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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28299: (De) Caras (252): João Bonifácio, ex-fur mil SAM, CCAÇ 2402 (Có, Mansabá e Olossato, 1968/70): história de vida um emigrande no Canadá, em BD
















  Toronto Welcome!















Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: João Bonifácio (2026)
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.



1. João Bonifácio foi furriel miliciano SAM (Serviço de Administração Militar), exercendo a difícil,  ingrata mas impreescindível função de vagomestre, na CCAÇ 2402 (Có, Mansabá e Olossato, Guiné, 1968/70).

37 meses ao serviço do exército português (dos quais 21 no CTIG). Como muitos de nós.

É beirão, nascido em Castelo Branco. Quando passou à "peluda", foi viver com a esposa e o filho para Lisboa. Descontente com o rumo das coisas em Portugal (e mesmo sabendo ou suspeitando que iria em breve acontecer um golpe de estado, afinal o 25 de Abril de 1974), decidiu ir viver e trabalhar para o Canadá, onde tinha amigos. Quatro anos depois de ter passado à disponibilidade.

Já aqui contou, em breves mas sentidas palavras, o que foi a sua história de  vida de emigrante,  de 1974 até hoje (*)... 

Achámos que isto merecia uma bonita e simpática BD em homenagem a este camarada da Tabanca da Diáspora Lusófona, membro da Tabanca Grande desde 1/12/2006, mas com escassas referências no blogue (cerca de 2 dezenas)...

A única foto que temos dele do tempo da Guiné (a fazer o "papel de repórter" na festa de Natal de 1968, em Có) é de muito má qualidade (cópia de uma fotocópia). 

Tem, todavia, uma grande força documental.  Está ali o Bonifácio, o vagomestre dos "Linces de Có", a CCAÇ 2402, na"festa de Natal de 1968",  a fazer de “repórter”, microfone em punho, e gravador ao ombro, talvez já com essa tendência para comunicar e participar que atravessou toda a sua vida (irá, de resto, trabalhar na rádio, em Toronto, e fundar, com mais alguns compatriotas, o Clube Português de Oshawa, Ontário, Canadá).  

É, pois,  uma fotografia com memória. E, para nós, aqui, vale muito. (Embira tenhamos pena de náo ter uam foto atual do nosso camarada.)

O texto do João Bonifácio, já aqui publicado (*) tem uma coisa que merece destaque: ele se não  se arma em herói (nem em vítima), não se põe em bicos de pés perante a sua própria história. Conta-a com simplicidade, e sem rodeios.

É, de resto, uma excelente história de vida,  não  muito diferente, por certo, da de muitos de nós, antigos combatentes, que decidiram não ficar em Portugal e tentar a sua sorte, noutras paragens, além Atlântico (EUA, Canadá, Brasil, Venezuela...) como sobretudo na Europa (França, Alemanha, Luxemburgo, Suiça...) mas também em África (Angola, Moçambique, África do Sul...). Infelizmente, não temos dados estatísticos sobre os antigos combatentes que, depois da "peluda", emigraram, quer os do Continente quer os da Madeira e Açores.

As circunstâncias em que o João G. Bonifácio sai de Portugal, em 15 de fevereiro de 1974 (4 anos depois de trer passado à disponibilidade, e a pouco mais de 2 meses do 25 de Abril) não deixam de ser "intrigantes": ele sabe ou suspeita (por via das suas ligações aos meios da "oposição democrática"; antes da tropa tinha trabalhado no escritório do advogado dr. Arlindo Vicente) que o país vai mudar, que o regime político vigente vai cair, e que a guerra em África vai ter que encontrar uma solução...

É uma dessas ironias da História que parecem escritas por um romancista: esteve quase a esperar pelo acontecimento, mas tomou a decisão de partir  antes de ele chegar. O João não fica, pela simples razão de que  já não acredita no futuro que o país lhe oferece, a ele e aos seus filhos.

Em contrapartida, no novo país que o acolhe, ele não vai ter  uma história de vida linear, nem de sucesso imediato.  Chegou ainda antes de perfazer os trinta anos  de idade, no dia 16 de fevereiro de 1974, data do seu  29º.  aniversário... Teve como prenda  um grande nevão em Toronto. 

Por outro lado, o Canadá estava a passar também pela grave crise económica de finais de 1973/ princípios de 1974 (Guerra do Yom Kippur, de 6 a 26 de outubro de 1973, embargo petrolífero da OPEP, primeiro grande choque petrolífero, subida de 400% do preço do barril de petróleo,  de 3 para 12 dólares,  em poucos meses, crise das economias capitalistas, etc.).


São três décadas de trabalho duro e de lenta mas bem conseguida adaptação a um novo país, completamente diferente da sua terra natal: fábrica de sofás, hospital de Oshawa, aprendizagem do inglês, Chrysler, biscates em pequenas empresas, agência de viagens, rádio portuguesa em Toronto, General Motors Canada, trinta anos de serviço, reforma, regresso a Portugal em 2011, tremenda desilusão e nova partida para o Canadá. (Não sabemos qual foi a rádio e TV portuguesa a que o João se refere: há varias, CHIN Radio TV,  a Camões Rafio TV, etc.)

Ou seja: é  toda uma vida construída aos poucos, a pulso, com trabalho, adaptação, inteligência, capacidade de aprender, resiliência... Mas  também com vontade de ser ajudar os outros.

E deixa um recado a eventuais candidatos à emigração para o Canadá; "Com o tempo tudo fica bem. O Canadá não é Portugal". pou seja, o Canadá é um país fiável, e bom para se vivver (tirando o maldito frio...).

É uma frase muito mais sábia do que parece. Não diz “o Canadá é melhor”. Diz simplesmente: "o Canadá é diferente, eu já não me adaptaria a Portugal". Mas uma pátria nova não substitui a antiga; aprende-se a viver entre dois mundos. E, para mais, com o nosso blogue a fazer a ponte, nestes últimos vinte anos.

E depois há o Clube Português de Oshawa/Oshawa Portuguese Club, fundado em 1978. Isso acrescenta uma dimensão bonita à história: João não se limitou a emigrar. Levou consigo uma comunidade e ajudou a construí-la. 

Hoje, quando fala português, inglês e francês e ajuda outros emigrantes a tratar de assuntos legais (impostos, desemprego, emigração, saúde,  segurança social,  etc.), vê-se que gosta de ajudar. Percebe-se, enfim, que aquela integração não significou apagar as raízes. 

Voltando à fotografia do Natal de Có de 1968: é a fotografia de um camarada nosso  antes de saber (ou sequer de imaginar)  que, cinco anos depois, estaria a embarcar para o Canadá.

E isso dá-lhe uma força narrativa enorme. Daí o título que escolhemos para esta BD: “De Có para Oshawa: a longa viagem de João Bonifácio”, Mas também poderia ser outra,  talvez até mais alinhada com o espírito do nosso blogue: “Quando a Pátria não foi Mátria, foi Madrasta: a história canadiana de João Bonifácio”.

Aliás, há uma continuidade com o meu comentário de 2006, de boas vindas. Na altura escrevi: “Eu sei que a Pátria não foi Mátria para ti, foi madrasta.” (***).

Claro que houve mágoa, e raiva. Hoje, vinte anos depois, é o próprio João que nos conta o que fez com essa mágoa e essa raiva. Não ficou parado, no meio da picada da vida a lamber as feridas. Construiu uma vida e uma família. Ficamos orgulhosos dele.

Essa é provavelmente a melhor homenagem que podemos fazer-lhe, aos 81 anos:  não,  não  foi  mais  um antigo combatante da guerra do ultramar / guerra colonial que "virou costas" à sua Pátria ou que "cuspiu na sopa"...  Pelo contrário, foi um homem que, depois de 37 meses no exército (e 21 meses e 4 dias na Guiné), teve a coragem de procurar noutro lugar do planeta a vida que entendia merecer, para ele  e a família, sem nunca deixar de ser português e de falar português. 

João, rápidas melhoras e volta sempre!... Serás bem vindo, à tua Pátria portuguesa (agora tens duas, a nossa e a canadiana, aproveita o melhor de cada uma delas). 

E toma boa nota:  a Pátria Portuguesa não é o 1º sargento  ou o  tenente SGE da secretaria  do RI 1 da Amadora, a tua unidade mobilizadora,  que te exigiu 1500 escudos em estampilhas fiscais, o custo exorbitante da taxa   da licença militar que pediste para obter  o "passaporte da liberdade" (1500 escudos em 1974 seriam equivalentes a 300 euros, a preços atuais).

Um alfabravo caloroso  do Luís Graça.

26 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28295: Tabanca da Diáspora Lusófona (43): From John (Crisostomo), USA, to John (Bonifacio), Canada

(**) Último poste da série > 19 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28270: (De) Caras (251): Luís Tinoco de Faria (1927-1966), ex-cap pqdt, morto aos 39 anos, em combate, no corredor de Guileje: livro de homenagem que está a ser organizado por Elsa Coxinho

(***) Vd poste de 1 de dezembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1331: Blogoterapia (9): Quando a Pátria não é Mátria para ti (João Bonifácio, Canadá, ex-fur mil vagomestre, CCAÇ 2402 / BCAÇ 2851, Có, Mansabá e Olossato, 1968/70)

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28296: Tabanca da Diáspora Lusófona (44): A minha ida para o Canadá, em fevereiro de 1974 (João Bonifácio, ex-fur mil SAM, CCAÇ 2402, Có, Mansabá e Olossato, 1968/70)









Capa da brochura "Memórias da CCAÇ 2402 (Guiné 1968/1970), Volume II", mimeog", 2008, páginas inumeradas,il. (Coordenação: Raul Albino, 1944-2020).


Ele foi um dos colaboradores deste II Volume, juntmente com o ex-cap inf Vargas Cardoso, também já falecido em 2023,  e de outros camaradas como o Carlos Sacramemto, Carlos Santiago, Carlos Costa, Joaquim Ramalho, Maurício Esparteiro, António Maria Veríssimo, António Fangueiro da Silva, e o próprio Raul Albino. O João Bonifácio é membro da nossa Tabanca Grande desde 1 de dezembro de 2006.

Em homenagem ao Raul Albino, ex-alf mil da CCAL 2402, que nos deixou em plena pandemia  (, aliás foi o próprio João Bonifácio que nos deu a triste notícia),  reproduzimos no poste P21652 dois aponatmentos sobre o Natal de 1968 e de 1969, da autoria do João, incluidos naquela brochura.

As fotos de cima (e as legendas) são do João G. Bonifácio, ex-fur mil SAM, da CCAÇ 2402 (Có, Mansabá e Olossato, 1968/70), a viver no Canadá (Oshawa, Ontario).

Fotos (e legendas): © João Bonifácio (2008. Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]






A história da minha ida para o Canadá, em 1974

por João Bonifácio

Vamos ver como vou ser justo, porque tanto o Luís como o João Crisóstomo querem saber como é que eu vim parar ao Canadá. 

As histórias são quase todas semelhantes. Nem tudo correu bem, e eu nem queria acredita ter servido o exército por 37 meses ( 21 meses e quatro dias npo CTIG). Na verdade eu até nem precisava de emigrar, estando bem empregado. 

Creio que o descontentamento de tudo o que se estava a desenrolar em Portugal, fez com que eu assim decidisse ir para o Canadá. Sair de Portugal foi na verdade o mesmo que deixar tudo e todos a chorar de saudade, mesmo antes de embarcar. Em 15 de fevereiro viajei na TAP para Toronto.

A Montreal chegamos atrasados e por isso estivemos à espera de um avião da Air Canada. À chegada a Toronto, e já numa hora tardia, tínhamos à espera uma tempestadade de neve, frio e uns amigos que nos foram esperar ao aeroporto. 

No dia 16 de fevereiro eu fazia anos. Quando acordei e espreitei pela janela, tudo era um manto branco de neve e as ruas completamente vazias. Também aqui não foi fácil, pois entrámos no Canada no meio de uma depressão económica. Fui ultrapassando estas pequenas/grandes tormentas e fui trabalhar para uma fábrica de sofás, onde não estive muito tempo..

Mudei para o Hospital de Oshawa onde estive 26 meses. Aqui melhorei o inglês e até me ajudou a adaptar ao convívio com pessoas de várias etnias.

No hospital aprendi muito. Do hospital mudei para a Chrysler, na indústria automóvel, onde tínhamos um vencimento bastante bom e com todos os benefícios inerentes, negociados pelo sindicato. Com trabalho extra até arrecadava um cheque semanal muito positivo. 

A minha vida mudava todos os dias. Durante este período fiz escritas de pequenas empresas, trabalhei em duas agências de viagens e um dia até fiz radio em Toronto, a 50 kms da minha morada. A rádio foi a cereja no topo do bolo. Fiz anúncios, notícias e conheci artistas de Portugal e do Brasil.

A idade não perdoa e a certa altura eu comecei a fazer menos. Mudei para a GM Canada onde desempenhei varias tarefas desde a montagem, à inspeção e preparação de documentos para exportação. Cheguei ao fim com 30 anos de serviço e fiz a maior asneira possivel. Vendi tudo e fui embora para a terra do sol.

Portugal já não era o mesmo, e ao fim de um ano e pouco embrulhei tudo e regressei ao Canadã. Todos os meus planos e desejos cairam por terra. Isto aconteceu em marco de 2011 e agora tudo mudou. 

Consegui uma reforma muito confortável e com um pacote de benefícios invejável. Praticamente nada pago na saúde. Contudo o custo de vidaé levado, mas vamos gerindo tudo com calma. É uma vida diferente, e notamos que não ha imigração como na Europa. 

Agora temos os filhos de portugueses que cresceram e constituíram familia.  Tive a honra de formar o Clube Portugues de Oshawa em fevereiro de 1978, com a ajuda de uns amigos, é lá que ainda passamos horas de convívio,

Hoje posso dizer que estou integrado e,  como estudei em Beja, estou bem com o inglês e o francês, para além do meu português que me tem ajudado a fazer traduções e que me faz muito orgulhoso. 

Como gosto de ajudar, estou bem em lidar com o departamento de desemprego, de impostos e finançaas, serviços de saúde e sociais, onde a ajuda aos menos afortunados é muito apreciada. 

Esta é a história da minha vinda para o Canadá. Para os que ainda sonham emigrar, apenas sugiro que deixem o tempo ajudar a adaptação. Com o tempo tudo fica bem. O Canada não é Portugal. Cada um com as sus próprias valências e motivações de futuro risonho. 

Portugal é apenas o resultado da falta de cuidado. Incêndios, desmoronamentos, acidentes e crime sem razãoo, e muitas dificuldades de todo o género. Estou à espera de melhorar um pouco para poder ir até Lisboa. 

Obrigado a todos os que lerem este testamento e também que respondam ao que não gostarem. Ao Luís e João por favor bebam um cafe a meio deste desabafo. Fiquem bem e até breve.

João Bonifácio
ex-fur mil do SAM
CC2402 / BCAÇ 2851
(Có, Mansabá, Olossato, 1968/70)

Oshawa, Ontario, Canada (***)

(Fica a c. 60 km, a nordeste de Toronto, capital da província de Ontario)
___________________

Notas do editor LG:

(*) Vd- pposte de 26 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28295: Tabanca da Diáspora Lusófona (43): From John (Crisostomo), USA, to John (Bonifacio), Canada


(***) Vd. poste de 1 de dezembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1331: Blogoterapia (9): Quando a Pátria não é Mátria para ti (João Bonifácio, Canadá, ex-fur mil vagomestre, CCAÇ 2402 / BCAÇ 2851, Có, Mansabá e Olossato, 1968/70)

(...) O ex-alf mil Raul Albino fez o favor de me enviar este site, e eu, quando posso, procuro rever toda a Guiné, através das exposições de todos os nossos ex- camaradas, a todos os níveis.

Depois de finda a minha comissão, como Furriel Miliciano do SAM (vulgo,vagomestre), e após um pequeno período de descanso e adaptação, regressei a Lisboa com a minha esposa e filho, onde reatámos as nossas vidas.

Não foi longa a minha estadia em Portugal, uma vez que a desilusão que sofri ao regressar... Assim, ao ver que o futuro seria complicado para os filhos, decidi pedir autorização para sair de Portugal, com destino ao Canadá.

Se na altura eu me sentia ofendido com o meu próprio país, bem pode imaginar quando na Amadora me pediram 1500 escudos em selos, para selar a minha desvinculação a Portugal. 

Saí de Portugal a 15 de fevereiro de 1974, mas já sabia que alguma coisa se iria em breve passar. Mas era tarde, eu havia decidido que, depois de 37 meses no exército e 21 meses e 4 dias na Guiné, devia merecer mais um pouco de compreensão. (...)

(...) Comentário de L.G.:

Meu caro João /My dear John:

(...) Fico muito sensibilizado com a tua mensagem… Eu sei que a Pátria não foi Mátria para ti, foi madrasta... E eu sou o primeiro a ser solidário contigo, eu que decidi ficar na terra que me viu nascer... Sei que isso não te vai servir de consolo, mas não imaginas o rol de reclamações que recebo neste pequeno canto da blogosfera!... 

Enfim, o importante é que hoje estejas bem, nesse grande país que eu admiro… Mas as tuas raízes, a tua identidade, o teu passado estão aqui, estão connosco… Nenhum de nós terá futuro, se não souber preservar e até alimentar o passado. A Guiné marcou-nos a todos, com o seu ferrete... Mas foi em português, na língua de Camões, que exprimimos os sentimentos mais nobres ou dissémos os palavrões mais horríveis. 

João: não adianta. Não se escolhe a Pátria, não se escolhem os pais nem os irmãos, não se escolhe a língua materna... Mas dessa ao menos eu tenho (e tu tens, nós temos) orgulho... É em português, e em bom português, que comunicamos na blogosfera, neste blogue, na nossa tertúlia, nesta caserna virtual onde todos cabemos, de Lisboa a Bissau, de Viana do Castelo a Toronto, de Coimbra a Luanda.  (...) 

Guiné 61/74 - P28295: Tabanca da Diáspora Lusófona (43): From John (Crisostomo), Queens, New York, USA, to John (Bonifacio), Oshawa, Ontario, Canada




Bandeiras de Portugal, Canadá e EUA
 
Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)

João Crisóstomo.
Cartoon: Gemini IA / Google + LG

1. Mensagem que o João Crisóstomo, régulo da Tabanca da Diáspora Lusófona, mandou a partir da sua casa em Queens, Nova Iorque, para o João Bonifácio, que vive em Oshawa, 60 km a nordeste de Toronto, Onta5rio, Canadá, e  que foi fur mil SAM,  CCAÇ 2402/BCAÇ 2851 (Có, Mansabá e Olossato, 1968/70) (*):


Sent: Monday, August 24, 2026 5:46 AM
To: John Bonifacio 
Subject: Hello de Nova Iorque

Caro Bonifácio,

Oxalá recebas este. Manda-me o teu número de telefone para podermos cavaquear um pouco, Ok? Se quiseres, o meu telefone é o (...),

Um grande abraço dum velhote ( eu sou de 1965-67) e já fiz os meus 82… E, como tu, acarretando as maleitas de que falas…

João, Nova Iorque
John Crisostomo

2. O João Bonifácio (de quem, espantosamente, ainda não temos nenhuma foto atual no blogue...) respondeu nestes termos (conforme cópia que o João Crisóstomo  nos facultou):
 

 On Aug 24, 2026, at 11:30 PM, John Bonifacio wrote:

Olá, John,

Acuso recebido o teu e-mail, que agradeço e me admiro do teu interesse em comunicar comigo. Lembro-me dos e-mails anteriores e nunca percebi como chegaste à minha morada, e do mesmo modo, como tens passado a tua vida, e com os contatos que ganhaste ao longo da vida.

Os meus 81 anos e as dores nas pernas como resultado do Covid19, tiram-me um pouco da liberdade que sempre tive de explorar outros terrenos. Sou uma pessoa pacata que um dia resolveu escrever as suas histórias na Guiné-Bissau. Não sei se foi por aí que tudo iniciou, mas na verdade, apenas tenho uma vaga ideia do teu passado, dos trabalhos, como vieste para os USA. Aliás o teu currículo ~´e muito rico e variado, e por isso eu,  não sabendo dos detalhes, achei que não seria correto trocar ideias por este meio.

Estou no Canadá desde fevereiro de 1974, mas não sei porque aqui vim parar. Talvez porque sabia de tudo do nosso 25 de Abril e,  mesmo não sendo politico, tive o meu primeiro trabalho em Lisboa como escriturário do Dr Arlindo Vicente, que com o gen Humberto Delgado formaram as candidaturas para Presidente da Republica , em 1958.

Nessa altura estudava eu em Castelo Branco.

A partir desta altura, foi um desenrolar de emoções, que vou deixar para outra vez. Hoje foi um dia complicado e perdoa por ter de parar por aqui. Voltarei em breve.

Um abraço e Obrigado.
João


3. Resposta do João Crisóstomo ao João Bonifácio (e que partilhou connosco, recebida por nós na terça, 25/08/2026, 13:15):

Bom dia, Bonifácio,

"Me admiro do teu interesse em comunicar comigo": comungar a nossa vida com outros parece-me ser a coisa mais natural deste mundo. Faz parte do nosso ADN. Creio que qualquer pessoa que se encontrasse numa ilha sozinho, numa situação de completo isolamento, a coisa que mais desejaria seria não só o de encontrar alguém, como de poder partilhar —dar e receber —a sua vida com outros. 

Portanto não te admires do meu interesse de comunicar. Ao fazê-lo estou dar seguimento a um instinto natural, de alguma maneira na esperança de um "viver mútuo”. Creio por exemplo que se alguém descobrir que outra pessoa precisa de alguma coisa (maneira de curar uma doença,satisfazer uma deficiência, "dar de beber a quem tem sede e de comer a quem tem fome”, e coisas assim), a primeira coisa que quer fazer é satisfazer essa deficiência, de poder talvez ajudar outros com a sua vida e ao mesmo tempo beneficiar da vida de outros. 

É isso que todos nós fazemos todos os dias conscientemente ou não. Relatar e escrever as nossas vidas e ler as experiências e vidas de outros …E por isso este nosso blogue veio preencher uma lacuna, agora bem mais pequena, quebrado que foi o isolamento em que muitos de nós, camaradas que fomos na Guiné, nos encontrávamos.

Espero com muito interesse a tua  história acerca da tua vivência no Canadá, onde chegaste  em fevereiro de 1974.
 
Depois do que escrevi , curioso, fui investigar no nosso blogue a tua participação. E vim a encontrar o muito que escreveste em 2007 e anos seguintes,  ainda eu nem sabia da existência deste blogue. "Shame on me"! (Que vergonha!),  como se costuma dizer, pois, se sou desculpado por não ter lido o que escreveste nessa altura, não tenho desculpas de não ter lido vários outros “posts” teus, inclusive sobre a tua experiência de teres regressado a Portugal e, desiludido, teres voltado de novo para o Canadá.

Mas agora não vou deixar de ler tudo isso. Tanto mais que eu, mais que uma vez, também cheguei a pensar voltar; mas por uma razão ou outra (várias, aliás) acabei sempre por decidir ficar por cá.

Bom! aqui fica mais uma vez o meu número de telefone (....).

Se me quiseres dar o teu número eu ligo-te e podemos falar pelo telefone, que é ainda a melhor maneira de cavaquear, possibilitando trocas instantâneas de informações nem sempre possíveis de outra maneira.

Um abraço amigo,
João


4. Publicaremos, em poste a seguir, a mensagem que o João Bonifácio escreveu com um resumo da sua história de vida. 

Recorde-se que o João Bonifácio foi, "de facto et de jiure", membro da nossa Tabanca Grande em 1/12/2006. Portanto é um dos nossos veteraníssimos (**). Embora, excecionalmente, não tenhamos nenhuma foto dele, atual, no blogue. Passa a ser também membro da Tabanca da Diáspora Lusófona (***)

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Notas do editor LG:


(**) Vd. poste de 1 de dezembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1331: Blogoterapia (9): Quando a Pátria não é Mátria para ti (João Bonifácio, Canadá, ex-fur mil vagomestre, CCAÇ 2402 / BCAÇ 2851, Có, Mansabá e Olossato, 1968/70)

domingo, 23 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28286: O Nosso Livro de Visitas (232): João Bonifácio, a viver no Canadá desde 1974, ex-Fur Mil Sam da CCAÇ 2402 / BCAÇ 2851 (Có, Mansabá e Olossato, 1968/70)


1. Mensagem do nosso camarada João Bonifácio, Ex-Fur Mil do SAM da CCAÇ 2402/BCAÇ 2851 (Có, Mansabá e Olossato, 1968/70), com data de 14 de Agosto de 2026:

Parece ser o momento para por este meio enviar um abraço amigo a todos os que por aqui ainda visitam e escrevem.
Não tenho muito para contar, porque não esperava ver-me mais uma vez a entrar pela Tabanca do Luís e amigos. O tempo passa e já vão 16 anos desde que tive a triste ideia de me reformar em Portugal. Mas não é tudo mau. Já não tenho 65 anos mas estou a perder altitude nos 81 e em Fevereiro já cá cantam 82.

Nesta reforma que todos tanto desejamos, ficam as dores nas pernas e as energias que se vão perdendo. Por causa disso, não tenho podido ir a Portugal.
No próximo dia 5 de Setembro, o Esparteiro irá fazer a última reunião militar da CCAÇ 2402. Já se perderam muitos amigos e camaradas e em conjunto com a idade, temos de analisar a situação financeira de alguns, que já não podem andar na estrada, para se deslocarem para os pontos de reunião.

Neste ponto, eu apenas desejava dizer-lhes que estou bem vivo, com dores aqui e ali, mas ainda capaz de escrever e dizer-lhes que aprecio muito poder enviar um abraço amigo para todos, e pedir ao nosso chefe de Tabanca que aceite e divulgue as minhas saudações. Para o Luís Graça e todos os restantes, o meu eterno agradecimento por nos dar esta oportunidade.

Pronto. Um dia destes escrevo uma história acerca da minha vivência no Canadá, onde cheguei em Fevereiro de 1974. Again, thank you, stay well and enjoy life.

João Bonifácio
Ex-Fur Mil do SAM
CCAÇ 2402/BCAÇ 2851
Có, Mansabá e Olossato
1968/70

_____________

Nota do editor

Último post da série de 21 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28275: O Nosso Livro de Visitas (231): Arsénio Puim, antigo alferes graduado capelão, CCS/BART 2917 (Bambadinca, 1970/72), acaba de lançar um novo livro sobre o povo da sua ilha, e vem "partir mantenhas"

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28112: Tabanca da Diáspora Lusófona (40): quantos portugueses e lusodescendentes há no mundo (e em especial no "Novo Mundo") ? E qual o universos dos lusófonos ? Teremos mais de 30 milhões de portugueses e lusodescententes e c. 3 centenas de milhões de lusófonos - Parte I









Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Imagem:  Vilma e João (2018)

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


1. João e Vilma, desta vez consegui fintar os "filtros" do ChatGPT, a IA americana que é tão ciosa da vossa privacidade... Disse-lhe: "Faz-me lá um 'boneco' ('cartoon', bem humorado), tendo como cenário a Tabanca da Diáspora Lusófona (que pertence ao universo da Tabanca Grande, a mãe de todas as tabancas).... Tem sede (simbólica) em Queens, Nova Iorque... O régulo é o conhecido luso-americano João Crisóstomo, figura pública, ativista social, etc., secretariado pela luso-eslovena-americana Vilma Kracun... 

"Bom, a Tabanca  devia estar cheia, a abarrotar... Mas não, são só  por enquanto meia dúzia de bravos camaradas, de ascendência portuguesa, dispersos, pelo 'Novo Mundo' (Canadá, EUA, Brasil...), África, Ásia, Austrália... E, claro,  Europa, o "Velho Mundo" (por excelência), que se está a tornar cada mais xenófobo e racista, para desventura nossa"... 

EUA > Nova Iorque > Mineola > 2018 > Vilma Kracun Crisóstomo e João Crisóstomo, na Parada alusiva ao Dia de Portugal, em Mineola, NY, 10 de junho de 2018. A Vilma é de origem eslovena, naturalizada americana, portuguesa de coração.



 O régulo João Crisóstomo  muito tem feito, de megafone e telefone em punho, para convocar as "ovelhas tresmalhadas deste grande rebanho" (sem ofensa para ninguém, afinal, somos todos do reino "animal", da classe dos "mamíferos", com lã ou sem lã, antes de sermos "primatas" (ordem) e depois "humanos" (género Homo, espécie H. sapiens).

Diáspora lusófona,  dizes tu ?!... O Portugal europeu representa hoje uma fração muito pequena (pouco mais de 3%) do universo global de "quem sente, pensa e fala em português", da luso-guineense Tita Pipoka ao escritor moçambicano Mia Couto (que ainda não ganhou o Prémio Nobel da Literatura só porque é...africano branco, isto é, aos olhos dos suecos tem o pecado original de ser filho de... colonialistas).

A nossa língua há muito que deixou de nos "pertencer", a nós, portugueses europeus (pese embora alguns chauvinistas, puristas, colonialistas, supremacistas e outros "istas", que sobraram dos escombros do "império", e que se consideram "donos e senhores da língua portuguesa"...).  

Entendamo-nos, e sem querer ferir as suscetibilidades, muito menos os "pergaminhos" de ninguém: o português há muito que não é  "exclusivamente europeu",   tornou-se um idioma verdadeiramente pluricontinental, atlântico, global...A culpa foi dos que não deram ouvidos ao "velho do Restelo" (*). 

2. Para quem não sabe, o português é a língua oficial de 9 países espalhados por quatro continentes: Europa, América, África e Ásia. E é falado em todos os continentes, incluindo o Círculo Polar Ártico (pelo Zé Belo e as suas renas).
Estes países formam a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)
  • Europa: Portugal
  • América: Brasil
  • África: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique e São Tomé e Príncipe
  • Ásia: Timor-Leste.
Além destes países, o português também possui o estatuto de língua oficial na Região Administrativa Especial de Macau, na China. 
 Atualmente, estima-se que existam cerca de 290 a 300 milhões de lusófonos em todo o mundo. É a quarta língua materna mais falada no planeta (atrás do mandarim, do inglês e do espanhol) e a mais falada no Hemisfério Sul.
Mas antes de apresentarmos o retrato estatístico atualizado e o "mapa" desta nossa vasta pátria geopolítica e cultural, respondamos à pergunta: 

(i) quantos portugueses e descendentes de portugueses há no mundo, e nomeadamente no "Novo Mundo" (Brasil, Canadá, EUA, Venezuela, etc.)? Claro que nem todos falam o português... 

(ii) a outra pergunta é: quantos lusófonos há no mundo ? 

Com a ajuda de 3 ferramentas de IA e outras fontes disponíveis na Net (Wikipedia, Observatório da Emigração, etc.) , vamos tentar responder, aproximadamente,  a estas duas perguntas, suscitadas  em parte pelas imagens que nos chegam, pela televisão (que eu não vejo, só espreito), por estes dias em que está a decorrer o Campeonato do Mundo de Futebol (11 de junho - 19 de julho) no "Novo Mundo" (EUA, Canadá e México). 

Para teres teres informação mais detalhada, camarada, consulta o Observatório da Emigração  (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) | ISCTE | Instituto Universitário de Lisboa)

3. Diz o ChatGPT, que "é impossível dar um número exato, porque depende muito da definição de 'descendente de portugueses'. Se contarmos apenas filhos e netos de emigrantes recentes, o total é relativamente reduzido; se incluirmos pessoas com qualquer ascendência portuguesa, especialmente no Brasil, os valores tornam-se enormes."

E faz a seguinte estimativa  estimativa aproximada:
  • Brasil: entre 80 e mais de 150 milhões de pessoas terão alguma ascendência portuguesa, dependendo dos critérios utilizados;
  • muitos historiadores consideram que a esmagadora maioria da população brasileira possui pelo menos alguma herança portuguesa devido aos séculos de colonização e miscigenação;
  • Estados Unidos: cerca de 1,3 a 1,5 milhões de pessoas identificam-se como portuguesas ou luso-descendentes;
  • Canadá: aproximadamente 500 mil a 600 mil luso-descendentes;
  • Venezuela: as estimativas variam bastante, mas apontam para algumas centenas de milhares de pessoas de origem portuguesa.

Conclusão do ChatGPT (que dá importância ao critério da ancestralidade): no conjunto das Américas ("Novo Mundo"), "uma estimativa prudente situa o número de portugueses e descendentes de portugueses em mais de 85 milhões de pessoas, sendo que o Brasil representa de longe a maior parcela. Dependendo da definição de “descendente”, esse total pode ser significativamente superior".

Desde quando existe esta presença, perguntamos nós?

Resposta da ferramenta de IA: 

A presença portuguesa na América remonta ao início do século XVI:

1500: chegada da expedição de Pedro Álvares Cabral ao território que viria a ser o Brasil.

  • Séc. XVI a XVIII: colonização intensa do Brasil, com sucessivas vagas de povoadores portugueses vindos do continente, dos Açores e da Madeira.
  • Séc. XVIII: o ciclo do ouro em Minas Gerais atraiu dezenas de milhares de emigrantes portugueses.
  • Séc. XIX e XX: grandes vagas migratórias dirigiram-se não só ao Brasil, mas também aos Estados Unidos, Canadá, Venezuela, Argentina e Uruguai, impulsionadas por razões económicas e sociais.

Assim, "a presença portuguesa na América tem mais de 500 anos de história, e a sua influência demográfica e cultural é particularmente marcante no Brasil, onde moldou profundamente a língua, as instituições e a composição da população". 

4. O Gemini/Google é mais restritivo na estimativa, mas confirma ou complementa a informação anterior, baseando-se sobretudo nos censos e outras fontes demográficas:

A presença portuguesa nas Américas é vasta, profunda e recua aos primórdios da própria chegada dos europeus ao "Novo Mundo". Se contabilizarmos tanto os cidadãos nascidos em Portugal (emigrantes de primeira geração) como os seus descendentes diretos e indiretos (várias gerações que mantêm ou declaram essa ancestralidade), os números variam significativamente dependendo do critério estatístico e do país.

Estima-se que existam hoje mais de 7,5 milhões de portugueses e lusodescendentes espalhados pelo continente americano, com o Brasil, os Estados Unidos e o Canadá a concentrarem a esmagadora maioria.

Distribuição Atual nas Américas (estimativas)

  • Brasil (aproximadamente 5 milhões)

O Brasil é o maior reduto da lusofonia e da diáspora no mundo.

Nacionais e descendentes diretos: estima-se em cerca de 5 milhões o número de pessoas que são cidadãos portugueses ou descendentes até à 3ª geração.

Ancestralidade geral: se recuarmos mais no tempo, a esmagadora maioria da população brasileira (particularmente nos estados do Sudeste e Sul) possui algum grau de ascendência portuguesa profunda, embora muitos já não se identifiquem estatisticamente como "lusodescendentes", mas sim puramente como brasileiros.

  • Estados Unidos (c. 1,45 milhões)

Segundo os dados consolidados do Censo norte-americano, existem cerca de 1,45 milhões de cidadãos que declaram formalmente a sua ancestralidade portuguesa ("Portuguese Americans").

Distribuição: A maior comunidade em números absolutos reside na Califórnia (mais de 300 mil), seguida de perto por Massachusetts (cerca de 265 mil) e pela Flórida (cerca de 90 mil). Em termos de densidade, o pequeno estado de Rhode Island lidera, onde quase 7% a 8% da população tem origens lusas.

  • Canadá (c. 450 mil a 480 mil)

Uma comunidade muito sólida, concentrada maioritariamente na província do Ontário (sobretudo em Toronto) e no Quebeque (Montreal). A grande maioria tem raízes profundas no arquipélago dos Açores.

  • Venezuela e resto da América Latina (Cerca de 400 mil a 500 mil)

A Venezuela acolheu uma das maiores vagas de emigração portuguesa na segunda metade do século XX (sobretudo oriunda da ilha da Madeira). Embora a crise política e económica do país tenha levado muitos a regressar ou a reemigrar, estima-se que a comunidade (entre cidadãos e lusodescendentes) ainda ronde as 300.000 a 400.000 pessoas.

Há ainda núcleos históricos de dimensão relevante na Argentina (cerca de 40.000) e no Chile.

Desde quando? (As vagas históricas da migração transatlântica)

A cronologia da fixação portuguesa nas Américas divide-se em momentos muito distintos:

  • Séc. XVI:  a fixação pioneira

No Brasil: começa imediatamente após a chegada de Pedro Álvares Cabral em 1500, intensificando-se a partir de 1530 com a criação das Capitanias Hereditárias e a necessidade de povoar o território face às ameaças francesas e holandesas.

Na América do Norte: embora navegadores como João Rodrigues Cabrilho tenham explorado a costa da Califórnia ao serviço de Espanha em 1542, a fixação foi residual nesta época.

  • Séc. XVII e XVIII: o ouro e as primeiras minorias

Brasil: o século XVIII (com o ciclo do ouro em Minas Gerais) provocou a primeira grande vaga migratória em massa de Portugal para o Brasil. Cerca de 600 mil portugueses, sobretudo do Minho e do Norte, cruzaram o Atlântico.

América do Norte: surge a fixação de pequenas comunidades de judeus sefarditas de origem portuguesa que, fugindo da Inquisição (via Holanda), se estabeleceram em locais como Nova Amesterdão (atual Nova Iorque) e Newport (Rhode Island), fundando as primeiras sinagogas do país.

  • Séc. XIX: a pesca da baleia e a emigração organizada

EUA: A partir de meados do século XIX, os navios baleeiros da Nova Inglaterra (New Bedford) recrutavam tripulações nos Açores e na Madeira. Muitos destes homens fixaram-se na Costa Leste ou seguiram para a Califórnia durante a "febre do ouro" de 1849, estabelecendo-se mais tarde na agricultura e na pecuária leiteira (no Central Valley).

Brasil: com a independência do Brasil (1822) e o fim gradual do tráfico de escravos, o país continuou a atrair centenas de milhares de camponeses e operários portugueses para as cidades (Rio de Janeiro e São Paulo) e para as plantações de café.

  • Séc. XX: o "boom" moderno e os refugiados do vulcão do Faial

Canadá e EUA: a emigração para o Canadá começou formalmente de forma organizada em 1953 (com a chegada do navio Saturnia). Nos EUA, a imigração açoriana ganhou um impulso gigante após a erupção do Vulcão dos Capelinhos (Faial, 1957/58), que levou à aprovação do "Azores Refugee Act" pelo governo americano, facilitando a entrada de milhares de famílias.

Venezuela: entre as décadas de 1950 e 1970, o forte crescimento económico do país atraiu milhares de portugueses (com forte incidência da Madeira), que se dedicaram ao comércio, panificação e construção civil.

Conclusão da Gemini / Google:

"Essa teia secular faz com que a presença portuguesa nas Américas hoje seja tanto uma herança histórica profunda (fundacional em países como o Brasil) como uma realidade associativa e cultural muito viva e influente nas estruturas sociais e económicas dos EUA e do Canadá."

5. Vejamos o que nos diz a francesa Vibe / Mistral, valente concorrente europeia das "gigantes tecnológicas" norte-americanas

Luís, aqui tens uma síntese clara e documentada sobre a presença portuguesa e de descendentes nas Américas:

Números atuais (2026):
  • Estados Unidos: cerca de 1,3 milhões de pessoas identificam-se como portugueses ou luso-descendentes, com maior concentração em Massachusetts, Califórnia, Rhode Island, Nova Jérsia e Flórida, destes, 22,49% ainda fala português em casa, além do inglês;
  • Brasil: entre 500 mil e 700 mil portugueses migraram para o Brasil durante o período colonial (1500–1822);
  • entre 1500 e 1820, estimam-se 605.000 portugueses emigrados para as Américas, tornando Portugal o segundo maior emissor europeu de migrantes para o continente, atrás apenas da Grã-Bretanha.

Total global (diáspora): estima-se que existam quase 5 milhões de portugueses e luso-descendentes espalhados pelo mundo, somando cerca de 15 milhões de pessoas (incluindo os residentes em Portugal).

O Observatório da Emigração ( do COES - ISCTE) vai mais longe: 

Em 2026, o total de portugueses e luso-descendentes no mundo é estimado em 31,2 milhões (observatorioemigracao.pt).

Histórico da migração

Início: a presença portuguesa nas Américas remonta ao século XVI, com os primeiros fluxos significativos para o Brasil logo após 1500. 

Entre 1500 e 1820, 605.000 portugueses emigraram para as Américas, principalmente para o Brasil, mas também para os EUA (ex.: caça à baleia nos Açores, plantações de cana-de-açúcar no Havai, indústria têxtil em Massachusetts)

Fases principais:

  • 1500–1820: migração para o Brasil colonial (500–700 mil).
  • 1800–1870: caça à baleia (Açores → Nova Inglaterra, Califórnia, Havai).
  • 1870–1920: Trabalho em plantações (Havai), indústria têxtil (Massachusetts, Rhode Island) e agricultura (Califórnia).
  • 1920–1950: Diminuição da emigração.
  • Pós-1950: Retomada com o "Azorean Refugee Act" (após erupção do vulcão dos Capelinhos, Faial).

Destinos e integração:

  • EUA: a comunidade luso-americana é hoje mais dispersa, com crescimento em estados como Flórida, Texas e Geórgia; os lusodescendentes que falam português têm nível de escolaridade superior à média americana (40% com ensino superior) e trabalham mais em áreas técnicas e de consultoria;
  • Brasil: os portugueses foram um dos principais grupos formadores da população brasileira, ao lado de ameríndios e africanos; a  migração foi especialmente intensa nos séc. XVIII e XIX, com picos durante a exploração do ouro e do café.

Nota da Vibe/Mistral: Os números totais para as Américas (Norte, Central e Sul) não estão consolidados num único estudo, mas somando as estimativas para os EUA (1,3M) e Brasil (descendentes de 500–700 mil migrantes coloniais + migrações posteriores), é seguro afirmar que há vários milhões de luso-descendentes nas Américas, com origem na migração que começou há mais de 500 anos. (**)

 (Pesquisa: LG + IA (ChaGPT / Open AI | Gemini / Google | Vibe Mistral AI)
(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos, links_ LG)

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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 18 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28110: Humor de caserna (275): E se os portugueses nunca tivessem chegado ao Brasil?

(**) Último poste da série > 5 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27704 Tabanca da Diáspora Lusófona (39): (In)confidências: fui para Montariol, em 1954, com 10 anos, pela mão do João Maria Maçarico (n. 1937), e para a tropa aos 19, em 1964... (João Crisóstomo, Nova Iorque)