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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28415: In memoriam (592): António Dâmaso (ex-srg-mor pqdt) (1940-2026): Textos publicados no blogue dos Especialistas da BA12 - Parte VII: Recordações amargas de Gadamael (4)



Foto nº 1 > Guiné > Região de Tombali > Gadamael > BCP 12 > Fim da Op Dinossauro Preto (2jun73 - 17jul73 > "No rio à espera dos Zebros/sintex para embarcar na LDG Bombarda, rumo a Bissau. Andei a ver as ostras no tarrafo mas eram muito pequenas".
 


Foto nº 2 > Guiné > Região de Tombali > Gadamael > BCP 12 > "Foi neste Patrulha, a LFG "Orion" e noutro  igual, a LFG “Hidra” que me mataram a fome em Cacine, em  junho/julho de 1973" (António Dâmaso).

Foto: A "Oríon" a navegar no rio Cacheu, em janeiro de 1967.  Cortesia de Manuel Lema Santps (1942-2025)
 
 




Foto nº 3B, 3A. 3

Guiné > Região de Tombali > Gadamael > BCP 12 > "Aspeto do aquartelamento à chegada da CCP 122, a 2jun73. Os bombardeamentis seguintes  iriam destruir muito do que aqui ainda se vè de pé (José Moura Calheiros - "A Última Missão". Lisboa: Caminhos Romanos, 2010, pág. 526)
A foto original, a preto e branco, foi restaurada e colorizada com recurso a uma ferramenta de IA (Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + ChatGPT Open AI).



Foto nº 4A, 4

Guiné > Região de Tombali > Gadamael > BCP 12 > Junho de 1973 > "Transporte de urnas para o cais, para serem enviadas para Cacine. Nos primeiros dias do assédio a Gadamael, os paraquedistas  usaram capacetes" (José Moura Calheiros - "A Última Missão". Lisboa: Caminhos Romanos, 2010, pág. 528)

A foto original, a preto e branco, foi restaurada e colorizada com recurso a uma ferramenta de IA (Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + ChatGPT Open AI).


1. Em 12 de junho de 1973, o 1º srgt paraquedista António Dâmaso, natural de Odemira, a exercer a função de 2º cmdt do seu 3º Gr Comb / CCAÇ 121 / BCP 12, depois de ter perdido 3 dos seus homens no Cufeu, a caminho de Guidaje (Op Mamute Doido, 23 de maio de 1973) , é enviado para reforçar a defesa de Gadamael, no sul da Guiné, região de Tombali, junto à fronteira (Op Dinossauro Preto, Gadamael, 2 jun - 17 jul 1973). 

Juntava-se assim às CCP 122 e CCP 123, chegadas a 2 e 5 de junho, respetivamente.  As CCP 121 e 122 regressarão a Bissau a 7 de julho, e a CCP 123 a 17, dez dias depois. Terminava a Op Dinossauro Preto com uma brilhante vitória do BCP 12 sobre o PAIGC ( que deixou de poder ter postos de observação avançados para regulação da artilharia, e teve abandonar as suas  bases de fogos junto á  fronteira).

Quebrado o assédio e a ofensiva IN, os páras podiam regressar a casa...Ficou ainda o cap pqdt João Costa  Cordeiro  (1952-1974) que se voluntariou, com a sua CCP 123, para continuar a dar instrução aos recém-chegados da 3ª C/BCAÇ 4612,   CCAV 8452 e CART 6252  (informação dada pelo nosso camarada João Seabra).

Citando José Moura Calheiros (op. cit. 2010, pág. 541) a "batalha de Gadamael" saltou-se em:

  • 16 mortos e 41 feridos nas tropas da guarnição; 
  • o BCP sofreu 2 mortos (intérpretes) e 35 feridos,  sendo vários graves; 
  • "ao todo,  18 mortos e 76 feridos" (dos quais "cerca um terço graves, alguns dos quais terão mesmo vindo posteriormente a falecer ou ficado estropiados").

O nosso Dàmaso escreveu , na primeira pessoa, como viveu e sobreviveu à batalha de Gadamael, sempre operacional, e mesmo debilitado.

 Este texto, que se segue (o último dedicado a Gadamae), foi inicialmente publicado no  Blogue dos  Especialistas da Base Aérea 12. Guiné 65/74 > segunda-feira, 16 de maio de 2011 > Voo 2333: Gadamael Porto (4).

 
O adeus a Gadamael... e ao BCP 12

por António Dâmaso (1940-2026)


Durante o tempo que estive em Cacine, valeram-me os meus amigos dos Patrulhas Orion e Hidra porque a comidinha a bordo era muito melhor, contribuindo para a minha recuperação. 

Passei tanto tempo nos patrulhas que o meu camarada Jota passou gozar comigo chamando-me "Tóino da maruja".

Sentia-me melhor mas não completamente restabelecido. Quando cheguei a Gadamael,  ainda fui fazer a última saída com a Companhia, tratou-se de um patrulhamento com pernoita no mato. 

Pela manhã quando regressámos, a um quilómetro do quartel, fomos corridos à morteirada até chegar ao aquartelamento. 

É  evidente que fiquei logo em último lugar, o meu camarada Jota sempre a chamar à atenção dos homens para não me deixarem ficar para trás mas eu dizia-lhes para continuarem,  para não perderem o contacto. 

Quando se ouvia vir uma granada a zunir pelo ar, eles atiravam-se ao chão e eu continuava a correr como podia,  tentando não me deixar atrasar. Era uma espécie de ”corrida entre a lebre e o sapo-concho".

Cheguei atrasado mas com ligação à vista. Nas entradas e saídas do aquartelamento eramos quase sempre bombardeados, isto quando não estavam à nossa espera com emboscadas montadas.

No dia que saí de Gadamael tinha no meu chapéu camuflado as insígnias de Mecânico e Cavalaria, do Exército em miniatura, a minha Unidade de Origem era Lanceiros 1. À falta das lanças, as espadas serviam e era como que uma antecipação, pois tinha pensado que,  depois de ter desafiado o Comandante do  BCP 12  com um requerimento a pedir uma junta médica, talvez me brindassem com uma guia de marcha para o Exército. Não estava de todo enganado porque quando cheguei a Bissalanca tive a resposta.

Saímos de Gadamael pelo local por onde tínhamos entrado, havia duas diferenças: (i) a maré mais baixa; e (ii) uma acalmia verificada pela ausência de bombardeamentos, o que nos dava muita satisfação.

Relatório médico a que tive acesso uns anos mais tarde, que transcrevo parcialmente.

“Relatório Médico da Situação das Tropas Estacionadas em Gadamael Porto 

(...) Situação Sanitári  das Tropas Paraquedistas Estacionadas em Gadamael, Elaborada a Pedido do Comando Daquele Aquartelamento

(... / ...) 

Os restantes elementos operacionais referem entre sintomatologia objectiva e subjectiva:

a) Sensações de vertigem, lipotimias, cansaço fácil e sobrecarga psicofísica em número anormalmente elevado na ordem dos mais ou menos 70%.

b) Estilhaços ligeiros que receberam tratamento: 4.

c) Alterações do comportamento: 3; sendo uma tentativa de suicídio e dois delírios agudos que foram evacuados para o Hospital Militar de Bissau.

Face dos dados observados, solicita-se análise da condição física e psicológica do pessoal aquartelado.

Guiné, 10 de Junho de 1973”


Tem a assinatura do médico e por baixo o nome escrito à máquina.

Tenho a certeza que,  se este relatório tivesse sido feito depois do dia 20 de junho, depois do médico ter analisado o pessoal da CCP 121, tendo em conta o que tinham penado em Guidage, e ter assistido os feridos da CCP 122, os números do relatório seriam mais elevados.

Aquela fase da guerra foi terrível. Recentemente, falando com um ex-paraquedista que naquela data estava em Angola, este disse-me que a sua Companhia esteve pronta e equipada de armas e bagagens para rumar à Guiné em reforço, mas depois não o chegou a fazer.

Saudações Aeronáuticas

A. Dâmaso

(Seleção, revisão /vfixação de texto,  negritos, título: LG)
 
 _________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 6  de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28407: In memoriam (591): António Dâmaso (ex-srg-mor pqdt) (1940-2026): Textos publicados no blogue dos Especialistas da BA12 - Parte VI: Recordações amargas de Gadamael (3)

Vd. postes anteriores:

5 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28403: In memoriam (590): António Dâmaso (ex-srg-mor pqdt) (1940-2026): Textos publicados no blogue dos Especialistas da BA12 - Parte V: Recordações amargas de Gadamael (2)

1 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28393: In memoriam (589): António Dâmaso (ex-srg-mor pqdt) (1940-2026): Textos publicados no blogue dos Especialistas da BA12 - Parte IV: Recordações amargas de Gadamael (1)

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28349: (Ex)citações (448): Os Antigos Combatentes e os medicamentos. O desastre do Rio Zambeze, em Moçambique, no dia 21 de Junho de 1969 (Artur Conceição, CART 730)

1. Mensagem do nosso camarada Artur Conceição (ex-Soldado TRMS de Inf e Condutor Auto, da CART 730 / BART 733, Bissorã, Jumbembém e Farim, 1964/66), com data de 13 de Setembro de 2026:

Caríssimo amigo Carlos Vinhal,
Antes de tudo os meus agradecimentos pelo esclarecimento, pena que não chegue a muitas pessoas ainda muito mal esclarecidas em relação a benefícios dados aos antigos combatentes. No caso dos transportes é uma desgraça. No tocante às viúvas é um lamento. Só na minha aldeia são 6 viúvas, uma irmã, uma cunhada e duas primas. Pouco ou nada sabem.

Quem vai à Farmácia aviar os meus medicamentos é sempre a minha mulher. Ela sabe ou pelo menos ouviu dizer que os antigos combatentes tem direito a medicamentos gratuitos.
Cada vez que paga algo pelos meus medicamentos, reclama e é informada na Farmácia de que só não paga se usar os medicamentos genéricos. Quanto à eficácia de uns e outros não sinto nenhuma autoridade para me pronunciar.
Fui sempre muito anti medicamentos. Durante os dois anos de Guiné nunca tomei os comprimidos para o paludismo e contudo nunca tive tal coisa.

Depois de ter passado à disponibilidade, fui durante cerca de meio ano obrigado a levantar uma carga de medicamentos num Departamento Militar, situado na Rua da Estefânia.
A justificação era: como não tiveste paludismo na Guiné vais ter paludismo em Lisboa, mas com muito mais gravidade.
Ouvi um médico recém chegado ao Hospital de Bissau exclamar: dão Quinino à malta? Mas isto mata!
Penso que ele se referia ao celebre “Daraprin”.
Em Brá, onde estavam os três Grupos de Comandos e que no início do ano de 1965 tinham o apoio em termos de refeições, por parte da CCS do Batalhão 733. As praças tinham direito a comer em pratos, mas quando levantavam o prato às quintas-feiras estava por baixo o comprimido já descascado. Com o dedo médio em forma de bilharda lá vai ele para o mais longe possível.
Durante o tempo em que fui dador de sangue raramente os responsáveis pela tiragem acreditavam que ter estado na Guiné e não ter tido paludismo não era real. E lá vinha a picada no dedo que era mais difícil que dar sangue.

A tragédia referida em (2) é a tragédia do Rio Zambeze em Moçambique na tarde do dia 21 de junho de 1969. O batelão São Martinho naufragou com 150 homens e 30 viaturas a bordo.
Morreram 101 militares e 5 tripulantes.

Um grande abraço com votos de muita saúde
Sempre ao dispor
Artur António da Conceição


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2.  A TRAGÉDIA DO RIO ZAMBEZE

O amigo Artur Conceição no seu Post anterior[1], quando referia o afundamento de uma jangada que tinha vitimado mais de uma centena, estava a falar concretamente da tragédia do Rio Zambeze, em Moçambique, ocorrida no dia 21 de Junho de 1969. Posteriormente enviou-nos uma listagem com os militares falecidos na transposição deste rio num batelão civil. Esta coluna militar deslocava-se de Lourenço Marques para Vila Cabral.

Pesquisando no Livro 1 - Tomo III - Moçambique - Mortos em Campanha - Edição da CECA, Lisboa 2014, elaborei a listagem abaixo.

Honremos a memória destes nossos 101 compatriotas que cedo demais encontraram a morte.


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Transcrevemos, com a devida vénia, as páginas 716 a 718 do Livro 1 - Tomo III - Moçambique - Aspectos da Actividade Operacional - Edição da CECA, Lisboa 2012:

A tragédia do Zambeze

Pelas proporções que assumiu merece referência específica, o acidente ocorrido em 21 de Junho de 1969 durante a transposição do R. Zambeze, em Chupanga, num batelão civil, por uma coluna militar que, de Lourenço Marques, se dirigia para Vila Cabral.

Assim, em 09 de Junho de 1969 uma coluna militar comandada pelo Alferes Miliciano do GAC 6, Oscar David Firmino do Rosário e composta por 150 homens (1 Oficial, 1 Sargento e 148 Praças) e 30 viaturas saiu de Lourenço Marques com destino a Vila Cabral a fim de transportar pessoal e material para diversas Unidades sedeadas ao longo do percurso Lourenço Marques - Beira, Inhaminga - Chupanga (R. Zambeze) - Mopeia - Quelimane - Nampula - Belém - Vila Cabral.

A viagem até Chupanga (na margem direita do R. Zambeze) decorreu sem incidentes mas, aí chegados, no dia 15 de Junho, verificou-se que o batelão que efectuava a transposição do rio, pertencente ao Senhor Amancio Pedreiro, se encontrava avariado. Dois meses antes do acidente o batelão sofrera alterações não autorizadas pela Autoridade Marítima que avisara o respectivo proprietário que não poderia utilizá-lo sem aprovação da Direcção Provincial dos Serviços de Marinha 12.

Por este motivo a coluna permaneceu em Chupanga até 21 de Junho data em que o batelão foi declarado reparado pelo proprietário.

Depois do Comandante da coluna ter perguntado ao dono do batelão se toda a coluna podia embarcar na mesma viagem e ter recebido como resposta que o batelão aguentava com mais peso que o do pessoal e material da coluna 13, deu-se início ao embarque cerca das 15H30. A distribuição da carga foi feita pelo proprietário que seguiu no batelão juntamente com a tripulação e o mecânico que procedera às reparações.

A travessia iniciou-se cerca das 16H30.

Quando se encontravam a meio do rio, duas das almadias, das três que suportavam a plataforma, tendo cada uma o seu motor, começaram a meter água e um dos motores parou.

Foi então ordenada, pelo proprietário, uma mudança de rumo que, ao contrário do pretendido, originou que a embarcação metesse ainda mais água e se afundasse em menos de um minuto. Eram cerca das 17HOO.

Agarrados a objectos que flutuavam e com auxílio generoso expontâneo de uma família autóctone que morava numa ilha perto - os Campíra - sobreviveram 50 homens.

Já de noite a notícia do desastre chegou a Mopeia tendo o Administrador e o pessoal do Destacamento Militar local prestado toda a assistência aos sobreviventes.

Avisadas as autoridades civis e militares, desenvolveu-se, logo a partir do dia seguinte, uma grande operação de busca de sobreviventes e de recolha e identificação de cadáveres em que se empenharam meios aéreos civis e militares, almadias tripuladas por autóctones, lanchas a motor e mergulhadores da Marinha.

Em 23 de Julho a situação era a seguinte:

- Militares falecidos e identificados, 68
- Militares falecidos, encontrados e não identificados, 23
- Militares desaparecidos, 9
- Militares sobreviventes ~150

Faleceram também o proprietário do Batelão e parte da tripulação.

Seguiu-se um período de recuperação do material (foram recuperados 8 Unimog 404 e 1 Unimog 411) e as transladações, solicitadas pelas famílias, dos corpos dos militares inicialmente sepultados no cemitério de Mopeia.

Nas conclusões do "Relatório Sumário sobre as causas prováveis do acidente que teve lugar durante a travessia do R. Zambeze por uma coluna militar, em 21 de Junho de 1969 e suas consequências elaborado pelo comando do Sector "D", é referido:

"A existência do batelão que transportou a coluna e a sua actividade eram ilegais;
- O batelão não oferecia as condições de segurança que se julgam indispensáveis;
- As condições de navegação oferecidas pelo R. Zambeze no dia, hora e local onde se deu o acidente não eram favoráveis às condições do batelão e à carga transportada;
- Admite-se que foram tomadas, na generalidade, medidas de segurança para evitar a deslocação de viaturas sobre a plataforma;
- O comportamento dos militares durante a travessia foi disciplinado e colaborante;

Consideram-se como causas prováveis do acidente as seguintes:

(1) Falta de condições de segurança do batelão;
(2) Más condições de navegação oferecidas pelo R. Zambeze;
(3) Manobra precipitada de mudança de direcção".

Este desastre tocou profundamente toda a população de Moçambique e também da Metrópole de onde era oriunda parte dos militares falecidos.
Contudo não deixaram de surgir comentários tendentes à atribuição de responsabilidades aos militares.

C.V.

_____________

Notas do editor:

[1] - Vd. poste de 13 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28343: (In)citações (290): Eventos de iniciativa de Antigos Combatentes (Artur Conceição da CART 730)

Último post da série de 12 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28092: (Ex)citações (447): O pessoal das transmissões: músicos, de talento (tirando eu que só tocava ferrinhos): o que é é feito de vocês, camaradas, Luís Dutra (já falecido), Eduardo Pinto, Victor Barros, Carlos Lã, Fernando Cruz, Fernando Marques, António Camilo, Miguel Pacheco, José Fanha, Nélson Batalha (já falecido), e outros, do meu curso de transmissões... (Hélder Sousa)

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28337: Humor de caserna (291): Homenagem aos nossos comentadores: aos que já partiram, e aos que ainda resistem...

 






Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Alberto Branquinho (2010)
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné



1. Era para sair, anteontem,  com o poste P28327 (*). Mas a "gaija" (a menina da IA) sabotou-me o trabalho. Trocou-me os nomes todos, depois de muitas horas a "partir pedra". Deitei a toalha ao chão, chamei-lhe uma data de nomes feios e depois fui fotografar as uvas que vão ser colhidas no próximo sábado, e que irão vão fazer o melhor vinho verde  branco, Nita, DOC,  de 2026.

Retomei hoje o trabalho. Tive de sacrificar alguns nomes que não cabem nesta BD. Ficam para a próxima: Artur Conceição, Fernando Gouveia, José Câmara,  José Casimiro de Carvalho, José Ferreira da Silva, José Marcelino Martins, Vitor Junqueira... Do Carlos Nabeiro não tenh0 foto, e dos anónimos não posso adivinhar quem são (ou eram). Tirando o  Zé Belo, que esse tem "visto Gold"...

Com este poste damos por encerrada esta brincadeira de caserna, até por que o Alberto Branquinho,  o criador da personagem (o tal "básico" que tratava das coisas dos oficiais da companhia, e que trocava os "vês" pelos "bês", sendo uma espécie de "ordenança adhoc"),
 também acha que já tem protagonismo a mais no nosso blogue.

Mas antes de "partirmos para outra" (que o blogue é um carrossel de empções e memórias), convém que fique claro o seguinte: A reprodução fonética da troca do "vê" pelo "bê" ("bocemessê", "inbenções", "labadeira", "cerbeijas", ") e o uso de termos típicos da linguagem popular e do Norte ("gaija", "bossemessê", "prái") não servem aqui para gozar com a iliteracia, ou o sotque nortenho-.  Pelo contrário: conferem uma autenticidade humana e geográfica imediata.

A Guerra Colonial colocou lado a lado no mesmo espaço físico e na mesma ansiedade rapazes de Viana do Castelo, de Ovar, do Porto, de Aveiro, da Nazaré, de Bragança, da Covilhã, de Beja, de Faro, de  Lisboa, das ilhas..., mas também do ultramar (de Cabo Verde a Macau).  

Ao "ler" aquele sotaque, cada comentador "ouviu" instantaneamente na sua cabeça o seu próprio camarada de armas, o ordenança do seu capitão, o ajudante da cozinha que era básico... Não se está, pois, a acincalhar ninguém, nem muito menos reabrir guerras sociolinguísticas entre nortistas e sulistas... Afinal, trocar os "bês" pelos "vês", é natural e foneticamemnte correto, acontece em diversas línguas latinas (e outras) e chama-se... betacismo.

Quanto ao protagonismo, ele é de todos nós, os que todos os dias fazemos pacientemente o blogue, autores, editores, leitores, comentadores, e todos os demais colaboradores permanentes, uns mais ativos do que outros  nesta fase do campeonato, e todos já muito cansados de palmilhar quilómetros e quilómetros,  pela picada da vida fora, e de resto  minada  e armadilhada, desde muito cedo, para a maior parte de nós, que não nascemos em berço de ouro... 

Aos que já partiram e aos que ainda resistem, tiro o meu quico!... É em honra de todos eles, e não apenas dos que aqui estão "representados", que dedico esta BD.
__________________

Nota do editor LG:

(*) Último poste da série > 7 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28327: Humor de caserna (290 ): A propósito da "Assinatura Ilegível", de Alberto Branquinho... Uma paródia aos "básicos" que, afinal, fomos todos nós, e que mereceu 39 comentários no blogue há 16 anos


terça-feira, 25 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28289: Nomadizações de um marginal-secante (Luís Graça) (17): O Portugal sacroprofano: 24 de agosto, dia de São Bartolomeu, em que o diabo anda à solta, e é por isso um bom dia para o "banho santo" que há de livrar as crianças do medo... (do Adamastor, da guerra, da morte!)













Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Luís Graça (2026)
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.



1. Dizia o meu pai, filho e neto de gente do mar (pescadores, negociantes de peixe de...) que no dia 24 de agosto, dia de São Bartolomeu, o diabo andava à solta... 

Dizia o meu pai, dizia o povo. 

Na minha terra, Lourinhã, Oeste, costa atlântica, era dia de lançar os meninos ao mar, agarrados nus ou pelos fundilhos dos calções. Nos idos anos 40/50... 

Resquícios de um tradição antiga ? ... Talvez.  Como ainda hoje se faz, em São Bartolomeu do Mar, em Esposende, que  mantém o ritual  coletivo do Banho Santo de São Bartolomeu... (Dizem, é único no país e no mundo.)

Também passei por esse ritual de iniciação... Traumático.

 O meu tio Silvano Constâncio, casado com a minha tia materna Ema Barbosa, com casa térrea e logradouro no Nadrupe (terra dos meus avós maternos, e a onde a minha mãe, que vivia na Lourinhã,  me foi parir...), levava-nos na sua carroça à Praia da Areia Branca, eu, a minha irmã Graciete,  mais os nossos primos e as nossas mães, em dias de festa... Com destaque para o São João, 24 de junho, feriado municipal na Lourinhã. Mas também no 24 de agosto, dia de São Bartolomeu, se calhasse a um domingo. O meu pai ia lá ter, de bicicleta.

Deve ter sido no domingo de 24 de agosto de 1952. Só se ia à praia, no verão, nos dias feriados e domingos. Duas a três vezes por ano, no máximo, mesmo com o mar ali a 3 km...  Eu tinha 5 anos. Tive o meu batismo de mar. Recordo-me ainda hoje, passados 74 anos (!), de o meu tio Silvano, que era o meu "herói" (e que morreu tão cedo aos 40 e tal anos, para meu/nosso grande desgosto!),  me ter pegado pelos fundilhos dos calções e eu, a berrar e a espernear, ter sido  lançado, sem dó nem piedade, às "ondas gigantes" do Oceano Atlântico!...

Ainda hoje não confio muito no mar e só tomo banho com pé... Mas gosto agora de recordar essas memórias da minha ida à praia (e do meu "batismo atlântico" )... São memórias precoces da minha infância, que já deixei em verso algures:

(..) Ah, os camponeses e os seus burros com as albardas e as canastas,
que ainda não estavam em extinção,
nem uns nem outros,
iam aos magotes até à praia da Areia Branca,
no feriado do são João,
entre brincadeiras e dichotes,
levavam a trouxa e a merenda, os tremoços e as pevides,
as peras, os peros, os alperces, as ameixas e os abrunhos,
os melões e as melancias,
o pão de trigo do moleiro cozido em forno a lenha,
a broa de milho com sardinha,
as azeitonas mal curadas,
bebiam vinho pelo palhinhas, o garrafão de palha,
comiam o arroz de cabidela, de galo ou de coelho,
misturado com a areia e o vento e as lágrimas de sal,
em cima de mantas grossas, feitas de trapos, berrantes, multicolores.

(...) Sangravam de saúde os camponeses da tua aldeia,
“muita saúde, pouca vida, que Deus não dava tudo”,
no tempo em que “beber vinho era dar de comer a um milhão de portugueses”.

Nunca lhes perguntaste se eram felizes,
nem essa era pergunta de se lhes fazer!...
Por uma questão de vergonha, de pudor.
Mas achavas que sim, que eram felizes,
com o pouco que tinham,
já que a bem pouco podiam aspirar naquele tempo (...)


Passei a ter medo do mar e prometi a mim mesmo ( vã promessa de menino!) nunca vir a ser marinheiro, que “na água de mares, não procures cabelos para te agarrares”.

Misóginos os provérbios da minha terra que, quando o mar estava manso, lhe chamava “mar de mulher” (sic), para logo a seguir acrescentarem que “da mulher e do mar, não há que fiar”. Ou então: “do mar se tira o sal e da mulher muito mal”.



São Bartolomeu, Penafiel
2. Todos os anos, no dia 24 de agosto, realiza-se a romaria de São Bartolomeu do Mar, padroeiro da freguesia com o mesmo nome, pertencente ao concelho de Esposende, Minho, durante a qual as crianças são levadas a mergulhar, pelo menos três vezes, mas sempre em número ímpar, na água fria do mar. 

E para quê ? Para que fiquem livres ("esconjuradas") dos males da gaguez, do medo e da epilepsia, doenças atribuídas ao diabo. Mas para esta prática ter efeito terapêutico ou preventivo, as crianças têm que ir ao banho de mar  antes de completar os sete anos de idade, como manda a tradição.

Reza a lenda que, nesse dia, São Bartolomeu solta o diabo, o qual  durante o resto do ano traz preso, representado num medonho  cão negro  atado com uma grossa corrente de ferro. E só volta à noite. 

É esse o motivo para levar as crianças ao mar, durante o dia 24 de agosto, para que aproveitem as águas excepcionalmente  puras e terapêuticas. O "banho santo" é um dos pontos altos da romaria de São Bartolomeu, uma das mais importantes do Minho. 

Os romeiros levam os filhos transportando consigo ao colo uma "galinha preta" (aqui diz-se "pito"), dando três voltas em redor da capela,  antes de nela entrarem e procederem à oferenda sacrificial. Colocam na cabeça a imagem de São Bartolomeu. (E, já agora, porquê, uma "galinha preta" ? Há / havia a crença popular de que uma galinha preta em casa livra / livrava o dono ou a dono de ser atacado pelo diabo...)



Foto: Alfredo Cunha  (2025) (com a devida vénia...)

Uma vez cumprido o ritual, encaminham-se para a praia onde terá lugar o “banho santo” das crianças nas águas gélidas e purificadoras do mar (e aonde o diabo regressará ao anoitecer).  

Com a ajuda de um sargaceiro, cada crianca   é imersa por diversas vezes, contadas as ondas sempre em número ímpar (três, cinco, sete ou nove).

De tarde, faz-se o agradecimento ao santo, através de uma imponente procissão. Apesar de o percurso ser curto, menos de dois quilómetros da igreja à praia e regresso, pode demorar  duas a três horas.

Nela se incorporam centenas de figurantes, que reconstituem episódios bíblicos, e andores de grande porte. Durante a romaria, a praia local enche-se de gente, incluindo muitos forasteiros,  apesar do frio e da temperatura gelada da água.

O São Bartolomeu é, no céu e na terra, o "advogado do medo". 

Além de Sao Bartolomeu do Mar (Esposende), é  um santo venerado em muitas terras, de Norte a Sul do País, a começar por São Bartolomeu dos Galegos (Lourinhã),  Penafiel, Ponte da Barca, Sabugal, Cavez (Cabeceiras de Basto), etc.

Camaradas do Portugal ribeirinho, esta tradição do "banho santo", das nossas terras e das nossas gentes, merece esta bela e bem humorada BD como só o  ilustrador do ChatGPT sabe fazer, embora seja muito conservador, púdico e teimoso como um raio...(Imaginem, obrigou-me a ir ao mar de calções!... Com 5 anos, em 1952!...Nada de mostrar a pilinha!).

Tive um diálogo áspero com a menina IA do ChatGPT que não aceitou a foto do Alfredo da Cunha (foto acima, capa do livro "Mar de Fé:  S. Bartolomeu do Mar: 1996 -2024", da autoria de Alfredo da Cunha, fotografia, e Rui A. Faria Viana, texto. Lisboa: Guerra e Paz, 2026, 154 pp.)

Eis o nosso diálogo de surdos (de resto, frequente, entre nós):

ChatGPT - Infelizmente, o prompt pode violar as nossas diretrizes sobre nudez, sexualidade ou conteúdo erótico. Se tu consideras que foi um engano, tenta novamente ou edita o prompt.

LG - Tens cada uma !... A criança mal se vê, vai entrar na água, sem roupa... P*rra, isto não é pornografia infantil, é etnografia, é o meu Portugal sacroprofano! Mete isto na p*ta da tua cabeça inteligente!...

ChatGPT - Infelizmente, o prompt pode violar as nossas diretrizes sobre nudez, sexualidade ou conteúdo erótico. Se tu consideras que foi um engano, tenta novamente ou edita o prompt.

LG - F*da-se! Esquece a m*rda da fotografia (fabulosa!) do Alfredo Cunha!....E faz-me a BD!... Estás-me a decionar, camarada!

ChatGPT - Infelizmente, o prompt pode violar as nossas diretrizes sobre nudez, sexualidade ou conteúdo erótico. Se tu consideras que foi um engano, tenta novamente ou edita o prompt.

... E tive que retirar mesmo a foto "pornográfica" do Alfredo Cunha, o nosso maior fotógrafo vivo!... E submeter um novo prompt!

PS - Foram vinte e um (21) os mortos do concelho de Esposende, na guerra do ultramar / guerra colonial. Dez eram das freguesinhas ribeirinhas: Belinho (3), São Bartolomeu do Mar (2) (hoje freguesia do Mar), Marinhas (1), Fão (1) e Apúlia (3). Na década de 1960/70, Esposende tinha c. 24 mil habitantes, hoje tem 35 mil. 

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Nota do editor LG:

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28245: O nosso livro de visitas (230): Emília da Silva Balula procura informações sobre o seu tio, sold at cav Francisco da Silva Oliveira, CCAV 2540 / BCAV 2876 (Ingoré, 1969/71), falecido em 24/2/1971, na sequência de acidente de viação



Guião do BCAV 2876 (Ingoré, 1969/71) (Fonte: Coleção Carlos Coutinho)


1. Mensagem de  Emília da Silva Balula, sobrinha do nosso camarada Francisco da Silva Oliveira, morto no CTIG , em Ingoré, em 24/21971, por acidente de viação:


Data - 02/08/2026, 09:04

Procuro uma fotografia do meu tio:

(i) Francisco da Silva Oliveira,
(ii) natural de Liceiras, Ermesinde,
(iii) soldado atirador n.º 04316469,
(iv) Companhia de Cavalaria 2540 / Batalhão de Cavalaria 2876,
(v) falecido na Guiné em 24 de fevereiro de 1971.

Se algum antigo camarada ou familiar possuir fotografias da companhia ou o reconhecer, ficaria imensamente grata pela partilha. Muito obrigada

Emília da Silva Balula 

2. Comentário do editor LG:

Cara amiga Emília pp: pelo seu endereço de email, vejo que vive  em França. 

Em relação ao seu contacto, que muito nos honra, e respondendo ao seu pedido, tenho a dizer-lhe que infelizmente não temos nenhuma referência ao seu tio (e nosso camarada) Francisco. 

São escassas, de resto, as nossas referências ao seu batalhão, BCAV 2876 (cerca de uma dúzia) e à sua companhia, a CCAV 2540 (Ingoré, 1969/71) (apenas meia dúzia).

Experimente, todavia, contactar o fur mil vagomestre João Manuel Félix Dias, que vive no Montijo, e que é capaz de ter conhecido o seu tio.Vou-lhe mandar, por mensagem, o seu endereço de email. 

Quanto à foto, é mais seguro pedir ao Arquivo Histórico Militar; invoque a sua condição de sobrinha, para consultar o seu processo individual (donde constam, pelo menos, duas fotos  do tempo da incorporação militar). (Email: ahm@exercito.pt | telef : + 351 218 842 415 ).

Junto mais alguma informação adicional sobre o seu tio (que morreu no hospital, HM 241, Bissau) e o seu batalhão.

Obrigado pelo seu contacto. Luís Graça
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Nome: Francisco da Silva Oliveira
Posto: Soldado - Atirador Número: 04316469
Unidade: Companhia de Cavalaria N º 2540 / Batalhão de Cavalaria nº 2876
Unidade Mob: Regimento de Cavalaria n.º 3 · Estremoz 
Estado civil: casado, com Berta Cardoso Oliveira
Pai: António Moutinho Alves
Mãe: Emília da Silva Oliveira
Lugar: Liceiras
Freguesia: Ermesinde 
Concelho: Valongo
Data do falecimento: 24 de Fevereiro de 1971, no HM 241 - Bissau
Causas da morte: acidente de viação
Local de operações: lngoré, região do Cacheu fronteira com o Senegal
Local da sepultura: cemitério paroquial de Ermesinde.

Fonte:Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 8.º volume: mortos em campanha. Tomo II: Guiné: livro 2. Lisboa: 2001, Livro 2, pãg. 35.
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Ficha de unidade:

Batalhão de Cavalaria n.º 2876
Identificação BCav 2876
Unidade Mob: RC 3 - Estremoz

Cmdt: TCor Cav José Carlos Sirgado Maia |
2º Cmd: Maj Cav Luís Maria Coelho Casquilho | Maj Cav Luís Francisco Pinto de Sousa Moreira
OInfOp/Adj: Maj Cav Luis Francisco Pinto de Sousa Moreira | Maj Cav José Luis Jordão de Ornelas Monteiro

Cmdts Comp:

CCS: Cap Mil Cav Jorge Maria Lemos Pereira Máximo | Cap Cav Rogério da Silva Guilherme | Cap Mil Cav José Mendes Fernandes Martins

CCav 2538: Cap Cav Luís Filipe Rei Vilar | Cap Cav Rogério da Silva Guilherme

CCav 2539: Cap Cav Raul Fernando Durão Correia

CCav 2540: Cap Cav Jaime Gomes Vieira

Divisa: "Viver pra Vencer"
Partida: Embarque em 19Ju169; desembarque em 24Jul69 | Regresso: Embarque em 04Jun71
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Síntese da Actividade Operacional

Em 01Ag069, rendendo o BCaç 1933, assumiu a responsabilidade do Sector 06, cuja sede foi transferida durante a sobreposição para Ingoré e abrangendo os subsectores de Susana, S. Domingos, Ingoré e Barro, este retirado então à área do BCaç 1932 e transferido de novo para a zona de acção
do COP 3, em 07Fev70.

 As suas subunidades mantiveram-se sempre integradas no dispositivo e manobra do Batalhão.

Desenvolveu intensa actividade operacional de patrulhamento, reconhecimento e emboscadas, com vista a impedir a infiltração de grupos e reabastecimentos inimigos, restabelecendo ainda a ligação rodoviária Ingoré-S. Domingos e efectuando a segurança e controlo dos itinerários. 

Da sua actividade ressaltaa captura de 1espingarda e a detecção e levantamento de 86 minas.

Em 31Mai71, foi rendido no sector pelo BCav 3846, recolhendo a Bissau para embarque.

A CCav 2538 seguiu em 29Jul69 para Susana, a fim de render a CCaç 1791, assumindo a responsabilidade do respectivo subsector em O lAgo69, tendo destacado um pelotão para Varela. Por períodos variáveis, destacou ainda pelotões para reforço temporário de Ingoré.

Em 31Mai71, foi substituída pela CCav 3366 e recolheu seguidamente a Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso.
***
A CCav 2539 seguiu em 29Ju169 para S. Domingos, a fim de render a CCaç 1790, assumindo a responsabilidade do respectivo subsector em 01Ago69.

A partir de meados de Out69, cedeu um pelotão para reforço do subsector de Ingoré, o qual se instalou em Antotinha.

Em 31Mar71, foi substituída pela CCav 3365 e recolheu seguidamente a Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso.

***
A CCav 2540 seguiu em 28Jul69 para Ingoré, a fim de render a CCaç 1801, assumindo, em O lAgo69, a responsabilidade do respectivo subsector, com pelotões destacados em Sedengal e Antotinha a partir de meados de Out70.

Em 31Mai71, foi substituída pela CCav 3364 e recolheu seguidamente a Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso.

Observações - Tem História da Unidade (Caixa n.º 126 - 2ª Div/ 4ª  Sec, do AHM - Arquivo Histórico-Militar)

Fonte -Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 7.º volume: Fichas das Unidades. Tomo II: Guiné. Lisboa: 2002, pp. 282/ 283

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 5 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27497: O nosso livro de visitas (229): M’bana N’tchigna, balanta, da Guiné-Bissau, professor do ensino médio em Vitória, no Brasil, autor do Blogue "Intelectuais Balantas na Diáspora", autor de uma texto sobre Pansau Na Isna (1938-1970)

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27926: Esposas de militares no mato (8): Nem tudo foi "amor e uma cabana": vivi com a minha mulher em Bissau (entre set 71 e jun 72) e depois em Mansabá (entre set 72 e mar 73), até ela ser "corrida" do mato pelo cor pqdt Rafael Durão... O caso de outras foi bem mais dramático: a Romy, mulher do Ramos, ia perdendo o seu bebé de 3 meses numa ataque ao aquartelamento; a Júlia perdeu o marido o Costa, numa emboscada, a 2 km de Cutia, em 10/12/1973

 
José Fernando de Jesus Costa, natural de Pinha, Sabacheira, Tomar; era fur mil at art, CART 3567 (Mansabá, 1972/74)

Fonte: Adapt de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 8.º volume: mortos em campanha. Tomo II: Guiné: livor 2.  Lisboa: 2001, pãg. 234




António José Pereira da Costa 

Nosso grão-tabanqueiro desde 12/12/2007, coronel art ref, natural da Amadora, vive no concelho de Sintra; conhecido por TZ (Tó Zé, pelos amigos; PK, pelos camaradas da Academia Militar do seu tempo):

 (i) ex-alf art, CART 1692/BART 1914, Cacine, 1968/69;

 (ii) ex-cap art, cmdt da Btr AAA 3434, Bissau; 

(iii) cmdr CART 3494/BART 3873, Xime e Mansambo; 

(iv) cmdt CART 3567, Mansabá, 1972/74.

É autor da série e do livro com o mesmo n0me, "A Minha Guerra a Petróleo" (Lisboa, Chiado Books, 2019, 192 pp. ); tem cerca de 210 referências no blogue. Foi diretor da Biblioteca do Exército (até finais de 2011); tem-se dedicado à investigação no domínio da História Militar.

CART 3567
Mansabá (1972/74)

1.  Mensagem enviada, através do Formulário de Contacto do Blogger, pelo nosso camarada António J. Pereira da Costa, cor art ref, 


Data - sábado, 4/04/2026, 19:32


Olá,  Camaradas Tenho reparado que no blog vão aparecendo referências à presença de jovens esposas de militares na guerra (*).Resolvi, por isso dar notícias sobre o tema.

Assim quero dizer que a minha mulher também esteve comigo na Guiné. Inicialmente em Bissau, enquanto comandava a Btr AA 3434.

Eu estava aquartelado no Gr Art.ª n.º 7 que acabou por ser incumbido da defesa da BA 12. Morávamos na Av. Arnaldo Schulz n.º 15 e lá vivemos entre set1971 e jun1972. quando eu fui para o Xime e ela recolheu a casa dos meus sogros.

Obviamente que as coisas correram bem, havendo a registar as "aventuras" do maj Gaspar que já contei noutro local.

Em set72 ela voltou à Guiné e ficámos juntos em Mansabá até mar73. O quartel era bastante cómodo e espaçoso como já sabemos pelas descrições que vão surgindo. Foi assim até o cor Rafael Durão dar por ela e obrigar-me a fazê-la regressar a Lisboa.

Entretanto dois furriéis mandaram vir as respectivas esposas: a Romy (Rosa), esposa do Ramos das M/A e que trabalhava comigo. Tinham um bebé como pouco mais de 3 meses e que ia desaparecendo no dia em que fomos atacados e em que foram queimadas  21 moranças.

Foi um susto grande, mas tudo se resolveu porque um soldado  recolheu o bebé 
e o entregou à mãe.

A esposa do [fur mil at art José Fernando de Jesus]  Costa que vivia numa morança que encontraram,  teve a infelicidade de o perder numa vez em que ambos foram a Bissau e, quando ele regressou a Mansabá,  foi assassinado numa emboscada montada a uma unidade de comandos recém-formada  [ a 2 km de Cutia; morreu no HM 241, Bissau, em 10/12/1973].

Não tenho elementos sobre a sobrevivência, em Bissau, da pobre Júlia [Maria Júlia de Jesus Siulva Costa, de seu nome completo],  mas imagino. Sei que voltou a casar com outro combatente da Guiné, mas nunca mais a revimos.

Vou procurar fotos para completar estes factos.
Cumprimentos, António José Pereira da Costa.

(Revisão / fixação de texto, título, negritos: LG)

2. Comentário do editor LG:

No livro da CECA sobre a actividade operacional (1971/74) lê-se:

(...) Acção - 10Dez  [1973] 

Pelas 07h40, na região de Momboncó (próximo de Mansabá), sector 04, numeroso
grupo inimigo emboscou uma subunidade do BCmds que executava
uma missão de escolta a uma coluna-auto no itinerário Mansoa--Mansabá.

As NT sofreram 8 mortos, 8 feridos graves e 20 feridos ligeiros.

Foram destruídas 2 viaturas e 5 ficaram danificadas.

O inimigo sofreu 3 mortos e foi-lhe capturado 1 lgfog "RPG", 1 granada de lgfog "RPG-2" e 1 granada de mão. (...)

Fonte: Adapt de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 6º volume: aspectos da actividade operacional. Tomo II: Guiné: livro 3.  Lisboa: 2015, pág. 347.

Morreram nesta emboscada, na estrada Mansoa - Cutia - Mansabá, de triste memória, para além do fur mil at art José Fernando de Jesus Costa, mais os seguintes militares das NT:

  • António Gonçalves Amaral, 1º cabo, Cart 3567, natural de Cinfães, solteiro;
  • Bacar Sissé, fur grad 'cmd', 1ª CCmds Africana / Batalhão de Comandos do CTIG, natural de Bolama, casado (2 esposas):
  • Carlos Manuel Matos Faustino, sold cond auto, CTransp 9040/72, solteiro, natural de Queluz, Sintra;
  • José Manuel Neves T0jo, fur serv transp rodo, CTransp 9040/72, solteiro, natural de Portel;
  • Sabana Fonhá, sold 'cmd', 1ª CCmds Africana / Batalhão de Comandos do CTIG, natural de Bafatá, solteiro;
  • Sori Baldé,  sold 'cmd', 1ª CCmds Africana / Batalhão de Comandos do CTIG, natural de Bafatá, casado.
Todos foram dados como mortos no HM 241, Bissau, em 10/12/1973, segundo o livro da CECA (2001), acima citado.

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Nota do editor LG:

(*) Últrimo poste da série > 6 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27893: Esposas de militares no mato (7): Teixeira Pinto, ao tempo do Francico Gamelas, ex-alf mil cav, cmd Pel Rec Daimler 3089 (1971/73) - Parte III