Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta CCAÇ 674. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CCAÇ 674. Mostrar todas as mensagens

domingo, 11 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28426: Monografia de Fajonquito-Sancorla - Uma pequena contribuição (2): Sancorla no contexto das guerras entre fulas e mandingas...; Início da guerra e a deslocação das primeiras Unidades Militares para Fajonquito e Imagens de Fajonquito (1964-1974) (Cherno Baldé)

MONOGRAFIA DE FAJONQUITO-SANCORLA

“UMA PEQUENA CONTRIBUIÇÃO”


Natural de Fajonquito (Farimbali), nascido em meados de 1960 e baptizado em Sintchã Samagaia ou Luanda na margem direita de Berecolom.
Frequentou o Curso Geral dos Liceus em Bafata (1975/79) e o Complementar no Liceu Nacional Kuame N’krumah em Bissau.
De 1985 a 1990 fez estudos superiores de licenciatura e mestrado no Instituto Superior de Economia de Kiev que ostentava o nome do lider Soviético de origem ucraniana Demyan Serhiyovich Korotchenko (ex-URSS).
De 1993 a 1995 fez um Curso de Pós-graduação no Centro de Estudos Africanos do ISCTE-IUL de Lisboa e de 2001/2003 frequentou um curso de mestrado sobre a Cooperação Internacional e Desenvolvimento no ISEG/UT, Lisboa, Portugal.
Trabalhou sempre em Bissau com varias deslocações aos países da sub-região, primeiro como funcionário Publico do Ministério das Obras Públicas, Construções e Urbanismo, depois como Director Executivo da Associação Profissional das Instituições de Microfinanças (AP-SFD-GBissau) tendo, de seguida, trabalhado como Consultor/Gestor e Analista Financeiro em vários projetos de Desenvolvimento ligados a organizações internacionais, nomeadamente Banco Mundial, BAD, UE (FED-Célula de apoio ao MEF em Bissau) e no Sistema das NU/PNUD, de 2013 a 2026.



4. SANCORLA NO CONTEXTO DAS GUERRAS ENTRE FULAS E MANDINGAS DURANTE A ÉPOPEIA DE ALFA MOLO E DO SEU FILHO MUSSA MOLO, REIS DE FIRDU OU FULADU (Taryk Fuladu)

Quem terá sido o primeiro habitante de Canhámina? Uma pergunta difícil de responder porquanto, os actuais habitantes de Sancorlá seriam capazes de jurar, a pés juntos, que foram os seus antepassados e com provas provadas dentro do esquema mitológico habitual do tipo: “Era uma vez, a família de caçadores do grupo dos nossos antepassados que, após um longo percurso, em perseguição de um animal de caça, acabaram por desembocar neste local milagroso…” O que, porém, não deverá suscitar muita controvérsia, é o facto de que estas paragens já eram habitadas por populaçoes Banhuns, (Bainouks ou Soninkés?) quando os Fulbhé (fulas) chegaram com as suas manadas de gado, vindos de Macina (Mali), de Boundu (Senegal) ou Futa-Djalon (Guiné-Conacri). Conta-se que, no seu périplo pela região na primeira metade do século XIX, o Cheik El-Adj Omar, futuro imperador do Sudão ocidental, teria passado por aqui a caminho de Futa-Djalon acompanhado do seu djatigui (2) e futuro Silatigui, o rei de Firdu, Alfa Molo Baldé, a quem ele teria dado todas as terras situadas entre as bacias dos rios Gâmbia e Geba, mais concretamente até ao local designado Dandum (Dandum Cossará), à condição que as pudesse retirar aos “infiéis” reis Soninquês, claro. Despediram-se após ter recebido das mãos do grande homem de letras a promessa de que a sua aventura seria coroada de êxito.
De regresso a casa, Alfa Molo convocou os grandes de entre os Fulbhé [fulas,] e disse-lhes:
- Como todos sabem, desde que vivemos entre os Soninquês [, ou Saracolés, na gravura, 1890, cortesia de Wikipédia], não somos mais os donos das nossas vacas, das nossas ovelhas nem das nossas próprias mulheres, por isso, vamos combatê-los e acabar com os seus abusos de poder.


Os grandes de entre os Fulbhé após terem escutado e, cheios de medo, responderam:
- Nós não vamos combater os Soninquês e tão pouco iremos ajudar aquele que o irá fazer. Então o Alfa Molo levantou-se em toda a sua altura e, sacudindo o fundilho das calças, disse a frase que ficaria para sempre gravada nos anais da história épica do reino de Firdu: “Se não me ajudarem a combatê-los, então ajudar-me-ão a fugir”, teria ele dito. E foi assim que tudo começou, Alfa Molo e os seus apoiantes entrincheirados no seu campo de refúgio que apelidaram de M’ban Ulém ou seja recusa total, atacaram os Soninquês e, com o apoio decisivo dos Almamis de Futa-Djalon, acabariam por conquistar a região e instalar o reino de Firdu (Fuladu), repartido em pequenos regulados entre os quais o de Sancorla que, mais tarde sera confiado aos seus aliados locais (Dadina pai do Samba Sáhabu?) e que, vindos de Panambô e de kerewane (perto da actual localidade de Sare-Bacar) escolheriam, mais tarde, para capital a localidade de Canhámina.


Na lógica e sub-mundo do homem e da consciência tradicional africana, nada acontece por acaso, tudo se justifica e se fundamenta em fórmulas simples e ao mesmo tempo complexas, e neste caso concreto de Canhámina (Sancorla), conta-se que a origem da força e do poder local se devia à conjunção de determinados factores de ordem mística e que, por conseguinte, a perda daquela força e do poder, verificada mais tarde (1974),  se deveu a violação do princípio regulador do equilíbrio ou pacto inicial estabelecido, que começou com a penetração de elementos estranhos ao meio, entrando nesse leque tudo o que veio a ligar-se com o processo da dominação colonial, da submissão e da penetração do sistema mercantilista da produção e comercialização (borracha, coconote, pele de animais, amendoim etc.); de elementos novos de sujeição, de opressão e alienação cultural e espiritual que se lhe seguiram os passos, onde os impostos de capitação e a balança dos comerciantes eram os elementos mais nocivos dentro do sistema de exploração e empobrecimento das populações, terminando com a entrada silenciosa e criminosa dos guerrilheiros do PAIGC que transformaram o recinto dos poilões num campo de tortura e de exterminação dos próprios filhos de Sancorla.

**********

Conta-se que, antigamente, da mata de poilões situada no centro de Canhámina, descia uma linha de força para sul até a floresta de palmeiras (Surumael), situada nos limites do regulado e no meio da qual se encontrava uma nascente cujas águas abasteciam a população da aldeia, estando ligada, por sua vez, à bolanha de Suncudjuma (prolongamento da bacia hidrográfica do rio Farim-Canjambari). Surumael (mata húmida) representava o ângulo feminino do triângulo de Canhámina onde se praticavam não só a produção do arroz nas terras baixas mas também todos os rituais femininos ligados a educação e/ou reprodução social (cerimónias de casamento, fanados etc.). De Surumáel, seguindo sempre o percurso da bolanha a Oeste, até à distância de três km, estava situado o terceiro ângulo ou o complexo masculino, a lagoa de Djunkoré, formado, por uma extensa área alagada durante a estação das chuvas e no meio da qual se encontrava uma extensa lagoa de água doce, bem no centro da bolanha. As populações das aldeias mais próximas e as aves pescadoras vinham aqui encontrar os peixes que subiam com as águas do rio Farim/Canjambari. Também aqui davam de beber as grandes manadas de gado (vacas, ovelhas, cavalos) que faziam o prestigio económico da região, acompanhadas de crianças nuas e barulhentas, com as flautas numa mão e as varas noutra na vasta planicie da bolanha de Suncudjuma. Na margem esquerda do lago Djunkoré encontrava-se um poilão bem alto e que, durante o período nocturno, irradiava uma luz florescente provocando o efeito bômina (claridade), que era visível a uma grande distância. Djunkoré funcionava como o refúgio dos homens e das aves, onde se praticavam as cerimónias e rituais masculinos. Todas as gerações passadas fizeram-se homens neste espaço mítico e verdejante.

Deste ângulo subia outra linha de retorno à aldeia, formando assim uma espécie de triângulo, o triângulo de vida de Canhámina. O conjunto formava assim um ambiente natural propício para a vida animal, em particular das aves selvagens. Mas, também constituía o centro da vida económica, social e cultural da aldeia e seus arredores. E, numa escala maior, reproduzindo fielmente o triângulo de Canhámina, a organização social e política do regulado, também, se apoiava em três pilares ou áreas geográficas (diwé): A área de Canhámina (ângulo sudoeste) onde habitava o régulo, patriarca e irmão mais velho, Buran-Djame; a área de Lenkebémbe /Cambajú (ângulo noroeste) entregue a família de Demba Udé ou Dema-Duora e a área de Kerwane/ Panámbo (ângulo nordeste), entregue a família de Samba Udé; cada uma das quais gozando de uma certa autonomia. Esta divisão territorial e administrativa fomentava muitas rivalidades, algumas das quais ainda hoje subsistem, mas também era factor de concorrência e de dinâmica criativa que permitia manter a necessária coesão social e política assim como a chama guerreira do regulado que permitia fazer face aos ataques e investidas de grupos de resistência Soninkés e, mais tarde, poder aguentar os assaltos da guerrilha no início da guerra colonial ou luta da libertação nacional conduzida pelo movimento rebelde do PAIGC (1963/74) ao qual eles não quiseram aderir, preferindo continuar a antiga aliança com a administração colonial portuguesa, desconfiados pela adesão massiva dos mandingas a este movimento e que se assemelhava a uma tentativa de recuperação dos seus domínios recentemente conquistados pelos fulas e seus aliados de Futa-Djalon.

**********

Todavia, a sucessão de Alfa Molo na segunda metade do Séc. XIX, não viria a ser nem bem sucedida e muito menos pacífica, obrigando ao seu sucessor, o intrépido Mussa Molo, a disputar não somente o trono com outros pretendentes dentro da família, como fazer face a pretensões autonomistas dos pequenos regulados em que estava dividido o reino de Fuladu, com particular incidência naqueles cuja liderança era chefiada por Fula-Forros, antigos suseranos e pouco inclinados a aceitar a vassalagem vis-a-vis de Fula-pretos cujo poder representava Mussa-Molo, sob o olhar atento dos Almamis de Futa-Djalon e ainda com a presença cautelosa mas insidiosa das potências europeias (os Portugueses a partir de Farim e Geba, os Franceses a partir de Sédiô no Senegal e os Ingleses na foz e ao longo do rio Gâmbia) que cobiçavam a região meridional do novo império de Fuladu (Firdu) dirigido por Mussa Molo Baldé.

Nestas circunstâncias, os pequenos regulados Fulbhé do nordeste e leste Guineense tinham que escolher entre submeter-se às ordens e a tirania de Mussa-Molo, apoiado sub-repticiamente pelos Franceses, ou aliar-se aos Portugueses. Assim nasceu a aliança de interesses entre Fulas e Portugueses que, tudo somado, pareciam distantes e sem quaisquer interesses em comum. Porém, esta aliança fortuita não estava isenta de algumas contradições. Os pequenos regulados fulas, de um lado, precisavam dos Portugueses para se proteger das ameaças e razias constantes dos homens de Mussa-Molo mas, sendo muçulmanos, eram portadores de um inevitável “proselitismo religioso” que estava na base da sua libertação e do seu poder conquistado perante os Soninquês.

Os portugueses, por seu turno, precisavam de aliados no interior onde não conseguiam chegar para fazer valer as suas pretensões para lá do rio Geba mas, também, tinham na bagagem a Bíblia e o compromisso da salvação de almas perdidas para justificar as suas conquistas de além-mar. Mas tarde e, sempre que se sentiriam aflitos, os portugueses não hesitariam em recorrer aos seus aliados muçulmanos do interior (Fulas e Mandingas) para reprimir os povos guerreiros “animistas” do litoral Guineense mas, logo que se sentiam minimamente aliviados da pressão, se apressavam a afastá-los destas zonas para não espalhar a sua indesejada influência religiosa com a qual não compatuavam. Com Teixeira Pinto e seus auxiliares muçulmanos, especialmente Abdul Indjai, os portugueses fecharam o capítulo da conquista e pacificação (?) do território da Guiné no início do século XX, impondo de seguida, a todos os habitantes da Guiné, a obrigação do pagamento de impostos. Com estes, veio a necessidade de produzir excedentes comerciais abrindo, desta forma, uma porta de entrada a produção do amendoim que, juntando-se a colecta da borracha, se transformariam, durante muito tempo, nas actividades obrigatórias de todas as regioes do interior, incluindo Sancorla.


**********

Com o florescimento do comércio nos anos 40 e 50, houve a necessidade de abrir vias de acesso e de ligação com as zonas portuárias de Farim e Bafatá. As medições feitas determinaram que a estrada tinha que passar no meio da mata de poilões de Canhámina, que seria o ponto de convergência das três estradas (Cambaju ao norte, Bafata ao sul e Farim a Oeste,). Esta foi a primeira abertura (ferida) no triângulo de Canhámina, o primeiro sinal inquietante da mudança dos tempos, que abriu as portas para a penetração de elementos estranhos no círculo de vida de Sancorla.

Com o intuito de preservar Canhámina da invasão do novo mundo e das suas consequências inevitáveis, Fajonquito serviu de escoadouro e aldeia satélite para canalizar todos os elementos que não se enquadravam no pacto de equilíbrio do mundo antigo. Foi assim que as casas comerciais que queriam instalar-se em Canhámina, foram aconselahadas a se instalar mais a poente, a três quilómetros de distância, a fim de preservar o triângulo. E foi assim que, pelas mesmas razões, tanto a escola portuguesa (1958?) assim como a primeira companhia de tropas metropolitanas (1964) enviada para reforçar o regulado com o avanço da guerrilha, ficaram pouco tempo na aldeia, tendo sido, de seguida, transferidas para Fajonquito. Era preciso manter o equilíbrio do pacto, tanto assim que, pese a vontade de o fazer, os guerrilheiros do PAIGC nunca conseguiriam penetrar no triângulo e atacar Canhámina, o coração de Sancorla, mesmo desguarnecida de tropas. Acredita-se que eram desviados para longe por forças ocultas.


5. INÍCIO DA GUERRA E A DESLOCAÇÃO DAS PRIMEIRAS UNIDADES MILITARES PARA FAJONQUITO.

A partir de 1962/63, a guerra começou a alastrar-se em toda a região Norte e Nordeste da Guiné e, em 08 de Julho de 1964, a Companhia de Caçadores (CCAÇ) n.º 674, comandada pelo Capitão de Infantaria José Rosado Castela Rio, foi destacada para a regiao de Bafata e assumiu a responsabilidade do subsector de Fajonquito em 13 de Maio de 1964.

E na noite de 24 de Agosto de 1964, a partir das 21:00, as instalações militares de Fajonquito foram pela primeira vez flageladas pelo PAIGC. Durante a madrugada de 03 de Setembro de 1964, Fajonquito foi de novo flagelado e pelas 20:00 de 08 de Setembro de 1964, o PAIGC iniciou sobre Fajonquito a terceira flagelação, que se prolongou de forma intermitente até aos primeiros alvores.

Em 12 de Setembro de 1964, uma acção de patrulhamento da CCAÇ 674 foi alvo de violenta emboscada por parte dos guerrilheiros, que causou as primeiras baixas naquela sub-unidade, na zona de Cansonco (Gam-Sanco), na estrada para Canjambari, conta-nos o soldado Inacio Maria Góis, no seu Diário de Guerra. De seguida, apresentamos o resumo das companhias que passaram por Fajonquito de 1964 a 1974.



As Companhias do exército português que passaram por Fajonquito durante a guerra colonial 1963-1974 (José Martins)

1. Companhia de Caçadores n.º 674, comandada pelo Capitão de Infantaria José Rosado Castela Rio, unidade orgânica do Batalhão de Caçadores n.º (.....), Mobilizado pelo Regimento de Infantaria 16 (RI16 - Évora), assumiu a responsabilidade do subsector em 13 de Maio de 1964, vindo a ser substituída pela CCaç 1497 em 27 Abril de 1966.

2. Companhia de Caçadores n.º 1497, comandada pelo Capitão de Infantaria Carlos Alberto Coelho de Sousa, unidade orgânica do Batalhão de Caçadores n.º (....), mobilizada em (...) no Regimento de Infantaria n.º (...), assumiu a responsabilidade do subsector, rendendo a CCaç 674, em 27 de Abril de 1966, vindo a ser substituída pela CCaç 1501 em 26 de Janeiro de 1967.

3. Companhia de Caçadores n.º 1501, comandada pelo Capitão de Infantaria Rui Antunes Tomaz, unidade orgânica do Batalhão de Caçadores n.º 1877, mobilizada em Tomar no Regimento de Infantaria n.º 15, assumiu a responsabilidade do subsector, rendendo a CCaç 1497, em 26 de Janeiro de 1967, vindo a ser substituída pela CCaç 1685 em 19 de Setembro de 1967. Foi a companhia que construiu a capela em Fajonquito, uma mesquita em Canhamina e uma escola na localidade de Ginane assim como o primeiro mastro da bandeira encimado por uma grande cruz em betao armado junto ao quartel em Fajonquito.

4. Companhia de Caçadores n.º 1685, comandada pelo Capitão de Infantaria Alcino de Jesus Raiano, unidade orgânica do Batalhão de Caçadores n.º 1912, mobilizada em Évora no Regimento de Infantaria n.º 16, assumiu a responsabilidade do subsector, rendendo a CCaç 1501, em 19 de Setembro de 1967, vindo a ser substituída pela CCaç 2435 em 14 de Dezembro de 1968.

5. Companhia de Caçadores n.º 2435, comandada pelo Capitão de Infantaria José António Rodrigues de Carvalho e, posteriormente, pelo Capitão de Infantaria Raul Afonso Reis, unidade orgânica do Batalhão de Caçadores n.º 2856, mobilizada em Abrantes no Regimento de Infantaria n.º 2, assumiu a responsabilidade do subsector, rendendo a CCaç 1685, em 07 de Dezembro de 1968, vindo a ser substituída pela CCaç 2436 em 20 de Abril de 1970. Foi a companhia que construiu o dispositivo de defesa através da escavação de valas a volta do quartel, construçao de abrigos de defesa em betão armado e mudou o assentamento da população, transferindo-a para a zona Leste e libertando espaço de tiro na zona oeste de onde vinham os ataques. Teve problemas com o Gen. Spinola devido a forma como lidava com a população em geral e com os prisioneiros de guerra, obrigados a fazer trabalhos forçados na escavação e limpeza das valas a volta do aquartelamento, extorção e torturas físicas. Levou uma porrada e foi transferido para local incerto.

6. Companhia de Caçadores n.º 2436, comandada pelo Capitão de Infantaria José Rui Borges da Costa, unidade orgânica do Batalhão de Caçadores n.º 2856, mobilizada em Abrantes no Regimento de Infantaria n.º 2, assumiu a responsabilidade do subsector, rendendo a CCaç 2435, em 20 de Abril de 1970, vindo a ser substituída pela CArt 2742 em 13 de Agosto de 1970.

7. Companhia de Artilharia n.º 2742, comandada pelo Capitão de Artilharia Carlos Borges de Figueiredo e, posteriormente, pelo Alferes Miliciano de Artilharia Baltazar Gomes da Silva, unidade orgânica do Batalhão de Artilharia n.º 2920, mobilizada em Penafiel no Regimento de Artilharia Ligeira n.º 5, assumiu a responsabilidade do subsector, rendendo a CCaç 2436, em 13 de Agosto de 1970, vindo a ser substituída pela CCaç 3549 em 21 de Maio de 1972. Foi a companhia que melhor se relacionou com a população, extendeu a iluminação eléctrica a rua principal da vila, realizou várias actividades lúdicas de diversão e animação sócio-cultural e apoiou o funcionamento da escola local. O seu comandante, viria a perder a vida num rebentamento de granada defensiva perpetrado por um dos seus soldados no dia 2 de abril de 1972, em vésperas da celebração da Páscoa.

8. Companhia de Caçadores n.º 3549, comandada pelo Capitão Quadro Especial de Oficiais José Eduardo Marques Patrocínio e, posteriormente, pelo Capitão Miliciano Graduado de Infantaria Manuel Mendes São Pedro, unidade orgânica do Batalhão de Caçadores n.º 3884, mobilizada em Chaves no Batalhão de Caçadores n.º 10, assumiu a responsabilidade do subsector, rendendo a CArt 2742, em 27 de Maio de 1972, vindo a ser substituída pela 2.ª Companhia do BCaç 4514/72 em 15 de Junho de 1974. Tal como as duas companhias precedentes, passou toda a comissão em Fajonquito, de modo que, a parte alguns roubos de animais por ocasião das suas festas religiosas, de modo geral, tiveram um bom relacionamento com a população, facto que foi propício ao aprecimento de um fenómeno social novo e pouco conhecido, ou seja o nascimento de filhos mestiços de pais portugueses com mulheres locais, os chamados na gíria colonial, filhos do vento. Só na localidade de Fajonquito registaram-se, no mínino, 10 casos e que não foram reconhecidos pelos progenitores.

9. A 2.ª Companhia do BCaç 4514/72, comandada pelo Capitão Miliciano de Infantaria Ramiro Filipe Raposo Pedreiro Martins, unidade orgânica do Batalhão de Caçadores n.º 4514/72, mobilizada em Tomar no Regimento de Infantaria n.º 15, assumiu a responsabilidade do subsector, rendendo a CCaç 3549, em 15 de Junho de 1974, vindo a iniciar o deslocamento para Bissau a partir de 30 de Agosto de 1974, tendo um pelotão efectuado a desactivação e entrega, ao PAIGC, do aquartelamento em 01 de Setembro de 1974. (...). Esta companhia quando chegou estava desfalcada da maior parte dos seus grupos de combates destacados em outras frentes. Tinham vindo da zona Sul (Cadique e Cabomba, depois de passar por Guidage em 1973) e via-se que tinham sofrido muito com a guerra. Foram, do ponto do vista social, muito bons e bastante afáveis com as crianças que frequentavam o quartel marcando um notável contraste em relação às outras companhias. A guerra estava no fim, e vivia-se o período pós 25A74. Fizeram a entrega simbólica do aquartelamento ao PAIGC a fim de regressar às suas terras para um descanso bem merecido, mas com a marca da Guiné na alma e no coração para nunca mais esquecer.

(**) Vd. poste de 3 de Abril de 2009 > Guiné 63/74 - P4136: As Unidades que passaram por Fajonquito (José Martins)


6. IMAGENS DE FAJONQUITO (1964-1974)

Fajonquito, 1964/66 – Soldados da CCAÇ 674 e população, vendo-se à direita o Comandante da companhia, Capitão José Rosado Castela Rio.
Fajonquito, 1964/66 – Dança de batuque no espaço entre a porta d’armas e a casa Esteves (hoje mercado), na imagem vêm-se soldados da 674 (entre os quais Inácio Maria Góis, no meio e de bigode) e populares, entre os quais se vêm Djata/Zeca Mané (de tronco nu) e Munco Seidi (já falecidos) entre outrs residentes.
Fajonquito, 1966 – Um grupo de meninas vendedeiras, vendo-se em destaque a Djabu Embalo (falecida) de Gallé Djammê, Bairro situado dentro do Quartel na altura.
Fajonquito, 1964 –Soldados da CCAC 674 (Inácio Maria Góis, à direita) e meninas - Gallé Gumbo-Bairro situado dentro do Quartel nesse período.
Fajonquito 1968 - Aladje Tamba Baldé (pai do Cherno Baldé) e o Cabo Tintim (CCAÇ 2435- 1968/70), em frente da casa de Mário Lima, vendo-se na parede em cima o emblema deixado pela CCAÇ 1501 (1965/67)
Fajonquito 1971 – Carlos Bubacar Baldé (irmão mais velho de Cherno Baldé) da Mocidade Portuguesa, por ocasião do 10 de Junho, dia de Portugal e de Camões, na presença de oficiais da CART 2742 (dos quais Alferes José Félix que morreu no rebentamento da granada no dia 2/4/1972) comandada pelo Capitão Carlos Borges Figueiredo.
Fajonquito – Memorial da CART 2742 (1970-72)

1. Em primeiro plano, o Furriel das transmissões Farraia (CCAÇ 3549 – Deixós-Poisar, 1972/74), junto ao poste da bandeira e parada do quartel.
2. Na base do poste da bandeira vê-se uma lápide com a inscrição do nome do Cap. Carlos de Borges Figueiredo e os soldados mortos “no acidente” do caso Almeida na Páscoa de 1972, em Fajonquito.
3. Ao fundo estão as instalações onde funcionavam os Serviços de transmissões do quartel e junto a varanda da casa: da esquerda à direita, estão os Putos (rafeiros) Adama Sunto e o Cherno Baldé (Chico).
4. Neste local realizaram a cerimónia de entrega do aquartelamento ao PAIGC, simbolizando a passagem para a soberania nacional, em 1 de Setembro de 1974, com o hastear da bandeira nacional.
5. Fotografia cedida pelo ex-Furriel Miliciano José Cortes da CCAÇ 3549 - “Deixós-Poisar”, 1972/74.

Fajonquito, 1972/74

1. Foto em cima: Soldados da CCAÇ 3549 à civil, na rua principal da vila, ao fundo as casas comerciais de Costa Pinheiro (mais tarde Casa Gouveia) e dos Irmãos Casimiro (mais tarde Denane Sissé).
2. Foto ao meio: O falecido Furriel Cortes (José Augusto), junto a porta d’armas (entrada) do quartel de Fajonquito
3. Foto em baixo: Equipa Banda6 com o Capitao da CCAÇ 3549, Manuel Mendes São Pedro, primeiro à esquerda, de pé.


Fajonquito, 1972/74 – Soldados da CCAÇ 3549 (Furriéis José Cortes e Faraia) junto ao mercado. Ao fundo vê-se a imagem da oficina mecânica do Quartel
Fajonquito, Junho de 1972 – De esquerda para a direita, soldados condutores da CCAÇ 3549, Deixós-Poisar (1972/74): José Maria, João Vasconcelos, Carvalho, Fernando Silva, o Mandinga e seus jovens amigos: Jorge Suleimane Baldé, Mamadu Saido Candé (Barbosa), Braima Baldé (Banda6) e Cherno Abdulai Baldé (Francisco), junto da caserna da Ferrugem.

(continua)
_____________

Nota do editor

Primeiro post de 10 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28424: Monografia de Fajonquito-Sancorla - Uma pequena contribuição (1): Localização geográfica e população; Origem e significado do nome Sancorla e Significado e origem do nome Fajonquito (Cherno Baldé)

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28274: Verso & reverso (2): Muita honra e pouca glória: a história de Portugal Colonial resumida em três palavras-chave (Cherno Baldé, nosso colaboraor permanente, Bissau)


















Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Cherno Baldé (2026)
Imagens: Arquivo Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


1. Comentários (*) de Cherno Baldé, nosso colaborador permanente, natural de Fajonquito,  a viver em Bissau (deppois de ter vivido estudado também em Bafaftá, Bissau, Moldávia, Ucrânia, antigos territórios da URSS, Lisboa;  é hoje consultor independente na área da economia e gestão; tem página no Facebook.


(i) "Muita Honra e Pouca Glória" ou a história de Portugal colonial resumida em 3 palavras- chave.  Gostaria de acrescentar que ttambém os valentes perdem as guerras.

Na Guiné, o soldado português foi bom e firme, enquanto pôde, enquanto os meios à sua disposição o permitiram. Eu testemunhei a firmeza, a bravura desses soldados por mais de 10 anos, em fases e companhias diferentes e,  desses,  poucos eram profissionais ou do quadro permanente, e a partir de 70 quase todos eram milicianos, uma categoria ligeiramente um pouco acima das nossas milicias, voluntárias da sua própria desgraça.

Mas os valentes também perdem as guerras. Eu testemunhei o paradoxo de uma guerra perdida por homens valentes, transformada em vitória efémera a fim de permitir, no máximo,  gossi-gossi,  o regresso a casa, com medalhas, muita honra e pouca glória. (...)


(ii) Na Guiné do pós-25A74, poucos sabem dessa verdade histórica pós-colonial, pois o PAIGC encarregou-se, brilhantemente, de reescrever a história em cujos cenários eles eram os únicos e verdadeiros "Cabras-Machos",  e que a tropa "Tuga" não passava de espantalhos para inglês ver. 

Eu, pessoalmente, sabia que não era a verdadeira história, fazendo despertar em mim os primeiros sinais de desconfiança em relação a um Partido-Estado que se tinha apoderado de tudo e todos, prometendo mel e maná do céu ao povo e às suas ovelhas obedientes.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026 às 14:41:00 WEST 
 

(iii) Eu assisti (Cambaju, 1965/66) ao regresso dos homens do alferes Maia (CCAÇ 674), de fardas encharcadas,  depois de 5 dias de emboscadas e nomadizacão na fronteira com o Senegal, entre Solucocum e Cuntima (Colina do Norte).

Estava em Fajonquito aquando do ataque devastador a Cantacunda em 1968 e o sequestro dos 11 soldados do pelotão de metropolitanos da companhia sediada em Geba (CART 1690, 1967/69) e assistimos à pronta reação da companhia de Fajonquito do capitão Alcino de Jesus Raiano (CCAÇ 1685, 1967/69), com o envio de tropas às regiões abandonadas de Caresse e Cola, na tentativa de uma intercessão dos guerrilheiros, o que seria em vão.´

Eu convivi na minha terra com o soldado ("comando") Almeida que, quando havia um ataque numa localidade próxima,  não esperava por ordens ou colunas e corria a pé para não perder a festa do chumbo e da pólvora. 

Eu conheci os intrépidos Capitães do quadro permanente, o Carvalho (CCAÇ 2435) e o Patrocínio (CCAÇ 3549) (**), todos eles grandes homens e soldados que honraram o nome de Portugal em África.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026 às 15:21:00 WEST 
 
(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos,links,  título: LG) (***)
 ________________________

Notas do editor LG:


(**) Vd. poste de 3 de abril de 2009 > Guiné 63/74 - P4136: As Unidades que passaram por Fajonquito (José Martins)


segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Guiné 61/74 - P20283: Jorge Araújo: ensaio sobre as mortes de militares do Exército no CTIG (1963/74), Condutores Auto-Rodas, devidas a combate, acidente ou doença - Parte IV


Foto 1 – Mais uma imagem de explosão de mina anticarro, provavelmente accionada por viatura militar, situação que poderia suceder de forma absolutamente imprevisível, pondo em risco de vida todos os seus ocupantes, nomeadamente os condutores auto rodas.


Fonte: Centro de Documentação da Universidade de Coimbra (Arquivo electrónico),
   com a devida vénia.




  O nosso coeditor Jorge Alves Araújo, ex-Fur Mil Op Esp/Ranger, 
CART 3494 (Xime e Mansambo, 1972/1974), professor do ensino superior, 
indigitado régulo da Tabanca de Almada; 
tem 230 registos no nosso blogue.



ENSAIO SOBRE AS MORTES DE MILITARES DO EXÉRCITO, NO CTIG (1963-1974), DA ESPECIALIDADE DE "CONDUTOR AUTO RODAS": COMBATE, ACIDENTE DOENÇA – PARTE IV



1. – INTRODUÇÃO

Eis o quarto fragmento desta temática iniciada no poste P20126, que combina o interesse pessoal com a busca de outros elementos historiográficos emergentes na natureza da guerra. Assim sendo, prosseguimos com a divulgação e análise de mais alguns resultados apurados, tendo por objecto de estudo o universo das "baixas em campanha" de militares do Exército, e como amostra específica os casos de mortes de "condutores auto rodas", ocorridas durante a guerra no CTIG (1963-1974), identificados na literatura "Oficial" publicada pelo Estado-Maior do Exército.

2. – ANÁLISE DEMOGRÁFICA DAS MORTES DE MILITARES DO EXÉRCITO, NO CTIG (1963-1974), DA ESPECIALIDADE DE "CONDUTOR AUTO RODAS": COMBATE-ACIDENTE-DOENÇA (n=191)

Como temos vindo a referir, a análise demográfica incluída nesta investigação, e as variáveis com ela relacionada, foi feita a partir dos casos de mortes de militares do Exército durante a guerra no CTIG (1963-1974), da especialidade de "condutor auto rodas", identificados nos "Dados Oficiais", elaborados pela Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974), 8.º Volume; Mortos em Campanha; Tomo II, Guiné; Livros 1 e 2; 1.ª Edição, Lisboa (2001).


Quadro 1 – Distribuição de frequências das variáveis categóricas "em combate" ("contacto", "minas" e "ataque ao aquartelamento"), segundo a relação "ano" e "estação do ano". Considerou-se "Estação Seca", o período entre 1 de Maio e 15 de Outubro, e "Estação das Chuvas", o período entre 16 de Outubro e 30 de Abril.



Gráfico 1 – Distribuição de frequências acumuladas segundo a variável categórica "em combate", por "ano" e "estação do ano".


No que concerne à distribuição de frequências acumuladas relativas à "Estação do Ano" em que ocorreram mortes de condutores auto rodas do Exército, o estudo mostra que não existem diferenças significativas entre "época seca" e "época das chuvas".

São excepções os anos de 1964, 1966 e 1973. Em 1964, registaram 10 casos na "época seca" contra  2 casos na "época das chuvas". Igual tendência foi observada no ano de 1966 (10 contra 5). Em 1973, verifica-se uma tendência de sentido contrário, com 8 casos na "época das chuvas" contra 2 casos na "época seca".

Em suma, este estudo não nos permite concluir que a "estação do ano" tenha tido alguma influência quantos aos casos de mortes em análise.



Gráfico 2 – Distribuição de frequências acumuladas segundo a variável categórica "em combate - por contacto", por "ano" e "estação do ano".

Quanto à distribuição de frequências acumuladas "em combate - por contacto", relativas à "Estação do Ano", o estudo mostra que continuam a não existir diferenças relevantes entre "época seca" e "época das chuvas". São excepções, uma vez mais, os anos de 1964, 1966 e 1973. Em 1964, registaram 10 casos na "época seca" contra 2 casos na "época das chuvas". Igual tendência foi observada no ano de 1966 (7 contra 3). Em 1973, verifica-se uma tendência de sentido contrário, com 5 casos na "época das chuvas" contra 2 casos na "época seca".


3. – MAIS ALGUNS EPISÓDIOS E CONTEXTOS ONDE OCORRERAM MORTES DE CONDUTORES AUTO RODAS ["CAR"] POR EFEITO DE REBENTAMENTO DE "MINAS"

Neste terceiro ponto, continuamos a observar um dos principais objectivos deste trabalho onde, para além dos números, se recuperam algumas memórias, sempre trágicas, quando estamos em presença de perdas humanas… umas confirmadas ao nosso lado; outras, um pouco mais distantes. Seguimos, agora, com a descrição de mais três "casos" (de um total de trinta e três), enquadrados pelos contextos conhecidos. A principal fonte de consulta continua a ser o vasto espólio do blogue, ao qual adicionámos, ainda, outras informações obtidas em informantes considerados privilegiados.


3.10 - 05 DE FEVEREIRO DE 1966: A TERCEIRA BAIXA DE UM "CAR" POR MINA - O CASO DO SOLDADO AIRES DE JESUS FERREIRA, DA CCAÇ 674, ENTRE CANHÁMINA E CAMBAJÚ (BONCÓ)

A terceira morte de um condutor auto rodas, do Exército, em "combate", por efeito do rebentamento de uma mina anticarro, foi a do soldado Aires de Jesus Ferreira, natural de Pombal, Leiria, ocorrida no dia 05 de Fevereiro de 1966, sábado, no itinerário entre Canhámina e Cambajú, perto da Tabanca de Boncó.

Este acontecimento também ficou gravado, na cronologia historiográfica da guerra, como sendo o primeiro no território a Norte da Guiné (Bissau), a poucos quilómetros de Cambajú, localidade situada na fronteira com a República do Senegal.

Por curiosidade, este episódio ocorreu na região que viu nascer o nosso colaborador permanente, e grande amigo da «Tabanca Grande», Cherno Baldé, que, naquela data, teria cinco/seis anos e, daí, certamente, desconhecê-lo.

O contingente a que pertencia o soldado condutor Aires de Jesus Ferreira era a CCAÇ 674, Unidade mobilizada pelo Regimento de Infantaria 16 [RI 16], de Évora, do Cap Inf José Rosado Castela Rio. Chegou a Bissau em 13Mai64, tendo regressado ao Continente em 27Abr66, por ter concluído a sua comissão de serviço.

A missão operacional desta Unidade, representada na infogravura ao lado, iniciou-se com a deslocação, em 01Jul64, para Fá Mandinga, onde chegou como reforço do dispositivo e manobra do BCAÇ 506 [20Jul63-29Abr65; do TCor Inf Luís do Nascimento Matos]. 

Uma semana depois, em 08Jul64, assumiu a responsabilidade do subsector de Fajonquito, então criado na zona de acção [ZA] do seu Batalhão, e depois do BCAV 757 [23Abr65-20Jan67; do TCor Cav Carlos de Moura Cardoso], tendo destacado um Gr Comb para Canhámina, desde o início de Out64 até 21 do mesmo mês, seguidamente instalado em Cambajú até 03Abr66. 

Destacou ainda outro Gr Comb para Contuboel, desde finais de Out64 até à chegada da CCAV 705 [?] e consequente transformação em subsector.

Em 12Abr66, foi rendida no subsector de Fajonquito pela CCAÇ 1497 [26Abr66-04Nov67; do Cap Inf Carlos Alberto Coelho de Sousa (1º) e Cap Mil Inf Carlos Manuel Morais Sarmento Ferreira (2º)], por troca, recolhendo a Bissau, onde permaneceu temporariamente integrada no BCAÇ 1876 (26Jan66-04Nov67; do TCor Inf Jacinto António Frade Júnior), até à sua substituição pela CCAÇ 1565 [26Abr66-22Jan68; do Cap Mil Inf Rui António Nuno Romero (1.º), Cap Inf José Lopes (2.º) e Cap Mil Inf João Alberto de Sá Barros e Silva (3.º)], e subsequente embarque de regresso. É de referir que esta Companhia não tem História da Unidade (Ceca, 7.º vol; p331).

A única fonte bibliográfica que se conhece é o livro «O meu Diário, Guiné – 1964/1966 – Companhia de Caçadores 674, de Inácio Maria Góis. Edição do Autor. Gráfica Mineira, Aljustrel. Abril 2006 [P2286], conforme capa ao lado. 

Como já foi referido anteriormente, um dos objectivos desta série é adicionar valor histórico ao contexto onde se verificou cada uma das mortes de condutores auto rodas, por efeito do rebentamento de explosivos (minas e seus suplementos). Daí que, este ponto teria menos significado e importância, caso não aproveitasse o "caldo de cultura" que o Cherno Baldé ["Jubi", como classifica a sua infância em Fajonquito], nos tem presenteado ao longo dos anos, fazendo "engordar" o, já, notável espólio do blogue. Aconselho, por este motivo e por todos os outros não referidos, a "saborear" a sua leitura, um dos cinco sentidos da natureza humana. 

Porque era impossível resumir as suas narrativas, sob pena de se adulterar o sentido de cada explicação, o melhor método recaiu na citação de alguns dos muitos detalhes, aqueles que considerámos pertinentes para este contexto.

Assim, quanto à localização de Cambajú, para onde seguiu, em Outubro de 1964, um Gr Comb da CCAÇ 674, como reforço do destacamento de milícias aí colocado para assegurar a defesa da sua população e das suas rotinas, "estava situada mesmo na linha de fronteira com o Senegal, o que lhe emprestava um certo ar cosmopolita onde se cruzavam pessoas de várias origens e destinos e um certo movimento de vaivém de pessoas e mercadorias com as suas três ou quatro casas comerciais, algumas pequenas boutiques e contrabando pra cá e pra lá das duas fronteiras" (Cherno Baldé; poste P4567).

Por outro lado, o ano de 1965, é a "altura em que a guerra para a independência se alastrava rapidamente e aterroriza as aldeias daquela área e obrigava a uma concentração maior da população em certos locais com algumas garantias de defesa e protecção militar, Contuboel, Saré-Bacar, Cambajú e Fajonquito constituíam as praças-fortes da área.

"Foi nesse ano, com cinco/seis de idade, como refere Cherno Baldé, "que vi pela primeira vez homens  brancos, armados e equipados para a guerra, que se instalaram em Cambajú, onde o pai era empregado de uma casa comercial… a primeira visão foi de terror e fascínio. 

"Quando chegaram as viaturas, estávamos a jogar no largo da zona comercial que também fazia de paragens para as carroças que traziam mercadorias. Foi o barulho dos motores que nos alertou, como habitualmente, corremos atrás dos veículos, e foi nessa altura que reparamos no insólito. As pessoas que estavam sentadas em cima dos veículos, todos vestidos com o mesmo tipo de tecido, um chapéu que se estendia de trás para a frente da mesma cor na cabeça e uma arma entre as pernas, completamente imóveis, não eram pessoas normais, como estávamos habituados a ver. Eram brancos, meu Deus do céu, tão branquinhos que se podia ver o sangue vermelho rubro a correr nas veias. (…)

"No dia seguinte, através do meu amigo e colega Samba, fiquei a saber que tudo não passara de um susto injustificado pois aqueles sujeitos eram soldados portugueses vindos directamente de Portugal, o que queria dizer nossos amigos e aliados."  (Cherno Baldé; poste  P4580).

Outros aspectos, desenvolvidos nos seus escritos, podem ser consultados em «Memórias do Chico, menino e moço»,  de Cherno Baldé. Obrigado!


3.11 - O CASO DO SOLDADO 'CAR' ARMÉNIO MOUTINHO DA COSTA, DA CART 1661, EM 07.OUT.1967, ENTRE PORTO GOLE E BISSÁ

A morte em "combate" do soldado condutor auto rodas Arménio Moutinho da Costa, natural de Gondim, Maia, em 7 de Outubro de 1967, sábado, no Hospital Militar 241, em Bissau, ocorreu um dia depois da viatura que conduzia ter accionado uma mina anticarro, incendiária, na estrada entre Porto Gole e Bissá.

Pertencia à CART 1661 (02Fev67-19Nov68) que, no espaço de três semanas, ficara sem dois condutores auto rodas, o primeiro - o soldado Manuel Pinto de Castro, em 16Set67 - caso abordado no poste anterior [P20217, ponto 3.8], e três viaturas, para além de outras baixas, entre feridos e mortos.

Para a descrição deste doloroso acontecimento, recorremos, de novo, à análise de conteúdo do livro (Diário do autor) do camarada Abel de Jesus Carreira Rei «Entre o Paraíso e o Inferno: De Fá a Bissá: Memórias da Guiné, 1967/1968», edição de autor. Lousa. 2002, conforme capa ao lado.

Refere que Setembro e Outubro de 1967 vão ser dois meses negros para a CART 1661, onde o primeiro morto da companhia ocorre ao oitavo mês de comissão, em 16Set67, por efeito da explosão de uma mina anticarro, no cruzamento da estrada para Mansoa, quando uma coluna auto, saída de Porto Gole, ia ao encontro de forças de Bissá com o objectivo de lhes fazer a entrega de géneros alimentícios.

Depois, a 5 de Outubro de 1967, 5.ª feira, uma outra viatura, na estrada Porto Gole - Bissá, faz accionar outra mina anticarro, originando mais uma baixa mortal e duas dezenas de feridos. No dia seguinte, ou seja em 06Out67, 6.ª feira, uma nova mina anticarro, esta incendiária, é accionada perto do local da mina anterior, provocando alguns mortos e feridos, entre eles o soldado Arménio Moutinho da Costa que foi evacuado para o HM 241, juntamente com os seus camaradas com ferimentos graves, em particular queimaduras provocadas pela explosão. Dos evacuados, seis acabariam por falecer em Bissau nos dias seguintes, enquanto dois pereceram no Hospital Militar Principal, em Lisboa, a 14 e 23 do mesmo mês.

Para que conste na historiografia desta ocorrência, elaborámos um quadro detalhado dos onze mortos provocados pelas duas minas anticarro, accionadas a 5 e 6 de Outubro de 1967, no cruzamento de Mansoa, no itinerário entre Porto Gole e Bissá, de que foram vítimas os seguintes militares da CART 1661.




3.12 - O CASO DO SOLDADO 'CAR' ADELINO DAS DORES RODRIGUES PEREIRA, DA CCAÇ 2316, EM 05.JUN.1968, ENTRE GANDEMBEL E GUILEJE

A morte em "combate" do soldado condutor auto rodas Adelino das Dores Rodrigues Pereira, natural de Campia, Vouzela, ocorreu em 05 de Junho de 1968, 4.ª feira, por efeito do rebentamento de um engenho explosivo, no decurso da «Operação Boa Farpa – 05 e 06 de Junho'68», missão que incluía a escolta a duas colunas entre Aldeia Formosa - Gandembel - Guileje - Gandembel, locais da região de Tombali, no Sector S2.

Para além da baixa mortal do Adelino das Dores Rodrigues, membro da CART 2316 (Jan68-Nov69), verificou-se, ainda, a morte do Alf Mil Inf Álvaro Ferreira do Vale Leitão, natural de Taveiro, Coimbra, da CCAÇ 2317, pelo mesmo motivo.

Para a elaboração deste subponto foram utilizadas, como principais fontes de consulta, as Oficiais publicadas pelo Estado-Maior do Exército, elaboradas pela Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974), 6.º Volume, Aspectos da Actividade Operacional, Tomo II, Guiné, Livro 2, 1.ª Edição, Lisboa (2015), p171, e o livro de Idálio [Rodrigues Ferreira] Reis: «A C.Caç.2317, Na Guerra da Guiné. Gandembel / Ponte Balana». Edição do autor. Fev/2012
.

«OPERAÇÃO BOA FARPA» - 05 E 06 DE JUNHO DE 1968

A operação em título foi programada pelo BART 1896 [18Nov66-18Ago68], sob a liderança do TCor Art Celestino da Cunha Rodrigues. Esta Unidade ao render o BCAÇ 1861 [23Ago65-17Abr67; do TCor Inf Alfredo Henriques Baeta], em 05Abr67, assumiu a responsabilidade do Sector Sul 2 [S2], com sede em Buba e englobando os subsectores de Sangonhá, Gadamael, Cameconde, Guileje, Aldeia Formosa e Buba e ainda uma companhia em Mejo [CCAÇ 2316], até 28Mai68, para actuação continuada no corredor de Guileje. Em 09Abr68, foi criado o subsector de Gandembel, e, em 12Jun68, a sua zona de acção foi reduzida da área de Aldeia Formosa, que foi atribuída à responsabilidade operacional do COSAF [Comando Operacional do Sector de Aldeia Formosa], então criado. 

Esta operação de dois dias – 5 e 6 de Junho'68 – visava garantir a segurança a uma coluna com dois itinerários diferentes ligando Aldeia Formosa a Gandembel e Guileje a Gandembel. Cada um dos trajectos contava com apoio aéreo. 

Para cumprir os diferentes objectivos, foram mobilizadas as seguintes forças:

► 1GC/CART 1612 [18Nov66-18Ago68], do Cap Art Orlando Ventura de Mendonça. Esta Unidade seguiu em 13Dez66 para Bissorã, a fim de efectuar a segurança e protecção dos trabalhos de reabertura do itinerário Bissorã-Bula, ficando na situação de reforço do BCAV 790 [28Abr65-08Fev67; do TCor Henrique Alves Calado (1920-2001); atleta olímpico] e depois do BCAÇ 1876 [26Jan66-04Nov67; do TCor Inf Jacinto António Frade Júnior], tendo ainda efectuado diversas operações nas regiões de Insumeté, Insantaque e Iusse, entre outras. (…) 

Em 18Nov67, por rotação com a CCAÇ 1591 [01Ago66-09Mai68; do Cap Inf Luís Carlos Loureiro Cadete], assumiu a responsabilidade do subsector de Aldeia Formosa, tendo destacado Grs Comb para instalação, por períodos variáveis, em Colibuia, Cumbijã, Chamarra e Porto Balana. Em 13Jul68, foi substituída no subsector de Aldeia Formosa pela CCAÇ 2382 [06Mai68-03Abr70; do Cap Mil Art Carlos Nery de Sousa Gomes de Araújo] e recolheu a Bissau até ao embarque de regresso. (Ceca; 7.º vol; p 210).

► CCAÇ 2316 [24Jan68-08Nov69], do Cap Inf Joaquim Evónio Rodrigues de Vasconcelos (1.º), Cap Inf António Jacques Favre Castel-Branco Ferreira (2.º); Cap Art Octávio Manuel Barbosa Henriques (3.º) e Cap Cav José Maria Félix de Morais (4.º). Esta Unidade, inicialmente colocada em Bissau, como subunidade de reserva do Comando-Chefe, deslocou dois Grs Comb para Bula em 01Fev68, a fim de efectuar o treino operacional e colaborar na segurança aos trabalhos da Estrada Bula-João Landim, sob orientação do BCAV 1915 [14Abr67-03Mar69; do TCor Cav Luís Clemente Pereira Pimenta de Castro]. A partir de 18Fev68, toda a subunidade foi destacada para Bula. 

Em 20Mar68, seguiu para Mejo, a fim de reforçar os meios do BART 1896, tendo substituído a CCAÇ 1622 [18Nov66-18Ago68; do Cap Mil Inf António Egídio Fernandes Loja], em 22Mar68. De 25Abr68 a 15Mai68, na sequência da «Operação Bola de Fogo», para ocupação e construção do aquartelamento respectivo, deslocou parte dos seus efectivos para Gandembel, em reforço da sua guarnição. 

Em 28Mai68, mantendo dois Grs Comb no destacamento de Mejo assumiu a responsabilidade do subsector de Guileje, no mesmo sector do BART 1896, e depois do BCAÇ 2834, e, de 29Ago68 a 07Dez68 do COP 2, tendo substituído a CART 1613 [18Nov66-18Ago68; do Cap Mil Grad Art Fausto Manteigas da Fonseca Ferraz (1.º) e Cap Art Eurico de Deus Corvacho (2.º)].

Em 23Jan69, o destacamento de Mejo, sob o qual o inimigo exercera forte pressão e fortes ataques no final do ano anterior, foi extinto e os Grs Comb recolheram a Guileje. (…) (Ceca; 7.º vol; p 107).

► 1GC/CCAÇ 2317 [24Jan68-04Dez69], do Cap Inf Jorge Barroso de Moura (1.º) e Cap Inf António José Claro Pinto Guedes (2.º). Esta Unidade, inicialmente colocada em Bissau, como subunidade de reserva do Comando-Chefe, seguiu por fracção, em 01Fev68 e 18Fev68, para Bula, a fim de efectuar a adaptação operacional sob orientação do BCAV 1915. Em 02Mar68, deslocou-se para Mansabá, a fim de reforçar o BCAV 1897, com vista à realização da «Operação Alma Forte», na região de Tancroal, recolhendo a Bissau, em 17Mar68. Em 20Mar68, foi deslocada para Guileje, sendo atribuída ao BART 1896 e depois ao BCAÇ 2834 e, de 20Ago68 a 07Dez68, ao COP 2, a fim de reforçar a guarnição local.

A partir de 09Abr68, tomando parte da operação «Bola de Fogo» assumiu a responsabilidade do subsector de Gandembel, então criado, procedendo à ocupação e construção do aquartelamento daquela localidade. Em 29Jan69, por evacuação dessa guarnição e a consequente extinção do subsector de Gandembel, recolheu temporariamente a Aldeia Formosa, no sector do BCAÇ 2834. A partir de 08Fev69, foi atribuída ao COP 4, instalando-se em Buba, para colaboração na segurança e protecção aos trabalhos da Estrada Buba-Aldeia Formosa e onde se manteve até 14Mar69, após o que seguiu para Nova Lamego. (…) (Ceca, 7.º vol; p 108).

► PRecFox 1165 [17Jan67-01Nov68], do Alf Mil Cav Michael Winston Schnitzler da Silva. (únicos dados encontrados)Fox 2022 [15Jan68-23Nov69] (Únicos dados encontrados)

► Para além das Unidades acima, participaram, ainda, o PCaç 51; PCaç 69 e 2 PBAÇ 1, com apoio aéreo. 



Infogravura do mapa da região de Tombali, onde decorreu a «Operação Boa Farpa»

Desenrolar das acções (síntese)

[A referida no 6.º Volume, Aspectos da Actividade Operacional, p 171 – CECA]
"Em 05 e 06Jun [1968] – «Operação Boa Farpa». Forças da CArt 1612, CCaç 2316, 1 GC/CCaç 2317, PCaç 51, PCaç 69, 2.º e 3.º PBAC 1, 1 PRecFox 1165 e PRecFox 2022, com o apoio aéreo, realizaram uma escola a uma coluna entre Aldeia Formosa-Gandembel-Guileje-Gandembel, S2.
Em 05 [Junho], no itinerário Guileje-Gandembel, a NT foram emboscadas, por duas vezes.

No regresso a Guileje, as NT sofreram outra emboscada, neutralizaram sete fornilhos e accionaram um engelho explosivo, sofrendo dois mortos [Adelino das Dores Rodrigues, condutor auto rodas da CCAÇ 2316, e Álvaro Ferreira do Vale Leitão, alferes da CCAÇ 2317], cinco feridos e danos em duas viaturas." 

[A referida por Idálio Reis, no seu livro (pp 163-164) acima citado]

● Antecedentes: 

Gandembel/Ponte Balana continuava a precisar de mais alguns materiais de construção, para acabar definitivamente com as casernas-abrigo, em especial para o reforço das suas coberturas, a fim de os seus homens se protegerem da inclemência das chuvas, e principalmente da deflagração de uma qualquer granada de morteiro. Ainda restava em Guileje, algum desse material, e também lá se encontrava um Gr Comb para regressar ao seio da nossa Companhia. A parte restante do material, os víveres e outros meios logísticos, poderiam aparecer do lado de Aldeia Formosa.

● O que se seguiu:

"E a 5 de Junho [de 1968], partem duas colunas de ambas as origens, e que para efeitos de protecção, foi lançada a «Operação Boa Farpa». A proveniente de Aldeia [Formosa], vem e regressa no mesmo dia, sem incidentes. Contudo, a de Guileje, com a participação da CCAÇ 2316, é sujeita a fortes ataques, por força de emboscadas envolvidas com o rebentamento de fornilhos, que vêm a provocar dois mortos e mais de uma dezena de feridos evacuados para Bissau, para além da destruição de uma viatura; há a registar o rebentamento de onze fornilhos a todo o comprimento da coluna, além da deflagração de mais minas antipessoais, e a visão de uma série de fios eléctricos que conduziam a sete fornilhos, o que levou a que alguns militares, em acto brutal de desespero, onde tudo é oprimente, a tentar cortá-los com os dentes.

Desta fatídica coluna, a nossa Companhia [CCAÇ 2317] perde o seu 3.º elemento, o alferes Álvaro Vale Leitão, que é atingido mortalmente na cabeça por fragmentos de um fornilho (…)."


Infogravura da foto de Luís Guerreiro, ex-Fur Mil do 4.º Gr Comb da CART 2410 ("Os Dráculas" – Gadamael, Ganturé e Guileje, 1968/70), referente a uma coluna de Gadamael para Guileje (subida depois do cruzamento), realizada em 19Mar1969 – P5637, com a devida vénia. A meio da imagem, à esquerda, é possível identificar uma viatura destruída por efeito de uma explosão que, tudo leva a crer, seria a que é referida na descrição acima.

[Continua]

Fontes Consultadas:

Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 8.º Volume; Mortos em Campanha; Tomo II; Guiné; Livro 1; 1.ª edição, Lisboa (2001); pp 23-569.

Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 8.º Volume; Mortos em Campanha; Tomo II; Guiné; Livro 2; 1.ª edição, Lisboa (2001); pp 23-304.

Outras: as referidas em cada caso.

Termino, agradecendo a atenção dispensada.

Com um forte abraço de amizade e votos de muita saúde.

Jorge Araújo.

11Out2019

© Jorge Araújo (2019). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
____________

Nota do editor:

Último poste da série de 8 de outubro de 2019 > Guiné 61/74 - P20217: Jorge Araújo: ensaio sobre as mortes de militares do Exército no CTIG (1963/74), Condutores Auto-Rodas, devidas a combate, acidente ou doença - Parte III

Guiné 61/74 - P20282: Controvérsias (141): o triângulo Jabicunda / Sonaco / Contuboel... Nunca foi atacado, porque tinha à volta uma série de zonas-tampão, Bafatá e a Geba, a sul e a oeste; Fajonquito, Sare Bacar, Pirada e Paunca, a norte e a leste... (Cherno Baldé)


Guiné-Bissau > Região de Bafatá > Contuboel > 16 de Dezembro de 2009 > O João Graça, médico e músico, posando ao lado do dignitário Braima Sissé. Por cima deste, a foto emodulrada de Fodé Irama Sissé, um importante letrado e membro da confraria quadriyya [, islamismo sunita, seguido pela maior parte dos mandingas da Guiné; tem o seu centro de influência em Jabicunda, a sul de Contuboel; a outra confraria tidjanya, é seguida pela maior parte dos fulas].

O Braima Sissé foi apresentado ao João Graça como sendo um estudioso corânico, filho de uma importante personalidade da região, amigo dos portugueses na época colonial [, presume-se que fosse o próprio Fodé Irama Sissé].(*)

Foto: © João Graça (2009). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Guiné > Região de Bafatá > Jabicunda (?) > C. 1975/76 > Em primeiro plano, sentado, mais do lado esquerdo,  está Fodé Irama Sissé. Em segundo plano, de pé, à direita, O Braima Sissé está à direita, de chapéu vermelho, ainda jovem; atrás de Fodé Irama Sissé, está Sissau Sissé (já falecido) e, "vestido à civil", Malan Sissé que foi quem em Bissau mostrou a fotografia ao nosso amigo, e membro da nossa Tabanca Grande, o antropólogo Eduardo Costa Dias, e lhe me deixou tirar "fotografia da fotografia". Entre Malan e Braima está Arafan Cont+e, aluno de Irama. Fotografia de fotografia, de autor desconhecido, datada provavelmente de 1975/76. 

Foto (e legenda): © Eduardo Costa Dias (2010). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Guiné > Mapa geral da província (1961) > Escala 1/500 mil > Detalhes > Zona leste > O triàngulo Jabicunda, Sonaco e Contuboel.

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2019)



Cherno Baldé, Bissau
1. Comentário do nosso assessor para as questões etnolinguísticas, Cherno Baldé (Bissau), ao poste P20267 (**):

Caros amigos,

Acabo de regressar de uma viagem (missão de serviço) à zona Leste, mais precisamente ao Sector de Boé, tendo visitado as localidades de Canjadude, Tchetche (Ché-Ché), Dandum e Beli onde funcionam centros de saúde para a população.

Depois, no regresso e na região de Bafatá,  visitamos Contuboel, Cambaju e Fajonquito. Todas estas localidades estão hoje irreconhecíveis, uma sombra do que foram, sem falar das cidades de Gabu e Bafatá que estão numa situação lastimosa. Entregaram o ouro aos bandidos e não se podia esperar melhor.

Sobre o tema do presente Poste (*), só tenho a dizer aliás a reiterar o que já tinha dito em tempos: Contuboel nunca foi atacada e, na minha modesta opinião, porque não fazia parte dos planos da guerrilha e porque tanto Contuboel como Sonaco estavam rodeados de postos militares que serviam de dissuasão a qualquer ataque (Geba e os seus destacamentos, Fajonquito e seus destacamentos, Saré-Bacar, Paunca, Pirada, entre outros, a servir de tampão).



Mesmo Fajonquito, a 20 km da fronteira e situado perto da região do Oio, só foi atacada em 1964
entre os meses de Agosto e Setembro e, nessa altura, foi muito pressionado com ataques prolongados e sucessivos como nos testemunhou o Diário do soldado Incio Maria Góis´,  da CCaç 674 (1964/66), mas com a resistência da companhia e a colaboração da população e autoridades tradicionais que recrutaram milicias, a guerrilha contentou-se com emboscadas e flagelações aos postos avançados. Na verdade, já tinham conseguido assegurar o isolamento do corredor de Sitató e uma vasta zona de infiltração para o Centro do país e para o  Morés.

Uma observação que queria deixar ao Luis Graça é que, para quem vem de Bambadinca e Bafatá, o trajecto para Sonaco faz-se por estrada a partir da localidade de Djabicunda, antes de Contuboel. Embora muito próximos, a ligação entre as duas localidades fazia-se via terrestre passando por Djabicunda por causa do rio Geba.

Com um abraço amigo.

Cherno Baldé

_______________