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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28009: 1º Cruzeiro de Férias às Colónias do Ocidente (Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe e Angola, 10 de agosto - 3 de outubro de 1935), de que foi diretor cultural o jovem e brilhante professor Marcello Caetano - Parte VII: Bissau e Bolama - Parte I


















Fotogramas > "1º Cruzeiro de Férias às Colónias do Ocidente", documentário de San Payo (1936) > Guiné > Bissau > Agosto de 1935 >  

Os fotogramas são reproduzidos com cortesia da Cinemateca Digital (Cinemateca Nacional). Para visualizar o documentário completo, consultar:

I Cruzeiro de Férias às Colónias do Ocidente", realizado em 1936 por San Payo.

 Chamada de atenção ao leitor: caso não consigas visualizar o vídeo, por favor verifica se o endereço completo da página indica http://www.cinemateca.pt (e não https://www.cinemateca.pt/)

Deixa o browser forçar o s; senão este deverá ser eliminado manualmente; deverás ainda, utilizar apenas os browsers Firefox, Google Chrome ou Microsoft Edge. 

O filme, feito em parte com dinheiros públicos,  não chegou a passar nas salas de cinema:  terá sido projetado uma única vez, no S. Luiz, em Lisboa, a 29 de junho de 1936, em sessão destinada  aos participantes do cruzeiro.


1. Desde 4/11/2025, temos mostrado alguns fotogramas do documentário, de longa duração (91' 13''), sobre o 1º Cruzeiro de Férias às Colónias do Ocidente. O filme está disponível, em formato digital, no portal "Cinemateca Digital", da Cinemateca Nacional.

Ainda não o visionámos na totalidade. É uma reportagem completa do cruzeiro, de Dois meses, com imagens  e informação muito "interessantes", do ponto de vista da historiografia da presença portuguesa nas quatro "colónias" da África Ocidental visitadas, além de pormenores da partida de Lisboa, da chegada aos vários portos (Mindelo, Praia, Bissau, Bolama, Luanda, Lobito, etc.)  bem como da vida a bordo. (*)

Um documentário, raro, com 90 anos, que diz muito (até pelo que omite, por defeito, conveniência, autocensura ou opção) sobre o "império colonial", expressão que se usava na época sem complexos,  e até com orgulho.  O filme (feito em 35 mm, ainda sem som) tem algumas erros de montagem (cenas trocadas ou repetidas),  e muitas imperfeições  de imagem na cópia digitalizada. Mesmo assim, estamos gratos á Cinemateca Nacional por retirá-lo do pó dos arquivos, restaurá-lo e pô-la á disposição do público lusófono, em geral, dos antigos combatentes, em particular 

2. Recorde-se que o  realizador  é San Payo, nome artístico  de Manuel Alves San Payo (Melgaço, 1890-Lisboa, 1974),  que contou com a colaboração de Artur Costa Macedo, um conhecido  operador e diretor de fotografia (S. Tomé, 1894 - Lisboa, 1966).

O mostra a viagem do paquete "Moçambique" a Cabo Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe e Angola entre agosto e outubro de 1935.  O cruzeiro coincidiu com as férias escolares. O navio, a vapor, "Moçambique", pertencia à  CNN, será abatido, quatro anos depois, em 1939, e substituido por um novo "Moçambique", a motor, maior e melhor.

A iniciativa foi da revista "O Mundo Português", com apoio do Secretariado da Propaganda Nacional e Ministério das Colónias. A revista era editada pela Agência Geral das Colónias e pelo Secretariado da Propaganda Nacional. 

Os "excursionsistas" não chegavam às duas centenas,   incluindo 7 dezenas de estudantes , considerados os melhores alunos na conclusão do curso geral dos liceus (entre eles,  o Ruy Cinatti). E só 20% eram mulheres.

Um dos mentores do projeto foi Marcelo Caetano, então com 29 anos, e já brilhante professor de direito administrativo na  Faculdade de Direito de Lisboa, e intelectual orgânico  do regime. Seria também  ele  o "diretor cultural" do cruzeiro.  O objetivo desta iniciativa era didático e propagandístico: cativar as jovens elites do país para a questão colonial, num altura em que outras potências coloniais   deitavam o olho a alguns territórios do império colonial português.

O  documentário dedica menos de 15 minutos à visita à Guiné (Bissau e Bolama). O realizador viveu na 2ª década do séc. XX no Brasil, país onde se iniciou na fotografia e no cinema: fez alguns filmes e documentários. Mas é em Portugal se torna um reputado fotógrafo das elites (políticas, sociais e culturais), sobretudo nos 30, 40 e 50. A clientela reflete também a qualidade técnica e estética do seu trabalho. 

Dizia-se, todavia, "apolítico". Mas sua escolha como realizador deste documentário não pode ser vista como "inocente":  como fotógrafo das elites (incluindo Salazar), dava garantias que o documentário reforçaria a "narrativa oficial". 

Neste  filme, o realizador dá sempre maior destaque aos aspetos cénicos do cruzeiro: as chegadas, o cais, a receção das populações locais, com as suas "danças indígenas", o exotismo humano e paisagístico, o anedótico, o "flagrante", ... 

Há um ou outro apontamento sobre a história da colonização: por exemplo, um dos intertítulos, referente ao forte de São José da Amura, diz explicitamente que a cidade de Bissau, até aos anos 20, cabia dentro das muralhas... Não sei se a censura  terá gostado, ou até pode ser que sim: podia interpretado  como uma "bicada" á malfadada República,  derrubada em 28 de maio de 1926.

Bissau  em 1935 ainda não era a capital, a cidade estava a crescer, segundo um plano urbanístico do tempo da Republiva, mas tinha  apenas um cais-acostável... Há poucas imagens da cidade, de resto as obras públicas só virão mais tarde, com o impulso dado pelo governador Sarmento Rodrigues à "modernização" da colónia... Mas um dos fotogramas mostra já a Av da República, com candeeiros de iluminação pública.

Era então governador  da Guiné (1933-1941) o major do exército  Luís António de Carvalho Viegas  (chegará a general em 1948; será deputado na Assembleia Nacional, na IV Legislatura, 1945-1949).

Resumo análitico do filme: 

  • até  8' >  Lisboa (despedida e partida do navio); viagem até Cabo Verde;
  • 8' - 23' > Cabo Verde (Mindelo, Praia, interior);
  • 23' - 37' > Guiné (Bissau e Bolama);
  • 37' - 46' > São Tomé e Príncipe (incluindo em São Tomé, visita às roças Água Izé, Monte Café, e Rio do Ouro; no Príncipe, roça não identificada):
  • 46' - 91' > Angola (Luanda, rio Dande, Catete, Dalatando, Casengo, Porto Amboim, Gabela, fazenda de café, Lobito, caminho de ferro de Benguela,  empresa de Cassequel, Catumbela,  Ganda, Moçamedes, foz do rio Bero, regersso a Luanda, minumento aos mortos da Grande Guerra, batuques, desfile) (incluindo visita à fazenda Tentativa, à granja S. Luiz e outras fazendas não especificadas, além da Estação Zootécnica e missão na Huíla).


3. Registe-se que  só as visitas a Luanda, Lobito e Moçâmedes duraram mais do que um dia,  nos restantes locais, os "excursionistas" ficaram apenas algumas horas.  

Em 1935, a organização do cruzeiro teve de enfrentar muitos problemas logísticos (falta de viaturas automóveis, péssima rede viária e hoteleira, etc.), problemas esses agravados num território como a Guiné, ainda não totalmente "pacificado" (daí que a visita se tenha limitado se a duas cidades costeiras, com cais acostável, Bissau e a capital, Bolama).

Recorde-se que só entre 1925 e 1936 é que foram "pacificados" os últimos povos animistas, no noroeste do território ("chão felupe") e nos Bijagós, tendo a última campanha sido na ilha de Canhabaque, cujos habitantes eram acusados de praticar  a pirataria.

Tratando-se de um documentário sem som síncrono,  o realizador recorreu aos intertítulos (no fundo, as velhas legendas usadas para apresentar diálogos ou explicar a narrativa entre as cenas ou sequèncias no cinema mudo). Eram cartões de texto filmados e inseridos durante a montagem do filme para ajudar o público a compreender a narrativa,  uma vez que não havia som sincronizado.
 . 
Por razões de produção, financeiras e técnicas, os documentários continuarão a fazer-se sem som síncrono até muito tarde, início dos anos 60.

Diversas empresas portuuguesas expuseram os seus produtos a bordo, e fizeram publicidade no roteiro, ajudando assim ao encaixe necessário para o financiamento da viagem, que contou ainda com 150 contos dados pelo governo, mais as receitas das inscrições dos excursionistas (que eram caras para a época, como já vimos).

 (Seleção e edição de imagens: LG)
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Nota do editor LG:


Vd. postes anteriores da série:




Vd. também postes de:

domingo, 26 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27954: O PIFAS, de saudosa memória (20): relembrando aqui o "senhor primeiro" Silvério Dias e a "senhora tenente" Maria Eugénia, figuras carismáticas do programa radiofónico das Forças Armadas (Rep ACAP / QG / CCFAG, 1969/74)


A mascote do Programa [de Informação] das Forças Armadas (PIFAS), da responsabilidade da Repartição de Assuntos Civis e Acção Psicológica (Rep ACAP / QG / CCFAG). A mascote do PIFAS... tem pai(s): segundo informação do João Paulo Dinis, um dos locutores do programa em 1970/72, o pai da "ideia" foi o fur mil Jorge Pinto, que trabalhava no QG, ideia a que depois deu corpo um outro camarada, o José Avelino Almeida, cuja companhia estava em Mampatá e Aldeia Formosa...

Imagem cedida pelo nosso camarada Miguel Pessoa, cor pilav ref (ex-ten pilav, Bissalanca, BA 12, 1972/74).



Alguns de nós lembram-se do filme, "Good Morninbg, Vietanm"  (EUA, 1981, 121 m, a cores) (em portuguès, "Bom Dia, Vietname).  (Cartaz: cortesia da Wikipedia)

Sinopse: 

Em 1965, o DJ Adrian Cronauer, protagonizado pelo grande ator cómico  Robin Williams (1951-2014), é recrutado para dirigir o programa de rádio das forças armadas norte-americanass  no Vietname. 

Irreverente, ele agrada aos soldados, mas enfurece Steven Hauk, um segundo-tenente e superior imediato de Cronauer, que tinha uma necessidade enorme de provar que era o "patráo". Movido pela inveja e ciumeira, ele tenta lixar o Cronauer, mas a sua popularidade é tal que é protegido pelos altos escalões.


 Guiné > Bissau > PFA (Programa das Forças Armadas), o popular Pifas > c. junho de 1971 > Noite 7 (Emissão especial aos sábados).

Na foto, o 1º cabo José Camacho Costa e o 1º srgt Silvério Dias. Reconhecem-se do na gravação, excertos musicais de Carlos do Carmo, José Mário Branco, Beatles e outros... Faz-se referência á chegada do homem à lua, à guerra no Laos e no Camboja, e dá-se a notícia da flagelação, à cidade de Bissau, com foguetões 122 mm de origem russa (em 9 de junho de 1971)... O Pifas era considerado mais "liberal" do que a EN - Emissora Nacional, a "voz do regime".

[Ouvir aqui o compacto aúdio, de Garcez Costa, antigo locutor.  Vídeo (6' 31''): Alojado em You Tube > Nhabijoes ]

Foto (e ficheiro áudio): © Garcez Costa (2012). Todos os direitos reservados.  [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Silvério Dias, que acaba de falecer (*), soube aproveitar o talento de jovens radialistas (militares) (como o  José Camacho Costa, o Dias Pinto, o Garcês Costa, o João Paulo Dinis, o Armando Carvalhêda, etc.), era o "senhor Pifas", por antonomásia (**). 

A sua bela e potente voz era conhecida por toda a gente, pela tropa (em Bissau e no mato) bem como pela população civil. O programa era o nosso "Good Morning, Vietnam!", salvaguardadas algumas diferenças substanciais e o contexto.

Silvério Pires Dias (Vila Velha de Ródão, 1934 - Oeiras, 2026) esteve à frente do programa de rádio das Forças Armadas Portuguesas (PFA ou PIFAS, como era conhecido popularmente, Bissau, Rep ACAP /QG /CCFAG, de 1969 a 1974).

Trabalhou com "capitães de Abril" como Ramalho Eanes e Otelo Saraiva de Carvalho, depois de ter feito  em 1967/69 uma comissão de serviço  na CART 1802 (Nova Sintra, 1967/69). Veja-se aqui a ficha de unidade.


2. Ficha de unidade > Companhia de Artilharia n.º 1802

Identificação: CArt 1802
Unidade Mob: RAL 3 - Évora
Cmdt: Cap Mil Art António Nunes Augusto | Cap Art Luís Fernando Machado de Sousa Vicente  | Cap Mil Art Emílio Moreira Franco
Divisa: "Honra e Glória"
Partida: Embarque em 280ut67; desembarque em 02Nov67 | Regresso: Embarque em 23Ag069.

Síntese da Actividade Operacional

Em 03Nov67, seguiu para Farim a fim de efectuar a instrução de adaptação operacional sob orientação do BCaç 1887 e, seguidamente, reforçar temporariamente, este batalhão numa série de operações realizadas no sector respectivo.

Em 10Dez67, recolheu a Bissau, a fim de integrar as forças de intervenção e reserva à disposição do Comando-Chefe, tendo tomado parte em diversas operações em reforço de vários batalhões, nomeadamente na região de Ponta do Inglês, na operação "Grão-Duque", em reforço do BCaç 1888 e na região de Choquemone, nas operações "Bolo Rei" e "Buzinar Novo", em reforço do BCav 1915, entre outras.

Em 11Jan68, foi deslocada para S. João, onde substituíu um pelotão da CCaç 1566 e desenvolveu a actividade de reconhecimentos, patrulhamento e batidas na área e abertura e limpeza de itinerários, com vista à criação do subsector de Nova Sintra na zona de acção do BArt 1914. 

Em 06Mai68, assumiu então a responsabilidade deste novo subsector de Nova Sintra, com um pelotão destacado em S. João.

Em 030ut68, foi substituída, por fracções, pela CCav 2484, seguindo para Bissau, a fim de colmatar anterior saída do CArt 1689 no dispositivo do BCaç 1911 e colaborar na segurança e protecção das instalações e das populações da área.

Em 12Mar69, iniciou o deslocamento por pelotões para os destacamentos de Pelundo e ilha de Jete, tendo em 18Mai69 substituído, totalmente, por troca, a CCaç 1683, como força de intervenção e reserva do sector do BCaç 2845, com a sede em Teixeira Pinto.

Em 29Abr69, por criação do subsector respectivo, foi colocada em Pelundo, mantendo um pelotão destacado na ilha de Jete e continuando integrada no dispositivo e manobra do BCaç 2845; em O1Ju169, por alteração dos limites dos sectores, passou à dependência do BArt 2866 e depois do BCaç 2884.

Em 06Ag068, foi rendida no subsector de Pelundo pela CCaç 2586 e recolheu temporariamente a Bula, onde se manteve até à véspera da data de embarque, seguindo então para Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso.

Observações - Não tem História da Unidade. Tem Resumo de Factos e Feitos (Caixa n." 124
- 2ª Div/4ª Sec, do AHM).

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 7.º volume: Fichas das Unidades. Tomo II: Guiné. Lisboa: 2002, pp. 456/457.


Maria Eugénia e Silvério Dias, em 2017. Foto de LG (*)

3. Numa entrevista ao programa da Antena 1, Reportagem Tarde, em 11/2/2024, o Silvério Pires Dias e a esposa Maria Eugénia Valente dos Santos Dias contam, à  Sílvia Mestrinho, como acabaram por trabalhar na rádio.



O Pifas - Silvério Pires Dias era militar de carreira na Guiné e, meio por acaso, acabou aos microfones da rádio. Memórias contadas à jornalista Sílvia Mestrinho | 11 fev 2014 (vd.ficheiro aúdio aqui)

 
4. O "senhor primeiro" e a "senhora tenente" são figuras lendárias desses tempos da rádio, e do programa que ficou comnhecido por Pifas. (Poderia ter- se chamado"Bom Dia, Guiné!".)

E,m 1969, o Silvério Dias, já 1º srgt art, acabou por tornar-se "o homem por trás da voz", o "senhor Pifas".

Era conhecido pelo seu  lado  humano e proximo,  pela sua empatia, e pela sua bela voz...Daí o epíteto de “senhor Pifas” entre a tropa. Depois da guerra acabou por ficar em Bissau como civil (delegado de propaganda médica) e mais tarde em Portugal manteve uma veia literária, com o blogue “Poeta Todos os Dias”. (Publicou inclusive, em 2017, um livro de poesia.)


A "senhora tenente" (Bissau, c. 1970/72)
 Foto de Garcês Costa  (2012)
A referência à “senhora tenente” também é mais que justa: Maria Eugénia (bastante mais nova do que ele, e com quem casou em 1960, e de quem um filho, Manuel Valente, a viver na Dinamarca):  era uma rapariga "alta e esbelta", com vinte e poucos anos quando se juntou ao marido em Bissau, por volta de 1969 (provavelmente no fim da comissão na CART 1802). 

Tornou-se, por sugestão de Ramalho Eanes (que em 1969/71,chefiava  o Serviço de  Radiodifusão e Imprensa), um elemento fundamental da equipa,  quase uma extensão emocional do "senhor Pifas", sobretudo na gestão dos aerogramas que os ouvintes (nomeadamente militares) enviavam ao programa) e na resposta aos “discos pedidos”, mas também quando aparecia no mato com o "senhor primeiro" para fazer uma reportagem ou para gravar as mensagens de Natal. ( O material era depois montado no estúdio, uma vivenda em Bissau; não havia emissões em direto.)

O Silvério Dias (e a Maria Eugénia, que era uma simples civil, que envergava camuflado e usava galões de tenente, com a cumplicidade dos responsáveis da Rep ACAP)  foram duas figuras agregadoras,  um belo par que fazia companhia à distância, pelas ondas hertzianas,  aos homens no mato.

Na realidade, o Pifas foi  mais que um programa de rádio. O PFA / PIFAS (Programa das Forças Armadas) era emitido a partir de Bissau e tornou-se de algum modo lendário. 

Silvério Dias, nesta entrevista à Antena 1, não esconde a razão de ser da sua criação, que  era obviamente política. Mas também sublinha que a sua função principal era, de facto, o entretenimento da tropa e a elevação do seu moral.

Era, igualmente, a ligação afetiva com a metrópole, a terra, a casa (através de cartas, mensagens, música). Tinha, por fim, um papel de ação psicossocial (integrado na estrutura militar e  na prossecução da política spinolista "Por uma Guiné Melhor"). 

Não era por acaso que o Pifas  era gerido pela Rep ACAP (Repartição dos Assuntos Civis e Acção Psicológica). 

A Rep ACAP/QG/CCFAG, na Amura, era uma das 4 repartições do Com-Chefe. Era responsável por conquistar a população local ("ganhar corações e mentes") através de apoio social, educação, saúde, melhorias de infraestruturas, informação e  propaganda (como o programa de rádio Pifas). 

A Rep ACAP articulava-se  com a estratégia de Spínola de "portugalizar" a Guiné, focando-se na ação psicológica e no apoio à população civil para contrariar a influência do PAIGC. Incluía a organização de manifestações de apoio à política do Governador, prestação de cuidados de saúde, administraçao,   ensino, distribuição de medicamentos e alimentos (nomeadamenmet arroz) e, claro, propaganda radiofónica, destacando-se nesse papel o Pifas (Programa de Informação das Forças Armadas).

Esta repartição funcionava no âmbito do Quartel General do Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné (QG/CCFAG), sob o comando direto de Spínola, e era uma estrutura fundamental na "guerra de contrassubversão"

Falaremos, noutro poste, dos conteúdos típicos do programa, que tinha três emissões diárias, e era feito em instalações próprias do QG/CCFAG, numa vivenda,  na Av Arnaldo Schulz. Incluíam discos pedidos (o coração do programa), leitura de aerogramas e mensagens pessoais, música da época (pop portuguesa e internacional), conversa leve, humor, notícias culturais. Diz a Maria Eugénia na entrevista que os discos mais pedidos eram os do conjunto Maria Albertina e a Valsa da Meia-Noite"...

 Há quem defenda que o Pifas era o equivalente português de “Good Morning, Vietnam!”. E a afirmação não anda longe da verdade, embora haja diferenças substanciais.

O impacto psicológico nas NT era grande. Era ouvido pelas NT, pelo IN e pela população. Do lado dos nossos militares, há  testemunhos que sugerem que “uma hora do Pifas" podia ser tão ou mais importante que uma carta ou aerograna da família.

Se quisermos, um programa radiofónico como o Pifas, em contexto de guerra e de isolamento da tropa,   tinha efeitos positivos: criava rotina num ambiente "caótico" (que era a vida em tempo de guerra no mato); humanizava a guerra; dava sensação de pertença (“alguém que falava para nós”); enfim, era ouvida em todo o lado, de Bissau a Buruntuma, do Cacheu a Cacine, nos quartéis e destacamentos do mato,  mas também nas messes e  repartições de Bissau,  na BA 12 em Bissalanca, nas embarcações da marinha, nas tabancas, etc,

Havia alguma liberdade criativa, mais solta (e até com alguma irreverência) do que a rádio em Portugal, a Emissora Nacional, mas sempre com limites de censura (e sobretudo autocensura, como disse o Armando Carvalheira).  Misturava informalidade com disciplina militar, Silvério Dias recebia instruçóes do Ramalho Eanes e mais tarde Otelo. 

Tinha até uma feliz “mascote” (o boneco do Pifas), uma espécie de "branding" avant la lettre.
 
Conhece-se alguma coisa da estrutura e dinâmica do programa, embora, e ao contrário do universo popularizado por "Good Morning, Vietnam!", o Pifas tenha ficado muito menos documentado e estudado de forma sistemática. Temos uma série, que merece ser revisitada, "O PIFAS., de saudosa memória" (de que se publicaram até agora 20 postes) (*)
 
O PIFAS (Programa de Informação das Forças Armadas) surge no contexto da governação de António de Spínola na Guiné (1968–1973), integrado numa estratégia mais ampla de ação psicológica: comunicação interna com as tropas, e com populações locais. Não era apenas rádio, articulava-se com um sistema de comunicação militar com várias vertentes: emissões radiofónicas, folhas informativas / boletins, semanário, cinema itinerante, campanhas cívico-militares, etc.

A rádio dentro do PIFAS: a componente radiofónica existia, mas não era uma “estrela solitária” como no caso americano. Funcionava mais como: 
  • rádio de apoio às tropas (música, muito dela pedida pelos ouvintes, militares e vivis), dedicatórias (“para o aquartelamento X, do camarada Y…”), mensagens de apoio moral;
  • informação controlada: notícias filtradas sobre a guerra,  relatos de operações com tom positivo, ausência de críticas ou ambiguidade;
  • ligação emocional: leitura de cartas, referências à “metrópole”, reforço da ideia de missão e camaradagem, humor,  notícias deptortivas,  chave do totoloto, etc.
Aqui nota-se a diferença entre o Pifas e o "Good Morning, Vietnam!": não havia espaço para figuras “à Robin Williams”, irreverentes ou disruptivas.
 
O Pifas (que emitia em protuguès, crioulo e principais línguas nativas) estava muito ligado à doutrina de “ganhar corações e mentes”, semelhante (em teoria) ao que os EUA também tentavam no Vietname sem sucesso (ao que parece).

Mas no caso português havia especificidades... Era uma programa mais "institucional"; integração com a política do “Portugal plurirracioal e pluricontinental”; tentativa de legitimar a presença histórica portuguessa na Guiné; dirigido em simultâneo aos militares e à população guineense (incluindo a que se encontrava sob controlo do PAIGC). Ou seja, não era só entretenimento, era  guerra psicológica estruturada.

O conhecimento sobre o Pifas vem sobretudo de memórias de militares (como as recolhidas no nosso blogue) (*), alguns estudos sobre ação psicológica na guerra colonial, documentação militar dispersa

Lamentavelmente, falta o arquivo sistemático das emissões, O  estudo académico aprofundado da rádio militar portuguesa e a comparação internacional detalhada (com o que foi feito noutras guerras coloniais...).

Com base nos testemunhos que temos, uma emissão típica do Pifas poderia soar assim: (i) abertura com música do filme "2001 - Odisseia no Espaço",; (ii)  locutor com voz vibrante mas mais sóbrio que o Robin Williams no filme "Good Morning, Vietname!", em todo o caso próximo do ouvinte; (iii)  leitura de mensagens entre unidades, notícias “positivas” de operação recente,  informaçáo desportiva, humor, etc.; (iv) fecho com música ou saudação...

Sem sarcasmo, sem confronto, mais próximo de uma “rádio de companhia disciplinada" do que de um palco criativo. Até por que o Silvério Dias, embora fosse um "homem da palavra", não era propriamente um radialista em 1969. 

O PIFAS foi discreto, mas importante, estruturado, mas pouco estudado, eficaz em alguns aspetos do moral da tropa, mas limitado pelos constrangimentos da hierarquia militar e pela censura. Mesmo assim, mais "liberal" do que a Emissora Nacional (EN), que era a voz do regime.
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27739: Os 50 anos da indepedência de Cabo Verde (22): os cubanos que o Amílcar Cabral (i) quis "esconder"; (ii) queria que fossem "escurinhos, como ele; e, mais difícil, (iii) que "não morressem nem se deixassem apanhar" como o Peralta - II Parte






Fotogramas do filme "Madina Boe" (Cuba, 1968, 38'), do realizador José Massip (1926-2014), obtidas a partir da função "print screening" do teclado do PC e da visualização de um resumo, em vídeo ("Amílcar Cabral", 28' 22'') , disponibilizado no You Tube, na conta "José Massip Isalgué".

O documentário foi carregado no You Tube no dia da morte do cineasta (ocorrida em Havana, em 9/2/2014): não tem som direto, é narrado em espanhol, tem subtítulos em espanhol, mas também pequenos diálogos em crioulo e em português (por ex., com o médico dr. Mário Pádua, angolano branco, oficial do exército português, de que desertou, tendo saído de Angola para se juntar mais tarde ao PAIGC). 

Há sequências de cenas que vão da preparação militar a saídas para atacar alegadamente o quartel de Madina do Boé,   do rital da caça à descontração das refeições, das jogatanas de futebol ao quotidiano do hospital de Boké, do outro lado da fronteira, na Guiné-Conacri... Enfim, até uma visita de Amílcar Cabral às "tropas em parada"... É impossível saber onde exatamemnte foram  obtidas as imagens. Parte delas são no Boé, outras em Boké, já na Guiné-Conacri,

Esta média metragem, "Madina Boé" (1968),  foi  financiado pelo Instituto Cubano de Arte e Industria Cinematográficas, de que o José Massip foi cofundador, e pela Organização de Solidariedade com os Povos da Ásia, África e América Latina. O documentário retrata a organização do  PAIGC na região do Boé, e o quotidiano dos seus guerrilheiros. O Boé
é considerado como "área libertada". 
 
O cineasta José Massip e o operador de câmara Dervis Pastor Espinosa  estiveram na zona do Boé em março e abril de 1967,  pelo que as imagens do  alegado ataque ao quartel de Madina do Boé em 10 de novembro de 1966 (trágico para o PAIGC, com a morte de Domingos Ramos e outros militantes) só podem ser de arquivo e, nessa medida, são (ou podem parecer) um embuste: a verdade sobre o que se passou nesse dia trágico foi pura e simplesmente ignorada ou escamoteada, como convinha.

Sabe-se que em março-abril de 1967,  a equipa cubana não filmou nenhuma cena de guerra, alegadamente por razões de segurança. As imagens de guerra que foram incorporadas no filme terão sido obtidas por outra equipa cubana, que estava no terreno em 10 de novembro de 1966, o que ainda está por esclarecer. (Já fizemos referência à operadora de câmara argentina Isabel Larguia, que estava ao lado do guineense Domingos Ramos e do cubano Ulises Estrada.)

De resto, tanto Cuba como  PAIGC mantiveram em segredo, mesmo depois da independência,  a "ajuda estrangeira" em conselheiros, instrutores, médicos e combatentes cubanos... No filme não aparecem combatentes estrangeiros, a não ser o médico Mário Pádua, de costas (que diz no filme: "eu sou um médico português antifascista e anticolonialista"... e acrescenta: a guerra que aqui se trava não é do povo guineense contra o povo português mas contra um regime político fascista...)

O filme do José Massip foi várias vezes premiado (nomeadamente em países do chamado bloco soviético), passou na televisão cubana mas não obteve grande entusiasmo  da crítica interna. Há cenas no filme que não terão agradado ao regime de Fidel Castro. Em contrapartida, foi muito útil à propaganda do PAIGC. Amílcar Cabral era hábil, a explorar, no plano mediático e diplomático, testemunhos como este que devem ter seduzido, por exemplo, os suecos do partido de Olof Palme.

Claro que em Portugal não passaria, antes do 25 de Abril. O filme, aliás, só foi estreado entre nós no doclisboa'16, em 24 de outubro de 2016, às  15h30, na Cinemateca Nacional, Sala M. F. Ribeiro.  Eis a sinopse que vinha no programa, e que não deixa de ser reveladora da santa ignorância ou ingenuidade (é o mínimo que me ocorre dizer) dos organizadores.

"Filmado nas áreas libertadas [sic] da Guiné-Bissau, durante a sua guerra de libertação de Portugal, o filme segue o Exército Popular para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde, documentando a educação política dos combatentes, as técnicas de guerrilha e o treino físico."  

Enfim, Cuba não mandou, para o PAIGC, apenas instrutores, conselheiros militares e médicos, mandou também cineastas com o talento de um José Massip. Até nisso Amílcar Cabral foi hábil, soube pôr o cinema e os cineastas de vários países ao seu lado, contrariamente aos políticos e generais portugueses do Estado Novo... que escondiam ao povo a guerra que se travava em África, nomeadamente na Guiné. 

Para vergonha nossa, o cinema português não tem um único filme com a assinatura de um cineasta de prestígo sobre a guerra na Guiné (1961/74), que possamos mostrar aos nossos filhos e netos. 

Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)



Guiné > Bissau > HM 241 > 1969 > O capitão cubano Pedro Rodriguez Peralta. Fotograma, sem indicação de fonte (RTP ?). Cortesia da página do Facebook de António José Vale, 26 de maio de 2018. Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2024), com a devida vénia...


1. O jornalista Júlio Montezinho publicou no "Expresso das Ilhas" (Praia, ilha de Santiago, Cabo Verde), edição nº 1260, de 21 de janeiro de 2026, um interessante  artigo sobre a participação dos cubanos, ao lado do PAIGC, na luta pela independência da Guiné e Cabo Verde... 

 Vamos fazer, em dois ou três postes,  uma síntese  (*) e análise crítica do  artigo cujo iriginal está disponível "on line", aqui: País: A outra face da luta na Guiné (I) - A presença cubana na Guiné-Bissau que o PAIGC quis esconder | Por Jorge Montezinho, | Expresso das Ilhas, 25 jan 2026 9:14

Temos  cerca de 3 dezenas de referências a Cuba, e cerca de 90 a cubanos

II. Análise crítica: entre a solidariedade e a realpolitik

O artigo é interessante sem ser original. Mas merece ser partilhado com os nossos leitores, e demais público lusófono. Apoia-se fortemente na investigação do historiador italiano Piero Gleijeses: o seu livro de 2002, "Conflicting Missions: Havana, Washington and Africa, 1959–1976",  é uma obra de referência,  uma reavaliação exaustiva do envolvimento cubano na descolonização de África.  

Piero Gleijeses nasceu em Veneza em 1944, foi  professor de política externa dos Estados Unidos  na Universidade Johns Hopkins. 

É considerada uma autoridade em matéria de estudos sobre a política externa cubana sob Fidel Castro. Gleijeses, dizem-me,  é o único investigador estrangeiro a quem foi permitido o acesso aos arquivos governamentais cubanos da era Fidel Castro.

Fez o seu  doutoramento em relações internacionais no Graduate Institute of International Studies, em Genebra, e domina várias línguas:  além do italiano e do inglês, o afrikaans, o francês, o alemão, o português, o russo e o  espanhol.

 "Visions of Freedom" (2013) dá continuidade a "Conflicting Missions", analisando o confronto entre Cuba, os Estados Unidos, a União Soviética e a África do Sul no sul de África entre 1976 e 1991.

Além de revistas académicas, Gleijeses colaborou em publicações como a "Foreign Affairs" e a "London Review of Books" (Fonte:  Wikipedia, em inglês).


(i) Cuba: um ator único, "sui generis", mas não desinteressado

  • Solidariedade vs. estratégia: a ajuda cubana aparentava ser "genuína e desinteressada" em termos económicos, mas não era isenta de cálculo geopolítico; afinal, também aqui não há "almoços grátis".
  • Em nome do chavão do "internacionalismo proletário", a pequena mas "heróica" Cuba procura expandir a sua influência e o seu prestigio em África, em competição com as gigantescas mas rivais URSS e  China.
  • Guiné(zinha) portuguesa parecia ser um bom laboratório para testar, validar, promover e "vender" o  modelo revolucionário cubano, também baseado nos "campesinato".
  • O legado de Guevara: a presença cubana estava profundamente ligada à visão de Guevara de "internacionalismo proletário"; no entanto, a decisão de manter o envolvimento em segredo  deixou de dar dividendos (e teve custos humanos, mortos e feridos, que o PAIGC e Cuba sempre silenciaram, embora em nada comparáveios com o envolvimento em Angola.
  •  Havana, em todo o caso, também quis  evitar conflitos desnecessários com Portugal (com quem mantinha relações diplomáticas e comnercais) bem como com o poderoso vizinho, os EUA, que já monitoravam a região.
  • A célebre frase de Ernesto "Che" Guevara, "Criar dois, três, muitos Vietnames" (Crear dos, tres, muchos Viet Nam), surgiu na sua "Mensagem à Tricontinental" em 1967, apelando à multiplicação de focos de resistência armada para dividir e enfraquecer o "imperialismo".
  • Contexto: a frase foi publicada na revista Tricontinental em abril de 1967, originária de uma mensagem enviada por Che à Organização de Solidariedade com os Povos da Ásia, África e América Latina (OSPAAAL).
  • Significado: Guevara defendia que, se a resistência vietnamita conseguisse dividir as forças dos EUA, outros focos revolucionários no mundo teriam o mesmo efeito, enfraquecendo a dominação global.
  • O objetivo era incitar a luta armada internacional e a solidariedade entre os povos oprimidos contra o imperialismo (e o colonialoismo tardio, como era o caso da África lusófona; e o "apartheid" na África Austral).
  • O Vietname representava o exemplo máximo de um povo pobre a enfrentar com sucesso um exército poderoso, servindo de inspiração para movimentos revolucionários globais.
  • A frase (panfletária) tornou-se um lema para a resistência ao colonialismo e a defesa da soberania, simbolizando a luta colectiva.
(ii) Cabral, um líder pragmático que não foi nos futebóis dos cabuanos
  • Equilíbrio entre autonomia e dependência: Cabral soube gerir a ajuda externa sem comprometer a liderança do PAIGC (ou a sua liderança, que de resto não era contestado nessa época).
  • Cabral defendia que a luta devia parecer genuinamente africana e não parte de um estratégia mais vasta, geopolítica.

  • Ao limitar o número de cubanos e recusar ofertas de mais homens, evitou que o movimento se tornasse um "proxy" de potências estrangeiras, um risco comum em "guerras de libertação".
  • O uso da imagem: a colaboração com o cinema cubano para construir a sua imagem como líder de guerra revela uma compreensão avançada da importância da narrativa, Cabral não era apenas um estratega militar, mas também um construtor de mitos, essencial para a coesão do movimento.
  • Náo se pode diaer que a imagem de Cabral saia diminuída. Mas é inegável que o cinema (e os amigos do PAIGC, e náo apenas os cubanos) deram um bom retique na imagem de Cabral: encenação da sua presença na frente de batalha; construção simbólica do líder revolucionário.  Cabral nunca foi um "cabra-matchu", muiti menos boçal a maioria doso comandantes do PAIGC, a começar por 'Nino' Vieira,  como nem sequer precisava de o ser, para ficar na história de África.

  • (iii) Portugal, aliás, o Portugal de Salazar / Caetano, "orgulhosamente só"

  • A captura de Peralta: Portugal usaou o vaso Peralta para tentar deslegitimar o PAIGC, mas a sua recusa em libertá-lo, mesmo com a oferta de troca de um refém ameriano,  mostra a rigidez do regime de Salazar-Caetano.
  • Lisboa parecia mais interessada em "provar" a interferência estrangeira do que em resolver o conflito da Guiné (que se tenderia a"eternizar").
  • Falta de adaptação: enquanto o PAIGC e Cuba inovavam em táticas e comunicação, Portugal manteve uma estratégia militar rígida e pouco adaptada à guerra de guerrilha, pelo menos até à chegada de Spínola ao território.
  • O 25 de Abril de 1974 veio demonstrar que a solução para a guerra colonial não era militar, mas política (coisa que os militares portugueses, a começar por Spínola, já defendiam há uns anos, contra os "falcões" do regime que, de resto, mal conheciam África, a começar por Salazar que lá pôs os pés).

(iv) Memória e esquecimento

  • O silenciamento cubano: por que é que Cuba manteve o seu papel em segredo, mesmo depois da independência da Guiné-Bissau? 
  • A explicação oficial  ("respeitar os desejos do PAIGC") é plausível, mas também pode refletir uma política de não-confrontação com os EUA ou com os novos governos africanos, muitos dos quais queriam evitar tensões com antigos aliados de Portugal.
  • O 'papel técnico-militar dos cubanos não deve ser subvalorizado mas também náo pode ser sobrevalorizado. Cuba terá mandando ao PAIGC 435 homens, alegadamente todos "voluntários". 9 ou 17 terão morrido, há fontes contraditórias.

  • A memória portuguesa: em Portugal, a guerra colonial ainda hoje, passado ,mais de meio século, é um tema sensível; a narrativa dominante tende a focar-se no "trauma" dos soldados portugueses e na "ingratidão" das ex-colónias, ignorando cpmpletamemnte o papel de atores como Cuba (pelo menos, no cvaso da Guiné e,depois, em Angola, na chamada "guerra da II independència).
  • No nosso blogue, temos dado também voz a uma pluralidade de perspectivas, incluindo a cubana, "naturalmente" mais esquecida e mais difícil de compreender e aceitar pelos antigos combatentes portugueses.

(Pesquisa, condensação, revisão / fixação de texto, negritos: LG)
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Nota do editor LG:

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27736: Os 50 anos da indepedência de Cabo Verde (21): os cubanos que o Amílcar Cabral (i) quis "esconder"; (ii) queria que fossem "escurinhos, como ele; e, mais difícil, (iii) que "não morressem nem se deixassem apanhar" como o Peralta - Parte I


Instituição: Fundação Mário Soares e Maria Barroso | Pasta: 05222.000.243 | Título: Fernando de Andrade com um grupo de guerrilheiros do PAIGC e internacionalistas cubanosn| Assunto: Fernando de Andrade [irmão de Lucette de Andrade, esposa do Luís Cabral] com um grupo de guerrilheiros do PAIGC e grupo de internacionalistas cubanos | Data: 1963 - 1973  |  Fundo: DAC - Documentos Amílcar Cabral | Tipo Documental: Fotografia.

(1963-1973), "Fernando de Andrade com um grupo de guerrilheiros do PAIGC e internacionalistas cubanos", Fundação Mário Soares / DAC - Documentos Amílcar Cabral, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_43457 (2026-2-14)


Guiné > Alegadamente Região do Boé  > 1968 > Amílcar Cabral revistando as suas tropas

Fotograma do filme "Madina Boe" (Cuba, 1968, 38'), do realizador José Massip (1926-2014), obtido a partir da função "print screening" do teclado do PC e da visualização de um resumo, em vídeo (28' 22'') , disponibilizado no You Tube, na conta "José Massip Isalgué". O documentário foi carregado no You Tube no dia da morte do cineasta (ocorrida em Havana, em 9/2/2014). 

O documentário chama-se "Amílcar Cabral" (e pode ser aqui visualizado) (Imagem reproduzida com a devida vénia).


1. O jornalista Júlio Montezinho publicou no "Expresso das Ilhas" (Praia, ilha de Santiago, Cabo Verde), edição nº 1260, de 21 de janeiro de 2026, um interessante  artigo sobre a participação dos cubanos, ao lado do PAIGC, na luta pela independência da Guiné e Cabo Verde (*)... 

Não diz muito mais do que aquilo que a gente já aqui sabia. Por exemplo, não diz quanto cubanos passaram pelo território da Guiné (não terão chegado a meio  milhar),  nem quantos morreram ou foram gravemente feridos (menos de duas dezenas) (**).

Alguns de nós, pelo contrário, começaram a entrar na paranoia de ver cubanos por todo o lado. Às centenas, aos milhares, uma invasão (!) (**)... "Brancos, que só podiam ser cubanos"... Mas não, o Amílcar Cabral não queria "brancos", queria "escurinhos", como ele... Lá tinha as suas razões... Ele,  que nunca foi um grande "cobói", terá acolhido,  porventura um pouco a contragosto, a ajuda dos "bons escoteiros cubanos"... Afinal Cuba dava lições ao mundo em matérias como a guerra de guerrilha... E o PAIGC tinha que aprender com os mestres. 

Enfim, ainda há muitos "mitos" para desmontar. 

Em todo o caso, munca foram particularmemnte queridos os cubanos que, achávamos nós,  nada tinham a ver com aquela guerra (nem com aquela terra). "Dor de corno" ?!...Se calhar, mas alguns cubanos diziam tinham lá antepassados que foram escravizados.

 Bom, sorte, sorte, apesar de tudo, teve o "capitão Peralta" a quem os páras do BCP 12 salvaram a vida, depois de gravemente ferido numa emboscada (Op Jove, corredor de Guileje, em 18 e novembro de 1969). 

O Peralta que, não tendo morrido, acabou por ser uma peça fora do baralho, que veio estragar o arranjinho entre o Amílcar Cabral e o Fidel Castro... E estes dois, que depois se tornaram amigalhaços, lá tiveram que arranjar uma desculpa de mau pagador para a presença, no corredor de Guileje, a milhares de quilómetros de casa (mais de 7 mil), daquele "ovelha tresmalhada".

Afinal, éramos todos bons rapazes, mas o Amílcar Cabral nunca chegou a pagar em vida  os favores que devia aos cubanos, mandando por exemplo os "seus balantas" para Cuba, para ir cortar cana de açucar na altura dela... Amor com amor se paga, diz o provérbio popular português.

Enfim, tem algum interesse em sabermos, pelo menos, como  é que eles, os cubanos, 500 anos depois, voltaram à  Guiné à procura das suas origens... (Esse era um dos argumentos utilizados pelo Cabral para justificar a sua presença em África.)

Vamos fazer, em dois postes,  uma síntese e análise crítica do  artigo cujo original está disponível "on line", aqui: País: A outra face da luta na Guiné (I) - A presença cubana na Guiné-Bissau que o PAIGC quis esconder | Por Jorge Montezinho, | Expresso das Ilhas, 25 jan 2026 9:14


A. Síntese: o papel de Cuba na luta do PAIGC


(i) Contexto e motivações

  • Autonomia cubana: ao contrário de outros apoiantes do PAIGC (como a URSS, a China ou até a Suécia), Cuba terá agido por iniciativa própria, motivada pela visão de 'Che' Guevara  do "internacionalismo proletário" e da da "luta contra o imperialismo ", pelo empenho pessoal de Fidel Castro e pelo interesse estratégico de Cuba  na África subsaariana como "laboratório revolucionário". 
  • Os contactos com o PAIGC remontam a 1963, mas a "ajuda cubana" só se  materializou  após a viagem de Guevara à África em 1964-65.
  • Primeiros contactos: em agosto de 1963, o PAIGC pediu formação militar e política para cinco combatentes, em Cuba; não se sabe ao certo se houve resposta, nem se esses cinco militantes chegaram a ir a Cuba (quanto mais fosse para provar um "Mojito", um "Daiquiri" ou uma "Cuba Libre"...).
  • Foi preciso esperar ano e meio para que, a partir da reunião entre o 'Che' Guevara e o Amílcar Cabral, em 12 de janeiro de 1965, em Conacri, se desse o início da "cooperação efetiva"entre o PAIGC e Cuba.
  • Em janeiro de 1966, Cabral, que gostava muito de viajar,  foi pela primeira vez a Cuba (não é "á Cuba", no Baixo Alentejo), chefiando a delegação do PAIGG  na  Conferência Tricontinental em Havana.
  • Após aqueles intermináveis discursos panfletários do Fidel Cabral (supomos que o do Amílcar Cabral fosse mais curto e comedido, até  para compensar), o Cabral e Castro foram "tabaquear o caso", como dizem os alentejamos: lá tiveram uma conversa (longa, claro...), a que apenas assistiu o Oscar Oramas,  na altura um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores, mais tarde embaixador de Cuba em Conacri (, de resto, um homem afável, que eu irei conhecer, em Bissau, em março de 2008).  

(ii) A ajuda cubana: logística, militar e humana

  • Em maio de 1965, o navio "Uvero" levou a primeira remessa de ajuda cubana: armas (cerca de 60 caixas), alimentos e medicamentos a Conacri, cumprindo a promessa do 'Che' a Cabral.
  • Em 6 junho de 1966, chegam 31 "voluntários" cubanos, além de charutos, açúcar mascavado e outros mimos ( a revolução também se faz com estas coisas que fazem bem a alma).
  • Desses trinta e um, (i) onze eram especialistas em artilharia; (ii) oito motoristas; (iii) um mecânico; (iv) dez médicos (sete cirurgiões e três de clínica geral); e (v) um oficial de inteligência, o tenente Aurelio Ricard (Artemio), que era o líder do grupo.
  • Não sabemos (o jornalista cabo-verdiano não satisfaz a nossa curiosidade), quantos eram "brancos" e quantos eram "mais escurinhos", de acordo com as recomendações do Amílcar Cabral. A maior parte dos médicos seriam "brancos", mas quem sabe dessa parte é o Jorge Araújo, que é o nosso especialista em "internacionalistas cubanos":   teve, inclusive,  um duelo de morte, no Xime, com um deles  (já aqui contou essa história).
  • A missão mlitar cubana, sediada em Conacri (claro, não podia ser em Dacar, muito menos no Fiofioli...), reportava diretamente a Havana e era liderada por Víctor Dreke (veterano da guerrilha no Congo).
  • Além de formação de guerrilheiros, os cubanos passaram a participar em missões de combate e a fornecer apoio logístico e médico.
  • O grupo reportava diretamente à inteligência cubana em Havana, e em particular a Ulisses Estrada, chefe da Direcção 5 da DGI, que abrangia a África e a Ásia (um veterano, negro, da Sierra Maestra, que depois irá lutar ao lado de Domingos Ramos, no Leste da Guiné; estaria ao lado dele, segundo me confidenciou, em Bissau, em 2008, quando o Domingos Ramos foi mortalmente ferido em 11 de novembro de 1966, no ataque a Madina do Boé, ataque que redundou num enorme desaire para o PAIGC).
  • Apesar da ajuda, que foi bem vinda, Cabral  (que era pobre mas não era mal agradecido e sobretudo era inteligente)  fez questão de restringir o número de cubanos a 5 ou 6 dezenas de cada vez: tratava-se de preservar a autonomia do PAIGC, e não ferir o orgulho dos seus "cabra-matchu", como o 'Nino' Vieiria.
  • Aém disso, preferia "negros ou mulatos escuros para que se misturassem com o seu povo" (sic) (por favor, não venham agora acusar o Cabral de "racista": depois de morto, não se pode defender).
  • A presença cubana foi "mantida em segredo" (sic), a pedido do próprio PAIGC; em 1966 estava em curso uma grande operação contra Madina do Boé: foi adiada para 11 de novembro, no início da época seca; 350 combatentes do PAIGC atacaram o aquartelamento português com a intenção de dar cabo dos "tugas" e libertar  definitivamente o Boé; o PAIGC acabou por sofrer pesadas baixas; morreu o comandante Domingos Ramos (já aqui contámos como foi).
  • “A morte de Ramos foi um golpe duro”, lembrou um líder do PAIGC; issso levou Castro à acção; o líder cubano “sugeriu que fizessemos mais para ajudar”, recordou Oramas, “e Amílcar aceitou com grande prazer a nossa oferta de aumentar a ajuda”.
  • Castro convocou Dreke [Víctor Emilio Dreke Cruz, ex-comandante das Forças Armadas Revolucionárias Cubanas] que, desde que regressara do Zaire, chefiava o departamento que treinava os cubanos que iam para as missões militares no exterior e os estrangeiros que vinham a Cuba. Fidel confiou a Dreke "o comando da missão militar na Guiné’”. Castro também insistiu para que Dreke levasse alguns dos homens que estiveram com Dreke no Zaire, “os melhores”.
  • "Em fevereiro de 1967, comunicados militares portugueses começaram a mencionar que conselheiros cubanos estavam a operar com os guerrilheiros, e um mês depois a CIA, que estava á  coca, escreveu que 'pelo menos 60 cubanos... treinavam o PAIGC' ", escreveu o autor do artigo, Júlio Montezinho.
  • "Em fevereiro de 1967, Dreke voou para Conacri com Pablito Mena (outro veterano do Zaire) e Reynaldo Batista. Dreke era um comandante, membro do Comité Central e um homem que conhecia África e a guerra de guerrilha"; além disso, inspirava enorme confiança e respeito, diz o jornalista cabo-verdiano.
  • "Aprendemos muito com Moya [nome de guerra de Dreke]”, disse Arafam Mané, um comandante do PAIGC (recordam-se ? o puto biafada que deitou fogo ao capim, em Tite, em 23 de janeiro de 1963.). “Moya foi um líder excepcional”, disse o ex-presidente da Guiné-Bissau, Nino Vieira, por sua vez.
  • Os cubanos, por seu turno, ficaram impressionados com o empenhamento e a disciplina do PAIGC. “Tivemos uma experiência realmente amarga no Zaire e encontrámos algo completamente diferente na Guiné-Bissau”, observou Dreke.


(iii) Impacto estratégico e simbólico
  • Formação e especialização: os cubanos foram "cruciais" no treino dos combatentes do PAIGC, em áreas-chave como artilharia, minagem e uso de armas sofisticadas (ex.: RPG ou bazucas, canhões sem recuo, morteiros, antiaéreas); a sua presença, por outro lado, elevou o moral dos combatentes do PAIGC, que viam neles aliados dispostos a partilhar sacrifícios ( incluindo o da própria vida).
  • "Com o passar do tempo, os combatentes do PAIGC assumiram o papel de artilheiros, mas os chefes de bateria — aqueles que faziam os cálculos e dirigiam os artilheiros — foram, até ao fim, quase sempre cubanos", escreve o jornalista do "Expresso das Ilhas". (Não sei se o Manecas Santos concorda com esta "boca".)
  • Adaptação à estratégia de Cabral: embora preferissem táticas mais agressivas, os "cabra-matchu" cubanos respeitaram a estratégia de desgaste de Cabral, evitando confrontos diretos com os "tugas" que pudessem causar baixas elevadas (e a ira dos irãs).
  • "O estilo de Amílcar Cabral 'não era necessariamente o nosso',  comentou Enrique Montero, que chefiou a Missão Militar Cubana em 1969-70. Embora Cabral mantivesse um controlo rígido sobre a estratégia militar, passava a maior parte do tempo fora do país, em Conacri ou a viajar à procura de apoio estrangeiro. Ora, as actividades diplomáticas de Cabral mantinham-no afastado da linha da frente. Cabral não dirigia pessoalmente as operações militares. “Isto preocupava-nos”, explicou Dreke. 'A nossa formação e a nossa experiência ensinaram-nos que o líder tinha de estar na linha da frente.' "(diz Julio Montezinho)
  • Cinema e propaganda: Cuba vai usar entao o  a arma do cinema (vd. o documentário "Madina de Boé", de José Massip) para construir a imagem de um Cabral como um verdadeiro comandante,  um "cabra-matchu", um  líder presente na  linha da frente de batalha, mesmo que apenas... para russo  e cubano ver ( com a censura, era impossível  o filme passar nos nossos ecrãs). Isso ajudou a legitimar o PAIGC perante críticas internas e externas.
  • "Os cubanos tentaram disfarçar o facto com cinema. Um ano depois do primeiro contingente militar cubano ter chegado à Guiné-Bissau, chegou a primeira equipa de cinema, liderada pelo realizador Jose Massip. Massip realizou o filme Madina de Boé. O filme destaca-se por ser um dos poucos filmes em torno da luta de libertação em que Amílcar Cabral está, aparentemente, presente nas zonas libertadas. Convivendo com a população e os militares, Cabral enverga uma farda militar, partilhando a iconografia de outros líderes revolucionários da época."
  • "O líder do PAIGC voltaria a ser filmado por Massip em 1971 e desta rodagem permanece um diário do realizador. Em "Los Dias del Kankouran", Massip desvenda que Cabral lhe pediu para ser filmado no 'matu', para contornar críticas de que era alvo: a de se estar a transformar num intelectual urbano, baseado em Conacri, que não se expunha aos riscos da luta armada. Porém, o 'matu' onde Cabral foi filmado não era nas zonas libertadas, como a narrativa fílmica deveria conduzir o espectador a “ver”, mas sim o aquartelamento militar cubano em Kandiafara, território da República da Guiné. O cinema cubano colaborou na construção de uma imagem de Cabral como chefe de guerra".

(iv) O  caso Peralta e o segredo cubano

  • Captura e negação: em 1969, o capitão cubano Pedro Rodríguez Peralta foi capturado pelos portugueses,
  • Cabral negou a sua participação militar, como lhe convinha, descrevendo-o como um "visitante" dos médicos cubanos; ou seja, o rapaz veio em viagem turística, mas sem passaporte nem visto dos "tugas".
  • Portugal (leia-se, o Governo de Marcelo Caetano) usou a captura para provar o envolvimento estrangeiro. Mas Cuba manteve o bico calado.
  • Libertação tardia: Peralta só foi libertado uns meses depois do 25 de Abril de 1974,  apesar de tentativas, goradas, de troca com um "espião" dos EUA;
  • O caso ilustra a política de negação do PAIGC e o respeito de Cuba por essa posição, que também lhe convinha.
(Continua)

(Pesquisa, condensação, fixação / revisão de texto, negritos: LG)
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Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 3 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27698: Os 50 anos da independência de Cabo Verde (20): E se tivesse havido um referendo em 1975 ? (Adriano Miranda Lima, cor inf ref, mindelense, que bebeu a água do Madeiral, a viver na diáspora desde 1963, e atualmente em Tomar)

(**) Vd. poste de 13 de outubro de 2024 > Guiné 61/74 - P26041: A nossa guerra em números (26): Aceitemos, provisoriamente, o número (oficioso) de 437 "internacionalistas cubanos" que terão combatido ao lado do PAIGC, "de 1966 a 1975"