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sábado, 3 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28397: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XLIII: Porto Gole, na margem direita do rio Geba (3)





Foto nº 1, 1A, 1B, 1C




Foto nº 2, 2A, 2



Foto nº 3A, 3

Guiné > Região do Oio > Sector 04 (Mansoa) > Porto Gole >  CART 2411 > c. 1969


Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI)]

Legendas:


Foto nº 1> Quem seria este nosso camarada, trajando à civil, fotografado pelo capelão junto à praia fluvial" de Porto Gole ? Alguém conhecido do padre José Torres Neves ? Da sua terra, Penamacor, ou do até do seminário (pouco provável, o padre José Torres Neves devaria ser 10 anos mais velho) ... Setria um alferes ou furriel miliciano, ou um simples soldado, o sacristão que o ajudava a dizer a missa quando ia a Porto Gole ?... A legenda original é lacónica e ambígua. Só diz: "Porto Gole Geba Manso" (sic)...Provavelmente é Mansao (onde estava a CCS/BCAÇ 2885,a que pertencia o capelão). Mas poderá ser alguém com o apelido "Manso"... Talvez o nosso camarada Ernestino Caniço possa esclarecer...


Foto nº 2 > Praia fluvial de Porto Gole, margem direita do rio Geba (Largo)...Não sabempos de são "djubis" da povoação (balanta) ou se são militares, guineenses, do Pel Caç Nat 54.


Foto nº 3 > Monumento ao explorador português , Diogo Gomes Parente, também referido como Diogo Gomes de Sintra ou muito simnplesmente Diogo Gomes (c.1420– c. 1502) (teria vivido mais de 80 anos!), que aqui chegou em 1456 e estbeleceu boas relações com a população local...Aqui começa a história da Guiné-Bissau de hoje...É bom que os portugueses e guineenses saibam um pouco mais da sua história comum. E não façam leituras apressadas e enviesadas, heroicas ou miserabilistas, do seu passado... , fEste nosso antepassado foi um navegador e explorador do século XV, da casa do Infante Dom Henrique, conhecido pela exploração do arquipélago de Cabo Verde, do estuário do rio Gâmbia, e do estuário do rio Geba.

Vè-se, na foto, que há um troço de estrada que vai do quartel ao cais; antes do rio Geba, havia uma bolanha onde os habitantes locais cultivavam arroz. Ao fundo, a mais de 7 km de distância, vê-se a outra margem do rio Geba, a península de Gampará e, mais à esquerda, fica a Foz do rio Corubal, uma zona que ficou fora do controlo das NT até tarde (1972).

Este conhecido monumento em homenagem do Diogo Gomes foi inaugurado em 1946, no âmbito do "V Centenário do Descobrimento da Guiné", sendo governador-geral Sarmento Rodrigues...



1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do alferes graduado capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pertenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) (*)

Hoje missionário da Concordata, reformado (e j´+a na casa dos noventa nos), José Torres Neves é natural de Penamacor (a terra também do nosso atual Presidente da República, António José Seguro).

O espólio fotográfico do José Torres Nerves tem estado à guarda do seu e nosso amigo e camarada Ernestino Caniço (ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, Bissau, Fev 1970/Dez 1971; hoje, médico, foi diretor do Hospital de Tomar, 6 anos, de 1990 a 1996, e diretor clínico cumulativamente 3 anos, de 1994 a 1996, vivendo então em Abrantes; hoje vive em Tomar).


Como sugerem as fotos sobre Porto Gole, esta visita do capelão deve ter sido feita em julho / agosto de 1969, quando se faz na Guiné o plantio do arroz (a recolha é em novembro, dezembro, janeiro); em Porto Gole estava então a CART 2411 que foi rendida em 5 de março de 1970 pela CCAÇ 2587 / BCAÇ 2885, mas tamném o Pel Caç Nat 54 e 1 pelotãso (-) da CCAÇ 2589.

O nosso capelão deve ter-se deslocado de avioneta, de Mansoa até Porto Gole. Estamos em época das chuvas. Visitou Bissá, indo até lá de sintexm como veremos em próximo poste...

2. Em 1 de julho de 1969, o dispositivo das NT no Sector 04 (Oeste 4) (Mansoa) era o seguinte: 

Comando de Agrupamento Operacional
Comando - Zona Oeste Teixeira Pinto

(...) BCAÇ 2885
Comando - Sector 04 Mansoa
CArt 2411 (-) Porto Gole
- 2 Pel (-) Bissá
- 1 Pel Enxalé
CCaç 2587 (-) : Mansoa
- 1 PeI Bindiro
- 1 Pel Enxalé
- 1 PeI (-) Rossum
- 1 Pel (-) Jugudul
- 2 Sec Ponte Uaque
CCaç 2588 Mansoa
CCaç 2589 (-) Mansoa
- 1 Pel (+) Infandre
- 1 Pel Porto Gole
- 1 Pel Enxalé
- 1 Pel (-) Ponte rio Braia
Pel Nat Caç 54 Porto Gole
Pel Nat Caç 57 Cutia
Pel Nat Caç 62 Ponte rio Braia
Pel Mort 2004 (-) Mansoa
- 1 Esq" Cutia
- 1 Sec e Esq" Sector do COP 6
11º Pel Art (8,8 cm) Mansoa
2 Esq" do Pel Rec Daimler 2048 Mansoa
CMilI7
- Pel 155 Mansoa
- Pel 156 Mansoa

Fonte: Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 6.º volume: Actividade  Operacionals. Tomo I, Livro II, Guiné. Lisboa: 2015, pp.,
4514/415
__________________

Nota do editor LG:


quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28388: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XLII: Porto Gole, na margem direita do rio Geba (2)






Foto nº 1A, 1B e 1 > Capela de Porto Gole. Não   sabemos ainda por quem foi construída.







Foto nº 2A, 2B, 2C e 2 >  Monumento ao explorador português , Diogo Gomes Parente, que aqui chegou em 1456...Há um troço de estrada que vai do quartel ao cais; antes do rio Geba, há uma bolanha onde os habitantes locais cultivam arroz. Ao fundo, a mais de 7 km de distância, vê-se a outra margem do rio Geba, a península de Gampará e, mais à esquerda, fica a Foz do rio Corubal, uma zona que ficou fora do controlo das NT até tarde (1972).


Diogo Gomes (c. 1402-1420? – c. 1502), também referido como Diogo Gomes de Sintra, foi um navegador e explorador português do século XV, da casa do Infante Dom Henrique,  mais conhecido pela exploração do estuário do rio Gâmbia e sua alegação de ter descoberto a ilha de Santiago, Cabo Verde, e de ter chegado até ao estuário do rio Geba.



Foto nº 3 > O monumento visto pelo lado do rio. Foi mandado erigir em 1946, ao tempo do governador Sarmento Rodrigues, no àmbito das comemorações do V Centenário da chegada dos navegadores portugueses e das suas caravelas ao atual território da Guiné (Senegâmbia, no  passado)


Guiné > Carta de Fulacunda (1955) > Escala de 1/50 mil > Posição relativa de Porto Gole, rio Geba, península de Gampará e foz do Rio Corubal. Quinhentos anos antes, o Diogo Gomes andou por aqui a estabelecer os primeiros contactos com os "guinéus". 


Infografia:  Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)


Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI)]


1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do alferes graduado capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pertenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71).


Hoje missionário da Concordata, reformado e nonagenário, José Torres Neves é natural de Penamacor.

O seu espólio fotográfico  tem estado à guarda do seu e nosso amigo e camarada Ernestino Caniço (ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, Bissau, Fev 1970/Dez 1971; hoje, médico, foi diretor do Hospital de Tomar, 6 anos, de 1990 a 1996, e diretor clínico cumulativamente 3 anos, de 1994 a 1996, vivendo então em Abrantes; hoje vive em Tomar).

Com este publicamos o poste nº 42 (em numeração romana, XLII). Já devemos ter publicado perto de 3 centenas de imagens, obtidas a partir do álbum do nosso amigo e camarada, antigo capelão.

Tratando-se de "slides" digitalizados, as fotos em geral têm boa qualidade e resolução, permitindo-nos fazer "recortes de detalhes", como é o caso da presentes fotos (melhoradas, entretanto,  com recurso à IA).

Graças à paixão do padre José Torres Neves pela fotografia e ao seu amor pela Guiné e a sua gente, temos no nosso blogue uma documentação de excecional valor sobre o sector O4 (Oeste 4) (Mansoa) ao tempo do BCAÇ 2885 (1969/71).

Esta visita do capelão a Porto Gole (e também a Bissá) foi feita ainda  no tempo da CART 2411. 

Em 07nov68, rendendo a CART 1661, a CART 2411 assumiu a responsabilidade do subsector de Porto Gole, com destacamentos em Bissá e Enxalé (este até à sua passagem para a zona de acção do BCaç 2852, sector L1, Bambadinca, em 290ut69) e ficando integrada no dispositivo e manobra do BCAÇ  1912 e depois do BCAÇ 2885; foi rendida em 5 de março de 1970 pela CCAÇ 2587 / BCAÇ 2885. 

 O nosso capelão reve deslocou-se  de avioneta (ou heli) de Mansoa até Porto Gole. Visitou Bissá, indo até lá de sintex (!)... 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28385: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XLI: Porto Gole, na margem direita do rio Geba (1)


Foto nº 1 e 1A > Vista aérea de Porto Gole, e da sua pista de aviação (!), à direita, com a bolanha ao fundo



Foto nº 2 e 2A > Porto Gole >  Quartel, pau da bandeira e monumento ao pessaol da CART 1611 (1066/68) (a que pertenceu o nosso camarada Abel Rei). O edifício ocupado pelas NT era a antuga casa do chefe de posto mais o celeiro local. Como aconteceu em muitas outras povoaçóes.  Com o início da guerra, e sobretudo a partir de 1963, a adminisytração civil ficou desarticulada...





Foto nº  3  e 3A > Quartel ao tempo da CART 2411 (Porto Gole, Bissá e Enxalé, 1968/70). Antiga casa do chefe de posto.


Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI)] 




Guiné-Bissau > Região do Oio > Porto Gole > s/d > E tudo o vento dfa História levou... Foto muito posterior à independència... As antigas instalações (casa do chefe de posto + celeiro, depois quartel das NT) em estado de completa ruina. A casa estava virada para o  rio (que se vê ao fundo). Imagem restaurada pela IA (ChatGPT / OpenAI), a partir de fotos de Patrício Ribeoiro (2019) e de Mário Beja Santos (s/d).



O antigo alferes graduado
capelão José Torres Neves

1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do alferes graduado capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pertenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71). 

Hoje missionário da Concordata, reformado e nonagenário, José Torres Neves é natural de Penamacor,
a terra também do nosso atual Presidente da República, 
António José Seguro e de figuras históricas como o Sanches Ribeiro, o maior médico portuguès do séc. XVIII e uma das grandes referèncias do Iluminismo europeu.

O espólio fotográfico do José Torres Nerves tem estado à guarda do seu e  nosso amigo e camarada Ernestino Caniço (ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, Bissau, Fev 1970/Dez 1971; hoje, médico, foi diretor do Hospital de Tomar, 6 anos, de 1990 a 1996, e diretor clínico cumulativamente 3 anos, de 1994 a 1996, vivendo então em Abrantes; hoje vive em Tomar).
 

Excerto de foto
 do Abel Rei (2002)

Com este publicamos o poste nº 41 (em numeração romana, XLI). Já devemos ter publicado perto de 3 centenas de imagens, obtidas a partir do álbum do nosso amigo e camarada, antigo capelão. 

Tratando-se de "slides" digitalizados, as fotos em geral têm boa qualidade e resolução, permitindo-nos fazer "recortes de detalhes", como é o caso da presentes fotos  (melhoradas com recurso à IA).

Graças à paixão do padre José Torres Neves pela fotografia e ao seu amor pela Guiné e a sua gente, temos no nosso blogue uma documentação de excecional valor sobre o sector O4 )Peste 4) (Mansoa) ao tempo do BCAÇ 2885 (1969/71).

Nas fotos nºs 2 e 3 vê-se o monumento aos bravos da CART 1661 (enão aos "mortos"), que aqui estiveram em 1967/68. (A IA não conseguiu reproduzir com fidelidade a inscrição no monumento; também não se pode exigir que... adivinhe, quando a resolução das fotos é baixa; compare-se  a leitura da IA com a inscrição ao lado:  "Para testemunho de fé e de trabalho  do povo balanta (?)"... Hilariante!..

Esta visita do capelão deve ter sido feita em julho / agosto de 1969, quando se faz na Guiné o plantio do arroz (a recolha é em novembro, dezembro, janeiro); em Porto Gole estava então a CART 2411 que foi rendida em 5 de março de 1970 pela CCAÇ 2587 / BCAÇ 2885.  Deve ter-se deslocado de avioneta, de Mansoa até Porto Gole (foto nº 1). Visitou Bissá, indo até lá de sintex (!)...O nosso capelão não era homem para "capinar sentado", como se diz no Brasil. Foi a todos os sítios onde havia gente que  precisava dos seus cuidados espirituais.



Excerto da foto original do
José Torres Neves (2026)
Em 07nov68, rendendo a CART 1661,  a  CART 2411 assumiu a responsabilidade do subsector de Porto Gole, com destacamentos em Bissá e Enxalé (este até à suapassagem para a zona de acção do BCaç 2852,sector L1, Bambadinca,  em 290ut69) e ficando integrada no dispositivo e manobra do BCAÇ 1912 e depois do BCAÇ 2885.

O João Crisóstomo (que pertenceu à CCAÇ 1439, 1965/67) vai ficar feliz ao rever o Porto Gole do seu tempo... E o Abel Rei também. (Temos mais fotos.)

Guiné 61/74 - P28384: Tabanca da Diáspora Lusófona (45): O regúlo que chega à terra dos seus antepassados Crisóstomos & Crispins para passar o outono /outubro connosco...



Foto nº 2


Foto nº 2

Guiné > Região do Óio > Porto Gole > CCAÇ 1439 (1965-67) > s/d > O alf mil João Crisóstomo  e o capitão de 2.ª linha Abna Na Onça. A foto nº 2, original, é a preto e branco, e faz parte do álbum João Crisóstomo, ex-alf mil at inf, CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67). Restauro, melhoria técnica e colorização digital: ChatGPT/OpenAI, 2026.   Na colorização procurou-se, tanto quanto possível, respeitar as características das fardas da época: João Cristóvão surge com a farda de trabalho n.º 3, de sarja, mais para o branco sujo. Abna Na Onça com farda camuflada verde.  A foto nº 1 é uma montagem também com recurso à IA (ChatGPT/OpenAI), a partir de uma foto do padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) (de um lote de fotos sobre Porto Gole, a publicar dentro de dias)  e da foto nº 2, original, do João Crisóstomo (2019).



Guiné > Carta de Fulacunda (1955) > Escala 1/50 mil > Pormenor: posição relativa de Porto Gole e Bissá, e de outras povoações na margem direita do rio Geba, algumas abandonadas com a guerra.

Segundo o nosso camarada Abel de Jesus Carreira Rei, autor do livro "Entre o Paraíso e o Inferno: De Fá a Bissá: Memórias da Guiné, 1967/1968" (Prefácio do ten gen Júlio Faria de Oliveira, edição de autor, 2002, 171 pp. Execução gráfica: Tipografia Lousanense, Lousã), a ocupação de Bissá pelas NT remontava a 7 de abril de 1967. 

Passaria a ser um destacamento, guarnecido por um pelotão (-) da CART 1661 e uma companhia (-) da Polícia Administrativa de Porto Gole, comandandada pelo valente capitão de 2ª linha, e régulo balanta, Abna Na Onça.  

Uma semana depois, na noite de 14 para 15 de abril de 1967, um ataque do PAIGC a Bissá, de duas horas,  faria sete mortos e cinco feridos. Entre os mortos, contou-se o Abna Na Onça.  Na sequência deste desastre, o destacamento foi (temporariamente) abandonado e depois reocupado pelas NT.

Infografia; Blogue Luís Graça & Canmaradas da Guiné (2019) 

 1. É uma pequena homenagem ao nosso amigo e camarada, luso-americano, João Crisóstomo, que acabou de chegar este fim de semana de Nova Iorque, terra onde vive há meio século: como muitos outros  camaradas nossos, depois da "peluda" (em 1967), correu mundo à procura de melhores condições de vida. Acabou por ir parar à Terra do Tio Sam, onde nasceram os seus dois filhos. Em 2013 casou, em segundas núpcias, com  s nossa amiga,  a esloveno-americana Vilma Kracun, que também se senta à sombra do nosso poilão.

O João é uma figura conhecida de (e estimada por)  todos nós. Vem regularmente a Portugal. É o régulo, "por decreto", da Tabanca da Diáspora Lusófona.

Recentemente, mandou-me um mail a que, indecentemente, ainda não respondi. Estive fora do "escritório", mais de 3 semanas (no Norte, nas vindimas).

Resumo do mail: (i) o João propõe almoço de aniversário do Manuel Resende a 10 de outubro, sábado, no restaurante Caravela de Ouro; e (ii) solicita envio de cartas físicas ao Primeiro-Ministro de Portugal protestando contra o projeto de exploração mineira em Peniche.

Ele não conseguiu chegar a tempo de participar, como tencionava, no último almoço-convívio da Tabanca da Linha no passado dia 24 de setembro. Quer, entretanto, tirar o máximo partido da sua estadia em Portugal. Tem já uma agenda cheia. Vamos a ver como conseguiremos compaginá-la com a nossa e a de outros camaradas e amigos.

Data - 06/09/2026, 09:23

Assuntos - Dois assuntos : um deles , um "SOS"! Paremos a "mina de desgraças" em Portugal!


(...) "Quando já tinha comprado os bilhetes de viagem e tudo o mais, recebi instruções para estar livre durante a semana da Assembleia Geral das Nações Unidas para poder encontrar-me com um dos participantes que quer falar comigo.´

Só poderei ir nos últimos dias de setembro, e vou estar aí o mês de outubro. Mas não quero deixar de fazer coisas importantes como o de me encontrar com os familiares e amigos que estiverem ao meu alcance durante o mês de outubro.

Como o Manuel Resende, régulo da Tabanca da Linha, faz anos no dia 10 de outubro, um sábado, eu gostava de o ver nesse dia e pergunto-me se seria possível convidar quem  estiver disponível... Podíamo-nos encontrar então nesse dia para almoçar no mesmo restaurante, o Caravela de Ouro, onde ele organiza os convívios da Tabanca da Linha. Para simplificar cada um pede o que quiser do menu normal da casa e cada um paga por si… Que achas ? Diz algo sim? (...)"


Por outro lado, o João  não deixou, em Queens, Nova Iorque, as suas "armas de ativista social"... Onde há um "boa causa", direta ou indiretamente relacionada com a sua terra natal, e a terra dos seus antepassados Crisóstomos &  Cripins, que até Torres Vedras, Oeste, Estremadura, Portugal, ele aí está, inquieto e pronto para inquietar-nos e mobilizar-nos para a ação.

(...) "Segundo: muito importante, sobre essa malfadada mina de desgraças que estão a pensar explorar em Portugal. E logo pertinho de nós, no Oeste … Essa... Não!
´
Aqui vai o que estou a fazer e a enviar a todos a quem posso chegar. Neste caso os meus camaradas da Guiné, na esperança de que cada Tabanca participe, e cada régulo envie uma carta (real de papel, com selo, pelo correio normal), e   cada carta com várias assinaturas, ao nosso Primeiro Ministro (...)

Segue, no mail,  a minuta, que depois divulgaremos, por mail, se for caso disso: temos de fazer o ponto da situação e concertar estratégias, além de discutir se essa petição pública tem cabimento no blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, tendo em conta as nossas regras editoriais.

Para já saúdo, em meu nome pessoal e da Alice,  bem como de toda a Tabanca Grande, a chegada do João e da Vilma, que entretanto espero  poder abraçar e com eles "partir mantenhas"  dentro de  dias na Lourinhã, que é uma extensão da sua terra natal.

 Welcome to Portugal, John and Vilma!

(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)
_____________________

Nota do editor LG:

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Guiné 61/74 - P27269: O início da guerra (Armando Fonseca, ex-sold cond, Pel Rec Fox 42, mai 62 / jul 64) - Parte I: aquele terrível mês de setembro de 1963



Portugal > s/l> s/d >  "Soldados prontos para o embarque... mas não para a guerra"...


Guiné > s/l > s/d > Pel Rec Fox 42 (196264) > O  "Alenquer" é o primeiro da esquerda... Comendo uma "bucha", no mato...


Guiné > s/l > s/d > Pel Rec Fox 42 (196264) > O  "Alenquer" é o primeiro da direita. Uma pausa junto à Fox para comer...



Armando Fonseca, ex-sold cond cav, Pel Rec Fox 42, Bissau, Mansoa, Porto Gole, Buba, Bedanda, Guileje e Aldeia Formosa, 1962/64; também conhecido como o "Alenquer", integra a nossa Tabanca Grande desde 22 de setembro de 2010; tem cerca de 20 referências no nosso blogue. Julgamos que nasceu em 1941. Natural de Alenquer, vive na Amadora desde 1965, depois do regresso à "peluda". É autor da série "O Alenquer retoma o contacto" (de que se publicaram 7 postes, em 2012).
 

Fotos (e legendas): © Armando Fonseca (2012). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


I. O Armando Fonseca (conhecido como o "Alenquer"), ex-soldado cond cav,  Pel Rec Fox 42 (1962/64), foi dos primeiros militares de cavalaria a chegar à Guiné, quando  "oficialmente" ainda não havia guerra, diz a CECA...

 As suas impressões desses primeiros tempos (que vão de maio de 1962 a julho de 1964) são um testemunho precioso.  São anos que ainda não estão bem documentados no nosso blogue (e nos livros da CECA)... 

Com a sua Fox, ele  percorreu boa parte do CTIG, funcionando como uma espécie de 112, as ordens do Comando Milita,  em Bissau.. 

Vamos recuperar e reconstituir, por ordem cronológica, parte dos seus apontamentos já publicados.


 O início da guerra  (Armando Fonseca,  ex-sold cond, Pel Rec Fox 42,  mai 62 / jul 64) 

Parte I:  aquele terrível  mês de setembro de 1963



1. Chegado a Bissau a 28 de maio de 1962 no N/M António Carlos, não cito aqui os arrepios da partida visto que todos nós vivemos esse suplício, o navio fundeou ao largo e fui transportado para terra numa lancha, onde nos esperavam GMC para transporte até ao Quartel General onde fiquei instalado.

As camas e as respectivas roupas ainda não tinham sido desembarcadas. Dormi as primeiras noites numa cama de campanha apenas com uma manta para me defender dos mosquitos mas com o calor intenso que se fazia sentir, ou se morria de calor ou se era comido pelos mosquitos.

No terceiro dia lá apareceu a cama e a roupa, e a promessa de mosquiteiro que nunca chegou a aparecer, se quis evitar de ser comido pelos bichos tive que ir comprar tecido e mandar fazer um mosquiteiro num alfaiate da cidade.


2. O Pel Rec Fox 42  levava como missão reforçar a defesa da cidade, incluindo o aeroporto, e então o meu primeiro serviço foi exactamente piquete ao aeroporto. Fazia 24 horas de serviço dia sim dia não, garantindo a segurança das partidas e chegadas dos aviões, quer fossem civis ou militares.

Antes das aterragens ou dos levantamentos lá ia passar revista a toda a pista observando se havia algo de anormal e só depois os aviões entravam na pista.

Às vezes no dia aparecia outro biscate para fazer,  inclusive atender a algumas escaramuças que apareciam na cidade, visto que, àquela data,  o comando do PAIGC era nos arredores da cidade, no Pilão, que se situava entre esta e o Quartel General (em Santa Luzia).

Permaneci assim,ais de um ano,  até aos finais de agosto de 1963, altura em que fui sorteado para ser deslocado com a guarnição do meu carro para Mansoa, porque o BCAÇ  512 que aí se encontrava e tinha distribuídas companhias em Mansabá e em Bissorã, as quais tinha que abastecer: já estava com graves problemas nas deslocações das suas colunas e então pediu o reforço de um carro de cavalaria para acompanhar essas colunas.


3. Cheguei então a Mansoa em 28 de agosto e comecei de imediato a fazer escoltas: quase todos os dias saía para Mansabá ou Bissorã, e quando assim não era, havia que escoltar pessoal que se deslocava para a capinagem das bermas das estradas  ao longo desses percursos.

Na madrugada do dia 3 de setembro chegou ao quartel a notícia de que Porto Gole tinha sido atacado e lá fomos pelas seis da manhã escoltar um pelotão da CCAÇ  413 para ver o que se tinha passado.

 Ao chegarmos encontrámos um cenário desolador, haviam:

  • cinco moranças totalmente queimadas,
  • dois cipaios mortos, 
  • tendo os guerrilheiros levado preso o chefe de posto e um colono branco (**)

Já não regressámos a Mansoa e no dia seguinte começou a ser erigido ali um aquartelamento visto que tinha deixado de haver a segurança, até aí feita pelo chefe de posto e pelos cipaios, e aquele era um ponto crucial para apoio aos barcos que pelo Geba se deslocavam de Bissau para o interior (Xime, Bambadinca, Bafatá)

Permaneci ali até haver condições para as tropas de caçadores terem um mínimo de segurança. Durante esse período a alimentação baseou-se quase sempre em bolachas e conservas, até haver condições para começar a matar uns carneiros e umas galinhas que por lá havia.


4. No dia 9 regressei a Mansoa, sendo retomada a rotina de escoltas e agora também a Porto Gole porque ninguém dava um passo sem que a autometralhadora não fosse à frente da coluna.

No dia 13 um pouco antes do almoço ouviu-se ao longe um rebentamento e passado algum tempo apareceram dois homens a informar que o rebentamento tinha sido na tabanca de Cutia e que havia lá feridos.

Seguimos para lá e deparámos com dois feridos graves:
  • um tinha um buraco na cabeça;
  • e o outro tinha uma perna e as duas mãos cortadas;
  • o primeiro foi levado para o hospital;
  • e o segundo, a família não deixou que o levassem, porque quiseram que ele morresse junto deles.

Em 22 fomos chamados para socorrer uma viatura civil e uma ambulância de transporte colectivo que estava a ser atacada entre Mansoa e Mansabá. Fomos lá e quando chegámos,  já o IN tinha abandonado o local levando todo o dinheiro e os géneros que seguiam nas viaturas.

A partir desta data, além das deslocações militares que chegavam a ser duas por dia, apareceram também as colunas civis que já não se deslocavam sem escolta militar.

No dia 24 saímos de Mansoa pelas cinco da manhã para ir tirar umas árvores que o IN tinha colocado na estrada que ligava Porto Gole a Enxalé e a deixara intransitável.  Ás oito horas com 44 árvores cortadas e retiradas, encontrámos uma companhia que vinha de Enxalé ao nosso encontro e que a cerca de um quilómetro tinha sofrido uma emboscada.  

Havia um pelotão com vários feridos ligeiros e um furriel com uma perna cortada, o qual, ao fim de cinco horas, sem o socorro que a situação exigia, veio a falecer.(***)

Além dos feridos havia ainda um "granadeiro",  atascado na bolanha que nos deu muito trabalho a retirar.

Quando regressámos a Porto Gole,  era já noite e apenas com o pequeno almoço das quatro da manhã no estômago; depois de comermos alguma coisa, regressámos a Mansoa que distava cerca de 27 quilómetros.

 (Continua)


(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, títulos: LG)
__________

(*) Vd. poste de 22 de Setembro de 2010 > Guiné 63/74 - P7023: Tabanca Grande (245): Armando Fonseca, ex-Soldado Condutor do Pel Rec Fox 42 (Guiné, 1962/64)


(**)  Este episódio, grave, não é referido pelo livro da CECA,  respeitante á  atividade operacional no CTIG no período de 1963/1966.


(***) Fur mil at inf José Inácio da Ascensão da Costa Pinheiro, CCAÇ 412, mobilizado pelo BCAÇ 10, Chaves; natural de Sousel:  morreu em 25 de setembro de 1963, em Porto Gole, na sequência de ferimentos em combate; está sepultado no cemitério da sua terra natal.
 

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Guiné 61/74 - P27204: (De)Caras (239): Cabos de Manobras (ou marinheiros CM), heróis esquecidos (José António Viegas, ex-fur mil art, Pel Caç Nat 54, Mansabá, Enxalé, Missirá, Porto Gole, Bolama, Ilha das Cobras e Ilha das Galinhas, 1966/68)



Foto nº 1 e 1A



Foto nº 2





Foto nº 3 e 3A




Foto nº 4 e 4A

Guiné > Região do Oio > Porto Gole > c. 1966/68

Fotos (e legendas): © José António Viegas (2021). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].



José António Viegas
1. Mensagem do José António Viegas, ex-fur mil art, Pel Caç Nat 54 (Mansabá, Enxalé, Missirá, Porto Gole, Bolama, Ilha das Cobras e Ilha das Galinhas, na altura, colónia penal, 1966/68); é membro da Tabanca Grande desde 6/11/2012; tem 65 referências no nosso blogue; vive em Faro; é um dos régulos da Tabanca do Algarve:

Data - 26/08/2025, 10:36

Assunto - Cabos Manobras

Caro Luis, pouco se fala destes homens, os Cabos Manobras, que pilotavam as LDM e LDP, em patrulhamento rio acima rio abaixo, fazendo patrulhas, levando mantimentos, trazendo os camaradas mortos...

De dois tenho conhecimento que morreram num ataque a navegar. Em Portugole onde aportavam várias vezes empatrulhamento e aí ficavam um  ou dois dias nos anos 67/68, deram uma grande ajuda num ataque ao aquartelamento com sua peça de 20mm.  

Um abraço, 
Zé Viegas


2. Comentário do editor LG:

Tens razão, Zé Viegas. São heróis esquecidos. Da nossa Marinha. Da nossa guerra. Vou criar o marcador "cabo de manobra". Na nomenclatura da Marinha, o cabo de manobra chama-se Marinheiro CM, se não erro. Nem sequer existia no nosso blogue esse descritor. Em contrapartida, temos bastantes referèncias às LDG, LDM e até LDP.

Quem eram estes hoemns da Marinha Portuguesa que, apenas com o posto de cabos, comandaram LDM e as LDP ? (*)

Eis o que apurei na Net através dos assistents de IA (Gemini e ChatGPT) e do nosso blogue;

(i) Papel crucial dos cabos de manobra nas Lanchas de Desembarque na Guerra da Guiné (1961-1974)

Durante a Guerra Colonial na Guiné Portuguesa, entre 1961 e 1974, as Lanchas de Desembarque Médias (LDM) e Pequenas (LDP) da Marinha de Guerra Portuguesa desempenharam um papel vital na logística, no transporte de tropas e em operações de combate nos intrincados rios e canais do território.

No seio das suas reduzidas tripulações, a figura do "cabo de manobras" (ou cabo era essencial, acumulando funções de marinharia, liderança e, frequentemente, de combate.


(ii) As múltiplas funções do cabo de manobras


O cabo de manobras (pou marin heiro CM) era um praça especializado da Marinha, com funções técnicas e de comando em pequenas embarcações..Apesar de serem militares de baixa patente, cumpriam a missão de patrão, isto é, eram quem efetivamente conduzia e comandava a LDM ou LDP na operação diária.

Eles assumiam tipicamente o papel de patrão (comandante) das Lanchas de Desembarque Médias (LDM) e das Lanchas de Desembarque Pequenas (LDP), sendo responsáveis pela navegação, segurança, disciplina e missão operacional das suas guarnições.

Os cabos de manobras eram marinheiros promovidos que acumulavam experiência náutica e exerciam funções de comando prático nas lanchas,

As suas responsabilidades a bordo das LDM e LDP eram vastas e críticas para a operacionalidade destas embarcações em ambiente de guerra. As suas principais funções incluíam:
  • Manobra da embarcação: eram responsáveis por todas as manobras de atracação, desatracação, reboque e fundeio; a sua perícia era fundamental para a aproximação a margens não preparadas, para o desembarque e embarque rápido de fuzileiros e material, por vezes vezes sob fogo inimigo;
  • Navegação e governo da Lancha: nas LDP e LDM, o cabo de manobras assumia a função de patrão da lancha, sendo o responsável direto pela sua condução e segurança, navegando por rios traiçoeiros, com correntes fortes e pouca profundidade, er sujeitos a minas e emboscadas (a partir das margens);
  • Manutenção do aparelho do navio: tinham a seu cargo a conservação de todo o material de convés, como cabos, guinchos, ferros e a rampa de desembarque, um elemento crucial destas embarcações;
  • Funções de combate: dada a natureza do conflito e as tripulações reduzidas, os cabos de manobras operavam também o armamento a bordo, como as metralhadoras, e participavam ativamente na defesa da embarcação durante emboscadas e confrontos diretos.

(iii) Tripulações e armamento das LDM e LDP


A composição das tripulações e o armamento variavam consoante a classe da lancha, mas caracterizavam-se por serem reduzidas e multifuncionais.


Tipo de Embarcação | Tripulação Típica | Armamento
  • DM (Lancha de Desembarque Média) | Cerca de 6 praças (frequentemente um cabo como patrão e marinheiros) | 1 peça Oerlikon de 20 mm e 2 metralhadoras MG 42;
  • LDP (Lancha de Desembarque Pequena) | Cerca de 4 a 6 praças (um cabo como patrão e marinheiros) | Variava, podendo incluir 1 peça de 20 mm e/ou metralhadoras ligeiras
Estas embarcações eram a espinha dorsal da Marinha na Guiné, a par das LGG e ad das LFG, , assegurando a mobilidade das tropas num teatro de operações anfíbio. As suas missões iam desde o patrulhamento e escolta de embarcações civis ao desembarque de fuzileiros em zonas de combate e ao reabastecimento logístico de aquartelamentos isolados.


(iv) Memórias de dois cabos de manobras mortos em combate

Apesar das dificuldades em encontrar registos centralizados e detalhados de todas as baixas por especialidade, a investigação documental, nomeadamente em publicações como a "Revista da Armada" e em arquivos de veteranos, permite identificar casos concretos de sacrifício.

Um exemplo documentado é o do Cabo M n.º 2404, Jorge António Pereira.

A 7 de agosto de 1973, na região de Tancroal, no rio Cacheu, a LDM 113 que comandava foi violentamente emboscada. Atingida por fogo de lança-granadas (RPG), a lancha sofreu danos significativos. O Cabo Jorge António Pereira, que atuava como patrão da embarcação, teve morte quase imediata em resultado do ataque.

A sua morte, e a de tantos outros marinheiros, testemunha a dureza e os perigos constantes enfrentados pelas guarnições destas lanchas, que, com bravura e competência, foram um pilar fundamental do esforço de guerra português no território da Guiné. O cabo de manobras, em particular, personificava a resiliência e a polivalência exigidas naquele complexo teatro de operações.

Há ainda o caso, anterior também no TO da Guiné,da LDM 302, que registou oito ataques graves durante a sua vida: os dois primeiros verificaram-se em 1964, sem consequências, ocorrendo nova flagelação em 1965, da qual resultaram 30 impactes no costado, não se registando baixas no seu pessoal, para o que muito contribuiu a resposta imediata e eficiente da sua guarnição; nesse ano foi atacada de novo por mais duas vezes, sendo na última feridos 10 militares de uma unidade do Exército embarcada na lancha.

No dia 16 de dezembro de 1967 foi atacada e afundada no rio Cacheu, incidente que ocasionou a morte do seu patrão, MAR M Domingos Lopes Medeiros, e do GRT A Manuel Santos Carvalho (foram ambos condecorados a título póstumo na cerimónia do 10 de Junho de 1968, com a medalha de Cruz de Guerra de 3ª classe).

Trazida à superfície, a LDM 302 foi reparada em Bissau, e posta de novo a navegar. Logo no primeiro cruzeiro, seis meses depois e no mesmo local onde tinha sido anteriormente atacada - Porto Coco, no rio Cacheu - foi de novo atingida com violência, o que teve como consequência a morte do GRT A António Manuel, e ferimentos noutra praça.

De novo reparada, a lancha já não voltou mais ao Cacheu, passando a actuar no rio Grande de Buba, onde mais uma vez sofreu em Fevereiro de 1969 novo ataque, que causaram três feridos. Seria abatida em 30 de Novembro de 1972.(**)

Existem algumas fotos históricas destas lanchas e das suas guarnições, mas imagens individualmente identificadas de cabos manobras são raras. Em blogues de veteranos, como o "Luís Graça & Camaradas da Guiné", é possível encontrar fotografias de LDM (ex: LDM 203, LDM 302) com tripulantes, embora sem identificação detalhada dos cabos manobras ao nível individual. E sobretudo no blogue "Reserva Naval", do nosso amigo e camarada Manuel Lema Santos ( https://reservanaval.blogspot.com/ ).

Essas imagens retratam geralmente pequenas tripulações ao lado da embarcação ou em patrulha junto a margens de rios da Guiné, permitindo visualizar o ambiente operacional típico, mas raramente atribuem nomes diretamente aos cabos manobras.

Resumo: O cabo manobra era o patrão responsável pelo comando prático das LDM e LDP na Guiné, garantindo o cumprimento das missões navais de patrulha e apoio às operações terrestres e ribeirinhas. As fotos existem, mas raramente individualizam estes cabos; surgem geralmente em grupo junto às lanchas nas imagens de arquivo.

(Pesquisa: LG + assistente de IA / Gemini, ChatGPT)

(Revisão / fixação de texto: LG)
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(**) Vd. poste de 

14 de agosto de 2015 > Guiné 63/74 - P15003: Notas de leitura (747): “A Epopeia da LDM 302”, por A. Vassalo, em BD, Edições Culturais da Marinha, 2011 (Mário Beja Santos)


28 de junho de 2012 > Guiné 63/74 - P10084: Antologia (76): Vida e morte da gloriosa LDM 302, a cuja heróica guarnição pertenceu o marinheiro fogueiro Ludgero Henriques de Oliveira, natural da Lourinhã, condecorado com a Cruz de Guerra em 1968 (Manuel Lema Santos / Luís Graça)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Guiné 61/74 - P26515: S(C)em Comentários (59): Ainda a Op Trampolim Mágico, desembarque anfíbio na margem direita do rio Corubal (Luís Dias, ex-alf mil, CCAÇ 3491 / BCAÇ 3872, Dulombi e Galomaro, 1971/74



Luís Dias

1. Comentário do poste P26513 (*):

A primeira grande operação em que me vi envolvido, quando comandava o 2º Gr Comb da CCAÇ 3491, integrado, juntamente com o 3º Gr Comb  também da minha companhia, no agrupamento "Castanho". 

Recordo que estivemos estacionados dentro de uma LDG, no meio do rio Geba, durante grande parte do dia, na véspera da Operação, que fomos atracar a Porto Gole, para pernoitar (onde penso ter bebido as cervejas mais frescas da minha vida, tal a sede). 

Que no dia seguinte, dentro da LDG lançada 
a toda a força,  fomos desembarcar na Ponta Luís Dias (engraçado ter o meu nome, mas, é claro, não tem a ver comigo), apoiados pelo fogo de artilharia da LDG e o bombardeamento dos aviões da FAP, estando a assistir ao desembarque o General Spínola. 

A operação foi decorrendo e devido a termos ficados parados, expostos ao sol (escaparam a este sacrifício os 2 Gr Comb  da nossa companhia, que eram os últimos do agrupamento e que, depois de ter perguntado ao Capitão que dirigia o agrupamento, o que se estava a passar - parados à espera de ordens (?)- decidi colocar os homens em locais junto de árvores que os protegessem do intenso calor. 

Interessa lembrar que a operação estava a ser levada a cabo, essencialmente, por forças do BART 3873 e BCAÇ 3872, que estavam na Guiné há pouco tempo e ainda não habituados a excessivo calor. 

A operação poderia ter corrido muito mal face à falta de água que se fez sentir, a diversas evacuações de pessoal desidratado e outros acontecimentos que não vou lembrar, porque a falta de água transtorna o cérebro de uma pessoa. 

O IN apercebeu-se da quantidade de homens e material empregue na operação e foi fugindo da zona deixando para trás velhos, mulheres e crianças, que foram levados pelas nossas forças. 

Não tivemos qualquer contacto e o IN apenas durante a noite lançou, à toa, morteiradas, com o intuito de conseguir saber onde estávamos instalados para dormir, mas sem, felizmente, qualquer sucesso e as tropas também decidiram não responder, para que eles não nos conseguissem localizar. 

A operação para o nosso agrupamento terminou em Mansambo, sendo recebidos pelo pessoal desse aquartelamento com jerricãs cheios de água, recebidos como um grande petisco, por todos nós.

Luís Dias, ex-alf mil,  CCAÇ 3491/BCAÇ3872 (Dulombi/Galomaro/Piche/Bambadinca/Nova Lamego/Pirada/Dulombi/Cumeré) | 
Guiné 24dez1971/28mar1974.


(Seleção. revisão / fixação de texto: LG)



Guiné > Carta de Fulacunda (1955) (Escala 1/50 mil) > Posições relativas das NT (a negro): Fulacunda, Ganjauará, Porto Gole e sector L1  (Bambadinca, Xime, Mansambo e Xitole) e do PAIGC (a vcrmelho): Ponta do Inglês, Ponta Luís Dias, Mangai, Mina / Fiofioli....

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2025)


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Sector L1  (Bambadinca) > 1969/71 > Croqui do Sector L1 > Vd. as posições do PAIGC ao longo da margem direita do rio Corubal: Poindom / Ponta do Inglês (1 bigrupo); Ponta Luís Dias (1 bigrupo); Mangai (artilharia e bazucas): Mina / Fiofioli (base principal, 2 bigrupos); Galo Corubal / Satecuta (1 bigrupo)... As NT tinham unidades de quadrícula em Bambadinca (+ 1 CCAÇ 12, em intervenção), Xime, Mansambo e Xitole (BCAÇ 2852 e depois BART 2917).

Fonte: História da CCAÇ 12: Guiné 69/71. Bambadinca: Companhia de Caçadores nº 12. 1971

Infografia: © Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné Luís Graça (2005). Todos os direitos reservados
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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 20 de fevereiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26513: Imagens das nossas vidas: CART 3494 (1971/74) (Jorge Araújo / Luciano Jesus) - Parte III: A CART 3494 no Xime para render a CART 2715

(**) Último poste da série > 9 de fevereiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26477: S(C)em Comentários (58): A "Primavera Marcelista" ?...é um mito: eu estava em Coimbra e e apanhei em pleno a crise académica de 1969 (Fernando de Sousa Ribeiro, ex-alf mil at inf, CCAÇ 3535 / BCAÇ 3880, Zemba e Ponte do Zádi, Angola, 1972/74)