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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27728: Fotos à procura de... uma legenda (198): Restos da "batalha de Madina do Boé"...




Guiné-Bissau > Região de Gabu > Picada de Cheche-Gabu > 1998 > Trinta anos depois ainda eram vísiveis (e chocantes) os sinais das emboscadas e das minas que fizeram do triângulo do Boé (Cheche, Beli e Madina) um verdadeiro cemitério para os homens e as suas máquinas...

No dia 6 de fevereiro de 1969, ficaram lá, sepultados para sempre, pelo menos 47 camaradas nossos, 19 da CCAÇ 2405 e 28 da CCAÇ 1790.

Fotos (e legenda): © Francisco Allen / Albano M. Costa (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Guiné > Região de Gabu > Picada Cheche - Madina do Boé > Op Mabecos Bravios > A caminho de Madina do Boé > 3 de fevereiro de 1969 > Viaturas das NT  (Mercedes), abandonadas em colunas anteriores.


Guiné > Região de Gabu > *Picada Cheche. Madina do Boé > Op Mabecos Bravios > A caminho de Madina do Boé > 3 de fevereiro de 1969 > Viaturas das NT  (Mercedes), 
abandonadas em colunas anteriores.


Guiné > Região de Gabu > Picada Cheche. Madina do Boé  > Op Mabecos Bravios > A caminho de Madina do Boé >  3 de fevereiro de 1969 > Viatura das NT abandonada (Berliet)

Fotos do álbum do cor inf ref Hilário Peixeiro, que foi capitão no CTIG, cmdt da CCAÇ 2403 / BCAÇ 2851 (Nova Lamego, Piche, Fá Mandinga, Olossato e Mansabá, 1968/70), e que participou na Op Mabecos Bravios (retirada de Madina doo Boé, 2-7 de fevereiro de 1969).

Fotos (e legendas): © Hilário Peixeiro (2011). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Guiné-Bissau > Região de Gabu > Sector de Boé > 1 de julho de 2018 > Caminhos do Boé, com colinas ao fundo, no regresso a Canjadude e a Gabu (antiga Nova Lamego). Para o Cherno Baldé, "a região, com as suas mil e uma colinas, é simplesmente, a região mais bonita do pais" (**) 

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2018) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. A estrada Nova Lamego - Canjadude - Cheche - Madina do Boé foi um cemitério de viaturas das NT. Não sabemos quantas lá ficaram abandondas. Talvez duas ou mais dezenas, 

Enquanto houve guarnições nossas no triângulo Béli, Cheche e Madina do Boé, faziam-se em geral 2 colunas por mês, durante a época seca, para abastecer o pessoal que defendia aquelas posições a sudeste, junto à fronteira com a Guiné-Conacri (**).

Minas, emboscadas, flagelações, ataques... eram frequentes. Tornou-se um pesadelo aguentar aquelas três guarnições. Praticamente desde o início da guerra.

Até que foi dada ordem para desactivar e retirar Beli (logo em meados de 1968) e depois Madina do Boé e Cheche (em 6/2/1969). 

Canjadude (CCAÇ 5, "Gatos Pretos", 1968/70), a sul de Nova Lamego, passou a ser a guarnição no Sector L3, a par de Cabuca (a leste), mais próxima da nova linha de fronteira, o rio Corubal.

Quem fez esta estrada, e sobretudo o troço Cheche-Madina do Boé, no âmbito da Op  Mabecos Bravios, como os nossos camaradas e grão-tabanqueiros Hilário Peixeiro (CCAÇ 2403) e Paulo Raposo (CCAÇ 2405), é que pôde  testemunhar, para a posteridade, que a zona do Boé era nessa altura um "pequeno" emitério de viaturas.  O Paulo Raposo contou 15.  O Hilário Peixeiro  fotografou algumas viaturas abandonadas na bermas da picada.  

O nosso saudoso Xico Allen (1950-2022), quando por lá andou em 1998, ainda apanhou algum do "ferro-velho" da guerra.

2. A retirada de Madina do Boé era inevitável?, perguntarão alguns leitores.  Já estava prevista: a sua defesa era, a prazo, insustentável do ponto de vista sobretudo logístico, financeiro, humano, psicológico e até militar (***).  

A alternantiva era construir-se uma "grande base" no Cheche, na margem norte (direita) do rio Corubal... Mas depois deste desastre, toda a gente, a começar pelo próprio Com-Chefe e Governador, António Spínola, ainda brigadeiro, quis esquecer o desastre de Cheche e ultrapassar o trauma...

Em último caso, continuaria a fazer-se a "retração do dispositivo"... E, para defender as "joias da coroa" (que eram Angola e Moçambique), o chefe do Governo, Marcelo Caetano, estaria na disposição de lançar aos cães o "osso" da Guiné.

Deu-se o "ouro ao bandido"?... O PAIGC, sem ter dado um único tiro em 6/2/1969, foi um "claro vencedor" da "batalha de Madina do Boé".  

Batalha que, acrescente-se, não tem qualquer paralelismo, nem de longe nem de perto, com a batalha Dien-Bien-Phu (na guerra da Indochina, de 13 de março a 7 de maio de 1954: recorde-se que após oito semanas de duros combates, as tropas do Viet Minh, com cerca de 80 mil homens, apoiados pela China, cercaram o campo fortificado de Dien-Bien-Phu, sofrendo 7,9 mil 900 mortos e 15 mil feridos, mas vencendo as tropas da União Francesa; entre os franceses, houve 2293 mortos e 5193 feridos, além de 11 721 soldados feitos prisioneiros (a maioria dos quais não sobreviveu a um brutal cativeiro, tendo sido repatriados apenas 3290 homens) (Fonte: Wikipedia).

Habilmente, e como seria de esperar, o PAIGC declarou o Boé como "área libertada", mesmo sem qualquer população, a não ser as escassas centenas de chimpazés e uns tantos solitários e sazonais elefantes, que utilizavam um corredor transfronteiriço...  

E passou a usar o Boé  como trunfo propagandístico, diplomático e até militar.  Em contrapartida, não havendo quartéis portugueses, o Amílcar Cabral perdeu porventura uma fonte dos seus belos prazeres, que era ver de binóculos, da sua colina favorita, o ataque à canhoada a Madina do Boé.

Morto o líder histórico, o PAIGC iria proclamar a independência unilateral da Guiné-Bissau,  quatro anos e meio depois, alegadamente em 24 de setembro de 1973, ainda em plena época das chuvas, e "algures" no Boé ou "nenhures" (mais provavelmente já no território da Guiné-Conacri, embora não haja ainda "provas concludentes", mas a fronteira era porosa, como se sabe).

Mais tarde, o PAIGC arranjaria outros topónimos menos polémicos,  ou mais "exóticos" mas "pacíficos": Lugaloje,  Vendu Leidi, Orre Fello... (que ninguém sabe,  mesmo na Guiné-Bissau, e a começar pela gente de Bissau, onde ficam, tirando talvez alguns "tugas", Médicos Sem Fronteiras, etc...). 

É  de notar: o PAIGC, ao que se saiba, não convidou nenhum jornalista independente (tirando uma equipa de cinema sueca). Não há "provas concludentes" de que o local onde onde nasceu a nova pátria, tenha sido o coração do  Boé. Nessa época não havia georreferenciação. Mas nem eram precisas as coordenadas do GPS, para as Nações Unidas aceitarem como "mais do que credível" e consumado o "facto histórico", e carimbarem o nascimento da nova Nação lusófona...

Em Madina do Boé é que nunca foi, apesar da narrativa algo triunfalista e mistificadora do PAIGC na época. 

Durante décadas muita boa gente, portuguesa e estrangeira, aceitou de "boa fé" (como eu, em 1973...) este embuste do partido de Luís Cabral, Aristides Pereira e 'Nino' Vieira.

Pena é que estas  e outras fotos não pudessem circular livremente pelas mãos dos portugueses, nessa época... As nossas mãezinhas, que nos pariram, deviam ter pelo menos o direito de saber por onde é que os desgraçados dos filhos andavam, na Guiné...
_______________

Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 7 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27711: Fotos à procura de... uma legenda (197): Qual o comprimento e o peso desta píton-africana (ou "irã-cego") apanhada na região de Quínara ? (Boaventura Alves Videira, CCS/BCAÇ 1861, Buba, 1965/67)

(**) Vd. poste de 21 de julho de 2018 > Guiné 61/74 - P18863: Bom dia, desde Bissau (Patrício Ribeiro) (8): Os meus passeios pelo Boé - Parte II: 1 de julho de 2018: Béli (e a Fundação Chimbo Daribó), Dandum, Madina do Boé, Canjadude...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27720: Casos: a verdade sobre... (63): o "cemitério de Cheche"

Foto nº 1A, 1B, 1 > Guiné > Região do Boé  >  "Cemitério à beira do Rio Cheche" (sic)... Estranha (e perturbante) foto do Arquivo Amílcar Cabral, sem legenda nem uma data precisas (1963-1973)... Estas cruzes só podem ser de militares portugueses, mortos por afogamento na travessia do Rio Corubal, em Cheche, em 6/2/1969... Devem ser captadas por gente do PAIGC.  Parecem ser 11 campas improvisadas, 8 assinaladas com cruzes de ferro e 3  em madeira.

Fonte: Instituição:Fundação Mário Soares e Maria Barroso | Pasta: 05360.000.124 | Título: Cemitério à beira do rio Cheche | Assunto: Cemitério à beira do rio Cheche, Guiné-Bissau | Inscrições: Cheche. | Data: 1963 - 1973 | Fundo: DAC - Documentos Amílcar Cabral | Tipo Documental: Fotografias |

(1963-1973), "Cemitério à beira do rio Cheche", Fundação Mário Soares / DAC - Documentos Amílcar Cabral, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_43446 (2026-2-9)
Foto nº 2 > Guiné > Região do Boé  > Cheche > Parecem ser restos do destacamento de Cheche, abandonado pelas NT em 6/2/1969, aquando da retirada de Madina do Boé.  A sua missão era proteger a jangada que fazia a cambança do rio Corubal. Ficava na margem esquerda. Chegou a lá haver uma pequena povoação.

Instituição: Fundação Mário Soares e Maria Barroso | Pasta: 05360.000.251 | Título: Depósito de combustível, em Cheche | Asunto: Depósito de combustível, em Cheche, localidade junto ao Rio Corubal. | Inscrições: Cheche | Data: 1963 - 1973 | Fundo: DAC - Documentos Amílcar Cabral | Tipo Documental: Fotografias

(1963-1973), "Depósito de combustível, em Cheche", Fundação Mário Soares / DAC - Documentos Amílcar Cabral, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_43064 (2026-2-7)



Guiné > Região de Gabu > Carta de Jábia (1961) > Escala 1/50 mil > Posição relativa de Ché Ché, na margem esquerda do Rio Corubal.  (Habituámos-nos a a grafar o topónimo como "Cheche". Mas na carta de Jabiá vem Ché Ché.)

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)


1. Ao que parece não foram resgatados nenhum corpos das 47 vítimas, por afogamento, na travessia do rio Corubal, em Cheche, na manhã,  de 6/2/1969, quinta feira. Foi a última travessia efectuada. A coluna (5 dezenasd de vituras) seguiu para Nova Lamego:

(...) " O Comandante da Operação  [cor inf Hélio Felgas] não permitiu que as duas Companhias [CCAÇ 1790 e CCAÇ 2405] permanecessem no Ché Ché para tentarem recuperar o maior número de corpos possíveis, seguindo por isso logo para Nova Lamego" (...).(*)

O cor inf Hélio Felgas, mais tarde, em 1995, já brigadeiro na reforma, escreveria:

(...) Aguardámos horas, com o helicóptero sobrevoando o local na esperança de localizar alguns dos desaparecidos. Dois ou três bons nadadores também mergulharam na zona onde acorrera o acidente. Nada foi encontrado.(...) (**)

No dia 20, quinta feira, duas semanas depois depois (!),  é que alguns corpos (11)  serão  resgatados a  jusante: a dúvida é saber exatamente em que local do rio.

No dia 20 de fevereiro de 1969, uma equipa de mergulhadores-sapadores da armada, após várias operações de busca, a cerca de 400 m a  jusante do local do acidente,  terão conseguido resgatar  os restos mortais de 11 militares (de resto, irreconhecíveis)

Outra dúvida: teriam sido, ou não, seguidamente helitransportados para Bissau e sepultados no cemitério municipal, no talhão dos combatentes ? Ficaram as cruzes e levaram os restos mortais dos nossos camaradas  ? Não nos parece. Os corpos deviam estar em adiantado estado de putrefacção.

E já agora: porquê 8 cruzes de ferro e 3 de madeira ? Teriam sido trazidas de Bissau, obviamente, as cruzes de ferro (que são do mesmo modelo das  usada no talhão dos combatentes portugueses,  no Cemitério Municipal de Bissau). E essas só podem ter sido colocadas pelas NT.

As cruzes de madeira temos que admitir que tenham sido improvisadas por gente da população local, fula, que conheciam os "tugas" antes da independência. De qualquer modo,  a foto  nº 1 tem se ser da época do acidente (1969). O Arquivo Amílcar Cabral só contempla imagens e outros documentos com datas até 1973 (ano da morte de Amílcar Caberal). Por outro, é de todo improvável  que estass inprovisadas e precárias  sepulturas tenham sobrevido às cheias que vieram logo a seguir, na época das chuvas de 1969.


Guiné-Bissau > Bissau > Cemitério Municipal > Talhão Militar Central > Abril de 2006 > Monumento que celebra os soldados portugueses, mortos nas diversas "campanhas de pacificação" da Guiné, desde a Campanha do Geba (1890) à Campanha do Cuor (1907/08), passando pelas Campamhas do Oio e Bissorã (1913), onde se destacou o Capitão Diabo, Teixeira Pinto. Este cemitério tem três talhões, reservados aos combatentes portugueses mortos em campanha).

Foto ( e legenda): © Hugo Costa (2006).Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Mais provável é que que  o brigadeiro  Spínola (acompanhado de um  capelão de Bissau) tenha  assistido a esta delicada operação, como de resto era sua intenção,  operação que foi enquadrada por fuzileiros especiais e terá tido forte apoio aéreo.

Estas 11 cruzes da foto nº 1 vêm baralhar a nossa narrativa, também por causa da sua localização...  A foto do Arquivo Amílkcar Cabral tem como legenda: 

"Cemitério à beira do Rio Cheche" (sic).

Ora, não há nenhum rio Cheche, perto do local onde se deu o acidente. Há vários afluentes do rio Corubal, a montante e a jusante de Cheche (vd. carta de Jábai): o mais perto, é o rio Campossabane, a 600 metros,  a montante; a jusante, temos o rio Cambengoi (ou Cambengol), a 3,5 km;  o rio Canchã, a 7,5 km; e o rio Ché Ché Piri, muito mais longe, depois de várias curvas e contracurvas  do Corubal (vd. carta de Padada). Todos afluentes deste.

As cruzes foram colocadas pelos fuzileiros que terão recuperam alguns corpos, no dia 20 de fevereiro de 1969. Irreconhecíveis.

 A legenda deve, pois, estar errada. O rio Ché Ché Piri, afluente do Rio Corubal, ficava a jusante do local da tragédia, uns largos quilómetros abaixo. 

A seguir a Ché-Ché, uns 4 km, no sentido jusante, o rio Corubal fazia uma curva de 90 graus. A corrente deve ter arrastado os corpos. As margens aqui eram altas, cota 40/50. Estamos na época seca, o rio tem muito menor caudal, mas mesmo assim  a corrente era forte, segundo os testemunhos da época.


Guiné > Região de Gabu > Carta de Padada (1959) > Escala 1/50 mil > Posição relativa de Burmeleu, do  rio Ché Ché Piri, e de um troço do rio Corubal,  largos quilómetros a jusante do antigo destacamento de Ché Ché (na estrada Nova Lamego - Madina do Boé)

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)


De qualquer modo, esta foto deve ter sido tirada por alguém do PAIGC e enviada para Conacri. É a única referência (mesmo que indireta) que encontrei, no Arquivo Amílcar Cabral, a esta brutal tragédia que nos enlutou.

Há cinco referências a Cheche  (topónimo) no Arquivo Amílcar Cabtral:
  • as duas que publicamos acima (fotos nºs 1 e 2);
  • e, por fim, uma mensagem urgente do Secretário Geral, para o Boé, com data de 29 de janeiro de 1971, com informações sobre "uma grande ofensiva militar portuguesa no Boé (concentração das forças inimigas em Cheche)", solicitando-se ao Humberto e ao Silvino preparação cuidadosa da defesa da região e ligação permanente com o Secretariado Geral.
O erro no título ("Cemitério à beira do Rio Cheche" também pode ser imputado, eventualmente, aos ténicos da Fundação Mário Soares que trataram o Arquivo Amílcar Cabral. Mas inclinamo-me mais para a hipótese de ter sido legendada por gente do PAIGC, que conhecia mal o nome dos rios naquela zona. 

O António Rosinha reconheceu o local, onde esteve em 1986: ficaria a " montante da jangada menos de 100 metros na margem esquerda do rio" (!)... e não a jusante, como imaginávamos nós...(afinal, todos os rios correm para foz).

A haver ali um rio era o  o rio Campossabane, a montante,  a meio quilómetro de Cheche (segundo a carta de Jábia).  

2. Já tínhamos publicado em tempos esta foto (nº 1) que mereceu diversos comentários de dois  camaradas que conheceram a zona (*)

De qualquer modo, Cheche era  passagem obrigatória para quem vinha de Nova Lamego até Madina do Boé (e Guiné-Conacri) passando por Canjadude, sede da CCAÇ 5 (Os Gatos Pretos, a que pertenceu o fur mil trms José Martins, 1968/70). 

E a verdade é que ainda hoje não há ponte nenhuma, ali, no Cheche, para facilitar as comunicações com  o país vizinho. E, se calhar ainda bem (por razões ambientais).

(i) O nosso camarada José Martins pode esclarecer-nos melhor sobre onde terá sido tirada a foto.

(...) Esta foto, para mim, não é só surreal como ofensiva. A zona de Burmeleu, a jusante do Cheche, não tem as margens como a imagem sugere.

A tragédia ocorreu no rio Corubal e não no Rio Ché Ché Piri. Acho muito estranho que os militares do PAIGC, mesmo depois da independência, fossem retirar cruzes das campas dos militares portugueses, para as colocar ali.

Alguns corpos foram recolhidos por guineenses, mas não prestariam esta homenagem, até porque ocuparam o espaço de cemitérios com novas moranças, como se viu em reportagens televisivas, na zona de Bafatá. (...)

(ii) O Antº Rosinha que foi cooperante na Guiné, como topógrafo, depois da independência,  conheceu o local (em 1986):

(...) penso que aquele lugar fica a montante da jangada menos de 100 metros na margem esquerda do rio.

Evidentemente que ali não há cemitério nenhum. Pode ter havido ali algum tipo de cerimónia de militares nas margens do rio, como se costuma fazer de pôr uma cruz e flores à beira da estrada onde morre de acidente um familiar.

Aquele rio chega, ou chegava quando a Guiné estava mais longe do deserto que é hoje, a ter cheias em que esse lugar está debaixo de água.

Este acidente deu-se no tempo seco, e as chuvas começam em maio /junho (e vão até outubro/novembro),.

Ali é difícil o acesso às margens junto à agua, devido aos grandes arbustos que se debruçam sobre a água, e aquele lugar (que é igual àquele que eu penso) é alcantilado (arriba) mas sem os tais arbusto fechados.

Conheço bem o lugar, porque trabalhei como cooperante das Obras Públicas vários dias a tentar pôr aquela jangada e seus acessos funcionais, em 1986.(...)


(Não sei se é verdade tudo o que eu digo, mas o que digo é apenas o que vejo)

A imagem que se consegue ver no Google é apenas em cheias, pelo que não se vê este pormenor da margem que eu digo.

Mas a foto ou foi tirada de canoa ou de algum bote de fuzileiros, pois como se vê aquilo é uma arriba de dificil acesso, mesmo para uma foto, quanto mais para fazer sepulturas.

Em arribas não se fazem cemitérios, embora lá se encontrem dinossauros.

Contemos a história, e em memória dos que morreram, mesmo sem pôr cruzes, afirmar que não foram eles os culpados de haver tantos guineenses junto ao arame farpado de Ceuta. (...)

sábado, 6 de fevereiro de 2016 às 11:20:00 WET

Enfim, fica aqui o desafio aos nossos leitores para trazerem novos contributos para o esclarecimento deste "misterioso cemitério de Cheche"(***). 


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Guiné 61/74 - P26466: Efemérides (449): Aos 47 mortos da Op Mabecos Bravios (Cheche, 6 de fevereiro de 1969): a minha homenagem (Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)



Guiné > Região de Gabu > Carta de Jábia (1961) > Escala 1/50 mil > Posição relativa de Ché Ché, na margem esquerda do Rio Corubal.


Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2025)



Virgílio Teixeira
1. Homenagem do Virgílio Teixeira, aos militares mortos na travessia em jangada do Rio Corubal, no aquartelanmento de Cheche, na sequência da retirada de Madina do Boé (Op Mabecos Bravios, comandada pelo cor inf Hélio Felgas, cmdt do Cmd Agrup 2957, Bafatá).

 Porque faz hoje 56 anos dessa trágica ocorrência (*), não posso esquecer os valorosos militares da CCAÇ 1790/ BCAÇ 1933, bem como da CCAÇ 2405 / BCAÇ 2852, além de um guia nativo, perfazendo um total de 47 vítimas. 

Chamaram acidente! Porque não mortos em combate ?!

A verdade morreu na praia, nunca ninguém foi acusado e deve haver alguém muito culpado. Não éramos uma tropa amadora.

 Esta mensagem singela  é só para lembrar este nefasto acontecimento. Onde quer que vocês estejam, camaradas, saibam que aqui na terra dos vivos há sempre akguém que vos não esquece.
 
Obrigado pela vossa dedicação a esta causa perdidas nas entranhas da política.

Eu vivi algum tempo com os quadros da CCAÇ 1790 do meu BCAÇ 1933,

Viva Portuugal

6 de fevereiro de 2025

Virgílio Teixeira,

 ex-alf mil SAM, BCAÇ 1933 (1967/69) (*)

2. Nota do editor LG:

É importante lembrar esta trágica efeméride, e as suas vítimas inocentes. Infelizmente, não há dados novos para aprofundar o nosso conhecimento deste dossiê da nossa guerra, que continua por fechar... 

A culpa morreu solteira, como noutros "desastres" de guerra... "Desastre" é sempre um eufemismo. A verdade é que estes nossos camarada não morreram por ação direta do inimigo, pelo que sabemos das "crónicas" da época e dos testemunhos dos sobreviventes, como por exemplo o nosso grão-tabanqueiro Rui Felício, ex-alf mil, cmdt do 3º Gr Comb, CCAÇ 2405 / BCAÇ 2852 (Dulombi, 1968/70).

Virgílio, fizeste bem em lembrar esta efeméride. Foram 47 camaradas que morreram pela Pátria, mas não estão na lista dos heróis... Quem se lembra deles, 56 anos depois  ? Nós e os seus familiares e amigos... A vida continua, a Pátria continua... E alguém sabe lá onde era esse sítio de cambança do Rio Corubal, que uns chamavam Cheche, outros Ché-Ché... (não "cheché"). (Na carta de Jábia, o cartógrafo grafou "Ché-Ché" e a gente devida seguir a carta...).

Sobre  a Op Mabecos Bravios, e mais especificamente sobre o desastre do Cheche, temos algumas dezenas de referências:


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Notas do editor:

(*) Último poste da série > 23 de janeiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26415: Efemérides (448): o ataque a Tite, em 23 de janeiro de 1963, há 62 anos, na versão do Arafan Mané (1945-2004), um "cabra-macho" de 17 anos que, com outros ainda mais novos (Malan Sanhá, 1947-1978), deu o primeiro tiro simbólico de um guerra estúpida e inútil (Luís Graça / José Teixeira)
 
(**) Vd, também poste de 6 de fevereiro de 2022 > Guiné 61/74 - P22974: In Memoriam (426): Paz para a alma de todos os nossos camaradas que morreram no desastre de Cheche, faz hoje 53 anos...Foram 47 vidas ceifadas na flor da idade... Estupidamente!... (Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS / BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Guiné 61/74 - P25959: Verão de 2024: Nós por cá todos bem (13): no rio Corubal, na travessia para o Cheche (e Madina do Boé), que agora tem jangada nova... (Cherno Baldé / Valdemar Queiroz "Embaló")





Guiné > Região de Gabu >  Rio Corubal >  15 de setembro de 2024 >  Travessia  para o Cheche, na margem esquerda > A jangada (que não havia em 1969)

Foto (e legenda): © Chern0 Baldé (2024). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]






Valdemar Queiroz "Embalõ" , ex-fur mil art, CART 2479 / CART 11 (Contuboel, Nova Lamego, Canquelifá, Paunca, Guiro Iero Bocari, 1969/70) (o "Embaló" é um #"nickname", uma alcunha carinhosa, que o Cherno Baldé lhe pôs em tempos, pela tua forte ligação aos fulas)


Cherno Baldé, o "nosso correspondente" em Bissau
 (tem 303 referências no nosso blogue)


Data - quarta, 18/09/2024, 21:55 
Assunto - Guiné, travessia para Che-Che


Luís, nova jangada a sério,  da travessia do Rio Corubal para o Cheche.

Por que razão  a nossa Engenharia não "produziu" uma jangada como esta ?  Não teria havido aquele desastre com dezenas de mortos na evacuação de Madina do Boé, Beli e Che-Che.

Esta foto foi-me enviada pelo Cherno Baldé numa viagem que fez a Madina.

Valdemar



Guiné-Bissau > Região de Gabu > Rio Corubal > Rampa de acesso ao outro lado do rio, Cheche  > 21 de abril de 2021 > Acidente com a jangada: queda de um camião ao rio, ao entrar na jangada, do lado de Béli.  Trânsito interrompido dos dois lados.


Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2021). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Guiné-Bissau > Região do Boé > Rio Corubal > 30 de junho de 2018 > Rampa de acesso, do lado do Gabu, na margem norte (d ireita).



Guiné-Bissau > Região do Boé > Rio Corubal > 30 de junho de 2018 >  Rampa de acesso, na margem direita; lavadeiras. Em 6/2/1969, o destacamento de Cheche ficava na margem sul (esquerda)


Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2018) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Guiné > Região de Gabu > Carta de Jábia (1961) > Escala 1/50 mil > Posição relativa de Ché Ché, na margem esquerda do Rio Corubal. 

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné


2. Comentário do editor LG:

Valdemar e Cherno, obrigado pela foto. Nunca lá estive, e apesar das inúmeras fotos que temos publicadas no blogue, sobre este lugar que nos traz trágicas memórias, às vezes também eu faço confusão:   a rampa, mostrada nas fotos acima,  fica na margem  direita do rio Corubal; Cheche, onde até à retirada de Madina doo Boé, em 6 de fevereiro de 1969, havia um destacamento militar, ficava na margem esquerda, como de resto bem documena a carta de Jábia (1961).

Portanto, está correta a tua legenda:  a jangada que faz a travessia do Rio Corubal para o Cheche, ou seja de norte para sul, da margem direita para a margem esquerda.

Obrigado, Cherno, pela tua lembrança. Pode não ser verão aí  (é ainda tempo das chuvas), mas não se está mal por essas bandas, no rio Corubal, para mais com uma "jangada nova" que não vai ao fundo...

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Nota do editor

Último poste da série > 13 de setembro de 2024 > Guiné 61/74 - P25939: Verão de 2024: Nõs por cã todos bem (12): ...menos as andorinhas, vítimas dos "ocupas", as abelhas asiáticas e os javalis, predadores! (Luís Graça, Tabanca de Candoz)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Guiné 61/74 - P24062: Notas de leitura (1554): Uma safra de leituras, sábado na Feira da Ladra, em tempos de pandemia (3) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 1 de Junho de 2020:

Queridos amigos,
A viagem do olhanense João Peres à Guiné é um testemunho afetivo que nos embala a memória. Viajou com o Núcleo de Olhão da Liga dos Combatentes, chocou-lhe aquelas estátuas dispersadas, depositadas a esmo na fortaleza de Cacheu, como se não fossem resquícios de uma memória comum, nenhuma nação pode vicejar sem memória e o relacionamento com Portugal não se pode rasurar. Conversou com imensa gente, de todas as idades, de todas as profissões, é comedido no seu desapontamento com o estado lastimável em que encontrou a Guiné. Mas é aquele povo que não se rende às diabruras do destino que o empolga a todo o instante, veja-se o que ele escreve de um médico carinhoso, de um produto de bananas, das fainas dos pescadores Felupes, são retratos admiráveis, vão do coração dele para o nosso. É este o significado de tais retratos, singelos e só comprometidos com o afeto inabalável.

Um abraço do
Mário



Uma safra de leituras, sábado na Feira da Ladra, em tempos de pandemia (3)

Mário Beja Santos

Este livro intitulado "Retratos" tem como autor João Peres, terá sido autarca em Olhão, chefiou à Guiné uma delegação do Núcleo de Olhão da Liga dos Combatentes, esta sua obra espelha a sua atração pelo feitiço africano, será este o primeiro livro do autor, no escaldo de uma viagem de saudade. Na ficha técnica ficamos a saber que a edição é de 2011, João Peres é natural de Olhão, bancário aposentado, ex-autarca e colaborador do jornal "O Olhanense".

Enceta o seu caderno de retratos com uma síntese da história da Guiné. Fala-nos da jangada de Ché-Ché indispensável para a travessia do Corubal, conta a história de Bubacar que chegou a conhecer a jangada no tempo da guerra, agora é ele que cuida dela, limpa filtros, aperta a cabeça do motor, tem muitas histórias para contar, naquela jangada já mulheres deram à luz. “Ganha para comprar uma saca de arroz para o mês, com o pouco que sobra compra sal, açúcar, óleo e café. No dia de folga, vai à pesca com rede, apanha peixes e camarão. A jangada, a tabanca e a família são a sua vida. O sol muito vermelho dá-lhe sinal de que está na hora, é a última viagem naquele dia. Amanhã, bem cedo, vai verificar o óleo, o combustível, antes de pôr o motor da jangada a trabalhar”.

E prosseguirão as histórias, a de Armando Ernesto Gomes, o Tio Bill, escapou aos acontecimentos da carga no Pidjiquiti em 3 de agosto de 1959, ele é o presidente da Associação dos Marinheiros. “Caminha pelo cais como se a sua vida tivesse sido passada quase naquele local. Está velho e cansado. Sonhou com um país independente, mas que ficou muito aquém pela falta de desenvolvimento”. Segue-se a história de Lumumba, que aos 18 anos ingressou no Exército Português. Quando se avizinhou a independência da Guiné-Bissau, receando represálias, foi para o Senegal, onde trabalhou alguns anos. Depois voltou à Guiné, tornou-se num construtor naval. E temos Ocante Dju, garoto de 10 anos que vive no Interior, onde a escola ainda não chegou. Ajuda o pai na pesca, já sabe escalar o peixe, tirar-lhe as vísceras, salpicá-lo de sal e pô-lo ao sol. “Não sabe ler, se calhar não vai ter oportunidade, ignora que noutros países as pessoas têm água canalizada, energia elétrica. Ocante sem ter acesso a tudo isto é feliz no seu mundo”. Ana Maria é uma linda rapariga, a sua mãe, durante a guerra, relacionou-se com João Pedro, natural de Guimarães. Maria ficou grávida nos últimos meses da comissão de João Pedro. Sempre que encontra portugueses segreda-lhes que o seu pai é português. Apesar de todas estas adversidades, é uma mulher batalhadora, ainda acredita que o pai venha de Guimarães reconhecê-la como filha.

Mário Andrade é guineense, estudou num seminário em Portugal, foi sacerdote no Minho, em Bissau ficou às ordens do bispado. Elaborou um projeto para visitar as populações do país. Dividiu a área territorial em setores, quantificou o tempo e custos por cada a ser visitado, era um projeto em que ele propunha o apoio de Portugal para haver vacinas e pessoal de enfermagem. Tempos depois foi chamado pelos seus superiores, era-lhe confiada a missão de evangelização, ajuda humanitária e vacinação.

Nestes retratos de João Peres ganham relevo os agricultores, mulheres grandes, há Cissoco, artista plástico e pedreiro, esteve a trabalhar em Bafatá, visitou a casa onde nasceu Amílcar Cabral e pensou em fazer vários desenhos, pediu ao governador algum material e deixou trabalho plástico, é homem de sonhos, gostaria de ver transformada esta casa onde nasceu Amílcar Cabral num museu. Há também Cassamá que é professor primário, colabora com a cooperação portuguesa. João Peres visitou Madina do Boé, conversa com enfermeiras, taxistas, velhos artesãos, criadores de gado, velhos combatentes do PAIGC e outros aliados dos portugueses, há também curandeiros, pescadores Felupes, produtores de banana, jornalistas, fala-se do Islão, do desporto, da dança, de Amílcar Cabral e de Spínola.

Alguém o tocou muito, Paulo Mendes, um médico que tirou o curso na Universidade de Coimbra. Faz do hospital a sua casa, pede todo o apoio possível aos seus colegas portugueses. “Visita os doentes internados acompanhado de outros médicos. Dirige-lhes palavras amigas, anima-os para que ganhem força. Preocupa-o muito a ala da Pediatria, onde estão crianças a lutar pela vida em cada segundo que passa. Tenta por todas as maneiras que medicamentos, oxigénio, alimento adequado não faltem a estes anjos que ainda agora começam a viver. O Dr. Paulo Mendes assegura-se de que tudo está a funcionar como previsto. Retira-se para o seu gabinete. Liga o computador. Prepara uma mensagem para enviar a um dos seus amigos em Portugal. Precisa do envio de medicamentos para garantir a vida a algumas crianças. A mensagem segue. Há avião dentro de 48 horas. Se os medicamentos chegarem as crianças salvam-se. É um país ainda dependente a quem Portugal tem perdoado a dívida. É assim a vida de um diretor clínico num país que vive com muitas dificuldades”.

Livro profusamente ilustrado, tocante esta paixão pelas coisas de uma África, assumidamente despretensioso. Quando fala da nossa presença na Guiné, ele que viu as esculturas desconjuntadas e arrancadas de Bissau na fortaleza de Cacheu, faz bem em lembrar-nos e lembrar aos guineenses que é necessário repor estas figuras nos seus lugares, todo o país tem direito à memória, não é puro acaso este afeto e esta interação, aquelas centenas de milhares de jovens que ali combateram renderam-se ao povo afável e a inversa é também verdadeira. Daí aqueles vídeos de septuagenários que vão ao interior da Guiné visitar povoações onde viveram aquartelados, o choro lancinante das lavadeiras, os velhos milícias e caçadores nativos que reconhecem o viajante, os abraçam tão afetuosamente, lhes pedem apoio, lhes mostram com o mesmo extremo cuidado os seus documentos pessoais ciosamente metidos em plásticos, assim como os acompanham na visita aos velhos quartéis, ao que deles resta.

É por isso que nos toca a singeleza dos retratos de João Peres que nos desvela o mesmo povo amável que nos acolheu, meio século antes.

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Notas do editor:

Poste anterior de 10 DE FEVEREIRO DE 2023 > Guiné 61/74 - P24055: Notas de leitura (1552): Uma safra de leituras, sábado na Feira da Ladra, em tempos de pandemia (2) (Mário Beja Santos)

Último poste da série Notas de leitura de 12 DE FEVEREIRO DE 2023 > Guiné 61/74 - P24060: Notas de leitura (1553): "Panteras à solta", de Manuel Andrezo (pseudónimo literário do ten gen ref Aurélio Manuel Trindade): o diário de bordo do último comandante da 4ª CCAÇ e primeiro comandante da CCAÇ 6 (Bedanda, 1965/67): aventuras e desventuras do cap Cristo (Luís Graça) - Parte XI: Cobumba, manga de minas?!... Vamos lá levantá-las e noutro dia arrasar aquela... brincadeira!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Guiné 61/74 - P23965: Notas de leitura (1541): "Noites de Mejo", por Luís Cadete, comandante da CCAÇ 1591; edição de autor, com produção da Âncora Editora, 2022 (3) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 23 de Dezembro de 2022:

Queridos amigos,
Aqui se põe termo a estas histórias e memórias com que Luís Cadete nos mimoseou, tudo decorreu naqueles vastos pontos da região Sul por onde ele terá andarilhado, diz ter passado 8 meses e meio em Mejo, todo o aliciante desta narrativa passa pelo rigor com que ele apresenta os diferentes locais, o modo como entremeia risos e lágrimas, dores e alegrias, felizes acasos e momentos funestos. Excelente contador, lamentarei se este livro não vier a conhecer uma reedição e divulgação que permita, a quem gosta de boa leitura que a literatura de guerra permite, esta oferenda de memórias que vêm enriquecer o que há de melhor na literatura memorial da Guiné.

Um abraço do
Mário



Muita atenção, há aqui páginas que passarão à posteridade, temos Mejo na literatura! (3)

Mário Beja Santos

Coronel Luís Carlos Loureiro Cadete, ontem e hoje

A obra intitula-se "Noites de Mejo", o autor assina Luís Cadete, viremos a saber que de seu nome completo é Luís Carlos Loureiro Cadete, foi comandante da CCAÇ 1591, a quem também dedicou o livro, conjuntamente com os seus soldados guineenses. Escreveu estas histórias em 2016 e publicou-as em 2022, edição de autor com produção da Âncora Editora. Deu algum trabalho chegar ao livro, que não está no circuito comercial, o que é profundamente de lamentar, há aqui páginas admiráveis, não faltam tiradas bem urdidas de tragicomédia, revelando ternuras da aculturação, a vida dura num dos pontos mais ásperos que a guerra da Guiné ofereceu aos militares portugueses. Como já se referiu, Luís Cadete dá-nos quadros muito precisos sobre a situação dos destacamentos, fala dos militares e dos civis, veja-se o que diz de Gadamael Porto, poderá estar relacionado este episódio com a ida da sua Companhia para Mejo. Fala na implantação de Gadamael Porto à beira de um dos braços do rio Cacine, tão à beira estava que, quando a maré subia as águas entravam, pacifica e parcialmente pelo destacamento adentro, de tal modo que as barcaças encalhavam dentro do recinto. Foram muito bem recebidos, houve direito a almoço, e lá se conta a história de que apareceu um novo comandante de Companhia que pouco tempo depois de ter chegado verificou um dado insólito: faltavam 177 capacetes de aço modelo 940, rebuscou-se a papelada, ficou-se a saber que era um artigo que fazia parte da carga da primeira Companhia que ali assentara arraiais nos idos de 1963. Consultou-se Bissau, não havia dúvidas, a Companhia tinha os capacetes em carga e por eles teria de responder quando terminasse a comissão. Andou-se à procura da melhor solução, talvez um auto de ruína prematura alegando que tinham sido roídos pelo baga-baga. Assim se procedeu, o comandante militar despachou: “Concordo com o proposto. A Companhia elabora o respetivo auto de abate.”

Mudemos de localidade, vamos agora às colunas de reabastecimento a Madina de Boé, do Gabu até à transposição do Corubal eram 60 quilómetros de mais estrada, a transposição do rio era um quebra-cabeças. “A cerca de 5 quilómetros do Ché-Ché a estrada bifurca-se: para a esquerda segue a picada para Béli, cerca de 40 quilómetros de poeira e buracos; para a direita, segue a estrada para Madina a mais de 25 quilómetros de distância. Madina de Boé era nessa altura uma tabanca reduzida à sua expressão mais simples, dominada a norte, Leste e Oeste – a não mais de 300/400 metros da tabanca – por duas linhas de alturas com cerca de 112 metros de altitude e cerca de 1500 de comprimento no sentido dos meridianos. A Sul, afastada mais ou menos 1000 metros, fica uma outra linha de alturas com cerca de 171 metros de altitude e cerca de 2600 metros de extensão, correndo no sentido Leste-Oeste e 1300 no sentido Norte-Sul que, qual triângulo isósceles, dá pelo pomposo nome de Dongol Dandum, de topo plano, careca, amplo e juncado de gravilha. Com a fronteira a pouco mais de 8 quilómetros, em linha reta, Madina passou a ser flagelada e atacada quase diariamente – quando não sucedia sê-lo várias vezes por dia – e, do alto das colinas que a enquadravam, o inimigo fazia tiro ao alvo, segundo se dizia".

Também não esquece de contar aqueles achados ditados pela boa sorte, caso daquela operação lá para os lados de Empada, um soldado ao aliviar a bexiga, reparou em algo que brilhava por baixo da cobertura. Meteu a mão àquilo que brilhava, apareceu-lhe uma espingarda AK, chamou os camaradas, tinha sido descoberto um depósito de armamento, dali saíram espingardas, metralhadoras, pistolas, minas e granadas de mão. Não esconde que terá sido um erro não se ter ocupado Salancaur, decisão tomada por Arnaldo Schulz, depois da ocupação de Mejo, aquele ponto era uma pedra no sapato das nossas tropas, e ele explica o porquê:
“Com cerca 400 metros no sentido Este-Oeste e o topo careca em forma de tampo de mesa, ligeiramente inclinado para Leste, Salancaur dominava uma vasta área em redor, nomeadamente o corredor de Guileje. É óbvio que a ocupação de Salancaur não impediria, em definitivo, as infiltrações do PAIGC, mas permitiria um melhor controlo da zona e forçaria o Inimigo a diligenciar itinerário alternativo. De encostas íngremes, exceto na ponta Leste, inçadas de matagal e de enormes poilões de tronco pregueado que davam proteção a ambos os contendores, Salancaur obrigava a nossas tropas a atacar a subir, coisa pouco agradável e que conferia vantagem manifesta às gentes do PAIGC.”

Tenho vindo a desenvolver estas pequenas histórias de Luís Cadete por as considerar muitíssimo bem elaboradas, por iluminarem a atividade militar desenvolvida nesta região Sul entre 1966 e 1968, tempos de Mejo, de Sangonhá e de Cameconde, posições que Spínola deliberou abandonar. Histórias de afetos, de dramas de guerra onde não falta a mina bailarina, o fornecimento de peixe e carne por expeditos nativos na pesca e na caça, as penosidades do abastecimento, havia que comer sem remissão o pãozinho com gorgulho; é manifestamente crítico com o abandono de certas posições, descreve a importância de Contabane, que depois de um ataque devastador, foi abandonada. As histórias multiplicam-se, andaremos entre Fulacunda-Buba-Catió, Aldeia Formosa, de Guileje a Gadamael, tudo enroupado com apreciações nem sempre positivas à burocracia militar, há notas soltas sobre obsessões de gente que só bebia água engarrafada, infidelidades conjugais, porventura com caráter autobiográfico será mencionada a aventura do cultivo de abacaxis que não surtiu efeito porque as cabras encontraram ali alimento. Sempre dentro desta linha que houve abandono de posições que se tornaram verdadeiras vitórias militares do PAIGC, volta-se a falar em Madina do Boé, e conta-se a história que havia para lá um corneteiro destemido que se punha em campo aberto a executar o toque de silêncio.

A última história que nos presenteia Luís Cadete é seguramente fidedigna, passou-se em Mejo e em 1966. Ouviu-se roncar motor de helicóptero, voava a Sul da estrada Guileje-Bedanda, notificou-se superiormente, e meses depois apareceu um outro helicóptero e ali aterrou, o piloto desfez-se em desculpas, confundira aquela pista com a de Boke. “Comunicado o facto superiormente, com o grau de prioridade máxima que a situação aconselhava, foi a Companhia informada de que a FAP iria tomar conta da situação. E cerca de quinze minutos depois havia dois T-6 sobre a pista e pouco depois um helicóptero.” Era um Antonov An-2, soviético. O aparelho levantou voo escoltado pelos T-6 e terá seguido para Bissalanca. Lá na Companhia não se soube mais nada, abateu-se um manto de silêncio. “Uma aeronave estrangeira, oriunda de um país apoiantes ostensivo do PAIGC, sobrevoara parte considerável do território português em guerra e dera-se ao desplante de nele aterrar sem que ninguém o referenciasse nem a FAP o intercetasse. E isto em pleno dia, com excelentes condições atmosféricas e não menos excelentes e extensa visibilidade!”

Insista-se que se trata de leitura imperdível.

Guileje, 1973
Numa vala no quartel de Guileje, CCAV 8350 ‘Os Piratas de Guileje’, imagem retirado do Correio da Manhã, com a devida vénia
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Notas do editor:

Postes anteriores de:

26 DE DEZEMBRO DE 2022 > Guiné 61/74 - P23917: Notas de leitura (1536): "Noites de Mejo", por Luís Cadete, comandante da CCAÇ 1591; edição de autor, com produção da Âncora Editora, 2022 (1) (Mário Beja Santos)

2 DE JANEIRO DE 2023 > Guiné 61/74 - P23938: Notas de leitura (1539): "Noites de Mejo", por Luís Cadete, comandante da CCAÇ 1591; edição de autor, com produção da Âncora Editora, 2022 (2) (Mário Beja Santos)

Último poste da série de 6 DE JANEIRO DE 2023 > Guiné 61/74 - P23956: Notas de leitura (1540): "O Santuário Perdido: A Força Aérea na Guerra da Guiné, 1961-1974 - Volume I: Eclosão e Escalada (1961-1966)", por Matthew M. Hurley e José Augusto Matos, 2022 (11) (Mário Beja Santos)

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Guiné 61/74 - P23440: Nota de leitura (1466): "O colonialismo português - novos rumos da historiografia dos PALOP"; Edições Húmus, 2013 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 8 de Novembro de 2019:

Queridos amigos,
Atenda-se, em primeiro lugar, para a esplêndida fotografia deste livro, temos a passagem do rio Corubal, em Che Che, faz parte do documentário fotográfico da viagem à Guiné do Ministro das Colónias, em 1941, impressiona a qualidade da imagem, parece que aquela jangada foi feita ontem e aqueles seres humanos parecem ganhar vida, em pleno labor da jangada. Nesta comunicação de dois investigadores, José da Silva Horta e Peter Mark, ganha relevo a presença judaica do início do século XVII, nas redes comerciais da Grande Senegâmbia, e as suas ligações com a chamada comunidade "portuguesa" de Amesterdão, mais revela a investigação que não era só tráfico de escravos que constava nas atividades mas também a venda de armas. Ainda há muito para estudar, mas hoje já possuímos dados seguros desta presença que teve algum significado nas relações luso-africanas.

Um abraço do
Mário



O judaísmo na construção da Guiné do Cabo Verde (século XVII)

Beja Santos

E
m 2011, reuniram-se no Instituto de Investigação Científica Tropical uma plêiade de investigadores no seminário "Novos Rumos na Historiografia dos PALOP", procurava-se dar a conhecer, nessa fase, as linhas de investigação que se estavam a produzir no âmbito da História e Ciências Sociais dos PALOP. Daí resultou esta obra publicada pelas Edições Húmus, 2013. Numa comunicação no contexto do colonialismo na África Portuguesa, José da Silva Horta, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e Peter Mark, da Wesleyan University dissertaram sobre o judaísmo na construção da Guiné do Cabo Verde. Eduardo Costa Dias apoiava este projeto para o conhecimento espacial da Senegâmbia. A espacialidade da Senegâmbia é tema que de há muito atrai a historiografia, Teixeira da Mota abriu as portas ao estudo desta complexa superfície onde havia redes comerciais que estendiam do Cabo Verde (ponto no continente africano) até à Península da Serra Leoa. Chamava-se a esta região a Grande Senegâmbia, onde se inseria a Guiné do Cabo Verde.

A presença mercantil era diversificada, Cacheu era o centro principal fornecedor de escravos, mas havia também espaços Biafadas e a região de Bissau já era uma realidade. Manda o rigor que se diga que estamos a falar de uma região um tanto artificialmente definida, e, segundo descobertas relativamente recentes, deu-se pela presença de comerciantes judeus na chamada Petite Côte, em pleno território do que é hoje o Senegal, mais ou menos entre Dacar e Banju. Dizem os autores que dessa Senegâmbia setentrional e Cacheu as ligações marítimas e terrestres até à Serra Leoa eram cruciais, pelo mar, rios e por terra. Vários investigadores, caso destes dois autores ou de Eduardo Costa Dias, Boubacar Barry, Mamadou Fall ou Jean Boulègue, têm procurado investigar estas sociedades senegambianas e as ligações que se estabeleceram ao longo do século XVI entre a Guiné do Cabo Verde e a América espanhola, mais tarde com o Brasil, houve pois nesta região um laboratório de contato intercultural que emergiu no século XV e onde a presença judaica, está hoje demonstrado, foi uma realidade.

Era o arquipélago de Cabo Verde, com a ilha de Santiago à frente, que assumia uma função crucial nesta mediação entre diferentes culturas. Sabe-se hoje que no início do século XVII houve um ponto de viragem, com a presença judaica e o seu contributo inegável para a história da construção da identidade luso-africana na Senegâmbia. Que investigação foi feita pelos autores? Oiçamos a sua resposta:
“A investigação foi baseada, numa primeira fase, a mais longa, em documentação da Torre do Tombo, pertencente ao Cartório do Santo Ofício e no trabalho anterior sobre outros arquivos como o Arquivo da Ajuda e o Arquivo Histórico Ultramarino e numa segunda fase também nos registos notariais e internos dos membros da comunidade de judeus portugueses, consultados em Amesterdão, que se revelaram, no essencial, preciosamente complementares às informações dos documentos arquivados pela Inquisição. Os documentos que recolhemos e trabalhámos permitiram-nos reconstituir a existência de comunidades de judeus no atual Norte do Senegal que tinham como caraterística distintiva serem constituídas por ‘judeus públicos’, ou ‘judeus declarados’, segundo a terminologia da época, isto é, afirmarem publicamente a sua identidade religiosa judaica e viverem socialmente como tal. A sua presença na região estava estreitamente articulada com a chamada comunidade ‘portuguesa’ de Amesterdão. Foi encontrada presença judaica em Porto d’Ale, eram judeus que viviam com mulheres africanas e seus filhos mestiços”.

Mais adiante, os autores recordam que o comércio e a presença destes judeus contaram com a proteção dos dignatários africanos do Norte da Senegâmbia. E dão informação extremamente curiosa: “Na relação com reis wolof e sereer, então muçulmanos, os judeus construíram um discurso em que tentaram encontrar denominadores comuns entre o Judaísmo e o Islão. Foram feitas tentativas pelos representantes ou apoiantes das autoridades eclesiásticas e dos interesses da Coroa portuguesa em Cacheu para que o rei do Bawol, em cujo poder estava o Porto d’Ale prendesse os judeus para que fossem enviados àquela praça e daqui para Lisboa. O mesmo foi tentado junto do dignatário do Siin, ou de Joala. Tudo sem sucesso.

No final da comunicação, os autores aduzem elementos sobre a natureza das atividades mercantis destes judeus que tinham ligação a Amesterdão, às Províncias Unidas, mas também a Lisboa, Açores e S. Tomé, e estão também conhecidas as ligações a Inglaterra e a França. “Verificámos que além do comércio de couros, marfim e cera, judeus e cristãos-novos estavam também envolvidos no comércio de armas, proibido pela Santa Sé e pelas coroas católicas”. Bem vistas as coisas, o envolvimento destes judeus no comércio de escravos terá sido periférico, e havia seguramente interesses de alguns membros desta comunidade nos engenhos brasileiros. Agiam nestes negócios da Guiné destacados membros da comunidade dos judeus sefarditas de Amesterdão, nomeadamente da congregação Bet Jacob, os mesmos acusados pela Inquisição de fazerem proselitismo judaico em Amesterdão; proselitismo que vai ser projetado na costa guineense. Estes cristãos-novos (cripto-judeus) tinham especial capacidade de viverem diferentes identidades. “É assim que, em 1612, Jesu (ou Joshua) Israel, como era conhecido no Norte da Senegâmbia, se metamorfoseava em Luís Fernandes Duarte quando tinha de se corresponder com um parceiro comercial africano cristão".

E assim termina este esclarecedor trabalho:
“Na Senegâmbia do século XVII, se o cristianismo, a julgar pelas fontes disponíveis, continuou a desempenhar um papel fundamental das relações luso-africanas, circunstâncias favoráveis a esse comércio e das políticas europeias e africanas conduziram a um dado novo na região: a chegada de judeus que, no Norte da Senegâmbia, assumiram publicamente a sua identidade e que constituíram comunidades luso-africanas. Essas comunidades levaram à reconversão de cristãos-novos residentes ao Judaísmo e agiram de modo homólogo aos outros residentes portugueses cristãos: casaram-se com mulheres africanas e converteram a descendência ao judaísmo. Seguiram também, com o mesmo modelo identitário dominante naquele espaço africano. Este facto teve consequência no contexto guineense (…). Se o mundo mercantil do século XVII funcionava através de redes locais, regionais, intracontinentais e transcontinentais, também os fenómenos da história social desse mundo deveriam ser reinterpretados sem partir necessariamente de um centro europeu. Foi isso que procurámos fazer”.

África, desenhada pelo cartógrafo antuérpio Abraham Ortelius em 1570.
Mapa político da Senegâmbia e da região da Guiné de Cabo Verde no século XVII.
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Nota do editor

Último poste da série de 17 DE JULHO DE 2022 > Guiné 61/74 - P23437: Nota de leitura (1465): O padre António Vieira (1608-1697), expoento máximo da literatura portuguesa, traduzido em sueco (José Belo)