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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28412: Prémio Governador da Guiné e outros prémios (1): uma criação "patriótica" da TAP que tinha o monopólio das "linhas de África"



Lisboa > 1970 > O cap graduado 'comando', cmdt da 1ª CCmds Africanos João Bacar Jaló com o nosso veteraníssimo João Sacôto (ex-alf mil, CCAÇ 617/BCAÇ 619, Catió, Ilha do Como e Cachil, 1964/66), hoje comandante da TAP reformado, membro da nossa Tabanca Grande desde 20/12/2011.

O João Bacar Jaló veio a Lisboa, nessa altura, no 10 de Junho, receber a Torre e Espada. Em 1965 tinha ganho o Prémio Governador da Guiné, Era então alferes de 2ª linha, comandante de millícias. Nasceu em Cacine, em 1929, e morreu em 1971, em combate, no sector de Tite (*)

Foto (e legenda): © João Sacôto (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné] + IA (ChatGPT / Opena Ai) 





Cópia do ofício do presidente do CA da TAP,     Amílcar José de Gouveia Marques  con data de 30dez1974, a anunciar  o fim  dos Prémips instituídos pela empresa para "recompensar os miliatres e civis que se tivessem distingudio na luta em África" (sic): Prémio Govrenador-Geral de Angola (1962), Prémio Governador da  Guiné (1965) e Prémio Governador de Moçambique (1966), Prémio Governador de S. Tomé e Príncipe (1966) e ainda Prémio 'Heróis de Portugal' (1972) (este para os condecorados, no 10 de Junho, com a Torre e Espada).

Documentro disponibilizado leo nosso camarada paraquedista Pedro Castanheira no Portal Portal UTW - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar, e qui reproduzido parcialmenet, com a devida vénia.



1. O Prémio Governador da Guiné (e os seu congéneres, o Prémio Governador-Geral de Angola e  Prémio Governador-Geral de Moçambique) foi criado no contexto da Guerra Colonial/ Guerra do Ultramar (1961–1974),  por iniciativa da TAP  (Transportes Aéreos Portugueses).

Tratou-se de uma iniciativa de promoção de "imagem corporativa e institucionalo" (como diriamos hoje) mas também de "apoio  patriótico" ao esforço de guerra em África A nossa companhia aérea nacional (na qual continuamos a gostar de viajar) quis, explicitamente,  apoiar moralmente e premiar materialmente as Forças Armadas e os agentes civis envolvidos nas operações militares e de segurança no Ultramar.

A TAP, portanto, aparecia como empresa comercial, mas estava profundamente ligada às estruturas e aos interesses do Estado português no Ultramar.  Claro que náo podemos julgar ninguém (e muito menos os nossos camaradas que foram distinguidos com este prémio). De acordo com  o espíerito e letra do nosso "livro de estilo",  não podemos nem devemos  julgar os nossos antigos combatentes com os valores,  e a informação e o conhecimento  que temos hoje.  Mas também não podemos aceitar acriticamente a linguagem oficial com que eles foram apresentados ao longo do tempo (de 1961 a 1974). 

A nossa postura é sempre:  (i) compreender sem absolver; (ii) criticar sem diabolizar;  (iii) contextualizar sem apagar a experiência humana de cada um de nós.

 Dito isto, não podemos  esquecer a posição da TAP no xadrez dos interesses então em jogo.


A TAP como "stakeholder" do império ultramarino 

Claro que também aqui não há "almoços grátis". O patriotismo (ou o sentido de responsabilidade social e nacional)  da TAP era uma moeda com cara e coroa, verso e reverso... 

Fundada em 1945 como um serviço do Estado, foi transformada em sociedade anónima (SARL) em 1953 (através do Decreto-Lei n.º 39 188), num modelo em que o Estado lhe concedia a exploração, mas permitia a participação de capitais e acionistas privados.

Embora fosse a companhia aérea de bandeira e cumprisse objetivos estratégicos do Estado (Novo) (com destaque para a forte ligação e "monopólio" das chamadas "linhas de África" e territórios ultramarinos), tinha o estatuto de empresa comercial privada (SARL).

 Este regime manteve-se até ao período pós-25 de Abril, quando a empresa passou por um processo de intervenção e foi formalmente nacionalizada em 1975  (através do Decreto-Lei n.º 469-A/75), deixando de ser uma SARL para passar a integrar o setor público empresarial.


Origem e criação do Prémio:

Foi instituído em 1965 (o Prémio Governador da Guiné) pelo Conselho de Administração da TAP (e extinto em 30dez1974). Em 1962 tinha já sido criado o Prémio Governador-Geral de Angola (eem 1966, o de Moçambique).

O propósito era valorizar publicamente ações de combate e atos de bravura militar ou civil contra os "movimentos de libertação" (designados pelo regime do Estado Novo como "terroristas"). 

A TAP associou-se assim à doutrina do esforço de guerra nacional, atribuindo aos prémios o nome das mais altas autoridades das províncias ultramarinas (o Governador da Guiné, os Governadores Gerais de Angola e Moçambique).  

A periodicidade era anual. Era atribuído anualmente a elementos destacados nos 3 Teatros de Operações (Guiné, Angola e, mais tarde, Moçambique).

 Critérios de seleção dos candidatos

Os critérios para a atribuição do prémio  assentavam essencialmente em três eixos:

(i) Atos de bravura e feitos de armas: concessão a militares das Forças Armadas (Exército, Força Aérea e Armada) ou elementos das forças de segurança que tivessem tido um desempenho excecional em combate no teatro de operações da Guiné;

(ii) Mérito e heroísmo extraordinário: frequentemente associado a militares já propostos ou condecorados com ordens de bravura como a Cruz de Guerra ou a Ordem da Torre e Espada;

(iii) Serviços relevantes: incluía civis ou forças militarizadas (como a PIDE/DGS, PSP, Milícias ou Companhias de Caçadores Especiais) que tivessem prestado serviços considerados assinaláveis na defesa do território.

As propostas dos candidatos eram enviadas ao Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné, que as submetia ao Governador e à administração da TAP para homologação.

Beneficiários e recompensas


(i) Além do reconhecimento público e do diploma, o prémio incluía a oferta de uma viagem aérea de ida e volta  à Metrópole (ou Ilhas Adjacentes,  da Madeira e dos Açores);

(ii) Perfil dos galardoados: oficiais, sargentos e praças de diversas especialidades, armas e ramos  (desde fuzileiros e paraquedistas a comandos e tropas de linha), bem como civis em funções de segurança e apoio às populações sob ataque do PAIGC;

(iii) Não era uma condecoração, mas uma distinção  honorífica:  João Bacar Jaló, por exemplo, recebeu-o em 1965, como alferes de 2ª linha; voltou a Lisboa para receber a Torre e Espada, no 10 de junho de 1970, já como capitão graduado 'comando'.

Não conseguimos apurar quantos foram os beneficiários do Prémio por ano e por teatro de operações. Mas o seu número deve ter sido restrito, a avaliar pela pequena amostra que recolhemos dos vídeos da RTP Arquivos. 

Em 67 registos da nossa pesquisa pelo descritor "Prémio Governador", obtivemos 7 válidos, ou seja, vídeos referentes a galardoados com o Prémio Governador da Guiné ou Prémio Governador-Geral, de Angola ou Moçambique:

  • 11 em 1965; 
  • 6 em 1966;
  • 14 em 1968; 
  • e  2 em 1969;
  • Média dos 4 anos=8,25. 
Trata-se de uma mera amostra de conveniência. Há outros registos que ficam de fora (1963, 1967...). E nem todos os premiado seriam recebidos por representantes do Governo (Ministro do Ultramar, do Exército, da Marinha, etc.) com direito a "honras de telejornal".


Extinção em 1974

Com a revolução de 25 de Abril de 1974 e o subsequente processo de descolonização, a TAP extinguiu o  Prémio em finais de 1974: a orientação política e institucional mudou radicalmente com a cessação das hostilidades e o reconhecimento, por Portugal, da declaração de independência da Guiné-Bissau.

De acordo com a cópia do ofício, de 30/12/1974, que acima reproduzimos, o Conselho de Administração da TAP extinguiu formalmente os Prémios Governador da Guiné e Governador-Geral de Angola/Moçambique (mais o Prémio Governador de Sáo Tomé e o Prémio 'Heróis de Portugal')  apagando do seu regulamento orgânico os prémios associados ao esforço de guerra no Ultramar.

Pesquisa: LG + Blogue  + Portal UTW + IA (Gemini / Google AI)

Condensação, revisão / fixação de texto, negritos, links, título: LG)


Fontes: 


Tem um dossiê completo, com elementos coligidos pelo  paraquedista Pedro Castanheira, sobre os os regulamentos destes e doutros prémios como o Prémio Governador de São Tomé e Príncipe, Prémio Heróis de Portugal, Prémio Almirante Américo Thomaz,  Prémio Movimento Nacional Feminino,  Prémio Jornal Província de Angola.

Vídeos > RTP Arquivos >


Lisboa, Ministério do Ultramar, Joaquim da Silva Cunha, Ministro do Ultramar, entrega uma espada ao Alferes João Bacar Jaló, distinguido com o Prémio Governador da Guiné. (Vídeo, 0' 55'', a preto e branco, sem som.)

Luz Cunha recebe militares condecorados > 1965-06-29 00:01:22

Ministro do Exército Joaquim Luz Cunha recebe militares distinguidos com os Prémios Governador-Geral de Angola e Guiné-Bissau, por atos praticados nas campanhas em curso naquelas províncias ultramarinas.  (Num total de 6 premiados, 3 são alferes, e 1 cabo. LG)
(Vídeo, 1': 22'', a preto e branco, sem som)

Silva Cunha recebe galardoados do Ultramar > 1965-07-30 00:00:52

Lisboa, Ministério do Ultramar, Joaquim da Silva Cunha, ministro do Ultramar, recebe galardoados com prémios por atos de bravura contra o terrorismo nas províncias ultramarinas, que visitam a metrópole a convite da TAP. Silva Cunha conversa e cumprimenta José Olímpio, cabo de sanzala, galardoado com o prémio "Governador Geral de Angola", José Avelino de Sousa, administrador do Posto de Encheia, e Leonel Baldé, monitor escolar em Aldeia Formoso, galardoados com o prémio "Governador da Guiné". (Vídeo, 1' 23'', a preto e branco, sem som.) (Num total de seis, 1 é 2º srgt, 1 é 1º cabo..., há um angolano. LG)

Soldados galardoados com o “Prémio Governador Geral de Angola” > 1966-06-15 00:01:23

Lisboa, Joaquim da Luz Cunha, Ministro do Exército, e João António Pinheiro, subsecretário de Estado do Exército, recebem grupo de soldados portugueses galardoados com o "Prémio Governador Geral de Angola", por se terem distinguido no combate contra grupo de terroristas no Ultramar. (Vídeo, 1' 23'', a preto e branco, sem som.) (Num total de seis, 1 é 2º srgt, 1 é 1º cabo..., há um angolano. LG)


Lisboa, Fernando Quintanilha Mendonça Dias, Ministro da Marinha, recebe (3) fuzileiros galardoados com o prémio "Governador Geral de Moçambique" por bravura em combate.Quintanilha Mendonça Dias conversa e entrega prémios aos fuzileiros Raul Brandão, Segundo-Tenente, António Pais, Cabo Fuzileiro Especial, e Mário Guerreiro, Marinheiro. (Vídeo, 0' 52'', a preto e branco, sem som.)

Joaquim da Luz Cunha recebe militares 1968-05-30 00:00:49

Coronel Joaquim da Luz Cunha, ministro do Exército, recebe militares galardoados com o prémio "Governador Geral" por bravura em combate. João António Pinheiro, subsecretário de Estado do Exército, recebe os militares à entrada do gabinete e Joaquim da Luz Cunha conversa com os galardoados. (Vídeo, 0' 49'', a preto e bramco, sem som.) (Não se sabe se são oriundos do TO de Angola ou de Moçambique; são 11 os galardoados, 4 pelo menos são furrieis, não há nenhum africano; parecem ser todos do Exército. LG)

Manuel Pereira Crespo recebe fuzileiros 1969-08-06 00:01:13

Ministério da Marinha, Almirante Manuel Pereira Crespo, ministro da Marinha, recebe Mateus Delgado e Manuel Rosa Navalha, fuzileiros especiais distinguidos com o Prémio Governador da Guiné devido aos serviços que prestaram no território ultramarino português.Almirante Manuel Pereira Crespo cumprimenta, conversa com Mateus Delgado e Manuel Rosa Navalha e oferece-lhes prenda.  (Vídeo, 1' 13'', a preto e bramco, sem som.)

(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)
___________________

Nota do editor LG:


(*) Vd. poset de 20 de março de 2019 > Guiné 61/74 - P19604: Álbum fotográfico de João Sacôto, ex-alf mil, CCAÇ 617 / BCAÇ 619 (Catió, Ilha do Como, Cachil, 1964/66) e cmdt da TAP, reformado - Parte VI: Em Príame, a tabanca do João Bacar Jaló (1929 - 1971)

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28253: (De) Caras (251): Manuel Raposo Marques, natural de Mértola, um "básico" que foi... Prémio Governador da Guiné (Mário Pinto, 1945-2019, ex-fur mil at art, CART 2519, Bula, Aldeia Formosa e Mampatá, 1969/71)




Manuel Raposo Marques, natural de Mértola, ex-soldado básico,  CART 2519 (Bula, Aldeia Formosa e Mampatá, 1969/71), "Prémio Governador da Guiné" (1970). Foto: cortesia do portal Ultramar TerraWeb - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar





lustração: "Jornal do Exército" (c. 1970) (Adapt. com a devida vénia)



1. A propósito do "soldado básico", tão maltratado na caserna (e nas nossas memórias...): o Mário Gualter Rodrigues Pinto (1945-2019), ex-fur mil art,  CART 2519, "Os Morcegos de Mampatá" (Buba, Aldeia Formosa e Mampatá - 1969/71), já contou aqui a história do Manuel Raposo Marques, sold básico nº 18757368, promovido depois a soldado atirador de artilharia,  e que foi, por feitos em combate, Prémio Governador da Guiné em 1970. Como tantas outras histórias já aqui partilhadas,  passou na altura despercebida do leitor...

Escreveu o nosso saudoso Mário Pinto (foto à esquerda):

 "Um homem, o Manuel Raposo Marques,  que apesar de ter sido classificado como 'básico', foi uma das nossas maiores e melhores referências em combate, tornando-se num exemplo de abnegação e de heroísmo, dignificando sobremodo o soldado Português".


Um básico que foi... Prémio Governador da Guiné (1970)

por Mário Pinto (1945-2019)


Para quem não sabe ou não se lembra já, básicos eram todos os soldados que não conseguiam qualificação ou aptidão, para serem enquadrados em qualquer outra das muitas especialidades existentes no Exército.

Eram assim a modos que uma espécie de proscritos, de mão-de-obra não especializada, que a tropa não dispensava e empregava no cumprimento de todo o tipo de tarefas indiferenciadas (tarefeiros, faxinas, auxiliares de pequenos serviços, etc.), normalmente apenas dentro das áreas delimitadas dos aquartelamentos.

Eles, tal como todos os outros especializados, iam, igualmente, “malhar” com os “ossinhos”em África. Nessa altura o que estava em causa era a quantidade de homens a enviar para a guerra e não a desejada e necessária qualidade, porque, no fundo, éramos massa destinada a “carne para canhão”.

Básico era então o carimbo com que eram marcados os incapazes e inábeis.  E esta designação fez escola, tendo-se o termo generalizado a todos os sectores da sociedade portuguesa. O “nabo” foi substituído pelo “básico”!

O Manuel Raposo Marques, conhecido na CART 2519 pelo "Básico", tal como qualquer outro homem, tinha uma deficiência psíquica (vulgo “pancada”), daí ele ter reprovado, intencionalmente, na especialidade de cozinheiro.

Dizia ele que não tinha nascido para andar de avental, de tamancos e de gorro na cabeça, e o que ele queria ser mesmo era atirador.

– Que grande maluco! – pensei eu.

Acabou por ser reclassificado em básico, após ter sido considerado pronto na instrução e apto para desempenhar qualquer função de segundo plano, compatibilizando-se as suas capacidades humanas com as necessidades da Companhia.

Assim, o Manuel Raposo Marques, chegado à CART 2519, pediu ao alf mil Claudino, comandante do 4º Grupo de Combate, para o integrar na sua equipa. O alferes falou ao capitão e este consentiu, numa fase experimental, que assim fosse. Mais tarde, em função do seu excelente comportamento activo e combativo no grupo, decidiu elevar este básico, por mérito próprio, à categoria de soldado atirador.

Nos primeiros tempos, os seus camaradas olhavam-no com desconfiança, porque receavam que o 4º Grupo de Combate viesse a ser apelidado, na generalidade, de "básico", mas tal não aconteceu e o Marques veio a revelar-se como um dos melhores soldados da Companhia, com predicados de combatente acima da média e tiques de herói, tendo inclusive sido agraciado com o prémio "Governador da Guiné".

Pois é, o nosso básico, ao ser confrontado com a “roleta da morte”, foi suficientemente corajoso e audaz para ter abatido dois combatentes IN, e conseguir salvar a vida do seu comandante de secção, que se encontrava em situação difícil e ferido numa perna, numa acção em que o seu grupo de combate interceptou um grupo do PAIGC.

O "Básico" passou a ser uma referência da CART 2519 e respeitado por todos os seus camaradas e superiores hierárquicos. (**)

Nota -  Estes dados foram retirados da História da Unidade e do livro “Há Sangue na Picada”, de Jacinto Manuel Barrelas, cor art ref,  ex-cap art, cmdt da CART 2519. (1969/71)

(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, links, edição de imagem: LG)

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28216: (De) Caras (250): Luís Mário da Silva e Sá (c. 1948-1970), alf mil 'cmd', 26ª CCmds (Brá, 1970/72), cruz de guerra de 2ª classe a título põstumo: peço ao escritor Angelino Santos Silva que nos fale dele e das circunstâncias da sua morte (José Macedo, EUA)


Flâmula da 26ª CCmds. O único representante desta subunidade na Tabanca Grande é, até agora, o Angelino Santos Silva, ex-fur mil 'cmd', escritor,  autor de "Geração Afro" (sob o pseudónimo Reboredo) (2026)



1. Mensagem de José Macedo ( ten fuzileiro especial,  DFE 21, Cacheu e Bolama, 1973/74); natural da Praia, Cabo Verde, vive nos EUA desde 1977; é jurista):




O Zeca Macedo, em 1971, quando frequentava o 1º ano da  Escola Naval 
(que não completou), tendo ingressado nos fuzileiros.



1.1. Data - quarta, 17/06/2026, 21:22
Assunto - Informações sobre um camarada morto em combate



Luis, mantenhas. Estive com um amigo e camarada da Escola Naval, engenheiro construtor naval, que me contou que o irmão mais velho, Luís Mário da Silva e Sá, alferes 'comando', foi morto em combate em 1970, na zona de Cacheu (*). 

Ele disse-me que o irmão pertencia à 26ª Companhia de Comandos.  (...)

Peço a tua ajuda para me dares os dados que haja sobre sobre a morte do Luís e o contacto de algum camarada que o conheceu na Guiné.

Um muito obrigado.


PS - Em breve te enviarei um pequeno post sobre a Eugénia Espirito Santos que conheci na Guiné
.


1.2. Nova mensagem do José Macedo (ou Zeca, conhecemo-nos desde 1971):

Data - 29/06/2026, 19:19

No nosso blogue "encontrei" o nome de um membro da 26ª Companhia de Comandos, à qual pertencia o alferes Luis Mário, irmão do meu camarada. Trata-se do escritor Angelino dos Santos Silva. Agradeço-te que, se possível, me des dês as informações para que o possa contactar.

2. Resposta do editor LG:

Zeca: como tu, de resto, já tinhas entretanto  dado conta,  há uma justa homenagem ao ex-alf mil inf 'cmd'  Luís Mário da Silva e Sá no portal UTW - Ultramar TerraWeb. Dos Veteranos da Guerra do Ultramar, na série "Honra e Glória". Entretanto, já te pus em contacto  com o Angelino.

Eis alguns dados biográficos Luís Mário Silva e Sá (que deve ter nascido em 1948, tal como o Angelino): 

(i) natural de Panóias de Cima, Guarda; infelizmente não temos nenhuma foto dele (**):

(ii) foi alf mil 'cmd', tendo pertencido, de facto, à 26a. CCmds (1970/72), comandada pelo cap mil inf 'cmd' Alberto Freire de Matos:

(iii) com apenas 6 meses após a sua chegada ao CTIG, faleceu no dia 24 de setembro de 1970, no Hospital Militar 241, em Bissau, em consequência de ferimentos graves adquiridos em combate na mata de  Balenguerez, na região do Cacheu:

(iv) louvado e agraciado, a título póstumo, em 1971, coma  medalha de cruz de guerra de 2ª classe por feitos em combate; excerto do teor do louvor:

(...) "Porque, no dia 24 de setembro de 1970, na Província da Guiné, quando a força que comandava caiu debaixo de intenso fogo inimigo, conseguiu, a peito descoberto, manobrar e instigar o seu Grupo de Combate, estando sempre presente onde a sua acção era mais necessária, a ponto de, ao ver a urgência do uso de fogo de morteiro, não hesitou em colocá-lo em campo aberto, protegendo destemidamente com o corpo e sacrifício da própria vida a arma e o apontador, contribuindo, grandemente, para fazer gorar os intentos do adversário e que não resultassem mais perdas para as nossas tropas.

"Combatente de eleição e chefe estimado pelos superiores, camaradas e subordinados, evidenciou sempre o alferes Sá, em todos os contactos com o inimigo, dotes de excepcional coragem, sangue-frio, serena energia debaixo de fogo e gosto pelo risco, muito honrando os Comandos a que pertenceu e o Exército que tão devotadamente serviu."

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 5.° volume: Condecorações Militares Atribuídas, Tomo VI: Cruz de Guerra (1970-1971). Lisboa, 1994, pp. 540/541.

___________________

Notas do editor:


(**) Último poste da série : 8 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P27999: (De) Caras (249): Duas referências na história da capelania militar no CTIG: Bártolo Pereira (QG/CTIG, Bissau, 1965/67) e Arsénio Puim (CCS/BART 2917, Bambadinca, 1970/71)

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28143: Nomadizações de um marginal-secante (Luís Graça) (9): porque é que o PAIGC nunca afundou nenhuma embarcação no rio Geba Estreito (São Belchior e Mato Cão) - Parte I

Guiné > Região de Bafatá  > Sector L1 > Bambadinca > Mato Cão > c. novembro/dezembro de 1971 >O ten cor Polidoro Monteiro, último comandante do BART 2917, já falecido; o alf mil médico António Rodrigues Marques Vilar  (hoje psiquiatra, com consultório em Aveiro); e o alf mil Paulo Santiago, cmdt do Pel Caç Nat 53 (Saltinho) e depois instrutor de milícias (no CIM de Bambadinca), hoje engenheiro técnico agrícola reformado (Águeda). O grupo posa para a fotografia com um crocodilo juvenil  do rio Geba, abatido pelo alf mil Vilar... 

Foto tirada em novembro ou dezembro de 1971 no Mato Cão, após ocupação da zona com vista à construção de um destacamento, encarregue de proteger a navegação no Geba Estreito e impedir as infiltrações na guerrilha no reordenamento de Nhabijões, um enorme conjunto de tabancas de população balanta e mandinga tradicionalmente "sob duplo controlo".

Foto (e legenda): © Paulo Santiago (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Sector L1 (Bambadinca) > Mato Cão >  c. 1973/74 > Pel Caç Nat 52 (1973 /74) >   Vista do Rio Geba e bolanha de Nhabijões, a partir do "planalto" do Mato Cão.  Foto do álbum do último cmdt do Pelotão, alf mil  Luís Mourato Oliveira.

Foto (e legenda): © Luís Mourato Oliveira (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].




1. A mítica LDM 302 tem pelo menos 16 referências do nosso blogue... A sua "vida e morte" davam um filme...Mas neste país a guerra nunca foi "cinéfila" ou melhor o cinema é que não gosta de guerra. Muito menos da guerra da Guiné que nos coube na rifa.  



Ludgero Henriques 
de Oliveira
(1947-2012),


A referência à LDM 302, afundada duas vezes no Cacheu (*), trouxe-me de imediato, à lembrança, um dos seus tripulantes,  maquinista fogueiro que foi meu conterrâneo, vizinho, colega de escola e amigo, Ludgero Henriques de Oliveira, natural da Lourinhã, e que a morte levou, precoce e injustamente, aos 64 anos, em 2012 (era então sargento-chefe na situação de reforma).

Já aqui, no nosso blogue, foi homenageado, mais de uma vez;  foi agora também lembrado pelos nossos camaradas do portal UTW - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar, um sítio igualmente incontornável do nosso repositório de memórias: faz este ano 20 anos de existência na Web; daqui vai um alfabravo para a equipa do portal UTW, com votos de boa continuação da caminhada pelos trilhos da nossa memória histórica.

Mas voltando ao Mato Cão (**)...Eu que lá fui bastante vezes, em patrulhamentos ofensivos, com montagem de emboscadas na margem direita do rio Geba Estreito (Xaianga), noutra encarnação (CCAÇ 2590 / CCAÇ 12, Bambadinca, 1969/71), nunca percebi por que razão o PAIGC  
nunca conseguiu meter a pique uma embarcação, civil ou militar, naquele troço... Passsaram lá LDG (!) e seguramente LDP e LDM da Marinha. Passaram lá "barcos turras", civis,  ao serviço da Intendência Militar, mas também das casas comerciais "colonialistas" como a Casa Gouveia ou a Sociedade Ultramarina... Chegavam inclusive a Bafatá...Com a maré-cheia, claro...

A embarcação afundada (e às vezes iam em comboio, com batelões...) iria bloquear a navegação fluvial entre o Xime e Bambadinca, durante semanas, senão meses...E o impacto no abastecimento de toda a zona leste, far-se-ia sentir de imediato,  com consequências visíveis do ponto de vista logístico,  psicológico,  propagandístico, etc... 

Os portos fluviais do Xime e de Bambadinca eram as duas únicas entradas (por rio e terra) na Zona Leste (regiões de Bafatá e de Gabu, que iam da Foz do Rio Corubal, a oeste, à fronteira com a Guiné Conacri, a leste), e de norte (Senegal) a sul (Guiné-Conacri). Era a maior zona da Guiné e a mais povoada: mais de 15 mil quilómetros quadrados, com uma  população (fulas e mandingas, sobretudo) de 180 a 200 mil habitantes (por volta de 1970): mais de 40% do território, mais de 35% da população (que no total não chegava a meio milhão).

Terá sido uma questão de "cálculo político" ou pura "incompetência operacional" ? Tentaremos responder a essa questão em próximo poste desta série ("Nomadizações de um marginal-secante") (**).No rio Cacheu, na clareira do Tancroal, o IN meteu a fundo, duas vezes, a nossa gloriosa LDM 302... Por que raio é que os gajos do PAIGC não haveriam de acertar, em cheio, com uma simples canhoada, num bocado de madeira flutuante como era um "barco turra" (onde também viajei, pelo menos umas quatro vezes, no percurso Bambadinca-Xime-Bissau e vice-versa) (além de 2 viagens de LDG, no princípio e fim da comissão).

Infelizmente a Guiné-Bissau deixou assorear os seus rios... Já nem cenários temos para um simples documentário, quanto mais um filme de ficção.

Por certo, já não se passa hoje no Tancroal (Rio Cacheu), ou no Mato Cão (Rio Geba Estreito)... Em 2008, ainda atravessei o Rio Cacine de um lado a outro,. numa canoa nhominca... Mas o Cacine não é um rio, é um braço de mar...segunda-feira, 29 de junho de 2026 às 14:27:00 WEST



2. Enfim, apetecei-me recapitular algumas situações relaci0nadas com a navegação no rio Geba Estreito e a instalação do destacamento do Mato Cão (que já não é do meu tempo: saí da Guiné em março de 1971). 

O PAIGC, no 2º semestre de 1971, vai "reagir mal" à ocupação, pelas NT, do Mato Cão (Op Tareco  Vilão I, 2-7, nov 71).

Ao Mato Cão,  durante aqueles anos todos da guerra, só lá se ia em patrulhamento ofensivo, para montar segurança aos barcos, essencialmente civis, que navegavam no Geba Estreito.  As LDG também chegavam a Bambadinca, até finais de 1968/princípios de 1969, mas já não era no meu tempo; em 2 de junho de 1969, já desembarquei (ou melhor "abiquei") no Xime (porto fluvial, a par do de Bambadinca).

Em 1 de julho de 1971, ao tempo do BART 2917 (Bambadinca, junho 1970/maio 1972), era a seguinte dispositivo das NT no Sector L1 (Zona Leste), no que diz respeito aos Pel Caç Nat 52, 54 e 63 (que vão depois guarnecer o novo destacamento do Mato Cão, "à vez"):

Pel Caç Nat 52 > Fá Mandinga;
Pel Caç Nat 54 > Bambadinca;
Pel Caç Nat 63 > Missirá (reforçado por 1 Pel Mil 202 / CMil 1) e a seguir Mato Cão


Maio 71, 4 e 5 >  Op Triângulo Vermelho 

Na região de Enxalé-Cuor, sector L1, foi feito um patrulhamento por forças de 3 GComb/CArt 2715 (Xime), CCaç 12 (Bambadinca), CCP 123 / BCP 12 (BA 12, Bissalanca) e 1 Pel Caç 54 (Bambadinca).

O lN flagelou as NT, causando 2 mortos e 9 feridos e sofrendo 4 mortos.

Destruídas 20 moranças e meios de vida (dpois cleiros com meia tonelada de arroz). Capturado 1 elemento armado com esp "Mauser" e documentos diversos.

Agosto 71, 28 > Flagelação ao barco "Manuel Barbosa"


Um grupo IN estimado em cerca de 10 elementos flagelou com RPG-2 e Armas automáticas ligeiras,  de Mato Cão, o barco “Manuel Barbosa” causando 8 feridos graves, e 9 feridos ligeiros.

Pelas 14,50 horas uma secção do Pel Caç Nat 52 iniciou a progressão em meio auto com destino a Finete onde se juntaria uma secção do Pel Mil 201.

Às 15,10 horas, em [BAMBADINCA 4C2-84], a viatura Unimog 411,de matrícula ME-18-93,  accionou uma mina A/P reforçada, com a roda da frente do lado direito, ficando completamente destruída e provocando ferimentos na quase totalidade dos elementos das NT que nela seguiam, nomeadamente no 2º cabo atirador Nhaga Maque (Pel Caç Nat 52) que veio mais tarde a falecer em Bambadinca como consequência dos ferimentos recebidos.

Após o accionamento da mina o sold cond Manuel Castro Ribeiro Silva,    da CCS/BART 2917 (que estava destacado no Pel Caç Nat 52), assumiu o comando da secção, instalando os seus companheiros e montando um dispositivo de segurança à viatura com os elementos mais válidos após o que se deslocou a Bambadinca, transportando aos ombros um dos feridos, a fim de avisar as NT sedeadas neste aquartelamento (CCS/BART 2917, CCAÇ 12...).

Imediatamente se deslocou de Bambadinca uma secção da CCAÇ 12 (acompanhada de um enfermeiro e macas) que se encarregou do transporte dos feridos de Finete, para onde as milícias desta tabanca, que imediatamente acorreram ao local do acionamento da mina os tinham já transportado, para Bambadinca.

Num reconhecimento feito posteriormente não foi detectada a colocação de mais qualquer engenho explosivo, tendo-se no entanto detectado em [BAMBADINCA 4C7-74], vestígios de instalação em emboscada de um Grupo IN estimado em cerca de 10 elementos, o que vem confirmar declarações de milícias em Finete que dizem ter ouvido alguns tiros.

Novembro 71, 2-7 > Op Tareco Vilão I


 No dia 2 de novembro pelas 8,30 horas os 2 Gr Comb da CCAÇ 12 (Bambadinca) deslocaram-se em meios auto de Bambadinca para o Porto (fluvial) de Bambadinca de onde em meios fluviais [barco sintex], prosseguiram para Mato Cão, onde chegaram cerca das 21h00.

Substituíram então, no local, os Gr Comb da CCAÇ 12 empenhados na Op Tudo Vale , montando uma rede de emboscadas nos trilhos de acesso mais provável do IN ao Destacamento de Mato Cão, garantindo a segurança com a colaboração do Pel Caç Nat 63, do pessoal que procedia à instalação daquele Destacamento.

No dia 3 pelas 13,30 horas, um Grupo IN estimado em cerca de 40 elementos flagelou com RPG-2 e Arm Aut Lig de [BAMBADINCA 1H97-61], apoiados por RPG-7 e Mort 82, o estacionamento de Mato Cão, causando 2 feridos graves e 8 ligeiros.

As NT reagiram imediatamente obrigando o IN a retirar, com baixas prováveis.

Feito reconhecimento à área de instalação IN, detectaram-se vestígios de IN se ter aproximado e retirado na direcção de Chicri, tendo-se encontrado vários vestígios de sangue.

No dia 6 pelas 16h55, um Grupo IN não estimado flagelou da direcção de Chicri o estacionamento de Mato Cão e as forças de segurança ao mesmo, durante 5 minutos com Mort 82 e LRock.

As NT reagiram prontamente pelo fogo de Mort 81 obrigando o IN a retirar. Posteriormente o 20º Pel Art (Xime) bateu os trilhos prováveis de retirada.

Não foi feita uma conveniente batida imediata por, após os tiros de artilharia, ter anoitecido sendo a visibilidade muito fraca.

No dia 7 pelas 6h45, quando o Pel Caç Nat 63 explorava o contacto havido ao anoitecer do dia 6 reconhecendo a mata a Norte de arame farpado, detectaram.  a cerca de 600 metros do mesmo, numeroso Grupo IN estimado em 50 elementos que ali se encontrava emboscado.

As NT imediatamente abriram fogo, tendo o IN, ao sentir-se descoberto, reagido com RPG-2, RPG-7, Mort 60 e Arm Aut Lig ao mesmo tempo que um outro Grupo IN localizado mais para Norte e a uns 500 metros do primeiro, começou a flagelar o estacionamento de Mato Cão com Mort 82 e RPG-7.

As NT imediatamente exploraram o contacto manobrando pelo fogo e movimento obrigando o IN a retirar.

Apesar da pronta e enérgica reacção do Pel Caç Nat 63, o IN conseguiu ao fim de cerca de um minuto quebrar o contacto em virtude do Pelotão ter esgotado as munições de Mort 60 e dilagrama que transportava consigo, cujo consumo foi maior do que seria de prever num contacto deste tipo em virtude do LGFog 8,9 cm não ter funcionado.

Remuniciado, o Pel Caç Nat 63 prosseguiu na batida tendo encontrado abandonado no terreno um morto, armado de pistola Ceska Zbrojovka m/1927, de origem checa, identificado por documentos que possuía como sendo Mário Campos, e uma granada de RPG-7.

Foram ainda detectados vestígios e vistos elementos IN arrastando mais cinco corpos de elementos feridos ou mortos pelas NT.

Entretanto, primeiro, os Mort 81 do Destacamento e posteriormente o 20º Pel Art /BAC 7 (10,5 cm) (Xime) batiam os itinerários previsíveis de retirada,  tendo o Pel Caç Nat 63 verificado que alguns dos impactos de artilharia se situavam sobre o trilho seguido pelo IN e nas suas imediações encontrava-se muito sangue.

Neste contacto as NT sofreram 3 feridos graves e 9 (um civil) ligeiros sendo um ferido grave e 3 ligeiros proveniente do contacto directo com o IN e os restantes como consequência da flagelação ao estacionamento.

No dia 7/11/71 pelas 14h30, os 2 Gr Comb da CCAÇ 12, após serem substituídos no local pelas NT empenhadas na Op Tareco Vilão II e II, iniciaram progressão em meios fluviais [Barco Girassol] para Bambadinca, permanecendo o Pel Caç Nat 63 e uma secção do Pel Mil 202 em Mato Cão, onde chegaram cerca das 16h00.

Fonte: Adapt de História do BART 2917, de 15nov1969 a 27mar1972, mimeog, 182 pp. (Cópia, em formo digital, gentilmente cedida por Benjamim Durães)



Guiné > Região de Bafatá > Carta de Bambadinca (1955) > Escala de 1/50 mil > Detalhes: posição relativa de Bambadinca, na maregm esquerda (sul), do rioGeba Estreito, regulado de Badora;

(i) a  sudoeste: Nhabijões,  Sambassilate, São Belchior e o regulado do Xime;

(ii) a noroeste; Mato Cão, Finete, Salá e regulado do Cuor;

(iii) a norte/nordeste: Mero, Fá Mandinga, Missirá e regulados de  Óio, Mansomine e Joladu; 

O PAIGC só mandava (alguma coisa), a partir de Salá... tendo "barracas", maiss a noroeste, na zona de Madina / Belel. Já no Óio havia a "base central" de Sara Sarauol... 

O destacamento, mais a norte de Bambadinca, no setor L1, era Missirá, guarnecido por um Pel Caç Nat (52 ou 63, em diferentes períodos) e um pelotão de milícias e uma esquadra de morteir0 81... 

 A Madina/ Belel , muito para lá de Salá (e que por isso que já não vem nesta carta) ia-se uma vez por ano, na época seca...para "dar e levar porrada".

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)


domingo, 1 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27691: Notas de leitura (1891): "O capelão militar na guerra colonial", de Bártolo Paiva Pereira, capelão, major ref - Parte VII: O "monge-guerreiro", Abel Matias, major graduado 'cmd' capelão, ref, esteve em Angola, de 1965 a 1971


Abel Matias (n. 1937, Póvoa do Varzim)


1. Abel Matias, OSB (sigla latina de Ordo Sancti Benedicti, Ordem de São Bento), não foi apenas um capelão de retaguarda, a viver no relativo conforto e segurança de uma CCS de um batalhão durante a guerra colonial. Ele integrou-se totalmente na unidade de elite onde serviu, os "Comandos", na sua segunda comissão, em Angola, de 1969 a 1971.

É, ao que parece, é o único dos capelães portugueses que serviram a Igreja e o Exército durante a guerra colonial (1961/74) a frequentar, com sucesso, o Curso de Comandos, ganhando o direito de usar o mítico crachá e a boina vermelha.  Aliás, o nosso grão-tabanqueiro cor art ref Morais da Silva, que de resto também é de Lamego, confirmou-me que foi seu instrutor. 


O padre Abel Matias é apontado como uma figura singular e marcante da história contemporânea portuguesa por personificar uma intersecção invulgar entre: (i) a vida monástica; (ii) a mística militar; e (iii) a assistência espiritual em cenário de guerra.

O capelão-chefe graduado em major, Bártolo Paiva Pereira, no seu último livro, "O capelão militar na guerra colonial" (edição de autor, Vila do Conde, 2025, 120 pp)(*), elege-0 como os dos "12 mais" que teriam alcançado notoriedade num universo de cerca de mil capelães mobilizados para os 3 teatros de guerra (Angola, c. 500; Moçambique, c.400; Guiné, 113)... (Como o autor faz questão de escrever, "a publicação dos nomes não serve para elogiar ou esquecer alguém", pág. 53). 

Nesta lista há ainda "dois capelães paraquedistas de peso", os padres Martins e Pinho. Capelães da FAP., fizeram questão de tirar o brevê (pág. 58).




Capa do livro, de Bártolo Paiva Pereira




(In: Bártolo Paiva Pereira, " O capelão militar na guerra colonial", ed. autor, 
Vila do Conde, 2025, pág. 56)


2. Chamaram-lhe o "monge-guerreiro", uma figura algo anacrónica no Portugal do séc. XX, quando já não havia, desde meados do séc. XIII, guerras de "reconquista"... Eis aqui os pontos principais sobre o seu percurso de vida, que recolhemos da Net:


Abel Matias (Moreira da Silva), contrariamente ao que diz a IA sobre ele , não é natural da Panajóia, Lamego, mas sim de São Pedro de Rates,Póvoa de Varzim, onde nasceu em 19 de setembro de 1937 (irá para o ano fazer os 90). Se fosse de Lamego, era muito natural que conhecesse o CIOE (Centro de Instruções Especiais), aquartelado em Penude e criado em 1960.

Em todo o caso, viveu mais de 4 décadas em Lamego, será diretor do famoso Colégio de Lamego, além de capelão do CIOE, uma vez terminada a guerra. Teve também um irmão padre, Justino Matias Moreira da Silva (1936-1999). Era(é, ainda está vivo) uma figura muito popular em Lamego, ligado também ao desporto.

Diz "A Voz de Trás os Montes" que, após a escola primária, ingressou na Escola Claustral do Mosteiro de Singeverga, em Santo Tirso, em 1950. Seis anos depois, tornou-se monge. Foi ordenado sacerdote, na Sé do Porto, em 1963.

É licenciado em Histórico-Filosóficas pela Universidade do Porto (tese de dissertação da licenciatura, hoje equivalente a mestrado: "Marxismo e Doutrina Social da Igreja"). Tem também um bacharelato em Filologia Românica.

Serviu, em Angola, como capelão militar, voluntário, primeiro no BCAÇ 1855 (set65/dez67), e depois no CIC (Centro de Instrução de Comandos) (set69/nov71).

Ficou conhecido por acompanhar (presume-se que de vez em quando, que  os seus 32/33 anos, no final da década de 1960, já pesavam) os militares em operações no mato, saltando de helicópteros e partilhando os mesmos perigos que os soldados, o que lhe terá conferido uma auréola de "monge-guerreiro" e sobretudo um grande respeito entre os comandos. 

Capelão militar, passou à disponibilidade como major. No Colégio de Lamego, foi professor de Filosofia e Psicologia e seu diretor. Após aposentar-se, regressou em 2014 ao Mosteiro de Singeverga.

A sua formação de base, beneditina (focada no lema Ora et Labora, reza e trabalha), terá marcado profundamemnte a sua personaliddae e a sua disciplina pessoal e espiritual.

É autor, entre outros dos livros:

"Angola, paz só com Muxima" (1989);
"Como eram duros os caminhos da guerra" (2019).

3. No portal UTW - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar pode ler-se, a seu respeito:

(... ) No teatro de operações de Angola, cumpriu duas comissões de serviço voluntário:

- desde 26Set65 até 11Dez67, alferes graduado capelão da CCS/BCac1855;

- desde 07Set69 até Nov71, como tenente (capitão graduado) 'comando', Capelão do CIC-RMA.

Louvores (transcrição):

  • Tenente graduado capelão (CCS/BCAÇ 1855, 1965/67):

(...) "Louvo o Tenente Graduado Capelão, Abel Moreira da Silva, do BCaç 1855, pela forma como desempenhou as suas funções durante mais de 28 meses, sendo quinze na zona de Nambuangongo onde se processa intensa actividade operacional.


"A sua presença constante nas Subunidades destacadas, que nunca abrandou, embora várias vezes tivesse sido sujeito a emboscadas... Conselheiro e amigo de todos, muito contribuiu para o bom espírito de corpo criado no Batalhão. A forma esclarecida como procurou orientar a sua actividade, não impondo ideias, mas criando as condições mais propícias à sua receptividade natural, permitiu que produzisse trabalho rendoso digno de salientar» (...)

  • Capitão graduado capelão do CIC (1969/71);

(...) "Louvo o Capitão graduado Capelão n.º 51145411, Abel Moreira da Silva, do CIC, porque, desempenhando durante a sua comissão, as muito difíceis funções de capelão do Centro de Instrução de Comandos, de uma forma muito meritória e altamente eficiente, sempre evidenciou acentuada dedicação e esclarecido discernimento na dupla missão de militar e padre.

"Com humanidade, inteligência, perspicácia e superior clarividência deu provas de desassombro e coragem moral sempre que se lhe deparou a defesa de causas ou princípios que se impusessem pela sua justiça.

"Evidenciando acentuado dinamismo e optimismo, sempre se encontrava onde a sua presença se impusesse quer se tratasse de Quarteis ou Zonas de Intervenção, o que o levou a acompanhar as forças destacadas em operações e por largos períodos, não se furtando ao perigo, antes, serenamente, a todos dando o seu permanente apoio e conforto moral, a que não faltou a intensa mentalização para o dever a cumprir.

"Pelas provas de carácter, dignidade e isenção de procedimentos evidenciados, tomou-se o capitão P. Abel merecedor de muita estima e respeito, muito se dignificando e prestigiando o serviço que com tanta dedicação e mérito próprio serviu, creditando-se como precioso auxiliar do Comando, o que muito me apraz, publicamente, apontam! (...)


4. Falta-nos, naturalmente, o "contraditório"...


O Abel Matias não era um combatente, mas um capelão, a sua presença visava levar conforto espiritual em situações-limite, em que se matava e morria. Acreditava que a sua missão era estar onde o sofrimento e o risco de morte eram maiores.

Foi uma figura carismática: após o fim da guerra e a transição para a democracia, manteve-se ligado à memória histórica do conflito e à comunidade de veteranos. É frequentemente recordado em convívios da Associação de Comandos.

Mas também terá sido um capelão controverso: para alguns, a figura de um "monge-guerreiro" não a compaginável com a visão do clero no pós-Vaticano II; para os militares que serviram com ele, era visto como um símbolo de coragem e "humanidade no inferno".

Contrariamente ao que a IA diz a seu respeito, o padre Abel Matias não faleceu em 2008, nem nunca esteve na Guiné; está vivo, recolhido no mosteiro de Singeverga, isolado do mundo.

Para os interessados numa curta estadia: o mosteiro tem uma hospedaria onde recebe hóspedes, apenas homens, e por períodos não superiores a 8 dias; "a hospedaria monástica de Singeverga não firma preços de estadia. As despesas são comparticipadas com donativos."

(...) "Pela hospedaria passam gentes de todas as proveniências sociais, de quase todas as faixas etárias, e mesmo de diferentes crenças religiosas, incluindo agnósticos e descrentes. Há artistas, escritores, padres, médicos, seminaristas, personalidades conhecidas e gente anónima que também decidem passar um tempo em Singeverga, cada um atraído pela liturgia sóbria, ou pelo canto ou pela tranquilidade do lugar.

"Como a hospedaria está dentro do espaço da clausura, só é possível receber homens, e, por norma, o tempo de estadia não poderá ultrapassar os oito dias. (...)".

Contactos:

Mosteiro de São Bento de Singeverga
Rua Mosteiro de Singeverga, 200
4795-309 RORIZ STS
Telefone: 252 941 176; fax: 282 872 947
E-mail: mosteiro@mosteirodesingeverga.com

(Pesquisa na Net, revisão / fixação de texto: LG)
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Nota do editor LG:




quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Guiné 61/74 - P27274: Notas de leitura (1844): "O capelão militar na guerra colonial", de Bártolo Paiva Pereira, capelão, major ref - Parte II: "O silêncio de Salazar foi o início da guerra em Angola" (Luís Graça)

 


Angola > Cabinda > BCAÇ 321 (1961/64) > c. 1962 > O alferes graduado capelão Bártolo Paiva Pereira na foresta de Maiombe

Foto (e legenda): © Bártolo Paiva Pereira  (2025). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Capa do último livro de Bártolo Paiva Pereira (n. 1935, Santo Tirso). 
Edição de autor, Vila do Conde, 2025, 120 pp.


1. Neste livro de memórias e que é também a apologia da capelania militar (ou da "pastoral castrense") (*), o autor escreve:

"O 'nosso Capelão' , assim nos tratam os militares, é modo carinhoso , revelador dum caráter  familiar de muita proximidade e estima entre a classe militar. Eu, como centenas de colegas, aceitei ser esse 'nosso Capelão', durante a guerra colonial, sem o cinismo da heroicidade, o que permitiu às ideias não resvalarem para idiotices" (pág. 11).

Major do exército, ao fim de 30 anos de serviço nas Forças Armadas como capelão  o padre Bártolo PaivaPereira publica este livro no 64º aniversário da sua 1ª mobilização para Angola... 

E foi essa comissão que o marcou de maneira indelével.  Dedica-lhe as primeiras páginas, as mais pessoais, e ao fim ao cabo as únicas do livro, embora tenha passado também por outros teatros de operações (Guiné e Moçambique).

Na Guiné, de que fala pouco, ou quase nada, sabemos que não foi propriamente capelão, mas sim capelão-chefe do serviço religioso do CTIG, entre dezembro de 1965 e fevereiro de 1968. Não sabemos, por exemplo, se alguma vez saiu de Bissau...

De resto não chegou a conhecer  lá  o brigadeiro e depois general António Spínola, governador e comandante-chefe que rendeu o general Arnaldo Schulz. (Sobre este, seu comandante,  não tem uma única palavra.)

Angola terá sido a sua "eleita do coração", passou lá quatros anos, de acordo com a informação que encontrei no portal UTW - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar. 

No livro, falta uma resenha com o seu CV militar. Sabemos que foi  capelão de duas unidades em Angola:

  • BCaç 321 (nov 61 / jan 64);
  • GAC 1 (Grupo de Artilharia de Campanha) (mar 64 / dez 65).

Passou igualmente quase quatro anos em Moçambique (set 71 / jun 75).

Ainda de acordo com a mesma fonte, foi graduado em alferes capelão em 1961, tenente em 1963, capitão em 1965 e major em 1973. De 1975 a 1981 foi ainda capelão no Regimento de Comandos da Amadora e depois no Instituto dos Pupilos do Exército, tendo-se reformado como major do Exército em 1981. Vive hoje em Vila do Conde. É natural de Santo Tirso.

Na realidade, o próprio autor define o propósito e delimita o âmbito do livro: não é propriamente a sua história de vida, embora contenha notas autobiográficas, é essencialmente "um livro sobre o perfil e o múnus do Capelão Militar, destacado para o conflito", ou seja, para a "guerra colonial" (sic),  mas em que também se fala de lembranças e de amizades, de pessoas que ele foi conhecendo, "quando servi o Exército, em África",  durante a guerra colonial e em tempo de paz" (pág. 87)... 

No cap 5 (Pessoas & Acontecimentos, pp.  87 e ss.), o padre Bártolo evoca militares que são figuras públicas  (do Carlos Matos Gomes ao Jaime Neves, do Otelo ao Salgueiro Maia, do Spínola ao Costa Gomes), todas já falecidas com exceção do gen Ramalho Eanes. Pelo menos os três primeiros (Matos Gomes, Jaime Neves e Otelo), ele conheceu-os, foi capelão deles.

Também  evoca (e traça o perfil de) 10 dos capelães militares, seus pares, alguns dos quais seus subordinados, entre os quais o conhecido Padre Mário da Lixa, já falecido: "Viveu comigo na Guiné, na Chefia do Serviço, cumprindo os dias de prisão a que foi submetido" (pág. 57).

Numa primeira leitura, rápida e agradável, o livro pareceu-me desigual e fragmentado. É  um homem lido, culto, vivido oriundo de uma diocese como a de Braga (reconhece "a diferença de mentalidade e cultura" entre a sua diocese e a de Lisboa, ao tempo do Cardeal Cerejeira)... 

Enfim, é um padre que serviu duas "senhoras", duas instituições poderosas, a Igreja e o Exército, a Cruz e a Espada, e de quem, aos 90 anos, não se pode esperar um  livro abertamente crítico.  Para já, pretende colmatar uma lacuna: há centenas e centenas de livros sobre a guerra colonial, e tão poucos são os que falam do papel do capelão militar, queixa-se ele  (pág. 39).

É um livro de afetos e de doutrina (sobre a pastoral castrense). Mas, com a sua vasta experiência de vida, de 90 anos, como homem, cidadão, sacerdote e capelão militar, ainda é de esperar que ele publique a sua autobiografia, ou pelo menos um livro com as suas memórias mais pessoais. Tem, além disso, 30 anos  passados na Suíça, como sacerdote, no seio da comunidade lusófona, emigrante.


2. Curiosamente o autor é mais crítico  em relação à figura do António Salazar e à elite política do Estado Novo: (...) "o Salazarismo não acordou para a descolonização, cometendo o erro irreparável duma guerra perdida" (pág. 32). 

Mais:  Salazar terá ignorado todos os sinais de alerta em relação a Angola... "Esse silêncio de Salazar é sinal do início da guerra" (pág. 33).

(...) "Angola possuía muito e produzia bastante, exportava pouco e roubavam tudo. A sua riqueza (...) serviu  para uma desumana exploração do povo, anos a fio. (...) (pág. 32). 

É interessante a análise que o autor faz sobre os antecentes, as causas próximas  e  as  causas remotas da guerra. No se coíbe  de afirmar que "em Angola, a guerra começa no coração avarento da burguesia austral", isto é, na sua subordinação "aos interesses do capital financeiro" (pág. 34).

Mas onde está o seu coração ?... Sem sombra de dúvidas, na sua "3ª família", a família miliar, que vem a seguir à família consanguínia e da família do seminário...

Para já,  o que mais gostei foi o seu primeiro apontamento, a sua partida para Angola, aonde chega numa manhã de Todos-os-Santos, 1 de novembro de 1961. 

A bordo do T/T Vera Cruz,com "muita festa", com ele a tocar ao piano, a contragosto, a canção "Angola é nossa", vão três batalhões de infantaria (pelo que sabemos, o BCAÇ 317 e o BCAÇ 325, além do BCAÇ 321, que o autor, certamente por lapso, contabiliza em 3 mil homens, o que excedia em muito a lotação normal do Vera Cruz, que era de c. 1250 passageiros  + mais 300/350 tripulantes).

Tomamos a liberdade, e com a sua autorização, de reproduzir alguns excertos em próximo poste. (**)

(Continua)

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(**) Poste anterior da série > 29 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27268: Notas de leitura (1843): "Vestígios Portugueses no Senegal", edição da Embaixada de Portugal em Dacar, 2008 (Mário Beja Santos)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Guiné 61/74 - P26527: Tabanca Grande (568): Homenagem ao capitão e cavaleiro Leite Rodrigues (Aveiro, 1945 - Matosinhos, 2025), ex-alf mil cav, CCAV 1748 (1967/69), membro da Tabanca de Matosinhos: passa a sentar-se, simbolicamente, no lugar n.º 899, sob o nosso poilão, a título póstumo



Matosinhos > Tabanca de Matosinhos, Natal de 2024.
Leite Rodrigues. Foto: J. Casimiro Carvalho (2024)




Foto nº 1 > Guiné-Bissau > Bafatá > 4 de abril de 2017 > O Leite Rodrigues dando uma aula de ciências naturais numa escola local...


Foto nº 2A > Guiné-Bissau > Bafatá > 4 de abril de 2017 > O Leite Rodrigues com a professora da escola...




Foto nº 3B, 3A e 3 > Guiné-Bissau > Binta > Abril de 2017 > O João Rebola (1945-2018) esteve aqui, com a sua CCAÇ 2444 (Bula, Có, Cacheu, Bissorã e Binar, 1968/70)... Da esquerda para a direita, na base do poilão, o Leite Rodrigues, o João Rebola, o José Cancela e o José Manuel Samouco.



Foto nº 4 > Guiné-Bissau > Bissa > Abril de 2017 > Junto ao Hotel Coimbra > O Leite Rodrigues, com oosando parea a fotografia com um pano tradicional usado pelas mulheres guineenses, 

Fotos (e legendas): © José Cancela (2025). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Não tenho dúvidas que o nosso saudoso camarada Leite Rodrigues, que vai amanhã, dia 26,  descer à terra da verdade, sem ter completado os 80 anos (*),  merece figurar, a título póstumo, na nossa Tabanca Grande, sentando-se simbolicamente sob o nosso poilão no lugar nº 899, ao lado de outros tabanqueiros quer vivos quer  já falecidos (e sobretud0, neste caso, homens grandes da Tabanca Pequena de Matosinhos,  como o A. Marques Lopes, o João Rebola, o Joaquim Peixoto, o Jorge Teixeira (Portojo), o António Batista da Silva, o Xico Allen, o Francisco Silva, etc., alguns dos nomes que me vêm à cabeça, e que "da lei da morte já se libertaram").

Não tenho dúvidas em aceitar a proposta do nosso régulo e poeta José Teixeira, dando ao Leite Rodrigues honras de Tabanca Grande (*)... É nossa pequena homenagem a um homem, português e camarada de coração grande, generoso e solidário, que nos ajudou também a t0rnar menos agreste e penosa a nossa caminhada pela picada da vida (e nomeadamente aos membros da Tabanca de Matosinhos, cuja tertúlia ele frequentavca desde 2006).

Verifico agora, com mais atenção que ele foi ferido gravemente num operação a caminho de Sinchã Jobel no subsetor de Geba, quando a sua CCAV 1748 estava aquartelada em Conbtuboel... Mais de ano e meio depois eu próprio iria conhecer o CIM de Contuboel, cujo subsector era um "oásis de paz"...

Já agora a operação em que o cmdt do 4º peloitão da CCAV 1748 foi ferido com gravividade: Op Invicta II, de 5 a 8dez67,  que consistiu mum golpe de mão na região de Caresse, sector L2, envolvendo forças da CCaç 1788, CCav 1748 e 2 Sec/Pel Mil 112, e  com apoio aéreo. As NT atingiram o objectivo constituído por 10 casas de mato, capturaram munições diversas e fizeram 12 feridos ao lN, que reagiu pelo fogo. As NT tiveram 2 feridos.

2. Facto que eu desconhecia, ele também foi à Guiné-Bissau em 2017 ... Com o Zé Cancela, o João  Rebola, o António Barbosa, o Angelino Silva, o José Manuel Samouco, o Eduardo Moutinho, o Rodrigo Teixeira e outros camaradas da Tabanca de Matosinhos...

O Zé Teixeira, que dessa vez não foi (tinha ido em 2015),  diz-me que "o grupo foi recebido pelo Presidente da República, o JOMAV. Sei que falaram do seu ferimento e do comandante Gazela. O Eduardo Moutinho também foi, mas agora anda às voltas com uma pneumonia".

Pedi ao Zé  Cancela algumas fotos desta viagem (em que visitaram muitas localidades) para ilustrar a minha apreesentação do nosso novo grão-tabanqueiro, que deixa muitas saudades, não só entre os antigos combatentes mas também no mundo do oçlimpisco e no hipismo .  Fizemos uma primeira seleção.

Recordo-me de, antes da pandemia, o ter convidado a integrar a nosssa Tabanca Grande...  Mas, como diz o Zé Teixeira, ele gostava mais de cavalos (e mulheres bonitas) do que computadores. Gostava mais de falar (de improviso) do que escrever. Mas era uma exímio contador de histórias. 
 
Apurámos que o nosso infortunado camarada foi alf mil cav, CCAV 1748 ( subunidade que passou por Bissau, Bula, Contuboel e Farim, entre jul 67 e jun 69). Tem cruz de guerra de 4.ª classe, atribuída em 1972. Não tínhamos, até agora,  nenhum representante desta subunidade na nossa Tabanca Grande.

Segundo a página do facebook do portal Utw Ultramar Terraweb (nota de óbito, de 23 do corrente, 16:08), o Leite Rodrigues era capitão do quadro permanente da GNR, na situação de reforma. Em 1/12/1970, tinha sido promovido a ten mil, e colocado na GNR. Em 17/5/1984, foi gradudo em capitão e promovido a cap QP, da GNR.

Era uma figura conhecida e respeita no meio equestre, foi atleta olímpico, e é recordado tanto como cavaleiro como mestre na arte da equitação. Era natural de Aveiro. Tem uma filho, que vive em Lisboa. Tinha uma filha que morreu em circunstâncias trágicas, aos 14 anos,  em 2006,  na sequência de um acidente com um dos seus cavslos. A Filipa era uma promissora atleta da equitação portuguesa, seguindo os passos do pai.

Segundo o portal Equitação, o "Alberto Bernardo Azevedo Leite Rodrigues (1945 - 2025), capitão da Guarda Nacional Republicana, representou Portugal ao mais alto nível, tendo sido olímpico nos Jogos de Barcelona em 1992, na disciplina de CCE. Dedicou a vida ao desporto equestre, que viveu com paixão. Durante a carreira como atleta, venceu inúmeras competições no nosso país e no estrangeiro, em provas de Saltos de Obstáculos e CCE. Como Veterano e Embaixador regista títulos e medalhas nos Campeoanatos de Portugal e da Europa". Nomeadamente, em 2000, sagrou-se "Campeão da Europa de Veteranos de Saltos de Obstáculos".