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terça-feira, 17 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27831: (De)Caras (244): Alf mil inf MA Machado, natural do Porto, e alf mil inf Eduardo Figueiredo, que tinha casa em Bissau; ambos já falecidos (Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)


Foto nº 1 > Guiné > Região do Cacheu > São Domingos > CCS/BCAÇ 1933 (1967/69) > 25 de dezembro de 1968 > Almoço de Natal com o pessoal da CCS e da CART 1744... À direita, o alf mil MA Machado, seguido do nosso camarada Virgílio Teixeira, ambos naturais do Porto.


Foto nº 2 > Guiné > Região do Cacheu > São Domingos > CCS/BCAÇ 1933 (1967/69) > 25 de dezembro de 1968 > Almoço de Natal com o pessoal da CCS e da CART 1744. Do lado direito, ten SGE Godinho, alf Azevedo do Pelotão de Morteiros, Alf Carvalheira da Ferrugem e eu, Vt. Não está o alf Figueiredo. Este de óculos não sei quem é (à esquerda, em primeiro plano).


Foto nº 3 > Guiné > Região do Gabu > Nova Lamego > CCS/BCAÇ 1933 (1967/69) > 24 de dezembro de 1967 > Ceia de Natal > Presidida pelo comandante de Batalhão, tenente coronel Armando Vasco de Campos Saraiva, pessoa de uma rara delicadeza e personalidade. (**)

No segundo ano, 1968, já assim não aconteceu, o trágico desfecho de uma mina A/P em 20 de novembro desse ano, levou-o definitivamente para a Metrópole, onde após operações sucessivas, conseguiu sobreviver e se encontrou, passados mais de 15 anos, com os seus militares num almoço realizado em Tomar. (Foi substituído pelo ten cor inf Renato Nunes Xavier; o 2º cmdt era o maj inf Américo Correia.)

Pode ver-se no topo da mesa o nosso saudoso comandante, fardado, ladeado, como ele gostava, de duas senhoras, a mulher do tenente mil médico Cortez, e da mulher do alferes mil Figueiredo, recrutado na Guiné, onde vivia. Perto dele, os dois majores, Américo Correia e Graciano Henriques, bem como o médico.

Podem ver-se o cap inf José Bento Guimarães Figueiral Figueiral (comandante da CCS), Martins (o oficial de informações e ainda o oficial de pessoal e reabastecimentos), e outro que não conheci muito bem.

No outro topo da mesa, está o pessoal menor, os alferes milicianos.


Foto nº 4 > Guiné > Região do Gabu > Nova Lamego > CCS/BCAÇ 1933 (1967/69) > 31 de dezembro de 1967 > Jantar de fim de ano na messe de oficiais, o Comandante à civil, a brindar a todos. Os protagonistas são os mesmos, vê-se de óculos, o alferes comandante do Pel Rec Daimler 1143, Carvalho. Foi a última fotografia que tenho do nosso Comandante Campos Saraiva. O Machado será o primeiro da esquerda.



Foto nº 5 > Guiné > Região do Gabu > Nova Lamego > CCS/BCAÇ 1933 (1967/69) > 31 de dezembro de 1967 > Jantar de fim de ano na messe de oficiais. O Figueiredo só se vê a cabeça, em grande plano, e a esposa, ao lado.

Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2026). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



O Virgílio e a esposa Manuela, na Tabanca de Matosinhos, 
Restaurante Espigueiro (ex-Milho Rei), 
5 de setembro de 2018 
(Foto: LG, 2018)

1. Seleção de fotos do álbum do nosso camarada Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69). Mensagem de 13 do corrente, sexta, 000:01:

Luís estou a enviar algumas fotos onde aparecem os nossos visados (*), todos da CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69), a que eu pertenci:
  • Machado - Alf Mil de Minas e Armadilhas, natural do Porto;
  • Eduardo Figueiredo - Alf Mil de Pelotão de Reconhecimento e Informações, a viver em Bissau na altura do recrutamento;
  • Carlos Alberto Cardoso - Cap inf, cmdt da CCS (em substituição  do Figueiral).

Tens fotos em jantares na messe de oficiais, com ou sem a presença do nosso comandante de batalhão, quer em Nova Lamego quer em São Domingos.

Tinha muito que procurar e não há tempo por agora. A ideia é ver como eram estes três camaradas no tempo em que estivemos juntos,

Tens numa das fotos o Figueiredo, de costas e a sua esposa ao lado. Mas já te enviei mais.

Tens o Machado na messe ou noutros eventos. É fácil reconhecer. Tens o capitão Cardoso, oriundo da academia e a sua jovem esposa em lua de mel. Também está, em muitas fotos, o nosso médico, capitão mil Cortez, e a sua esposa. (A ver em próximo poste desta série.)

Faz o que entenderes, pois eram, os três camaradas impecáveis, que só conheci na tropa. Com o Figueiredo e o Machado tive convivência mais chegada no nosso quarto de 5 ou 6 pax. E na messe.

Se tiveres dúvidas pergunta por favor. Tentei legendar mas dava sempre erro.
Abraço, Vt.




Foto do Eduardo Figueiredo (*)


2. Comentários do Vt, ao poste P27811 (*)

Tenho ideia deste acontecimento que não causou vítimas.

O Machado, a que chamávamos na brincadeira de Machadão, pelo seu porte acima do normal, era também colega de quarto comigo e outros oficiais, alferes e um tenente. Era um grande amigo. Depois em 20nov68, houve a tal mina e emboscada às portas do quartel onde o comandante ten cor Saraiva ficou ferido com as pernas ao dependuro.

Morreu alguém que não posso precisar e o nosso Machadão ficou ferido e foi também evacuado. (Náo parece ter morrido ninguém, no CTIG, em 20/11/1968 | LG.)

Encontrei-o uns anos depois. No Porto. Na praça D. João l. Mais tarde soube que morreu antes do tempo.

Tinha algumas cenas para contar, talvez num próximo dia. Dele e do Figueiredo.

O nosso capitão Cardoso, foi substituir o nosso primeiro comandante da CCS, o capitão Figueiral (que foi para o QG). Estivemos em alguns almoços. Mas já faleceu também. O capitão Cardoso esteve lá em São Domingos. Com a mulher em lua de mel.

Tenho várias fotos com ambos que enviarei ainda hoje, sexta feira, por email para o Luís Graça. Tenho alguma nostalgia estar agora a relembrar esses tempos. (...)

quinta-feira, 12 de março de 2026 às 00:50:00 WET
 

(...) Agora reparei melhor o nosso homem das minas e armadilhas, baixado,  a retirar uma enorme mina! Pelo aspecto vê-se bem o seu bom aspecto de homem grande!

Era mesmo assim. Não sei nada de minas. Tenho um cunhado que também era sapador em Mueda, Moçambique. (Teve uma cruz de guerra, enaltecendo a sua pessoa, mas em particular, pela sua descontração e paciência na sua missão. Acho que era outra adjectivação mas já não me lembro. Essa condecoração valeu-lhe vários privilégios entre eles regalias nos estudos dos filhos. Ainda hoje é de uma calma impressionante. Era essa a palavra que me faltava. Calma. 
Nunca falámos das suas missões.)

O Machado era mesmo assim. Também de uma grande calma. 

O também já falecido Eduardo Figueiredo, enorme nas suas brincadeiras, teve aqui uma bela e inolvidável foto.

Quanto ao alf mil Figueiredo, conforme HU, apresentou-se na CCS /BCAÇ 1933, em 19nov67. Não era da formação do batalhão do RI15.

Era de infantaria, não constando ser de operações especiais, nem nunca se falou disso. Salvo melhor opinião.

Foi um companheiro que se integrou bem junto dos seus camaradas de quarto e vivência.
Mas nas alturas em que estava a esposa, encontrávamo-nos na messe ao almoço e jantar.
Ele teria outros aposentos, em Nova Lamego e em São Domingos, que nunca soube onde eram. (...)

E Viva São Domingos,  que também aparece neste enorme blogue. (...) (***)

quinta-feira, 12 de março de 2026 às 10:13:00 WET

(Revisão / fixação de texto: LG)
_______________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 11 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27811: Fotos à procura de... uma legenda (200): mina anticarro reforçada... na estrada de S. Domingos-Susana, 10/8/1968... 13 kg de trotil... Felizmente detetada e levantada em segurança, o sapador do IN era um trolha da construção civil... (Eduardo Figueiredo / José Salvado)

(**) Vd. poste de 24 de dezembro de 2018 > Guiné 61/74 - P19329: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (São Domingos e Nova Lamego, 1967/69) - Parte LVII: Festas de Natal e Ano, Nova Lamego 67, São Domingos 68

(***) Último poste da série > 31 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27688: (De) Caras (243): Procura-se um senhor da Rádio chamado Carlos Boto, que terá feito 3 comissões de serviço no CTIG, esteve em Cabuca, e trabalhou depois no Rádio Clube Português até 2010 - Parte III

quarta-feira, 11 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27811: Fotos à procura de... uma legenda (200): mina anticarro reforçada... na estrada de S. Domingos-Susana, 10/8/1968... 13 kg de trotil... Felizmente detetada e levantada em segurança, o sapador do IN era um trolha da construção civil... (Eduardo Figueiredo / José Salvado)







Guiné > Região do Cacheu > São Domingos > 10 de agosto de 1968 > CCS/BCAÇ 1933 e CART 1774 > Levantamento de uma mina A/C reforçada, com duas granadas checas (de Pancerovka P-27)-. Foi detetada por picadores da CART 1744.

Transcrição do documento:

S. Domingos, 10-8-68 / Guiné

O alf Machado, sapador, rasga a terra
para retirar uma mina colocada
na estrada S.D. → Susana, a meio
caminho para Nhambalã, a cerca
de 5 Kms de S. Domingos. A mina
estava mal montada:

(i) os detonadores não tinham sido
colocados;

(ii) o tampão (? com a mola de pressão) estava paralelo à estrada
em vez de estar horizontal.

Foi detectada pelos picadores da
CART 1744. A observar o
cap  Cardoso da CCS.

Guiné, S. Domingos, 10-8-68

A mina levantada:

2 Pancerovka (checas) ou 2 granadas
de LGFog, ligadas a uma mina
TMD (russa). Os 2 detonadores
também são russos,  tipo MUV, e eram
de compressão. Não estava arma-
dilhada. A mina pesava cerca de
6 quilos, só em explosivo (trotil) e as
granadas cada uma tem 3,5 Kg só
de trotil. Total: 13 Kgs só de
explosivos. Com as partes neutras e 
armações o conjunto iria para os 20 Kgs.

No canto inferior da direita nota-se o
orifício de saída donde foi retirada.

Fotos alojada em Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzidas com a devida vénia).

Fotos (e legendas): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Estas imagens fazem parte da plataforma, alojada na página do Agrupamento de Escolas José Estêvão (AEJE), Aveiro e Cultura > Arquivo Digital, de que é coordenador o professor Henrique Oliveira, a quem saudamos pela paixão, rigor e perseverança na criação e manutenção deste arquivo digital.

Informação complementar enviada em 15 de maio de 2010 (23:29) por José Lourenço Saraiva Salvado (foto atual à esquerda), que esteve em S. Domingos, Guiné, tendo iniciado a comissão em 25/07/1967 e terminado em 20/05/1969. (O José Salvado é membro da nossa Tabanca Grande, desde 15 de maio de 2016; tem 8 referências no blogue; é hoje advogado.)

Prestei serviço em S. Domingos e noutros locais, porque fazia parte da CART 1744, companhia de intervenção às ordens do Comando-Chefe, pelo que, para além de estar sediada em S. Domingos, esteve em intervenções em Susana, Varela, Ingoré e Cacheu, tendo combatido em Ingoré, Susana e S. Domingos. 

A mina, cuja foto foi enviada pelo camarada Eduardo Figueiredo, de quem já não me recordo, foi detectada em operação de picagem, mesmo ao meu lado, com as duas granadas incendiárias, que só por mero acaso não ocasionaram vítimas, porque o instalador se esqueceu de retirar a segurança dos detonadores. 

Pensa-se que, aquando da montagem da mina acompanhada, foi feito um ataque a uma povoação que foi socorrida em tempo recorde, pelo que as viaturas de socorro passaram por cima das minas, não sendo accionadas por erro do instalador dos artefactos. Posteriormente, numa visita de apoio psicológico para manter o ânimo das populações da povoação atacada, com trabalho de picagem, é que a mina foi descoberta. 

José Salvado, 
ex-furriel miliciano


2. O autor das fotos é o Eduardo Figueiredo, ex-alf mil op esp, CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e S. Domingos, 1967/69) (foto à direita).

Segundo informação do seu camarada e grão-tabanqueiro Virgílio Teixeira (Vt), o Eduardo já  terá morrido há uns anos, vítima de doença oncológica. 

Temos fotos do Vt com ele, que publicaremos em próximo poste.

(Revisão / fixação de texto, transcrição de manuscrito, título: LG)
________________

Nota do editor

(*) Último poste da série > 5 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27798: Fotos à procura de... uma legenda (200): Bingo, Paulo Raposo e Nelson Herbert!... Acertaram: é o antigo edifício da Marinha e Oficinas Navais, junto ao cais do Pijiguiti, Bissau

quarta-feira, 4 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27791: Fotos à procura de... uma legenda (199): Bissau, 1968: que edifício era (é) este ? E em que zona ?


Foto nº 1 > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau" (tudo indica que a foto tenha sido tirada da  varanda do 1º ou 2º andar da casa do fotógrafo, Eduardo Figueiredo, nosso camarada da CCS/ BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69 (entretanto falecido segundo o Virgílio Teixeira, que foi seu companmheiro de quarto no CTIG).

Foto alojada em Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzidas com a devida vénia).

Foto (e legenda): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Quem reconhece esta rua ou esta zona  de Bissau, de final da década de 1960 ? E quem identifica o edifício do lado esquerdo, uma obra claramente do Estado Novo, portanto, um edifício público ?

Numa primeira impressão, pareceu-nos ser  as traseiras do antigo Hospital Central de Bissau (hoje Hospital Nacional Simão Mendes, sito no quarteirão definido pela Av Pansau na Isna, paralela à Av Amílcar Cabral, do lado esquerdo de quem desce para o estuário do Geba) e pela sua perpendicular, a Rua  Eduardo Mondlane (Vd. infografia a seguir, nº 1A),



Infografia 1A > Guiné-Bissau > Bissau >  Planta de Bissau (edição, Paris, 1981) (Escala: 1/20 mil) > Posição relativa  do Hospital Nacional Simão Mendes,  sito no quarteirão definido pela Av Pansau Na Isna (paralela à artéria principal da zona histórica, a Av Amílcar Cabral) e pela Rua Eduardo Mondlane, que tem nos seus extremos, a noroeste os Serviços Metereológicos, e a a sudeste, o cemitário.


Infografia nº 1B  >Guiné-Bissau > Bissau >  Planta de Bissau (edição, Paris, 1981) (Escala: 1/20 mil) >  No quarteirão definido pela atual Av Pansau Na Isna e a Rua Eduardo Mondlane, há 3 edifícios da época colonial: Hospital de Bissau (5), Pavilhão de Tisiologia (7) e Pavilhão Central do Hospital de Bissau (9). No outro extremo da Rua Eduardo Mondlane, fica(va) a Estação Metereológica da Guiné (8). Esta era, já na época, a mais comprida da Bissau Velho (c. 2 km).

Mais uma ajuda, em relação à toponímia de Bissau, a partir de 1975: Av Amílcar Cabral era a antiga Av República; a Av Pansau Na Isna, a antiga Av Alm Américo Tomás; a Av Domingos Ramos, a antiga Av Governador Carvalho Viegas; a Praça dos Heróis Nacionais, a antiga Praça do Império; a Rua Eduardo Mondlane, a antiga Rua Sá Carneiro (homenagem ao eng. Rui Sá Carneiro, antigo subsecretário de Estado das Colónias, que visitou a Guiné em 1947, ao tempo do governador Sarmento Rodrigues).

Fonte: Milheiro, Ana Vaz, e Dias, Eduardo Costa - A Arquitectura em Bissau e os Gabinetes de Urbanização colonial (1944-1974). usjt - arq urb , nº 2, 2009 (2º semestre), pp.80-114 [ Disponível aqui em pdf ]
 



 Infografia nº 1C > Guiné-Bissau > Bissau >  Planta de Bissau (edição, Paris, 1981) (Escala: 1/20 mil) > A  norte do Hospital de Bissau ficava o bairro do Cupelon ou "Pilão",   à esquerda da nossa conhecida estrada de Santa Luzia... Aqui, em Santa Luziua, havia dois quartíes, o das Transmissões e do QG/CTIG

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)



2. Mas, observando melhor, o edifício da foto nº 1 tem uma guarita de cada lado, nas pontas (Foto nº 1A)... Logo, seria um estabelecimento militar... Mas com aquela volumetria ?  E logo no edifício a seguir, há uma torre, escadas de acesso, ou estação elevtória de águas (?)... E mais ao fundo, parece-nos descortinar um parque de viaturas automóveis (camiões militares ?) (Foto nº 1B).

Por outro lado, o fim da rua parece ir dar a uma  zona de mato, já nos arredores da entáo pequena cidade de Bissau que, em finais da década de 1960, não tinha mais do que 70 mil habitantes (cerca de 15% do total da população da Guiné no tempo de Spínola, não contando os refiugiados nos países limítrofes).

Refira-se, além disso, a presença de  antenas verticais muito altas, típicas de comunicações HF/VHF militares da época... Tudo indica que essa seria a zona do Quartel de Santa Luzia, o centro de transmissões do CTIG, com mastros bem visíveis à distância que eram uma referência na paisagem urbana da Bissau colonial da época;

Mas tanto o o quartel do Serviço de Transmissões como o do QG/CTIG eram construções típicas, mais recentes, da Engenharia Militar.

Resumindo, e reformulando a pergunta: este  edifício à esquerda, comprido, de dois pisos, com janelas repetitivas em ritmo regular, cobertura inclinada com claraboias, de estilo arquitetónico estado-novista (Foto nº 1)...,   seria o quê ? E onde se situava ?
 


Foto nº 1A  > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau" 



Foto nº 1B > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau"




Foto nº 1C > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau"


Foto nº 1D > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau"



Foto nº 2 > Guiné-Bissau > Bissau > Hospital Nacional Simão Mendes, na Av Pansau Na Isna. Foto da publicação Estamos a Trabalhar. Página do Facebook, 9 de março de 2025, 19:06 (sem indicação de autoria) (Com a devida vénia...)

_______________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 12 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27728: Fotos à procura de... uma legenda (198): Restos da "batalha de Madina do Boé"...

segunda-feira, 2 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27786: Documentos (63): A retirada de Madina do Boé: a jangada - Parte II (Cálculo das dimensões e lotação, com a ajuda das fotos e da IA)


Foto nº 1 > Guiné > Zona leste > Região de Gabu > s/l > s/d > Foto, rara, preciosa, do Eduardo Figueiredo (ou Eduardo M. M. Figueiredo), ex-alf mil op esp / ranger, cmdt, Pel Rec Inf / CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69). Deve ter sido tirada em Nova Lamego, no início de 1968, quando a CCAÇ 1790 / BCAÇ 1933 passou a assumir a responsabilidade do subsetor de Madina ddo Boé.

Foto alojada em Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzida com a devida vénia) (*).

Foto: © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº 2 > Guiné > Zona leste > Região de Gabu > s/l > s/d > Foto tirada possivelmente em Nova Lamego ou em Canjadude. Parte traseira de uma GMC, sem tejadilho (vd. foto nº 1),  que transporta uma das enormes canoas que irá servir para montar a fatídica jangada que estará na origem do desastre de Cheche em 6/2/1969. Foto   do álbum do  José Martins (ex-fur mil trms, CCAÇ 5, Canjadude, 1968/70).  


Foto nº 3 > Guiné > Zona leste > Região de Gabu > Cheche > A jangada que fez a travessia do rio Corubal, na retirada de Madina do Boé, Op Mabecos Bravios > s/d > c. 5 ou 6 de fevereiro de 1969. Foto: Cortesia do AHM

Infografia: Blogue Luís Graça & Canaradas da Guiné (2026)



Foto nº 4 > Guiné > Zona leste > Região de Gabu > Cheche > A jangada que fez a travessia do rio Corubal, na retirada de Madina do Boé, Op Mabecos Bravios > s/d > c. 5 ou 6 de fevereiro de 1969.


Foto nº  5 > 
Guiné > Zona Leste > Rio Corubal > Cheche > 5 ou 6 de Fevereiro de 1969 > Op Mabecos Bravios > Entrada e saída de viaturas, da CCAÇ 1790, a unidade de quadrícula de Madina do Boé, na famigerada jangada que fazia a travessia do rio entre as margens sul e norte... 

A última viagem, na manhã de 6/2/1969,  seria fatal para 46 militares portugueses (das CCAÇ 1790 e 2405) e 1 civil... Foi o maior desastre do género, no TO da Guiné.

Fonte: Fotos nºs 3, 4 e  5 > Imagens do Arquivo Histórico-Ultramarino (AHM).  In: Carlos de Matos Gomes e Aniceto Afonso – Os Anos da Guerra Colonial – Vol 10: 1969 – Acreditar na vitória. Matosinhos: QuidNovi. 2009. pag, 23 ( Com a devida vénia...). (**)
 

1. A jangada que esteve na origem no desastre do Cheche, em 6/2/1969, na travessia do Rio Corubal, era constituída por um estrado de madeira assente em três enormes canoas (troncos de árvores escavados), como as das fotos (nºs 1 e 2) que se acima se reproduz.

Era rebocada por um "sintex" com motor fora de bordo, conduzido por um sargento da marinha (Foto nº 3)... Estamos em plena época seca, o rio não terá mais de 140/150 metros de largura. 

A jangada teria uma capacidade máxima de 10 toneladas, e estava preparada para transportar homens e viaturas (Fotos nºs 4 e 5)... De 5 para 6 de fevereiro, transportou dezenas viaturas e centenas de homens (c. 500)... A última, da parte da manhã, foi fatal. Morreram 47 homens. 

Na última travessia levava 4 grupos de combate (2 da CCAÇ 2405 e 2 da CCAÇ 1790), ou seja, para cima de uma centena de homens equipados. 

Pedimos a três ferramentas de IA (Le Chat Mistral,  ChatGPT e Perplexity) para calcular, com base nas imagens (fotos nºs 1, 2, e 3): 

(i) as dimensões da janagada (comprimento, largura e altura);

 e (ii) o número de militares poderia levar em condições normais de segurança, na travessia daquele troço do rio Corubal, na manhã de 6/2/1969


A. Estimativa da IA / Le Chat Mistral

Luís, as imagem que partilhaste  (fotos nºs 1, 2, e 3) mostram um sistema de jangada militar usado para transporte de viaturas e tropas, semelhante ao descrito no desastre do Cheche. Para responder às tuas questões, vou basear-me em estimativas técnicas e históricas, tendo em conta a capacidade de carga e as dimensões típicas de jangadas deste tipo.

(i) Cálculo do comprimento e largura da Jangada

Assunções:

  • a jangada era constituída por três canoas gigantes, cada uma com capacidade para suportar parte do peso total;
  • a capacidade máxima da jangada era de 10 toneladas;
  • cada canoa teria, em média, um comprimento entre 10 a 15 metros e uma largura entre 1 a 1.5 metros (dimensões típicas para canoas grandes usadas em rios).

Estrutura da jangada:

  • as três canoas seriam colocadas lado a lado, com um estrado de madeira por cima para distribuir o peso;
  • comprimento da jangada: seria aproximadamente igual ao comprimento das canoas (12 a 15. inferido pela necessidade de suportar três canoas de comprimento igual à jangada e pela capacidade de carga de um camião Mercedes da época);
  • largura total da jangada:  seria a soma das larguras das três canoas, mais algum espaço entre elas para estabilidade (entre 4 a 5 metros, para acomodar três canoas lado a lado e permitir estabilidade com 100-120 homens ou 10 toneladas de carga);
  • altura: cerca de 0.8 a 1.2 metros (incluindo o parapeito lateral com postes e cordas para segurança).
Superfície: Entre 48 a 75 metros quadrados (comprimento × largura).

Capacidade e normas de segurança_
  • carga máxima: 10 toneladas ou 100-120 homens (considerando o peso médio de um homem equipado na época, cerca de 80-100 kg).
  • norma de segurança: 50-60 homens (para garantir estabilidade e evitar sobrecarga).

Notas adicionais: a estrutura da jangada, assente em três canoas, sugere uma distribuição equilibrada de peso e uma construção robusta para suportar cargas pesadas. O parapeito lateral (com postes e cordas) era essencial para evitar quedas, especialmente em águas agitadas.

Observações (fotos nºs 1 e 2): Luís, pela imagem e pela tua descrição, é claro que a canoa transportada na GMC era significativamente mais longa do que a própria viatura. 

Sobre o transporte na GMC sem tejadilho: o facto de a GMC ir sem tejadilho facilitava o transporte de cargas longas, como esta canoa, que claramente excedia o comprimento da viatura.

Equilíbrio e segurança: o transporte de uma canoa deste tamanho numa GMC exigiria precauções adicionais para evitar desequilíbrios, como amarração cuidadosa e possivelmente apoio na parte central da canoa.

Contexto prático: este tipo de transporte era comum em operações logísticas militares, especialmente em zonas onde não existiam infraestruturas adequadas para movimentar embarcações de grande porte.

A canoa, com este comprimento, seria ideal para servir de base a uma jangada como a que mencionaste anteriormente, garantindo estabilidade e capacidade de carga.

B. Estimativa da IA / ChatGPT

Pela foto nº 1, vê-se duas das três canoas gigantes que suportavam o estrado da jangada. 

Podemos fazer uma estimativa dimensional usando como referência os camiões militares (do tipo GMC CCKW 2½-ton),  muito usados pelo Exército Português na Guiné.

(i) Referência dimensional

Uma GMC CCKW tem aproximadamente: comprimento: 6,4 m | largura: 2,3 m | altura ao tejadilho: ~2,8 m

As canoas parecem ter sensivelmente o dobro do comprimento do camião, ligeiramente mais (Fotos nºs 1 e 2).

(ii) Comprimento das canoas

Comparando visualmente: cada canoa ≈ 11 a 13 metros de comprimento | Uma estimativa razoável: ≈ 12 metros

(iii) Largura da jangada

A jangada assentava em três canoas paralelas.  Se cada canoa tivesse: 
  • largura útil ~1,2 a 1,5 m; 
  • com espaçamento estrutural entre elas (~0,5 m entre cascos);
então a largura total seria aproximadamente: 1,5 + 0,5 + 1,5 + 0,5 + 1,5 ≈ 5,5 a 6 metros

Largura estimada da jangada: 5 a 6 metros.  

(iv) Dimensões prováveis da jangada: Medida (valor aproximado)
  • Comprimento 11–13 metros
  • Largura 5–6 metros
  • Área útil ~60–70 m²

(v) Número de militares em condições normais de segurança

Assunções: cada militar, com equipamento, pesaria cerca de 100 kg.
  • A capacidade máxima de 10 toneladas (10.000 kg) deve ser dividida pelo peso médio por militar para garantir segurança.

Cálculo:

  • 10.000 kg / 100 kg por militar = 100 militares.

Condições de Segurança:

  • para garantir estabilidade e segurança, é comum não exceder 70-80% da capacidade máxima em jangadas deste tipo;
  • nº seguro de militares: 70 a 80 militares por viagem.
(vi) Observações Finais
  • A jangada que adornou (não afundou) transportava mais de 100 homens, o que excedia claramente o limite de segurança, especialmente se não estivesse a transportar viaturas.
  • A sobrecarga, combinada com possíveis correntes ou instabilidade no rio, terá contribuído para o desastre.
C. Estimativa da IA / Perplexity:

A própria documentação militar indica que a jangada de Cheche, à data da Op Mabecos Bravios, era uma plataforma de madeira assente em três grandes canoas escavadas em troncos, e que se estimava suportar cerca de 10 toneladas, sendo a lotação de segurança fixada em 50–60 homens por travessia (segundo o comandante da operação, cor inf Hélio Felgas).

(i) Dimensões prováveis da jangada

Não há, até hoje, qualquer fonte que dê medidas formais (em metros) da jangada usada no desastre, apenas descrições construtivas e da capacidade em peso. A partir dessas descrições e das fotografias de Cheche (jangada de três canoas com GMC ou Unimog em cima), os veteranos e o comando da operação referem:​

Plataforma “grande, segura e larga”, capaz de levar 1 viatura tática carregada (GMC ≈ 5–7 t) mais homens, ou 2 viaturas ligeiras, sem exceder 10 t de carga total.​

Estrado a cerca de 1 metro acima da linha de água quando descarregado.​

Três canoas do tipo mostrado nas tuas fotos: troncos escavados com cerca de 7–9 m de comprimento e 0,9–1,1 m de boca máxima, que na prática obrigam a um estrado de comprimento semelhante (≈ 7–9 m) e largura da ordem de 3–3,5 m para cobrir as três.

Isto permite, com todas as reservas, uma ordem de grandeza plausível:
  • comprimento útil do estrado: aproximadamente 7–9 metros, para caber uma GMC de combate ou dois Unimog deitados no sentido longitudinal;
  • largura: aproximadamente 3–3,5 metros, suficiente para a via de rodagem de uma viatura (≈ 2,3 m) com guarda‑costas laterais;
  • altura total acima da água, jangada vazia: cerca de 1 metro (estrado) mais 0,5–0,8 m de borda livre das canoas, pelo que o conjunto teria algo como 1,5–1,8 m de “perfil” visto de lado.​
Estas são estimativas compatíveis com o que se vê nas imagens e com a necessidade de transportar viaturas pesadas; não têm, porém, valor de “medida oficial”.

(ii) Capacidade segura em homens

Sobre a lotação, aqui as fontes são claras:
  • o comandante tático ou operacional da travessia (alf mil Diniz) operava com a regra de “no máximo 60 homens (2 pelotões)” por viagem, o que é explicitamente designado como “lotação de segurança”;
  • o  alf mil da CCAÇ 2405, Rui Felício (1944-2026), confirma que essa limitação era respeitada “dezenas de vezes ao longo da noite” e que na última viagem a jangada seguiu com “o dobro da sua capacidade”, porque um oficial de patente superior  ordenou o embarque dos quatro grupos de combate que restavam na margem.​

Outro testemunho (Paulo Raposo, também alf mil da CCAÇ 2405) ) concretiza: na última travessia seguiram 2 grupos da CCAÇ 2405, mais 2 grupos da CCAÇ 1790 (incluindo milícias); ele estima cerca de 120 homens, o que, a 70 kg por homem, corresponde a 10–11 toneladas só em pessoal, sem contar armamento e munições.

Assim, para responder às tuas duas perguntas:
  • dimensões: só podem ser dadas como intervalos plausíveis, da ordem de 7–9 m de comprimento, 3–3,5 m de largura e cerca de 1,5–1,8 m de altura total, estrado incluído, com o piso a cerca de 1 m acima da água quando sem carga;
  • nº de militares em segurança: os próprios responsáveis da época fixaram a lotação segura da jangada entre 50 e 60 homens armados e equipados, valor que foi claramente ultrapassado na travessia de 6/2/1969, quando embarcaram mais de uma centena de militares, facto apontado, de forma praticamente unânime, como causa direta do afundamento.

Em síntese: 
  • a jangada tinha dimensões suficientes para o transporte de viaturas;
  • mas a “engenharia de campo” feita na época fixou prudencialmente o limite em 10 toneladas ou 50–60 homens; 
  • ao embarcar 4 grupos de combate, a carga humana e o armamento ultrapassaram esse limite em cerca do dobro, destruindo a margem de estabilidade que as três canoas  podiam oferecer naquele troço do Corubal.

(Continua)

(Pesquisa: LG + IA | Condensação, revisão / fixação de texto: LG)

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Notas do editor LG:

(**)  Vd. poste de 22 de fevereiro de 2010 > Guiné 63/74 - P5866: Ainda o desastre de Cheche, em 6 de Fevereiro de 1969 (5): uma versão historiográfica (?) (Luis Graça)

Guiné 61/74 - P27785: Documentos (62): A retirada de Madina do Boé: a jangada - Parte I (Eduardo Figueiredo, ex-alf mil op esp, Pel Rec Inf, CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)


Foto nº 1 > Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Nova Lamego > s/d > A legenda, sucinta, só diz "Eduardo Figueiredo, 19 ??. Guiné - Rio Corubal - Desastre"... A legenda deve ser da responsabilidade do coordenador, Henrique Oliveira. deste projeto comunitário, Aveiro e Cultura > Arquivo Digital, alojado na página do Agrupamento de Escolas José Estêvão (AEJE).   
 
Vejamos a legenda mais detalhada, da responsabilidade do autor da foto, Eduardo Figueiredo:

"A história é bem conhecida, mas esta foto não. Trata-se das duas canoas gigantes sobre as quais se construiu a famigerada jangada que se virou na retirada de Madina do Boé da nossa Companhia de 1790 do meu Batalhão 1933.

Acontece que foi o meu pelotão (Reconhecimento e Informações-Ranger) quem fez a segurança no abate, construção e transporte (aqui na foto), até à margem do Corubal, para se construir a nova jangada para a cambança e seguir para Madina do Boé.

Continuo adepto da versão do desastre que vivi. A jangada trazia uma GMC carregada ao centro e filas de pessoal de cada lado. Escutaram-se rajadas de metralhadora dum lado. Esta era uma tropa causticada com ataques, em parte devido à proximidade com a fronteira, mas também devido à muito discutível escolha do local para o aquartelamento.

Ao ouvir os tiros, quem estava do lado donde pareciam vir, correu a refugiar-se do outro lado, atrás da GMC. Gerou-se um desequilíbrio na jangada, a GMC deslizou para o lado mais pesado, e a jangada virou-se. Deus tenha na sua paz os meus camaradas que lá morreram (e os que lá ficaram)."

(Esta versão não corresponde à de quem viu e viveu o acontecimento, no Cheche, em 6/2/1969, como o Hilário Peixeiro, o Paulo Raposo, o Rui Felício, ou o José Aparício, testemunhos já anteriormente publicados. O Eduardo Figueiredo não estava lá. LG)



Foto nº 2 > Bissau > 1968 > "Quando o batalhão do Eduardo Figueiredo (E. F.) mudou de Nova Lamego para S. Domingos, houve um ou dois dias de permanência em Bissau. A pedido de E. F., sua mãe deu uma festa no terraço… Da esquerda  para a direita: Eduardo Figueiredo, de pé; à direita, o furriel Assis, primo do Assis Pacheco, que está em Lisboa num Banco; à esquerda, o Barros, hoje Professor de teatro em Almada. Era um pelotão Pel Rec Inf, ou seja, de Rangers de Lamego."


Foto nº 3 > Guiné  > Bissau > 15/10/1968> "Pátio da casa do autor da fotografia, em Bissau"


Foto nº 4 > Guiné > Bissau > 15/10/1968> Bissau > "Ilhéu do Rei, ao fundo"


Foto nº 5> Guiné > Bissau > 15/10/1968 > Bissau > "O porto velho chamado Pjiguiti, que foi o sítio onde ocorreu a 1ª revolta dos estivadores, já relacionada com a agitação que antecedeu a guerra colonial"

Fotos alojadas em Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzidas com a devida vénia).

Fotos (e legendas): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. A jangada que esteve na origem do desastre do Cheche, no rio Corubal, na antiga Guiné Portuguesa, em 6/2/1969, era constituída por um estrado assente em "três canoas gigantes"... A anterior era assente só em duas canoas... Possivelmente essas canoas seriam as duas  que a foto mostra.

A foto, rara, preciosa, é do Eduardo Figueiredo (ou Eduardo M. M.  Figueiredo), ex-alf mil op esp / ranger, cmdt, Pel Rec Inf / CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69), que o nosso camarada Virgílio Teixeira deve ter conhecido, já que ele foi chefe do Conselho Administrativo do Comando daquele batalhão. Portanto, estiveram juntos em Nova Lamego e em São Domingos, ele e o Eduardo.  E terão vindo e regressado juntos, no mesmo navio T/T.

Não temos um exemplar, aqui à mão, da História da Unidade para confirmar o seu nome e o seu posto  mas sabemos que o Eduardo Figueiredo tinha casa em Bissau, e deixou-se fotografar com alguns camaradas do seu Pel Rec Inf, na sua casa, ou casa de sua  mãe em Bissau (Foto nº 2) (pela imagem vê-se que é alferes),

Nessa época, os Pel Rec Inf, que faziam parte das CCS (Companhias de Comando e Serviço) eram estruturas leves, com um alferes miliciano, 2 fur mil, 5 primeiros cabos e 5 soldados (com a especialidade Exploradores e Observadores), num total de 13 elementos.

A data da foto nº 2 deve ser de fevereiro de 1968, quando o BCAÇ 1933 regressou a Bissau, vindo de Nova Lamego, para ir, um mês e tal depois, assumir a responsabilidade do setor de São Domingos, na Zona Oeste.  

As restantes fotos de Bissau (fotos nºs, 3, 4 e 5) têm já data posterior (15/10/1968).

Em conclusão, em 6/2/1969, aquando do desastre do Cheche, tanto o Eduardo Figueiredo como o seu Pel Rec Inf / CSS / BCAÇ 1933 já há estavam em São Domingos há mais de 10 meses. 


2. Sabemos, pela ficha de unidade, que o  BCAÇ 1933 chegou a Bissau no princípio de outubro de 1967  (tendo regressado a casa em agosto de 1969, depois de terminada a comissão de serviço).

(i) após sobreposição com o BCav 1915 assumiu, em 110ut67, a responsabilidade do Sector L3, com sede em Nova Lamego e abrangendo os subsectores de Bajocunda, Buruntuma, Canquelifá, Piche, Pirada, Madina do Boé e Nova Lamego;

(ii) de 230ut67 a 04Dez67, foi criado o subsector temporário de Canjadude, a fim de incrementar o patrulhamento e contacto com as populações daquela área;

(iii) desenvolveu intensa actividade de patrulhamento da fronteira, do controlo dos itinerários, de melhoramento das condições de defesa dos aquartelamentos e de tabancas em autodefesa e de acções ofensivas sobre os grupos inimigos infiltrados na área;

(iv) em 21Fev68, foi rendido no sector pelo BCaç 2835, recolhendo a Bissau, onde se manteve aguardando colocação:

(v) em 02Abr68, rendendo o BCaç 1894, assumiu a responsabilidade do Sector O1-B, a partir de 040ut68, designado Sector O6, com sede em S. Domingos e abrangendo os subsectores de Ingoré, Susana, S. Domingos e Barro, este foi transferido para o COP 3 em 01Set68;

(vi) nesta situação desenvolveu intensa actividade operacional de patrulhamento, emboscada e acções ofensivas sobre as linhas de infiltração inimigas de Campada, Barraca e Canja, executando ainda acções ofensivas com vista a impedir a instalação de bases inimigas, promovendo e coordenando a autodefesa
das populações e da acção psicossocial e garantindo o controlo e segurança dos itinerários;

(vii) em 01Ag069, o batalhão foi rendido no sector pelo BCav 2876, recolhendo a Bissau para  embarque.

3. Entretanto, a CCaç 1790 (comandada pelo cap inf José Ponces de Carvalho Aparício) seguiu imediatamente para Fá Mandinga, onde realizou o treino operacional na região de Xitole, sob orientação do BCaç 1888, sendo-lhe atribuída a missão de força de reserva do Comando-Chefe, de 270ut67 a 16Nov67, tendo actuado em operações nas regiões de Sinchã Jobel e Caresse, em reforço do BCav 1905 e na região de Poidom, em reforço do BCaç 1888. 

Em 16Nov67, passou a força de reserva do CTIG, com sede em Bolama e depois em Bissau, tendo realizado outras operações na região de Poidom, em reforço do BCaç 1888 e na região de Porto Gole, em reforço do BCaç 1912.

Em 08Jan68, assumiu a responsabilidade do subsector de Madina do Boé, com um destacamento em Béli, de 09Fev68 a 15Jun68, inicialmente na dependência do seu batalhão ( o BCAÇ 1933) e depois do BCaç 2835.

Em 06Fev69, após extinção do subsector de Madina do Boé em 04Fev69, com a consequente evacuação do aquartelamento, foi colocada em Nova Lamego, onde substituiu a CCaç 2403 na função de intervenção e reserva do sector do mesmo BCaç 2835, com vista à realização de patrulhamentos, escoltas, acções ofensivas e reforço da guarnição da respectiva zona de acção, após o que
recolheu, transitoriamente, a Bissau, em 20Abri69.

Em 07Mai69, rendendo a CArt 1744, assumiu a responsabilidade do subsector de S. Domingos, integrando-se no dispositivo e manobra do seu batalhão.

Em 01Ag069, foi rendida pela CCav 2539 e recolheu seguidamente a Bissau, a fim de aguardar o embarque de regresso.


4. A data da foto nº 1 só pode ser de inícios de janeiro de 1968 ou do 1.º trimestre desse ano, quando a CCAÇ 1790 / BCAÇ 1933 passou a assumir a responsabilidade do subsetor de Madina do Boé (com um destacamento em Béli). 

Nessa altura, sim, a jangada do Cheche assentava em duas canoas. Seria mandada fazer uma  nova jangada, assente em 3 canoas (semelhantes às da foto nº 1),  para efeitos da retirada de Madina do Boé (Op Mabecos Bravios).  E foi essa jangada que causou   (ou esteve na origem de) o desastre do Cheche em 6/2/1969.

De qualquer modo, a foto nº 1 dá-nos uma ideia do comprimento e largura das canoas usadas para construir as duas jangadas do Cheche. A última, composta por 3 canoas,  com capacidade carga de 10 toneladas, segundo o testemunho do comandante da Op Mabecos Bravios. Vamos submeter a uma ferramenta de IA a foto nº 1  para fazer esses cálculos: 
  • (i) comprimento e largura da última jangada;
  •  e (ii) nº de militares que poderia levar em condições normais de segurança, na travessia daquele troço do rio Corubal que não teria mais de 140/150 metros de largo, no tempo seco (fevereiro de 1969).
(Continua)

(Revisão / fixação de texto, negritos, título: LG)
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Nota do editor LG: