sábado, 25 de agosto de 2012

Guiné 63/74 - P10299: O Nosso Livro de Visitas (145): V. Lucia B. Melo, filha de António Melo, camarada da diáspora, ex-1.º Cabo Rec Inf, CCS/BCAÇ 2930 Catió, e QG, Bissau, 1972/74

1. Mensagem da filha do nosso camarada António Melo, que presumimos viva em Espanha, tal como o pai:

De: V Lucia B. Melo <vbentodemelo@gmail.com>
Data 12 de agosto de 2012 13:32
Assunto: Filha de ex-1º Cabo Rec Inf António Melo, CCS/BCAÇ 2930, Catió, e QG, Bissau, 1972/74)



Buenas

Me dirijo con gran alegria a los compañeros de mi Padre.

Soy hija de António Melo y me dirijo ud. por que me siento orgullosa de mi Padre que como vosotros fue un luchador y de mi Madre que le seguio los pasos.

Me seguire comunicando ud. para mandar pequenos poemas, pequenãs frases que describo a todos vosotros.

Un gran abrazo de

V. Lucia B. Melo



CORAZON DE GUERRERO
[autor:  Carlos Torrejon Cuenca]

Todos te reprochan
tu lucha es difícil
tu lucha es imposible...
no podrás triunfar, vas a caer...

Pero tú ya has visto la muerte
el infierno, y la oscuridad de tu alma
tus oídos están sordos para palabras cobardes
tu alma te impide retroceder.

La razón poco o nada significa, verdad?
en ti arde el fuego del guerrero
es tu naturaleza desafiarte
llegar hasta el borde del abismo
ver el infierno, a sus demonios
y enfrentarlos...
La lucha imposible
la lucha por lo olvidado
o por aquello, que no trae mas recompensa
que no haber hecho nada...

Esa es tu forma de Fe
esa es tu forma de creer en Dios
así sabes que Dios es quien
decide sobre tu alma y sobre tu sendero.

Tus ojos no ven peligro, ven desafío
al borde de los secretos del poder...
Y por eso tu lucha siempre será digna
como la verdad...
SIEMPRE HAS LUCHADO HASTA EL FINAL...

Tu fuerza como el sol brilla
tu alma como la luna, el infinito refleja
Que Dios te abraze
Nai elwë vayurva le
Que encuentres la luz en la oscuridad
lucha... y cuando encuentres al final
la paz... siéntate al borde del mar de las memorias 
y sueña... pero esta vez, vive tu sueño
ahí estarás... tu sueño será tu realidad
encontrarás... al final el lugar que Dios te prometió.


2. Comentário de CV:

Cara amiga Lúcia:
Muito obrigado pelo seu contacto e pelas palavras tão sentidas que dirige a seu pai e a nós seus camaradas, ex-combatentes da guerra colonial.

Nós queríamos publicar no nosso blogue o poema que nos mandou, mas como respeitamos a propriedade intelectual, queremos que nos diga, caso não o tenha escrito, o nome do autor para constar do post. 

Esta mensagem segue para conhecimento de seu pai para o caso de ter dificuldade em entender português, ele a possa ajudar.

Receba os nossos cumprimentos
Carlos Vinhal

PS - Identificámos o autor do poema, que é boliviano, e localizámos um fórum  onde ele, Carlos A. Torrejon Cuenca, escreve o seguinte, com data de 9 de junho de 2007: 

"Hey hola... bueno solo queria pedirles q porfabor pongan quienes son los autores de los poemas q usan y eso lo digo porque el autor del poema q aqui citan "corazon de guerrero" soy yo... Carlos A. Torrejon Cuenca... no estoy en contra de q lo usen... si ayuda a inspirar a gente... me siento feliz... pero porfabor pongan de quien es... sucede q en otra parte del internet lo usaron para dedicarselo q Pinochet... y bueno eso si q no me gusto... asi q quiero evitar ese tipo de cosas porfabor...
gracias :)".
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Nota do editor:

Último poste da série > 17 de agosto de 2012 >  Guiné 63/74 - P10273: O Nosso Livro de Visitas (144): Nasce Biblioteca Pública em Bissau, graças ao trabalho da ONGD 'Afectos com Letras' (António Bernardo, CCS/BART 2920, Bafatá, 1970/72)

Guiné 63/74 - P10298: Parabéns a você (464): Manuel Carmelita, ex-Fur Mil Mec Radiomontador da CCS/BCAÇ 3852 (Guiné, 1971/73)

Para aceder aos postes do no nosso camarada Manuel Carmelita, clicar aqui
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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Guiné 63/74 - P10297: Blogpoesia (197): O trabalho, por António Peres, poeta popular (José Colaço)


1. Mensagem do nosso camarada e amigo José Colaço:

De: José Colaço [ josebcolaco@gmail.com]

Data: 19 de Agosto de 2012 18:31

Assunto: O trabalho


Caro Luís Graça:

Versos de um poeta popular,  quase analfabeto,  e que já não faz parte dos vivos. Luís, sei que adoras a poesia popular, ou não fosses tu filho de um poeta popular. Ao organizar uns arquivos, encontrei estes versos de um tio da minha esposa e meu tio por afinidade, António Peres.  Trata-se de um poema dedicado ao 1º de Maio de 1988: O trabalho.

O que mais me surpreende nos versos é que retratam, de modo simples e verdadeiro,  o seu passado como trabalhador no seu (revoltado) título, que é meu.  

2. Blogpoesia > O trabalho, por António Peres

I

Tanto que eu trabalhei
Para este nosso Portugal,
Só agora reparei
Quem trabalha pouco vale.

II

Comecei logo em criança
A trabalhar para aprender,
Hoje o que me resta de esperança
É trabalhar sem poder.

III

Trabalhei na agricultura,
Mesmo sem ser cultivado,
Agarrado a um arado
A romper a terra dura.

IV

Trabalhei na construção,
Mesmo sem ser construtor,
A largar tanto suor
Hoje não tenho habitação.

V

Trabalhei para tantas escolas,
Mesmo sem saber escrever,
Trabalhei para grandes hotéis
Mas nunca lá fui comer.

VI

Trabalhei para auto-estradas,
Para pontes e pontões,
Trabalhei para passearem
Tantos,  tantos cidadões.

VII

Eu trabalhei para barragens
Sem ter nada para regar,
Trabalhei para tantas docas
Sem ter barcos para navegar.

VIII

Trabalhei para aeroportos,
Sem nunca andar de avião,
Tanto que eu trabalhei,
Fazendo sondagens ao chão.


IX

Trabalhei para tanta fábrica,
Mesmo sem ser fabricante,
Trabalhei em tanto lado,
O trabalho era volante.

X

Hoje sinto-me cansado,
Ando suspenso por pontos,
Porque já fui reformado
E recebo treze contos.

XI

Hoje quero e não posso,
Mas nunca dou voz de fraco,
Quem anda a comer o nosso
É o grupo do Cavaco.

Autor: António Peres

2. Comentário de L.G.:

Obrigado, Zé. Muitos camaradas serão capazes de se identificar com o conteúdo e a forma destas quadras populares do teu tio António Peres.  É a história, singela, resumida, em 11 quadras, de uma vida, a de um trabalhador português do séc XX... Temos uma ideia romântica do trabalho que dignifica, que é fonte de realização, que é feito com alegria, que reabilita, que regenera, que sublima, que liberta, que é via de mobilidade social...

O tanas, trabalhar no campo, trabalhar nas minas, trabalhar nas pescas, trabalhar nas fábricas, é duro, sempre foi  duro... E está longe de ser socialmente valorizado numa sociedade como a nossa em que o trabalho é maldição e punição... O sucesso rápido e o enriquecimento fácil são os valores dominantes... No fundo os portugueses, ou melhor dizendo, a nossa elite dirigente tem, sempre teve, uma profunda repulsa pela trabalho manual e pelo povo que trabalha... e que faz as guerras (Releia-se esse ainda atual texto poético do jovem  Eça de Queirós, esse belíssimo panegírico,  sobre o povo português, que ele escreveu em editorial 10 de janeiro de 1867 em editorial do "Distrito de Évora""Há no mundo uma raça de homens com instintos sagrados e luminosos, com divinas bondades do coração, com uma inteligência serena e lúcida, com dedicações profundas, cheias de amor pelo trabalho e de adoração pelo bem, que sofrem, que se lamentam em vão. Estes homens são o Povo. Estes homens estão sob o peso de calor e de sol, transidos pelas chuvas, roídos de frio, descalços, mal nutridos, lavram a terra, revolvem-na, gastam a sua vida, a sua força, para criar o pão, o alimento de todos. Estes são o Povo, e são os que nos alimentam. (...) Estes homens, nos tempos de lutas e crises, tomam as velhas armas da Pátria, e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, à neve, à chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nós conservemos o nosso descanso opulento. Estes homens são o Povo, e são os que nos defendem"...).

Enfim, temos aqui um tema que dá(va) pano para mangas... Para mais,  em tempo de férias e sobretudo de gravíssima crise económica e social, visível por (quase) toda a parte. Mas aqui, em Candoz, é preciso fazar a "poda verde", que a vindima pode ser daqui a um mês, se o tempo ajudar o lavrador que nunca tem férias... (As uvas andam atrasadas 10 dias...). Um alfa bravo para os leitores do blogue, quer trabalhem ou não.

PS - E a propósitos de férias, fica o povo a saber que o nosso editor-sempre-de-serviço, Carlos Vinhal, vai  uns dias descansar, fora de casa, que ele e a Dina bem merecem... Eis a sua missiva de hoje: "Caros camaradas: Vou passar uns dias de férias por aqui próximo, fora de casa, mas não tão longe que em pouco tempo não esteja junto da minha mãe se houver algum problema. Queria pedir-vos o favor de publicardes os aniversários que faltam, 25, 27 e 28 de Agosto. Devo estar de volta pelo fim do mês, princípio de Setembro, dependendo da disposição e da vontade de regressar ao doce lar. Abraço. Carlos"...  Fica descansado, Carlos. A gente desdobra-se. Volta bem e em forma. No final do mês também eu regresso a Lisboa. LG
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Nota do editor

Último poste da série > 4 de agosto de 2012 > Guiné 63/74 - P10227: Blogpoesia (196): Na Grande Rota Caminho do Atlântico (GR11 - E9), a Praia do Paimogo da minha infância... (Luís Graça)

Guiné 63/74 - P10296: Notas de leitura (395): Guiné-Bissau, Um Estudo de Mobilização Política, de Lars Rudebeck (Mário Beja Santos)

1. Mensagem de Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, Comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70) com data de 3 de Julho de 2012:

Queridos amigos,
Foi graças ao empréstimo de António Duarte Silva que tive acesso a este estudo certamente impar na bibliografia do PAIGC.
Este professor de Uppsala (Suécia) lançou-se numa investigação onde, ao que parece, não teve concorrência: estudou em profundidade a orgânica socioeconómica e social do PAIGC no interior da Guiné e acompanhou de perto o processo eleitoral que desembocou nas eleições para a Assembleia Nacional, em 1972.
Lars Rudebeck irá aparecer mais tarde como investigador no INEP, diferentes trabalhos seus irão aparecer na revista Soronda, hoje acessível porque os seus números foram digitalizados e são uma fonte de conhecimento do maior interesse.

Um abraço do
Mário


Guiné-Bissau, um estudo de mobilização política

Beja Santos

O leitor e confrade tem interesse em, antes de começar a ler esta recensão, procurar saber mais sobre o currículo de Lars Rudebeck (foto à direita), um cientista de renome internacional que ensinou em Upsala, na Suécia. O professor Lars Rudebeck concluiu à volta de Julho de 1974 este livro (publicado igualmente em 1974), exatamente no tempo em que o presidente da República António de Spínola anunciava a nova era da descolonização, pouco antes da República da Guiné-Bissau ter sido acolhida nas Nações Unidas. Trata-se de um estudo de alto gabarito e singular no panorama de todos os trabalhos efetuados sobre a ideologia, a orgânica e a emergência da ordem social instituída pelo PAIGC, o investigador revela um conhecimento detalhado da realidade guineense, visitou as zonas controladas pelo PAIGC em 1970 e 1972 e conversou com Amílcar Cabral, com quem se correspondeu até ao seu assassinato. Da gama dos diferentes estudos e reportagens efetuados antes ou pouco depois da independência, este goza de uma particularidade: o cientista social e político procedeu junto das populações afetas ao PAIGC a entrevistas diretas nas chamadas áreas libertadas com destaque para Sara-Candjambari, e acompanhou, em 1972, o processo de recenseamento e votação para a Assembleia Nacional.

A investigação compreende essencialmente as seguintes partes: passado e presente da Guiné e de Cabo Verde em relação à luta de libertação; a ideologia e os objetivos nucleares do PAIGC, a vida nos territórios libertados e um punhado de reflexões sobre a essência teórica deste movimento de libertação, justificando, dentro da sociologia política, o significado que o cientista dá para mobilização política.

Dir-se-á quanto ao que nos revela sobre a Guiné e Cabo Verde que as notas históricas estão corretas e olhando para os quadros estatísticos de educação e saúde, por exemplo, fica-se com uma ideia clara sobre as diferenças abissais no desenvolvimento destes dois territórios. O autor nunca questiona se existe ou não uma base de sustentação para a dita unidade Guiné-Cabo Verde, menciona-a como decorrente do ideário do PAIGC. No tocante à Guiné-Bissau, que é o centro do estudo do investigador sueco, ele lança um olhar em concordância com a leitura feita por Cabral quanto às pessoas, as explorações económicas, pega mesmo no memorando que Cabral escreveu aquando da sua primeira visita a Londres para referir a natureza rural do país e como a luta de libertação iria assentar na conscientização dos agricultores. Refere-se às relações internacionais do PAIGC tanto no campo africano, as ajudas recebidas da China, URSS e aliados, e lista os apoios recebidos dos países ocidentais, com destaque para os escandinavos. Explica a evolução da guerra, as políticas de Schulz e Spínola, os acontecimentos de 1973, e, por fim, a independência. Sobre o assassinato de Cabral, toma em consideração os factos enunciados por Aquino de Bragança, publicados em Afrique-Asie, a existência de três grupos conspiradores: o primeiro, constituído por militantes de longa data alegadamente recrutados pelos serviços secretos coloniais, caso de Rafael Barbosa ou Momo Touré; o segundo, incluiria elementos corruptos ou descontentes com a linha política do Partido e que se tinham tornado elementos recrutados pela PIDE; um terceiro, onde se incorporavam peritos contraguerrilha, lançados em Conacri como desertores do exército colonial. Escusado é dizer que estas reflexões no essencial eram infundadas, foram um expediente usado para desviar a questão essencial do contencioso entre guineenses e cabo-verdianos.

O estudo da ideologia é minucioso. Pega no conceito de “a arma da teoria” e comenta como de uma estrutura marxista Cabral faz uma leitura da sociedade e do desenvolvimento na Guiné para distinguir que a libertação não pode ocorrer nem consolidar-se com base nos cânones nas lutas de classe. Cabral acentua que a exploração colonial na Guiné não obedece a um plano imperialista e que a burguesia existente na Guiné em nada tinha a ver com a burguesia dos países em luta contra o imperialismo, mas não deixa de chamar a atenção para as questões tribais que a prática política do PAIGC deverá superar. E debruça-se, a seguir sobre os aspetos concretos da ideologia nas dimensões políticas, económicas, sociais e culturais na prática do PAIGC e como se converteu esta ideologia em ação política, Lars Rudebeck procede a uma análise das “Palavras de ordem gerais” elaboradas por Cabral, analisa-as a partir dos princípios da China Popular, do Vietname e da Argélia. É nestes documentos que Cabral refere a necessidade de desenvolver a agricultura nas regiões libertadas, os guerrilheiros deveriam repartir o seu tempo ajudando os camponeses. O que há de fundamental a reter é que o pensamento de Cabral não se baseava numa cartilha ideológica consistente, os próprios armazéns do povo que se pretendia que organizassem a distribuição de bens de consumo nas áreas libertadas funcionavam como local de troca, para gerar o sentimento de que os libertados ponham os seus meios de produção ao dispor dos outros.

Tomando à letra a verificação do documento “Palavras de ordem gerais”, o cientista analisa os conceitos de centralismo democrático em que Cabral assentava a democracia revolucionária, passando para as considerações sobre a ordem social, passo em revista a orgânica política e administrativa do PAIGC (Conselho Superior da Luta, Comité Executivo da Luta, Conselho de Guerra, Secretariado Permanente, órgãos de topo, e depois disseca a base, a partir dos comités de tabanca até aos comités nacionais, mais tarde as frentes Norte e Sul. É este o nível de orgânica, entre tabancas e regiões que o autor faz entrevistas; segue-se uma análise das organizações militares, do sistema judicial e como foi evoluindo, até 1973, a ideia de Estado separado do Partido. Explica detalhadamente a campanha eleitoral de 1972 e dá os números para eleição da Assembleia Nacional.

O seu estudo conclui uma digressão sobre a organização socioeconómica e cultural do PAIGC, desvela o funcionamento dos armazéns do povo, quais as mercadorias aqui transacionadas, passa depois para os cuidados médicos e de saúde, a rede hospitalar e pessoal médico, quais os postos sanitários e brigadas de saúde e sua localização; refere a política de educação, os conteúdos e como, por via da cooperação, o PAIGC solicitou bolsas em áreas-chave: ciências agronómicas, medicina, economia, direito, várias especialidades na engenharia, e humanidades, e depois dá números dos bolseiros até 1973 e reserva uma última palavra para a posição das mulheres na luta armada e nas áreas libertadas.

As reflexões finais centram-se no conceito de mobilização política que ele associa a um processo político e a mecanismos através dos quais os líderes organizam diferentes apoios para a luta revolucionária, apelando tanto à libertação como à necessidade de lançar as bases de uma satisfação material e ao respeito pela dignidade humana. Dos seus inquéritos, o cientista não esconde que encontrou estruturas autoritárias e profundamente hierarquizadas, baixo nível educativo do povo em geral e casos patentes de inércia social, a despeito de uma capacidade inequivocamente agressiva dos grupos armados.

Em suma, um estudo que devia ser retomado em futuros trabalhos históricos, dado o seu ineditismo e profundidade de análise social.
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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 20 de Agosto de 2012 > Guiné 63/74 - P10281: Notas de leitura (394): Colectânea "Toda a Memória do Mundo", iniciativa da Câmara Municipal de Cascais, 2006 (Mário Beja Santos)

Guiné 63/74 - P10295: Parabéns a você (463): António Fernando Marques, ex-Fur Mil da CCAÇ 12 (Guiné, 1969/71)

Para aceder aos postes do nosso camarada António Fernando Marques, clicar aqui
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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 22 de Agosto de 2012 > Guiné 63/74 - P10287: Parabéns a você (459): Carlos Cordeiro, ex-Fur Mil (Angola, 1969/71) e José Luís Vacas de Carvalho, ex-Alf Mil Cav, CMDT do Pel Rec Daimler 2206 (Guiné, 1969/71)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Guiné 63/74 - P10294: O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande (60): Obrigado, querido blogue, pelo reencontro do Xico Coelho, ex-fur mil da CCAÇ 2466 (Bula e Encheia, 1969/70), de quem, tinha perdido o rasto... Natural de Portel, vive em Almada, e chegou até mim através do blogue (Armando Pires)



Guiné > Região do Cacheu > Bula > 1969 >CCAÇ 2466 > Patrulha à Ponta Consolação > "Eu na secção do Xico Coelho. Ele vai à frente e eu atrás dele. Em pé."

Foto (e legenda): © Armando Pires (2012). Todos os direitos reservados



1. Mensagem, com data de ontem,. do nosso camarada Armando Pires (ex-Fur Mil Enf da CCS/BCAÇ 2861, Bula e Bissorã, 1969/70) [, foto à direita],

Meu Caro Luís Graça, Camarada: Gostaria que entregasses este meu agradecimento ao nosso querido Blog. Abraços.

Querido Blog:

Hoje trouxeste mais uma grande emoção à minha vida e quero, por isso, agradecer-te. Como se fosse necessário. Como se eu não soubesse o quanto rejubilas de alegria sempre que cumpres o teu destino.

Quero dizer-te que me telefonou o Xico Coelho.

Depois de tantos “desaparecidos”que devolveste ao meu convívio, ainda recentemente foi aquele rapaz de Espinho, o Bernardino Cardoso, ex-fur mil do EREC 2454, que esteve comigo em Bula, no ano de 69, agora foi a vez do Xico Coelho, de quem eu nada sabia há 43 anos.

O Xico foi furriel miliciano da CCAÇ 2466, companhia que pertenceu ao meu Batalhão, e que esteve juntamente connosco em Bula, entre Fevereiro e Agosto de 1969. Depois a sede do Batalhão mudou para Bissorã e a 2466 foi cumprir o resto da comissão a Encheia.

Alentejano de Portel, o Xico vive em Almada, do lado de lá do rio, aqui mesmo em frente dos meus olhos. Homem pouco dado às tecnologias, contou-me ele, reformou-se e a neta convenceu-o a comprar um computador e a iniciar-se na arte da navegação. Ainda tropeça nas velas mas lá vai indo. 

Estava ele a ver se encontrava uma loja que vendesse uns produtos hortícolas, de que necessitava lá para a horta de Portel, quando a busca encalhou em Luís... Luís qualquer coisa que o importante é que estava lá escrito GUINÉ.

E o Xico entrou. Com tanta sorte que nas diferentes ofertas que o Luís Graça nos faz, ele mergulhou directamente nas tuas páginas. Ansioso e pasmado com o que via e lia – isto é sempre ele a contar-me – foi andando, andando, quando reparou que havia ali uma lista de nomes, dos nomes que são a tua família.
- Deixa cá ver se conheço aqui algum gajo …ora fulano … beltrano … Armando Pires …ó raio! Armando Pires?!? Será que é ele?  [, Foto do Armando Pires, à esquerda, no tempo de Bula].

Era eu!!! E tu deste-lhe o meu número de telemóvel para ele me falar.

Foram momentos indescritíveis. Recordações, riso e emoção. Que partilhei, logo de seguida, com outros camaradas da Companhia do Xico que dele também não sabiam há muito.

Agora estamos junto. Outra vez juntos. Graças a ti. Quero por isso agradecer-te, meu querido Blog.


2. Nota posterior do Armando Pires (24/8/2012, 19h16):

Meu Caro Luís Graça, Camarada: Muito obrigado pelas palavras que me diriges no teu comentário.
E agradeço a brevidade com que "publicaste" a minha carta porque isso deu um forte contributo para que o Xico Coelho se tivesse entusiasmado e acelerado o seu "curso de patrão de costa".
Só foi pena, e peço-te, com toda a sinceridade, que não tomes como crítica, que não tivesses reparado na segunda página do meu documento, porque ela levava uma fotografia minha com o Xico Coelho. O texto acabava e já não suportava que, encostado a ele, colasse a foto. Daí quue ela tenha saltado para a página seguinte. Presumindo que já tenhas eliminado o documento, dado que já publicado, só por curiosidade, a foto é a que vai em anexo e a legenda era esta: Eu na secção do Xico Coelho. Ele vai à frente e eu atrás dele. Em pé.

Para a próxima, já sei, componho os espaços de forma a que as fotos fiquem juntas. Um grande abraço e um bom fim de semana. Armando Pires.

3. Comentário de L.G.:

Armando: Tens toda razão. Transcrevi o teu texto, em formato doc, mas "deixei cair" a foto, que vinha na página dois. Foi oportuna a tua chamada de atenção. E logo que pude, mesmo em férias, fiz a correção que se impunha. Para tua informação, guardamos sempre em arquivo as mensagens que nos chegam, com os respetivos anexos (se for caso disso). Como eu costumo dizer, aqui tudo se guarda, com exceção do lixo (mensagens Spam ou correio indesejával). Quanto aos comentários que fiz ao teu poste, são do seguinte teor: 


(i) "O todo é sempre maior do que a soma das partes... É por isso que dizemos, com humor mas também com carinho, que o mundo é pequeno e nossa Tabanca... é Grande. Com este blogue temos e faremos o que quisermos, nós, os camaradas da Guiné... Fico feliz por ver felizes camaradas como o Armando Pires, o António Nobre ou o Henrique Cerqueira... Por mim, continuarei a teclar e blogar até que os dedos... me doam! De Candoz com um xicoração para todo o pessoal. LG".

(ii) "De facto, é tocante... alguém, um camarada de barba rija, tratar o blogue dessa maneira, 'meu querido blogue'... O Armando é dos camaradas que dão alma e sentido a este projeto que aqui nos reúne, todos os dias, às vezes mais bem dispostos, outras vezes nem por isso... LG".
PS - Armando, traz o Xico ao nosso convívio!

Guiné 63/74 - P10293: Tabanca Grande (356): Adelino Barrusso Capinha, ex-1.º Cabo Operador Cripto da CCS/BART 1904 (Bissau e Bambadinca, 1967/68)

1. Mensagem do nosso camarada e novo tertuliano Adelino Barrusso Capinha (ex-1.º Cabo Operador Cripto da CCS/BART 1904, Bissau e Bambadinca, 1967/68), com data de 17 de Agosto de 2012:

Caros camaradas
Acabei de aceder ao vosso blogue e desejo fazer a minha apresentação:

Sou: Adelino Barrusso Capinha,
Posto: Ex-1.º Cabo
Especialidade: Operador Cripto 
Pertenci à CCS do BART 1904 e estive em Bissau e em Bambadinca nos anos de 1967/68

Moro em Ladoeiro, Castelo Branco.

Neste momento não tenho disponível foto militar que prometo enviar logo que possível.
Em anexo foto actual.

Um abraço
Adelino Capinha

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > 1970 > Vista aérea da tabanca de Bambadinca, tirada no sentido sul-norte. Em primeiro plano, a saída (lado leste) do aquartelamento, ligando à estrada Bambadinca-Bafatá. Ao fundo, o Rio Geba Estreito.

Foto © Humberto Reis (2006) 


2. Comentário de CV:

Caro camarada Adelino Capinha, bem aparecido na Tabanca Grande onde te poderás instalar e começar logo que queiras, ou possas, a contares à tertúlia as tuas memórias e enviar fotos para publicação.

Não saberás, mas a jóia para ser admitido é contar uma pequena história que poderá ser de um qualquer momento que te tenha marcado, e foram muitos por certo, desde a viagem de ida, passando pelo tempo em que cumpriste a tua comissão, até à viagem de regresso.

Ficas devedor ao Blogue, mas não te preocupes porque terás muito tempo para acertar contas.

Se tiveres alguma dúvida que queiras ver esclarecida, tens à tua disposição a caixa de correio do Blogue: luisgracaecamaradasdaguine@gmail.com, assim como as dos dois co-editores, eu e o Eduardo Magalhães, que encontrarás no lado esquerdo da nossa página.

Antes de terminar esta tua apresentação, envio-te um abraço em nome da tertúlia e dos editores.

O teu camarada e novo amigo
Carlos Vinhal
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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 22 de Agosto de 2012 > Guiné 63/74 - P10289: Tabanca Grande (355): Manuel Dias Pinheiro Gomes, ex-1.º Cabo Radiotelegrafista do STM / Agrupamento de Transmissões da Guiné (Catió e Bissau, 1970/72)

Guiné 63/74 - P10292: Blogoterapia (214): A minha Praia (Henrique Cerqueira)

Praia da Luz - Foz do Douro - Porto

1. Mensagem do nosso camarada Henrique Cerqueira* (ex-Fur Mil da 3.ª CCAÇ/BCAÇ 4610/72, Biambe e Bissorã, 1972/74), com data de 22 de Agosto de 2012:

Camarada Carlos Vinhal
Hoje aconteceu que fui apanhado pela “Nostalgia” e vai daí escrevi com o lápis e com o “Coração”.
Como dará para ver, e como sempre lembro, não sei “escrever” para todos lerem mas arrisquei, e como este escrito é mais do coração que da “pena”...

Um abraço
Henrique Cerqueira


A minha Praia

Enfim instalado na areia dourada da minha praia preferida da Foz do Douro.
É de areia dourada e muito rochosa de cor acastanhada, que em certos momentos a paisagem nos faz lembrar outros locais utilizados em filmes de ficção sobre outros planetas. Mas neste local onde me instalei para saborear um pouco dos raios do nosso astro-rei para relaxar e bronzear um pouco corpinho, tenho à minha frente o meu Oceano azul, salpicado aqui e ali por crista brancas, com a sua linha do horizonte como que riscada a régua e esquadro numa tela de fundo azulada, onde se encontra com o céu salpicado de alguns novelos de nuvens acinzentadas.
Mais próximo da praia, a escassas dezenas de metros, lá está o "Velho Gilreu" que é uma ilhota ou seja um grande rochedo no meio do mar, como que a lembrar os meus tempos de jovem adolescente, que à boleia de alguns barqueiros, formávamos pequenos grupos de rapazes e raparigas para irmos apanhar lapas e mexilhões, e com um pouco de sorte um beijinho ou outro da nossa miúda.

Mas o que pode interessar assim tanto a minha praia? Afinal há tantas praias e todos poderão ver o horizonte, o Gilreu e a paisagem.
Pois é... Só que não a veem com os meus sentidos e muito menos com as minhas recordações. Ou ainda com a falta delas naqueles dois anos passados na Guiné, longe tão longe da minha praia. Tinha as recordações dos anos anteriores não é? Não na verdade eu lá na Guiné não recordava a minha praia, o meu mar, o meu Gilreu, não... não recordava.

Quando tentava recordar só aparecia uma imagem na minha cabeça, imagem essa que era como um letreiro a neon que piscava incessantemente... Até que consegui decifrar esse letreiro.
Não... não era o nome da minha praia, nem imagens da minha praia, nada disso. Depois de muito tentar eu decifrei e... então entendi a mensagem que era: "Tens que sobreviver a isto. Tens que voltar à tua praia".

Eu estive lá e voltei, e hoje a minha praia está tal e qual como quando a deixei nesses dois anos. Já não posso ir ao Gilreu aos mexilhões e às lapas mas estou aqui espraiado ao sol mirando o meu horizonte, o meu Gilreu e o meu mar. Estranho... também estou triste, e porquê? Já sei, é que tive camaradas e amigos que jamais voltaram para ver a "Sua Praia".

Quem sabe, um dia nos encontraremos noutro "Espaço" e então eu lhes falarei da minha praia. Quem sabe?...

Hoje escrevi estas letras movido por alguma nostalgia quando estava na praia a desfrutar um pouco de sol, e como tenho que fazer alguma coisa na praia, geralmente ocupo o tempo com papel e lápis.
Hoje desculpo-me perante vós com esta escrita mal alinhavada e ao correr da pena, no entanto gostaria que vissem a minha e a vossa praia com o sentimento real e verdadeiro que hoje vi.

Um grande abraço e um bom Verão para toda a tertúlia deste Blogue
Henrique Cerqueira
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Notas de CV:

(*) Vd. poste de 3 de Agosto de 2012 > Guiné 63/74 - P10220: Os nossos últimos seis meses (de 25abr74 a 15out74) (12): Os primeiros encontros, em Bissorã, com o inimigo de ontem (Henrique Cerqueira, ex-fur mil, CCAÇ 13, 1973/74)

Vd. último poste da série de 17 de Agosto de 2012 > Guiné 63/74 - P10275: Blogoterapia (213): Amizades encontradas nas bolanhas e matas do nosso Blogue (José da Câmara)

Guiné 63/74 - P10291: Convívios (466): 4º encontro dos ex-combatentes do Seixal, Lourinhã, que participaram na guerra colonial: sábado, 26 de agosto (Jaime Bonifácio Marques da Silva)

1.  Notícia que nos chegou, com pedido de publicação,  por mão do nosso amigo e camarada Jaime Bonifácio Marques da Silva, ex-alf mil pára (BCP 21, Angola, 1970/72) [,foto atual à direita]:


4.º ENCONTRO DOS EX-COMBATENTES DO SEIXAL PARTICIPANTES NA GUERRA COLONIAL > 26 DE AGOSTO DE 2012


PROGRAMA:

10.00 HORAS – Seixal, Lourinhã: Concentração dos participantes junto à igreja local;

– Missa em memória do Arsénio Bonifácio Marques da Silva,  natural do Seixal, de todos os demais jovens que tombaram durante a guerra colonial ao serviço de Portugal, e ainda dos ex-combatentes que já faleceram;

- Partida para a Lourinhã: Romagem ao cemitério da Lourinhã; colocação de uma coroa de flores na campa do Arsénio Bonifácio e dos ex--combatentes do Seixal já falecidos; 


12.30 HORAS – Lourinhã: Monumento dos Combatentes [, foto à esquerda, pormenor];

- Cerimónia de homenagem a todos os jovens da Lourinhã que tombaram durante a guerra ao serviço de Portugal.

13.30 HORAS – Seixal: Almoço convívio no clube local

Inscrições para o almoço até ao dia 22 de agosto

Contactos da comissão organizadora > Telem. 966878619 - 917818481 


2. Comentário do editor:

Já aqui demos conta, há três anos atrás,  da louvável iniciativa que foi a  Exposição evocativa da participação dos jovens do Seixal, Lourinhã, na guerra colonial (1961-1974).

A ideia original desta exposição documental  e fotobiográfica foi do Jaime Bonifácio Marques da Silva,  licenciado em ciências do desporto, professor de educação física reformado, antigo vereador da cultura da Câmara Municipal de Fafe, ex-Alf Mil Pára-quedista (BCP 21, Angola, 1970/72), grande dinamizador de iniciativas ligadas à preservação da memória dos antigos combatentes da guerra colonial (nomeadamente, em Fafe, onde vive, e na Lourinhã, terra que o viu nascer).

A comissão organizadora do evento, na altura, era constituída pelo Jaime e pelo Arménio Pereira (que recolheram os depoimentos orais, escreveram as notas biográficas e seleccionaram o material fotográfico), bem como pelo José Maria Malaquias (responsável pelo apoio logístico).

A exposição de 2009 era constituída por 33 posters, sendo o primeiro de apresentação e de enquadramento, incluindo o contexto histórico da guerra colonial, e a lista do pessoal. Cada um dos restantes 32 posters era dedicado a cada um dos 32 seixalenses que combateram na guerra colonial, alguns integrados na Marinha ou na Força Aérea, mas a maioria no Exército.

Ao todo foram 39 os ex-combatentes seixalenses, mas houve 7 que não foi possível contactar em tempo útil, por viverem  fora da terra ou no estrangeiro. A exposição teve um triplo objetivo, segundo os seus organizadores: (i) lutar contra a cultura do esquecimento que se instalou em Portugal após o final da guerra colonial; (ii) relembrar e homenagear aqueles que fizeram a guerra, obrigados ou não, que derem o melhor de si à sua Pátria, independentemente da legitimidade daquela guerra, e do regime político que a promoveu, manteve e conduziu; e por fim (iii) 
juntar num primeiro e salutar convívio os jovens o Seixal que lutaram em África, desde 4 de Junho de 1961 [data em que partiu o primeiro para Angola, o João Matias] até ao dia 6 de Novembro de 1975, data do regresso do último, o Mário João, também de Angola.

Dos 39 combatentes seixalenses (, até agora recenseados) houve um, o Arsénio Marques Bonifácio da Silva, primo do Jaime, que norreu em Angola. E outro, o Carlos Alberto Seixas,  foi gravemente ferido, tendo ficado incapacitado para realizar uma vida normal.

Eis uma nota sobre os seixalenses que passaram pelo TO da Guiné:

(i) Joaquim Pereira Marques: fez parte da CCS/BCAÇ 1888 (Fá Mandinga e Bambadinca, 1966/68): da sua ficha, consta que durante a sua comissão esteve destacado nos aquartelamentos de Fá e Bambadinca , onde actuou como operacional em inúmeras operações de combate, de reconhecimento e de apoio às operações dos fuzileiros. Felizmente, a sua companhia não sofreu baixas. Esteve 14 anos emigrado em França. Vive hoje no Seixal.

(ii) José Maria Malaquias: soldado condutor auto, Pel Mort 2174 (Dugal / Nhacra e Bissau, 1969/71). Esteve a maior parte do tempo no Quartel Geral de Adidos, dando apoio a Movimento Nacional Feminino. Emigrou para o Canadá.

(iii) Adão Cipriano Andrade: foi ajudante de cozinha no Quartel Geral deAdidos, em Bissau (1965/67). Diz que foi uma “rica vida”, tendo lá passado “o melhor tempo de tropa”. Após a “peluda”, trabalhou na agricultura e na reparação automóvel. Está hoje reformado.

(iv) Alexandre M. Santos: Sol Atirador Inf, fez parte da CCAÇ 3461 / BCAÇ 3863 (Carenque e Texeira Pinto, 1971/73). Vive no Seixal, salvo erro.

(v) Estêvão Alexandre Henriques: ex-Fur Mil Mecânico Rádio-Montador, CCS/BCAÇ 1858, Bissau, Teixeira Pinto, Catió, 1965/67). Era amigo do Sold José Henriques Mateus, da CCAÇ 1423/BCAÇ 1859 (Bolama, Empada, Cachil, 1965/67), um camarada de que já aqui falámos e que desapareceu misteriosamente, em Outubro de 1966, numa cambança (Era natural da Areia Branca, povoação vizinha do Seixal). Devido à sua especialidade,o Estêvão nunca participou em operações de combate. É hoje empresário rádio técnico em Peniche. E é também um famosíssimo coleccionador de instrumentos de bordo de navios de pesca (bússolas, sonares, rádios, além de miniaturas de barcos). Já o convidei a integrar a nossa Tabanca Grande, bem como ao Jaime.

Guiné 63/74 - P10290: Em busca de... (200): Camaradas da CCAÇ 2548/BCAÇ 2879 (K3 e Lamel, 1969/71) (Ricardo Almeida)

1. Mensagem do nosso camarada Ricardo Almeida* (ex-1.º Cabo da CCAÇ 2548/BCAÇ 2879, Farim, Saliquinhedim, Cuntima e Jumbembem, 1969/71), com data de 20 de Agosto de 2012:

Luís,
Escrevo para tentar encontrar o meu camarada de Peloão, Alberto Marques Apolinário, Soldado NM 11892168 para voltar a cantar os meus versos como acontecia no K3 (Saliquinhedim) e em Lamel.
Decorava e alegrava a malta recitando-os.

Já agora, onde pararão os violas que o acompanhavam?

Se algum de vós me ler, agradeço que entrem em contacto comigo para o telemóvel 965 361 450.
Abraça-vos o Lisboa ou Marques de Almeida.

Para ti Luís, o meu bem haja e reconhecimento do teu valor.

Aquele abraço
Ricardo Almeida
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Nota de CV:

(*) Vd. poste de 1 de Agosto de 2012 > Guiné 63/74 - P10217: Tabanca Grande (352): Ricardo Marques de Almeida, ex-1.º Cabo da CCAÇ 2548/BCAÇ 2879 (Farim, K3, Cuntima e Jumbembem, 1969/71)

Vd. último poste da série de 22 de Agosto de 2012 > Guiné 63/74 - P10288: Em busca de... (199): Pessoal da CCS/BCAÇ 2834 (Buba, Aldeia Formosa, Guileje, Cacine, Gadamael, Buba, 1968/69) (Francisco Gomes)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Guiné 63/74 - P10289: Tabanca Grande (355): Manuel Dias Pinheiro Gomes, ex-1.º Cabo Radiotelegrafista do STM / Agrupamento de Transmissões da Guiné (Catió e Bissau, 1970/72)

1. Mensagem do nosso camarada e novo tertuliano Manuel Dias Pinheiro Gomes (ex-1.º Cabo Radiotelegrafista do STM / Agrupamento de Transmissões da Guiné, Catió e Bissau, 1970/72), com data de 17 de Agosto de 2012:

Caro amigo Carlos Vinhal
Sou: Manuel Dias Pinheiro Gomes.
Ex-1.º Cabo Radiotelegrafista do STM do Agrupamento de Transmissões.
Cheguei à Guiné em 24 de Agosto de 1970  e regressei à metrópole a 08 de Agosto de 1972.
Estive em Catió entre Agosto de 1970 e Julho de 1971, seguindo para Bissau em Agosto onde permaneci até ao fim da comissão. Neste espaço de tempo ainda estive cerca de um mês em Nova Lamego.

Aceitando o convite público do nosso camarada António de Melo, não posso deixar de pertencer a essa grande família. Espero o teu bom recebimento.

Junto envio uma foto do tempo de serviço militar e outra da vida civil.

Um muito obrigado e um grande abraço do amigo
Manuel Gomes


2. Comentário de CV:

Caro Manuel, não sei como vais querer ser conhecido na tertúlia, se por Manuel Gomes ou Manuel Pinheiro, depois dirás.

Resolveste aceitar o desafio do camarada António Melo, e o meu convite, para te juntares à tertúlia. Serás bem recebido porque além de seres um camarada da Guiné, és um daqueles portugueses que enfrenta a vida na diáspora, e isso toca-nos especialmente.
Temos muitos camaradas da tertúlia espalhados pelos mais diversos cantos do mundo que mantêm contacto connosco e colaboração regular no Blogue. Tu és um dos que estão mais perto, Espanha, ao contrário de alguns camaradas, como o José Belo, bem lá no Norte da Europa, quase a tocar o Polo, ou outros que estão radicados no Brasil, América do Norte e Canadá, por exemplo.

Vamos então recordar um pouco do que escreveste ao camarada António Melo e que foi publicado no Poste 10222*:

[...] Assentei praça no RI8 em Braga no dia 28 de Julho de 1969. Aí fiz a instrução e no dia 28 de Setembro do mesmo ano fui para o Porto para o Regimento de Transmissões na Arca d'Água, aí estive fazendo a especialidade de Radiotelegrafista até ao dia 22/2/1970. Passei ao Regimento de Transmissões, fui promovido a 1.º Cabo e aí fiz um estágio muito bom, onde fazia de Cabo Dia e algum Cabo de Reforço. Como já tinha muito tempo pensava que já não ia à guerra, mas a notícia chegou no dia 25/6/1970, o 1.º Cabo Radiotelegrafista NM 114485/69 vai para a Guiné. Embarquei no Uíge no dia 18/07/1970 e chegou o periquito à Guiné no dia 24/07/1970. Como ia em rendição individual fui no porão da mercadoria, bom depois de dois dias de viagem chegou o pior o enjoo mas tudo passou.

Chegando a Bissau lá fomos para o Quartel General a que o Agrupamento de Transmissões estava adido, só mais tarde já no ano 1973 tinha as suas instalações próprias. Chegando a Bissau me dão uma folha para preencher na qual havia uma pergunta, se tinha algum familiar na Guiné, como tinha um primo, diz o Manuel: tenho um primo! Então havia um colega que estava esperando transporte para Catió, esse já não foi para Catió e foi o Manuel, tendo o outro ido para Piche. Quando chegou o dia de ir para Catió lá fui por mar, deram-me então uma ração de combate mas não água. Ia com os marinheiros e mais embarcações de civis, esses senhores marinheiros bebendo as suas cervejas e comendo a sua boa comida e o pobre do Manuel olhando para eles que nem sequer perguntaram se queria água ou comida.[...]

O melhor é ir ler o resto da tua estória ao poste porque vale o trabalho.

Esperando que tenhas mais memórias em carteira, ficamos à espera delas.

Recebe desde já o abraço de boas-vindas da tertúlia e dos editores, que te é devido, e instala-te porque estás entre camarigos (camaradas+amigos).

O teu camarigo
Carlos Vinhal
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Nota de CV:

(*) Vd. poste de 3 de Agosto de 2012 > Guiné 63/74 - P10222: O Mundo é pequeno e a nossa Tabanca... é Grande (59): Catió, a emigração em Espanha e o nosso Blogue unem dois camaradas (António Melo / Manuel Pinheiro)

Vd. último poste da série de 15 de Agosto de 2012 > Guiné 63/74 - P10267: Tabanca Grande (354): Joaquim Cruz, ex-Soldado Condutor-Auto da CCS/BCAÇ 4512 (Farim, 1972/74)

Guiné 63/74 - P10288: Em busca de... (199): Pessoal da CCS/BCAÇ 2834 (Buba, Aldeia Formosa, Guileje, Cacine, Gadamael, Buba, 1968/69) (Francisco Gomes)


1. Mensagem do nosso leitor (e camarada) Francisco Gomes:
De: Francisco Gomes [fragom@outlook.com]

Data: 21 de Agosto de 2012 19:04

Assunto: Olá,  pessoal!


Boa tarde

Apresenta-se o 1º. Cabo Esferográfica (G-3) da CCS do BCAÇ 2834, Guiné 68/69 (Buba, Aldeia Formosa, Guileje, Cacine, Gadamael Porto, regresso a Buba e depois ala que já se fez tarde para Lisboa...)

Ando à procura,  há anos,  de antigos camaradas da minha companhia e não consigo achá-los... Mesmo o Tenente (hoje parece-me que Capitão) Luis Esteves, Chefe da Secretaria da CCS, que ainda fui ter com ele, anos depois, à Carregueira onde prestava serviço (e onde eu fiz a recruta em Abril de 67), perdi o seu contacto, sabendo apenas que na altura morava em Queluz.

Do pessoal de Lisboa e arredores, perdi os contactos deles todos, numa mudança de casa onde me gamaram um caixote com várias fotos, agendas, etc. e apenas tinha contacto com o sacristão da CCS que era, há anos atrás, motorista da carreira 43 da Carris mas parece-me que está reformado, pois nunca mais o vi.


Por acaso, têm alguns contactos destes camaradas? Caso afirmativo, agradeço as vossas notícias.

Obrigado e um abraço

F. Gomes


2. Comentário do editor:

Sê bem aparecido, camarada Francisco Gomes! Presumo que sejas alfacinha...Gostei da tua apresentação, 1º cabo esferográfica (!)... Quanto ao pessoal do teu  batalhão, devo dizer-te, com pena, que ele anda arredio destas lides bloguísticas. 

Temos escassas referências sobre o BCAÇ 2834. A informação mais detalhada é do nosso camarada Manuel Traquina, ex-fur mil da CCAÇ 2382, Buba, 1968/70, que esteve em contacto convosco cerca de um ano... Ver aqui os postes dele, com referências à CCS/BCAÇ 2843.

De qualquer modo aqui fica o teu pedido. Pode ser que alguém da CCS/BCAÇ 2834 te/nos  leia e te/nos  dê a grande alegria de uma resposta ou de um contacto. Para esse efeito, era útil termos uma fotografia tua, de menino e moço, vestido de camuflado, e outra mais actual, para o pessoal te (re)conhecer.  

Ficas, por outro lado,  desde já convidado a integrar a nossa Tabanca Grande: não pagas nada, manda-nos apenas as duas fotos da praxe, digitizadas, e fala-nos um pouco mais da tua história. Mesmo que tenhas perdido documentos e fotos, com as andanças da vida, sempre tens algumas memórias desse tempo e por certo que as queres partilhar com a malta que passou pela Guiné, no tempo da guerra colonial, e em particular pelo sul da Guiné, entre 1968 e 1969.

Sobre o teu batalhão, o BCAÇ 2834, já sabíamos o seguinte (*):

(i) Unidade Mobilizadora: RI 15 - Tomar
(ii) Comandante: Ten cor inf Carlos Barroso Hipólito
(iii) 2.º cmdt: Maj inf Rui Barbosa Mexia Leitão
(iv) Of Inf Op/Adj: Maj inf Albino Simões Teixeira Lino
(v) Comandantes da  CCS:  Cap SGE António Freitas Novais; Cap mil art António Dias Lopes; Cap inf Eugénio Batista Neves;
(vi) Comandantes das subunidades de quadrícula: 

CCAÇ 2312 > Cap Mil inf Júlio Máximo Teixeira Trigo; CCAÇ 2313 > Cap inf Carlos Alberto Oliveira Penim > CCAÇ 2314: Cap inf Joaquim de Jesus das Neve;

(vii) Divisa: "Juntos Venceremos" - "Para Vencer, Convencer"
(viii) Partida (para Bissau): 10 jan 68
(ix) Regresso (a Lisboa): 23 nov 69

Umn abraço do camarada Luís Graça (**)

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Notas do editor:

(*) Vd. poste de 4 de agosto de 2011 > Guiné 63/71 - P8639: Em busca de... (173): Contacto de camaradas da CCS/BCAÇ 2834, Buba, 1968 (Manuel Traquina)

(**) Vd. último poste da série > Guiné 63/74 - P10244: Em busca de... (198): O nosso camarada Manuel Castro Moreira, ex-Soldado da CCAÇ 2315/BCAÇ 2835, procura camaradas da CCAÇ 2316 e do BENG 447

Guiné 63/74 - P10287: Parabéns a você (462): Carlos Cordeiro, ex-Fur Mil (Angola, 1969/71) e José Luís Vacas de Carvalho, ex-Alf Mil Cav, CMDT do Pel Rec Daimler 2206 (Guiné, 1969/71)

Para aceder aos postes dos nossos camaradas Carlos Cordeiro e J.L. Vacas de Carvalho, clicar nos respectivos nomes
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Nota de CV:

Vd. último poste da série de Guiné 63/74 - P10283: Parabéns a você (458): Vasco Santos, ex-1.º Cabo Operador Cripto da CCAÇ 6 (Guiné, 1970/72)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Guiné 63/74 - P10286: Estórias dos Fidalgos de Jol (Augusto S. Santos) (10): O Tarzan do Jol

1. Mensagem do nosso camarada Augusto Silva Santos (ex-Fur Mil da CCAÇ 3306/BCAÇ 3833, Pelundo, Có e Jolmete, 1971/73), com data de 14 de Agosto de 2012:

Olá Camarada e Amigo Carlos Vinhal!
Afinal isto das estórias são como as cerejas. Começa-se a puxar por uma e lá vem mais outra atrás...
Foi precisamente o que me aconteceu com mais esta que agora te envio, e que me veio à memória ao passar ontem pelo Rossio em Lisboa, onde habitualmente se encontra muito pessoal das ex-colónias, nomeadamente da Guiné-Bissau, e à venda alguns produtos oriundos daquela terra vermelha e verde, como costuma dizer o Luís Graça.
Desta forma, não foi difícil passar para o papel mais este relato que agora te envio juntamente com algumas fotos, para possível publicação, se assim o entenderes.

Com votos de muita saúde, recebe um grande e forte abraço.
Augusto Silva Santos


ESTÓRIAS DOS FIDALGOS DE JOL (10)

O Tarzan do Jol

Foi já no final do ano de 1971 que cheguei a Bissau. Quase por milagre (como se costuma dizer) ainda consegui passar o Natal em Lisboa, pois nessa altura deixaram de haver voos, mas eis-me a embarcar a 28 de Dezembro no Aeroporto de Figo Maduro em rendição individual para a então província da Guiné, se não me falha a memória num velhinho quadrimotor DC-6. Não foi uma viagem fácil, pois demorou muitas horas, com uma inevitável escala na Ilha do Sal em Cabo Verde, dado que a determinada altura (sensivelmente a meio da viagem), um dos motores começou a falhar (víamos da janela o hélice parado), mas muito provavelmente também por uma questão de reabastecimento de combustível.

Tive a sorte de ter amigos à minha espera em Bissau, que logo me encaminharam para ficar alojado em Brá, mais propriamente no Combis, onde fiquei a aguardar transporte para Piche, visto ter guia de marcha com destino à CCav 2749, para render o infeliz Furriel Mil. Armindo André, cuja morte trágica já foi motivo de relato neste blogue por outros camaradas. Tal não viria no entanto a acontecer, pois por influência do meu irmão que se encontrava no Pelundo na CCaç 3307, junto do Comandante do BCaç 3833, acabei por ser “desviado” para a CCaç 3306 sita em Jolmete. Recordo que os meus primeiros dias de Guiné como militar (já havia estado várias vezes em Bissau como civil), foram demasiado horríveis para mim, mesmo considerando a óptima recepção por parte dos outros camaradas, pois apesar da medicação que nos era ministrada para evitar o paludismo, apanhei uma “carga” tal que, passados todos estes anos, ainda sinto arrepios só de me lembrar o que então passei. Quase não me aguentava de pé e, o na altura que me “safou”, obviamente para além da medicação anti-palúdica que me foi ministrada, foi a muita água gaseificada Perrier e água tónica Shweppes que, além do gás, também tinha hidrocloreto de quinino.

Toda esta introdução para explicar que, infelizmente, esta situação relacionada com a malária foi algo que me atormentou ainda durante alguns anos, com maior incidência durante o período em que permaneci na Guiné, nomeadamente no mato. Aqui em Portugal foram muitas as injecções de Ricolon + Conmel que levei, para minimizar os chamados acessos palustres que me assaltavam aquando duma gripe mais forte.

Foi o que me aconteceu algumas vezes enquanto estive na CCaç 3306, embora sempre controlado e sem grandes problemas, mas lembro-me que numa ocasião, já algo debilitado, mas com esperança de melhorar e para não sobrecarregar nenhum colega, resolvi mesmo assim alinhar em mais uma das habituais operações, mas em má hora o fiz, pois dessa feita as coisas não correram da melhor forma e, apesar dos cuidados do enfermeiro que nos acompanhava, estive prestes a ter de ser evacuado em pleno mato. A febre alta, o frio, e as dores musculares já eram tantas, que estava quase a entrar num estado de prostração.

Foi então que algo de inesperado se passou, ou seja, um dos Soldados do Pelotão de Caçadores Nativos chegou-se junto a mim e, quase em sussurro disse-me qualquer coisa mais ou menos nestes termos:
- O Furriel quer ser mesmo evacuado, ou quer ter forças para chegar ao quartel?

Por já não estarmos muito longe, obviamente respondi que preferia ir para o quartel. Deu-me então algo para mascar, garantindo ele que iria resultar.

Que “coisa” era não sei e também não me quis posteriormente dizer, mas o certo é que passado algum tempo, muito provavelmente associada também às injecções que entretanto me foram ministradas, me deu uma tal “pica” que cheguei ao quartel numa situação fora do normal. De repente quase me senti o Tarzan do Jol (na altura ainda não havia o Rambo).

Não sei ao certo que “produto” foi aquele que me foi arranjar forças onde parecia já não as ter. Conseguir, consegui, só que depois fiquei quase uma semana de cama para conseguir recuperar. “Aquilo” deu-me realmente forças, mas rebentou comigo. Só mais tarde me foi explicado que o mais certo foi esse Soldado Nativo me ter dado noz de cola com algo mais misturado. Agora percebo por que é que quase todo o pessoal nativo andava sempre a mascar aquela semente, e porque é que nos dias de hoje ainda se encontra a vender em Lisboa, em pleno Rossio e Martim Moniz.

Curiosidade:
A noz de cola é um forte estimulante. Como o café, a noz de cola estimula e mantém-te acordado. O efeito psicoactivo é no entanto diferente. Aumenta o poder de resistência e diminui o apetite. Melhora a concentração, aclara o cérebro, tem um efeito ligeiramente afrodisíaco e pode dar "pedra". Impulsiona as tuas capacidades normais como por exemplo o trabalho, desporto, dança e sexo. Devido à descarga de energia que provoca no corpo de várias maneiras, também é usada como elemento dietético.
A Cola tem um efeito marcadamente estimulante na consciência humana. A curto prazo, pode ser usada na debilidade nervosa e nos estados de fraqueza. Para além disso, pode actuar especificamente na diarreia nervosa. Também ajuda em estados de depressão e pode, em algumas pessoas, causar estados eufóricos. Devido ao seu conteúdo de cafeína, a noz de cola pode aliviar algumas enxaquecas. Os compostos fenólicos e as antocianinas podem ter uma actividade antioxidante. Os usos históricos da noz de cola incluem o aumento da capacidade de esforço físico e a resistência à fadiga sem comer; o estímulo do coração fraco; e o tratamento de debilidade nervosa, fraqueza, apatia, diarreia nervosa, depressão, desânimo, ressentimento, ansiedade, e enjoos marítimos.
Nome científico: Cola nitida;
Família: Sterculiaceae
(Enciclopédia – Azarius).

********** 

Bissau, Dezembro de 1971 > Com o meu irmão e dois amigos

Brá, Janeiro de 1972 > Ostras para o petisco

Jolmete, Maio de 1972 > Junto ao Posto de Rádio

Jolmete, Maio de 1972 > Vista parcial do quartel e da tabanca

Jolmete, Junho de 1972 > Entrada do quartel

Jolmete, Junho de 1972 > Junto à viatura da água

Jolmete, Outubro de 1972 > Últimos tempos no Jol

Jolmete, Outubro de 1972 > Vista parcial da nova tabanca
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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 12 de Agosto de 2012 > Guiné 63/74 - P10254: Estórias dos Fidalgos de Jol (Augusto S. Santos) (9): Operação Tábuas

Guiné 63/74 - P10285: Do Ninho D'Águia até África (6): Apanhado pelo clima (Tony Borié)

1. Sexta estória de "Do Ninho de D'Águia até África", de autoria do nosso camarada Tony Borié (ex-1.º Cabo Operador Cripto do Cmd Agrup 16, Mansoa, 1964/66), iniciada no Poste P10177.


Do Ninho D'Águia até África (6)

Apanhado pelo clima!

O Guedes vivia numa aldeia do interior, próximo da raia com a Espanha. Era irmão gémeo. Ambos os irmãos, serviam o exército. O outro irmão, já tinha sido mobilizado para o ultramar, noutra província que não era em África. Creio que nessa altura havia uma lei em que não podiam ser mobilizados, os dois, ao mesmo tempo, para o ultramar.

Pelas notícias que o irmão mandava nos aerogramas, naquela província era um paraíso. Era só paz, boa comida, paisagens de sonho, as pessoas amáveis, e dizia que tinha duas namoradas.

Estava a pensar em ficar por lá de vez, quando acabasse o serviço militar, pois em Portugal, a vida na aldeia, na lavoura, era rude, as raparigas, algumas tinham bigode e eram feias. Ali, onde o irmão se encontrava, eram todas exóticas e lindas.

Tanto bem lhe disse que o Guedes mete requerimento, em meia folha de papel selado, para ir também para o ultramar, para essa província.

Entretanto a guerra de libertação desenvolve-se, cada vez com mais força.

Havia mais conflitos, mais emboscadas, os guerrilheiros estavam em quase todo o terreno, já havia sinais de rebeldia também no sul, eram necessários mais reforços, urgentes, na província onde o Cifra se encontrava.

Todos os meses chegam novas tropas. Bem ou mal preparadas, chegavam.

Quis o destino que o Guedes, e muitos mais, viesse parar ao aquartelamento onde o Cifra se encontra.

Deu logo nas vistas, pois andava contrariado, e dizia:
- Não era para aqui que queria vir, qualquer dia mato alguém.

Além de andar contrariado, não acatava ordens, andava sempre sujo e com a mesma roupa, só comia quando queria, e muito pouco. Na maneira de proceder era parecido com o Curvas, alto e refilão, só que não comia, andava sujo e não mostrava ser violento.

Um dia, o Cifra cruzando-se com ele tentou falar-lhe.

O Guedes, olha o Cifra. A sua cara fica em frente do Cifra, mas os olhos olham em diferente direcção, para baixo e para o lado, repete duas ou três vezes, diferentes frases, sem senso, como por exemplo:
- Quero uma namorada bonita. Eu não sou daqui. Quem és tu, filho da puta!.

Dos lábios, ao pronunciar estas palavras, saía uma saliva, como se fosse baba. Não era normal. Alguns que sabiam a sua história chamavam-lhe, “Meia folha de papel selado”.

Ao sábado, quando algumas raparigas naturais, que lavavam a roupa para alguns militares, vinham trazer essa mesma roupa, faziam uma fila à entrada do aquartelamento. O Guedes, dirige-se a uma dessas raparigas, das mais vistosas, e com atitude agressiva, agarrando-a pelos braços, diz-lhe:
- Tu és a minha namorada, e vou ter sexo contigo.

A rapariga, começa a gritar, desesperada, tentando livrar-se dele. Nesse momento, o Guedes puxa de uma pistola, que trazia consigo, e dispara dois tiros. Uma dessas balas, atinge uma perna da rapariga.

Como se nada tivesse acontecido, o Guedes afasta-se e murmura:
- Esta já morreu, era feia, agora vou arranjar outra.

Foi preso e desarmado imediatamente, pelos colegas, e não ofereceu resistência.

O helicóptero veio evacuar a rapariga para o hospital da capital da província. O Guedes ficou preso nessa noite no aquartelamento, de onde se ouviam risos e gargalhadas, parecendo vir do local onde estava. No dia seguinte, uma secção de combate, veio trazê-lo à capital para ser evacuado para Portugal, para ser tratado e julgado pelo crime que cometeu, pelo menos foi essa a informação que correu em todo o aquartelamento.

Alguns, no aquartelamento, diziam:
- É muito pouco tempo para o “Meia folha de papel selado” já “estar apanhado pelo clima.

A partir desse momento, ao sábado, as raparigas lavadeiras eram protegidas à entrada do aquartelamento por uma secção de combate.

No início deste conflito de guerrilha, imprevista e traiçoeira, na província onde o Cifra se encontrava, a falta de treino e preparação dos militares, tanto psicológica como no terreno de acção, era constante. Havia alguns militares que se excediam, depois de terem direito a ter uma arma sob o seu controle, e havia alguns oficiais que abusavam do seu poder, como era o caso do capitão, que batia nos seus militares de inferior posto.

Havia muitas deficiências no sistema militar em campanha, onde quase tudo se estava a improvisar, como por exemplo, na arrecadação de material de guerra, onde não havia arrecadação nenhuma, pois era uma espécie de quarto, no novo aquartelamento, ainda em construção, onde estavam depositadas algumas armas, que sendo usadas, causariam uma catástrofe.

Tudo isto acontecia, num local de conflito, onde alguns militares, mal treinados, foram colocados numa frente de combate, onde alguns estavam sobre forte pressão nervosa, mal alimentados, sem assistência médica no local, pois as consultas médicas eram por apontamento, e no hospital da capital da província, com falta de alguns medicamentos de primeira necessidade, às vezes angustiados, e alguns mostravam que não seriam responsáveis pelos seus actos.

Isto era uma verdade que trazia o Cifra, também angustiado, e pensava muitas vezes, falando alto:
- Tantos jovens em idade de poderem usufruir dos melhores anos das suas vidas, na companhia dos seus familiares, nas suas aldeias, beijar as suas namoradas, alguns já com esposa e filhos, e em lugar de todas essas coisas boas, que a vida proporciona nesta idade, estão a milhares de quilómetros de distância dos seus, aqui enterrados, num conflito que a alguns nada lhes diz, como era o caso do Cifra, dentro de um aquartelamento de chão vermelho, circundado de arame farpado e sempre em sobressalto, pois não vão os guerrilheiros atacar daqui a um segundo e os abrigos, alguns, ainda estão cheios de água, pois estamos na época das chuvas.

Juventude amargurada!
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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 13 de Agosto de 2012 > Guiné 63/74 - P10260: Do Ninho d'Águia até África (5): Em cenário de guerra deixas de ser tu (Tony Borié)

Guiné 63/74 - P10284: Meu pai, meu velho, meu camarada (31): Expedicionários em Cabo Verde, mortos entre 1903 e 1946 e inumados nas ilhas de São Vicente e Sal (Lia Medina / José Martins)






Mapa do arquipélago de Cabo Verde, s/d. Reproduzido, com a devida vénia, do sítio Momentos de História > Cabo Verde 1914-1918, da autoria de Carlos Lopes Alves, que cita João de Almeida ("O Porto grande de S. Vicente de Cabo Verde", 2ª ed., Lisboa, Editorial Império Lda, 1938, pp. 7-8:

(...) Na época a maior parte dos navios utilizavam carvão como combustível, o Porto de São Vicente tornou-se num dos principais depósitos de hulha negra do Atlântico Sul. Um outro factor que colocava Cabo Verde como um ponto estratégico do Atlântico Sul era o "cabo submarino", na realidade nove cabos, que se encontrava amarrado à Ilha de São Vicente, junto à localidade Mindelo, que era a base das comunicações intercontinentais do Hemisfério Sul. Tanto o depósito de carvão como o cabo submarino eram pertença de firmas inglesas que aí se tinham estabelecido.

"Portugal tinha como triângulo estratégico das bases militares navais Lisboa-Açores-Cabo Verde, que dominavam as comunicações de todo o Atlântico. Em 1911 foram efectuados estudos para a defesa militar de Cabo Verde e em particular para a criação de uma base militar e naval na Ilha de São Vicente, sobre o Porto Grande" (...).





Cabo Verde > Ilha de São Vicente > Mindelo > Cemitério de Mindelo > 1943 > Foto do álbum de Lu+is Henriques (1920-2012), ex-1º Cabo nº 188/41 da 3ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 5. Esteve em Cabo Verde, no Lazareto, na Ilha de São Vicente, entre 1941/43.

Legenda no verso da foto: "Justa homenagem àqueles que dormem o sono eterno na terra fria. Companheiros de expedição os quais Deus chamou ao Juízo Final. Pessoal da A[nti] Aérea depois das cerimónias desfila fazendo continência às sepulturas dos companheiros. Oferecido pelo meu amigo Boaventura no dia 17-8-1943, dia em que fiquei livre da junta (hospitalar). Luís Henriques".


Foto: © Luís Graça (2005) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados



1. Lista de militares falecidos durante o serviço prestado em Cabo Verde, desde 1903. Pesquisa no Arquivo do Registo Civil de S. Vicente pela Drª Lia Cordeiro Lima Medina, nossa grã-tabanqueira, professora universitária, filha de mãe portuguesa e de pai caboverdiano. Listagem cedida pela Liga dos Combatentes, no âmbito da Conservação das Memórias. Elementos recolhidos pelo nosso infatigável e dedicado colaborador permanente José Martins.



1.1. INÍCIO DO SÉCULO ATÉ AO FINAL DA I GRANDE GUERRA, ENTRE 1903 E 1918  (n=25)

1903-1909 (n=6)


JOSÉ PEREIRA - Soldado nº 56 da Companhia de Infantaria da Guiné Portuguesa, idade, naturalidade e filiação não referidas, faleceu de morte natural em 8 de Janeiro de 1903. 

ANTÓNIO MARIA - Soldado nº 67 da Guarnição da Guiné, de 18 anos, solteiro, natural de Lisboa, filho de José Henriques, faleceu de morte natural, no hospital, em 2 de Março de 1903. 

ANTÓNIO MANUEL DO AMARAL - 2º Sargento da Guarnição da Guiné, de 40 anos, solteiro, filho de Francisco António, faleceu de morte natural, no hospital, em 18 de Abril de 1907. 

JOAQUIM DO ROSÁRIO CARDOSO - Soldado do Depósito de Praças Adidas da Guiné Portuguesa, de 20 anos, solteiro, natural da Metrópole, filho de João Francisco Cardoso, faleceu de morte natural em 14 de Outubro de 1908. 

JOSÉ DA CRUZ - Soldado do Depósito de Praças da Guiné, de 24 anos, casado, natural da freguesia de São Sebastião, Lisboa, filho de António da Cruz, faleceu de morte natural em 18 de Outubro de 1908. 

MANUEL DE JESUS PEREIRA - Soldado do Depósito de Praças Adidas da Guiné, de 20 anos, solteiro, natural de Trás–os-Montes, filho de Francisco Augusto Pereira, faleceu de morte natural em 25 de Julho de 1909. 

1917-1918 (n=19)

ANASTÁCIO - Soldado nº 93 da 9ª Companhia de Infantaria [do Regimento de Infantaria nº 24,  Aveiro ?], de 22 anos, natural de Pondilho [, possivelmente Pardilhó, Estarreja], filho de Joaquim Rachado e Maria Luiza, faleceu de causa não referida em 17 de Janeiro de 1917.

ANTÓNIO RODRIGUES SACRAMENTO - Soldado nº 317 da 11ª Companhia de Infantaria  [do Regimento de Infantaria nº 23,  Coimbra ?], de 24 anos, natural de Coimbra, filho da Leonor Roza, morreu de causa não referida em 24 de Novembro de 1917. Registo nº 448 do Livro 8. 

ANTÓNIO JOSÉ ALVES - Soldado nº 631 da 10ª Companhia de Infantaria  [do Regimento de Infantaria nº 29,  Braga ?], filho de Manuel João Alves e Rosa de Araújo, natural de Valdevez, não refere a causa e data de falecimento. Registo nº 289, do Livro 9 página 138. 

JOSÉ DE JESUS COELHO - Marinheiro da Armada, tripulante da Canhoneira Beira, idade não referida, casado, natural de Tavira, filho de Francisco José Coelho e Maria da Conceição, faleceu de causa não referida em 7 de Outubro de 1918. Registo nº 416, Livro 10 página 22. 

JOSÉ JOAQUIM GRAÇA - Marinheiro da Armada, tripulante da Canhoneira Beira, de 20 anos, natural da freguesia de Santa Maria, Lagos, filho de Joaquim da Costa Graça, faleceu em 10 de Outubro de 1918. Registo nº 443, Livro 10. 

ALBERTO AUGUSTO MELO - 2º Artilheiro nº 5271 da Canhoneira Beira, de 25 anos, natural da freguesia de Santa Catarina, Lisboa, filho de Samuel Gomes de Melo e Carolina Augusta da Silva, faleceu a 11 de Outubro de 1918. 

CÂNDIDO ANTÓNIO RAMOS - 2º Artilheiro da Canhoneira Beira, de 21 anos, natural da freguesia de São Sebastião, Setubal, filho de António Ramos e Maria José, faleceu em 12 de Outubro de 1918. Registo nº 506 do Livro 10. 

ANTÓNIO FORTES - 1º Grumete nº 5487 da Canhoneira Beira, de 20 anos, filho de José António Fortes, faleceu em 13 de Outubro de 1918. Registo nº 514 do Livro 10. 

JOÃO MARIA FRANCO - Posto e unidade não referenciados, de 20 anos, natural da freguesia de Santa Eulália, Elvas, filho de Manuel Maria Franco, faleceu em 15 de Outubro de 1918. 

MARCELO INÁCIO BRANCO - Soldado nº 17 da Companhia de Infantaria [ do Regimento de Infantaria nº 22,  Portalegre ?], nº 22, de 25 anos, natural de Santa Eulália, Elvas, filho de João Santos Baptista Branco e Maria Joana Paulares. Faleceu em 18 de Outubro de 1918. 

ANTÓNIO VENTURA CARDOZO - Soldado nº 6 da 10º Companhia de Infantaria [do RI nº ?], de 27 anos, natural de Elvas, filho de Ventura Manuel Cardozo, não refere a data de falecimento. Registo nº 634 do Livro 10. 

MANUEL DOS REIS CORREIA MODESTO - Tenente, de 58 anos, natural de Albufeira, filho de Francisco Correia Modesto, faleceu em 19 de Outubro de 1918. 

MANUEL JOAQUIM MOREIRA DOS SANTOS - 2º Marinheiro da Armada nº 4371, de 24 anos, natural de Paredes, [distrito do] Porto, filho de Manuel Moreira dos Santos e Ana Brito Ferreira dos Santos, faleceu em 20 de Outubro de 1918. 

GUILHERME PEREIRA ORGANISTA - 1º Grumete da Armada nº 5063, de 23 anos, natural de Vila Nova de Gaia, filho de José Pereira Organista e Maria Rodrigues da Costa, faleceu em 20 de Outubro de 1918.  

JOÃO ALVES - 2º Marinheiro da Armada nº 3655, de 24 anos, natural de Coimbra, filho de António Rodrigues Filipe Alves e Margarida de Jesus Alves, faleceu em 23 de Outubro de 1918. Registo nº 696 do Livro 10, página 162. 

JOSÉ FRANCISCO FARIA - Soldado, sem referencia à unidade, de 25 anos, casado, natural da Metrópole, filho de José Inácio Faria e Catarina da Conceição, faleceu em 24 de Outubro de 1918. Registo nº 696 do Livro 10, página 162. 

LOURENÇO BEIJAME - Artilheiro nº 5704 da Canhoneira Bengo, de 22 anos, natural da freguesia de São Lourenço de Maiorca, Alcobaça, filho de António Beijame e Francisca Maria, não consta a data do falecimento. 

JOÃO BATISTA - Cabo Artilheiro nº 2968 da Canhoneira Beira, de 39 anos, natural de Cortes, concelho de Marcos (?) [ou Macedo ?] de Cavaleiros [ou Marco de Canaveses ?], filho de Manuel António e Libânia dos Santos, faleceu em 30 de Outubro de 1918. Registo nº 733, Livro 10. 

JERÓNIMO BEMVINDO - Alferes de Infantaria, unidade não referida, de 38 anos, casado, natural do Porto, filho de Joaquina Maria Pinto Barroso, faleceu em data não indicada. Registo nº 747 do Livro 10. 




Cemitério do Mindelo, Mindelo, Ilha de São Vicente, Arquipélago de Cabo Verde > Sepulturas de soldados portugueses, expedicionários na ilha entre 1941-1946

Foto da revista 'O Combatente', nº  334 – Dezembro de 2005, reproduzida com a devida vénia. (Editada por L.G.)




1.2 DURANTE O PERIODO DA II GUERRA MUNDIAL, ENTRE 1941 E 1946 (n=40)

1941 (n=9)

JOAQUIM FRANCISCO MARGARIDA - Soldado nº 186-42 da 3ª Companhia do 1º Batalhão do Regimento de Infantaria nº 5 [, Calda da Raínha],  de 21 anos, natural de Caldas da Rainha, filho de José Francisco Margarida e Adelina Maria de Jesus, faleceu de gripe em 13 de Outubro de 1941. 

FRANCISCO CIPRIANO SOUSA JÚNIOR - Soldado, não refere a unidade, de 20 anos, solteiro, natural de Ílhavo, filho de António Cipriano Júnior e Joaquina Martins, faleceu de broncopneumonia em 5 de Dezembro de 1941. Inumado na 4ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

JOSÉ H. FELICIANO - 1º Cabo de Engenharia, falecido em 20 de Outubro de 1941. Nada mais consta do levantamento feito no Registo Civil, Livro 50. Inumado na 1ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

SIDÓNIO PEDRO - Soldado, unidade não referenciada, de 22 anos, natural da freguesia de Vermilhão, filho de Ernesto Pedro e Manuela J. de Carvalho, faleceu de colapso cardíaco em 5 de Dezembro de 1941. Registo consta no Livro 50. Inumado na 3ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

SILVESTRE F. MOTA - Soldado nº 54, unidade, idade, filiação e naturalidade não referidas, faleceu em 6 de Dezembro de 1941. Registo consta no Livro 50. Inumado na 2ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

JANUÁRIO BATATA - Soldado, unidade não referida, de 21 anos, solteiro, natural de Almeirim, filho de Joaquim Batata e Angelina Calado, faleceu de infecção intestinal em 8 de Dezembro de 1941. Registo consta no Livro 50. Inumado na 5ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente. 

HIPÓLITO F. VEIGA - Soldado 23-38, unidade, idade, filiação e naturalidade não referidas, faleceu em 10 de Dezembro de 1941. Registo consta no Livro 50. Inumado na 6ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

JÚLIO GOMES DE CARVALHO - 1º Cabo do Exército, de 21 anos, solteiro, natural de Carvalhal, filho de Júlio Ferreira de Carvalho e Maria da Conceição Dias Torres, faleceu de infecção intestinal em 11 de Dezembro de 1941. Registo consta no Livro 50. Inumado na 7ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.  

VICENTE DE SOUSA JÚNIOR - Posto desconhecido, de 21 anos, natural de Santo Estevão, filho de Vicente de Sousa e Maria José, faleceu de infecção intestinal em 21 de Dezembro de 1941. Registo consta no Livro 50. Inumado na 8ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

1942 (n=14)

DOMINGOS MARQUES COSTA - Posto desconhecido, de 21 anos, natural da freguesia do Lumiar, Lisboa, filho deAntónio da Costa e Maria José, faleceu de infecção intestinal em 19 de Janeiro de 1942. Registo consta no Livro 50. Inumado na 12ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

JOAQUIM FREDERICO FERREIRA - Soldado 408-41 da 2ª Companhia do Regimento de Engenharia, de 21 anos, solteiro, natural da freguesia de Socorro, Lisboa, filho de Joaquim Frederico e Maria Vieira Frederico, faleceu de febre tifoide em 25 de Fevereiro de 1942. O registo consta no Livro 51. 

ANTÓNIO DA SILVA AZEVEDO - 1º Cabo nº 674-40 da 1ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário da Regimento de Infantaria nº 5 [, Caldas da Rainha], de 23 anos, solteiro, natural de Vila do Conde, filho de Emília Rosa de Azevedo, faleceu de trombose da sub-clávia esquerda-toxémia em 6 de Março de 1946. O registo consta no Livro 51. 

JOSÉ RIBEIRO MATEUS - Soldado, unidade não indicada, de 21 anos, solteiro, natural da freguesia de Santa Catarina, Caldas da Raínha, filho de Joaquim Mateus e Teresa Ribeiro, faleceu de compressão do mediastino em 25 de Fevereiro de 1942. O registo consta no Livro 51. 

MANUEL LUCAS - Soldado, unidade não referida, de 21 anos, solteiro, natural da freguesia de Soure [, concelho de Soure], filho de Francisco Ferreira Lucas e Maria de Jesus, faleceu de septicémia em 19 de Fevereiro de 1942. O registo consta no Livro 51. 

JOAQUIM MIGUEL - Soldado, unidade não referida, de 21 anos, natural da freguesia do Carvalhal [, Grãndola ?, Bombarral ?, Sertã ?, Barcelos?...], filho de José Miguel e Maria Rosa, faleceu de ferida perfurante por bala na cabeça em 21 de Fevereiro de 1942 [Possivelmente, suicído]. O registo consta no Livro 51. 

NICOLAU DE LUIZI - Major de infantaria e comandante do BI 15, de 53 anos, casado com D. Amélia da Silva Cyrylio de Luizi, natural de Vila Nova de Portimão, faleceu de septicémia-bronco-pneumonia em 9 de Março de 1942. O registo consta no Livro  51.

RAFAEL DA SILVA - Soldado nº 378-39 da Companhia de Atiradores do 1º Batalhão do Regimento de Infantaria nº 7 [, Leiria], de 24 anos, solteiro, natural de Pombal, filho de João da Silva Júnior e Maria Ferreira, faleceu de febre tifoide e perotonite difusa em 9 de Março de 1942. O registo consta no Livro 51. 

MANUEL CARDOSO - Tenente do Exército, unidade não referida, de 58 anos, viúvo de D. Maria Luisa Esteves Cardoso, natural de Rouças [, Arcos de Valdevez ?], faleceu de cardiorrenal em 30 de Julho de 1942. O registo consta no Livro 52. 

LUIZ VIEIRA JUSTO - 1º Cabo nº 589-40 do 2º Batalhão do Regimento de Infantaria nº 23 [, Coimbra], de 24 anos, natural de Mira de Aire [, concelho de Porto de Mós], filho de Manuel Francisco Justo e Maria dos Anjos Vieira Justo, faleceu de anemia generalizada em data não referida do ano de 1942. O registo consta no Livro 52. 

JOSÉ AUGUSTO PINTO - Soldado nº 71-39 da 6ª Bateria de Grupo de Artilharia Contra Aeronaves nº 1, de 25 anos, solteiro, natural da freguesia de Valença, filho de Vitor Maria Pinto e Ercelinda Teixeira, faleceu de paludismo em 11 de Agosto de 1942 (data sem confirmação). O registo consta no Livro 52. Inumado na 16ª campa de Rua 56, do Cemitério do Mindelo,  Ilha de São Vicente.  

CASIMIRO DE SOUSA TAVARES - Soldado nº 370-41 da 2ª Companhia Expedicionária do Regimento de Engenharia nº 2, de 22 anos, solteiro, natural da freguesia de Pego, concelho de Abrantes, distrito de Santarém, filho de Manuel de Sousa Tavares e Maria da Assunção Correia, faleceu de perfuração do ileo [a terceira e última parte do intestino delgado] por febre tifoide em 22 de Setembrode 1942. O registo consta no Livro 52. 

MÁRIO TAVARES - Soldado nº 94-41 do Batalhão de Telegrafistas adido à 2ª Companhia Expedicionária do Regimento de Engenharia nº 2, de 23 anos, solteiro, filho de Joaquim António Tavares e Delmira da Luz Tavares, faleceu de fractura da base do crâneo e ruptura do baço em 12 de Outubro de 1942. O registo consta no Livro 52. Inumado na 8ª campa de Rua 56, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

JOSÉ JOAQUIM - Soldado nº 135-41 da 3ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 5 [,Caldas da Rainha], de 22 anos, solteiro, natural de Caldas da Raínha, filho de Joaquim Fructuoso e Cecília Agostinho, faleceu de febre tifoide em 18 de Novembro de 1942. O registo consta no Livro 52. 

1943 (n=12)

ADELINO GOMES PRUDÊNCIO - Soldado nº 897-41 da 6ª Bataeria Expedicionária do Grupo de Artilharia Contra Aeronaves, de 23 solteiro, natural de Sena do Douro, Caldas da Raínha, filho de José Prudência Júnior e Delfina Maria, faleceu de febre tifoide em 13 de Janeiro de 1943. Inumado na 11ª campa de Rua 56, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.  

ANTÓNIO SIMÕES MARTINS - 1º Cabo Miliciano nº 83-41 da 6ª Bateria Expedicionária do Grupo de Artilharia Contra Aeronaves, de 22 anos, solteiro, natural da freguesia de Santa Isabel, Lisboa, faleceu de paludismo em 21 de Janeiro de 1943. Inumado na 12ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

JOAQUIM NUNES - Soldado nº 220-41 da Companhia de Trem do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 5 [, Caldas da Rainha], de 22 anos, solteiro, natural da freguesia de S. Tiago, Torres Novas, filho de António Nunes e Maria Lucena, faleceu de paludismo em 8 de Fevereiro de 1943.

OVÍDIO DE DEUS DA SILVA BUÍÇA - 2º Sargento nº 51-42 da Companhia de Comando do 1º Batalhão Expedicionário da Regimento de Infantaria nº 5
 [, Caldas da Rainha], idade não referida, natural de Portalegre, faleceu de ferida perfurante do crâneo, por arma de fogo, em 3 de Abril de 1943 [Possivelmente, suicídio]. Inumado na 14ª campa de Rua 56, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

MANUEL FIDALGO RODRIGUES - Soldado nº 126-40 da 1ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 5 [, Caldas da Rainha], de 23 anos, natural de Almeirim, faleceu em data não referida, no ano de 1943. 

JÚLIO ANTÓNIO XAVIER - Soldado nº 746-42 da 3ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 11, de 22 anos, solteiro, natural da Trafaria, Almada, filho de Manuel Francisco Xavier e Ermínia dos Anjos, faleceu de febre tifoide em 30 de Outubro de 1943. 

JOÃO ANTÓNIO - 1º Cabo nº 351-42 da 3ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 11 [, Setúbal], de 22 anos, solteiro, natural de Alenquer, filho de João António B… (?) e Glória da Conceição, faleceu de insuficiência por miocardite tífica em 6 de Novembro de 1943. 

ALBINO DE SOUSA - Soldado nº 180-41 da Companhia de Acompanhamento Regimental do Regimento de Infantaria nº 23 [, Coimbra], de 23 anos, solteiro, natural do concelho de Paredes, filho de António de Souza e Sofia da Rocha Barbosa, faleceu de febre tifoide em 30 de Novembro de 1943.

ANTÓNIO FRANCISCO - Soldado nº 378-40 do Comando e Trem do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 15, de 24 anos, solteiro, natural do concelho de Oleiros, filho de Manuel Francisco e Joaquina Maris, faleceu de síndrome infeccioso agudo em 30 de Novembro de 1943.

ANTÓNIO NOGUEIRA ROCHA - Furriel Miliciano nº 627-39 da 3ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 7 [, Leiria] , de 25 anos, solteiro, natural da freguesia de Boavista, concelho de Paredes, filho de David Ferreira Rocha e Maria Nogueira Freitas, faleceu de colite terminal em 16 de Dezembro de 1943. 


JOSÉ SALDANHA SANTOS COSTA - Aspirante do Serviço de Administração Militar, de 23 anos, casado, natural da freguesia de Monte Pedral, Lisboa, filho de Octávio Ribeiro da Costa e Albertina dos Santos Costa, faleceu de febre tifoide em 22 de Dezembro de 1943.

MIGUEL ANDRADE DE OLIVEIRA - Soldado nº 920-43 do Regimento de Infantaria nº 23 [, Copimbra], idade não referida, solteiro, natural de Montijo, filho de Carlos de Oliveira e Maria Andrade, faleceu de congestão dentro de água em 19 de Agosto de 1943. 


1944-1946 (n=5)

LIBERATO SILVA SOUSA - Soldado nº 256-44 do Regimento de Infantaria nº 23 [, Coimbra]
, de idade ignorada, solteiro, natural de Penacova, faleceu de febre tifoide em 18 de Setembro de 1944. 

ANTÓNIO DOMINGUES - Soldado nº 264-44 do Regimento de Infantaria nº 23 
[, Coimbra], de 20 anos, natural da freguesia de Monteiro, concelho de Oleiros, filho de António Domingos e Luisa de Jesus, faleceu de febre tifoide e bronco-pneumonia em 26 de Outubro de 1944. 

ARTUR B. PINHO DA S. OLIVEIRA - Soldado nº 276-44 do Batalhão Misto de Infantaria, de 22 anos, solteiro, natural da Mealhada, filho de Artur Pinho de Oliveira e Joana da Silva Elias de Oliveira, faleceu de febre tifoide-miocardite em 13 de Janeiro de 1945.

JOAQUIM PEREIRA LOURENÇO - Soldado nº 198-44 do Pelotão de Subsistência, de 21 anos, natural de Cadaval, filho de José Bernardino Lourenço e Felicidade do Rosário Pereira, faleceu de colapso cardiovascular em 25 de Janeiro de 1945.

ALBERTO SERETE MANITO - 1º Cabo nº 103-44, unidade, idade e naturalidade não referida, faleceu em 5 de Janeiro de 1946. Inumado na 13ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, 
 Ilha de São Vicente. 





 Monumento aos soldados portugueses inumados no cemitério da Ilha do Sal. Foto da revista O Combatente, nº 345 – Setembro de 2008 (Reproduzida om a devida vénia; editada por L.G.)




1.3. Militares inumados no Cemitério de Santa Catarina, Ilha do Sal,   durante a II Guerra Mundial

1941/1944 (n=28)

ALBINO FERREIRA - soldado, falecido em 8 de Agosto de 1941

ABILIO A. DA FONSECA - 1º cabo, falecido em 22 de Agosto de 1941

JOSÉ SIMÕES VAZ - Soldado, falecido em 12 de Outubro de 1941

ÁLVARO P. BASTOS - Soldado, falecido em 19 de Outubro de 1941

BERNARDINO DA S. COVADO - Soldado, falecido em 6 de Novembro de 1941

MANUEL COSTA - 1º cabo, falecido em 12 de Novembro de 1941

CUSTÓDIO DE O. CAXO - Soldado, falecido em 17 de Novembro de 1941

JACINTO P. TEIXEIRA - Soldado, falecido em 22 de Novembro de 1941

FLORINDO NOGUEIRA - Soldado, falecido em 28 de Novembro de 1941

CARLOS MARIA DA SILVA - 1º cabo, falecido em 24 de Dezembro de 1941

ANTÓNIO DA P. GOMES - Soldado, falecido em 15 de Fevereiro de 1942

JOÃO J. DE OLIVEIRA - Soldado, falecido em 3 de Março de 1942

ADELINO DE A. MARTINS - Soldado, falecido em 22 de Abril de 1942

ÁLVARO GUERRA - 1º cabo, falecido em 9 de Maio de 1942

ABÍLIO A. R. COUTINHO - 2º Sargento, falecido em 13 de Maio de 1942

ANTÓNIO G. RATO - 1º cabo, falecido em 29 de Junho de 1942

JOSÉ M. T. MOUTINHO - Furriel, falecido em 14 de Dezembro de 1942

ARMANDO A. DOS SANTOS - Soldado, falecido em 16 de Janeiro de 1943

JOSÉ DA S. OLIVEIRA - Soldado, falecido em 2 de Abril de 1943

JOÃO DUARTE - 1º cabo, falecido em 5 de Maio de 1943

JOAQUIM ALVES FERREIRA - Soldado, falecido em 7 de Agosto de 1943

ANTÓNIO FERREIRA BARRALÉ - Soldado, falecido em 7 de Setembro de 1943

ANSELMO BAPTISTA - Soldado, falecido em 13 de Setembro de 1943

EMÍDIO DA CONCEIÇÃO FREITAS - Soldado, falecido em 11 de Março de 1944

ANDRÉ GONÇALVES - 1º cabo, falecido em 11 de Maio de 1944

JOSÉ DINIZ DE CARVALHO – Tenente, falecido em 19 deAgosto de 1944

JOSÉ TIMAS - Soldado, falecido em 23 de Novembro de 1944

AUGUSTO TERMOCEIRO - Soldado, falecido em 11 de Maio de 1944

a) José  Marcelino Martins, Maio 2012