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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28216: (De) Caras (250): Luís Mário da Silva e Sá (c. 1948-1970), alf mil 'cmd', 26ª CCmds (Brá, 1970/72), cruz de guerra de 2ª classe a título põstumo: peço ao escritor Angelino Santos Silva que nos fale dele e das circunstâncias da sua morte (José Macedo, EUA)


Flâmula da 26ª CCmds. O único representante desta subunidade na Tabanca Grande é, até agora, o Angelino Santos Silva, ex-fur mil 'cmd', escritor,  autor de "Geração Afro" (sob o pseudónimo Reboredo) (2026)



1. Mensagem de José Macedo ( ten fuzileiro especial,  DFE 21, Cacheu e Bolama, 1973/74); natural da Praia, Cabo Verde, vive nos EUA desde 1977; é jurista):




O Zeca Macedo, em 1971, quando frequentava o 1º ano da  Escola Naval 
(que não completou), tendo ingressado nos fuzileiros.



1.1. Data - quarta, 17/06/2026, 21:22
Assunto - Informações sobre um camarada morto em combate



Luis, mantenhas. Estive com um amigo e camarada da Escola Naval, engenheiro construtor naval, que me contou que o irmão mais velho, Luís Mário da Silva e Sá, alferes 'comando', foi morto em combate em 1970, na zona de Cacheu (*). 

Ele disse-me que o irmão pertencia à 26ª Companhia de Comandos.  (...)

Peço a tua ajuda para me dares os dados que haja sobre sobre a morte do Luís e o contacto de algum camarada que o conheceu na Guiné.

Um muito obrigado.


PS - Em breve te enviarei um pequeno post sobre a Eugénia Espirito Santos que conheci na Guiné
.


1.2. Nova mensagem do José Macedo (ou Zeca, conhecemo-nos desde 1971):

Data - 29/06/2026, 19:19

No nosso blogue "encontrei" o nome de um membro da 26ª Companhia de Comandos, à qual pertencia o alferes Luis Mário, irmão do meu camarada. Trata-se do escritor Angelino dos Santos Silva. Agradeço-te que, se possível, me des dês as informações para que o possa contactar.

2. Resposta do editor LG:

Zeca: como tu, de resto, já tinhas entretanto  dado conta,  há uma justa homenagem ao ex-alf mil inf 'cmd'  Luís Mário da Silva e Sá no portal UTW - Ultramar TerraWeb. Dos Veteranos da Guerra do Ultramar, na série "Honra e Glória". Entretanto, já te pus em contacto  com o Angelino.

Eis alguns dados biográficos Luís Mário Silva e Sá (que deve ter nascido em 1948, tal como o Angelino): 

(i) natural de Panóias de Cima, Guarda; infelizmente não temos nenhuma foto dele (**):

(ii) foi alf mil 'cmd', tendo pertencido, de facto, à 26a. CCmds (1970/72), comandada pelo cap mil inf 'cmd' Alberto Freire de Matos:

(iii) com apenas 6 meses após a sua chegada ao CTIG, faleceu no dia 24 de setembro de 1970, no Hospital Militar 241, em Bissau, em consequência de ferimentos graves adquiridos em combate na mata de  Balenguerez, na região do Cacheu:

(iv) louvado e agraciado, a título póstumo, em 1971, coma  medalha de cruz de guerra de 2ª classe por feitos em combate; excerto do teor do louvor:

(...) "Porque, no dia 24 de setembro de 1970, na Província da Guiné, quando a força que comandava caiu debaixo de intenso fogo inimigo, conseguiu, a peito descoberto, manobrar e instigar o seu Grupo de Combate, estando sempre presente onde a sua acção era mais necessária, a ponto de, ao ver a urgência do uso de fogo de morteiro, não hesitou em colocá-lo em campo aberto, protegendo destemidamente com o corpo e sacrifício da própria vida a arma e o apontador, contribuindo, grandemente, para fazer gorar os intentos do adversário e que não resultassem mais perdas para as nossas tropas.

"Combatente de eleição e chefe estimado pelos superiores, camaradas e subordinados, evidenciou sempre o alferes Sá, em todos os contactos com o inimigo, dotes de excepcional coragem, sangue-frio, serena energia debaixo de fogo e gosto pelo risco, muito honrando os Comandos a que pertenceu e o Exército que tão devotadamente serviu."

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 5.° volume: Condecorações Militares Atribuídas, Tomo VI: Cruz de Guerra (1970-1971). Lisboa, 1994, pp. 540/541.

___________________

Notas do editor:


(**) Último poste da série : 8 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P27999: (De) Caras (249): Duas referências na história da capelania militar no CTIG: Bártolo Pereira (QG/CTIG, Bissau, 1965/67) e Arsénio Puim (CCS/BART 2917, Bambadinca, 1970/71)

sábado, 25 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28211: Agenda cultural (897): "Geração Afro: Os Últimos Guerrilheiros do Império" (ed. autor, 2026, 455 pp., por Recaredo, pseudónimo literário do nosso camarada Angelino Santos Silba, ex-fur mil cmd, 26ª CCmds, Brá, 1970/72)

 







Capa, contracapa e badanas do novo livro do nosso camarada Angelino Santos Silva , publicado sob o pseudómimo literário Recaredo.  Edição de autor, maio de 2026, s/l, 455 pp. 



1. No passado dia 15 de junho, o Angelino Santos Silva mandou-me pelo correio, para a Lourinhã, 2 exemplares do seu novo livro (é o décimo, desde 2008), um romance, um trabalho de grande fôlego (são 455 páginas!). Um dos exemplares é para a Tabanca Grande, com dedicatória ao editor Luís Graça, e outro exemplar para o nosso crítico literário, Mário Beja Santos.


A 13/06/2026, 16:55, eu felicitei-o pela conclusão do trabalho e mandei-lhe a minha direção postal (da Lourinhã, onde habitualmente só estou aos fins-de-semana). 

(...) Fico feliz por saber que "não morreste na praia" e que, tal como o Camões a nado, conseguiste "recuperar o teu manuscrito" e levá-lo a bom termo. neste caso ao prelo. Tenho pena não ter conseguido acompanhar o teu "timing", a tua pedalada... Mas farei com todo o gosto uma ou mais notas de leitura. Manda também um exemplar para o nosso "crítico literário oficial", o Mário Beja Santos, a quem dou conhecimento do feliz acontecimento.

(...) Ajuda-nos também a divulgá-lo, manda-nos: (i) cópia da capa e contracapa; (ii) como e onde adquirir o livro, preço de capa, etc.; (iii) sinopse e alguns excertos: (iii) plano de sessões de apresentação (local e data). (...).

2. O livro só me chegou às mãos quinze dias depois. E, como prometido, iremos fazer oportunamente várias notas de leitura. Infelizmente não consegui acompanhar o "making of" do livro, lê-lo com tempo e vagar e escrever o prefácio que o autor me tinha pedido. Aqui vai um mail que ele me mandou, há mais de 9 meses atrás:

Data - sexta, 3/10/2025 à(s) 12:32):
Assunto - Geração Afro

Bom dia Luís. Fico agradecido pela tua confiança. E prezo-a.

Gostaria, de que - ambos - fizéssemos desta obra, uma Obra de sucesso. Lê o texto com calma, sente-o e, se considerares que te diz algo, também dirá a alguns milhares de camaradas. E talvez valha a pena fazermos um esforço para deixar um trabalho que dignifique e preste homenagem a mais de um milhão de Combatentes. Que, em minha opinião, não tratados com a dignidade que merecemos.

Há cerca de 20 anos, entrei no restaurante Cortiço, em Viseu, para almoçar. Numa mesa ao lado estava uma equipa de reportagem da Antena 1, creio. Não conhecia nenhum dos elementos. Como conversavam, identifiquei - julguei identificar - a voz de João Paulo Dinis, que não conhecia pessoalmente. Mas tinha a sua voz registada na cabeça, ouvida através da rádio na Guiné. Troquei com ele algumas palavras sobre a Guiné, depois de lhe perguntar se era quem eu pensava.

Tenho - temos - muitos camaradas, que gostariam de dar uma opinião para ficar registada no livro. Mas não vou falar a ninguém. Porque são muitos.
 
Porém, gostaria de ter a opinião do JPDinis, registada. Admito, que devido à sua experiência como radialista na Guiné, "observador" de "coisas" que nem todos viram, a sua opinião seriam um acrescento à mensagem que pretendo passar nesta Obra. Se fosse vivo, pediria ao capitão Barbosa Henriques, meu instrutor em Lamego e que fui encontrar na Guiné. Ou ao capitão Jaime Neves, instrutor em Lamego. Infelizmente já não estão entre nós. Ou ao Spínola, que me visitou quando estive internado no Hospital Militar e que mais tarde mandou um helicóptero buscar-me a Gadamael Porto e me colocou no Cumuré para descansar, antes de me vir embora com a 26ª de Comandos.

No livro II falarei de algumas "coisas" mal contadas. Dito de outro modo, contadas no modo "politicamente correcto".

Sinto que podemos deixar um trabalho que marque a diferença e diga aos nossos netos, quem realmente fomos, apesar de ignorados por quem tem o dever oficial, de respeitar o nosso estatuto de Combatentes.

Ligo-te amanhã , sábado, por volta do meio-dia.

Um abraço. Angelino.

PS - Vê se consegues contacto com o camarada da capa.~

3. Recorde-se que o Angelino Santos, ex-fur mil cmd, pertenceu à 26ª CCmds, passou por Bula, Teixeira Pinto e Bissau, em 1970/72, Foi mobilizada pelo CIOE, Lamego, tendo como cmdt o Cap Inf Cmd Alberto Freire de Matos. Embarcou em 25mar70, chegou a Bissau em 31mar70 e regressou a 27dez71. O Angelino é até agora o primeiro e único representante da 26ª CCmds na Tabanca Grande. É natural de Recarei, Paredes.

A sua obra literária (dez títulos, desde 2008) tem-se repartido pelo romance,o conto, a poesia e as memórias. Sobre este último livro (o primeiro de 2 volumes) escreveu ele, em resumo:

Angelino Santos Silva > 27 de junho de 2026  às 21:41 ·

(...) O romance Geração Afro   Os Últimos Guerrilheiros do Império  baseia-se na vida de quatro combatentes da Guerra Colonial Portuguesa em África: os furriéis milicianos Martins da Costa e Morais Cardoso, que em 1966 embarcaram no navio Alfredo da Silva; e o furriel miliciano António Silva e o primeiro-cabo Augusto Sousa, que em 1970 partiram a bordo do navio Niassa.

Ao longo destas páginas, acompanhamos o percurso destes jovens, prestando uma justa homenagem a um milhão de combatentes que, entre 1961 e 1974–1975, tiveram como destino uma das três frentes de guerra: Angola, Guiné e Moçambique.

A narrativa segue também o destino dos combatentes africanos que optaram por lutar sob bandeira portuguesa, representados aqui pelo Grupo Especial de Combate (GEC) do tenente Mamadu Fodé — no qual se incluíam o furriel miliciano Domingos Djaló e o primeiro-cabo Abna Besna — e pelos tenentes João Quinara e Carlos Nhalon e o capitão Ombendi Sábado, todos homens com uma vasta experiência de guerrilha.

(...) Embora os nomes das personagens principais sejam fictícios, as suas vidas foram bem reais, tanto as dos que partiram da Metrópole como as das diferentes etnias da Guiné Portuguesa. É nesse chão sagrado e violento que o romance se desenrola.

Algumas figuras históricas serão mencionadas pelos seus verdadeiros nomes, facilmente reconhecíveis na imprensa nacional e estrangeira da época. Deste modo, prestamos-lhes homenagem, com especial relevo para aqueles que mais de perto conviveram connosco nesta dura vida de combatentes.

Os jovens da GERAÇÃO AFRO que embarcaram levavam com eles um objetivo comum: manter a presença colonial de cinco séculos, iniciada em 1418. E todos partiam imbuídos de um mesmo amor à Pátria, considerando as suas comissões uma causa justa.

Porém, à medida que os vamos ouvindo, intuímos um certo desencanto quanto ao fervor patriótico que os acompanhava no início da viagem — frustrações que começavam a ganhar corpo devido às fracas condições de alojamento nos barcos entre Lisboa e as colónias. Uma vez chegados, deparavam-se com a primeira grande estranheza ao presenciarem, logo no cais, jovens africanos empunhando armas ao serviço da nossa causa. Um facto que, ainda assim, amenizava o desencanto de uma viagem sem conforto.

Ao partilharmos o dia a dia com estes camaradas africanos, percebemos que a sua causa não era exatamente a mesma da nossa, que tínhamos embarcado na Metrópole. Com o andar do tempo compreendemos que, dentro da «nossa» guerra, corria «outra», também sob bandeira portuguesa. E concluímos que, justamente por isso, os destinos seriam divergentes.

Falaremos destes combatentes que ao nosso lado lutavam contra os seus irmãos do PAIGC.

Abordaremos também a vivência dos combatentes africanos no outro lado do conflito: os soldados do PAIGC, o partido que lutava pela emancipação total do colonialismo. Estes guerrilheiros eram irmãos, meios-irmãos, primos ou tios daqueles que, na mesma guerra, optaram pela bandeira portuguesa.

Alguma linguagem utilizada em episódios de grande tensão pode ferir a sensibilidade de leitores mais suscetíveis. Lembramos, contudo, que este é um romance sobre a guerra — e todos sabemos que, no calor do combate, a linha que separa o anjo do demónio é tão ténue como o sopro de uma criança ao apagar uma vela no dia do seu aniversário. (...)


Vd, Facebook de Angelino Santos Silva
__________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 9 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28168: Agenda cultural (896): Apresentação do romance, da autoria do António Carvalho, "3x44: Abel e Caim em Contrapé", Fundação Hermínia Vilar Ribeiro, Medas, Gondomar, sábado, dia 11, às 15h30. Entrada livre

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Guiné 61/74 - P26797: Facebook...ando (77): 24º encontro anual da 26ª CCmds (Brá, 1970/72), na Quinta do Paúl, Ortigosa, Leiria ... Homenagem poética à "Geração Afro" (Angelino Santos Silva)


 
1. Com a devida vénia, transcrevemos o texto "Tertúlias de Combatentes: Conversas", publicado no Facebook da Tabanca Grande,
 pelo Angelino Silva, nosso grão-tabanqueiro nº 897, ex-fur mil 'cmd', 26ª CCmds (Brá, 1970/72), poeta e escritor, com vários livros publicados,  natural de Paredes (*)

A propósito do encontro anual da sua companhia, deixa-nos também mais um belo poema seu, a que chamou "Geração Afro", de homenagem a todos os combatentes da guerra colonial. 

Recorde-se que a 26ª CCmds, passou por Bula, Teixeira Pinto e Bissau, em 1970/72, Foi mobilizada pelo CIOE - Lamego, tendo como cmdt o Cap Inf Cmd Alberto Freire de Matos. Embarcou  em 25mar70, chegou a Bissau  em 31mar70 e regressou a  27dez71. O Angelino é até agora o primeiro e único representante da 26ª CCmds na Tabanca Grande.


A Geração Afro, 

por Angelino Silva



No passado sábado, 10 de maio, realizou-se o 24º Encontro Nacional da 26ª Companhia de Comandos, que fez a sua Comissão de Serviço na Província Ultramarina da Guiné-Bissau.

Como vem sendo habitual, o evento realizou-se na Quinta do Paúl, em Leiria.
Os Encontros Anuais, que todos Combatentes vão realizando um pouco por todo o país, ficam-nos gravados na memória. E na pele.

Iniciaram-se quando nós, jovens e generosos cidadãos, depois de uma presença de dois anos em África, regressamos da Guerra Colonial Portuguesa, que no período entre 1961 e 1974/75, teve como palco Angola, Guiné e Moçambique, províncias ultramarinas pertencentes ao grande império colonial português.

Imbuídos do mais genuíno e nobre patriotismo, embarcamos para o Ultramar, tentando prolongar um Império Colonial que levava cinco séculos de existência. Não temos qualquer complexo quanto ao nosso desempenho em África. 50 anos passados, chegamos a uma altura da Vida, que temos menos Tempo para viver. É a Lei do Tempo e da Vida. E, claro, somos cada vez menos nesses Encontros.


Dos mais de 1 milhão de Combatentes que prestámos serviço nas três províncias ultramarinas em guerra, estima-se em 400 mil os ainda sobreviventes, hoje. Amanhã seremos menos. E se em tempos chorámos a morte de alguns camaradas estendidos ao nosso lado, hoje choramos a morte dos que nos deixaram depois do regresso e que as redes sociais nos vão dando conta. É é nestes Encontros que a dor fica mais impregnada na pele. No momento de Homenagem, não conseguimos conter as lágrimas.

E temos consciência, de que dia-a-dia seremos menos. E que os momentos marcantes destes Encontros – outrora, de conversas sobre as nossas vidas em África – são agora de lembrança e homenagem a quem nos vai deixando. 

É muito importante não deixar cair estas reuniões. Mantê-las, deve ser o nosso último Combate e propósito, para dizermos aos 30 governos de “democracia”, que nunca reconheceram o nosso esforço em África, que, se não fossemos nós, eles nunca seriam governantes. Devemos isto aos nossos camaradas que na guerra morreram. E também, aos camaradas que nestes 50 anos já nos deixaram, sem terem visto reconhecido o seu sacrifício em África.

Daqui a uma década seremos pouco mais do que um punhado. Porém, se ainda houver dois camaradas a realizar um Encontro Anual, o nosso esforço ficará registado para memória futura, quanto à raça, a força e generosidade da Geração Afro, que em tempos idos demandou por terras africanas para manter um Império impossível: a História de Portugal dará conta desse Sacrifício.

Abraço a todos Combatentes.
.
Deixo-vos com o poema,

GERAÇÃO AFRO


Já lá fui e voltei, 
já lá fomos e voltámos.
Percorremos o lado negro da vida,
tropeçámos na face má da sorte
e andámos por trilhos e picadas da morte.
Talvez com sorte, digo eu,
muita sorte dizemos nós,
quando em passos cuidados e tremidos
caminhámos sem rumo e sem norte,
lutando para segurar a vida,
matando para sacudir a morte.

Já lá fui e lutei,
já lá fomos e lutámos,
já lá sorrimos e penámos.
E abrimos a caixa de Pandora
e, antes de virmos embora,
enfrentámos medos e emboscadas,
carregámos sonhos e granadas,
corremos perigo e aflição,
bebemos água da bolanha,
comemos colados ao chão,
adormecemos de arma na mão,
socorremos camaradas feridos,
beijámos rostos estendidos,
cerrámos os punhos cantando,
festejámos a vida chorando,
deixámos os sonhos esquecidos,
zangámo-nos com Deus e o Diabo,
apertámos a raiva mordida na mão
e levámos a cabo heróica missão,
deixámos África
e regressámos a casa,
mais leves de coração.

Já lá fui e voltei,
já lá fomos e voltámos
e pouco pedimos em troca,
apenas… respeito e consideração.

Da vida e das mãos se faz uma nação, 
das lágrimas de um povo se faz História,
da Geração Africana se fará Memória.


Angelino dos Santos Silva,
Combatente na Guerra Colonial Portuguesa na Guiné-Bissau,
“Homenagem aos Combatentes da Guerra Colonial" (**)

Fonte: Facebook da Tabanca Grande  > 12 de maio de 2025, 17:28 (ver também o pequeno vídeo de 39 segundos, que acompanha a postagem)

(Revisão / fixação de tecto para efeitos de publicação no nosso blogue: LG)
_______________


Notas do editor:

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Guiné 61/74 - P26409: Tabanca Grande (566): Angelino dos Santos Silva, grão-tabanqueiro nº 897, ex-fur mil OE, 26ª CCmds (Brá, 1970-1972), poeta e escritor, natural de Recarei. Paredes, Vale do Sousa



Angelino Santos, ex.fur mil OE, 26ª CCmds (Brá, 1970/72)



Paredes > Recarei > Anos 50 > O artista quando jovem,
com outros colegas e vizinhos... Náo sabemos identificá-lo. A foto serviu para compor a capa do livro "Memórias da Aldeia", o livro mais recente do Angelino dos Santos Silva



Capa do romances histórico  "Geração de 70: época das chuvas" (2014). 

Fotos: Facebook de Angelino Santos Silva  (com a devida vénia)


1. O Angelino dos Santos Silva é o primeiro, no ano em curso, a sentar-se à sombra do poilão da nossa Tabanca Grande, de acordo com a sua vontade expressa e respondendo ao nosso convite, que já tem dois anos (*).

O nosso camarada Angelino Santos Silva, nasceu em  25 de novembro de 1948, em Recarei, Paredes,  vale do Sousa (berço da nossa nacionalidade): escritor, ex-fur mil 'cmd', 26ª CCmds, Bula, Teixeira Pinto e Bissau, 1970/72, passa a  ser o nosso grão-tabanqueiro nº 897.

Frequenta, com alguma regularidade, as Tabancas do Norte, com destaque para a Tabanca de Matosinhos, a Tabanca da Maia, e o Bando do Café Progresso. (E julgamos que também a Tabanca dos Melros, em Fânzeres, Gondomar.)

Angelinos, és ecebido de braços abertos na Tabanca Grande, a mãe de todas as tabancas. Teremos oportunidade de nos conhecermos pessoalmente; para além da Guiné e da escrita, temos mais afinidades, a sensibilidade sociocultural, o gosto pela música, o amor aos "nossos" vales, o teu o do Sousa, o meu  o do Tâmega (meu, por afinidade, a Alice Carneiro é do Marco de Canaveses, tua vizinha, e eu vou aí há 50 anos). 

Senta-se no lugar nº 897 e partilha connosco histórias e memórias do teu tempo de Guiné e da tua 26ª CCmds, que tem apenas 9 referências no nosso blogue. Quanto às nossas 10 regras editoriais, náo te vou maçar com a sua discriminaçáo, tens aqui o link para saber mais sobre nós, o blogue dos amigos e camaradas da Guiné (na badana do lado esquerdo). O teu nome passa igualmente a figurar na lista, de A a Z, dos 897 grão-tabanqueiros.

 
De acordo com os elementos que recolhemos sobre ti, sabemos algo mais (falta-nos apenas um foto do teu tempoo de "comando"):

(i) concluído ensino básico, faz os seus estudos na cidade do Porto;

(ii) aos 17 anos entra na EFACEC como estagiário escolar, situação que se manteve até ingressar no Serviço Militar Obrigatório.

(iii) como trabalhador-estudante faz o SPI (secção preparatória de admissão) para entrada no Instituto Industrial do Porto;

(iv) em 1969 vai para o CIOE, em Lamego, para frequentar o Curso de Comandos;


(v) integrado na 26ª Companhia de Comandos, embaraca em março de 1970 no T/T "Niassa" para a Guiné, onde permamceu  22 meses;

(vi) em "março de 71, sofre em combate um 'acidente' provocado por mina anticarro que o projecta a cerca de 30 metros": como "ia dependurado no lado contrário ao rebentamento da mina, quis a sorte que ficasse apenas com algumas queimaduras nas costas, provocado pela água da bateria do camião cisterna, que ficou completamente destruído" (sorte, que não tiveram os camaradas dentro do camião):  esteve hospitalizado dois meses;

(viii) regressado à Efacec em 1972, "iniciando a carreira profissional como Técnico de Projetos de Engenharia de Equipamentos de Produção e Distribuição de Energia Elétrica, profissão que manteve até 1982"

(ix) em 1982 sai da Efacec e "inicia uma nova carreira profissional como vendedor de Produtos Químicos de Manutenção Industrial": Chhefe de Vendas ao fim de meio ano, "foi promovido a Diretor Técnico/Comercial da zona Norte, ao fim de três anos, cargo que ocupou durante 20 anos na Quimivenda";

(x) "o gosto pela escrita em prosa e poesia é de sempre, mas apenas em 2010 começou a publicar os seus textos": "Pedaços de Vida" foi o seu primeiro romance (2010) (ver aqui a recensáo crítica feita pelo nosso camarada Mário Beja Santos; "Geração de 70: época das chuvas" (romance histórico, 2014); "Mar de Saudade" (2022) é livro de poesia;  o livro mais recente (2024) são as "Memórias da Aldeia"; mais de 4 dezenas de personagens, entre vivos e mortos, ajudam a reconstruir as memórias da terra natal do autor, Recarei, os seus usos e costumes, o seu modo de ser e estar, entre as décadas de 1920 e 1970; é um trabalho de pesquisa etnográfica.

Fonte: Facebook de Angelino Santos Silva


2. No princípio de 2023, trocámos mensagens, eu e o Angelino,  na página do Facebook da Tabanca Grande. Por qualquer razão acabámos por não dar seguimento à nossa intenção de o apresentar, formalmente, aos amigos e camaradas da Guiné:


Tabanca Grande Luís Graça 17/1/2023, 12:45

Angelino, lúcida e corajosa a tua "pedrada no charco" (...). Posso publicá-la no blogue da Tabanca Grande ? Vejo que és amigo do Facebook, mas não do Blogue. Aceita o meu convite para te juntares aos 868 amigos e camaradas da Guiné que se reunem sob o "poilão" da Tabanca Grande... Duas fotos e duas linhas de apresentação, e já está. Tens um auditório mais vasto do que aqui... Luís Graça.

Angelino Santos Silva 17/1/2023,  14:54

(...)  Obg, Luís, claro que sim, podes publicar. Aproveito para te felicitar pelo enorme trabalho que levas a cabo ao longo de 20 anos em prol dos Combatentes. Obg por me aceitares no blogue. Abraço.


(**) ~Ultimo poste da série > 28 de novembro de 2024 > Guiné 61/74 - P26208: Tabanca Grande (565): Jorge Fernando Ferreira Pedro, ex-1.º Cabo Radiotelegrafista da CART 6251/72 (Catió e Cabedú, 1972/74), que se senta no lugar 896 do nosso poilão

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Guiné 61/74 - P26395: (In)citações (260): Em louvor das nossas "tabancas" (ou tertúlias de antigos combatentes) (Angelino Santos Silva, escritor, natural de Paredes, ex-fur mil 'cmd', 26ª CCmds, Bula, Teixeira Pinto e Bissau, 1970/72)

1. Reprodução, com a devida vénia, de postagem no Facebook da Tabanca Grande, com data de 10 do corrente, às 23:00,  da autoria do nosso camarada Angelino Santos Silva, natural de Recarei, Paredes, escritor, ex-fur mil 'cmd', 26ª CCmds, Bula, Teixeira Pinto e Bissau, 1970/72, e que será o nosso próximo grão-tabanqueiro, passando (finalmente!) a sentar-se à sombra do nosso poilão no lugar nº 897.

Frequenta, com alguma regularidade, as Tabancas do Norte, com destaque para a Tabanca de Matosinhos,
a Tabanca da Maia, e o Bando do Café Progresso. (E julgamos que também a Tabanca dos Melros,
 em Fânzeres, Gondomar.)


Tertúlias de combatentes
 
por Angelino Santos Silva


A Geração que entre 1961 e 1974/75 demandou por terras de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau para cumprir a Missão de Defender a Pátria, uma vez regressada a casa, criou um evento social até aí desconhecido nos hábitos dos portugueses: pelo menos uma vez por ano encontram-se algures num ponto intermédio do país, de modo a reunirem o maior número de Combatentes e aí confraternizarem, falando das suas vivências em África. 

Desde início criaram o hábito de levarem as esposas, depois filhos e depois netos, incluindo genros e noras. E assim tem sido a saga dos Combatentes ao longo de mais de 50 anos, após regresso definitivo a casa.

Há gente, que estando um pouco afastada destes “Encontros”,  estranha e se interroga, como o tema “Guerra” pode aproximar, direi, apaixonar tanta gente para, ano após ano conversarem alegremente de uma vida onde é suposto ter havido “sangue, suor e lágrimas”. E morte. 

E houve tudo isto. E mais. Houve cansaço, dor, mutilados, febres e outras doenças, especialmente maleitas “apanhadas pelo clima”, quando a cabeça não aguentava a pressão de viver num ambiente de guerra. Mas também houve alegrias, bebedeiras, sorrisos, cantorias e camaradagem. E algo comum a todos, que nos fez esquecer agruras e raivas por vermos um camarada mutilado ou morto ao nosso lado: o facto de termos 22, 23, 24 anos e a força de sermos jovens. Como esquecer, como não falar, como não confraternizar pela vida fora, pelo menos uma vez por ano?

Talvez pelas condições específicas da luta na Guiné-Bissau, os camaradas Combatentes que estiveram nesta Província, ao longo dos anos foram criando grupos que designam por Tabanca. E todos se mantêm ligados, quer pelas redes sociais, quer pelos “Encontros Anuais “ e há mesmo quem se encontre todos os meses e semanas. Eu, que fiz a guerra na Guiné, percebo como é importante para nós.

Das várias Tabancas que conheço e/ou participo, no passado dia 8 estive a confraternizar na Tabanca – O Bando do Café Progresso,  das Caldas à Guiné. Trata-se de um grupo simpático que há alguns anos se reúne religiosamente todos os meses. Como todos os grupos que conheço, este é também um grupo eclético pelo que nas conversas entre camaradas, além da vida da tropa, fala-se de outros temas, de A a Z, conforme o momento.

Desta vez o Ferreira marcou o encontro para a terra – que nela vive – mas esqueceu-se de nos avisar, que só um GPS concebido pela NASA nos levaria lá, sem a ajuda de um forasteiro que encontrássemos pelo caminho. Mas chegamos. E valeu a pena.

Boa comida nos serviram no restaurante. As “entradas” foram diversas e de boa qualidade e as tripas muito bem confecionadas e do agrado de todos. Desta vez a tertúlia teve a presença de algumas senhoras e cavalheiros da terra do Ferreira, gente simpática e alegre. Rosinha, dona do restaurante - porque coincidiu com o seu aniversário - prendou-nos com um belíssimo bolo e brindou-nos com alguns fados. 

Logo a seguir à refeição e antes das cantorias e conversas, foram declamados dois poemas: "Sextante", dito de forma magistral por Ricardo Figueiredo; e "Geração Africana", por mim. Algumas lágrimas surgiram ao canto do olho dos mais sensíveis.

Da próxima que lá for, vou de barco até a eclusa da barragem, subo e vou a correr por lá acima até chegar à Rua da Marroca, local do restaurante da Rosinha.

Um abarço, saúde om ano para todos Combatentes e suas família.
Angelino dos Santos Silva

Combatente na Guerra Colonial Portuguesa na Guiné-Bissau

PS - Deixo-vos com os dois poemas :

SEXTANTE

Tracei a vida a régua e esquadro
como se fora uma quadricula
estudei ângulos, revi a deriva
e lancei as sortes no xadrez da vida

Nas contas usei a tabuada
mexi números, tracei a equação
somei pelos dedos da mão
dividi a sorte pela raiz quadrada
e fui à vida de bota fardada

Em águas turvas naveguei
por mar em tempos navegado
ao chão da selva cheguei
dormi sem cama, comi sem mesa
joguei às escondidas de arma na mão
e nesta complicada equação
pisei a linha e perdi o norte

Quis o sextante livrar-me da morte
voltei à vida sem trunfos na mão
lancei os dados em busca da sorte
ganhei ao xadrez, perdi ao gamão
nos cálculos imperfeitos da equação

Traz-me o sextante nesta aflição
realinho a quadricula a régua e esquadro
cálculo o risco, sou enganado
consulto as linhas da palma da mão
e aguardo as sortes da equação

E a vida se faz, fazendo
umas vezes parada, outras correndo
em matemáticas de contas incertas
umas vezes erradas, outras certas
e as contas desta equação
apenas se fecham nas tábuas de um caixão.


GERAÇÃO AFRICANA

Já lá fui e voltei
Já lá fomos e voltamos.

Percorremos o lado negro da vida
tropeçamos na face má da sorte
e andamos por trilhos e picadas da morte.

Talvez com sorte digo eu
muita sorte dizemos nós
quando em passos cuidados e tremidos
caminhamos sem rumo e sem norte
lutando para segurar a vida
matando para sacudir a morte.

Já lá fui e lutei
Já lá fomos e lutamos
Já lá sorrimos e penamos.

E abrimos a caixa de pandora
e antes de virmos embora
enfrentamos medos e emboscadas
carregamos sonhos e granadas
corremos perigo e aflição
bebemos água da bolanha
comemos colados ao chão
adormecemos de arma na mão
socorremos camaradas feridos
beijamos rostos estendidos
cerramos os punhos cantando
festejamos a vida chorando
deixamos os sonhos esquecidos
zangamo-nos com deus e o diabo
apertamos a raiva mordida na mão
e levamos a cabo heroica missão
deixamos áfrica
e regressamos a casa
mais leves de coração.

Já lá fui e voltei
Já lá fomos e voltamos
E pouco pedimos em troca.

Apenas… respeito e consideração.
Da vida e das mãos se faz uma nação.
Das lágrimas de um povo se faz História.
Da Geração Africana se fará Memória.

Poemas da autoria de Angelino Santos Silva, 
disponíveis na sua página do Facebook)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Guiné 61/74 - P24056: Facebok...ando (72): Nós, os antigos combatentes, porque nos tornaram proscritos? (Angelino Santos Silva, ex-fur mil 'cmd', 26ª CCmds, Bula, Teixeira Pinto e Bissau, 1970/72)


Capa e contracapa de um dos romances históricos do nosso camarada Angelino Santos Silva, "Geração de 70: época das chuvas" (edição de autor, 2014). (*)


I. O Angelino  Santos Silva (foto atual à esquerda), publicou na sua página do Facebook (em 16 de janeiro último) e replicou, na página do Facebook da Tabanca Grande Luís Graça, a reflexão, que a seguir reproduzimos (com a devida vénia), sobre a nossa geração de combatentes da guerra colonial, nascida nos anos 40. 

O Angelino aceitou o nosso convite para ingressar na Tabanca Grande, a comunidade virtual de amigos e camaradas da Guiné que se reune neste blogue. Iremos apresentá-lo brevemente à nossa tertúlia.

Para já aqui um breve apontamento biográfico do autor:

(i) nasceu em novembro de 1948, na aldeia de Recarei, concelho de Paredes;

(ii)  concluído o ensino básico, fez os seus estudos na cidade do Porto;

(iii) aos 17 anos entra na Efacec como estagiário escolar, situação que se manteve até ingressar no Serviço Militar Obrigatório;

(iv) como trabalhador-estudante faz o SPI para entrada no Instituto Industrial do Porto;

(v) em 1969 vai para o CIOE, em Lamego, para frequentar o Curso de Comandos, com vista à Guerra Colonial Portuguesa em África;

(vi) integrado na 26ª Companhia de Comandos, em março de 1970 embarca no navio Niassa para a Guiné, local onde esteve 22 meses (passando por  Bula, Teixeira Pinto e Bissau);

(vii)  em março de 71, sofre em combate um "acidente" provocado por mina anticarro que o projecta a cerca de 30 metros; porque ia dependurado no lado contrário ao rebentamento da mina, quis a sorte que ficasse apenas com algumas queimaduras nas costas, provocado pela água da bateria do camião cisterna, que ficou completamente destruído; sorte, que não tiveram os camaradas dentro do camião; esteve hospitalizado dois meses;
 
(viii) regressado à Efacec em 1972, inicia a carreira profissional como Técnico de Projetos de Engenharia de Equipamentos de Produção e Distribuição de Energia Elétrica, profissão que manteve até 1982;

(ix) em 1982 despede-se da Efacec e inicia uma nova carreira profissional como vendedor de Produtos Químicos de Manutenção Industrial; promovido a Chefe de Vendas ao fim de meio ano, foi promovido a Diretor Técnico/Comercial da zona Norte, ao fim de três anos, cargo que ocupou durante 20 anos na Quimivenda;

(x) o gosto pela escrita em prosa e poesia é de sempre, mas apenas em 2010 começou a publicar os seus textos; Pedaços de Vida foi o seu primeiro romance.(**)

(xi) sabemos que frequenta as Tabancas de Matosinhos e dos Melros;

(xii) contactos: Angelino Santos Silva > telem 912 998 600 | email: angelinosantossilva@gmail.com

 Fonte: Adapt. de Wook (com a devida vénia)


II. Facebok...ando  (***) > Nós, os combatentes: Porque nos tornaram  proscritos?

por Angelino Santos Silva

1. Para responder à questão, temos de recorrer à História, não só à que nos diz directamente respeito, mas também à dos nossos pais, ou seja, à história do país do séc. XX.

A vida é um somatório de passos por caminhos sinuosos com encruzilhadas à mistura. Por vezes temos dúvidas quanto ao caminho a tomar, porém, temos consciência de que temos de prosseguir por um. Noutros, alguém os escolhe por nós sem apelo nem agravo e poucas saídas nos restam para o evitar e sempre com custos elevados.

Nós, os Combatentes pertencemos a este último grupo: perante a maior encruzilhada que a vida nos reservou, alguém nos traçou o caminho e sem qualquer recurso, tivemos que o percorrer.

Vamos aos factos históricos.

A nossa Geração nasceu no período compreendido entre o início da II Guerra Mundial e poucos anos após o fim da mesma, ou seja, entre 1941 e 1953. Olhamos à distância de 70 ou 80 anos e sentimos um amor incomensurável pelos nossos pais, que nasceram no período compreendido entre o fim da Monarquia e os princípios da I República.
 
Enquanto miúdos, víamos o enorme sacrifício que faziam para nos subtrair a um estilo de vida de grande dificuldade que lhes era imposto pelo Estado Novo. Nessa época quase metade da população portuguesa era analfabeta, principalmente nas aldeias, sendo que – analfabeto  – significava apenas não saber ler e escrever com desenvoltura, porque da vida e do trabalho os nossos pais eram mestres: aos dez anos iniciavam uma profissão, aos vinte sabiam quase tudo sobre a mesma e aos trinta eram mestres na arte que escolheram para ofício. 

Para um país retrógrado como era o nosso, tal capacidade e empenho significava uma enorme riqueza, não aproveitada por um regime que mantinha pobre o seu povo e fazia da emigração, ou antes, dos dinheiros enviados pelos emigrantes, o seu pote de ouro. Porém, beneficiaram os países que acolheram a emigração, aproveitando a mão-de-obra barata depois do descalabro da II Guerra Mundial.

Por cá, o esforço e empenho dos nossos pais, também não foram aproveitados por quem tinha o dever de melhorar o nível social do país e acompanhar o desenvolvimento social da Europa do pós-guerra mundial. Aproveitamos nós - seus filhos - cada um por si e todos criamos condições para melhorar a vida de nossas famílias. 

E assim aconteceu: perante cada encruzilhada que nos foi surgindo após o Serviço Militar, não tivemos grandes dúvidas em escolher um caminho, sempre com os olhos postos no exemplo de nossos pais: os que continuaram a estudar após a 4ª classe (o ensino básico era obrigatório até aos 14 anos para quem reprovava) fizeram-no com o intuito de arranjar o melhor emprego possível e os que foram trabalhar legalmente após os 14 anos de idade, fizeram-no com o mesmo propósito. 

Todos melhoramos substancialmente as nossas vidas, criamos as bases para erradicar o analfabetismo e os nossos filhos têm hoje um razoável nível de vida. Parte significativa é licenciada e alguns já exibem um doutoramento. 

Porém, os seus filhos – nossos netos – estão nos antípodas das gerações de seus avós e pouco sabem sobre a nossa missão enquanto Combatentes na Guerra Colonial em África. Tudo é diferente nesta Nova Geração. Aparentemente, os miúdos do Séc. XXI – aos quais designo por Geração de Cristal – têm tudo ao seu alcance, mas na realidade, perante uma encruzilhada que lhes surja pela frente, já não têm tanta certeza, como a tiveram os seus pais e avós. 

É claro, que não é por culpa própria, mas sim pelas decisões políticas erradas tomadas pelas elites governantes, que a pretexto de salvar a “economia” criam dificuldades inultrapassáveis para a maioria das pessoas. 

Esta nova forma de “olhar o mundo“ e geri-lo sob um conceito estritamente económico, - o mesmo que dizer, proteger interesses dos mais ricos - está a transformar a vida dos jovens em uma “caixa de Pandora”. No ensino, parte dos cursos académicos estão desajustados às necessidades do tempo actual e de pouco servem aos licenciados, que se veem obrigados a aceitar um emprego para o qual não estudaram, precários e mal remunerados

Além da frustração que tal opção acarreta, os jovens tornam-se permeáveis aos problemas de foro psíquico e o recurso aos antidepressivos é cada vez mais frequente. Portugal é um dos países da Europa com maior prevalência do número de doenças psiquiátricas. 

No primeiro semestre de 2022 os portugueses compraram perto de 10,9 milhões de embalagens de ansiolíticos, sedativos e antidepressivos, o que representou um encargo para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) de cerca de 32,5 milhões de euros. Em média, venderam-se mais de 59.732 embalagens de ansiolíticos, sedativos, hipnóticos e antidepressivos por dia, totalizando 10.871.282 nos primeiros seis meses do ano, o que representa um aumento de 4,1% face ao mesmo período de 2021 (10.439.500), segundo dados do Infarmed.

A pandemia veio acelerar este consumo, sendo que nos jovens se verificou o maior aumento.

Ao prosseguir nesta forma de “olhar o mundo”, ou seja, sob orientação puramente económica, chegaremos a 2030 com uma juventude sem perspectivas quanto ao futuro, com um curriculum académico puramente administrativo que pouco serve, sem emprego ou com emprego mal pago, insuficiente para fazer face à vida. 

Chegados aqui, teremos a Geração de Cristal transformada na “Geração dos Nem Nem” ou seja, Nem estudam, Nem trabalham, porque mais vale viver de subsídios. Se isto não for corrigido, a geração dos nossos netos será confrontada com um recuo civilizacional de um século e chegará ao tempo da Monarquia.

2. É muito importante que falemos aos nossos netos. É muito importante que lhes expliquemos, porque motivo existe, desde o 25 de Abril, um esforço da parte dos governantes em ignorar os Combatentes e se possível, fazer deles, cidadãos Proscritos ou seja, banidos da História de Portugal.
 
3. Este esforço tem sido feito por todos os governos com maior ou menor disfarce e todos comungam do mesmo objectivo: passar em branco as páginas da História da Guerra Colonial e nela, a dos Combatentes.

4. Cabe-nos, não permitir que tal objectivo tenha sucesso. Como fazer isso? Escrever. Escrever muito sobre nós, Combatentes.

5. Porque o tempo não pára e porque estamos confrontados com a verdade inquestionável da idade, deparamos com uma nova e derradeira encruzilhada: escrever sobre nós, utilizar as redes sociais falando sobre nós, porque no ensino escolar ninguém o faz.
 
6. Os nossos filhos também não, porque ao longo da vida familiar pouco falamos sobre a nossa presença em África, absorvidos que estávamos – tal como os nossos pais – a trabalhar para lhes dar um nível social melhor do que o nosso.
 
7. Entre nós falamos muito, facto que por vezes causava espanto aos nossos familiares, quando nos acompanhavam aos Encontros Anuais e encontros de ocasião.

8. Mas devemos falar mais, porque o tempo urge. Seremos hoje cerca de 250 mil, número com algum impacto, se unidos, coisa complicada num país que se uniu para derrubar o Estado Novo, mas logo se dividiu nas artimanhas dos políticos.
 
9. Porque, parte significativa de nós anda entre os 70 e 80 anos – os mais velhos já ultrapassaram este limite – daqui a 10 anos seremos talvez, menos de 50 mil, porque segundo as estatísticas é na idade dos 80 em diante que morre mais gente. Não fugiremos a esta realidade, até porque em cima de nós vieram algumas mazelas que nos causaram desgaste físico e psíquico.

10. De abril de 74 para cá, temos andado divididos entre religião, futebol e política. Tem sido este o desenho bem aproveitado pelos políticos, que sabem que quem não tem potencial para fazer lóbi, fica irremediavelmente para trás. E assim tem acontecido e acontece com os Antigos Combatentes, disfarçado com esmolas que “desarmam” alguns.
 
11. Se nos achamos injustiçados e entendemos fazer alguma coisa, está na hora de encontrar o caminho, porque o tempo urge e já não teremos outra encruzilhada pela frente. Esta será a última das nossas vidas.

• Quanto à pergunta, PORQUE NOS TORNARAM PROSCRITOS?

A resposta é fácil: depois de manipuladas e arregimentadas as gerações que fizeram a Guerra Colonial e, por consequência, a divisão do grupo de Capitães/Combatentes, que se tinham unido para derrubar o Estado Novo, nenhum dos governantes conheceu a guerra colonial portuguesa em África.

Um abraço a todos Combatentes.

Angelino dos Santos Silva
Combatente na Guerra Colonial Portuguesa na Guiné-Bissau

[Revisão e fixação de texto / Negritos, para efeitos de edição deste poste no nosso blogue: LG]
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Notas do editor:

(*) Vd. poste de
14 de dezembro de 2015 > Guiné 63/74 - P15486: Notas de leitura (788): “Geração de 70”, por A. Santos Silva, Euedito, 2014 (Mário Beja Santos)

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Guiné 61/74 - P23220: Notas de leitura (1442): "Pedaços de Vidas", por Angelino Santos Silva; Mosaico de Palavras, 2010 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 27 de Abril de 2022:

Queridos amigos,
Há que confessar que nada me fora dado a ler como esta encruzilhada de vidas em que somos levados de meados do século XX até ao princípio deste século, tudo começa no meio rural, talvez na Freguesia de Recarei, Concelho de Paredes, percorre Caldas da Rainha e Santarém, Lamego e uma intensa atividade operacional na Guiné, no centro da trama estão dois amigos fraternos; mas como temos aqui uma encruzilhada de vidas, muito provavelmente se conta a história de alguém que se conhece bem que levou uma vida conjugal infernal e que tudo vai contar, desde os primeiros episódios de um ciúme obsessivo até à tentativa de espoliar o marido e viver em permanente quezília com os filhos, temos aqui uma galopada de episódios pintalgados de dramatismo, seguramente que Angelino Santos Silva ganhou coragem para este desnudamento em que expõe a sua vida, recorrendo ao escudo da malha ficcional.

Um abraço do
Mário



Pedaços da vida de um antigo Comando na Guiné e em Portugal, obra singularíssima

Mário Beja Santos

Convém, antes de mais, justificar no título o uso de “obra singularíssima”. Angelino Santos Silva dá-nos conta do seu currículo, fez parte da 26.ª Companhia de Comandos, combatendo na Guiné de 1970 a 1972, levou uma vida de trabalho, introduz no seu currículo casamento e divórcio e orgulha-se de ter sido um competente diretor de vendas. Homenageia os camaradas e execra os praticantes do ciúme, veremos adiante que a singularidade desta obra assenta em duas histórias entrelaçadas, uma envolve dois jovens, amizade inquebrantável, António e Augusto, que combaterão juntos na mesma Companhia de Comandos; e a outra a de um casal que, de peripécia em peripécia, como iremos assistir, descobrirá o inferno relacional, tudo começa em obsessões de ciúme, culminará num golpe de baú e num divórcio litigioso onde iremos presenciar, a toda a largura, o lavar da roupa suja.

Como, nestas coisas da literatura da guerra colonial, acabamos sempre de falar de nós, mesmo com recurso aos artifícios de entrepostas pessoas e até de lugares e tempos tidos por convenientes numa tentativa de afastar suspeitas de incursões autobiográficas, há que conferir coragem a Angelino Santos Silva por esta memória e esfrangalhada diatribe familiar levado ao caos. Tudo começa pela história de António Daborda e Augusto Marques, furriel e primeiro-cabo dos Comandos, e do infausto casal Mário Oliveira e Maria Carolina. Os jovens vão às sortes, apurados para todo o serviço, o Mário e a Carolina casam quando ele regressou de África. A família de Augusto socorre-se de um pilantra, o Arnaldinho, a quem entregam 50 contos, na tentativa de safar o filho de África, mal sabe Ti João que o Arnaldinho é doido por jogo e por passear com meninas, não houve cunhas nem o Augusto queria. Iremos acompanhar a vida dos jovens em Lamego, cenas de brutalidade não faltarão, tudo justificado pelos instrutores em nome da resistência que é indispensável para as tropas especiais. E as páginas vão-se sobrepondo com os primeiros anos da vida do casal Mário e Carolina e as brutalidades em Lamego, não faltarão cantis com água e urina, tudo para beber e começam os ciúmes na vida familiar, a intromissão das irmãs de Carolina na vida do casal, surgem os primeiros delírios da Carolina, forja amantes para o marido, em Lamego António Daborda revela as suas competências, tem suficiente força de caráter para todos aqueles aturdimentos e gritarias durante a noite, altifalantes e ordens para formar na parada, é a vez de Augusto chegar a Lamego, se aquela amizade feita na aldeia já era sólida vai ganhando a consistência do aço; Mário leva uma vida amargada, acaba sempre por arredar a ideia de se separar daquela mulher errática, quer ver os filhos a viver em meio familiar, sujeita-se aos caprichos de Carolina, cada vez mais dominada pelas manas e exigindo ao marido um sem-número de excursões, que tanto podem ser a Cuba, como à República Dominicana, como a Tenerife; os dois grandes amigos reencontram o meio familiar sempre que há férias, o Arnaldinho reaparece como um fantasma, os filhos de Mário e Carolina vão crescendo e, para seu espanto, a mão maltrata-os, chega a inventar envenenamentos.

O romance segue o seu curso, mais brutalidade em Lamego, vamos ter agora uma Companhia de Comandos, no meio de trabalho de Mário começa a haver inquietações, Carolina não faz outra coisa que dizer mal do marido, começa-se a duvidar da sanidade mental da senhora.

Chegou a hora do embarque, chega-se à Guiné naquele estranhíssimo período de março/abril de 1970 em que parecia que se ia chegar a um acordo de paz, havia para ali umas negociações secretas, tudo redundou, em 20 de abril, num selvático retalhamento de vários oficiais e seus acompanhantes, caíram numa cilada, a guerra recomeçou, e a vida operacional de 26.ª Companhia de Comandos seguiu o seu rumo. Carolina consegue induzir o marido para um negócio de um ginásio onde vão também participar os sobrinhos, filhos de uma muita amada irmã, Carolina disparata a toda a hora com as empregadas e vai preparar o golpe do baú, retira os dinheiros da conta comum, leva as joias e outros bens, anuncia para quem a quer ouvir que o marido a espanca e ela sofre a mais terrível das crueldades mentais daquela besta. Os filhos do casal questionam como é que o pai aguenta aquela mãe tão disfuncional, entretanto monta-se a estratégia do divórcio, António e Augusto vão com a sua Companhia até Bula, parece estar tudo calmo, ainda não se deu a tragédia do 20 de abril, estas duas histórias que andam a par vão ganhar eletricidade quer na sala do tribunal, quer na atividade operacional da 26.ª Companhia de Comandos que percorre a Guiné, assaltando bases, apoiando colunas, intervindo para resolver encrencas.

E se o julgamento clarifica que Mário está inocente de todas as acusações, a vida de Augusto e António tem outro desenlace, a Companhia tem dado apoio ao alcatroamento de uma estrada entre Mansabá e Farim, o tapete vai chegar ao K3. Há necessidade de bater uma zona, procurar uma base de morteiros, os helicópteros não conseguiam localizá-la, tal a camuflagem, vai também tropa africana. A tragédia surge no terceiro dia de operação, na mata tudo parecia calmo, está-se perto do objetivo, pede-se apoio a um helicóptero, o seu canhão mete respeito. O furriel António está a dar ordens, mas não acaba a frase, uma violenta explosão atira-o a uma distância bem folgada, não ouve nada, não sente as mãos, não sente as pernas, tenta dar alguns passos, mas volta a cair, vê alguns camaradas estendidos no chão e outros a correr, descarregando as suas armas. Deitado no chão sente a correntes de ar das pás do helicóptero, é para ali transportado, ali desmaia, acorda no hospital militar de Bissau, está intacto, apenas com umas ligeiras queimaduras nas costas, tal como aconteceu a Angelino Santos Silva, na guerra que ele viveu. Mas Augusto, o seu amigo fraterno, sucumbiu. Em janeiro de 1972, António vê-se novo no Cais da Rocha do Conde de Óbidos, com os seus camaradas segue para Lamego, metem-se à estrada num táxi de Lamego a caminho de casa, viagem acidentada até ao Porto. Em São Bento toma o comboio para casa, a sua aldeia espera-o, aparece enregelado à família, tem o aspeto de desenterrado. Mete-se na cama e durante três dias esteve em silêncio, contabiliza ganhos e perdas, isto enquanto no tribunal a advogada de defesa dá os parabéns a Mário que confessa que não está feliz: “Não é uma sentença em papel, ainda que justa, que sossega a besta que em mim foi despertada por duas bestas que me infernizaram a vida e marcaram para sempre a minha e a dos meus filhos”.

Como nada até hoje li como estes pedaços de vidas, de gente que chega ao destino com todas as convicções abaladas a classifico como “obra singularíssima”.

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Nota do editor

Último poste da série de 29 DE ABRIL DE 2022 > Guiné 61/74 - P23211: Notas de leitura (1441): “A Balada do Níger e Outras Estórias de África”, por Amílcar Correia, Civilização Editora, 2007 (4) (Mário Beja Santos)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Guiné 61/74 - P22985: Fichas de unidades (24): 26ª CCmds (Bula, Teixeira Pinto e Bissau, 1970/71)


Guiné > Região de Cacheu > Teixeira Pinto > 35ª CCmds (1971/73) > O fur mil cmd Ramiro Jesus com um "djubi",  o "Caboiana", cuja mãe morreu, vítima de uma emboscada das NT, e que, tendo ficado órfão,  foi resgatado pelos militares da 26ª CCmds (Teixeira Pinto e Bula, 1970/71). Acabou por ser criado no quartel e tornar-se a mascote da companhia... No fim da comissão, a 26ª CCmds entregou o miúdo aos cuidado dos periquitos, a 35ª CCmds. (*)

Foto (e legenda): © Ramiro Jesus (2022).Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Ficha de unidade: 26ª Companhia de Comandos (**)

Identificação: 26ª CCmds

Unidade Mob: CIOE - Lamego

Cmdt: Cap Inf Cmd Alberto Freire de Matos

Partida: Embarque em 25Mar70; desembarque em 31Mar70 | Regresso: Embarque em 27Dez71

Síntese da Actividade Operacional


Após o desembarque, deslocou-se em 06Abr70 para Bula, onde iniciou o treino operacional com a 16." CCmds, de 07 a 29Abr70, deslocando-se seguidamente para Teixeira Pinto, a fim de realizar operações nas regiões de Peconha, Catum e Belenguerez, ficando depois atribuída ao CAOP (depois CAOP 1), como força de intervenção e reserva daquele agrupamento.


 Nesta situação tomou parte em diversas operações realizadas nas regiões de Churo-Caboiana, Bachile, Burné, Churobrique e Belenguerez, entre outras, com destaque para a operação "Relâmpago Gigante".

De 06 a 10Dez70, foi deslocada para Bula, a fim de reforçar o BCaç 2928, com vista à realização de operações na região de Ponate, após o que regressou a Teixeira Pinto, a fim de colaborar na segurança afastada dos trabalhos da estrada Teixeira Pinto-Cacheu e na realização de várias operações naquela área.

Em 27Jun71, recolheu, transitoriamente, a Bissau para um período de descanso, após o que voltou para Teixeira Pinto, de novo atribuída ao CAOP 1, com vista à realização de operações nas regiões de Ponta Costa, Belenguerez e Burné e ainda na colaboração na segurança e protecção aos trabalhos da estrada Teixeira Pinto-Cacheu.

Em 14Dez71, recolheu a Bissau, a fim de aguardar o embarque de regresso.


Observações - Tem História da Unidade (Caixa n." 91 - 2ª Div/4ª  Sec, do AHM).

Fonte: Excertos de: CECA - Comissão para Estudo das Campanhas de África: Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974) : 7.º Volume - Fichas das Unidades: Tomo II - Guiné - 1.ª edição, Lisboa, Estado Maior do Exército, 2002, pág.533. (Com a devida vénia...).


2. Operação Relâmpago Gigante - 16 e 170ut1970

Um golpe de mão/emboscada foi realizado na região de Tecanhe - Barme - Balem, CAOP 1, por dois Gr Comb das 26ª CCmds, 27ª CCmds e DFE 3.

Detectada uma arrecadação na região de S. Domingos, sendo recolhido o seguinte material:

1 espingarda "Mauser"
1 pistola metralhadora "PPSH"
1 cano de espingarda "Mosin-Nagant"
1 aparelho de pontaria de canhão s/r "B-10"
1 aparelho de pontaria de mort 8,2 cm
2 canos metralhadora pesada
8 carregadores para metr "PPSH"
2 carregadores metralhadora ligeira  "Degtyarev"
3 carregadores metralhadora ligeira "M-52"
9 minas A/P
2 granadas de canhão  s/r  7,5 cm
1 granada de canhão s/r  B-10, 
8 granadas de morteiro 60 mm
1 granada de LGFog 8,9 cm
3 granadas de LGFog  "RPG-2"
31 espoletas diversas
6 cargas suplementares para mort 82 mm
6 cargas propulsoras LGFog"RPG-2"
100 disparadores diversos
126 cartuchos propulsores para mort 82 mm
95 detonadores
auscultador
1 chave Morse
3 baterias para rádio
diverso material rádio e sanitário e documentos vários.

No segundo dia foram abatidos 2 elementos lN e apreendida 1 espingarda "Mauser". Destruídas várias casas junto dum campo cultivado.

Fonte: Excertos de: CECA - Comissão para Estudo das Campanhas de África: Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974) : 6.º Volume - Aspectos da Actividade Operacional: Tomo II: Guiné: Livro 2. 1.ª edição, Lisboa, Estado Maior do Exército, 2015, pág. 503. (Com a devida vénia...).


3. Não temos qualquer representante da 26ª CCmds na nossa Tabanca Grande. Há apenas 5 descritores.  
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Notas do editor:

(*) Vd. poste de  9 de fevereiro de 2022 > Guiné 61/74 - P22980: Blogoterapia (301): Que será feito do "Caboiana", o menino órfão que deixámos em Teixeira Pinto? (Ramiro Jesus, Fur Mil Cmd, 35ª CCmds, Teixeira Pinto, Bula e Bissau, 1971/73)

(**) Último poste da série > 5 de janeiro de 2022 > Guiné 61/74 - P22879: Fichas de unidades (23): BCAÇ 3852 (Aldeia Formosa, 1971/73), CCAÇ 3398 (Buba), CCAÇ 3399 (Aldeia Formosa), CCAÇ 3400 (Nhala)