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sábado, 10 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27622: S(C)em Comentários (86): "Foi no dia 27 de maio de 1962, numa operação de ataque a um grupo inimigo, na qual eu, capelão, livremente participei. Caímos numa emboscada, na localidade de Sanda Massala, no norte de Cabinda. À minha frente, o Hélder cai atingido e logo morreu" (Bártolo Paiva Pereira, ex-alf grad capelão, BCAÇ 321, 1961/64)


Ilustração: IA generativa (ChatGPT / Open AI),
composição orientada pelo editor LG


O alferes graduado capelão Bártolo Paiva Pereira, no norte de Cabinda, 
na floresta de Maiombe, c. 1962


 1º cabo Hélder Tavares Amaral CCAÇ 323 / BCAÇ 321 (Angola, 1961/64). Morto em combate em 27/5/1962.  Os seus restos mortais foram inumados em Sanda Massala, norte de Cabinda, Angola, a 8 mil km da sua terra natal, Vila Cortês da Serra, Gouveia 





Fonte: Excertos de Bártolo Paiva Pereira - "O capelão militar na guerra colonial". Edição de autor, Vila do Conde, 2025, pp. 13-18.


1. Depoimento do capelão Bártolo Paiva Pereira:

(...) Foi no dia 27 de maio de 1962, numa operação de ataque a um grupo inimigo, na qual eu, capelã0, livremente participei.

Caímos numa emboscada, na localidade de Sanda Massala, no norte de Cabinda. À minha frente, o Hélder, cai atingido e logo morreu. (...) (pág, 17)

São talvez as duas páginas, as 17 e 18, mais pessoais, mais sentidas, do autor do livro "O capelão militar na guerra colonial" (2025): com 26 anos, minhoto, solteiro, sacerdote católico, acabado de ordenar (há ano e meio), "soldado sem instrução" (sic), oferece-se para o serviço religioso do exército em 1961, já em plena guerra de Angola,

Graduado em alferes capelão, segue com o BCAÇ 321 para Angola já no último trimestre de 1961. Descobre uma nova "família", a sua terceira (depois da família biológica e do seminário). E descobre que a sua Pátria é o Hélder...

No dia 27 de maio de 1962, sete meses depois de chegar a Angola, participava voluntariamente numa operação, em Cabinda. O Hélder, que ia à sua morreu, morreu, de um tiro do inimigo.

Como se fora um epitáfio, escreveu: "A minha Pátria é o Hélder" (pp. 17/18).


2. Comentário do editor LG:

Quem disse que os capelães militares não iam à guerra ? Isto é, não podiam "sair para o mato", integrados  ("embebbed") em grupos de combate ? 

 Não era muito frequente, não era normal, nem sequer era desejável... Na verdade, eram recursos raros, escassos, preciosos. Havia, em geral, 1 capelão e 1 médico por batalhão (=600 homens).

Mas foi ali, nesse dia, que o padre Bártolo, natural de Santo Tirso,  descobriu verdadeiramente o que era a Pátria. Não, não é uma figura de retórica, a Pátria são as pessoas, as pessoas que têm uma identidade, um rosto, uma história de vida: a Pátria são os nossos camaradas, antes de mais.

(...) "A minha Pátria andava mal definida no coração (...). O meu patriotismo nunca me levou às terras carismáticas do mundo e dos homens. Nem aos Lugares Santos. Nunca visitei o cemitério de Vimieiro. Nem me sai da cabeça a cova, onde enterrámos o Hélder" (...) (pág. 17).

(...) A cova onde enterrámos o Hélder foi logo ali, após o inimigo nos deixar. O seu corpo, mais tarde, foi recuperado por camaradas, que cumpriram um dever militar" (...) (pág. 18).

 
Foi o único morto do batalhão... Comenta o antigo capelão,citando o filósofo alemão Peter Sloterdijk: 

"A ossatura simboliza o fim que cada ser vivo traz já consigo". 

E acrescenta, agora da sua lavra: "Em teatro de operações, deixar 'essa ossatura' brada aos céus. Aconteceu, infelizmente, com muitos cadáveres, no início da guerra, onde tudo era mais precipitado que arrumado" (pág. 19).
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(**) Último poste da série > 3 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27600: S(C)em Comentários (85): O que é que o PAIGC entendia por "zonas libertadas"? (Zeca Macedo, ten DFE 21, Cacheu e Bolama, 1973/74, a viver nos EUA desde 1977)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27615: O nosso blogue em números (110): 2025, mais um "annus horribilis": tivemos 11 baixas mortais entre os nossos grão-tabanqueiros; despedimos também de mais 12 outros amigos (n=4) e camaradas (n=8)... Dos antigos combatentes, 10 morreram com 80 anos ou menos, 9 morreram com mais de 80



In Memoriam dos amigos (n=4) e camaradas da Guiné (n=19), falecidos em 2025, e que foram notícia no nosso blogue (n=23)


Horácio Neto Fernandes (Ribamar, Lourinhã, 
1935 - Porto, 2025),
ex-alf grad capelão, BART 1991 
(Catió, set 67/ mai 69)
e BCAÇ 2852 (Bambadinca, mai /dez 69)



;José António Sousa (1949-2025),
 ex-sold cond auto, CCAV 3404/BCAV 3854 
(Cabuca, 1971/73); vivia no Porto; 



Mendonça da Silva (1951-2025), 
viúva do nosso camarada Torcato Mendonça; 
vivia no Fundão (*);


Manuel Lema Santos (1942 - 2025) , ex-1º tenente 
Reserva Naval, 1965-1972; 
ex-Imediato no NRP Orion, Guiné, 1966/68, 
vivia em Massamá, Sintra; 
era um dos históricos da Tabanca Grande, 
mas em dada altura desvinculou-se do blogue; (*)


Suleimane Baldé (1938-2025), régulo de Contabane, 
ex-1º cabo do Pel Caç Nat 53 (1968-1974),
 filho do régulo Sambel Baldé e de Fatumat 
(fica inumado, simbolicamente, à sombra do nosso poilão, no lugar nº 908);

filha do nosso camarada Carlos Filipe Gonçalves,
 ex-fur mil amanuense, CefInt / QG / CTIG, Bissau, 1973/74): 
vivia na Praia, Cabo Verde (*);


uma mulher pioneira em vários domínios, interditos às mulheres, 
a começar pelo paraquedismo... 
Foi a "madrinha" das enfermeiras paraquedistas (1961); vivia emLisboa; (*)



Rita Mascarenhas (1978-2025), 
filha do nosso camarada José Rodrigues (ex-fur mil trms, 
CCAÇ 1419, Bissau, Bissorã e Mansabá, 1965/67;); 
vivia em Belas, Sintra: (*)


escritor, romancista, poeta, autor e ensaiador de teatro; 
cumpriu o seu serviço militar na Guiné, trabalhou na Rádio; 
 homemagem dos seus conterràneos Narciso Santos e José Câmara, 
bem como do nosso crít6ico literário Beja Santos; 
vivia em Ponta Delgada; (*)


 natural de Fermentões, Guimarães, 
antigo autarca, ex-fur mil, 2ª CART / BART 6520,
 "Os Mais de Nova Sintar", 1972/74): (*)


 (Ferreira do Alentejo, 1945 - Lisboa, 2025),
 ex-alf mil trms, CCS/BCAÇ 2852 
(Bambadinca, 1968-1970);


J. L. Pio Abreu (Santarém, 1944 - 
Coimbra, 2025): 
ex-alf médico, CCS/BCAÇ 3863 
(Teixeira Pinto, 1971/73): (*)


(1949-2025),  ex-Fur Mil Inf, 
CCAÇ 3328 (Bula, 1971/73); 
vivia em Faro (*)


2.º Ten FZE do DFE 21, Reformado, DFA (Guiné, 1972); 
vivia em Santarém:


Carlos Matos Gomes (1946-2025), 
membro do MFA no CTIG, 
cor cav 'cmd', ref, escritor e historiógrafo, 
e grande amigo da Tabanca Grande; 
vivia em Lisboa(*)


Maria Rosa Rosa Exposto, ex-alf enf pqdt 
(Bragança, c. 1940 - Portalegre, 2021), 
pertencia ao 4º curso (1964) e passou pelo CTIG: (*)



(Ribeira Grande, Santo Antão, 
Cabo Verde, 1935 - Sesimbra, 2025): 
 era do 2º curso (1962) 
e passou pelos 3 teatros de operações; (*)



Leopoldo Correia (1941-2024),
ex-fur mil, CART 564
 (Nhacra, Quinhamel, Binar, Teixeira Pinto, 
Encheia e Mansoa, 1963/65); 
vivia em Águas Santas, Maia


Mário Vitorino Gaspar (Sintra, 1943- 
Lisboa, 2025), ex-fur mil art, MA,
 CART 1659, "Zorba" (Gadamael e Ganturé, 
1967/68): 


Valdemar Queiroz (Afife, Viana do Castelo, 1945 - 
Agualva Cacém, Sintra, 2025),
 ex-Fur Mil da CART 2479 / CART 11 
(Contuboel, Nova Lamego, Canquelifá, Paunca 
e Guiro Iero Bocari, 1969/70)


Cap Cav Ref Alberto Bernardo Leite Rodrigues 
(1945-2025), 
ex-Alf Mil Cav da CCAV 1748 (1967/69); 
era membro da Tabanca
 de Matosimnhos (fica inumado, simbolicamente, 
à sombra do nosso poilão, no lugar nº 899)


ex-alf mil, CCAÇ 2405 / BCAÇ 2852 
(Mansoa, Galomaro e Dulombi, 1968/70); vivia em Coi,mbra;
era um histórico da Tabanca Grande (**)


António Medina (Santo Antão, 
Cabo Verde, 1939 - 
Medford, Massachusetts, EUA, 2025), 
ex-fur mil at inf, OE, CART 527 
(Teixeira Pinto, Bachile, Calequisse, 
Cacheu, Pelundo, Jolmete e Caió 1963/65)


(*) não eram formalmemnte membro da nossaTabanca Grande

(**) notícia só recebida em 2025


2. Os grão-tabanqueiros que "da lei da morte se libertaram" em 2025 foram 11. É sempre uma exercício doloroso, mas são os vivos que têm de cuidar dos mortos e honrar a sua memória: 




Suleimane Baldé (1938-2025)

Fernando de Carvalho Taco Calado (1945-2025)


Leopoldo Correia (1941-2024)


Valdemar Queiroz (1945-2025)

Leite Rodrigues  (1945-2025)





Homenagem aos nossos mortos queridos, em 2025. Não se estranhe a bandeira dos EUA: o António Medina era luso-americano, ou cabo-verdiano -ameroicano, não tenho a certeza (era natural de Santo Antão, emigrou para os States em 1977); o Suleimane Baldé era guineense (já tinha sido português); a Eugénia era portuguesa, de origemc abo-verdiana; a Dúnia Gonçalves era cabo-verdiano, mas o pai já foi português... Afinal, pertencemos todos e todas â mesma terra que nos deu origem...É preciso dar muitas voltas para se chegar a uma ilustração como esta...

Ilustração: IA generativa (ChatGPT / OpenAI), 
composição orientada pelo editor LG


3. Há a registar nesta lista necrológica mais 8 combatentes (que estiveram na Guiné, mas que não integravam formalmente a nossa Tabanca Grande). Há ainda 4 mulheres (1 viúva e 2 filhas de grão-tabanqueiros, e ainda a "mentora" das enfermeiras paraquedistas).

Calculámos a média e a mediana dos combatentes que morreram em 2025 (n=19), a partir da idade aproximadade (=ano da morte - ano do nascimento).

  • Média=81,1 anos
  • Mediana= 80
  • Mínimo = 72
  • Máximo = 90

Interpretação (mediana): 10 camaradas morreram com 80 anos ou menos; 9 morreram com mais de 80 anos.

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27591: Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci... (Jaime Silva, ex-alf mil pqdt, BCP 21, Angola, 1970/72) (10): o Flecha que nos conduziu à sua antiga base (do MPLA) e rejubilou de alegria perante o espetáculo dos seus antigos camaradas mortos, no mesmo dia e hora em que o meu soldado Santos se casava por procuração numa igreja de Torres Vedras, perto da minha terra


 Estudo prévio  para monumento  em memória dos combatentes da guerra cvolonial (2005). Arquiteto Augusto Vasdconcelos (Fafe)

Foto (e legenda): © Jaime Bonifácio Marques da Silva (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Tabanca de Porto Dinheiro / Lourinhã:
4 de agosto de 2012 > Jaime Silva

Jaime Silva (ex-alf mil pqdt, cmdt 3º Pel /1ª CCP / BCP 21, Angola, 1970/72, membro da nossa Tabanca Grande, nº 643, desde 31/1/2014, tendo já 130 de referências, no nosso blogue; nascido e 1946, em Seixal, Lourinhã, onde reside hoje; é professor de educação física, reformado, foi autarca em Fafe, com o pelouro de "Desporto e Cultura": viveu lá durante cerca de 4 décadas;  tem página pessoal do Facebook).


Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci (10): o Flecha que nos conduziu à sua antiga base (do MPLA) e rejubilou de alegria perante o espetáculo dos seus antigos camaradas mortos, no mesmo dia e hora em que o meu soldado Santos se casava por procuração numa igreja de Torres Vedras, perto da minha terra

por Jaime Silva

Decorria o dia 5 de setembro de 1970, quando o meu pelotão foi destacado para assaltar uma base do MPLA. 

A PIDE/DGS entregou-nos um ex-guerrilheiro, pertencente aos Flechas (#), com o objetivo de indicar o caminho que nos levaria à base, onde antes havia combatido a tropa portuguesa, conjuntamente com os seus camaradas,  e que agora entregava. 

Levou-nos direitinho à base. Fizemos a aproximação e, já dentro desta, fomos confrontados com a forte resistência de um grupo bem armado, do qual resultou a morte de alguns guerrilheiros e a captura de várias armas.

 No entanto, apesar ter sido uma das piores situações que o meu pelotão teve de enfrentar e resolver, o que mais me impressionou foi o júbilo e os saltos de satisfação que aquele homem dava, perante os corpos tombados dos seus ex-camaradas com quem já tinha partilhado as dificuldades da luta no mato contra os militares portugueses.

Também quem não se esquecerá desse dia e hora é o paraquedista Sousa, que no momento do assalto estava comigo (conjuntamente com o sargento Santos) na zona de morte.

É que, à mesma hora, decorria o seu casamento “por procuração”, numa igreja perto da minha terra, em Torres Vedras… 

São factos e experiências que, pela sua violência… e perplexidade humana, dificilmente se apagam das nossas memórias.
___________

Nota do autor:

(#) Os Flechas, criados em 1967, eram um grupo paramilitar autóctone que conduzia operações encobertas na dependência direta dos serviços secretos da PIDE/DGS. Atuavam no interior de Angola sobretudo contra o MPLA e eram levados a praticar operações encobertas no interior da Zâmbia, onde o MPLA se encontrava acantonado.

 Os Flexas podiam operar isolados ou integrados em patrulhas militares.

 (Fonte: Fernando Cavaleiro Ãngelo - Os Flechas: a tropa secreta da PIDE/DGS na guerra de Angola. Alfragide: Casa das Letras, 2017).

(Revisão / fixação de texto, título: LG)
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Nota do editor LG:

Último poste da série : 15 de dezembro de 2025 > 21 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27556: Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci... (Jaime Silva, ex-alf mil pqdt, BCP 21, Angola, 1970/72) (9): a última operação do 1º cabo LAntónio José Lourenço

domingo, 21 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27556: Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci... (Jaime Silva, ex-alf mil pqdt, BCP 21, Angola, 1970/72) (9): a última operação do 1º cabo LAntónio José Lourenço



 Estudo prévio  para ,onumento  em emória dos combatentes da guerra cvolonial (2005). Arquiteti Augusto Vasdconcelos (Fafe)

Foto (e legenda): © Jaime Bonifácio Marques da Silva (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Tabanca de Porto Dinheiro / Lourinhã:
4 de agosto de 2012 > Jaime Silva

Jaime Silva (ex-alf mil pqdt, cmdt 3ª Pel /1ª CCP / BCP 21, Angola, 1970/72, membro da nossa Tabanca Grande, nº 643, desde 31/1/2014, tendo já 130 de referências, no nosso blogue; reside na Lourinhã, é professor de educação física, reformado, foi autraca em Fafe, com o pelouro de "Desporto e Cultura": residiu lá durante cerca de 4 décadas): Tem página pessoal do Facebook


Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci (9):  a última operação do 1º cabo Lourenço

por Jaime Silva



Não esqueci o que aconteceu ao 1º Cabo Lourenço, apontador da metralhadora HK 21, pertencente ao 4.º Pelotão,  comandado pelo meu amigo, alferes miliciano Francisco Cruz dos Santos 
[Foto à esquerda. página pessoal do Facebook]
 .

A 1ª CCP / BCP 21 estava destacada no Leste de Angola, sediada na vila de Léua (*) e o Comandante de Companhia nomeou o 3º e o 4º pelotões (o meu e o do meu amigo) para efetuar um assalto a uma base do MPLA, na zona de Kamgama – Chimbila.

Lembro, como se fosse hoje, o momento em que os dois grupos de combate saíam do quartel na direção dos Helicópteros que nos transportariam rumo ao objetivo. Lembro, de forma especial, o momento em que o Cabo Lourenço, caminhando ao meu lado me disse:

 
– Ai, meu alferes, isto nunca mais acaba! Esta é a minha última operação, já terminei a comissão. Quando chegarmos a Luanda,  vou-me embora para o “Puto”. Já chegou quem me vem render.

Lembro de ter dito palavras de circunstância, talvez do género:

– Vai correr tudo bem e daqui a poucos dias já estarás na “peluda”, livre, junto da tua família.

Depois, os dois grupos são lançados próximo do objetivo, mas em pontos distintos, tendo um rio de permeio a separá-los. 

Minutos, depois, do lançamento, somos confrontados com um intenso tiroteio e rebentamento de granadas. O grupo do Cruz dos Santos havia detetado a Base IN, mas, no assalto a esta, confrontou-se com enorme resistência e fogo intenso. 

Nesse tiroteio, o Cabo Lourenço foi atingido e perde a vida… Na sua última missão…

Fonte: excerto de Jaime Bonifácio Marques da Silva, "Não esquecemos os jovens militares do concelho da Lourinhã mortos na guerra colonial" (Lourinhã: Câmara Municipal de Lourinhã, 2025, 235 pp., ISBN: 978-989-95787-9-1), pp. 90-91 (**)

(Revisão / fixação de texto, parênteses retos, notas, edição de imagem: LG)



1º Cabo Pqdt António José Lourenço  (1948-1971)

(i) morto em combate em Angola (na ZML - região de Chimbila-Cazage-Luatxe-Lumeje), no decorrer da Operação CALCAR IH”, no dia 18 de novembro de 1971;

(ii) nasceu a 21 de Outubro de 1948, na então freguesia de São João Baptista, concelho de Tomar, distrito de Santarém;

(iii) frequentou o Curso de Pára-quedismo nº 56, tem o Brevet nº 7871. 



__________________

Notas do editor LG:

(*) Na altura, a vila de Léua (um município e comuna na província do Moxico, Angola) não tinha um nome colonial distinto, uma vez que a localidade de referência na região com um nome colonial alterado é a capital da província.

A capital da província do Moxico, a cidade do Luena, era anteriormente conhecida como Vila Luso durante o período colonial português. O nome foi alterado após a independência de Angola em 1975.

(**) Último poste da série : 15 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27531: Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci... (Jaime Silva, ex-alf mil pqdt, BCP 21, Angola, 1970/72) (8): escapei à terceira mina... mas o sold pqdt Lamas apanhou com um 'balázio' no braço


quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27488: Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci... (Jaime Silva, ex-alf mil pqdt, BCP 21, Angola, 1970/72) (6): o primeiro e o único morto do meu pelotão, o sold pqdt António da Silva Ramos (1947-1970), natural de Santo Tirso



Angola > Norte - Montes Mil e Vinte > 26 de junho de 1970 > Heli SA-330 Puma na recuperação do 3º Pel da 1ª CCP /BCP 21 (1970/72)... Nesta operação, "Não Esquecemos"  morreu um soldado do meu pelotão, o António da Silva Ramos. O primeiro e o único.




Foto à direita: Jaime Bonifácio Marques da Silva, "Não esquecemos os jovens militares do concelho da Lourinhã mortos na guerra colonial" (Lourinhã: Câmara Municipal de Lourinhã, 2025, 235 pp., ISBN: 978-989-95787-9-1), 235 pp.

Jaime Silva (ex-alf mil paraquedista, BCP 21, Angola, 1970/72, membro da nossa Tabanca Grande, nº 643, desde 31/1/2014, tendo já cerca de 130 de referências, no nosso blogue; reside na Lourinhã, é professor de educação física, reformado, foi autraca em Fafe, com o pelouro de "Desporto e Cultura": residiu lá durante cerca de 4 décadas): Tem página pessoal do Facebook




Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci (6) > o primeiro e o único morto do meu pelotão, o sold pqdt António da Silva  Ramos

por Jaime Silva


Não esqueci nunca… nunca… o único morto do meu pelotão, o António da Silva Ramos, soldado Paraquedista nº108/67. 

Foi na Operação "Não Esquecemos”, realizada no dia 25 de junho de 1970, na zona de ação entre os rios Onzo e Quifusse,  nos Montes 1020, no Norte de Angola.

Nesse dia fatídico, o grupo de combate foi transportado num helicóptero SA 330. Entretanto e, simultaneamente com o nosso lançamento, dois avões de combate T6 da Força Aérea despejavam quatro bombas de napalm sobre a base guerrilheira.

Dá-se um confronto, com tiroteio, rebentamentos, o comum nestas circunstâncias. Pouco depois do início desse confronto, o soldado Ramos apanha um tiro certeiro nas carótidas que lhe ceifou, imediatamente, a vida.

Foi evacuado por um Alouette III. Passámos a noite no mato e, no dia seguinte, quando nos preparávamos para sair do local, na direção da zona de recuperação, sofremos, de novo, uma forte emboscada. Valeu-nos a intervenção do helicanhão que metralhou a zona, permitindo que o helicóptero SA 330 nos recuperasse em segurança.


Fonte: Jaime Bonifácio Marques da Silva, "Não esquecemos os jovens militares do concelho da Lourinhã mortos na guerra colonial" (Lourinhã: Câmara Municipal de Lourinhã, 2025, 235 pp., ISBN: 978-989-95787-9-1), pãg. 87




Sold pqdt António da Silva Ramos (1947-1970)

Morto em combate em Angola (Onzo, região de
Nambuangongo), em 25 de junho de 1970.
Nasceu a 3 de fevereiro de 1947, na freguesia de
Muro, concelho de Santo Tirso, distrito do Porto.
Frequentou o Curso de Paraquedismo nº 46,
 tem o Brevet nº 6140.
Encontra-se sepultado no cemitério da freguesia de
Modivas, concelho de Vila do Conde, distrito do Porto.


(Revisão / fixação de texto, edição de imagem,  título: LG) 

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 23 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27455: Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci... (Jaime Silva, ex-alf mil pqdt, BCP 21, Angola, 1970/72) (5): a mina A/P que ceifou a perna do soldado radiotelegrafista Santos, alentejano

Postes anteriores:

13 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27417: Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci... (Jaime Silva, ex-alf mil pqdt, BCP 21, Angola, 1970/72) (4): o meu batismo de fogo e a praxe ao alferes “maçarico”

6 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27390: Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci... (Jaime Silva, ex-alf mil pqdt, BCP 21, Angola, 1970/72) (3): estive sempre no "gastalho", em guerra comigo e contra o IN

31 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27369: Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci... (Jaime Silva, ex-alf mil pqdt, BCP 21,Angola, 1970/72) (2): perante a hipótese Comandos, decido pelos Paraquedistas

29 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27363: Quem foi obrigado a fazer a guerra, não a esquece: eu não esqueci... (Jaime Silva, ex-alf mil pqdt, BCP 21,Angola, 1970/72) (1): A minha (im)possibilidade de desertar

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Guiné 61/74 - P27468: Efemérides (378): foi há 55 anos a Op Abencerragem Candente (25 e 26 de novembro de 1970, subsetor do Xime), com meia dúzia de mortos de um lado e do outro




Seco Camará, guia e picador das NT.
Morto em 26/11/1970. Está sepultado
em Nova Lamego /Gabu
 Foi vouvado a título póstumo
pelo cmdt do CAOP2, em 28/1/71,
e pelo Cmd-Chefe, em 16/4/71
Foto: Torcato Mendonça (2007)


(...) Um, dois, três, quatro, cinco, seis homens 
vão morrer daqui a três ou quatro horas,
às 8h50,
em vinte e seis de novembro de mil novecentos e setenta,
no cacimbo da madrugada,
na antiga picada do Xime-Ponta do Inglês.
Cinco brancos e um preto,
a lotaria da morte, em L,
numa emboscada que é cubana,
numa roleta que é russa,
com os RPG, amarelos, "made in China"...
no corrocel da morte que é, afinal, universal! (...) (*)



1. Um dos maiores desaires das NT, no Sector L1 (Bambadinca), no meu tempo (CCAÇ 2590 / CCAÇ 12, junho de 1969/ março de 1971) foi a Op Abencerragem Candente  (subsetor do Xime, 25 e 26 de novembro de 1970). 

Temos 3 dezenas de  referências no nosso blogue a esta operação. Em contrapartida, há um estranho silêncio nos livros da CECA (Comissão para o Estudo das Campanhas de África), como já em tempos referimos. Silêncio em relação  este revés das NT bem como a outros... 

De facto, não há sequer uma linha no livro relativo à atividade operacional no CTIG em 1970: vd. CECA - Comissão para o Estudo das Campanhas de África: Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974) : 6.º Volume - Aspectos da actividade operacional: Tomo II - Guiné - Livro II (1.ª edição, Lisboa, 2015), 

A Op Abencerragem Candente (envolvendo 8 Gr Comb, 3 da CART 2715, 3 da CCAÇ 12 e 2 da CART 2714) foi  há 55 anos atrás (4 dias depois da Op Mar Verde).

Terá sido, no subsetor do Xime, a mais sangrenta das operações ali realizadas, durante a guerra colonial, pelo lado das baixas contabilizadas para as NT: 6 mortos e 9 feridos graves. O IN, por sua vez, terá tido outros tantas baixas.

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Notas do editor LG:

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Guiné 61/74 - P27447: Cerimónia Comemorativa do 107.º Aniversário do Armistício da Grande Guerra e 51.º Aniversário do Fim da Guerra do Ultramar, 18 de novembro de 2025: Simbolismo das coroas de flores depositadas no Monumento aos Combatentes do Ulramar (Luís Graça ) - Parte I


Foto nº 1 > Ministério da Defesa Nacional


Foto nº 2 : Forças Armadas de Portugal


Foto nº 3 > Força Aérea Portuguesa


Foto nº 4 > Marinha Portuguesa



Foto nº 5 > Exército Portuguès


Foto nº 6 > Deputados da Comissão de Defesa da Assembleia Nacional


Foto nº  7 > Guarda Nacional Republicana (GNR)



Foto  nº 8  > Liga dos Combatentes 



Foto nº 9 > Grupo de Adidos Militares Estrangeiros Acreditados em Portugal


Foto nº 10 > Ambassade de France au Portugal / Embaixada de França em Portugal


Foto nº 11 > Cruz Vermelha Portuguesa (CVP)



Foto nº 12  > Associação Nacional dos Prisioneiros de Guerra


Foto nº 13 > Amicale des Anciens Combattants et Militaires Français au Portugal (AACMFP)  / Associação dos Veteranos e Militares Franceses em Portugal


Figura nº 14 > Associação dos Deficientes das Forças Armadas (?)


Foto nº 15 > Coroas de flores no Monumento aos Combatentes do Ultramar (1)


Foto nº 16 > Coroas de flores no Monumento aos Combatentes do Ultramar (2)


Foto nº  17 > Coroas de flores no Monumento aos Combatentes do Ultramar (3)


Foto nº 18 > Coroas de flores no Monumento aos Combatentes do Ultramar (4)

Lisboa > Belém> Forte do Bom Sucesso > 18 de novembro de 2025 > 10h00 > Cerimónia Comemorativa do 107.º Aniversário do Armistício da Grande Guerra e 51.º Aniversário do Fim da Guerra do Ultramar, Coroas de flores junto ao Monumento aos Combatentes do Ultramar

Fotos (e legendas): © Luís Graça  (2025). Todos os direitos reservados. (Edição e legendagem: Bogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)


1. Fui, como convidado, e pela primeira vez (que me lembre!), participar numa cerimónia comemorativa do fim de uma guerra, aliás duas, a da I Grande Guerra (1914/18)  e a da Guerra do Ultramar (1961/74),  organizada pela centenária Liga dos Combatentes (LC).

A cerimónia decorreu entre as 10h00 e as 12h30 do passado dia 18 de novembro. Tendo chegado um pouco mais cedo, pus-me a observar e a fotografar as coroas de flores (mais de uma dúzia) colocadas na base  do Monumento aos Combatentes do Ultramar, localizado junto ao Forte do Bom Sucesso, em Belém, Lisboa. Ao centro, e alinhada com a "passadeira vermelha" para os VIP, estava a coroa do Ministério da Defesa Nacional, organizador do evento em conjunto com a Liga dos Combatentes. A cerimónia foi presidida, se não erro, pelo Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas.

Por (de)formação profissional, gosto de pôr a mim próprio, mentalmente,  questões sobre o que vejo ou apreendo: o quê, onde, quando, como, porquê, por quem e para quem... 

De entre as formas de homenagem aos combatentes mortos nas guerras avulta a tradicional  deposição de coroas de flores funerárias. De repente intrigou-me a forma,  as cores e o tipo de flores das coroas funerárias, bem como a sua disposição espacial, na base do monumento, e em torno de um tapete vermelho por onde circulariam depois os representantes das entidades oficiais. 

Ora tudo isso não acontecia por acaso. Quis saber o simbolismo e o significado profundo que tem o uso das coroas de flores  na nossa cultura e na nossa sociedade, em cerimónias como estas em que se homenageiam os mortos caídos pela Pátria.

Com a ajuda das ferramentas de IA (ChatGPT e Gemini) e outras consultas na Net, fui respondendo a algumas das minhas questões. Para já fiquemos pela primeira parte: cores e espécies de flores, forma e estrutura das coroas. 

Numa segundo poste, falaremos da ordenação espacial das coroas das flores, que devem obedecer a um protocolo institucional. (A tropa tem horror ao  vazio e ao improviso, embora na Guiné, em teatro de guerra,  nos mandasse "desenrascar"...)


1. Têm um simbolismo que vai muito além da estética: representam memória, valores, emoção e, em última análise, a forma como uma sociedade encara o sacrifício (supremo) dos seus soldados. O uso de coroas funerárias remonta à Antiguidade Clássica, Greco-Romana. Afinal, já fomos escravos e colonizados pelos romanos.  (Não sabemos a língua que falava o nosso Viriato.)

Embora cada cultura possa ter nuances próprias, há alguns sentidos amplamente reconhecidos para as cores:

(i) Vermelho=sacrifício, coragem, heroísmo e sangue derramado

O vermelho é uma das cores mais usadas, sobretudo em rosas, cravos, antúrios, gerberas Representa:
  • o sangue derramado pelos combatentes;
  • a nobreza;
  • a coragem no campo de batalha;
  • a lembrança viva do sacrifício;
  • amor eterno e admiração.

É por isso tão comum no Dia do Armistício, no 10 de Junho, no Dia da Memória e outras efemérides, em vários países.

(ii) Branco=paz, pureza, reverência, e respeito


É cor mais comum, simbolizando:
  • o desejo de paz duradoura após o conflito;
  • a pureza das intenções dos combatentes;
  • luto e reverência.

É uma forma de homenagear não só quem morrer, mas também a esperança de que os infaustos eventos, como a guerra (incluindo a guerra civil), não se repitam.

(iii) Amarelo=lembrança e esperança

Em algumas culturas, o amarelo representa:
  • lembrança perene;
  • esperança na reunião espiritual;
  • luz e eternidade.
Já o amarelo, na sua forma dourada (amarelo-ouro), é um símbolo forte de nobreza, riqueza, sucesso e poder, reforçando a ideia de glória e eternidade.

(iv) Roxo=luto profundo e espiritualidade

O roxo, poço usado em arranjos florais, está muitas vezes associado a:
  • cerimónias mais solenes;
  • respeito espiritual;
  • reflexão sobre a morte e o seu significado;
  • luto.

2. Porque se usam flores em homenagens fúnebres ?


Para além das cores, as próprias flores têm um profundo significado:
  • são símbolos de vida, beleza e fragilidade;
  • lembram-nos que a vida dos combatentes foi preciosa e efémera; 
  • representam a continuidade, a passagem de testemunho, a partilha;
  • mesmo após a morte, a memória floresce; e a vida renasce;
  • criam um momento de beleza num contexto doloroso, um gesto de humanidade face à brutalidade da guerra e do sacrifício da própria vida,

O sentido mais profundo: no fundo, estas cores não são apenas  um elemento meramente decorativo; são signos, são uma linguagem simbólica que permite expressar:
  • respeito e gratidão;
  • memória coletiva;
  • humanização do luto;
  • compromisso com a vida, com a liberdade e com a paz.

É uma forma silenciosa, mas poderosa, de dizer que os mortos não ficam "inumados na vala comum do esquecimento" (como gostamos de dizer na Tabanca Grande) e que o seu sacrifício tem significado na história das famílias, dos grupos, da comunidade, do País.

 3. As cores usadas nas cerimónias e flores não são apenas escolhas simbólicas tradicionais, mas também refletem frequentemente as cores dos brasões e insígnias das entidades que prestam a homenagem (chefe de estado, assembleia da república, governo, forças armadas, associações de combatentes...). E isso acrescenta um significado institucional e histórico muito forte.

(i) Representação institucional

Quando o exército, o governo, as ligas de combatentes, embaixadas ou outras entidades colocam coroas ou arranjos florais, é comum que:
  • escolham as cores do seu próprio brasão oi insígnias;
  • usem as cores da bandeira nacional;
  • ou combinem ambas.

Isto serve para:
  • mostrar que a homenagem não é apenas pessoal, mas oficial e coletiva, institucional;
  • marcar que a entidade assume publicamente a memória dos seus combatentes;
  • dar continuidade a uma tradição cerimonial formal.

 (ii) Identidade e continuidade histórica

A utilização das cores dos brasões reforça o vínculo entre:
  • os combatentes homenageados;
  • a instituição ou a arma a que pertenciam (exército, marinha, força aérea):
  • e a história da própria instituição ou da arma.

Por exemplo: o Exército pode usar o verde e vermelho (cores nacionais) ou detalhes dourados e pretos das suas insígnias; a  Liga dos Combatentes utiliza as cores do seu emblema, reforçando a missão de preservar a memória; embaixadas estrangeiras  usam frequentemente as cores da bandeira do país que representam, simbolizando respeito internacional.

(iii) Um gesto simbólico e protocolar

Ao usar as cores dos brasões:
  • reforça-se a ideia de que os combatentes não foram esquecidos pela Pátria;
  • mostra-se a unidade entre Estado, instituições militares e sociedade civil, incluindo associações de veteranos;
  • cumpre-se o protocolo cerimonial militar e diplomático.

(iv) Complemento ao simbolismo emocional das flores

Assim, há dois níveis de significado:
  • emocional e universal; cores que expressam luto, sacrifício, paz e memória;
  • institucional e histórico: cores dos brasões que reforçam a identidade e a responsabilidade da entidade homenageante.
Ambos se complementam para criar uma homenagem mais completa e cheia de significado.


4. Mas não são apenas as cores, mas também as formas e a estrutura das coroas que carregam simbolismo. Em cerimónias militares e de Estado, a forma da coroa ou arranjo floral transmite mensagens subtis, ligadas à tradição, ao protocolo e à identidade da entidade que presta homenagem. Muitas vezes estas coroas são extremamente elaboradas e visualmente muito atrativas, porque representam não só o luto, mas também a honra, a hierarquia e a memória colectiva.


(i) Formas geométricas com significado

As coroas podem ser circulares, ovais, em escudo, em coração, em cruz ou mesmo em arranjos verticais.

 Círculo= eternidade e continuidade

A coroa circular: é a forma mais tradicional e o símbolo primordial da eternidade e da imortalidade da alma e da memória:

  • simboliza a vida eterna, ou o eterno retorno;
  • representa a memória que não tem início nem fim;
  • transmite a ideia de unidade nacional e de solidariedade intergeracional.

Coroa de louros=honra, vitória e glória

Variante da coroa circular, a coroa de louros é um símbolo clássico de honra, vitória e glória, remontando ao mito de Apolo e Dafne, e sendo historicamente associada a conquistas e estatuto elevado; é frequentemente usada em homenagens a militares e figuras de Estado em Portugal.

Forma de escudo=honra militar

Algumas coroas são feitas à maneira de um brasão ou escudo militar:
  • reforçam a ligação ao corpo ou Ramo das Forças Armadas;
  • simbolizam proteção e bravura;
  • recordam que o combatente serviu uma instituição com identidade própria.

 Formas religiosas (cruz, palma, espiga)
  • usadas sobretudo por entidades com tradição cristã;
  • simbolizam fé, sacrifício e esperança na vida espiritual, ressurreição;
  • muito usadas por governos ou associações que seguem protocolos históricos.
Outras formas, como o  Coração (amor profundo e afeição) também podem ser usadas, embora a forma circular ou de louros seja mais prevalente em cerimónias públicas militares.


(ii)   Coroas elaboradas com detalhe e complexidade

As coroas mais ornamentadas aparecem geralmente quando:
  • a entidade é de alto nível (Presidente da República, Governo, Chefes militares, Embaixadas);
  • a cerimónia é oficial ou de Estado;
  • o local é de grande significado (Túmulo do Soldado Desconhecido, Mosteiro da Batalha ou  dos Jerónimos, Monumento aos Combatentes do Ultramar, campos de batalha, cemitérios militares, outros monumentos nacionais).

Estas coroas:
  • reforçam a solenidade;
  • representam a dignidade do cargo que presta homenagem;
  • procuram traduzir visualmente o respeito máximo.

(iii) Elementos específicos que acrescentam significado:

Muitas coroas possuem detalhes que parecem apenas decorativos, mas não são:

 Fitas com inscrições

Contêm:
  • nome da instituição;
  • palavras como “Homenagem”, “Glória”, “Honra”, “Memória”;
  • cores da bandeira ou brasão ou insígnia da entidade.

Ramos de louro ou oliveira

Muito usados em coroas militares:
  • o louro simboliza vitória e honra;
  • a oliveira simboliza paz e reconciliação.
 Outras flores e folhagens (verdura) 

  • por exemplo,  o verde (folhagens): representa renovação e esperança;

  • as flores podem ser escolhidas, para além da sazonalidade,  pelos seus significados simbólicos, que se adaptam ao contexto de homenagem a um combatente.

 
 Elementos dourados ou metálicos

Reforçam:
  • a solenidade;
  • o carácter oficial;
  • a antiguidade histórica da instituição.

 (iv)  O significado mais profundo das formas elaboradas

No fundo, a forma da coroa é uma linguagem simbólica, tão importante quanto as palavras proferidas no discurso de homenagem. Cada forma e detalhe transmite a mensagem de que:
  • o combatente é lembrado com identidade, respeito e história;
  • a sua morte não é apenas um facto individual, mas um elemento da memória coletiva do país;
  • a homenagem é proporcional à importância do sacrifício.

5. Simbolismo das coroas funerárias (síntese)

ElementoSignificado
comum
Contexto militar/Honra
LouroVitória, Honra, GlóriaEssencial em coroas militares, simboliza o triunfo e o sacrifício; remonta ao mito de Apolo e Dafne
Sempre-
-Vivas
Força, Resistência, Memória EternaRepresentam a permanência da memória e a resistência do espírito 
Carvalho (Folhas)Sabedoria, Força, RobustezAssociado a Zeus (na mitologia helénica) ,  simbolizando a resiliência
Rosas
Brancas
Reverência, Respeito, Pureza, PazA escolha clássica para expressar respeito profundo e paz espiritual 
Rosas VermelhasAmor, Respeito, Coragem, SacrifícioSimboliza o amor profundo e a coragem, especialmente relevante para um combatente 
Lírios
Brancos
Pureza, Tranquilidade, Paz EspiritualUsados para transmitir serenidade e a renovação da alma / espírito
Crisân-
temos
Luto e Homenagem (em muitas culturas)Usados tradicionalmente em funerais, simbolizam a nobreza da alma / espírito

  (Continua)


Pesquisa LG + Net + IA (ChatGPT, Gemini) 
(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos e itálicos: LG)