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sábado, 7 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27803: Os nossos seres, saberes e lazeres (725): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (246): O Palácio Biester, de romantismo inconfundível, envolvido por um par de sonho - 2 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 23 de Janeiro de 2026:

Queridos amigos,
Só a posição em si é um deslumbramento, lá em cima o Castelo dos Mouros, na grande varanda desfruta-se do espetáculo da Quinta da Regaleira à esquerda e um pouco da vila de Sintra à direita. É tudo aprazível em termos de arborização desde a cascata dos plátanos até ao Palácio, da primavera para o verão deve ser um espetáculo no jogo de cores caleidoscópico, todo aquele arvoredo exótico a dialogar com os fetos arbóreos, os plátanos. As obras de conservação e restauro revelam-se magníficas, o Palácio, cuja construção esteve a cargo de um dos nomes sonantes da época, contou com a colaboração de Luigi Manini e um entalhador de nome sonante, Leandro de Souza Braga; e há, como é inevitável, alguns acepipes para aficionados do esoterismo, cabala e ramos afins com o que se pode especular da Capela templária e da Câmara iniciática. Asseguro que ninguém sairá desta visita decepcionado. Boa visita.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (246):
O Palácio Biester, de romantismo inconfundível, envolvido por um parque de sonho - 2


Mário Beja Santos

Quem gosta de obras românticas de grande aparato, o Palácio Biester, que alguns tratam por chalé, satisfaz plenamente os aficionados mais exigentes. O Palácio está no ponto alto de um Parque de indiscutível beleza. Era, para a época, uma proeza paisagística, uma conceção com um elevadíssimo grau de dificuldade, com espaços que aparecem designados no mapa que se oferece ao visitante com nomes tais como Cascata das Camélias, Ponte dos Fetos Australianos, Passeio Bordallo Pinheiro, Largo dos Fetos Australianos ou Tanque dos Plátanos.
É andando no interior deste Palácio, contemplando as panorâmicas, quer as do parque em si, quer o desfruto de olhar à esquerda o edifício mais significativo da Quinta da Regaleira e à direita a vila de Sintra, que se sente na perfeição a integração do Palácio no parque, a grande variedade de exemplares exóticos, e mesmo na caminhada obrigatória entre a Cascata dos Plátanos e o Palácio ver como resultou em cheio este desenho em declives quase labirínticos, obra do paisagista francês François Nogré que foi construindo o jardim com uma série de patamares com diferentes vistas para o Palácio, o resultado é a variedade de cenários e de cromáticas com um aproveitamento estético da beleza natural do declive e dos cursos de água. Referi no número precedente ao leitor o deslumbramento da nogueira-do-Japão, das garbosas faias, os altíssimos plátanos, os fetos arbóreos, e andei à procura de uma árvore nativa da América do Norte e das regiões montanhosas do México a Liquidâmbar, que no outono pode adquirir uma fabulosa miríade de cores. Saí do Palácio por instantes só para vos mostrar este cenário florestal ímpar.

Não sei como é o jardim do Éden, mas no caminho entre o passeio Bordallo Pinheiro, o lago dos Fetos Australianos há um ajardinamento onde despontam palmeiras, sabe-se lá o que me passou pela cabeça, até imaginei que estava nos palmares de Gambiel ou Chicri, no meu regulado do Cuor, no Centro-Leste da Guiné.
Regresso ao interior, não tirei esta imagem ao acaso, no Palácio Biester trabalhou um artista de nomeada, Leandro de Sousa Braga, os seus arcos ogivais ornamentais de desenho neogótico são insuperáveis, e veja-se o entalhamento da cimalha para o teto.
Há soberbas pinturas nas paredes e no teto, figuras angélicas de Paul Baudry, e Luigi Manini, cenógrafo reputado de profissão deixou aqui vegetalismos que conferem ao espaço uma atmosfera onírica que nos remete para o romantismo no seu expoente máximo.
Obras de Luigi Manini, sempre presente pelos seus magníficos trabalhos conferem um estreito diálogo entre o neogótico das decorações com a arquitetura.
Como se disse anteriormente, o construído no rés-de-chão é eminentemente espaço de convívio social, abra-se exceção para a biblioteca, o primeiro andar é área dos aposentos e também da Capela, chamemos-lhe uma Capela Templária, talvez devido à presença dos Cavaleiros Templários na história de Sintra. No teto, a Capela mostra as mais soberbas pinturas de todo o Palácio, dois anjos atribuíveis a Paul Baudry.
Escadaria principal do Palácio Biester, foi na totalidade realizada em madeira, é uma construção entalhada e vazada de Leandro de Sousa Braga, vejam-se os arcos ogivais ornamentais de desenho neogótico.
Aproximei-me de uma janela para bisbilhotar o parque, é a luz do entardecer, daí os dois tons de verde e lá no alto o Castelo dos Mouros.
Um arco gótico na janela onde se avista esfumado uma lembrança do parque
Estamos na Câmara iniciática. Seguindo a legenda aqui patente, este é um local profundamente ligado à ideologia religiosa que domina toda a conceção do Palácio Biester, sendo que, juntamente com a Capela, se encontra conectado com a sua prática, através da iniciação do individuo a uma Ordem sacra Templária. Trata-se de uma pequena divisão totalmente dividida em pedra, que apresenta um teto abobadado e, na parede imediatamente à frente de quem entra, uma janela à maneira de um altar medieval rudimentar, que em galgando nos dá acesso a uma bifurcação de túneis, cuja saída vai dar aos jardins do Palácio. A estrutura foi delineada tendo como base modelos de santuários medievais, nos quais as paredes em pedra despida, de construção em abóbada com arcos, eram inspiradas pelos santuários cristãos da antiga cidade de Jerusalém. A modéstia desta camara iniciática, onde o voto de pobreza do aspirante observava os mandamentos originais, à imagem da Terra Santa com a riqueza da Capela neogótica do Palácio.
Estamos de novo cá fora, ainda houve intenção de ir até ao miradouro do Castelo, e depois visitar o miradouro das Descobertas, optou-se pelo Lago dos Fetos Australianos. Este feto arbóreo australiano, segundo consta na brochura, é uma das espécies mais elegantes do parque Biester, tendo sido integrada pelo paisagista François Nogré com o objetivo de difundir alguns exotismos em determinadas zonas da propriedade, e aquela queda de água vem mesmo a propósito deste parque romântico em que o paisagista foi bastante feliz no aproveitamento dos declives e dos cursos de água.
Despedimo-nos com uma visita às instalações onde convivia o pessoal entre criadagem e cozinheiros. Anda-se por aqui a pensar nas comédias britânicas de downstairs e upstairs, está tudo conservado e recuperado e, confesso bem alindado, até podemos imaginar os comentários dos que conviviam cá em baixo ou os modos de ser dos multimilionários que habitavam entre os salões e os aposentos privados.
Impossível, perante tanta beleza e a qualidade de recuperação do Palácio de Biester não deixar de sugerir uma visita a património de edifício e parque tratado com cuidados requintados e com um restauro de primeiríssima classe.

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Nota do editor

Último post da série de 28 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27781: Os nossos seres, saberes e lazeres (724): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (245): O Palácio Biester, de romantismo inconfundível, envolvido por um par de sonho - 1 (Mário Beja Santos)

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27781: Os nossos seres, saberes e lazeres (724): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (245): O Palácio Biester, de romantismo inconfundível, envolvido por um par de sonho - 1 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 21 de Janeiro de 2026:

Queridos amigos,
Depois de longos e cuidados restauros e obras de conservação, o Parque e o Palácio Biester abrem-se ao público no seu espantoso desenho em declives, obra de um célebre paisagista francês, François Nogré, que organizou espaço com uma série de patamares com diferentes vistas para o Palácio, as espécies arbóreas como a Nogueira-do-Japão, faias, plátanos e camélias e fetos arbóreos asseguram o jogo de cores quase caleidoscópico, e lá no cimo vemos um Palácio romântico, faz boa parentela com outro património próximo, a Quinta da Regaleira, os cabalistas e esotéricos têm muito aqui para se entreter, basta pensar na Capela templária e na Câmara Iniciática. O Palácio destaca-se pelo seu ecletismo e exuberância, revela o bom gosto da época em toda a sua magnificência, como continuaremos a ver seguidamente.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (245):
O Palácio Biester, de romantismo inconfundível, envolvido por um par de sonho - 1


Mário Beja Santos

Quem gosta de obras românticas de grande aparato, o Palácio Biester, que alguns tratam por chalé, satisfaz plenamente os aficionados mais exigentes. O Palácio está no ponto alto de um Parque de indiscutível beleza. Era, para a época, uma proeza paisagística, uma conceção com um elevadíssimo grau de dificuldade, com espaços que aparecem designados no mapa que se oferece ao visitante com nomes tais como Cascata das Camélias, Ponte dos Fetos Australianos, Passeio Bordallo Pinheiro, Largo dos Fetos Australianos ou Tanque dos Plátanos. As espécies que encontramos no parque são, em alguma medida, transversais às existentes no Parque da Pena, constituindo-se por uma grande variedade de exemplares exóticos importados dos quatro cantos do mundo; desde as espécies cameleiras com origem na China e no Japão, às faias verdes e vermelhas da Europa Central, até aos fetos da Austrália e aos abetos norte americanos. Para ser sincero, não se pode dissociar a obra romântica do Palácio dos esplendores que oferece o Parque. É possível comprar na receção um volume com a história do Palácio e dos seus proprietários, encontrei um site que talvez tenha utilidade para o leitor: https://serradesintra.net/chalet-biester/, poderá mesmo ver o ator Johnny Deep, no filme a Nona Porta, que teve filmagens no Palácio de Biester.
A Cascata dos Plátanos, junto da receção do Palácio Biester
Uma nogueira-do-Japão, uma árvore que, apesar do seu nome comum em português mencionar o Japão, é na verdade nativa da China, onde se pensou que poderia estar em vias de extinção. Com mais de 200 milhões de anos, trata-se da espécie arbórea mais antiga do planeta, o que faz com que os seus exemplares sejam muito presados pela cultura de diferentes civilizações. Com tonalidades que se manifestam desde os verdes até a um espantoso amarelo-açafão, pela altura do outono. À época, foi uma adição rara escolhida por François Nogré para o Parque Biester, que dela possui dois exímios espécimes com dimensões generosas.
Entrada do Palácio de Biester
Para se chegar aqui saiu-se do comboio em Sintra, atravessou-se a vila, havia que pôr-me ao caminho da Estrada Nova da Rainha, o Palácio Biester antecede a Quinta da Regaleira. Entra-se no parque, depois da bilheteira temos a cascata dos Plátanos e começa um sinuoso percurso até se chegar ao cimo, ao Palácio. Não se resistiu a fotografá-lo cá de baixo. É na verdade um chalé romântico, nem se sonha o que há no seu interior de neogótico, vê-se à vista desarmada que é construção dos fins do século XIX, tem uma traça eclética e exuberante, os seus alçados são francamente elegantes, o famoso arquiteto José Luís Monteiro foi feliz nesta construção cheia de harmonia.
Estamos no rés-de-chão, há por aqui inúmera beleza, na biblioteca, na sala de música, na sala de estar e no salão de festas; a escadaria principal é de cortar o fôlego. Quem mandou construir não se poupou a despesas, escolheu artistas consagrados. Olhe-se para a beleza deste teto, obra de Luigi Manini, um famoso cenógrafo do teatro de São Carlos, decorador reputado.
Um pormenor da biblioteca, uma das mais peculiares salas do Palácio, aqui se albergava o acervo literário, servia de sala de leitura e consulta de documentos e agenda
É impressionante a qualidade do trabalho dos revestimentos, a ambiência neogótica, uma bela lareira azulejada, convém recordar que andou por aqui Rafael Bordalo Pinheiro, além de genial caricaturista possuía a célebre fábrica de cerâmica nas Caldas da Rainha. Este é um pormenor do salão de festas, sala dedicada a celebrações e bailes, a divisão foi claramente projetada a pensar no tempo mais invernoso.
A sala de refeições, atenda-se ao requinte das decorações das paredes
Podia ser uma pintura, mas não é. De um dos quartos, teve-se muita sorte na hora e na luz, até parece que o Castelo dos Mouros emerge de um eriçado mundo vegetal e parece estar ao alcance da mão, ilusão da ótica, o arquiteto concebeu o edifício dispondo no rés-de-chão a área social, ou seja, a sala de estar, o salão de festas e a sala de música, não falta mesmo um espaço privado que é a biblioteca, e dispôs no primeiro andar os quartos e a capela, as varandas e janelas parece que foram talhadas para um grande espetáculo cénico.
O que se avista desta varanda é esplendoroso, de um lado a vila, do outro um património um tanto afim, a Quinta da Regaleira, os cabalistas e esotéricos aqui procuram câmaras iniciáticas, códigos templários, simbologias por decifrar.

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 21 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27759: Os nossos seres, saberes e lazeres (723): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (244): Paula Rego, o guarda-roupa do seu estúdio num diálogo com as obras que lhe correspondem - 3 (Mário Beja Santos)

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Guiné 61/74 - P27174: Felizmente que ainda há verão em 2025 (29): Olha que não, Rosinha, olha que não... Sempre houve incêndios florestais no Portugal Mediterrânico... Mas há quem proponha que se corte as mãos aos incendiários...


edição de 9 de setembro de 1966. Reportagem de Joaquim Letria e Pedro Rafael Santos


1. Trágica efeméride: d
aqui a dias cumprem-se 59 anos sobre o incêndio que devastou 5 mil hectares (cerca de um terço da área plantada)  na Serra de Sintra e causou a morte a 25 militares do Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa de Queluz.

Cinco mil hectares. Esta foi a área aproximada que ardeu no trágico incêndio que deflagrou na Serra de Sintra em setembro de 1966, um dos maiores e mais devastadores incêndios florestais da história da região.

O fogo, que teve início a 6 de setembro de 1966, lavrou durante vários dias, consumindo uma vasta mancha florestal, estimada em cerca de um terço da área arborizada da serra na altura. As chamas, impulsionadas por ventos fortes, alastraram rapidamente, ameaçando a vila de Sintra e marcos históricos e naturais.

Para além da imensa perda a nível de património natural, o incêndio de 1966 na Serra de Sintra ficou marcado, para sempre,  pela morte de 25 militares do Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa de Queluz, que perderam a vida enquanto combatiam as chamas.

A tragédia teve um profundo impacto no país e levou a uma maior consciencialização sobre a necessidade de prevenção e combate a incêndios florestais em Portugal.

2. Disse o Fernando Ribeiro, em comentário ao poste P27166(*):

Antº Rosinha, em Portugal sempre existiram incêndios e sempre existirão, porque são uma forma de a Natureza se renovar. Não há volta a dar-lhe. 

O que não existia, era tantos eucaliptos e tantos pinheiros bravos, que ardem como palha, nem tanto despovoamento do interior. 

Em 1966, concretamente, morreram 25 militares no combate a um incêndio ocorrido na serra de Sintra. 

Durante as muitas caminhadas que fiz na serra de Sintra, aos fins de semana, estive mais do que uma vez no local onde eles morreram, que se situa perto do convento dos Capuchos. O local está assinalado por uma cruz e uma placa de mármore com os nomes das vítimas, e o terreno em volta estava totalmente desmatado. 

Para lá se chegar, sai-se de uma encruzihada próxima dos Capuchos, onde confluem as estradas para o palácio da Pena, para o convento dos Capuchos, para o Pé da Serra e para a Peninha. Sobe-se por uma "picada" que sai dessa encruzilhada no sentido do Monge (um túmulo pré-histórico) e que acaba por desembocar perto da Peninha. 

Os pormenores do trágico incêndio podem ser lidos aqui: 


3. De facto, sempre houve fogos florestais em Portugal ao longo dos séculos, não é só um fenómeno exclusivo da atualidade... 

Só por populismo, demagogia ou ignorância histórica se pode afirmar o contrário, nomeadamente nas redes sociais,  procurando-se tirar partido, emocional e politico-partidariamente, da tragédia que são sempre, todos os anos, os incêndios em Portugal e demais países de clima mediterrânico (Espanha, Sul de França, Itália, Grécia, etc.).

Mas em breve voltaremos à barbárie: cortem-se as mãos aos incendiários, já se ouve por aí... Ou, então, acabem-se com os isqueiros e as caixas de fósforos em Portugal. E até mais: encerrem-se as gasolineiras...

A afirmação
 de que sempre houve incêndios florestais em Portugal ao longo do séc. XX acaba por ser uma realidade histórica inegável. 

O que mudou, e muito,  foi perceção pública e a escala dos incêndios  nas últimas décadas. Estamos de acordo o Fernando Ribeiro.

E depois, é bom não esquecer (!),  havia quem, até aos 25 de Abril de 1974,  decidisse por nós, cidadãos de 2ª classe,  o que podíamos ler ou não nos jornais, ouvir ou não na rádio, ver ou não na televisão...

Os registos históricos confirmam que o fogo foi um elemento recorrente e transformador das paisagens rurais e florestais portuguesas durante todo o século passado e séculos anteriores.

Uma conjugação de fatores, desde políticas de florestação a profundas alterações socioeconómicas, moldou a história dos incêndios no país.

Os incêndios florestais em Portugal têm raízes históricas profundas e são resultado tanto de processos naturais quanto de atividades humanas de gestão do território ao longo dos séculos. 

Se olharmos para registos históricos, relatos de cronistas, arquivos municipais e até estudos de paleobotânica, vemos que os incêndios rurais e florestais existiram sempre, de Norte a Sul do país, associados a vários fatores.

(i) Registos históricos de incêndios florestais

Existem indicações de uso e ocorrência de fogos florestais que remontam a milhares de anos, detetados por depósitos de carvão com mais de 11 mil  na Serra da Estrela, associados a grandes incêndios ligados à ocupação humana e gestão agropastoril.

Desde a Idade do Bronze e do Ferro, o fogo foi utilizado para desflorestação e construção de novas áreas agrícolas, o que provocava incêndios regulares.

Registos escritos de municípios portugueses já no século XIV documentam preocupações e legislação para evitar incêndios em matas, particularmente zonas de sobreiros e azinheiras.

(ii) Incêndios notáveis nos séculos XIX e XX

No Pinhal de Leiria, registaram-se grandes incêndios, como os de 1806, 1814, 1818, 1824 (cerca de 4.000 ha), 1825 (cerca de 5.000 ha) e 1875 (cerca de 300 ha).

No séc. XIX, já se encontravam em vigor portarias e legislação para proteção florestal e combate às queimadas.

Desde a década de 1960, os incêndios passaram a ser mais frequentes, intensos e recorrentes.  

Tornam-se mais comuns a partir dos anos 1970 devido a profundas transformações sociais, demográficas e económicas (guerra do ultramar, emigração, expansão de áreas florestais, sobretudo de eucalipto, abandono rural, industrialização e urbanização do país, etc.).

Repare-se nestes dados:

1930 > Censo da população > 6 825 883 habitantes (Continente e Ilhas). Só 1 em cada cinco portugueses (19%) residia em cidades (594 mil em Lisboa, 232 mil no Porto e 485 mil nas restantes);

1950 > População activa: 3.2 milhões (50% no sector primário, 24% no sector secundário e 26% no sector terciário); por outro lado, mais de quarenta anos depois da instalação, por Alfredo da Silva, das primeiras fábricas de produtos químicos nos terrenos de aluvião da Margem Sul do Tejo, o complexo químico-industrial do Barreiro ocupava então uma área de 21 hectares; o maior grupo económico português era constituído por centena e meia de empresas e 10 mil trabalhadores.

1951 > Inauguração da barragem de Castelo de Bode, uma obra emblemática do Estado Novo e elemento-chave do plano de electrificação de 1944, e da industrialização do país; inaugurada, também nesse ano,  a ponte de Vila Franca de Xira, permitindo uma mais rápida ligação Norte-Sul.

(iii) O fogo como fenómeno mediterrânico natural

O fogo é considerado um fenómeno natural nos países do Mediterrâneo, tendo papel importante na dinâmica ecológica e na sucessão de algumas espécies vegetais. Factos a destacar:
  • o uso tradicional do fogo para renovação de pastagens e controle de vegetação sempre esteve presente na paisagem portuguesa e mediterrânica;
  • os pastores eram recorrentemente acusados de "incendiários";
  • clima mediterrânico. verões longos, quentes e secos,  favorecem a propagação do fogo;
  • práticas agrícolas tradicionais, como as queimadas para renovação de pastagens ou limpeza de terrenos, que muitas vezes saía fora de controlo;
  • trovoadas secas (factor a não negligenciar como causador de incêndios, tal como na Guiné);
  • descuidos e acidentes: desde tempos medievais há relatos de incêndios ligados a fogueiras,  produção de carvão, cal, forjas, etc. ou até relâmpagos;
  • estrutura da vegetação: matos, pinhais, sobreirais, giestais e eucaliptais (mais recentes) sempre foram combustíveis disponíveis; todavia, o coberto mediterrânico, com sobreiros, azinheiras e castanheiros é mais resistente ao fiogo.
Refira-se que o eucalipto foi introduzido em Portugal em meados do séc. XIX:  os  primeiros exemplares plantados em jardins e hortos botânicos destinavam-se a  fins... terapêuticos e científicos.

 Planta exótica, acabou por se tornar uma praga:  as plantações comerciais iniciaram na década de 1880, invadindo propriedades privadas e Matas Nacionais. 

 O Eucalyptus globulus tornou-se a espécie dominante (devido à sua boa adaptação ao nosso clima e ao seu rápido crescimento). (Passemos por cima do seu peso na economia portuguesa, na estrutura do emprego, etc.)

A diferença em relação ao passado, e no que diz respeito aos incêndios florestais,  é a escala, a frequência e o impacto socioeconómico:

  • antes, os fogos eram mais localizados, porque a floresta estava mais fragmentada entre campos agrícolas, baldios e áreas de pastoreio;
  • nos nossos dias, com o abandono rural, a continuidade de matos e florestas densas e a expansão do eucalipto e do pinheiro, o fogo alastra de forma muito mais rápida e devastadora.

Portanto, dizer que "só há incêndios hoje" é, de facto, uma mistificação histórica. O que mudou foi o contexto social, económico e ambiental, que faz com que os fogos atuais sejam mais extensos e difíceis de combater.
 
Aqui vão alguns exemplos documentados que ajudam a perceber que os incêndios florestais fazem parte da história de Portugal muito antes do século XX:

 
(iv) Portugal a ferro e fogo... Da Idade Média à Época Moderna

Séc. XIV

Nas Ordenações Afonsinas já aparecem normas para punir quem fizesse queimadas descuidadas que levassem a incêndios em montes e matos.

Séc. XV-XVI 

Há registos em cronistas e câmaras municipais de incêndios em pinhais e matos, sobretudo ligados à preparação de terras para agricultura ou pastoreio.

Pinhais de Leiria (plantados desde o reinado de D. Afonso III e expandidos por D. Dinis) sofreram incêndios várias vezes nos séculos XVI e XVII; há referências a fogo “que ardeu muitos pinheiros” e necessidade de reflorestação.

Séc. XVIII

O Terramoto de 1755 originou também incêndios urbanos e rurais que se estenderam a zonas florestais próximas de Lisboa e outras zonas atingidas.

Em 1792, um alvará régio regulava o uso do fogo em baldios e pastagens, por causa dos “grandes danos dos fogos desmandados que frequentemente incendeiam os matos e arvoredos”.

Séc. XIX

Há várias notícias em jornais da época sobre incêndios em pinhais, matas e serras. Por exemplo:

1824: referência a incêndios no Pinhal de Leiria; criação da AGMR (Administração Geral das Matas do Reino).

1843: notícia no Diário do Governo sobre fogos em matas nacionais.

1853: grandes incêndios em Trás-os-Montes e Beiras são relatados como “desgraças repetidas”;

1876: grandes incêndios no Alentejo;
 
1882/83:  grandes incêndios na Mata do Buçaco.

Desde o início do século XIX, existiam preocupações institucionais e técnicas sobre a gestão florestal e a prevenção de incêndios, especialmente com a criação em 1824 da AGMR e os trabalhos de campo e científicos de silvicultores como:

  • José Bonifácio de Andrada e Silva (fim do século XVIII / início do XIX); 
  • Bernardino António de Barros Gomes (1839–1910);
  • Adolfo Möller (formado na Alemanha, responsável pela arborização de margens do rio Mondego, na década de 1860).

Em resumo: podemos afirmar com segurança que os incêndios florestais sempre existiram em Portugal. 

O que acontece nos séc. XX e XXI é que, com o êxodo rural, a continuidade do coberto vegetal e a monocultura florestal (eucalipto), os fogos passaram a ser mais extensos e mais frequentes. E as preocupações com a sua prevenção já são não de agora.

 
(v) Incêndios florestais: uma constante na paisagem portuguesa do Séc. XX 

Embora a sistematização de dados sobre áreas ardidas só se tenha tornado mais rigorosa a partir da década de 1980, é possível delinear uma cronologia de eventos significativos que marcaram o século XX.

No início do século, os incêndios eram frequentes, mas muitas vezes de menor dimensão e mais ligados a práticas agrícolas e pastoris. 

A gestão do fogo fazia parte do quotidiano rural, sendo utilizado para a renovação de pastagens e limpeza de terrenos. No entanto, a falta de controlo resultava frequentemente em incêndios de maior escala.

A partir da década de 1960, a frequência e a dimensão dos grandes incêndios florestais começaram a aumentar de forma notória.

 Eventos como os incêndios em Vale do Rio/Figueiró dos Vinhos e Viana do Castelo (1961), na Serra de Sintra (1966) (que resultou na morte trágica de 25 militares) e na Serra de Monchique (1966), evidenciaram uma nova e mais perigosa realidade.

As décadas seguintes foram marcadas por uma escalada no número de ocorrências e na área ardida. 

O ano de 1986 assinala um marco sombrio, com o primeiro incêndio a ultrapassar os 10 mil  hectares. 

A partir daí, os "mega-incêndios" tornaram-se uma preocupação crescente, culminando em anos de extrema severidade já no final do séc. XX e no início do séc. XXI.


(vi) As Raízes do problema: causas e consequências

A omnipresença dos incêndios florestais em Portugal no séc. XX pode ser atribuída a um complexo de causas interligadas:
  • Políticas de Florestação: 
No Estado Novo nacionalizou baldios e implementou uma vasta campanha de florestação, com o objetivo de combater a erosão dos solos e aumentar a riqueza florestal do país. 

No entanto, a aposta em monoculturas de espécies de rápido crescimento e elevada inflamabilidade, como o pinheiro-bravo e, mais tarde, o eucalipto, criou vastas áreas contínuas de combustível, propícias à propagação de grandes incêndios.

  • O Êxodo rural e o abandono de terras: 
A partir de meados do século, a intensificação do êxodo rural para os centros urbanos e para o estrangeiro provocou uma profunda alteração na paisagem e na estrutura social do interior do país. 

O abandono de terras agrícolas e de práticas tradicionais de gestão do território levou à acumulação de matos e outro material combustível, tornando as florestas mais densas e perigosas.

  • Declínio da agricultura e pastorícia tradicionais: 
A diminuição da pastorícia extensiva (incluindo a transumância)  e da agricultura de subsistência, que anteriormente garantiam a limpeza de vastas áreas de mato, contribuiu significativamente para o aumento da carga de combustível nas florestas.

  • Fatores humanos: 
A esmagadora maioria das ignições teve origem humana, seja por negligência (queimadas mal controladas, fogueiras, foguetes lançados em festas e romarias, etc.) ou por ação intencional (fogo posto, piromaníacos, incendiários). 

A falta de sensibilização e de fiscalização foram fatores que potenciaram este problema ao longo de décadas.


(vii) A evolução (lenta) da prevenção e do combate

A resposta do Estado, das empresas e da sociedade aos incêndios florestais evoluiu de forma lenta e reativa ao longo do século XX.

Nas primeiras décadas, o combate aos incêndios era rudimentar, dependendo largamente da mobilização de populares, com meios escassos e pouco eficazes. 

A estrutura de bombeiros voluntários, embora fundamental, debatia-se com a falta de formação e de equipamentos adequados para fazer face a grandes incêndios florestais.

A tragédia da Serra de Sintra em 1966 foi um ponto de viragem que expôs as fragilidades do sistema de combate e alertou para  a necessidade de uma estrutura mais bem organizada. 

No entanto, só nas últimas décadas do século se assistiu a uma aposta mais significativa na:

  • profissionalização dos bombeiros;
  • criação de corpos especializados;
  • aquisição de meios terrestres e aéreos mais sofisticados.

As políticas de prevenção também tardaram em ser implementadas de forma eficaz. A aposta centrou-se durante muito tempo no combate, em detrimento de uma gestão florestal integrada que promovesse a descontinuidade dos combustíveis e a criação de mosaicos agrícolas e florestais mais resilientes ao fogo.

Em suma, a história dos incêndios florestais em Portugal no século XX é a crónica de uma paisagem em transformação, marcada por decisões políticas, mudanças sociais profundas e uma crescente vulnerabilidade ao fogo, agravadas pelas alterações climáticas. 

A afirmação de que "sempre houve incêndios" é, portanto, um ponto de partida para a compreensão de um problema complexo e multifacetado que continua a desafiar o país no presente e no futuro imediato. (**)


(Pesquisa: LG | Assistente de IA / ChatGPT, Gemini, Perplexity)

(Revisão / fixação de texto, negritos e itálicos: LG)
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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 30 de agosto de 2025 Guiné 61/74 - P27166: Os 50 anos da independência de Cabo Verde (9): Secas e fomes levaram ao longo do séc. XX à morte de mais de 100 mil pessoas

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Guiné 61/74 - P25811: (De) Caras (216): "Da minha varanda continuo a ver o mundo" - II (e última) Parte (Valdemar Queiroz, DPOC, Rua de Colaride, Agualva-Cacém, Sintra)


Foto nº 11


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Foto nº 19



Foto nº 20


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Sintra > Agualva-Cacém > Rua de Colaride > Julho de 2024> "Da minha varanda continuo a ver o mundo"...  São vizinhos do Valdemar que ele conhece e que estima, e que eles também o conhecem e estimam... E nenhum deles é identificável... São fotos tiradas ao longe e de perfil...

Mas podemos comentar: 
  • De como o telemóvel se tornou o novo grande órgão do corpo humano no séc. XXI... 
  • Ou de como estam0s todos a ficar autistas sociais... 
  • Ou de como a Rua de Coloride está mais bonita... e colorida;
  • Ou de com0 esta é a varanda do afeto contra a solidão...

Leitor: complementa a(s) legenda(s)... Mesmo que a imagem possa valer mais do que mil palavras...


Fotos (e legenda): © Valdemar Queiroz (2024). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Valdemar Queiroz: (i) minhoto de Afife, Viana do Castelo, por criação, lisboeta por eleição (ou necessidade, teve que se fazer à estrada e ir ganhar a vida, começando a trabalhar na idade da puberdade); 

(ii) ex-fur mil, CART 2479 / CART 11, Contuboel, Nova Lamego, Canquelifá, Paunca, Guiro Iero Bocari, 1969/70 (aqui por obrigação, em foto, tirada em Contuboel, 1969): 


(iv) estivemos juntos no CIM de Contuboel de 2 de junho a 18 de julho de 1969; 

(v) ele foi um dos instrutores da recruta das 100 praças do recrutamento local, que fomos receber para fazer a guerra, a CCAÇ 2590, futura CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, junho de 1969 / março de 1971);  
(vi)  tem mais de 180 referências no nosso blogue, de que é um leitor e comentador assíduo; 

(vii) é portador de uma DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica), 
que o impede saír à rua...



1. Mais umas "fotos" tiradas pelo telemóvel do Valdemar Queiroz, o mais famoso (e bem humorado e resiliente e apaixonado pela vida) fotógrafo da Rua de Colaride, Agualva-Cacém, Sintra...

(...) "Eu, agarrado a oxigénio, cá estou na minha varanda a ver passar a nova vizinhança de cabo- verdianos e guineenses e um ou outro dos antigos vizinhos já muito raros. Anexo umas fotos tiradas da varanda e ver os vizinhos passar." (*) (...)

 
Lembremos o que aqui escreveu, há um ano atrás, o Valdemar, a respeito do "bairro" ou "urbanização" onde mora desde o início dos anos 70 (**):

(...) Vi nascer toda a urbanização da zona do prédio da minha casa. Passaram 50 anos, os casadinhos de fresco inauguraram os prédios da urbanização e com o andar dos anos os filhos foram crescendo e arranjaram outros locais para morar.

Os mais velhos, como eu, alguns ficaram, mas a maioria também saiu para outros lados. Agora, há cerca de 6-7 anos, os prédios começaram a ser habitados por outra gente, na maioria famílias de cabo-verdianos, mas também guineenses e angolanos.

E, agora, na rua só se vê gente de origem africana, talvez os de cá, já poucos, prefiram sair só de carro.

Eu, com o tempo mais quente, vou para a varanda e vejo passar gente que me faz lembrar a Guiné e sempre vou tirando umas chapas apanhando pessoas descontraídas." (...)

(...) Os arruamentos, zonas verdes e prédios têm um bom aspecto devido tratar-se de propriedade horizontal a grande maioria e como tal havido uma boa conservação.

Os prédios nasceram em 1972/73, no caminho de uma vacaria e moinhos de vento, ainda quase todos para alugar, a receber casados de fresco vindos de Lisboa, com a estação dos comboios a 10 minutos, e a meia hora do Rossio.

Levou alguns anos a ficar tudo arranjadinho como agora se vê, e os novos habitantes, principalmente as mulheres, fazem grande motivo de vaidade por viver no 2.º andar, que até dá para estender a roupa a secar. E até me dizem 'o vizinho está melhor?' (...)


Valdemar Queiroz


2. O poste anterior teve já cerca de um quarteirão de comentários (*)... Selecionámos alguns:


(i) Eduardo Estrela (Cacela):


Obrigado, Valdemar,  pela partilha das fotos do mundo que a tua Rua de Colaride encerra. Daqui de Cacela vai um abraço fraterno acompanhado com uma malga de verde tinto. A imaginação e o querer fazem milagres e este brinde ninguém nos tira.

4 de agosto de 2024 às 09:20



(ii) João Crisóstomo (Nova Iorque):


"A imaginação e o querer fazem milagres e este brinde ninguém nos tira." diz e bem o Eduardo Estrela.

Há indivíduos que, mesmo no meio de grandes adversidades, qual ouro purificado no cadinho, nos espantam pela força da sua coragem que a todos serve de motivação e inspiração. Tu és um destes gigantes, um poderoso farol num mar imenso a espalhar luz a navegantes perdidos que têm a sorte de estarem dentro do teu radar.

É reconfortante verificar a admiração de todos, eu, o Luis Graça, o Eduardo... todos aqueles a quem os teus comentários, as tuas fotos, a tua vida impressionam de tal maneira que quase sentimos inveja pelas qualidades sobre-humanas de que dás provas cada dia.

Se um dia eu puder não deixarei de voltar à tua rua; e se um abraço real não for possível, quero pelo menos mesmo à distancia"beber" ( como ainda recenrenmente o papa Francisco dizia) da tua força e do teu legado.


Por este teu exemplo te estamos incomensuravelmente gratos.

4 de agosto de 2024 às 11:17


(iii) Antº Rosinha:

Aquelas plantas de jardim, quase parecem cajueiros. Tudo muito parecido com Bissau, para não esquecer o antigamente. Boa saúde.

4 de agosto de 2024 às 11:35


(iv) Carlos Vinhal:


O nosso mundo pode ser tão grande quanto a nossa imaginação permita.
Caro Valdemar, não podes ir ao mundo, vem o mundo até ti.
Continuação de boa disposição e a melhor saúde possível.
Um abraço do meio minhoto Carlos Vinhal

4 de agosto de 2024 às 11:5


(v) António José Pereira da Costa


Força, Valdemar! Tás a fotografar umas coisas em grande!

4 de agosto de 2024 às 13:42


(vi) Manuel Luís Lomba:

Aceita as minhas felicitações: não só superas a tua debilidade física, como demonstras a sua resiliência psíquica, à combatente: ainda vês o mundo e... ainda atentas nos seres humanos "de anca larga" - Eça de Queiroz dixit - e nas suas curvaturas anatómicas.

Obrigado pelo teu exemplo. Aquele abraço e sombra e frescura.

4 de agosto de 2024 às 13:57


(vii) Virgínio Briote:

Caro Valdemar!

Passei por aqui para te dar um abraço. Quando vi Afife, veio-me logo à lembrança Viana, Caminha, a magnífica Cerveira, Valença... que terras e que gentes, meu Deus!

Abraço e desejos de ver novas da tua rua.

4 de agosto de 2024 às 14:36

(viii) Abílio Duarte:


Espero que estejas bem, dentro do possível.

Eu quando falo com a família e amigos, sobre os meus tempos de exilio na Guiné, recordo somente os bons momentos que passamos. Principalmente Contuboel... a instrução aos fulas, as idas ao banho no Geba, os nossos almoços no Transmontano em Bafatá, e em Sonaco, os nossos mergulhos na piscina da dita. A nossa amizade, já ultrapassou mais de 5 décadas, e cá vamos andando.

4 de agosto de 2024 às 15:13

(ix) Fernando Ribeiro:

O nosso amigo Valdemar é como o poilão, que em Angola é chamado mafumeira. Suporta os mais violentos temporais, raios e coriscos, furacões e chuvas diluvianas, e mesmo assim permanece sempre de pé. Tal como o poilão, o Valdemar pode ficar com cicatrizes, como a sua horrível DPOC, mas enfrenta as adversidades com uma invejável disposição. Que nunca falte a seiva ao Valdemar.

4 de agosto de 2024 às 15:41


(x) Cherno Baldé (Bissau);

Caro Valdemar Embaló,


Eguê, a minha avó paterna, bem que dizia: "a velhice é uma m...da". Hoje estás confinado à tua janela, roendo lembranças de Gabu e da tua linda e educada lavadeira ou daquele improvável golpe de judó em Canquelifã contra o teu amigo Duarte. A vida sempre nos guarda surpresas, e agora passas o dia a fotografar passantes, sem saber se um deles será ou não originário de Piche ou Guiró-Iero-Bocar.

Vê lá se me envias o teu contacto, que eu recomendo ao meu sobrinho para uma visita surpresa pois Agualva Cacém e toda a linha de Sintra é uma região que já conquistamos aos Mouros do Ribatejo.

4 de agosto de 2024 às 16:32

(xi) Valdemar Queiroz:

Das minhas traseiras, 1º andar, ainda vejo o Palácio da Pena por cima de uns prédios, mas na parte mais alta desta zona, a cerca de cem metros temos uma vista extraordinário sobre todo a baixo Cacém e a Serra de Sintra. Alto de Colaride, mesmo à frente da minha varanda, faz parte do maciço da Serra da Carregueira.

4 de agosto de 2024 às 18:24


(xii) Joaquim Costa:

Tenho andado arredado das redes sociais, mas felizmente ainda vim a tempo de te dar um abraço. Ainda mantenho de pé a promessa de levar a montanha a Maomé! Os meu netos alfacinhas cada vez mais me arrastam para essa cidade grande. A minha casa, agora, é demasiado grande para uma pessoa só.


És uma força da natureza. Um grande abraço deste Minhoto que te estima.


(xiii) Carvalho de Mampatá:


Sou um 'piriquito' à tua beira (de 72/74) mas atrevo-me a falar contigo por esta via, para te dizer, graças ao nosso blog, como admiro a tua força e a força da mensagem que nos deixas. Vivo cá para cima, num recanto ainda rural de Gondomar, longe desse mundo da periferia de Lisboa cada vez mais rico na diversidade cultural que eu muito aprecio e que tu nos dás o prazer de registar com primor.

Um grande abraço com votos de que melhores dessa aborrecida DPOC.


4 de agosto de 2024 às 20:05

(xiv) Hélder Sousa:


Também, se me permites, aqui deixo um pequeno comentário, na senda do muito que se encontra nos antecedentes.

É de louvar a tua persistência em não te deixares dominar pelas dificuldades e conseguires encontrar motivos de ocupação, física e principalmente mental. É assim mesmo que se devem encarar e enfrentar as adversidades, pois só assim elas ficam reduzidas a uma menor dimensão.


Observar a "fauna humana" que circula pelas tuas redondezas (e também a flora...), acompanhado por raciocínios mais ou menos especulativos sobre os seus destinos, as suas vivências, anseios, dificuldades, etc. é um exercício que manterá os teu neurónios em funcionamento e não te deixarão "afundar".


Continua assim. É bom para ti e também para nós que sempre podemos usufruir dos teus comentários, da tua perspicácia e, porque não, da tua resposta pronta para "enquadramentos menos sérios",

4 de agosto de 2024 às 23:07


(xv) Paulo Santiago:


Grande resiliente. Abraço forte

5 de agosto de 2024 às 01:10


(xvi) Francisco Baptista:


Que a medicina te ajude e que continues a ter essa a resistência e vontade de viver que continuas a demonstrar. Bem sei que as tuas limitações são muitas mas tu tens inteligência e sabedoria para viveres com o pouco que a vida te proporciona.


5 de agosto de 2024 às 10:29


(Seleção, edição de fotos, revisão / fixação de texto: LG)