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domingo, 2 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28234: Bom dia desde Bissau (Patrício Ribeiro) (73): a baloba de Bijante, Bubaque, Bijagós, e a força securitária do sagrado



Foto nº 1, 1A e 1B



Foto nº 2, 2A e 2B

Guiné-Bissau > Arquipélago dos Bijagós > Ilha de Bubaque > Bijante > Sábado > 1 de agosto de 2026  > A  baloba local, o sítio mais seguro da tabanca.

Fotos (e legenda): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]


1. Patrício Ribeiro, o nosso "embaixador em Bissau", empresário (Impar Lda), que chegou a Bubaque, em trabalho,  no dia 10 do mês passado, mandou-nos mais fotos de Bijante, incluindo a baloba local...

Data - sábado, 1/08/2026, 20:31

Assunto - Baloba de Bijante, Bubaque, Bijagós

As pinturas na baloba de Bijante, local sagrado, onde guardámos os nossos equipamentos, onde ninguém vai mexer.


Mantenhas

Patrício Ribeiro
Impar Lda


 Guiné > Zona leste >  Região de Bafatá >Setor L1 > Bambadinca > Destacamento de Nhabijões > 1970 > O furriel miliciano Henriques, da CCAÇ 12 (Luís Graça, fundador e editor deste blogue) junto a uma baloba,   um dos locais de culto dos irãs (espíritos da floresta).

A população era maioritariamente balanta, animista. Mas também havia um núcleo Mandinga. Era conhecida a sua colaboração com o PAIGG, sobretudo com as populações e os guerrilheiros de Madina/Belel, no limite do Cuor, a noroeste de Missirá, mas também com os do subsetor do Xime. "Tinham parentes no mato", dizia-ser então.

 O reordenamento desta população, considerada até então sob duplo controlo e pouco colaborante com  as NT (e senão mesmo hostil), iniciou-se em 1969, sob a iniciativa do BCAÇ 2852 (1970/72), tendo sido continuada pelo BART 2852 (1970/72). Foi criado um destacamento para apoio a (e defesa de) o reordenamento.

No seu diário de então, o furriel Henriques usava um termo demasiado forte (e manifestamente desajustado...), "etnocídio", para qualificar a construção deste reordenamento, a que chamava "aldeia estratégica". 

Era então um dos maiores, se não o maior, em construção  no CTIG, com cerca de  300 fogos, pelo exército em colaboração (franca e leal) com a população local. 

Porquê "etnocídio" ?  Na altura, ele referia-se à  destruição do habitat socioecológico destas populações ribeirinhas, dispersas pela margem esquerda do rio Geba Estreito (do outrro lado, era o "mato do Cão") que passavam a ser "reordenadas"  e "militarizadas" (o reordenamento passava a ter umqa guarnição militar, constituída por um Grupo de Combate do batalhão de Bambadinca e por milícias balantas...).

Há uma diferença entre etnocídio e genocício: ele falava, em 1970,   da  destruição da cultura, da perda da identidade e do fim dos costumes da comunidade de Nhabijões, o que era manifestamente exagerado... A baloda construída no reordenamento, embora "liliputiana" (quando comparada com as dos Bijagós)  era a prova de que os "reordenadores" tinham a preocupação de preservar "usos & costumes" da população"... Estávamos em plena "Spinolândia!... 

O PAIGC,  mais tarde, "ressaibiado" com a colaboração da comunidade de Nhabijões com a tropa,  iria flagelar o reordenamento. Sem consequências.

Foto (e legenda): © Luís Graça (2007). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


2. Comentário do editor LG:

Patrício, a tua sensibilidade sociocultural vale ouro. Não és turista, nem antropológo, és empresário, andas no teu trabalho, a "cirandar" por toda a Guiné-Bissau, embora "reformado... a meio tempo"... E vai-nos, sem querer, e sem a gente te pedir nada (a não ser "partir mantenhas" ), mandando de vez em quando estas preciosas fotos, em geral acompanhadas de lacónicas legendas, da terra que tu amas e nós amamos, mesmo não conhecendo, como tu, todos os cantinhos.

É o caso destas, tiradas na tabanca de Bijante, Bubaque,  Bijagós. Estas fotografias da balofa local são, para mim, um pequeno achado etnográfico. Não sou especialista em etnografia guineense. Sou sociólogo, e tive uma cadeira de antropologia, de um ano, com um grande professor e antropólogo, o Joaquim Pais de Brito. O "bichinho" da antropologia / etnologia ficou cá para sempre...

Lembro-me das balofas de Nhabijões (vd. foto acima, de 1970), nos arredores de Bambadinca, bem como das boas e más memórias desse reordenamenyo (apanhei lá com uma mina anticarro que bem poderia ter-me mandado para os anjinhos). 

Mas, confesso, sei pouco do "animismo" que sobrevive na Guiné-Bissau, "entalado", cada vez, entre duas poderosas religiões monoteístas e proselitistas, como são o cristianismo e o islamismo.  Coitados dos irãs da Guiné-Bissau, até as últimas florestas sagradas  já perderam. (Felizmente, não parece terem-se repetido os ataques a duas balofas e uma igreja cristã, em Bissau, em março de 2024.)

Patrício, recorrendo à menina da IA (e a outras fontes da Net),  eis aqui algumas dicas que me parecem pertinentes, e que nos podem ajudar  a "ler" as tuas fotos da baloba de Bijante. 

(i) o interesse documental, "etnográfico",  destas tuas imagens:

Não tem tanto a ver com a qualidade das pinturas (que já estão muito gastas), mas com o facto de mostrarem uma baloba viva, ainda em uso e respeitada pela comunidade.   

(ii) o que é uma baloba

A palavra "baloba" (ou " baloba di irã") entrou no crioulo da Guiné (ainda no nosso tempo) a partir das línguas locais e designa, de forma geral, um santuário comunitário, a casa dos espíritos (os Irãs entre os Bijagós). 

Já está grafada em português. Segundo a Infopedia, o termo crioulo "baloba" vem do do felupe bu-loba, «feitiço falante»

Baloba não é simplesmente um "templo animista". É simultaneamente: lugar de culto;
lugar de iniciação; sede do poder espiritual da tabanca; espaço onde se realizam sacrifícios, consultas e cerimónias; depósito de objetos rituais...

Nos Bijagós, a baloba está intimamente ligada ao culto dos antepassados e dos irãs, que podem assumir formas humanas,  ou  elementos da fauna e flora.

(iii) O que podemos ver fotografias do Patrício (fotos nºs 1 e 2):

Para já é curioso que a morança dos irãs esteja identificada pela palavra "baloba", escrita en português, em letras do alfabeto latino, a par de pinturas murais

Tudo indica, entretanto , que a decoração da parede exterior, que tem uma  porta de entrada principal (e provavelmente única), seja relativamente recente (seguramente do período pós-independência,  ou  últimas décadas).

O edifício passa, pois, a ser mais facilmente identificado quer pelos turistas (que visitam Bubaque), quer pelos membros mais jovens, alfabetizados, da comunidade, que estão em rápida perda da sua identidade cultural (bijagó e guineense), com a "globalização".

Outro símbolo, as setas:  convergem para a porta, podendo indicar tanto a entrada ritual como a direção obrigatória da circulação. Não sabemos se há uma porta de saída.

Acima da porta aparece um peixe enorme (em estilo naturalista).  O que não é estranho. Estamos numa ilha, estamos em Bijagós, um arquipélago onde a população tem uma forte ligação ao mar e vive também do mar. 

O peixe significa  "mafé", abundância, proteção... Pode também representar um irã associado ao mar; ou ser simplesmente um marcador identitário da aldeia. Falta-nos aqui as "explicações" dos moradores locais.

Mais intrigante é a figura do morcego. Não é um elemento decorativo. No animismo, nos sistemas religiosos africanos, o morcego aparece frequentemente associado  à noite, aos espíritos, à passagem entre vivos e mortos.

Já a serpente, à esquerda do morcego, é um símbolo extremamente antigo e constante em quase toda a África Ocidental.
 Pode ser a Píton-africana ou píton-da-rocha-centro-africana ou Píton-norte-africana (Python sebae), também conhecida (e temida) como "irã-cego"... Mas não sei se  este réptil existe no arquipélago dos Bijagós. 

Pode representar fertilidade, continuidade da vida, proteção do recinto, ou pode ser a própria representação de um irã (os irãs tendem a assumir a forma animal).

O grande lagarto, à direita da porta e da palavra "Koreti", pode ser um crocodilo estilizado. Não arrisco o seu significado.

 "Koreti", também não faço ideia do que seja... Nome gentílico ?  Nome, cristianizado (por influência dos missionários cristãos),  de mulher e rainha, guardiã do templo ? Pode ser uma variante ortográfica ou erro de audição para Goreti , da santa italiana  Santa Maria Goretti. 

O Cherno Baldé, que nos ajude, não é bijagó, mas é guineense, muito mais guineense e melhor etnólogo do que eu.

Quanto às figuras humanas (no lado direito da parede, a seguir à porta): temos uma figyura antropomórfica  (uma mulher ?), sentada o chão, em cima de uma esteira, com uma lança ou bastão, em postura cerimonial. Difícil descodificar este signo.

O músico (?), por sua vez,  tem barrete, usa colares  segura um instrumento (que pode ser uma espécie de cordofone tradicional) (?). Representa o músico ritual, o  cantor cerimonial, a personagem das iniciações.

Os triângulos à volta da porta são, sem dúvida,  o elemento mais claramente decorativo. Esses padrões geométricos são frequentes em várias casas rituais dos Bijagós. Podem simplesmente marcar o caráter sagrado do local,  a transição entre exterior e interior.
 
Estas pinturas murais não contam uma história, como acontece nos nossos murais.  Funcionam antes como  marcadores identitários; proteção simbólica, representação de espíritos, memória ritual. Dizem muito simplesmente:  "isto é uma baloba".

Cada figura poderá provavelmente ter um significado que só é conhecido pelos iniciados da aldeia, e que  não é necessariamente explicado aos não-iniciados.

(iv) O grande especialista dos Bijagós foi o missionário e linguista italiano Luigi Scantamburlo.

Na sua obra sobre Bubaque refere que cada tabanca  tem os seus irãs próprios; estes, por sua vez, tendem a ter formas animais; a baloba guarda objetos onde reside a força espiritual; certas esculturas representam a alma dos antepassados ("orebok").

Ainda em relação às pinturas: parecem ter sido feitas por várias mãos, em épocas diferentes. O traço do morcego, por exemplo,  é muito diferente do do músico (?). Também as cores são diferentes. 

Algumas figuras  podem  ser mais antigas; outras foram acrescentadas ao longo dos anos;  esta morança  foi sendo "renovada" ritualmente, não apenas reparada. Tem agora telhado de zinco, um material de construção mais recente (e caro) na ilha.

 
(v) a força securitária do sagrado

Há uma observação da  IA que merece ser citada, porque é muito personalizada e homenageia simultaneamente o Patrício e a tabanca de Bijante:

(...) "E termino com uma observação que me parece belíssima. O Patrício escreveu apenas: '...guardámos os nossos equipamentos, onde ninguém vai mexer.'

"Essa frase vale quase uma lição de antropologia. Num país onde a autoridade do Estado pode ser frágil em muitas regiões, a autoridade do sagrado continua eficaz. Não é a fechadura da porta que protege os painéis solares ou as ferramentas da Impar; é o respeito coletivo pela baloba. Esse respeito, construído ao longo de gerações, continua a regular comportamentos de forma muito concreta".


 





3. Numa leitura posterior, mais fina, pormenorizada e atenta das duas figuras humanas, volto atrás, e encontro outras pistas:

Patrício: em relação à primeira figura humana, decididamente não pdoe ser um homem, mas uma  figura feminina, numa postura ligada à maternidade ou ao parto ... 
 
Postura: a figura está sentada com as pernas muito abertas, numa posição que lembra uma posição ritual ou de parto, mais do que numa posição de autoridade masculina; é uma  postura que aparece em diversas representações africanas relacionadas com a fecundidade e a maternidade.

Tronco: o peito está desenhado de forma muito esquemática, mas não também não há qualquer indicação evidente de órgãos genitais masculinos. Pelo contrário, o traço central dirige o olhar para a zona pélvica, que parece ser precisamente o foco da composição.

Região inferior: na fotografia, a tinta está muito degradada; mas aquilo que inicialmente podia ser interpretado como um pénis,  pode muito bem representar sangue, ou sangue menstrual,  cordão umbilical; ou simplesmente um símbolo gráfico hoje quase ilegível.

Bastão: o bastão vertical não é necessariamente um atributo masculino; não é uma lança; nas balobas, muitos objectos rituais (bastões, lanças, remos, cajados) são símbolos de autoridade espiritual e não apenas de género (masculino, feminino).

Cabeça:  há uma  "meia cabaça" invertida na cabeça, com motivos geométricos; esse pormenor é muito importante; não se trata de nenhum penteado. Ora, a cabaça é um objecto ritual de enorme importância em praticamente toda a África Ocidental, podendo  simbolizar fecundidade, maternidade, iniciação, ancestralidade,  ou conter substâncias sagradas.

Saia bijagó: a figura enverga a típica saia bijagó...





Guiné-Bissau > Região de Tombali > Cantanhez > Iemberém > 6 de Dezembro de 2009 > 10h26> "Festa de baptizado muçulmano"... Rapando a cabeça da criança, com uma gilete...A mãe tem um olhar "inexpressivo", indiferente à presença do fotógrafo (**)-.

Fotos: © João Graça (2009). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]


O meu filho João Graça fotografou, em Iemberém, 6 de dezembro de 2009, um ritual (a que ele chamou, talvez indevidamente, "batizado muçulmano") em que uma parturiente usava precisamente uma meia cabaça semelhante (mas lisa); isso pode constituir uma pista iconográfica muito valiosa, mesmo que o ritual fosse fula.

É verdade que Fulas e Bijagós pertencem a universos culturais bastante diferentes, mas certos objectos rituais circulam há séculos entre povos vizinhos. Aliás, a própria cabaça é um objecto transversal a quase toda a Senegâmbia.

Vamos avançar então com uma outra hipótese etnográfica: em muitas sociedades da África Ocidental, incluindo os Bijagós, a fertilidade da mulher, a fecundidade da terra e a prosperidade da comunidade pertencem ao mesmo domínio simbólico.

Não seria surpreendente que uma parturiente fosse considerada uma imagem suficientemente poderosa para figurar na parede de uma baloba. Aliás, a posição das pernas abertas é um motivo conhecido em esculturas de maternidade africanas. Não é uma cena obstétrica realista; é antes um símbolo da capacidade de dar vida.

À cautela, poderíamos descrever a primeira figura nestes termos: figura antropomórfica de interpretação incerta, mas mais do que provavelmente feminina, podendo representar uma parturiente, uma antepassada ligada à fertilidade ou uma entidade protectora da maternidade.

A segunda figura, pelo contrário, é seguramente masculina. usa um chapéu com cocar, um adorno de penas (símbolo de elevado estatuto) (embora o cocar seja de origem indígena ameriucan). Parece segurarum grande animal sacrificado (ou uma pele) (e não um instrumento de música); ao lado vê-se um tridente ou lança ritual; transmite uma imagem de sacerdote, adivinho ou responsável pelos sacrifícios.

As duas pinturas podem representar momentos complementares do mesmo universo ritual: a mulher (ou antepassada) ligada ao nascimento, fertilidade e continuidade da linhagem; o homem, sacerdote ou guardião que assegura a comunicação, a ligação, com os espíritos.

(Pesquisa: LG + IA | Chat GPT / Open AI)
(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos e itálicos: LG)
______________

Notas do editor LG

(*) Último poste da série > 30 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28228: Bom dia, desde Bissau (Patrício Ribeiro) (72): A jaca, espécie invasora tropical, que já chegou a Bijante, Bubaque, Bijagós

(**) Vde. poste de 28 de janeiro de 2011 > Guiné 63/74 - P7686: Notas fotocaligráficas de uma viagem de férias à Guiné-Bissau (João Graça, jovem médico e músico) (2): 6/12/2009, domingo, 1ª consulta, um baptizo muçulmano, um casório católico, uma visita a uma fábrica de caju... 7/12/2009, 2ª feira: 1º dia de consultas. 42 doentes à porta do C.S. Materno-Infantil de Iemberém

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28228: Bom dia, desde Bissau (Patrício Ribeiro) (72): A jaca, espécie invasora tropical, que já chegou a Bijante, Bubaque, Bijagós



Foto nº 1 e 1A




Foto nº 2, 2A, 2B

Guiné-Bissau > Arquipélago dos Bijagós > Ilha de Bubaque > Bijana > Quionta feira, 23 de julho de 2026 >  Jaca, uma árvore de fruto tropical invasora

Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]


1. Fotos enviadas pelo Patrício Ribeiro, nosso "embaixador em Bissau", empresário (
Impar Lda), que chegou a Bubaque, no dia 10, por volta das 13:55. Apanhou muita chuva. Devido à lentidão da Net, manda-nos sempre uma foto de cada vez. Estas foram tiradas a 23 do corrente, por volta das 14h45. Têm legendas lacónicas

Foto nº 1 - Jaca. Fruto
Foto nº 2 - Árvore da jaca. Imponente
Foto nº 3 - Abastecimento à horta de Bijante, que tem um hectare, para produzir legumes. São os nossos passeios por toda a Guiné, que nos traz a estes lugares.

Publicamos hoje as fotos relativas à árvore da jaca e o seu fruto (invulgar).


2. Comentário do editor LG:

Jaca, substantivo feminino, segundo o Priberam, quer dizer duas coisas, em botânica:

 (i) fruto carnudo, grande e pesado, de cor verde, gomos amarelados, sabor adocicado e cheiro característico; 

(ii) árvore (Artocarpus heterophyllus) da família das moráceas, de grandes dimensões, nativa da Ásia, cultivada pela boa madeira e pelos frutos carnudos comestíveis, grandes e pesados, de cor verde. = Jaqueira

Fonte: "jaca", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2026, https://dicionario.priberam.org/pt-br/jaca.

A Artocarpus heterophyllus, mais conhecida como jaqueira, é uma espécie nativa do sudoeste da Índia, onde cresce em florestas pluviais até cerca de 1000 metros de altitude. 

Esta árvore pode atingir até 20 metros de altura e é amplamente cultivada em várias regiões tropicais do mundo, não só pela sua utilidade alimentar (o fruto, a jaca, é um dos maiores do mundo e muito nutritivo), mas também por usos medicinais e como alimento animal. 

No entanto, a sua introdução em ecossistemas não nativos, como a Mata Atlântica brasileira,  tem levantado preocupações sérias. 

A jaqueira é considerada uma espécie invasora em vários países, incluindo o Brasil, onde estudos demonstram que a sua presença altera significativamente a riqueza de espécies, a diversidade da vegetação e até a composição química dos solos dos locais invadidos. Ou seja, tende a modificar o ambiente de forma a favorecer a sua própria expansão, o que justifica a necessidade do controlo e até da sua remoção em áreas sensíveis.

Na Guiné-Bissau, a sua eventual introdução nas ilhas Bijagós (um arquipélago com uma biodiversidade única e frágil ) pode vir a representar uma ameaça ecológica, uma vez que a jaqueira compete agressivamente com as espécies nativas, alterando o equilíbrio ecológico e reduzindo a diversidade de plantas e animais endémicos. A sua capacidade de se adaptar a diferentes tipos de solo e clima tropical facilita a sua disseminação, tornando-a uma espécie difícil de erradicar uma vez estabelecida. 

Não sabemos se esta jaqueira do Patrício Ribeiro é um caso isolado ou se já  há plantações na ilha, o que seria muito mau.. Achamos que não: aqui, devido às dificuldades de conservação, transporte e armazenamento, a jaca aqui não deve ter valor comercial, embora na Europa possa atingir valores...proibitivos.

Principais produtores mundiais: Índia, Bangladesh, Tailândia, Vietname... mas também Brasil.

Em Portugal, a jaca é considerada uma fruta exótica e rara, encontrada principalmente em pedaços embalados ou enlatada em lojas especializadas e grandes superfícies.

 O seu preço é considerado muito alto devido à importação  e à logística: é um fruto é altamente perecível (apodrece facilmente) e pode custar  frequentemente dezenas largas de euros por porção ou por unidade inteira.

 (Pesquisa: LG + Wikipedia +  IA | Mistral) (Condensação, revisão / fixação de texto: LG)

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28197: No céu não há disto: comes & bebes: sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande (53): o caldo de chabéu e o funge (receitas tradicionais)

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Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: LG + ChatGPT
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


Guiné-Bissau> Bijagós > Bubaque > Bijana > Chabéu. Foto: Patrício Ribeiro (2026)


1. O caldo de chabéu (também conhecido como
tchebem, em crioulo) é um prato tradicional da Guiné-Bissau, feito com a fruta da palmeira dendém.

Leva cerca de 1 hora e 30 minutos a preparar, à moda tradicional. Aqui fica uma sugestão de receita(s) para os nossos "vagomestres" (*).

Ingredientes

  • 500 g de chabéu (fruta do dendém)
  • 1 kg de carne (vaca), peixe fresco ou galinha
  • Raízes e vegetais a gosto (mandioca, sukulbebem, repolho/couve)
  • Temperos: cebola, tomate, alho, malagueta/gindungo e sal

Modo de Preparação 

(i) Cozer a fruta: coze o chabéu em água até que os caroços se comecem a soltar; escorre a água, guardando-a num recipiente à parte.

(ii) Esmagar: esmaga o chabéu num pilão até a pele e o caroço se separarem da polpa.

(iii) Extrair o caldo: passe a massa por água fria e coa num passador fino, espremendo bem. Volta a pilar e coar se necessário, até obter um caldo grosso e vermelho.

(iv) Preparar a carne/peixe: Num outro tacho, refoga a cebola, o tomate e o alho; junta a carne (ou peixe/galinha), tempera com sal e gindungo, e deixa estufar.

(v) Juntar tudo: adiciona os vegetais cortados e o caldo de chabéu ao tacho da carne. Deixa ferver em lume brando até que a carne e a mandioca estejam tenras. Serve quente. 

2. Não tendo nós, aqui em Portugal, o chabéu propriamente dito, temos de recorrer ao supermeracado...e comprar um garrafa de óleo de dendém.


Aqui vai então a receita refinada e exata utilizando o óleo de dendém de garrafa. Esta versão reduz o tempo de preparação para cerca de 45 minutos.

Ingredientes
(Versão prática)
  • Óleo de dendém: 150 ml (aproximadamente 2/3 de chávena)
  • Água quente: 1 litro
  • Proteína: 1 kg de carne de vaca (em cubos), galinha ou peixe firme
  • Vegetais: 1 mandioca média (em pedaços), 1/2 repolho e quiabos a gosto
  • Base: 1 cebola grande picada, 2 dentes de alho picados e 2 tomates maduros picados
  • Tempero: 1 malagueta (gindungo), sal e 1 cubo de caldo de carne (opcional)
Modo de preparação:

(i) Selar a carne: num tacho grande, deite 2 colheres de sopa do óleo de dendém; refogas a cebola, o alho e o tomate até murcharem; juntas a carne e deixas dourar por 5 minutos. 

(ii) Criar o caldo: temperas com sal, gindungo e o cubo de caldo;  vertes o restante óleo de dendém e adicionas imediatamente 1 litro de água quente; mexes bem para emulsionar.

(iii) Cozer os vegetais: juntas a mandioca e o repolho ao tacho; tapas e deixas ferver em lume médio-baixo durante 20 a 25 minutos (até a carne e a mandioca estarem quase tenras).

(iv) Apurar: adicionas os quiabos nos últimos 10 minutos; deixe o caldo destapado em lume brando para reduzir e engrossar ligeiramente.

O caldo deve ficar aveludado, com uma cor alaranjada escura e os sabores bem concentrados.
Podes acompanhar este caldo com arroz branco solto... ou acompanhar comn funge (vd. receita a seguir)

PS - Atenção: o óleo de palma (ou dendê ou dendém) é o óleo vegetal mais consumido do mundo. Embora seja extremamente eficiente (produzindo até 6 vezes mais óleo por hectare que outras culturas), a sua expansão descontrolada tem causado forte desflorestação em regiões tropicais como o Sudeste Asiático, ameaçando habitats de espécies como os orangotangos do Bornéu. Portanto, há questões sociais e ambientais a ponderar quando se compra o óleo (ou azeite) de dendém ou produtos feitos com recurso a este fruto, como cosméticos, etc. 

Por outro lado, há problemas de saúde a considerar. O uso do azeite de dendém deve ser moderado, tendo benefícios e malefícios.


Guiné-Bisssau > Região de Tombali > Sector de Bedanda > Cananima > Simpósio Internacional de Guileje (Bissua, 1-7 de março de 2008  > 2 de Março de 2008 >  O famoso óleo de palma do Cantanhez. A sua cor vermelha intensa deve-se às características da variedade do chabéu (termo científico, Elaeis guineenses), que é rico em caroteno.


Guiné-Bisssau > Região de Tombali > Sector de Bedanda > Cananima > Simpósio Internacional de Guileje (Bissua, 1-7 de março de 2008  > 2 de Março de 2008 >

A saudosa Cadidjatu Candé, da comissão organizadora do Simpósio Internacional de Guileje e colaborada da ONG AD - Acção para o Desenvolvimento, servindo um fabuloso "caldo de chabéu" (arroz com filetes de peixe do rio Cacine e óleo de palma local, que tem fama de ser o mais saboroso do país, devido à qualidade da matéria-prima e às técnicas e condições de produção, artesanal. (**)

Na imagem, um diplomata português, o nº 2 da Embaixada Portuguesa, que integrava a nossa caravana (e cujo nome, por lapso, não registei, lapso de que peço desculpa).

Um dos pratos que foi servido no almoço de domingo, aos participantes do Simpósio Internacional de Guileje, foi peixe de chabéu, do Rio Cacine, do melhor que comi em África... Durante a guerra colonial, na zona leste, em Bambadinca, só conheci  o desgraçado peixe da bolanha que sabia  a lodo.... "Chabéu de frango" comi algmnas vezes, delicioso, na casa do comerciante de Bambadinca, o Rodrigo Rendeiro.  O "frango de chabéu" da dona Auá Seidi, mulher do Fernando Rendeiro, ficpou-me no goto. O funge só comi em Angola...

Fotos (e legendas): © Luís Graça (2008). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís  Graça & Camaradas da Guiné] 


3. O funge (ou fufu) tradicional que acompanha o caldo de chabéu é feito à base de farinha de mandioca (ou de milho) e água. O segredo está na força do braço para bater a massa e evitar grumos

Mas atenção: como nos esclarece e bem, o nosso Cherno Baldé, o funge é angolano, não é guineense. (Temos aqui uma "calinada" da IA que é americana e, como tal, não sabe degeografia; ,etemos os dois a pata na poça, ao fazer a ilustração a quatro mãos; vou fazer um outro poste, a corrigir: não quero arranjar nenhum problema diplomático entre os meus amigos angolanos e os guineenses.)

Funge e fufu...Origem dos termos: (i) funge: é o termo utilizado na culinária de Angola e de São Tomé e Príncipe para designar a papa feita de farinha de milho ou de mandioca;  (ii) fufu: tem origem na África Ocidental (Gana e Nigéria) e refere-se à massa elástica feita a partir de inhame, banana-da-terra ou mandioca cozidos e pilados

Esta receita (de funge)  rende 4 porções e fica pronta em apenas 20 minutos.

Ingredientes

  • Farinha de mandioca torrada ou fina: 250 gramas
  • Água: 1 litro
  • Sal: 1 colher de café (opcional, já que o caldo é bem temperado)
Modo de preparação:

(i) Aquecer a água: coloca 800 ml de água numa panela alta com o sal e leve ao lume até ferver.

(ii) Dissolver a farinha: numa tigela à parte, mistura os 250 g de farinha de mandioca com os restantes 200 ml de água fria; mexe bem até formar uma papa lisa e sem caroços.

(iii) Misturar: assim que a água da panela estiver a ferver, verte a papa de farinha lentamente, mexendo sempre e vigorosamente com uma colher de pau (ou um bastão de funge).

(iv) Bater o funge: baixa o lume para o mínimo; usa a colher de pau para esmagar a massa contra as paredes da panela; faz  movimentos circulares rápidos e fortes (isto garante que a massa fique elástica e homogénea).

(v) Cozimento final: deixa cozer em lume muito brando por mais 5 a 8 minutos, mexendo de vez em quando. O funge está pronto quando estiver brilhante, translúcido e a soltar-se do fundo da panela.

Como servir:

(i) molha uma tigela pequena em água fria;
(ii)  coloca uma porção de funge quente lá dentro;:
(iii) abana a tigela em círculos para moldar uma bola perfeita;
(iv) coloca no prato e verte o caldo de chabéu bem quente por cima.

Pesquisa: LG +  Fundação Slow Food para a Biodiversidade +  IA (ChatGPT / Open AI)
Condensação, revisão de texto, negritos: LG
____________________

Notas do editor LG:´
´
(*) Último poste da série > 9 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28086: No céu não há disto: comes & bebes: sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande (52): Favas com peixe frito à moda de Monchique (comidas numa tasca de Portimão, em 26/5/2026)

(**) Vd. postes de:

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28186: Bom dia desde Bissau (Patrício Ribeiro) (71): Bubaque, Bijana: 11 de julho de 2026: chuva e mais chuva...


Foto nº 1


Foto nº 2


Foto nº 3


Foto nº 4

Guiné-Bissau > Arquipélago dos Bijagós > Ilha de Bubaque > Bijana > Sábado, 11 de julho de 2026 > Dia de chuva

Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]


1. Fotos enviadas pelo Patrício Ribeiro, que chegou a Bubaque, no dia 10, por volta das 13:55. Apanhou muita chuva. Devido à lentidão da Net, manda-nos sempre uma foto de cada vez. Estas foram tiradas a 11 do corrente, por volta das 14h00. 

A tabanca de Bidjana (ou Bijana) é das  comunidades que beneficia da instalação de painéis solares. Projeto Tanka Mas, da ASAD (Asociación  Solidaria Andaluza de Desarollo) (ONGD, criada em 2005, com sede em Granada). Segundo o censo de 2009, Bijana tinha 94 habitantes (49 homens,  45 mulheres).


Data - 12/7/2026, c. 19:19

Assunto - Chuva

Luís:  A canseira é tanta que dá para tirar uma sesta à chuva... na varanda de uma casa, na tabanca de Bidjana.

Mantenhas
Patrício Ribeiro

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28184: Bom dia desde Bissau (Patrício Ribeiro) (70): A "Mona Lisa" de Ancamona, Bubaque, Bijagós

 




Foto nº 1 , 1A, 1B






Foto nº 2, 2A e 2B






Foto nº 3, 3A, 3B


Guiné-Bissau > Arquipélago dos Bijagós > Ilha de Bubaque > Tabanca de Ancamona > Sábado, 11 de julho de 2026 > c. 14:43 > A responsável da associação local


Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]



1. Fotos enviadas pelo Patrício Ribeiro, que chegou a Bubaque, no dia 10, por volta das 13:55. Apanhou muita chuva. Devido à lentidão da Net, manda-nos sempre uma foto de cada vez.


Data - 12/7/2026, c. 19:34

Assunto - Tabanca de Ancamona


Luís: Na casa onde me recolhi da chuva. A responsável da associação local. Foto que merece uma pintura. Um Picasso. Escolhe a que entenderes

Mantenhas
Patrício RibeiroImpar Lda


2. Comentário do editor LG:


Bendito dia de chuva, Patrício. 
Bendita chuva.
Há momentos felizes para um fotógrafo, 
ambulante, errante, vagabundo, como tu. 
As três fotos da "Madona" de Ancamona são de antologia. 
Podiam ser um Picasso, um Vermeer, um Da Vinci. 
É, doravante, a tua "Mona Lisa" de Ancamona. 
Tira uma cópia em papel, 
e para a próxima vez entrega-lhe, à senhora. 
É um pedido meu. 
É uma mulher bijagó de uma beleza serena mas enignática. 
Uma matriarca, uma  mulher de fibra, quiçá, descendente te de rainha. 
A beleza humana tem mistérios 
que não se decifram logo a um primeiro olhar... 
Não sei o que mais admirar:
se o seu rosto,
os seus olhos, 
os seus lábios, 
a sua pose, 
as suas mãos cruzadas sobre o ventre,
o seu peito liso, 
os seus braços possantes, 
a sua saia tradicional, 
a sua t-shirt molhada, colada ao corpo, 
a sua postura serena de camponesa face à chuva 
que cai com força no tempo dela... 
e que a obriga a ficar em casa...  

Mil e uma legendas se podiam acrescentar. 
Mas há fotos que valem por mil palavras.
Confesso que fiquei literalmente fascinado, 
ao ponto de há duas horas, desde as cinco e meia, 
que estou aqui a editar as tuas fotos para este poste... 
É a tua (e a minha, a nossa) homenagem às mulheres bijagós, guineenses. 
(Nunca fui aos Bijagós,
 tens de tirar mais fotos por mim 
e por aqueles de nós que nunca foram a Bubaque.)

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