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terça-feira, 31 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27874: Casos: a verdade sobre... (65): o acidente com canhão s/r 82, B-10, russo, que vitimou o 2º srgt António Duarte Parente, do Pel Caç Nat 53, no Saltinho, em 13 de maio de 1970





Guiné > Região de Bafatá > Sector L5 (Galomaro) > Saltinho > Destacamento de Contabane (reordenamento junto ao quartel do Saltinho, mais tarde, Sinchã Sambel, em homenagem ao régulo de Contabane > Pel Caç Nat 53 (1970/72) > O Paulo Santiago com o canhão sem recuo 82 B-10, russo, que esteve na origem do acidente, no Saltinho, que provocaria a morte do 2.º srgt Parente (apanhado pelo "cone de fogo" do canhão s/r disparado inadvertidamente por alguém)... A tragédia deu-se no dia 13/05/70, quando já se encontrava naquele quartel a CCAÇ 2701, que rendeu a a CCAÇ 2406, "Os Tigres do Saltinho" (1968/70).


Foto (e legenda): © Paulo Santiago (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)


1. O 2.º srgt António Duarte Parente não pertencia a nenhuma daquelas companhias, aq CCAÇ 2406 e a CCAÇ 2701, era um dos graduados do Pel Caç Nat 53, comandado naquela data pelo alf mil António Mota que o Paulo Santiago foi substituir em outubro de 1970. 

O canhão s/r, apreendido ao PAIGC, foi mais tarde transferido do Saltinho para o reordenamento de Contabane (hoje, Sinchã Sambel).  Mas antes disso, nos primeiros dias de novembro de 1970 foi um heli ao Saltinho buscar, por ordem do Com-Chefe, o canhão s/r 82, B10, para equipar as NT no decurso da Op Mar Verde (invasão anfíbia de Conacri, 22 de novembro de 1970). Voltaram a entregá-lo em dezembro. 

Gravemente ferido, em resultado desse acidente, o Parente foi evacuado para o HM 241,m Bissau, e a seguir para o Hospital Militar da Estrela. Morreu um nmês depois. Está sepultado na Covilhá,

2. Comentários:

(i) Jorge Narciso (*) (**)

(...) António: não tem este o fim de comentar o teu poste (eu até nem fui nem vim de barco, pois era da FAP), antes e verificando que terás estado no Saltinho por 69/70, procurar uma eventual ajuda tua para precisar na memória um facto lamentável, que muito me marcou e do qual não fiquei com registo preciso.

Eu fui mecânico da linha da frente dos helicópteros (exactamente entre  abril de 1969 e dezembro de 1970) e muitas vezes fui ao Saltinho (cruzámo-nos concerteza), nomeadamente na época das chuvas, para proceder a abastecimento de víveres.

Aliás, ali "festejei" os meus 20 anos, facto que, denunciado pelo piloto, "nos obrigou" a só dali sair depois dum copo (penso que de espumoso).

Com essas diversas viagens estabeleceram-se alguns laços de amizade, nomeadamente com um sargento (de quem não me recordo o nome) que é, esse sim, o motivo deste comentário.

Sei que numa determinada altura foi substituída a guarnição do Saltinho (fim de comissão ?), mas que o citado sargento, por ser de rendição individual, ali permaneceu com a nova guarnição. [ Substituição da CCAÇ 2406 pela CCAÇ 2701, em maio de 1970].

Um dia (que também não consigo precisar) parti numa evacuação para o Saltinho (que, diga-se, não era habitual) e qual não foi a minha surpresa (e choque) quando verifico que ela se destinava exactamente ao citado sargento.

Explicaram-nos, rapidamente, ter sido ele atingido pela gravilha projectada pelo escape do canhão sem recuo, montado num dos muros do aquartelamento, que tinha sido extemporaneamente disparado por terceiro, num tiro de experiência e demonstração.

Foi, talvez, a evacuação mais penosa das incontáveis que realizei na Guiné. Desde logo pelo seu gravíssimo estado físico (completamente crivado), pelo emocional, com a sua lúcida compreensão desse mesmo estado, finalmente porque era alguém com quem mantinha uma relação, diria de quase amizade, o que exponencia largamente o nossas próprias emoções.

Desembarcado, com as palavras de encorajamento possíveis, procurei num dos dias seguintes visitá-lo, tendo-me sido informado que tinha sido imediatamente evacuado para Lisboa.

Tendo mantido o interesse , soube muito mais tarde que não tinha resistido aos ferimentos, vindo a falecer.

Recordas ou de alguma forma tiveste algum contacto testemunhal com este caso ? (...)

(ii) Paulo Santiago (**)

Jorge: Vou tentar contar o episódio de que falas (*) , que aconteceu já depois da saída, do Saltinho, da CCAÇ 2406, a que pertenceu o António Dias [. O CCAÇ 2406, Os Tigres do Saltinho, 1978/70, pertencia ao BCAÇ 2852, com sede em Bambadinca).

A tragédia, confirmei agora a data com um camarada, deu-se no dia 13/05/70, quando já se encontrava naquele quartel a CCAÇ 2701. O 2º  srgt Parente, o militar de que falas, não pertencia a nenhuma daquelas companhias, era um dos graduados do Pel Caç Nat 53, comandado naquela data pelo Alf Mil António Mota que eu fui substituir em Outubro de 1970.

O trágico acidente resultou de um disparo ocasional do canhão S/R 82, B10, naquele dia instalado no Saltinho, mais tarde foi comigo para o Reordenamento de Contabane.

Ninguém tem uma explicação cabal para o sucedido. Havia ordens expressas para a arma estar sempre com a culatra aberta, e sem granada introduzida, parece que naquele dia havia uma granada introduzida,e a culatra estava fechada.

Como aconteceu? Junto da arma encontravam-se vários militares, cap Clemente, alf mil Julião, srgt Demba, da milícia, 2º srgt  Parente e ainda mais dois ou três militares. A arma para disparar, granada na câmara e culatra fechada, accionava-se o armador, premia-se o gatilho,acontecia o disparo. Diziam que alguém tocara com o joelho no armador e dera-se o disparo...

O 2º srgt  Parente estava logo atrás do canhão S/R, foi parar a vários metros de distância, e tu, Jorge Narciso, sabes como ele ía. Ficaram também feridos o cap Clemente, queimaduras numa mão e virilha, e o Demba, queimaduras numa perna. Foram também evacuados para o HM 241.

Como dizes,o Parente morreu passado um mês. Já como comandante do Pel Caç Nat 53,recebi uma carta da viúva, pedindo-me ajuda na resolução de um qualquer problema que agora não recordo.

Foi um dia trágico no Saltinho.Isto é, muito dramático, o Parente tinha recebido naquele dia um telegrama, via rádio, informando-o que fora pai de uma miúda...e andara na tabanca a comprar uns frangos para fazer um jantar comemorativo do nascimento...

O alf mil Fernando Mota, da CCAÇ 2701, recebeu uma carta com a notícia que o irmão fora morto com um tiro da Gurda Fiscal. O srgt  Demba da milícia foi morrer no Quirafo em 17 de abril de 1972 .. Será que o Parente ainda viu a filha antes de morrer?

Apesar de não o ter conhecido, é-me penoso falar desta tragédia. (...)
 
(iii) Paulo Santiago (***)

(...) Quanto às munições para o canhão s/r, havia uma quantidade razoável. O Julião, alf mil, CCAC 2701 (Saltinho, 1970/72), num patrulhamento,deu com um pequeno paiol com granadas para o 82B10.Na foto vêem-se algumas embalagens com granadas.


(iv) Luís Graça (***):

Recordo-me bem do Duarte Parente, do tempo de Baambadinca..  Era um dos poucos sargentos, do exército, que era operacional... na região de Bafatá. Tirando os sargentos das forças especiais (páras, fuzos, e talvez comandos), os sargentos do Exército ficavam na secretaria, ou outras funções de apoio... Não se exagera dizendo que a guerra era para os graduados milicianos e as praças do contingente geral... Os do QP, oficiais e sargentos, em geral, protegiam-se melhor...

Eu pensva que o Duarte Parente fosse alentejano, afinal era beirão. Era um gajo com piada, com quem se criava facilmente empatia. Infelizmente, deixou viúva e filha órfão, coisa que eu não sabia... Um das das "bocas" dele que ouvi no nosso bar, em Bambadinca, nunca mais a esquecerei:

- Quando eu vou na rua, só paro em dois lugares: numa taberna ou bar ou numa livraria...

Seguiu depois para o Saltinho onde conheceu o caminho do calvário que o levou à morte, um mês depois já em Lisboa, no HMP. (****)

Não temos, também, infelizmente, nenhuma foto dele. (*****)


(Seleção, revisão / fixação de texto, título: LG)
___________________


Notas do editor LG:





(*****) Últrimo poste da série > 30 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27871: Casos: a verdade sobre... (64): uma mina anticarro, reforçada, que acionámos em Nhabijões, em 13/1/1971, a que altura poderia lançar a nossa GMC ? (António Fernando Marques / Luís Graça)

sábado, 28 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27867: A Nossa Guerra em Números (49): BCAÇ 3872 (Galomaro, 1971/74): Flagelações e ataques aos quartéis e às tabancas; minas ativadas e detetadas; emboscadas e contactos (Luís Dias)


Guiné > Zona Leste > Sector de Galomaro > CCAÇ 3491 / BCAÇ 372 (1971/74)  (1971/74) >

  Luís Dias, alf mil op esp :  "Chegada a Galomaro da CCAÇ 3491,  no dia 9 de março de 1973. No jipe podemos ver eu, e  o fur mil Baptista, do 1º Gr Comb, e ao lado, a sorrir, um guerrilheiro do PAIGC que, no dia anterior, se tinha entregue a uma patrulha nossa na área do Dulombi. A arma é uma Shpagin PPSH 41, no calibre 7,62 mm Tokarev, mais conhecida por "costureirinha" e com a particularidade de ter um carregador curvo de 35 munições, em vez do habitual tambor de 71". 

(Foto do Luís Dias, reproduzida com a devida vénia, do seu blogue, Histórias da Guiné, 71-74: A CCAÇ 3491, Dulombi.


Comentários do Luís Dias ao poste P 27859 (*):


(i) Na história resumida do BCAÇ 3872, haveria mais para contar, quer em material apreendido ao IN, quer em número de mortos infligidos, mas está errada a data da partida da Guiné.

O Batalhão, em conjunto com 4 companhias independentes, embarcou no Niassa, não em 25 de março, mas em 28 de março de 1974, tendo chegado a Lisboa no dia 4 de abril de 1974. E são registo oficiais, dos quais se esperava melhor acerto nas datas.

Abraço.
sexta-feira, 27 de março de 2026 às 18:38:00 WET


(ii) Já agora publico mais elementos gerais 
do BCAÇ 3872 (**):


  • Flagelações e ataques aos nossos quartéis

CCAÇ 3489 - CANCOLIM

8 Flagelações em 1972 (1 delas c/ 3 mortos, 5 feridos graves e 5 feridos ligeiros)
2 Flagelações em 1973
2 Flagelações em 1974

CCAÇ 3490 – SALTINHO

Não sofreram quaisquer ataques ou flagelações durante a comissão

CCAÇ 3491 – DULOMBI

3 Flagelações em 1972
4 Flagelações em 1973
2 Flagelações em 1974

CCS - GALOMARO

1 Ataque/flagelação em 1972 c/1 IN morto confirmado e prováveis feridos IN

  • Minas ativadas e detetadas

Cancolim: 

- Mina A/P reforçada accionada c/1 morto e 1 ferido+mina A/C accionada c/12 feridos graves, 1 ferido ligeiro e 2 feridos pop.+2 minas A/P levantadas

Saltinho: 

- 3 minas A/C levantadas e 1 A/P levantada

Dulombi: 

- 2 minas A/C levantadas e 2 minas A/P levantadas e 1 A/P, rebentada por viatura nossa em Pirada.

Galomaro: 

- 1 mina A/P reforçada accionada c/1 morto+1 mina A/C reforçada accionada c/1 ferido grave

  • Emboscadas | Contactos | Flagelações auto 

CCAÇ 3489 

- 1 contacto com o IN, após flagelação ao quartel, em 1972
- 1 emboscada aos milícias em Anambé, em 1973 c/2 mortos e 1 ferido

CCAÇ 3490
 - 1 emboscada no Quirafo c/ 9 mortos+1 milícia e 2 civis+1 militar capturado. 1 emboscada c/feridos e mortos do IN+1 contacto do IN c/milícias de Cansamange

CCAÇ 3491 

- Flagelação numa operação no Fiofioli + 1 emboscada/contacto com 4 feridos ligeiros nossos e mortos do IN (s/confirmação de quantos, mas a rádio do PAIGC referiu que tínhamos tido 8 mortos e eles também tinha tido mortos 
- 1 emboscada/flagelação junto à recolha de águas no Dulombi 
- 2  flagelações a coluna de escolta e protecção na estrada Piche-Buruntuma.

CCS

- Contacto entre forças milícias e o IN, após ataque a Campata c/ elemento IN capturado.

  • Ataques a tabancas em autodefesa e tabancas indefesas

- Tabanca indefesa de Bambadinca/Cancolim, em 25/1/72;
- Tabanca indefesa de Mali Bula/Galomaro, em 1/2/72;
- Tabanca de Umaro Cossé/Galomaro, c/2 feridos civis, em 7/12/72;
- Tabanca de Campata/Galomaro, em 20/6/72;
- Tabanca indefesa de Sinchã Mamadu/Saltinho, na mesma data de 20/6/72;
- Tabancas indefesas de Sana Jau e Bonere/Saltinho, em 30/6/72;
- Tabanca de Cassamange/Saltinho, em 15/7/72;
- Tabanca indefesa de Guerleer/Galomaro, c/ morte de 3 prisioneiros civis e 1 ferido grave, em 27/7/72;
- Tabanca de Patê Gibele/Galomaro c/ 1 sarg. milícia morto+1 ferido grave e 2 feridos ligeiros da pop., em 11/8/72;
- Tabanca de Anambé/Cancolim c/1 morto (CCAÇ 3489)+3 feridos também da mesma CCAÇ, que ali estava de reforço, em 5/9/72;
- Tabanca de Sinchã Maunde Bucô/Saltinho, c/3 feridos IN confirmados, em 20/9/72;
- Tabanca de indefesa de Bujo Fulpe/Galomaro, em 26/9/72;
- Tabanca ainda indefesa de Bangacia/Galomaro, com 1 milícia e 2 civis mortos, no mesmo dia (26/9/72);
- Tabanca de Dulô Gengele/Galomaro, com 3 mortos IN confirmados e 3 mortos civis (que tinham sido feitos prisioneiros antes do ataque e que foram abatidos+1 ferido grave e 1 ferido ligeiro dos milícias e 4 feridos graves da pop e 5 feridos ligeiros da pop., em 17/10/72;
- Tabanca indefesa de Sarancho/Galomaro, com 2 mortos civis e 2 feridos civis;
- Tabanca indefesa de Samba Cumbera/Galomaro, c/1 ferido grave da pop., em 13/11/72;
- Tabanca de Cansamange/Saltinho, 17/12/72;
- Picada Saltinho-Galomaro c/16 elementos da pop. capturados e roubados dos seus haveres (dinheiro), em 18/1/73;
- Tabanca de Bangacia/Galomaro, c/2 mortos civis+2 feridos civis+2 feridos milícias, em 1/2/73;
- Tabanca de Campata/Galomaro, c/5 mortos do IN e 1 capturado+3 mortos milícias e 3 mortos civis, em 16/3/73;
- Tabanca de Sinchã Maunde Bucô/Saltinho, em 14/5/73;
- Tabanca de Bangacia/Galomaro, em 18/9/73;
- Tabanca de Madina Bucô, em 20/1/74


PS - Comentário do Paulo Santiago (*) em complemento do que escreveu o Luís Dias:

No comentário do Luís Dias, umas pequenas correções nas flagelações a tabancas/ Saltinho até Agosto/72,  mês em que regressei em fim de comissão:

Tabanca de Sinchã Maunde Bucô/Saltinho,em 14/5/73
Tabanca de Madina Bucô,em 20/1/74

É a mesma tabanca, o nome correto é o primeiro,mas era mais conhecida por Madina, era a tabanca antes de chegar ao Quirafo vindo do Saltinho.

Não consta da lista, mas esta tabanca foi flagelada numa data em que eu ainda estava no Saltinho,talvez Junho ou Julho.

Sana Jau e Bonere. não conheço, não ficavam na zona do Saltinho

quarta-feira, 25 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27857: Humor de caserna (251): O anedotário da Spinolândia (XXIII): "Não me tomem por periquito, car*lho, que de guerra venho eu farto" (ten cor Polidoro Monteiro, cmdt, BCAÇ 2861, Bissorã, e depois BART 2917, Bambadinca, 1970/72)

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > BART 2917 (1970/72) > Centro de Instrução de Milícias > Da esquerda para a direita, em segundo plano, ten cor Polidoro Monteiro (comdt do BART 2917), gen Spínola e alf mil  Paulo Santiago (todos de óculos de sol).

Foto (e legenda): © Paulo Santiago (2006). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Guiné >  Região do Oio > Bissorã > BCAÇ 2861 (1969/70) > 1970 > "À esquerda o alferes graduado  capelão Augusto Batista, à direita o ten cor inf Polidoro Monteiro (já falecido), cmdt do batalhão. Foto tirada em  dia de festa balanta,,, Por detrás,  a Casa Gardete, do comnerciante José Gardete Correia,m pai dio médico e deputado pelo círculo da Guiné Manuel Gardete Correia. No primeiro andar da Casa, então utilizada como quartos dos oficiais, a senhora que está à varanda era a esposa do capitão, comandante da CCS.

Foto (e legenda): © Armando Pires (2009). 
Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > Mato Cão > O ten Cor Polidoro Monteiro, último comandante do BART 2917, o alf mil médico Vilar e o alf mim at inf Paulo Santiago, instrutor de milícias, com um pequeno crocodilo  do rio Geba... O Polidoro Mondeira exibe a sua inconfundível faca de mato I(assinalada a amarelo)

Foto tirada em novembro ou dezembro de 1971 no Mato Cão, após ocupação da zona com vista à construção de um destacamento, encarregue de proteger a navegação no Geba Estreito e impedir as infiltrações na guerrilha no reordenamento de Nhabijões, um enorme conjunto de tabancas de população balanta e mandinga tradicionalmente "sob duplo controlo".

Foto: © Paulo Santiago (2006). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. O último comandante do BART 2917 (Bambadinca, 1970/72), João Polidoro Monteiro, infelizmente já falecido, merece ser aqui destacado, na série Humor de Caserna, subsérie O Anedotário da Spinolândia,  por ter ficado na  na nossa memória, pela sua liderança, pela sua personalidade, pelas histórias que deles se contavam, pela interação que teve com alguns de nós, malta da CCS/BART 2917, e subunidades de quadrícula, além da CCAÇ 12, Pel Caç Nat 53...

Eis alguma informação adicional sobre este oficial superior, conhecido como spinolista convicto, disciplinador, mas próximos dos soldados , justiceiro (deu uma porrada ao médico do batalhão!), grande operacional,  caçador... e garanhão que, na parada ou na caserna, fazia gala de usar o calão da tropa.  Nem todas as histórias se podem contar em público, mas aqui vão algumas, honrando a sua memória. (Tem duas dezenas de referências no nosso blogue; faleceu em 27 de dezembro de 2003.)


Armando Pires,
Monte Real, 2014
1. Armando Pires (ex-fur mil enf da CCS/BCAÇ 2861, Bula e Bissorã, 1969/70)

O ten cor João Polidoro Monteiro [JMP] veio, em 1970, diretamente de Moçambique, onde comandava a Guarda Fiscal, para Bissorã, comandar o meu batalhão, o BCAÇ 2861, em substituíção do ten cor César Cardoso da Silva.  

Em dezembro de 1970,  o BCAÇ 2861 regressou a Portugal, terminada a comissão. Foi nessa altura que JPM foi comandar o BART 2917, com sede em Bambadinca.

(...) Estou a vê-lo, ao Polidoro, galões reluzentes sobre um camuflado acabadinho de saír do Casão Militar, olhos protegidos pelas lentes escuras de uns inevitáveis Ray-Ban, pingalim tremelicando na mão direita, voz forte e decidida advertindo a força em parada:

 Não me tomem por periquito, que de guerra venho eu farto.

Depois, a ordem que obrigava todos os militares a andarem devidamente fardados e ataviados quando não em serviço (???).

Se esta não fosse já um mimo, a cereja em cima do bolo veio de seguida. Íamos fazer exercícios de protecção ao aquartelamento. Poupo-vos ao relato e consequências, embora fossem de ir às lágrimas.

Já mais tarimbado na função, o Paulo Santiago, ex-comandante do Pel Caç Nat 53, aqui nos relatos da Tabanca Grande mostra-o, ao Polidoro, numa foto  tirada nas margens do Geba, ali no Mato Cão, exibindo um magnífico troféu de caça.

Com a mais respeitosa vénia ao Santiago, recoloco aqui a tal foto, ao lado de uma outra tirada por mim, em Bissorã, pedindo-lhes que descubram a semelhança. 

Hum!!! Já viram? Reparem outra vez… olhem bem… não deram por ela?... 

É a Faca de Mato, caramba! Ali, sempre pendurada no ombro direito.


´
David Guimarães,
Guiné-Bissau, 2001

2. David Guimarães (ex-fur mil art Art Minas e Armadilhas, CART 2716/BART 2917, Xitole, 1970/72)

(...) A CART 3492 (Xitole, Janeiro de 1972/Março de 1974) foi exactamente a Companhia que rendeu a CART 2716 a que eu pertenci e fomos nós que fizemos a sobreposição...

(...) Um dia o Comandante do BART 2917, já na sobreposição, apareceu no Xitole. O Luís Graça e o Humberto Reis conheciam-no. Era o ten-cor Polidoro Monteiro... Conto-vos uma peripécia passada com ele.

Perguntava eu, bem perfilado, ao Polidoro Monteiro:

 Meu comandante, a nossa missão é ir ensinar o caminho a esta gente...Proponho que ensinemos o início dos caminhos por onde passamos tantas vezes....

Resposta:

− Vai-te f*der, seu car*lho, quero que lhes ensinem a toca....

Deu em riso, como é evidente....

O Polidoro Monteiro foi o único tenente-coronel que usava arma e eventualmente percorria um pedaço de caminhos connosco... Gostava muito de passear no Xitole, pois de manhã gostava de ir até Cussilinta, ao banho, no Corubal,  e à noite ir à caça às lebres que iam para junto da mancarra (amendoím], na Tabanca de Cambessé, à guarda do aquartelamento do Xitole....

Sempre vi nele um bom militar e era da inteira confiança de Spínola.... Aliás ele era tenente-coronel de infantaria e foi colocado por Spínola em Bambadinca para ir comandar o BART 2917, em substituição do  ten-cor art Magalhães Filipe, que era o comandante inicial do Batalhão (...).

A gota de água para retirar o comando ao Magalhães Filipe foi a operação na Ponta do Inglês onde morreu aquela secção do Cunha [da CART 2716, do Xime]... 

Quem merecia a porrada  [o maj art Anjos de Carvalho, 2º cmdt do BART 2917, já falecido]... acabou por não a apanhar (...).

Ainda sobre o Polidoro Monteiro... Um dia ele manda um rádio para o Xime com a seguinte nota: 

"Dois pelotões formados às 5.30 para sair com CMDT" (...).

 O Polidoro Monteiro chama o condutor de dia e percorre,  sem qualquer escolta,  aquele caminho de Bambadinca ao Xime, a alta velocidade... 

Resultado: 10 dias de prisão para o alferes que exercia as funções de 2º Comandante, e 10 de detenção para outro alferes... É que eles nunca se fiaram que àquela hora ele aparecesse lá e como tal não estavam prontos como ele mandara....

Luís Graça e Humberto Reis: vocês já não estavam lá, creio, mas que isto se passou, passou... O Polidoro era assim, um bom comandante, a nível operacional... Dizia quantas asneiras havia no dicionário... Muito operacional mas bom sujeito... Vocês conheceram-no ainda (...).



Paulo Santiago,
Pombal, 2007
3. Paulo Santiago  (ex-al mil at inf, cmdt do Pel Caç Nat 53, Saltinho, 1970/72)

 (...) Acontece,algumas vezes, aparecerem postes que mexem comigo. Precisando:  emocionam-me. É o caso de hoje, com este poste do camarada Armando Pires,que entrou, em grande forma, para a Tabanca. 

Não é por causa da foto, onde apareço abrindo a boca do anfíbio bicharoco; não, o que me tocou mais fundo foi a recordação do Polidoro, pessoa que nunca mais encontrei após a minha saída de Bambadinca. 

Todos sabeis, já o escrevi várias vezes, o ten-cor Polidoro Monteiro foi talvez o  oficial superior, melhor dizendo,  foi o único oficial superior que me mereceu respeito, e conheci vários. 

Estes vários que conheci, majores, tenentes-coronéis, quando íam ao Saltinho (é um exemplo) utilizavam o heli, nada de ir em colunas, havia o pó e outras merdas mais complicadas... E aqui começa a diferença... Conheci o Polidoro, não em Bambadinca, conheci-o (e também ao Vacas de Carvalho)... no Saltinho, onde chegaram e de onde partiram numa coluna com o trajecto  Bambadinca-Mansambo-Xitole-Saltinho e depois o trajecto inverso. 

Não sei a razão, mas em Bambadinca, havia, como dizer?, uma certa cumplicidade entre mim e o Polidoro.  Entendíamo-nos muito bem, já o mesmo não acontecia com o 2º comandante, o [major art] Anjos de Carvalho, um militar emproado, bom para andar na parada, esperando ver um militar com menos atavio, ou que se esquecesse da continência, para de imediato lhe foder a vida.

Agora a foto. Quem era o comandante de batalhão que se metia num sintex e descia o Geba Estreito até Mato Cão? Só o Polidoro...e ficou lá a dormir nos buracos com o pessoal do Pel Caç Nat  63. 

Aquela faca no ombro direito, de que fala o Armando, é sua imagem de marca, julgo que nunca vi o Polidoro com outra farda que não fosse o camuflado, raramente com galões, contrariamente ao 2º comandante que sempre vi de calções, meia alta e respectivos galões.

Agora vou "entrar" com o Armando quando cita aquela apresentação do Polidoro ("Não me tomem por periquito que de guerra venho eu farto").  

Oh Armando,  não terá sido assim: 

− Car*lho..., não me tomem por periquito que de guerra venho eu farto ?!

Ou assim: 

− Não me tomem por piriquito, car*lho..., de guerra venho farto ?!

Agora, ainda a propósito da foto, reparem no outro personagem, o alf mil médico Vilar, ja "completamente apanhado" na altura (e hoje... psiquiatra). Olhem para a arma que ele segura: é uma carabina de caça 22...Não é que ele lhe acoplou aquela imensa baioneta (comprada na Feira da Ladra) de uma Kropatschek ?! (...)


4. Comentário do editor LG:

Companhias de quadrícula do BART 2917 (Bambadinca, Setor L1, maio de 1970/março de 1972, ) (comandado por ten cor art Domingos Magalhães Filipe,  e depois por ten cor inf João Polidoro Monteiro):

(i) CART 2714, sita em Mansambo (Cap art José Manuel da Silva Agordela); 

(ii) CART 2715, sita no Xime (Cap art Vitor Manuel Amaro dos Santos, 1944-2014; alf mil  art José Fernando de Andrade Rodrigues;  cap art Gualberto Magno Passos Marques; cap inf Artur Bernardino Fontes Monteiro; cap inf  José Domingos Ferros de Azevedo)

(iii) CART 2716, sita no Xitole (Cap mil art Francisco Manuel Espinha de Almeida) (...).

(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)
_______________

Nota do editor LG:

terça-feira, 24 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27852: Efemérides (384): Foi há 10 anos que morreu (de verdade) o nosso querido "morto-vivo", o António da Silva Batista (1950-2016), ex-sold at inf da CCAÇ 3490 (Saltinho, 1972), natural da Maia

António da Silva Baptista (1950-2016)

Foto: © João Santiago ( 2007). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto reproduzida por Beja Santos no seu poste P14454, de 10 de abril de 2015. A fonte provável é o artigo "Desaparecido em combate", de Duarte Dias Fortunato, publicado na revista da GNR, "Pela lei e pela grei", nº de abril de 2000 (*) 

[Na altura, o Fortunato era soldado de infantaria da GNR e prestava serviço no Posto Territorial de Quiaios, na Figueira de Foz; o António da Silva Batista é o último a contar da direita, de bigode, e o Fortunato o terceiro.]


Maia > Moreira > Cemitério local > Foto do Jornal de Notícias, edição de 18 de setembro de 1974, mostrando o soldado António da Silva Batista, a visitar a sua própria campa, depois do regresso do cativeiro. O título da notícia do jornal era: "Morto-vivo depôs flores na sua campa". Na lápide pode ler-se: "À memória de António da Silva Batista. Faleceu em combate na província da Guiné em 17-4-1972".

A foto, de má qualidade, foi feita pelo nosso camarada Álvaro Basto, com o seu telemóvel, na Biblioteca Pública Municipal do Porto, e remetida ao Paulo Santiago. O Álvaro Basto, ex-fur mil enf da CART 3492 (Xitole, 1971/734), mora em Leça do Balio, Matosinhos.

Foto: © Álvaro Basto (2007). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Cópia da 2.ª via da caderneta militar do António da Silva Baptista (1950-2016)... Documento emitido a 4 de Junho de 1987 (!), treze anos depois do seu regresso a casa, vindo do cativeiro...


Maia > 21 de Julho de 2007 > O encontro com o António da Silva Batista (ao centro); à esquerda, o Álvaro Basto, ex-fur mil enf da CART 3492 (Xitole, 1971/74) ; à direita, o Paulo Santiago (ex-alf mil, cmdt do Pel Caç Nat 53, Saltinho, 1970/72). Foto do João Santiago, filho do Paulo.

Foto: © João Santiago ( 2007). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

1. Fez ontem  dez anos que morreu, pela segunda (e derradeira) vez, o António da Silva Baptista, o nosso querido "morto-vivo" (1950-2016). Era natural de Crestins, Moreira da Maia. (*)

Recorde-se que o António da Silva Batista, ex-sold at inf da CCAÇ 3490, Saltinho, 1972, foi dado como morto na terrível emboscada do dia 17 de abril de 1972, em Quirafo, junto ao Corubal... Viria a ser libertado pelo PAIGC em 14 de setembro de 1974, em Aldeia Formosa, ele mais 6 camaradas por troca com 35 guerrilheiros do PAIGC (**).

A sua história teve alguma triste notoriedade, até mediática, pelo insólito. A RTP, por ex., no seu programa "Memórias da Revolução", chamou-lhe o "soldado morto-vivo" (alcunha que foi dada pelos jornais do Nporte), e associou-o às efemérides de setembro de 1974 (mès do seu regresso do cativeiro):

(...) O soldado António Silva Baptista, combatente na Guiné-Bissau durante a Guerra Colonial, no seguimento de um ataque do Partido Africano para a Independência da Guiné Bissau (PAIGC) a tropas portuguesas, foi dado morto pelas autoridades portuguesas, tendo a sua família realizado um funeral em sua memória.

 Em boa verdade, António Silva Baptista foi prisioneiro do PAIGC, tendo sido libertado em setembro de 1974. Esta história, devido à sua natureza caricata, alcançou bastante notoriedade em Portugal. (...)

Temos uma meia centena de dezenas referências  ao nosso camarada que nos deixou em 2016.

O nosso pobre camarada morreu, de facto, duas vezes, tendo sido "vítima de um processo kafkiano": 

(i) primeiro, morreu, não fisicamente, mas militar e socialmente; 

(ii) depois, roubaram-lhe a memória, roubaram-lhe os dias e as noites que passou no cativeiro!

(iii) o exército ao fim de vários "ressustcitou-o" e deu-lhe um novo BI...mas levou tempo a pagar-lhe as pensões a que tinha direito!

 
De facto, a vida do António da Silva Baptista é um daqueles relatos que transcendem o individual e se tornam parte da memória coletiva, especialmente num período tão conturbado como o pós-Guerra Colonial e o "verão quente de 1975".

A forma como a sua história foi apropriada pela literatura de cordel, vendida nas feiras e romarias, mostra como o drama humano se transforma em lenda, misturando dor, resiliência e até um certo "humor trágico-marítimo", tão ao nosso gosto... E para mais ao som festivaleiro de um acordeão (*).

É fascinante (e comovente) pensar que, enquanto era dado como morto e até enterrado, numa cova funda do cemitério da sua terra, na Maia, ele estava vivo, incomunicável, prisioneiro do PAIGC, em Conacri e depois no Boé, acabando em setembro de 1974 por regressar para visitar a sua própria campa. Macabro, insólito, miserável!

Essa dualidade entre a morte simbólica e a vida real é um tema poderoso (quase shakespeariano, se quisermos armar ao pingarelho, citando uma referência erudita!) e reflete bem as contradições da guerra e do pós-guerra.

2. Dez anos passaram sobre a morte definitiva (!) de António da Silva Baptista, mas a sua história continua a ecoar como uma das mais singulares, e também mais inquietantes, da guerra na Guiné. 

De facto, não é apenas a história de um homem que sobreviveu ao doloroso cativeiro: é a história de alguém a quem a própria sociedade declarou morto antes do tempo, e a quem o exército "escamoteou" a identidade (e o "patacão" que lhe era devido).

Na emboscada de 17 de abril de 1972, em Quirafo, junto ao Corubal, perdeu-se o rasto de um jovem soldado da CCAÇ 3490. Para o exército, para a burocracia militar, para a comunidade e para a família que aguardava notícias, a conclusão foi rápida: morto em combate. Houve luto, houve funeral (por troca com os restos mortais do António Ferreira!), houve uma campa aberta na sua terra, Moreira, Maia.

Assim terminou oficialmente a vida de António da Silva Baptista, pelo menos no papel.

Mas, enquanto o seu nome era inscrito na lista dos mortos, ele continuava vivo. Prisioneiro do PAIGC, primeiro em Conacri e depois no Boé (e depois novamente para lá fronteira), viveu dois anos e tal de silêncio, dor e invisibilidade. Esse hiato, esses dias e noites apagados da cronologia oficial, são talvez a parte mais dramática da sua história: não apenas o sofrimento do cativeiro, mas o facto de ter sido apagado da vida civil e militar, como se tivesse deixado de existir.

Graças ao nosso blogue (e sobretudo à persistência e às diligências de camaradas nosso como o Álvaro Basto, o Paulo Santiago, outros como a malta da Tabanca de Matosinhos),  foi possível ajudar a recuperar a dignidade e a honra de um camarada nosso que conheceu o inferno na terra (a emboscada do Quirafo, o massacre dos camaradas, os tiros de misericórida na nuca, a morte anunciada, a prisão, o pelotão de fuzilamento, a libertação, o regresso ao outro mundo, a visita à sua própria campa, o pesadelo kafkiano da peluda, a recuperação do BI, a atribuição das pensões, etc....).

Quando regressou, em setembro de 1974, já depois do 25 de Abril, trouxe consigo um paradoxo quase literário, próprio de um "romance do absurdo": o homem que regressou para visitar a própria campa (!). 

Poucas imagens dizem tanto sobre a guerra colonial e sobre o caos do tempo que se seguiu. A realidade, por vezes, escreve histórias que parecem saídas de um romance de Kafka ou de uma peça de  Shakespeare... 

O Batista foi um homem vivo que teve de provar que não estava morto!

Talvez por isso a sua história tenha corrido feiras e romarias, transformada em literatura de cordel e cantada ao som de acordeão. O povo tem esse modo peculiar de lidar com o drama: mistura a tragédia com o espanto, a dor com uma ponta de humor trágico. Assim foi perpetuada  a figura do “morto-vivo” (como os jornais do Norte o chamaram, a que a própria televisão retomaria mais tarde).

Mas por detrás do "faits-divers", da "anedota popular" que deu dinheiro a ganhar a feirantes,  havia um homem real, um camarada que carregou o peso de uma vida interrompida duas vezes: primeiro quando o deram como morto; depois quando, regressado, teve de reconstruir a sua identidade e a sua memória.

Recordá-lo hoje é mais do que recordar um episódio insólito. É lembrar um dos muitos destinos improváveis que a guerra produziu: vidas suspensas, histórias mal contadas, homens que ficaram presos entre a história oficial e a memória vivida (e sofrida).

E talvez seja por isso que a história de António da Silva Baptista continua a tocar-nos e é hoje tema desta efeméride (***): porque nos lembra que, às vezes, a guerra não mata apenas os corpos, também pode matar, ou tentar matar, a própria existência de um homem, naquilo que ele tem de mais precioso: a "alma", a identidade, a memória...

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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 23 de março de 201 > Guiné 63/74 - P15894: In Memoriam (247): António da Silva Batista (1950-2016)... A segunda morte (esta definitiva!) de um camarada a quem carinhosamente chamávamos o "morto-vivo do Quirafo". O funeral é amanhã, às 15h45, na igreja de Santa Cruz do Bispo, Matosinhos

(**) Vd. postes de:

29 de março de 2016 > Guiné 63/74 - P15911: (Ex)citações (306): A propósito da última troca de prisioneiros, em Aldeia Formosa, no dia 14 de setembro de 1974....Prisioneiros, não, "retidos pelo IN"...

11 de dezembro de 2011 > Guiné 63/74 - P9181: Troca dos últimos prisioneiros: 35 guerrilheiros do PAIGC e 7 militares portugueses (III Parte) (Luís Gonçalves Vaz)

22 de julho de 2007 > Guiné 63/74 - P1983: Prisioneiro do PAIGC: António da Silva Batista, ex-Sold At Inf, CCAÇ 3490 / BCAÇ 3872 (1) (Álvaro Basto / João e Paulo Santiago)



(***) Último poste da série > 14 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27734: Efemérides (383): O dia 14 de Fevereiro é para mim mais que "o Dia dos Namorados”, é o ‘Dia da Amizade” (João Crisóstomo, ex-Alf Mil Inf)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27767: Fauna e flora (26): O crocodilo-do-Nilo nos "nossos" rios (Geba, Cacheu, Corubal...) - Parte I

Foto nº 1 > Guiné-Bissau > Região do Oio > Farim > 7 de junho de 2022 > Crocodilo-do-Nilo (Lagarto, em crioulo) (Crocodylus nilotcus)... Está protegido por lei... Pode atingir os 7 metros de comprimento... e atacar o homem.

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2022). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº 2 > Guiné- Bissau > Região de Biombo >  s/l  > s/d  (c-. 2009) > O crocodilo da Praia do Biombo 

Foto (e legenda):  © Patrício Ribeiro (2009). Todos os direitos reservados.[Edição e legendagem complementar Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº 3 > Guiné-Bissau > Região do Cacheu > São Domingos > Novembro de 2015 > Captura de dois crocodilos "assassinos" no rio Cacheu... Um deles foi exposto numa árvore, juntando uma multidão de curiosos...

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2015). Todos os direitos reservados. .[Edição e legendagem complementar Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Foto nº 4 > Guiné > Zona leste >  Região de Bafatá > Sector L1 > Bambadinca > Mato Cão > O ten cor Polidoro Monteiro, último comandante do BART 2917 (1970/72), o alf mil médico Vilar (popularmente conhecido como o "Drácula", mais tarde psiquiatra) e o alf mil Paulo Santiago, cmdt do Pel Caç Nat 53 (Saltinho, 1970/72) e depois instrutor de milícias (no CIM de Bambadinca) com um crocodilo juvenil do rio Geba Estreito...
 
Foto tirada em novembro ou dezembro de 1971 no Mato Cão, após ocupação da zona com vista à construção de um destacamento, encarregue de proteger a navegação no Geba Estreito e impedir as infiltrações na guerrilha no reordenamento de Nhabijões, um enorme conjunto de tabancas de população balanta e mandinga tradicionalmente "sob duplo controlo".

O Polidoro Monteiro, já falecido, gostava de caçar. Incluindo à noite, utilizando os faróis do jipe, na orla da pista de Bambadinca. Lembro-me dele como tendo sido o único oficial superior que andou connosco (CCAÇ 12), a penantes no mato (pelo menos, uma vez, quando se foi inteirar dos seus domínios, o sector L1; veio de Bissorã e era considerado um spinolista, mesmo sendo de infantaria).

Foto (e legenda): © Paulo Santiago (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


1. Na Guiné, no meu tempo (1969/71), a malta não tomava banho à vontade nos rios, por muitas razões, a começar pelas de saúde e segurança... E, claro, o medo de répteis em geral e crocodilos, em particular... Herpetofobia, é o palavrão...

Sabemos que não havia "jacarés" em África (só no Novo Mundo), mas os crocodilos estavam no nosso imaginário quando lá chegávamos... Para o "tuga", crocodilo ou jacaré era tudo o mesmo... 

Parece que o Crocodylus niloticus sofreu uma redução drástica, na África Ocidental, desde há dois séculos, com o colonialismo e a pressão humana (caça, procura da pele, redução do habitat, poluição, etc.). E terá desaparecido de muitos rios da África Subsaariana.

Mas será que ainda havia crocodilos em todos os rios da Guiné, no nosso tempo? Os restos mortais dos nossos infortunados camaradas que caíram ao rio Corubal, em Cheche, terão sido também devorados por crocodilos? Há relatos, no blogue, de cadáveres que foram recuperados (no Geba e no Corubal), parcialmente mutilados...

Em anos mais recentes, o rio Cacheu tem sido notícia por más razões, as do eterno conflito entre a vida selvagem e as comnunidades humanas ribeirinhas... 

No rio Cacheu um habitat de crocodilos de grande porte, tem sido reportados e documentados ataques esporádicos daqueles réptéis, quer pelos habitantes da região quer pela imprensa de Bissau. E pelo nosso Patrício Ribeiro, o "tuga" que melhor conhece a Guiné (vd. fotos nºs 1, 2, e 3).

Por outro lado, os rios da Guiné, de águas barrentas e margens indefinidas (no tempo das chuvas), metiam respeitinho, sobretudo quando a malta fazia uma "cambança" de canoa... Cair-se ao rio era quase morte certa...

Enfim, vamos ver o que as diferentes ferramenta de IA nos dizem a respeito destes bichos feios e predadores, mas raramente visíveis por nós (ambos, "criaturas de Deus", diria o São Francisco, que nunca deve ter visto a mandíbula de um crocodilo-do-Nilo). 

Tal como os hipopótamos, que os havia no rio Corubal, no meu tempo (1969/71)... Mas esses faziam-se notar à distância, pelos seus urros... 

Comecemos por este "juvenil" de crocodilo da foto nº 4, freguês do Mato Cão, onde fomos muitas vezes (e onde, depois em finais de 1971/princípios de 1972, será montado um destacamento, por onde passaram alguns dos nossos grão-tabanqueiros). 

Confesso que nunca lá vi nenhum crocodilo, no Mato Cão. Nem tinha nem vagar para os observar. Mas o crocodilo era como o "Zé Turra", hábil no engenho e na arte de se camuflar e furtar ao contacto do "Zé Tuga", mesmo que estes dois pertencessem à mesma Ordem, a dos Primatas, e à mesma Espécie, a do Homo Sapiens Sapiens. A espécie que está no topo dos grandes predadores.


Pergunta à IA:  Crocodylus niloticus ou Osteolaemus tetraspis ? Juvenil, apanhado em 1971 no rio Geba Estreito, no Mato Cão (sujeito às marés, logo, água salgada) (foto nº 4)


Responde  a "menina IA"  ( europeia,  Le Chat / Mistral):

A espécie de crocodilo na imagem, apanhada em 1971 no rio Geba Estreito (Mato Cão, Guiné-Bissau), e que o nosso Paulo  Santiago segura, pela mandíbula superior, é quase certamente um Crocodylus niloticus, o crocodilo-do-Nilo.

Razões:
  • Distribuição geográfica: o Crocodylus niloticus é comum em toda a África subsaariana, incluindo a Guiné-Bissau, enquanto o Osteolaemus tetraspis (crocodilo-anão) tem uma distribuição mais restrita, principalmente em florestas tropicais da África Ocidental e Central, mas é raro ou ausente em habitats como o rio Geba, que é influenciado por marés.
  • Tamanho e morfologia: mesmo sendo um juvenil, o corpo alongado e a forma da cabeça são mais consistentes com o Crocodylus niloticus; o Osteolaemus tetraspis tem um focinho mais curto e largo, e é geralmente menor, mesmo em idade adulta.
  • Habitat: o Crocodylus niloticus é adaptado a rios, lagos e estuários, enquanto o Osteolaemus tetraspis prefere águas mais calmas e florestais.
  • Contexto histórico: durante a Guerra Colonial Portuguesa (1961-74), era comum os soldados entrarem em contacto com a fauna local, incluindo crocodilos, especialmente em zonas ribeirinhas como o Geba ou o Cacheu.

2. Distinção entre "lagarto" e "lagarto preto"

Ficha técncia: Crocodilo-do-Nilo ("Lagarto", em crioulo) (Crocodylus nilotcus) (pág. 28)

"Lagarto preto", em crioulo  (Osteolaemus tetraspis) (pág. 28), Também conhecido na África Equatorial como crocodilo-anão.

Fonte: República da Guiné-Bissau, Direcção Geral dos Serviços Florestais e Caça, Departamento da Fauna e Protecção da Natureza, s/l, 34 pp. s/d (Disponível em formato pdf, aqui, no sítio do IBAP , https://ibapgbissau.org/Documentos/Estudos/Animais%20da%20Guine-Bissau.pdf)


3. Comentou o Paulo Santiago, em complement0o da legenda da foto nº 4:

"Quem avistou o réptil, a caminho do Mato Cão, foi o soldado que conduzia o Sintex. Parou e o Vilar deu-lhe um tiro com a .22 que tinha aquela "enorme" baioneta acoplada. 

"Notou-se o animal acusar o tiro. O "barqueiro" aproxima o bote, o crocodilo tem ferimento num dos membros, abre a boca e o Vilar enfia-lhe a baioneta na goela. O bicho fecha a boca, abana a cabeça, e o futuro psiquiatra quase mergulha...

"Valeu-lhe o ten-cor Polidoro Monteiro que enfiou uma bala 7,62 na cabeça. Chegados ao destacamento, o Vilar pediu a um balanta para esfolar o bicho. Fizeram uns 'bifes' da cauda, dos quais não comi nenhum.

"Eu e o Vilar regressámos a Bambadinca com a subida da maré. O comandante Polidoro ficou no destacamento e, como acontecia várias vezes, houve flagelação ao anoitecer".

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026 às 19:36:27 WET

(Continua)
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 6 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27709: Fauna e flora (25): Uma píton-africana ou irã-cego (Python sebae), "papada com esparguete" pelos "abutres de Cabuca (2ª CART / BART 6523 /73, 1973/74)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27753: Memórias de um comandante de pelotão de caçadores nativos (Paulo Santiago) (19): uma ida traumática a Bissau, a morte horrorosa do fur mil Asdrubal Fernandes, vítima de acidente com uma granada de RPG-2; era natural de Esposende


Granada de RPG-2, no museu de Kiev, Ucrânia  (Fonte: Wikipedia)


Ficha do fur mil arm pes inf Asdrubal Fernandes, vítima de um horroso acidente com uma granada de RPG-2. Faleceu em 5/7/1972, no HM 241, em Bissau. Era natural de Esposende, conterrâneo do Mário Miguéis.

Fonte: Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 8.º Volume; Mortos em Campanha; Tomo II; Guiné; Livro 2; 1.ª Edição; Lisboa (2001), pág. 127 (Com a devida vénia...).


1.
 Mensagem  do Paulo Santiago  (ex-alf mil, cmdt Pel Caç Nat 53, Saltinho 1970/72), residente em Aguada de Cima, Águeda, autor da série "
Memórias de um comandante de pelotão de caçadores nativos" (*):


Data - 20 de fevereiro de 2027, 01:07
Assunto - Uma ida traumática a Bissau


Memórias de um comandante de pelotão de caçadores nativos (Paulo Santigo) (19): uma ida traumática a Bissau, a morte horrorosa  do fur mil Asdrubal Fernandes, vítima  de acidente com uma granada  de RPG-2


Paulo Santiago: um histórico
da Tabanca Grande; tem 205
 referências no blogue
Uma manhã em meados de jun de 1972, um soldado  foi chamar-me ao reordenamento de Contabane, hoje chamado de Sinchã Sambel, para vir ao quartel falar com o capitão [mil inf, Dário Lourenço, cmdt, CCAÇ 3490 (Saltinho, 1972/74), do BCAÇ 3872 (Galomaro, 1972/74), conhecida pela alcunha do capitão-proveta, ou "Proveta"]

Desde Maio que me transferira (voluntariamente) para o reordenamento... Sentia-me melhor afastado do Lourenço. Comigo estava o fur mil Mário Rui e uma secção.

No quartel, a quinhentos metros do 
reordenamento, fui ter com o capitão.

−  Santiago, tem de ir a Cansonco levar o chefe de tabanca. Leva um dos pelotões da companhia . (O meu, o  Pel Caç Nat 53, estava dividido, metade estava em Galomaro.)

Em março, poucos dias após regressar de Bambadinca (**),  o Lourenço pede-me insistentemente para ir com ele numa operação ao Celo-Celo para armadilhar um trilho, ordem do comandante do Batalhão. 

Acabei por aceder e fui com cinco Soldados do 53. Correu mal, uma operação que demoraria dois dias, acabou ao fim de uma manhã. Por teimosia e basófia do Lourenço, apanharam com um ataque de abelhas, e teve de vir um heli para evacuar militares em mau estado.

Contei este episódio há anos aqui no Blogue (***).

Com este antecedente disse que não ía a Cansonco com militares que conhecia mal.

− Não vai, vou participar!

Quase a terminar a comissão, o Proveta estava preparado para me tramar.

Falei com o médico, estava na CArt do Xitole, para me mandar a uma consulta de Psiquiatria a Bissau. Sem problemas, arranjou-me a consulta.

Ainda no tempo da CCaç 2701, do cap Clemente, o Marcelino da Mata esteve no Saltinho a treinar oito soldados do meu pelotão (Pel Caç Nat 53) que ficavam à ordem dele (Gr Op Especiais). Conheci o Marcelino na altura.

Soubera, após a trágica emboscada do Quirafo [em 17 de abril de 1972]

e também da morte de um agente, de umas "bocas" ditas pelo Lourenço. Tinha de falar com o cap pqdt António Ramos.

Munido da consulta de psiquiatria, apanhei a avioneta da sexta-feira no Xitole para Bissau.

Em 3 de julho de 1972 almocei com o Marcelino, falei-lhe no que constava sobre a morte do agente e que gostaria de falar com o cap Ramos. Concordou. Após o almoço seguimos para a Amura.

A seguir ao portão de entrada estava um grupo de militares da PM a lavar um jipe todo ensanguentado. Disseram ao Marcelino que o fur mil  Asdrubal estava a instruir um soldado sobre o funcionamento de um RPG 2, a arma disparara, atingindo o Asdrubal.

Já não fui falar com o cap Ramos. Fui com o Marcelino para o Hospital. Mal transposta a entrada, uma cena lastimável, horrível... deitado numa maca, via-se de um dos lados do tronco a cabeça cónica da granada, e  do outro lado uma parte das empenagens. Nalgumas janelas tiravam fotografias.

 −  Marcelino, tira-me isto.

As dores deviam ser um horror mas o Asdrubal estava conciente, falava.

O director do Hospital não autorizava a entrada da maca com receio de
um explosão da granada. O Marcelino disse-lhe que, se a granada não
rebentara com o embate no tronco, já não explodia, nem devia ter a
espoleta.

Não demoveu o médico, resolveu ir à Amura buscar um granada.

Fiquei ali junto da maca sem saber o que dizer.

Entretanto chega um heli com um ferido. Aproximei-me... Devo ter ficado branco, pálido, sem fala... na maca vinha o meu soldado balanta Putchane Obna, de alcunha "Bagaço". Vinha consciente, apanhara um tiro no braço esquerdo. 

O Proveta mandara sair os oito sobre os quais não tinha qualquer autoridade... o gajo não tinha emenda.

Chegou o Marcelino com uma granada de RPG 2. Frente ao director do Hospital desaperta a cabeça, tira a espoleta, aperta a cabeça, bate-a contra o chão, e assim lá conseguiu autorização para a entrada da maca com o furriel Asdrubal.

No dia seguinte fui então falar com o cap pqdt António Ramos, a quem o Marcelino já contara as tristes cenas do Lourenço. Este recebeu passadas poucas horas uma mensagem demolidora escrita à minha frente.

O Asdrubal, clinicamente, estava morto mas continuava a falar, morreu no dia cinco [de julho de 1972].

Não houve participação, não fui à consulta.

Por vezes, lembro-me da emboscada, a pequena distância do quartel, onde o "Bagaço" foi ferido.

Como foi possível a guerrilha estar ali? Alguém falou?

Paulo Santiago

(Revisão / fixação de texto, parênteses retos, links, título: LG)
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Notas do editor LG:

(*) Último  poste da série > 21 de novembro de 2008 > Guiné 63/74 - P3495: Memórias de um comandante de pelotão de caçadores nativos (Paulo Santiago) (18): Vem nos manuais de sobrevivência, está lá tudo..

(**) Vd. poste de 9 de Setembro de 2008 > Guiné 63/74 - P3189: Memórias de um comandante de pelotão de caçadores nativos (Paulo Santiago) (17): Instrutor de milícias em Bambadinca (Out 1971).

(***) Vd. poste de 25 de julho de 2006 > Guiné 63/74 - P986: A tragédia do Quirafo (Parte II): a ida premonitória à foz do Rio Cantoro (Paulo Santiago)

Vd. também poste de 23 de Julho de 2006 > Guiné 63/74 - P980: A tragédia do Quirafo (Parte I): o capitão-proveta Lourenço (Paulo Santiago)