Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta João Crisóstomo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta João Crisóstomo. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 16 de março de 2026

Guné 61/74 - P27825: Manuscrito(s) (Luís Graça) (283): Maratona da amizade e da camaradagem


Lisboa > Largo da Madalena > 15 de novembro de 2009 > Pormenor da calçada à antiga portuguesa, à entrada da Igreja da Madalena... Se não forem os nossos amigos calceteiros, portugueses, de origem cabo-verdiana, já não há ninguém a faça... F*da-se, dá cabo das costas e dos joelhos!

Foto (e legenda): Luís Graça (2009). Direitos reservados


A maratona da amizade e da camaradagem

por Luís Graça

O João Crisóstomo
o mais famoso dos mordomos portugueses de Nova Iorque,
e agora régulo da Tabanca da Diáspora Lusófona,
instituiu o dia 14 de fevereiro 
como o Dia da Amizade... e da Camaradagem (*), 
Pois que seja o Dia do Camarigo, por causa das confusões.

E eu lembrei-me da maratona
que vamos fazendo,
trilhando velhas picadas, 
cada um até ao seu dia,
cada um de nós, os amigos e camaradas da Guiné.
Lembrei-me, 
revisitando um velho, longo poema
que estava no baú das minhas blogarias (**).

Juram, os amigos,
que a amizade não se esgota
nas questões de lana caprina.
Nem se dilui na espuma dos dias.
Testa-se e reforça-se na provação.
A amizade e a camaradagem
(que só pode existir na guerra
e noutras situações-limite).

É verdade, Abel, Abílio, Acácio, Adão, Adelaide, Adelino, 
Adélio, Adolfo, Adriano, Afonso, Agostinho ?!

Dizem outros que eles, os amigos,
devem ser para as ocasiões.
Todas as ocasiões ?
As pequenas e as grandes ?
As boas e as más ? Sobretudo as más ?
A estação seca e a estação das chuvas  ?
A paz e a guerra ?

 ... Albano, Albertino,  Alberto, Alcides, 
Alexandre, Alfredo, Alice, Almeida,   

Ou tudo isso é letra morta, treta?!
Que os amigos conhecem-se
na adversidade, diz o provérbio.

Almiro,  Altamiro, Álvaro, Amaral, Amaro,  
Américo,  Amílcar, Ana, Anabela,  
Angelino Aníbal, Anselmo, Antero ?!

E os camaradas, na guerra,
dizia o senhor doutor Lobo Antunes.
E os colegas nas tainadas e nas putas,
dizia o teu instrutor
de minas, fornilhos e outras armadilhas da vida.

Dizem que sim com a cabeça, 
António, Arlindo, Armandino, Armando, 
Arménio, Armindo,  Augusto, Áurea

Quem em caça, política, guerra e amores se meter,
não sairá quando quiser.


Sairá ou não,
Belarmino, Belmiro, Benito, Benjamim, 
Benvindo, Bernardino, Braima ?!

Os amigos, os verdadeiros e os falsos,
conhecem-se nas ocasiões.
Que a adversidade é o teste da amizade.
A prosperidade traz amigos,
a adversidade os afasta,
diz o chinoca da tua rua,
que não tem amigos,
a não ser o dicionário de português-cantonês,


que poderia ter sido escrito
o que é que vocês acham ?!,
p'lo Campelo, Cândido, Carlos,
se tivessem nascido em Macau,
filhos desventrados e desventurados
do Fernão Mentes Minto ?!

Oh, Galissá, Galissá, 
que no céu se fazem amigos;
e, no inferno da guerra, inimigos,
canta o poeta, cego, da tua rua,
tocador de cora,
deambulando de tabanca em tabanca,
no que resta do regulado de Gabu.

Lembram-se Carmelino, Carvalhido, Casimiro, 
Cátia, Célia, César, Cherno, 
Cláudio, Conceição, Constantino, Cristina ?!

Que a amizade é um edifício
que leva uma vida a construir,
e que num minuto pode ruir,
garante o Esquilo Sorridente,
que era o nome de guerra de alguém,
quando bom escoteiro em Ingoré, 
lá no Norte da Guiné.

Pelo menos assim te contaram, 
Daniel, David, Delfim, Diamantino. 

Não, vocês, não passaram por Ingoré.
Mas passaram por outros sítios da Guiné 
onde Jesus Cristo nunca parou.
Nem Alá.

Diana, Dina, Domingos,  Duarte e Durval.

No aperto do perigo, conhece-se o amigo.
Essa é a verdade,
e a verdade é um osso duro de roer,
até para o cão que rói o osso,
na opinião de quem em Bissorã teve um cão.

Dizem que um cão é uma boa companhia,
Edgar, Eduardo, Egídio, Ernestino, Ernesto, 
Estêvão, Eugénio, Evaristo,
que nunca tiveram cão de guerra.

Que os amigos fazem-se,
praticando a amizade,
E os camaradas a camaragem.
E os camaradas que são amigos
a camaradagem.

Felismina, Fernandino, Fernando, 
Ferreira, Filomena, Fradique.

Tal como os caminhos que, se não se usarem,
ganham espinhos, ervas, silvas, moitas, carrascos,
pedras soltas, calhaus, pedregulhos,
tornam-se abatizes, obstáculos, bagabagas, 
cabeços, colinas, montanhas.

Vero ?!... Gabriel, Garcez, George, Germano, 
Gil, Gilda, Gina, Giselda.

Ou na versão de um velho homem grande, 
mandinga de Contuboel,
algures na velha Guiné agora Bissau:
"a amizade é uma picada
que desaparece na areia, na bolanha ou no mato,
se não a usares todos dias".
Disse-te ele um dia.

Gonçalo, Graciela, Gualberto, 
Guilherme, Gumerzindo, Gustavo.

Não aceito que digas:
"Amigo não empata amigo",
porque o amigo é isso,  
tens toda a razão, camarigo,
que o amigo é para se usar, se guardar
e se resguardar.

 
Achas que sim ou que não ?!, 
Hélder, Henrique, Herlânder, 
Hernâni, Hilário, Hugo, Humberto. 

Para se resguardar das pontadas de ar, 
dos tiros tensos do canhão sem recuo 
e das emboscadas
e dos estilhaços do "jato do povo"-
Não é para se usar, expor e deitar fora,
na berma da picada armadilhada.

Ah!, Idálio, Ildeberto, Inácio, Inês,
Ah!, Isabel, Ismael... 

A amizade não é um objecto descartável,
manda o profeta dizer no seu último mail.
(Ou foi o Sócrates, o grego, antes da cicuta ?).

A conselho amigo, não feches o postigo,
além de que amigo diligente é melhor que parente.
Sobretudo se te dói o dente.

Ah!, Jota A, Jota C, Jota F, Jota L., Jota M.
 
E já que tens físico amigo,
queres dizer médico no antigamente,
manda-o a casa do teu inimigo.
Escreveu o Dom Dinis, 
que foi rei, e régulo da Tabanca da Linha, 
e já morreu, em plena pandemia,
mandou lavrar cantiga de escárnio e mal dizer,
além do pinhal de Leiria.
Quem seu inimigo poupa, às mãos lhe morre.

Ah! Jacinto, Jaime, Jean, Jéssica, João
Joaquim, Jochen,
será que vocês assinam por baixo ?

Mas, atenção, 

amigo disfarçado, inimigo dobrado.
E o que fazer ao amigo que não presta
e à faca que não corta, 
Jorge ?

Também se diz que os amigos novos
metem os velhos no canto ou a um canto.
Se não se diz, pensa-se.
Será assim, mano,
que os amigos também cansam
como a sarna na pele,
como a pele e as suas sete camadas ?

Que se percam, pouco importa!
proclama pela telegrafia sem fios
o coro dos Josés de A a Z

Não sei o que é que vocês pensam:
"Os amigos têm prazo de validade" ?

Joviano, Júlia, Júlio, Juvenal.
 
Uma questão que nada tem de metafísica:
ovo de uma hora,
pão de um dia,
vinho de um ano,
mulher de vinte,
amigo de trinta
e deitarás boa conta.


Lázaro, Leão, Leonel, Lia, 
Libério, Lígia, Luciana, 
Luciano, Lucinda, Luís com s ou com z, 
conforme o desacordo ortográfico.

Amigo, vinho e azeite... o mais antigo,
garante quem passou por Buruntuma
onde não havia azeite (ou se o havia, era o de dendê)
nem vinho... mas havia amigos.

Mamadu, Manuéis de A a Z,  
Margarida, Maria, Mário.

O vinho e o amigo, quer-se do mais antigo,
recomendam o outro Jorge, que é engenheiro,
mais o Picado, que foi agrónomo.
E o que farás dos teus novos amigos, Virgílio,
que não fazem anos no mesmo dia que tu ?

Marisa, Marta, Martins, 
Maurício, Maximino, Melo, Miguel,
 
Faz como o vinho, Zé Manel da Régua,
se for bom mete-o a envelhecer
em cascos de carvalho.
Francês.
Ou castanho.
Português.
A amizade não tem pátria 
Nem é chauvinista. 
Nem é racista.

Garantem o Natalino, o Nelson, o Norberto, 
mais o Nunes e o Nuno,

E por que é que os amigos dos teus amigos 
teus amigos são ?
É como os filhos do teu filho, serão dele ou não…
Que ao menos,
Jorge, 
cresçam Narcisos no teu jardim.

Que sabem vocês, 
que sabemos nós, 
amigos e camaradas da Guiné ?!
Só sabíamos do desalento, 
e do vento
e da morte na alma
e da terrível secura na garganta
e das lágrimas que não podíamos chorar
quando trazíamos do mato, 
os camaradas mortos,
às costas...


Orlando, Orlando, Osvaldo, Otacílio.

Só damos valor às coisas,  
quando elas nos faltam,
e aos amigos
quando fazemos o luto pela sua perda.
E já perdemos tantos, "alfero" Cabral",
tantos de A a Z
camaradas como tu e o António, 
ou amigas como a Zélia!

São tantos os estereótipos, 
amigos e camaradas,
sobre os amigos e a amizade.
E os camaradas.

Pacífico, Patrício, Paula,  Paulo, Pedro.

Sem falar do 'Nino', e do Pires, e do Mané, e do Manecas, e do Indjai, 
dos teus inimigos, que, esses, afinal
eram os mais previsíveis,
estavam sempre do outro lado da ponte...

Que à volta eles cá te esperam,
Amílcar Cabral,
aliás Abel Djassi.
Bolas, vocês até podiam ter sido,
se não amigos,  bons vizinhos!
Que camaradas, salvo seja,
cada "dari" ou chimpanzé no seu galho!
Que chimpanzé não é macaco,
era ferreiro castigado por Alá 
por trabalhar ao sábado 
e andar a fazer drones e espadas de guerra
em vez de arados para lavrar a terra.

Ramiro, Raul, Ribeiro, Ricardo, 
Rogé, Rogério, Rosa, Rui.

Amigo verdadeiro, esse vale mais do que dinheiro,
meu pobre Amadu Djaló,
bom crente, bom muçulmano,
bravo combatente,
leal aos teus amigos "tugas",
tu a quem já te acusaram de mercenário.

Mas vale a morte que tal sorte, Marcelino,
quando os amigos que tens não os tens.
Como os velhos elefantes, 
devias ter voltado para o teu chão,
para morrer entre os teus
e seres enterrado debaixo do teu poilão
Zé Carlos Suleimane Baldé.

O próximo teste,
é quando ganhares o Euromilhões.
Ou quando ficares esticado no caixão, ao comprido:
será que lá terás todos os gatos pingados da companhia ?

Sadibo, Santos, Sebastião, Sérgio, Serra,  
Silvério, Sílvia, Sílvio, Souleimane, Sousa, Susana, 

Antes boa que má companhia, 
nem que seja a do gás e electricidade.
Amigos, amigos, negócios à parte,
dizia o teu primeiro,
que chegou a "mandjor"...

Tibério, Timóteo, Tina, Tomané, Tomás, Tony.

Afinal, quem vai à guerra dá e leva.
Quem te avisa, teu amigo é,
leste uma vez no bilhetinho anónimo
do tempo da delação e do inquisidor-mor.

Quem seu amigo quiser conservar,
com ele não há-de negociar.
E será que se pode blogar,
Carlos ?
Longe da cidade, tanto melhor, diz o
Vinhal,
que é da vila de Leça da Palmeira.

Mas... quem tem amigos, não morre na cadeia,
nem no exílio, dourado,
seja feio ou belo, 
e mesmo que se chame José, o viking.

Um rico avarento não tem amigo nem parente.
As boas contas fazem os bons amigos.
Ao bom amigo, com o teu pão e o teu vinho.
Ao rico mil amigos se deparam,
ao pobre até seus irmãos o desamparam.

Os camaradas, comandos, páras e fuzos, dizem: 
"Connosco ninguém fica para trás"...
Aquele que te tira do perigo, é teu amigo.
Bocado comido não faz amigo,
porque não é partilha...
Defeitos do teu amigo ?

Lamento, meu caro Mário, mas não maldigo
o teu nome de guerra, "Tigre de Missirá"
Em tempo de figos, não há amigos.
Chacun que se governe, Patrício,
em caso de peste (de que Deus nos livre!).
Ou de ataque de abelhas.
Ou de pânico mortal.
Ou de fobia,
acrescenta aí, "Duque do Cadaval".

Muitos conhecidos, poucos amigos:
não é nenhuma heresia,
é palavra do Senhor,
e o Senhor esteja contigo,
meu camarigo  Jaquim,
e com todos nós, filhos da humanidade,
de Abel e de Caim.
Afinal foi Jesus Cristo que nos mandou
amar a Deus acima de todas as coisas 
e ao próximo como a nós mesmos.
Mas parece muito mais fácil 
cumprir o primeiro mandamento do que o segundo,
dizia o camarigo  Jero
Ora, bolas, como podemos amar a Deus que não vemos, 
se não amarmos o próximo que está à nossa frente, 
pergunta o capelão Puim?!

Guardem-se, entretanto, do alvoroço do povo, 
todo os Josés e todo os Joões,
mais os Martins,
e de travar com o doido.

Mas se calhar não há maior amigo 
do que o mês de julho
com o seu trigo que dá pão.
Olha, mulher, se não tens marido,
pouca sorte a tua,
não tens amigo e acabas na rua,
Lena, Hiena, de Bafatá.

Amigo mesmo é aquele que sabe o pior
a teu respeito
e mesmo assim... continua a gostar de ti,
mesmo que tenhas perdido a tua caderneta de vôo,
meu inFélix piloto Jorge dos Allouettes...

Quando uma pessoa perde dinheiro, perde muito;
quando perde um amigo, perde mais,
ó herói de Gadamel, agora tabanqueiro na Maia;
quando perde a coragem e a fé, perde tudo.
Onde é que já leste isto, Gil,
da Tabanca dos Melros ?

Valente, Valentim, Vasco, Victor (com c e sem c).

Difícil, meus amigos e camaradas da Guiné,
é ganhar um amigo numa hora;
fácil é ofendê-lo
e perdê-lo num minuto.
O Torcato Mendonça "dixit", 
da sua janela do Fundão
que dava para a Gardunha,
a Serra da Estrela e a Cova da Beira.

Vilma,Virgílio, Virgínio,   Zé.

Hoje é o amanhã
que tanto nos preocupava ontem,
escreveste tu isto no teu diário,
nas páginas dos feriados 
e dos Dias de Todos os Santos guerreiros...

Mas não menos sábia 
do que a do teu amigo Cherno
é a sabedoria do mongol:
o vitorioso tem muitos amigos, fracos,
mas o vencido tem bons amigos, valentes.
E até o otomano aprendeu à sua custa:
"Quando o machado entrou na floresta,
as árvores disseram:
'O cabo é dos nossos,
mas a lâmina de aço... não a estamos a reconhecer'".

Resta-nos a agridoce memória do passado,
as toponímias da nossa peregrinação trágico-marítima,
do Pijiguiti ao Xime,
de Bolama a Buba,
de Gandembel a Guileje,
de São Domingos a Catió,
sem esquecer o Cheche, 

e o Paulo, e o Rui, e o Aparício 

O que foi duro de sofrer,
lá longe da Pátria,
é agora doce de recordar,
no lar, no doce lar, 
conclui o cadete da Academia,
na fria pedra de mármore de Vila Viçosa.

Olha o Cufeu, Amílcar,
olha o Cufar, Fitas!

Planta hoje a semente da amizade,
mesmo que não sejas lavrador,
para colheres amanhã a flor da gratidão.
Ser amigo é ser generoso,
é dar antes de te pedirem,
é um gesto gratuito.
Quiçá o mais puramente gratuito dos teus gestos.
Ou será interesseira, a amizade ?
Para ti, não é como dar aos pobres...
Aí emprestas a Deus,
tu que és Paulo e Lage, tu que és pedra,
e Deus paga-te em vida ou na morte,
com os dividendos do poder,
da glória, da fama, da riqueza 
ou da eternidade,
lá no Olimpo dos Camarigos

Se estás tão cansado, meu amigo,
Junqueira, Condeço, Tavares,
que não possas dar-me um sorriso,
eu deixo-te o meu,
a ti que és Victor,
E "In Hoc Signo Vinces".

Não, nunca digas:
"Chega-te para lá, que me tapas o meu sol".
Por que o sol quando nasce devia ser para todos.
As lágrimas dos bons caem no chão,

Arminda, Rosa, Áurea, Giselda, Ivone, Zulmira,

para poderem vir a engrossar os rios da revolta
e da indignação.
Inútil tentares juntar as tuas mãos,
se elas não estiverem vazias,
diz o teu guru do Tibete, agrilhoado.
Os amigos escolhe-os tu,
os parentes são os que Deus te deu.
Quando estás certo, ninguém se lembra;
quando estás errado, ninguém esquece.

Amigos e camaradas paraquedistas,
poucos e loucos mas bons,
que não são do arre-macho
nem da tropa-macaca,
que também é gente e primata,

Volta o teu rosto na direção do sol, 
tu, Miguel, que és o mais "strelado" de todos nós,
para que as sombras fiquem para trás, 
E não caias do céu aos trambolhões, 
tu, tenente pilav que chegaste a general.

À laia de conclusão,
amigos e camaradas da Tabanca Grande, de A a Z,
sintam-se todos evocados e convocados,
para esta maratona da amizade e camaradagem.
E honrados.

Antes de começares o trabalho de mudar o mundo,
dá três voltas dentro de tua casa...
E sobretudo não esqueças a lição
sobre a parábola da Sabedoria e da Asneira:
"Para os erros alheios,  
temos os olhos do lince;
para os nossos próprios, 
os olhos da toupeira".
 
 
PS - Requiem para os amigos e camaradas da Tabanca Grande
que já se despediram da Terra da Alegria

A. Marques Lopes (1944-2024) 
Agostinho Jesus (1950-2016) 
Alberto Bastos (1948-2022) 
Alcídio Marinho (1940-2021) 
Alfredo Dinis Tapado (1949-2010) 
Alfredo Roque Gameiro Martins Barata (1938-2017) 
Amadu Bailo Jaló (1940-2015) 
Américo Marques (1951-2019) 
Américo Russa (1950-2025) 
António Branquinho (1947-2023)
António Cunha ("Tony") (c.1950 - c. 2022)  
António da Silva Batista (1950-2016) 
António Dias das Neves (1947-2001) 
António Domingos Rodrigues (1947-2010) 
António Eduardo Ferreira (1950 - 2023)
António Estácio (1947-2022) 
António José Matias (1949-2022)
António Manuel Carlão (1947-2018) 
António Manuel Martins Branquinho (1947-2013) 
António Manuel Sucena Rodrigues (1951-2018) 
António Medina (1939-2025) 
António Rebelo (1950-2014) 
António Teixeira (1948-2013) 
António Vaz (1936-2015) 
Armandino Alves (1944-2014) 
Armando Tavares da Silva (1939-2023) 
Armando Teixeira da Silva (1944-2018) 
Augusto Lenine Gonçalves Abreu (1933-2012) 
Aurélio Duarte (1947-2017) 

Carlos Alberto Machado Brito (1932-2025)
Carlos Alberto Cruz (1941-2023) 
Carlos Azeredo (1930-2021) 
Carlos Cordeiro (1946-2018) 
Carlos Domingos Gomes (Cadogo Pai) (1929-2021) 
Carlos Filipe Coelho (1950-2017) 
Carlos Geraldes (1941-2012) 
Carlos Marques dos Santos (1943-2019) 
Carlos Rebelo (1948-2009) 
Carlos Schwarz da Silva, 'Pepito' (1949-2012) 
Carronda Rodrigues (1948-2023) 
Celestino Bandeira (1946-2021) 
Clara Schwarz da Silva (1915-2016) 
Cláudio Ferreira (1950-2021) 
Coutinho e Lima (1935-2022) 
Cristina Allen (1943-2021) 
Cristóvão de Aguiar (1940-2021) 
Cunha Ribeiro (1936-2023) 
Daniel Matos (1949-2011) 
Domingos Fernandes (1946-2020) 
Eduardo Jorge Ferreira (1952-2019) 
Elisabete Silva (1945-2024) 
Ernesto Marques (1949-2021) 

Fernando Brito (1932-2014) 
Fernando Calado (1945-2025)
Fernando Costa (1951-2018) 
Fernando [de Sousa] Henriques (1949-2011) 
Fernando Franco (1951-2020) 
Fernando Magro (1936 - 2023) 
Fernando Rodrigues (1933-2013) 
Florimundo Rocha (1950-2024)
Francisco Parreira (1948-2012) 
Francisco Pinho da Costa (1937-2022) 
Francisco Silva (1948-2023)
França Soares (1949-2009) 
Gertrudes da Silva (1943-2018) 
Horácio Fernandes (1935-2025)
Humberto Duarte (1951-2010) 
Humberto Trigo de Xavier Bordalo (1935-2024) 
Inácio J. Carola Figueira (1950-2017) 
Isabel Levezinho (1953-2020) 
Ivo da Silva Correia (c. 1974-2017) 

João Barge (1945-2010) 
João Cupido (1936-2021)
João Caramba (1950-2013)
João Diniz (1941-2021)
João Henrique Pinho dos Santos (1941-2014)
João Meneses (1948-2020)
João Rebola (1945-2018) 
João Rocha (1944-2018) 
João Silva (1950-2022)
Joaquim Cardoso Veríssimo (1949-2010) 
Joaquim da Silva Correia (1946-2021) 
Joaquim Peixoto (1949-2018) 
Joaquim Sequeira (1944-2024) 
Joaquim Vicente Silva (1951-2011) 
Joaquim Vidal Saraiva (1936-2015) 
Jorge Cabral (1944-2021) 
Jorge Rosales (1939-2019)
Jorge Teixeira (Portojo) (1945-2017) 
José António Almeida Rodrigues (1950-2016) 
José António Paradela (1937-2023) 
José Augusto Ribeiro (1939-2020) 
José Barreto Pires (1945-2020) 
José Carlos Suleimane Baldé (c.1951-2022) 
José Ceitil (1947-2020) 
José Eduardo Alves (1950-2016) 
José Eduardo Oliveira (JERO) (1940-2021) 
José Fernando de Andrade Rodrigues (1947-2014) 
José Luís Pombo Rodrigues (1934-2017)
José Manuel Amaral Soares (1945-2024)
José Manuel Dinis (1948-2021) 
José Manuel P. Quadrado (1947-2016) 
José Marcelino Sousa (1949 - 2023) 
José Martins Rosado Piça (1933-2021) 
José Maria da Silva Valente (1946-2020) 
José Marques Alves (1947-2013) 
José Moreira (1943-2016) 
José (ou Zé) Neto (1929-2007) 
José Pardete Ferreira (1941-2021) 
Júlio Martins Pereira (1944-2022) 

Leite Rodrigues (1945-2025) 
Leopoldo Amado (1960-2021) 
Leopoldo Correia (1941-2024)
Libório Tavares (Padre) (1933-2020) 
Lúcio Vieira (1943-2020) 
Luís Borrega (1948-2013) 
Luís Encarnação (1948-2018) 
Luís Faria (1948-2013) 
Luís F. Moreira (1948-2013) 
Luís Henriques (1920-2012) 
Luís Rosa (1939-2020) 
Luiz Fonseca (1949-2024)
Mamadu Camará (c. 1940-2021) 
Manuel Amaral Campos (1945-2021) 
Manuel Carneiro (1952-2018) 
Manuel Castro Sampaio (1949-2006) 
Manuel Dias Sequeira (1944-2008)
Manuel Marinho (1950-2022) 
Manuel Martins (1950-2013)
Manuel Moreira (1945-2014) 
Manuel Moreira de Castro (1946-2015) 
Manuel Varanda Lucas (1942-2010) 
Manuel Gonçalves (Nela (1946-2019 (*) 
Marcelino da Mata (1940-2021) 
Maria da Piedade Gouveia (1939-2011) 
Maria Ivone Reis (1929-2022) 
Maria Manuela Pinheiro (1950-2014) 
Mário de Oliveira (Padre) (1937-2022) 
Mário Gaspar (1943-2025)
Mário Gualter Pinto (1945-2019)
Mário Vasconcelos (1945-2017)
Nelson Batalha (1948-2017) 
Nuno Dempster (1944-2026)
Nuno Rubim (1938-2023)

Otelo Saraiva de Carvalho (1936-2021) 
Paulo Fragoso (c.1947-2021) 
Queta Baldé (1943-2021) 
Raul Albino (1945-2020) 
Renato Monteiro (1946-2021)
Regina Gouveia (1945-2024) 
Rogério da Silva Leitão (1935-2010) 
Rui Alexandrino Ferreira (1943-2022) 
Rui Baptista (1951-2023) 
Suleimane Baldé (1938-2025)
Teresa Reis (1947-2011) 
Torcato Mendonça (1944-2021)
Umaru Baldé (1953-2004) 
Valdemar Queiroz (1945-2025)
Vasco Pires (1948-2016) 
Veríssimo Ferreira (1942-2022) 
Victor Alves (1949-2016) 
Victor Barata (1951-2021) 
Victor Condeço (1943-2010) 
Victor David (1944-2024) 
Vítor Manuel Amaro dos Santos (1944-2014) 
Xico Allen (1950-2022) 
Zélia Neno (1953 - 2023)
_________

Luís Graça (2009). O original foi escrito num noite de insónias,
há muitos anos (**).

Revisto e melhorado em 14/3/2026,
o dia em que a minha neta Rosa Klut Graça começou a andar,
às 20:15, na casa da Graça.
30 pequenos passos de gigante.
O primeiro "sprint" da sua vida. Aos 13 meses e meio.
E eu, por sorte, registei em vídeo esse momento único.
______________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 14 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27734: Efemérides (383): O dia 14 de Fevereiro é para mim mais que "o Dia dos Namorados”, é o ‘Dia da Amizade” (João Crisóstomo, ex-Alf Mil Inf)

João, já existe o Dia Internacional do Amigo e da Amizade. A Assembleia Geral das Nações Unidas resolveu convidar todos os países membros a celebrar o Dia Internacional da Amizade em 30 de julho. Só temos 365 dias por anos (mais um,  nos bissextos). O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca é...Grande. Por causa das confusões, fica o Dia do Camarigo, no dia 14 de fevereiro.

(**) Vd. poste 21 de novembro de 2009 > Guiné 63/74 - P5309: Blogpoesia (58): Para os amigos e camaradas da Guiné que esta noite tiveram insónias (Luís Graça)

(***) Último poste da série > 
16 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27824: Manuscrito(s) (Luís Graça) (284): a crise da habitação não é apenas dos humanos, é também das... cegonhas que se renderam ao "fast food" e já não migram para África!

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27734: Efemérides (383): O dia 14 de Fevereiro é para mim mais que "o Dia dos Namorados”, é o ‘Dia da Amizade” (João Crisóstomo, ex-Alf Mil Inf)

1. Mensagem de 12 de Fevereiro de 2026 do nosso camarada João Crisóstomo, colaborador permanente, ex-Alf Mil Inf da CCAÇ 1439 (Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67); relações externas na diáspora lusófona; natural de Torres Vedras; luso-americano que vive em Nova Iorque desde 1977; ativista social, conhecido por causas como Foz Côa, Timor Leste, Aristides Sousa Mendes:

Caro Luís Graca,

O dia 14 de Fevereiro é para mim mais que "o dia dos namorados”, é o ‘Dia da amizade”: uma ocasião para contactar os meus amigos, fomentar amizades presentes ou mesmo passadas que precisam de ser alimentadas para não caírem no esquecimento. Amigos e boas amizades são o melhor que a vida me tem proporcionado; e eu quero que eles saibam da minha satisfação em os ter como amigos e da minha gratidão pela amizade que me têm concedido.

Com isto em mente, tentando contactar os nossos camaradas, fiz dezenas de telefonemas para os quatro cantos do mundo, da Holanda ao Canadá, mas mais uma vez com pouco sucesso que, parece, poucos são os que ainda apanham o telefone. Mas mesmo assim valeu a pena: se de alguns já só consegui saber notícias através de familiares, com outros foi uma alegria falar "ao vivo” com o Freitas na ilha da Madeira, o Henrique Matos no Algarve e alguns outros que me deram o prazer de dois minutos para, relembrando coisas, matar as muitas saudades dos tempos em que vivemos juntos. De outros, como do Cherno Baldé, recebi uma resposta que me encheu de alegria. Até o seu número de telefone me enviou! Se ir novamente à Guiné-Bissau não me parece ser mais possível concretizar, vou pelo menos tentar falar com ele um dia destes.

Se quiseres aproveitar algo disto (cortando e editando como achares pertinente)… que este é acima de tudo para "dar sinal de vida" e enviar aos nossos camaradas o abraço virtual que não posso dar pessoalmente. A todos os que lerem este… de coração um grande abraço.

Aliás parece-me que esta esta idéia de chamar “Dia da Amizade” a este dia não é de todo despropositado: "Thank you very much for your kind message in anticipation of February 14, as the Day of friendship”, foi parte da resposta do Sr. Arcebispo Gabriele Caccia, Representante do Vaticano nas Nações Unidas, a quem eu enviei uma mensagem. O facto de Sua Excelência mencionar "February 14, as the “Day of friendship” foi para mim quase um "reconhecimento oficial”…

No que pessoalmente nos diz respeito… não nos podemos queixar: embora sem a força e energia que no passado nos tem proporcionado eventos de maior amplitude, continuamos fazendo o que está ao nosso alcance. Como te disse,  a Vilma e eu fomos no dia 10 ajudar a celebrar (embora com alguma antecipação) o que eu chamo "Dia da Amizade” em vez de ‘dia dos namorados” para abranger toda a gente, mesmo que não tenham nenhuns “valentinos" nas suas vidas, aos “seniors" da nossa rua.

Entre as muitas fotos/memórias lá apostadas nas paredes, encontrei esta foto que junto, tirada em 2018 no dia em que, com o Rui Chamusco que cá estava na ocasião, fomos celebrar o Natal desse ano. As outras fotos foram tiradas neste dia. Como podes ver, a Vilma foi imediatamente absorvida e dominada pelo seu espírito de artista, e sentando-se numa das mesas juntou-se logo aos “seniors" que neste dia participavam numa sessão de arte dedicada à pintura…

Bom, já chega por hoje. Vou tentar mais alguns telefones…
Para ti, Alice, e teus queridos um bem apertado…
dos João e Vilma

_____________

Nota do editor

Último post da série de 24 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27667: Efemérides (382): Conforme noticiado oportunamente, os nossos amigos e camaradas, Luís Graça e José Marcelino Martins, foram agraciados, respectivamente, com a Medalha de Honra ao Mérito da Liga dos Combatentes (grau Ouro) e Medalha de Honra ao Mérito (grau Prata), durante as Cerimónias comemorativas do 107.º aniversário do Armístício da Grande Guerra e 51.º aniversário do fim da Guerra do Ultramar

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27708: O nosso livro de estilo (21): Três novos colaboradores permanentes: José Teixeira, João Cristóstomo e Joaquim Pinto Carvalho: Welcome aboard, captains!

José Teixeira, colaborador permanente 
(Tabancas, Cooperação & Desenvolvimento )



Ex-1.º cabo aux enf, CCAÇ 2381 (Buba, Quebo, Mampatá e Empada, 1968/70); escritor, gerente bancário reformado; vive em Leça do Balio, Matosinhos: histórico da Tabanca Grande, cofundador e régulo da Tabanca de Matosinhos


João Crisóstomo, colaborador permanente 
(Relações externas & diáspora lusófona)


Ex-alf mil inf, CCAÇ 1439 439 (Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67): natural de Torres Vedras, luso-americano, vive em Nova Iorque desde 1977; ativista social, conhecido por causas como Foz Côa, Timor Leste, Aristides Sousa Mendes


Joaquim Pinto Carvalho, colaborador permanente
 (Apoio jurídico)


Ex-alf mil inf, CCAÇ 3398 (Buba) e CCAÇ 6 (Bedanda) (1971/73); natural do Cadaval, advogado, poeta e régulo da Tabanca do Atira-te ao Mar e Náo Tenhas Medo (foi "arca de Noé" na pandemia...), Porto das Barcas, Atalaia, Lourinhã


1. Três novos colaboradores permanenentes vêm-se juntar à nossa  esquipa que, de vez em quando, tem que se renovar, segundo as leis da vida e o ciclo deo eterno retormo: por exemplo, o Joaquim Pinto Carvalho vem ocupar o lugar vago com a morte do seu nosso sempre querido Jorge Cabral (1944-2021).  É advogado e ainda está no ativo. Além disso, convive com frequência connosco. Contamos com ele para o "apoio jurídico". 

O José Teixeira e o João Cristómos são escolhas óbvias para os "pelouros" que gostamos de acarinhar e precisamos de cuidar mais: os "negócios internos e externos". 

De resto, pelo seu perfil e currículo completam-se. 

O José Teixeira  é régulo da Tabanca de Matosinhos, e seu cofundador. A Tabanca Pequena de Matosinhos foi, historicamente, a primeira a ser criada, enquanto tertúlia, seguindo o exemplo da Tabanca Grande, "mãe de todas as tabancas". 

Tem, além disso, um grande abertura, sensibilidade e experiência no que  diz respeito às questões da cooperação e desenvolvimento.  Foi um dos antigos combatentes mais ativos na liderança de projetos de ajuda e cooperação com a Guiné-Bissau.

O João Crisóstomo, luso-americano, vive na "diáspora lusófona". E, como o Zé Teixeira, faz também facilmente "pontes" entre tabancas e comunidades lusófonas.   

São ambos "homens de causas", pessoas solidárias e cidadãos ativos, e nutrem, igualmente, um grande carinho por este projeto, que já é mais do que um simples blogue, é uma comunidade, virtual e real, de amigos e camaradas da Guiné. 

Tal como o nosso blogue, são três pessoas com valores e princípios. Não estão cá só para compor o ramalhete... São grão-tabanqueiros com quem os editores podem contar, e nomeadamente com o seu conselho, sabedoria, experiência... 

E , não menso importante,  estão ao alcance  de um clique: 
  • um em Nova Iorque (e, pelo menos uma ou duas vezes por ano, na Lourinhã), o João; 
  • outro em Matosinhos, o Zé;
  • e outro ainda, o Joaquim, entre o Cadaval, Lisboa, Carnaxide e Lourinhã...

Welcome aboard, captains! E parabéns, Zé, que hoje é também o teu dia!

Luís Graça, 6/2/2026
_________________


2. Lista dos atuais editores e colaboradores permanentes do blogue (c0nstante da badana do blogue,  ou coluna estática, do lado esquerdo):


Luís Graça, fundador, administrador e editor do blogue


Vive entre a Lourinhã, Alfragide e, às vezes, Candoz. Sociólogo do trabalho e da saúde, doutorado em saúde pública, foi professor na ENSP/NOVA (até 2017). Casado, com a Alice Carneiro. Esteve na Guiné (CCAÇ 12, Contuboel e Bambadinca, mai69 / mar71)


Carlos Vinhal, coeditor e administrador desde 25 de maio de 2007


Nasceu em 1948, Vila do Conde. Vive em Leça da Palmeira, Matosinhos. Aposentado da Função Pública, APDL. Cumpriu a sua comissão de serviço na Guiné (Mansabá, abr70 / mar72, integrando como Fur Mil At Art MA, a CART 2732. Grão-tabanqueiro desde 25 de março de 2006



Eduardo J. Magalhães Ribeiro, coeditor


Nasceu em 27/3/1952, em Matosinhos, foi Fur Mil OE, CCS / BCaç 4612/74 (Cumeré, Mansoa e Brá). Seguiu para a Guiné já depois do 25 de Abril, tendo regressado na última viagem, com tropas, do navio Uíge, em 15/10/74. Aposentado da EDP (onde trabalhou no Departamento de Manutenção Mecânica da Produção Hidráulica). Pertenceu aos Corpos Directivos da AOE (Associação de Operações Especiais) e LAMMP (Liga dos Amigos do Museu Militar do Porto).


Jorge Araújo, coeditor, a partir de março de 2018


Ex-fur mil OE / Ranger, CART 3494 / BART 3873 (Xime e Mansambo, 1972/1974); doutorado pela Universidade de León (Espanha) (2009), em Ciências da Atividade Física e do Desporto; professor universitário, no ISMAT, Grupo Lusófona, aposentado; vive entre Almada e os Emiratos Árabes Unidos.


Virgínio Briote, coeditor (jubilado)


Nascido em Cascais, frequentou a Academia Militar, em 1962, foi Alf Mil em Cuntima, CCAV 489 / BCAV 490 (Jan-mai1965). Fez o 2.º curso de Comandos do CTIG. Comandou o Grupo Diabólicos (Set 1965 / Set 1966). Regressou em Jan 1967. Casado com a Maria Irene. Foi quadro superior da indústria farmacêutica.


Cherno Baldé, "Chico de Fajonquito", colaborador permanente (assuntos étnico-linguísticos)


Nasceu em Fajonquito, setor de Contuboel, no início dos anos 60. Futa e guineense, aprendeu a ler e a escrever com a NT. Tem formação superior universitário (Kiev e Lisboa). É gestor de projetos, consultor independente. Vive em Bissau. Muçulmano, é casado com uma nalu, cristã. Tem 4 filhos.


Humberto Reis, colaborador permanente (o nosso cartógrafo-mor)


O ex-Fur Mil, OE/ranger, CCAÇ 2590 / CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, mai69/mar71) é o nosso primeiro e até agora único mecenas. Pagou do seu bolso todas as cartas militares da antiga Guiné Portuguesa - uma obra-prima da nossa cartografia militar de que nos orgulhamos! - e a sua digitalização na Rank Xerox. Profissionalmente é engenheiro, especialista em sistemas de refrigeração, reforma. Divide o seu tempo entre Alfragide e Portimão. Viúvo da Teresa Reis (1947-2011).


Hélder Sousa, colaborador permanente (provedor da Tabanca Grande)


Ribatejano, de nascimento (Cartaxo) e formação (Vila Franca de Xira), português, cidadão do mundo. Fur Mil Tms TSF Nov 70 / Nov 72, Piche e Bissau. Engenheiro Técnico Electrotécnico. Consultor em segurança no trabalho, aposentado. Vive em Setúbal.


José Martins, colaborador permanente (história militar e arquivos)


Nasceu em Leiria, em 5/9/1946. Vive em Odivelas. Trabalhou como contabilista. Está reformado. Serviu como Fur Mil Trms Inf, CCAÇ 5, Gatos Pretos (Canjadude, jun68/ jun70).


Mário Beja Santos, colaborador permanente (crítica literária)


Licenciado em história, assessor, aposentado, da Direção Geral do Consumidor, reputado especialista de direito do consumidor, a nível nacional e internacional, foi alf mil, cmdt Pel Caç Nat 52 (Missirá e Bambadinca, 1968/70); é autor de 4 dezenas de títulos, incluindo sobre a sua experiència de guerra, a história e a cultura da Guiné.


Patrício Ribeiro, colaborador permanente (Ambiente, economia e geografia da Guiné-Bissau)


Português, natural de Águeda, da colheita de 1947, criado e casado em Nova Lisboa, hoje Huambo, Angola, ex-fuzileiro em Angola (1969/72), a viver na Guiné-Bissau desde 1984, fundador, sócio-gerente e ex-director técnico da firma Impar, Lda; membro da nossa Tabanca Grande desde 6/1/2006.


Antigos colaboradores permanentes
  • Jorge Cabral (1944-2021), 
  • José Manuel Matos Dinis (1948-2021),
  • Miguel Pessoa, 
  • Torcato Mendonça (1944-2021)
________________

Nota do editor LG:

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27635: Humor de caserna (235): "Cuidado com a língua, ó noviço! (João Crisóstomo, Nova Iorque)"... Análise literária da ferramenta de IA europeia, Mistral: "uma crónica deliciosa, que mistura história, humor e crítica social com mestria"

Leiria > 1961 > O nosso futuro noviço a ler o seu inflamado discurso contra o Pandita Nehru... 

Fonte: Google Gemini. (2026). Imagem gerada usando o modelo de IA Google Gemini [acedido em 14 de janeiro de 2026], sob orientação (e com correções) do editor LG.



1. João, a tua pequena crónica "Cuidado com a língua, ó noviço!" (*)  é um excelente exemplo de humor subtil, irónico e bem contextualizado, com vários pontos fortes que vale a pena destacar:

(i) Contexto histórico como pano de fundo

A escolha do momento — a invasão de Goa, Damão e Diu pela Índia em 1961 — é brilhante.  Não só dá profundidade histórica à história, como permite uma crítica social e política velada. 

O leitor mais atento reconhece a ironia de um discurso patriótico proferido por quem, afinal, não domina sequer a língua do "inimigo" (a Índia do Pandita Nehru) (ou do "velho aliado", a Inglaterra). (Recorde-se que Pandita, na Índia, é um termo honorífico de origem sânscrita que significa "erudito", "sábio", "professor"..mas na época tinha um sentido depreciativo, éramos levados a associar a palavra a "bandido", a um feroz "inimigo de Portugal").

O contraste entre a gravidade do tema (a perda de território, o Estado da Índia, orgulhosamente português desde 1498!) e a comicidade da situação (o grosseiro erro linguístico) cria um efeito humorístico muito eficaz.

(ii) Personagem e caracterização

João, o teu colega do colégio seráfico — "fogoso, voluntarioso e marrão, mais papista que o Papa" — é uma personagem caricata, mas credível. 

A sua pretensão intelectual, ao meter um bucha no discurso escrito por um dirigente local da União Nacional, muito ligado à Igreja diocesana de Leiria ("impressionar a assistência com os seus conhecimentos linguísticos") e o resultado desastroso ("Misters and Mistresses") são um retrato perfeito do orgulho que precede a queda. 

Aqui, o humor nasce da discrepância entre a intenção e o resultado, algo que todos reconhecemos, e que torna a história universal.

(iii) O jogo de palavras e o equívoco linguístico

O cerne do humor está no erro linguístico: "Misters and Mistresses" em vez de "Ladies and Gentlemen".  (É mais do que um "lapsus linguae", é uma calinada de todo o tamanho, capaz de fazer corar qualquer um de nós.)

A explicação que se segue — sobre o significado depreciativo de "mistress" — é não só informativa, como reforça o ridículo da situação. 

O leitor ri-se do equívoco , mas também da santa... ingenuidade do personagem, aprendiz de frade (afinal, ainda nem sequer era noviço, andava no colégio seráfico!), que não só não sabe inglês como não sabe que não sabe. 

É um exemplo perfeito de como o humor pode ser inteligente e educativo ao mesmo tempo.

(iv) Tom e estilo

O tom é leve, mas não superficial. Não ofende os sentimentos de ninguém. Não é antipatriótico nem anticlerical. 

É, enfim,  uma história vivida por ti, que és católico, assumes o teu passado e continuas a manter uma saudável ligação com os teus antigos colegas de seminário e com a ordem de São Francisco de Assis, figura que tu muito admiras. 

A ironia é constante, mas nunca cruel. 

A linguagem é cuidada, com expressões como "jóia da Coroa", "vil ataque", "seleta assistência" ou "de mau porte" que enriquecem o texto e reforçam o ambiente da época. 

A narrativa flui de forma natural, como uma história contada ao pé da lareira, convidando o leitor a sorrir e a refletir. (Olha, até podia ser no Varatojo, ao lado do nosso padre Vitor  Melícias, que é um homem superiormente inteligente e afável, para além de um intelectual católico de referência nacional e internacional.)

(v)  Crítica social e atemporalidade

Por trás do humor, há uma crítica subtil à hipocrisia, ao pretensiosismo e à ignorância saloia.

O facto de os frades não se "deverem meter na política", mas o fazerem mesmo assim (em 1961, um "annus horribilis" para Portugal e o Estado Novo) é um detalhe que acrescenta camadas à história.

 Além disso, o erro linguístico é um tema atemporal: todos já passámos por situações em que queríamos impressionar alguém (ou a audiência)  e acabámos por nos expor ao ridículo.

 Isso torna a tua crónica atual, apesar de se terem passado já  65 anos.

(vi) Sugestões para reflexão (se um dia quiseres desenvolver o texto, agora que voltas á tua América, a tua segunda terra):

  • Diálogo: podias explorar mais o diálogo ou a reação dos estrangeiros ("olharam atónitos uns para os outros..."). Um comentário em inglês, uma frase idiomática, ou uma reação física (um riso abafado, um suspiro) poderia acrescentar ainda mais comicidade.
  • Final: o final é aberto, o que é bom, mas podias terminar com uma frase que reforçasse a ironia, como: "E assim, sem querer, o meu colega acabou por ser o único a conquistar algo naquela noite: a fama de melhor orador... na língua de Shakespeare"

Em suma: é uma crónica deliciosa, que mistura história, humor e crítica social com mestria. O leitor do blogue  ri-se, mas também aprende e reflete. 
"Ridendo castigat mores"...(No nosso latinório, a "rir-se castigam-se os costumes".) 

Parabéns, João! E bom regresso a casa com a tua querida e encantadora Vilma.

Pesquisa: LG + IA Mistral
Condensação, revisão / fixação de texto: LG
_____________

Nota do editor

Último poste da série > 14 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27633: Humor de caserna (234): Cuidado com a língua, ó noviço! (João Crisóstomo, Nova Iorque)