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sexta-feira, 20 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27839: No céu não há disto: comes & bebes: sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande (51): Recordando o famoso Cozido à Portuguesa, by chef Preciosa, da Tabanca do Centro, que se reuniu pela 1ª vez em 27/01/2010



Alfragide >  17 de fevereiro de 2026 > Um Cozido à Portuguesa, by Chef Alice


Fotos (e legenda): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné


1. No céu não disto. Não há Cachupa (*), nem rica nem pobre. Não há Cozido à portuguesa. Nem Bacalhau Assado na Brasa. Deve haver outras coisas boas. Ou até bem melhores. A avaliar pela publicidade que lhe fazem, ao céu, há centenas, milhares de anos. (Olimpo para os gregos da antiguidade clássica;  Jardim do Éden, para os judeus;  Céu, para os cristãos;  Jannah, para o Islão;  Svarga, no hinduísmo, etc.)

Mas agora que a primavera se arrependeu e voltou o inverno, hoje, sexta feira e se calhar sábado, "até ia um cozidinho à portuguesa", diz o nosso vagomestre de serviço (que passou dois anos na Guiné sem provar nem cheirar a farinheira nem a moira nem o nabo nem o salpicão nem o focinho de porco, e muito menos a couve portuguesa).


Foi com um prato destes que se inaugurou a Tabanca do Centro, no já longínquo dia 27 de janeiro de 2010, em Monte Real. O anfitrião foi o Joaquim Mexia Alves e a cozinheira a Dona Preciosa (foto à esquerda). E teve um nome de código, Operação Cozido à Portuguesa. E realizou-se no restaurante da Pensão Montanha (**). 

Foi o primeiro de muitos Cozidos à Portuguesa, hoje lembrados com saudade pelos tabanqueiros do Centro. O último terá sido em 28/10/2016, data em que se realizou o 56º Encontro. No fim desse mês, a Dona Preciosa cessaria a sua atividade., para grande mágoa de todos A Tabanca do Centro teve que encontrar outras alternativas. Mais recentemente passou a reunir-se na Ortigosa. O 110º Encontro, em 27 do corrente mês, vai ser lá.

As imagens que se publicam acima não são desse famoso Cozido de 2010 (que era sempre servido às quartas feiras na Pensão Montanha)... Não seria muito diferente o Cozido by Chef Alice.  (***)

Curiosamente não há fotos do petisco, só dos comensais. O mais "ilustre" dos quais o Joseph Belo, um "tuga" do nosso tempo já há muito "assuecado" (vd,. fotos abaixo).

2. Recordo aqui a mensagem  que o régulo da Tabanca do Centro escreveu então ao nosso camarigo José Belo, o nosso grão-tabanqueiro que, na altura era vizinho, do Pai Natal, bem dentro do Círculo Polar Ártico. Esses versos ficaram famosos, merecem ser aqui reproduzidos, são um hino ao Cozido à Portuguesa e à nossa camarigagem.


Tabanca do Centro > quinta feira, 14 de janeiro de 20010 >


Nada de confusões
Nessas cabeças já gastas,
Tão cheias de incerteza,
É que o amor da Suécia
É p’lo Cozido à Portuguesa.

Diz-me o nosso camarigo,
José Belo de seu nome,
Que virá de avião, de skate, ou a pé,
Apenas para comer
O afamado cozido,
Com a malta da Guiné.

É que não sabem vocês
Que por causa de um vento estranho
Que sopra no Litoral e na Beira,
Chegou até á Lapónia
O cheiro da farinheira.

Não contente com isso, 
Este ventinho maldoso
Levou também consigo
Um cheirinho a chouriço.

Coitado do José Belo, 
A tiritar do frio imenso!
Quando olha para as renas, vê vacas,
E todo o verde são couves,
Cozidas mesmo a preceito.

E o vento que nunca cessa
De lhe levar o cheiro intenso!
É uma dor de alma,
Um tormento,
Não devia ser permitido,
Que odor tão salivante
Fosse nas asas do vento.

Prometo solenemente
Que te guardo a melhor parte,
Fica com esta certeza.
Não só eu,
Mas toda a gente,
Te servirão alegremente
O “Cozido à Portuguesa”.


Monte Real, 14 de Janeiro de 2010

A 13 dias do Cozido à Portuguesa!!!

Joaquim Mexia Alves

(Revisão / fixação de texto: LG)


Leiria > Monte Real > Restaurante Montanha > 27 de janeiro de 2010 > 1º Encontro Nacional da Tabanca do Centro > Op Cozido à Portuguesa > Da direita para a esquerda, o Joaquim Mexia Alves, o José Belo e o José Teixeira (régulo da Tabanca de Matosinhos)


Leiria > Monte Real > Restaurante Montanha > 27 de janeiro de 2010 > 1º Encontro Nacional da Tabanca do Centro > Op Cozido à Portuguesa > Juntou 40 "tugas" da Guiné... O mais "exótico" veio da Lapónia sueca, o José Belo, aqui na foto à esquerda, tendo a seu lado o Joaquim Mexia Alves. De pé, ao centro, o Silvério Lobo. 



Leiria > Monte Real > Restaurante Montanha > 27 de janeiro de 2010 > 1º Encontro Nacional da Tabanca do Centro > Op Cozido à Portuguesa > Quatro "tugas" que combateram no sul da Guiné: da esquerda para a direita, Zé Teixeira, Zé Belo, Vasco Ferreira e Manuel Reis.


Leiria > Monte Real > Restaurante Montanha > 26 de fevereiro de 2010 > 2º Encontro Nacional da Tabanca do Centro >  José Belo, Luís Graça, e em segundo plano o saudoso JERO.



Leiria > Monte Real > Restaurante Montanha > 26 de fevereiro de 2010 > 2º Encontro Nacional da Tabanca do Centro >  Em primeiro plano, Joaquim Mexia Alves e Teresa, a esposa do Carlos Marques Santos (1943-2019), infelizmente já falecido; em segundo plano, José Belo, Idálio Reis,Luís Graça e Joáo Barge (1945-2010) (morreria nesse ano em princíos de dezembro, ainda foi ao V Encontro Nacional da Tabanca Grande, em Monte Real, em 26 de junho desse ano). 

No almoço do 2º Encontro, já não foi servido Cozido, mas sim Bacalhau Assado na Brasa com Migas e Batatas a Murro. Presentes 29 tabanqueiros (6 dos quais já falecidos): Alice e Luís Graça | Álvaro Basto e Rolando Basto (pai) (já falecido) | Agostinho Gaspar | Antonieta e Belarmino Sardinha | Artur Soares | Dulce e Luís Rainha | Gil Moutinho | Giselda e Miguel Pessoa | Hélder Sousa | Idálio Reis | Isabel e Alexandre Coutinho e Lima (1935-2022)  | João Barge (1945-2010) |   Joaquim Mexia Alves | José Eduardo Oliveira (JERO ) (1940-2021)  | José Belo | Jorge Narciso | Juvenal Amado | Manuel Reis | Teresa e Carlos Marques  Santos (1943-2019) | Silvério Lobo | Vasco da Gama | Victor Barata (1951-2021)
 

Créditos fotográficos: Tabanca do Centro (2010). Ediçãpo e legendagem : LG


3. Que fique,  para a história,  a "lista do 40 magníficos que estiveram presentes no 1º Encontro da Tabanca do Centro", a maior parte  membros da Tabanca Grande, 4 deles, infelizmente, já falecidos (a negrito, os seus nomes)

Álvaro Basto |  Ana Maria e António Pimentel | António Martins Matos | António Graça de Abreu | Agostinho Gaspar | Américo Pratas | Artur Soares | Antonieta e Belarmino Sardinha | Carlos Neves | Daniel Vieira | Dulce e Luís Rainha | Eduardo Campos | Eduardo Magalhães Ribeiro | Gina e Fernando Marques | Giselda e Miguel Pessoa | Gustavo Santos | Joaquim Mexia Alves | Jorge Canhão | Maria Helena e José Eduardo Oliveira (Jereo)  | José Belo | José Brás | José Casimiro Carvalho | José Diniz | José Moreira | José Teixeira | Juvenal Amado | Manuel Reis | Silvério Lobo | Teresa e Carlos Marques Santos | Torcato Mendonça | Vasco da Gama | Vasco Ferreira | Victor Caseiro.

A refeição custou a astronómica quantia de 8,5 euros. Nunca  o Zé Belo, que veio expressamente da Suécia, pagou uma refeição tão cara. Os elogios à iniciativa e ao Cozido da Dona Preciosa foram unânimes, do general ao soldado. O vagomestre ficou babado. A chef Preciosa conquistou um exército de clientes.

(***) Último poste da série > 15 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27823: No céu não há disto: comes & bebes: sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande (50): Não há sável ? Come-se lúcio...

quarta-feira, 18 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27833: (In)citações (285): Somos camaradas, mas somos mais do que isso, somos amigos! Somos assim camaradas e amigos, ou seja, somos camarigos! (Joaquim Mexia Alves, régulo da Tabanca do Centro)



A "camarigagem" da Tabanca do Centro: vai-se reunir, pela 110ª vez, no próximo dia 27 de março.


1. O termo "camarigo" está associado ao nosso Joaquim Mexia Alves, régulo da Tabanca do Centro. É tratado por "camarigo" e gosta de tratar a malta, o pessoal da Tabanca Grande e os da Tabanca do Centro por "camarigos" (contração das palavras "camarada" e "amigo"). 

A origem do termo e a sua adopção pela Tabanca Grande ainda não está bem averiguada. Mas, pelo que pesquisei, a palavra aparece pela primeira num poste do João Tunes, num dos primeiros postes do blogue:

20 de outubro de 2005 > Guiné 63/74 - P230: Cooperação, caridade ou negócio ? (1) (João Tunes)

Começa assim o texto:

(...) Camarigos e estimados tertulianos,

Lembrei-me hoje, ao ler um dos Projectos dos amigos da AD, que está a ser desenvolvido em parceria com cidadãos da localidade espanhola de Elx, se esta não era uma boa inspiração para que a nossa Tertúlia promovesse um projecto semelhante com crianças guineenses de uma qualquer localidade da Guiné-Bissau (...).


(Negritos e itálicos: LG)

segunda-feira, 16 de março de 2026 às 15:59:00 WET 

2. Num texto de Joaquim Mexia Alves, escrito em 2 de março de 2006, ele termina assim:

“...sei que todos, ou pelo menos a maioria esmagadora dos meus camarigos, o farão também.”

2 de março de 2009 > Guiné 63/74 - P3965: Nuvens negras sobre Bissau (7): Ao combatente Nino Veira, um poema de Joaquim Mexia Alves

 O termo consolidou-se com os encontros anuais da Tabanca Grande (primeiro, na Ameira, Montemor-O-Novo, 2006; depois, Pombal, 2007; e a seguir em Ortigosa, Leiria, 2008 e 2009; e finalmente,  em Monte Real, Leiria, a partir de 2010 até 2019). 

Um dos elementos da comissão organizadora desses encontros (a partir de 2010) era o Joaquim Mexia Alves, a par do Miguel Pessoa e do Carlos Vinhal, e eu próprio. O Miguel e o Joaquim são também cofundadores, em 2010, da Tabanca do Centro.

 3. Anos mais tarde, o Joaquim Mexia Alves escreveu um texto, no blogue da Tabanca do Centro, sobre "o porquê do 'Camarigo' ", que reproduzimos a seguir, com a devida vénia:


Tabanca do Centro > domingo, 14 de julho de 2013 > P352: O Porquê do "Camarigo"

por Joaquim Mexia Alves 

Uma tentativa de explicação para a palavra “camarigo”.

Em primeiro lugar,  o óbvio! Camarigo é a junção das palavras camarada com amigo!

Quando comecei a frequentar a Tabanca Grande, (já lá vão uns anos), comecei também a descobrir melhor uma relação com os ex-combatentes da Guiné, que não se restringia apenas àqueles com quem tinha estado, mas se alargava a todos os outros que lá estavam, não só na altura, mas também antes e depois.

O termo utilizado pelos militares para se tratarem uns aos outros é camarada, o que está certo sem dúvida, com vemos no dicionário.

Camarada: companheiro de quarto; colega; parceiro; condiscípulo; indivíduos do mesmo ofício; tratamento entre militares e entre filiados de certos partidos políticos…

Ora isto parecia-me pouco, para definir a relação que nos une como ex-combatentes, e até também porque verdadeiramente já não somos militares.

Mas fomos realmente companheiros de quarto (ainda o somos quando os mesmos sonhos ou pesadelos nos envolvem à noite), e parceiros, e colegas e sei lá mais o quê.

Mas somos muito mais do que isso!

Somos sentimento e emoção e não é raro num reencontro, numa história contada ou lida, virem-nos as lágrimas aos olhos e apetecer-nos abraçar com força aquele que conta a história, para lhe dizer que sabemos bem o que foi, o que é, e muito provavelmente o que continuará a ser.

Ora isso vai muito para além da camaradagem, pois revela sentimentos de afectividade, de compreensão, de conhecimento, enfim numa palavra: de amizade.

Quando um de nós sofre, não sofre apenas um camarada, sofre também um amigo, por isso sofremos todos com ele, mesmo que não o conheçamos pessoalmente!

Quando um de nós se alegra, não se alegra apenas um camarada, alegra-se também um amigo, por isso nos alegramos todos com ele, mesmo que não o conheçamos pessoalmente!

Quando um de nós morre, não morre apenas um camarada, morre também um amigo, por isso morremos nós também um pouco, mesmo que não o conheçamos pessoalmente!

Lá longe, na Guiné, muitos de nós desabafaram com certeza aos ouvidos do outro, as alegrias e as tristezas de uma vida que se fazia longe de nós.

Um filho que nascia, uma mãe ou um pai que morria, um namoro que acabava, uma dúvida, uma incerteza, um desespero e uma alegria, enfim tudo aquilo que faz parte da vida e que tantas vezes ia parar ao ombro do que estava ao nosso lado, do que estava connosco.

E hoje isso ainda acontece, quando nos encontramos, ou quando nos procuramos num telefonema, ou numa visita oportuna.

Então era preciso para mim, procurar maneira de revelar com uma palavra aquilo que ia descobrindo, aquilo que ia tomando lugar no meu coração.

Porque o amigo também não chegava para definir essa relação:

Amigo: aquele que estima outra pessoa ou é por ela estimado; partidário; amásio; amante; afeiçoado…

E o óbvio apareceu diante de mim.

Somos camaradas, mas somos mais do que isso, somos amigos!

Somos assim camaradas e amigos, ou seja, somos CAMARIGOS!

É isso que eu sinto e é isso que sempre pretendo transmitir em cada encontro e em cada momento em que estamos juntos e não só.

Tenho um coração mole, (graças a Deus), a lágrima fácil, e os braços com uma “tendência compulsiva” para se abrirem, por isso arranjei a palavra que servisse para expressar os meus sentimentos em relação a todos vós.

Por isso gosto de vos tratar pelo nome próprio, para estar mais perto de vós e me sentir mais perto de vós!

Por isso também, aqui fica o meu forte, enorme e camarigo abraço para todos vós.

Joaquim Mexia Alves

4. Comentário do editor LG:

Houve já quem me perguntasse: "Camarigo, que raio de palavra é esta, em português, que não vem nos dicionários ?"

É um neologismo por fusão de duas palavras, como muito bem explica o Joaquim:  "camarigo = camarada + amigo". 

A palavra surgiu no contexto da nossa tertúlia (a que passámos a chamar, mais tarde, em meados de 2006, "Tabanca Grande"). É forma de tratamento afetuosa, mas também com a sua ponta de humor tribal:  "Um alfabravo (Abraço), camarigo!”... 

Ninguém se trata assim, apenas os "amigos e camaradas da Guiné", que se sentam à sombra do poilão da Tabanca Grande. O Joaquim usa muito, de resto, a expressão "meus camarigos"

Em termos linguísticos, podemos destacar o seu  "valor semântico", que carrega três ideias ao mesmo tempo:  camaradagem  (camarada) | amizade (amigo) | igualdade e proximidade

  • amigos – pessoas próximas mas que não viveram a guerra juntos;
  • camaradas – companheiros de armas;
  • camarigos – camaradas que se tornaram amigos para toda a vida

É uma "palavra de tribo", como dizem os linguistas, que  nunca chegam aos dicionários, mas podem viver durante décadas dentro do grupo ou da tribo que as criou. 

Nasce dentro de um grupo e aí ganha sentido. São chamadas "palavras-amálgama" (em inglês, blends, misturas lexicais). 

A nossa língua tem várias: portunhol (português + espanhol) | diciopédia (dicionário + enciclopédia) | Setôr (senhor + doutor) | estagflação (estagnação + inflação) | angolês (angolano + português) | eurocrata (Europa + burocrata) | camarigagem(camaradagem + amizade).

"Camarigo" está há m
uito grafado do nosso pequeno dicionário da Tabanca Grande.  É uma palavra que tenta expressar algo que a linguagem comum não captava bem: a amizade nascida da experiência extrema da guerra e da pertença a uma tertúlia de antigos combatentes.

 Não chegou (nem provavelmente chegará)  aos dicionários. Estes e outros "neologismos identitários"  vivem e podem viver durante décadas dentro da tribo que as criou. Mas na  realidade tèm um sabor muito português: é o caso, por exemplo,  camarigagem (camaradagem + amizade).

Fazendo justiça aos nossos dois camaradas, podemos dizer que:

o João Tunes inventou ou soltou a palavra num comentário; o Joaquim Mexia Alves adoptou.a, passou a usá-la recorrentemente e popularizou-a.
 
 A palavra nasceu, portanto,  dentro da "cultura" da Tabanca Grande. O que importa é a sua adoção grupal ou coletiva. Por isso dizemos que é um "neologismo identitário": não designa apenas uma relação pessoal, mas uma identidade de pertença à Tabanca Grande.
 
 Como deves imaginar, temos gente de todos os quadrantes, sensibilidades e leituras da guerra (por isso falamos da guerra colonial, guerra do ultramar, guerra de África e luta de libertação...). E temos um slogan: "Tabanca Grande, onde todos cabemos com tudo o que nos une e até com o que nos pode separar"...

_________________

Nota do editor LG:

Ultimo poste da série > 13 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27819: (in)citações (284): Os netos da guerra (Juvenal Amado)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27683: Convívios (1047): Devido ao temporal que assolou a região Centro, foi cancelado o 110.º almoço-convívio e comemoração do 16.º aniversário da Tabanca do Centro, sexta feira, dia 30 de Janeiro de 2026, na Quinta do Paul, Ortigosa, Monte Real, Leiria



1. Como era, infelizmente, expectável, devido aos efeitos do temporal que afetou muito em especial e tragicamente a zona centro do País, foi cancelado o 110º encontro da Tabanca do Centro, previsto para amanhã, sexta feira, dia 30 de janeiro. (*) 

A informação é do blogue da Tabanca do Centro, mantido pelo Miguel Pessoa e pelo Joaquim Mexia Alves.

Para além de não haver luz, água, comunicações e outras condições básicas de segurança, as instalações do Atrium Buffet do restaurante (Quinta do Paul, Ortigosa, Monte Real, Leiria) estarão encerradas até domingo, 1 de fevereiro.

O nosso camarada e régulo da Tabanca do Centro, Joaquim Mexia Alvez, que mora na Marinha Grande, está incontactável. Oportunamente ele decidirá a nova data (e local) para comemorar, com segurança e novo alento, os 16 anos da Tabanca Grande, fundada a 27 de janeiro de 2010. Estavam inscritos cerca de meia centena de convivas.

Na badana do lado esquerdo do nosso blogue já tínhamos deixado um mensagem de pesar e  de solidariedade aos camaradas da Tabanca Grande, vítimas de maneira direta ou indireta dos efeitos da tempestade Kristin:

(...) Não é "habitual" falarmos da atualidade do país (e do mundo)... O nosso horizonte temporal acaba no fim da guerra, no 25 de Abril, na descolonização...

Mas às vezes não podemos deixar de o fazer, violando as nossas próprias regras... Hoje, quando publiquei, às 14:28, o poste sobre o ciclone de 15 de fevereiro de 1941 (**), ainda não tinha noção exata da tragédia que se abateu esta noite sobre Leiria, a cidade e o seu distrito...Tenho/temos lá amigos e camaradas. Estão sem água, sem eletricidade, sem comunicações... Espero que o país saiba estar à altura da sua nobre tradição e e do sagrado dever de solidariedade para com as vítimas, neste caso, da tempestade Kristin...

Espero que os nossos camaradas da Tabanca do Centro estejam bem de saúde e ainda possam, na próxima 6ª feira, dia 30, realizar o seu previsto almoço-convívio, de celebração do seu 16º aniversário.

Força, Tabanca do Centro!...  Força, Joaquim Mexia Alves e Miguel Pessoa! (...)

Resta-nos  aguardar boas novas do Joaquim Mexia Alves. O mais importante neste momento é saber que os nossos amigos e camaradas da zona Centro, estão bem e de saúde.
___________________
 
Notas do editor LG:


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27675: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (115): Comparticipação adicional de 100% da parte não comparticipada pelo SNS nos medicamentos adquiridos pelos Antigos Combatentes Reformados

1. Como vi publicado no Blogue da Tabanca do Centro, a Circular n.º 0008-2026 da ANF (Associação Nacional de Farmácias), com a devida vénia aos camaradas Joaquim Mexia Alves e Miguel Pessoa, copiamo-la para o nosso Blogue, acrescentando algumas notas no sentido de ajudarmos a esclarecer qualquer dúvida entre a tertúlia.

Nas redes sociais aparecem muitas dúvidas sobre a comparticipação dos 100% 
da parte não comparticipada pelo SNS, nos medicamentos adquiridos com receita médica pelos Antigos Combatentes.

 Esta medida entrou em vigor neste mês de Janeiro.

Como se pode ler na Circular abaixo, o cálculo da comparticipação é feito sobre o Preço de Referência (PRef) do medicamento, sendo que sempre que o Preço de Venda ao Público (PVP) for superior ao Preço de Referância (PRef), o combatente pagará a diferença. Na maioria dos casos o custo reduz-se a alguns cêntimos e não justifica os insultos dirigidos às entidades públicas. Há alternativas que podem anular estas diferenças, como por exemplo a escolha de Medicamentos Genéricos (MG), tão eficazes como os medicamentos de marca.

Circular com a devida vénia à Associação Nacional de Farmácias
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Nota do editor

Último post da série de 18 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27436: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (114): a tábua corânica de Galugada Mandinga (subsetor de Contuboel)

domingo, 18 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27646: Convívios (1046): 110.º almoço-convívio e comemoração 16.º aniversário da Tabanca do Centro, a levar a efeito no próximo dia 30 de Janeiro de 2026



LEMBRANDO OS PRIMÓRDIOS

        16.º ANIVERSÁRIO DA TABANCA DO CENTRO

Caros Camarigos

O 110.º Encontro da Tabanca do Centro, a realizar em 30 de Janeiro, é também a comemoração do 16.º aniversário dos nossos encontros, pois o primeiro teve lugar no dia 27 de Janeiro de 2010.

Assim sendo esperamos que todos se disponibilizem para estarmos juntos nesse dia, comemorando este aniversário.

Imagens do 1.º Encontro da Tabanca do Centro, 27JAN2010

O tempo vai passando e os anos vão aumentando a passos largos, por isso, mais do que nunca, devemos juntar-nos para fazermos festa recordando o que passámos, o que vivemos e, sobretudo, aqueles que connosco estiveram e já nos deixaram, guardando-os assim nas nossa memórias e nos nossos corações.

Sabemos bem que só nós Combatentes conseguimos perceber as nossas histórias, os nossos medos, as nossas bravatas, enfim, tudo aquilo que vivemos e ainda de quando em vez se trona presente em noites mal dormidas.

Cá vos esperamos pois, no dia 30 de Janeiro, para fazermos a festa juntos.

Abraços dos
Miguel Pessoa e Joaquim Mexia Alves

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Nota do editor

Último post da série de 6 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27610: Convívios (1045): 63º almoço-convívio da Magnífica Tabanca da Linha, quarta feira, dia 14 de janeiro de 2026, 16º aniversário do Grupo... Bom ano e força nas canetas para os Magníficos (Manuel Resende)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Guiné 61/74 - P26372: Convívios (1012): 101.º Convívo da Tabanca do Centro, a levar a efeito no próximo dia 31 de Janeiro, coincidente com a comemoração do 15.º aniversário desta Tabanca

Com a devida vénia à Tabanca do Centro, reproduzimos o seu Post P1511 que anuncia o 101.º Almoço/Convívio da sua Tertúlia, a levar a efeito no próximo dia 31 de Janeiro, onde se comemorará os 15 anos de existência desta Tabanca.
A Tabanca Grande, mãe de todas as Tabancas, endereça aos nossos camarigos, Joaquim Mexia Alves e Miguel Pessoa, os nossos parabéns, desejando-lhes muita força para darem continuidade a esta tertúlia que regularmente se reune à mesa.


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Nota do editor

Último post da série de 26 de dezembro de 2024 > Guiné 61/74 - P26312: Convívios (1011): 51º almoço-convívio da CCAÇ 12 (Bambadinca e Xime, 1971/74), em Mora, no passado dia 25 de maio (António Duarte)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Guiné 61/74 - P26290: Desejando Boas Festas, Feliz Ano Novo de 2025, e aproveitando para fazer... prova de vida (8): "Outras Festas Natalícias - Natal, uma época mágica", por Juvenal Amado, ex-1.º Cabo CAR do BCAÇ 3872, Galomaro, 1971/74

OUTRAS FESTAS NATALÍCIAS

NATAL – UMA ÉPOCA MÁGICA[1]

Juvenal Amado

Naquela casa, pouco mais que remediada, o Natal era celebrado com grande alegria. Na altura a árvore era enfeitada de algodão e bugalhos pintados com purpurinas douradas e prateadas, alguns chocolates seriam pendurados mais próximo da data. Na antevisão das prendas não se sonhava com as grandes e inacessíveis montras das lojas que ofuscavam com o brilho e cores.
Tanta coisa que soava a agressão, para quem não podia reclamá-las.

A mãe fazia os fritos de abóbora, a batata doce frita em rodelas envoltas em açúcar e canela e uns bolinhos também fritos a que chamam hoje carolinas.

Era uma azáfama com que se preparava o festejo.

Comiam carne pois de bacalhau estavam fartos, eventualmente havia laranjada, bebia-se café de cevada e petiscavam os fritos e bolinhos.
As crianças deitadas agitadas mal dormiam para ir ao sapatinho onde as esperavam as alegrias que o menino Jesus lá tinha deixado - e também desilusões.

O comboio tinha ficado nalguma estação e a boneca tinha ido parar por engano a outra casa. A título de justificação o pai e mãe diziam que iam ver como tal tinha acontecido.

O pai fazia a maior parte dos brinquedos às escondidas. Pistolas e espingardas, camas e guarda-roupa para as bonecas. Era tudo lindo, a que se juntava uns lápis e chapéus de chocolate.
O tempo foi passando e, na vez de brinquedos, começaram a receber umas meias, uns sapatos, uma mala para a escola – material que há muito fazia falta. Rapidamente se passou dos brinquedos para as necessidades mais prementes.

Os Natais foram melhorando em função dos filhos que logo que saídos da escola iam trabalhar. Perdia-se a magia em troca de mais alguns bens que se podiam comprar.

Para o filho mais velho o Natal teve mais tarde outro significado, que foi o da saudade, quando em África passou três Natais seguidos.
O tempo corria lento e pesado, o suor corria denso encharcando o caqui nas longas noites de serviço ou em patrulhas esgotantes e perigosas. Não pensava no regresso pois era doloroso, embriagava-se e espantava assim a melancolia junto com os camaradas. Para casa escrevia que tinha sido bom e que estava bem.

Em Abril de 74 regressou a casa. Para trás ficou um muro de recordações de bons, assim-assim e inesquecíveis maus momentos.

Perderam-se os convívios, os calores humanos, tinha regressado - mas nunca totalmente. O que se perdeu lá ficou no passado por vezes sangrento, feito de medo e solidão, que hoje será coragem.

Casou, teve filhos e finalmente reviu-se nos Natais passados ao assistir à agitação dos mais pequenos na antevisão das prendas no sapatinho.
E a magia voltou a acontecer.

17 de Dezembro de 2024
Juvenal Sacadura Amado

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Notas do editor

[1] - Com a devida vénia ao Blogue da Tabanca do Centro

Último post da série de 18 de dezembro de 2024 > Guiné 61/74 - P26285: Desejando Boas Festas, Feliz Ano Novo de 2025, e aproveitando para fazer... prova de vida (7): Mensagens natalícias de José Teixeira, ex-1.º Cabo Aux Enfermeiro da CCAÇ 2381; Grã-Tabanqueiro José Carlos Mussá Biai; Grã-Tabanqueiro Patrício Ribeiro, fundador da Impar em Bissau e Joaquim Fernandes Alves, ex-Fur Mil da CART 1659

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Guiné 61/74 - P26210: Lembrete (49): Tabanqueiros/as do Centro, que não vos falte o fôlego para apagar amanhã as 100 velas do bolo!



Logo da Tabanca do Centro, que vai fazer amanhã o seu 100º encontro, como de resto já tínhamos anunciado no poste P26132 (*)...  



1. Na Ortigosa, concelho de Leiria, na nossa já conhecida Quinta do Paul (fizemos lá dois Encontros Nacionais da Tanca Grande, o III e o IV, em 2008 e 2009, respetivamente), amanhã há festa.  

As inscrições já fecharam, mas o nosso lembrete vem a propósito, porque amanhã é dia de "ronco" para os tabanqueiros do Centro. E  Tabanca Grande, que é, a bem dizer, ... "a mãe de todas as tabancas", vem regozijar-se e desejar, a todos e a todas, bom almoço e bom convívio. Que não lhes falte o fôlego para apagar as 100 velas do bolo... 

Hoje, no Centro Comercial Alegro, em Alfragide, encontrei o meu vizinho, e bom amigo,  Juvenal Amado e ouvi-o combinar com o Miguel Pessoa, que mora em Benfica, a hora e o local para apanhar a boleia do costume até à Ortigosa... 

Recorde-se que foi, em dezembro de 2009, que  o Juvenal Amado (na altura a viver em Alcobaça, e hoje na Reboleira, Amadora) , o Vasco da Gama (Figueira da Foz) e o Manuel Reis (Aveiro) tiveram a ideia de criar a Tabanca do Centro. 

Aos pais-fundadores juntaram-se o Joaquim Mexia Alves (Marinha Grande e Monte Real) e o Miguel Pessoa (Lisboa). E tudo começou regularmente à volta da mesa e do famoso "cozida à Portuguesa", servido às 4ªs feiras na Pensão Montanha, em Monte Real. E tão famoso que chegou a vir gente da Suécia para provar a iguaria da "chef" Dona Preciosa...

Depois o mundo deu muitas voltas, mas a Tabanca do Centro nunca perdeu o seu lugar de equidistância "geodésica" entre todas as tabancas da Tabanca Grande... Pois ela fica, rigorosamente, ao Centro, entre o Norte e o Sul, o Oeste e o Leste... Quem não acreditar, que vá lá medir...

100 encontros é mais do que uma "marca", é um "marco"... E no dia 27 de janeiro de 2025 haverá outro bolo, com 15 velas para soprar, comemorativo do 15º aniversário do primeiro (e histórico) encontro. 

Tenho pena de lá não poder estar amanhã. Mas daqui vão os meus xicorações, alfabravos, quebra-costelas, mantenhas e beijinhos para todos/as os/as tabanqueiros/as do Centro (que esse é do género...neutro). 

A Tabanca Grande também está bem representada na lista dos inscritos para o 100º convívio da Tabana do Centro (contámos pelo menos 15 grãos-tabanqueiros, que vão com links com as suas referências no nosso blogue).

A Tabanca Grande sente-se também  orgulhosa por estar na génese de todas as congéneres espalhadas pelo País, a começar, historicamente, pela Tabanca de Matosinhos, a Tabanca do Centro e, mais tarde, a Tabanca da Linha, dos Melros (Fânzeres, Gondomar), etc.
 
Estas, e outras Tabancas mais pequenas (da Maia, do Algarve, da Diáspora Lusófona, etc.), são um caso de estudo, surgidas quase espontaneamente, com o fim de manter o convívio entre velhos camaradas da Guerra do Ultramar / Guerra Colonial, que agora têm mais tempo disponível e perderam todo o tipo de complexos, por ventura imputados ao seu passado como combatentes nos territórios africanos de então.

Desejamos à Tabanca do Centro uma vida longa e activa, salientando o fundamental papel que têm mantido os  seus mentores, com destaque para o Joaquim Mexia Alves e o  Miguel Pessoa, sem esquecer os outros pais-fundadores. (LG)



29Nov2024 | Inscritos: 45
(Revisão / fixação de texto, links: LG)
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sábado, 9 de novembro de 2024

Guiné 61/74 - P26132: Convívios (1009): Centésimo Encontro da tertúlia da Tabanca do Centro, a levar a efeito no próximo dia 29 de Novembro de 2024, em Ortigosa

Com a devida vénia à Tabanca do Centro, na pessoa do nosso camarada Joaquim Mexia Alves, transcrevemos o texto ali publicado a propósito do 100.º Encontro daquela tertúlia, a realizar já no próximo dia 29 de Novembro.
Desde já felicitamos o Joaquim e o Miguel, pela dedicação à organização destes convívios, o primeiro no terreno e o segundo no apoio.
A tertúlia da Tabanca do Centro está de parabéns, esperando nós que se continuem a encontrar regularmente como até aqui.



100.º ENCONTRO DA TABANCA DO CENTRO

Pois é, meus camarigos, o tempo passa a voar e em Janeiro a Tabanca do Centro faz 15 anos!

Mas antes disso e já no dia 29 de Novembro, vamos ter o nosso 100º Encontro, o que é uma marca digna de ser comemorada.

Com efeito, tirando o tempo da pandemia, a Tabanca do Centro reuniu uma média de 8 vezes por ano. De fora ficaram por norma os meses de Julho e Agosto (com a dispersão do pessoal no período de férias de verão), Dezembro (devido à sobreposição com os tradicionais festejos de Natal) e o mês em que a Tabanca Grande realizava o seu Encontro Nacional (evento que não teve continuidade nestes últimos anos).

Já vão longe os encontros em que éramos sempre mais de 60 camarigos e, se bem me lembro, chegámos a ter um encontro com quase 100 camarigos.

Mudámos quatro vezes de local, pois começámos na Pensão Montanha em Monte Real, com o cozido à portuguesa, daí fomos para o salão paroquial de Monte Real, ainda com o excelente cozido à portuguesa da D. Preciosa, de quem temos muitas saudades, depois fizemos uma única experiência na “Tertúlia do Manel” e finalmente assentámos arraiais no Saloon, com o seu buffet, onde nos mantemos, pelo menos por agora.

Vêm camarigos de todo o lado, desde Lisboa até ao Porto, passando por Aveiro e outras paragens deste nosso Portugal.

Desde a primeira hora que no momento do pagamento cada um, segundo as suas possibilidades, dá mais qualquer coisa para podermos ajudar os Combatentes em dificuldades, o que tem acontecido periodicamente.

Vamos envelhecendo, mas vamos mantendo acesa a chama da amizade que une sempre aqueles que, como nós, estiveram numa guerra e foram colocando as suas vidas nas mãos daqueles que estavam ao seu lado.

Cá vos esperamos a todos, a todas as Tabancas que se vão juntando por Portugal afora, para comemorarmos condignamente e em alegria este 100º encontro da Tabanca do Centro.

Monte Real, 8 de Novembro de 2024
Joaquim Mexia Alves

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Nota do editor

Último post da série de 10 de outubro de 2024 > Guiné 61/74 - P26030: Convívios (1008): XXIX Encontro/Convívio dos Antigos Combatentes da Vila de Guifões, levado a efeito no passado dia 5 de Outubro de 2024, em Vila Boa de Quires

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Guiné 61/74 - P24970: O que é feito de ti, camarada ? (19): Manuel Maia, o "bardo do Cantanhez", ex-fur mil, 2ª C/BCAÇ 4610/72 (Bissum Naga, Cafal Balanta e Cafine, 1972/74)


Guné > Região de Tombali > Vista panorâmica de Cafal Balanta: em primeiro plano,  o nosso camarada Manuel Maia, ex-Fur Mil da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4610.




Guiné  > Região de Tombali > Cantanhez > Cafal Balanta > O "resort" do Manuel Maia,  o poeta  que irá cantar, em sextilhas, tanto  o "seu" Portugal como a "sua" Guiné). (O Manuel Oliveira Maia é  autor de: (i) História de Portugal em Sextilhas, 2009; e (ii)  "Guiné que aprendemos a amar", 2013)

Fotos (e legendas): © Manuel Maia (2009). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem com'plementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]







Manuel Maia



1. O Manuel Maia (o nosso bardo do Cantanhez, Manuel de Oliveira Maia, ex-fur mil da 2.ª CCAÇ / BCAÇ 4610, Bissum Naga, Cafal Balanta e Cafine, 1972/74), entrou para a Tabanca Grande em 13/2/2009; tem 123 referências no nosso blogue.

Já há uns largos anos que deixámos de o ter no nosso radar... embora continuássemos, até 2020, a dar-lhe os parabéns pelo seu aniversário natalício (que é a 30 de de junho).

A última mensagem que recebemos dele (uma mensagem algo apocalíptica, junqueiriana, misteriosa, estranha, perturbadora, amarga) foi  sob a forma de um comentário ao poste P13346 (*), a agradecer a amizade e a camaradagem que lhe votávamos na Tabanca Grande: 

(...) Camarigos,

Há um ditado português antigo que diz que quem tiver amigos não morre na cadeia... A vossa amizade provou-o.

Sei que, se por qualquer contingência do destino, agora que o país caminha para a desagregação total depois da perda de identidade motivada pelo cataclismo bem pior que o terramoto do séc. XVIII, ocorrido à porta da entrada no último quartel do passado século, também conhecido por golpada e perpetrado por uns quantos traidores, depois disso diria,o pequeno passo para o abismo da perda da independência está a perder centímetros de tal forma que deixará de ser passo engolido pelos acontecimentos tenebrosos do dia a dia...

Não consigo calar o que sinto, tenho o coração muito perto da boca e da mesma forma que zurzo em tudo aquilo que me parece errado, reafirmo que a vossa amizade é um bem inquebrantável e de que não abdico.

O meu mais profundo reconhecimento a todos.

Que Deus vos proteja e vos dê saúde para que no dia em que me levarem de castigo para uma cela correcional por ter o coração demasiado perto da boca, me possais aparecer a levar os cigarros que não fumo e os abraços que sei serem verdadeiros. Abraço-vos a todos | 1 de julho de 2014 às 14:54



2.     O Manuel Maia costumava frequentar os convívios da Tabanca do Centro:  o último terá sido o 53º encontro, em maio de 2016, conforme o atesta o poste P797, de 31 de maio desse ano, do blogue da Tabanca do Centro.

 A partir desta data os amigos e camaradas que lhe eram mais próximos deixaram de ter notícias dele. Não compareceu, por exemplo, â sessão de apresentação do livro escrito em parceria por ele e pelo JERO (José Eduardo Oliveira) (1940.2021) (Foto da capa, à direita.)

 No poste P1123. de 11 de abril de 2019, do blogue da Tabanca do Centro, pode ler-se:

(...) "Mau grado os esforços do JERO para encontrar o Manuel Maia, que terá deixado Portugal em 2016, não há a certeza que o apreciado poeta, autor da “História de Portugal em Sextilhas” e da “GUINÉTerra que aprendemos a amar” venha a estar presente em Alcobaça." (...).

Para além desta versão, também já ouvi, mais recentemente,  a de que estaria internado num lar por razões de saúde. A informação foi-me dada há escassas sermanas pelo José Ferreira da Silva, escritor, membro do Bando do Café Progresso, ex-Fur Mil Op Esp da CART 1689 / BART 1913 (Fá, Catió, Cabedu, Gandembel e Canquelifá, 1967/69), subunidade que era comandada pelo cap art Manuel de Azevedo Moreira Maia, também  falecido há pouco, no posto de tenente-general na reforma.

Também era membro do Bando do Café Progresso. (Os escassos comentários que encontrámos dele são de 2011.)

Se alguém souber do paradeiro do nosso camarada Manuel Maia,  o bardo do Cantanhez, que nos  dê notícia (***).

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Notas do editor;

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Guiné 61/74 - P23805: Convívios (948): 82.º Encontro da Tabanca do Centro, a levar a efeito no próximo dia 30 de Novembro no Restaurante "Tertúlia do Manel", Cortes, Leiria

1. Mensagem da Tabanca do Centro, chegada ao nosso Blogue no dia 20 de Novembro de 2022:

Estão a decorrer as inscrições para o 82.º Encontro da Tabanca do Centro, programado para o próximo dia 30.
Quem ainda não se inscreveu, tem até às 12h00 de 25 de Novembro para efectuar a sua inscrição (e a de outros camaradas que possam estar interessados).
Ver pormenores no Poste P1348 da Tabanca do Centro


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Nota do editor

Último poste da série de 20 DE OUTUBRO DE 2022 > Guiné 61/74 - P23725: Convívios (947): Almoço anual de confraternização dos militares da CCAÇ 557 (Cachil, Bissau e Bafatá, 1963/65), no dia 5 de Novembro de 2022, no restaurante D. Nuno, em Alenquer (José Colaço)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Guiné 61/74 - P22833: Blogues da nossa blogosfera (167): "Os pães e os peixes", conto de Joaquim Mexia Alves no Blogue da Tabanca do Centro



OS PÃES E OS PEIXES

Ali estava na sua sala, sentado, completamente só na noite de Natal, pois os filhos estavam longe e desinteressados da sua vida, a mulher já tinha falecido e a vida madrasta tinha-o deixado apenas nos níveis de sobrevivência, sendo aquela casa o único bem que ainda possuía, não sabia por quanto tempo. Levantou-se e foi à cozinha ver o que haveria para comer na Ceia de Natal. Riu-se interiormente ao pensar em Ceia de Natal, ele que não tinha nada, ter uma qualquer refeição que se assemelhasse sequer a uma ceia, quanto mais a uma Ceia de Natal!

Abriu a caixa do pão e viu que tinha dois pãezitos (já um pouco duros) e numa caixa no frigorifico vazio, um carapau frito que já nem sabia de quando era.

Riu-se novamente, mas agora ruidosamente e disse alto, sabendo que ninguém o ouviria: Agora o que me fazia falta era Jesus Cristo para abençoar estes pães e este peixe e, assim, com certeza não faltaria abundância para uma verdadeira Ceia de Natal.

Pegou nos pães e no peixe, num copo de água e foi sentar-se na sala para comer então a sua paupérrima Ceia de Natal.

Apesar da escassez e de tudo o que estava a passar, a tristeza profunda que lhe causava esta Natal sozinho e sem nada, benzeu-se e agradeceu a Deus pelo pouco que tinha porque, apesar de tudo, haveria outros que nem isso teriam com certeza.

Pegou num pão, partiu-o e, quando se preparava para o começar a comer, bateram à porta.
Pôs o pão de lado, levantou-se e foi abrir a porta.

Era um casal seu vizinho com uma caixa grande nas mãos e que lhe disseram: Ó vizinho, sabemos que está sozinho e com dificuldades. Nós também estamos sozinhos, mas graças a Deus ainda temos que nos chegue e assim lembramo-nos de nos fazermos convidados para passar o Natal em sua casa, pois sabíamos que se o convidássemos o vizinho não iria a nossa casa. Deixa-nos entrar?

Embora envergonhado, abriu a porta e deixou-os entrar dizendo: Mas eu não tenho nada para comer! Tenho apenas uns pãezitos e um peixe!

Eles responderam: Não se preocupe. Trazemos aqui nesta caixa um bom peru assado e recheado, com os seus acompanhamentos, que irá servir de Ceia de Natal a todos nós.
Sem palavras, com a voz embargada, agradeceu e sentaram-se à mesa.

Mas, mais uma vez, bateram à porta e ele lá se levantou para ir abrir.

Desta vez era um casal bem mais jovem, com o seu filho ainda criança, seus vizinhos também, e que lhe disseram: Sabíamos que estava sozinho, que se o convidássemos para nossa casa não iria, por isso viemos fazer-lhe companhia nesta noite de Natal. Espero que não leve a mal e nos deixe entrar.

Bem, pensou ele, se já cá estão uns porque não deixar entrar estes também.

Foram entrando e entregando umas caixas dizendo que eram bolos para adoçar a noite.

E, novamente, lá se sentaram todos à mesa. Ele, já bem mais disposto, perguntou alto se mais alguém bateria à porta.
Ainda não tinha acabado de falar e novamente tocam à porta.

Desta vez era um vizinho, só como ele, mas que vivia bem, e lhe disse: Pensei para mim que estando sozinho e o vizinho também, faria mais sentido vir bater à sua porta, fazer-me convidado e assim fazermos companhia um ao outro. Trago aqui umas garrafas de vinho para acompanhar o que houver para comer.

Espantado, admirado, deixou-o entrar e finalmente sentaram-se à mesa, que agora se apresentava bem guarnecida com o peru e os seus acompanhamentos, diversos bolos e vinho que chegava à vontade para todos.
De repente lembrou-se do que tinha dito alto na cozinha quando estava sozinho, de que o que precisava era de Jesus Cristo para abençoar a comida e assim haver abundância na sua mesa.

Soltou uma gargalhada e contou a todos os outros o que tinha acontecido, o que tinha dito e como via ali a multiplicação dos “pães e dos peixes” e também dos amigos.

Riram-se todos com alegria, rezaram um Pai Nosso em acção de graças e a criança disse toda contente: Hoje é mesmo Natal!!! O Menino Jesus está mesmo aqui connosco!!!

Monte Real, 22 de Dezembro de 2021
Joaquim Mexia Alves
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Nota do editor

Último poste da série de 8 DE NOVEMBRO DE 2021 > Guiné 61/74 - P22758: Blogues da nossa blogosfera (166): Jardim das Delícias, blogue do nosso camarada Adão Cruz, ex-Alf Mil Médico da CCAÇ 1547 (73): Palavras e poesia