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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27756: Humor de caserna (241): O mistério do peixe mole, capturado num afluente do rio Mansoa, perto da Ponta Augusto Barros (Vargas Cardoso, 1935-2023, ex-cap inf, CCAÇ 2402, Có, Mansabá e Olossato, 1968/70)



Fonte: Governo da Guiné-Bissau > Ministério das Pescas > Potencialidades (com a devida vénia)


Guiné > Região do Cacheu > Carta de Pelundo (1953) (Escala 1/50 mil) > Posição relativa de Có, Rio Mansoa, Rio de Co (afluente do Rio Mansoa) e Ponta Augusto Barros...

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)


Humor de caserna (241): O mistério do peixe mole, capturado num afluente do rio Mansoa, perto da Ponta Augusto Barros

por cor inf  ref Viegas Cardoso (1935-2023)

1. O nosso saudoso Raul Albino (1944-2020), alf mil at inf, CCAÇ2402/BCAÇ 2851 (Có, Mansabá e Olossato, 1968/70) 1968/70,  deixou-nos duas notáveis brochuras com a história da unidade e as "memórias de campanha" da sua companhia. Tem 64 referências no blogue. É dos veteranos da Tabanca Grande, para a qual entrou em 17/9/2006, pela mão do Beja Santos (que também fez parte da CCAÇ 2402, acabando por ir comandar, em rendição individual, o Pel Caç Nat 52).

Temos muito boas recordações dele. O Carlos Vinhal e eu.  Era informático na IBM, Portugal. Sempre amável e prestável. Trocávamos ideias sobre o futuro do blogue, e sobre a sua sobrevivência,  depois da nossa morte física. Infelizmente, ele partiu mais cedo, em plena pandemia de covid-19. Temos a obrigação de o recordar. 

Publicamos um excerto, bem humorado, das memórias do ex-cap inf, Vargas Cardoso, cmdt da CCAÇ 2402, "Lynces de Có", também ele já falecido, em 2023.  Para este Volume II ele contribui com 20 textos (não participou no volume I). As suas histórias, em geral, são bem humoradas. Estão numeradas de 1 a 18 (**). Preocupava-se, para além da segurança e do desempenho operacional, com a alimentação e o bem-estar do seu pessoal.

Desta companhia, temos ainda como membros da Tabanca Grande






Fonte: Vargas Cardoso, cor inf ref (1935-2023) - "8. Como se pescava na Ponta Augusto Barros: o mistério do peixe mole". In: Memórias de campanha: Companhia de Caçadotres 2402 (Guiné, 1968/70),  inumeradas. (coordenação: Raul Albino), vol. II, s/l, 2008, inumeradas.

(Seleção, digitalização, título: LG)
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Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 20 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27752: Humor de caserna (240): Olha a Maria Turra, Sardeira!... (Juvenal Amado, ex-1º cabo cond auto, CCS/BCAÇ 3872, Galomaro, 1972/74)

(**) Vd. poste de 6 de junho de 2023 > Guiné 61/74 - P24372: História da CCAÇ 2402 (Có, Mansabá e Olossato, 1968/70) (Coordenação: Raul Albino, 1945-2020) - Textos avulsos - Parte II: A imaginação que era preciso ter para se comer "atacadores da PM com estilhaços"!... Trocando carne do restaurante "Solar dos 10", em Bissau, por produtos locais de Có (camarão, ostras, tomate...) (Mário Vargas Cardoso, 1935-2023)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27755: Tabanca Grande (579): Luís da Cruz Ferreira, grão-tabanqueiro nº 913: foi 1.º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72, "Os Có Boys" (Có, 1972/74): natural da Benedita, Alcobaça, vive em Cascais, e é também membro da Tabanca da Linha


Luís da Cruz Ferreira, grão-tabanqueir nº 913;  natural da Benedita, Alcobaça, vive  em Cascais; é empresário na área da restauração coletiva

 

Capa do livro do Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhos da memória" (edição de autor, 2025, il., 184 pp,) (ISBN 978-989 -33.7982-0). (Revisão / fixação de texto: J. Pinto de Carvalho.)


1. Luís da Cruz Ferreira (de alcunha, o "Beatle", já antes da tropa), natural da Benedita, Alcobaça, teve o posto de 1.º cabo aux enf, mas também foi "barman" e depois professor do Posto Escolar Militar n.º 20, na tabanca (reordenada) de Có, chão mancanha, onde a companhia, 2ª C/BART 6521/72, esteve sediada, de 1972 a 1974.

"Os Có Boys", um  nome de guerra que só por si é um achado, tinham uma divisa que podemos considerar, no mínimo,  como pícara, divertida e irreverente: "Quatro Chapos e Bolinha Baixa"...

Luís, não tínhamos até agora nenhum representante dos "Có Boys" na Tabanca Grande. Passas tu a sentar-te no lugar nº 913, à sombra do nosso poilão. 

Aceitas, com muito agrado, o convite que te formulámos no passado dia 14 de janeiro, por ocasião ao 63.º almoço-convívio da Magnífica Tabanca da Linha, de que tu também fazes parte. 

Conheces as nossas regras de convívio.  Aqui falamos da Guiné e das nossas memórias de tropa e de guerra. Deixamos à porta da Tabanca Grande a G3 e as eventuais diferenças que nos podem dividir (opiniões, perceções, representações, preferências, etc.), nomeadamente em matérias como a politica, a religião e o futebol. 

Como camaradas de guerra que fomos, tratamo-nos por tu. E cultivamos o bom humor. Tudo isto para te dizer que a vossa divisa "Quatro Chapos e Bolinha Baixa" não pode  aqui ser aplicada à letra...

Ficamos  a saber, com satisfação que este teu livro, que estamos a seguir com interesse e a partilhar com os nossos leitores (**),  faz parte de um projeto autobiográfico mais vasto, a tua história de vida. Para já cumpre a função de um roteiro de memórias desse  tempo.

Vamos falando e vamo-nos encontrando, nomeadamente em Algés. Vá dando notícias. E traz mais "có boys" para o nosso blogue.


Guiné > Região do Cacheu > Pelundo > Có > CCAÇ 2402 (1968/70) >A tabanca de Có, incendiada, na sequência do segundo ataque ao aquartelamento, em 12 de Outubro de 1968,ao cair da noite.


Guiné > Região do Cacheu > Pelundo > Có > CCAÇ 2402 (1968/70) > 13 de outubro de 1968: O brigadeiro  Spínola observando os destroços nas zonas atingidas, acompanhado do comandante da CCAÇ 2401, o cap inf Vargas Cardoso

Fotos (e legendas): © Raul Albino (2007). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
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Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 25 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27670: Tabanca Grande (578): António Brito Ribeiro, ex-Alf Mil TRMS da CCS/BART 2857; GA 7; COP 6; CAOP1 e BCAÇ 3884 (1970/72), senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar 912

(**) Vd. poste de 19 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27749: Notas de leitura (1897): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte IX: o batismo de fogo numa das primeiras colunas de Teixeira Pinto - Pelundo - Bissau (Luís Graça)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27749: Notas de leitura (1897): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte IX: o batismo de fogo numa das primeiras colunas de Teixeira Pinto - Pelundo - Bissau (Luís Graça)


Oeiras > Algés > Magnífica Tabanca da Linha > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário > Joaquim Pinto Carvalho (Cadaval) e o Luís da Cruz Ferreira (o "Beatle") (Cascais),  autor do livro de memórias "Os Có Boys" (ed. autor, Cascais, 2025, 184 pp.), e próximo grão-tabanqueiro nº 913, apadrinhado pelo Pinto Carvalho.

Foto © Manuel Resende (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legtendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
 

1. Retomando a nossa leitura do livro do Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhos da memória" (edição de autor, 2025, il., 184 pp,) (ISBN 978-989 -33.7982-0) (*). (Revisão / fixação de texto: J. Pinto de Carvalho.)

Sinopse dos postes anteriores (*):

(i) o Luís, de alcunha o "Beatle", empregado de hotelaria e restauração, nascido na Benedita, Alcobaça;

(ii) é mobilizado para a Guiné, indo formar batalhão, o BART 6521/72, no RAL 5, Penafiel (jun / set 1972);

(iii) não tendo sido "repescado" para o CSM, tira a especialidade de 1º cabo auxiliar de enfermeiro, em Coimbra, no RSS (Regimento de Serviços de Saúde) (jan/mai 1972);

(iv) parte para o CTIG, por via aérea (TAM), em 22/9/1972;

(v) no CIM de Bolama, faz a IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional.



(vi) após a realização da IAO, a 2ª C/ BART 6521/72 seguiu, em 290ut72 para Có, sector do Pelundo, a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a CCaç 3308;

(vii) um mês depois, em 25Nov72, assumiria a responsabilidade do subsector de Có, ficando os "periquitos" entregues a si próprios.
(viii) a 2ª C/BART 6521/72 também teve que adotar um nome de guerra, neste caso "Os Có Boys"; a companhia dos "velhinhos", que eles foram render, a CCAÇ 3308, eram os "Jagunços de Có" ( o nome não poderia sugerido pela personagem da novela brasileira Roque Santeiro, uma vez que esta só foi produzida pela TV Globo em 1985 e exibida em Portugal, na RTP1, entre outubro de 1987 e agosto de 1988).


2. Uma das partes notáveis do livro, pela vivacidade da descrição, a riqueza de detalhes e também sua dose de humor de caserna,  é "a coluna de Teixeira Pinto" (hoje, Canchungo) (pp. 73-80). 

Num troço de estrada já alcatroada (entre o Pelundo e o Có), e ainda na altura da sobreposição da 2ª C/BART 6521/72 com a CCAÇ 3308, o PAIGC monta uma emboscada com fornilhos, à coluna que seguia  de Teixeira Pinto para Pelundo, Có, Joâo Landim e Bissau (havia duas por semana).

É o batismo de fogo de alguns  "periquitos" (2ª C/BART 6521/72) e a despedida dos "velhinhos" (CCAÇ 3308). O autor não ia na coluna, que de resto não era atacada há muito, mas reconstituiu a "cena" a partir dos depoimentos de quem viveu os acontecimentos.

Vamos selecionar agluns excertos. 

Recorde-se que o BART 6521/72 veio render, em 25Nov72,  o BCaç 3833, passando a assumir a responsabilidade do Sector 07 (Oeste 7), com sede em Pelundo (1ª Comp: Pelundo. 2ª Comp: Có: 3ª Comp: Jolmete.

Pormenor importante: as estradas alcatroadas da "Guiné Melhor" não vieram resolver o problema das "minas & armadilhas"... Resolveram, sim,  a "chatice" da picagem, penosa, cansativa, perigosa... E cruaram uma perigosa sensação de liberdade de movimentos e de segurança.

Nas novas estradas, andava-se a maior velocidade (por evezes exessiva)  e o alcatrão não impedia que, nas bermas, o IN instalasse traiçoeiros e perigosíssimos  fornilhos, com fios de tropeçar de muitos metros...

Meia-dúzia de atiradores do PAIGC, apoiados na retaguarda por armas pesadas de infantaria, podiam dar cabo de uma coluna ou gerar o pânico (entre civis e militares)...E sobretudo obrigavam  um esforço redobrado (e desmedido) das NT em termos de segurança. 

Parafraseando o autor, mais do que "desvastadora", aquela guerra era sobretudo "desmoralizadora"... De resto, para ambos os lados...Mas, para os "periquitos", acabados de chegar da Metrópole, aquela emboscada na "curva da morte", na estrada Pelundo-Có, era de mau agoiro, começava-se mal...Como dizia, na chalaça e para desanuviar o ambiente, um dos "có boys", que seria de etnia cigana, também o seu povo "não gostava de ver bons princípios aos filhos" (pág. 79).

Curiosamente, são raras as referências à participação de militares, oriundos da minoria étnica cigana, na guerra que a elite dirigente do país, na época, dizia que era uma guerra de todos nós, portugueses da metrópole e do ultramar, de Angola a Goa, de Cabo Verde a Timor, "brancos, pretos, mestiços, amarelos"...



Guiné > Carta de Pelundo (1953) (Escala 1/50 mil) >
 Troço Pelundo - Có - Rio Mansoa; a nrodeste, Jolmete; este triángulo formava o Sector O7.

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)









pp. 73-77 (**)



Esta emboscada à coluna oriunda de Teixeira Pinto (que em princípio se fazia duas vezes pro semana), foi mais perto de Có, na chamada "curva da morte" (havia muitas, nas estradas e picadas da Guiné). Os feridos mais ligeiros foram tratados em Có, o aquartelamento mais próximo. Entre eles, estava o 2º cmdt do BCAC 3833, que o BART 6521/72 vinha render. 

O major (maj inf Bernardino Rodrigues dos Santos ou maj inf  Manuel Basílio de Almeida Teixeira de Aguiar da Câmara, um deles) terá sido cuspido do jipe (não se usava cinto de segurança nesse tempo, ironiza o nosso "Beatle"). 

Depois de uma massagem com a "milagrosa pomada Synalar", foi-lhe recomendado que se dirigisse ao bar de oficiais para tomar a segunda dose da medicação, o "reconfortanto xarope James Martin" (pp. 78/79).

E aproveita o autor para descrever o a cantina das praças, com o traço grosso da caricatura, e a imagem deliciosa do "bordel do mato":

"Na cantina a abarrotar de velhos e novos de garganta seca e fumando como comboios a carvão, a luta para se abeirarerm do balcão era intensa. Ali, a  sede era menos exclusiva, contudo mais extensa, e necessitava de mais quantidade de líquido para se apaziguar" (pág. 79).

Fazendo juz à sua experiência e ao seu saber de "barman" na vida civil, o "Beatle" acrescentaem tom pícaro e  com um delicioso sarcasmo:

"O sistema na cantina era como aquele velho ditado sobre a mais velha profissão do mundo: «cú no chão, dinheiro na mão". 

Não havia fiados para as praças. Soldados e cabos não usufruíam desse direito que era comum aos restantes  militares graduados. O que é certo  é que, por isso, só se abeirava do balcão da cantina quem tinha algum dinheiro, para comprar a sua 'bazuca' ou para oferecer uma ao camarada." (pág. 79).




(...) 

pág. 80

Fonte: Excertos de Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhas da memória" (edição de autor, 2025, pp. 73-77 e 80

(Revisão/fixação de texto: LG)
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A Metralhadora Ligeira Degtyarev RPD, se é essa a que te referes, era alimentada por um ambor com fita no seu interior com 100 projécteis.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27630: Notas de leitura (1885): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte VIII: um quartel no coração chão mancanha (Luís Graça)


Guiné > Região de Cacheu > Có > C. 1968/7o> Vista aérea

Foto do álbum do Raul Albino (1945-2020), ex-alf mil, CCAÇ2402/BCAÇ 2851, Có, Mansabá e Olossato 1968/70.

Foto (e legenda) : © Raul Albino (2006)Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Prosseguindo  a nossa leitura do livro do Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhas da memória" (edição de autor, 2025, il., 184 pp,) (ISBN 978-989 -33.7982-0) (*). (Revisão / fixação de texto: J. Pinto de Carvalho.)

Sinopse dos postes anteriores:

(i) o Luís,  de alcunha o "Beatle",  empregado de hotelaria e restauração, nascido na Benedita, Alcobaça;

(ii) é mobilizado para a Guiné, indo formar batalhão, o BART 6521/72, no RAL 5, Penafiel (jun / set 1972);

(iii) não tendo sido "repescado" para o CSM, tira  a especialidade de 1º cabo auxiliar de enfermeiro, em Coimbra, no RSS (Regimento de Serviços de Saúde) (jan/mai 1972);

(iv) parte  para o CTIG, por via aérea (TAM), em 22/9/1972;

(v)  no CIM de Bolama, faz a IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional. 

O tom que ressalta deste livrinho de memórias é irónico, e às vezes pícaro, jocoso e burlesco, a raiar o absurdo. Vêmo-lo em Bolama, outrora capital, ultrapassada por Bissau e em 1972, já completamente decadente. Decididamente não gostava da CUF nem da Casa Gouveia, que para ele são os donos daquilo tudo. 

Após a realização da IAO, a 2ª C/ BART 6521/72 seguiu, em 290ut72 para Có, sector do Pelundo,  a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a CCaç 3308. 

É do cais de Bolama que o Luís e os "có boys" partem para  o seu novo destino, Có, "chão mancanha", via Bissau e João Landim. 

O quartel de Có é igual a muitos outros no CTIG, feitos a pá e pica, com muito suor e alguma da Engenharia Militar (no final da guerra contam-se mais  de 220 aquartelamentos e destacamentos, sem falar nas tabancas em autodefesa).

- 64 - 

Claro, também como muitos outros, era um quartel construído perto de uma povoação. Neste caso, uma tabanca grande, um "reordenamento", recente, construído no âmbito da política spinolista "Por uma Guiné Melhor", com cerrca de 4 mil habitantes, alguns dos quais (talvez bastantes), tivessem framiliares no "mato", o mesmo é dizer que estavam condenados a jogar com um pau de dois bicos, a acolher os guerrilheiros do PAIGC à noite, e sorrir aos "tugas" durante o dia.

O aquartelamento em si, com 160 camas, não tinha capacidade hoteleira para alojar condignamente duas companhias, os "velhinhos" (CCAÇ 3308) e os "periquitos" (2ª C/ BART 6521/72). 

A parte fraca teve que se "desenrascar", como mandava a tropa, tanto em tempo de paz como de guerra (pp. 67-71). "Onde comer e dormir esta noite ?"... tornou-se durante 3 semanas a preocupação dos pobres "có boys"... 

Os enfermeiros vão ficar na enfermaria, deitados em macas (da II Guerra Mundial)  e numa marquesa (pág. 69). Melhor do que dormir ao relento, debaixo do poilão. 

A 2ª C/ BART 6521/72 tinha seguido  em 290ut72 para Có, a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a CCaç 3308. E,  menos de um mês depois, em 25Nov72, assumiria a responsabilidade do subsector de Có, ficando entregues a si próprios.

E lá ficaria quase até ao fim: em 22Ago7, é substituída por um pelotão da 1ª C/BCAÇ 4615/73 e outro da lª C/BCav 8320/73 e parte para a Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso (através dos TAM).

Mas ainda voltando à descrição do "resort" turístico que calhou aos "Có Boys" ficamos a saber mais coisas, através do autor, o Luís da Cruz Ferreira:

(i) a religiosidade cristão já não era grande, a avaliar por alguns indícios: a "casa de Deus" era um mísero telheiro que, fora das horas de serviço, funcionava também como espaço de arrumos; o capelão do batalhão, instalado no Pelundo, vinha de vez em quando fazer uma visita e rezar a missa (se tivesse quórum; se não voltava para o Pelundo, quiçá agastado, não estava para gastar o seu latim);

(ii) eram todos iguais, os "tugas", mas uns mais iguais do que outros,  sempre foi assim desde o início da nacionalidade: os oficiais e sargentos tinham uma"boa  messe" (pág. 65), mas as praças não tinha refeitório, tinham que fazer fila, de marmita na mão, para levar a comida para o abrigo, a caserna ou o mangueiro mais perto;

(iii) a cantinha, acanhada e mal equipada, era de terra batida; havia um jogo de matraquilhos "caça-niqueis";

(iv) a boa notícia é que a grande maioria já  tinha a quarta classe, alguns furriéis o segundo ciclo, e os oficiais, esses, tinham as habilitações que a tropoa exigia: 7º ano ou equivalente, frequência de curso universitário, etc. (pág.66).
 

- 65- 


- 65 . 



- 66 - 


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Crachá da 2ª C/BART 6521/72
(Có, 1972/74)
Pormenor interessante: era uma companhia entregue aos milicianos e às praças do contingente geral (como de resto muitas outras no CTIG).  

Só o 1º sargento, o António José do Ó, era do quadro permanente. 

O comandante era  o cap mil art Américo Licínio Romeiro da Rocha. 

Milicianos também eram os comandantes das outras duas unidades de quadrícula: cap mil cav Cav Casimiro Gomes (1ª companhia, que estava no Pelundo); e cap mil art Luís Carlos Queiroz da Silva Fonseca e cap mil inf  Edmundo Graça de Freitas Gonçalves (3ª companhia, em Jolmete). (Náo registos, na Net, referentes a estes nossos camaradas.)

Para a CCS, foi um oficial SGE, aliás dois, primeiro um capitão e depois um tenente.. Já ninguém aguentava uma comissão inteira!

Os oficiais superiores do comando do batalhão, esses, coitados, lá se iam aguentando,  como podiam, à espera que a guerra acabasse por inércia, como todas as guerras acabam, mesmo até a guerra dos Cem Anos. 

Apesar de tudo o nosso "Beatle" teve sorte: foi colocado em "trabalhos melhorados", no bar de oficiais, e mais tarde no Posto Escolar Militar nº 20. Que isto de andar com "a bolsa de enfermagem do tempo da Segunda Guerra Mundial" não era para um rapaz da Benedita, c0m o 5º ano quase completo e sobretudo experiência e formação em hotelaria e restauração (ramo onde ele hoje é um empresário de sucesso).

Espero vir a poder conhecê-lo pessoalmemte na próxima quarta feira, em Algés, no 63º Convívio da Magnífica  Tabanca da  Linha. Estamos ambos inscritos.



- 67 -

Fonte: Excertos de Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhas da memória" (edição de autor, 2025, pp. 59-67)

(Revisão/fixação de texto: LG)
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Notas do editor LG:

Último poste da série > 12 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27629: Notas de leitura (1884): "As Lágrimas de Aquiles", de José Manuel Saraiva, com prefácio de Manuel Alegre; Oficina do Livro, 2001 (Mário Beja Santos)

domingo, 21 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27557: Notas de leitura (1876): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte VII: A chegada a Có, com a praxe do costume (Luís Graça)


Guiné > Região de Cacheu > Có > c. 1972/74 > Vista parcial do aquartelamento: edifício central (secretaria, messe e enfermaria

Foto (e legenda): © Luís da Cruz Ferreira (2025). Todos os Direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


~
Crachá da 2ª C/BART 6521/72
(Có, 1972/74)
1. Prosseguindo  a nossa leitura do livro do Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhas da memória" (edição de autor, 2025, il., 184 pp,) (ISBN 978-989 -33.7982-0) (*). (Revisão / fixação de texto: J. Pinto de Carvalho.)

Com a especialidade de 1º cabo auxiliar de enfermeiro feita em Coimbra, no RSS (Regimento de Serviços de Saúde) (jan/mai 1972), o Luís,  de alcunha o "Beatle",  empregado de hotelaria e restauração, nascido na Benedita, Alcobaça,  é mobilizado para a Guiné, indo formar batalhão, o BART 6521/72, no RAL 5, Penafiel (jun / set 1972). 

Daqui parte para o CTIG, por via aérea (TAM), em 22/9/1972. No CIM de Bolama, faz a IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional. O tom que neste livrinho de memórias é irónico, e às vezes burlesco, a raiar o absurdo. Vêmo-lo em Bolama, outrora capital, ultrapassada por Bissau e em 1972, já completamente decadente. Decididamente não gosta da CUF nem da Casa Gouveia, que para ele são os donos daquilo tudo. 

Após a realização da IAO, a 2ª C/ BART 6521/72 seguiu, em 290ut72 para Có, sector do Pelundo,  a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a CCaç 3308. 

É do cais de Bolama que o Luís e os "có boys" partem para  o seu novo destino, Có, "cháo manacanha", via Bissau e João Landim. 


pág. 5

A viagem foi feita de manhã, em LDG (lancha de desembarque grande, da nossa Marinha), aproveitando a maré. 

Chegados a Bissau, foram em coluna para o Cumeré onde pernoitaram. No dia seguinte dirigiram-se para João Landim, para a cambança do rio  Mansoa. Aqui começam a aperceber-se que estão já às portas da guerra. Teoricamente podia viajar.se sem escolta até Mansoa. Mas já não era aconselhável. 

Do outro lado do rio, estavam já os "velhinhos" que os iriam escoltar até Có, a 25 km dali, Foram precisas 3 viagens da jangada para transportaer os 160 homens, as suas bagagens e as suas viaturas (Berliets e outros veículos).



pp. 60/61




Luís da Cruz Ferreira 
(n. 1950,
Benedita, Alcobaça). 
É membro da Magnífica 
Tabanca da Linha. 
E vai aceitar, por certo,  o
 nosso convite para se sentar, 
connosco,
à sombra do poilão 
da Tabanca Grande

Demorou cerca de 1 hora a cambança do rio. A coluna prosseguiu até Có, sem problemas de maior. Â chegada ao quartel, tiveram una "apoteótica receção". Os "velhinhos" tinham um grande números de miúdos da tabanca que, a troco de uma coca-cola, se dispuseram a cantar em coro, a plenos pulmões, o clássico hino de bons vindas à "periquitagem":


"Periquito vai no mato,,,olé, lé, lé.
a velhice vai nos Lisboa... olaria, ló, lé".


Enfim, um filme que se repetia em toda Guiné, na rendição de tropas. entre "periquitos" e "velhinhos".

Antes de uma primeira descrição do quartel, o autor fala-nos da tabanca de Có:

"A aldeia de Có era um aglomerado artificial que foi 
projetado e executado pelas forças armadas portuguesas, através do programaa de reordenamento posto em prática no tempo do general António Spínola (...)"


Com cerca de 4 mil habitantes, predominava a etnia Mancanha, tinha um posto escolar miliar (PEM nº 20), onde era minitrado o ensino primária: havia um "profesor de raça branca" para a 3ª e 4ª classes, e três professores civis, jovens, de raça negra".

Além disso, "tinha um posto médico. Não tinha mercearia nem taberna"(sic). Os habitantes "viviam na sustentabilidade possível com os produtos que ainda granjeavam" (pp. 63/64).


Fonte: Excertos de Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys" (edição de autor, 2025), pp. 59-63

(Contimua)



Guiné >  Região de Cacheu > Carta de Pelundo (1953) (Escala 1/50 mil)  > Posição relativa de Rio Mansoa, Pelundo Jolmete e Có.

Infografia: Blogue Luís Grça & Camaradas da Guiné (2025)

(Revisão / fixação de texto: LG)
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Notas do editor LG:

Último poste anterior da série : 19 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27548: Notas de leitura (1875): Uma publicação guineense de consulta obrigatória: O Boletim da Associação Comercial, Industrial e Agrícola da Guiné (5) (Mário Beja Santos)