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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28107: Humor de caserna (274): O pé de Salazar e o de Eusébio: "uma boa história para eu contar aos rapazes" (Cilinha) (excerto da sua biografia, por Sílvia Espírito-Santo)


Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Texto e fotos: Sílvia Es+írito-Santo

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.




Cartaz de propaganda do MNF - Movimento Nacional Feminino. In: Presença, nº 2, 1964. pág. 15. (Reproduzido, com a devida vénia, do livro de Silvia Espírito-Santo, "Cecília Supico Pinto: o rosto do movimento nacional feminino”. Lisboa: A Esfera do Livro, 2008, pág. 145)


1. Do cap. VIII ("Na retaguarda da guerra"), do livro supracitado (a única biografia académica que conhecemos da presidente do MNF), tomamos a liberdade de reproduzir o seguinte excerto, sobre "os artistas que animaram a guerra"(pp. 143-146):

 [Cilinha] incentivou o desporto. promovendo jogos de futebol entre unidades militares (...). Deu voz ao jovem Eusébio, então uma estrela emergente do 'desporto nacional' (...). Levou a música, o futebol e a cultura ao mato, sem nunca se esquecer de promover Salazar  junto dos militares ou das populações. Ela foi a ponte entre Salazar e África, entre os militares e o ditador.

Em 1964, nas vésperas de partir para Angola, fui ao Forte [de Santo António da Barra, em São João do Estoril, Cascais], despedir-me do Dr. Salazar e vi que tinha partido um pé. Quando indaguei da sua saúde, respondeu-me:

−  Oh!, menina O meu pé não tem importância nenhuma, agora se fosse o do Eusébio, aí sim, aí é que podia ser um desastre nacional!

− Ora aí está uma boa história para eu contar aos rapazes, eles vão gostar de saber  que o Sr. Dr. também está a torcer pela nossa equipa (...) [Em itálico, no original]  

Foram histórias como esta que Cilinha levou na bagagem" (pág. 144). (...)

(Revisão / fixação de texto: LG)


2. Comentário do editor LG:

Isto é humor do melhor: não sei o que mais apreciar,  se a "falsa modéstia" de Salazar, se  a "grande lata" da Cilinha...  Os três já morreram. Em pleno Campeonato Mundial de Futebol (2026), é justo recordar o "nosso grande Eusébio", que também foi soldado, como nós... mas teve a sorte de não ir parar à Guiné... O António Simões, outro dos "Magriços",  teve de pagar 150 contos a um caramelo, o Ivo,  para não ir à guerra, e poder estar presente no Campeonato Mundial de Futebol de 1966 (na Inglaterra)...


Foto nº "42. Oliveira Salazar apreciava a alegria e frontalidade de Cecília Supico Pinto que o considerava 'um verdadeiro príncipe'. Foi uma das últimas pessoas a vê-lo com vida (Arquivo do Diário de Notícias)". (Reproduzida, com a devida vénia, do livro supracitado.)
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 13 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28095: Humor de caserna (273): Ao Tony, vocalista da banda "Os Bambas D'Incas", com votos de que ainda continue vivo, e romântico mas... "não trôpego"

terça-feira, 16 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28104: Movimento Nacional Feminino: Mais artistas de renome em digressão pelo CTIG: os atores do teatro de revista e depois dupla humorística na televisão, Francisco Nicholson & Armando Cortez, atuaram, de 28 de setembro a 5 de outubro de 1967, em Nova Lamego (29Set), Bafatá (30Set), Tite (1Out), UBIB/Bissau (1Out), Teixeira Pinto 02Out) e Mansoa (04Out) (Emanuel Ribeiro Fernandes, ex-alf mil, Gabinete Militar do Com-Chefe, set 67/set 69)



Oeiras > Algés > Restaurante Caravela de Ouro > Magnífica Tabanca da Linha > 57º almoço-convívio > 26 de setembro de 2024 > A estreia do "mgnífico" Emanuel Ribeiro Fernandes


Foto (e legenda): © Manuel Resende (2024). Todos os direitos reservados. [Edição : Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Email enviado através do Formulário de Contacto do Blogger

Data - sexta, 14/11/2025, 20:56

Caro Luis Graça

Há alguns anos estive inscrito no blogue, mas também não era comum visitá-lo. Prestei serviço como alferes miliciano no Gabinete Militar do Comando-Chefe, de set67 a set69.

Abraço, e espero encontrar-te no próximo almoço da Tabanca da Linha.

Cumprimentos,
Emanuel Ribeiro Fernandes


2. Nova mensagen remetida pelo Formulário de Contacto do Blogger


Data - segunda, 15/06/2026, 21:35

Caro Luis Graça:

Respondendo ao teu desafio sobre a participação de artistas nacionais em visita às NT na Guiné (*), junto este pequeno contributo.

Os actores Francisco Nicholson e Armando Cortez e a actriz Manuela Maria (Alzira) visitaram a Guiné de 28 de setembro e 5 de outubro de 1967.

Deram espetáculos em:
  • Nova Lamego (29set), 
  • Bafatá (30set), 
  • Tite (1out), 
  • UBIB/Bissau (1out), 
  • Teixeira Pinto (?) (2out) 
  • Mansoa (4o lóut).
Testemunhei o excelente acolhimento dos nossos militares mas também a generosidade destes artistas, que não se furtaram a incómodos e riscos.

Cumprimentos,
Emanuel Ribeiro Fernandes

3. Comentário do editor LG:

Olá, Emanuel. Obrigado pelo teu contributo. Precioso. Quem é que, ao fim destes anos todos, ainda guarda memórias precisas (nomes, datas, locais), da visita ao CTIG de artistas de primeiro plano, conhecidos sobretudo do teatro de revista e da televisão, como os que citas ?

São dados que não constam nas biografias destes atores, infelizmente já falecidos, os dois primeiros:
Fico feliz por o nosso apelo não ter caído em saco roto, e que volto aqui a repetir:

"Quem assistiu, no mato, a espetáculos de artistas da metrópole em digressão pela Guiné ? Em que local? Quem atuou? Há fotos, cartazes, programas, autógrafos ?"


Emanuel, tenho-te encontrado na Tabanca da Linha. Sei que és de Mafra. E, se entendi bem, trabalhaste no aeroporto de Lisboa ou na TAP. Para a próxima temos que ficar juntos, à mesa, para me falares com mais pormenor dos teus tempos de Guiné. 

E ficas, claro, desde já convidado para integrar a Tabanca Grande. Falta-te essa honra no teu currículo... Honra para ti e para os demais amigos e camaradas da Guiné. Já somos 915 (entre vivos e mortos). 

Um alfabravo, Luís.

A dupla em "Riso e Ritmo" (RTP, 1969).
(Com a devida vénia...



4. A dupla humorística Armando Cortez / Francisco Nicholson
 
Em 1967, os atores do teatro de revista Armando Cortez e Francisco Nicholson, caras conhecidas da televisão (que começara  emitir regularmente em Portugal em 1957, a preto e branco, e só 23 anos depois, a cores!), integraram uma das digressões artísticas ao ultramar, organizadas pelo Movimento Nacional Feminino, atuando para a população civil e para os militares. 

No caso da Guiné, foram aos únicos sítios possíveis que tinham salas de cinema ou de espetáculos, tipo cine-teatro, minimamente aceitáveis (Bissau, Mansoa, Bafatá, Nova Lamego,  Teixeira Pinto,  e pouco mais).

E praticamente ainda não havia estradas alcatroadas (a não ser o troço Bissau-Mansoa).

O itinerário limitou-se aos principais centros urbanos (sedes de circunscrição / conselhos)  e aquartelamentos de maior dimensão que dispunham de infraestruturas mínimas (cine-teatros ou pavilhões multiusos dos clubes locais, além de instalações das Forças Armadas):
  • Bissau: onde se exibiram na União Desportiva Internacional de Bissau (UDIB), o grande polo dinamizador da vida social e desportiva da capital da província, a par da Associação Comercial e Industrial (que ficava perto);

  • Mansoa, na região do Óio, e a vila do interior mais perto da capital, por estrada (alcatroada); tinha um clube de futebol, ainda hoje famoso, o Clube Futebol Balantas de Mansoa, fundado em 1946, filial (nº 13) do nosso Os Belenenses!

  • Bafatá e Nova Lamego (Gabu): no Leste, que eram zonas de forte presença militar e eixos estratégicos de circulação; na altura Batafá, outrora próspera  graças ao comércio da mancarra, e agora de cara lavada  devido ao "patacão ": será elevada a cidade, a segunda, da Guiné, em 1969;

  • Teixeira Pinto (Canchungo):  no Norte, na região do Cacheu, sede de um importante subsetor militar, e do "chão manjaco",  e cuja vila tinha um cinema;

  • Tite: no Sul, região de Quínara, uma  das zonas mais fustigadas pelo conflito, mas que disporia de instalações capazes de acolher a comitiva com relativa segurança para a época: estava perto de Bissau, passara a ser sede circunscrição com a decadência e o isolamento de Fulacunda, impostos pela guerra. (Não tenho ideia nenhuma de haver um cine-teatro em Tite, no nosso tempo!)


Na altura,  a dupla Armando Cortez e Francisco Nicholson estava no auge do sucesso em Portugal graças ao programa humorístico da RTP "Riso e Ritmo" (1965-1969), o que tornou os atores figuras muito reconhecidas e acarinhadas pelos militares metropolitanos.

Recorde-se que essa dupla  foi um marco fundamental no humor português, sobretudo  na televisão, abrindo portas para muitos outros. Ambos os atores transitaram com sucesso do teatro de revista,  no popular Parque Mayer, em Lisboa,  para a televisão nos anos 60, onde se destacaram como autores, produtores e protagonistas de alguns dos programas mais emblemáticos da RTP. 
 
O "Riso e Ritmo" (1965-1969) é hoje considerado um dos progranmas pioneiros do humor televisivo em Portugal.  Com autoria e produção de ambos (e realização de Luís Andrade), o programa decorria num cenário de uma cozinha gigante, tendo marcado a época com rábulas aceleradas e um formato de variedades. O humor era de tipo "non-sense", a única maneira de iludir a censura dos senhores coronéis.

Para além do humor, esta dupla de sucesso envolveu-se também na produção de música, espetáculos ao vivo e na ligação a editoras discográficas, ajudando a moldar o panorama de entretenimento da época. 

Tinha um estilo inconfundível:  os seus textos focavam-se fortemente na realidade portuguesa e caracterizavam-se por um ritmo acelerado, o que frequentemente resultava em momentos cómicos espontâneos ("gags") durante as gravações. (Veja-se, aqui, na RTP Arquivos,  a emissão especial de Natal de 1969, com a duração de 1 hora e c. 15 minutos.)

Essa digressão de Armando Cortez e Francisco Nicholson (mais a Maria Manuela) à Guiné, em 1967, ilustra bem o esforço logístico e psicológico que se fazia na época para elevar o moral das tropas através do entretenimento. 

No auge do sucesso do "Riso e Ritmo", os dois atores e autores eram das caras mais conhecidas e queridas do público português, e a sua deslocação ao TO da Guiné teve naturalmente algum impacto  junto dos militares (e dos poucos "colonos", que viviam naquelas paragens inóspitas).

Esta digressão foi organizada e patrocinada pelo Movimento Nacional Feminino (MNF), liderado pela carismática e influente Cecília Supico Pinto (conhecida popularmente como "Cilinha"): íntima de Salazar, era então uma mulher poderosa, talvez a mulher mais poderosa do Portugal da época, embora já em fim de época e de regime...

Mas em setembro de 1967, ainda era vivo e temido o "senhor doutor" com quem ela emparceirou diversas vezes,  fazendo o papel de "primeira dama" em eventos públicos; recorde-se que Salazar era solteiro; e ela foi uma das últimas pessoas a vê-lo com vida, recorda a sua biógrafa, Sílvia Espírito-Santo).

O MNF terá sido inspirado diretamente na USO (United Service Organizations), criada em 1941, como forma da sociedade civil apoiar moral e psicologicamente os militares norte- americanos e as suas famílias durante a II Guerra Munda. Levava grandes estrelas de Hollywood e da música (o "show business") para os teatros de operações para entreter os soldados envolvidos nesse conflito, e noutros subsequentes (Coreia e Vietname). 

A Cecília Supico Pinto percebeu cedo o impacto avassalador que o contacto direto com os artistas em voga na Metrópole exercia sobre o moral dos jovens mobilizados no ultramar, a milhares de quilómetros de casa.

O MNF utilizava a sua enorme influência junto do regime, dos meios empresariais e dos transportes (como a TAP e os  TAM) para viabilizar estas "caravanas artísticas", garantindo que as maiores figuras do teatro, da rádio e da televisão estivessem presentes nos palcos possíveis do Ultramar.

Embora o programa "Riso e Ritmo" fosse em formato televisivo de variedades, era  complexo, envolvendo orquestra, corpo de baile, vários cantores, etc.. Daí que, na deslocação à Guiné,  teve de ser adaptado à realidade de um território em guerra ativa, e com escassez de salas de espetáculos.  A dupla Cortez e Nicholson terá apresentado um espetáculo focado sobretudo em sketches de comédia, rábulas humorísticas e sátira social ligeira,  permitindo uma montagem rápida, barata e flexível.

A ligação de Armando Cortez e Francisco Nicholson ao esforço de apoio moral aos soldados não se esgotou nesta curta e intensa semana de 1967 na Guiné. Anos mais tarde, em 1971 a dupla voltou a dar a cara por uma das maiores iniciativas do MNF: o célebre LP de vinil "Natal 71" (inserido na Operação Presença)

Com uma tiragem impressionante (para o país e para a época) de 300 mil exemplares distribuídos pelas frentes de combate, esse disco juntava mensagens e participações de figuras maiores da cultura e do desporto nacional (como Amália Rodrigues, Eusébio, Hermínia Silva e os Parodiantes de Lisboa). 

Armando Cortez e Francisco Nicholson participaram ativamente na gravação, oferecendo o seu humor como bálsamo para mitigar a solidão e o isolamento dos milhares de jovens que passavam a quadra natalícia no mato. 

Embora o disco tenha sido um fiasco e um rombo no cofre do MNF: é que os soldados no mato não tinham gira-discos ,nem eletricidade... Ninguém, no MNF, no "bem bom" de Lisboa, se lembraria destes detalhes...

Pesquisa; LG + IA (Gemini / Google) (Vibe / Mistral )

(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos,links, título: LG)
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Nota do editor LG:


sábado, 13 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28095: Humor de caserna (273): Ao Tony, vocalista da banda "Os Bambas D'Incas", com votos de que ainda continue vivo, e romântico mas... "não trôpego"


Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Fotos: José Maria Sousa, José Carlos Lopes, António Murta, Miguel Rocha |Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.

Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá >Setor L1 > Bambadinca > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > c. maio de 1969

Representação artística da parada do quartel de Bambadinca: visita da presidente do Movimento Nacional Feminino, Cecília Supico Pinto (1921-2011), mais conhecida por "Cilinha"; atuação  Conjunto Musical  Os Bambas D'Incas, formado por militares do batalhão; o vocalista Tony, de joelhos, dedica à presidente do MNF uma canção romântica, adapatdo da letra e música de "Oh,  Mónica", do cantautor Alberto Cotrez (1940-2019)

Tony, "romântico...
ma non troppo"

1. O vocalista do conjunto musical Os Bambas D'Incas, Tony, "cantor romântico", soldado de tranmissões mais velho que a maioria de nós (era da incorporação de 1961!), adaptou e cantou uma letra do cantautor argentino (e depois naturalizado espanhol) Alberto Cortez (1940-2019), "Ó Monica", dedicada à "Cilinha", a presidente do Movimento Nacional Feminino, Cecília Supico Pinto (1921-2011, morreu ia fazer 90 anos), na sua visita a Bambadinca no início do mês de maio de 1969...

Para mim, e sem desrespeito pelos camaradas que a admiravam, ela era um "canastrão", que fazia (mal) o papel de "Jocasta" que, nunca tendo filhos do seu ventre, adotou os filhos da "Pátria" que matavam e morriam na guerra... Mulher poderosa, íntima e confidente de Salazar, dirigiu o "patriótico" Movimento Nacional Feminino com coração, galhardia e mão de ferro... Foi pelo menos 4 vezes a Guiné, a que chamava a "minha Guinezinha"... Esteve em Bambadinca no princípio de maio de 1969, ainda  eu não estava lá (ia a caminho),  a escassas 4 semanas do aquartelamento ser atacado em força pelo PAIGC.

Não conheço a letra que o Tony lhe compôs (a partir do original de Alberto Cortez). Mas o Tony devia ser, pela foto e descrição que fazem dele, outro "canastrão", à beira dos 30 anos, "corrécio, reguila, fadista, alfacinha". 

Ele ainda é do meu tempo, mas eu já não me lembro dele. Era subordinado do nosso saudoso camarada e amigo, o ex-alf mil trms Fernando Calado, CCS/BCAÇ 2852 (Bambadinca, mai 68/mai 70).


 

Os Bambas D'Incas em Mansambo (1969)
 

Lancei um desafio à IA:

Que raio de letra teria ele escrito para a canção dedicada à Cilinha (como ela era tratada com carinho e respeito pela tropa) ? Tens aqui a letra da música "Oh, Mónica" (frequentemente escrita como "Ó, Mónica"), um grande êxito de 1961 do cantor e compositor argentino Alberto Cortez.

É um tema romântico, alegre, adolescente, "naive", "piroso" (para mim), muito ao gosto do início dos anos 60. Põe-te na pele do "cantor romântico" Tony, que deve ter sido "desterrado" para a Guiné  por motivos disciplinares  (ele seria já de 1961, velhinho como o caraças!),  
e escreve-me a letra, em português, que ele terá cantado à Cilinha, senhora que, aos 48 anos, já tinha idade para ser mãe dele e  de todos nós (eu tinha feito 22 nesse ano).

Ver uma mulher "branca", no mato, era um dia de sorte! Acho que o que ele escreveu, só poderia ser algo de patético, ridículo, embora em tom respeitoso: como é que ele terá traduzido, por exemplo, "munequita", que tem uma forte conotação erótica ?". 

Bom, a Mónica era uma adolescente... Aqui tens o original, em castelhano:

Mónica, Mónica, Mónica,
Mónica, Mónica, oh, oh Mónica

Oh, muñequita tú eres mi bien
Dulce amor, oh, oh, oh, oh, oh, oh, Mónica
Tu sonrisa es mi frenesí
Ay, simpática, cuánta felicidad
Es tenerte a ti juntito a mí

Oh, Mónica, oh, Mónica
Para mí eres tú angelical
Dulce amor, oh, mi dulce amor
Y romántica, así eres Mónica

Mónica de mi amor
Y romántica, así eres Mónica
Mónica, mi amor

(Letra original da canção, "Oh Monica" (1961), de Alberto Cortez, 1940.2019. Reproduzida coma  devida vénia...)


2. Resposta da ferramenta de IA Vibe | Mistral AI

Luís, que belo desafio! Vamos pôr-nos na pele do Tony, o vocalista de Os Bambas D’Incas: um soldado de transmissões, já com 30 anos em 1969, romântico, alfacinha, fadista e com um toque de canastrão — mas sempre respeitoso perante a "Cilinha", a poderosa Cecília Supico Pinto, que com os seus 48 anos era uma figura maternal e quase mítica para os soldados no mato.

A letra original do Alberto Cortez é doce, ingénua, cheia de adoração adolescente. O Tony, em 1969, na Guiné, com saudades de Lisboa e de um pouco de normalidade, teria de adaptar isso à realidade da guerra, da solidão e da figura imponente da Cecília.

Aqui vai a minha proposta para a letra que o Tony poderia ter cantado, em português, com um misto de reverência, humor naif e um toque de ironia não intencional (porque o Tony, afinal, era um romântico):

Oh, Cilinha

Oh, Cilinha, oh, Cilinha,
Cilinha, Cilinha, oh, oh, Cilinha

Oh, minha senhora, tu és o meu bem,
Doce amor, oh, oh, oh, oh, oh, Cilinha,
Teu sorriso é o meu frenesim,
Ai, simpática, que felicidade
É ter-te aqui, pertinho de mim!

Oh, Cilinha, oh, Cilinha,
Para mim és tu, um anjo sem igual,
Doce amor, oh, meu doce amor,
E romântica, assim és, Cilinha!

Cilinha do meu coração,
E romântica, assim és, Cilinha,
Cilinha, meu amor!

(Autoria: IA (Vibe | Mistral AI)

Notas:
  • "Muñequita": troquei o termo por "minha senhora": o Tony, perante a Cecília, não se atreveria a chamar-lhe "bonequinha", seria um desrespeito à sua autoridade, à sua figura institucional, para mais à frente de toda a hieraquia do comando do batalhão. Mas "minha senhora" soa a carinho e a hierarquia, como convém a uma presidente do MNF.
  • "Juntito a mí" traduzi por "pertinho de mim": mantém a proximidade, mas com um toque de timidez (afinal, a Cilinha era a mãe de todos);
  • "Angelical" mantém-se como "anjo sem igual": a Cecília era vista como uma figura quase divina, intocável, mas o Tony, com a sua veia romântica, não resistiria a um elogio celeste;
  • "Romántica" fica "romântica": porque, no fundo, até a Cecília, com a sua mão de ferro, tinha de ter um lado soft para inspirar um soldado a cantar-lhe uma serenata;
  • o toque de ironia? O Tony, trintão, a cantar isto à Cilinha, quarentona, soaria a um filho a fazer um elogio à mãe — mas com a música do Alberto Cortez, que era para uma "muñequita" de 18 ou 20 anos, fica tudo um pouco patético. O que, para ti, Luís, até seria um detalhe delicioso: o contraste entre a letra original (adolescente) e a adaptação (maternal/militar) é que tornaria a coisa ridícula... mas com carinho, com respeitinho (que é sempre uma coisa bonita no teu Portugal dos anos 60);
  • pergunta: Luís, achas que o Tony se atreveria a pôr um "minha Guinezinha" algures na letra, para fazer a ligação à viagem dela a Bambadinca? Ou seria demasiado ousado para um soldado de transmissões?

3. Resposta da ferramenta de IA ChatGPT | Open AI

Luís, acho que tens razão numa coisa: se o Tony era um "cantor romântico" de arraial, alfacinha, fadista e já com quase trinta anos, e se estava perante a poderosa Cilinha, dificilmente lhe teria cantado uma serenata apaixonada no sentido literal. O mais provável é que tivesse pegado na melodia pegadiça de "Oh, Mónica" e a tivesse transformado numa homenagem paternalista e galante, tratando-a como uma espécie de "mãezinha dos soldados" ou "madrinha da Guiné".

Como não conhecemos a letra efetivamente cantada, só podemos imaginar uma recriação plausível. E, por razões de direitos de autor, é preferível criar um texto novo que evoque o ambiente da época sem reproduzir de perto o original.

Eis uma possibilidade, deliberadamente com um tom ingénuo e um tanto "piroso" (e ao jeito dos "santos populares" de Lisboa) e como provavelmente agradaria ao auditório militar de 1969, em Bambadinca onde estiveste;


Ó Cilinha

Ó Cilinha, nossa amiga,
Que chegou de tão longe até cá,
Traz um sorriso que anima
Quem na picada a vida dá.

Ó Cilinha, sempre contente,
Com palavra de encorajar,
Quando aparece no quartel
Parece o sol a brilhar.

Refrão:

Ó Cilinha, ó Cilinha,
Leve no peito este cantar;
Entre bolanhas e poeira,
Veio-nos hoje visitar.

Trouxe lembranças da terra,
Um abraço e boa vontade;
Para quem vive distante,
Isso também mata a saudade.

Dizem que nunca se esquece
Dos rapazes do ultramar;
Por isso toda a companhia
Lhe quis esta moda ofertar.

Ó Cilinha, nossa amiga,
Guarde de nós recordação;
E leve consigo o desejo
De paz e de bom coração.



Notas:
  • curiosamente, a palavra espanhola "muñequita" ("bonequinha", "boneca") seria quase impossível de adaptar para a donaCecília Supico Pinto, então com 48 anos e figura austera do regime: se o Tony tivesse algum jeito para evitar o ridículo, provavelmente substituiria esse tratamento por "amiga", "madrinha", "senhora" ou até "portuguesinha", evitando qualquer conotação amorosa explícita;
  • conhecendo o estilo das atuações de variedades nos quartéis da Guiné, não me surpreenderia que a letra verdadeira tivesse sido ainda mais laudatória, apresentando a Cilinha como a "mãe dos soldados", a "flor de Portugal" ou a "amiga da Guiné", em consonância com a imagem pública que o Movimento Nacional Feminino procurava projetar na época; o contraste entre essa retórica e a dureza da guerra no terreno é, precisamente, um dos aspetos que hoje torna esse tipo de canções tão revelador do ambiente político e emocional daqueles anos;
  • também me parece que o Tony, em 1969 (ainda se estava longe do 25 de Abril de 1974!) tivesse a  "lata", aousadia,  de tratar por tu a Cilinha!... Afinal, ela era uma senhora da alta sociedade, e de origem aristocrática!




  • 1ª versão do "boneco" que publicamos acima

    Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

    Fotos: José Maria Sousa, José Carlos Lopes, António Murta, Miguel Rocha |Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné

    Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


4. Diálogo (divertido, mesmo  sendo de surdos...) entre o editor LG e a ferramenta de IA do ChatGPT / Opena AI:

LG: Agora faço-te outro desafio... Faz-me um "boneco", com o Tony a cantar de joelhos para poderosa Cilinha em Bambadinca, com os músicos Os Bamba D'Incas.

(Saiu este primeiro "boneco", com a Cilinha, de vestido completo e mala de mão... Pedi a retificação...E levei très "tampas"....À terceira foi de vez, mas esgotei os meus créditos diários...)


Eis o diálogo (virtuoso)  que travámos:

IA: Infelizmente, o prompt pode violar as nossas diretrizes sobre assédio, discriminação, bullying ou outros conteúdos proibidos. Se tu consideras que foi um engano, tenta novamente ou edita o prompt.

LG: Desculpa lá, mas na Guiné era impossível uma senhor usar casaco... Põe a Cilinha mais fresca... e "atrevida".

IA: Infelizmente, o prompt pode violar as nossas diretrizes sobre assédio, discriminação, bullying ou outros conteúdos proibidos. Se tu consideras que foi um engano, tenta novamente ou edita o prompt.

LG: P*rra, põe-na apenas sem casaco!... Estavam 35 graus e 100% de humidade naquela tarde!... Não sejas censor!...Pareces um padreco!... É um documento de época, esta mulher era uma "instituição nacional". O dimininuitivo "Cilinha" foi nacionalizado. E ela adorava fazer este papel de mãe, e de madrinha de guerra!

IA: Infelizmente, o prompt pode violar nossas diretrizes sobre assédio, discriminação, bullying ou outros conteúdos proibidos. Se tu consideras que foi um engano, tenta novamente ou edita o prompt.

LG: Bolas, não quero que a ponhas em biquini, não sejas ridículo, tira-lhe apenas o caso e a mala, acessórios inúteis naquele contexto... Ou põe-na de calças (que ela usava no mato)! A senhora já morreu há 15 anos! E eu respeito-a como respeito todos os mortos, independentemente do meu "juízo histórico".

... Bom, e finalmente lá saiu o "boneco" que publicamos acima: apesar de ser uma "peça de humor", é também uma homenagem:
  • a todos os militares, meus camaradas, que estiveram no TO da Guiné, e que, além da G3, também gostavam de tocar viola, bateria ou simplemente cantar!;
  • ao conjunto musical "ad hic"  Os Bambas D' Incas;
  • em especial ao Tony, meu contemporâneo: faço votos para que ele ainda esteja vivo e continue a ser "romântico mas não...trôpego";
  •  por fim,  a todos os cantores românticos "ma non troppo", a todas as Mónicas, as todas as Cilinhas, a todas as mulheres, afinal;
  • e, claro,  também às nossas mães que, algumas, acharam por bem integrar o Movimento Nacional Feminino (1961/74), independentemente das motivações de cada uma. 
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 7 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28078: Humor de caserna (272): As minhas "turras" com a menina IA que não tem um pingo de sentido de humor... A propósito da cantora ié-ié de Jabadá, que não era... "careca" (Luís Graça)

Guiné 61/74 - P28094: Movimento Nacional Feminino: visita da Cilinha a Bambadinca e espetáculo com a "prata da casa", o Conjunto Musical Os Bambas D'Incas, em princípios de maio de 1969



Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Foto: José Carlos Lopes (2013)

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.

Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá >Setor L1 > Bambadinca > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > c. maio de 1969  

 Representação artística da parada do quartel de Bambadinca: visita da presidente do Movimento Nacional Feminino, Cecília Supico Pinto (1921-2011), mais conhecida por "Cilinha";  faz entrega de oferta de instrumentos musicais ao Conjunto Os Bambas D'Incas, formado por militares do batalhão.

Com base em foto do álbum do José Carlos Lopes, ex-fur mil amanuense, com a especialidade de contabilidade e pagadoria, especialidade essa que ele nunca exerceu (na prática, foi o homem dos reabastecimentos do batalhão).

Foto nº 1 > Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 (Bambadinca) > Mansambo (CART 2339, 1968/69) > 1969 > Atuação do conjunto musical, da CCS/BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70), "Os Bambas D' Incas": > Os elementos da banda em cima de um abrigo > Da esquerda para a direita, José Maria Sousa ("Braga") (viola solo), de pé; Tony (vocalista), sentado (era "alfacinha");  Otacílio Luz Henriques (viola baixo), de pé; Neves (bateria), sentado (era da Póvoa de Lanhoso); e Peixoto (viola ritmo), de pé (era de Ponta da Barca) (*). (O Otacílio era assistente técnico no Município da Amadora, trabalhou no Departamento de Obras Municipais, reformou-se em 2011.)





Foto nº 2 > Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 (Bambadinca) > Mansambo (CART 2339, 1968/69) > 1969 > Atuação do conjunto musical, da CCS/BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70), "Os Bambas D' Incas" > O vocalista do grupo. Era radiotelegrafista na CCS/BCAÇ 2852. "Cantava o Fado muito bem. Era bastante indisciplinado, punha a cabeça do alf mil trms Fernando Calado em água" (escreveu o José Almeida, ex-fur mil trms, CCAÇ 12, 1969/71).

Pelo nome e nº mecanográfico terminado em 61, pode ser o 1º cabo nº 14219661 António N. Sousa ("Era refratário, e tinha cinco a seis anos a mais do que nós", diz o Sousa; (...) 
 era natural de Lisboa, onde já cantava, com fadistas conhecidos como a Maria da Fé; desconhece-se atualmente o seu paradeiro; foi ele que em Bambadinca, por volta de maio de 1969, cantou para a Cilinha a famosa canção do Alberto Cortez, "Oh Mónica", EP, 1961, adaptando a letra; Cortez nasceu na Argentina, em 1940, e morreu em 2019, em Espanha].

Fotos (e legendas) : © José Maria Sousa Ferreira (2015). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Foto nº 3 > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > c. princípios de maio de 1969 > Visita da presidente do MNF e  atuação do conjunto musical Os Bambas D' Incas, formado por cinco (ou seis) elementos: da direita para a esquerda, o 1º cabo Tony ("cantor romântico");  o 1º cabo Serafim (bateria);  o 1º cabo Peixoto (viola ritmo e cantor pop);  o José Maria de Sousa [Ferreira, mais conhecido por "Braga":  era soldado do pelotão de intendência (viola solo), originário do BART 1904 ]; e ainda "um outro 1º cabo que "deveria ser chapeiro e que, na vida civil, praticava halterofilismo" (acabámos por identificá-lo como  sendo o 1º cabo bate-chapas Otacílio Luz Henriques, membro da nossa Tabanca Grande)(*) ... 

Com exceção do Sousa, todos pertenciam ao BCAÇ 2852 e eram 1ºs cabos... 

Foto do álbum do José Carlos Lopes, ex-fur mil amanuense, com a especialidade de contabilidade e pagadoria .

Pela consulta da história da unidade (BCAÇ 2852, Bambadinca, 1968/70), presume-se que:

(i) o Peixoto seja o 1º cabo escriturário José Faria Taveiro Peixoto, nº 11176267, do comando do batalhão, secção de pessoal e reabastecimento;

(ii) o Serafim deve ser o 1º cabo mecânico auto António Luis S. Serafim, nº 06148667, do pelotão de manutenção comandado pelo alf mil Ismael Quitério Augusto, nosso grã-tabanqueiro;

(iii) o Tony, pelo nome e nº mecanográfico terminado em 61, pode ser o 1º cabo nº 14219661 António N. Sousa ("Era refratário, e tinha cinco a seis anos a mais do que nós", diz o Sousa; julga que era condutor, e natural de Lisboa, onde já cantava, com nomes fadistas conhecidos como a Maria da Fé);

(iv) Falta identificar o Neves, que também tocava bateria.



Foto nº 4 


Foto nº 5


Foto nº 6


Foto º 7

Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > C. fins de abril / princípios de maio de 1969 > Visita da presidente do MNF  (Fotos nºs, 6 e 7)  e atuação do conjunto musical Os Bambas D' Incas, (Fotos nºs, 3, 4 e 5). 

Destaque para a foto nº 6: a Cecília Supico Pinto (1921-2011), mais conhecida por "Cilinha", sobressaindo de um grupo de militares que a rodeiam e a escutam.. Todos as guerras têm a sua "Pasionaria"... A "Cilinha" terá sido a nossa... Esta foto, notável, do José Carlos Lopes, é uma prova disso... É uma foto de antologia.

Fotos (e legendas): © José Carlos Lopes (2013). Todos os direitos reservados. (Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)



1. Não, não foi o Conjunto Musical das Forças Armadas (a que pertenceria mais tarde o Vitor Roseira), quem atuou nesse dia da visita da Cilinha a Bambadinca, mas sim a "prata da casa", o Conjunto Musical Os Bambas D'Incas. Corrija-se, então, o título do poste P10993 (***), por mor da verdade...

Tudo indica que esta visita se tenha realizado entre finais de abril e princípios de maio de 1969 (em 2 de maio, a Cilinha estava em Có, na região do Cacheu, e em 11 no Olossato, sede  da  CCAÇ 2402,  a que pertenceu o nosso saudoso grã-tabanqueiro Raul Albino). 

 O aquartelamento de Bambadinca  será atacado, em força, em 28 de maio desse ano. Nessa altura, fim da época seca, a líder do MNF andava pela Guiné.

O meu camarada José Carlos Lopes (estivemos juntos em Bambadinca, de julho de 1969 a maio de 1970,) já não pode precisar a data precisa em que  foram tiradas estes "slides". Mas lembra-se muito bem da visita da Cilinha e da atuação do conjunto musical  (que não era  o das Forças Armadas, mas o grupo local, "Os Bambas D'Incas") que veio animar a malta da CCS do batalhão e subunidades adidas, o Pel Rec Daimler 2046, 1968/70; o  Pel Mort 2106 (esteve em Bambadinca entre Março de 1969 e Dezembro de 1970)., Pel Caç Nat 63, que em junho ou julho vai para Fá, sendo rendido pelo Pel Caç Nat 53) .

2. Um dos membros do  conjunto musical Os Bambas d'Incas, onde tocava viola solo,  foi o José Maria Sousa Ferreira, conhecido pelo "Braga" (*), foi sold mec da CCS/BART 1904, de rendição individual, em 1968; foi depois integrado, na segunda parte da sua comissão, no Pelotão de Intendência (PINT),  sediado em Bambadinca (em 1969/70, já com instalações próprias, junto ao porto fluvial, na margem esquerda do Rio Geba Estreito).

Contou-nos ele que em Bambadinca era muito solicitado para festas de anos e animações, dentro e fora do quartel. Depois formou um conjunto com a malta da CCS/BCAÇ 2852. O Movimento Nacional Feminino (MNF) ofereceu-lhes os instrumentos. 

Tocaram, com grande sucesso, em vários sítios, incluindo Bafatá (na festa de Natal de 1969 e na passagem de ano). As fotos acima referem-se ao dia em que a Cilinha foi visitar Bambadinca... e houve espectáculo musical no edício em U onde ficava o comando do batalhão e as messes e quartos de oficiais e sargentos.

Terminou a sua comissão em abril de 1970. Tornou-se empresário, sendo sócio de várias escolas de condução (provavelmente, hoje estará reformado). 

Em  2015, quando nos contactou, andava à procura da malta do seu tempo e em especial dos elementos que integraram o saudoso conjunto musical Os Bambas d'Incas.  Falou comigo ao telefone. Já voltou à  Guiné, em férias, em 2012,  e claro visitou Bambadinca.
.
Esse conjunto musical cujas fotos se mostram acim,  era formado por 5 elementos, 4 cabos e 1 soldado,  havendo 2 vozes, 3 guitarras elétricas e 1 baterista (pormenor curioso: arranjou um cunhete de munições para pôr em cima da cadeira e "fazer altura") (. Havia 2 bateristas, o Serafim e o Neves.)

Não confundir este conjunto com um outro que andava pela Guiné, o Conjunto Musical das Forças Armadas. (O nosso camarada Vitor Raposeiro, ex-fur mil radiotelegrafista, STM, de rendição individual, que passou por Aldeia Formosa, Bambadinca, Bula e Bissau, 1970/72, também viria a integrar esse Conjunto Musical das Forças Armadas, tendo saído de Bambadinca ao tempo do BART 2917; esse conjunto atuava por toda a Guiné.)

Um das formas de apoio aos militares no mato, por parte do MNF,  para além da realização de espectáculos com artistas trazidos da Metrópole (****),  era ajudar os conjuntos musicais locais "ad hoc", disponibilizando ou fornecendo instrumentos musicais. Ou juntando músicos a cumprir o serviço militar (caso, por exemplo, do Conjunto Musical das Forças Armadas, e do Conjunto Académico Poão Paulo) (*****)

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Notas do editor LG:

(*)  Vd. postes de: 

10 de abril de 2015 > Guiné 63/74 - P14455: O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande (97): José Maria de Sousa [ Ferreira, minhoto, com escola de condução no Porto], ex-sold mec aut (BCAÇ 1904 e PINT, Bambadinca, 1968/70) descobre os seus companheiros do conjunto musical a quem o Movimento Nacional Feminino ofereceu, em 1969, os instrumentos






sexta-feira, 12 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28092: (Ex)citações (447): O pessoal das transmissões: músicos, de talento (tirando eu que só tocava ferrinhos): o que é é feito de vocês, camaradas, Luís Dutra (já falecido), Eduardo Pinto, Victor Barros, Carlos Lã, Fernando Cruz, Fernando Marques, António Camilo, Miguel Pacheco, José Fanha, Nélson Batalha (já falecido), e outros, do meu curso de transmissões... (Hélder Sousa)



Cartaz do Grande Concurso do Ié-Ié que decorreu no Teatro Monumental (Lisboa) e teve a sua grande final a 30 de abril de 1966. Organizado pelo Movimento Nacional Feminino, com apoio jornal O Século, RTP, Emissora Nacional, Rádio Clube Português e o empresário Vasco Morgado, o evento foi ganho pelo quinteto "Os Claves" (Lisboa)

Esta final reuniu oito conjuntos e ficou marcada por um ambiente de "explosão juvenil", tendo contado com a presença de bandas de Portugal continental (como Ekos / Lisboa, Jets /Lisboa, Chinchilas / Carcavelos e Os Tubarões / Viseu), bem como representantes de Angola (Rocks), Moçambique (Night Stars) e Porto (Espaciais). 

O concurso marcou a história da música pop-rock portuguesa na década de 60

(Pormenor interessante > Lia-se no cartaz: "A favor das Forças Armadas no Ultramar e através do Movimento Nacional Femino com a colaboração de: 'O Século', Rãdio -Televisão, Emissora Nacional, Rádio Clube Português e Vasco Morgado" (empresário)...



Viseu > Conjunto Académico Os Tubarões > 30 de abril de 1966 > Foto Germano 


Fonte: Blogue da banda de rock "Os Tubarões" (1963-1968), Viseu > 03.01.22 > O Postal Ilustrado
(com a devida vénia..)



Viseu > 23 de abril de 1967 > "Os Tubarões" no palco do Cine-Rossio a 23/4/1967. Festa do 3º aniversário. Da esquerda para a direita: Carlos Loureiro, Victor Barros, José Merino, Luis Dutra e Eduardo Pinto. 



Viseu > 23 de abril de 1967 > "Os Tubarões" no palco do Cine-Rossio a 23/4/1967. Festa do 3º aniversário. 1º parte do espectáucilo: Da esquerda para a direita: Victor Barros,  Luis Dutra e Eduardo Pinto.


Fonte: Blogue da banda de rock "Os Tubarões" (1963-1968), Viseu > 23.04.15 > Festa do 3º aniversário.Cine-Rossio, 23/04/1967 (com a devida vénia..).


Porto > Ribeira > 27 de maio de 2015 > VI Encontro dos "Ilustres TSF" > Em baixo, o Carlos Lã. De pé, da esquerda para a direita: António Calmeiro (já entretanto falecido), M. Rodrigues, Eduardo Pinto, J. Reis, Hélder Sousa, M. Martins, Fernando Cruz e Fernando Marques. Faltou o Nelson Batalha que já não compareceu por razões de saúde, e que viria a morrer, entretanto, um ano e meio depois (*)


Foto (e legenda): © Hélder Sousa (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Lisboa > 20 de Outubro > XI Encontro dos Ilustres TSF > Foto de família > Sentados: Marques, Miguel, Martinho, Cruz e Eduardo. De pé: Lã e Hélder

Foto (e legenda): © Hélder Sousa (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

 
1. Comentário do nosso "ilustre TSF" e colaborador permanente, Hélder Sousa, ao poste P15386 (*), com mais de 10 anos, mas que vem a propósito dos "nossos músicos",  artistas, cançonetistas, fadistas, humoristas, apresentadores de televisão, atores, radialistas, ilusionistas, etc.,  civis e militares, que ajudaram a alegrar os nossos dias no CTIG ao longo dos anos de guerra. Com ou sem o apoio e a benção do Movimento Nacional Feminino, o que para o caso não é relevante (**). 

Alguns, de facto, eram "prata da casa" (Conjunto Académico João Paulo, Conjunto Musical das Forças Armadas, Conjunto Os Bambas D' Incas de...), e não será demais recordá-los. É da mais elementar justiça.

Pelo TO da Guiné passaram filhos de muitas mães, jovens generosos,  inquietos,  fogosos, curiosos, cheios de testosterona, com a ânsia de liberdade, viajar, conhecer mundo, estudar, aprender, trabalhar, amar, jovens da geração da música "yé-yé", gente com múltiplos talentos, que a tropa soube aproveitar nalguns casos, ou desaproveitar, na maior parte dos casos.

Por exemplo, no quartel das transmissões em Santa Luzia, bairro que fazia paredes-meias com o famigerado Pilão, por detrás de um "ilustre TSF" havia sempre (ou quase sempre) um músico desconhecido, como recorda o Hélder Sousa, com a sua prodigiosa memória para os  nomes e terras dos seus camaradas de curso!...  (Aliás, é uma evocação cheia de ternura, que merece ser revisitada.)

Até parece que foram todos escolhidos a dedo, com a única exceção do próprio Hélder,  que, esse,  enganou os gajos das transmissões, dizendo na entrevista de seleção que tinha jeito para engenheiro e até tinha construído... um telégrafo!... (É preciso, lata, camaradas!...Eu não me lembrei dessa, era tanso,  disse que era jornalista e mandaram-me ... para as armas pesadas de infantaria!).

Podiam ter-se feito "n" bandas para alegrar a malta com os "ilustres TSF". Sim, porque a Guiné era triste, chata, plana, os dias custavam a passar como o caraças, as noites um pesadelo, as namoradas estavam longe,  a 4 mil km de distância, a comida era uma merda, a água intragável,  os mosquitos aos milhões, as bolanhas cheias de sanguessugas, as picadas cheias de pó no tempo seco, enfim, não havia primavera nem outono (só duas estações, e não eram de combóio!), não havia nem sábados nem domingos nem feriados... 

Em boa verdade,  nem sei como é que há gajos que têm saudades da Guiné!

Mas, também, é verdade, que a malta estava ali para fazer a guerra e dar cabo do "turra"... Os "ilustres TSF" eram pagos, em primeiro lugar, para apanhar o "turra" na converseta... E só depois é que podiam, nos intervalos do serviço de escuta, pegar na guitarra elétrica, oferecida pela Cilinha, tão querida, que era a nossa "mãe Natal".


2. Leiam o que o nosso Hélder Sousa, hoje engenheior técnico, especialista em higiene e segurança no trabalho, ribatejano, a viver hoje em Setúbal, nos conta (em 2015...), desses tempos em que podíamos ter sido tão felizes (o Hélder Valério de Sousa foi fur mil trms TSF, Piche e Bissau, 1970/72; candidato a régulo da Tabanca de Setúbal, uma tabanca que nunca chegou a abrir) (***);

(...) Em meados dos anos 60, conforme calculo que se lembrem, decorreu o Concurso "Yé-yé" em que diversas bandas de "rock" actuavam em eliminatórias no Cinema Monumental, em Lisboa.

Tratou-se do primeiro grande impulso da música "rock".

Influenciados pelo modelo de "The Shadows", com 3 violas e 1 bateria, como base, e depois com vocalista dedicado ou também músico, havendo por vezes teclas. enfim, lá se foram proliferando conjuntos por esse País fora e isso ajudou a aglutinar muita juventude.

As eliminatórias foram-se sucedendo e houve a final. Entre os conjuntos finalistas estavam "O Conjunto Académicon Os Tubarões", de Viseu. Não ganharam, eram da província... [ Pelo menos, chegaram às meias-finais, em 15 de janeiro de 1966, e deppois às finais, em  ] 
  • Dois dos seus elementos, o Luís Dutra (infelizmente falecido em 2013, vítima de "doença incurável" por acção do tabaco nos pulmões) e o Eduardo Pinto, foram meus colegas de curso nas Transmissões, fazendo parte do grupo que eu costumo chamar de "Ilustres TSF".
Foram os dois para a Guiné, mobilizados em rendição individual, tal como eu, e ao mesmo tempo que eu.

O Dutra foi inicialmente para Farim. Por motivos de saúde, se bem me lembro um problema qualquer de coração, veio para Portugal e voltou mais tarde para lá. O Eduardo esteve todo o tempo na Escuta, sendo um dos seus iniciadores.

  • Além deles também um outro elemento de "Os Tubarões", o Victor Barros, esteve nas Transmissões e também na Guiné.
Do meu curso, além desses dois, alguns mais eram músicos. Tenho para mim que essa ligação à música acabava por induzir o encaminhamento para o morse, para as Transmissões/TSF.

  • O Carlos Lã era de um conjunto do Algarve e ainda hoje [em 2015...] está no activo nas animações dos Hotéis, mesmo depois de deixar de ser "residente" do Montechoro.
  • O Fernando Cruz, do Porto, tinha também a sua banda de garagem;
  • O mesmo com o Fernando Marques, de Alhandra, o António Camilo, de Castelo Branco, o Miguel Pacheco, de Barcelos, o José Fanha (primo do animador da televisão), da Meia Via, Tomar, o Nélson Batalha, que tocava acordeão e órgão num restaurante com música ao vivo em Setúbal.
O curso tinha mais 6 elementos:
  • o José Canudo, de Elvas, de que não tenho a certeza se tinha alguma relação com a música;
  • o mesmo digo do António Calmeiro, de Tinalhas;
  • e do José Alves, de S. Miguel;
  • sendo que o José Reis, do Porto, era funcionário da Emissora;
  • o Manuel Martinho tinha abandonado o Seminário de Fátima (costumo dizer que era especialista em 'campainhas de missa');
  • e eu, Hélder Valério de Sousa, apenas tinha dado a informação de ter construído um telégrafo.
Mas muitos mais elementos ligados à música estiveram nas Transmissões, conforme já tem aparecido notícias por aqui.

Um deles, por exemplo, foi o Vítor Raposeira, aqui de Setúbal, que ainda recentemente tem andado a reanimar os "Sixties".

Hélder Sousa


(Seleção, revisão/fixação de texto, negritos, parênteses retos,links,  título: LG)

_____________________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de > 19 de novembro de 2015 > Guiné 63/74 - P15386: Álbum fotográfico de Alfredo Reis (ex-alf mil, CART 1690, Geba, 1967/69) (2): A visita, à sede da companhia, do Conjunto Académico João Paulo, em 24 de agosto de 1968

(**) Vd, poste de 8 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28081: Movimento Nacional Feminino: as tournées de artistas conhecidos, com apoio dos meios empresariais do espectáculo - Parte I

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28081: Movimento Nacional Feminino: as tournées de artistas conhecidos, com apoio dos meios empresariais do espectáculo




Florbela Queiroz (nb. 1943): em 1967, em Mocimboa do Rovuma, Moçambique.(Fonte: "Guerra Colonial: fotobiografia", de Renato Monteiro e Luís Farinha. Lisboa: Dom Quixote e Círculo de Leitores, 1990, pág, 226, com a devida vénia).


A popular artista, atriz (de cinema e teatro de revista) e canconetista (a partir de 1966), aqui retratada na capa da revista quizenal "Plateia", nº 104 (15 de novembro de 1961). A Brigute Bardot portuguesa, como já era conhecida, tinha entáo 18 anos (nasceu em Lisboa em 1943). Cortesia de Instragam > florbela.queiroz


Raul Solnado (1929-2009): entre militares em Zala, Angola. S/d.
.(Fonte: "Guerra Colonial: fotobiografia", de Renato Monteiro e Luís Farinha. Lisboa: Dom Quixote e Círculo de Leitores, 1990, pág, 226, com a devida vénia).


Raul Solnado (1929-2009): ator, apresentador de televisão, humorista (um dos génios do humor português do sec. XX). Capa da revista "Nova Antena", 1 de  novembro de 1968. Fonte: Wikipedia, com a devia vénia.



Guiné >: Região de Tombali > Guileje > 10 de novembro de 1969 > CART 2410, "Os Dráculas"  (Gadamael e Guileje, 1968/70) >  "Duo Ouro Negro" .(Fonte: "Guerra Colonial: fotobiografia", de Renato Monteiro e Luís Farinha. Lisboa: Dom Quixote e Círculo de Leitores, 1990, pág, 227, com a devida vénia).





Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Sector L2 > Fajonquito > CART 2742 > 1971 >  Atuação de um grupo de cançonetistas que vieram da Metrópole com o apoio do Movimento Naciuonal Feminino. O Zé Turra, embora não gostasse de fado nem do nacional-cançonetismo, também aparecia, nestes espetáculos no mato, disfarçado com a população local...(Sabe-se que preferia, naturalmente,  a coladera, o gumbé, etc., os ritmos de Cabo Verde e da Guiné.)

Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Imagen: José Bebiano (2010)
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


1. Alguns/algumas artistas de variedades, fadistas, cançonetistas, actores do teatro de revista, humoristas, apresentadores de televisão,  radialistas, etc., atuaram,  nos três teatros de operações, em plena guerra do ultramar / colonial, entre 1961 e 1974, incluindo na Guiné. 

"Seguindo um modelo experimentado noutros palcos de guerra, o Movimento Nacional Feminino, com apoio dos meios empresariais do espectáculo,  organizava tournées,  às três frentes de combate, com os artistas mais conhecidos do teatro e da música ligeira" (in: "Guerra Colonial: fotobiografia", de Renato Monteiro e Luís Farinha. Lisboa: Dom Quixote e Círculo de Leitores, 1990, pág, 227; foto da capa à direita). (Recorde-se que o meu querido amigo e camarada e  saudoso grão-tabanqueiro Renato Monteiro (1946-2021) foi fur mil art, CART 2479 / CART 11, Contuboel, Nova Lamego e Piche, 1969; e CART 2520, Xime e Enxalé, 1969/70).

A TAP e o Exército asseguravam o apoio logístico aos artistas em "tournée" (transportes, alojamento, alimentação,  segurança, etc.). 

O tema está mal documentado no nosso blogue, com exceção das atuações do Conjunto Académico João Paulo e pouco mais. Temos 12 referências ao Marco Paulo.

È difícil (se não impossível) reconstituir com rigor o elenco exato de artistas que passaram pelo TO da Guiné, por exemplo,  mas  sabe-se que as Forças Armadas, o Movimento Nacional Feminino e outras entidades organizavam regularmente "tournées" (sic), ou digressões,  de artistas, uns mais conhecidos do que outros. Atuaram em povoações, aquartelamentos, destacamentos,  bases aéreas. navios da marinha, etc.

Entre os artistas que, em diferentes momentos da Guerra Colonial, passaram pelo Ultramar ou participaram em espetáculos para as tropas ou colaboraram noutras iniciativas do MNF (como os discos de Natal, 1971,1973...) contam-se:
  • Madalena Iglésias
  • Simone de Oliveira
  • António Calvário
  • Artur Garcia
  • Maria José Valério
  • Hermínia Silva
  • Tony de Matos
  • Marco Paulo (estava na Guiné, em 1968, a cumprir o serviço militar, ainda no início da sua carreira musical) (vd. aqui vídeo da RTP)
  • Paco Bandeira (atuou em Angola, onde cumpriu a sua comissão)
  • Duo Ouro Negro (formado pelos angolanos Raúl Indipwo e Milo MacMahon) (vd. aqui um vídeo da RTP Aqruivos, de 1967).
  • Florbela Queiroz (vd., aqui vídeo de 1972, da RTP Arquivos)
  • Armando Cortez
  • Parodiantes de Lisboa
  • Francisco Nicholson
  • Raul Solnado (vd,. aqui um vídeo da RTP Arquivos, de 1978)
  • etc.

2. Facto desconhecido para muitos dos nossos leitores, foi a Cecília Supico Pinto  quem "conseguiu que os músicos do 'Conjunto João Paulo' cumprissem o serviço militar actuando no mato em digressões pelas 'províncias' ", revelação feita na sua biografia, escrita por Sílvia Espírito Santo ("Cecília Espírito Santo,o rosto do Movimento Nacional Feminino, Lisboa, A Esfera dos Livros, 2008, pp. 144). 

Ela sabia, de resto, da experiência norte-americana na II Guerra Mundial (e depois na Coreia e no Vietname), da importância que podia ter, sobre o moral das tropas em África, as atividades de natureza lúdica, como os espetáculos musicais ao vivo, feitos por artistas em voga, vindos da metrópole. 
 
Houve muito boa gente, do mundo do espectáculo, incluindo a nossa "diva", a  Amália Rodrigues, que colaborou com o Movimento Nacional Feminino, quer na edição dos famosos discos de Natal (1971 e 1973), quer participando inclusive em digressões pelos quartéis do mato ou em concertos na metrópole para angariação de fundos.

Além dos músicos do Conjunto Académico João Paulo, talvez o caso mais conhecido terá sido o da  actriz de teatro de revista e cinema (mas também cançonetista, a partir de 1966) Florbela Queiroz.

A Florbela Queiroz (nascida em Lisboa, em 1943) não sei se passou pela Guiné, mas diz ela que andou no mato 8 meses, em 1967 e 1968. 

"Nunca fui tão respeitada por toda a gente. Eu era nova, tinha 21 anos, era uma miúda gira, e andava lá no mato no meio dos soldados, comi da ração deles. Foi a época em que mais me realizei" (cit. por Sílvia Espírito Santo - "Cecília Supico Pinto: o rosto do Movimento Nacional Feminino". Lisboa, A Esfera do Livro, 2008, pág. 144)


Isabel Amora
(1946-.2020)

O célebre disco "Natal 71", enviado aos militares destacados no Ultramar, incluía mensagens e participações de vários destes artistas e figuras públicas, refletindo a forte ligação então existente entre o meio artístico, os empresários do "show business", o MNF  e as campanhas de "apoio moral" aos soldados. 

A elite do Estado Novo queria mostrar que os "rapazes" que defendiam   os seus interesses em África, não estavam esquecidos nem eram abandonados. Em especial em datas sensíveis como o Natal.

No caso específico da Guiné, há também referências dispersas a atuações de vários conjuntos musicais militares que faziam circuitos por Bissau, Bambadinca, Bafatá, Nova Lamego, Teixeira Pinto e outros aquartelamentos, em geral nas sedes de circunscrição e de batalhão  locais mais acessíveis.
 
Em abril de 1971 houve uma grande "Noite das Forças Armadas", na Associação Comercial, Industrial e Agrícola, em Bissau. Mas o espetáculo foi assegurado exclusivamente por artistas, que cumpriam serviço no CTIG,  com números musicais, humorísticos e de variedades. Isto mostra que nem toda a animação dependia de artistas vindos da metrópole.

Muitos camaradas da Guiné recordam-se mais facilmente dos nomes das vedetas femininas do que dos cantores. Foi o caso da desconhecida Isabel Amora (1946-2020), 

 Muitos espetáculos na Guiné eram organizados localmente e incluíam:conjuntos musicais militares, oriundos da metrópole como o Conjunto Académico João Paulo (6 referências no blogue), ou formados "ad hoc", como o Conjunto Musical das Forças Armadas (4 referências) ou o Conjunto Os Bambas D'Incas (5 referências).


3. Fica aqui um apelo aos nossos leitores: 

"Quem assistiu, no mato, a espetáculos de artistas da metrópole em digressão pela Guiné ? Em que local? Quem atuou? Há fotos, cartazes, programas, autógrafos ?"

A memória (individual e grupal)  dos antigos combatentes costuma revelar programas de espetáculo, fotografias e até autógrafos esquecidos em baús e malas no sótão ou nas gavetas das velharias (material que irá, para o lixo, sem dó nem piedade, quando à gente der o trângulo-mango, isto é, lerpar)...

Pesquisa: LG + Net + Wikipedia ´+  IA (ChatGPT / OpenAI| Vibe Mistral AI| Gemini AI / Google)

(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos, links, título:  LG)