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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27702: Os nossos capelães (20): José Júlio Antunes (1939 - 2025), ex-alf grad capelão, BART 6523/73 (Nova Lamego, 1973/74): pertencia à diocese da Guarda (Ricardo Figueiredo)




Guiné > Zona leste > Região de Gabu > Cabuca > 2ª CART /BART 6523/73 (1973/74) > c. 1973 >  Missa campal, rezada pelo alf grad capelão José Júlio Antunes. A assitsir ao ato religioso, estaria ao todo uma meia centena de militares. 

Não sabemos o mês, mas deve ser do início da comissão. O Carlos Boto ainda estava lá.   O BArt 6523173 rendeu em 8/9/73 o BCav 3854, assumiu a responsabilidade
do sector L3 com sede em Nova Lamego. lª Comp: Madina
Mandinga; 2ª Comp: Cabuca; e 3ª  Comp: Nova Lamego.


S/l > S/d> Convívio da 3ª CART / BART 6523/73 (Cabuca, 1973/74) > O Ricardo Figueiredo (à esquerda) e o padre José Júlio Andrade, à entrada do restaurante. Terá sido a último vez ques e encontraram. De acordo com o blogue "Abustres de Cabuca", a malta 2ª Companhia só ao fim de 34 anos é que se encontrou, uns tantos elementos, almoço da 3ª Companhia, 6.9.2008 em Vilar do Pinheiro. Nesse encontro apareceu tanto antigo comandante,ex-cap mil Franquelim Vaz.


Fotos ( e legendas)o: © Ricardo Figueiredo (2026). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Padre José Júlio Andrade (1939 - 2025). 
Foi alf grad capelão no CTIG, de 9/3/73 a 18/9/74. 
Esteve em Nova Lamego, com  o BART 6523/73 (1973/74)


1. A notícia é da Agência Ecclesia, a que só agora tivemnso acesso:


Guarda: Faleceu o Padre José Júlio Antunes
6 Novembro, 2025 11:06

Guarda, 06 nov 2025 (Ecclesia) – A Diocese da Guarda comunica o falecimento do padre José Júlio Antunes, nascido a 25 de maio de 1939, natural do Casal de Cinza, naquela cidade

Filho de António Joaquim Antunes Morgado e Maria Justina, o padre José Júlio frequentou os Seminários Diocesanos do Fundão e da Guarda entre 1951 e 1963, onde se formou para o sacerdócio.

Foi ordenado diácono a 19 de dezembro de 1962, na capela do Seminário da Guarda, e presbítero a 28 de julho de 1963, na Sé Catedral, por D. Policarpo da Costa Vaz.

O seu ministério sacerdotal foi marcado por dedicação pastoral e espírito de serviço. Logo após a ordenação, foi nomeado coadjutor da Sé e de São Vicente (Guarda). Em 1965, tornou-se pároco de Algodres, Vilar de Amargo e Vale de Afonsinho.

Em 1972, iniciou o serviço como capelão militar, primeiro na Academia Militar e no Hospital Militar da Estrela, em Lisboa, e, entre 1973 e 1974, na Guiné, ao serviço das Forças Armadas Portuguesas.

Regressado à diocese, foi capelão do Quartel da Guarda (1974-1975) e, a partir de 1976, pároco de Pínzio e Safurdão, acumulando depois o cuidado pastoral de Gagos. 

Em 1987, foi nomeado pároco de Atalaia e Carvalhal, permanecendo depois responsável por Pínzio, Safurdão e Carvalhal até 2004.

A partir desta data, enquanto a saúde lhe permitiu, colaborou com colegas sacerdotes em diversos serviços paroquiais.

O Padre José Júlio Antunes deixa a memória de um sacerdote simples, próximo das comunidades e fiel à sua vocação. As cerimónias fúnebres acontecem dia 07 de novembro, pelas 15h00, na Igreja Matriz de Casal de Cinza.

LFS


2. Mensagem do Ricardo Figueiredo (ex-fur mil at inf, 2ª CART / BART 6523, Cabuca, 1973/74)



Data - 02/02/2026, 15:58 
Assunto - Capelão José Júlio Antunes

Olá,  Luís,

Não sabia do falecimento recente do nosso Capelão. Que descanse em paz.

Da Guiné, que seja do meu conhecimento, não me lembro de qualquer facto importante de que ele tivesse sido protagonista.  De resto, a passagem dele por Cabuca foi pontual, dois ou três dias, tendo sido um deles ocupado pela Missa campal.

Já cá, e num almoço da 3ª Companhia em que participaram três ou quatro elementos da 2ª Companhia, sendo um deles, eu próprio, e em que também esteve presente o Capelão José Júlio, tivemos oportunidade de ficarmos na mesma mesa e a meu lado o também já saudoso José António Sousa, da CCav 3404 e,  salvo erro,  também o 1º cabo cripto da nossa Companhia, o Victor Machado.

O almoço, caríssimo para a época,foi muito mal servido e as sobremesas miseráveis. O Padre José Júlio, que era um bom garfo, também ele manifestou o seu desagrado como de resto a maioria dos convivas.

Porém, junto à nossa mesa, encontrava-se um expositor de bolos. Lancei um desafio ao Padre José Júlio:

- Se eu desviar uns bolitos para a nossa mesa, absolve -me ?!

A resposta não se fez esperar:

-  Absolvidissimo !

E lá desviei dois bolitos ,que souberam que nem ginja !

Anexo :

(i) a fotografia da Missa Campal, celebrada pelo Capelão José Júlio, em Cabuca;

(ii) a última fotografia que tirámos, antes da entrada para o restaurante, num almoço da 3ª Companhia,  em que fomos três ou quatro elementos da 2ª.

Um Alfabravo com amizade,
Ricardo

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27660: Prova de vida (10): George Freire, ex-cap inf Renato Jorge Cardoso Matias Freire, que vive nos EUA desde outubro de 1963, e foi 2º cmdt da CCAÇ 153 (Fulacunda, 1961) e cmdt da 4ª CCAÇ (Bissau, Nova Lamego e Bedanda, 1961/63)



Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Nova Lamego > 4ª CCAÇ (1961/63) > Jorge Freire, ex-cap inf, que esteve na Guiné, em 1961/63, e desde então a viver nos EUA; conhecido por George Freire, foi engenheiro e empresário e está reformado desde 2003. Vive hoje em Colúmbia, Carolina do Sul. Imagem: fotograma do vídeo que nos mandou em 2009 (*).

Foto: © George Freire (2009). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]






Lisboa > Escola do Exército > 1955 > Curso finalista da Escola do Exército (hoje, Academia Militar) do ano de 1955, do qual faziam parte (além do George Freire, residente nos EUA desde outubro de 1933, hoje com 92 anios antigo comandante da 4ª CCAÇ - Fulacunda, Bissau, Nova Lamego Bedanda, Maio de 1961/ Maio de 1963, de seu nome completo Renato Jorge Cardoso Matias Freire), os seguintes oficiais reformados do exército português, que ainda náo conseguimos identificar:

  • generais Hugo dos Santos, António Rodrigues Areia, Adelino Coelho e António Caetano;
  • coronéis João Soares, Costa Martinho e Maurício Silva, entre tantos outros; capitão José Manuel Carreto Curto, ex-cap inf, CCAÇ 153 (Fulacunda, 1961/63) era "do curso um ano mais velho do que o meu" (diz o George Freire). (Faleceu em 18/11/2018, com ten gen ref.

O oficial que está ao centro, de óculos, seria o 2ª comandante da Escola do Exército na altura. O George Freire só indica as iniciais do seu nome (M.A.),

Por outro lado, o cadete que está na 3ª posição (só se vè a cabeça), do lado direito, parece-nos ser o meu antigo cap inf, comandante da CCAÇ 2590/CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, Junho de 1969/março de 1971), Carlos Alberto Machado de Brito (cap Carlos Brito)

Falei há tempos com ele, estava num lar de professores, em Braga, sentia-se muito bem, em boa forma. Acabo de tomar conhecimento, pelo Facebook, da triste notícia da sua morte,  em 4 de dezembro de 2025. Tinha 93 anos, nasceu em 1932. Vou fazer uma nota de pesar. Era cor inf ref, e foi tambénm comandante da GNR. Era uma pessoa afável. Estive c0m ele no primeiro encontro  do pessoal de Bambadinca (1968/71), em Fão, Esposende, em 1994.

Foto (e legendagem): © George Freire (2008). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Acabámos de receber notícias do nosso grão-tabanqueiro, o ex-cap inf Renato Jorge Cardoso Matias Freire; está registado na Tabanca Grande, desde 28/12/2008 como Jorge (George) Freire, a viver nos EUA (*). Foi cap inf, CCAÇ 153 e 4.ª CCAÇ (Fulacunda, Nova Lamego e Bedanda, 1961/63)


Mensagem enviada através do Formulário de Contacto do Blogger:


Data - 22 jan 2026, 02:16

Ainda estou aqui de boa saúde para os meus 92 anos de idade. Vendemos a nossa casa e mudámo-nos para um apartamento numa organização para retiro chamado "Lakeview Retirement" em Colúmbia, Carolina do Sul. Estamos felizes e sem problemas de maior.

Cumprimentos,
George Freire | gfreire@att.net



2. Por curiosidade fomos ver se ainda mantinha o seu blogue... Lá está, é incrível, sempre ativo, proativo, produtivo, saudável!...Um grande exemplo para todos nós. Parabéns, George!


Há 17 anos eu tinha escrito sobre o George Freire:

(...) Com 76 anos, está reformado, foi empresário na área da engenharia. Vive em Chapin, South Carolina, Estados Unidos... Vem frequentemente a Portugal. Gosta de conviver e de viajar, do golfe, da pesca e da vela. Tem um blogue relacionado com a informática e aelectrónica: http://whatisyourquestionblog.blogspot.com/

Título do blogue: "COMPUTER AND ELECTRONICS WORLD SHARING AND LOTS OF OTHER GOOD STUFF NOT RELATED TO COMPUTERS"...

É um homem do seu tempo que se descreve-se a si próprio como "a retired engineer deeply interested and involved in the solving of problems and frustrations of the computer and electronics world that surround us all" (...).

Eis que o que escreveu ainda ontem, no seu velho blogue (tradução de LG):

(...) Estou de volta e dou as boas vindas aos novos e antigos visitantes do nosso blog

Quanto tempo! Eu sei, já se passaram anos. Envelheci e cheguei aos 92 anos, mas continuo muito envolvido no mundo dos truques de informática para lidar com falhas, evitá-las e melhorar a segurança operacional dos computadores. São novos tempos, diferentes do passado, mas nós (a maioria de nós) ainda usamos o Windows 11.

Agora, estou ansioso para ajudar as pessoas e discutir qualquer assunto sobre computadores e computação. Você tem perguntas? Qualquer pergunta? Por favor, voltem e vamos recomeçar o Blog do zero.

Meus melhores cumprimentos a todos vocês que costumavam nos visitar no passado. Ainda estou aqui, com 92 anos, mas com boa saúde de corpo e mente.

George Freire Postado por George Freire às 20h58 | 0 comentários (...)



3. Resposta de hoje do editor LG:

George, camarada:

Ficamos felizes por saber de ti e da tua esposa, Edite. Está feita a prova de vida (**). O Virgínio Briote, que andou na Academia Militar, no princípio da década de 60 (é do curso de 1962 e depois saiu, tendo sido no CTIG alferes comando em 1965/67) faz hoje anos e foi quem te apresentou à Tabanca Grande em 29/12/2008: ele é nosso coeditor jubilado, e vai ficar muito contente por ter notícias tuas. Sei que durante algum os dois corresponderam-se.

Vou dar conhecimento das tuas boas novas também ao João Crisóstomo, que vive em Nova Iorque desde 1977, e é o "régulo" da Tabanca da Diáspora Lusófona. Ele assumiu a "obrigação" de reunir no nosso "redil" todas as "ovelhinhas" tresmalhadas dos "tugas" que andaram na "verde-rubra" Guiné entre 1961 e 1974 e que hoje vivem no Novo Mundo (e em especial na terra do Tio Sam). Vou-lhe pedir que te contacte, por telemóvel, para te dar de viva voz o abraço da malta toda. Vou-te mandar aqui os contactos dele. Um alfabravo fraterno do Luís Graça.

PS - Temos bastantes "bedandenses" (4ª CCAÇ / CCAÇ 6) na Tabanca Grande... Vou-lhes dar conhecimento. Quem já faleceu, infelizmente, em 2024, foi o Aurélio Manuel Trindade (tenente general inf, reformado) que era de 1933 (como tu, e possivelmente do mesmo curso de infantaria na Escola do Exército). Foi o último comandante da 4ª CCAÇ (Bedanda, 1965/67) e o 1º da CCAÇ 6.

O cor iinf ref Mário Arada Pinheiro também é do teu tempo. É igualmente nosso grão-tabanqueiro.

3. Recordamos aqui, para os nossos leitores, e em especial para os nossos leitores "bedandenses" a lista (dedse 1961) dos comandantes da 4ª CCAÇ (que deu origem depois, em 1967, à CCAÇ 6):

Cap Inf Manuel Dias Freixo
Cap Inf António Ferreira Rodrigues Areia
Cap Inf António Lopes Figueiredo
Cap Inf Renato Jorge Cardoso Matias Freire
Cap Inf Nelson João dos Santos
Cap Mil Inf João Henriques de Almeida
Cap Inf Alcides José Sacramento Marques
Cap Inf João José Louro Rodrigues de Passos
Cap Inf António Feliciano Mota da Câmara Soares Tavares
Cap Inf Aurélio Manuel Trindade

(Revisão / fixação de texto, itálicos, negritos: LG)
_________________________

Notas do editor LG:


(...) A companhia (CCAÇ 153) de que originalmente fiz parte quando partimos para a Guiné, no dia 26 de Maio de 1961, foi criada em Vila Real de Trás-os-Montes, onde eu ainda tenente, segundo comandante e o capitão Curtoo, comandante, (do curso um ano mais velho do que o meu), passámos semanas a organizar a companhia.

De Vila Real todo o pessoal viajou para Lisboa de comboio e passados talvez uma ou duas semanas, partimos de avião, (dois aviões transportes da FA), do aeroporto de Lisboa para Bissau, onde chegámos no mesmo dia ao anoitecer (...)

De Bissau, onde passámos a noite, seguimos logo para Fulacunda, onde permaneci à volta de dois meses, após os quais chegou a minha promoção a capitão.

De Fulacunda fui transferido para Bissau para comandar uma companhia de nativos (4ª CCAÇ) e render o capitão Helder Reis. Passei 4 ou 5 meses em Bissau, daí para o Gabu (outros 6 meses) e daí para Bedanda onde passei o resto da minha comissão.

Voltei para Portugal e fui novamente colocado na Academia Militar, (nesse tempo ainda chamada Escola do Exército), onde tinha sido instrutor desde 1957 até à minha ida para a Guiné.

Durante os anos de 1958 até 1961, tive a oportunidade de trabalhar (nas horas livres) com um tio direito, que tinha uma firma de serviços de engenharia e caldeiras industriais. Durante as férias de verão todos esses anos viajei aos EUA duas ou três semanas para ajudar o meu tio em assuntos relativos aos seus negócios com duas companhias no estada da Pensilvânia.

Quando voltei da Guiné, uma dessas companhias ofereceu-me uma posição, (com o título de gerente de operações internacionais), e com uma remuneração muito difícil de recusar.

Nos fins de Agosto pedi a minha demissão e parti com a minha família, (mulher e duas filhas de 3 e 2 anos), para os EUA onde me encontro faz este ano 45 anos. Desde então tirei um curso de engenharia mecânica, trabalhei para outras duas companhias e, em 1989, formei a minha própria companhia de consultaria de projectos relacionados com energia de gás, co-geração, etc.

Em 2001 parei de trabalhar full time, e estou basicamente reformado. Felizmente de boa saúde, vou a Portugal todos os anos onde me encontro com um bom grupo de antigos camaradas de curso e família. Tenho 3 filhas, a mais nova nasceu aqui, embora todas casadas, somente tenho um neto e uma neta da filha mais velha. A filha do meio e a mais nova não têm descendentes.

Comecei há pouco um Blog dedicado a ajudar amigos e quem quer que o siga, sobre problemas de computadores:

http://whatisyourquestionblog.blogspot.com/ (...)

sábado, 20 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27551 A nossa guerra em números (48): é provável que em média um soldado gastasse, mensalmente, só em cerveja, até 1/3 do pré; e, quando não tinha "patacão", bebia fiado...


Guiné > Região de Tombali > Cachil > CCAÇ 557 (1963/65) > 1964 > Uma pausa nos trabalhos ciclópicos de construção do famoso "Forte Apache" (perímetro defenbsivo feito por troncos de  cibes)... Num dos piores lugares do inferno verde e vermelho que foi, para muitos de nós, a Guiné... Mas hoje seria uma fantástica imagem de publicidade a uma marca de cerveja (que por sinal não seria a Sagres mas a Cristal). Fotograma  de vídeo, do álbum do José Colaço (ex-soldado trms,  CCAÇ 557, Cachil, Bissau e Bafatá, 1963/65).

Foto (e legenda): © José Colaço (2011). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

 

Guiné > Notas 100  escudos (ou "pesos") Banco emissor: BNU - Banco Nacional Ultramarino (1971). Efígie: Nuno Tristão. No câmbio e no comércio, em relação ao escudo da metrópole, emitido pelo Banco de Portugal, havia uma quebra de 10%... Ou seja: 100 "pesos" (escudos do BNU) só valiam 90 escudos (do Banco de Portugal)... Recorde-se que o BNU foi criado em 1864 como Banco Emissor para as ex-colónias portuguesas (tendo também exercido funções de banco de fomento e comercial no país e no estrangeiro; vd. aqui a sua história).

Uma nota destas, em 1969, dava para pagar à lavadeira, diz o nosso editor LG,  ou comprar uma garrafa de uísque do bom... Na cantina do Zé Soldado, rm Bambadinca, dava para comprar,  cerca de 14 cervejas de 0,33 l. 

Foto: © Sousa de Castro (2005). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Quanto é que um soldado bebia de cerveja,  em média, por mês ?   É  arriscado calcular médias.  Porque nem toda a gente bebia (e muito menos cerveja).

O nosso 1º cabo cond auto  José Claudino Silva, da 3ª CART /BART 6250/72 (Fulacunda, 1972/74) dá-nos algumas pistas: promovido pelo 1º sargento a cabo dos reabastecimentos, compete-lhe controlar o "stock" de bebidas e não deixar o pessoal morrer de sede... 

 Estamos na companhia dos "Serrotes", a que pertenciam também os nossos camaradas Jorge Pinto e Armando Oliveira.

Escassos meses depois da chegada (em finais de junho de 1972), "os serrotes de Fulacunda" (sic)  passam, em outubro, a consumir  ( ou, com mais rigor, a requisitar,  em média, 12 mil cervejas por mês, em vez das 10 mil) (*). Era bom ter alguns "excedentes" no armazém, para o caso do mundo acabar...

Pelo menos era esse o "stock" mensal. Já lhe pedi para confirmar esses números, distinguindo entre existências e compras/consumos.

 Admitindo que houvesse, no máximo,  cerca 200 militares  em Fulacunda (1 companhia de quadrícula + 1 Pel Art), um consumo médio de 12 mil cervejas, dava 2 cervejas por dia  por cada militar, o que não é muito. ( Não sabemos a proporção de cervejas de 0,33 l e de "bazucas",. de0,. 66 l.)

Também não temos termos de comparação com outros sítios da Guiné, com mais facilidades de reabastecimento (por ex., Bambadinca, por onde se abastecia todo a Zona Leste,as regiões de Bafatá e Gabu, que iam do Xime a Buruntuma).

A cerveja no meu tempo (Bambadinca, 1969/71) era a 3$50,e a "bazuca a 6$00. As duas marcas eram a Sagres e a Cristal, em garrafa de 33 cl (a "bazuca", a 0, 66 l). Acho que também já havia a enlatada, mais cara (mas já não tenho a certeza: as bebidas enlatadas eram a coca-cola e outros refrigerantes, que vinham da África do Sul, supono, juntamente com as fritads em calda).

De qualquer modo, modo lá se ia 1/5 a 1/3 do pré de um soldado (que era 900$00, enquanto um 1º cabo ganhava 1200$00).

Estamos a falar de uma média estatística (que é sempre enganadora): 

  • 2 a 3 cervejas por dia, em média,  é perfeitamente aceitável, se considerarmos as condições (de clima e de guerra) que enfrentávamos na Guiné;
  • temos, por outro lado, que considerar o número (desconhecido) dos abstémios... e o consumo de outras bebidas (coca-cola, uísque, vinho...);
  • provavelmente não se bebia mais cerveja porque o "patacão" não chegava, nem muito menos havia capacidade de frio (que melhora,apesar de tudo,  no tempo do gen Spínola);
  • como muitos de nós diziam, "a cerveja quente sabia a mijo"...

Já agora reproduz-se  aqui, de novo,   um interessante documento que é o  "Rol das despesas mensais de um soldado". Permite-nos  reconstituir, de certo modo, o quotidiano e o padrão de consumo de um soldado-tipo. Não temos  a certeza se a situação se reportava à Guiné ou outro TO (Angola ou Moçambique). Para o caso, também não interessa muito. De qualquer modo diz respeito a março de 1973.

Encontrámos esta informação numa nota de despesa, fotografada, que consta de um livro de que é primeiro autor o nosso saudoso grão-tabanqueiro Renato Monteiro (1946-2021), ex-fur mil art (CART 2479 / CART 11, Contuboel, Nova Lamego e Piche, 1969; e CART 2520, Xime e Enxalé, 1969/70).

Despesa de 3 [março]/1973:

  • Cerveja > 54 x 6$00 = 324$00 [=54 x 0,66 l= 35, 6 litros]
  • Cerveja > 24 x 4$00 = 92$00 [= 24 x 0,33 l= 7,92 litros]
  • Floid (sic) = 55$00
  • Pasta p/ dentes = 18$00
  • 1 frasco de cola = 30$00
  • 1 bloco de escrever = 15$00
  • 1 lata de fruta = 11$00
  • 1 garrafa de Porto = 55$00
  • Sabão = 7$00
  • Selos = 30$00
  • Envelopes = 8$00
  • Fotos = 44$00
  • Carne patoscada (sic) = 77$00
  • Vagaço (sic) = 14$00
  • 1 lata de leite = 8$00
  • Subtotal = 788$00
  • FIO (sic) = 750$00
  • Despesa total = 1538$00

1/4/1973
Assinatura ilegível


[ Fonte: Monteiro, R.; Farinha, L. - Guerra colonial: fotobiografia. Lisboa: Círculo de Leitores / D. Quixote. 1990, p. 223.]








Excertos do capítulo IV (Quotidiano do soldado, pp. 193-259) do livro  de Monteiro, R.; Farinha, L. - Guerra colonial: fotobiografia. Lisboa: Círculo de Leitores / D. Quixote. 1990, p. 223.] 


Legenda da foto de cima, com o militar a um canto no bar: 

"Bar de Sargentos e Oficiais, Nova Lamego, Guiné-Bidsau: sujeito  a grandes períodos de isolamento no mato ou nos aquartelamentos avançados das zonas de combate, o militar encontra nas pastuscadas e no consumo, por vezes imoderado, de bebidas alcoólicas, uma compensação para o esgotamento psicológico e moral. Nesses consumos dissipa o grosso do seu pré melhorado, que começa a auferir assim que  inicia a sua condição de 'mobilizado' ". 

Repare-se que a decoração da parede do fundo, do bar,  ainda é a do fur mil op esp Pechincha, que foi camarada do Renato Monteiro, do Valdemar Queiroz e do Abílio Duarte, em 1969, em Nova Lamego  na  CART 2479 / CART 11, os "Lacraus".

A legenda da foto com a lista das despesas diz apenas isto: "Rol de despesas mensais de um soldado" )(sic). Pela data do documento (1/4/1973) já não é do tempo do Renato Monteiro.

2. Repare-se que numa despesa mensal de 788$00 (equivalente hoje a 164, 26 euros) já nada restava do pré do soldado do Ultramar, uma parte do qual era de resto depositado na Metrópole.  Era um militar que comprava a fiado. E o cantineiro devia ser nortenho, que trocava os "bês" pelos "vês"...

Do total do consumo mensal (788$00), 52.8% ia para a cerveja! Em todo o caso, estes valores tem que ser vistos como um "outlier"; este militar, "soldado" (sic), chegaria ao fim da comissão  completamente endividado. 

Convertidos em litros,  o consumo de cerveja daria c.  de 43,5 litros por mês, 1,5 litros por dia... Se este fosse o "comportamento típico" do nosso Zé Soldado, o consumo anual de cerveja devia ultrapassar os 300 litros "per capita", admitindo-se  que na época das chuvas se bebia menos...(Parece-nos um valor exagerado.)

Havia dois tipos de garrafa: a de 0,66 litros (a chamada bazuca, na Guiné) e a de 0,33 l. 

Em 1973, o preço era, respetivamente, 4$00 e 6$00 (0,83 euros e 1, 25 euros, respetivamente, a preços atuais). Terá aumentado a cerveja de 0,33 l (de 3$50 para 4$00). Admitimos que o preço da cerveja se tenha mantido relativamente estável, ao longoi da guerra, por vezes razões "psicossociaias"...

Parece-nos mais razoável apontar para, no máximo, um 1/3 o valor da despesa em cerveja,  tendo em conta os consumos em junho de 1970 em Nova Sintra  (***).

3. Já agora, vamos rever os preços de alguns bens de consumo, na época, bem como outros valores de referência (vencimentos, por exemplo) (**).

2.1. O Sousa de Castro diz-nos que no seu tempo (1972/74) "não era muito diferente: os preços que se praticavam, eram mais ou menos os mesmos" [que em  1969/71]...

  • eu como 1º cabo radiotelegrafista ganhava 1.500$00, sendo 1.200$00 por ser 1º cabo e mais 300$00, de prémio de especialidade" [tudo somado, 1500$00 em 1973, era o equivalente, a preços de hoje,  a 312,67 €];
  • por lavar a roupa, como cabo pagava 60 pesos [em 1973][=12, 51 euros ]

Em 1969, diz o nosso editor LG:

  • recordo-me que os soldados da minha CCAÇ 12 (que eram praças de 2ª classe, oriundos do recrutamento local), recebiam de pré 600 pesos/mês [=181, 92 €];
  • além de mais uma diária de 24$50 [=7,43€] por serem desarranchados. 600 pesos deviam dar para comprar uma saca de arroz de 100 kg ( o arroz irá passar de 6 escudos o quilo para 14 em 1974, com a inflação)...

2.2. Elementos fornecidos por outros camaradas (**):

José Casimiro de Carvalho:

  • 100 pesos dava para comprar uma garrafa de Old Parr (em 1972/74);
  • como furriel, o Carvalho ganhava por mês entre 5400$00 e 6240$00 (isto já em 1974).

Humberto Reis:

Dos produtos que ele mais consumia, entre 69 e 71, referei:
  • 1 maço de SG Filtro: 2,5 pesos (sempre que saía para o mato, levava 3 a 4 maços para 2 dias);
  • 1 garrafa de whisky novo (J. Walker Juanito Camiñante de 5 anos, rótulo vermelho, JB): 48,50 pesos;
  • Idem, de 12 anos, J. Walker rótulo preto;
  •  Dimple e  Anti query: 98,50
  • Idem, de 15 anos, Monkhs e kOld Parr: 103,50
  • um uísque, no bar da messe de sargentos, eram 2,50 pesos sem água de sifão e com água eram 3,00 pesos;
  • o uísque era mais barato que a cervejola : 2$50, simples, contra 3$00 ou 3$50, além de que dava direito, o uísque,  a gelo;
  • as cervejas nunca estavam suficientemente geladas pois os frigoríficos da messe, a petróleo, não tinham poder de resposta para a quantidade de pedidos.
  • quanto à lerpa, ou ramim, uma noite boa, ou má, poderia dar, em média,  200 a 300 pesos para a lerpa e 50 a 100 para o ramim.
Luís Graça:
  • para uma família africana 100 pesos era muito dinheiro;
  • para a maior parte dos nossos militares, era muito dinheiro;
  • uma lavadeira em Bambadinca devia receber, nesse tempo (1969/71) 100 pesos por mês (era quanto ele pagava à sua)...(Elas tinham diferentes preçários, conforme a hierarquia militar; e tinham mais do que um cliente).
Com a inflação provocada pela guerra (era tudo importado!), houve uma progressiva degradação dos preços...e dos rendimentos. O problema agrava-se a partir de finais de  1973, com a chamada crise petrolífera...

Recorde-se que em 1973 os países árabes organizados na OPEP aumentaram o preço do petróleo em mais de 400% como forma de protesto pelo apoio norte-americano a Israel durante a Guerra do Yom Kippur... A nossa economia foi muito afetada...E a inflação disparou, pondo seriamente em risco a capacidade do país para poder continuar a financiar a guerra.

4. O melhor termo de comparação em relação a preçário, existências e compras de bebidas alcoólicas nas cantinas, é com Nova Sintra, ao tempo da CCAV 2483, e do nosso querido amigo e camarada,  ex-fur mil SAM Aníbal José da Silva.

Recorde-se m junho de 1970, a companhia (160 homens)  consumiu 7,8 mil garrafas de cerveja de 0,33 l , o que dava dava cerca de 2,6 mil  litros (uma média de 16 litros "per capital"... num só mês, meio litro por mês, perfeitamente aceitável, naquelas circunstâncias: um aquartelamento isolado, sem população, com reabastecimento apenas mensal)...

Claro que nem todos bebiam (cerveja ou outras bebidas alcoólicas). Mas seria raro aquele que só bebia água da torneira: na Guiné era intragável...
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22 de abril de 2010 > Guiné 63/74 - P6212: O 6º aniversário do nosso blogue (12): Cem pesos ? Manga de patacão, pessoal! ( Luís Graça / Humberto Reis / A. Marques Lopes / Afonso Sousa / Jorge Santos / Luís Carvalhido / Sousa de Castro)

(***) Último poste da série > 6 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27499: A nossa guerra em números (47): mais de 2/3 do consumo, do valor de vendas em junho de 1970 (n=89 contos), na cantina, da CCAV 2483, em Nova Sintra, foi em álcool e tabaco (Aníbal Silva / Luís Graça)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27498: Notas de leitura (1871): Uma publicação guineense de consulta obrigatória: O Boletim da Associação Comercial, Industrial e Agrícola da Guiné (3) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 14 de Outubro de 2025:

Queridos amigos,
Como se pode verificar, este Boletim Associativo espelha muito mais do que a conjuntura socioeconómica da Guiné na transição dos anos de 1950 para 1960. A Associação dá-se bem com a política do Governador Peixoto Correia e sente-se apoiada. Há aqui um dado estranho que vale a pena salientar: embandeirou-se em arco com a criação de uma Companhia de Alumínio da Guiné em Angola e anunciou-se formalmente que um potentado petrolífero norte-americano vinha fazer explorações à Guiné, escreveu-se mesmo dizendo que havia o risco de aparecer uma inflação enorme; o país vive ainda em condicionamento industrial de modo que foi possível pedir-se para não vir açúcar a não ser o das nossas refinarias, de modo a garantir a produção local de mel. Vemos também que na leitura destes boletins vamos apanhando alguns dados da vida interna, caso das atividades desportivas ou a diminuição da construção civil, que tiveram o seu furacão nos governos de Sarmento Rodrigues e nas obras concluídas pelo governador seguinte, Raimundo Serrão. O Boletim interrompe-se nos primeiros meses de 1961, a explicação dada pelo presidente foram as agitações, não explica quais. E quando o Boletim reabre, o assunto que parece ser mais interessante é o novo franco da Guiné-Conacri.

Um abraço do
Mário



Uma publicação guineense de consulta obrigatória:
O Boletim da Associação Comercial, Industrial e Agrícola da Guiné – 3


Mário Beja Santos

O ano de 1960 revela a direção da Associação Comercial bastante interveniente, conforme se pode ler no Boletim, onde aparecem apontamentos históricos sobre a Guiné, indicadores populacionais, o funcionamento dos serviços de Justiça, mostra-se imagem do Centro de Assistência Materno-Infantil de Bissau, noticia-se o trabalho da Missão Permanente de Estudo e Combate da Doença do Sono e de outras Endemias; também são referidos os serviços da Marinha, a missão Geoidrográfica, os serviços de obras públicas, dão-se informações sobre os impostos, apresenta-se o Centro de Estudos da Guiné Portuguesa, como se começa a falar na EFTA, a que o Governo português pretende aderir.

Como se referiu anteriormente, a correspondência da Associação para o Governador, mesmo para o Governo em Lisboa, e as diferentes repartições da Guiné merecem publicação no Boletim. Logo no primeiro de 1960, transcreve-se do discurso do presidente da Associação na Assembleia Geral de 18 de dezembro do ano anterior o que lhes disse Fernando dos Santos Correia:
“Fizemos várias diligências em exposições submetidas a Sua Excelência o Governador, no sentido de serem colocados no interior, pelos serviços públicos, muitas mais britadeiras de coconote, no que temos sido atendidos. Acompanhámos e apoiámos uma representação do comércio de Bafatá e Nova Lamego, a qual veio pedir ao Governo para não autorizar importações de açúcar extra-continente, tendo obtido do nosso Governador um pronto apoio e deferimento da pretensão. Todos se devem recordar que sem isso estaria em sério risco a produção local de mel. Têm sido muito numerosas as diligencias da direção junto das nossas Autoridades para impedir que os chamados Djilas tragam mercadorias dos territórios vizinhos, passados em contrabando, em grande e nociva concorrência com o nosso comércio.”


Ficamos igualmente a saber o que é a vida desportiva da Guiné, quem a compõe: Associação de Futebol da Guiné, Associação Provincial dos Restantes Desportos, Comissão Provincial de Árbitros, União Desportiva Internacional de Bissau, Clube Desportivo e Recreativo de Farim, Sporting Clube de Bissau, Sporting Clube de Bafatá, Sport Bolama e Benfica, Sport Bissau e Benfica, Clube de Futebol Os Balantas, Atlético Clube de Bissorã, Futebol Clube de Tombali, Futebol Clube Teixeira Pinto, Nuno Tristão Futebol Clube (Bula), Ténis Clube de Bissau.

Também se dá notícia das conferências que se vão celebrando e parece-me pertinente o extrato da conferência do Dr. Pio Coelho da Mendonça que tinha como título Algumas Considerações sobre Comercialização de Produtos Agrícolas:
“A actividade económica da Província desdobra-se em comércio interno e comércio externo. No referente a este último, reflete-se quase exclusivamente na exportação de oleaginosas, pois, num total de 200.259 contos, em 1958, couberam-lhes 171.394 contos, repartindo-se 61.436 contos para o coconote, 106.897 contos para a mancarra e 3.059 contos para o óleo de palma, o que quer dizer que é da ordem dos 64,27% a cota da mancarra, e 23,42% a cota do coconote.
Em 1959, num total exportado 198.609 contos, distribuíram-se 175.680 contos pelas oleaginosas, isto é, 128.000 contos para a mancarra, 44.780 contos para o coconote e 2.889 contos para o óleo de palma. Os restantes 22.929 contos repartiram-se pelas madeiras, arroz, couros e outros.


Como se vê, a exportação da agricultura é representada principalmente pela mancarra, o coconote e o óleo de palma. A exportação é, pois, constituída por um número relativamente reduzido de produtos: aqueles três já referidos e ainda o arroz, a madeira, os couros, etc. A importação, comparada com a exportação mostra-nos que os nossos produtos de exportação são de classificação primária e em muito menor número e menor variedade. Estão, por isso, mais na contingência das flutuações do mercado externo: bastará qualquer perturbação na procura para que, recusados certos destes produtos, o rendimento da Província se ressinta. E todos estes produtos não entram na categoria de bens essenciais à economia dos mercados externos de compradores.”

Mais adiante o orador revela confiança no futuro:
“A Guiné tem óptimas condições para uma larga cultura de laranjas e daqui pensar-se na sua exportação; a Província tem especialidades para uma cultura extensiva e intensiva de frutas e de legumes, por forma a constituir-se um forte circuito comercial interno que nos liberte das dificuldades em que nos debatemos. Há que buscar novas riquezas, há que estruturar a economia do território em bases sólidas em que intervenham a terra, o capital e o esforço humano de todos.”


O ano não foi próspero. Basta ler o que o presidente da Associação disse na intervenção que pronunciou na Assembleia Geral de 29 de janeiro de 1961: “O ano de 1960 foi, infelizmente, dos que têm deixado pior recordação às atividades económicas da Guiné. Uma enorme quebra nas produções de mancarra e de arroz, e a paralisação das exportações de coconote, têm acrescido e agravado com a quase ausência de trabalhos de construção civil, provocaram a crise que atravessamos e ainda estamos vivendo, com todo o cortejo de graves consequências.”
Aguardando a hora da consulta no Centro de Assistência Materno-infantil de Bissau
Ídolo do fanado – Bijagós
Um painel decorativo da autoria do pintor J. Escada
Painel decorativo com motivos de actividades indígenas
Painel decorativo simbolizando as ilhas dos Bijagós

Estas três imagens referem-se à participação do pintor José Escada, que alguém no Boletim da Associação Comercial apelidou de moço cheio de talento. O edifício da Associação Comercial Industrial e Agrícola foi um projeto do arquiteto Ferreira Chaves, executado pelo engenheiro Arnaldo Mariano e o arquiteto Luís Possolo planeou e decorou a sede.

(continua)

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Notas do editor:

Vd. post de 28 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27473: Notas de leitura (1868): Uma publicação guineense de consulta obrigatória: O Boletim da Associação Comercial, Industrial e Agrícola da Guiné (2) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 1 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27483: Notas de leitura (1870): "Os Descobrimentos no Imaginário Juvenil (1850-1950)"; edição da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses; 2000 (2) (Mário Beja Santos)

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 – P27485: (Ex)citações (442): Com a lonjura do tempo a corroer-se… Da Guiné para outros palcos (José Saúde)

1. O nosso Camarada José Saúde, ex-Fur Mil OpEsp/RANGER da CCS do BART 6523/73 (Nova Lamego, Gabu) - 1973/74, enviou-nos a seguinte mensagem. 

Com a lonjura do tempo a corroer-se…

Da Guiné para outros palcos

Camaradas, 

Recordar é viver, diz o povo sábio. Para trás ficaram ondas de lembranças que ainda hoje fazem parte de prateleiras já corroídas por prazos, mas que pairam nas nossas mentes. Na Guiné assistimos aos mais despropositados conteúdos. O tempo, porém, passou. Cada um de nós fizemos as nossas vidas. Mas, mal daqueles que voltaram empacotados em caixotes de madeira, ou de outros que chegaram estropiados, ou ainda aqueles que hoje sofrem com stress prós traumático da guerra.

Cada um de nós, que regressámos são e salvos, vivemos as nossas vidas. Eu, dediquei-me ao jornalismo e a deixar memórias escritas, ou narradas, em vários órgãos de comunicação social, ou ainda em vários livros já publicados. Vivo em Beja, terra de adoção, mas nasci em Aldeia Nova de São Bento. Dado o meu percurso, logicamente da escrita, e claro que não só, o meu trabalho tem sido merecedor de excelentes reparados de entidades oficiais.

Recentemente, fui, uma vez mais, homenageado pela Câmara Municipal de Beja. Aqui vos deixo parte de uma longa noite e o preciso momento em que entoou na sala o nome do vosso camarada, coisa que para mim foi uma surpresa. Ao lado uma fotografia com as minhas filhas e netos. 

Vídeo em: 

https://1drv.ms/v/c/0a0c91c0ef58db80/EYa36n7c1dFCs5dHoi984sEBCS5O90qwWL31Chj4wx0haQ

Abraços,
José Saúde,
Fur Mil OpEsp/RANGER da CCS do BART 6523 
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domingo, 21 de setembro de 2025

Guiné 61/74 – P27239: (Ex)citações (438): Noite de petisco: cabrito assado no forno (José Saúde, ex-fur mil op esp / ranger, CCS / BART 6523, Nova Lamego, 1973/74)

 




Nova Lamego >c. 1973/74 >Noite de petisco: cabrito assado no forno > Os furriéis Godinho, o Santos, um camarada de Coimbra, o outro Santos, o Rui Álvares e eu. 

Foto de José Saúde (2025)





1. O nosso Camarada José Saúde, ex-Fur Mil OpEsp/RANGER da CCS do BART 6523 (Nova Lamego, Gabu) - 1973/74, enviou-nos a seguinte mensagem.



Noite de petisco Cabrito assado no forno: momentos inesquecíveis


por José Saúde


Camaradas,

A linha do tempo vai, vagarosamente, alimentando uma infinidade de prazeres onde a nossa juvenilidade proporcionava um mar de gigantescas emoções aquando da comissão militar por terras da Guiné. Eramos jovens, com as mentes a enviarem-nos para sensatos sonhos, mas para muitos dos nossos camaradas esses mundos dos sonhos quedaram-se em maquiavélicas crueldades que a guerrilha proporcionava.

Porém, existiram momentos inesquecíveis que nos embalavam para uma imensidão de alegrias quando a hora passava pelo refrescar as gargantas e alimentar estômagos já fatigados de refeições servidos em “pratos de loiças cuja criação tinha a marca de Bordalo Pinheiro e de talheres prateados”. Claro que estes utensílios que aqui menciono, entre ásperas, são meras ficções, dado que o nosso 2º sargento Martins, o homem que orientava a nossa messe, servia a rapaziada com pompa e circunstância, quer na qualidade de refeições, quer no conjunto de vasilhames que colocava nas mesas. O sargento Martins, um homem de Elvas, fazia jus em colocar-nos na mesa bons repastos, atendendo à circunstância então deparada. O pessoal não reclamava e toca a encher o “bandulho”.

Hoje, recorrendo às muitas fotografias que armazenei, lá vou puxando pelas imagens que arrumo, com paixão, no meu baú, recordando, com saudade, os tempos em que a nossa camaradagem se fixava num elo comum onde amizade obviamente proliferava.

Sabemos, pois é irreversível, que um dia viajaremos para uma outra plenitude, mas dessa antiga expedição, forçada, transportaremos connosco vivências que o tempo jamais ousará apagar. Guiné, sim a Guiné, aquela terra vermelha por nós calcorreada, foi palco das mais dispares crueldades. Mas, por outro lado, fica a razão que aqui vos deixo, sobrando o afirmar que o petisco fora feito pelos cozinheiros do rancho geral.

Estava divinal! O jovem animal foi comprado na tabanca e não recordo quantos pesos terá custado. O banquete teve lugar na cantina dos soldados e assado no forno com o saber do mestre padeiro da unidade. O rapaz nunca se refutou a pedidos desta estirpe. Estava sempre disponível! A sua presença no repasto assumia-se como imprescindível e o seu trabalho reconhecido.

Uma mesa comprida, bancos alongados, uns sentados, outros em pé e com a inevitável presença das velhas sagres, a rapaziada comeu e bebeu que se fartou registando-se cenas hilariantes durante o beberete. O Santos, com um sorriso fechado, assemelhava-se a um emigrante desconhecido que parecia não entender o motivo da festança. O seu pensamento levava-o, talvez, a meditar num levantamento de uma mina anticarro que poderia, eventualmente, ser o seu próximo destino. O Rui, vagomestre da Companhia, mostrava os seus dotes de comediante. O ranger Rui, ao meu lado, desfazia-se com as brincadeiras. O Godinho, em frente, ria que nem um doido. Eu, já toldado, apontava a cara do homem de Coimbra e ele presenteava-me com caretas que faziam rir todo o grupo em período de dar ao dente.

A noite de petisco - cabrito assado no forno com batatas - foi sobejamente regada. Uma festança que conheceu outros capítulos. A guerra naquela noitada foi outra: comida e bebida que chegou, sobrou e regalou os jovens combatentes.

Aquele pessoal da cantina dos soldados era formidável. Um pedido nosso – furriéis – era logo timbrado com um profundo SIM. 

Ao sair da guerra do comestível, e já um pouco desequilibrado com excesso de álcool, cai num buraco feito à entrada da cantina que, não obstante o seu aviso de alerta, me deixou sequelas numa perna.

Aquilo a que chamávamos buraco era um abrigo feito propositadamente por antigos camaradas que por ali tinham passado e que se abrigavam dos ataques noturnos do IN. Um símbolo que a rapaziada fazia jus em preservar. O local era conhecido, mas naquela noite surpreendeu-me. Fui arrastado pelo devaneio de umas cervejas a mais e de um inoportuno ziguezaguear que me levou a calcorrear por um trilho referenciado, mas atempadamente esquecido.

Sobrou a maravilhosa noite de convívio de homens que viviam em pleno palco de guerra!

Abraços, camaradas

José Saúde

Fur Mil OpEsp/RANGER, CCS / BART 6523

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Nota de M.R.: 

Vd. último poste desta série em: 

30 de agosto de 2025 > Guiné 61/74 – P27169: (Ex)citações (437): Por aí, ouvindo, vendo, lendo, analisando e concluindo. (José Saúde)

sábado, 30 de agosto de 2025

Guiné 61/74 – P27169: (Ex)citações (437): Por aí, ouvindo, vendo, lendo, analisando e concluindo. (José Saúde)


1. O nosso Camarada José Saúde, ex-Fur Mil OpEsp/RANGER da CCS do BART 6523 (Nova Lamego, Gabu) - 1973/74, enviou-nos a seguinte mensagem.


Por aí, ouvindo, vendo, lendo, analisando e concluindo

Camaradas,

Não fomos, com o devido respeito para com todos os camaradas, combatentes que desafiávamos a temperatura do ar condicionado, ou onde a “calma” das esferográficas e das velhas máquinas de escrever que ditavam narrativas para os superiores hierárquicos, lá longe, analisarem, concluírem e decidirem. Não fomos, por isso, semidivindades de uma guerra onde a luta pela sobrevivência se circunscrevia na velha expressão: “matar para não morrer”. Fomos, somente, rapazes, melhor, miúdos que desfiávamos o imprevisto do momento seguinte pelo interior de um denso mato. Cada um de nós tem as suas histórias, ou estórias para contar. Tudo ficou, como é evidente, registado em memórias que ainda hoje mexem connosco. Importa não menosprezar opiniões de camaradas que contam as suas realidades, mas nunca alicerçando em depoimentos de outros que, numa posição de autodefesa, “estraçalham mato” e partem para as mais vituperas e vácuas apreciações.

Neste contexto, revejo factualidades por nós conhecidas nos três palcos de guerra; vendo histórias de gentes africanas que ao longo das suas vidas se confrontaram com diversos problemas impostos por etnias que os olhavam de esgueira; lendo sobre modos de vida de sementes que por lá deixámos e como alguns eram, e são, vistos pelo meio comunitário onde convivem; analisando o sofrimento daqueles cujos espermatozoides que fecundaram um óvulo de uma jovem e geraram um ser humano; analisando a forma como, passados muitos anos, é possível constatar uma inequívoca veracidade que todos, ou quase todos, conhecemos, ou seja, o sexo em tempos de guerra; concluindo, afinal pelo mais invulgar e decrépito lugar por onde passámos lá ficaram as marcas que, entretanto, ousámos desvendar, tendo em conta a minha força moral que me incutiu trazer à estampa veracidades que tendiam ficar amorfas numa prateleira onde o bicho da madeira cria um casulo onde os segredos tombariam em saco roto.

Do efeito desta conversa espadaúda, ficam as avestruzes que enterram a cabeça na areia e quebro a veracidade de um silêncio que fora verdadeiramente real.

A propósito, retirei, com a devida vénia, do texto escrito pelo camarada Zé Teixeira, em humor da caserna, que a “Maria tira di brancu”, acrescentando o seguinte: “Houve cenas engraçadas com a Maria-tira-cabaço. Um camarada e amigo, encabaçado, tinha vontade e… inexperiência, vergonha, medo, falta de jeito, etc. Este foi, meteu a cunha e gozou… de borla. O outro pagou a dobrar, isso de tirar cabaço a branco tinha de ser bem pago”.

Obrigado, Zé, pois, com coragem e brio, tocas num tema tabu, mas literalmente verdadeiro. Acho que não deves levar a mal este meu atrevimento, mas achei o texto deveras interessante, daí que me deu vontade em ir buscar um outro por mim já levantado: Sexo na guerra. Tabu? Abraço, Zé Teixeira,

Camaradas, reconheço que o tema não é de nada generoso, mas é real. Deixo um dos muitos textos que fica narrado no meu livro – “UM RANGER NA GUERRA COLONIAL GUINÉ-BISSAU 1973/1974”. Editado pela Colibri, Lisboa.


Sexo na guerra
Tabu?

Indolente, obesa e com um falar melodioso a mulher grande impunha respeito à plebe que por norma a rodeava. A sua tabanca, simples e despida de preconceitos, situava-se entre o quartel novo onde estava instalada a CCS do BART 6523 e Nova Lamego. Um passeio noturno da rapaziada levava o pessoal a uma visita espontânea a casa da mulher grande.

Noites que procediam ao recebimento do fresco pré eram, normalmente, sinais evidentes para uma emboscada dos soldados à porta da idosa senhora.

É do conhecimento geral, e não vamos escamotear a inequívoca verdade porque se sabe que o contraditório de opiniões existentes obedece a uma vénia e profunda reflexão, que o sexo foi sempre uma evidente prática comum entre os seres viventes.

Desde os primórdios da humanidade que o ato se pratica em toda a sua extensão. Refere a Bíblia, património universal da Religião Cristã, que já Adão e Eva assumiram o sexo, ainda que virtualmente escondido, mas que no momento de calor e compaixão uniram os seus órgãos genitais e consumaram uma relação sexual.

Neste contexto, importa assumir o ato com frontalidade e não optar pela surdez, procurando o eventual pecador espontâneo imitar a velha avestruz num austero deserto australiano, isto é, esconder a cabeça na areia para passar em seguida como um ser imaculado. Nos tempos de guerra, está provado cientificamente, que são propícios a encontros amorosos. A guerra do ex-Ultramar não passou incólume a desvarios praticados e não assumidos.

A Guiné não foi um caso à parte. Em Nova Lamego, independentemente de encontros amorosos sob um silêncio colossal, havia quem fizesse render as aventuras de jovens em plena ascensão sexual a troco de patacão. Os pesos (escudos) na Guiné eram bênçãos divinas. Na minha conceção, embora discutível, admito que o ato sexual praticado pela mulher não passava exclusivamente por uma mera venda do corpo, mas pela maneira mais prática, e simples, em realizar uns magros pesos para sustentar inadiáveis compromissos familiares.

Negócio? Isso eram ajustes de gentes feitas com o sistema. A mulher grande que eu conheci em Gabu tratava o assunto com uma ligeireza perversa. “Arranjava” bajudas e a malta despejava os seus espermatozóides em vaginas dilaceradas pelos muitos serviços prestados. Consequências? Tudo era tabu! Há quem se refugie numa mítica opção tentando a todo o custo tapar o sol com uma peneira.

Tímidos e envergonhados afirmavam que voltaram virgens. As mãos arrogaram-se às brincadeiras das crianças. Parafraseando um velho político, já falecido, num momento áureo da Revolução de Abril, dizia ele para o camarada ao lado: “Olhe que não!”

Não constringiremos cenas passadas. Verídicas! Assumo que não fui imaculado. Hoje, tal como sempre, dou a cara. Deixo em prosa uma etapa da vida que não me passou ao lado. Pratiquei atos sexuais, sim senhor, como tantos outros camaradas de armas.

Afirmo, com segurança, que numa noite quente eu e um outro camarada, furriel miliciano da minha Companhia, ousámos desafiar a escuridão da tabanca e fomos parar junto a um casal de idosos que gentilmente nos recebeu propondo-nos, de seguida, uma visita à casa do lado, onde uma bajuda, feita a favores sexuais, nos recebeu.

Discutimos o valor, acertámos o custo final e, isoladamente, lá fomos fazer o respetivo serviço. Depois de pagarmos, e no meio de uma franca cavaqueira, apareceu-nos a bajuda, aquela que tinha saciado os nossos eternos anseios carnais, com uma deficiência descomunal numa das pernas. Infelizmente era coxa.

Ressalve-se, porém, que a rapariga era de facto bonita, mas a contingência da vida carimbou-a com um enorme defeito físico. Olhámos um para o outro e em mansinho comentámos: “A nossa amante foi mesmo esta bajuda? Muito bem, o serviço está feito e nada a comentar”, ficou a experiência.

Chegados ao quartel, como era hábito, tomámos um aprazível banho com água barrenta e introduzimos na uretra do pénis uma milagrosa pomada que, ao que tudo indicava, queimava o mais atrevido intruso verme que procurava poiso numa outra superfície humana desconhecida.

Numa outra noite e com a luz ténue de uma candeia à meia haste, fui ter com a mulher grande e perguntei-lhe se por acaso havia bajuda nova, a mulher, experimentada nestas andanças e com um olhar vazio, olhou-me de alto a baixo e atitou-me com esta: “ei furrie você é comando… manga di mau”.

Sinceramente não me apercebi da sua ligeireza ao detetar no camuflado os dísticos que sempre transportava na farda. Acalmei-a e disse que era na verdade ranger, não comando, mas mau… nunca. Coloquei em solene a minha forma de ser e a cordialidade que sempre marcou a minha amizade para com o próximo. A conversa prolongou-se e num repente a mulher grande brindou-me com o meu desejo. Ficou a certeza de que outros se seguiram.

De outros encontros pseudo amorosos ressalta também uma visita ao bairro do Pilão, em Bissau. Vagueando entre a imprevisibilidade de estreitas ruelas de tabancas nada iluminadas, algumas completamente às escuras, acompanhado de um velho amigo, desafiámos o imprevisto e fomos ao encontro dos nossos desejos sexuais. Confesso que chegámos a temer a aventura. Passavam por nós homens negros, altos, de túnicas compridas, enfim, silhuetas que em determinada altura nos levou a duvidar da fartura. Cumprimentávamos e eles, simpaticamente, respondiam. Tudo ok, comentámos.

O Pilão era um bairro dos subúrbios de Bissau onde a malta da metrópole por norma não passeava. A noite tinha um cunho arrojado. A palavra passava de boca em boca e os tropas arrepiavam caminho.

Todavia, decidimos desafiar essa perigosidade e encontrei uma jovem mulher e de corpo descomunal, a quem me entreguei por alguns momentos de delírio. Paguei e aventura terminou aí. Nunca mais a vi!

Concluindo: porquê escamotear verdades de jovens entregues a elementares gostos sexuais procurando, nalguns casos, tentar passar isento a constrangimentos entretanto criados? Tabu? Ou consequências lógicas dos nossos verdes anos?

Resenha final: assumamos, porque Deus fez o homem e a mulher e projetou os dois seres com um fim comum, amar e procriar.

Abraços, camaradas
José Saúde
Fur Mil OpEsp/RANGER da CCS do BART 6523

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Nota de M.R.:

Vd. último poste desta série em: 

13 de julho de 2025 > Guiné 61/74 - P27014: (Ex)citações (436): "Filhos de Tuga"... e o caso do meu mano, meu amigo, meu herói, militar de carreira, falecido em 2021 (Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69; Vila do Conde)