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domingo, 24 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28049: (In)citações (287): Obrigado a todos que me deram os parabéns pelos meus 90 anos, obrigado ao Padre Bártolo e ao Virgílio Teixeira pelo livro que me mandaram de presente (Arsénio Puim, ex-alf graduado capelão, BART 2917, Bambadinca, maio 1970/maio 1971)


Arsénio Puim (n. 1936):  ilhéu, açoriano de Santa Maria,  ex- sacerdote católico, ex-capelão militar,  foi autarca, enfermeiro do SRS dos Açores, e jornalista; é  escritor,  pai, avô, amigo, cidadão do mundo. 

Foto:  Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné


1. Mesnagem de Arsénio Puim, que vive em Vila Franca do Campo, Sáo Miguel, Açores:


Data - 23 de maio de 2026 12:37
Assunto - 90 anos depois

Caríssimo amigo Luís Graça

Foi tal e qual como referiste. No da 8 de Maio celebrei os 90 anos do meu nascimento, com a minha família nuclear (já são nove pessoas) em Vila Franca do Campo. Uma semana depois, fizemos uma nova celebração, com os familiares vindos de várias partes do mundo, na freguesia de Santo Espírito de Santa Maria.

Esta foi uma data em que me senti muito feliz e repleto de gratidão: a Deus, que me concedeu tantas graças, aos meus familiares pelo seu amor e dedicação, a tantas pessoas amigas com quem me encontrei, convivi e aprendi - aqui, em Santa Maria, nas Paróquias, no Batalhão de Artilharia 2917 e até na terra da Guiné. 

Estou a lembrar-me especialmente daquelas mulheres e crianças que foram aprisionadas numa operação militar e trazidas para Bambadinca, onde viveram em condições extremamente precárias. No dia em que foram libertadas, uma das mulheres, na minha presença e em nome do grupo, agradeceu ao «padre capilom» porque ele «é amigo dos mininos» ( eu tinha-lhes levado pacotes de leite para a sua alimentação) e disse que iam pedir aos Irãs muitas felicidades na minha vida. Só podia dizer-lhes, comovidamente: obrigado!

Quando regressei aos Açores, não escrevi sobre a guerra na Guiné , mas publiquei vários trabalhos sobre o conceito e a realidade da guerra, «esse monstro», irreconciliável com o Evangelho e com a inteligência humana, mas sempre presente na história da humanidade e, lamentavelmente, muito presente, activo e cruel nos dias que vivemos. 

Basta de ódio, ganância, sofrimento, morte que os homens se causam mutuamente.

Luís, muito obrigado pelos teus emails, pelas tuas palavras amigas, pelo teu «horóscopo poético», muito belo e demonstrativo da capacidade literária do autor, o qual foi lido pelo meu filho Miguel no jantar do aniversário após o partir do bolo. 

Obrigado ao João Crisóstomo pelas suas palavras de amizade e compreensão, e também ao «Anónimos» (Adriano Moreira, Eduardo Francisco, José da Càmara, José Cancela), muito obrigado ao Luís Graça, ao Virgílio Teixeira e ao Padre Bártolo pela oferta dum interessante livro, escrito por uma pessoa que soube ser padre e ser militar, que respeito.
  
Hoje vivo com várias limitações de saúde, como é natural nesta idade, mas vivo a vida que tenho. Espero que um dia nos encontremos nesta casa da Figueira do Casquete,  em Vila Franca do Campo.

Para a Alice e toda a família os meus sinceros cumprimentos. Para ti, Luís, um abraço com elevada estima e os melhores votos. Arsénio Puim.

____________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 27 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27960: (In)citações (286): Guerra colonial (Adão Cruz, Cardiologista, ex-Alf Mil Médico)

sábado, 23 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28047: Humor de caserna (268) : O anedotário da Spinolàndia - Parte XXXVI: o que faz o sargento de guarda ao palácio do Governador com uma mensagem relâmpago ("zulu") num domingo, já noite dentro ? Se necessário, faz o Governador saltar da cama...




Leiria > Ortigosa > Quinta do Paul > 26 de julho de 2014 > Convívio do pessoal das CCAÇ 3327 e 3328 (*)

"Ainda se aproveitavam os últimos momentos para mais uma recordação, antes da despedida. Da esquerda para a direita, Carlos Vinhal, José Câmara, Luís Pinto, Dina Vinhal, João Cruz e ex- cap mil Rogério Alves. Ficam saudades, mas levamos muitas mais e a certeza que para o ano, possivelmente na linda Ilha das Flores, lá estaremos para mais um convívio, se Deus quiser". 

E a propósito da Dina Vinhal, a única mulher nesta fotografia, e inseparável companheira, de uma vida, do nosso Carlos: ontem, cheguei a casa tarde e tinha uma mensagem matinal, "privada e pessoal",  que me deixou preocupado. Hoje de manhã, telefonei-lhe: a Dina está internada, fez uma operação á coluna, e o Carlos está  a acompanhá-la. E antes de 3a. feira não deve regressar a casa. 
 Um chicoração para os dois. Boa recuperação da Dina. Luís.


Foto (e legenda): © Carlos Vinhal / José Câmara (2014). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




1.  José Câmara, um dos nossos camaradas, açorianos, da diáspora  lusitana na terra do Tio Sam, ex-fur mil at inf  CCAÇ 3327 e Pel Caç Nat 56 (Bissau, Mata dos Madeiros, Teixeira Pinto, Bassarel, Bolama, São João, Tite, 1971/73, é autor da notável série "Memórias e Histórias Minhas", de que se publicaram, desde 16/5/2009 até agora, mais de 3 dezenas e meia de postes.

Ele é membro da Tabanca Grande desde 15/2/2009. E tem mais de 150 referências no blogue.

Quando a sua companhia chegou a Bissau, em janeiro de 1971, coube-lhe desde logo fazer a segurança às seguintes instalações civis e militares: 
  • Palácio do Governador da Guiné
  • Quartel da Amura (QG/CCFAG)
  • Instalações da Rádio (Emissor Regional da Guiné, em Nhacra)
  • Hospital Militar 241
  • Laboratório
A ele, pessoalmente, e a mais dois furriéis,com as respetivas secções coube assegurar o serviço de guarda ao Palácio do Governador, missão que desempenhou com  pundonor durante dois meses (fev/mar 1971).

(...) Entrámos de imediato ao serviço (28 de Janeiro de 1971) ao Palácio, embora, os primeiros dias fossem apenas de sobreposição e sem qualquer responsabilidade da nossa parte.

 Tomámos o primeiro contacto com aquilo que seria a nossa responsabilidade. A nossa missão principal seria, sem dúvida, a segurança diária do Palácio, e, todo o aparato que englobava o içar da bandeira e o render da guarda ao Domingo. 

Nas tarefas diárias e no Render da Guarda a colaboração dos cabos e dos soldados era fundamental. O seu aprumo, destreza e rapidez em todos os processos envolvidos eram primordiais para o sucesso da missão. Acrescento, com algum orgulho, que os soldados da minha Companhia estiveram à altura da missão. (...)

O sistema de segurança que era então montado ao Palácio do Governador, sito na Praça do Império, no início da Av da República, englobava as seguintes forças essenciais (**):

(i) uma secção de tropa regular, comandada por um Sargento da Guarda, que tinha a seu cargo os postos de sentinela ao fundo do jardim e ainda um posto de sentinela ao lado direito do jardim; a segurança era feita durante o dia do lado de fora do jardim; com o render dos postos de sentinela às seis horas da tarde a segurança passava a ser feita do lado de dentro dos muros;

(ii) uma secção da Polícia Militar, incluindo um sargento e um oficial, que tinha a seu cargo o pórtico principal do Palácio e o portão lateral de serviço geral;

(iii) durante a noite, entre as dezoito da noite e as seis horas do dia seguinte, a segurança era reforçada com um elemento da Polícia de Segurança Pública (PSP), que ficava encarregado do espaço entre a casa da guarda e do pessoal civil servente do Palácio e o edifício principal;

(iv) também durante a noite, a segurança era ainda reforçada com um cão treinado em segurança e respectivo tratador, na altura um paraquedista, que tinha a seu cargo o patrulhamento do interior do jardim.

Toda a responsabilidade da segurança recaía nos ombros do sargento da guarda. Cabia-lhe a implementação das regras estabelecidas. Mantinha em ordem todo o material de guerra à sua disposição: metralhadoras, munições e granadas de mão. 

Era responsável, além disso,  por encaminhar todas as mensagens chegadas via CTT, conforme o seu grau de segurança. Respondia directamente ao Oficial Ajudante de Campo do Governador sobre qualquer assunto de segurança julgado pertinente. Elaborava e assinava o seu relatório de serviço que era entregue no Comando do AGRBIS logo após a sua chegada a este complexo militar.

(...) Durante cerca de dois meses, essa foi parte do meu trabalho, esta foi a minha Guerra em Bissau. Mantive, sempre, óptimas relações com todas as forças de segurança, incluindo os oficiais da Polícia Militar, que nunca me regatearam a sua compreensão. 

Encontrei no Ajudante de Campo do Governador  [no período entre julho de 1970 e julho de 19727, era o cap cav Lourenço de Carvalho Fernandes Tomás], altura um capitão, muito mais que um militar. Nesse oficial encontrei alguém que compreendia que nós, militares obrigados ao serviço, éramos pessoas que cometíamos erros, que falhávamos, mas que também tínhamos qualidades humanas a respeitar. (...).







Guiné > Bissau > Palácio do Governador >  Junho de 1969 > Render da Guarda > Da coreografi militar fazia parte "um destacamento da Marinha (fuzileiros), a força mais vistosa, e uma força do Exército, Infantaria, Cavalaria ou Artilharia, ou dos Comandos, ou Paraquedistas e bem como a Banda Militar de Bissau"... Nesta altura, em jiunho de 1969, o inquilino era o general Spínola (maio de 1968- agosto de 1973)

Fotos (e legenda): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



2. A história que se segue, republicada agora (***), tem oportuno e pleno cabimento nesta série ("Humor de caserna") (****)...  Um dos ângulos com que se pode observar os homens em ação, seja na  paz, seja na guerra, é o do humor... A história mostra,  por outro lado, uma faceta do gen Spínola que humaniza a sua figura, a qual, para a maior parte de nós,  era a de um personagem distante algo, teatral e temido.

A situação tem a ver com uma mensagem relâmpago ("zulu) que o autor recebeu, das máos de um estafeta dos CTT.  quando, num domingo, à noite, estava de serviço de guarda ao Palácio do Governador, em Bissau. Recorde-se que este tipo de mensagem correspondia ao "grau máximo de prioridade na rede de transmissões".


O que faz o sargento de guarda ao Palácio do Governador com uma mensagem relâmpago ("zulu") num domingo, já noite dentro ? Se necessário, faz o Governador saltar da cama...

Por José Câmara

Este pequeno episódio deu-me para conhecer uma faceta mais humana do general Spínola.

Enquanto sargento da guarda ao Palácio do Governador da Guiné, os meus contactos com o general Spínola foram, sempre, esporádicos.

Esses encontros davam-se quando ele se dirigia à Casa da Guarda para ali deixar, para limpeza, o seu cinturão com as cartucheiras e granadas de mão ofensivas M63 e a sua G3.

Outras vezes cruzava-me com ele junto dos portões de estrada quando ele, quase sempre na companhia da esposa  [Dona Helena], dava um passeio nos arredores do Palácio, ou se dirigia ou vinha do clube dos oficiais da Força Aérea que ficava nas redondezas do Palácio.

Sempre fiz acompanhar o meu cumprimento de continência militar ao velho general com um cumprimento civil sobretudo em atenção à esposa. O general sempre correspondia ao cumprimento com um leve sorriso. Julgo que era apreciativo desta forma de eu o(s) cumprimentar.

Um domingo, com a noite já avançada, o encontro foi diferente.

Pelo intercomunicador do posto de sentinela que servia o portão de serviço geral recebi a informação de que um estafeta dos CTT tinha uma mensagem dirigida ao governador da Guiné. De imediato dirigi-me àquele posto de sentinela. Cumpridas as formalidades com o estafeta dos CTT, reparei que a mensagem era do tipo relâmpago. Era a primeira que me acontecia. Sabia o que tinha que fazer.

De imediato dirigi-me aos escritórios de apoio ao palácio. Para meu desespero não encontrei ninguém no escritório. 

Tinha a consciência da importância daquele tipo de mensagem que tinha de ser entregue, nem que tivesse que fazer o nosso general saltar da cama.

Aventurei-me nos corredores sem acender a luz, na esperança de ver alguma réstea de luz por debaixo de alguma das portas. A ideia era boa, o resultado foi pobre.

Decidi bater a uma das portas. Para surpresa minha a porta entreabriu-se. Na minha frente estava o próprio general Spínola. Ao aperceber-se quem eu era de imediato transpôs a porta, fechando-a atrás de si.

Cumprimentei-o e disse-lhe o que me levara ali. Uma mensagem relâmpago dirigida a ele. A nossa conversa foi, essencialmente esta:

− Abra e leia − disse-me ele.

− Meu general. eu não posso nem devo ler esta mensagem. É uma mensagem relâmpago − retorqui.

− Pode, pode… abra, abra… leia, leia. Sou eu que lhe estou dizendo que pode − disse ele um pouco impaciente.

Abri a mensagem e comecei a ler:

O Conselho de Ministros em sua reunião de... aprovou o...

Hoje não tenho a certeza se a comunicação se referia à aprovação do Orçamento Geral da Guiné, ou apenas de um suplemento.

O general enquanto pegava na mensagem deu-me um pequeno toque nas costas e disse:

Hoje é um dia grande para a Guiné!

Levantando a mensagem ao ar, como quem levanta um troféu, reabriu a porta e ouvi-o dizer:

− Está aqui…

Um coro de palmas eclodiu naquela sala. Foi aí que pude reparar que o general estava rodeado pelos seus colaboradores mais directos na Guiné, deduzi.

Fechei a porta e dirigi-me à Casa da Guarda. Ia pensativo. Por causa daquelas palmas.

Afinal aqueles homens também eram capazes de exultar com as suas vitórias. Eram vitórias de um tipo de guerra que não era a nossa, mas sem as quais as nossas vitórias seriam muito mais difíceis de obter.

Cruzei-me mais três vezes com o general: no destacamento de Bassarel, no destacamento de São João e no Depósito de Adidos, em Brá, no dia da despedida.

José Câmara

(Seleção, revisão / fixação de texto, itálicos, negritos parênteses retos, título: LG)
__________

Notas dos editores  CV/LG:

(*) Vd. poste de 23 de agosto de 2014 > Guiné 63/74 - P13528: Convívios (618): Rescaldo do Encontro das CCAÇ 3327 e 3328, levado a efeito no passado dia 26 de Julho de 2014 na Quinta do Paúl, em Ortigosa (José da Câmara)

(**)  Cd, postes de:




(***) Vd. poste de 15 de dezembro de 2009 > Guiné 63/74 - P5469: Memórias e histórias minhas (José da Câmara) (10): As palmas das vitórias de uma Guerra que não era nossa


sexta-feira, 22 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28045: Em busca de... (334) : camaradas que tenham conhecido o meu amigo, do Porto, ex-alf mil Alberto Fontão, comandante de um PINT (Pelotão de Intendência), em Bissau, no período de 1967/69 (Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e Sáo Domingos, 1967/69)




Guiné > Bissau > Café Bento (ou 5ª Rep) > Fev 1968 > São todos do Porto. Três são do BCAV 1915, que eu fui render em setembro de 1967. 

Da esquerda para a direita: 

(i) Nelson, furriel mil amanuense; 

(ii) a seguir eu, Vt, de óculos escuros; 

(iii) depois um furriel que trabalhava com o Nelson de que não me lembro do nome;

(iv) o alf mil Alberto Fontão, comandante de um PINT [Pelotão de Intendência];

(v)  e a seguir o alf mil SAM, como eu, do CA do BCAÇ 1915, de seu nome Fragateiro, que foi para Bula (nunca nos relacionámos bem, talvez por causa da passagem de testemunho em outubro de 1967; depois da "peluda", foi delegad de propaganda médica)

Foto (e legenda): © Virgílio Teixeira (2026). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

 

1. Mensagem do Virgílio Teixeira, eex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69):


Data - domingo, 22/03/2026, 01:06
Assunto - Quem se lembra do Alferes Miliciano Alberto Fontão?


LG,  na sequência de outros apelos gostava de saber se há algum camarada que se lembre deste meu amigo de juventude, o Alberto Fontão, que esteve na Guiné no nosso tempo, 67 a 69.

Ele pertencia a uma companhia de transportes, sediada na Amura. Levava os abastecimentos em colunas, via terrestre. Lembro de ele falar em Buba, Binar, Bula,  Farim, Mansoa, Mansaba e tantas outras. Levava mantimentos e armamento vário.

Como teve problemas pessoais, viveu com a mulher e filha, Eunice, de 2 anos em Bissau.

A mulher trabalhava nos escritórios de uma farmácia que muitos podem conhecer. Ele morava perto das oficinas de automóveis, junto com o cunhado e a mulher, ambas irmãs que eu conhecia muito bem. As irmãs eram colegas da minha mulher na Escola Comercial, Filipa de Vilhena, na zona do parque do Covelo.

Quando eu ia a Bissau visitava todos, a filha quando ouvia o trabalhar da motorizada, dizia logo aos pais que vinha o Virgílio.
 
O amigo Fontão concordou com a minha ideia, mas disse que não queria falar ou escrever sobre esta aventura.

Esteve no HM241 internado na psiquiatria juntamente com o alferes Alberto Leite, da CHERET. A
mbos vieram evacuados no mesmo avião militar.
 
Não sabe sequer o número da companhia, e as viagens eram ir e vir no mínimo tempo, por isso não teve grandes relacionamentos com as companhias onde se deslocava.

Divorciou-se quando acabou o mesmo curso de economia que eu.  Foi quadro do BPA  (Banco Português do Atlântico) no Porto, até se reformar. Ambas as mulheres já faleceram.
 
A irmã da mulher foi sempre casada com o Joaquim Pinto Gomes, já formado em Economia,  e foi para Bissau, de onde nunca saiu para os arredores. Era revisor das contas dos CA (Conselhos Administrativos) dos batalhões na chefia de contabilidade (QG/CTIG). 

Tenho uma fotografia, que tirei no Bento à noite com um grupo quase familiar.

São todos do Porto. Três são do BCAV 1915, que fui render em setembro de 1967. Da esquerda para a direita (foto acima): Nelson, furriel mil amanuense; a seguir eu, Vt; depois um furriel que trabalhava com o Nelson de que não me lembro do nome; o alf mil Alberto Fontão, comandante de um PINT [Pelotão de Intendência]; e a seguir o alf SAM, como eu, do CA do BCAÇ 1915, de seu nome Fragateiro que foi para Bula.

Temos um grupo no WhatsApp que partilhamos e fazemos 6 almoços (por ano).

Para já não me lembro de mais nada. Abraço e vou dormir

Virgílio Teixeira

2. Comentário do editor LG:

Vt, num poste anterior disseste que o teu amigo, Alberto Fontão, tinha sido c0mandante de um Pelotão de Intendência (PINT)... E agora dizes que integrou uma Companhia de Transportes... Houve pelo menos 6 companhias de transportes, no CTIG, desde 1964:; a primeira a CTransp 735 (1964/66) e a última, a CTransp 9040/72 (1973/74).

É mais provavável que ele tinha estado num PINT. Era importante saber o nº desse PINT.  Havia, de facto, pouca interação da malta do mato  com os camaradas da Intendência.

Vê se descobres algo mais sobre a subunidade em que o Alberto  Fontão esteve. E, se possível, em que data desembarcou em Bissau.  

Nalguns portos fluviais, como Bissau, Mansoa, Farim, Bambadinca, Buba  e Catió, por exemplo, havia destacamentos de Intendências, guarnecidos por PINT (além do BINT -Batalhão de Intendência, com sede em Bissau, que era casa-mãe). 

O serviço de intendência era o "back office" da guerra, tal com os CA dos batalhões, a que tu pertenceste...

Julgo que o único comandante de um PINT que temos na Tabanca Grande é o João Lourenço,  ex-alf il SAM, PINT  9288 (Cufar, 1973/74), que mora na Figueira da Foz. 

Não vai ser fácil descobrir malta que tenha conhecido o teu amigo Alberto Fontão,  para mais tendo ele regressado à metrópole, sem completar o tempo de comissão. Mas aqui fica o apelo (e o convite, para ele integrar a Tabanca Grande).
__________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 28 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27965: Em busca de ... (333): José Serafim Gonçalves procura camaradas da CCAÇ 417 que esteve em Empada, Bissau e Cabo Verde nos anos de 1963 e 1964

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28015: S(C)em Comentários (89): Sem proteína não se faz a guerra... A propósito do hipopótamo (e do macaco-cão) que o PAIGC dizimou...


Guiné > Região de Cacheu  > São Domingos > CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) > 11 de dezembro de 1968 >  Um hipopótomo que apareceu morto no rio São Domingos, afluente do rio Cacheu

Foto (e legenda): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. A nossa tropa não caçava hipopótamos. O PAIGC, sim. Dizimou-nos no rio Corubal (durante a guerra e depois). A carne e a gordura (além do couro...) eram recursos importantes no mato... 

Não se faz a guerra sem proteína. A fome era negra (sem conotação racista)... Havia milhares de bocas a alimentar na bacia hidrográfica do rio Corubal... 

O macaco-cão (e, em menor grau, o hipopótamo) deveria ser considerado também "Herói da Liberdade da Pátria", talvez até com mais mérito do que outras figuras controversas do PAIGC. 

"Do nosso lado", só esporadicamente lá se caçava um hipótomo ou outro,  que fazia "asneiras" (invadia os campos de arroz, era uma autêntica "bulldozer"...). Os caçadores eram locais. A tropa quando muito podia ajudar a  "rebocar" o bicho... 

Um hipopótamo adulto pesa, em média, entre 1,3 a 1,8 toneladas, com os machos podendo atingir pesos superiores, frequentemente passando as 3 toneladas. Os machos mais velhos podem chegar a mais de 3,6 mil kg (havendo registos excecionais de até 4,5 mil kg).

Comparando com uma vaca dos fulas, da raça N'Dama (pesando em média 250 kg e dando 50 % de carne limpa), um hipopótamo médio (1,5 mil kg) equivalia a uma meia-dúzia de vacas, com a vantagem de também dar também muita gordura. O problema devia ser a sua conservação. A carne devia ser seca ao sol ou então defumada.

Temos fotos de hipótomos que apareceram mortos. Talvez por doença ou pesca com granadas de mão. No Cacheu (Vd. foto acima).

No Rio Geba, nunca os vi no meu tempo (em 1969/71). No rio Corubal ouvi-os á distância. 

Quanto ao hipopótamo-pigmeu (Choeropsis liberiensis) (**) é considerado extinto na Guiné-Bissau há cerca de 50 anos, com os últimos registos a remontarem ao final da década de 1950. Embora nativo da África Ocidental, a sua presença atual restringe-se à Serra Leoa, Guiné-Conacri, Costa do Marfim e Libéria, preferindo florestas densas. Não deve ultrapassar em média os 200 kg.

Luís Graça (***)

quarta-feira, 13 de maio de 2026 às 07:40:30 WEST
________________

Notas do editor LG:

,(*) Vd. poste de 11 de dezembro de 2018 > Guiné 61/74 - P19278: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (São Domingos e Nova Lamego, 1967/69) - Parte LV: O hipopótamo que apareceu morto no rio São Domingos, afluente do rio Cacheu, precisamente há 50 anos

(Comentário de Virgílio Teixeira)

(...) Luís, há uns anos atras um condutor do meu batalhão, confidenciou-me, por isso não cito nomes, porque também não vi, mas acredito piamente, que um oficial superior do batalhão ia à pesca de madrugada, no rio São Domingos, afluente do Cacheu, lançava granadas ali bem perto do cais, e não faltava peixe. 

Um dia, num barco Zebro, com outros 2 condutores, teve uma sorte, ou azar, porque o barco onde iam a lançar as granadas, foi levantado ao ar por um hipopótamo. Salvaram-se todos e nunca mais foram, e os pormenores não interessam aqui, mas dá para perceber. 

Talvez este hipopótamo, frequente nestes rios, onde eu tantas vezes andei, tenha sido morto pelas tais granadas. Eu nunca vi um animal destes vivo, só este morto. Ponto. (...)

terça-feira, 11 de dezembro de 2018 às 22:54:00 WET

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P27999: (De) Caras (249): Duas referências na história da capelania militar no CTIG: Bártolo Pereira (QG/CTIG, Bissau, 1965/67) e Arsénio Puim (CCS/BART 2917, Bambadinca, 1970/71)


Dedicatória do autor: "Ao amigo Puim, ex-companheiro das terras da Guiné, com simpatia e amizade, oferece o Pe. Bártolo"


Capa do livro do padre Bártolo  Pereira, edição de autor (Vila do Conde, 2025, 120 pp.). A capa é de Joaquim António Salgado de Almeida. Depósito legal nº 548769/25. Não tem ISBN. Impressão: Gráfica São João, Fajozes, Vila do Conde. (*)


(n. 1935). Vive em Vila do Conde.
Foto: Virgínio Teixeira (2025)



Arsénio Puim (n. 1936):  ilhéu, açoriano de Santa Maria,  ex- sacerdote católico, ex-capelão militar,  foi autarca, enfermeiro do SRS dos Açores, e jornalista; é  escritor,  pai, avô, amigo, cidadão do mundo. Foto: Gualberto Passos Marques (2009) (**)


1. Em conversa, por email, com o Virgílio Teixeira, e tendo em conta que o nosso grão-tabanqueiro Arsénio Puim ia comemorar os seus 90 anos (!) em 8/5/2026, sugeri que o livro do Pe. Bártolo Paiva Pereira sobre os capelães militares na guerra colonial (*), poderia ser uma bela (e merecida) prenda de aniversário.

O Virgílio, que é seu vizinho, falou com o autor que, amavelmente, se prontificou a oferecer ao Puim um exemplar com dedicatória. 

Recebi cópia da dedicatória em 18/1/2026, e o livro foi entretanto posto há uma semana e tal no correio, pelo Virgílio Teixeira, e já deve ter chegado, a esta hora, a Vila Franca do Campo, São Miguel, Açores, onde vive o nosso camarada e amigo Puim, natural de Santa Maria e que, entretanto, depois de abandonar o sacerdócio, fez carreira como enfermeir0 no Serviço Regional de Saúde dos Açores (SRSA).

Os dois antigos capelães não se conhecem pessoalmente, mas são da mesma geração (o Puim ligeiramente mais novo, meia dúzia de meses), e passaram ambos pelo TO da Guiné, embora em épocas diferentes e no desempennho de papéis diferentes:
  • o padre Bártolo Pereira como capelão-chefe do serviço religioso do CTIG, graduado em capitão, entre dezembro de 1965 e fevereiro de 1968, ao tempo do governador e com-chefe gen Arnaldo Schulz;
  • o Arsénio Puim como alferes graduado capelão (BART 2917, Bambadinca, mai 1970 / mai 1971), ao tempo do governador e com-chefe, gen António Spínola. 
Apreciei o gesto do Pe. Bártolo (que, de resto, ainda não é membro da Tabanca Grande, mas volto a reiterar o convite que já lhe fiz, através do Virgílio Teixeira, a quem também estou grato pela sua "intermediação"). 

O Arsénio Puim e o Bártolo Pereira são duas referências na história da capelania militar (**). Podem não ter exatamente a mesma visão da experiência dos nossos capelães neste período conturbado da nossa história (mas também da Igreja Católica Poertuguesa). Mas são homens,  cristãos e portugueses que se respeitam.

Depois de dar, pessoalmente, daqui umas horas, os parabéns ao Arsénio Puim, vou-lhe pedir para escrever duas palavrinhas ao Bártolo Pereira e ao Virgílio Teixeira.

 O nosso blogue cumpre assim a sua missão de ser ponte entre todos os camaradas e amigos da Guiné. E oxalá os três ainda possam vir a conhecer-se pessoalmente. E eu, no meu caso, conhecer o Pe. Bártolo, hoje major  graduado capelão do Exército portuguès, na situação de reforma. 

Para todos, saúde e boa continuação da caminhada pela picada da vida.
_______________

Notas do editor LG:


(**) Vd. poste de 8 de maio de 2025 > Guiné 61/74 - P26778: Diálogos com a IA (Inteligência Artificial) (2): camarada Arsénio Chaves Puim, o que o "Big Brother" sabe sobre ti!... Nada, entretanto, que gente não soubesse já... Afinal, a tua vida é um livro aberto (Luís Graça, Abílio Machado e Gemini IA/Google)

(**) Último poste da série > 10 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27906: (De) Caras (248): Jorge Moisir Pires, ex-alf mil mec auto, CCS / BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) (Ernestino Caniço, ex-alf mil cav, Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa, e Rep ACAP, Bissau, 1970/1971)

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27892: Boas amêndoas e melhores Páscoas de 2026 - Parte II: A minha segunda feira de Páscoa em Vila do Conde (Virgílio Teixeira)


Vila do Conde > Março de 2026 > Aqueduto 


Vila do Conde > Março de 2026 > Antigo Mosteiro de Santa Clara

Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2026). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem de Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, do BCAÇ 1933 (Nova Lamego e S. Domingos, 1967/69), natural do Porto a viver em Vila do Conde:

(i) domingo, 5/04/2026, 14:00 

Luís, selecionei este belo poema de Miguel Torga (*), para enviar a todos os meus familiares, amigos e conhecidos...

Assim, se puderes e não te entalares com as amêndoas, podias colar nos comentários esta mensagem, extensível aos  nossos camaradas deste grande blogue.

Boa Páscoa para ti e familia e para toda a nossa grande familia da nossa guerra.

Pergunto para quem sabe mais disto?

Quais as diferenças essenciais entre a nossa guerra de sublevação e terrorismo no mato nas nossas ex-colónias, longe das nossas casas, e estas guerras modernas, dentro das nossas casas?

Cumprimentos a todos,
Abraço, vt


(ii) segunda, 6 de abril de 2026, 13:53


A Páscoa também se celebra por cá na segunda feira.

É dia de tradição ancestral, o povo ir passar o dia em piqueniques pelos concelhos de Vila do Conde e Póvoa de Varzim.

É mais feriado do que sexta feira e Domingo. Só os bancos abrem pois já fecharam na quinta feira.

Há muitos sítios celebres para os ajuntamentos de amigos, familiares e outros. Come-se as coisas que levam de casa com o pão comprado ontem. É norma a Regueifa tradicional.

Fazem as tradicionais queimadas, os churrascos tudo bem comido e bebido. Se chove ou frio, fazem na mesma.

Não conheço a história desta tradição, aliás em meio século aqui nunca fui a estes convívios, não só porque não apreciamos e as condições, já se sabe é tudo no monte. A minha mulher não gosta, e as crianças não gostavam porque havia muitas moscas, formigas e outros insectos.

Fizemos alguns piqueniques, mas em locais onde oferecessem as condições mínimas. Os meus filhos já na idade adulta nunca soube destas andanças. Mas é um convívio saudável quando tudo corre bem, sem discussões inúteis de desporto, política ou Igreja.

Os locais são dentro das matas, das árvores, debaixo de eucaliptos na falta dos grandes poilões.

Há caminhos, picadas abertas pelos convivas e muita verdura nesta época de primavera.

Os restaurantes fecham, alguns cafés abrem e aqui no centro juntam-se as famílias e crianças na grande feira da Páscoa. Eu vou comer o meu bacalhau assado no Forno, à moda da minha chefe Manuela. É não há igual. Eu também fazia muitas vezes mas agora estou mais preguiçoso.

E assim se passa mais um dia com céu um pouco nublado e normal. O compasso ainda não o vi, quer ontem no almoço na casa do meu filho e hoje não ouço as sinetas, também não há muito tempo que não beijamos a cruz!

Sinais dos tempos.
Bom almoço,  Luís e família bem como todos os camaradas.

Virgílio Teixeira
Dia 6 Abril 2026

______________

Nota do editor LG:

(*) Vd. poste de  4 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27888: Boas amêndoas e melhores Páscoas de 2026 - Parte I: "Páscoa", poema de Miguel Torga, enviado por Mário Beja Santos

domingo, 22 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27845: (De)Caras (245): cap inf Carlos Alberto Cardoso, cmdt, CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e S. Domingos, 1967/69): levou a esposa, tal como pelo menos três outros oficiais



Foto nº 1A >  Guiné > Região do Cacheu > São Domingos > CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) > Finais de 1968  > O jovem casal, cap inf Carlos Alberto Cardoso, novo cmdt da CCS, e a esposa, "just married".



Foto nº 1 > Guiné > Região do Cacheu > São Domingos > CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) > Finais de 1968  > Jantar presidido pelo 2º comandante, maj inf Américo Correia... Do lado direito, o jovem casal, cap inf Cardoso, novo cmdt da CCS, e a esposa.

 

Foto nº 2  > 
Guiné > Região do Cacheu > São Domingos > CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) >  Jantar e Ceia de Natal de 1968, na messe de oficiais em São Domingos > De costas, a esposa do cap inf Cardoso, do outro lado da mesa a esposa do ten mil médico Cortez.

 Havia pelo menos mais duas senhoras, a esposas dos comandantes do Pel Rec Daimler 1130 e do Pel Morteiros.
 


Foto nº 3 > Nova Lamego > Dezembro de 1967 > Na sala de cinema local,  onde passavam alguns filmes para divertir a malta. Na primeira fila a esposa do nosso médico, tenente miliciano Cortez.



Foto nº 4 > Guiné > Região do Cacheu > São Domingos > CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) >  1969  > Espectáculo programado para o dia de Novo Ano de 1969, com todos os militares a participar na festa. Brancos, negros e população civil, todos foram convidados. Na primeira fila, o 2º Comandante e a esposa do ten mil médico Cortez.

Fotos (e legendas): © Virgílio (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Foto n- 5 > Guiné > Região do Cacheu > São Domingos > 10 de agosto de 1968 > CCS/BCAÇ 1933 e CART 1774 > Levantamento de uma mina A/C reforçada, com duas granadas checas (de Pancerovka P-27) > Foi detetada por picadores da CART 1744> Na foto o cap inf Cardoso, cmdt da CCS, e o alf mil inf MA Machado, também da CCS. Foto do álbum do Eduardo Figueiredo, também alf mil,  da CCS, cmdt Pel Rec indo.


Foto (e legenda): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
 

‪‪‪‪1. Mensagem do nosso camarada Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69).


Data - terça, 17/03/2026, 00:26


O Capitão Cardoso era um jovem militar oriundo da academia militar, arma de Infantaria.

Chegou ao nosso batalhão em meados de 1968. Veio substituir o nosso antigo comandante da CCS, Cap Figueiral que foi colocado no QG.

O cap Cardoso chegou com a sua jovem e bonita esposa, acabados de casar, numa Lua de Mel inolvidável. O casal viveu sempre no seio da passarada e acho que nunca existiu qualquer problema.

Tinham aposentos próprios, mas as refeições eram tomadas na Messe.

Teve grande parte do tempo a companhia de outras senhoras, sejam a esposa do médico, e as esposas dos comandantes dos pelotões Daimler e  Canhões s/r.

Nunca tive grandes relações com o capitão e a   esposa, pois eu não tinha na prática um comandante da companhia.

O segundo comandante era o meu chefe e nem ele se metia comigo por razões de um pacto que fizemos em Santa Margarida.

Nunca soube mais do cap Cardoso até agora ver esta foto (nº 5) 
 e o seu relatório do sucedido com a mina levantada pelo meu amigo Machado (o primeiro a morrer depois da peluda e do nosso batalhão).

Pode ver se na foto nº 1 (e 1A), de frente o cap  Cardoso ao lado da esposa. 
A foto deve ser após 20nov 68, depois de ter sido evacuado o nosso comandante (ten-cor Campos Saraiva), pois ele não está a presidir ao jantar mas sim o comandante interino.

(Revisão / fixação de texto, título: LG)

terça-feira, 17 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27831: (De)Caras (244): Alf mil inf MA Machado, natural do Porto, e alf mil inf Eduardo Figueiredo, que tinha casa em Bissau; ambos já falecidos (Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)


Foto nº 1 > Guiné > Região do Cacheu > São Domingos > CCS/BCAÇ 1933 (1967/69) > 25 de dezembro de 1968 > Almoço de Natal com o pessoal da CCS e da CART 1744... À direita, o alf mil MA Machado, seguido do nosso camarada Virgílio Teixeira, ambos naturais do Porto.


Foto nº 2 > Guiné > Região do Cacheu > São Domingos > CCS/BCAÇ 1933 (1967/69) > 25 de dezembro de 1968 > Almoço de Natal com o pessoal da CCS e da CART 1744. Do lado direito, ten SGE Godinho, alf Azevedo do Pelotão de Morteiros, Alf Carvalheira da Ferrugem e eu, Vt. Não está o alf Figueiredo. Este de óculos não sei quem é (à esquerda, em primeiro plano).


Foto nº 3 > Guiné > Região do Gabu > Nova Lamego > CCS/BCAÇ 1933 (1967/69) > 24 de dezembro de 1967 > Ceia de Natal > Presidida pelo comandante de Batalhão, tenente coronel Armando Vasco de Campos Saraiva, pessoa de uma rara delicadeza e personalidade. (**)

No segundo ano, 1968, já assim não aconteceu, o trágico desfecho de uma mina A/P em 20 de novembro desse ano, levou-o definitivamente para a Metrópole, onde após operações sucessivas, conseguiu sobreviver e se encontrou, passados mais de 15 anos, com os seus militares num almoço realizado em Tomar. (Foi substituído pelo ten cor inf Renato Nunes Xavier; o 2º cmdt era o maj inf Américo Correia.)

Pode ver-se no topo da mesa o nosso saudoso comandante, fardado, ladeado, como ele gostava, de duas senhoras, a mulher do tenente mil médico Cortez, e da mulher do alferes mil Figueiredo, recrutado na Guiné, onde vivia. Perto dele, os dois majores, Américo Correia e Graciano Henriques, bem como o médico.

Podem ver-se o cap inf José Bento Guimarães Figueiral Figueiral (comandante da CCS), Martins (o oficial de informações e ainda o oficial de pessoal e reabastecimentos), e outro que não conheci muito bem.

No outro topo da mesa, está o pessoal menor, os alferes milicianos.


Foto nº 4 > Guiné > Região do Gabu > Nova Lamego > CCS/BCAÇ 1933 (1967/69) > 31 de dezembro de 1967 > Jantar de fim de ano na messe de oficiais, o Comandante à civil, a brindar a todos. Os protagonistas são os mesmos, vê-se de óculos, o alferes comandante do Pel Rec Daimler 1143, Carvalho. Foi a última fotografia que tenho do nosso Comandante Campos Saraiva. O Machado será o primeiro da esquerda.



Foto nº 5 > Guiné > Região do Gabu > Nova Lamego > CCS/BCAÇ 1933 (1967/69) > 31 de dezembro de 1967 > Jantar de fim de ano na messe de oficiais. O Figueiredo só se vê a cabeça, em grande plano, e a esposa, ao lado.

Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2026). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



O Virgílio e a esposa Manuela, na Tabanca de Matosinhos, 
Restaurante Espigueiro (ex-Milho Rei), 
5 de setembro de 2018 
(Foto: LG, 2018)

1. Seleção de fotos do álbum do nosso camarada Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69). Mensagem de 13 do corrente, sexta, 000:01:

Luís estou a enviar algumas fotos onde aparecem os nossos visados (*), todos da CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69), a que eu pertenci:
  • Machado - Alf Mil de Minas e Armadilhas, natural do Porto;
  • Eduardo Figueiredo - Alf Mil de Pelotão de Reconhecimento e Informações, a viver em Bissau na altura do recrutamento;
  • Carlos Alberto Cardoso - Cap inf, cmdt da CCS (em substituição  do Figueiral).

Tens fotos em jantares na messe de oficiais, com ou sem a presença do nosso comandante de batalhão, quer em Nova Lamego quer em São Domingos.

Tinha muito que procurar e não há tempo por agora. A ideia é ver como eram estes três camaradas no tempo em que estivemos juntos,

Tens numa das fotos o Figueiredo, de costas e a sua esposa ao lado. Mas já te enviei mais.

Tens o Machado na messe ou noutros eventos. É fácil reconhecer. Tens o capitão Cardoso, oriundo da academia e a sua jovem esposa em lua de mel. Também está, em muitas fotos, o nosso médico, capitão mil Cortez, e a sua esposa. (A ver em próximo poste desta série.)

Faz o que entenderes, pois eram, os três camaradas impecáveis, que só conheci na tropa. Com o Figueiredo e o Machado tive convivência mais chegada no nosso quarto de 5 ou 6 pax. E na messe.

Se tiveres dúvidas pergunta por favor. Tentei legendar mas dava sempre erro.
Abraço, Vt.




Foto do Eduardo Figueiredo (*)


2. Comentários do Vt, ao poste P27811 (*)

Tenho ideia deste acontecimento que não causou vítimas.

O Machado, a que chamávamos na brincadeira de Machadão, pelo seu porte acima do normal, era também colega de quarto comigo e outros oficiais, alferes e um tenente. Era um grande amigo. Depois em 20nov68, houve a tal mina e emboscada às portas do quartel onde o comandante ten cor Saraiva ficou ferido com as pernas ao dependuro.

Morreu alguém que não posso precisar e o nosso Machadão ficou ferido e foi também evacuado. (Náo parece ter morrido ninguém, no CTIG, em 20/11/1968 | LG.)

Encontrei-o uns anos depois. No Porto. Na praça D. João l. Mais tarde soube que morreu antes do tempo.

Tinha algumas cenas para contar, talvez num próximo dia. Dele e do Figueiredo.

O nosso capitão Cardoso, foi substituir o nosso primeiro comandante da CCS, o capitão Figueiral (que foi para o QG). Estivemos em alguns almoços. Mas já faleceu também. O capitão Cardoso esteve lá em São Domingos. Com a mulher em lua de mel.

Tenho várias fotos com ambos que enviarei ainda hoje, sexta feira, por email para o Luís Graça. Tenho alguma nostalgia estar agora a relembrar esses tempos. (...)

quinta-feira, 12 de março de 2026 às 00:50:00 WET
 

(...) Agora reparei melhor o nosso homem das minas e armadilhas, baixado,  a retirar uma enorme mina! Pelo aspecto vê-se bem o seu bom aspecto de homem grande!

Era mesmo assim. Não sei nada de minas. Tenho um cunhado que também era sapador em Mueda, Moçambique. (Teve uma cruz de guerra, enaltecendo a sua pessoa, mas em particular, pela sua descontração e paciência na sua missão. Acho que era outra adjectivação mas já não me lembro. Essa condecoração valeu-lhe vários privilégios entre eles regalias nos estudos dos filhos. Ainda hoje é de uma calma impressionante. Era essa a palavra que me faltava. Calma. 
Nunca falámos das suas missões.)

O Machado era mesmo assim. Também de uma grande calma. 

O também já falecido Eduardo Figueiredo, enorme nas suas brincadeiras, teve aqui uma bela e inolvidável foto.

Quanto ao alf mil Figueiredo, conforme HU, apresentou-se na CCS /BCAÇ 1933, em 19nov67. Não era da formação do batalhão do RI15.

Era de infantaria, não constando ser de operações especiais, nem nunca se falou disso. Salvo melhor opinião.

Foi um companheiro que se integrou bem junto dos seus camaradas de quarto e vivência.
Mas nas alturas em que estava a esposa, encontrávamo-nos na messe ao almoço e jantar.
Ele teria outros aposentos, em Nova Lamego e em São Domingos, que nunca soube onde eram. (...)

E Viva São Domingos,  que também aparece neste enorme blogue. (...) (***)

quinta-feira, 12 de março de 2026 às 10:13:00 WET

(Revisão / fixação de texto: LG)
_______________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 11 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27811: Fotos à procura de... uma legenda (200): mina anticarro reforçada... na estrada de S. Domingos-Susana, 10/8/1968... 13 kg de trotil... Felizmente detetada e levantada em segurança, o sapador do IN era um trolha da construção civil... (Eduardo Figueiredo / José Salvado)

(**) Vd. poste de 24 de dezembro de 2018 > Guiné 61/74 - P19329: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (São Domingos e Nova Lamego, 1967/69) - Parte LVII: Festas de Natal e Ano, Nova Lamego 67, São Domingos 68

(***) Último poste da série > 31 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27688: (De) Caras (243): Procura-se um senhor da Rádio chamado Carlos Boto, que terá feito 3 comissões de serviço no CTIG, esteve em Cabuca, e trabalhou depois no Rádio Clube Português até 2010 - Parte III

quarta-feira, 11 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27811: Fotos à procura de... uma legenda (200): mina anticarro reforçada... na estrada de S. Domingos-Susana, 10/8/1968... 13 kg de trotil... Felizmente detetada e levantada em segurança, o sapador do IN era um trolha da construção civil... (Eduardo Figueiredo / José Salvado)







Guiné > Região do Cacheu > São Domingos > 10 de agosto de 1968 > CCS/BCAÇ 1933 e CART 1774 > Levantamento de uma mina A/C reforçada, com duas granadas checas (de Pancerovka P-27)-. Foi detetada por picadores da CART 1744.

Transcrição do documento:

S. Domingos, 10-8-68 / Guiné

O alf Machado, sapador, rasga a terra
para retirar uma mina colocada
na estrada S.D. → Susana, a meio
caminho para Nhambalã, a cerca
de 5 Kms de S. Domingos. A mina
estava mal montada:

(i) os detonadores não tinham sido
colocados;

(ii) o tampão (? com a mola de pressão) estava paralelo à estrada
em vez de estar horizontal.

Foi detectada pelos picadores da
CART 1744. A observar o
cap  Cardoso da CCS.

Guiné, S. Domingos, 10-8-68

A mina levantada:

2 Pancerovka (checas) ou 2 granadas
de LGFog, ligadas a uma mina
TMD (russa). Os 2 detonadores
também são russos,  tipo MUV, e eram
de compressão. Não estava arma-
dilhada. A mina pesava cerca de
6 quilos, só em explosivo (trotil) e as
granadas cada uma tem 3,5 Kg só
de trotil. Total: 13 Kgs só de
explosivos. Com as partes neutras e 
armações o conjunto iria para os 20 Kgs.

No canto inferior da direita nota-se o
orifício de saída donde foi retirada.

Fotos alojada em Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzidas com a devida vénia).

Fotos (e legendas): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Estas imagens fazem parte da plataforma, alojada na página do Agrupamento de Escolas José Estêvão (AEJE), Aveiro e Cultura > Arquivo Digital, de que é coordenador o professor Henrique Oliveira, a quem saudamos pela paixão, rigor e perseverança na criação e manutenção deste arquivo digital.

Informação complementar enviada em 15 de maio de 2010 (23:29) por José Lourenço Saraiva Salvado (foto atual à esquerda), que esteve em S. Domingos, Guiné, tendo iniciado a comissão em 25/07/1967 e terminado em 20/05/1969. (O José Salvado é membro da nossa Tabanca Grande, desde 15 de maio de 2016; tem 8 referências no blogue; é hoje advogado.)

Prestei serviço em S. Domingos e noutros locais, porque fazia parte da CART 1744, companhia de intervenção às ordens do Comando-Chefe, pelo que, para além de estar sediada em S. Domingos, esteve em intervenções em Susana, Varela, Ingoré e Cacheu, tendo combatido em Ingoré, Susana e S. Domingos. 

A mina, cuja foto foi enviada pelo camarada Eduardo Figueiredo, de quem já não me recordo, foi detectada em operação de picagem, mesmo ao meu lado, com as duas granadas incendiárias, que só por mero acaso não ocasionaram vítimas, porque o instalador se esqueceu de retirar a segurança dos detonadores. 

Pensa-se que, aquando da montagem da mina acompanhada, foi feito um ataque a uma povoação que foi socorrida em tempo recorde, pelo que as viaturas de socorro passaram por cima das minas, não sendo accionadas por erro do instalador dos artefactos. Posteriormente, numa visita de apoio psicológico para manter o ânimo das populações da povoação atacada, com trabalho de picagem, é que a mina foi descoberta. 

José Salvado, 
ex-furriel miliciano


2. O autor das fotos é o Eduardo Figueiredo, ex-alf mil op esp, CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e S. Domingos, 1967/69) (foto à direita).

Segundo informação do seu camarada e grão-tabanqueiro Virgílio Teixeira (Vt), o Eduardo já  terá morrido há uns anos, vítima de doença oncológica. 

Temos fotos do Vt com ele, que publicaremos em próximo poste.

(Revisão / fixação de texto, transcrição de manuscrito, título: LG)
________________

Nota do editor

(*) Último poste da série > 5 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27798: Fotos à procura de... uma legenda (200): Bingo, Paulo Raposo e Nelson Herbert!... Acertaram: é o antigo edifício da Marinha e Oficinas Navais, junto ao cais do Pijiguiti, Bissau

quinta-feira, 5 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27798: Fotos à procura de... uma legenda (200): Bingo, Paulo Raposo e Nelson Herbert!... Acertaram: é o antigo edifício da Marinha e Oficinas Navais, junto ao cais do Pijiguiti, Bissau



Foto nº 1A e 1 > Guiné - Bissau > Bissau > c. 2010 > Foto aérea da zona ribeirinha, porto, cais do Pijiguiti (ou Pindjiguiti) e Instalações Militares da Marinha de Guerra (*)




Foto nº 2A e 2 > Guiné - Bissau > Bissau > c. 2010 > Foto aérea da zona ribeirinha, cais do Pijiguiti (ou Pindjiguiti) (à esquerda) e Instalações Militares da Marinha de Guerra (à direita, edifício em L) (*)



Foto nº 3 > Guiné - Bissau > Bissau > c. 2010 > Foto aérea da "Bissau Velho": em primeiro plano, o telhado e as torres sineiras da catedral católica (à esquerda), um troço da Av Amílcar Cabral, o estuário do Geba, o porto, o ilhéu do Rei, e, assinalado a amarelo, o edifício em L das Instalações Militares da Marinha de Guerra, sito na Av 3 de Agosto (antiga marginal)



Foto nº 4 > Guiné - Bissau > Bissau > c.  2010 > Foto aérea da parte meridional da "Bissau Velho"... Alguns pontos de referência: cais do Pijiguiti (1), porto (2), catedral (3), rua Eduardo Mondlane (4) e av Amílcar Cabral (5)  (*)


Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
 


Infografia nº 1 > Guiné-Bissau > Bissau > Planta de Bissau (edição, Paris, 1981) (Escala: 1/20 mil) > Alguns pontos de referência: a nordeste, assinalada a verde,m a zona de Santa Luzia (à esquerda,. o Pilão); o Hospital Nacional Simão Mendes (assinalado a vermelho); e as Instalações Militares da Marinha de Guerra (assinalado a azul).

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)




Foto nº 5 > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau". Foto do álbum do  Eduardo Figueiredo, já falecido, ex-alf mil, CCS/ BCAÇ 1933  (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69).

Foto alojada em Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzidas com a devida vénia).

Foto (e legenda): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

 
1. Mensagem de nosso amigo guineense, de origem cabo-verdiana, Nelson Herbert, jornalista reformada da VIA - Voz da América, com data de hoje, às 11:18, em resposta ao poste P27791 (**)


Saudações:

Por aquilo que a memória reteve da cidade que me viu nascer, Bissau (nasci na rua Engenheiro Sã Carneiro, junto à Messe dos Sargentos da Força Aérea) [hoje, e desde de 1975, Rua Eduardo Mondlane], portanto no muito distante de onde me parece estar localizado o edifício da foto, nos idos anos de “formatação” dessa área que viria dar origem à Avenida Marginal ao longo do Rio Geba …e a Avenida Republica … [ hoje Av 3 de Agosto e Av Amílcar Cabral, respetivamente].

Diria que o edificio com as guaritas, na foto nº 1, mais me parece ser o Quartel da Marinha ou as “Oficinas Navais”, este já junto ao Cais de Pindjiguiti e da Avenida Marginal no Geba.

Digo isto já que é visivel, na foto,um pantanal e o Rio Geba num dos angulos da imagem, área que diria viria a aer o “backyard” do aquartelamento da Marinha….que se estenderia (não o e visível na imagem) à Estrada da Sacor e em direcão a um Centro de Transmissões (no fim da mesma via) de que provavelmente os postes/ antenas da imagem seriam parte.

A foto provavelmente foi tirada de um edifício junto ao “Porto de Pindjiguiti”, e da Avenida Marginal ao longo do Geba. Provavelmente de algum prédio da então Casa Ultramarina~, nas redondezas.

Digo isto, e a tÍtulo de curiosidade que de criança, e da casa /rua onde nasci , eram parcialmente visiveis as obras da construção do que viria a ser a parte lateral (o muro) do quartel da Marinha, pelas bolanhas da estrada da Sacor.

Mais tarde, com a construção de duas novas ruas paralelas à Engenheiro Sá Carneiro (a rua que ia dar ao Hospital de Bissau, à Praça Honório Barreto, à Pensão/ Restaurante Ronda, do tal atentado bombista e ao Cemitério de Bissau … , em direção conytraria, aos Servicos de Meteorologia junto ao célebre "Chez Toi”) perdeu-se a vista do Geba e do edificio do Quartel da Marinha.

De uma das ruas paralelas ainda me lembro do nome: era pois a Rua Lamine Indjai, inaugurada se não me falha a memória, nos anos 70. A outra (hoje Severino Pina) escapa-me o nome de “baptismo” na época colonial.

Espero que a memória não me tenha traído.

Mantenhas

Nelson Herbert
Washington DC, USA


2. Comentário do editor LG:

Bingo, Nelson (Herbert) e Paulo (Raposo), foram vocês os únicos que acertaram...Eu próprio estava, inicialmente inclinado para o antigo Hospital Central de Bissau, e a IA, imaginem (!), dizia.me que era o quartel do Serviço de Transmissões de Santa Luzia (por causa das antenas)... Mas, quem sabe, sabe. E quem sabe, é quem viveu em Bissau, nesses anos de 40/50/60/70...

Claro, a fotografia do Eduardo Figueiredo não é "famosa", tem fraca resolução e profundidade de campo...Mas, comparando-a com as fotos que reproduzimos acima (**), e com as memórias do Nelson Herbert, não há margem para dúvidas: o edifício (ou o conjunto de instalações da antiga Marinha Portuguesa) ainda lá (ou estava, c. 2010)...

_______________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 17 de novembro de 2019 > Guiné 61/74 - P20356: Roteiro de Bissau: fotos de c. 2010, de um amigo do Virgílio Teixeira, empresário do ramo da hotelaria - Parte II


(...) fotos, na posse do nosso camarada Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, chefe do conselho administrativo, Comando do BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69).

Foram-lhe enviadas, sem legendas, por um português, das suas relações, empresário do setor hoteleira, que ele de momento não está autorizado a identificar. São fotos, muitas delas aéreas, com interesse documental para aqueles, como nós, que conheceram Bissau, que continuam a lá ir ou querem ainda lá ir. As fotos devem ter sido tiradas no início da década de 2010, e algumas serão mais antigas. Mas são de alguém que ama muito a cidade de Bissau...onde vive. E onde a gente vive é a nossa terra!... (...)


Hoje podemos acrescntar que esse empresário é o dono do nosso conhecido Coimbra Hotel & Spa,  de Bissau,