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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28043: Tinha tudo para odiar aquela terra, mas não... Agora adoro lá voltar todos os anos (João Melo, ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74) - Parte V: Nome de rua dado a ex-combatente "tuga": uma história que não se deve repetir em muitos outros sítios onde houve "guerras coloniais", da Indonésia à Indochina, da Argélia ao Vietname...


Guiné-Bissau> Região de Tombali > Cumbijã > 23 de março de 2026>


Sinopse: Discurso de agradecimento do João Melo  após ter sido agraciado com o seu nome  num rua na tabanca de Cumbijã, no dia 23 de março de 2026. Aproveita para fazer um pequeno historial da CCAV 8351/72, "Os Tigres do Cumbijã" (1972/74) bem como da própria povoação, "que durante cinco anos foi abandonada, queimada e minada" (sic). 

Com os militares e os milícias, em 1973, vieram também os primeiros civis... Depois com o 25 de Abril, o fim da guerra, os antigos habitantes voltaram e hoje o Cumbijã é uma terra jovem, bonita e promissora. 

João Melo  agradece, enternecido, o carinho da população. E aproveita para evocar todos aqueles que são também honrados com esta homenagem, a começar pelos seus pais, que já não são vivos, mas que lhe transmitiram, na sua educação,  os princípios e os valores que são a sua filosofia de vida e que norteiam os seus projetos de ajuda aos outros.

Dar um nome de rua a um ex-.combatente "tuga" (em vez de um dos guineenses, heróis da liberdade da Páteria...) é uma história que não se deve repetir em muitos outros sítios onde houve "guerras coloniais", da Indonésia à Indochina,  da Argélia ao Vietname...

Sabemos que, em 1969,  foram "desmilitarizados" os seguintes pontos no Leste e no Sul da Gumé:

Banjara, Beli, Madina do Boé, Ché Che, Contabane, Colibuia, Cumbijã, Ponte Baiana, Gandembel, Mejo, Sangonhá, Cacoca, Cachil, Ganjola e Gubia.




Guiné-Bissau > Região de Tombali > Cumbijã > 23 de março de 2026 > Singela (mas sincera) homenagem das gentes de Cumbijã ao João de Melo, "português, ex-combatente, benemérito e amigo do Povo da Tabanca de Cumbijã" (sic).

Fotos (e legendas): © João de Melo (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1, O nosso camarada João Melo (ou João Reis de Melo), ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74) tornou-se um fã da Guiné-Bissau e do seu povo. Visita regularmente, o país desde 2017, com uma interrupção no tempo da pandemia. Vem sempre acompanhada da esposa Maria do Carmo e, às vezes, de outros camaradas.


Profissional de seguros, reformado, vive em Alquerubim, Albergaria-a-Velha.  A estadia, na Guiné -Bissau, inclui, obrigatoriamente, a tabanca de Cumbijã, no Sul, na região de Tombali, onde o casal apoia as escolas locais e o clube de futebol local. Este ano foi muito justamente homenageado pelos cumbijanenses.

Em Bissau costuma ficar no Hotel Coimbra. O João Melo é também um grande conhecedor e divulgador da música da Guiné-Bissau. Os grandes músicos e cantores guineenses fazem companhia ao casal, nas suas deslocações por Bissau ou pelo interior do país.
_________________

Nota do editor LG: 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28000: Tinha tudo para odiar aquela terra, mas não... Agora adoro lá voltar todos os anos (João Melo, ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74) - Parte IV: Bissau velha renascida, "by air": descendo da Paraça dos Heróis Nacionais até à Catedral



Vídeo (1' 55'') > Guiné-Bissau > Bissau > Masrço de 2026 > Terceiro e último vídeo aéreo de parte da cidade de Bissau, mais propriamente o trajeto  que vai da antiga Praça do Império (atual Praça dos Heróis Nacionais ) até à Sé Catedral, que fica a meio da Av Amílcar Cabral (antiga Av da República, que ia dar ao cais do Pijiguiti).


Vídeo (e legenda): © João de Melo (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1, O nosso camarada João Melo (ou João Reis de Melo), ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74) começou a visitar a Guiné-Bissau. regularmente, desde 2017, com uma puasa no tempo da pandemia. Vai sempre acompanhada da esposa Maria do Carmo e, às vezes, de outros camaradas. Este ano, por exemplo, com o Armando Oliveira.

Profissional de seguros, reformado, vive em Alquerubim, Albergaria-a-Velha. O percurso inclui, obrigatoriamente, a tabanca de Cumbijã, no Sul, na região de Tombali, onde o casal apoia as escolas locais e o clube de futebol local.  

Em Bissau costuma ficar no Hotel Coimbra. O João Melo é também um grande conhecedor e divulgador da música da Guiné-Bissau.

2. Os vídeos que o nosso camarada João Melo tem realizado nas suas visitas à Guiné-Bissau, ao longo dos últimos anos (também com o propõsito de nos ajudar a “matar saudades”) mostram que a cidade de Bissau atravessa, desde cerca de 2022, um processo visível de renovação e reabilitação urbana.

O objetivo anunciado pelas autoridades passa pela modernização das infraestruturas e pela melhoria das condições de vida da população. Mal ou bem, parece ter-se salvado uma parte importante da velha Bissau colonial, cujo conjunto arquitetónico e urbanístico há muito mereceria, pelo menos, uma séria candidatura a património da UNESCO.

Continuam em curso obras de reabilitação de estradas, com destaque para a via que liga o Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira ao centro da cidade, abrangendo igualmente a zona portuária e o eixo Quelelé–Bor.

A cidade voltou a ter semáforos funcionais em 2023, situação que aparentemente se manteve em 2024 — um pequeno sinal de normalização urbana que, para quem conheceu Bissau noutras épocas, não deixa de ter significado simbólico.

A Avenida Amílcar Cabral foi requalificada e voltou a afirmar-se como espaço de encontro e convivência dos habitantes da capital. Alguns edifícios públicos e governamentais receberam igualmente obras de recuperação, ainda que por vezes limitadas às fachadas.

Existem também projetos de construção de novas vias rodoviárias, incluindo uma estrada moderna de ligação entre o aeroporto e Safim, executados ou financiados, em parte, por empresas chinesas. Estas intervenções procuram facilitar o escoamento de mercadorias, melhorar a circulação urbana e atrair investimento externo.

Nem todas as obras, contudo, têm sido consensuais. O abate de árvores antigas em algumas avenidas suscitou críticas de urbanistas, ambientalistas e cidadãos, devido à alegada ausência de estudos de impacto ambiental e ao receio de agravamento das temperaturas e da perda de sombra numa cidade já muito exposta ao calor tropical.

Em rigor, continua pouco claro quais são, em detalhe, as fontes de financiamento e os encargos futuros associados a esta renovação urbana, havendo quem tema que parte das intervenções tenha sobretudo um alcance cosmético ou de representação política.

Gostávamos de receber o "feedback" dos nossos amigos de Bissau, e em especial do Cherno Baldé, do Patrício Ribeiro e outros.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P27989: Tinha tudo para odiar aquela terra, mas não... Parte II: Bissau velha renascida, "by air": do Hotel Coimbra ao cais do Pijiguiti


Vídeo (2' 02'') > Guiné - Bissau > Abril de 2026 >  Estas imagens aéreas focam a Av Amílcar Cabral desde o Hotel Coimbra até ao porto de mar.. Música: José Carlos Schwarz

Vídeo (e legenda): © João de Melo  (2026).  Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné



Guiné-Bissau > Região de Tombali > Cumbijã > Maio de 2025 >  João de Melo e Maria do Carmo, ao centro, acarinhados pela equipa de futebol local,  "Os Tigres do Cumbijã".


Guiné-Bissau > Região de Tombali > Cumbijã > Maio de 2025 > O João de Melo com os miúdos da escola (do ensino pré-primnário ao 6º ano)  que ele  e a esposa estão a ajudar com donativos recolhidos na região centro

Fotos (e legendas): © João de Melo  (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


João Melo, nosso grão-tabanqueiro
desde 1/3/2009



1. O nosso camarada João Melo (ou João Reis de Melo), ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74), esteve de novo na Guiné-Bissau, em por volta de março/abril de 2026. 

Profissional de seguros, reformado, vive em Alquerubim, Albergaria-a-Velha, e tem viajado regularmente, desde 2017,  com a esposa, Maria do Carmo, para a Guiné-Bissau, em "turismo de saudade e de solidariedade". 

A viagem inclui a tabanca de Cumbijã onde distribui ajuda humanitária pelas escolas locais, e  apoia o clube de futebol local) (*). 

Este ano a população local fez-lhe uma singela mas justa homenagem, atribuindo o seu nome a uma rua da localidade.

Em Bissau costuma ficar no Hotel Coimbra  
(**).

Este ano fez um vídeo com o seu drone, mostrando esta parte da cidade, renascida com a
Fénix.  Os nossos camaradas, que passaram por Bissau, há mais de meio século, ainda  reconhecerão alguns dos edifícios e sítios, ruas, praças e cais,  desse tempo, a começar pela catedral e o porto do Pijiguiti, e incluindo  antiga Casa Gouveia (que ficava em frente ao Café Bento, a famosa 5ª Rep).



Guiné-Bissau > Bissau > s/d > O edifício do Coimbra Hotel & SPA, fundado em 2001, sito no edifício do antigo estabelecimento comercial  Nunes & Irmão Lda, na Av Amílcar Cabral (antiga Av República). 

É o mais imponente edifício comercial do centro histórico de Bissau, da época colonial.  É vizinho da catedral católica de Bissau.

Foto: arquivo do blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, cedida por Virgílio Teixeira (2020)


Guiné > Bissau > s/d (c. anos 60) > Sem legenda >  Av da República (hoje, Av Amílcar Cabral) >  Ao fundo no início da avenida, o Palácio do Governador, e a Praça do Império; do lado direito, a Catedral de Bissau (em segundo plano)...  

No final da avenida, tínhamos a Casa Gouveia, à esquerda, em primeiro plano, com a esplanada do Café Bento à direita (e contigua à  sede da Administração Civil: deste edifíci, só se vê praticamente o telhado, acima do arvoredo)

(Edição Comer, Trav do Alecrim, 1 -Telef. 329775, Lisboa). Colecção: Agostinho Gaspar  (ex-1.º Cabo Mec Auto Rodas, 3.ª CCAÇ/BCAÇ 4612/72, Mansoa, 1972/74). 

Edição (e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2010).



Guiné > Bissau > s/d > Vista aérea da Ponte Cais, Bissau. Bilhete Postal, Colecção "Guiné Portuguesa, 119" . (Edição Foto Serra, COP 239 Bissau. Impresso em Portugal, Imprimarte - Publicações e Artes Gráficas, SARL).

Legenda: Porto de Bissau, ou ponte-cais, o edifício das Alfândegas, à direita, a praça com o monumento a Diogo Cão (derrubada a seguir à independência), a entrada para a Fortaleza da Amura, ao centro, e à esquerda, se não erro, a Casa Gouveia (ou um estabelecimento da Casa Gouveia... Este é que é (era) o coração de Bissau Velho... A marginal chama-se hoje Av. 3 de Agosto.

Bilhete postal da coleção do nosso camarada Agostinho Gaspar / Digitalização, legenda e edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Luís Graça & Camaradas da Guiné (2010
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Notas do editor LG:


(**) Vd. poste de 3 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P27984: No 25 de Abril eu estava em... (42): De férias, em Alquerubim, já com 17 meses de comissão...E tinha tudo para odiar a terra que me serviu de lar em ambiente de guerra, durante quase dois anos... Mas, não, passei a lá ir todos os anos... (João Melo, ex-1º cabo cripto, CCAV 8351, 1972/74)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27717: Documentos (51): A retirada de Madina do Boé (Hélio Felgas, maj-gen, 1920-2008)



Major General Hélio Esteves Felgas (1920-2008): duas comissões na Guiné, um dos militares portugueses da sua geração mais condecorados, autor de dezenas de livros e artigos sobre a "luta contra o terrorismo", a guerra ultramarina... Comparou a Guiné ao Vietname. Também considerava que a solução para a Guiné não era militar mas política... Foi, todavia, um crítico de Spínola que lhe terá roubado, entretanto, a ideia dos reordenamentos (aldeias estratégicas). 

Um oficial intelectualmente brilhante mas controverso, dizem alguns dos seus pares, mais novos. O Rui Felício, que o conheceu nas circunstâncias trágicas da Op Mabecos Bravios, comentou assim a sua morte: 

(...) Luís Graça, chocado com a notícia, reafirmo a admiração que sempre tive por esse Homem, um verdadeiro militar à moda antiga e, mais do que isso, uma pessoa com um sentido de justiça e um humanismo que só em muito poucos consegui encontrar na minha vida militar. 
Um abraço,  Rui Felício" (...) (*)

Condecorado com a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, em 10 de junho de 1970, foi passado compulsivamente à reserva, a seguir ao 25 de Abril de 1974. (Estava em Angola nessa altura; e sempre se considerou vítima de um saneamento político-militar.)

Foto gentilmente cedida pela filha, dra. Helena Felgas, jurista, colega e amiga do nosso camarada Jorge Cabral (1944-2021), e com quem estive no funeral do pai.

Volto a publicar o documento sobre a retirada de Madina do Boé, que o Paulo Raposo me fez chegar às mãos, em 2006 (*). O depoimento do então brigadeiro na reforma Hélio Felgas (1920-2008), terá sido escrito em 1995, a pedido dos" baixinhos de Dulombi", os ex-Alf Mil Rui Felício, Paulo Raposo, Jorge Rijo e Victor David (1944-2024) e demais pessoal da CCAÇ 2405, incluindo o ex-cap mil Jerónimo. 

A CCAÇ 2405 perdeu 17 homens na travessia do Rio Corubal, em Cheche, 6 de fevereiro de 1969. (Só o Rui Felício viu morrer 11 homens do seu Grupo de Combate.)

Os nossos camaradas da CCAÇ 2405 contestaram as conclusões apresentadas no documentário que passou an SIC em 2009, da autoria do jornalista José Manuel Saraiva, realização de  Manuel Tomás e produção da Quimera do Ouro ("Madina do Boé - A retirada"): tem a particição, entre outros, do ten cor inf José Aparício e do brig Hélio Felgas, entretanto falecido, Vídeo disponível, desde 2011, na conta do You Tube / UTW ( 53' 49'')

A versão do Rui Felício será republicada oportunamente nesta série "Documentos" (**). São dois documentos para a história e que, muito provavelmente, não chegarão ao Arquivo Histórico-Militar  (***).

A retirada de Madina do Boé 

pelo brig Hélio Felgas (2)

Todo o sudeste da Guiné, ao sul do rio Corubal, era uma região praticamente despovoada onde só havia dois postos administrativos: Beli e Madina do Boé.

(i) Um ponto sem valor estratégico

Já antes de, em 1968, eu ter assumido o comando do sector Leste [Comando de  Agrupamento 2975, com sede em Bafatá], Béli fora abandonado. O pelotão que aí se encontrava fora transferido para Madina, completando a companhia aí instalada.

Madina fica a cerca de 5 quilómetros da República da Guiné-Conacri. Não tinha qualquer população civil e só dispunha de um ou dois pequenos edifícios. Nem ruas tinha. Havia sido apenas uma minúscula tabanca (aldeia nativa), sem importância de qualquer espécie.

À medida que o PAIGC aumentava o seu poder de fogo com morteiros pesados e artilharia, os bombardeamentos e flagelações a Madina, executados em geral a partir do lado de lá da fronteira, passaram a ser quase diários.

Por isso a guarnição dormia em abrigos, escavados 4 ou 5 metros abaixo do nível do solo. Muitas vezes os bombardeamentos nada destruíam, caindo os obuses e granadas fora do perímetro do aquartelamento. Mas outras vezes causavam estragos e baixas que, em caso de necessidade, eram evacuadas de helicóptero para o hospital militar de Bissau.


(ii) A rotina dos bombardeamentos e flagelações

Apesar desta situação certamente pouco agradável, o moral da guarnição era levado

Lembro-me da primeira vez em que fui pernoitar a Madina. Pouco antes do anoitecer comecei a ouvir os soldados à porta dos seus abrigos gritando “Está na hora! Está na hora!”. 

O comandante da Companhia elucidou-me que era a altura de o PAIGC começar o usual bombardeamento e os homens já tomavam aquilo como uma brincadeira, habituados como estavam ao estrondo do rebentamento das granadas. Por acaso nesse dia as granadas só de madrugada caíram e não causaram baixas nem prejuízos.

Claro que a nossa guarnição respondia com morteiros e com canhão sem recuo e toda a gente estava sempre preparada para disparar a curta distância do arame farpado. Que eu saiba, porém, nunca o adversário tentou assaltar o aquartelamento.

Na manhã seguinte um destacamento saía do recinto e percorria os arredores, procurando descobrir o local de onde teria sido feita a flagelação. Umas vezes tinha êxito e o local era cuidadosamente assinalado nas nossas cartas de tiro. Mas outras vezes nada se descobria pela simples razão de o bombardeamento ter sido feito a partir do território da Guiné-Conacri e os nossos militares cumprirem escrupulosamente a ordem que tinham de não atravessar a fronteira.

As viaturas da Companhia encontravam-se dispersas pela área do aquartelamento, em especial junto às árvores para melhor protecção. E até ao princípio de 1969 havia algum gado para consumo do pessoal. O último boi foi porém abatido por uma granada do PAIGC e a isso se referia com certo humor o relatório-rádio do comando local, confirmando assim o bom moral da unidade.


(iii) Missão: defender-se a si próprio!

De qualquer forma, tornou-se pouco a pouco evidente a inutilidade da presença de uma Companhia em Madina.

A tropa estava na Guiné para defender a população civil que nos era afecta, tentando suster o seu compulsivo aliciamento pelos guerrilheiros do PAIGC vindos do Senegal, a norte, ou da Guiné-Conacri, a sul e a leste. 

Procurava também evitar ou dificultar a penetração desses guerrilheiros em território então considerado nacional. E pretendia ainda impedir a destruição das estruturas económicas e administrativas: pontes, estradas, edifícios, etc.

Ora em Madina e em todo o sudeste guineense a sul do rio Corubal:
  • não havia população alguma;
  • não havia estruturas de qualquer importância;
  • e a fronteira era totalmente permeável em dezenas de quilómetros.
Então, se a tropa não estava a proteger qualquer ponte nem qualquer tabanca e não tinha a menor possibilidade de impedir penetrações territoriais, o que é que estava a fazer em Madina?

A resposta era simples: a Companhia de Madina estava lá “para se defender a si própria”! Quando, afinal, fazia tanta falta em outros pontos da Guiné!

Por outro lado, ponderou-se também a possibilidade de o PAIGC aproveitar uma possível evacuação de Madina pelas nossas tropas, para declarar a região como “libertada”.

Mas isso podia o PAIGC fazer em qualquer outro ponto, do imenso sudeste guineense. Na zona de Beli, por exemplo, que nós abandonámos havia muito tempo e onde nunca íamos por falta de objectivo.

Aliás, mesmo com a Companhia em Madina, o PAIGC podia declarar o sudeste guineense uma “zona libertada” e até lá levar jornalistas estrangeiros, como parece que fez.


(iv) Evacuação: riscos calculados

Todas estas considerações foram devidamente estudadas, bem como os principais riscos que a evacuação podia acarretar.

Entre esses riscos contavam-se várias possibilidades de actuação dos guerrilheiros do PAIGC. Como por exemplo:

- Aumentarem as flagelações e bombardeamentos sobre Madina nas noites anteriores à manhã da “descolagem” quando as viaturas da Companhia, já meio carregadas, se encontrassem mais expostas;

- Lançarem sobre Madina um bombardeamento maciço na madrugadas da partida, quando parte da coluna de viaturas já estivesse fora do aquartelamento (cuja exiguidade não comportava toda a coluna); tanto nesta possibilidade como na anterior, contava-se que o PAIGC certamente detectaria o movimento desusual no interior de Madina;

- Montarem emboscadas à coluna em diversos pontos da estrada Madina-Cheche; esta estrada corria quase a direito no sentido norte-sul e, aqui e ali, era flanqueada por pequenas colinas de onde, em deslocamentos anteriores, os guerrilheiros haviam lançado emboscados; estava além disso minada com poderosas minas anticarro soviéticas;

- Tentarem dificultar a travessia do rio Corubal no Cheche.

Claro que, ao reconhecerem-se estes riscos, admitiam-se baixas da nossa parte pois a operação não era simples.


(v) Operação Mabecos Bravios

Mas tudo se fez para que tais baixas fossem mínimas. Em Bafatá, no comando do Sector, começou a ser elaborada a Ordem de Operações [Ord Op].

No Gabu (então Nova Lamego) construiu-se uma nova jangada que depois foi levada para o Cheche onde a que lá estava foi devidamente reforçada.

Estas jangadas eram constituídas por um forte estrado dotado de vedações laterais e assente em bidões vazios e em três “barcos” formados por grandes troncos de árvores escavados. Estrutura esta que, com a jangada descarregada, colocava o estrado a cerca de um metro da água.

As jangadas eram consideradas muito seguras e incapazes de se voltarem ou afundarem, desde que não fossem excessivamente carregadas.

 Calculava-se que aguentariam um peso de dez toneladas. Mas para maior segurança a Ord Op proibia que fossem transportados mais de 50 homens de cada vez.

Por seu lado, em Madina, os motores e as suspensões das viaturas da Companhia foram cuidadosamente revistos, não tendo o comando local tido pouco trabalho no carregamento de todo o material, incluindo a parte delicada das munições, até então guardadas em paióis subterrâneos.

No princípio do ano [de 1969], a Ord Op foi levada ao Comando-Chefe, em Bissau, e apreciada e aprovada em reunião de comandos. 

O dia da evacuação foi marcado para 9 de Fevereiro de 1969, sendo a operação designado por Mabecos Bravios.

Aos comandos das unidades que forneciam contingentes de reforço foram dadas as respectivas ordens, com indicação dos locais onde as suas tropas deviam ser colocadas (de helicóptero). 

Alguns destes locais ficavam nas colinas de onde anteriormente haviam sido lançadas, sobre a estrada, emboscadas contra as nossas tropas. Outros ficavam na margem sul do Corubal, próximo do Cheche.


(vi) Uma manobra de diversão

Fui para Madina na manhã da véspera do dia D.
  [ O dia D era 1 de fevereiro de 1969. ] Comigo foram 5 helicópteros pois eu queria executar com eles uma operação de diversão que consistia e, por duas ou três vezes, enviar os helis (vazios) para os locais de onde o PAIGC costumava bombardear o aquartelamento. Dava assim a ilusão de que estava colocando forças nesses locais, em emboscada.

A medida deve ter resultado pois nessa noite não houve bombardeamento a Madina.

Foi em completa calma que a complexa coluna auto se formou, com a parte dianteira já na estrada do Cheche.

Ao amanhecer iniciou-se o movimento com as viaturas e respectivos reboques completamente carregados e a grande maioria dos homens a pé. 

Como era costume eu seguia à frente com o meu guarda-costas e o homem do posto-rádio. Só os picadores nos precediam, picando cuidadosamente a estrada com compridos ferros pontiagudos. E excelente trabalho fizeram pois nenhuma mina rebentou embora tenham sido levantadas 12 ou 14.


(vii) A visita do Bispo [com-chefe, gen Spínola]

A progressão poderia ser lenta mas parecia segura

De tempos a tempos passávamos por camiões e autometralhadoras destruídas em emboscadas anteriores. Também vi os restos de um avião mas não sei se teria caído por acidente ou sido abatido. E conseguiu-se recuperar uma autometralhadora que se encontrava abandonada na berma da estrada.

A dada altura um helicóptero sobrevoou-nos. Contactei pela rádio e verifiquei que era o Bispo, ou seja, o General Spínola. Quase todas as manhãs o Comandante-Chefe saía de Bissau num helicóptero e ia observar as principais operações que se realizavam na Guiné. 

Mandei parar a coluna e montei segurança ao lado da estrada. O heli pousou e o General Spínola acompanhou-me a pé durante alguns quilómetros, demonstrando assim o apreço que a execução da operação lhe estava merecendo. Depois foi-se embora, satisfeito.

Chegámos ao Corubal ao princípio da noite sem termos sofrido qualquer emboscada. A travessia do rio começou imediatamente com as jangadas trabalhando alternadamente. 

Havia um cabo de aço estendido de uma margem à outra, a ele ficando ligada a jangada em serviço, a qual era empurrada por um pequeno barco com motor fora de bordo.

O rio tinha uma corrente muito forte e uns 100 a 150 metros de largura. O motor do barquito levantava uma pequena ondulação que formava um V.

Atravessei para o Cheche cujas instalações eram semelhantes às de Madina, isto é, quase tudo abrigos enterrados.

Durante toda a noite assisti ao vai-vem das jangadadas. Parte dos destacamentos de reforço foram os primeiros a atravessar o rio, formando logo uma coluna auto na estrada que partia de Cheche para Nova Lamego. 

A Companhia de Madina [a CCAÇ 1790,] seria a última a fazer a travessia, juntamente com dois Gr Comb da [CCAÇ] 2405.


(viii) O desastre da jangada

Cerca das 9 ou 10 horas da manhã apareceu um helicanhão que sobrevoou demoradamente toda a zona. 

Depois pousou e eu fui ter com ele procurando informar-me do que a tripulação tinha visto. Mas tinha chegado, apareceu um soldado correndo para mim a gritar que a jangada se estava afundando, logo após ter partido da margem sul. 

Pedi imediatamente ao piloto para... [linha inteira cortada na fotocópia] depois para a margem do Cheche onde eu estava. Parecia vir normalmente carregada com homens e material.


(ix) Um comandante também chora

Quando chegou é que eu soube que diversos homens tinham caído ao rio, não aparecendo mais. Verifiquei tratar-se do pessoal que realizava a última travessia.

Quando se fez a chamada, viu-se que faltavam quarenta e tal homens, seis dos quais nativos.

Não consegui controlar-me e desatei a chorar, tal como aliás vi muitos valorosos militares a fazerem. Foi assim que me encontrou o general Spínola que nesse dia também quisera ir ter comigo.

Aguardámos horas, com o helicóptero sobrevoando o local na esperança de localizar alguns dos desaparecidos. Dois ou três bons nadadores também mergulharam na zona onde acorrera o acidente. Nada foi encontrado.

Interroguei diversos militares mas alguns nem podiam falar. Outros disseram-me que a jangada, logo após ter partido da margem sul, tinha-se afundado um bocado, ficando o estrado rés-vés com a água. Este afundamento era aliás natural desde que não fosse excessivo. 

O estrado, como dissemos atrás, ficava a cerca de um metro da água quando a jangada estava vazia. Esta distância diminuía conforme o peso do carregamento mas o estrado normalmente nunca chegava a ser coberto pela água.

Segundo parece, alguns dos homens que seguiam junto às vedações laterais assustaram-se quando alguma água começou a cobrir o estrado. Teriam então descido para o rio procurando segurar-se às travessas laterais do estrado e continuar assim a travessia. Desta forma o peso da carga diminuiria e a jangada subiria. Só que não se lembraram de que com o equipamento e as munições cada um pesava mais de cem quilos.

Foi desta forma que uma operação que decorrera sem qualquer baixa (ao contrário do que inicialmente se esperava), viu o seu final tragicamente enlutado. 

Durante toda a noite, desde as seis da tarde da véspera até às 10 ou 11 da manhã seguinte, as jangadas tinham trabalhado sem qualquer anomalia. Fizeram dezenas de travessias. E o azar logo havia de aparecer na última e de forma tão dolorosa.

Nem o facto de na altura terem ocorrido acidentes semelhantes (ou talvez ainda mais graves), com jangadas em Moçambique, podia servir de lenitivo para o que nos sucedera na Guiné. 

Dezenas de homens que tinham vivido longos meses sob bombardeamentos quase diários, acabaram por morrer afogados.

Hélio Felgas, Brigadeiro

(Digitalização, fixação/revisão do texto, negritos, parênteses retos  e subtítulos: L.G.)
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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 25 de junho de 2008 > Guiné 63/74 - P2984: Op Mabecos Bravios: a retirada de Madina do Boé e o desastre de Cheche (Maj Gen Hélio Felgas † )

(**) Vd. poste de 12 de fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - P509: O desastre do Cheche: a verdade a que os mortos e os vivos têm direito (Rui Felício, CCAÇ 2405)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27660: Prova de vida (10): George Freire, ex-cap inf Renato Jorge Cardoso Matias Freire, que vive nos EUA desde outubro de 1963, e foi 2º cmdt da CCAÇ 153 (Fulacunda, 1961) e cmdt da 4ª CCAÇ (Bissau, Nova Lamego e Bedanda, 1961/63)



Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Nova Lamego > 4ª CCAÇ (1961/63) > Jorge Freire, ex-cap inf, que esteve na Guiné, em 1961/63, e desde então a viver nos EUA; conhecido por George Freire, foi engenheiro e empresário e está reformado desde 2003. Vive hoje em Colúmbia, Carolina do Sul. Imagem: fotograma do vídeo que nos mandou em 2009 (*).

Foto: © George Freire (2009). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]






Lisboa > Escola do Exército > 1955 > Curso finalista da Escola do Exército (hoje, Academia Militar) do ano de 1955, do qual faziam parte (além do George Freire, residente nos EUA desde outubro de 1933, hoje com 92 anios antigo comandante da 4ª CCAÇ - Fulacunda, Bissau, Nova Lamego Bedanda, Maio de 1961/ Maio de 1963, de seu nome completo Renato Jorge Cardoso Matias Freire), os seguintes oficiais reformados do exército português, que ainda náo conseguimos identificar:

  • generais Hugo dos Santos, António Rodrigues Areia, Adelino Coelho e António Caetano;
  • coronéis João Soares, Costa Martinho e Maurício Silva, entre tantos outros; capitão José Manuel Carreto Curto, ex-cap inf, CCAÇ 153 (Fulacunda, 1961/63) era "do curso um ano mais velho do que o meu" (diz o George Freire). (Faleceu em 18/11/2018, com ten gen ref.

O oficial que está ao centro, de óculos, seria o 2ª comandante da Escola do Exército na altura. O George Freire só indica as iniciais do seu nome (M.A.),

Por outro lado, o cadete que está na 3ª posição (só se vè a cabeça), do lado direito, parece-nos ser o meu antigo cap inf, comandante da CCAÇ 2590/CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, Junho de 1969/março de 1971), Carlos Alberto Machado de Brito (cap Carlos Brito)

Falei há tempos com ele, estava num lar de professores, em Braga, sentia-se muito bem, em boa forma. Acabo de tomar conhecimento, pelo Facebook, da triste notícia da sua morte,  em 4 de dezembro de 2025. Tinha 93 anos, nasceu em 1932. Vou fazer uma nota de pesar. Era cor inf ref, e foi tambénm comandante da GNR. Era uma pessoa afável. Estive c0m ele no primeiro encontro  do pessoal de Bambadinca (1968/71), em Fão, Esposende, em 1994.

Foto (e legendagem): © George Freire (2008). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Acabámos de receber notícias do nosso grão-tabanqueiro, o ex-cap inf Renato Jorge Cardoso Matias Freire; está registado na Tabanca Grande, desde 28/12/2008 como Jorge (George) Freire, a viver nos EUA (*). Foi cap inf, CCAÇ 153 e 4.ª CCAÇ (Fulacunda, Nova Lamego e Bedanda, 1961/63)


Mensagem enviada através do Formulário de Contacto do Blogger:


Data - 22 jan 2026, 02:16

Ainda estou aqui de boa saúde para os meus 92 anos de idade. Vendemos a nossa casa e mudámo-nos para um apartamento numa organização para retiro chamado "Lakeview Retirement" em Colúmbia, Carolina do Sul. Estamos felizes e sem problemas de maior.

Cumprimentos,
George Freire | gfreire@att.net



2. Por curiosidade fomos ver se ainda mantinha o seu blogue... Lá está, é incrível, sempre ativo, proativo, produtivo, saudável!...Um grande exemplo para todos nós. Parabéns, George!


Há 17 anos eu tinha escrito sobre o George Freire:

(...) Com 76 anos, está reformado, foi empresário na área da engenharia. Vive em Chapin, South Carolina, Estados Unidos... Vem frequentemente a Portugal. Gosta de conviver e de viajar, do golfe, da pesca e da vela. Tem um blogue relacionado com a informática e aelectrónica: http://whatisyourquestionblog.blogspot.com/

Título do blogue: "COMPUTER AND ELECTRONICS WORLD SHARING AND LOTS OF OTHER GOOD STUFF NOT RELATED TO COMPUTERS"...

É um homem do seu tempo que se descreve-se a si próprio como "a retired engineer deeply interested and involved in the solving of problems and frustrations of the computer and electronics world that surround us all" (...).

Eis que o que escreveu ainda ontem, no seu velho blogue (tradução de LG):

(...) Estou de volta e dou as boas vindas aos novos e antigos visitantes do nosso blog

Quanto tempo! Eu sei, já se passaram anos. Envelheci e cheguei aos 92 anos, mas continuo muito envolvido no mundo dos truques de informática para lidar com falhas, evitá-las e melhorar a segurança operacional dos computadores. São novos tempos, diferentes do passado, mas nós (a maioria de nós) ainda usamos o Windows 11.

Agora, estou ansioso para ajudar as pessoas e discutir qualquer assunto sobre computadores e computação. Você tem perguntas? Qualquer pergunta? Por favor, voltem e vamos recomeçar o Blog do zero.

Meus melhores cumprimentos a todos vocês que costumavam nos visitar no passado. Ainda estou aqui, com 92 anos, mas com boa saúde de corpo e mente.

George Freire Postado por George Freire às 20h58 | 0 comentários (...)



3. Resposta de hoje do editor LG:

George, camarada:

Ficamos felizes por saber de ti e da tua esposa, Edite. Está feita a prova de vida (**). O Virgínio Briote, que andou na Academia Militar, no princípio da década de 60 (é do curso de 1962 e depois saiu, tendo sido no CTIG alferes comando em 1965/67) faz hoje anos e foi quem te apresentou à Tabanca Grande em 29/12/2008: ele é nosso coeditor jubilado, e vai ficar muito contente por ter notícias tuas. Sei que durante algum os dois corresponderam-se.

Vou dar conhecimento das tuas boas novas também ao João Crisóstomo, que vive em Nova Iorque desde 1977, e é o "régulo" da Tabanca da Diáspora Lusófona. Ele assumiu a "obrigação" de reunir no nosso "redil" todas as "ovelhinhas" tresmalhadas dos "tugas" que andaram na "verde-rubra" Guiné entre 1961 e 1974 e que hoje vivem no Novo Mundo (e em especial na terra do Tio Sam). Vou-lhe pedir que te contacte, por telemóvel, para te dar de viva voz o abraço da malta toda. Vou-te mandar aqui os contactos dele. Um alfabravo fraterno do Luís Graça.

PS - Temos bastantes "bedandenses" (4ª CCAÇ / CCAÇ 6) na Tabanca Grande... Vou-lhes dar conhecimento. Quem já faleceu, infelizmente, em 2024, foi o Aurélio Manuel Trindade (tenente general inf, reformado) que era de 1933 (como tu, e possivelmente do mesmo curso de infantaria na Escola do Exército). Foi o último comandante da 4ª CCAÇ (Bedanda, 1965/67) e o 1º da CCAÇ 6.

O cor iinf ref Mário Arada Pinheiro também é do teu tempo. É igualmente nosso grão-tabanqueiro.

3. Recordamos aqui, para os nossos leitores, e em especial para os nossos leitores "bedandenses" a lista (dedse 1961) dos comandantes da 4ª CCAÇ (que deu origem depois, em 1967, à CCAÇ 6):

Cap Inf Manuel Dias Freixo
Cap Inf António Ferreira Rodrigues Areia
Cap Inf António Lopes Figueiredo
Cap Inf Renato Jorge Cardoso Matias Freire
Cap Inf Nelson João dos Santos
Cap Mil Inf João Henriques de Almeida
Cap Inf Alcides José Sacramento Marques
Cap Inf João José Louro Rodrigues de Passos
Cap Inf António Feliciano Mota da Câmara Soares Tavares
Cap Inf Aurélio Manuel Trindade

(Revisão / fixação de texto, itálicos, negritos: LG)
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Notas do editor LG:


(...) A companhia (CCAÇ 153) de que originalmente fiz parte quando partimos para a Guiné, no dia 26 de Maio de 1961, foi criada em Vila Real de Trás-os-Montes, onde eu ainda tenente, segundo comandante e o capitão Curtoo, comandante, (do curso um ano mais velho do que o meu), passámos semanas a organizar a companhia.

De Vila Real todo o pessoal viajou para Lisboa de comboio e passados talvez uma ou duas semanas, partimos de avião, (dois aviões transportes da FA), do aeroporto de Lisboa para Bissau, onde chegámos no mesmo dia ao anoitecer (...)

De Bissau, onde passámos a noite, seguimos logo para Fulacunda, onde permaneci à volta de dois meses, após os quais chegou a minha promoção a capitão.

De Fulacunda fui transferido para Bissau para comandar uma companhia de nativos (4ª CCAÇ) e render o capitão Helder Reis. Passei 4 ou 5 meses em Bissau, daí para o Gabu (outros 6 meses) e daí para Bedanda onde passei o resto da minha comissão.

Voltei para Portugal e fui novamente colocado na Academia Militar, (nesse tempo ainda chamada Escola do Exército), onde tinha sido instrutor desde 1957 até à minha ida para a Guiné.

Durante os anos de 1958 até 1961, tive a oportunidade de trabalhar (nas horas livres) com um tio direito, que tinha uma firma de serviços de engenharia e caldeiras industriais. Durante as férias de verão todos esses anos viajei aos EUA duas ou três semanas para ajudar o meu tio em assuntos relativos aos seus negócios com duas companhias no estada da Pensilvânia.

Quando voltei da Guiné, uma dessas companhias ofereceu-me uma posição, (com o título de gerente de operações internacionais), e com uma remuneração muito difícil de recusar.

Nos fins de Agosto pedi a minha demissão e parti com a minha família, (mulher e duas filhas de 3 e 2 anos), para os EUA onde me encontro faz este ano 45 anos. Desde então tirei um curso de engenharia mecânica, trabalhei para outras duas companhias e, em 1989, formei a minha própria companhia de consultaria de projectos relacionados com energia de gás, co-geração, etc.

Em 2001 parei de trabalhar full time, e estou basicamente reformado. Felizmente de boa saúde, vou a Portugal todos os anos onde me encontro com um bom grupo de antigos camaradas de curso e família. Tenho 3 filhas, a mais nova nasceu aqui, embora todas casadas, somente tenho um neto e uma neta da filha mais velha. A filha do meio e a mais nova não têm descendentes.

Comecei há pouco um Blog dedicado a ajudar amigos e quem quer que o siga, sobre problemas de computadores:

http://whatisyourquestionblog.blogspot.com/ (...)

domingo, 20 de julho de 2025

Guiné 61/74 - P27037: Agenda cultural (896): 9ª edição da Recriação Histórica da Batalha do Vimeiro 1808: Lourinhã e Vimeiro, 18, 19 e 20 de julho de 2025 - II ( e última) Parte


Lourinhã, 19 de julho de 2025, 11h30 > 

À emória do nosso camarada Eduardo Jorge Ferreira (1952-2019), um dos grandes pioneiros e entusiastas da recriação histórica da Batalha do Vimeiro (1808)

Vídeo: You Tube / Luís Graça (2025) (2' 50'')



9º edição da Recriação Históriica da Batalha do Vimeiro 1808 (18, 19 e 20 de Julho de 2025), este ano dedicado ao tema "Medicina e Farmácia na Época Napoleónica"... Desfile dos grupos de recriadores históricos na vila da Lourinhã, com cerimónia do hastear das bandeiras, às 11h30 do dia 19, na Praça José Máximo da Costa, frente ao edifício da CM Lourinhã.



1. Além da recriação histórica, há também o mercado oitocentista, animação de rua e concertos. Na vila do Vimeiro, até domingo, dia 20. Pode consultar-se o programa, aqui, na respetiva página do Facebook. O ano passado, a 8ª edição, foi já um grande sucesso, pelo número de visitantes (15 mil) e de recriadores hiistóricos (300).


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Nota do editor:

Último poste da série > 20 de julho de 2025 > Guiné 61/74 - P27036: Agenda cultural (895): 9ª edição da Recriação Histórica da Batalha do Vimeiro 1808: Lourinhã e Vimeiro, 18, 19 e 20 de julho de 2025 - Parte I

terça-feira, 27 de maio de 2025

Guiné 61/74 - P26850: (De) Caras (232): Mamadu Baio & Amigos, 16ª edição do "Junta-te Ao Jazz", Palácio Baldaya, Benfica, Lisboa, 25 de maio de 2025... Como disse o Mamadu Baió (viola baixo, voz, compositor): "a música não tem fronteira, nem tem cor, não tem raça"


Vídeo: 2' 13" Fonte: You Tube > Luís Graça > @Nhabijoes (2025)



 


 Vídeo: 2' 50" Fonte: You Tube > Luís Graça > @Nhabijoes (2025)
 

Foto nº 1 > Em primeiro plano, três grandes músicos da "escola de Tabatô" (Bafatá. Guiné-Bissau): o Mamadu Baio (ao centro, voz e viola baixo, além de compositor), um Djabaté, primo do grande Kimi Djabaté (cora e voz) e o Demba (balafom)


Foto nº 2 > O Demba, bafalom (que o João Graça também conheceu em Tabatô, em dezembro de 2009)


Foto nº 3 > O Mamadu Baio, e em segundo plano um angolano (cujo nome não fixei, mas que trabalha também com o Paulo Flores, é  um musico talentoso que toca vários instrumentos)


Foto nº 4 > O único branco (oriundo dos "Melech Mechaya", extinto grupo de música klemer, toca violino)


Foto nº 5 > O Nhanhero... (uma relíquia)



Foto nº 6 > Cabeçalho da 16ª edição do festival "Junta-te Ao Jazz", Lisboa, Palácio Baldaya, 23-25 de maio de 2025


Fotos (e legendas): © Luís Graça (2025). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Mamadu Baio

1. Nunca tinha ido ao Palácio Baldaya, em Benfica, Lisboa. Nem ao festival "Junta-te ao Jazz", organizado pela Junta de Freguesia de Benfica (*). Fui ontem, 25 maio, no último dia. E para ver e ouvir o Mamadu Baiô + Amigos... 

Pois, meus caros, foi um "show de música" (!), com a escola de Tabatô, cheia de jovens talentos, a vir ao de cima...

É tudo gente da diáspora africana... Tabatô tem 35 dezenas de referências no nosso blogue. Desde sempre temos apoiada a música e os músicos da Guiné-Bissau, dando nomeadamente a conhecer os seus trabalhos, atuações, espectáculos, projetos, etc.

 Contribuimos (alguns de nós) também numa campanha de angariação de fundos para a edição do 1º CD do Mamadu Baio, em Portugal. O dinheiro recolhido (mais de 3 mil euros) está em boas mãos e vai permitir que esse sonho se concretize.  Esperemos que em breve...Mas é tudo muito lento e difícil para estes nossos amigos africanos, ou se origem africana
 ( O Mamadu e português  pelo casamento.)

É uma pena que estes jovens músicos, que esperam musica por todos os opostos da ele, que começaram logo a beber música com o leite materno, tenham que andar a trabalhar na construção civil, para sobreviver, aqui (e no resto da Europa). (**)

Dois destes músicos são membros da Tabanca Grande, o Mamadu Baio (ex-Super Camarimba) e o João Graça (ex-Melech Mechaya). 

O João Graça, também médico, oncopsiquiatra, tem apoiado, de muitas maneiras maneiras, os nossos amigos guineenses músicos. É conhecido e acarinhado por todos eles. E há anos que toca com eles (e nomeadamente com o Mamadu Baio, que conheceu em Bissau, em dezembro de 2009).

Gostei do desempenho do Mamadu Baio e dos seus amigos. E o reportório que foi escolhido, estava adequado ao evento e ao local, ao ar livre,  em tarde de sol, mesmo que tenha coincidido com a final da Taça de Portugal em Futebol ( estavam as ruas desertas quando cheguei a casa).

Já sugeri, em tempos ao Mamadu (que canta em mandinga) que faça sempre antes, no início de cada canção, uma pequena sinopse ou resumo das letras: cada canção conta uma história. Tabatô é uma aldeia de "griots" ou "djidius" que no antigo império do Malu e depois no reino de Gabu eram trovadores, músicos ambulantes, levando as notícias às tabancas, divulgando as lendas e narrativas de reis, guerreiros e heróis... Em suma, eram as redes sociais daqueles tempos, anteriores à ocupação colonial dos europeus.

Recorde-se que o João Graça, quando esteve na Guiné-Bissau, em dezembro de 2009, passou  uma noite memorável em Tabatô. (***) Disse ele que foi uma das experiências mais marcantes da sua vida.  Nessa altura ele terá conhecido o melhor da Guiné, teve mais sorte que o pai, que quarenta anos antes conheceu o pior, ou seja, a guerra.


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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 24 de maio de 2025 > Guiné 61/74 - P26840: Agenda Cultural (886): Entrada livre... O nosso grão-tabanqueiro, luso-guineense, Mamadu Baio & Amigos (incluindo o João Graça, violino, mais 5 guineenses), amanhã, dia 25, no Palácio Baldaya, Estrada de Benfica, 701, Lx, às 17h30, na 16ª edição do festival "Junta-Te Ao Jazz"... Encerra, às 18h30, com o grande Paulo Flores, a voz angolana do kizomba, do semba, da resiliência e da esperança

(***) Vd. poste de 13 de maio de 2011 > Guiné 83/74 - P8261: Notas fotocaligráficas de uma viagem de férias à Guiné-Bissau (João Graça, jovem médico e músico) (11): 15/16 de Dezembro de 2009, uma noite de magia e de emoções, entre os Jacancas de Tabatô, da família de Kimi Djabaté, com a mais universal das linguagens, a música

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Guiné 61/74 - P26710: Boas amêndoas e melhores Páscoas de 2025 - Parte VI (Luís Graça, versos ao "compasso pascal")



O compasso pascal em Candoz, s/d (c. 1980). 
A Nita (1947-2023)  vinha à frente, do lado direito. 
Foto: LG



Madalena, Vila Nova de Gaia, 5 de abril de 2015.

A "Nita",  Ana Ferreira Carneiro Pinto Soares (1947-2023) 
faz as honras à casa....



... e lê os "versinhos ao compasso da Madalena"

Vídeos: L.G. (2015). Alojados em You Tube > Luís Graça


 
1. Uma seleção dos meus versos dedicados ao "compasso pascal": há 50 anos que venho ao Norte, nesta data, ao Porto, à Madalena (V. N. Gaia), a Candoz (Paredes de Viadores, Marco de Canaveses). Nesta e noutras datas festivas, como o Natal, o Carnaval, etc., ou trabalhos coletivos da quinta, como a vindima... 

De há 20 anos a esta parte, deu-me para escrever um versos ou umas prosas poéticas por ocasião do Natal e da Páscoa... São versos singelos, ao gosto popular, para serem lidos na ocasião (neste caso, aquando da visita pascal).  

Na pandemia de Covid-19, a família falhou a vinda ao Norte pela Páscoa por razões óbvias: daí não ter havido nem versos nem compasso em 2020 e 2021...

Em 2023 morreu a nossa querida "Nita" (1947-2023), e a partir daí não mais abrimos a casa de Candoz ao compasso... É um sinal de luto carregado na cultura das gentes de Entre Douro e Minho. Daí também não haver versos em 2024 e 2025... 

Em Paredes de Viadores, devido â dispersão geográfica das habitações, a visita pascal (compasso)  reparte-se por dois dias: no domingo de Páscoa, e no dia seguinte,  segunda . Em Candoz, é sempre à segunda...

Hoje o pároco já não preside, como antigamente, à visita pascal. Essa função é agora exercida por um leigo, que transporta a cruz, sendo acompanhado por outros membros da comunidade paroquial. Geralmente, um dos mais novos, vem munido de uma sineta cujo toque faz anunciar a chegada do compasso. 

O compasso é isso mesmo: a visita, ao redor da freguesia, em cortejo, a todas as casas das famílias cristãs, que sinalizam,  com urzes e pétalas de flores, o caminho que leva à casa, nas zonas rurais, ou com colchas (brancas) o andar da família que quer receber o compasso, nas vilas e cidades.

Em termos religiosos e sociais, a função principal do compasso é: (i) anunciar a ressurreição de Cristo; (ii) partilhar a alegria da Páscoa entre família, amigos e outros convidados; e (iii) benzer a casa e os presentes (que em geral representam duas ou mais gerações).

O cortejo vai andando de casa em casa. O mordomo que transporta o crucifixo, entrega-o em geral  ao "homem (ou mulher) da casa" que faz uma ronda, dando a beijar  a imagem de Cristo... (por razões de higiene pública, depois da pandemia, o beijo tende a tornar-se simulado).

Depois de uma breve oração, segue-se a oferta de alguns doces e bebidas ao compasso e aos demais presentes. No Norte, as famílias fazem também ofertas em dinheiro (que reverte para o padre; o peditório para o foguetório é feito uns tempos antes: 20 minutos de fogo pode custar 20 a 30 mil euros). 

Os do compasso têm de ser polidos, comedidos e frugais: se bebessem em todas as casas, estavam "feitos"!... (mas antigamente era assim, nalguns sítios: o compasso recolhia à igreja, já bêbado que  nem um cacho!).

À saída do compasso, a caminho da próxima casa, é frequente deitar-se um ou mais foguetes, pagos pelo dono da casa que acabou de ser visitada.  No final do dia, "juntam-se as cruzes" (no caso das freguesias grandes) e, em muitas partes, há fogo de artifício (em geral muito vistoso, aqui no Marco de Canaveses e em Baião).

 Parte do dinheiro recolhido é para gastar em fogo. Por razões de segurança, o uso de  fogo de artifício tradicional (com foguetes de cana), não estando proibido,  está sujeito a uma estrita  regulamentação.

Resta-me fazer aqui uma recolha dos versos que publiquei no blogue da família, "A Nossa Quinta de Candoz". Aqui vão, com votos, para todos os  nossos amigos e camaradas da Guiné, de uma feliz e santa Páscoa de 2025. LG

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Viva o compasso pascal
Desta linda freguesia,
Fizeram-nos muito mal
Estes dois anos de pandemia.


Faltam beijos e abraços,
Mas lá iremos ao normal,
Hoje damos mais uns passos,
Viva o compasso pascal!

É uma antiga tradição
Que nos enche de alegria,
E reforça a união
Desta linda freguesia.

Andámos todos com medo
E com máscara facial,
Duas Páscoas sem folguedo
Fizeram-nos muito mal.

Sem compasso nem foguetório,
Sem convívio nem folia,
Nem sequer houve peditório
Nestes dois anos de pandemia. 

 (...) Quinta de Candoz, 18 de abril de 2022
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Mais um ano, mais uma visita
Deste compasso pascal,
É uma festa bem bonita,
E que nunca é igual.

E que nunca é igual,
Logo vem outro, se falta algum,
Renova-se o pessoal,
Que aqui somos todos por um.

Que aqui somos todos por um,
Na alegria ou na tristeza,
Na fartura ou no jejum,
Cabendo todos à mesa.

Cabendo todos à mesa,
Onde não falta o anho assado,
Nesta casa portuguesa,
Onde honramos o passado.

Onde honramos o passado,
O presente e o futuro,
Se alguém está adoentado,
Tem aqui um porto seguro.

Tem aqui um porto seguro,
Damos valor à amizade,
Às vezes o rosto é duro,
Mas o resto é humildade.

Mas o resto é humildade,
Viva o compasso pascal,
E a nossa fraternidade!...
Boa Páscoa, pessoal!

Boa Páscoa, pessoal,
Boa saúde e longa vida,
À Ti Nitas, em especial,
Que nos é muito querida!

Quinta de Candoz,
segunda feira de Páscoa,

22 de abril de 2019


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Já lá vem, em festa, p’la estrada fora,
O compasso pascal da freguesia,
Chega à nossa casa mesmo na hora,
E a todos saúda com alegria.

Mais do que a tradição, 
é a certeza
De que a Páscoa é também renascimento,
E há sempre mais um lugar à mesa,
Para nosso geral contentamento.

Se não for preenchido, é o dos ausentes,
E, em especial, dos nossos mortos queridos;
Aos que vieram e estão aqui presentes,

Saibam que nós ficamos muito honrados.
E, aos do compasso, diremos, reconhecidos:
Tenham um dia feliz, mesmo… estoirados!


Quinta de Candoz, 2 de abril de 2018

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Aleluia, Cristo ressuscitou!,
Apregoa o compasso pascal,
Que hoje nesta casa nos visitou,
E a todos nos juntou neste local.

É uma das ruas da Madalena,
Que tem nome do nosso primeiro rei,
E eu, quando não posso vir, tenho pena,
Porque a Páscoa é aqui, isso eu sei.

Lá vai o compasso pela rua fora,
Sem freima, com prazer e devoção,
Com ordem, em festiva procissão.

À frente vai a cruz e uma senhora,
E outra porta se abre, ali na hora…
Até p’ró ano… e viva a tradição!

Madalena, V. N. Gaia,
domingo de Páscoa,

16 de abril de 2017

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Olha o compasso pascal,
Visitando a freguesia,
Nesta casa, é bom sinal,
Traz-nos a fé e a alegria.

Traz-nos a fé e a alegria,
Que todos bem precisamos,
É a Santa Páscoa o dia
Em que as forças renovamos.

Em que as forças renovamos,
Como seres humanos e cristãos,
Boas festas desejamos,
Pais, filhos, amigos, irmãos.


Pais, filhos, amigos, irmãos,
Vizinhos da Madalena,
Mais os de longe que aqui estão,
E quem não veio vai ter pena.

E quem não veio vai ter pena,
De neste ano faltar,
Mas fez esta cantilena,
Para com vós partilhar.

Para com vós partilhar
As coisas boas do Norte,
E a amizade reforçar
Com um abraço bem forte.


Lisboa e Madalena, V. N. Gaia, domingo de Páscoa,
27 de março de 2016, 10h30
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Vem em abril este ano
O nosso pascal compasso,
Vem o sicrano e o beltrano,
A todos damos um abraço.

É já forte a tradição,
Desta gente aqui do Norte,
Abre a porta, pede a bênção,
A todos deseja sorte.

É um povo hospitaleiro,
Que sabe receber e dar,
Se na fé é o primeiro,
Não fica atrás no folgar.

Obrigados, nossos vizinhos,
Pela visita pascal,
E aceitem com carinhos
… As amêndoas deste casal.

(...) Madalena, 5 de abril de 2015
 
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Páscoa em março, fome ou mortaço,
Diz o povo… Mas em Candoz,
Não há Páscoa sem compasso,
E não há gente como… nós!

Viva o compasso pascal
Que nos vem visitar,
Franqueando nosso portal,
Santas bênçãos nos quer dar.

Páscoa é festa com mensagem:
Triunfa a vida sobre a morte;
Segue o compasso a viagem
E a todos deseja…sorte.

Viva o compasso pascal
Que nos faz esta visita,
Vem por bem, não vem por mal,
Mas traz um saco prá… guita!

Sem guita não há foguetes,
Que é coisa que o povo adora,
Sem ovos não há omeletes,
Sem folar não me vou… embora!

Páscoa é festa da nossa vida,
É tradição cá do Norte,
Não há gente tão querida,
Alegre e de altivo… porte.

É casa de boa gente,
É povo abençoado,
Que gosta de dar ao dente
E se pela por anho… assado!

Parabéns às cozinheiras
Desta bíblica iguaria,
Elas são também obreiras
Desta nossa… alegria.

A todos, muito obrigados:
Sem uma farta e grande mesa,
Sem amigos e convidados,
Páscoa seria… tristeza!

(...) Quinta de Candoz, 1/4/2013

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Nota do editor:

Último poste da série > 20 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26708: Boas amêndoas e melhores Páscoas de 2025 - Parte V ( Mário Beja Santos / Miguel Torga, 1907-1995)