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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27660: Prova de vida (10): George Freire, ex-cap inf Renato Jorge Cardoso Matias Freire, que vive nos EUA desde outubro de 1963, e foi 2º cmdt da CCAÇ 153 (Fulacunda, 1961) e cmdt da 4ª CCAÇ (Bissau, Nova Lamego e Bedanda, 1961/63)



Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Nova Lamego > 4ª CCAÇ (1961/63) > Jorge Freire, ex-cap inf, que esteve na Guiné, em 1961/63, e desde então a viver nos EUA; conhecido por George Freire, foi engenheiro e empresário e está reformado desde 2003. Vive hoje em Colúmbia, Carolina do Sul. Imagem: fotograma do vídeo que nos mandou em 2009 (*).

Foto: © George Freire (2009). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]






Lisboa > Escola do Exército > 1955 > Curso finalista da Escola do Exército (hoje, Academia Militar) do ano de 1955, do qual faziam parte (além do George Freire, residente nos EUA desde outubro de 1933, hoje com 92 anios antigo comandante da 4ª CCAÇ - Fulacunda, Bissau, Nova Lamego Bedanda, Maio de 1961/ Maio de 1963, de seu nome completo Renato Jorge Cardoso Matias Freire), os seguintes oficiais reformados do exército português, que ainda náo conseguimos identificar:

  • generais Hugo dos Santos, António Rodrigues Areia, Adelino Coelho e António Caetano;
  • coronéis João Soares, Costa Martinho e Maurício Silva, entre tantos outros; capitão José Manuel Carreto Curto, ex-cap inf, CCAÇ 153 (Fulacunda, 1961/63) era "do curso um ano mais velho do que o meu" (diz o George Freire). (Faleceu em 18/11/2018, com ten gen ref.

O oficial que está ao centro, de óculos, seria o 2ª comandante da Escola do Exército na altura. O George Freire só indica as iniciais do seu nome (M.A.),

Por outro lado, o cadete que está na 3ª posição (só se vè a cabeça), do lado direito, parece-nos ser o meu antigo cap inf, comandante da CCAÇ 2590/CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, Junho de 1969/março de 1971), Carlos Alberto Machado de Brito (cap Carlos Brito)

Falei há tempos com ele, estava num lar de professores, em Braga, sentia-se muito bem, em boa forma. Acabo de tomar conhecimento, pelo Facebook, da triste notícia da sua morte,  em 4 de dezembro de 2025. Tinha 93 anos, nasceu em 1932. Vou fazer uma nota de pesar. Era cor inf ref, e foi tambénm comandante da GNR. Era uma pessoa afável. Estive c0m ele no primeiro encontro  do pessoal de Bambadinca (1968/71), em Fão, Esposende, em 1994.

Foto (e legendagem): © George Freire (2008). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Acabámos de receber notícias do nosso grão-tabanqueiro, o ex-cap inf Renato Jorge Cardoso Matias Freire; está registado na Tabanca Grande, desde 28/12/2008 como Jorge (George) Freire, a viver nos EUA (*). Foi cap inf, CCAÇ 153 e 4.ª CCAÇ (Fulacunda, Nova Lamego e Bedanda, 1961/63)


Mensagem enviada através do Formulário de Contacto do Blogger:


Data - 22 jan 2026, 02:16

Ainda estou aqui de boa saúde para os meus 92 anos de idade. Vendemos a nossa casa e mudámo-nos para um apartamento numa organização para retiro chamado "Lakeview Retirement" em Colúmbia, Carolina do Sul. Estamos felizes e sem problemas de maior.

Cumprimentos,
George Freire | gfreire@att.net



2. Por curiosidade fomos ver se ainda mantinha o seu blogue... Lá está, é incrível, sempre ativo, proativo, produtivo, saudável!...Um grande exemplo para todos nós. Parabéns, George!


Há 17 anos eu tinha escrito sobre o George Freire:

(...) Com 76 anos, está reformado, foi empresário na área da engenharia. Vive em Chapin, South Carolina, Estados Unidos... Vem frequentemente a Portugal. Gosta de conviver e de viajar, do golfe, da pesca e da vela. Tem um blogue relacionado com a informática e aelectrónica: http://whatisyourquestionblog.blogspot.com/

Título do blogue: "COMPUTER AND ELECTRONICS WORLD SHARING AND LOTS OF OTHER GOOD STUFF NOT RELATED TO COMPUTERS"...

É um homem do seu tempo que se descreve-se a si próprio como "a retired engineer deeply interested and involved in the solving of problems and frustrations of the computer and electronics world that surround us all" (...).

Eis que o que escreveu ainda ontem, no seu velho blogue (tradução de LG):

(...) Estou de volta e dou as boas vindas aos novos e antigos visitantes do nosso blog

Quanto tempo! Eu sei, já se passaram anos. Envelheci e cheguei aos 92 anos, mas continuo muito envolvido no mundo dos truques de informática para lidar com falhas, evitá-las e melhorar a segurança operacional dos computadores. São novos tempos, diferentes do passado, mas nós (a maioria de nós) ainda usamos o Windows 11.

Agora, estou ansioso para ajudar as pessoas e discutir qualquer assunto sobre computadores e computação. Você tem perguntas? Qualquer pergunta? Por favor, voltem e vamos recomeçar o Blog do zero.

Meus melhores cumprimentos a todos vocês que costumavam nos visitar no passado. Ainda estou aqui, com 92 anos, mas com boa saúde de corpo e mente.

George Freire Postado por George Freire às 20h58 | 0 comentários (...)



3. Resposta de hoje do editor LG:

George, camarada:

Ficamos felizes por saber de ti e da tua esposa, Edite. Está feita a prova de vida (**). O Virgínio Briote, que andou na Academia Militar, no princípio da década de 60 (é do curso de 1962 e depois saiu, tendo sido no CTIG alferes comando em 1965/67) faz hoje anos e foi quem te apresentou à Tabanca Grande em 29/12/2008: ele é nosso coeditor jubilado, e vai ficar muito contente por ter notícias tuas. Sei que durante algum os dois corresponderam-se.

Vou dar conhecimento das tuas boas novas também ao João Crisóstomo, que vive em Nova Iorque desde 1977, e é o "régulo" da Tabanca da Diáspora Lusófona. Ele assumiu a "obrigação" de reunir no nosso "redil" todas as "ovelhinhas" tresmalhadas dos "tugas" que andaram na "verde-rubra" Guiné entre 1961 e 1974 e que hoje vivem no Novo Mundo (e em especial na terra do Tio Sam). Vou-lhe pedir que te contacte, por telemóvel, para te dar de viva voz o abraço da malta toda. Vou-te mandar aqui os contactos dele. Um alfabravo fraterno do Luís Graça.

PS - Temos bastantes "bedandenses" (4ª CCAÇ / CCAÇ 6) na Tabanca Grande... Vou-lhes dar conhecimento. Quem já faleceu, infelizmente, em 2024, foi o Aurélio Manuel Trindade (tenente general inf, reformado) que era de 1933 (como tu, e possivelmente do mesmo curso de infantaria na Escola do Exército). Foi o último comandante da 4ª CCAÇ (Bedanda, 1965/67) e o 1º da CCAÇ 6.

O cor iinf ref Mário Arada Pinheiro também é do teu tempo. É igualmente nosso grão-tabanqueiro.

3. Recordamos aqui, para os nossos leitores, e em especial para os nossos leitores "bedandenses" a lista (dedse 1961) dos comandantes da 4ª CCAÇ (que deu origem depois, em 1967, à CCAÇ 6):

Cap Inf Manuel Dias Freixo
Cap Inf António Ferreira Rodrigues Areia
Cap Inf António Lopes Figueiredo
Cap Inf Renato Jorge Cardoso Matias Freire
Cap Inf Nelson João dos Santos
Cap Mil Inf João Henriques de Almeida
Cap Inf Alcides José Sacramento Marques
Cap Inf João José Louro Rodrigues de Passos
Cap Inf António Feliciano Mota da Câmara Soares Tavares
Cap Inf Aurélio Manuel Trindade

(Revisão / fixação de texto, itálicos, negritos: LG)
_________________________

Notas do editor LG:


(...) A companhia (CCAÇ 153) de que originalmente fiz parte quando partimos para a Guiné, no dia 26 de Maio de 1961, foi criada em Vila Real de Trás-os-Montes, onde eu ainda tenente, segundo comandante e o capitão Curtoo, comandante, (do curso um ano mais velho do que o meu), passámos semanas a organizar a companhia.

De Vila Real todo o pessoal viajou para Lisboa de comboio e passados talvez uma ou duas semanas, partimos de avião, (dois aviões transportes da FA), do aeroporto de Lisboa para Bissau, onde chegámos no mesmo dia ao anoitecer (...)

De Bissau, onde passámos a noite, seguimos logo para Fulacunda, onde permaneci à volta de dois meses, após os quais chegou a minha promoção a capitão.

De Fulacunda fui transferido para Bissau para comandar uma companhia de nativos (4ª CCAÇ) e render o capitão Helder Reis. Passei 4 ou 5 meses em Bissau, daí para o Gabu (outros 6 meses) e daí para Bedanda onde passei o resto da minha comissão.

Voltei para Portugal e fui novamente colocado na Academia Militar, (nesse tempo ainda chamada Escola do Exército), onde tinha sido instrutor desde 1957 até à minha ida para a Guiné.

Durante os anos de 1958 até 1961, tive a oportunidade de trabalhar (nas horas livres) com um tio direito, que tinha uma firma de serviços de engenharia e caldeiras industriais. Durante as férias de verão todos esses anos viajei aos EUA duas ou três semanas para ajudar o meu tio em assuntos relativos aos seus negócios com duas companhias no estada da Pensilvânia.

Quando voltei da Guiné, uma dessas companhias ofereceu-me uma posição, (com o título de gerente de operações internacionais), e com uma remuneração muito difícil de recusar.

Nos fins de Agosto pedi a minha demissão e parti com a minha família, (mulher e duas filhas de 3 e 2 anos), para os EUA onde me encontro faz este ano 45 anos. Desde então tirei um curso de engenharia mecânica, trabalhei para outras duas companhias e, em 1989, formei a minha própria companhia de consultaria de projectos relacionados com energia de gás, co-geração, etc.

Em 2001 parei de trabalhar full time, e estou basicamente reformado. Felizmente de boa saúde, vou a Portugal todos os anos onde me encontro com um bom grupo de antigos camaradas de curso e família. Tenho 3 filhas, a mais nova nasceu aqui, embora todas casadas, somente tenho um neto e uma neta da filha mais velha. A filha do meio e a mais nova não têm descendentes.

Comecei há pouco um Blog dedicado a ajudar amigos e quem quer que o siga, sobre problemas de computadores:

http://whatisyourquestionblog.blogspot.com/ (...)

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27507: Tabanca dos Emiratos (17): Prova de vida renovada (Jorge Araújo)








Seixal  > Corroios  > Alto do Moinho > Pavilhão Gimnodesportivo Municipal do Alto do Moinho > 18 de outubro de 2025 > Sessão de lançamento do livro de Jorge Alves Araújo sobre a história dos  50 Anos do Centro Cultural e Recreativo do Alto do Moinho (1975 - 2025), 2º volume

Fotos (e legendas): © Jorge Araújo (2025). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].





Jorge Araújo, ex-fur mil op esp / ranger, CART 3494 / BART 3873 (Xime e Mansambo, 1972/1974); a viver há uns anos entre Almada e Abu Dhabi, Emiratos Árabes Unidos; e é um dos nossos coeditores; como autor, tem 345 referências no nosso blogue; anima várias séries: "Tabanca dos Emiratos", "Memórias cruzadas...", "(D)o outro lado combate"...


I. Mensagem do Jorge Araújo:

Data - domingo, 16/11/2025, 16:52
Assunto - Prova de vida renovada


Caro Luís, boa tarde, desde as Arábias (aqui são mais 4 horas).

Antes de mais, esperamos que estejas bem, ao mesmo tempo que agradeço, em particular, a tua mensagem de parabéns.

1 - Como deixei expresso no espaço reservado a "comentários", nesse fim-de-semana viajamos até Doha, no Qatar, que durou 50 minutos, com o objectivo de romper com as rotinas negativas e/ou cansativas, para usufruir, o melhor possível, de outras ofertas culturais de um país que nos está próximo.

Aqui procurámos gerir a estadia de 3 dias, andando percursos a pé, de metro e de táxi, conforme os locais e os objectivos das visitas.

Mas o ponto alto da viagem era, e foi, a de comemorar uma efeméride, ou seja, a comemoração das minhas setenta e cinco "primaveras" (no Outono)... ainda faltam mais vinte e cinco para o centenário.

2 - Uma vez que possuo algumas dezenas de imagens, como seria natural, peço-te que me digas quantas devo incluir em cada uma das partes? Ou apenas uma só reportagem?

3 - Quanto à minha fraca participação no fórum, ela tem sido influenciada pelas sucessivas mudanças de actividades, algumas delas bastante problemáticas, onde se incluem as ocupações profissionais dos mais jovens, ao facto da minha filha ter ficado viúva, e de outros factos de pequenos/grandes detalhes que o destino faz questão de nos presentear. 

Não estou a desculpar-me, mas a situação de andar aos "saltos" de um lado para outro (Almada-Abu Dhabi-Almada) não ajuda.

4 - Acresce referir que, em função de me ter voluntariado para escrever, e editar, a história dos «50 Anos do Centro Cultural e Recreativo do Alto do Moinho» (P-24254, de 26.04.2023), que será constituído por cinco volumes, um por cada década, só no passado mês de Abril me foi comunicada a aprovação do patrocínio do 2º. Volume (década 1985-1995). 

Este atraso obrigou-me a ficar retido em Portugal, para acompanhar a respectiva composição de 320 páginas até ao seu lançamento, que ocorreu em 18 de Outubro último, com voo agendado para o dia 21.


Qatar> Doha : Museu Nacional > Um candeeiro tipo petromax


5. Pelo exposto, sugiro a seguinte metodologia de publicação:

(i) Reportagem sobre a publicação do 2º livro;

(ii) Tema - Petromax, na sequência dos P-27384 e P-27425, pois encontrei vários exemplares no Museu Nacional do Qatar, em Doha, mas estes eléctricos (com lâmpada);

(iii) Retrospectiva temática da viagem.

Aguardo um feedback sobre a proposta acima.

Agora vou anexar algumas fotos do ponto (i) para selecionar, e do petromax, a enquadrar na visita ao Museu Nacional.

Boa semana e até breve.
Um abraço.
Jorge Araújo e Maria João.


II. Resposta do editor LG:

Data - domingo, 16/11/2025, 22:22

Jorge (e Maria João): Folgo em ter notícias vossas. Ao fim de bastante tempo, e com mares (e guerras) a  separar-nos nem tudo o que me contas são coisas boas. A morte do teu genro (ainda novo, presumo) abalou a família, e sobretudo a tua filha (que deve ter filhos, teus netos).

Já todos passámos por diversos "lutos". A minha mulher, por exemplo, ainda não ultrapassou a perda da sua irmã mais querida, e já lá vão dois anos e meio. A vida nunca mais é como dantes,
quando a morte bate à nossa porta.

Mas temos de tratar dos vivos e fingir que somos... "imortais". Por isso, tu é que vais definir
as tuas prioridades (em relação ao blogue). E, se quiseres mandar-nos colaboração (que será sempre desejada e bem vinda), segue a tua "bússola" e o teu "mapa de navegação".

Mandas as fotos que entenderes (com boa resolução, como estas que anexas), de preferência com 0,5 MB ou superior. Não edites nada em pdf, dá-te uma trabalheira a ti e a mim. Prefiro que mandes o texto em word. As imagens, numeradas (com as legendas) no texto, devem vir em anexo, como estas que mandaste por mail. Desde que tenham  legendas (incluindo local e data), eu oriento-me. E depois edito, texto e fotos...

Carpe diem. E parabéns pelos 75 anos "resilientes".  Chicorações para os dois. Luís
_________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 4 de março de 2025 > Guiné 61/74 - P26552: Tabanca dos Emiratos (16): Visita nas férias de Natal ao antigo Ceilão, a Taprobana de "Os Lusíadas", hoje Sri Lanka (Jorge Araújo) - Parte IV

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27495: Prova de vida e votos de boas festas 2025/26 (2): Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150 e José Firmino, ex-Sold At Inf da CCAÇ 2585/BCAÇ 2884

1. Mensagem do nosso camarada e amigo Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150 (Bigene e Guidaje, 1973/74), com data de 3 de Dezembro de 2025:

Boa noite amigos
Envio o meu cartão de Boas Festas de 2025.
Encontro-me bem, mas com umas «mazelas» físicas o que vai sendo normal para a idade que caminhamos.

Um grande abraço para todos.
Albano Costa


********************

2. Mensagem natalícia do nosso camarada José Firmino (ex-Sold At Inf da CCAÇ 2585/BCAÇ 2884, Jolmete, 1969/71), com data de 3 de Dezembro de 2025:

Amigos e camaradas,
Espero que esteja tudo bem convosco, familiares e amigos.
Sou a enviar os votos de boas-festas para dentro do possível postar.
Sem outro assunto, feliz Natal e bom 2026.

Abraço.
Firmino

_____________

Nota do editor

Último post da série de 2 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27486: Prova de vida e votos de boas festas 2025/26 (1): Patrício Ribeiro, o nosso "embaixador em Bissau"

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27486: Prova de vida e votos de boas festas 2025/26 (1): Patrício Ribeiro, o nosso "embaixador em Bissau"


Guiné-Bissau > Bissau > Iluminações de Natal 2025 > A antiga Praça do Império,  hoje (desde 1975) Praça dos Heróis Nacionais, com o monumento central, outrora chamado de "Monumento ao Esforço da Raça", símbolo máximo do colonialismo português, rebatizado "Monumento aos Heróis da Independência". 

O novo regime, sob Luís Cabral, teve o bom-senso, neste caso, de deixar em repouso o camartelo camarário e dar melhor uso ao monumento construído em betão armado e cantaria, e projetado pelo arquiteto  Ponce de Castro. O PAIGC pôs-lhe uma estrelinha no topo e nacionalizou, e muito bem, o monumento que faz parte, desde há 80 anos,  da cenografia de Bissau Velho. 

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. O Patrício Ribeiro é o primeiro a inaugurar a série "Prova de vida e boas festas 2025/26". Mandou-nos, no passado dia 27/11/2025, 19:36, um "postalinho" natalício da cidade que já é sua, desde 1984.

 Folgamos em saber que ele está bem, e de saúde. Apesar de nem sempre nos chegarem boas notícias daquela terra "verde-rubra" (sem qualquer conotação neocolonialista) que continuamos a amar, e com quem mantemos pontes. As da memória, e do afeto. É bom ter sempre notícias de Bissau, e dos nossos amigos que lá vivem.

Autor da notável série "Bom dia, desde Bissau" (de que já se publicaram cerca de 60 postes), o Patrício Ribeiro, empresário, é colaborador permanente do nosso blogue, e tem o "pelouro"  das questões de ambiente, geografia e economia.

Só podemos desejar o melhor para ele, a família, a sua empresa Impar Lda, e para os todos os demais guineenses e para os portugueses da diáspora que lá vivem e trabalham, 

Um "balaio" de votos de festas felizes, com saúde e liberdade. Bom Natal de 2025, boas entradas em 2026. 



Guiné > Bissau > c. 1969/70 > "Monumento ao Esforço da Raça. Praça do Império"... Bilhete postal, nº 109, Edição "Foto Serra" (Colecção "Guiné Portuguesa"). Coleção do nosso camarada Agostinho Gaspar.


2. Comentário do editor LG:  o que se sabe sobre este monumento ?

"Este monumento foi inaugurado em 1941. Implantado na antiga Praça do Império, a eixo e fronteiro ao Palácio do Governo, é obra de inspiração art déco, com desenho invulgar e dimensão monumental, de grande escala, numa expressão geral densa e algo neobarroca. Uma série de elementos curvilíneos, em pedra, desenvolve‐se na sua base, em crescendo, suportando frontalmente um elemento vertical, espécie de pilar celebrativo." (Fonte: HPIP - Património de Influência Portuguesa)

Apurámos, por outras fontes, que o monumento é da autoria do arquiteto Ponce de Castro. A primeira pedra foi lançada em 1934. O granito veio do Porto. 

Enquanto a estatuária colonial foi derrubada, a seguir à independência, este monumento,um ícone do colonialismo por excelência, foi o o único que resistiu à fúria do camartelo revolucionário. Ainda lá está, agora encimado com a a estrela de cinco pontas, que faz parte da bandeira da República da Guiné-Bissau.

Há, na Foz do Douro, Porto, um monumento, datado de 1934, que terá inspirado o de Bissau, o "Monumento ao Esforço Colonizador Português" (sic), da autoria dos "escultores" alferes Alberto Ponce de Castro e de José de Sousa Caldas (1894-1965).

"Foi construído expressamente para a Exposição Colonial, inaugurada em Junho de 1934 no Palácio de Cristal.

"Compõe-se de um obelisco encimado com as armas nacionais; na base, seis esculturas estilizadas simbolizam as figuras a quem se deve o esforço colonizador: a mulher, o militar, o missionário, o comerciante, o agricultor e o médico". (Fonte: Turismo do Porto).

O arquitecto e escultor Alberto Ponce de Castro não era portuense, mas  sim algarvio, natural de Tavira, é o autor do Monumento aos Mortos da Grande Guerra, situado defronte dos Paços do Concelho de Tavira.

Em 1922 o alferes de cavalaria Alberto Ponce de Castro era reformado e fez um requerimento, à Câmara dos Deputados, ao abrigo da Lei nº 1244. O requerimento seguiu para a Comissão de  Guerra (Fonte: Debates Parlamentares > 1ª República > Câmara dos Deputados > VI Legislatura > Sessão legislatuiva 01 > Número 101 > 1922-07-12 > Página 4)

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Guiné 61/74 - P26431: Prova de vida (9): Padre José Torres Neves, ex-alf grad capelão, BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71), nosso grão-tabanqueiro nº 859 (Ernestino Caniço)


Lisboa > 18 de janeiro de 2025 > O dr. Ernestino Caniço e padre José Torres Neves


Foto (e legenda): © Ernestino Caniço (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71),.
nosso grão-tabanqueiro nº 859


Foto (e legenda): © José Torres Neves (2024). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem do Ernestino Caniço, ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2208 (Mansabá e Mansoa) e Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, (Bissau) (Fev 1970/Dez 1971) (médico, foi diretor do Hospital de Tomar, 6 anos, de 1990 a 1996, e diretor clínico cumulativamente 3 anos, de 1994 a 1996, vivendo então em Abrantes; hoje vive em Tomar).

Data - sexta, 24/01/2025, 19:08  
Assunto - Padre Zé Neves
 
Caros amigos

Votos de ótima saúde.

O contacto de hoje tem por fim fazer uma “prova de vida” do meu amigo Padre Zé Neves. Depois de flanar por vários países pelas Missões da Consolata, “poisou” em Lisboa. O facto permitiu que nos encontrássemos e do qual anexo uma fotografia.

Do seu valioso álbum de fotografias, com o qual me brindou, vou continuar a enviar-vos sempre que oportuno.

Um abraço,

Ernestino Caniço

2. Comentário do editor LG:

Ernestino e Padre Zé Neves:

Fiquei/ficámos feliz(es) por saber novas do nosso capelão e grão-tabanqueiro.  Bom filho à casa torna. E também já é tempo de ele voltar a montar o bivaque cá na nossa santa terrinha. 

Fica feita a "prova de vida". E prometemos continuar a publicar mais fotos do álbum do padre Zé Neves, carinmhosamenet "guardadas" pelo dr. Ernestino Caniço, seu amigo dos tempos da Guiné.

Recorde-se que o José Torres Neves (Padre), natural de Penamacor, missionário da Consolata, tem mais de 3 dezenas de referências no nosso blogue, para o qual entrou em 22/3/2022, oi alf graduado capelão, BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71)...

Ernestino, gostei desse verbo intransitivo, "flanar" (dem francês, "flâner"), que se lê ou ouve tão poucas vezes. Quem me dera a mim, poder "flanar" como o padre Zé Torres, por essa África, com a bonita idade que ele já tem. Ele merece o nosso apreço, admiração e amizade.  Um alfabravo e saúude para os dois, Luís.

PS - Flanar=Passear sem destino e sem pressa, por mera distracção

Fonte: "flanar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2025, https://dicionario.priberam.org/flanar.

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terça-feira, 22 de outubro de 2024

Guiné 61/74 - P26067: Tabanca dos Emiratos (12): "Prova de vida" (Jorge Araújo)









Emiratos Árabes Unidos > Abu Dhabi > 2024 > Uma visita ao "SeaWorld",na Yas Island

Fotos (e legenda): © Jorge Araújo (2024). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].



Jorge Araújo, ex-fur mil op esp / ranger, CART 3494 / BART 3873 (Xime e Mansambo, 1972/1974); nosso coeditor, a viver há uns anos entre Almada e  Abu Dhabi, Emiratos Árabes Unidos. É um dos nossos coeditores. Como autor, tem mais de 320 referências no nosso blogue. Tem várias séries: "Tabanca dos Emiratos", "Memórias cruzadas...", "(D)o outro lado combate"...


1. Mensagem de Jorge Araújo, nosso coeditor, que um grave problema de saúde, do foro oftalmalógico,tem afastado há mais de um ano das nossas "lides bloguísticas". Há dias mandei-lhe uma telegráfica mensagem com o seguinte teor: "Jorge, estou preocupado com o teu/vosso silêncio... Diz que estás bem, tu e a tua Maria... nas Arábias. Um abraço fraterno, Luís" (segunda, 14 de outubro de 2024, 10:28).


Data - 21/10/2024, 12:14
Assunto - O teu silêncio

Caríssimo camarada e amigo Luís Graça,
Bom dia desde as Arábias (aqui são + três horas).

Antes de mais espero e desejo que te encontres bem, ao mesmo tempo que agradeço, sensibilizado, as preocupações manifestadas no contacto da semana passada relativas aos meus/nossos silêncios.
É verdade que me encontro, de novo, neste lado do mundo, onde cheguei há um mês, sem ter formalizado, por escrito, a renovação da "prova de vida". Por esse facto, não sei por onde começar: se antes ou depois do início desta nova (versão) da "operação deserto",

Mas como os nossos convidados regressaram ontem à capital Lusa, aqui vão algumas notas bem quentinhas, com uma temperatura no exterior de 36º. Entretanto, e pelo facto deste contacto ser considerado tardio, ele deveria dar lugar a uma punição, tipo "Serviço à C.O.L." (Clube Oriental de Lisboa) ou à "S.C.L." (Sporting Clube Lourinhanense) , colectividades que esta época são equipas adversárias na mesma competição.

Dito isto, importa referir, como ideia de senso comum, que aqui os tempos e os quotidianos da vida individual e colectiva são diferentes quando comparados com outros lugares e culturas. Por isso, são passados e vividos de outras formas, com outros ritmos, de modo a aproveitar e a fruir as diferenciadas ofertas que se nos apresentam, ganhando tempo e espaço ao foco nas nossas origens.

Quanto à minha visão, ela continua aquém das minhas expectativas mas, como reza a história da medicina, cada um de nós não caminha para novo. Perante esta teoria, o que deveremos fazer? Continuar na busca do que não se tem, pois somos projecto e processo único.

Agora que está concretizada a renovada prova de vida, anexo algumas imagens avulsas, onde os diferentes contrastes falam por si, para servirem de enquadramento ao referido anteriormente.

Até breve,

Com um forte abraço de amizade e votos de muita saúde.
Jorge Araújo e Maria João
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sábado, 17 de junho de 2023

Guiné 61/74 - P24405: Prova de vida (8): Martins Julião (ex-alf mil, CCAÇ 2701, Saltinho, 1970/72), um dos históricos da Tabanca Grande e do nosso I Encontro Nacional, na Ameira, Montemor-o-Novo, em 14/10/2006

Distintivo da CCAÇ 2701 (Saltinho, 1970/72), cujo pessoal se reúne hoje, em convívio,  em Cantanhede. 


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Sctor L1 > Xitole > 1970 > O alf mil José Luís Vacas de Carvalho, de lencinho ao pescoço no Xitole, sentado em cima de uma das suas Daimler (Pel Rec Dsimer 2206, Bambadinca, 1969/71)... À sua direita, o fur mil op esp, Humberto Reis, o nosso fotógrafo... À direita, o fur mil at inf, Arlindo Roda, outro grande fotógrafo, ambos da CCAÇ 12 (Bambadinca, 1969/71)... Atrás do Roda, o fur mil enf enf José Alberto Coelho, da CCS / BART 2917 (Bambadinca, 1970/72)... 

Não temos a certeza sobre a data desta coluna logística ao Xitole e talvez ao Saltinho: deve-se ter realizado, ainda na época seca, mas já np 2º trimestre de 1970, na altura da chegada do BART 2917.

A CCAÇ 2701 já estava no Saltinho. Recorde-.se que em 10 de maio de 70, após sobreposição com o BCaç 2851, o BCAÇ 2912 assumiu a responsabilidade do Sector L5, com sede em Galomaro, e abrangendo os subsectores de Dulombi (CCAÇ 2700), Saltinho (CCAÇ 2701), Cancolim (CCAÇ 2699)  e Galomaro. O cmd da CCAÇ 2701 era o cap inf Carlos Trindade Clemente, e o Martins Juliáo era um dos alferes da companhia.

Foto: © Humberto Reis (2006). 
odos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem de Martins Julião (ex-alf mil, CCAÇ 2701, Saltinho, 1970/72), membro da nossa Tabanca Grande desde 23 de julho de 2006 (*), e um dos "históricos" do nosso I Encontro Nacional, na Ameira, Montemor-o-Novo (**), mas de quem, espantosamente, ainda continuamos a não ter nenhuma foto, à civil ou à militar...

Data - terça, 13/06/2023, 18:03

Luis, sou o Martins Julião; ainda estou vivo.  (***)

Grande abraço e havemos de nos voltar a encontrar.

Parabéns Para ti e ao Blogue cuja leitura nunca falho.




Montemor-o-Novo > Ameira > 14 de Outubro de 2006 >  I Encontro Nacional da Tabanca Grande > O grupo de "tertulianos" (foi assim que nos começámos a tratar, os membros da "tertúlia da Guiné"...),  fotografados, por volta da 13h, antes do almoço no Restaurante Café do Monte, na Herdade da Ameira. Ainda não tinham chegado todos/todas... Não consigo identificar aqui o Martins Julião e a esposa.

Fotos (e legenda): © Luís Graça (2006) . Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

2. Lista (nunca validada pelo grande organizador deste encontro histórico, o Carlos Marques Santos, já falecido) dos presentes na Ameira, Montemor-o-Novo, em 14/10/2016 (*). Nem todos/as couberam nas fotografias (e começamos por pedir desculpa se falhamos o nome de alguém)... Para já a lista era de 53 participantes, 6 dos quais (11,3%) infelizmente já faleceram:
  • António Baia (Amadora) (pertencia ao BINT);
  • António Pimentel (Porto / Figueira da Foz):
  • António Santos e esposa (Caneças / Loures);
  • Aires Ferreira (região centro);
  • Carlos Alberto Oliveira Santos (Coimbra) (fur mil, CCAÇ 2701, Saltinho, 1970/72) (falecido em 2022, nunca chegou a integrar formalmente a Tabanca Grande, o que achamos injusto: participou em pelo, menos 3 enconstros nacionais)
  • Carlos Fortunato e esposa (Lisboa);
  • Carlos Marques dos Santos (1943-2019) e esposa (Coimbra);
  • Carlos Vinhal e esposa Dina, (Matosinhos);
  • David Guimarães e esposa, Lígia (Espinho);
  • Fernando Calado (Lisboa);
  • Fernando Chapouto e esposa (Bobadela / Loures);
  • Fernando Franco (1951-2020) e esposa (Venda Nova / Amadora);
  • Hernâni Figueiredo (Ovar);
  • Humberto Reis e esposa, Teresa Reis (1947-2011) (Alfragide / Amadora);
  • Jorge Cabral (1944-2021)  (Lisboa);
  • José Bastos (região norte);
  • José Casimiro Carvalho (Maia);
  • José Luís Vacas de Carvalho (Lisboa  e Montemor-o-Novo);
  • José Martins e esposa (Odivelas);
  • Luís Graça e esposa, Alice Carneiro (Alfragide/Amadora);
  • Manuel Lema Santos e esposa (Massamá / Sintra);
  • Manuel Oliveira Pereira e esposa (Lisboa, vive hoje em Ponte de Lima);
  • Martins Julião e esposa (Oliveira de Azeméis?);
  • Neves, empresário em Bissau (de que só sabemos o apelido...)
  • Paulo Raposo (Ameira / Montemor-o-Novo);
  • Paulo Santiago (Águeda);
  • Pedro Lauret (Lisboa);
  • Raul Albino (1945-2020) (Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal);
  • Rui Felício (Lisboa);
  • Sampedro (ex-capitão, do BCAÇ 3884 , Bafatá, Contuboel, Geba e Fajonquito, 1972/74)
  • Sérgio Pereira e esposa (Lisboa);
  • Tino (ou Constantino) Neves e esposa (Laranjeiro, Almada);
  • Vitor Junqueira e filha (Pombal);
  • Victor David e esposa (Coimbra);
  • Virgínio Briote e esposa (Lisboa).
____________

Notas do editor:
 
(*) Vd. poste de 23 de julho de  2006 > Guiné 63/74 - P981: Tabanca Grande: Martins Julião, ex-Alf Mil Inf da CCAÇ 2701, Saltinho, 1970/72

(...) "Só há pouco tempo conheci este espaço de encontro. O Paulo Santiago (Pel Caç Nat 53, Saltinho), foi o camarada responsável pela minha apresentação aos camaradas de tertúlia.Chamo-me Martins Julião, fui Alferes Miliciano de Infantaria da CCAÇ 2701 (Saltinho, Abril de 1970/Abril de 72).Hoje sou um pequeno empresário e gerente de uma unidade industrial, após mais de 20 anos como professor do Ensino Secundário" (...).


quinta-feira, 9 de março de 2023

Guiné 61/74 - P24130: Prova de vida (7): A. Marques Lopes (ex-alf mil, CART 1690, Geba, e CCÇ 3, Barro, 1967/69), o hoje cor inf ref, DFA, que não esquece o duelo de morte com a professora de Samba Culo, em 7 de julho de 1967


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Geba > CART 1690 (1967/69) > O A. Marques Lopes em 1967, com duas beldades locais. Em 21 de Agosto de 1967, seria ferido com gravidade na estrada de Geba para Banjara na sequência da explosão de uma mina A/C e, uma semana depois, evacuado para o HMP, em Lisboa. Voltou ao CTIG , em Maio de 1968, para acabar a sua comissão,  tendo sido colocado então  CCAÇ 3, em Barro.

Foto (e legenda): © A. Marques Lopes (2005). Todo os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Com 265 referências no blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, o A. Marques Lopes é um histórico da Tabanca Grande, foi um dos primeiros dez a entrar, em 14 de maio de 2005, já lá vão 18 anos... Foi, além disso, um dos nossos mais ativos colaboradores, como autor, nos primeiros anos do blogue. 

Fez ontem mais  um aninho, já fizemos um oferenda ao irã do poilão da nossa tabanca para que ele o proteja e o ajude conservar-se entre nós por mais uns aninhos, pelo menos até aos 100, que é uma idade bonita para a gente arrumar as botas e... o computador (!) e fazer as pazes com o mundo.(*)

Homem da escrita, publicou com grande sucesso um livro notável com as suas memórias da juventude. Satisfaz-nos saber que já chegou ao Brasil: "Cabra-cega: do seminário para a guerra colonial", foi publicado em 2015, sob a chancela da Chiado Editora (hoje Chiado Books), e sob o pseudónimo João Gaspar Carrasqueira. Tem 582 pp., que se devoram num ápice.

 Já lhe mandámos os parabéns e um abraço fraterno, com votos de melhoras: como muitos de nós, lá vai lidando com as suas mazelas (fez uma cirurgia ao estômago, de que está recuperar), mas garantiu-me, ao telefone, que tem ganas de chegar aos 100. Continua a trabalhar as suas memórias da Guiné, terra que o continua a fascinar. 
 
2. Ontem também foi dia de fazer "prova de vida" (**)...O mesmo é dizer, de  lembrar e de saudar o aniversariante, agora mais ausente do nosso blogye. Como ele faz sempre anos no Dia Internacional da Mulher, a 8 de março,  também não podíamos  deixar de evocar esta efeméride... 

Com discrição, mas não sem emoção, temos falado aqui sobre o papel da mulher, na Guiné e na nossa terra, no tempo da guerra do ultramar / guerra colonial. Honra-nos a presença, na Tabanca Grande, de alguns dessas mulheres, camaradas, muito poucas, e companheiras e amigas, algumas mais.

Muito em particular, não podemos deixar de evocar  o papel pioneiro das nossas camaradas enfermeiras paraquedistas, para quem temos sempre uma dívida  de enorme gratidão.  Na realidade, foram as as únicas camaradas de armas, no feminino, que tivemos. (Isto, sem esquecer as outras umlheres, "paisanas", que ficaram na nossa retaguarda e que nos apoiaram, de uma maneira ou de outra: mães, esposas, noivas, irmãs, amigas, namoradas, colegas, madrinhas de guerra e, por que não ?!, senhoras do Movimento Nacional Feminino).

Mas, no caso do inimigo de há meio século atrás, também não podemos deixar de lembrar aquelas que  foram não só enfermeiras, como também professoras e até combatentes nas suas fileiras.  Do lado do PAIGC, houve por certo mulheres que lutaram, mataram e morreram nesta guerra. Não sabemos quantas, não temos estatísticas,

A propósito corre-nos relembrar a história da professora de Samba Culo.   O nosso amigo e camarada A. Marques Lopes, alf mil da CART 1690 (Geba, 1967/68)  
estava no sítio errado, em Samba Culo, em 7 de julho de 1967, uma sexta-feira.  Tal como a jovem professora, da "barraca" de Samba Culo. que morreu nesse dia com uma rajada de G3.  

Foi um duelo de morte, coisa que era raro acontecer naquela guerra de guerrilha e contraguerrilha.  O A. Marques Lopes foi mais rápido a puxar pelo gatilho. Mas a  morte da professora marcou-o, para o resto da vida, como ele nos confessou, aqui no blogue (***). E como transparece no seu livro de memórias, em que conta a história  de vida do seu "alter ego", o António Aiveca. Essa pungente história de Samba Culo pode ser lida nas páginas 391 e ss. (os nomes são fictícios):

(...) Quando avançaram todos rapidamente, quase em corrifa, Aiveca  e os seus entraram de rompante na barraca. Os do Lindolfo, do outrro lado, já tinham começado às rajadas. Viu logo que era uma escola. Uma rapariga que estava ao pé do quadro,  tirava uma kalashnikov que estava lá pendurada . Levantou a mão esquerda ao alto para ninguém disparar.

- "Tá quieta! Firma lá!", gritou-lhe.

Mas ela não. Com a arma já empunhada meteu o dedo no gatilho. Disparou instintivamente. Ela caiu para trás e as balas da kalash furaram o capim do tecto.

Ficou extático de olhos esbugalhados fixados nela. A cabeça  escaldava-lhe e o coração parecia querer soltar-se. Os soldados puseram-se à volta dela a observar e comentar. A sua rajada acertara-lhe  na barriga e no peito. Era bonita  e devia ter vinte e poucos anos. 

(...) Veio a si quando ouviu a confusão ao lado. Os soldados à volta da rapariga morta, uns riam-se desabridamente, outros gritavam. Levantou-se e chegou-se a eles. O que viu quase lhe fez sair os olhos das órbitas. O Cosme  estva em cima da rapariga puxando-lhe a saia para cima e com a mão já nas cuecas. Atirou-se a ele.

- "Eu dou cabo de ti, grande cabrão!" (...)

(...) (pp. 391/393).


Capa do livro "Cabra-cega: do seminário para a guerra colonial", de João Gaspar Carrasqueira (pseudónimo do nosso camarada A. Marques Lopes) (Lisboa, Chiado Editora, 2015, 582 pp. ISBN: 978-989-51-3510-3, Colecção: Bíos, Género: Biografia).


3. Trinta anos depois, em 2008, o A. Marques Lopes (cor inf ref, DFA)  voltou lá, a Samba Culo, na margem esquerda do Rio Canjambari,  no antigo regulado de Banjara, para fazer contas com os fantasmas do passado.  E deixa-nos, em prosa poética, um texto que é revelador dos valores e princípios de um grande ser humano e de um militar português com sentido de honra e consciência  moral.

Há muito que elegemos esta história como uma das  melhores, já aqui publicadas, no nosso blogue.  A maioria dos nossos leitores, mais recentes, não a conhece, nomeadamente nesta versão em prosa poética (***). Não  voltamos a reproduzi-la, mas a título de prova de vida do seu autor, vamos recordar as circunstâncias em que decorreu o "duelo de morte" entre o A. Marques Lopes (que comandava um Gr Comb da CART 1690,  no decurso da Op Inquietar II,  4-7 de julho de 1967) e a professora de Samba Culo. 

(...) Na Op Inquietar II conseguiu-se o objectivo: a base de Samba Culo foi mesmo destruída... Mas há coisas que não vêm relatadas: diz o relator que "junto à base de patrulhas pelas 14h20, um grupo IN que seguia em coluna por um trilho,  detectou as NT abrindo fogo e tendo ferido um soldado, pondo-se em fuga pela reacção das NT. Pelas 14h45 saiu um grupo de combate em patrulhamento ao longo do Rio Canjambari e regressou sem contacto".

Não foi assim. O que sucedeu foi o seguinte: o IN encostou-nos ao Rio Camjambari, não podendo nós cambá-lo, porque era muito fundo, nem podendo dali sair porque estávamos cercados. O comandante da operação disse-me:

- Ó Lopes, a minha companhia já está aqui instalada, por isso, você, que tem um grupo autónomo, vá ver se consegue furar o cerco. 

E lá fui, não só uma mas duas vezes, sem sucesso. Na segunda vez, fiquei sob fogo cruzado do PAIGC e da companhia do comandante, tendo um soldado meu levado um tiro nas costas, dado pelos dos nossos.

Quando o comandante me disse, pela terceira vez, para tentar furar o cerco, disse-lhe que não ia. Que chamasse os T6, o que ele acabou por fazer, e foi assim que dali saímos. Mas o que mais me impressionou nesta operação foi o seguinte: Samba Culo tinha uma escola; quando lá chegámos, vi escrito no quadro preto, em perfeito português: "Um vaso de flores". Tinha desenhado, a giz, por baixo, um vaso de flores.

E o que nunca mais esquecerei na minha vida: quando atacámos a base, uma jovem dos seus 18 anos ficou com a barriga aberta por uma rajada de G3. E mais (coisas terríveis desta guerra!): o "Bigodes", o Armindo Correia Paulino (que foi, depois, feito prisioneiro pelo PAIGC e que acabou por morrer em Conacri), quis saltar para cima dela. Tive que lhe bater. 

Esta é uma situação que nunca me sai do pensamento... e da minha consciência. Tinham muitos livros em português, que era o que estavam a ensinar aos alunos (miúdos ou graúdos?). Trouxemos também (imaginem!) uns paramentos completos de um padre católico! Lembranças que se me pegaram para toda a vida. (...) (****)

[Seleção / Revisão e fixação de texto / Itálicos / Negritos:  LG]


Guiné > Região do Oio > Carta de Farim (1954) (Escala 1/50 mil) > Detalhe > Posição relativa de Samba Culo, na margem esquerda do Rio Canjambari, a sudoeste de Canjambari, afluente do rio Farim, e aonde havia, em 1967, uma "barraca" do PAIGC, com uma escola.

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2023)

____________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de 8 de março de 2023 > Guiné 61/74 - P24127: Parabéns a você (2150): Cor Art DFA Ref António Marques Lopes, ex-Alf Mil Art da CART 1690/BART 1914 (Geba, Banjara e Cantacunda, 1967/69)

(**) Último poste a série > 15 de novembro de 2022 > Guiné 61/74 - P23785: Prova de vida (6): Nem todos os balantas eram... "turras" (Manuel Joaquim, ex-fur mil arm pes inf, CCAÇ 1419, Bissau, Bissorã e Mansabá, 1965/67)

(***) Vd,. postes de:


29 de novembro de 2005 > Guiné 63/74 - P301: A professora de Samba Culo (A. Marques Lopes)

(****) Vd. poste de 7 de junho de 2005 > Guiné 63/74 - P49: Samba Culo II (Marques Lopes)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Guiné 61/74 - P23872: Boas festas 2022/2023 (2): Desde os 34 graus negativos da noite de hoje (brrr!!!!....) no extremo norte da Suécia, os votos de um Feliz Natal e Bom Novo Ano (J. Belo)



O tempo passa mas as" infantilidades" ficam... (felizmente!)

Imagem e legenda: Cortesia de J. Belo (2022)


1. Mensagem de Joseph Belo

Data -12 dez 2022 21:05
Assunto - 

Desde os 34 graus negativos da noite de hoje no extremo norte da Suécia, os votos de um Feliz Natal e Bom Nova Ano.



José (Joseph, para os suecos, os lapões ou "suomi", os americanos, etc.) Belo, o só J(ota) Belo, para os amigos e camaradas,  o mais "estrangeirado" dos membros da "diáspora lusófona" da Tabanca Grande (que vai de Toronto a Sidney, passando por Macau), reparte a sua vida, o seu tempo, entre a Suécia, a Lapónia e o EUA (nomeadamente Key West, Florida).  Em boa verdade, nunca sabemos onde ele  está em cada momento, mas tem um provérbio lusitano de grande profundidade filosófica, e que já foi adotada pelos cinco milhões de "tugas" que não cabem cá dentro do rectângulo ibérico: "A felicidade está onde a gente a põe... E eu, desde que saí de Portugal, há um ror de tempo,  ponho-a sempre onde estou"...

Na outra encarnação,  foi alf mil inf, CCAÇ 2391, "Os Maiorais", Ingoré, Buba, Aldeia Formosa, Mampatá e Empada, 1968/70)... E a prova disso é que ainda é (!) cap inf ref do exército português... Foi o autor da saudosa a série "Da Suécia com Saudade"...Tem 232 referências no nosso blogue.

Obrigado, Zé, pelos teus votos natalícios e,  se vires o teu vizinho, o pai Natal, diz-lhe para ele dar um jeitinho ao desarranjo do mundo, do clima e do calendário... (Eu sei que tu, como bom cidadão "assuecado", não metes cunhas a ninguém, e muito menos ao teu vizinho... Mas v~e se o imoressionas: olha, a gente há tempos veio aqui para a rua, aflitos, a clamar aos deuses, em procissão, e a gritar "tomara que chova, três dias sem parar!"... O São Pedro ouviu-nos, abriu a torneira, mas esqueceu-se de fechá-la ao terceiro dia... Tem chovido tanto, mas tanto, que, depois do 2º desastre de Alcácer Quibir, já estamos a bombar água para o deserto do Saara... 

Zé, fica feita a tua "prova de vida", tens as quotas em dia... LG
___________

Nota do editor:

domingo, 11 de dezembro de 2022

Guiné 61/74 - P23868: Boas Festas 2022/2023 (1): Bom Natal e... Novo Ano logo se vê (A. Marques Lopes, que aproveita para fazer "prova de vida")

 


Lourinhã > 4 de dezembro de 2022 > Festejos natalícios do município > Tenda do Pai Natal > Elemento decorativo, "kitsch", muito provavelmente "made in China"... Com a devida vénia... Foto (e legenda): LG (2022)


1. Amigos/as e camaradas: há quem não vá à bola, e muito menos à bola com o Natal, o Pai Natal, e toda a quinquilharia natalícia da época... O nosso blogue respeita as minorias (desde que não infrinjam as nossas regras de inclusão, respeito e tolerância), incluindo os/as que não vão à bola, e muito menos à bola com o Natal, o Pai Natal, e toda a quinquilharia natalícia da época... Para outros/as,  o Natal é "sagrado", mas não sabemos se são, sociologicamente falando, a maioria...

Continuando a não falar de "política, religião e futebol" (três coisas que nos podem dividir), salvemos ao menos o "nosso" Natal, o "Natal" de cada um, qualquer que seja o significado que a palavra possa ter no dicionário de cada um dos nossos leitores... 

Haja, ao menos, a vontade, a saúde e a alegria (e o "patacão" q.b.)  de festejar esta quadra, incontornável no mundo ocidental onde, dizem, ainda vivemos, em frágeis democracias liberais, e com padrões de vida minimamente decentes... 

Rezemos, os crentes e os não-crentes (juntos sempre fazemos mais força), a Deus, a Alá, a Jeová, a todos os deuses e deusas (desde a Antiguidade Clássica), mais os nossos bons irãs, acocorados no alto do poilão da nossa Tabanca Grande, para que o ano novo de 2023 seja melhor do que o de 2022... Para todos os homens e mulheres de boa vontade, em todo o mundo..., independentemente de gostarem ou não de comer bacalhau lascudo com batatas e pencas ou "tronchudas" alagadas em bom azeite e acompanhadas com um bom tintol...

E, por favor, escrevam-nos um "cartanito", a fazer prova de vida e a dar força  aos editores do blogue, colaboradores, autores, comentadores e leitores que têm dado vida e ânimo a este projeto que vai fazer 19 anos (!) em 23 de abril de 2023... e que quer chegar aos 900 membros (registados)  no final desse ano... Faltam só 33, mas está difícil, a "periquitagem" ainda arredia das nossas lides bloguísticas e os "velhinhos" parece que já arrumarem as botas e as cartucheiras... 

O primeiro "cartanito" que nos apareceu, este ano, é do histórico A. Marques Lopes que em 2022 passou um mau bocado com problemas de saúde mas não perdeu a vontade de continuar a viver e sobretudo não perdeu o sentido de humor... Aproveita para fazer "prova de vida", e a gente congratula-se com as suas melhoras.... E a propósito, tem 261 referências do nosso blogue, mas há muito que não nos liga(va)... (E acabamos, hoje, de ultrapassar os mil postes publicados neste ano da graça de 2022.)


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Geba > CART 1690 > Destacamento de Cantacunda > 1968 > As precárias condições em que se vivia no destacamento ou melhor nos "bu...rakos" que a gente construía para "desenrascar",  que os engenheiros de Bissau, o  BENG 447,  não chegavam a todo o lado... Digam-me lá se o A. Marques Lopes se parece mais com um oficial do exército português ou com um mineiro ? (Olhem-me só para a cor daqueles joelhinhos !).

Para além de valente soldado, na verdade, o tuga, o portuga, o Zé , o Zé Povo em armas também foi engenhocas, carpinteiro, marceneiro, trolha, caboqueiro, picheleiro, funileiro, canalisador, construtor de pontes, caçador, pescador, ama-seca, parteiro, professor, missionário, enfermeiro, carteiro, cronista, descascador de batatas, auxiliar de cozinheiro, hortelão, arrebenta-minas, picador, cangalheiro, animador cultural, mediador cultural, psicólogo, conselheiro, juiz de paz, casamenteiro, e sei lá que mais... E o nosso saudoso "alfero Cabral" que Deus já lá tem,  até foi, imaginem!, "consertador de catotas"...

O Zé Povo no TO da Guiné foi mais do que o três  em um... Foi o homem dos sete oficios... O "desenrascanço" fazia parte do seu ADN e a verdade é que conseguiu transmitir esse gene aos seus filhos e netos espalhados por esse mundo de Deus e do Diabo (que ninguém, se ofenda, que isto é apenas uma metáfora, uma figura de estilo literário!)...


Foto: © A. Marques Lopes (2005). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



A legenda é do A. Marques Lopes: "Bom Natal e... Novo Ano logo se vê". O "boneco", o "Rodolfo", é cópia de um "original pintado com a boca por Adam Spenner" (com a devida vénia...).