sábado, 5 de outubro de 2013

Guiné 63/74 – P12118: Estórias avulsas (69): Balas de raiva: o meu amigo Toy Sardinha, da CCAV 1747 (Bissum, 1967/69), gravemente ferido em 24/12/1967, é evacuado para o HMP... Os médicos não lhe encontram a bala... que virá a sair, anos mais tarde, da perna... contrária! (José Saúde)


1. O nosso Camarada José Saúde, ex-Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BART 6523 (Nova Lamego, Gabu) - 1973/74, enviou-nos a seguinte mensagem.



Homenagem a um velho amigo, e camarada, que muito estimo



António Sardinha, ferido numa emboscada na região de Bula no dia 24 de dezembro de 1967



Balas de raiva



Não quero, tão-pouco pretendo, lançar achas para a fogueira cujas labaredas se predispõem a mal entendidos quando em causa residem opiniões egocêntricas que cruzam um espaço onde se debitam ideias variadas e que ostensivamente merecem o nosso devido respeito.



Sublinho que a minha já longa experiência de vida, na escrita sobretudo, não me permite dirimir convicções, ou certezas absolutas, mas um alinhamento de conjugações factuais que literalmente elevam o teor da discussão. É credível a opinião de todos os camaradas, pese embora a precisão faturada de quem emite pareceres de um determinado acontecimento vivido em grupo. 

A pluralidade de um destinado confronto com a guerrilha é por vezes digerido, e comentado, de formas diferentes. Porém, existe na narração verdades pelas quais passámos, sendo que a maneira de explanar o chamado “embrulhar” tem perniciosos tentáculos amplamente complicados.

As emoções sentidas por cada um de nós na guerra da Guiné, levam-nos a extravasar díspares sensações vividas no meio do conflito onde eramos, apenas, pedras de um puzzle colocados em espaços anárquicos e ao serviço de interesses alheios.

A temática por ora exposta tem como título balas de raiva numa Guiné deveras surpreendente. Creio que era peculiar conviver de perto com o aforismo popular sangue, suor e lágrimas.

Todos, ou quase todos, conhecemos os amargos de uma guerra que não deu descanso. A luta trivial nas frentes de combate foi extremamente dura. Duríssima, acrescento. Perdas de vidas, estropiados e feridos com gravidade foram mato.

Desse imenso rol de camaradas que ainda hoje se deparam com problemas herdados da guerra na Guiné, trago à estampa o meu velho amigo António Manuel Moisão Sardinha, natural de Beja, que embarcou para aquele território em julho de 1967, sendo que seis meses depois, numa emboscada sofrida na zona de Bula, colocou fim à sua comissão.

O meu amigo e camarada Toy Sardinha, como é habitualmente conhecido em Beja, pertencia à CCAV 1747, independente, e que ficou instalada no aquartelamento de Bissum.

No dia 24 de dezembro de 1967, vésperas de Natal, o pelotão onde seguia caiu numa emboscada, sendo que o saldo final se cifrou num morto e quatro feridos. O morto, segundo o Toy, tinha como sobrenome de Silva.

Sendo o seu estado preocupante, o nosso antigo camarada foi evacuado para o Hospital de Bissau, onde se manteve dois meses, e transferido para o Hospital Militar de Lisboa. Foi operado naquela unidade hospitalar e a sua recuperação estendeu-se até ao mês de dezembro de 1969.

O nosso camarada é um homem que jamais escondeu a sua postura física. Ela é visível. A perna esquerda ficou mais curta. Ainda assim fez, e faz, uma vida absolutamente normal. Vive no seu recanto familiar com a sua eterna companheira Fernanda. Trabalhou na antiga Administração Regional de Saúde em Beja. Está aposentado. Mantém uma disposição ótima. É alegre. Os seus apartes desabam, normalmente, para descomunais sorrisos. Tem sempre uma anedota na ponta da língua. 

O Toy é e será um dos muitos milhares de deficientes das Forças Armadas Portuguesas. Assume. Um selo herdado de uma emboscada sofrida no malfadado dia 24/12/1967, lá para as bandas de Bula

Hoje, o nosso camarada não se refugia na herança que a vida, enquanto jovem, o carimbou. Ironizando, como é seu hábito, assegura: “Na altura da operação a equipa médica não conseguiu encontrar a bala alojada na perna, mas passados muitos anos a magana acabaria por sair pela perna contrária sem que nada o fizesse prever. Coisas do destino”, diz com um sorriso nos lábios.

Expressa o povo, e com razão, que o nosso corpo tem por hábito expulsar matérias estranhas e a bala de raiva que dilacerou as entranhas do nosso camarada, finalmente apareceu. 

Força, Toy! 




Junto ao rio


Com outros camaradas em Bissum


O segundo da fila


No Hospital Militar, em Lisboa

Com Rosa Santos, antigo árbitro de futebol internacional, amigo de infância e que foi ferido em Angola 
Um abraço, camaradas 
José Saúde
Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BART 6523 


Mini-guião de colecção particular: © Carlos Coutinho (2011). Direitos reservados.

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Nota de M.R.:



Vd. último poste desta série em:


2 DE OUTUBRO DE 2013 > Guiné 63/74 - P12105: Estórias avulsas (68): Do meu Álbum de Fotos sobre Galomaro 3 (José Ribeiro)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Guiné 63/74 - P12117: Álbum fotográfico do Luís Nascimento, ex-1º cabo cripto, CCAÇ 2533, Canjambari e Farim, 1969/71 (Parte II): No N/M Niassa, com a CCAÇ 2590/CCAÇ 12, do Gabriel Gonçalves (GG), com a CPM [, Companhia de Polícia Militar,] 2537, do Jerónimo de Sousa...E depois Canjambari!



1. Pedi ao Luís Nascimento algumas informações adicionais:

(...) Já agora diz-me a razão de ser da tua alcunha, "assassan" (do francês, "assassin", assassino)... Diz-me também as datas (mês/ano): quando é que estiveste em Canjambari e em Farim... Quando é que vieste férias... Se tu foste para a Guiné com a tua companhia, a CCÇ 2533, então viajámos juntos (eu pertencia à CCAÇ 2590, futura CCAÇ 12), no Niassa, em 24/5/1969 (com chegada a Bissau a 30) e regressámos juntos, ni Uige (a 17/3/1971)!!!... 

É verdade ? Se sim, como vês, o Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande!!!... Um abração forte. Luis Graça

2. Resposta de imediato do Luís Nascimento,com data de ontem:

 Assunto: Histórias e Recordações de Guerra


Amigo Luís Graça,

Começo por agradecer a tua disponibilidade, por aturares todos estes filhos da Guiné e responder às tuas dúvidas, acerca do meu passado pelas fileiras do exército e a alcunha de "SIR ASSASSIN" meio inglês, meio francês...

Fiquei com a alcunha dos tempos em que era júnior do Académico de Viseu. Na altura, o  meu avô Vicente Afonso estava estabelecido com um negócio de talho, lá para os lados da Feira Franca de S. Mateus (Ribeira), junto ao campo de Viriato. 

Num jogo disputado no estádio do Fontelo com o Abraveses, eu que era guarda-redes, por indicação de mestre Vieirinha jogo a avançado centro. Ora numa rotação à entrada da área, deixei o defesa pregado e estatelado no chão e, sem maldade,  com as travessas da chuteira, atingi o meu adversário na mão que com os pregos à vista se feriu, sangrando abundantemente. 

Jogo parado, para assistência ao jogador,  e da bancada central do estádio, um espetador (Sr. João Pereira),  ex sénior do clube, manda a grande boca:
- És um assassino, julgas que estás lá no talho a matar vacas! ?

Daí a alcunha que perdura até hoje, mas com um toque mais macio,  "Sir Assassan". 

Estive no R.I. 14. na recruta,  estive 2 semanas nos campeonatos de atletismo da 2ª Região Militar em Coimbra, no estádio universitário. E depois em Leiria R.A.L 4 (Escriturários e S.P.M), onde bati umas bolas com:

(i)  o Aurélio Pereira (S.C.P),  o Manecas (Elefante Branco),  o Gê Gê (Gabriel Gonçalves, Cripto,  o Jeselito de Bambadinca, já teu conhecido, da CCAÇ 12);

(iv) o Moita (Oriental), o Brazão e o Camões (Trafaria), o Rodrigo Moura (AC de Viseu), internacional júnior na Alemanha com Victor Damas (Andámos os dois na Nuno Gonçalves, morámos na mesma rua, em Ponta Delgada, no mesmo prédio, jogámos à bola nas escadinhas da Ilha do Pico, com o irmão Miguel, o Dani e o Colorado,  mais tarde dos "Neptunos" das grandes noites do Passadiço)...

(v) e ainda o Pavão (F.C.P) (ainda bebi uns copos com o pai, quando da minha estadia no B.C.10 em Chaves, na formação da CCAÇ 2533), o  Caló (S.C.P) e o Camocas (S.L.B).

Ainda hoje o Assassan está presente nos almoços anuais do 2º Turno de 1968 (Criptos, Material Segurança, Informação, Escriturários S.M.P). Estive de férias no mês de Agosto na Metrópole.

As datas referidas estão certas. Quando cheguei a Bissau, depois de passar pelos adidos,  quartel general e Amura de visita a camaradas, embarcámos na banheira "Montante" [LDG], com destino a Farim,  com paragem no Cacheu, em  Ganturé, Binta e finalmente à terra da Maria Gorda e do Pedro Turra. 

Em coluna lá foram os piriquitos à ração de combate, há 9 dias com destino a Canjambari,   Morocunda,  com passagem por Ponte Lamel (onde mais tarde em 71 morreu em combate o nosso Alferes Ambrósio), Jumbembem (terras do Carlos Silva) e por fim o inferno até Dezembro 70,  o fim da comissão cerca de 3 meses em Farim, sem grandes problemas só umas bazucadas em Nema, na companhia de Vasco Lourenço e seus muchachos.

Pois,  amigo, viajamos nos mesmos cruzeiros e numa tivemos a companhia do camarada Jerónimo de Sousa,  do P.C.P,  da Companhia Polícia Militar 2537. 

A bordo do Niassa,  ancorado no cais do soldado,  em Stª. Apolónia, o meu pai Alberto Ramos (Tripulante do N/M Moçambique), foi fazer um pedido a um colega pasteleiro do navio, para me dar de comer e beber, pois a dormida ficou por minha conta, umas vezes no tombadilhos, outras vezes no fundo do porão em estado de coma com uma Vat 69 por perto.

Um Alfa Bravo,
Com WW um para ti, outro para mim. Nascimento
"Sir Assassan"

P.S - Quero aqui homenagear duas Grandes Mulheres que recordo com saudade,  da minha vida de Militar: Dª Aida Batista e Dª Fanta de Farim.




N/M Niassa > Navio misto (carga e passageiros), de 1 hélice, construído em 1955, na Bélgica, registado no Porto de Lisboa, e abatido em 1979; com  mais de 151 metros de comprimento, tinha arqueação bruta de c. 10.700 toneladas, uma potência de 6.800 cavalos e uma velocidade normal de 16,2 nós. Dispunha dos seguintes alojamentos: 22 em primeira classe, e 300 em classe turística, num total de 322 passageiros. (Quando transportavam tropas, a sua lotação quintuplicava...). O número de tripulantes era de 132. Armador: Companhia Nacional de Navegação, Lisboa.

Foi neste navio, adaptado a transporte de tropas,  que viajaram (!), de Lisboa para Bissau, diversas companhias independentes, incluindo a CCAÇ 2590 (futura CCAÇ 12), a CCAÇ 2591 (futura CCAÇ 13), a CCAÇ 2592 (futura CCAÇ 14), bem como a do nosso camarada Luís Nascimento, a CCAÇ 2533 ou ainda a CPM 2537 a que pertenceu o atual secretário geral do PCP (Partido Comunista Português), Jerónimo de Sousa. (Foi através do Luís Nascimento que soube deste facto, que desconhecia por completo).

Crédito fotográfico: Navios Mercantes Portugueses (2004) (Foto aqui reproduzida com a devida vénia...)














Guiné > Região do Oio >Canjambari > CCAÇ 2533 (Canjambari e Farim, 19679/71) > o 1º cabo cripto Luis Nascimento.


Fotos (e legendas) : © Luís Nascimento (2013). Todos os direitos reservados. [Edição: L.G.]

(Continua)

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Nota do editor:

Guiné 63/74 - P12116: (Ex)citações (226): Não me lembro do Oh! Alexandre... mas é muito natural que ele se lembre de mim: afinal, em dois terços do tempo de comissão, fui eu que comandei a CCAÇ 798... Também se deve lembrar do alf mil Pinheiro, que comandava o destacamento de Ganturé e que foi evacuado com 14 perfurações no corpo, na sequência de uma emboscada na estrada para Gandembel (Manuel Vaz, Gadamael, 1965/67)

1. Mensagem, de 24 de setembro último,  assinada pelo Manuel Vaz (ex-Alf Mil da CCAÇ 798, Gadamael Porto, 1965/67), em comentário ao poste P12083 (*):


Amigo Luís:

O Oh! Alexandre está a dar que falar!... e há razões para isso, mas eu não me lembro dele, o que não é de estranhar.

Quando a minha companhia saiu de Gadamael, o posto sanitário ainda não existia. O que existia era o posto de socorros da Companhia, ao lado das instalações de oficiais. Só em 70/71 é que foi construído entre os dos setores do Aldeamento um posto sanitário. Foi no tempo do Capitão Morais da Silva e deve ter sido aqui que o Oh Alexandre trabalhou.

As recordações que tem de mim resultam do facto de ter passado 2/3 da Comissão a Comandar a Companhia, o que me dava mais visibilidade. No meu tempo em Gadamael não havia população, residia toda no Destacamento, em Ganturé.

O Oh Alexandre também se deve lembrar
do Alf Pinheiro que comandava o Destacamento
[de Ganturé] e foi evacuado com 14 perfurações, quando o Grupo de Combate, juntamente com o Pel Rec 963, caiu numa emboscada na estrada para Gandembel.

Nunca mais voltou à Companhia mas safou-se.

Em Gadamael, quando a CCAÇ 798 saiu, ficou lá uma família de Tandas. Veio-me pedir para ficar lá e logo percebi que era para não ficar junto da restante população que residia em Ganturé.

Um abraço. Manuel Vaz (**)





Guiné-Bissau > Região de Tombali > Iemberém > 2 de março de 2008 > Exibição de um grupo de dançarinos tandas, por ocasião do Simpósio Internacional de Guiledje (Bissau, 1-7 de março de 2008). Os tandas, que são uma minoria étnica do Cantanhez (c. 2 mil), utilizam. para confeção do vestuário de trabalho e de lazer. cascas de árvores da floresta. [Para saber sobre os tandas e outros povos do Cantanhez, clicar aqui]

Fotos (e legenda): © Luís Graça (2008). Todos os direitos reservados

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Notas do editor:

(*) Vd poste de 25 de setembro de 2013 > Guiné 63/74 - P12083: Notícias dos nossos amigos da AD - Bissau (31): testemunho gravado em Gadamael, a história do Oh! Alexandre, que conheceu o alf mil Manuel Vaz, da CCAÇ 798, bem como o pessoal da CCAÇ 1659, os Zorba

(**) Último poste da série > 26 de setembro de 2013 > Guiné 63/4 - P12090: (Ex)citações (225): O nosso blogue e o último dos nossos direitos como veteranos de guerra e cidadãos, o "jus esperniandi", o direito de espernear... (Vasco Pires, ex-cmdt, 23º Pel Art, Gadamael, 1970/72; e português da diáspora no Brasil)

Guiné 63/74 - P12115: Parabéns a você (631): Artur Conceição (ex-sold trms, CART 730, Bissorã, Farim, Jumbembem, 1965/67); e Inácio Silva (ex-1º cabo ap armas pes, Mansabá, CART 2732)



Sobre os aniversariantes de hoje, ver aqui mais postes;  (i) Artur Conceição, ex-sold trms, CART 730, Bissorã, Farim e Jumbembem (1965/67);  (ii)  Inácio Silva (ex-1.º cabo, ap armas pes, CART 2732, Mansabá, 1970/72).

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Nota do editor:

Último poste da série > 3 de outubro de 2013 > Guiné 63/74 - P12111: Parabéns a você (630): Carlos Prata ex-capitão cmdt das CCAÇ 4544/73 (Cafal Balanta) e CCAÇ 13 (Bissorã), 1973/74, hoje cor ref) e Hélder Sousa (ex-fur mil trms TSF, Piche e Bissau, 1970/72)

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Guiné 63/74 - P12114: Álbum fotográfico de Carlos Fraga (ex-alf mil, 3ª CCAÇ / BCAÇ 4612/72, Mansoa, 1973) (12): O terror das minas...


Guiné > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 4612/72 > Foto nº 1 > Numa picada numa operação de patrulhamento. Eu estou em 1º plano. À frente os guias. Creio que foi numa picada que ia de Mansabá em direcção ao Sara-Changalena, picada que não era utilizada há anos e que pretendiam reabrir para reabrir o acesso directo a uma localidade que não me lembro o nome picada que atravessava o Sara-Changalena.



Guiné > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 4612/72 > Foto nº 2 >Na picada acima referida, depois de abandonarmos as viaturas. A partir daí foi a pé. Creio que sou o primeiro, de costas. Pormenor muito interessante é que nós não facilitávamos. Mantínhamos as distâncias entre os militares e em deslocações auto matinhamos as distâncias entre as viaturas e a velocidade e em zonas perigosas íamos a pé com as viaturas no meio da coluna às distâncias próprias.



Guiné > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 4612/72 > Foto nº 3 > Os guias

Guiné > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 4612/72 > Foto nº 4 > Os picadores


Guiné > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 4612/72 > Foto nº 5 > Durante a mesma operação. Intervalo para almoço. O calor era tanto que tirei o dolmen para o torcer encharcado de humidade. Outro pormenor. Tínhamos sempre as armas prontas. Almoçava-se ou descansava-se com elas ao colo ou mesmo à mão.

Guiné > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 4612/72 > Foto nº 6 >Mina anti-pessoal




Guiné > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 4612/72 > Foto nº 7 > Mina A/P, referida na foto nº 6, montada pelo PAIGC, e devidamente detectada e desmontada pelas NT.


Fotos da autoria do ex-alfd mil Carlos Alberto Fraga, enviadas em CD pelo Jorge Canhão e o Agostinho Gaspar, e outras por mail, pelo próprio Carlos Fraga. A ordem de numeração ( e a reconstituição da sequência são da responsabilidade do editor).
Fotos (e legendas): © Carlos Alberto Fraga / Jorge Canhão (2011). Todos os direitos reservados

1.  Continuação da publicação do álbum de Carlos Fraga, que foi alf mil, na 3ª CCAÇ/BCAÇ 4612/72, em Mansoa, na segunda metade do ano de 1973. Foi adjunto (num curto período de 4 meses, até finais de 1973) do cap [José Manuel] Salgado Martins, indo depois ele próprio comandar, como capitão, uma companhia em Moçambique, a seguir ao 25 de abril de 1974. [ O cap art José Manuel Salgado Martins, transmontano, hoje coronel na reforma, a viver nos Açores. Nunca veio a nenhum encontro da companhia, constituídio maioritariamenmte por malta do Algarve, Alentejo e Lisboa..

Adenda às legenda, pelo  Carlos Fraga:

As fotos que se seguem [. vd. acima], foram tiradas numa operação de patrulhamento. Fomos por uma picada que saía de Mansabá e seguia para o Sara-Changalena. Isto passa-se,  salvo erro,  em 18/08/73. Nesse dia detectámos uma mina anti-pessoal que foi desmontada pelo Capitão Salgado Martins.

Tratava-se de uma mina anti-pessoal do PAIGC. Note-se que está plantada ao pé de um tronco de árvore. A ideia era quem se sentasse para descansar no tronco pisava a mina.

Estava desenterrada. Nisso os macacos eram nossos aliados. Com a curiosidade iam mexer. Foram eles que a desenterraram. Às vezes os pobres dos bichos também iam pelos ares,  vitimas da curiosidade. 

Nós queríamos rebentar a mina de longe mas o Cap Salgado
 Martins,  que era um belíssimo comandante de companhia
e corajoso,  embicou que conseguia desmontar a mina e desmontou-a.  [Foto à direita: O ex- cap art José Manuel Salgado Martins, transmontano, hoje coronel na reforma, a viver nos Açores. Nunca veio a nenhum encontro da companhia, constituídio maioritariamenmte por malta do Algarve, Alentejo e Lisboa, segundo informação do Jorge Canhão.Foto do Carlos Cordeiro].

Nessa operação aconteceu um episódio pitoresco. Mal tínhamos começado a andar na picada quando ouvimos um restolhar do lado direito. Por instinto agachámos e virámos as armas para o mato,  do lado direito,  e surge uma gazela (ou bicho semelhante) que passa entre nós de um lado para o outro. 

Desatámos a rir. Era o que menos se esperava.

Carlos Fraga
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Nota do editor:

Último poste da série > 2 de agosto de 2013 > Guiné 63/74 - P11898: Álbum fotográfico de Carlos Fraga (ex-alf mil, 3ª CCAÇ / BCAÇ 4612/72, Mansoa, 1973) (11): Imagens de postais ilustrados (Parte II)

Guiné 63/74 - P12113: Ser solidário (150): Padre de Viana assaltado com violência dentro de casa durante a madrugada (Sousa de Castro)


1. O nosso camarada Sousa de Castro (ex-1.º Cabo Radiotelegrafista, CART 3494/BART 3873, Xime e Mansambo, 1971/74), enviou-nos a seguinte mensagem.

Caros amigos editores,

A notícia infra, do canal televisivo “Porto Canal” de 25 de Setembro de 2013, refere-se ao ex. combatente Manuel da Costa Pereira que foi Capelão do BART 3873, Guiné – Bambadinca DEC1971ABR74 também ele assaltado, agredido e amarrado nas mãos e pernas com gravatas do próprio. 

Padre de Viana assaltado com violência dentro de casa durante a madrugada
 

Um padre de Viana do Castelo foi assaltado com violência hoje, de madrugada, no interior da residência, entregando cerca de 5.000 euros, num caso já em investigação pela Polícia Judiciária.

Fonte daquela força policial confirmou à Lusa que estão a decorrer "diligências" no terreno, tendo em conta que o assalto terá sido perpetrado por três homens encapuzados munidos com pelo menos uma arma de fogo.

Tudo aconteceu na casa paroquial de Mujães, freguesia do concelho de Viana do Castelo, entre as 00:00 e as 02:00 de hoje, conforme relatou o pároco

Manuel da Costa Pereira, de 72 anos.

"Acho que entraram pela parte de baixo da casa, talvez arrombando a porta, e como não encontraram dinheiro foram-me buscar à cama para lhes dar a chave do cofre. Arrastaram-me, ameaçaram-me e ainda me deram uma bofetada na cara", disse.

Acrescentou que os assaltantes acabaram por fugir com cerca de 5.000 euros em dinheiro, entre verbas do próprio padre e da paróquia, que estavam guardadas em diferentes locais daquela residência, inaugurada no último verão.

"Era dinheiro de contas que ainda tinha de fazer com a diocese, de causas sociais e outros apoios ou serviços", admitiu ainda.

Antes de se colocarem em fuga, os três assaltantes amarraram o sacerdote com gravatas que encontraram na residência. "Ao fim de alguns minutos, consegui soltar-me e pedi ajuda. Mas tive muito medo, porque eles ameaçaram-me com a arma", confessou Manuel Pereira.

A GNR foi chamada ao local perto das 02:00, tendo a investigação transitado para a Polícia Judiciária.

Fonte: Porto Canal, 25/9/2013

2. Nota de 4/10/2013, do Sousa de Castro:

Camarada Luís Graça, acabei mesmo agora de falar ao telefone com o capelão do BART 3873, onde lhe transmiti as mais fraternas palavras de solidariedade dos camaradas da Guiné, pedindo-lhe o endereço eletrónico o qual se prontificou a fazê-lo que é: 

Manuel Martins da Costa Pereira 




Sempre ao dispor, A. Castro
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Nota de M.R.:


Vd. último poste desta série em:  2 DE OUTUBRO DE 2013 > Guiné 63/74 - P12108: Ser solidário (149): Antigo capelão da CCS/BCAÇ 2861 (Bula e Bissorã, 1969/70), ex-alf mil Augusto Baptista, 75 anos, pároco de Perosinho e Seixezelo, V. N. Gaia, assaltado, violentamente agredido e hospitalizado, precisa de um ombro amigo, precisa de nós, camaradas! (Armando Pires)

Guiné 63/74 - P12112: Álbum fotográfico do Luís Nascimento, ex-1º cabo cripto, CCAÇ 2533, Canjambari e Farim, 1969/71 (Parte I): RI 14 (Viseu), RAL 4 (Leiria), BRT (Trafaria), T/T Niassa...



1. Começamos hoje a publicar uma seleção de fotos do álbum do nosso camarada, Luis Nascimento,  o ex-1º Cabo Operador Cripto Nascimento (também conhecido, na tropa por Assassan, +provavelmente do francês "assassin", assassino...) da CCaç 2533, Canjambari / Farim, 1969/71. As fotos foram-nos enviadas pelo email da sua neta, Jessica Nascimento em 1/10/2013. É um exemplo a registar, a aplaudir e a seguir.







2. O Luís Nascimento  está aqui "atabancado" desde finais de dezembro de 2008 (*). Continua a ser o único representante da CCAÇ 2533, companhia da qual de resto não temos tido notícias.  As fotos que hoje publicamos são-nos mandadas pelo email de Jessica Nascimento,  alguém familiar do Luís, camarada sobre o qual, de resto, não dispomos de informação sobre a sua vida na tropa... Pelas fotos (minimamente legendadas), sabemos que fez a recruta em 1968, no  RI 14, Viseu, e que passou  depois por outras undiades:  RAL 4 [ Regimento de Artilharia de Leiria] e depois BRT na Trafaria... (Parece que os nossos 1ºs cabos criptos parassavam, por estas duas unidades: o RAL 4 em Leiria, onde faziam o curso de escriturário; e depois o BRT - Batalhão de Reconhecimento de Transmissões,  na Trafaria, Almada, onde tiravam  o curso operador cripto teleimpressor... Ou não era assim ? ).

Presuno que em 24/5/1969, no mesmo dia que eu, o Luís Nascimento tenha embarcado no T/T Niassa com destino ao TO da Guiné, tendo nós desembarcado em Bissau em 30/5/1969... (e provavelmente viemos no mesmo navio, o T/T Uíge, em 17/3/1971)... Se assim for, o Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande. É muita coincidência, camarada Luís Nascimento!

Ficam aqui alguns elementos informativos sobre a CCAÇ 2533, retirados, com a devida vénia, da página do nosso camarada e amigo Carlos Silva > Guerra na Guiné 63/74:

(i) Unidade Mobilizadora: BC 10,  Chaves
(ii) Comandante: Cap Inf Sidónio Martins Ribeiro
(iii) Partida: Embarque em 24/5/69; desembarque em 30/5/69

(iv) Regresso: Embarque em 17/3/71.

Síntese da Actividade operacional:

(v) Em 10/6/69, seguiu para Canjambari, a fim de realizar o treino operacional, de 3 a 17/6/69, sob a orientação do COP 3.

(vi) Em 19/6/69, assumiu a responsabilidade do respetivo subsetor de Canjambari, em substituição do pessoal restante da CArt 2340 e ouros efectivos ali colocados, temporariamente em reforço, ficando integrada no dispositivo e manobra do COP3 e depois BCaç 2879.

(vii) Para actuação nos corredores de Sitató e Lamel, destacou, por períodos variáveis, dois pelotões para;  (a) Cuntima, de 25/11/69 a 3/12/69 e 27/12/69 a 15/2/70;  e (b) Jumbembem, de 19 a 27/12/69, 23/3/70 a 10/4/70 e de 23/4/70 a 4/9/70, ambas no mesmo setor.

(viii) De 16 a 21/11/70, efecuou a rotação do seu efctivo com a CCaç 2681, deslocando-se para Farim, no mesmo setor, com a missão principal de contra penetração na linha de Lamel.

(ix) Em 20/2/71, foi substituída pela CCaç 14 e recolheu seguidamente a Bissau, a fim de aguardar o embarque de regresso.












Fotos (e legendas) : © Luís Nascimento (2013). Todos os direitos reservados. [Edição: L.G.]

(Continua)
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Nota do editor:

(*) Vd.poste de 20 de dezembro de 2008 > Guiné 63/74 - P3656: Tabanca Grande (105): Luís Nascimento, ex-1.º Cabo Op Cripto da CCAÇ 2533 (Canjambari e Farim, 1969/71)

Guiné 63/74 - P12111: Parabéns a você (630): Carlos Prata ex-capitão cmdt das CCAÇ 4544/73 (Cafal Balanta) e CCAÇ 13 (Bissorã), 1973/74, hoje cor ref) e Hélder Sousa (ex-fur mil trms TSF, Piche e Bissau, 1970/72)


O Carlos Prata entrou para a Tabanca Grande em 24/572011 (*). É ex-capitão,  cmdt das CCAÇ 4544/73 (Cafal Balanta) e CCAÇ 13 (Bissorã), 1973/74, atualmente Coronel na situação de Reforma.

O Hélder Sousa, o outro aniversariante de hoje, é mais... velhinho na Tabanca Grande: chegu a 11/4/2007 (**). Foi fur mil trms TSF Piche e Bissau, 1970/72.
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Nota do editor:

Último poste da série > 29 de setembro de 2013 > Guiné 63/74 - P12099: Parabéns a você (629): António Bastos, ex-1.º Cabo do Pel Caç Ind 953 (Guiné, 1964/66) e Manuel Vieira Moreira, ex-1.º Cabo Mec Auto da CART 1746 (Guiné, 1967/69)


Vd.poste de 24 de maio de 2011 > Guiné 63/74 - P8317: Tabanca Grande (287): Carlos Alberto Duarte Prata, Coronel Reformado, ex-Capitão, CMDT das CCAÇ 4544/73 (Cafal Balanta) e CCAÇ 13 (Bissorã), 1973/74

(...) Chamo-me Carlos Alberto Duarte Prata, natural do Porto, casado, com dois filhos já homens, e sou Coronel de Infantaria, na situação de Reforma.

Frequentei a Academia Militar, curso de 1961/65. Promovido a Capitão fui mobilizado para Angola onde cumpri uma comissão de serviço entre Maio de 1969 a Julho de 1971.

Em Maio de 1973 fui mobilizado pelo RI15 (Tomar) onde formei a CCaç 4544 que seguiu para a Guiné em Setembro de 1973, tendo como destino Cafal Balanta, na região do Cantanhês.  Por determinação do General Comandante do CTIG, em Março de 1974 fui comandar a CCaç 13, em Bissorã, onde me encontrava em 25 de Abril de 1974.

Regressei a Portugal em 30 de Setembro de 1974, após a entrega da Guiné às tropas do PAIGC.

Apenas para informação devo acrescentar que em 1995 regressei à Guiné, durante 6 meses, em missão de Cooperação Militar. (...)



Chamo-me Hélder Valério de Sousa, vivo actualmente em Setúbal, fui Furriel Miliciano de Transmissões, do STM, cumprindo a comissão de serviço na Guiné entre 9 de Novembro de 1970 e 10 de Novembro de 1972, tendo estado cerca 7 meses em Piche (contemporâneo do BCAV 2922) e o resto da comissão ao serviço do Centro de Escuta e de Radiolocalização do Agrupamento de Transmissões da Guiné.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Guiné 63/74 - P12110: Agenda cultural (285): Apresentação do livro "GUINÉ-BISSAU AS MINHAS MEMÓRIAS DE GABU 1973/74" na Casa do Alentejo, em Lisboa, dia 26 de Outubro de 2013 (José Saúde)

1. O nosso Camarada José Saúde, ex-Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BART 6523 (Nova Lamego, Gabu) - 1973/74, enviou-nos mais uma mensagem desta sua série.


GUINÉ-BISSAU AS MINHAS MEMÓRIAS DE GABU 
1973/74
 26 de outubro, sábado,15h00

Casa do Alentejo em Lisboa





Camaradas,


Com a distância do tempo a imperar sobre corpos gastos por uma longevidade que já vai longa, mas que teima em preservar neste universo terrestre homens com histórias hilariantes de guerra para contar, lancei um olhar subtil sobre a nossa comissão militar na Guiné, sendo que dessa descida à realidade vivida em Gabu, procurei indagar nas minhas memórias conteúdos reais observados, concluindo que estes foram transversais a outras gerações de camaradas, não obstante a data que coube a cada um de nós percorremos naquele território distante.

Um território, aliás, fustigado pelos matos adensados, capins enganadores e desafiantes, bolanhas q.b. infestadas de mosquitos, os tons avermelhados da estéril terra, o pôr de sol alaranjado e sempre encantador,  as chuvas intensas que não davam tréguas, o cacimbo que arrepiava as nossas almas, bem como o calor africano sempre excessivo constatado, entre outras circunstâncias que nos deixarão saudades e eis-nos no presente perante um reviver de imagens, algumas ténues, que teimam em bater com o nosso ego.

Sublinho, com ênfase, que fui um dos muitos milhares de militares que cruzaram a guerra com a paz e que conheceu a realidade de um tempo que confirmava então o fim do domínio português naquela antiga província ultramarina, assim como o exaltar de um jovem país que resplandecia e se afirmava no continente africano como nação independente.

GUINÉ-BISSAU AS MINHAS MEMÓRIAS DE GABU 1973/74 é uma obra que atravessa estilos semelhantes ao longo dos anos de luta, sendo certo que as exequíveis verdades presenciadas fazem parte de um espólio das nossas vivências em solo guineense.

Revejo as agruras de uma guerra no seu auge e que se deparou, posteriormente,  com o emblema da paz. Uma dualidade visionada de posições anteriormente opostas, mas que marcarão eternamente o nosso sentir no decisivo momento do adeus àquela terra que muito nos marcou.

Os textos expostos neste volume, não longos mas sucintos, mostram o essencial de um olhar atento sobre o contexto de uma guerra cruel que não dava folgas e que se predispunha a autênticas incertezas num terreno que, para nós, se apresentava, a meu ver, diametralmente desigual, tendo em conta que o IN conhecia perfeitamente os terrenos que pisava e a razão da sua luta.

Fui ao fundo do baú do meu passado, e beneficiando de uma memória que teima em manter-se em absoluta atividade, soltei as amarras dos tabus e eis-me a mergulhar livremente no planalto da saudade, trazendo a público as mais diversificadas conjunturas por mim vividas em terras de Gabu.

Não me refugiei, por uma questão de ética e de honra, nos sons estridentes dos tiros ou no desenhar de puzzles que conduziam à preparação de estratégicas operações trabalhadas no palco do conflito. Não ajuizei pretensos cenários em confrontos diretos com o IN.

Procurei, isso sim, mexer com assuntos que implicitamente escondiam, e escondem, o clamor da peleja. Somos humanos e como tal as análises feitas por cada um de nós obedecem a opiniões por vezes diferentes. Neste contexto, não desafio atos de bravura, cinjo-me, sim, a singelas dissertações que mexem com foros literalmente verídicos e que nos brindam com assuntos por nós vividos.

Adianto, porém, que não tranquei em exclusivo a minha caixa de pandora com os problemas vividos em campos de batalha, mas lancei ecos noutras direções que trazem evidentes burburinhos sociais, costumes tribais, entre outras temáticas registadas que mexem, em particular, com a intimidade de jovens militares entregues então ao destino.

Camaradas, nas minhas memórias de Gabu relato, também, a forma como a hierarquia tribal impunha regras tacitamente herdadas dos seus antepassados. A ordem de partilha imposta pela tribo. A maneira hábil como uma população sabia viver encaixada com duas frentes de guerra. O sexo praticado ao longo da campanha. Os filhos do vento com a menina de Gabu. O djubi Alberto, meu companheiro. A festa tradicional nas tabancas indígenas com o fanado. As colunas. As noites no mato. O Natal de 1973. As lavadeiras. O batismo de fogo. Motes interessantes, entre muitos outros, para puxar pelas nossas memórias mesmo frágeis que elas porventura hoje se apresentem.

Nesta apresentação da obra que farei na Casa do Alentejo em Lisboa, no próximo dia 26 de outubro, sábado, a partir das 15h00, contarei com a presença de camaradas que comigo dividiram o conflito na Guiné e deixarei, obviamente, dicas para que todos, em conjunto, apreciarem e tirarem ilações contundentes, espero, de um pedaço das nossas vidas que marcaram, inquestionavelmente, os verdes anos da nossa juventude.

Luís Graça, autor do prefácio e fundador do nosso blogue, será o camarada que  dissecará os ventos trazidos pelo livro GUINÉ-BISSAU AS MINHAS MEMÓRIAS DE GABU 1973/74, numa tarde cultural onde os sons do Alentejo se farão ouvir.

Lisboa é uma região onde abundam antigos camaradas que percorreram os trilhos da Guiné. E é justamente a eles que dirijo o meu convite para uma profícua presença de gentes que continuam a navegar, tal como eu, no campo da saudade.

Até breve!

Em novembro, provavelmente, estarei no Museu Militar do Porto. Depois informo.

Um abraço camaradas, 
José Saúde 
Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BART 6523 

Mini-guião de colecção particular: © Carlos Coutinho (2011). Direitos reservados.
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Nota de M.R.: 

Vd. último poste desta série em:

28 DE SETEMBRO DE 2013 > Guiné 63/74 - P12094: Agenda cultural (284): Inauguração do Monumento aos Combatentes em Avintes, dia 14 de Setembro de 2013 (Antero Santos)


Guiné 63/74 - P12109: Convívios (536): O 1º encontro dos bedandenses em Peniche: 28 de setembro de 2013..., sob a batuta do Belmiro da Silva Pereira (Parte II) (Hugo Moura Ferreira)


Penhiche > 28 de setembro de 2013 > Convívio do pessoal de Bedanda, com destaque para os camaradas da CCAÇ 6, "Onças Negras", cuja lema era, de acordo com o guião acima reproduzido,  "Aut vincere aut morire" [Vencer ou morrer].

Foto: © Amaral Bernardo (2011). Todos os direitos reservados.



Peniche > Tasca secreta do Belmiro > 28 de setembro de 2013 > Convívio dos bedandenses da CCAÇ 6 e outras subunidades > Foto nº 1 >  Uma família bem simpática e óptimos anfitriões! Belmiro, esposa e filho. Só tenho pena que a mesa principal tivesse sido pequena e não pudessem ter-se juntado a nós, no repasto. Ainda bem que isso não foi obstáculo a que a reunião tivesse sido um sucesso. Bem hajam os três!



Peniche > Tasca secreta do Belmiro > 28 de setembro de 2013 > Convívio dos bedandenses da CCAÇ 6 e outras subunidades > Foto nº 2 > Eu, o Salazar, o João Carapau, o Gualdino (sempre convenientemente acompanhado) e o Lassana


Peniche > Tasca secreta do Belmiro > 28 de setembro de 2013 > Convívio dos bedandenses da CCAÇ 6 e outras subunidades > Foto nº 5 > A chegada do Eduardo Cesário Rodrigues (, de alcunha, Salazar), vendo-se o seu filho, de costas.



Peniche > Tasca secreta do Belmiro > 28 de setembro de 2013 > Convívio dos bedandenses da CCAÇ 6 e outras subunidades > Foto nº 9 > Gualdino (de granada, na mão, qual medronheira explosiva), Salazar e o Lassana.


Peniche > Tasca secreta do Belmiro > 28 de setembro de 2013 > Convívio dos bedandenses da CCAÇ 6 e outras subunidades > Foto nº 8 > O Salazar, o filho e a afilhada



Peniche > Tasca secreta do Belmiro > 28 de setembro de 2013 > Convívio dos bedandenses da CCAÇ 6 e outras subunidades > Foto nº 4 >  Um aspeto geral da mesa (que era em L), com o Victor Luz  de pé, ao centro, e de costas o Luís Graça.



Peniche > Tasca secreta do Belmiro > 28 de setembro de 2013 > Convívio dos bedandenses da CCAÇ 6 e outras subunidades > Foto nº 3 > O Aníbal Marques e o Luís Graça em amena cavaqueira.



Peniche > Tasca secreta do Belmiro > 28 de setembro de 2013 > Convívio dos bedandenses da CCAÇ 6 e outras subunidades > Foto nº 7 > Em primeiro plano, o Joaquim Pinto Carv alho e Luis Nicolau, do lado direito; aMaria do Céu (esposa do Pinto de Carvalho) e  Alice Carneiro (esposa do Luís Graça).

Fotos (e legendas) : © Hugo Moura Ferreira (2013). Todos os direitos reservados.



1. Mensagem de L.G. para Hugo Moura Ferreira, 28/9/2013, 20h42;


Hugo: Foi uma bela jornada (*) . Espero que tenhas chegado bem, Foi notada, e com justiça, a ausência do Tony, para quem desejo as melhoras.

Fico na expetativa de me mandares a lista de presenças e mais algumas fotos. Estou a preparar as minhas para publicar um ou mais postes. Um abração. Um beijinho para a tua simpatiquíssima esposa. Luis.


2. Resposta do Hugo Moura Ferreira, 29/9/2013, 14h35:

Caro Luís. Antes de uma resposta objectiva,   te afirmo que foi para nós, e para mim em especial, um privilégio termos tido a tua presença e de tua mulher, neste evento que, posso afirmar por todos, "nos encheu as medidas".

Claro que chegámos bem, tal como o cor Vieira de Sousa e o Lassana Jaló  que, tal como minha mulher, vinham entusiasmados, aliás como tem sido em outras ocasiões, quando se reúnem os Bedandenses.

Concordo em absoluto, a mágoa que todos sentimos com a ausência do Toni Teixeira! Também nos lembrámos de alguns camaradas que estiveram ausentes e que tu até fizeste o favor de os lembrar na tua intervenção, mas a falta do "Tonizinho" foi sentida de forma bem mais profunda. Outras oportunidades se apresentarão, acreditando eu que ele estará, nas mesmas, de excelente saúde e disposição.

Através desta mensagem te enviarei a listagem do pessoal que nos deu a alegria da sua presença. Algumas pessoas, nomeadamente algumas esposas e acompanhantes não saberei identificar, mas se fizeres questão de que todos sejam identificados, só terei que contactar aqueles que houver necessidade disso. Se houver alguma dúvida,  farás o favor de me dizer para que eu tente esclarecê-la.

Sobre as fotos que tirei com a minha máquina, já as publiquei, conjuntamente com os dois "videozinhos" que fiz, no Facebook no nosso grupo secreto e que só é visível pelos seus integrantes:

Grupo Bedanda/CCaç6 - www.facebook.com/groups/540736299319846

e para o qual te convidei a aderires e teres acesso total.

Penso que através dali poderias retirar as fotos que achares interessantes, que estão condensadas em um Álbum, mas se achares por bem que as envie por aqui, por questões operacionais, apenas terás que dizer. Terei é que fazer uma redução de tamanhos, fazendo piorar a resolução que já não é a melhor ou enviar por várias remessas, dado o tamanho de cada uma. E quanto aos videos, visto que têm muitos MB, não sei como poderia fazê-lo a não ser por P2P e aí teríamos que nos ligar via Skype.

Diz o que te parecer melhor se achares necessidade disso.

Um grande abraço de amizade reconhecida.

Hugo Moura Ferreira

Anexo - Lista das participações (n=34)


Aníbal Magalhães Marques (1972/74 ?), mais 3 familiares (n=4)

Belarmino Sardinha ((ex-1.º Cabo Radiotelegrafista STM, Mansoa, Bolama, Aldeia Formosa e Bissau, 1972/74), Cadaval) +  esposa (n=2)

Belmiro Silva Pereira (alf mil, 1968/69, Peniche,), mais  a esposa e filho (n=3)

Eduardo Cesário Rodrigues (Salazar) (alf mil, 1967/68), mais o filho e a afilhada (n=3)

Fernando de Jesus Sousa (fur mil, 1971/73) +  esposa (n=2)

Gualdino José da Silva (fur mil 1967/69, Algarve) mais 1 casal amigo (n=3)

Hugo Moura Ferreira (alf mil, 1967/68, Lisboa) + esposa, Lorena (n=2)

Joaquim Pinto Carvalho (alf mil, 1972/73, Cadaval) +  espoa, Maria do Céu (n=2)

João António Carapau (alf mil médeico, 1967/68, Portela, Loures) (n=1)

João José L. Alves Martins (alf mil art, BAC 1, 1968/69, Lisboa) n=1)

José P. B. Guerra (1º Cabo, 1971/73) (n=1)

Lassana Djaló (, o mais bedandense de todos os bendandenses, Lisboa) (n=1)

Luís Graça (fur mil, CCAÇ 12, 1969/71, Alfragide/Amadora) mais Alice (n=2)

Luís Nicolau (o homem do SPM, 1972/73, Benedita, Alcobaça) (n=1)

Renato Vieira de Sousa (cap inf, 1967/68, hoje cor ref, Lisboa) (n=1)

Rui [Gonçalves dos}  Santos (o mais vellhinho dos bedandenses, 1962/64, Lisboa) (n=1

Victor Luz (fur mil, 1967/68), mais esposa e 1 casal amigo (n=4)


Não compareceram mas estavam pré-inscritos (n=6)

Amadeu M. Rodrigues Pinho (alf mil, 1967/68)

António Rodrigues (O Capitão do Estandarte: o último Alferes / Capitão, fiel depositário do estandarte e da Cruz de Guerra)

Carlos Carronda (alf, hoje cor ref)

José Caetano

José Vermelho [,ex-fur mil, CCAÇ 3520, Cacine; CCAÇ 6, Bedanda; e CIM, Bolama, 1972/74,]

Toni [, António,] Teixeira [, ex-alf mil,  CCAÇ 3459/BCAÇ 3863, Teixeira Pinto; e  CCAÇ 6,  Bedanda,  1971/73;  Espinho)

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Nota do editor;

(*) Vd. último poste da série > 29 de setembro de 2013 > Guiné 63/74 - P12102: Convívios (534): O 1º encontro dos bedandenses em Peniche: 28 de setembro de 2013..., sob a batuta do Belmiro da Silva Pereira (Parte I) (Luís Graça)