1. Mensagem do Manuel Joaquim, que ontem celebrou o seu 85º aniversário, e que nos chegou com atraso de... quatro anos (!).
Olá, Luís, boa tarde.
Aqui estou eu, vivinho da costa!
Em vez de novas palavras, junto um texto e anexo mais duas fotos da minha chegada da Guiné, as únicas que até hoje vi retratando uma partida de comboio de um cais de Lisboa.
Lisboa, Alcântara, Cais da Rocha Conde d'Obidos, 9 de maio de 1967.
Estas imagens (fotos nºs 1 e 2) captam o momento histórico da saída do Cais da Rocha Conde de Óbidos de um comboio militar. A bordo segue o pessoal do Batalhão de Caçadores 1857 (BCaç 1857).
Estas imagens imortalizam o momento da partida do comboio a caminho de Abrantes (onde ficava o RI 2, a unidade mobilizadora do BCAÇ 1857). Também mostram a envolvente de Cais da Rocha Conde de Óbidos, em Alcântara, Lisboa.
O BCAÇ 1857 acabava de desembarcar do T/T Uíge, da Companhia Colonial de Navegação (CCN) , no Cais da Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos. Era nesta gare marítima que atracavam habitualmente os grandes paquetes e navios de transporte de carga e passageiros do Ultramar. Era o "cais colonial".O comboio iniciou a sua marcha nas próprias linhas do cais, porto de Lisboa, junto à Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos , onde as composições encostavam diretamente para receber os militares recém-desembarcados e as suas bagagens.
Cruzamento Alcântara / Av 24 de Julho
- "Ponte" (com seta a apontar para a rampa de acesso à Ponte Salazar (hoje, 25 de Abril);
- "Av de Ceuta" (com seta a indicar a ligação no sentido norte/Avenida de Ceuta).
Na foto nº 1, destaca-se ao fundo o viaduto metálico de acesso à Ponte 25 de Abril (inaugurada escassos meses antes, em agosto de 1966) (diz a IA,mas eu, confesso, não o consigo ver).
Na Foto nº 1, temos a Avenida de Ceuta, em Lisboa, vista a partir do cruzamento em direção a Alcântara.
A estação que vemos à direita é a Estação Ferroviária de Alcântara-Terra. Na imagem, os carris ainda circulavam à superfície à face da estrada, antes de o canal ferroviário ter sido rebaixado e protegido como se encontra hoje em dia. (Não confundir com a estação de Alcântara-Mar, que fica mais abaixo, mais próxima do rio Tejo e junto à Linha de Cascais.)
O vale de Alcântara passou por uma transformação radical a partir da década de 1940 com a cobertura da antiga ribeira para a construção da Avenida de Ceuta, uma obra fundamental desenhada pelo urbanista Groer para ligar o centro e as zonas norte à margem do rio.
Polícia sinaleiro (“Cabeça de giz”) / Posto de trânsito
Na Foto 1 (no canto inferior direito) e na foto 2 (ao centro da via, junto a um pequeno estrado circular ou "talude" ou "peanha"), vê-se o polícia sinaleiro da Polícia de Segurança Pública (PSP) (O "Corpo de Policias Sinaleiros" foi criado em 1927, e chegou a ter 270 efetivos. )
Em meados da década de 1960, a figura do sinaleiro era absolutamente vital para gerir o trânsito de Lisboa. O cruzamento da Avenida de Ceuta com a zona ferroviária de Alcântara era um ponto extremamente crítico e perigoso, onde o tráfego rodoviário em crescimento constante se cruzava diretamente com as linhas de comboio à superfície.
- À esquerda, um Ford Cortina (Mark I) escuro (com a placa de matrícula da época EI-40-49).
- Ao centro/esquerda, um Austin Cambridge / Morris Oxford (série Farina) de cor clara (com a matrícula LP-68-41).
Ao fundo e na lateral esquerda, observam-se os edifícios de traça industrial do Porto de Lisboa e dos armazéns de Alcântara, para além das colinas de Alcântara/Prazeres (ao fundo, o Cemitério dos Prazeres)
Cemitério dos Prazeres / "Cerca de ciprestes"
Na crista da colina que se ergue ao fundo da Foto nº 1 (alinhada com o eixo da Avenida de Ceuta e a encosta de Alcântara), sobressai uma mancha densa e escura de árvores perfeitamente alinhadas.
Trata-se da emblemática e monumental muralha/cerca vegetal de ciprestes do Cemitério dos Prazeres. Fundado em 1833 no topo do outeiro, o cemitério alberga uma das maiores e mais antigas concentrações de ciprestes (Cupressus sempervirens) da Península Ibérica, funcionando como um verdadeiro marco na paisagem urbana visto a partir do vale de Alcântara e do rio Tejo.
Recorde-se que o comboio, operado pela Fertagus, na Ponte 25 de Abril (ex-Salazar) só começou a circular a partir de 29 de julho de 1999.
Pesquisa: LG + IA (Gemini / Google IA) + Blogue
Último poste da série > 19 de novembro de 2021 > Guiné 61/74 - P22731: O cruzeiro das nossas vidas (31): a minha viagem (pacífica) no N/M Ambrizete, de 3 a 9 de novembro de 1970, com partida (atribulada) oito dias depois do programado (Hélder Sousa, ex-fur mil trms, TSF, Piche e Bissau, 1970/72)




























