Lisboa > 1970 > O cap graduado 'comando', cmdt da 1ª CCmds Africanos João Bacar Jaló com o nosso veteraníssimo João Sacôto (ex-alf mil, CCAÇ 617/BCAÇ 619, Catió, Ilha do Como e Cachil, 1964/66), hoje comandante da TAP reformado, membro da nossa Tabanca Grande desde 20/12/2011.
O João Bacar Jaló veio a Lisboa, nessa altura, no 10 de Junho, receber a Torre e Espada. Em 1965 tinha ganho o Prémio Governador da Guiné, Era então alferes de 2ª linha, comandante de millícias. Nasceu em Cacine, em 1929, e morreu em 1971, em combate, no sector de Tite (*)
Cópia do ofício do presidente do CA da TAP, Amílcar José de Gouveia Marques con data de 30dez1974, a anunciar o fim dos Prémips instituídos pela empresa para "recompensar os miliatres e civis que se tivessem distingudio na luta em África" (sic): Prémio Govrenador-Geral de Angola (1962), Prémio Governador da Guiné (1965) e Prémio Governador de Moçambique (1966), Prémio Governador de S. Tomé e Príncipe (1966) e ainda Prémio 'Heróis de Portugal' (1972) (este para os condecorados, no 10 de Junho, com a Torre e Espada).
Tratou-se de uma iniciativa de promoção de "imagem corporativa e institucionalo" (como diriamos hoje) mas também de "apoio patriótico" ao esforço de guerra em África A nossa companhia aérea nacional (na qual continuamos a gostar de viajar) quis, explicitamente, apoiar moralmente e premiar materialmente as Forças Armadas e os agentes civis envolvidos nas operações militares e de segurança no Ultramar.
Origem e criação do Prémio:
Foi instituído em 1965 (o Prémio Governador da Guiné) pelo Conselho de Administração da TAP (e extinto em 30dez1974). Em 1962 tinha já sido criado o Prémio Governador-Geral de Angola (eem 1966, o de Moçambique).
O propósito era valorizar publicamente ações de combate e atos de bravura militar ou civil contra os "movimentos de libertação" (designados pelo regime do Estado Novo como "terroristas").
Os critérios para a atribuição do prémio assentavam essencialmente em três eixos:
(i) Atos de bravura e feitos de armas: concessão a militares das Forças Armadas (Exército, Força Aérea e Armada) ou elementos das forças de segurança que tivessem tido um desempenho excecional em combate no teatro de operações da Guiné;
(ii) Mérito e heroísmo extraordinário: frequentemente associado a militares já propostos ou condecorados com ordens de bravura como a Cruz de Guerra ou a Ordem da Torre e Espada;
(iii) Serviços relevantes: incluía civis ou forças militarizadas (como a PIDE/DGS, PSP, Milícias ou Companhias de Caçadores Especiais) que tivessem prestado serviços considerados assinaláveis na defesa do território.
As propostas dos candidatos eram enviadas ao Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné, que as submetia ao Governador e à administração da TAP para homologação.
Beneficiários e recompensas
(i) Além do reconhecimento público e do diploma, o prémio incluía a oferta de uma viagem aérea de ida e volta à Metrópole (ou Ilhas Adjacentes, da Madeira e dos Açores);
(ii) Perfil dos galardoados: oficiais, sargentos e praças de diversas especialidades, armas e ramos (desde fuzileiros e paraquedistas a comandos e tropas de linha), bem como civis em funções de segurança e apoio às populações sob ataque do PAIGC;
- 11 em 1965;
- 6 em 1966;
- 14 em 1968;
- e 2 em 1969;
- Média dos 4 anos=8,25.
Extinção em 1974
Com a revolução de 25 de Abril de 1974 e o subsequente processo de descolonização, a TAP extinguiu o Prémio em finais de 1974: a orientação política e institucional mudou radicalmente com a cessação das hostilidades e o reconhecimento, por Portugal, da declaração de independência da Guiné-Bissau.
De acordo com a cópia do ofício, de 30/12/1974, que acima reproduzimos, o Conselho de Administração da TAP extinguiu formalmente os Prémios Governador da Guiné e Governador-Geral de Angola/Moçambique (mais o Prémio Governador de Sáo Tomé e o Prémio 'Heróis de Portugal') apagando do seu regulamento orgânico os prémios associados ao esforço de guerra no Ultramar.
Lisboa, Ministério do Ultramar, Joaquim da Silva Cunha, Ministro do Ultramar, entrega uma espada ao Alferes João Bacar Jaló, distinguido com o Prémio Governador da Guiné. (Vídeo, 0' 55'', a preto e branco, sem som.)
Lisboa, Ministério do Ultramar, Joaquim da Silva Cunha, ministro do Ultramar, recebe galardoados com prémios por atos de bravura contra o terrorismo nas províncias ultramarinas, que visitam a metrópole a convite da TAP. Silva Cunha conversa e cumprimenta José Olímpio, cabo de sanzala, galardoado com o prémio "Governador Geral de Angola", José Avelino de Sousa, administrador do Posto de Encheia, e Leonel Baldé, monitor escolar em Aldeia Formoso, galardoados com o prémio "Governador da Guiné". (Vídeo, 1' 23'', a preto e branco, sem som.) (Num total de seis, 1 é 2º srgt, 1 é 1º cabo..., há um angolano. LG)
Lisboa, Joaquim da Luz Cunha, Ministro do Exército, e João António Pinheiro, subsecretário de Estado do Exército, recebem grupo de soldados portugueses galardoados com o "Prémio Governador Geral de Angola", por se terem distinguido no combate contra grupo de terroristas no Ultramar. (Vídeo, 1' 23'', a preto e branco, sem som.) (Num total de seis, 1 é 2º srgt, 1 é 1º cabo..., há um angolano. LG)
Coronel Joaquim da Luz Cunha, ministro do Exército, recebe militares galardoados com o prémio "Governador Geral" por bravura em combate. João António Pinheiro, subsecretário de Estado do Exército, recebe os militares à entrada do gabinete e Joaquim da Luz Cunha conversa com os galardoados. (Vídeo, 0' 49'', a preto e bramco, sem som.) (Não se sabe se são oriundos do TO de Angola ou de Moçambique; são 11 os galardoados, 4 pelo menos são furrieis, não há nenhum africano; parecem ser todos do Exército. LG)
(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)
(*) Vd. poset de 20 de março de 2019 > Guiné 61/74 - P19604: Álbum fotográfico de João Sacôto, ex-alf mil, CCAÇ 617 / BCAÇ 619 (Catió, Ilha do Como, Cachil, 1964/66) e cmdt da TAP, reformado - Parte VI: Em Príame, a tabanca do João Bacar Jaló (1929 - 1971)


















