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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28016: Agenda Cultural (893): Convite para a apresentação do meu 12.º livro, tendo este como tema o AVC, a levar a efeito no próximo dia 16 de Maio de 2026, sábado, pelas 15h00, na Casa do Alentejo, Rua das Portas de Santo Antão, 58, Lisboa (José Saúde)

1. O nosso Camarada José Saúde, ex-Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BART 6523 (Nova Lamego, Gabu) - 1973/74, enviou-nos a seguinte mensagem.


Convite aos camaradas

Lisboa, Casa do Alentejo, Portas de Santo Antão, 16 de maio, sábado, 15h00, apresentação do meu 12.º livro, tendo este como tema o AVC

Camaradas, residentes em Lisboa ou em localidades próximas

Sendo o AVC – Acidente Vascular Cerebral – um tema que mexe mundialmente com a sociedade em geral, não importando a cor, a idade, credos, ou o estrato social, ou religiões que cada um de nós perfilha, esta doença é tão-só um grito de alerta que se estende por um infinito, onde o portador é, apenas, alguém que um dia, sem hora marcada, se confrontou com tal “flagelo”.

Porém, somos gentes capazes em responder e ultrapassar dificuldades, não obstante as sequelas sofridas. Neste contexto, apresentarei no próximo sábado, 16 de maio, 15h00, na Casa do Alentejo em Lisboa, Portas de Santo Antão, o meu último que tem como título: Acidente Vascular Cerebral – AVC Viagem ao Mundo de Sobreviventes, cujo teor fala da realidade de quem sofreu um AVC, como recuperou, o quanto possível, e testemunhos de muitos companheiros que em determinado momento foram apanhados com esta enfermidade.

Aqui não houve G3, canhões sem recuo, granadas ofensivas, ou defensivas, para abater um inimigo que tocou às nossas portas e por cá se instalou. No meu fará 20 anos no dia 27 de julho de 2026, que está malazenga por cá mora.

A tarde será acompanhada por cante Alentejano, Cantadores do Desassossego, de Beja, e o Grupo Musical "Os Alentejanos", de Serpa. 


Abraços camaradas e por lá vos espero.

José Saúde
Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BART 6523

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Nota de M.R.:

Último poste da série de 7 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P27997: Agenda Cultural (891): "Mais Alto", memórias de Enfermeiras Paraquedistas tornadas visíveis, exposição patente até 5 de Outubro de 2026 no MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia), Av. Brasília, Lisboa

domingo, 10 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28007: Humor de caserna (265): Quando, em 1991, o António Graça de Abreu meteu uma "cunha" ao imortal poeta chinês do séc. VIII, Li Bai, para que fosse desbloqueado, na nossa Secretaria de Estado da Cultura, o "patacão" do Prémio de Tradução que ele ganhara e que só receberia ano e meio depois (eram 500 contos, c. 6 mil euros a preços de hoje, o que dava para os dois beberem uns copos valentes)


Ilustração: representação clássica de Li Bai, poeta chinês do século VIII.


Capa do livro: "Poemas de Li Bai: tradução, prefácio e notas de António Graça de Abreu, 2ª ed. Macau: Instituto Cultural de Macau, 1996, 328 pp.  (1º ed., 1990).

Fotos (e legendas) : © António Graça de Abreu (2026). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. O nosso amigo e camarada António Graça de Abreu (n. Porto, 1947),  é licenciado em Filologia Germânica e Mestre em História pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Esteve na Guiné, como alferes miliciano, pertenceu ao CAOP 1 (Teixeira Pinto/Canchungo, Mansoa e Cufar, 1972/74). Integra a nossa Tabanca Grande desde 2007, tendo cerca de 390 referências no nosso blogue.

Entre 1977 e 1983 viveu e trabalhou na China, em Pequim e Xangai, tendo sido professor de Língua e Cultura Portuguesas na Universidade de Pequim e tradutor nas Edições de Pequim em Línguas Estrangeiras.

Tem diversos livros publicados na área da sinologia, da poesia e dos estudos luso-chineses, além da crónica de viagens (é um compulsivo viajante). 

Tem traduzido para português os grandes poetas clássicos chineses, a começar por Li Bai, Han Shan, Su Dongpo, Bai Juyim,  Wang Wei, Du Fu,  e outros.

Professor do ensino secundário, leccionou Sinologia na Universidade Nova de Lisboa e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas e, mais recentemente, na Universidade de Aveiro. É casado com uma médica chinesa de Xangai. O casal, que tem dois filhos, vive no concelho de  Cascais.

Publicou há dias um texto que merece honras de figurar na nossa série Humor de Caserna, mesmo que não se refira diretamente à tropa e à guerra.

De facto, ele é um homem de muitos talentos. Em 1991 ganhou um prémio de tradução de 500 mil escudos (equivalente a preços de hoje a pouco mais de 6 mil euros). Mas demorou ano e meio a receber o prémio. Daí esta carta, bem humorada, a meter uma "cunha" ao poeta Li Bai (séc. VIII) que ele traduziu. Os portugueses, que também gostam de meter cunhas a Deus através dos santos (e sobretudo das santas), reveem-se neste texto.  E os nossos camaradas ainda mais

É um texto delicioso,  um "mix" elegante de ironia fina, erudição e humor, com uma pitada de sarcasmo pela nossa proverbial e secular burocracia. 

É um exemplo magnífico de como o humor pode ser usado para criticar, sem azedume, sem amargura, os passos de lesma com que às vezes achamos que o país marcha.  

Fica bem no espírito e  na letra da série "Humor de Caserna". O tom é leve, mas inteligente, e a referência à vida militar (ainda que indireta) está lá, no nosso espírito de resiliência e desdém pelas teias burocráticas, sejam civis ou castrenses.

De resto, a narrativa é envolvente: a  estrutura da carta é cativante,  começando com uma descrição poética do paraíso de Li Bai, passando depois  pela frustração terrena do prémio anunciado mas não pago, e finalizando com um convite a uma viagem etílica por Portugal em com ou sem a "massa" do prémio... 

O prémio acabou por ser pago, tarde e a mais horas, em outubro de 1992, só não sabendo nós como e onde  é que o patacão foi gasto... e se o Li Bai acabou por aceitar vir cá baixo beber uns valentes copos com o António.


2. Facebook > António Graça de Abreu > Quinbta feira, 7 de maio de 2026, 19:56 > A propósito de um Grande Prémio de Tradução

Estes Poemas de Li Bai obtiveram o Grande Prémio de Tradução 1990, da Associação Portuguesa de Tradutores e do Pen Club, tendo o júri sido constituído por Yvette Centeno, Pedro Tamen e Casimiro de Brito.

O prémio, no valor de quinhentos mil escudos — e não mil contos, como inicialmente eu imaginara — foi-me entregue pelo poeta Pedro Támen, em outubro de 1992, em cerimónia na Livraria Buchholz, em Lisboa. 

O atraso na sua entrega deveu-se a dificuldades na obtenção da verba referente ao prémio, resultantes da reestruturação entretanto levada a cabo por Pedro Santana Lopes, então Secretário de Estado da Cultura.

Longe de todos estes problemas, em dezembro de 1991 escrevi uma carta ao poeta Li Bai, que foi publicada no jornal Comércio de Macau em fevereiro de 1992 e no Jornal de Letras em abril do mesmo ano. É essa carta que agora recupero e transcrevo:

Carta aberta ao poeta Li Bai (*)

Meu caríssimo Amigo

Escrevo-te para o Céu, onde vives há muitos milhares de anos. Um grou imaculado levar-te-á a minha carta.

Desculpa incomodar-te com míseras coisas terrenas. Sei que continuas a brincar em mares de névoa púrpura, a subir às nuvens, a humedecer o teu corpo com vapores rosa, a levantar a mão e a tocar a Lua, a passear entre os pontos cardeis, a beber vinho mágico em taças de jade, a voar com o vento e a rodopiar à vontade na imensão do céu. Gostava muito de te poder fazer companhia, mas quem sou eu para merecer tal benção dos deuses?

Foi célere a tua passagem pelo mundo dos homens. Por comportamento menos atilado entre as divindades celestiais, foste condenado a um duro degredo na Terra, entre os anos de 701 e 762. Imortal no exílio, inundaste então a China com a tua grande poesia. Depois, quase todos os homens te consideraram o maior de todos os poetas chineses. No país que habitaste, os meninos de escola — há muitas, muitas gerações —, conhecem bem o teu nome e sabem sempre de cor dois ou três poemas teus.

Eu conheci-te em Pequim e durante oito agitados anos, por Xangai, por Macau, por Lisboa, outra vez por Pequim, fui traduzindo para língua portuguesa alguma da tua poesia. Foi um alvoroço, uma longa aprendizagem, um prazer transmutar, recriar, reinventar os teus gufeng, lushi e jueju em versos na língua de poetas como Camões e Pessoa. Creio que sabes quem são. Talvez já os tenhas encontrado aí pelo Céu, o Camões finalmente feliz, trepando às árvores e amando docemente a sua Dinamene chinesa (?), o Pessoa, sereno e solitário, agora à vontade para ir “buscar ao ópio que consola, um Oriente ao oriente do Oriente.”

Em 1990, o Instituto Cultural de Macau editou os teus (meus) Poemas de Li Bai. A 7 de junho de 1991, recebi um simpático telegrama assinado pela Yvette Centeno, professora, escritora e literata. Um júri, representando a Associação Portuguesa de Tradutores e o Pen Club, havia acabado de decidir, por unanimidade, conceder-me o Grande Prémio de Tradução 1990 pelos teus (meus) Poemas de Li Bai.

Podes imaginar, fiquei naturalmente satisfeito. A tua grande poesia obtinha reconhecimento em Portugal, o meu trabalho merecera uma recompensa. Depois, importante, o prémio era de quinhentos contos, uns largos milhões de sapecas para gastar com a minha mulher chinesa, os meus filhos, livros, vinho e pequenos prazeres.

Há doze séculos, quando da tua passagem por este mundo, não existiam estes prémios literários. Quando muito, o imperador honrava os mais subservientes e medíocres letrados com um lugar na Academia Hanlin, por onde tu também passaste, com a velocidade de uma estrela cadente. Estamos agora no fim do século XX, em Portugal, um pequeno país da Europa, quase há quinhentos anos ligado à China através de Macau.

Apesar de Macau e do Grande Prémio de Tradução, pouca gente conhece o velho poeta Li Bai, beberrão e sábio, há tantos séculos inebriando-se de sol e de luar. No entanto, lá do outro lado do mundo, nas Nascentes Amarelas, o lugar habitado pelos mortais imortais, tu, de vez em quando, repetes com o teu amigo Han Yu (768-824), a ouvidos desatentos e desinteressados, que “o mais perfeito dos sons é a palavra e a poesia é a forma mais perfeita da palavra”.

Escrevo-te esta carta para te pedir um favor: depois de haver sido informado, em junho passado, que os teus (meus) Poemas de Li Bai haviam ganho o Grande Prémio de Tradução, não mais fui contactado por quem quer que seja. O Prémio caiu no absoluto silêncio e esquecimento, e nunca me foi entregue. Creio que o vou receber, algum dia.

Na tua estada neste mundo, nunca tiveste jeito para lidar com os poderosos, mas tenho a certeza de que aí no Céu vivem pessoas influentes, hábeis no trato, no relacionamento com o mundo dos homens, cá em baixo. Essa gente, hoje, respeita-te.

Peço-te, caríssimo Li Bai, que fales com alguém poderoso aí no Céu, sugerindo-lhe que interceda junto de alguém poderoso aqui na terra portuguesa, compondo as coisas de modo a que o Grande Prémio de Tradução me seja entregue.

Eu não estou zangado com ninguém. Conheço o meu país, sei como em Portugal — na tua China também —, decidir, resolver demoram sempre algum tempo. Mas caríssimo Li Bai, este prémio são quinhentos contos, dinheiro suficiente para uma festa de arromba.

Conheço também o teu gosto pelo vinho, pelos prazeres da vida e, mesmo sem prémio, queria-te convidar a descer, pelo alto das montanhas, até à minha aldeia. 

Portugal é bonito, as pessoas são afáveis e o vinho é óptimo. Eu vou-te buscar e viajaremos pela terra fora, pelo Douro, pelo Alentejo, de taberna em taberna, de adega em adega, saboreando, encharcando-nos em preciosos néctares. Lucidamente bêbados, afogaremos em bom vinho as tristezas da existência.

Depois, diante do mar, com o azul a passear nos olhos, iremos buscar uma nuvem branca, aconchegá-la-emos no coração e deslizaremos no espaço.

Saúda-te, com muito respeito e amizade, o
António Graça de Abreu

(Revisão / fixação de texto, negritos, itálicos, notas, título: LG) (**)
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Notas do editor LG:

(*) Observações:
  • Li Bai (701–762): poeta chinês da dinastia Tang, conhecido como o "Poeta Imortal"; escreveu sobre vinho, lua, montanhas e a efemeridade da vida; o  António traduziu a sua obra para português.
  • Gufeng, lushi e jueju: formas poéticas chinesas que Li Bai dominava.
  • Academia Hanlin: Instituição imperial chinesa onde Li Bai serviu brevemente.
  • 500 mil escudos (e náo mil contos, como pensava inicialmente o premiado): equivalente a cerca de 6 mil euros hoje; o prémio foi entregue apenas em outubro de 1992, um ano e tal depois da decisão do júri.
  • O Grande Prémio Internacional de Tradução Literária é um prémio literário instituído pela Associação Portuguesa de Tradutores. Inicialmente foi organizado em associação com o PEN Clube Português e o patrocínio da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, atualmente realiza-se com o patrocínio da Sociedade Portuguesa de Autores; o prémio é atribuído a traduções publicadas no ano anterior. O valor pecuniário atual é de 3 mil euros.
  • Dois membros do Prémio de 1991 já morreram, Pedro Tamen e Casimiro Brito.

(**) Último poste da série > 7 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P27996: Humor de caserna (264): o 1º cabo corneteiro António Torres (1949-2023), CCAÇ 3398 / BCAÇ 3852 (Buba, 1971/73), no HM 241, sujeito a uma delicada e embaraçosa operação cirúrgica a um varicocelo (Joaquim Pinto de Carvalho)

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P27997: Agenda Cultural (891): "Mais Alto", memórias de Enfermeiras Paraquedistas tornadas visíveis, exposição patente até 5 de Outubro de 2026 no MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia), Av. Brasília, Lisboa


Créditos: Foto: Paulo Spranger


A Exposição 'Mais Alto' estará no MAAT Central até 5 de outubro
As memórias de enfermeiras paraquedistas da guerra colonial tornadas visíveis


(...) fotografias e objetos pessoais de enfermeiras paraquedistas que participaram na guerra colonial (...)

(...) A artista olha o contexto da guerra colonial e para o lugar das mulheres naquele tempo através das vivências de antigas enfermeiras paraquedistas como Maria de Lourdes Mota, Maria Arminda Lopes, Rosa Serra Lopes, Eugénia Sousa, Maria Cristina da Silva, Aura Teles ou Maria Emília Sousa, quase todas octogenárias. As mulheres posam com orgulho: “É quem elas são, é a identidade delas. E a vontade de partilhar também tem a ver com isso (...)

(...) Entre 1961 e 1974, ao longo de 12 cursos, formaram-se em Portugal 47 enfermeiras paraquedistas que integraram o Batalhão de Caçadores Paraquedistas da Força Área Portuguesa. Foram as primeiras mulheres a entrar nas Forças Armadas, até então um domínio exclusivo de homens. (...)

(...) Em 1975, após a última missão de retirada de portugueses de Timor, deixou de haver enfermeiras paraquedistas na Força Aérea. Apenas em 1988 é que as mulheres viriam a poder ingressar nas Forças Armadas e só em 1991 é que puderam candidatar-se a piloto da Força Aérea.

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Nota do editor

Último post da série de 24 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27949: Agenda Cultural (890): Rescaldo da apresentação do livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos, que teve lugar no passado dia 21 de Abril, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27949: Agenda Cultural (890): Rescaldo da apresentação do livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos, que teve lugar no passado dia 21 de Abril, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 24 de Abril de 2026:

Confesso que me foi muito reconfortante apresentar este livro na casa onde me bacharelei e licenciei, aqui me apresentei vindo da Guiné, com o estatuto de estudante-militar, encontrei muita solidariedade de colegas que me facultaram apontamentos das aulas e preciosas referências bibliográficas, que me permitiram ir paulatinamente fazendo exames enquanto trabalhava na Agência Militar. Presidiu à sessão de apresentação o Professor José Pedro Serra, académico e diretor da biblioteca da Faculdade de Letras, contei com os prestimosos comentários de dois investigadores de gabarito, a quem devo admiração e muita amizade, António Duarte Silva e Eduardo Costa Dias, ambos com estudos de referência tanto sobre a colónia como o período posterior, da Guiné Independente.

Tive a alegria da comparência de várias dezenas de amigos, limitei-me a enunciar os principais tópicos que abordei no livro sobre os séculos XIX e XX: os conflitos diplomáticos com a França e com o Reino Unido, a questão do Casamansa e a questão de Bolama, as iniciativas políticas de Honório Pereira Barreto, que se revelaram determinantes para a configuração do atual Estado, as guerras do Forreá, o desastre de Bolor, a formação do distrito autónomo da Guiné, a formação da Província da Guiné, a ocupação militar, o destaque das medidas políticas dos principais governadores, tais como Carlos Pereira, Velez Caroço, Carvalho Viegas e Ricardo Vaz Monteiro, pondo ponto final com a governação do comandante Sarmento Rodrigues, que pôs a Guiné no mapa não só do Império português como no contexto africano, criando um espaço autónomo na chamada África Ocidental francesa.

Braima Galissá fez um memorável recital, ele é de facto um exímio tocador de Korá, tem um espetáculo marcado para o Centro Cultural de Belém, no dia 9 de maio, pelas 17h, intitulado Bela-Nafa, uma sugestão cultural para todos os nossos confrades que vivem em Lisboa e arredores.

Aspecto da sala
Na mesa: o autor Mário Beja Santos; o investigador e historiador António Duarte Silva, no uso da palavra; o Director da Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, José Pedro Serra e o Prof. Jubilado do ISCTE, Eduardo Costa Dias
José Pedro Serra no uso da palavra
O nosso confrade Mário Beja Santos, autor do livro em apresentação, usando da palavra
José Pedro Serra; o economista Jorge Braga de Macedo e o autor Mário Beja Santos
Braima Galissá, exímio tocador de korá, durante o seu recital
Mário Beja Santos e Braima Galissá

OBS: - Edição e legendagem das fotos: Carlos Vinhal
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Nota do editor

Último post da série de 16 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27925: Agenda Cultural (889): Apreciação de Philip Havik ao livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos, que será apresentado no próximo dia 21 de Abril de 2026, pelas 17h30, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

terça-feira, 21 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27937: Lembrete (55): Cerimónia de apresentação do livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos,: hoje, 21 de Abril de 2026, pelas 17h30, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Campo Grande


Capa do livro (Lisboa, Edições Húmus, 2026)




Sinopse do livro

A mais indefinível possessão portuguesa ganhou finalmente nome: Guiné.

Admitindo que navegadores portugueses aqui arribaram em finais da primeira metade do século XV, este espaço conheceu uma enormidade de nomes, desde Etiópia Menor, Guiné do Cabo Verde, Grande e Pequena Senegâmbia e muitos mais. Até que, em 1886, passou a chamar-se Guiné Portuguesa, e com menção constitucional. O livro aborda a história desta possessão de meados do século XIX e meados do século XX, um território que tinha praças e presídios, dependente de Cabo Verde; todas as companhias comerciais se tinham malogrado; foi preciso a comoção de um desastre militar num local chamado Bolor para, em 1879, se ter determinado a sua separação de Cabo Verde; estabeleceu-se uma capital em Bolama, mas a presença portuguesa manteve-se ténue, junto dos rios e rias. No final do século XIX, chegou a admitir-se a entrega da colónia a uma companhia majestática.





MÁRIO BEJA SANTOS


Biografia

Toda a sua vida profissional, entre 1974 e 2012, esteve orientada para a política dos consumidores. Ao nível da sua participação cívica e associativa, mantém-se ligado à problemática dos direitos dos doentes e da literacia em saúde, domínio onde já escreveu algumas obras orientadas para o diálogo dos utentes de saúde com os respetivos profissionais, a saber: Quem mexeu no meu comprimido?, 2009, e Tens bom remédio, 2013. Doente mas Previdente, dá continuidade a esta esfera de preocupações sobre a informação em saúde, capacitação do doente, o diálogo entre os profissionais de saúde, os utentes e os doentes.


(Com a devida vénia a Bertrand Livreiros)
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Nota de Mário Beja Santos:

A cerimónia de apresentação do livro será abrilhantada com uma actuação de Braima Galissá




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Notas do editor:

Vd. post de 11 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27911: Agenda Cultural (888): Convite para a cerimónia de apresentação do livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos, a levar a efeito no próximo dia 21 de Abril de 2026, pelas 17h30, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A obra será apresentada por António Duarte Silva e Eduardo Costa Dias

Último post da série de 17 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27434: Lembrete (54): Cerimónia Comemorativa do 107.º Aniversário do Armistício da Grande Guerra e 51.º Aniversário do fim da Guerra do Ultramar, que se realiza amanhã, dia 18 de novembro, pelas 10h00, no Forte do Bom Sucesso, em Belém, Lisboa. Durante a cerimónia o nosso Editor Luís Graça será agraciado com a Medalha de Honra ao Mérito, grau Ouro, da Liga dos Combatentes

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27925: Agenda Cultural (889): Apreciação de Philip Havik ao livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos, que será apresentado no próximo dia 21 de Abril de 2026, pelas 17h30, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Na impossibilidade de estar presente do próximo dia 21 de Abril, na FLUL, na cerimónia de apresentação do II Tomo de "Guiné - Bilhete de Identidade", da autoria do nosso confrade Mário Beja Santos, Philip Havik, doutorado em Ciências Sociais pela Universidade de Leiden - Países Baixos, distinto investigador, há muito ligado a Portugal, com ênfase na medicina tropical e em estudos orientados para a Guiné colonial, quis deixar a sua apreciação a esta obra de antologia para ser publicada no nosso Blogue.  


O mais recente opus de Mário Beja Santos, ‘Guiné - Bilhete de Identidade T. II: da Pequena Senegâmbia Guiné Portuguesa’ contem novamente uma antologia de textos cuidadosa selecionados em seis atos. Cobrindo um período de cem anos, dos meados do séc. XIX para o séc. XX, os textos amplamente citados e comentados, de autoria portuguesa e alguns franceses, levam o leitor numa viagem por este território que permite formar uma ideia da trajetória acidentada deste cantinho do dito império luso.

Principalmente servindo como um depósito de degredados e entreposto de exportação de escravos para as Américas, enfrentou grandes mudanças políticas nos séculos XIX e XX. Largamente esquecida até o Ultimato Britânico, o autor acompanha o despertar dos governos portugueses para não só revindicar, mas também de efetivamente ocupar parcelas do continente ‘distribuídos’ entre participantes da Conferência de Berlim. Nas 467 páginas o autor demonstra como os esforços diplomáticos vindo de dentro e fora da Guiné foram insuficientes para segurar a ‘Pequena Senegâmbia’ que o Honório Pereira Barreto ambicionava, esbatendo nas movimentações francesas na Casamance, ocupando pontos estratégicos, colocando as autoridades lusas perante um fait accompli.
O tratado luso-francês de 1886 que fixou pela primeira vez as fronteiras, foi encarado como uma derrota, por assinalar ‘a presença portuguesa […] ténue’ (p. 49) no terreno, que até aí se tinha limitado a uns presídios dispersos de uns meros centenas de metros quadrados. Quatro anos antes, o primeiro governador da ‘Guiné-Portuguesa’ ainda revindicava a zona da ‘Senegâmbia portuguesa do Sul do Rio Gâmbia até o Rio Nuno’ (p. 44/5).


Quando a partir de 1879 a ilha de Bolama alberga a capital da ‘Guiné Portuguesa’, os textos demonstram bem o facto que este território - governado durante séculos a partir de Cabo Verde - foi uma ficção do imaginário luso. Tal como o René Pélissier documentou na sua obra Naissance de la Guiné sobre as intermináveis guerras pelo domínio da Guiné, os relatos de oficiais e viajantes portugueses incluídos no livro lamentam e criticam duramente a falta de ambição e de êxito de sucessivos governadores e governantes na metrópole. Este abandono político contrasta com as pontas de cultivo de amendoim que começam a crescer na zona costeira da Guiné a partir dos anos 40 do século XIX, que por sua vez constituíram os primeiros passos para a colonização da terra africana, geridos por caboverdianos e ‘guinéus’. Foram eles próprios, nomeadamente as linhagens comerciais ou gan - cujo mais famoso exponente foi o Honório Pereira Barreto - que asseguraram a ‘herança’ Luso-Africana na zona, e conduziram a transição do tráfico de escravos trans-Atlântico para o chamado ‘comércio legítimo’, exportando as suas colheitas para o porto francês de Marseille… As fontes escritas tal como os relatórios dos governadores e relatos de viagem nos anos 80 e 90 do séc. XIX citados no livro lamentam amplamente a decadência destas feitorias e ainda sonham com ‘um futuro comercial brilhante’ mediante que a sua tão almejada ocupação ‘por todos os meios incluído a força’ (p. 133/4) se concretizasse.

Como os documentos do século XX perscrutados bem ilustram, a ocupação pela força em 1915 após campanhas muito sangrentas e devastadoras contra os povos costeiros conduzido com ‘quase só com irregulares’ (p. 360) numa terra ‘empapada de […] sangue’ (p. 229), afinal não transformou este futuro risonho em realidade. Após décadas de o comércio (de borracha e noz de palma) ter sido explorado por casas comerciais francesas e alemães, e companhias de capitais principalmente francêses terem adquiridos terrenos, a ocupação administrativa deste quinhão do império ‘insalubre’, mas repleto de riquezas naturais, não trouxe o fomento desejado pela 1.ª República. A ocupação da terra onde recém-chegados da metrópole eram recebidos com ‘as febres do paíz’ nos presídios cercados de pântanos, só trouxe diminutos capitais da metrópole, enquanto empresas como a CUF e a Casa Gouveia – além do Banco Ultramarino que tal com os primeiros deteve vastas explorações agrícolas - exerceram o quase monopólio do comercio de exportação, principalmente de amendoim não descascado. Sujeitando a ‘população indígena’ a novos estatutos fortemente discriminatórios e os régulos a nova ordem administrativa, os governos conduzem uma ‘politica indígena’ para impor a ‘pax lusitana’. Numa colónia onde se falava crioulo nos meios da função pública e do comércio, a obra de nacionalização podia, pensou-se, finalmente começar, como perspetivava um governador nos anos 20. Este mesmo deixou muito claro como se ia desenvolver o território: ‘Se o indígena não quer trabalhar, seja compelido a fazê-lo’ (p 238).

Virava-se assim, aparentemente, uma nova página na história desta Guiné, de curta duração, até que em 1963 estala o conflito armado. Passamos por descrições da rica flora e fauna guineense e do seu mosaico étnico complexo através de inquéritos etnográficos administrativos – não profissionais – que fazem distinções entre os dois extremos ‘dos atrasos de civilização’ dos Bijagós (p. 266) e ‘os racialmente superiores’ Futa-Fulas (p. 320), e as potencialidades da agricultura e o comércio, além de descrições da organização administrativa e seus serviços, sujeita a Reforma Administrativa Ultramarina nos anos 30 pelo Estado Novo (p. 351). Este último começa também por promover uma nova versão da então muito incipiente historiografia da Guiné, dos ‘descobrimentos’ até as ‘campanhas de pacificação’, após investidas anteriores de Cristiano José de Senna Barcellos (1899-1915), o geógrafo Ernesto Vasconcellos (1903) e de Carlos Pereira (1914), um antigo governador do território.

O Teixeira da Mota, oficial da Marinha, acaba por ‘atenuar’ e em parte ‘corrigir’ estas epístolas, quando publica os dois volumes da Guiné Portuguesa em 1954. Além de impulsionar uma série monografias administrativas baseado no inquérito etnográfico de 1946 que coordenou, ele também fundou o Centro de Estado da Guiné Portuguesa que publicou o Boletim Cultural da Guiné Portuguesa até 1973 (p. 374). Com as missões da Junta Científicas de Investigações do Ultramar (JCIU), forma o início de uma tentativa de documentar e investigar o território sob a batuta do governador Sarmento Rodrigues com o qual o livro fecha. Apelidado pelo autor como ‘o definidor da colónia guineense’ (p. 397), o Sarmento Rodrigues se afirma logo como um governante imbuído de um espírito reformista, que pretende desenvolver e modernizar o território.


Enquanto esperamos pelo terceiro tomo desta série, podemos já antecipar que este otimismo será de curta duração, e novamente posto em causa com o eclodir da guerra/luta em 1963. Parece que a história se repete… Para quem esteve no terreno da guerra nos fins dos anos 60, o autor encontrou neste segundo volume a inspiração e a oportunidade de partilhar com os leitores o seu conhecimento do terreno. Aliás, se nota nas páginas do livro que o conhecimento pessoal do autor dos vários cantos do território para construir uma antologia ‘passeada e comentada’, que é sem dúvida uma grande vantagem quando se comenta os muitos documentos que compõem este livro.

A sua paciência de consultar documentos e reservados poeirentos nas bibliotecas na capital, ilustra bem o seu comprometimento com a história deste pequeno talhão, a que se dedicou desde 2006, e que em 20 anos resultou numa ‘saga’ contínua de mais de dez livros publicados. Tal como disse, e cito: ‘Quando tudo leva a crer que estavam esgotados os filões sobre a Guiné, apareceu de rompante um projeto um tanto ambicioso …’ (p. 10) que, entretanto, resultou em dois volumes da Guiné-BI, deixando antever mais surpresas. A sua paixão não se limitou, como no caso de outros camaradas que lá combateram e descreveram as suas experiências no terreno – o que alias já fez em ‘dois volumes diarísticos’ (p. 9) – mas de ir mais a fundo sobre o passado e presente da Guiné-Bissau e as suas gentes, que hoje, ficaram, infelizmente, largamente esquecidas pela comunidade científica e o público em geral.


Philip J. Havik, abril 2026
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Nota do editor

Vd. post de 11 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27911: Agenda Cultural (888): Convite para a cerimónia de apresentação do livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos, a levar a feito no próximo dia 21 de Abril de 2026, pelas 17h30, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A obra será apresentada por António Duarte Silva e Eduardo Costa Dias.

sábado, 11 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27911: Agenda Cultural (888): Convite para a cerimónia de apresentação do livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos, a levar a efeito no próximo dia 21 de Abril de 2026, pelas 17h30, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A obra será apresentada por António Duarte Silva e Eduardo Costa Dias



Sinopse

A mais indefinível possessão portuguesa ganhou finalmente nome: Guiné.

Admitindo que navegadores portugueses aqui arribaram em finais da primeira metade do século XV, este espaço conheceu uma enormidade de nomes, desde Etiópia Menor, Guiné do Cabo Verde, Grande e Pequena Senegâmbia e muitos mais. Até que, em 1886, passou a chamar-se Guiné Portuguesa, e com menção constitucional. O livro aborda a história desta possessão de meados do século XIX e meados do século XX, um território que tinha praças e presídios, dependente de Cabo Verde; todas as companhias comerciais se tinham malogrado; foi preciso a comoção de um desastre militar num local chamado Bolor para, em 1879, se ter determinado a sua separação de Cabo Verde; estabeleceu-se uma capital em Bolama, mas a presença portuguesa manteve-se ténue, junto dos rios e rias. No final do século XIX, chegou a admitir-se a entrega da colónia a uma companhia majestática.



MÁRIO BEJA SANTOS

Biografia

Toda a sua vida profissional, entre 1974 e 2012, esteve orientada para a política dos consumidores. Ao nível da sua participação cívica e associativa, mantém-se ligado à problemática dos direitos dos doentes e da literacia em saúde, domínio onde já escreveu algumas obras orientadas para o diálogo dos utentes de saúde com os respetivos profissionais, a saber: Quem mexeu no meu comprimido?, 2009, e Tens bom remédio, 2013. Doente mas Previdente, dá continuidade a esta esfera de preocupações sobre a informação em saúde, capacitação do doente, o diálogo entre os profissionais de saúde, os utentes e os doentes.


(Com a devida vénia a Bertrand Livreiros)
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Nota de Mário Beja Santos:

A cerimónia de apresentação do livro será abrilhantada com uma actuação de Braima Galissá
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Notas do editor

Vd. post de 19 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27836: Antologia (101): "Guiné, Bilhete de Identidade, Tomo II, Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", a publicar brevemente (Mário Beja Santos)

Último post da série de 7 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27896: Agenda Cultural (887): Apresentação do Catálogo "O Movimento das Forças Armadas e o 25 de Abril", dia 9 de Abril de 2026, pelas 18h00, na Associação 25 de Abril, Rua da Misericórdia, 9 - Lisboa

terça-feira, 7 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27896: Agenda Cultural (887): Apresentação do Catálogo "O Movimento das Forças Armadas e o 25 de Abril", dia 9 de Abril de 2026, pelas 18h00, na Associação 25 de Abril, Rua da Misericórdia, 9 - Lisboa


Convido todos os meus amigos para estarem presentes na próxima 5.ª feira, dia 9 de Abril, na Associação 25 de Abril, pelas 18h00, para o lançamento do meu livro: "O MFA e o 25 de Abril".

É um livro especial. Sendo um catálogo da Exposição de 2024 de que fui curador, integra adaptações quer de texto quer de imagem que permitem uma leitura mais completa e fluida.

O livro é uma edição da Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril e da editora Âncora.

Pedro Lauret

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Nota do editor

Último post da série de 28 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27865: Agenda Cultural (886): A Sociedade de Geografia de Lisboa vai promover uma Conferência (em formato híbrido) promovida pela Secção de Antropologia, no próximo dia 17 abril de 2026 pelas 14h45, no Auditório Adriano Moreira, intitulada: “República da Guiné-Bissau: entre narrativas dedicadas à luta da libertação e aos dias de hoje”

sábado, 28 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27865: Agenda Cultural (886): A Sociedade de Geografia de Lisboa vai promover uma Conferência (em formato híbrido) promovida pela Secção de Antropologia, no próximo dia 17 abril de 2026 pelas 14h45, no Auditório Adriano Moreira, intitulada: “República da Guiné-Bissau: entre narrativas dedicadas à luta da libertação e aos dias de hoje”


O Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa tem a honra de Convidar V. Ex.ª a assistir à Conferência (em formato híbrido) promovida pela Secção de Antropologia, que se realiza no próximo dia 17 abril de 2026 pelas 14h45, no Auditório Adriano Moreira, intitulada:

“República da Guiné-Bissau: entre narrativas dedicadas à luta da libertação e aos dias de hoje”.

Será oradora a Prof.ª Doutora Catarina Casanova.

Ingressar na reunião Zoom

https://us06web.zoom.us/j/81969866566?pwd=nn9ia0nfige7e4u1Q5tiOPuz6j5qeS.1

ID da reunião: 819 6986 6566 - Senha: 335512

Sociedade de Geografia de Lisboa
Rua das Portas de Santo Antão, 100
1150-208 Lisboa - Portugal
213425401 - 935425401
www.socgeografialisboa.pt



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Nota do editor

Último post da série de 23 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27849: Agenda Cultural (885): Centro Português de Fotografia (antiga Cadeia e Tribunal da Relação), Porto: Exposição temporária: "África Vista por Duas Gerações (1938-1995) | Ernst Schade e Carol Alexander Schade, de 07.03 a 28.06.2026. Entrada livre

segunda-feira, 23 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27849: Agenda Cultural (885): Centro Português de Fotografia (antiga Cadeia e Tribunal da Relação), Porto: Exposição temporária: "África Vista por Duas Gerações (1938-1995) | Ernst Schade e Carol Alexander Schade, de 07.03 a 28.06.2026. Entrada livre.

 
© Ernst Schade

1. Esta exposição “África Vista Por Duas Gerações (1938-1995)" propõe um diálogo entre dois olhares fotográficos ligados por laços familiares e por uma profunda relação com África.

Em 1938, Carol Alexander Schade atravessou o continente africano, registando paisagens, povos e modos de vida num momento crucial do século XX.

Décadas depois, o seu filho, Ernst Schade, desenvolve um olhar humanista e comprometido, documentando conflitos, deslocações forçadas e processos de reconstrução em países africanos no período pós-colonial. 

Colocadas em diálogo, as fotografias de pai e filho revelam continuidades e contrastes entre arquivo histórico e fotografia contemporânea, afirmando a imagem como memória, testemunho e instrumento fundamental para a compreensão do mundo.

Entrada livre.

Centro Português de Fotografia

Antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto
Largo Amor de Perdição
4050-008 Porto • Portugal

(+351) 220 046 300 | mail.cpf@cpf.dglab.gov.pt



"Os rios do nosso litoral são excelentes vias de comuncação. Tabanca de Djobel"


Foto: © Ernst Schade (s/d) | www.ernstschade.com | Digitalização: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026) |


2. Informação adicional que nos foi facultada pelo nosso amigo Henk Eggens, também ele neerlandês e amigo do Ernst Schade. Ambos têm uma "relção especial" com a Guiné-Bissau, onde Henk foi médico, cooperante (Fulacunda e Bissau, 1980-1984). Ambos vivem em Portugal.

Ernst Schade (1949) cresceu no sul dos Países Baixos. Aos sete anos, recebeu do pai uma câmera Agfa
Clack, o início de uma dedicação vitalícia à fotografia. Estudou agricultura tropical, e o seu trabalho levou-o para o sul de África, onde colaborou com organizações internacionais de ajuda humanitária.

Durante a guerra civil em Moçambique, desempenhou um papel crucial no apoio a refugiados. A fotografia tornou-se uma parte essencial do seu trabalho: os clientes e doadores queriam imagens fiéis que retratassem a situação no local. 

Desde 1995, Ernst Schade vive em Lisboa. Trabalhou em vários países fricanos, mas a Guiné-Bissau tornou-se o seu principal campo de trabalho fotográfico. 

As suas obras foram exibidas em exposições na Europa e em África.

Schade constrói confiança antes de fotografar. Os seus retratos Schade constrói confiança antes de fotografar. Os seus retratos são o resultado de atenção e diálogo, com o objetivo de capturar a essência de uma pessoa ou momento - de forma honesta, direta e respeitosa.

Em 1938, Carol Alexander Schade (1909-1977), que viria a ser pai de Ernst, enviou um Ford V8 Woody Wagon para a Cidade do Cabo e, com um amigo, conduziu-o até ao Cairo em seis meses, percorrendo 27.139 km. 

Em 2024, Ernst conheceu o fotógrafo Carlos Cardoso, do Porto. Cardoso considerou a aventura do pai de Ernst e as fotografias que tirou tão especiais que o apresentou ao Centro Português de Fotografia.
Desta colaboração nasceu uma exposição com fotografias de pai e filho. 

A inauguração foi no dia 7 de março. A exposição estará patente até 28 de junho de 2026 no Centro
Português de Fotografia, no Porto.
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domingo, 1 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27784: Agenda Cultural (884): Lançamento do livro "AVC – Acidente Vascular Cerebral - Viagem ao Mundo dos Sobreviventes", da autoria de José Saúde, dia 3 de Março de 2026, pelas 18 horas, na Biblioteca Municipal de Beja José Saramago


1. O nosso Camarada José Saúde, ex-Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BART 6523 (Nova Lamego, Gabu) - 1973/74, enviou-nos a seguinte mensagem.


Convite aos camaradas

 

Camaradas,

Longe vão os tempos das nossas “viagens” pelas picadas na Guiné, ou de trilhos enigmáticos, onde, como jovens militares enviados para as frentes de combate, desbravámos misteriosos matos, sendo a incerteza do momento constante sempre uma incógnita.

 

 

Hoje, postados em idades já avançadas, outros “conflitos” mexem com egos que, nesta fase da vida, somos simplesmente contemplados, mas que jamais havíamos admitido. Mexer com o tema AVC – Acidente Vascular Cerebral – é tão-só receber uma acidentada notícia que parecia estar tão longe de nós.

 


Mas, como humanos, somos meras pessoas em que o confronto com esta realidade – AVC – é demasiado frágil. “AVC Viagem ao Mundo dos Sobreviventes” é o meu 12º livro, o qual será oficialmente apresentado ao público no dia 3 de março, 2026, 18h00, na Biblioteca Municipal de Beja José Saramago, Edições Colibri, onde para além da tarde cultural temos também uma parte musical, com o cantor Luís Lameira e com os Cantadores do Desassossego de Beja    

Espero vós, camaradas.

Um abraço,  

José Saúde

Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BART 6523

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Nota de M.R.:

Vd. último poste da série de 14 de maio de 2025 > Guiné 61/74 - P26799: Agenda Cultural (883 ): "Livros a Oeste | Festival do Leitor", Lourinhã, 13 a 17 de maio de 2025: a 13ª edição está a decorrer, sob o lema "A História é Uma Encruzilhada"

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 – P27745: Agenda cultural (912): Viajando num velho “Cadillac” da vida: lançamento de novo livro (o 12.º), "AVC - Viagem ao Mundo de Sobreviventes", no dia 3 de março de 2026, terça feira, pelas 18h00, na Biblioteca Municipal José Saramago - Beja (José Saúde)



Viajando num velho “Cadillac” da vida...




1. O nosso Camarada José Saúde, ex-Fur Mil OpEsp/RANGER da CCS do BART 6523 (Nova Lamego, Gabu) - 1973/74, enviou-nos a seguinte mensagem. 

Camaradas, 
Divagando por um horizonte já curto por mim visionado, ouso usufruir de uma sumptuosa viagem num velho “Cadillac” da vida e lá vou debitando palavras que entendo como primordiais para uma sociedade aparentemente credora de valores, quiçá culturais, que se lança noutros patamares, mas cujos protagonistas parecem esquecer que o escritor, homem simples e honesto, é tão-só um ser humano cuja narrativa nos conduz a um sumptuoso mundo onde se consumem, por vezes, aquilo que o povo chama “assobiar para o lado”.

Sabeis, porque somos homens já crescidos, que a nossa virtualidade física é agora já uma simples ilusão. Caminhámos outrora por trilhos de uma Guiné onde nos deparámos com os mais diversificados contratempos. Éramos jovens e fazíamos jus à nossa condição física. Aliás, dávamos um “pontapé nas estrelas” e tudo parecia correr contra a infinidade de um tempo que depressa se definhe.

Mas, somos afinal pequenas e simples gotas de orvalho que num breve fechar de olhos se diluem em mantos deveras suturados de plenas incertezas. Conheço o meu corpo, sei o que fui e o que hoje sou. Porém, já nada como dantes. 

Com 55 anos, quando a vida parecia-me correr às mil maravilhas, só que inesperadamente fui surpreendido com um AVC que me deixou entre a vida e a morte. Sobrevivi, recuperei a minha mente, e lancei-me, com maior cuidado, à condição de escritor, muito embora a minha vida fosse pautada por uma eficaz entrega ao mundo do jornalismo ao largo de dezenas de anos. Tenho, ainda, Carteira Profissional de Jornalista, atualizada, e continuo a escrever para órgãos de comunicação social.

Todavia, escrever para deixar memórias sempre me seduziu. No meu 12º livro trago a público um conjunto de realidades que passam, obviamente, pela temática do AVC. Escrevo o que é saber lidar com um AVC, toda a sua estatística, a sua conjetura e um conjunto de opiniões de companheiros que a dada altura das suas vidas se viram constrangidos com a sinistra realidade.

A Colibri, Lisboa, tem sido o palco dos meus diversificados livros. Neste contexto, afirmo-o, com segurança, que no dia 3 de março, terça feira pelas 18h00, 2026, a Biblioteca Municipal de Beja José Saramago, será o local ideal para a apresentação da minha última obra. 

Farei, simultaneamente, uma tarde também musical, onde estará presente o Grupo de Cantadores Desassossego, de Beja, e o cantor Ruben Lameira. 

Abraço camaradas e um até já
Zé Saúde
Fur Mil OpEsp/RANGER da CCS do BART 6523

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27678: Agenda cultural (911): "Complexo Brasil", uma exposição a não perder na Fundação Calouste Gulkenkian até ao próximo dia 17 de fevereiro





Data - 14 nov 2025 – 17 fev 2026  | 10:00 – 18:00
sáb, 10:00 – 21:00 | Encerra à Terça

Local: Galeria Principal e Galeria do Piso Inferior | Fundação Calouste Gulbenkian (FCG)

Preço: 8,00 € – 14,00 € Incluído no bilhete Exposições Temporárias Gulbenkian e All-inclusive
 
Domingo: Entrada gratuita das 14:00 – 18:00. Levantar presencialmente o bilhete numa das bilheteiras da FCG



Sinopse
 
Reunindo obras de arte, vídeos, peças musicais e documentos vários, a exposição complexo brasil propõe uma viagem pela cultura brasileira, procurando problematizar as relações seculares entre o Brasil e Portugal e promovendo o diálogo entre os dois países.

Com curadoria de José Miguel Wisnik, Milena Britto e Guilherme Wisnik, a exposição não é concebida como uma simples mostra de objetos, mas como uma travessia de experiências que pretende dissolver estereótipos e abrir novas perspetivas de entendimento.

Projetada por Daniela Thomas, a mostra ocupa as duas galerias do Edifício Sede da Fundação Calouste Gulbenkian, e é acompanhada por um programa de atividades paralelas e por uma publicação, que amplifica a investigação realizada pela equipa curatorial.

Esta exposição contém conteúdos inadequados para crianças e suscetíveis de ferir a sensibilidade dos visitantes.


Fonte: Fundação Calouste Gulbenkian

2. Alguns destaques feitos pelo editor LG, que visitou  a exposição no passado dia 25 de janeiro, e recomenda-a aos amigos e camaradas da Guiné. 

Recomenda-se também o livro-catálogo, "complexo brasil" (org. de José Miguel Wisnik, 2025, 240 pp.) (23,00 euros, preço de capa). 

Não perder os vídeos. E, claro, a Amazónia. Com calma e vagar, é uma tarde em que se aprende muito sobre  o "complexo Brasil" e o "Brasil complexo"...Que eu  não conheço, ao vivo e a cores. Talvez visite na próxima incarnação, se ainda existirem os povos da Amazónia.

Da página 11, reproduz-um excerto do discurso do Chico Buarque, na entrega do Prémio Camões, 2023:

"O meu pai era paulista, meu avô pernambucano, meu bisavô mineiro e meu tataravô baiano. Tenho antepassados negros e indígenas, cujos nomes meus antepassados brancos trataram de suprimir da história familiar. Como a imensa maioria do povo brasileiro, trago nas veias o sangue do açoitado e do açoitador (...).

E mais este excerto, delicioso, de Sérgio Rodrigues ("Qual o sabor da nossa língua?", 2023), pág. 14: 

"O português brasileiro não tem só acúcar, mas também dendê, sal, pimenta,alho, urucum,tucupi e cachaça  (...)."









Cabeças do Bando de Lampião. Fotografia.Arquivo Instituto Salles / ICCA e Sociedade do Cangaço










Denilson Baniwa (Brasil), The Call of the Wild / Yawareté tapuya, 2003 / O Chamado da Natureza//Yawareté Tapuia, 2023. Tina acrílica e pastel de óleo sobre tela  100 x 130 x 3,5 cm Antonio Murzi & Diana Morgan.

Fotos (e legendas): Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026), com a devida vénia *a FCG e aos curadotres


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Nota do editor LG: