Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta edifícios dos CTT. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta edifícios dos CTT. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 23 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28124: Humor de caserna (277): Quem são os "ocupas" do histórico edifício dos CTT de Gabu ? Com o telemóvel, este "marco da civilização colonial" tornou-se obsoleto...



Guiné.Bissau  > Zona Leste >  Região de Gabú > Gabu >1998 > Edifício dos CTT do Gabu > Visita realizada por um grupo de ex-combatentes da CART 3494 à Guiné-Bissau. Em primeiro plano,  o Acácio Correia (ex-alf mil, CART 3494, Xime, 1972/74)...No letreiro que encima a imagem, pode ler-se: "Estação de Gabu. Telefone. Posto Público. Em qualquer momento"... 

Ainda não havia telemóveis. Os CTT ainda eram muito úteis. Perderam a sua função social. Hoje tornaram-se obsoletos. Toda a gente tem o mágico "telemóvel" que permite fazer "videochamadas" (coisa completamente impensável) há 30 anos.    Na inscrição ao alto do edifício pode ainda ler-se: "Estação dos C. T."... Já tinha caído o segundo T dos CTT (Correios, Telégrafos e Telefones).
 

Foto (e legenda): © Acácio Correia / Jorge Araújo (2015). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]




Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > Edifício dos CTT... Ficava na tabanca de Bambadinca, nas imediações do quartel, já fora do arame farpado. 

Segundo recorda o Beja Santos, o nome da empregada dos CTT era a Dona Leontina ("uma gentil senhora com quem se apalavrava o dia e a hora para telefonar para Lisboa"). 

Sou dos que, a maioria, nunca lá foi telefonar, pelo que não me lembro da senhora. Presumo que  fosse cabo-verdiana, tal como a professora da escola primária local, a Dona Violante, e o chefe de posto (de quem também não me lembro o nome), nem o responsável da Casa Gouveia.

Lamentavelmente não convivivíamos, os civis e os militares. em Bambadinca, nomeadamente com a pequena comunidade cabo-verdiana, cristã. Havia racismo, não tenhamos medo das palavras. Havia preconceitos de parte a parte. As NT punham  em dúvida a lealdade dos cabo-verdianos em relação às autoridades portuguesas... Por outro lado, os comandos de batalhão tinham pouca ou nenhuma sensibilidade "sociocultural"... nem promovendo sequer a interação com a população civil.  Os comandos do batalhão eram uns burocratas que diziam mal da hora em que lhe calhou na rifa a "cova do lagarto" (crocodilo) (signifciado do topónimo Bambadinca, em mandinga). 

 Foto do álbum do José Carlos Lopes, ex-fur mil amanuense, com a especialidade de contabilidade e pagadoria, especialidade essa que ele nunca exerceu (na prática, foi o homem dos reabastecimentos do batalhão, o BCAÇ 2852).

Foto: © José Carlos Lopes (2013). Todos os direitos reservados. (Edição  e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)



Guiné-Bissau > Zona Leste > Região de Gabu > Gabu > Junho de 2026 >  Antigo edifício dos CTT, agora transformado em balcão de uma casa de apostas mútuas desportivas, jogis de azar, etc, ("Bissau Games", com sede em Bissau).

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]



1. Mensagem de LG:

Querido "embaixador" da Tabanca Grande em Bissau (*), o editor não pode ter "estados de espírito"... Mas o gajo que escreve este comentário, sim, pode rir-se, chorar, indignar-se, inquietar-se, emocionar-se, ou simplesmente sorrir perante estas fotos que nos mandaste no último domingo para o blogue... com legendas lacónicas. As fotos falam por si, ou talvez não: se calhar, falta o contexto ao texto...



Edifício dos CTT de Mansoa, foto de César Dias (c. 1969/71)
Nunca cheguei a ir a Nova Lamego (a 30 km da nordeste de Bafatá), com pena minha, mas ia a Bafatá, a "princesa do Geba", onde também havia "marcos da civilização", com uma estação dos CTT. E,claro, a Casa Gouveia. E até restaurantes como "A Transmontana" que servia o melhor bife com ovo a cavalo e batatas fritas. Tudo por 20 pesos. 

Tal como edifícios dos CTT  noutras terras minimamente importantes, assinaladas nas cartas militares como sedes de circunscrição / concelho... da nossa "Guinezinha", como diria a Cilinha... Havia estação dos CTT em Bissau, a capital, Mansoa, Teixeira Pinto, Farim, Bafatá, Nova Lamego, Catió, etc. Mas também em postos administratrivos como Bambadinca, Contuboel...

Eram terrinhas que podiam ter, algumas, apenas meia dúzia de brancos e "assimilados", mas tinham gente que escrevia e recebia cartas e encomendas postais, e até havia quem utilizasse o telégrafo e o telefone... Um ou outro comerciante, as missões católicas, os chefes de posto, etc., tinham endereço telegráfico e, antes da guerra, até telefone fixo, em casa ou no estabelecimento ou na missão. Coisas inúteis com a guerra.



Guiné-Bissau, Gabu, 2005. Antigo edifício, colonial,
dos CTT, agora recuperado.  Imagem: Tino Neves (1969/71)
..
O primeiro ato revolucionário do Amílcar Cabral foi mandar deitar abaixos os postes telefónicos. Não deitou abaixo os postes de eletricidade, porque ainda não existiam... Era um iconoclasta, o fudmador da Pátria. Queria construir um mundo novo, uma Guiné nova, um homem novo...

Eu fui sempre, como "expedicionário" naquela terra, "malgré-moi" (isto é, não-voluntário), um mau utilizador dos CTT. Nunca entrei lá dentro. Aliás, não utilizei, de todo, os CTT da Guiné. Nunca telefonei, nunca recebi ou mandei um telegrama... Como na maior parte das casas dos portuguesas, a casa dos meus pais náo tinham telefone...

E as poucas cartas que escrevi (e as que recebi), eram encaminhadas pelo Serviço Postal Militar (o famoso SPM), a única coisa de jeito que a tropa fez pelo bem-estar dos seus militares mobilizados para aquelas terras palúdicas...

Hoje sorrio, ao ver a outrora bela estação dos CTT de Nova Lamego, votada ao abandono, como mais uma das velharias da nossa presença histórica em África... No seu túmulo, o Amílcar Cabral também deve estar a dar umas voltas... Mesmo no eterno descanso, também há gente com insónias... e não devem ser pouca. 

Ele e os seus "cabra-matchu", sem esquecer o Aristides Pereira que era funcionário colonial dos  CTT de Bissau... Sem esquecer o Sarmento Rodrigues, o modernizador, o Teixeira Pinto, o "capitão-diabo", o Salazar, o "bota-de-elástico", o Spínola, o "Caco Baldé" e o Marcello (com dois "ll") Caetano, o "empata-f*das", e tantos outros...

Enfim, sem esquecer o homem que "descobriu" esta terra maravilhosa (que dava mancarra, coconote, madeiras exóticas, etc.)  e que foi o primeiro a "lerpar", o Nuno Tristão em 1446 (se bem me lembro do meu tempo de escolinha, não é preciso ir à Wikipedia espreitar  ou perguntar à IA; devia constar da lista dos mortos das guerras coloniais, ,mas esquceram-se dele).

Tal como na natureza, nas sociedadee humanas nada se perde, tudo se transforma... Já vi uma igreja (em Almada) transformada em taberna, outra que agora é livraria (em Óbidos)... Já vi um lazareto transformar-se em asilo de órfãos (em Porto Brandão) e depois bairro clandestino de cabo-verdianos e retornados...

Por que é que os fulas do Gabu não se lembraria também de fazer daquele belo recanto da "cidade" , a antiga estação dos CTT, um muito mais útil "balcão" para as apostas mútuas desportivas ?

Não sei se eles (a "Bissau Games", que deve ser uma manhosa empresa privada de "caça-níqueis" digital, jogos de azar, etc.) têm a "raspadinha"; se não têm, tem que copiar a ideia (genial) da "Santa" Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML).

 Portugal, país de baixa literacia financeira, é viciado em jogos comnpulsivos, como a "raspadinha" ... Porque é a Guiné-Bissau não imita as "coisas boas" (isto é, "lucrativas") que ainda tem o seu antigo país colonizador ?

Portugal regista níveis recorde de consumo em jogos de fortuna ou azar. A "raspadinha" da SCML é, há já largos anos, o jogo social do Estado mais lucrativo. 

Há quem se preocupe com este fenómeno que tem implicações ma saúde pública e económica devido à sua forte componente aditiva. Eis alguns números: (i) a "raspadinha" movimenta anualmente cerca de 1,9 mil milhões de euros, representando perto de 60% do total das receitas dos Jogos Santa Casa;  (ii) a média de gastos "per capita" atinge valores expressivos, com os portugueses a dedicarem uma parte considerável do seu rendimento a este e outros jogos como o Euromilhões; (iii) a adesão é transversal, mas regista uma prevalência muito significativa nas classes sociais mais baixas e faixas etárias seniores, muitas vezes alimentada pela falsa esperança de colmatar dificuldades financeiras imediaats: joga-se à "raspadinha" hoje para comprar o pão amanhã...

E no Gabu, como é ? 

O vício da raspadinha acarreta graves consequências, desde o isolamento social e  crises financeiras familiares, até situações extremas de criminalidade e violência doméstica.

Enfim,  que Deus, Alá e os bons irãs lhes perdoem, aos "ocupas" do Gabu (**)...Com tanta casa de alvenaria abandonada, depois da independência, sem dono nem usufruto, seria uma pena não se aproveitar estes "marcos da civilização", primorosamente desenhados e tirados a papel químico pelos senhores arquitetos do GAC - Gabinete de Arquitetura Colonial, que nunca puseram os pés no Gabu...

Um deles até era meu conterrâneo, o arquiteto Lucínio Guia da Cruz (1914-1999), do GAC: foi ele que desenhou o edifício dos CTT em Bissau, em 1953... Queria fazer um edifício para a CM de Bissau, saiu-lhe um mastodôntico edifício dos CTT. Feio, mas funcional. Tecnicamente bom, dizem os especialistas.


 ____________________

Notas do editor LG:

(**) Último poste 22 de junho de 2026  > Guiné 61/74 - P28123: Humor de Caserna (276): No dia em que faz 82 anos, o luso-americano (e nosso camarada, régulo da Tabanca da Diáspora Lusófona) João Crisóstomo recebe das mãos de Aristides Sousa Mendes a Comenda da Ordem da Liberdade...

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28120: Bom dia, desde Bissau (Patrício Ribeiro) (64): O antigo edifício dos CTT de Gabu


Foto nº 1
~

Foto nº 2


Foto nº 3


Foto nº 4


Foto nº 5


Foto nº 6


Foto nº 7

Guiné-Bissau > Zona Leste > Gabu > O edifício da antiga Estaçáo dos CTT

Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]




Patrício Ribeiro: (i)  ex-fuzileiro em Angola (1969/72);  (ii) nosso colaborador permanente para as questões de ambiente, geografia e economia da Guiné-Bissau; (iii)  tem mais de 200 referências no nosso blogue; (iv) vive na Guiné-Bissau desde 1984; (v) é o "embaixador" da Tabanca Grande neste país lusófono; (vi) é o português que melhor conhece a Guiné e os guineenses, e que ainda hoje é conhecido como o "pai dos tugas" (pelos mais novos, que visitam a Guiné-Bissau, ou passam por lá como cooperantes, e que ele apoia, sem nunca lhes perguntar em que partido é que votam, em que clube é que jogam, a que deus é que rezam e onde é que os pais nasceram); (vii) é autor desta série "Bom dia, desde Bissau"; (viii) foi o fundador e o diretor técnico da empresa de energia Impar Lda, com sede em Bissau desde há 35 anos.


1. Sete mensagens foram enviadas ontem, domingo, pelo Patrício Ribeiro, entre as 13:53 e as 14:14 (em sucessivos envios, cada um com uma foto, documentando o edifício dos antigos CTT, o depósito de água e a central elétrica solar). 

 Devido à lentidão da internet, o Patrício costuma mandar uma foto de cada vez. Hoje publicamos as fotos com a antiga estação dos CTT de Nova Lamego (hoje Gabu). Não é clara qual é a utilização atual do edifício. Ao lado, funciona (ou funcionava ?) o "centro retransmissor" do Gabu (foto nº. 6). 

Pelo que se depreende das fotos, o antigo edifício dos CTT parece agora funcionar como balcão local das apostas desportivas da Guiné (Bissau Games) (Foto no. 7).

Fui aos correios em Gabu, para ver se tinha recebido alguma carta, mas afinal já não trabalha há muitos anos. (Pensei que podia ser mais rápido que a Internet existente.)

Não sei quantos amigos e camaradas passaram por estes balcões....

Abraço, 
Patrício

Guiné > Região de Gabu > Nova Lamego > c. jan / fev 1967 > Uma das artérias  da então vila (e sede de circunscrição / concelho do Gabu), com a estação dos CTT à esquerda, e o Cine-Teatro à direita, do outro lado. 

Foto do álbum de Manuel Caldeira Coelho (ex- fur mil trms, CCAÇ 1589 / BCAÇ 1894,
"Os Tufas") (Bissau, Fá Mandinga, Nova Lamego, Beli e Madina do Boé, 1966-68)

Foto (e legenda): © Manuel Caldeira Coelho (2011). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]
______________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 10 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27808: Bom dia, desde Bissau (Patrício Ribeiro) (63): O antigo hospital militar, HM 241 (e depois "complexo hospitalar 3 de agosto"): "E tudo o vento levou"...

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Guiné 61/74 - P18687: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte XXXII: As minhas estadias por Bissau (vi): resto do ano de 1968


Foto nº 67 > Bissau > Edifício dos CTT > Março de 1968 > A primeira máquina automática de pesar, metia-se a moeda e saía um cartão com o peso da pessoa e a data.


Foto nº 55 > Bissau > Abril de 1968 > Escrevendo para a namorada, na esplanada da piscina do Clube de oficiais do QG em Santa Luzia.


Foto nº 65 > Bissau > Abril de 1968 > No Clube de Oficiais do QG, numa mesa da esplanada a escrever... para a namorada. 


Foto nº 42 > Bissau > Abril de 1968  > Na esplanada do  café  Bento, o  sítio mais emblemático da cidade...


Foto nº 66 > Bissau > Junho de 1968 > No café Bento – a 5ª Rep – com mais alguns camaradas numa noite quente e húmida. Sou o segundo a contar da direita, de óculos escuros, a acender um cigarro.


Foto nº 43 > Bissau > Agosto de 1968 > No restaurante Tropical


Foto nº 52 > Bissau > Abril de 1968 > Novo aeroporto civil de Bissalanca. Ao fundo um Boeing 727-100 da TAP.


Foto nº 61 > Bissau > 1968 > Cais  da Mariha, eu junto às LFG - Lanchas de Fiscalização Grande


Foto nº 61A Bissau > 1968 > Cais  da Marinha, eu junto  às LFG - Lanchas de Fiscalização Grande


Foto nº 48 > Bissau > Novembro de 1968 > Avenida do Império e ao cimo o Palácio do Governador. Foto tirada perto do café Bento.


Foto nº 57 > Bissau > Abril de 1968 > Um dos meus primeios "slides". Uma rua de terra batida, toda esburacada, feia, velha e suja, com algumas casas na mesma situação.


Foto nº 58 > Bissau > 1968 > Cais > Uma das primeiras fotos a cores

Guiné > Bissau >  CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) |

Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do Virgílio Teixeira (*), ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69); natural do Porto, vive em Vila do Conde, sendo economista, reformado; tem 56 referências no nosso blogue

Guiné 1967/69 - Álbum de Temas: T031 – Bissau - Parte 1 > (vi) Abril , Junho, Agosto e Novembro de 1968 > Legendagem

[Devido à suas funções como chefe  do conselho administrativo (CA) do comando do batalhão, o Virgílio Teixeira deslocava-se, em serviço,  com relativa frequência,  à capital Bissau onde ficava o QG...]

F42 – Na esplanada café do Bento (a 5ª Rep),  o local mais emblemático em Bissau, para encontrar quem chegava ou quem partia, local de passagem obrigatória. Tomava-se café, além das habituais bebidas alcoólicas, e serviam tremoços, por vezes havia camarão, mas o mais certo era a mancarra (amendoim, torrado e descascado que era uma delicia). Bissau, Abr68.

F43 – No restaurante Tropical em Bissau, jantando com o furriel Riquito (que é o fotografo) e o irmão dele à minha frente. Bom vinho branco gelado, e garrafa de aguardente para depois do café. Eu estava com pensos nos braços, devido a uma grande cambalhota que dei com a minha motorizada, à entrada do Clube de Oficiais, quando regressava de Safim com alguns copos a mais, uns dias antes. Bissau, 10Ago68.

F48 - Avenida do Império e ao cimo o Palácio do Governador. Foto tirada perto do café Bento, mais à frente do mesmo lado, na esquina fica a Pensão da Dona Berta, onde ficavam hospedadas algumas esposas de militares que se encontravam fora de Bissau. Fui lá muitas vezes, tinha lá amigos e as mulheres, um deles passou lá a sua lua-de-mel, foi o Alberto, também colega do Cenáculo, era alferes da Engenharia, tinha uma panca qualquer, veio evacuado mais cedo pela psiquiatria juntamente com o Fontão. Curiosamente ambos se divorciaram mais tarde. O Alberto passou a ser professor universitário, e teve um azar muito grave, pois um filho já com mais de 20 anos viria a falecer de acidente.

Enfim, vamos ao que interessa agora. Mais à frente, ficava a bomba de gasolina da Sacor, depois vários prédios e o UDIB, o cinema. Depois a Praça do Império. Descendo, ou se quisermos, subindo pelo lado esquerdo, ficavam uma série de esplanadas onde se podia saborear as ostras, camarão, mancarra, cerveja gelada e o que havia. Mais tarde, em 1984 não havia um único local desses. Hoje não sei o que existe, mas parece que não tem nada. As viaturas são poucas, a maioria são de militares. Bissau, Nov68.

F52 – Novo aeroporto civil de Bissalanca. Ao fundo um Boeing 727-100 da TAP. Pela data da foto, julgo ter ido esperar alguém ao aeroporto, mas pode ser também uma deslocação para a Base Aérea 12, ao lado, na chegada ou partida de um avião militar, de/ou para São Domingos, onde já estava o Batalhão. Bissau, Abril 68.

F55 – Escrevendo para a namorada, na esplanada da piscina do Clube de oficiais do QG em Santa Luzia. Eu tinha de escrever todos os dias, eram muitas páginas, algumas com 20 a 30 folhas, e mandava diariamente para o correio para minha namorada. Bissau 01Abr68.

F57 – Este deve ser um dos primeiros "slides" a cores tirados na Guiné. Foi nesta altura que apareceram os rolos a cores. Uma rua de terra batida, toda esburacada, feia, velha e suja, com algumas casas na mesma situação. Bissau, Abr68.

F58 – No porto de Bissau, parece o paquete Funchal atracado no cais e ao largo um navio de guerra para montar a segurança, na visita do Presidente Tomaz à Guiné, mas não estou certo, pois em Fevereiro, penso que ainda não tinha rolos a cores. Não consigo identificar a pessoa ao meu lado, é das primeiras fotos a cores. Bissau 1968.

F61 – Sentado junto aos estaleiros navais da Marinha em Bissau. Não sei se foi neste dia em que tive o prazer de ser convidado com outro amigo, para um lauto almoço num desses navios patrulhas, que era, as LFG, não se vê o nº nem o nome, eu tenho ideia de ter estado na LFG Lira, mas não tenho a certeza, só sei que era tudo um luxo, comparado com a tropa básica, claro. Bissau, 1968.

F65 – No Clube de Oficiais do QG, numa mesa da esplanada a escrever, para quem havia de ser, para a namorada. Parece-me que é uma auto fotografia, eu fazia muito isso, a máquina tinha um temporizador, eu colocava a máquina na ponta de uma mesa ou outra coisa, focava e depois carregava no botão e dava tempo a colocar-me na posição. Bissau, Abril68.

F66 – No café Bento – a 5ªRep – junto de camaradas numa noite quente e húmida. Na ponta esquerda o furriel Américo Veiga, nosso Enfermeiro (formou-se em Medicina mais tarde, mas já faleceu há algum tempo), a seguir um furriel dos Sapadores do qual não me lembro o nome, o soldado é o irmão do furriel Riquito, a seguir eu a acender um cigarro, e depois um cabo da secretaria da CART1744 que estava em São Domingos com o nosso Batalhão.

Este camarada viria a encontrá-lo muitos anos depois, por duas vezes em aviões, ele tinha uma empresa que negociava em madeiras por África e outros países do mundo. Ficou rico. Depois voltámos a ver-nos algumas vezes no Restaurante D. Manoel no Porto, o mais badalado da época, que acolheu a [VIII] Cimeira Ibero-Americana com todos os chefes de Estado e  presidentes de giverno, entre eles, o Fidel Castro, teria sido nos anos 90, não sei bem o ano, foi a única vez que aconteceu no Porto. Bissau, Junho68. [Foi em 1998, em 17 e 18 de outubro, esteve também o rei Don Juan Carlos, de Espanha].

F67 – A primeira máquina automática de pesar [cartas], metia-se a moeda e saia um cartão com o peso e a data, tenho isso por aí, mas é preciso procurar. Ficava na porta dos CTT de Bissau, e estão algumas pessoas a apreciar a novidade. De costas,  o alferes Verde do BCAÇ 1932. Bissau, Mar68.
_______________

Nota do editor:

(*) Último poste da série > 21 de maio de 2018 Guiné 61/74 - P18660: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte XXXIII: as colunas logísticas até Madina do Boé

Vd. também poste de 18 de maio de 2018 > Guiné 61/74 - P18646 Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte XXXII: As minhas estadias por Bissau (v): março de 1968

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Guiné 63/74 - P14964: (Ex)citações (288): Estações dos CTT na Guiné (Jorge Araújo)


1. O nosso camarada Jorge Araújo (ex-Fur Mil Op Esp / Ranger, CART 3494, Xime e Mansambo, 1972/1974), a seguinte mensagem com data de 29JUL2015. 



ESTAÇÕES DOS CTT NA GUINÉ

Caro Camarada Luís,

Ainda que não seja minha a foto em anexo, mas sim do meu/nosso camarada Acácio Correia (ex-Alf. Mil. da CART 3494, que me a facultou e onde está em primeiro plano), aqui deixo mais um testemunho - o do GABÚ - para incluir no «Roteiro das Estações dos CTT na Guiné».

De referir que esta imagem, datada de 1998, foi obtida durante uma visita realizada por um grupo de ex-combatentes da CART 3494 à Guiné-Bissau, ou seja, vinte e quatro anos após o nosso regresso a casa.

Ainda assim, é de considerar como válida a hipótese de tratar-se de um edifício do nosso tempo no CTIG. 


Com um forte abraço de amizade.
Jorge Araújo.
Fur Mil Op Esp / Ranger, CART 3494
___________
Nota de M.R.: 

Vd. Também o último poste desta série em: 

domingo, 2 de agosto de 2015

Guiné 63/74 - P14960: Libertando-me (Tony Borié) (28): Pôr a carta no Correio, na guerra

Vigésimo oitavo episódio da série "Libertando-me" do nosso camarada Tony Borié, ex-1.º Cabo Operador Cripto do CMD AGR 16, Mansoa, 1964/66, enviado ao nosso blogue em mensagem do dia 27 de Julho de 2015.


Pôr a carta no correio... na guerra!

Os CTT’s em Mansoa estavam localizados na rua onde, ao fundo, existiam aqueles riachos enlameados que despertavam as canoas do nosso amigo Iafane, que andavam à deriva por altura da maré cheia, talvez querendo fugir, libertando-se dos sonhos do seu dono que estavam interligados num fluxo sinuoso, pois a sua Guiné era um refúgio seguro, onde podia ter relações legalmente, quase como se fosse um casamento, com três, quatro ou cinco mulheres, onde, como já dissemos em textos anteriores, a sua acção era ignorada, fazia parte da história colonial, daquele braço português de opressão racial e subjugação dos civis guinéus, longe da velha Europa, do resto do mundo, na altura, em algumas zonas, profundamente racista, mas felizmente, a simpática funcionária dos CTT’s em Mansoa era uma senhora africana que usava permanente, pintava os lábios, arranjava as unhas, usando roupas estilo quase europeu, mostrando, pelo menos para nós, um sorriso no atendimento e, cremos que não andaremos longe da verdade, se dissermos que devia de ser só ela a esposa do seu marido, pois ele acompanhava-a sempre quando iam à missa, pelo menos ao domingo, onde também iam as filhas do Libanês que inundavam a igreja com aquele perfume exótico.

Falar dos CTT’s de Mansoa é falar de jornadas de história do movimento que passou a ter com o nascimento da guerra colonial, com a presença dos militares, principalmente os vindos da Europa, os canteiros das ruas e os troncos de algumas árvores estavam pintados de branco, havia alguma ordem e arrumação pública, talvez fosse o lado menos mau da guerra, podemos dizer que era o outro lado da moeda, mas o aumento do seu movimento, tal como por aqui nos USA, quando surgiu o Pony Express, que foi estimulado pela ameaça da Guerra Civil e havia necessidade de uma comunicação mais rápida com o Ocidente.


Não queremos, mais uma vez, lembrar o furriel Honório que rasava, com a sua avioneta do correio, a árvore grande que existia no aquartelamento, que foi baptizada por “a mangueira do Setúbal”, que tinha na sua base muitas gaiolas de macacos e periquitos, que faziam um barulho estrondoso, anunciando a chegada do correio, pois isto era lembrar cenário de guerra, mas podemos dizer que quase todas as semanas íamos aos CTT’s de Mansoa comprar selos para enviar cartas com fotografias para familiares e amigos, não só para nosso uso como para companheiros que estavam nas suas tarefas e nos pediam. Cremos que os aerogramas que eram entregues no aquartelamento, com a ajuda do furriel Honório, viajavam mais rápidos que as cartas que se entregavam nos CTT’s e, mesmo assim, deviam demorar muito menos tempo do que o serviço do Pony Express, que consistia em homens montados a cavalo transportando alforjes de correio, através de um trilho de mais de 2000 milhas, serviço que abriu oficialmente em Abril de 1860, que começou a ter carreiras simultaneamente a partir de St. Joseph, no estado de Missouri, e Sacramento, no estado da Califórnia. A primeira viagem no sentido oeste foi feita em 9 dias e 23 horas e a viagem em sentido contrário, em 11 dias e 12 horas.

Na altura, eram as colunas militares que levavam as cartas e encomendas para Bissau, daí não devia haver muito perigo para irem de barco ou avião para a Europa, não como o Pony Express, que naquele percurso, tinha mais de 100 estações, cerca de 90 homens treinados para andarem a cavalo, assim como entre 400 e 500 cavalos, cuja via expressa era extremamente perigosa, todavia nunca foi perdida uma entrega, mas este serviço durou apenas 19 meses, até Outubro de 1861, quando a conclusão da linha Pacific Telegraph terminou com a necessidade da sua existência. Era uma novidade, todos invocavam as notícias do Pony Express, principalmente durante os primeiros dias da Guerra Civil e, esta linha a cavalo, nunca foi um sucesso financeiro, levando os seus fundadores à falência, no entanto, o drama romântico em torno do Pony Express tornou-se uma parte da lenda do Oeste Americano.

Telefonar dos CTT’s de Mansoa talvez fosse possível, a nós nunca nos passou pela cabeça tal aventura, pois na nossa aldeia, na vertente da montanha do Caramulo, onde a crosta terrestre, lentamente começava a ser plana, flutuando por perto as zonas ribeirinhas do rio Águeda, onde pela noite, não havendo luz eléctrica, se a terra tremesse, nascendo dos céus uma pequena luz, que seria uma qualquer estrela, mas talvez uma estrela nova, daquelas que fazem oscilar um continente, ninguém dava por isso, talvez na reunião da capela, na missa do próximo domingo, o senhor padre, com ar muito responsável, vestindo um traje preto, nos dissesse que o “Nosso Deus”, lá nas alturas, não gostava do nosso procedimento, estava zangado e teríamos que rezar, fazer mais sacrifícios, contribuir com mais donativos, baixar a cabeça, render homenagem aos senhores da aldeia e da vila, que eram os bons, os melhores, que só tinham intenção de nos fazer bem, pois todos os habitantes da aldeia não sabiam que o resto do mundo existia, pois não havia telefone.

Tony Borie, Julho de 2015
____________

Nota do editor

Último poste da série de 26 de julho de 2015 > Guiné 63/74 - P14933: Libertando-me (Tony Borié) (27): Todos temos um rio, eu tenho quatro: o Águeda, em Portugal; o Mansoa, na Guiné e os Passaic e o Yukon, nos Estados Unidos

terça-feira, 28 de julho de 2015

Guiné 63/74 - P14938: (Ex)citações (287): Certa vez fui a Teixeira Pinto, e na estação dos CTT marquei dia e hora para telefonar para casa... A família reuniu-se em peso, reunida, ansiosa, à espera do telefonema... Mas eu não consegui lá voltar nesse dia e hora...A família ficou em pânico, como seria de imaginar (Leão Varela, ex-alf mil, CCAÇ 1566, Jabadá, Pelundo,Fulacunda e S. João, 1966/68)


Guiné > Região de Quínara > São João > CCAÇ 1566 (JabadáPelundo,Fulacunda e S. João, 1966/68) > "O meu pelotão. Eu, o dos óculos escuros,  entre os meus camaradas e amigos gurriéis Valente, à minha direita, e Matos, à minha esquerda. Foto tirada já em S. João, após mais uma patrulha de combate."

Foto (e legenda): © Leão Varela (2014). Todos os direitos reservados [ Edição: CV]


1. Comentário de Leão Varela ( ex-alf mil, CCAÇ 1566 (Jabadá, Pelundo,Fulacunda e S. João, 1966/68);

Carlos Amigos e Camaradas

Ainda a sondagem sobre  quem fez chamadas telefónicas da Guiné para casa. (*)

Passou-me em falso o período para responder... mas já agora ainda me atrevo a dizer que eu fiz uma e de uma estação dos CTT que não vi mencionada, Teixeira Pinto, estava eu, então, destacado no Pelundo com meu pelotão (o 1º pelotão da CCAÇ 1566).

Uma das nossas missões era patrulhar a estrada entre o Pelundo e Teixeira Pinto o que aproveitávamos para no caminho encher 2 ou 3 bidons de água para beber e tomar banho.

Certa vez, numa dessas deslocações fui até Teixeira Pinto onde alguém me informou da possibilidade de, por marcação do dia e hora, fazer na Estação dos CTT uma chamada para casa. Assim fiz. Marquei o dia e a hora...só que nesse dia - já não sei porquê - não me foi possível deslocar a Teixeira Pinto. Como em casa foram avisados de que eu ia telefonar,  toda a minha gente aguardava o telefonema, que não fiz, à volta do telefone. Parece que, ao não receberem nenhum telefonema meu,
 ficaram em pânico.

Por mim, voltei a marcar outro dia e lá consegui telefonar.. mas jurei para nunca mais pregar sustos desses à minha família.

Desta pequena história fica a mensagem de que em TEIXEIRA PINTO havia Estação dos CTT e o registo constante sobressalto com que as nossas famílias andavam por cá. (**)

Forte e amigo abraço para todos

Leão Varela

______________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de 27 de julho de  2015 > Guiné 63/74 - P14937: Sondagem: Resultados definitivos (n=152): cerca de 55% do pessoal nunca fez uma chamada telefónica para a metrópole... Admite-se que essa proporção fosse, na realidade, ainda maior

(**) Último poste da série > 23 de julho de  2015 > Guiné 63/74 - P14925: (Ex)citações (286): Fiz um telefonema surpresa para o meu irmão, no dia e hora do seu casamento, em 16/10/1971, em Guimarães...Tive que marcar a chamada oito dias antes, na casa do régulo de Bula que servia de posto dos CTT... (António Mato, ex-alf mil MA, CCAÇ 2790, Bula, 1970/72)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Guiné 63/74 - P14937: Inquérito online: Resultados definitivos (n=152): cerca de 55% do pessoal nunca fez uma chamada telefónica para a metrópole... Admite-se que essa proporção fosse, na realidade, ainda maior


Guiné > Bissau > Anos 50 > "O novo edifício dos correios. Anteriormente os CTT eram no edifício que se encontra do lado direito e onde continuou funcionando a Emissora da Guiné ( 1º andar ). De notar a curiosa viatura que era um dos 'luxuosos'  autocarros da época que, pela semelhança, eram conhecidos por 'ambulâncias'. Esta 'ambulância' pertencia à firma A. Brites Palma. Havia ainda, tanto quanto me recordo, outras duas empresas de transportes que faziam carreiras de autocarros ('ambulâncias') para toda a Guiné. Eram o “Costa”, sedeado em Bissau,  e o “Escada” em Teixeira Pinto (Canchungo). Tenho a vaga ideia de existir uma outra na região de Bafatá-Gabú propriedade de um libanês. (...)  De notar as árvores recentemente plantadas, fruto da alteração do traçado da avenida (...)" (*)

Foto (e legenda): © Mário Dias (2006). Todos os direitos reservados



A. Resultados finais da sondagem da semana passada, que terminou  6ª feira, dia 24, às 14h45. O total de votos apurados foi de 152.

Recorde-se a questão que estava em votação (**):

SONDAGEM:

"NA GUINÉ, DURANTE A COMISSÃO, UTILIZEI OS CTT PARA TELEFONAR PARA CASA"

1. Sim, em Bissau > 39 (25,7%)

2. Sim, fora de Bissau > 19 (12,5%)

3. Sim, em Bissau e fora de Bissau > 11 (7,2%)

4. Não, nunca utilizei > 83 (54,6%)

5. Já não me lembro > 0 (0%)

Votos apurados: 152 (100,%)

Encerramento: 24/7/2015, às  14h45


B. Comentário do editor:

(i) como sempre, estes resultados das nossas sondagens "on line" têm que ser lidos e interpretados com cautela, uma vez que não estamos a trabalhar com uma amostra representativa da população metropolitana que esteve na Guiné,  entre 1961 e 1974, em comissão de serviço militar;

(ii) parece-nos haver uma sobrerrepresentação dos que  "utilizaram os CTT para telefonar para a casa"  (à volta de 45%);

(iii)  um em cada quatro de nós terá feito (uma ou mais chamadas telefónicas) em Bissau, onde se localizava a central dos CTT e onde, em princípio, era "mais fácil" ligar para o exterior do que nas relativamente poucas povoações do interior onde havia estações dos CTT; em qualquer dos casos, era preciso "marcar dia e hora", tanto em Bissau como no "mato";

(iv) na metrópole, nesse tempo,  ainda havia poucos lares com telefone fixo; e mesmo em Bissau, nem todas as casas comerciais tinham telefone: de acordo com uma amostra de 1956 eram ainda poucas, embora a maior parte já tivesse caixa postal e endereço telegráfico;

(v) já aqui perguntámos quem ainda se lembra do tarifário dos CTT: quanto custava uma chamada telefónica (via Marconi,) para a metrópole, por minuto ?

(vi) e já agora onde é que havia estações dos CTT na Guiné, no nosso tempo (algumas já foram aqui citadas: Bissau, Bolama, Bafatá, Mansoa, Nova Lamego, Bambadinca, Catió...); presuminos que também houvesse balcões dos CTT noutras sedes de circunscrição como São Domingos, Farim, Bissorã; duvido que houvesse em Fulacunda; deveria haver CTT em mais um ou outro posto administrativo (caso de Contuboel, por exemplo, embora já não me lembre).

Mandem-nos um "bate-estradas" com fotos e histórias ligadas aos CTT - Correios, Telégrafos e Telefones. (Para saber mais sobre a origem e evolução dos CTT, ver aqui: falta-nos contudo imformação e conhecimento sobre o seu desenvolvimento na Guiné, na  época colonial). (***)





Guiné, Bissau > 1956 > Casa António Pinto: Endereço telegráfico: Apinto; telefone 123; caixa postal 24. Anúncio reproduzido, com a devida vénia, de Turismo - Revista de Arte, Paisagem e Costumes Portugueses, jan/fev 1956, ano XVIII, 2ª série, nº 2.

_______________

Notas do editor:

(*) Vd-poste de 15 de março de 2006 > Guiné 63/74 - P611: Memórias do antigamente (Mário Dias) (3): O progresso chega a Bissau

(***) Vd. jornal Público, 4/12/2013 > CTT: uma empresa onde se lê a história do país, por Ana Brito, de que se reproduz com a devida vénia o seguinte excerto:

(...) O ano de 1911 ficou marcado pela constituição da Administração-geral dos Correios, Telégrafos e Telefones, com autonomia financeira e administrativa. Um formato que se manteve no Estado Novo, que apostou na criação de estações dos correios em todo o território nacional. Depois da revolução que resultou da introdução do comboio, seguiu-se a flexibilidade proporcionada pelo automóvel. As auto-ambulâncias entraram em funcionamento em 1952, criando-se um modelo de estações itinerantes que perdurou até à década de 80 do século XX. 

Na década de 60 a troca de correspondência com o estrangeiro, e em particular para África, passou a fazer-se de avião. Foi precisamente nesta década que o número de utentes aumentou vertiginosamente, criando novos graus de exigência. 

Assim, em 1970 os correios passaram a empresa pública, CTT – Correios e Telecomunicações de Portugal, que nesta época englobava, além do serviço postal, a actividade telefónica e telegráfica. Nessa época era a terceira maior empresa do país em volume de vendas e a maior empregadora nacional, com mais de 45 mil empregados.

Nos anos seguintes a empresa viveu outro marco histórico, que foi a introdução, em 1978, do código postal de quatro dígitos (que passariam a sete em 1998) que facilitaram a identificação dos concelhos dos destinatários da correspondência, permitindo ultrapassar problemas de endereçamento e toponímia. Muitos se lembrarão do slogan “Código Postal, Meio Caminho Andado”, mas poucos saberão que essa foi uma das campanhas de comunicação mais caras divulgadas até à data em Portugal. (...)

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Guiné 63/74 - P14925: (Ex)citações (286): Fiz um telefonema surpresa para o meu irmão, no dia e hora do seu casamento, em 16/10/1971, em Guimarães...Tive que marcar a chamada oito dias antes, na casa do régulo de Bula que servia de posto dos CTT... (António Mato, ex-alf mil MA, CCAÇ 2790, Bula, 1970/72)




Foto nº1 > Região de Cacheu, Bula, dia da cavalaria (21 de julho de 1973)... O gen Spínola passa revista às tropas e viaturas em parada...  É acompanhado pelo Comandante Militar, brigadeiro Alberto Banazol



Foto nº 2 > Região de Cacheu, Bula, dia da cavalaria (21 de julho de1972)... Desfile de viaturas, debaiso de chuva



Foto nº 3 > Região de Cacheu, Bula, s/d, "ronco balanta"


Foto do álbum do Leonel Olhero, ex-fur mil cav, Esq Rec 3432 (Panhard) Bula, 1971/73.


1. Comentário de António Matos [, ex-alf mil minas e armadilhas, CCAÇ 2790, Bula, 1970/72] ao poste 14919 (*)


Desabituei-me de aqui escrever e hoje vi-me em palpos de aranha para dar com este local onde pretendo contribuir para a percentagem daqueles que também fizeram uso dos CTT fora de Bissau para contactos telefónicos para a Metrópole.

Vistas as coisas a esta distância, parece-nos incrível como tudo evoluiu, onde as tecnologias ganham foros de destaque ...

Estava no 16 de Outubro de 1971 quando tive necessidade de contactar para Guimarães onde se casava um dos meus irmãos ... 

A logística que envolvia esta tão singela operação que hoje se executa em escassos segundos, é algo que, ao recordá-la, me dá a imensa satisfação de pertencer a uma geração viva que tem sido testemunha de fabulosos avanços científicos os quais permitiram transformações civilizacionais notáveis.

O eu ter nascido;
A chegada da televisão ao país;
A ida do Homem à Lua;
O aparecimento do computador;
A invenção da internet;
O telemóvel;
Os nascimentos dos meus filhos;
A transformação da tecnologia bélica;
A proliferação da exploração espacial;
As novas geografias políticas;
As novas conturbações sociais;
Os avanços na medicina;
Os sucessos das nanotecnologias;
Os nascimentos dos meus netos;
Na ultrapassagem dos records atléticos;
Etc., etc., etc.

São apenas uma mínima parte das transformações que me apaixonam (umas pela positiva, outras pela negativa ) na certeza que as prefiro às do antigamente...

Oito dias antes, dirigi-me à casa do régulo de Bula que, concomitantemente, servia de posto dos CTT (não sei se neste momento estarei a meter os pés pelas mãos quanto a estes pormenores mas julgo que o interessante para este comentário é, tão só, o relato vivido da realização duma chamada telefónica ) e marquei para aquele dia a referida chamada.

Por se tratar dum casório, fiz as minhas preces para que à hora a que as meninas metessem as cavilhas naquelas centrais telefónicas do século passado, os noivos já se encontrassem de beijo dado e disponíveis para a surpresa.

Sim, porque aquele telefonema foi uma surpresa !!

Recordo que houve um certo atraso na conjugação concertada de toda a equipa que, passando a informação de boca em boca (via cavilha ), me pôs em contacto com o outro extremo da linha ...

Escusado será apelar às emoções do momento mas, embora nunca mais tivesse pensado no assunto, sinto uma certa nostalgia, só mitigada porque ao olhar aqui para o lado do computador, dou de caras com o mais recente dos sucedâneos das tecnologias comunicacionais - o telemóvel - com o qual já fiz e já recebi "n" chamadas enquanto escrevo este reviver ...

Ensinou-me já a experiência que, por vezes, ao fazermos o "send" duma mensagem, ela vai parar ao etéreo e nunca mais ouvimos falar dela, restando-nos a paciência para tentar recuperar parte dos raciocínios e ideias.

Por isso, junto à lista acima, mais uma vitória civilizacional que dá pelo nome de "copy & paste" e com ela guardar num limbo este trabalhinho enquanto não confirmo que o original seguiu para o destino apropriado,

Assim sendo, aqui vos deixo um abraço e os parabéns por esta ideia que me cativou. (**)


Guiné 63/74 - P14924: (Ex)citações (285): Fiz um único telefonema, aflito, de Bissau para a metrópole em novembro de 1967, por causa das cheias na região de Lisboa (Manuel Coelho, ex-fur mil trms, CCAÇ 1589, Nova Lamego e Madina do Boé, 1966/68)... Nunca me ocorrreu telefonar, de qualquer modo não havia telefone em casa (Carlos Milheirão, ex-alf mil, CCAÇ 4152/73, Gadamael e Cufar, 1974)



Guiné > Zona leste > Região de Gabu > Nova Lamego > c. 1966/68 > Estação dos CTT, à esquerda



Guiné > Zona leste > Região de Gabu > Nova Lamego > c. 1966/68 > Rua pirncipal > Sede do comando de batalhão, à esquerda (, visível na foto a proteção do edifício, feita com bidões de areia a toda volta); do lado oposto da rua, do lado direito, em frente, ficava o edifício dos CTT.

Fotos (e legendas): © Manuel Caldeira Coelho (2011). Todos os direitos reservados. [Edição: LG]


1. Mensagem de Manuel Caldeira Coelho (ex-fur mil trms, CCAÇ 1589 / BCAÇ 1894, Nova Lamego e Madina do Boé, 1966/68):


Data: 23 de julho de 2015 às 14:15

Assunto: Sondagem: os telefonemas (*)


Caros editores do nosso- blogue, já votei mas queria explicar a razão de um único telefonema que fiz quando estava em Bissau.

Não era fácil, e só nos CTT se podiam fazer as chamadas particulares.

Em Novembro de 1967 aconteceu aquela catástrofe das cheias na região de Lisboa e, como
tinha uma irmã a morar em Queluz, havia um boato de que a Fábrica de Pólvora de Barcarena
iria explodir e arrasar toda aquela área.

Bem, com o telefonema, fiquei esclarecido e descansado quanto a essa possibilidade e não se deu nada de semelhante,  apesar dos estragos e infelizmente das mortes.

Não tenho fotos dos CTT de Bissau, mas aqui estão duas de Nova Lamego, com o edifício dos CTT, que era junto ao comando do batalhão.

2. Outros comentários:

2.1. Nosso editor LG:

22/7/2015, 22h34

Amigos/as, camaradas: 

É bom que os jovens de hoje, guineenses e portugueses, saibam compreender e avaliar o "salto tecnológico" que demos, a Guiné, Portugal, o mundo inteiro. com a Telegrafia Sem Fios (TSF), muito antes da era do digital... É preciso perceber a revolução, nas telecomunicações, iniciada pelo italiano Marconi... E, no caso português, o papel da Companhia Portuguesa Rádio Marconi... Aqui vão alguns apontamentos que recolhi na Net...

2.2. Carlos Milheirão [ex-alf mil, CCAÇ 4152/73, Gadamael e Cufar, 1974]

23/7/2015, 11h24:

Nunca me ocorreu fazê-lo [, telefonar para casa]. De qualquer modo, não havia telefone em casa.

Recentemente tive uma filha em missão no Líbano e falávamos com ela todos os dias via SKYPE. Como as coisas mudaram!!! (**)

___________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de 22 de julho de  2015 > Guiné 63/74 - P14919: Sondagem: Resultados preliminares (n=115) a dois dias de encerrar a votação: menos de metade da malta (47,8%) utilizou os CTT para telefonar para a casa (leia-se: metrópole). Mesmo assim, parece que era mais fácil em Bissau, capital do território, do que no mato...

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Guiné 63/74 - P14919: Inquérito online: Resultados preliminares (n=115) a dois dias de encerrar a votação: menos de metade da malta (47,8%) utilizou os CTT para telefonar para a casa (leia-se: metrópole). Mesmo assim, parece que era mais fácil em Bissau, capital do território, do que no mato...

´
Guiné > Região de Tombali > Catió > CCS / BART 1913 (1967/69) > Álbum fotográfico do Victor Condeço > Quartel > Foto 32 >

"Cerimónia militar em fevereiro de 1968, por ocasião da imposição à CART 1689 da Flâmula de Honra (ouro) do CTIG, atribuída em julho de 1967. Edifício do comando. Presença de militares, civis da administração, correios e comerciantes locais."


Da esquerda para a direita, e segundo indicação do fotógrafo:

 (1) de costas, o cap médico Morais que está a falar com um outro um militar, de camuflado, não  identificao;

(2) o comandante do BART 1913, ten cor Abílio Santiago Cardoso; 

 (3) quatro funcionários dos Correios e Administração; 

(4) o comerciantes sr. José Saad [, libanês,] e filha (pequena); (4) o comerciante, sr. Mota: 

(5) o comerciante Sr. Dantas  de fato escuro, e a filha; 

(6) o comerciante sr. Barros; 

(7) o electricista civil Jerónimo: 

(J) e, por fim, o alf graduado capelão Horácio [Neto Fernandes].



Guiné > Região de Tombali > Catió > CCS / BART 1913 (1967/69) > Álbum fotográfico do Victor Condeço > Quartel > Foto 32 A > Pormenor; quatro funcionários dos correios (à esquerda), seguidos de quatro comerciantes; o libanês José Saad (e filha), o  Mota, o  Dantas (e filha) e  o Barros.


Guiné > Região de Tombali > Catió > CCS / BART 1913 (1967/69) > Álbum fotográfico do Victor Condeço > Vila > Foto 16 > "Uma vista tirada da Rotunda, onde se vê uma DO-27 sobrevoando a zona do quartel, à direita a zona da antiga messe de oficiais e a antena dos Correios à esquerda."



Guiné > Região de Tombali > Catió > CCS / BART 1913 (1967/69) > Álbum fotográfico do Victor Condeço > Vila > Foto 17 > "Foto tirada da torre da Igreja no sentido do Quartel, vendo-se o depósito de água deste, a torre dos Correios, em baixo a rua das Palmeiras."

Fotos (e legendas) de Catió: Victor Condeço (1943/2010) / © Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2007). Todos os direitos reservados




I. Resultados preliminares da sondagem desta semana (que termina 6ª feira, dia 24,  às 14h45). Até às 19h00 de hoje tinham votado 115. 

(i) menos de metade da malta (47,8%) utilizou os CTT para telefonar para a casa (leia-se: metrópole);

(ii) mesmo assim, parece que era mais fácil conseguir uma ligação telefónica em Bissau, capital do território, do que no mato, nalgumas (poucas) povoações mais importantes, sedes de concelho  e postos administrativos,  onde havia estações dos CTT:

(iii) as ligações para a metrópole, a partir das estações dos CTT,  tinham dia e hora marcada (,mesmo em Bissau);

(iv) já ninguém se lembra do tarifário: quanto custava uma chamada (, julgo que via Marconi,) para a metrópole, por minuto ? 

(v) e, já agora que falamos de CTT... qual era a via normal para o envio e receção das encomendas postais ("slides", livros, jornais e revistas, fumeiro, bacalhau. etc.) ? Era o SPM (servço postal militar) ou os CTT ?...

(vi) e as grandes antenas de telecomunicações que viamos nalgumas destas povoações (por ex., Bambadinca, Catió)... eram civis ou militares ? quem as montou ? e quando ? quem as explorava ? quem fazia a sua mautenção ?

Se alguém souber e quiser falar sobre os serviços prestados pelos CTT na Guiné, tem o blogue à sua disposição... 

SONDAGEM: "NA GUINÉ, DURANTE A COMISSÃO, UTILIZEI OS CTT PARA TELEFONAR PARA CASA"

1. Sim, em Bissau > 30 (26,1%)

2. Sim, fora de Bissau > 15 (13,0%)

3. Sim, em Bissau e fora de Bissau > 10 (8,7%)

4. Não, nunca utilizei >  59 (51,3%)

5. Já não me lembro > 1 (0,9%)

Mude o seu voto
Votos apurados: 115 
Dias que restam para votar: 2 

_______________________

Nota do editor:

Vd. poste de 29 de julho de 2015 > Guiné 63/73 - P14901: Sondagem: Mais de 54% do pessoal nunca telefonou para a metrópole, durante a comissão, usando os CTT... Resultados preliminares (n=81), quando faltam 4 dias para "encerrar as urnas"...