Elefante: o nome científico é Loxodonta cyclotis (Matsch). Os fulas chamam-lhe Nhiuá; para o futa.fula é Maubá; em madinga diz-se Samom; em manjaco, Olom; em papel, Oinga; e em saracolé, Turé.
Fonte: Guia de Identificação dos Animais da Guiné-Bissau. República da Guiné-Bissau, Direcção Geral dos Serviços Florestais e Caça, Departamento da Fauna e Protecção da Natureza, s/l, 34 pp. s/d (Disponível em formato pdf, aqui, no sítio do IBAP ,https://ibapgbissau.org/Documentos/Estudos/Animais%20da%20Guine-Bissau.pdfInterpelado pelo graduado que fazia a ronda, jurou, em pânico, que tinha visto uma manada de elefantes junto ao arame farpado...
Há uma réstea de esperança de que o elefante não tenha desaparecido de todo no sudeste da Guiné: nos últimos anos tem sido muito esporadicamente avistado e até fotografado no corredor transfronteiriço constituído pelo Complexo Dulombi-Boé-Tchetche (Vd. infografia acima reproduzida).
Angola terá passado de mais de 70 mil elefantes em meados dos anos 50 para 3,4 mil no princípio do sec. XXI. Uma hecatombe.
(i) Contexto histórico e internacional
Já falámos, no poste anterior (*), da necessidade que o Estado Portuguès sentiu, na década de 1950, de fazer o "upgrade" da sua legislação em matéria de "conservação da natureza" nos territórios ultramarinos, incluindo a regulamentação da caça e da pesca.
- Classe A (+): Espécies com proteção total (ex.: gorila, elefante de floresta, rinoceronte branco).
- Classe B (×): Espécies com restrições (ex.: chimpanzé, elefante de savana com presas < 5 kg).
- Classe C ("): Espécies com proteção parcial (ex.: pangolim, urso-formigueiro).
(ii) Análise da Lista de Espécies Protegidas na Guiné (Anexo I)
O Anexo I estabelece a lista de animais cuja caça passava a ser estritamente proibida (frequentemente correspondendo às classes de proteção da Convenção de Londres, de 1933).
Na lista que reproduzimos no poste anterior, e no que diz respeito apenas à Guiné, havia valiosos pormenores taxonómicos, vernáculos e ecológicos, que merecem ser recordados ou conhecidos Para os mais interessados, e eventual pesquisa de informação adicional, aqui ficam os nomes vernáculos e científicos das espécies dos mamíferos e aves protegidas em 1955. (Poderão observá-los, numa próxima ida ao Jardim Zoológico, com os netos.)
- Pangolim / Papa-formigas de escama (Smutsia, Phataginus, Uromanis)
- Urso formigueiro / Porco formigueiro (Orycteropus afer)
- Chimpanzé (Pan troglodytes)
- Macaco bijagó / Macaco de nariz branco (Cercopithecus nictitans)
- Macaco fidalgo (Colobus polycomos polycomos)
- Gato almiscarado / Civeta (Civettictis civetta)
- Leopardo ou onça (Felis pardus)
- Elefante de floresta (Loxodonta cyclotis)
- Manatim ou peixe-mulher / peixe-boi (Trichechus senegalensis)
- Cabra grande / Muntual (Cephalophus silvicultor)
- Elande gigante (Taurotragus derbianus)
- Oribi / Gazela da pedra (Ourebia ourebi quadriscopa)
- Palanca vermelha / Boca branca / Matagaiça (Hippotragus equinus)
- Sitatonga / Inhala das lagoas (Limnotragus spekii selousi)
- Tancon (Alcelaphus buselaphus major) ou alcefe da África Ocidental)
- Abutres / Jagudis (Gyps, Pseudogyps, Trigonoceps, Neophron, Necrosyrtes)
- Andorinhas (Hirundo, Petrochelidon, etc.)
- Calaus / Alma de biafada / Peru do mato (Bucorvus abyssinicus)
- Cegonhas (Ciconia)
- Estorninhos (Cinnyricinclus, Lamprocolius, Lamprotornis, etc.)
- Galinha azul / Galinha de poupa (Guttera edouardi pallasi)
- Garças brancas / Carraceiras (Bubulcus ibis, Casmerodius, etc.)
- Marabu (Leptoptilos crumeniferus)
- Papagaio cinzento (Psittacus erithacus timneh), endémico/característico do arquipélago dos Bijagós
- Pavão gigante (Corythaeola cristata), o Turaco-gigante)
- Pratíncolas / Aves das locustas (Glareola, Galachrysia)

- nome científico: Syncerus manus planiceros (Bly);
- em crioulo, Bufre;
- em balanta, Impungde;
- em fula, Edá;
- e Siô, em mandinga.
- "Jagudi" para abutre (em crioulo, cacur);
- "Alma de biafada" para calau;
- "Boca branca" ou "Matagaiça" para a palanca vermelha;
- "Muntual" ou "Muntu" para a cabra grande;
- "Fatango" e "Macaco fidalgo" para os colobos;
- "Onça" para o leopardo;
- "Peixe.mulher" para o manatim;
- "Tucurtacar" para o pangolim;
- "Lobo" para a hiena (nos contos tradicionais guineenses);
- "Dari" para chimpanzé;
- "Sancu" (macaco, em geral; babuino ou "macaco-cão", em especialidade), etc.
Impacto do regime de caça utilitária e aborígene: o diploma distingue expressamente os direitos de caça dos indígenas (usando "armas gentílicas" para subsistência em terrenos abertos) da caça recreativa ou utilitária praticada por colonos ou turistas mediante licenças pagas.
Legado na conservação: o Decreto n.º 40040 preparou o terreno técnico para a criação da rede de parques nacionais e naturais da Guiné-Bissau, no pós-.independência.
Pesquisa: LG + Blogue + IA (Gemini / Google)
Nota do editor LG:
Último poste da série > 3 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28235: Fauna e flora (30): O decreto nº 40040, de 20 de janeiro de 1955, do Ministério do Ultramar, não é apenas um regulamento "colonialista" da caça, mas sim um diploma pioneiro (e premonitório) sem o qual os guineenses não teriam hoje Parques Nacionais como os do Cantanhez, João Vieira e Poilão (marinho), Ilhas de Orango, ou os parques naturais como os dos Tarrafes do Rio Cacheu ou das Lagoas de Cufada , ou o Complexo Dulombi-Boé-Tchetche (corredor transfronteiriço)















