pois faltavam ordens claras e a competente avaliação operacional. Em vez disso, voltava-se a improvisar e como havia muitas unidades militares a circular pelo destacamento, nunca se sabia quem mandava.
Foi com alguma estranheza que nos interrogamos sobre o não levantamento dos mortos que tinham ficado na picada. Se a coluna tinha chegado, aproveitando o facto de já haver muita tropa no sector (a 3.ª coluna já tinha entretanto chegado a Guidaje no dia 12 escoltada por Fuzileiros que sofreram um morto) e já com a presença dos Pára-quedistas da 121 na zona, porque não?
Mas a explicação mais simples que era veiculada, era a de o local estar todo minado e ser de elevado risco o levantamento dos corpos.
Também existia a hipótese de não haver nada a fazer depois das viaturas terem sido destruídas pela aviação.
Houve sempre interrogações, nunca respostas!
Cerca de 3 meses depois fomos nós lá com Sapadores de Minas fazer o reconhecimento e levantar as ossadas de 3 camaradas.
Nesta fase dos acontecimentos as coisas passavam-se vertiginosamente com um vaivém constante de colunas Farim-Binta-Guidaje e vice-versa.
Dia 15 nova coluna para Guidaje (a 4.ª por ordem de partida)
Integram a mesma:
2 GCOMB do Comando de Bissau
1 GCOMB/CCAÇ Especial Afriicana
1 Grupo de Milícias Especial de Jumbembém, onde estava sediada a nossa 2.ª Companhia
No regresso a Binta, dia 19, esta coluna sofre violenta emboscada e retrocede para Guidaje, mas os Grupos de Bissau chegam a corta-mato a Binta onde já nós os esperávamos, pois haviam-nos sido transmitidas ordens no sentido de os procurarmos nas imediações do aquartelamento pois alguns andavam perdidos.
A exaustão e o sofrimento que se notava nos semblantes desses camaradas era seguramente a nossa própria imagem reflectida uns dias antes.
Nota:
Das colunas que estou a tentar descrever, e foram 6, só faltam elementos relativos às 3.ª e 4.ª colunas, das quais sei apenas o que relato com a maior fidelidade possível. Se houver camaradas que nelas participaram e julguem oportuno rectificar, agradeço eu e todos os que passaram por aqueles tormentos, e ajudam a completarmos o puzzle.
A 23 segue a 5.ª coluna
Escoltada por Fuzileiros, com a CCP 121 na zona do Cufeu, para a protecção até Guidaje. Infelicidade para os Páras que sofreram 4 mortos. Mais tarde quando conheci bem a bolanha, percebi muito claramente a emboscada, porque só mesmo naquela bolanha era possível causar 4 mortos àquela tropa.
Esta coluna foi já narrada pelo camarada Victor Tavares da 121 no poste P1212 de 25 de Outubro de 2006.
Reforçados em Junho de 1973 pela 3.ª CCAÇ/BCAÇ 4514 até Setembro, também a CCAÇ 4745 de Julho a Outubro e em Fevereiro de 1974 a 1.ª CCAÇ/BCAÇ 4516 até Abril de 1974 estas são algumas Companhias que passaram por Binta mas era quase de passagem tal era o tempo que ficavam, mesmo assim, sempre que chegavam, haviam saídas conjuntas para o mato.
A CCAV 3420 depois do regresso de Guidaje, ficou até final do mês. Lamento se omiti alguma, ou se as datas não coincidirem, mas são estes os dados de que disponho, corrijam-me se estiver errado
É chegada a altura de dizer que todos nós sempre que passávamos, (e foram muitas vezes) perto do local da emboscada, evitávamos olhar, e nunca se aludia ao que se passara, o mutismo era absoluto, quisemos sepultar na nossa memória os dias 8 e 9.
A coluna de 29 de Maio integrou 2 GCOMB do BCAÇ 4512, 1 da 1.ª CCAÇ e outro da 2.ª CCAÇ. A 38.ª CCom, a CCAV 3420 e um Grupo Especial de Milícia.
A ida desta coluna, a 6.ª, também já foi narrada no blogue pelo José Afonso da 3420, e por Salgueiro Maia, Comandante da mesma, no seu livro “Capitão de Abril”, em Crónica dos Feitos por Guidaje.
Foi muito complicado na altura juntar efectivos para marcharem para Guidaje, falo naturalmente dos GCOMB do meu Batalhão e do que vivi e presenciei na altura. Parece-me ainda hoje que o medo se tinha colado aos nossos corpos e paralisava-nos os sentidos, estava tudo muito presente e era normal, porque éramos os únicos a bisar, voltando à picada em apenas três semanas. Sabendo tudo o que já tinha acontecido a todos os que nos precederam, junte-se a agora o vazio de comando e estamos entendidos.
Mas a ordem foi toca a andar que se faz tarde, com as forças disponíveis.
O que seria normal para as tropas especiais, Comandos, Pára-quedistas, e Fuzileiros, estava a tornar-se penoso para nós.
Do que me recordo, sei que fiz o trajecto quase sempre na retaguarda da coluna, depois, a certa altura, fomos mais para a frente e lembro-me de ter passado pelos Páras que montavam emboscada na bolanha do Cufeu. Houve muitas paragens causadas pelo IN, o que fez demorar a coluna a chegar.
Ainda hoje me interrogo sobre quem foi que retirou para Binta em 2 Unimogs, levando o morto por picagem de mina A/C e os feridos pertencentes à 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4512 e não regressou à coluna. Pelo menos 1 GCOMB dessa Companhia fazia parte desta coluna, tenho as minhas opiniões sobre o assunto, mas não certezas, por isso não especulo.
Isto por uma razão simples, como já expliquei, nessa altura os GCOMB da minha Companhia estavam fragmentados, especialmente o 1.º e 2.º, por isso não posso dizer mais sobre o assunto, sob pena de falsear os factos, sei que eu e mais camaradas do meu Grupo chegamos a Guidaje ao anoitecer, integrados na coluna.
Na próxima falarei da permanência em Guidaje e do regresso.
Caros camaradas, um forte abraço.
Porto, 2009-10-02
OUT73 > Parte do 1.º GCOMB/1.ª CCAÇ/BCAÇ 4512. O 1.º Cabo Marinho é o segundo, de pé, a contar da esquerda
OUT73 > Picada Guidaje/Binta__________
Nota de CV:
(*) Vd. poste de > 15 de Setembro de 2009 > Guiné 63/74 - P4957: Tabanca Grande (173): Manuel Marinho, ex-1.º Cabo da 1.ª CCAÇ/BCAÇ 4512, Farim e Binta (1972/74)
Guiné 63/74 - P5066: Agenda Cultural (30): Filme Fala de Mindjeris - Mulheres da Guiné-Bissau, Debate-Tertúlia (Beja Santos)
Este evento é uma organização conjunta da Amnistia Internacional Portugal e Instituto Marquês de Valle Flôr
Fala di Mindjeris resulta de dezenas de entrevistas realizadas a mulheres de várias profissões, idades e origens sociais, num olhar o mais transversal possível à realidade e cultura da Guiné-Bissau.
Trata-se de um vídeo documental, de 19 minutos, gravado entre Bissau, as Ilhas de Bijagós e a Região da Grande Lisboa. É um registo informal de conversas sobre o perfil da mulher guineense, as violências de que ainda é vítima e o seu lugar na sociedade guineense.


OBS:- Clicar nas imagens para ampliar
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Nota de CV:
Vd. último poste da série de 29 de Setembro de 2009 > Guiné 63/74 – P5034: Agenda Cultural (29): 2º Ciclo de Colóquios-Debates, “Fim do Império: Olhares Civis” (Mário Beja Santos)
Guiné 63/74 – P5065: Convívios (165): 6.º Encontro do pessoal da CCAÇ 4540, dia 3 de Outubro de 2009 em Odivelas (António Santos)





Foto da esquerda: Um dos tertulianos, o Eduardo Campos vendo a paisagem - Foto da direita: Aspecto da concentração das tropas




18 de Agosto de 2009 > Guiné 63/74 - P4832: Convívios (154): 6.º Encontro do pessoal da CCAÇ 4540, dia 3 de Outubro de 2009 em Odivelas (Vasco Ferreira)
Guiné 63/74 - P5064: Parabéns a você (33): Jorge Rosales, ex-Alf Mil da 1.ª CCAÇ (Porto Gole, 1964/66) (Editores)
Dia 7 de Outubro é dia de aniversário do nosso camarada Jorge Rosales, ex-Alf Mil que esteve em Porto Gole entre 1964 e 1966.A Tertúlia deseja-lhe um dia pleno de alegria, festejando esta data com os seus familiares e amigos mais próximos.
Jorge Rosales apresentou-se à nossa Tabanca, telefonando para o nosso editor Luís Graça, dias antes do nosso IV Encontro Nacional.
Tivemos o grato prazer da sua companhia nesse dia de convívio que anualmente se renova e se sente como sendo o primeiro.
Infelizmente não temos (que descobrisse) nenhum registo fotográfico do Rosales desse dia 20 de Junho, assim como não temos as suas fotos da praxe.
Recordemos agora algumas das palavras de Luís Graça, referindo-se a Jorge Rosales: (*)
Ligou-me estar tarde, por telefone, mais um camarada, o Jorge Rosales, de 69 anos, residente em Monte Estoril / Cascais, e que esteve em Porto Gole (1964/66)...
Tem falado ao telefone com o Henrique Matos, que esteve a seguir a ele em Porto Gole (1966/68). Falei-lhe do Abel Rei (1967/68), que é mais novo, e que ele naturalmente não conhece...
O seu objectivo era, muito simplesmente, o de poder ainda inscrever-se, a tempo, no nosso IV Encontro, em Ortigosa, o que eu assegurei automaticamente. É o nosso participante n.º 96. É pai da Doutora Marta Rosales, minha colega (ISCTE e FCSH/UNL).
Aqui vai, muito sumariamente, uma primeira apresentação do nosso novo camarada, que tem muitas fotografias do seu tempo de comissão e que vai levá-las, consigo, para o IV Encontro.
Diz-me que era muito amigo do mítico Capitão de 2.ª linha, o Abna Na Onça, chefe espiritual, poderoso, da comunidade balanta da região, a quem o PAIGC havia cometido o erro fatal de “matar duas mulheres e roubar centenas de cabeças de gado”. O seu prestígio, a sua influência e e o seu carisma eram tão grandes que ele sabia tudo o que se passava numa vasta região que ia de Mansoa a Bambadinca (nomeadamente, importantes informações militares, como a passagem de homens e armas do PAIGC). [...]
[...] O Jorge Rosales pertencia à 1ª Companhia de Caçadores Indígena, com sede em Farim (Havia mais duas, uma Bedanda e outra em Nova Lamego, acrescenta ele). Ficou lá pouco tempo, em Farim, tavez uma semana. A Companhia estava dispersa. Foi destacado para Porto Gole, com duas Secções (da CCAÇ 556, do Enxalé) e outra Secção, sua, de africanos. Tinha um guarda-costas bijagó. Parte dos soldados eram balantas. Possuíam apenas 1 morteiro (60) e 1 bazuca. A farda ainda era amarela. Ficou 18 meses em Porto Gole. Ia a Bambadinca jogar à bola com os de Fá. Foi uma vez a Bafatá, apanhar o NordAtlas. Lembra-se da piscina. [...]
[...] Já lhe dei as boas vindas à nossa Tabanca Grande, já o inscrevi na lista de participantes no nosso IV Encontro. Vai lá ter, não leva a esposa... Já actualizei o blogue.
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Notas de CV:
(*) Vd. poste de 9 de Junho de 2009 > Guiné 63/74 - P4488: Tabanca Grande (151): Jorge Rosales, ex-Alf Mil, Porto Gole, 1964/66, grande amigo do Cap 2ª linha Abna Na Onça
Vd. último poste da série de 4 de Outubro de 2009 > Guiné 63/74 - P5049: Parabéns a você (32): Artur Conceição, ex-Soldado de TRMS da CART 730, Bissorã, Farim e Jumbembem (1965/67) (Editores)
Terça-feira, 6 de Outubro de 2009
Guiné 63/74 - P5063: (Ex)citações (50): Vozes de burro não chegam ao Céu? (António Matos)


Guiné 63/74 - P5062: Efemérides (28): Amália (1/7/1920- 6/10/1999): Dez anos de saudade... (José Coelho / Luís Graça)

Fotos: José Coelho / Toca dos Coelhos (2009). (Com a devida vénia)
1. Fui encontrar, no blogue Toca dos Coelhos, uma inesperada (e surpreendente) referência à Amália, a nossa Amália, que morreu faz precisamente hoje 10 anos. E mais: encontrei várias preciosas (e desconhecidas) fotos da Amália entre combatentes da guerra colonial, no enclave de Cabinda, Angola... São fotos raras, a Amália no meio da tropa... A Amália nunca foi à Guiné, que eu saiba. Em contrapartida, actuou diversas vezes em tournées, em Angola (1951, 1962, 1966, 1971, 1972) e em Moçambique (1951, 1966, 1969, 1972).
O poste é do José Coelho, data de 11 de Junho de 2009 e tem por título o seguinte: A D. Amália Rodrigues foi ao Maiombe visitar-nos...
Dona Amália era o tratamento, cerimonioso, respeitador e bem português, dado pelas pessoas do povo à grande diva do fado, a Voz, a nossa Voz... Maiombe era a grande floresta de Cabinda, o enclave de Cabinda, onde o MPLA fazia luta de guerrilha.
O José Coelho é um dos três administradores e animadores do blogue da família Coelho, com raízes alentejanas. É pai do Pedro Coelho e sogro da Ana.
O José Coelho é natural da freguesia de Beirã, concelho de Marvão, Alto Alentejo... Fez uma comissão em Angola, integrado no BCAV 3871 - Cavaleiros de Maiombe (Belize, Cabinda, 1972/74).... Os Cavaleiros de Maiombe reuniram-se, pela primeira vez, em 2009, ao fim de 35 anos, em 10 de Maio de 2009. O José Manuel Lourenço Coelho era de transmissões, e pertencia à CCS. Hoje é reformado da GNR, presumo com o posto de sargento. O seu poeta favorito é o Aleixo. Faz cicloturismo e BTT. Parece ser um verdadeiro pater familias.
A Toca dos Coelhos (nome da casa da família em Marvão) é descrita como "um espaço onde a nossa Família pode deixar aquilo que vem na alma. Devido à distância que me separa dos meus Pais e Irmão e Família em geral, penso ser um local onde poderemos rever e deixar os nossos testemunhos e recordações, assim como de tudo um pouco"... A origem do blogue remonta a 17 de Novembro de 2008. O Pedro também é militar da GNR e vive em Setúbal.
O José Coelho, nosso camarada, descreve asssim (de acordo com as legendas das fotos que publicou) o dia em que os felizardos da CCS do BCAV 3871 Cavaleiros de Maiombe - receberam a visita da D. Amália:
"Dia 1 de Maio de 1972, acabadinha de aterrar no Belize, recebida pelo Comando do BCav 3871, e por todos os Cavaleiros [de Maiombe] que estavam presentes no Quarel...(porque alguns estavam na mata em patrulha)... Simpatiquíssima... Tomou um drink na messe... Cantou para nós, deu um beijinho a cada um e uma foto sua, autografada... Foi um dia memorável para todos nós... 35 anos depois, e mais uma vez, obrigado, D. Amália".
Peço ao camarada José Coelho que perdoe e me releve este notório abuso, esta ousadia de lhe pedir, emprestadas, as quatro fotos do seu álbum que reproduzo acima, a pretexto da efeméride dos 10 anos da morte da Amália (*)...
É uma homenagem aos Cavaleiros de Maiombe e a todos os fãs da Amália (não gosto de lhe chamar dona...) . Que saudades daquela voz, e daquela grande cantora portuguesa (e mundial) que é hoje, incontornavelmente, uma figura maior da nossa cultura... e da nossa história.
Amália agiganta-se à medida que o tempo que passa... Há dez anos que ela está no Olimpo, lá no assento etéreo, muito acima das pequenas quezílias, paixões, safadezas, sacanices, portuguesices, etc., que vão alimentando o nosso pequeníssimo quotidiano... Tenho uma imensa pena de nunca a ter visto e ouvido ao vivo... Fui criado na cultura (contestatária) dos anti-F (fado, futebol, Fátima, fascismo)... Mais tarde, como estudante de sociologia, na segunda metade da década de 1970, dei um pequeno contributo para reabilitar o fado como forma de cultura popular urbana, com mesma matriz histórica e sociológica do tango e do flamenco ... Um projecto que deve muito à ousadia, ao entusiasmo, ao saber e à liderança do meu professor de antropologia, o Joaquim Pais de Brito (director do Museu Nacional de Etnologia, desde 1993).
Curiosamente, redescobri a Amália, aprendi a ouvi-la com outros ouvidos, em Setembro de 1980, no estrangeiro, em condições algo insólitas... Estava a fazer férias no País Basco, e cheguei a Guernica, ao parque de campismo, já de noite (e que noite, de temporal)... De repente, eu, a Alice e outro casal nosso amigo somos surpreendidos com um dos mais fabulosos fados da Amália (talvez o Povo que lavas no rio, Estranha forma de vida, Com que voz... - já não posso precisar), saído da instalação sonora do parque... Ficámos siderados!... Alguém (um casal francês, ele camionista de um TIR, soubemos no dia seguinte) quis ter uma gentileza para com os portugueses que chegavam a Guernica àquela estranha hora... Até então eu não tinha em casa nenhum disco da Amália... E se ela tivesse aparecido em Bambadinca, em 1969/71, eu não teria aparecido para a ver nem a ouvir...
Hoje não tenho qualquer pudor em confessar, entre amigos, que cada vez mais sinto arrepios ao ouvir algumas das maiores interpretações da Amália, cuja voz, génio e talento só podem estar ao alcance de uma semi-deusa... (Não esqueço também o contributo dos nossos poetas e músicos, do Frederico Valério ao Alain Oulman, o luso-francês nascido na Cruz Quebrada, em 1928, expulso de Portugal em 1966 , e que morreu precocemente em Paris, em 1990).
Amigos e camaradas: se me permitem uma sugestão, não percam a exposição que está no Museu Berardo, a partir de hoje e até 2 de Fevereiro de 2010, Amália, Coração Independente. Há também a exposição, no Panteão Nacional, Amália no mundo - O Mundo de Amália.
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Nota de L.G.:
(*) Vd. último poste desta série: 4 de Outubro de 2009 > Guiné 63/74 - P5050: Efemérides (23): Declaração da Independência em 24 de Setembro decorreu não em Madina do Boé mas Lugajole (Patrício Ribeiro)