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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28386: Para bom observador, meia palavra basta (8): qual a povoação, no sector oeste do CTIG, que ficava a 93 km de Bafatá, a leste ?





Guiné > s/l > c. 1963 >Dois VCC,  militares presumivelmente  da CCAÇ 413 (1963/65)... posando junto a um tabuleta rodoviária,  toponímica e quilométrico, indicando diversas localidades de destino e respetivas distâncias: Encheia (18 Km), Nhacra Posto (28 Km), Bissalanca / Bissau (48 Km), Porto Gole (28 Km), Enchalé (50 Km), Bambadinca (85 Km) e Bafatá (93 Km). Foto original, a preto e branco , reproduzida com a devida  vénia do livro "Nos celeiros da Guiné", de Albano Dias Costa e José Sá-Chaves (Lisboa: Chiado Editioar, 2015)

 Restauro, melhoria técnica e colorização digital: Blogue Luis Graça & Camaradas da Guiné + ChatGPT/OpenAI, 2026.

1. Estes painéis de informação são designados por placas de orientação, painéis toponímicos e de distâncias ou sinais de indicação de itinerário (à época também conhecidos popularmente por placas toponímicas/quilométricas da rede viária), existiam na Guiné, no tempo colonial, onde eram elementos comuns da rede rodoviária, localizados em  geral junto às principais povoações do interior da Guiné ou entroncamentos. Eram habitualmente instalados e mantidos pela Junta de Autónomas de Estradas (JAE) ou pelos serviços de obras públicas locais. Jugalmos que remontam ao tempo do governador  Sarmento Rodrigues (1945-49). Grande parte deles devem ter sido desttruída com o  início da guerra,. Lembrei-me de ver alguns no leste.

Para testar os teus conhecimentos de geografia...Meu caro leitor,  se és bom observador, diz-me: tendo em conta o cruzamento e as distâncias indicadas, o painel estaria situado em que região (Oeste, Leste, Sul) ? E mais próximo de que localidade ?


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Nota do editor LG:

Último poste da série > 19 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28359: Para bom observador, meia palavra basta (7): O obus 14 cm do 17º Pel Art (Bedanda, agosto de 1972): quando a bota (foto do Vasco Santos, ex-1º cabo cripto, da CCAÇ 6, 1972/73) não condiz com a perdigota (as versóes modificadas pela IA)

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28353: Notas de leitura (1961): "Geração Afro: Os Últimos Guerrilheiros do Império (por Recaredo / Angelino Santos Silva, ed. autor, 2026, 455 pp.): "como recordar uma guerra sem apagar os homens que nela combateram nem simplificar as razões que os levaram a combater?", eis a pergunta da IA (ChatGPT)


Foto nº 1 > "O primeiro dia no mato"



Foto mº 2 _ Uma bolanha


Foto nº 3 > O autor do seu quarto, algures em Bula, Teixeira Pinto pu Brá, c. 1970/72




Foto nº 4 > Presunivelmengte a escrever um dos seus primeiros aerogarmasa ou cartas para casa, no navio que  o levou para a Guiné, entre 25 e 31 de março de 1970

Guiné > s/l > s/dcf > c- 1970/72 > Fotos do álbum do Angelinmo Santos Silva


Fotos (e legendas): © Angelino Santos Silva (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complemengtar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Angelino Santos Silva:

(i) ex-fur mil cmd, pertenceu à 26ª CCmds (1970/72);

(ii) foi mobilizada pelo CIOE, Lamego, tendo como cmdt o Cap Inf Cmd Alberto Freire de Matos;

(iii)  embarcou em 25mar70, chegou a Bissau em 31mar70 e regressou a 27dez71;

(iv) a 26ª CCmds passou por Bula, Teixeira Pinto e Bissau (Brá);

(v)  é até agora o primeiro e único representante da 26ª CCmds na Tabanca Grande (nº 897);

(vi) é natural de Recarei, Paredes, distrito do Porto;

(vii) escritor (pseudónimo literário: Recaredo), o seu últmo livro publicado é o romance "Geração Afro: os Últimoss Guerrilkheiros do Império (ed. de ator,  s/l, 2026, 455 pp.);

(viii) contactos: email > recaredo241148@gmail.com | telemovel > 926 365 774 (publicitados pelo autor)

(viii)  Próxima apresnetalácão da obra: dia 01 outubro, pelas 18h00 | UNICEPE - PORTO. |  Praça Carlos Alberto, 128 - A 1º



Capa novo livro do nosso camarada Angelino Santos Silva , publicado sob o pseudómimo literário Recaredo. Edição de autor, maio de 2026, s/l, 455 pp. 


 
1. Texto publicado na página do Facebook da Tabanca Grande, no passado dia 15 de setemebro, terça feira, pelo nosso amigo e camarada Angelino Santos Silva.



Análise crítica de "Geração Afro: Os Últimos Guerrilheiros do Império"

por ChatGPT 

Com base nos elementos disponíveis sobre o livro "Geração Afro – Os Últimos Guerrilheiros do Império", de Recaredo (pseudónimo literário de Angelino dos Santos Silva), posso apresentar uma análise crítica com enfoque literário, histórico e ideológico.

A obra foi publicada em 2026, tem 455 páginas e constitui o primeiro volume de um projeto que terá continuação.

1. Introdução

"Geração Afro – Os Últimos Guerrilheiros do Império" é um romance histórico centrado na Guerra Colonial Portuguesa na Guiné, mas que ultrapassa a simples representação dos combates. A obra procura recuperar a memória de uma geração de portugueses e africanos envolvidos num conflito que, visto de diferentes perspetivas, adquiriu significados profundamente distintos.

O título é particularmente significativo. A expressão “Geração Afro” desloca o centro da narrativa do combatente português para uma realidade mais ampla: a dos homens africanos que combateram de ambos os lados da guerra. 

O subtítulo — “Os Últimos Guerrilheiros do Império” — introduz desde logo uma dimensão crepuscular: são homens que vivem, combatem e morrem no momento histórico em que o império colonial português se aproxima do seu fim.

A obra nasce também de uma relação pessoal com esse passado. Recaredo é o pseudónimo de Angelino dos Santos Silva, antigo furriel miliciano da 26.ª Companhia de Comandos, que esteve na Guiné entre 1970 e 1971/72. Assim, a narrativa situa-se numa zona particularmente interessante entre ficção, memória e testemunho.

2. Um romance sobre uma guerra, mas sobretudo sobre pessoas

Uma das principais qualidades da obra está em não reduzir a Guerra Colonial a operações militares, emboscadas, minas ou confrontos entre o Exército Português e o PAIGC.

O verdadeiro objeto do romance é o ser humano colocado perante uma situação-limite.

Portugueses e africanos aparecem unidos por circunstâncias históricas, mas separados por experiências, interesses e expectativas diferentes. Os jovens portugueses chegam à Guiné inicialmente convencidos de que defendem uma causa patriótica. Progressivamente, porém, confrontam-se com a realidade colonial e com a complexidade da sociedade guineense.

Mais interessante ainda é a representação dos africanos que combatem ao lado de Portugal. O romance procura mostrar que estes homens não podem ser simplesmente classificados como “colaboracionistas”.  São indivíduos com famílias, afetos, ambições, medos e conceções próprias sobre o futuro da Guiné.

Do outro lado estão os combatentes do PAIGC. A dimensão trágica nasce precisamente do facto de muitos deles serem irmãos, primos, meios-irmãos ou membros da mesma comunidade. A guerra deixa, portanto, de ser apenas uma guerra entre dois exércitos: torna-se também uma guerra dentro das próprias famílias e comunidades africanas.


3. A originalidade da perspetiva africana

Este é, provavelmente, um dos aspetos mais relevantes do romance.

Na literatura portuguesa sobre a Guerra Colonial, existe uma tradição importante de representação do soldado português, da sua angústia, do absurdo da guerra e do trauma do regresso. Recaredo parte dessa tradição, mas procura acrescentar-lhe uma dimensão particularmente importante: dar voz aos combatentes africanos.

As personagens africanas não funcionam apenas como cenário ou como auxiliares das personagens portuguesas. São apresentadas como sujeitos históricos.

Esta opção permite questionar uma leitura demasiado simples da Guerra Colonial baseada na oposição: Portugal versus África.

A realidade apresentada pelo romance é muito mais complexa. Há portugueses contra portugueses, africanos contra africanos, africanos ao lado de portugueses e africanos contra portugueses. A fronteira entre “nós” e “eles” torna-se, assim, extremamente instável.

É justamente essa complexidade que dá ao romance uma das suas maiores potencialidades históricas e literárias.

4. O fim do Império como tema central


Apesar de ser um romance sobre combatentes, "Geração Afro"  é também um romance sobre o fim de um mundo.

Os protagonistas pertencem a uma geração que participa numa guerra destinada a preservar uma estrutura política e colonial que já se encontra historicamente enfraquecida. Existe, por isso, uma contradição fundamental: os jovens combatentes lutam com coragem e, muitas vezes, com genuíno patriotismo, mas o projeto político pelo qual combatem aproxima-se do seu desaparecimento.

É aqui que o título ganha todo o seu significado.

Os “últimos guerrilheiros do Império” são simultaneamente combatentes e testemunhas de uma derrota histórica.

O romance não parece interessado em transformar essa derrota numa simples acusação moral contra os soldados. Pelo contrário, procura compreender o que levou aqueles homens a combater e o que aconteceu às suas vidas depois da guerra.

Essa atitude dá à obra uma dimensão memorialista importante: compreender não significa necessariamente justificar.

5. Patriotismo e desencanto

Um dos percursos psicológicos mais importantes é a passagem do patriotismo inicial para o desencanto.

Os jovens portugueses partem para África convencidos de que estão a cumprir um dever patriótico. Contudo, o contacto com a realidade da guerra modifica gradualmente essa perceção.

O romance acompanha esse processo de transformação: o soldado que inicialmente pensa em termos de Pátria, honra e dever começa a confrontar-se com a morte, a mutilação, o sofrimento dos civis, a pobreza e as contradições do sistema colonial.

O desencanto não significa necessariamente perda de amor pelo país. Significa, antes, uma descoberta dolorosa da distância entre aquilo que lhes foi ensinado e aquilo que encontram no terreno.

Esta é uma das dimensões mais humanas da obra.

6. A guerra como problema moral

Outro aspeto importante é a reflexão sobre a ética da guerra.

O romance não apresenta o combate apenas como uma questão de coragem militar. Coloca perguntas muito mais difíceis:

  • Quando é legítimo matar?
  • Qual é a diferença entre matar por necessidade e matar por vingança?
  • Pode existir heroísmo numa guerra?
  • Quem determina aquilo que é justo?
  • Como distinguir o inimigo do ser humano?
  • O soldado é responsável pelas decisões políticas que conduzem à guerra?

A guerra surge, assim, como uma experiência que destrói certezas morais.

Segundo a análise publicada sobre a obra, essa reflexão é particularmente desenvolvida através de personagens como o capitão Ombendi e o tenente Quinara, que recusam uma visão simplista do heroísmo militar.

7. Estrutura narrativa

Formalmente, o romance apresenta uma estrutura relativamente ambiciosa.

A narrativa organiza-se em 68 capítulos, alternando diferentes núcleos de personagens e diferentes momentos da Guerra Colonial. Há personagens que chegam à Guiné em 1966 e outras que chegam em 1970, permitindo representar experiências distintas do conflito.

A obra combina:

  •  narrativa de ficção;
  • memória autobiográfica;
  • cartas;
  • diálogos;
  • episódios militares;
  •  reflexão histórica;
  • poesia;
  •  comentário político.

Esta mistura de géneros constitui simultaneamente uma força e uma fragilidade.

É uma força porque torna a obra multifacetada e aproxima-a de uma espécie de arquivo literário da memória da guerra.

Mas também pode ser uma fragilidade porque as longas digressões históricas interrompem, por vezes, o ritmo da ação. 

A própria análise crítica disponível aponta uma certa irregularidade entre os capítulos de intensa ação militar e aqueles dominados pela reflexão histórica.

8. Linguagem e oralidade

A linguagem é outro elemento característico.

Recaredo recorre frequentemente a uma linguagem oral, militar e popular, incorporando expressões utilizadas pelos combatentes da época. Surge também vocabulário ligado à realidade guineense, incluindo termos de crioulo e palavras referentes à cultura, à alimentação, à fauna e à paisagem africanas.

Essa opção tem grande importância porque cria verosimilhança histórica.

O leitor não encontra apenas uma descrição abstrata da Guiné: encontra uma linguagem que procura reproduzir o ambiente vivido pelos homens que participaram naquele conflito.

As cartas e alguns momentos de carácter poético introduzem, por outro lado, uma linguagem mais intimista, permitindo equilibrar a dureza da narrativa militar.

9. A paisagem africana

A Guiné não funciona simplesmente como cenário.

A paisagem — a selva, as bolanhas, as tabancas, os rios, o calor, a vegetação — torna-se quase uma personagem da narrativa.

O ambiente condiciona o comportamento dos soldados e contribui para a sensação de vulnerabilidade permanente.

A natureza é simultaneamente bela e ameaçadora. O soldado combate um inimigo que conhece parcialmente, mas combate também um território que lhe é estranho.

Esta dimensão ajuda a compreender por que razão a guerra de guerrilha se transforma numa experiência psicológica tão desgastante.

10. A dimensão histórica e as suas limitações

Aqui é necessário fazer uma distinção importante entre romance histórico e obra historiográfica.

"Geração Afro" utiliza acontecimentos, personalidades e contextos históricos reais, mas continua a ser uma obra literária. As interpretações apresentadas pelas personagens não devem ser automaticamente tomadas como verdades históricas.

Este ponto é particularmente relevante quando o romance aborda episódios controversos da Guerra Colonial, como o Massacre do Chão Manjaco, ou interpretações sobre as relações entre Spínola, a PIDE/DGS e o PAIGC. A análise crítica disponível identifica essas posições como interpretações heterodoxas sustentadas dentro da narrativa.

Literariamente, isto pode ser muito produtivo: permite às personagens discutir versões diferentes da História.

Historicamente, porém, exige do leitor espírito crítico.

11. Uma obra de memória

Talvez a melhor maneira de definir o romance seja como uma obra de memória.

Recaredo escreve contra o esquecimento. O objetivo não parece ser simplesmente dizer que a guerra aconteceu. É lembrar quem foram os homens que nela participaram, incluindo aqueles que morreram, ficaram mutilados, regressaram traumatizados ou foram esquecidos depois de 1974.

O epílogo autobiográfico, relacionado com a experiência do próprio autor e com a memória dos seus pais, reforça essa dimensão. O episódio do rebentamento de uma mina e as consequências que permanecem décadas depois transformam a narrativa numa espécie de testemunho pessoal sobre a persistência da guerra na memória individual.

12. Pontos fortes

Entre os principais méritos do romance destacaria:

  • A valorização das personagens africanas, evitando tratá-las simplesmente como figurantes;
  • A multiplicidade de perspetivas sobre a Guerra Colonial;
  • A dimensão humana, que coloca o sofrimento individual acima da estratégia militar;
  • A riqueza documental e vocabular;
  • A recuperação da memória dos antigos combatentes;
  • A reflexão sobre o fim do Império Português;
  • A tentativa de ultrapassar a divisão simplista entre colonizador e colonizado:
  • A articulação entre ficção e experiência vivida.

13. Fragilidades

Uma análise crítica equilibrada deve também apontar algumas limitações.

A primeira é a já referida irregularidade do ritmo narrativo. As digressões históricas e filosóficas podem afastar o leitor da ação.

A segunda está relacionada com a própria ambição da obra. Ao querer ser simultaneamente romance, testemunho, ensaio histórico, reflexão política e documento de memória, o livro corre por vezes o risco de sobrecarregar a narrativa.

Também a linguagem oral, embora seja uma importante marca de autenticidade, pode produzir alguma irregularidade estilística.

Finalmente, por se tratar do primeiro volume de uma obra projetada para continuar, alguns conflitos e trajetórias ficam necessariamente em aberto. A própria análise crítica publicada observa que essa continuidade pode justificar determinados nós narrativos, mas reduz a autonomia deste primeiro volume.

Conclusão

"Geração Afro – Os Últimos Guerrilheiros do Império" é, acima de tudo, um romance de memória, guerra e desencanto.

A sua maior contribuição está na tentativa de olhar para a Guerra Colonial da Guiné não apenas através do soldado português, mas também através dos africanos que combateram de ambos os lados do conflito. Dessa forma, a obra desmonta uma visão excessivamente binária da guerra e mostra uma realidade em que as fronteiras políticas frequentemente atravessavam famílias, comunidades e afetos.

O romance não pretende apenas reconstruir batalhas. Pretende recuperar homens concretos, com os seus medos, convicções, contradições e feridas.

Nesse sentido, a expressão “últimos guerrilheiros do Império” assume um significado profundamente simbólico: aqueles homens são simultaneamente protagonistas de uma guerra e testemunhas do desaparecimento do mundo político em que essa guerra fazia sentido.

O maior mérito de Recaredo está, portanto, em transformar a memória individual numa memória coletiva, lembrando que o fim da guerra em 1974/75 não significou necessariamente o fim das suas consequências. Para os combatentes, para as suas famílias e para as sociedades portuguesa e guineense, a guerra continuou — na memória, no silêncio, no trauma e na necessidade de compreender o passado.

Por isso, "!Geração Afro" pode ser lido não apenas como um romance sobre a Guerra Colonial, mas como uma tentativa de responder a uma pergunta fundamental: como recordar uma guerra sem apagar os homens que nela combateram nem simplificar as razões que os levaram a combater?

É precisamente nessa procura — entre História e memória, patriotismo e desencanto, portugueses e africanos, ficção e testemunho — que reside a força e também a complexidade da obra.

Análise crítica feita por ferramenta de IA (ChatGPT / Open AI), a pedido do autor

(Revisão / fixação de texto, negritos, título LG)

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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28253: (De) Caras (251): Manuel Raposo Marques, natural de Mértola, um "básico" que foi... Prémio Governador da Guiné (Mário Pinto, 1945-2019, ex-fur mil at art, CART 2519, Bula, Aldeia Formosa e Mampatá, 1969/71)




Manuel Raposo Marques, natural de Mértola, ex-soldado básico,  CART 2519 (Bula, Aldeia Formosa e Mampatá, 1969/71), "Prémio Governador da Guiné" (1970). Foto: cortesia do portal Ultramar TerraWeb - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar





lustração: "Jornal do Exército" (c. 1970) (Adapt. com a devida vénia)



1. A propósito do "soldado básico", tão maltratado na caserna (e nas nossas memórias...): o Mário Gualter Rodrigues Pinto (1945-2019), ex-fur mil art,  CART 2519, "Os Morcegos de Mampatá" (Buba, Aldeia Formosa e Mampatá - 1969/71), já contou aqui a história do Manuel Raposo Marques, sold básico nº 18757368, promovido depois a soldado atirador de artilharia,  e que foi, por feitos em combate, Prémio Governador da Guiné em 1970. Como tantas outras histórias já aqui partilhadas,  passou na altura despercebida do leitor...

Escreveu o nosso saudoso Mário Pinto (foto à esquerda):

 "Um homem, o Manuel Raposo Marques,  que apesar de ter sido classificado como 'básico', foi uma das nossas maiores e melhores referências em combate, tornando-se num exemplo de abnegação e de heroísmo, dignificando sobremodo o soldado Português".


Um básico que foi... Prémio Governador da Guiné (1970)

por Mário Pinto (1945-2019)


Para quem não sabe ou não se lembra já, básicos eram todos os soldados que não conseguiam qualificação ou aptidão, para serem enquadrados em qualquer outra das muitas especialidades existentes no Exército.

Eram assim a modos que uma espécie de proscritos, de mão-de-obra não especializada, que a tropa não dispensava e empregava no cumprimento de todo o tipo de tarefas indiferenciadas (tarefeiros, faxinas, auxiliares de pequenos serviços, etc.), normalmente apenas dentro das áreas delimitadas dos aquartelamentos.

Eles, tal como todos os outros especializados, iam, igualmente, “malhar” com os “ossinhos”em África. Nessa altura o que estava em causa era a quantidade de homens a enviar para a guerra e não a desejada e necessária qualidade, porque, no fundo, éramos massa destinada a “carne para canhão”.

Básico era então o carimbo com que eram marcados os incapazes e inábeis.  E esta designação fez escola, tendo-se o termo generalizado a todos os sectores da sociedade portuguesa. O “nabo” foi substituído pelo “básico”!

O Manuel Raposo Marques, conhecido na CART 2519 pelo "Básico", tal como qualquer outro homem, tinha uma deficiência psíquica (vulgo “pancada”), daí ele ter reprovado, intencionalmente, na especialidade de cozinheiro.

Dizia ele que não tinha nascido para andar de avental, de tamancos e de gorro na cabeça, e o que ele queria ser mesmo era atirador.

– Que grande maluco! – pensei eu.

Acabou por ser reclassificado em básico, após ter sido considerado pronto na instrução e apto para desempenhar qualquer função de segundo plano, compatibilizando-se as suas capacidades humanas com as necessidades da Companhia.

Assim, o Manuel Raposo Marques, chegado à CART 2519, pediu ao alf mil Claudino, comandante do 4º Grupo de Combate, para o integrar na sua equipa. O alferes falou ao capitão e este consentiu, numa fase experimental, que assim fosse. Mais tarde, em função do seu excelente comportamento activo e combativo no grupo, decidiu elevar este básico, por mérito próprio, à categoria de soldado atirador.

Nos primeiros tempos, os seus camaradas olhavam-no com desconfiança, porque receavam que o 4º Grupo de Combate viesse a ser apelidado, na generalidade, de "básico", mas tal não aconteceu e o Marques veio a revelar-se como um dos melhores soldados da Companhia, com predicados de combatente acima da média e tiques de herói, tendo inclusive sido agraciado com o prémio "Governador da Guiné".

Pois é, o nosso básico, ao ser confrontado com a “roleta da morte”, foi suficientemente corajoso e audaz para ter abatido dois combatentes IN, e conseguir salvar a vida do seu comandante de secção, que se encontrava em situação difícil e ferido numa perna, numa acção em que o seu grupo de combate interceptou um grupo do PAIGC.

O "Básico" passou a ser uma referência da CART 2519 e respeitado por todos os seus camaradas e superiores hierárquicos. (**)

Nota -  Estes dados foram retirados da História da Unidade e do livro “Há Sangue na Picada”, de Jacinto Manuel Barrelas, cor art ref,  ex-cap art, cmdt da CART 2519. (1969/71)

(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, links, edição de imagem: LG)

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28237: Notas de leitura (1946): "Depois da Guerra", de Luís Rosa; edição de autor, 1990 (2) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 4 de Fevereiro de 2026:

Queridos amigos,
É um belo e raro testemunho. Luís Rosa conhece a Guiné em 1964, tudo mudara entretanto na região Sul, o Brigadeiro Arnaldo Schulz tenta reposicionar a situação criando destacamentos na região fronteiriça, a sua última obra será Gandembel, que se revelará um desastre, prontamente desativada por Spínola. Este irá gradualmente abandonando estas posições fronteiriças, Guileje, altamente fortificada, é a derradeira posição na área. Neste testemunho podemos aperceber-nos do que representava Sangonhá numa fase de arranque do PAIGC, melhor armado e com mais minas e abastecimentos para o interior, daí a importância vital que se conferia ao corredor de Guileje. Luís Rosa correlaciona estas posições, e os abastecimentos que dependiam de Gadamael porto. Valeu a pena a releitura, é mais do que recomendável, a despeito de eu considerar o final uma conversa mais do que improvável.

Abraço do
Mário



Recordar o nosso confrade Luís Rosa e o seu livro sobre Sangonhá, perto de Guileje - 2

Mário Beja Santos

Em 2010, publiquei no nosso blogue a recensão do livro recentemente publicado do Luís Rosa Guiné 63/74 - P6137: Notas de leitura (91): Depois da guerra, as recordações da região de Cacine... e algo mais, de Luís Rosa - II (Beja Santos) fazendo o reconhecimento que era uma obra a todos os títulos convidativa da leitura, um documento singular sobre um dos destacamentos acima de Cacine e de Gadamael destinado à proteção fronteiriça junto de uma área vital para o PAIGC, o denominado corredor de Guileje. Acresce que Luís Rosa descreverá a ocupação militar efetiva de Sangonhá, e entre outros acontecimentos relevantes que ele testemunhará é o aparecimento do inferno de Guileje.

Sangonhá ficava a escassos quilómetros da fronteira da Guiné-Conacri, recebia regularmente a visita de gente que procurava medicamento, cuidados médicos ou farmacêuticos; mas, à sombra da proteção do aquartelamento, veio gente que aqui vivia, e fosse qual fosse a razão, deu sinais de querer voltar. Fizeram-se casas, havia o problema da área a defender, que aumentou, e era mais vulnerável; e outro problema de fundo era a exploração da terra. Tornou-se premente o desafio de afastar o fantasma da fome, não chegavam os carregamentos de arroz vindos de Bissau; fizeram-se canoas de troncos de árvores, pois era abundante a pesca do rio Cacine. Luís Rosa conseguiu sacos de arroz e mancarra de semente, o povo gostou, a terra foi-se desbravando. A guerrilha não molestou. E no momento certo a população toda despejou-se no campo, ceifeiros de um ciclo interrompido há anos começaram de madrugada o trabalho que ao fim do dia haveria de ser transformado em fartura. Vieram informar o alferes que o arroz já está, vinha dos tempos de dominação exigir-se uma tributação, foi a resposta que o alferes lhe deu: “O que vocês cultivaram e colheram é vosso, não há nada a dar a ninguém.”

E o autor conta-nos como Guileje, uma terra pacata no caminho de Aldeia Formosa, que ficava no limite entre o território Fula e o chão Nalu, um dia foi ferozmente atacada, as súplicas que vinham pelo rádio eram dramáticas: “Mandem ajuda! Vão entrar no quartel! Está tudo perdido!”. Com o levantar do dia, ouviu-se o ronco peculiar dos aviões, cessaram os combates. De Sangonhá a Guileje era pouco mais de três quilómetros, foi-se acudir. E o que se via metia dó, Guileje folegava na manhã nascente, os de Sangonhá deixaram o que tinham trazido: mantimentos, munições e ânimo. Ninguém duvidava, tudo estava alterado. Nessa mesma noite Guileje voltou a ser atacada. Os de Sangonhá voltaram na manhã seguinte a Guileje, na véspera até lá tinham deixado uma GMC. “Chegámos. O segundo ataca deixara mais plana a imensa clareira da povoação, como se uma colossal força longínqua quisesse varrer aqueles insetos, tenazmente agarrados ao que acreditavam ser o seu dever de ficar. No meio do imenso anel cercado pela vala, como um grito, como um velho búfalo morrendo na madrugada, fumegando das narinas aquilo que já não é, estava a minha GMC, retorcida, carbonizada, esqueleto de ferros sem nexo, supostamente a olhar-me como se fosse pessoa triste no aspeto, fazendo-me experimentar a mágoa de perder algo que fazia parte do nosso convencimento.”

O alferes, naquele pedaço de fim do mundo, era multifuncional: militar e juiz; confessor e mantedor da ordem; gestor de recursos possíveis e impossíveis, e prestador de serviços para destacamentos próximos, no caso vertente Guileje ou Cacoca, organizando colunas de abastecimento a partir de Gadamael; e fadado para manter patrulhamentos de proximidade, e conforme conta Luís Rosa houve mesmo um dia em que se encontrou na fronteira com a autoridade local do lado de lá, foi uma vez sem exemplo, mas os de lado de lá cortaram o capim e a estrada para além fronteira, era hábito que havia antes da guerra, até havia o cuidado de limpar à volta dos matos fronteiriços. Coisas só podiam acontecer a quem combatia naquela extensa fronteira que bordejava de norte para sul.

O autor socorre-se obviamente à sua memória: a primeira flagelação a Sangonhá; o trabalho que deu ir-se desfazendo o que fora feito pela formiga bagabaga, para ter uma boa pista de aviação; o trabalho exaustivo dos picadores para detetarem minas antipessoal e anticarro, preferiam-se os meios mais antigos porque os modernos, detetores em forma de prato na ponta de um cabo e que produziam um som agudo se estivesse metal próximo eram um quebra-cabeças, acusavam tudo o que fosse metal, levando a paragens e precauções por um prego ou cavilha que estivessem enterrados a dois dedos da superfície – usavam-se uns paus finos, com uma ponta de ferro no extremo. E o autor apresenta-nos o cabo Cancela e o seu ajudante Djaló, há habilidade de rebentar os engenhos.

É um fio de histórias, o que ele nos recorda largamente de Sangonhá, pouca atenção dedicará à permanência em Farim. Há momentos de grande dor como aquele ferido por uma mina antipessoal que irá morrendo aos poucos, o helicóptero chegará exatamente quando o ferido deixou de se agarrar à vida. E a água, a epopeia de percorrer a pulso aquele solo gretado, com o terror que ela faltasse na duríssima época seca. Porque antes da guerra era tudo diferente, as gentes viviam em pequenos povoados, espalhando à sua volta poços pequenos, agora todas aquelas pequenas povoações tinham ficado desertas; e a comida, Santo Deus, conservas e bolachas ressequidas, para já não falar daquela água que mesmo fervida, era sempre desconchavada; feridos graves não faltam e haverá um, barbaramente sinistrado, que lhe gritará: “Meu alferes, nunca mais sou homem!”; aquela fronteira é obsidiante, procura-se o marco fronteiriço, ele tinha acreditado que a fronteira era definida por um poilão, um nativo desenganou-o, pesquisou-se no capim, encontrou-se o marco, metro e meio de altura, em cimento, dizendo de um lado República Portuguesa e do outro República Francesa.

Neste livro de memórias, era inevitável a menção à religiosidade, ao fanado, à condição da mulher. E também se recorda aquela duríssima flagelação em que o alferes foi ferido, e também se recorda a tragédia dos agentes duplos, como Zacarias Mambo, que acabou na leprosaria da Cumura.

O último texto da narrativa é um almoço, talvez no Restaurante João do Grão, estão presentes o alferes de Sangonhá e o comandante do PAIGC local, à época. Conversa artificiosa, o comandante revela-se pedante, dizendo coisas como: “Já aprendi que é mais difícil governar a paz do que fazer a guerra”; fala-se do colonialismo e do pós-colonialismo, dizem-se coisas como: “Há muitas formas de independência. E há muitas formas de dependência. Como há muitas formas de os povos se governarem e muitos modos de se relacionarem.” E despedem-se, o autor pensa eu houve um enorme espaço de tolerância, havia para ali um painel de azulejos em que a superfície era coberta por retângulos de espelho nos quais a antiguidade e a humidade fizera sumir o brilho e os muitos anos os tinham ido quebrando. O autor sentiu que as imagens se projetavam como um puzzle, dizendo para si próprio e para o leitor: “Quebráramos há muito as imagens antigas e achávamos desejável procurar um caminho pragmático de nos reencontrarmos.”

Prefiro não comentar a extravagância deste final.

Luís Rosa (Alcobaça, 1939 - Lisboa, 2020): foi alferes miliciano, CART 640 (Sangonhá, 1964/66)
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Notas do editor:

Vd. post de 27 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28218: Notas de leitura (1944): "Depois da Guerra", de Luís Rosa; edição de autor, 1990 (1) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 31 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28230: Notas de leitura (1945): "Uma História da África Lusófona Pós-Colonial", Edições tinta-da-China, 2026 (3) (Mário Beja Santos)

terça-feira, 28 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28220: Humor de caserna (283): "Arroz especial ... com mafé" (um conto magistral de Alberto Branquinho, "Cambança Final", 2013, pp. 85-89)


    Hoje há "Arroz especial... com mafé", anunciou o vagomestre


1. Não há ninguém como o Beja Santos para, de uma penada só , abrir um livro na página "x" e apresentá-lo ao leitor numa bandeja apetecível, como se tratasse do melhor manjar do mundo.  

Leitor voraz, compulsivo, desde criança, já deve ter lido centenas e centenas de milhares de páginas na sua vida. Não conheço ninguém como ele: bibliófilo e bibliófago... Metaforicamente falando, ele adora e devora livros... Confesso, nunca o vi beber (nem comer),  o que era raro entre a milicianagem de Bambadinca...

Tome-se como exemplo este excerto da sua nota de leitura  do livro de contos do Alberto Branquinho, ("Cambança Final", 2013), poste P12248 (*). 

Num livro de 222 páginas (na prática 160, com as folhas em branco) com cerca de  6 dezenas de contos ou microcontos (2 páginas e meia, em média, cada um), ele é um autêntico "garimpeiro", capaz de descobrir, com o seu olho clínico de lince, uma preciosidade, uma pérola, uma gema, uma obra-prima:

(...) "O confrade Alberto Branquinho reservou-me uma das mais agradáveis surpresas da primeira metade de 2013: 'Cambança Final', Edição Vírgula, deste ano, é mais do que um livro da maturidade da escrita, revela uma grande mestria na linha do conto e no saber dedilhar as teclas dos sentimentos humanos no contexto de uma guerra.

E aquela guerra foi a nossa, estamos todos lá, do atirador ao condutor, do cripto ao enfermeiro. (...)

Nada de pieguices quando há explosões onde os corpos se desfazem, até porque a natureza se encarrega de limpar a destruição, como escreve magistralmente no conto 'Despojos':

'Ia recomeçar a andar e olhou para o chão. Viu, junto ao tronco de uma árvore, três ou quatro formigas grandes, pretas que, com as pinças da cabeça cravadas, tentavam arrastar um pedaço de carne, ainda com um farrapo de farda camuflada agarrado.' (...)

Mata virgem e lama, água e o céu estrelado, chuvas diluvianas, frases em crioulo e a propósito, a linguagem de caserna na justa conta, o caminhar noturno, a solidão mesmo quando temos muita gente à volta. E uma enorme capacidade de trazer a pilhéria e o tom zombeteiro que obriga a uma boa gargalhada. (...).

Não é para todos esta capacidade de relevar o pícaro quando se marcha a arrastar o corpo, no auge do sofrimento. É um dom saber descrever um acontecimento corrente para um soldado branco que assusta o africano, tomando-o por feitiçaria, anda por ali o abismo cultural. 

Porque Alberto Branquinho, como na montanha russa, traça uma atmosfera de pânico, põe ali todos os traços da brutalidade e finaliza com um toque de facécia. 

O plausível diverte e comove. O furriel Melo vai tomar banho, avista uma cobra, foge espavorido a tapar as pudendas, não para de gritar e alguém comenta: 'Acho que a gaja deu uma dentada na picha do furriel cripto'.

O conto 'Arroz Especial'  é a profundidade do insólito, com nojo toda aquela gente vai descobrir que andou a comer (...) o impensável .

 O vagomestre e o cozinheiro têm uma enorme densidade que atravessa estes contos, são mal vistos, são detestados e, no entanto, são convocados para o prodígio de alimentar na mais extrema das monotonias, mesmo quando a cozinha é periodicamente escavacada e o brio profissional sobrepõe-se à virtude militar (...)".

Este conto, por ser de  antologia, merece ser partilhado e chegar a um público mais vasto, até por que a edição é já de 2013, e depois disso o autor já publicou mais outros oito livros, sendo o último uma espécie de autoantologia, "Inventarium Vitae" (**),  onde recupera alguns dos melhores contos do "Cambança Final", mas não este, o "Arroz Especial"...  

Alterámos ligeiramente o título, para efeitos de publicação nesta série ("Humor de Caserna") (***) e neste poste:

Arroz especial... com mafé

por Alberto Branquinho


Fonte: Excertos de Alberto Branquinho, "Cambança Final (Lisboa: Vírgula, 2013, pp.  85-89) (Com a devida vénia)
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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 4 de novembro de 20130 > Guiné 63/74 - P12248: Notas de leitura (531): "Cambança Final", contos de Alberto Branquinho (Mário Beja Santos)

(**) Vd. poste de 21 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28203: Notas de leitura (1942): Alberto Branquinho, "Inventarium Vitae" (Lisboa, Sítio do Livro, 2026, 160 pp.) - Parte I: enquanto houver língua e dedo, não haverá leitor que nos meta medo...(Luís Graça)

(***) Último poste da série > 23 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28206: Humor de caserna (282): Todos com eles no sítio, todos aptos para o serviço militar (Jorge Cabral, 1943-2021)

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28218: Notas de leitura (1944): "Depois da Guerra", de Luís Rosa; edição de autor, 1990 (1) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 4 de Fevereiro de 2026:

Queridos amigos,
Foi num desses sábados frutuosos que adquiri na Feira da Ladra, "Depois da Guerra", de Luís Rosa, edição de autor de 1990, ainda por cima com dedicatória. Luís Rosa ganhou notoriedade em obras de índole profissional e em romances como "O Claustro do Silênci", "O Amor Infinito de Pedro e Inês", "O Terramoto de Lisboa". Estas memórias do que viveu em Sangonhá foi a sua primeira e única incursão do que viveu na Guiné, temos obras aparentadas, como a do José Brás e as suas "Vindimas no Capim","As Ausências de Deu", de António Loja, "As Noites de Mej", do Luís Cadete, mas há algo de profundamente enriquecedor nesta memória da ocupação de Sangonhá, ficamos com a geografia dos aquartelamentos decididos quer por Louro de Sousa quer por Arnaldo Schulz e que António Spínola mandou abandonar. Estranho muito nunca se falar como Guileje ficou altamente vulnerável depois dos abandonos de Sangonhá, Cameconde e Cacoca e Mejo, por tais decisões. Fala-se muito do que representou o abandono de Madina do Boé e esquece-se de como Guileje ficou entregue a si próprio. Coisas estranhas da historiografia da guerra colonial.

Abraço do
Mário



Recordar o nosso confrade Luís Rosa e o seu livro sobre Sangonhá, perto de Guileje - 1

Mário Beja Santos

Em 2010, publiquei no nosso blogue a recensão do livro recentemente publicado do Luís Rosa Guiné 63/74 - P6137: Notas de leitura (91): Depois da guerra, as recordações da região de Cacine... e algo mais , de Luís Rosa - II (Beja Santos) fazendo o reconhecimento que era uma obra a todos os títulos convidativa da leitura, um documento singular sobre um dos destacamentos acima de Cacine e de Gadamael destinado à proteção fronteiriça junto de uma área vital para o PAIGC, o denominado corredor de Guileje. Acresce que Luís Rosa descreverá a ocupação militar efetiva de Sangonhá, e entre outros acontecimentos relevantes que ele testemunhará é o aparecimento do inferno de Guileje.

A 1.ª edição foi de autor, em 1990, tinha o título "Depois da Guerra"; a 2.ª edição data de 2009, foi quando fiz a recensão, tecendo elogios e o reconhecimento do testemunho, mas deplorando um final de narrativa artificioso, vácuo, descabido. Voltei a adquirir na Feira da Ladra e com uma dedicatória do autor a 1.ª edição, lia de um só fôlego, reconhecendo que a qualidade memorial justificava que aqui a revisitasse.

Tudo começa no cais do Pidjiquiti, a unidade do nosso alferes parte num velho batelão em direção ao sul, conversa-se sobre os acontecimentos do Pidjiquiti de 3 de agosto de 1959, a calamidade que concorreu para o levantamento nacionalista; o batelão viaja perto da ilha do Como, nas semanas anteriores a esta viagem tinham ali decorrido, entre fevereiro e março de 1964, combates ferozes; avista-se ao longe a península do Cantanhez e o canal que a separava da ilha de Melo, assim se chega a Cacine onde o autor nos conta a história do comerciante Costa que tinha um poder soberano sobre a população local, o seu poder despótico acabou mal.

Viaja-se para Sangonhá, quando aqui chegam ouviram três tiros em Canefaque, gente do PAIGC enviara a mensagem na nossa chegada ao Quitafine, a toda a área de Cacine a Cabedu, de Cameconde à ilha de Melo. “A tropa instalava-se precariamente, desesperadamente. Sangonhá era uma bela povoação colonial, situada no meio de um luxuriante pomar de mangueiros, bananeiras e árvore de cola, com uma bela vivenda servindo de enfermaria e casas de colmo e terra batida, alinhadas ao longo de mais de um quilómetro de estrada, que, mais adiante, atravessava a fronteira.” Do outro lado, tropas e população apoiante do PAIGC deslocava-se por Sansalé e Kandiafará, havia por aqui posto médico e armazenamento de armamentos e víveres.

Constroem-se as despesas de Sangonhá, uma extensa vala que mais tarde seria substituída pelas espessas paredes de chapa de bidon, com terra a meio, casamatas subterrâneas cobertas de grossos troncos de palmeira. Inevitável, chegou a hora do batismo de fogo. E o palco da guerra vai sendo enxameado de acontecimentos até então impensáveis: o interrogatório a alguém que aparecera, foi espancado até que se descobriu que era um diminuído mental; a sexualidade dos soldados, o descobrimento de que existia o Irã, uma religiosidade, uma crença que toma conta do africano, mesmo quando é islamizado; o novo interrogatório a um velho que fora apanhado a passar informações para os guerrilheiros feito por um alferes que decidiu a sentença de morte, e temos depois o olhar de Luís Rosa sobre aquela geografia da guerra:
“A princípio sente-se mais o isolamento. As estradas estavam cortadas por inúmeros obstáculos, minas e árvores enormes, que nenhuma força parecia capaz de demover. Os vinte quilómetros que ligavam ao braço do rio Cacine, em Gadamael, eram a única ligação a tudo o que ficava para além daquele mundo estranho da guerra. Gadamael servia de ancoradouro e descarga apressada das lanchas e batelões.

A opressão do desamparo tornava-se mais pesada pela certeza que tínhamos da impossibilidade de sermos socorridos e pela sensação de que, se ali acabássemos, apenas algum tempo depois dariam pelo nosso fim. Com o chegar das chuvas, a estrada transformava-se num atoleiro de regos profundos de lama inconsistente, como pântano impedindo que os pesados camiões transitassem, sob o risco de ficarem com o bojo assente no chão. Apenas o avião, à quarta-feira, sobrevoava o quartel fazendo um círculo em volta e deixando cair o saco do correio, afastando-se depois, com o abanar das asas, como ave do paraíso. Se o abastecimento não podia ser trazido pelo rio ou pela estrada, porque não havia meios para o fazer chegar, ou porque o recrudescer da guerra e a inoperacionalidade das estradas tornava a operação uma aventura imprevisível, começávamos a contar os dias para que ainda tínhamos alimentos e o avião era ainda o último alento do socorro esperado. Varria as copas das árvores em voo rasante, lançando sacos, caixas e atados. Tudo caía na clareira do arame farpado. Íamos recolhendo, depois, o que ficara disperso numa grande extensão, ora em mil bocados de caixotes desfeitos, ora suspensas as embalagens no alto dos ramos ficando penduradas como em árvores de Natal retendo as prendas.”


Tomaram-se severas medidas de segurança, abriu-se uma enorme clareira para criar uma pista de aviação, e Luís Rosa conta as façanhas da chegada das primeiras avionetas, cumpriam-se as ordens de Bissau para que a pista tivesse pelo menos 400 metros de comprimento, trabalhou-se a valer para desbastar o arvoredo. Com aquela pista de aviação os militares de Sangonhá sentiram-se mais seguros e menos sós. Saberemos também que Luís Rosa comandava homens de intensa religiosidade, não faltava a hora do terço, era o cabo Aires quem orientava a reza. Disserta-se sobre a religiosidade, o poder das crenças, a fé e como tudo se conjuga com um ambiente de guerra.

E segue-se um episódio de luto, dor e saudade, a história do Braga, homem dos sete ofícios, um artista a trabalhar madeira. “Pedi-lhe um dia que me fizesse uma cadeira de encosto, que se desmontasse toda em ripas, de modo a formar um pequeno molho dentro do saco dos livros e pertences, que levava sempre a um canto do camião. A cadeira ficou bela, em pau rosa, idealizada pelo engenho do Braga, sem um prego ou parafuso, apenas suportado o conjunto pelas espigas, harmoniosamente concebidas.” O Braga foi numa operação a Marela uma pequena povoação além-fronteira, ficava num ponto a meia jornada para os guerrilheiros que no sul se dirigiam para a fronteira, passando por Sansalé. Encontrou-se um local de refúgio da guerrilha, houve matança, seguiu-se intenso tiroteio, procedeu-se ao controlo de mortos e feridos, descobriu-se que tinha morrido o Braga. O alferes não esconde a comoção, ficara-lhe a cadeira, lembrou-se que o Braga lhe tinha dito que havia um acabamento a fazer, e dirige o seu pensamento para este último trabalho do Braga: “A obra está sempre completa no ponto em que a deixamos.”


Luís Rosa (Alcobaça, 1939 - Lisboa, 2020): Alferes Miliciano da CART 640 (Sangonhá, 1964/66)
Para melhor entender os acontecimentos vividos em Sangonhá e narrados por Luís Rosa no seu romance "Depois da Guerra", edição de autor de 1990, reeditado em 2009 na Editorial Presença com o título Memória dos Dias sem Fim. Logo no início da sua comissão, o Brigadeiro António de Spínola decretou o abandono de destacamentos nesta região Sul: primeiro Gandembel, mais adiante Sangonhá, Balana, Cacoca e Mejo, ou seja, preparou-se a prazo a tragédia de Guileje. Infografia do nosso blogue.
Vista aérea do destacamento em Sangonhá, vendo-se nitidamente a pista de aviação, imagem do nosso blogue

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 24 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28209: Notas de leitura (1943): "Uma História da África Lusófona Pós-Colonial", Edições tinta-da-China, 2026 (2) (Mário Beja Santos)

sábado, 25 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28211: Agenda cultural (925): "Geração Afro: Os Últimos Guerrilheiros do Império" (ed. autor, 2026, 455 pp., por Recaredo, pseudónimo literário do nosso camarada Angelino Santos Silba, ex-fur mil cmd, 26ª CCmds, Brá, 1970/72)

 







Capa, contracapa e badanas do novo livro do nosso camarada Angelino Santos Silva , publicado sob o pseudómimo literário Recaredo.  Edição de autor, maio de 2026, s/l, 455 pp. 



1. No passado dia 15 de junho, o Angelino Santos Silva mandou-me pelo correio, para a Lourinhã, 2 exemplares do seu novo livro (é o décimo, desde 2008), um romance, um trabalho de grande fôlego (são 455 páginas!). Um dos exemplares é para a Tabanca Grande, com dedicatória ao editor Luís Graça, e outro exemplar para o nosso crítico literário, Mário Beja Santos.


A 13/06/2026, 16:55, eu felicitei-o pela conclusão do trabalho e mandei-lhe a minha direção postal (da Lourinhã, onde habitualmente só estou aos fins-de-semana). 

(...) Fico feliz por saber que "não morreste na praia" e que, tal como o Camões a nado, conseguiste "recuperar o teu manuscrito" e levá-lo a bom termo. neste caso ao prelo. Tenho pena não ter conseguido acompanhar o teu "timing", a tua pedalada... Mas farei com todo o gosto uma ou mais notas de leitura. Manda também um exemplar para o nosso "crítico literário oficial", o Mário Beja Santos, a quem dou conhecimento do feliz acontecimento.

(...) Ajuda-nos também a divulgá-lo, manda-nos: (i) cópia da capa e contracapa; (ii) como e onde adquirir o livro, preço de capa, etc.; (iii) sinopse e alguns excertos: (iii) plano de sessões de apresentação (local e data). (...).

2. O livro só me chegou às mãos quinze dias depois. E, como prometido, iremos fazer oportunamente várias notas de leitura. Infelizmente não consegui acompanhar o "making of" do livro, lê-lo com tempo e vagar e escrever o prefácio que o autor me tinha pedido. Aqui vai um mail que ele me mandou, há mais de 9 meses atrás:

Data - sexta, 3/10/2025 à(s) 12:32):
Assunto - Geração Afro

Bom dia Luís. Fico agradecido pela tua confiança. E prezo-a.

Gostaria, de que - ambos - fizéssemos desta obra, uma Obra de sucesso. Lê o texto com calma, sente-o e, se considerares que te diz algo, também dirá a alguns milhares de camaradas. E talvez valha a pena fazermos um esforço para deixar um trabalho que dignifique e preste homenagem a mais de um milhão de Combatentes. Que, em minha opinião, não tratados com a dignidade que merecemos.

Há cerca de 20 anos, entrei no restaurante Cortiço, em Viseu, para almoçar. Numa mesa ao lado estava uma equipa de reportagem da Antena 1, creio. Não conhecia nenhum dos elementos. Como conversavam, identifiquei - julguei identificar - a voz de João Paulo Dinis, que não conhecia pessoalmente. Mas tinha a sua voz registada na cabeça, ouvida através da rádio na Guiné. Troquei com ele algumas palavras sobre a Guiné, depois de lhe perguntar se era quem eu pensava.

Tenho - temos - muitos camaradas, que gostariam de dar uma opinião para ficar registada no livro. Mas não vou falar a ninguém. Porque são muitos.
 
Porém, gostaria de ter a opinião do JPDinis, registada. Admito, que devido à sua experiência como radialista na Guiné, "observador" de "coisas" que nem todos viram, a sua opinião seriam um acrescento à mensagem que pretendo passar nesta Obra. Se fosse vivo, pediria ao capitão Barbosa Henriques, meu instrutor em Lamego e que fui encontrar na Guiné. Ou ao capitão Jaime Neves, instrutor em Lamego. Infelizmente já não estão entre nós. Ou ao Spínola, que me visitou quando estive internado no Hospital Militar e que mais tarde mandou um helicóptero buscar-me a Gadamael Porto e me colocou no Cumuré para descansar, antes de me vir embora com a 26ª de Comandos.

No livro II falarei de algumas "coisas" mal contadas. Dito de outro modo, contadas no modo "politicamente correcto".

Sinto que podemos deixar um trabalho que marque a diferença e diga aos nossos netos, quem realmente fomos, apesar de ignorados por quem tem o dever oficial, de respeitar o nosso estatuto de Combatentes.

Ligo-te amanhã , sábado, por volta do meio-dia.

Um abraço. Angelino.

PS - Vê se consegues contacto com o camarada da capa.~

3. Recorde-se que o Angelino Santos, ex-fur mil cmd, pertenceu à 26ª CCmds, passou por Bula, Teixeira Pinto e Bissau, em 1970/72, Foi mobilizada pelo CIOE, Lamego, tendo como cmdt o Cap Inf Cmd Alberto Freire de Matos. Embarcou em 25mar70, chegou a Bissau em 31mar70 e regressou a 27dez71. O Angelino é até agora o primeiro e único representante da 26ª CCmds na Tabanca Grande. É natural de Recarei, Paredes.

A sua obra literária (dez títulos, desde 2008) tem-se repartido pelo romance,o conto, a poesia e as memórias. Sobre este último livro (o primeiro de 2 volumes) escreveu ele, em resumo:

Angelino Santos Silva > 27 de junho de 2026  às 21:41 ·

(...) O romance Geração Afro   —Os Últimos Guerrilheiros do Império  baseia-se na vida de quatro combatentes da Guerra Colonial Portuguesa em África: os furriéis milicianos Martins da Costa e Morais Cardoso, que em 1966 embarcaram no navio Alfredo da Silva; e o furriel miliciano António Silva e o primeiro-cabo Augusto Sousa, que em 1970 partiram a bordo do navio Niassa.

Ao longo destas páginas, acompanhamos o percurso destes jovens, prestando uma justa homenagem a um milhão de combatentes que, entre 1961 e 1974–1975, tiveram como destino uma das três frentes de guerra: Angola, Guiné e Moçambique.

A narrativa segue também o destino dos combatentes africanos que optaram por lutar sob bandeira portuguesa, representados aqui pelo Grupo Especial de Combate (GEC) do tenente Mamadu Fodé — no qual se incluíam o furriel miliciano Domingos Djaló e o primeiro-cabo Abna Besna — e pelos tenentes João Quinara e Carlos Nhalon e o capitão Ombendi Sábado, todos homens com uma vasta experiência de guerrilha.

(...) Embora os nomes das personagens principais sejam fictícios, as suas vidas foram bem reais, tanto as dos que partiram da Metrópole como as das diferentes etnias da Guiné Portuguesa. É nesse chão sagrado e violento que o romance se desenrola.

Algumas figuras históricas serão mencionadas pelos seus verdadeiros nomes, facilmente reconhecíveis na imprensa nacional e estrangeira da época. Deste modo, prestamos-lhes homenagem, com especial relevo para aqueles que mais de perto conviveram connosco nesta dura vida de combatentes.

Os jovens da GERAÇÃO AFRO que embarcaram levavam com eles um objetivo comum: manter a presença colonial de cinco séculos, iniciada em 1418. E todos partiam imbuídos de um mesmo amor à Pátria, considerando as suas comissões uma causa justa.

Porém, à medida que os vamos ouvindo, intuímos um certo desencanto quanto ao fervor patriótico que os acompanhava no início da viagem — frustrações que começavam a ganhar corpo devido às fracas condições de alojamento nos barcos entre Lisboa e as colónias. Uma vez chegados, deparavam-se com a primeira grande estranheza ao presenciarem, logo no cais, jovens africanos empunhando armas ao serviço da nossa causa. Um facto que, ainda assim, amenizava o desencanto de uma viagem sem conforto.

Ao partilharmos o dia a dia com estes camaradas africanos, percebemos que a sua causa não era exatamente a mesma da nossa, que tínhamos embarcado na Metrópole. Com o andar do tempo compreendemos que, dentro da «nossa» guerra, corria «outra», também sob bandeira portuguesa. E concluímos que, justamente por isso, os destinos seriam divergentes.

Falaremos destes combatentes que ao nosso lado lutavam contra os seus irmãos do PAIGC.

Abordaremos também a vivência dos combatentes africanos no outro lado do conflito: os soldados do PAIGC, o partido que lutava pela emancipação total do colonialismo. Estes guerrilheiros eram irmãos, meios-irmãos, primos ou tios daqueles que, na mesma guerra, optaram pela bandeira portuguesa.

Alguma linguagem utilizada em episódios de grande tensão pode ferir a sensibilidade de leitores mais suscetíveis. Lembramos, contudo, que este é um romance sobre a guerra — e todos sabemos que, no calor do combate, a linha que separa o anjo do demónio é tão ténue como o sopro de uma criança ao apagar uma vela no dia do seu aniversário. (...)


Vd, Facebook de Angelino Santos Silva
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 9 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28168: Agenda cultural (896): Apresentação do romance, da autoria do António Carvalho, "3x44: Abel e Caim em Contrapé", Fundação Hermínia Vilar Ribeiro, Medas, Gondomar, sábado, dia 11, às 15h30. Entrada livre