Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta Saltinho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Saltinho. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 31 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27874: Casos: a verdade sobre... (65): o acidente com canhão s/r 82, B-10, russo, que vitimou o 2º srgt António Duarte Parente, do Pel Caç Nat 53, no Saltinho, em 13 de maio de 1970





Guiné > Região de Bafatá > Sector L5 (Galomaro) > Saltinho > Destacamento de Contabane (reordenamento junto ao quartel do Saltinho, mais tarde, Sinchã Sambel, em homenagem ao régulo de Contabane > Pel Caç Nat 53 (1970/72) > O Paulo Santiago com o canhão sem recuo 82 B-10, russo, que esteve na origem do acidente, no Saltinho, que provocaria a morte do 2.º srgt Parente (apanhado pelo "cone de fogo" do canhão s/r disparado inadvertidamente por alguém)... A tragédia deu-se no dia 13/05/70, quando já se encontrava naquele quartel a CCAÇ 2701, que rendeu a a CCAÇ 2406, "Os Tigres do Saltinho" (1968/70).


Foto (e legenda): © Paulo Santiago (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)


1. O 2.º srgt António Duarte Parente não pertencia a nenhuma daquelas companhias, aq CCAÇ 2406 e a CCAÇ 2701, era um dos graduados do Pel Caç Nat 53, comandado naquela data pelo alf mil António Mota que o Paulo Santiago foi substituir em outubro de 1970. 

O canhão s/r, apreendido ao PAIGC, foi mais tarde transferido do Saltinho para o reordenamento de Contabane (hoje, Sinchã Sambel).  Mas antes disso, nos primeiros dias de novembro de 1970 foi um heli ao Saltinho buscar, por ordem do Com-Chefe, o canhão s/r 82, B10, para equipar as NT no decurso da Op Mar Verde (invasão anfíbia de Conacri, 22 de novembro de 1970). Voltaram a entregá-lo em dezembro. 

Gravemente ferido, em resultado desse acidente, o Parente foi evacuado para o HM 241,m Bissau, e a seguir para o Hospital Militar da Estrela. Morreu um nmês depois. Está sepultado na Covilhá,

2. Comentários:

(i) Jorge Narciso (*) (**)

(...) António: não tem este o fim de comentar o teu poste (eu até nem fui nem vim de barco, pois era da FAP), antes e verificando que terás estado no Saltinho por 69/70, procurar uma eventual ajuda tua para precisar na memória um facto lamentável, que muito me marcou e do qual não fiquei com registo preciso.

Eu fui mecânico da linha da frente dos helicópteros (exactamente entre  abril de 1969 e dezembro de 1970) e muitas vezes fui ao Saltinho (cruzámo-nos concerteza), nomeadamente na época das chuvas, para proceder a abastecimento de víveres.

Aliás, ali "festejei" os meus 20 anos, facto que, denunciado pelo piloto, "nos obrigou" a só dali sair depois dum copo (penso que de espumoso).

Com essas diversas viagens estabeleceram-se alguns laços de amizade, nomeadamente com um sargento (de quem não me recordo o nome) que é, esse sim, o motivo deste comentário.

Sei que numa determinada altura foi substituída a guarnição do Saltinho (fim de comissão ?), mas que o citado sargento, por ser de rendição individual, ali permaneceu com a nova guarnição. [ Substituição da CCAÇ 2406 pela CCAÇ 2701, em maio de 1970].

Um dia (que também não consigo precisar) parti numa evacuação para o Saltinho (que, diga-se, não era habitual) e qual não foi a minha surpresa (e choque) quando verifico que ela se destinava exactamente ao citado sargento.

Explicaram-nos, rapidamente, ter sido ele atingido pela gravilha projectada pelo escape do canhão sem recuo, montado num dos muros do aquartelamento, que tinha sido extemporaneamente disparado por terceiro, num tiro de experiência e demonstração.

Foi, talvez, a evacuação mais penosa das incontáveis que realizei na Guiné. Desde logo pelo seu gravíssimo estado físico (completamente crivado), pelo emocional, com a sua lúcida compreensão desse mesmo estado, finalmente porque era alguém com quem mantinha uma relação, diria de quase amizade, o que exponencia largamente o nossas próprias emoções.

Desembarcado, com as palavras de encorajamento possíveis, procurei num dos dias seguintes visitá-lo, tendo-me sido informado que tinha sido imediatamente evacuado para Lisboa.

Tendo mantido o interesse , soube muito mais tarde que não tinha resistido aos ferimentos, vindo a falecer.

Recordas ou de alguma forma tiveste algum contacto testemunhal com este caso ? (...)

(ii) Paulo Santiago (**)

Jorge: Vou tentar contar o episódio de que falas (*) , que aconteceu já depois da saída, do Saltinho, da CCAÇ 2406, a que pertenceu o António Dias [. O CCAÇ 2406, Os Tigres do Saltinho, 1978/70, pertencia ao BCAÇ 2852, com sede em Bambadinca).

A tragédia, confirmei agora a data com um camarada, deu-se no dia 13/05/70, quando já se encontrava naquele quartel a CCAÇ 2701. O 2º  srgt Parente, o militar de que falas, não pertencia a nenhuma daquelas companhias, era um dos graduados do Pel Caç Nat 53, comandado naquela data pelo Alf Mil António Mota que eu fui substituir em Outubro de 1970.

O trágico acidente resultou de um disparo ocasional do canhão S/R 82, B10, naquele dia instalado no Saltinho, mais tarde foi comigo para o Reordenamento de Contabane.

Ninguém tem uma explicação cabal para o sucedido. Havia ordens expressas para a arma estar sempre com a culatra aberta, e sem granada introduzida, parece que naquele dia havia uma granada introduzida,e a culatra estava fechada.

Como aconteceu? Junto da arma encontravam-se vários militares, cap Clemente, alf mil Julião, srgt Demba, da milícia, 2º srgt  Parente e ainda mais dois ou três militares. A arma para disparar, granada na câmara e culatra fechada, accionava-se o armador, premia-se o gatilho,acontecia o disparo. Diziam que alguém tocara com o joelho no armador e dera-se o disparo...

O 2º srgt  Parente estava logo atrás do canhão S/R, foi parar a vários metros de distância, e tu, Jorge Narciso, sabes como ele ía. Ficaram também feridos o cap Clemente, queimaduras numa mão e virilha, e o Demba, queimaduras numa perna. Foram também evacuados para o HM 241.

Como dizes,o Parente morreu passado um mês. Já como comandante do Pel Caç Nat 53,recebi uma carta da viúva, pedindo-me ajuda na resolução de um qualquer problema que agora não recordo.

Foi um dia trágico no Saltinho.Isto é, muito dramático, o Parente tinha recebido naquele dia um telegrama, via rádio, informando-o que fora pai de uma miúda...e andara na tabanca a comprar uns frangos para fazer um jantar comemorativo do nascimento...

O alf mil Fernando Mota, da CCAÇ 2701, recebeu uma carta com a notícia que o irmão fora morto com um tiro da Gurda Fiscal. O srgt  Demba da milícia foi morrer no Quirafo em 17 de abril de 1972 .. Será que o Parente ainda viu a filha antes de morrer?

Apesar de não o ter conhecido, é-me penoso falar desta tragédia. (...)
 
(iii) Paulo Santiago (***)

(...) Quanto às munições para o canhão s/r, havia uma quantidade razoável. O Julião, alf mil, CCAC 2701 (Saltinho, 1970/72), num patrulhamento,deu com um pequeno paiol com granadas para o 82B10.Na foto vêem-se algumas embalagens com granadas.


(iv) Luís Graça (***):

Recordo-me bem do Duarte Parente, do tempo de Baambadinca..  Era um dos poucos sargentos, do exército, que era operacional... na região de Bafatá. Tirando os sargentos das forças especiais (páras, fuzos, e talvez comandos), os sargentos do Exército ficavam na secretaria, ou outras funções de apoio... Não se exagera dizendo que a guerra era para os graduados milicianos e as praças do contingente geral... Os do QP, oficiais e sargentos, em geral, protegiam-se melhor...

Eu pensva que o Duarte Parente fosse alentejano, afinal era beirão. Era um gajo com piada, com quem se criava facilmente empatia. Infelizmente, deixou viúva e filha órfão, coisa que eu não sabia... Um das das "bocas" dele que ouvi no nosso bar, em Bambadinca, nunca mais a esquecerei:

- Quando eu vou na rua, só paro em dois lugares: numa taberna ou bar ou numa livraria...

Seguiu depois para o Saltinho onde conheceu o caminho do calvário que o levou à morte, um mês depois já em Lisboa, no HMP. (****)

Não temos, também, infelizmente, nenhuma foto dele. (*****)


(Seleção, revisão / fixação de texto, título: LG)
___________________


Notas do editor LG:





(*****) Últrimo poste da série > 30 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27871: Casos: a verdade sobre... (64): uma mina anticarro, reforçada, que acionámos em Nhabijões, em 13/1/1971, a que altura poderia lançar a nossa GMC ? (António Fernando Marques / Luís Graça)

quinta-feira, 26 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27859: Fichas de unidades (40): BCAÇ 3872 (Galomaro, 1971/74), CCAÇ 3489 (Cancolim), CCAÇ 3490 (Saltinho), CCAÇ 3491 (Dulombo e Galomaro): Divisa: "O inimigo vos dirá quem somos"


Guião do BCAÇ 3872 (Galomaro, Sector L5, 1971/74)... Temos vários camaradas, na Tabanca Grande, que pertenceram a este batalháo:    Carlos Filipe Coelho (1950 - 2017), Juvenal Amado, Manuel Carvalho Passos, Rui Vieira Coelho  (CCS, Galomaro)  | Rui Baptista  (1949-2023), José António de Almeida Rodrigues (1950-2016) (CCAÇ 3489, Cancolim) | Joaquim Guimarães, António da Silva Batista (1950-2016) (CCAÇ 3490, Saltinho) | Luís Dias (CCAÇ 3491, Dulombi),  




1. A esta unidade, o BCAÇ 3872, pertenceram dois camaradas nossos que estiveram prisioneiros nas masmorras do PAIGC (Conacri, Boé e Boké), o António da Silva e o José Antóno de Almeida Rodrigues, espantosamente morreram os dois no mesmo dia, 23/3/2016, com a mesma idade (66 anos). 

O Batista, natural da Maia, pertenceu à CCAÇ 3490, que estava no Saltinho. Foi feito prisioneiro na sequència da emboscada no Quirafo, em 17 de abril de 1972.  Foi dado como morto, por erro na identificação dos cadáveres. Foi libertado em 14 de setembro de 1974.

O José António Almeida Rodrigues (1950-2016),natural da Régua,  conseguiu fugir do "campo de detenção" do Boé, do PAIGC, junto à margem esquerda do Rio Corubal, na parte ocidental da região do Boé, situado algures entre Gobige, Guileje e Madina do Boé, junto à fronteira, segundo as nossas estimativas.

O "campo de detenção", pelas descrições do Batista e do Rodrigues, só podia ser na região de Tombali, junto ao rio Corubal e à fronteira (sul) com a Guiné-Conacri (por razões de segurança e logísticas), ou seja, em zona considerada "libertada", segundo a terminologia do PAIGC, mas sujeita aos bombardeamentos da aviação portuguesa.

Depois da fuga do Rodrigues, em 7 de março de 1974, os prisioneiros foram levados para o outro lado da fronteira, já na República da Guiné, segundo o depoimento do Duarte Dias Fortunato, em 2000. Foi aí que receberam a notícia do 25 de abril de 1974.

A tragédia do Quirafo (um grande revés para as NT) mereceu, desta vez, uma menção em 7 linhas no livro da CECA sobre a atividade operacional na Guiné (1971/74):

(....)  Acção - 17Abr72: Nas proximidades de Contabane/Quirafo, L5, uma força constituída
por 1 GComb/CCaç 3490 e 1 Pel Mil (-), numa acção de patrulhamento, foi emboscada durante 15 minutos por uma força inimiga. As NT sofreram 10 mortos, 1 desaparecido e 2 mortos e 3 feridos da população. Foram ainda destruídos 1 viat "GMC" e 1 EIR "TR-28". Foram também danificados 1 viat "Unimog" e 1 E/R "AVP-l". (...)

Em honra dos nossos camaradas, falecidos há 10 anos (*),  e do seu batalhãpo, recordamos aqui o essencial da ficha da sua unidade (**)


Batalhão de Caçadores nº  3872

Identificação BCaç 3872

Unidade Mob: RI 2 - Abrantes

Cmdt: TCor Inf José de Castro e Lemos | 2.° Cmdt: Maj Inf José Carlos Moreira de Campos | OInfOp/Adj: Maj Inf Amélio Ventura Martins Pamplona

Cmdts Comp:

  • CCS: Cap SGE Jorge Araújo Mateus | Cap QEO Carlos Alberto de Araújo Rolin e Duarte | Ten SGE Mário da Encarnação Raposo
  • CCaç 3489: Cap Mil Inf Manuel António da Silva Guarda | Cap Mil Inf José Francisco Rosa
  • CCaç 3490: Cap Mil Inf Dário Manuel de Jesus Lourenço
  • CCaç 3491: Cap Mil Art Fernando de Jesus Pires

Divisa: "O inimigo vos dirá quem somos"

Partida: Embarque em 11Dez71; desembarque em 24Dez71 | Regresso: Embarque em 25Mar74

Síntese da Actividade Operacional

Após realização da IAO, de 27Dez71 a 22Jan72, no CMl, em Cumeré, seguiu em 23Jan72, com as suas subunidades, para o sector de Galomaro, a fim de efectuar o treino operacional e sobreposição com o BCaç 2912.

Em 11Mar72 , assumiu a responsabilidade do referido Sector L5, com sede em Galomaro e abrangendo os subsectores de Cancolim, Dulombi, Saltinho e Galomaro. 

Em 09Mar73, o subsector de Dulombi foi extinto e a sua área integrada no subsector de Galomaro. As suas subunidades mantiveram-se sempre integradas no dispositivo e manobra do batalhão.

Desenvolveu intensa actividade operacional com vista à intercepção de grupos inimigos em direcção ao Boé através do rio Corubal, efectuando reconhecimentos ao longo das suas margens e patrulhamentos intensivos nos prováveis locais de instalação e zonas de refúgio do inimigo, sendo de destacar as reacções a ataques a Dulombi, Campata e Bangacia, que provocaram pesadas baixas e perdas de armamentos e outro material. 

A par disso, continuou a desenvolver acções de assistência sanitária e de contacto com as populações, promovendo o seu desenvolvimento sócioeconómico e dos trabalhos dos reordenamentos, nomeadamente em Contabane e Afiá.

Dentre o material capturado mais significativo, salienta-se: 1 pistola-metralhadora, 2 espingardas, 2 lança-granadas foguete e 42 granadas de armas pesadas.

Em 09Mar74, foi rendido no Sector L5 pelo BCaç 4518/73 e recolheu seguidamente a Bissau, a fim de aguardar o embarque de regresso.

***

A CCaç 3489, após o treino operacional e sobreposição com a CCaç 2699, desde 24Jan72, assumiu a responsabilidade do subsector de Cancolim, em 11Mar72, com um pelotão destacado em Anambé até 22Set71.

Em 08Mar74, foi rendida no subsector pela 2ª Comp/BCaç 4518/73 e recolheu a Bissau para embarque.

***

A CCaç 3490, após o treino operacional e sobreposição com a CCaç 2701, desde 24Jan72, assumiu a responsabilidade do subsector de Saltinho em 11Mar72, tendo deslocado um pelotão para guarnecer o destacamento de Cansamba, este no subsector de Galomaro.

Em 07Mar74, foi rendida pela 3ª Comp/BCaç 4518/73 e recolheu seguidamente a Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso.

***

A CCaç 3491, após o treino operacional e sobreposição com a CCaç 2700 desde 24Jan72, assumiu a responsabilidade do subsector de Dulombi em 08Mar72, tendo deslocado um pelotão para reforço da guarnição de Cancolim até 22Set72.

Em 09Mar73, por extinção do subsector de Dulombi e sua integração no subsector de Galomaro, foi transferida para esta localidade, tendo assumido a responsabilidade do respectivo subsector, então atribuído à CCS do batalhão. 

Entretanto, desde 04Mai73, cedeu um pelotão para reforço da guarnição de Piche, no sectordo BCaç 3883, o qual foi deslocado, a partir de finais de Ago73, para Nova Lamego, ficando então em reforço do BCav 3854 e depois do BArt 6523/73.

Em 08Mar74, foi rendida pela 1ª Comp/BCaç 4518/73 e recolheu seguidamente a Bissau, a fim de aguardar o embarque de regresso.

Observações - Tem História da Unidade (Caixa nª  95 - 2ª Div/4ª  Sec, do AHM).

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 7.º volume: Fichas das Unidades. Tomo II: Guiné. Lisboa: 2002, pp. 159 -160

_______________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 24 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27852: Efemérides (384): Foi há 10 anos que morreu (de verdade) o nosso querido "morto-vivo", o António da Silva Batista (1950-2016), ex-sold at inf da CCAÇ 3490 (Saltinho, 1972), natural da Maia

(**) Último poste da série >  4 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27490: Fichas de unidades (39): CART 6250/73 (Cumeré, Caboxanque e Ilondé, mai/out 1974)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27753: Memórias de um comandante de pelotão de caçadores nativos (Paulo Santiago) (19): uma ida traumática a Bissau, a morte horrorosa do fur mil Asdrubal Fernandes, vítima de acidente com uma granada de RPG-2; era natural de Esposende


Granada de RPG-2, no museu de Kiev, Ucrânia  (Fonte: Wikipedia)


Ficha do fur mil arm pes inf Asdrubal Fernandes, vítima de um horroso acidente com uma granada de RPG-2. Faleceu em 5/7/1972, no HM 241, em Bissau. Era natural de Esposende, conterrâneo do Mário Miguéis.

Fonte: Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 8.º Volume; Mortos em Campanha; Tomo II; Guiné; Livro 2; 1.ª Edição; Lisboa (2001), pág. 127 (Com a devida vénia...).


1.
 Mensagem  do Paulo Santiago  (ex-alf mil, cmdt Pel Caç Nat 53, Saltinho 1970/72), residente em Aguada de Cima, Águeda, autor da série "
Memórias de um comandante de pelotão de caçadores nativos" (*):


Data - 20 de fevereiro de 2027, 01:07
Assunto - Uma ida traumática a Bissau


Memórias de um comandante de pelotão de caçadores nativos (Paulo Santigo) (19): uma ida traumática a Bissau, a morte horrorosa  do fur mil Asdrubal Fernandes, vítima  de acidente com uma granada  de RPG-2


Paulo Santiago: um histórico
da Tabanca Grande; tem 205
 referências no blogue
Uma manhã em meados de jun de 1972, um soldado  foi chamar-me ao reordenamento de Contabane, hoje chamado de Sinchã Sambel, para vir ao quartel falar com o capitão [mil inf, Dário Lourenço, cmdt, CCAÇ 3490 (Saltinho, 1972/74), do BCAÇ 3872 (Galomaro, 1972/74), conhecida pela alcunha do capitão-proveta, ou "Proveta"]

Desde Maio que me transferira (voluntariamente) para o reordenamento... Sentia-me melhor afastado do Lourenço. Comigo estava o fur mil Mário Rui e uma secção.

No quartel, a quinhentos metros do 
reordenamento, fui ter com o capitão.

−  Santiago, tem de ir a Cansonco levar o chefe de tabanca. Leva um dos pelotões da companhia . (O meu, o  Pel Caç Nat 53, estava dividido, metade estava em Galomaro.)

Em março, poucos dias após regressar de Bambadinca (**),  o Lourenço pede-me insistentemente para ir com ele numa operação ao Celo-Celo para armadilhar um trilho, ordem do comandante do Batalhão. 

Acabei por aceder e fui com cinco Soldados do 53. Correu mal, uma operação que demoraria dois dias, acabou ao fim de uma manhã. Por teimosia e basófia do Lourenço, apanharam com um ataque de abelhas, e teve de vir um heli para evacuar militares em mau estado.

Contei este episódio há anos aqui no Blogue (***).

Com este antecedente disse que não ía a Cansonco com militares que conhecia mal.

− Não vai, vou participar!

Quase a terminar a comissão, o Proveta estava preparado para me tramar.

Falei com o médico, estava na CArt do Xitole, para me mandar a uma consulta de Psiquiatria a Bissau. Sem problemas, arranjou-me a consulta.

Ainda no tempo da CCaç 2701, do cap Clemente, o Marcelino da Mata esteve no Saltinho a treinar oito soldados do meu pelotão (Pel Caç Nat 53) que ficavam à ordem dele (Gr Op Especiais). Conheci o Marcelino na altura.

Soubera, após a trágica emboscada do Quirafo [em 17 de abril de 1972]

e também da morte de um agente, de umas "bocas" ditas pelo Lourenço. Tinha de falar com o cap pqdt António Ramos.

Munido da consulta de psiquiatria, apanhei a avioneta da sexta-feira no Xitole para Bissau.

Em 3 de julho de 1972 almocei com o Marcelino, falei-lhe no que constava sobre a morte do agente e que gostaria de falar com o cap Ramos. Concordou. Após o almoço seguimos para a Amura.

A seguir ao portão de entrada estava um grupo de militares da PM a lavar um jipe todo ensanguentado. Disseram ao Marcelino que o fur mil  Asdrubal estava a instruir um soldado sobre o funcionamento de um RPG 2, a arma disparara, atingindo o Asdrubal.

Já não fui falar com o cap Ramos. Fui com o Marcelino para o Hospital. Mal transposta a entrada, uma cena lastimável, horrível... deitado numa maca, via-se de um dos lados do tronco a cabeça cónica da granada, e  do outro lado uma parte das empenagens. Nalgumas janelas tiravam fotografias.

 −  Marcelino, tira-me isto.

As dores deviam ser um horror mas o Asdrubal estava conciente, falava.

O director do Hospital não autorizava a entrada da maca com receio de
um explosão da granada. O Marcelino disse-lhe que, se a granada não
rebentara com o embate no tronco, já não explodia, nem devia ter a
espoleta.

Não demoveu o médico, resolveu ir à Amura buscar um granada.

Fiquei ali junto da maca sem saber o que dizer.

Entretanto chega um heli com um ferido. Aproximei-me... Devo ter ficado branco, pálido, sem fala... na maca vinha o meu soldado balanta Putchane Obna, de alcunha "Bagaço". Vinha consciente, apanhara um tiro no braço esquerdo. 

O Proveta mandara sair os oito sobre os quais não tinha qualquer autoridade... o gajo não tinha emenda.

Chegou o Marcelino com uma granada de RPG 2. Frente ao director do Hospital desaperta a cabeça, tira a espoleta, aperta a cabeça, bate-a contra o chão, e assim lá conseguiu autorização para a entrada da maca com o furriel Asdrubal.

No dia seguinte fui então falar com o cap pqdt António Ramos, a quem o Marcelino já contara as tristes cenas do Lourenço. Este recebeu passadas poucas horas uma mensagem demolidora escrita à minha frente.

O Asdrubal, clinicamente, estava morto mas continuava a falar, morreu no dia cinco [de julho de 1972].

Não houve participação, não fui à consulta.

Por vezes, lembro-me da emboscada, a pequena distância do quartel, onde o "Bagaço" foi ferido.

Como foi possível a guerrilha estar ali? Alguém falou?

Paulo Santiago

(Revisão / fixação de texto, parênteses retos, links, título: LG)
_______________

Notas do editor LG:

(*) Último  poste da série > 21 de novembro de 2008 > Guiné 63/74 - P3495: Memórias de um comandante de pelotão de caçadores nativos (Paulo Santiago) (18): Vem nos manuais de sobrevivência, está lá tudo..

(**) Vd. poste de 9 de Setembro de 2008 > Guiné 63/74 - P3189: Memórias de um comandante de pelotão de caçadores nativos (Paulo Santiago) (17): Instrutor de milícias em Bambadinca (Out 1971).

(***) Vd. poste de 25 de julho de 2006 > Guiné 63/74 - P986: A tragédia do Quirafo (Parte II): a ida premonitória à foz do Rio Cantoro (Paulo Santiago)

Vd. também poste de 23 de Julho de 2006 > Guiné 63/74 - P980: A tragédia do Quirafo (Parte I): o capitão-proveta Lourenço (Paulo Santiago)

domingo, 28 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27580: Casos: a verdade sobre... (62): Al-Hajj Cherno Rachide Jaló (1906-1973)... O itinerário das colunas que levaram, de Bambadinca a Aldeia Formosa / Quebo, os fiéis que foram à cerimónia fúnebre do imã (Paulo Santiago)


Guiné > Carta Geral da Província (1961) (Escal 1/500 mil) > Percurso (a amarelo) que seguiram os fiéis do Cherno Rachide que foram ao seu funeral em setembro de 1973:  Bambadinca - Xitole - Cambessê - Uria Candi - Cambança do Rio Corubal - Aldeia Formosa / Quebo. A vermelho, o troço  de estrada que estava interdito: Saltinho - Rio Mabiá - Contabane - Aldeia Formosa / Quebo. 

As distâncias quilométricas são mais ou menos as seguintes (hoje em dia): Bambadinca-Xitole: 30  km; Xitole-Saltinho, 20 km; Saltinho-Quebo: 20 km. No nosso tempo, e na época das chuvas, com risco de minas e emboscadas, uma coluna Bambadinca-Xitole-Saltinho podia levar um dia ou até mais... O troço Mansambo - Xitole-Saltinho esteve interdito cerca de um ano (set 1968/ set 69).

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2025)


1. Comentário do Paulo Santiago  (ex-alf mil, cmdt Pel Caç Nat 53, Saltinho 1970/72) (*):

O  poste do Luís fala numa coluna militar para levar os fiéis do Cherno Rachid, de Bambadinca a Aldeia Formosa (Quebo). 

Direi que seriam duas colunas. Assim,as viaturas saídas de Bambadinca seguiam em direcção ao Xitole,e aqui seguiam em direcção ao Saltinho.

Passada a tabanca de Cambessê,  a última do Xitole, poucos quilómetros  andados aparecia a tabanca de Uria Candi onde se cortava à direita por uma picada até atingir o rio Corubal, onde de canoa se cambava  para a outra margem onde estariam viaturas de Aldeia Formosa.

Uma vez, em  que fui a Aldeia Formosa, saí do Saltinho indo até à cambança e na outra margem tinha o pessoal de Aldeia.

O trajeto Saltinho-Rio Mabiá-Contabane estava minado pelas NT e pelo IN.








Guiné > Zona Leste > Setor L1 > Bambadinca > BCAÇ 2852 (1968/70) e CCAÇ 12 (1969/71) > Visita que o Cherno Rachide fez a Bambadinca, no início de janeiro de 1970...  As fotos devem ser de 10 de janeiro.

Fotos do álbum do ex-fur mil at inf Arlindo Roda, da CCAÇ 12 . Sem legenda. (Infelizmente as fotos do meu camarada Arlindo Roda não trazem legendas, local, data, etc.)... 

A personagem  de azul escuro  e "gorro" preto, assinalada a amarelo, tudo indica que seja o Cherno Rachide, a presidir a um encontro com os seus fiéis do regulado de Badora e outras paragens, que se deslocaram a Bambadinca para o cumprimentar, rezar com ele,  ouvir os seus conselhos, etc.. 

 Um seu "adjunto", vestido de branco e também com um gorro preto, segurando um lenço,  recolhe oferendas ao imã (moedas, "pretas" e "brancas", poucas notas, nozes de cola). O Cherno Rachide na altura teria 63 anos. Morreria  3 anos depois.

Recordo-me de as NT lhe terem armado uma tenda, no recinto do quartel de Bambadinca, para ele receber condignamente não só as autoridades locais, civis e militares, como também os seus fiéis...  O chão era coberto por tapetes. O gen Spinola deve ter mandado assegurar o seu transporte e acomodação. A ele e ao seu séquito.

Ele virá a falecer, em Aldeia Formosa, onde residia, em setembro de 1973, em dia que não podemos precisar.  

Na altura, o comandante do BART 3873 (Bambadinca, 1972/74) terá  organizado uma coluna de transporte  para os muçulmanos do sector L1  poderem ir prestar-lhe ( ao imã)  a última homenagem em Aldeia Formosa / Quebo.

No meu tempo ( 1969/71) o troço Saltinho- Contabane - Aldeia Formosa estava interdito, logo a partir da Ponte do Saltinho, sobre o rio Corubal... O transporte até Aldeia Formosa teria que ter segurança militar e seguir outro trajeto, como sugere  o Paulo Santiago, que conheceu bem o terreno  (esteve lá em 1970/72 e voltou lá em 2005 e 2008).

Foto: © Arlindo Roda (2010). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


2. De acordo com a História do BART 3873 (Bambadinca, 1972/74), há uns tantos pontos a destacar no mês de setembro de 1973:

(i) choveu intensamente, e as populações, nomeadamente, os balantas, ocupam-se dos trabalhos agrícolas (cultivo das bolanhas);

(ii) começou para os muçulmanos o Ramadão (de 27 de setembro a 26 de outubro de 1973); 

(iii) o comando do BART 3873 propõe, à Rep ACAP, que dois dos  mais prestigiados ( e "fiéis") régulos do sector L1, o do Xime e o de Badora, sejam escolhidos para a viagem de peregrinação aos lugares santos do Islão, a expensas do governo da província (o critério era sempre o apoio à "causa nacional");

(iii) o PAIGC escolheu, estranhamente (?), a data de 24 de setembro de 1973 (em plena época das chuvas e a 3 dias do início do Ramadão), para proclamar unilateralmente a independência da Guiné-Bissau (em local que ainda hoje é objeto de grande controvérsia, mas que a sua descarada propaganda teimou em dizer durante décadas que tinha sido... em Madina do Boé!) 

(iv) estranhamente, não: a 28ª sessão ordinária da Assembleia Geral da ONU acabava de se iniciar em 18 de setembro de 1973, e logo nesse dia as "duas Alemanhas", a República Federal da Alemanha (Ocidental) e a República Democrática Alemã (Oriental) foram admitidas simultaneamente como Estados-membros da ONU;

(v) morreu o Cherno Rachide (ou Rachid) de Aldeia Formosa / Quebo e o comando do BART 3873 prontificou-se a organizar uma coluna de transporte para os "muitos fiéis muçulmanos" (sic)  do setor L1 (Bambadinca) que quisessem assistir às cerimónias fúnebres; nesta altura, estava em Aldeia Formosa o BCAÇ 4513 (1973/74)-

As NT sempre deram grande importância à "lealdade" dos fulas e da sua elite dirigente, a quem o Amílcar Cabral chamava, com profundo desprezo, os "cães dos colonialistas".  Nunca saberemos ao certo qual o papel que o Al-Hajj Cherno Rachide  Jaló (1906-1973) desempenhou  na "nossa guerra" (***). 

Há quem, como o José Teixeira,  defenda a opinião de que os ataques e flagelações a Aldeia Formosa eram dirigidos para o aeródromo e  o quartel das NT, e nunca para a tabanca (onde residia o imã). E que, por outro lado, um seu sobrinho seria "cabo de guerra" na região, pelo lado do PAIGC (comandante de bigrupo, ou coisa parecida). 

Em conversa há dias com nosso camarada Arménio Santos (ex-fur mil, Rec Inf, Aldeia Formosa, 1968/70), que "trabalhou"  com o Cherno Rachide, no campo da informação e acção psicológica (e que, portanto, o conheceu bem), percebi que este dossiê ainda está longe de estar encerrado de todo. 

Oxalá apareçam mais histórias e testemunhos sobre o Cherno Rachide, cujo sucessor, o seu filho,  Al-Hajj Amadú Dila Djaló, será depois deputado pelo PAIGC, a seguir à independência, na Assembleia Nacional Popular. Contradições ? Realismo político ? O(s) poder(es) tem (têm) horror ao vazio. Sempre. Em toda a parte.


3. Excertos da H. U. (História da Unidade) | BART 3873 (Bambadinca, 1972/74) - Cap. II: 17º fascículo: setembro de 1973 , pp. 67/68/69 (***)







4. Excertos da história do BCAÇ 4513 (Aldeia Formosa, 1973/74) (Transcrição, para suporte digital: Fernando Costa) (****)

CAPÍTULO II > ACTIVIDADE NO TO DA GUINÉ > 4º Fascículo (período de 1Set a 30Set73)

(...) Verificou-se no período o falecimento do Cherno Rachid, chefe religioso de extraordinário prestígio no meio muçulmano, cuja perda abalou muita a população, receando-se não ser fácil encontrar quem o substitua com o mesmo prestígio e a mesma devoção à Causa Nacional (sic) (***).

No dia 29Set73 regista-se a chegada à Província do novo Governador e Comandante-chefe, General Bettencourt Rodrigues, que substituiu nos cargos o General António Spínola. (...)

5º Fascículo (período de 1Out a 31Out73)

(...) Durante o período continuaram a deslocar-se a Aldeia Formosa, em virtude do falecimento do Cherno Rachid, várias autoridades tradicionais, algumas estrangeiras, entra as quais se destaca o Cherno Aliu Cham, do Senegal.

Sekuna, filho do Cherno Racxhid, foi eleito, em assembleia dos "Homens Grandes", sucessor de Cherno Rachid.

Por motivo do acto eleitoral no dia 28 (*****),  e a festa do Ramadão nos dias 28 e 29, efectuaram-se diversas colunas a Buba, Nhala, Rio Corubal, para transporte da população. (...)

04Out73

(...) O Cmdt recebe a visita de todos os "Homens Grandes" da região que vêm comunicar que, reunidos em assembleia, elegeram Sekuna, filho do Cherno Rachid, como seu sucessor. 

Exprimem todo o seu apoio e lealdade à Causa Nacional. Este mesmo facto é comunicado à Rep ACAP, para ser transmitido a Sua Excelência Comandante-Chefe. (...)

09Out73

(...) Esteve presente no Comando do Batalhão, a apresentar os seus cumprimentos de despedida, o Cherno Aliu Cham, da Rep Senegal., e que agradeceu todo o apoio prestado quando do falecimento do Cherno Rachid e todo o apoio sanitário que continua a ser dado em todos os postos fronteiriços da Rep Senegal.(...)


28Out73

(...) Processou-se o acto eleitoral  (*****) e iniciaram-se as festas do Ramadão, que trouxeram a Aldeia Formosa muita população de Buba, Nhala e Saltinho. (...)

(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, LG)
________________

Notas  do editor LG:

(*) Vd. poste de 23 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27564: (In)citações (283): Em louvor dos Postos Escolares Militares e do Cherno Rachide (Cherno Baldé, Bissau)

(***) Vd. poste de 23 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27565: Casos: a verdade... (61): Aldeia Formosa / Quebo é atacada ou flagelada pelo menos 7 veses em 1969 e 1971, em pleno consuklado Spinolista: em 7/3/69, 8/3/69, 21/3/69, 9/7/71, 11/7/71, 31/7/71, 12/8/71... E continuou a ser atacada ou flagelada em 1972... Faz sentido continuar a considerar o Cherno Rachid como um "agente duplo" ?

(****) Vd. poste de 27 de janeiro de 2010 > Guiné 63/74 - P5716: Morte e sucessão do Cherno Rachide, ao tempo do BCAÇ 4513, em Set / Out 1973 (Fernando Costa)

(*****) Recorde-se que em  28 de outubro de 1973 realizou-se, em Portugal, as últimas eleições legislativas sob a égide do Estado Novo. 

Acção Nacional Popular (ANP), partido único do regime "recauchutado" (sucessor da União Naci0nal), elegeu todos os deputados para a Assembleia Nacional (150), num escasso 1,4 milhóes de votos, enquanto a Oposição Democrática boicotou o processo, denunciando a falta de liberdade e condições para eleições sérias e justas, num contexto de crescente contestação política e social do regime.  Seis meses depois aconteceu o 25 de Abril de 1974. O Estado Novo caiu de podre, sem honra nem glória. A Assembleia Nacional foi imediatamente dissolvida.

Pelo "círculo eleitoral da província ultramarina da Guiné", e para a" XI Legislatura da Assembleia Nacional! foi eleitos dois deputados Leopoldino de Almeida e Benjamim Pinto Bull, com menos de 12,2 mil votos.

Por sua vez, o Ramadão de 1973 (ano 1393,  no calendário islâmico) começaria a 27 de setembro  (quinta-feira) e terminaria  a 26 de outubro de 1973 (sexta-feira). 

O Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã, foi celebrado a 27 de outubro de 1973. (A Guerra do Yom Kippur, também conhecida como a Guerra do Ramadão, começou a 6 de outubro de 1973, coincidindo com o 10º dia do Ramadão.)

O Eid al-Fitr marca o fim do jejum do mês sagrado do Ramadão.  É uma celebração de gratidão a Deus pela força para completar o jejum.  Centra-se muito na caridade (Zakat al-Fitr), no uso de roupas novas e em orações comunitárias logo pela manhã.

Náo confundir com o Eid al-Adha (Tabaski ou a "festa do carneiro", na Guiné-Bissau). Celebra a devoção de Abraão (Ibrahim) e o sacrifício de um cordeiro em lugar do seu filho. Quase todas as famílias que têm condições,  sacrificam um animal (geralmente um carneiro) e dividem a carne em três partes: uma para a família, outra para amigos e vizinhos, e outra para os pobres. Ocorre cerca de dois meses e meio após o fim do Ramadão.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Guiné 61/74 - P27472: Fotogaleria do José António Sousa (1949-2025), ex-sold cond auto, CCAV 3404 / BCAV 3854 (Cabuca, 1971/73): viagem de saudade em 2010 - Parte II: Passagem pelo Saltinho

 


Foto nº 9


Foto nº 10

Foto nº 11


Foto nº 12


Foto nº 13


Guiné- Bissau > Região de Bafatá > Saltinho> 2010 >  Ponte do Rio Corubal, rápidos do Saltinho e Pousada do Saltinho


Fotos: © José António Sousa  (2010). Todos os direitos reservados. (Edição e legendagem: Bogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)


1. Em 2010, takvez em março,  o José António Sousa (1949 - 2025), ex-sold cond auto, CCAV 3404/BCAV 3854 (Cabuca, 1971/73), voltou à Guiné (agora Guiné-Bissau), com mais um grupo de camaradas, entre eles  o Rogério Paupério.

Estamos a publicar algumas fotos, dispersas, sem legendas (data e local),  dessa viagem. Recuperámos a maior parte delas, disponíveis na sua página do Facebook.  

Infelizmente também não sabemos quem foram os seus companheiros de viagem, para além do Rogério Paupério. Presumimos que alguns fossem do Bando do Café Progresso, tertúlia portuense que o Zé António frequentava, a par da Tabanca de Matosinhos.

Fotos acima: na sua viagem,  de jipe, de Bissau até à região de Tombali (onde visitaram, pelo menos, Guileje e e o seu "núcleo museológico"), o grupo passou pelo Saltinho, em cuja pousada deve ter pernoitado.

(Revisão / fixação de texto, edição de imagem: LG)

_________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 28 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27471: Fotogaleria do José António Sousa (1949-2025), ex-sold cond auto, CCAV 3404 / BCAV 3854 (Cabuca, 1971/73): viagem de saudade em 2010 - Parte I: Regresso a Cabuca

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Guiné 61/74 - P27249: As nossas geografias emocionais (58): A Pousada do Saltinho ou "Clube de Caça", com ar de abandono, em maio de 2025 (João Melo, ex-1º cabo op cripto, CCAV 8351, "Os Tigres do Cumbijã", Cumbijã, 1972/74)



Foto nº 1 > Guiné-Bissau > Região de Bafatá > Saltinho > Antiga Pousada do Saltinho > Maio de 2025 > Quando por lá passou, há  4 meses, o João Reis deparou-se com este espetáculo deprimente... Ele era cliente desta unidade hoteleira desde que começou a ir à Guiné-Bissau, a partir de março de 2017. Encerrou, não se sabe porquê...



Foto nº  2> Guiné-Bissau > Região de Bafatá > Saltinho > Maio de 2025 > : Rápidos do Saltinho, uma das sete maravilhas do país.


Foto nº 3 >Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 25 de março de 2017  > Pousada do Saltinho... Diz o Paulo Santigao que .este edifício, quando quartel, "albergava arrecadação de material de guerra ,enfermaria e gabinete médico, bar e messe de oficiais e sargentos,secretaria,gabinete do comandante"

(...) "Saltinho seria dos poucos locais da Guiné onde o terreno era rochoso,impossível existirem valas naquele quartel.Assim,foram construídos abrigos em betão que funcionavam como casernas.Os oficiais e sargentos dormiam num abrigo que ficava junto da porta de armas. Os abrigos não estavam enterrados,tinham "seteiras" voltadas para o exterior. Havia dois grupos de combate em destacamentos um em Cansonco e outro em Sinchã Mamadu Buco.

"Quando em Março de 72,regressei ao Saltinho,  ido de Bambadinca, encotrei um notável melhoramento...O comandante proveta, da CCAÇ 3490, tinha inaugurado uma messe/ bar para oficiais, apenas três... Exilei-me na outra margem do rio no reordenamento, hoje chamado de Sinchâ Sambel"  (..:)


Foto nº 4 >Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 25 de março de 2017  > Pousada do Saltinho, antigo bar e messe de oficiais.


Foto nº 5 > Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 28 de março de 2019  > Pousada do Saltinho, antigo bar e messe de oficiais > Nas paredes inscrições de clientes, como o nosso camarada Silvério Lobo, de Matosinhos, que lá ficava todos os anos, até à pandemia... O João Melo, na foto, também lá deixou a sua assinatur, em 28/3/2019.


Foto nº 6 > Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 25 de março de 2017  > Pousada do Saltinho > "Boutique do Hotel" (inscrição na parede)


Foto nº 7  > Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 25 de março de 2019  > Pousadfa do Saktinho > Viosta sobre o início da Ponte e o rio Corubal


Foto nº 8 > Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 26 de março de 2017  > Rápidos de Cusselinta


Foto nº 9 > Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 25 de março de 2017  > Pousada do Saltinho > Emblema  da CCAÇ 2701 (1970/72)...


Fotos  nº 10 e 11  > Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 25 de março de 2017  > Pousada do Saltinho > Emblemas  da CCAÇ 2406 (19689/70) e CCAÇ 3490 (1971/74)


Foto  nº 12  > Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 25 de março de 2017  > Pousada do Saltinho > Monumento aos mortos da  CCAÇ 2406, "Os Tigres do Saltinho" (1968/70) e do Pel Çacç Nat 53 (1966/74)


Foto nº 13  > Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 25 de março de 2017  > Pousada do Saltinho > Monumento aos mortos:

  • CCAÇ 2406 / BCAÇ  2852 (1968/70): fur mil at inf Manuel F. S. Paulino  | sold at inf António B. Ferreira | sold  at inf Camilo R. Paiva | sold at inf Nelson M. João | sold António Teixeira | sold at inf Fernando P. Sequeira | sold at ifn Fernando S. Azevedo | sold at inf  Amílcar A. Domimgues;
  • Pel Caç Nat 53 (1972/74):  1º cabo  Fernando A. Alves C (?)

Fotos (e legendas): © João de Melo (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Na sua última viagem à Guinau-Bissau, em maio deste ano, a caminho do Cumbijã, o João Melo passou pelo Saltinho e deixou, na página do seu Facebbok (quinta feira, 31 de juhio de 2025, 12:56) uma emotiva recordação da Pousada do Saltinho, que ele encontrou fechada e com ar de abandono (*). 

Este unidade hoteleira era local de paragem  obrigatória para quem visitava a Guiné-Bissau e ia a caminho do Sul, região de Tombali (Quebo, etc.) mas também de Quínara (Buba, etc.). Eu próprio estive lá em 1/3/2008, a caminho de Guileje, no âmbito do programa social do Simpósio Internacionald e Guileje (Bissau, 1-7 de março de 2008) (**) 


Recorde-se que o João Melo (ou João Reis de Melo) foi 1º cabo op cripto, CCAV 8351, "Os Tigres do Cumbijã" (Cumbijã, 1972/74).  É profissional de seguros, vive em Alquerubim, Albergaria-a-Velha. Integra a Tabanca Grande desde 2009.

 
"Retalhos de uma passagem pela Guiné-Bissau" > Saltinho

por João Melo


Saltinho é, para quem foi militar e cumpriu o Serviço Militar Obrigatório na Guiné, um local onde existia um aquartelamento de militares portugueses que, além de patrulharem toda aquela área envolvente, faziam segurança à ponte General Craveiro Lopes (inaugurada no dia 8 de maio de 1955, pelo próprio, que era entáo preasidente da República),  e que une as margens do Rio Corubal entre as regiões de Bafatá, a norte, Quínara, a Oeste, e Tombali, a sul.

Saltinho, ou melhor os rápidos de Saltinho e Cusselinta, proporcionam uma paisagem de uma beleza invulgar e que são,  na verdade, várias piscinas naturais que se formam naturalmente no rio Corubal, com rápidos de rio que fazem minicascatas e zonas rochosas que formam piscinas naturais com uma temperatura muito convidativa e das quais já tive o privilégio de usufruir.

A zona onde fica a praia de Cusselinta, para além das piscinas naturais, tem uma belíssima praia de areia branca e muita tranquilidade que convida a que nos aventuremos num banho nessas águas,  caso se seja um nadador razoavelmente bom e sempre com companhia por perto.

Saltinho fica na Região de Bafatá e dista 175 Km da capital, Bissau. Mas o Saltinho, para todos aqueles antigos militares e amantes de caça que após a independência de 1974 para lá iam ou por lá passavam em visita aos locais onde estiveram em campanha, Saltinho era muito mais que isso! 

As antigas instalações militares que, entretanto, foram cuidadosamente mantidas e recuperadas para que servissem de apoio como “Pousada” aos caçadores que muito a solicitavam,  proporcionava também uma agradável paragem para uma boa refeição e descanso para posteriormente se seguir viagem. 

Fiz isso várias vezes e sempre com muito prazer. Existiu inclusive uma situação caricata – creio que em 2017 – quando seguia em mais uma jornada de “voluntarismo” para as Escolas de Cumbijã e a bordo do jipe do grande amigo Patrício Ribeiro. 

Estávamos sensivelmente a atravessar Matu du Cão, fiz um telefonema para a Pousada de Saltinho a avisar que tencionávamos almoçar lá e que poderiam contar com 6 pessoas. O diálogo, foi sensivelmente este:

– Bom dia! Estamos com intenção de aí ir almoçar. Pode ser?

 
– Está bem. E o que é que pretendem comer?

– O que é que poderá ser?

– Pode ser porco do mato. Serve?

– Certo. Pode ser.

Seguimos viagem já a “salivar”, a pensar nm o “banquete” que nos aguardaria. Como naquela altura as comunicações telefónicas estavam bem piores que hoje, pois eram poucos os locais onde se poderia ter rede telefónica, seguimos viagem e, quando estávamos a chegar a Bambadinca, o telefone toca e era da Pousada do Saltinho:

– Está? É que já tentámos ligar várias vezes, mas não deviam ter rede, e tínhamos que avisar de uma coisa…

– O quê?

–  É que mandámos o caçador para ir caçar um javali e ele não encontrou nenhum, mas abateu uma gazela. Podemos servir bifes de gazela???

– Claro que sim!...

Resumindo, foi uma gargalhada geral porque chegámos à conclusão de que o menu dependia muito mais da ocasião do que o pré-estabelecido!... O que foi ótimo!!! 

À chegada, lá estavam os deliciosos bifes de gazela,  acompanhados por arroz e batata frita. e, como “salada” umas belas travessas de mangos cortados às fatias. 

Para acompanhar,  e mediante a vontade de cada um, foram servidos (passe a publicidade) vinho branco verde Três Marias e umas cervejas Sagres geladinhas…

Mas… voltando à Pousada de Saltinho, quando lá passei em maio último, após várias tentativas de os contactar telefonicamente sem o conseguir, para avisar da nossa chegada, quando lá chegámos foi com muita tristeza que deparámos com as instalações abandonadas e já tomadas pelo mato!... 

Em resumo, aquele “oásis” com que podíamos contar, já foi tomado pela natureza e, com isso, nos privou de um apoio com que já contávamos.

Seria muito bom que aparecesse alguém com iniciativa hoteleira que pudesse reabrir aquele ícone do tirsmo da Guiné-Bissau que tanta falta nos faz…

Ficamos a aguardar por melhores dias… Seguem algumas fotos do “hoje” e do “ontem”…

(Revisão / fixação de texto, título: LG)


2. A Pousada do Saltinho - Caça e Pesca (também conhecida em 2008 como "Clube de Caça") pertence/pertencia a (ou é/era explorada por) uma empresa portuguesa, com sede em Loures, ACP - Artigos de Caça e Pesca Lda. O seu "site" já não está disponível (fomos recuperálo attarvésw do Arquivo.pt)


Não sabemos a história desta unidade hoteleira, que ocupou e recuperou as antigas instalações militares do Saltinho, e por onde passaram subunidades como a CCAÇ 2406, o Pel Caç Nat 53 (do nosso Paulo Salganho), a CCAÇ 2701, a CCAÇ 3490... 

Contactámos, hoje de manhã,  a empresa ACP - Artigos de Caça e Pesca, Lda. A resposta que nos foi  dada é que a gerência quer reabrir a Pousada do Saltinho lá para fevereiro de 2026...A pessoa com quem falei, confirmou que as instalações estar com um ar de abandono, ams o sequipamentios (ar condicionado, etc.) estão operacionais... Oxalá que sim.

No antigo "site", podia ler-se que "em 1997 a empresa foi constituída, dando seguimento ao que muitos já conheciam por Espingardaria de Loures, Loja de Comércio de Artigos de Caça, fundada por Fernando Caetano em 1981."







Pelo vi na sua página, a Pousada está aberta no tempo seco (entre 1 de fevereiro e 30 de junho). Reproduz-se abaixo o texto promocional (a título meramente informatrivo):


Entre 1 de Fevereiro e 30 de Junho venha caçar connosco!


A POUSADA DO SALTINHO, unidade Hoteleira situada a sul de Guiné Bissau a 50m do Rio Curbal (sic), onde se pode desfrutar de um ambiente calmo e paradisíaco, com Quedas de Água onde se pratica o Jakusi (sic) natural e se desfruta de uma paisagem deslumbrante com todos os atributos que caracterizam o Continente Africano.

Este complexo foi criado para que todas as expectativas dos nossos visitantes sejam correspondidas e o tempo passado na Pousada provoque o desejo de regressar.

Nesta Pousada contamos com habitações equipadas de casa de banho e ar condicionado, restaurante (com refeições típicas do País e típicas da cozinha portuguesa), Bar e esplanada com serviço de Bar.

Actividdes (Passeios e caçadas)

Passeio Fotográfico

Passeio fotográfico onde se poderá ver várias espécies de animais como os flamingos, piriquitos e muitas outras espécies em estado selvagem, sempre acompanhado de um fundo paisagístico fascinante. A cultura e o conhecimento de cada visitante é engradecido ao contactar com os Nativos e conhecer diferentes Etnias e formas de vida muito próprias.Pesca

Para os amantes da pesca, propomos jornadas de pesca tanto no Rio Curbal, como no Rio Grande de Buba e a mais fascinante oportunidade de pescar no Mar dos Bijagos onde se pode pescar entre outras espécies:
  • Lírios
  • Garopas
  • Barracudas
  • Espadartes
  • Pargos

Os transportes são assegurados em veículos todo-o-terreno e todos os grupos são livres de expôr as suas ideias relativamente à vontade de conhecer ou recordar, sendo devidamente acompanhados nas suas visitas.

Caça menor:

Propomo-nos a efectuar jornadas de caça memoráveis.
  • Rolas (diferentes tipos)
  • Chocas "Perdizes"
  • Pombos verdes

Caça Maior:

Caça maior de perseguição com guia qualificado que tem como principais presas:
  • Gazelas
  • Hienas
  • Fococheros
  • Porcos Espinhos
  • Cabras de Mato
  • Lebres
(Não há indicação de preços)

____________________

Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 16 de agosto de 2025> Guiné 61/74 - P27123: As nossas geografias emocionais (57): EUA, Flórida, Key West: passei à porta do José Belo, meu camarada (António Graça de Abreu, Cascais)