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domingo, 1 de novembro de 2026

Guiné 61/74 - P28481: III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XVI: semana de 19 a 26 de maio











Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Rui Chamusco (2026)
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI (2026)

Em tétum, laco (ou laku) refere-se à civeta-de-palmeira-asiática (Paradoxurus hermaphroditus), um pequeno mamífero carnívoro asiático conhecido popularmente em português como gato-de-algália ou civeta. Em algumas regiões de Timor-Leste, também recebe o nome de busa-fuik (gato-bravo).


1. Prosseguimos a publicação das crónicas de 2019 (III Viagem a Timor-Leste) do nosso amigo (e membro da Tabanca Grande), Rui Cham
usco
, professor de música reformado, natural da Malcata, Sabugal, a viver na Lourinhã.


Vai a Timor Leste todos os anos desde 2016 (só não foi na pandemia, 2020, 21 e 22). 

Tem sido apresentado aos nossos leitores como   um exemplo vivo do que é a solidariedade e o amor à lusofonia. Ele e a associação que ajudou a fundar, e de que é dirigente (a ASTIL).

É uma  história de dedicação às crianças das montanhas da martirizada Liquiçá (onde está funcionar, em Manatti / Boebau, a Escola de São Francisco de Assis), E merece ser conhecido pelos nossos leitores, os amigos e camaradas da Guiné. 

Através das suas crónicas temos conhecidos também   diversos aspetosda geografia, história e cultura de Timor-Leste, país membro da CPLP.

Em Timor-Leste, o "Tiu Rui" fica em Díli, na casa do "Eustáquio",  alcunha familiar de João Moniz,  irmão mais novo do Gaspar Sobral (outro dos co-fundadores e dirigentes da ASTIL juntamente com a Glória Sobral).



III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XVI: semana de 19 a 25 de maio (*)

19.02.2019, domingo  - De negociação...em negociação

Um dos motivos que aqui nos trouxe foi encontrar o terreno para a construção da casa residencial (dos professores) (entretanto já construída) (LG). 

Depois de visitarmos vários locais, ficamos de analisar as diversas possibilidades, de acordo com as exigências e as condições propostas, paradecidirmos qual a melhor solução.

O Eustáquio, que é um negociador nato, encarregou-se de explicar, nos diversos locais, as razões e a necessidade de construir esta casa. Apelando à força e proteção dos antepassados de Boebau, fazia um discurso eloquente e comovente a que os presentes respondiam com palavras e com gestos. E eu, sempre que solicitado, dava a minha opinião, em português com tradução, economizando as palavras. Porque, em “terra aliena”, vale mais ouvir do que falar.

Não tardará em tomarmos a decisão. Porque queremos que esta obra seja iniciada o mais breve possível.

Das quatro propostas de negócio escolheremos a que seja mais viável, tendo em conta a localização, a segurança, o acesso à água, a tranquilidade, O negócio far-se-á da seguinte maneira: o proprietário do terreno faz uma doação, devidamente registada, e a ASTILMB (Associação dos Amigis de Timor de Manaty / Boebau) comnpensará o preço acordado em dólares. 

Convenhamos até que para o proprietário do terreno escolhido será uma sorte ter algumas centenas de dólares na mão, uma vez que o dinheiro aqui é escasso.

Terante as várias ofertas de terrenos, o Eustáquio dizia sempre: "Agradeço a vossa colaboração e boa vontade de nos ajudar a resolver este assunto. Peço-vos que não fiqueis aborrecidos ou zangados connosco se não forem escolhidos. Amigos, amigos, negócios à parte."

Ainda não sabemos o preço do terreno, nem temos ainda o orçamento da obra. Mas disseram-nos que uma casa como a que nós pretendemos fazer fica mais ou menos entre vinte a vinte e cinco mil dólares. Seja como for, vamos avançar. E faremos como na construção da escola São Francisco de Assis. Com a colaboração de todos, e particularmente dos amigos e sócios da Astil, havemos de arranjar verbas para que a obra se realize. 

“Se o Senhor não construir a casa, em vão trabalharão os seus construtores.” Deus vai ajudar!

19.05.2019 - Ai Cami... Ai Cameli...

Estamos falando da flora que povoa estes montes de Boebau. Parecem a mesma coisa, mas são bem diferentes: Ai (árvore) Cami, uma árvore de grande porte, de quatro a cinco metros de altura, que dá um fruto parecido à avelã na forma e no gosto; Ai Cameli, uma árvore de altura média, cuja madeira foi e é muito apreciada pela sua textura e pelo seu odor. 

Estou a falar do famoso sândalo que outrora foi tão comercializado incluso pelas exportações que se faziam para Portugal. Pela primeira vez na minha vida pude saborear o fruto cami e cheirar a madeira de sândalo.

Como a natureza é pródiga em ofertas para os nossos sentidos. Há sempre algo desconhecido que nos é oferecido. Generosidade da “mãe natureza”, diria São Francisco de Assis.

19.05.2019 - Regresso a Ailok Laran, Díli


Ailok Laran é o nosso quartel geral. A maior parte do meu tempo é passada qui. Aqui comemos, aqui dormimos, aqui trabalhamos, sobretudo na escrita e na preparação dos eventos.

O nosso regresso a este lar deu-se sem incidências. Salvo as mazelas corporais que estas viagens provocam num físico com quase setenta e três anos de idade. Tenho que me convencer que, andar de “motor” nestas circunstâncias já não é bem para a minha idade. . Mas a teimosia e a vontade de me mostrar-me forte tudo suporta.

Não te cuides, não! Depois, queixa-te...

20.05.2019, segunda feira  - Comemoração da independência

Faz dezassete anos que a independência de Timor foi proclamada.

Por todo o lado se vive de alguma maneira o acontecimento. Bandeiras nacionais de todos os tamanhos são agitadas no vai e vem do carros, carretas, microletes e motores dando ares de festa. Aqui e ali ouvem-se discursos de circunstância, de todos os quadrantes políticos, com predominância das cerimónias promovidas pelo governo.

Em Ailok Laran pouco se sentiram as comemorações. Curte-se o dia feriado nacional, e pouco mais.

Quanto a mim, ao fim da tarde encontrei-me com o brother Peter Corr, que é o diretor do Instituto Católico de Formação de Professores de Baucau, segundo dizem o melhor estabelecimento para a formação de professores em Timor Leste. Falamos claro está da educação e do ensino neste país, e dos nossos projetos em curso. Foi um jantar bem saboroso pelos produtos consumidos e pelas conversas que mantivemos.

E VIVA TIMOR LESTE!

22.05.2019, quarta feira  - Santa paciência!...

Hoje, dezasseis horas e trinta e cinco minutos, já por cinco vezes que nos foi cortada a corrente elétrica.

Que falta de paciência!... Quem pode trabalhar no computador nestas condições? Que nas montanhas de Boebau haja fracas condições de comunicação e de trabalho compreende-se. Mas aqui, mesmo ao lado da capital, como é possível que isto aconteça? Imagino os estragos causados, sobretudo na área comercial. 

Quem assume os danos causados? Aqui ninguém ousa reclamar, seja o que for. Associações de defesa do consumidor são inexistentes.

Tanto caminho por fazer neste Timor em crescimento! É verdade que só em 2020 atinge a maioridade, mas este Timor indepedente ainda tem um longo caminho a percorrer.- Tão martirizado no passado e tão privado de bens essenciais no presente.

Força, país irmão! “A vitória é difícil mas é nossa!” O caminho faz-se andando...

25.05.2019, sábado - Lendas e histórias de Timor

Quase por acaso, à conversa com o Gaspar Sobral, veio à baila o tema da fidelidade que o cão tem para com o homem. Isto porque o Dura e a Lira, dois canídeos que pertencem à casa, estão a nossos pés, por interesse de apanharem as migalhas de pão que caiem da mesa dos senhores, ou por destino que Deus lhes deu de serem fiéis aos seus donos. 

Foi então que o Gaspar se lembrou duma história contada pelo Eustáquio sobre o tema em questão. “Pergunta ao Eustáquio que ele é que sabe bem esta história”.

E foi o que eu fiz. Logo que tive a oportunidade, perguntei-lhe pela lenda / história timorense sobre a fidelidade canina.

“Então o Tiu quer saber mais histórias?” E, sentados à mesa, foi contando e eu escrevendo as três lendas/histórias que vos apresento.

(i) Lenda da relação do cão e do homem

Quando Deus criou o mundo e tudo o que nele existe, o homem só tinha cabeça, que rebolava constantemente pelo chão. Ao contrário, o cão estava completo, com cabeça tronco e membros.

Um dia o homem, já cansado de andar a rebolar, foi ter com Deus e pediu-lhe para que lhe desse também um corpo inteiro. Deus acedeu ao seu pedido e deu-lhe então o  corpo que hoje conhecemos.

O cão ao ver o homem completo encheu-se de inveja por o homem já ter também todos os membros do corpo, e foi ter com Deus, pedindo-lhe que lhe desse mais alguma coisa para ser superior ao homem. E Deus disse-lhe: “Quando te criei, já te criei completo. Porque tens inveja do homem?” 

Então Deus castigou-o, dizendo-lhe:

“Se queres mais, toma estas patas e vais fazer de guarda e segurança do homem.”

A partir daí, o cão passou a ser o animal mais fiel ao homem.

(2) Lenda do cão e o laco

Antigamente o cão também subia às árvores, tal como outros animais seus conhecidos.

Uma vez o cão atacou o laco que, correndo mais veloz, subiu para uma árvore AiKu, árvore de quatro a cinco metros de altura cujo fruto é duro e pesado. (Existe uma aqui mesmo em frente da casa onde moramos.)

O cão logo que chegou olhou para o laco e preparou-se para subir e apanhar o laco.Mas o laco disse-lhe: “Tu não me vais apanhar. Só me apanhas se conseguires apanhar este fruto.” E atirou com o fruto ao cão que, ao tenter apanhá-lo se aleijou,ficando-lhe umas bolas nas patas. A partir de aí, nunca mais o cão pode subir às árvores, porque não se pode agarrar aos troncos.

(3) Lenda da corda kalik

Antigamente o céu estava perto da terra, e havia uma corda kalik feita das raízes aéreas de algumas árvores, que se puxava para a gente subir e descer de um lado para o outro.

Um dia a mãe mandou o filho a buscar lume. Entretanto o garoto começou a brincar com a kalik subindo e descendo, e esqueceu-se do recado da mãe. Quando chegou acasa a mãe ralhou com ele. Ele não gostou da reprimenda, e disse à mãe: 

“ Eu vou brincar lá para cima.” 

E, saindo de casa, pegou na corda, e foi subindo...subindo. A mãe zangada, foi buscar uma tesoura e cortou a kalik. Então o céu começou a afastar-se cada vez mais da terra.

Por isso agora o céu é tão distante da terra.

(Selereção, revisão / fixação de texto: LG)

_________________

Nota do editor LG:

(`*) Último poste da série 15 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28437: III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XV: semana de 12 a 18 de maio

domingo, 25 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28463: Humor de caserna (299): Só foi pena os lagostins, após o "incidente" com o Unimog, na estrada Enxudé-Tite, terem conseguido voltar, a nado... à bolanha
















Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Carlos Barros (2021)
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI (2026)



1. Mais uma "pequena história" do Carlos Barros: 

(i) ex-fur mil, 2ª C/BART 6520/72 (Bolama, Bissau, Tite, Nova Sintra, Gampará, 1972/74), "Os Mais de Nova Sintra", os últimos a ocupar o aquartelamento de Nova Sintra antes da sua transferência para o PAIGC em 17/7/1974; 

(ii) membro da Tabanca Grande nº 815;

(iii) autor da série "Pequenas histórias de Nova Sintra"; 

(iv) tem c. de 4  dezenas de referências no nosso blogue; 

(v) vive em Esposende; 

(v) é professor reformado. 

Republicamos uma essas pequenas histórias, desta vez  passada na estrada Enxudé-Tite (*). Uma delícia. Afinal, na guerra, não havia só tragédias, mortes em combate,  acidentes mortais, doenças tropicais, tornados, naufrágios... 

Claro havia acidentes de viação, quase-acidentes, incidentes... As estradas eram más,   as bajudas bonitas e os lagostins...uma tentação!



Guiné > Região de Quínara > Carta de Tite (1955) > Escala 1/50 mil > Posição relativa da estrada Enxudé-Tite

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)

 

Só foi pena os lagostins,  após o "incidente" com o Unimog,  na estrada Enxudé-Tite, terem conseguido voltar, a nado... à bolanha

por Carlos Barros



O 3º grupo de combate do 2ª CART / BART 6520, com quartel em Nova Sintra, esteve de serviço de segurança à estrada de Tite -Enxudé. 

Como habitualmente, os soldados foram transportados em viaturas Berliet, ocupando cada grupo de dois soldados as suas posições ao longo da estrada, ladeada por extensas bolanhas onde abundavam muitos lagostins e camarões, por sinal saborosos.

Num desses dia, um condutor ia buscar o almoço à cozinha de Tite. Na viagem deu boleia, o que era proibido, a uma jovem africana que andava na apanha desse marisco e já tinha um enorme cesto cheio de lagostins.

Aconteceu então algo de inesperado, que poderia ter trágicas consequências. O condutor, com a jovem ao lado, despistou-se com o Unimog. E foi tombar na bolanha, tendo-se virado o cesto com os lagostins que rapidamente ficaram no seu “habitat”... aquático. 

O furrielda "ferrugem"  soube do sucedido e, depois de ouvir o condutor, refletiu sobre a situação e “branqueou” o acidente, não chegando este ao conhecimento do capitão. O que, a acontecer, teria consequências, com castigo grave para o soldado. 

Neste acidente, milagrosamente, não se registaram feridos. Foi apenas um grande susto!


Carlos Barros
Foi um momento infeliz do condutor que pediu imensa desculpa pelo sucedido, assumindo plenamente a culpa e livrando-se de um processo que lhe traria vários dissabores  (por sinal, já não me recordo do seu nome…). Prometeu futuramente não transportar mais civis na sua viatura.

O furriel Barros, que se encontrava de serviço com este seu grupo, deu uma “ajudazinha ao condutor”: afinal,  a guerra propiciava estas aventuras, por vezes pouco refletidas, e que eram fruto da irreverência da juventude.

Naturalmente, após estes longos anos,  afastado da guerra, o ex-furriel Barros, agora professor, pode  descrever, em liberdade, esta história, com um cunho muito real...

Só teve pena dos lagostins que se perderam nas águas da bolanha... 

Mas podem acreditar que, no fundo do cesto, ainda ficaram alguns que tiveram o destino que os leitores estão a pensar…


Tite, 1972 | Nova Sintra, 1974.

Esposende 1 de fevereiro de 2021

Carlos M. de Lima Barros
Ex.fur mil Barros, 2ª C/BART 6520/72 (Nova Sintra, 1972/74)

(Revisão/fixação de texto, negritos, título: LG)

2. Comentário do editor LG: 

Carlos, a tua história tem um final feliz...Se houvesse mortos ou feridos, a tua margem de manobra era nula ou muito mais reduzida... Felizmente soubeste resolver, tu (e o furriel da "ferrugem"), com inteligência, bom senso, responsabilidade... e camaradagem, este "incidente" ou "quase-acidente"... Seria acidente se houvesse "baixas"...

Alguns dirão: ah!, o nosso desenrascanço, o nosso nacional-porreirismo, o corporativismo "tuga".  que nos leva a proteger uns aos outros, etc. Acidentes com viaturas foram "mato", isto é, houve muitos e alguns graves... Acidentes com armas de fogo, "fogo amigo", etc., houve de tudo ao longo da guerra...É preciso "contextualizar" tudo isto...

"Proibido dar boleia às bajudas ?!"...

No meu tempo, não, fazia parte da "psico"...Era também a nossa boa ação de escuteiros...que tínhamos de fazer todos os dias...E então, Carlos, as 14 obras de misericórdfia que tínhamos de praticar ao longo da comissão ? Sete espirituais, sete materiais ? Dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, enterrar os mortos, ajudar as crianças, as mulheres e os velhos a  atravessar a picada e voltar para casa... 

Enfim, pagar amor com amor!... Não foi isso que aprendemos na cataquese ?...

Bem, mas gostei da história... E fiz questão de a reproduzir, com alguns retoques e direito a BD, na série "Humor de caserna" (**)... E concordas comigo: os lagostins do Geba eram de chorar por mais... Mas as bajudas que os apanhavam, também eram lindas de morrer... e os nossos jovens condutores julgavam que "fazer pisco" também passava por dar boleia às bajudas lindas de morrer...Bolas, do Enxudé a Tite ainda 12 km a penantes...E, ainda, por cima, com um balaio carregado de lagostins!...

E quanto às questões de saúde... pública: naquele tempo não havia poluição, nunca tive problemas com as ostras em Bissau, com os lagostins em Bambadinca...O único problema era a conservação em frio... Por isso é que os guineenses defumavam ou secavam o peixe... Como se fazia na minha terra há 70 anos, até chegar a electricidade e o frigorífico... Salgava-se e secava-se ao sol o peixe, que sobrava, a pensar no inverno quando o pescador não ia ao mar... Guardavva-se nas palhas de trigo ou centeio...Batatada raíz-de-cana, e peixe seco (arraia, safio, sapata, cação...), etc., não ficam atrás dos nossos "lagostins" do Geba, que em Bambadinca me custavam 50 pesos o quilo...na tasca do Zé Maria "turra"...
 
________________________


(**) Último poste da série > 18 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28446: Humor de caserna (298): O inconfundível traço do nosso MigSilva, o grande cartunista e ilustrador Mário Miguéis da Silva, de Esposende, que foi a alma de "O Saltitão", o jornal de caserna da CCAÇ 2701 (Saltinho, 1970/72), comandada pelo então cap inf Carlos Trindade Clemente (I)

Guiné 61/74 - P28462: Documentos (70): "Relatório Periódico da Acção Psicológica n° 2: período 01 a 29Fev64; um exemplo, amadorístico, de "fazer psico", ainda do tempo do brig Louro de Sousa, com-chefe






Legenda: " A África é nossa amiga. A família e os amigos abraçam a gente do mato que estva enganada e não vivia na tabanca há muito tempo".



Guiné > c. 1965 > Estamos a reproduzir os postais de propaganda das NT, dirigidas ao IN e à População. Fazem parte de uma colecção do Joaquim Sequeira (1940-2024), ex-1º cabo canalizador, BENG 447 (Brá, 1965/67), carinhosamente tratado por "Sintra" (ele morava no Mucifal, concelho de Sintra, e era assíduo frequentador da Magnífica Tabanca da Linha).

Trata-se de uma sequência de banda desenhada, sob a forma de um folheto desdobrável com uma meia dúzia de postais, impressos de um lado e do outro. Ccmeça com uma imagem do mapa da Guiné ("Guiné Portuguesa, Guiné Feliz"). À direita está escrito, esferográfica azul: "Do Sintra, 8/65".

Estes postais de propaganda têm vindo a ilustrar os últimos da série "Documentos" dedicados à "ação psicossocial" das NT no CTIG (*).

No primeiro postal mostra-se um grupo de "homens do mato" (nunca "guerrilheiros"), feridos, esfomeados, esfarrapados, desmoralizados. Os combatentes do PAIGC nunca são tratados como tal, mas simplesmente como "homens do mato" (leia-se: bandidos, foragidos, indivíduos que estão fora da lei e da ordem).

Aliás, no nosso tempo, "ir no mato" era, no falar das gentes da Guiné ( a começar pelos soldados do recrutamento local), juntar-se à guerrilha, fugir das zonas sob administração portuguesa (civil e militar).

Portugal, de resto, nunca reconheceu o PAIGC como inimigo, no sentido militar e legal do termo, nem a luta contra o "terrorismo" (ou a "subversão) como uma situação de guerra, face à Convenção de Genebra.

O título do primeiro postal é : "No mato, há doença, fome e morte", A legenda, por sua vez, acrescenta o seguinte: "O Chefe do Grupo do mato julga que vai morrer. Foi gravemente ferido". Deduz-se que são os sobreviventes de uma ação ofensiva das NT.

No 2º postal vemos o mesmo grupo de "homens do mato", desalços, vestiados apenas de tanga ou calções (!), a entregar-se às autoridades militares portuguesas da zona.

Depois do chefe do mato ter ido falar com o "homem grande da tabanca" (o régulo, que veste à maneira fula, o que está longe de ser inocente, já que os fulas eram os nossos grandes aliados), o homem grande intercede por eles junto da tropa. Legenda: "O Homem Grande diz à tropa que estes homens foram enganados, estão arrependidos e fartos da guerra".

No 3º postal, vemos os "homens do mato, arrependidos" serem bem tratados pelas autoridades portuguesas: (i) a começar pelos enfermeiros da tropa que cuidam dos seus ferimentos, (ii) bebem referigerantes com os nossos soldados do recrutamento local; (iii) recebem alimentos (pão, arroz, conservas) da tropa.

No 4º postal, vemos uma tabanca ou aquartelament com tabanca ao lado, sob a bandeira portuguesa- Legenda: 

"A África é nossa amiga. A família e os amigos abraçam a gente do mato que estava enganada e não vivia na tabanca há muito tempo".  

Julgamos haver alguma ingenuidade e sobretudo desconhecimento do território por parte do ilustrador gráfico. Por outro lado, a legenda "A África é nossa amiga" pode parecer um "remake" de um célere slogan de 1961, "Angola é nossa", ou então um "lapsus linguae"... 

Para um cartaz dirigido aos guineenses, fazia mais sentido dizer "A Guiné é nossa amiga"...Que a África, essa, ou pelo menos a OUA (Organização de Unidade Africana), éramos cada vez mais hostilll

Apresenta-se a seguir um excerto de um dos primeiros relatórios periódicos de acção psicossocial. Data do tempo do tempo brig Louro dos Santos. É contemporâneo da Op Tridente. O mínimo que se pode dizer, é  que um exemplo ainda muito amadorístico da acção das NT... Ainda não naão a Rep ACAP (Assuntos Civis e Ação Psicológica). O Exercito aí da estava a aprender a "fazer a psico" e contava com escassos recursos, de médicos a professores, de engenheiros a antropólogos...  Mas, enfim, cabe sobretudo aos leitores comentar.

Todavia, ficamos a saber algumas das coisas que se passavam no terreno, no mês de fevereiro de 1964: 

  • sete batalhões era o essencial do dispositivo das NT;
  • "ainda a guerra era uma criança" (embora já estivesse a decorrer a Op Tridente. jan / mar 64);
  • Guileje acabava de ser ocupado pelas NT (jan64), tal como Cumbijã e Ganturé;
  • ainda se cultivava mancarra (na zona leste), a "semente do diabo" (como lhe chamavam os fulas), obrigados a cultivá-la para fazer patacáo e pagar o imposto de palhota:
  • as minas e armadilhas não eram apenmas um instrumento de terror, mas também de propaganda;
  • continuava, por parte do PAIGC, a prática da intimicao e do assassinato (dos régulos fiéis as NT);
  • cortar orelhas aos que colaboravam com as NT também fazia parte da "justiça revolucionária";
  • o IN que deixa panfletos nos trilhos dirigidos aos "Caros inimigos" (sic);
  • de um lado e do outro, sabe-se que ganha a guerra quem tiver o apoio das populações;
  • percebe-se que a administração civil colapsou com o início da guerra;
  • ainda era difícil, a nível de comando, operacionalziar o cocneito de "propaganda";
  • referida a importância da rádio e dos "jornais de parede";
  • ainda não havia uma aposta forte na assisténcia sanitária (limitada na prática à distribuição da "milagrosa pastilha LM", ou seja, a "aspirina" do Laboratório Militar que funcionava como panaceia (cura para os males);
  • a assistência económica ainda era  "miserável" (um arremedo de "caridade") (se a compararmos com o tempo do gen Spínola);
  • quanto às NT, e ao fim de  um ano, "(continuavam) a dar provas da sua grande capacidade de adaptação e resistência fisica".

Foto (e legenda): © Joaquim Sequeira (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI]


"Relatório Periódico da Acção Psicológica n° 2: período 01 a 29Fev64
 

(Excertos de: CECA, 2014, pp. 271/278)


Acção Psicológica


Para se dar uma noção do trabalho de acção psicológica ao nível das unidades e QG/CTIG apresenta-se como exemplo:

"Relatório Periódico da Acção Psicológica n° 2: período 01 a 29Fev64

Este relatório foi elaborado com base nos relatórios enviados pelas seguintes Unidades:

  • BCaç 506 (*), 
  • BCaç 507 (*), 
  • BCaç 512 (*), 
  • BCaç 513 (*), 
  • BCaç 599 (*), 
  • BCaç 600 (*)
  • e BCaç 619.
(*) Apenas composto de Comando e CCS, não dispondo de subunidades operacionais orgânicas.
 


Dispositivo das NT em 1 de julho de 1964. Fonte: adapt de CECA (2013)



Guiné > Região de Tombali _ Qiuitafine > CCAÇ 726  (Guileje, out 1964/ julho de 1966)> Cambança de um rio... Foto: Arquivo pessoal de Alberto Pires, o "Teco" (Adapt de CECA, 2014.  Restituição e colorização digital, com recurso a IA/ChatGPT)



1. Generalidades

a. Segundo se constata de alguns relatórios recebidos, a acção psicossocial desenvolvida, apesar de todas as dificuldades, tem dado resultados apreciáveis cujos frutos já se colhem, em alguns sectores;

b. No aspecto social nota-se que, em certas regiões do Gabú, a campanha da mancarra aumentou os proventos da população, tornando menos necessária a acção dos nossos elementos. Inversamente, nas regiões que confinam com aquelas onde o ln exerce a sua actividade, a miséria tem aumentado e com ela a necessidade de intervenção das NT;

c. No campo psicológico, além do mencionado no relatório anterior, a acção sobre as populações tem sido alargada, nomeadamente na região de Guileje, ocupada no princípio do mês;

d. A acção psicológica sobre o ln continuou a ser feita principalmente, através da actividade operacional. É de admitir que a dificuldade que o adversário tem encontrado em aliciar determinadas populações e a fidelidade incontestável de outras lhe crie problemas de natureza psicológica.

2. Acção Psicológica conduzida pelo adversário

a. A acção psicológica desenvolvida pelo ln continuou tendo como objectivo principal a obtenção do apoio da população a qual procura indispor contra as NT.

Admite-se que a colocação de minas e engenhos explosivos nas e stradas que passam próximo das povoações, tenha, também, por fim levar-nos a supor que foram essas populações que os implantaram e sobre elas exerçamos acções punitivas, as quais eles exploram a seu favor;

b. Enviou duas mensagens (assinadas por Nicolau Correia) ao Régulo Malan Soncó de Missirá, cujo conteúdo é "um convite a retirar as tropas de Missirá e um ajuste de contas futuras, nem que seja daqui a 10 anos".

Na região de Ingoré, cortou uma orelha a quatro nativos do Sedengal como represália por terem colaborado connosco na região de Bula-Binar. 

Continua a amedrontar as populações tendo, entre outras acções, morto o chefe da tabanca de Pete (15451205 Hl) e espancado os filhos por terem também colaborado com as NT.

No Senegal, o ln tem impedido o regresso de numerosos manjacos a Teixeira Pinto, dizendo-lhes que a tropa os vai matar.

Sobre a actividade psicológica ln considera-se de interesse transcrever a seguinte passagem dum relatório duma Unidade:

" ao que se julga o ln está a enveredar algo frequentemente pelo campo de intimidação ou até da violência. 

Será um mau caminho, porquanto o nativo vítima terá dois termos de comparação - a acção das NT e as suas possibilidades e a acção do ln com a sua nomadização, doença, pilhagem e promiscuidade - entre os quais o esclarecido e bem orientado não terá dúvidas em escolher. 

Admite-se, como conclusão, que a acção psicológica conduzida pelo adversário sobre as populações nativas não está em campo de progressão. Antes, sim, de regressão. A mentira, de que com frequência lança mão, acaba por vir ao de cima e só nos pode vir a beneficiar, à medida que vai ficando patente";

c. A acção psicológica que o ln por vezes ensaia sobre as NT não tem obtido qualquer resultado. 

Durante o período a que este relatório se refere foi encontrado um panfleto ln na região de Missirá, no qual nos manifestam o seu desejo de combater e nos convidam a regressar à Metrópole.  Como nota curiosa salienta-se o facto de nos tratarem por "Caros Inimigos".

3. Acção Psicológica conduzida por órgãos estranhos à Unidade

Duma maneira geral, os relatórios enviados das Unidades não  contém ou contém muito poucas informações acerca destas actividades.

Reconhecem as melhores ou piores relações existentes entre as diferentes autoridades e as variações que as mesmas vão sofrendo, conforme a evolução dos acontecimentos se verifica ou não de modo a satisfazer os seus pontos de vista. 

Reconhece-se a vantagem de existir um plano de conjunto no qual todos se integrariam o que, além do mais, permitiria tirar maior rendimento dos meios existentes.

4. Acção Psicológica conduzida pelas Unidades

a. A acção psicológica desenvolvida sobre as populações teve os seus aspectos mais relevantes pelo que respeita à ocupação de diferentes localidades ao longo da fronteira sul. 

Do relatório do Batalhão respectivo transcreve-se o seguinte:

"A ocupação de Guileje, Cumbijã e Ganturé moralizou extraordinariamente as populações. Antes de efectuada esta ocupação, teve-se o sentimento de que as populações, por influência da propaganda do ln, punham algumas reservas sobre a possibilidade de um dia voltarem às suas terras. Mais saliente no régulo Abibo, de Gadamael, este sentimento, agora felizmente desvanecido."

- O mesmo comando considera que os êxitos obtidos só ficarão completos quando o régulo Abibo lograr atrair à tabanca a população que está dispersa ou quando se verificar a ocupação de outras localidades consideradas de importância.

- Pelas Unidades competentes foi exercida uma determinada acção psicológica sobre os elementos da população que, tendo sido raptados pelo ln e levados para o Como, agora
regressaram às suas tabancas por acção das NT.

- Fez-se uma reunião com os grandes de Missirá e de outras tabancas, tendo-se salientado as intenções da tropa e chamado a atenção para as diferenças de procedimento entre os terroristas e as NT.

- As NT têm visitado frequentemente a população do Geba, começando a verificar-se modificação na sua maneira de  ser. Primeiramente apresentavam-se ressentidos mas com a
assiduidade da nossa presença tornaram-se mais comunicativos e até já se realizaram jogos de futebol entre equipas de militares e civis. 

(1) Propaganda

Além do que tem sido dito nos relatórios anteriores, pouco mais se poderá acrescentar. Julga-se, no entanto, que, com o fim de unificar o conceito de propaganda existente
nas diferentes Unidades não será descabido transcrever a seguinte definição de tão discutido termo:

" Propaganda é qualquer informação, ideia, doutrina ou apelo especial, disseminado com o fim de influenciar opiniões, emoções, atitudes e comportamento dum determinado grupo cujas reacções devem beneficiar os promotores directa ou indirectamente".

(2) Contrapropaganda

Acerca deste parágrafo, por se considerar de interesse transcreve-se o que consta dum dos relatórios recebidos:

" Nunca se esgota o tema da cooperação entre a acção benéfica das NT e a violência, a mentira e o não cumprimento do prometido por parte do adversário. Este campo é melindroso e tem de ser trilhado com tacto e não a esmo.

Devem estabelecer-se ideias fixas esclarecidas sobre o que deve dizer-se ao nativo nas "conversas" em que tal ponto se debate. 

As atitudes que vêm sendo frequentes, da apresentação de cumprimentos pelos chefes e homens grandes, às autoridades militares são sempre aproveitados para tal doutrinação".

(3) As informações fornecidas não impedem que tivessem circulado alguns boatos, principalmente relacionados com as operações em curso. 

Igualmente é de referenciar o aparecimento de um boato que, já há bastante tempo circula e que diz respeito ao tempo de permanência das Unidades nas Províncias Ultramarinas.

b. A acção psicológica sobre o ln fez-se sentir principalmente na região de Como, Caiar e Catunco onde se têm realizado importantes acções militares.

As operações realizadas ao longo da fronteira sul devem também ter afectado o ln que, por via delas, vê dificultadas as suas possibilidades de movimento e a sua acção de propaganda junto das respectivas populações.

c. A acção psicológica sobre as NT tem-se processado normalmente sendo de admitir que tem tido boa aceitação o programa de rádio diariamente emitido.

 Esta actividade tem tido apenas um carácter recreativo e são muito frequentes os pedidos de músicas preferidas, as quais, dentro das possibilidades, tem-se procurado satisfazer.

- Algumas Unidades têm publicado jornais de parede o que, segundo afirmam, também tem tido bom acolhimento por parte das praças e se confirma ser um bom meio para aumentar os seus conhecimentos e ajudar a formular as suas opiniões.

5. Acção Social


a. Enviadas pela Cruz Vermelha Portuguesa foram recebidas  apreciáveis quantidades de medicamentos, vestuários e leite condensado que serão brevemente enviadas para os Batalhões a fim de que possam contemplar os elementos que julgarem mais merecedores.

b. A acção social tem-se mantido sem alteração nos diferentes campos de acção.

(1) Assistência sanitária

Durante o período a que este relatório se refere foi possível obter os seguintes dados estatísticos referentes a este tipo de assistência:



A assistência sanitária administrada em 3 dezenas de localidades , tantas quantas onde havia aquartelamentos das NT no início de 1964  (Fonte: Adapt de CECA, 2014)



Mais uma vez as Unidades são unânimes em afirmar que este tipo de assistência é o que tem dado melhores resultados. A testemunhar esta opinião, num dos relatórios pode ler-se:


" De todas as actividades sociais, continua a ser a assistência sanitária a que mais parece sensibilizar as populações, até porque o estado de doença é o que, psiquicamente, mais valoriza a humanitária tarefa de quem sabe tratar de igual modo corpos e almas. 

Daí o papel importantíssimo desenvolvido pelos médicos militares, a merecer as maiores atenções até para além do âmbito estritamente militar".

(2) Assistência religiosa

- A nota mais saliente da actividade religiosa desenvolvida durante o período é a que se refere à celebração da missa em Geba, por um capelão militar, à qual assistiu elevado número de pessoas.

- Este período foi também caracterizado pelas festas do Ramadão que permitiu a vários elementos qualificados das NT assistirem, como convidados, a alguns dos seus actos
de culto religioso ou manifestações festivas.

O respeito pelos seus usos e costumes deve ser objecto de cuidada doutrinação dentro das NT, nomeadamente entre os menos cultos.

(3) Assistência educativa

- Embora com as dificuldades mencionadas no relatório anterior têm continuado a funcionar as escolas mantidas no âmbito da Acção Psicossocial.

- Extraiu-se dum relatório recebido a seguinte passagem julgada de interesse:

" Num domingo, foi feita uma visita à escola de Jugudul onde se sabia que os alunos estavam a jogar à bola. Com  
o pretexto de ver a escola, provocou-se uma reunião com
os alunos que, na quase totalidade, estavam presentes.

Um aluno da 4ª classe que é auxiliar do professor, foi buscar giz e pediu para darmos aula. Perguntou-se o que queriam saber e aproveitou-se a oportunidade para, ao mesmo tempo que se faziam perguntas se explicarem as proporções entre as superfícies dos territórios ultramarinos e da metrópole, comparando com as populações que
habitam esses territórios e realçando o valor do conjunto como unidade nacional. Isto pareceu bem compreendido.

Foi evidente a diferença entre a expressão de estranheza e receio revelado pelos alunos à nossa chegada e o ar confiante que mostraram no fim da visita".

- Em várias localidades tem-se realizado competições desportivas entre equipas mistas de militares e civis, o que tem servido de pretexto para estreitamento das relações
entre uns e outros.

(4) Assistência económica

Entre outras actividades relacionadas com este tipo de assistência destacam-se as seguintes:

- protecção a nativos nos trabalhos agrícolas nas áreas ameaçadas pelo ln;

- facilitados muitos transportes de colheitas e de haveres de habitantes deslocados por acção do terrorismo;

- auxílios diversos para funerais;

- distribuição em quase todos os quartéis, de sobras de alimentação;

- ofertas de géneros e por vezes de refeições a elementos da população necessitados;

- dádiva de determinada quantia a dois régulos que se encontravam em precária situação económica;

- distribuição de tabaco e cola a caçadores fulas;

- retribuição de ofertas feitas por nativos (por exemplo: uma saca de farinha a uma padeira que ofereceu galinhas);

- distribuição de leite e açúcar a algumas parturientes e de guloseimas a crianças:

- facilidades para construção de moranças em diversas localidades;

- facilitado o aproveitamento da mão de obra, bem remunerada;

- compra por justo preço de artigos vendidos pelos nativos para alimentação das tropas.


6. Conclusões

a. A população continua aceitando bem o contacto com as NT.

As populações vivendo em zonas que confinam com aquelas onde o ln actua, sentem receio pelo seu futuro e pedem a protecção da tropa.

b. O estado psicológico das NT mantém-se estacionário, continuando a dar provas da sua grande capacidade de adaptação e resistência fisica.

c. Apesar da considerável endoutrinação do ln é de admitir que, psicologicamente, a sua situação tivesse sido abalada por virtude das operações efectuadas pelas NT.

d. Presume-se que o ln, executando acções em sectores onde tem estado relativamente mais calmo, pretende levantar o seu nível psicológico [...]."

Fonte: Fonte: Excertos de: Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 6.º Volume; Aspectos da Actividade Operacional; Tomo II; Guiné; Livro I; 1.ª Edição; Lisboa (2014), pp. 271/278.

(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos: LG)
 
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Vd. dois últimos postes anteriores:

17 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28443: Documentos (68): Acção Psicossocial - Instruções, da 3ª Rep/QG/CTIG, de 27Set63 (II)

16 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28440: Documentos (67): Acção Psicossocial - Instruções, da 3ª Rep/QG/CTIG, de 27Set63 (I)

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28437: III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XV: semana de 12 a 18 de maio


Lourinhã > 4 de outubro ode 2026 > Caas do Rui Chamusco : As minhas netas, Clara e Rosa, mais a avó  Chita., a ajudar o Rui a apanhar diospiros. Reconstituiçáo artística, com recurso a ferramenta de IA, a patir de uma imgem HDR (High Dynamic Range).

.Foto (e legenda: ©  Luís Graça (2023). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT/Open AI]
 


1. Prosseguimos a publicação das crónicas de 2019 (III Viagem a Timor-Leste) do nosso amigo (e membro da Tabanca Grande), Rui Chamusco, professor de música reformado, natural da Malcata, Sabugal, a viver na Lourinhã.

Vai a Timor Leste todos os anos desde 2016 (só não foi  na pandemia, 2020, 21 e 22). Ele é um exemplo vivo do que é a solidariedade e o amor à lusofonia. Ele e a associação que ajudou a fundar, e de que é dirigente (a ASTIL).

Essa história, em tétum e em português,  de dedicação às crianças das montanhas da martirizada Liquiçá (onde está funcionar, em Manatti / Boebau, a Escola de São Francisco de Assis) merece ser conhecido pelos nossos leitores, os amigos e camaradas da Guiné. Bem como outros aspetos da geografia, história e cultura de Timor-Leste, país membro da CPLP, que as crónicas do Rui também procuram  divulgar.

Em Timor-Leste, o Rui fica na casa do Eustáquio, irmão mais novo do Gaspar Sobral (outro dos co-fundadores  e dirigentes da ASTILl juntamente com a Glória Sobral).




Prompting  e orientação editorial: Luís Graça
Imagens e texto: Rui Chamusco (2019)
Geração gráfica assistida por IA (Google Gemini AI)
(2026)


Timor Leste > Liquiçá > Manati > Boebau > 22 de março de 2025 > 7º aniversário da Escola de São Francisco de Assis (ESFA) > O 1º ministro da RDTL com o grupo de professores, mais o Rui  (à direita) e o  João Moniz Sobral ("Eustáquio") (ao lado de Xanana Gusmão)


O 1º ministro da República Democrática de Timor-Leste (RDTL), Kay Rala Xanana Gusmão, acompanhado do administrador do município de Liquiça, Rogério dos Santos, fez uma visita-surpresa à ESFA, em Boebau / Manatti, município de Liquiçá, por ocasião do 7º aniversário, sendo recebido pelo Rui Chamusco ("Tiu Rui" ou "Abô Rui"), "malae"m português, dirigente da ASTIL, e pelo coordenador da escola, o timorense João de Araújo Moniz Sobral ("Eustáquio").

Imagens da Média - GPM / RDTL (República Democrática de Timor-Leste, com a devida vénia)... Fonte:  Página do Facebook do 1º Ministro da RDTL, Kay Rala Xanana Gusmão
I

III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XV: semana de 12 a 18 de maio (*)



12.05.2019, domingo - A ociosidade...mãe de todos os vícios

Já referi em relatos anteriores que um dos grandes problemas a resolver nesta sociedade timorense é a ocupação dos jovens. Enquanto que bastantes prosseguem os seus estudos, obtêm diplomas e tentam arranjar emprego no país ou no estrangeiro, outros ficam-se pelo ensino básico, à espera que algo lhes aconteça.

É frequente encontrarmos grupos de jovens em qualquer parte e a qualquer hora do dia. E nós perguntamo-nos: “ O que é que eles estão fazendo?” 

Muitos deles frequentam lições de artes marciais, capacitando-se assim para a luta de corpo a corpo. De vez em quando há episódios que lhes são atribuídos. Por exemplo terem atacado e morto um senhor (normalmente atacam para roubar, sobretudo dinheiro que tanta falta lhes faz). Depois, esquartejaram o seu corpo e foram lançá-lo ao mar, para alimento dos crocodilos.

Esta noite, aqui bem perto, aconteceu outro ataque: um senhor que descansava tranquilamente na sua casa, foi assaltado por um destes grupos para o roubar. Estragaram-lhe a motorizada e, possivelmente, limparam-lhe os dólares que encontraram. Safou-se ao menos de ser atirado ao mar.

Este clima de insegurança já levou uma alta patente do exército − o coronel Ledere  − a fazer declarações em canal televisivo, dizendo: 

 −  Se o governo não tomar medidas, a tropa virá para a rua resolver a situação.

 Mas até agora, não se tem sentido o efeito de qualquer medida adotada.

“Quem poderá domar os cavalos do vento” ? Quem terá a coragem de intervir? Oxalá não apareça algum político demagogo a prometer mundos e fundos a estes jovens, pois facilmente os arrastará pra a sua causa e, quem sabe, para o combate violento.

Não sei,  não! Mas gostaria que, tal como a maioria dos habitantes deste país,a guerra e a violência nunca mais cá voltassem.

Hoje e amanhã, dia 12 e 13 de Maio, multiplicam-se rezas e procissões pelas ruas e igrejas deste país, porque é o aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima. 

Que bom seria que todos pedissem a paz para este povo tão martirizado recentemente. As cicatrizes e as memórias da guerra ainda estão muito presentes.

13.05.2019, segunda feira    − A festa dos mortos

Parece incrível mas é verdade. Logo de manhã, depois do matabicho (pequeno almoço), inadvertidamente comecei a trautear uma canção. Fui logo chamado atenção pela Adobe e pela Aurora: 

− Tiu Rui não pode cantar, porque morreu asenhora.

 Ontem soou a meio da tarde a sirene do carro mortuário que trazia o corpo da senhora falecida cuja casa de família é daqui bem perto. E por respeito aceitei a reprimenda, sem que no entanto deixasse de pensar e retorquir: 

− Então eu aqui em vossa casa não posso cantar, mas vocês à noite, na casa do velório, a rir, comer e beber,rezar, jogar cartas, etc...?!”

Parece um paradoxo, segundo o que queiram pensar. O facto é que, aqui em Timor, o culto dos mortos é motivo de tristeza e de festa. Guardam os corpos durante três ou quatro dias, e durante esse tempo, todas as noites se faz o mesmo ritual. Sei até que há o costume de nessas vigílias falarem bem e mal do morto, pondo a nu a sua vida.

Choro e riso, lágrimas de alegria e de tristeza, mal dizer e bem dizer, preces e orações, tudo pode acontecer. E estas cerimónias vão repetir-se ao longo do ano: seis meses depois para anunciarem o o pequeno luto (luto kíik), e um ano depois para comunicarem o desluto (koremetan).

A tradição, a cultura timorense, é muito exigente no cumprimento destas cerimónias e rituais. Traz muita carga de responsabilidade, sobretudo para os “manefons” (genros) que têm de suportar uma despesa enorme, conforme os “humanes” (irmãos do falecido) decidirem. É por isso que eu digo: esta gente que respeitar e cumprir estas exigências culturais nuca poderá enriquecer.

Talvez um dia possa descrever em pormenor toda a negociação que se gera em torno destes eventos associados à morte. Por enquanto não me resta outra solução do que respeitar esta cultura e tentar compreender esta dialética entre a vida e a morte.

14.05.2019, terça feira  - Nós, os mosquitos e o mosquiteiro

Viajar para países tropicais supõe sempre uma prevenção que passa pela consulta do viajante, por vacinas e cuidados a ter contra as doenças que proliferam no país de destino. Timor não sai desta regra e, quase sempre, vimos prevenidos com cremes, comprimidos, etc, etc...

Um dos agentes mais comuns na transmissão destas doenças são os mosquitos que, a bem dizer, nem sei porque Deus os põe neste mundo, mas como bom crente acredito que de alguma missão foram incumbidos. Que mais não seja para nos chatear e por à prova a nossa paciência.

Por precaução e para evitar as picadas de mosquitos, particularmente das melgas, utilizamos diversos artefactos: 

  • raquete mosquiteira (muito eficaz mas que deixa um rastro de carne queimada), 
  • os sprays (também infectam o ar tornando-o irrespirável);
  •  a rede mosquiteira.;
  • e, em último recurso, a palmada certeira que reduz a vítima asanduíche. 
De todos eles, a rede mosquiteira é talvez a mais utilizada, o que implica uma espécie de teto falso sobre as nossas camas. tornando-o quase transparente.

Muitas vezes não conseguimos distinguir se os atacantes estão dentro ou fora deste habitáculo, originando assim situações caricatas. Quantas das vezes não fazemos deDon Quixote de la Mancha, perseguindo mosquitos que mais não são do que pontos negros ressaltando do teto ou das paredes. E então quando o perseguidor já tem falta de vista ou é mirolho, pior ainda. São golpes e chapadas em vão que até nos fazem rir de nós próprios. É uma guerra injusta, mas que temos de suportar...

14.05.2019 - “Com bolos se enganam os tolos...”

Hoje vim a saber que, em Portugal como em Timor, há práticas ancestrais comuns para alcançar determinados fins.

Lembro-me em criança, nos anos cinquenta, que um dia os ciganos apresentaram uma égua a meu pai, para fazerem o negócio de troca por uma burra mais uma quantia em dinheiro. Para provarem que o animal era manso, foram à Eira buscar uma carga de ferrém. O meu pai ficou encantado, a égua era mansinha, e de pronto se fez o negócio. 

No dia seguinte, meu pai foi experimentar de novo a doçura do equídeo, e depressa se deu conta que tinha sido enganado. O animal parecia que tinha o diabo no corpo. Ninguém a segurava. Soubemos então que eles tinham embebedado a égua,  deitando-lhe aguardente para dentro das orelhas. Claro que o meu foi de imediato ter com os ciganos para desfazer o negócio. A troca da burra pela égua endiabrada foi possível. O que não conseguiu foi recuperar o dinheiro.

Vamos então ao caso de hoje em Timor, em Ailok Laran. O Eustáquio, como os outros vizinhos, tem por aqui vários galináceos, donde ressaltam belos exemplares de galos (manu-aman") que, devido à liberdade de que gozam, é muito difícil apanhá-los. 

Então qual foi a estratégia adoptada? Deitou-lhes uma mão cheia de grão de milho e, num recipiente improvisado (uma garrafa de água vazia cortada ao meio) misturou "sabu" (aguardente de palmeira) com cocola e deu de beber aos dois “pica-no-chão”.

 Regalados, foram bebendo até à saciedade, até cairem de borrachos como se costuma dizer. Não caíram, mas ficaram muito calmos, podendo assim, se o quiserem, apanhá-los e levá-los para onde for o seu destino: mudança de lugar, luta de galos, ou o cadafalso para servirem de manjar.

Pois é! Parece que a utilização do álcool como droga anestesiante funciona mesmo.

Quem teria ensinado este povo timorense? Não me admiraria nada que tenham sido os portugueses. Aliás temos a fama de sermos grandes consumidores de álcool, particularmente de vinho.

16.05.2019, quinta feira  - Há mar e mar...Há ir e voltar...

Esta é a sina de todos nós: viajar. No tempo, no espaço, de uns lados para os outros num constante devir. Ontem chegamos, amanhã partimos. Tal e qual, como peregrinos e forasteiros neste mundo.

Estes últimos anos os ventos sopraram para os lados do Oriente. Pela terceira vez que o destino é Timor, sempre com ordem de voltar ao país de origem. E chegou a hora de pensar no regresso, atempadamente, até porque nos fazem melhores preços. Pois assim será: na primeira semana de julho próximo, lá estaremos nós (eu) de abalada.

Mas como ainda falta um mês e meio, e há tanta coisa por fazer, vamos trabalhar no projeto de solidariedade com unhas e dentes, na esperança que alguns dos problemas e necessidades se resolvam. Penso até que, quando o tempo urge, somos mais eficazes nas nossas ações. Assim mesmo. Sem perdermos de vista o que realmente nos traz porcá, vamos caminhando nesta reta final, de peito ao vento e de cabeça erguida, esperando o dia do regresso.”Há mar e mar...Há ir e voltar...”

17.05.2019, sexta feira - Farmácia natural

Hoje tomei conhecimento de mais uns quantos produtos naturais que a cultura timorense aplica para determidas doenças. Enquanto esperávamos no jardim do Mundo Mágico, o Eustáquio deu-me uma aula sobre remédios naturais, a partir das plantas que ali se encontram, A saber:

  • Buganvília: as suas raízes, depois de bem lavadas, são fervidas. Não se deve tapar o recipiente. A sua água deve beber-se regradamente. É um remédio utilizado para curar a tuberculose. O Eustáquio afirma que já foi aplicado num familiar, e que a partir daí nunca mais teve esse problema de saúde.
  • Birama: as suas folhas esfregadas são bom coagulante do sangue. Uso externo.
  • Papaia: as suas sementes, engolidas sem mastigar, são um bom digestivo e regulador do intestino.

Sempre a aprender nesta escola da vida, com um professor de excelência.



Timor Leste > Liquiçá > Manati > Boebau > 2023 > Transporte coletivo, uma "anguna"

Foto (e legenda): © Rui Chamusco (2023). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


18.05.2019, sábado  - A caminho de Boebau ...


Mais uma viagem para as montanhas de Liquiçá. Como sempre cada viagem é uma aventura, nunca sabendo o que iremos encontrar: chuva, sol, nevoeiro, lama, buracos e árvores atravessadas no caminho, animais ("kraus" / bois e "manus" / galinhas), pessoas sobretudo crianças, etc... Uma constante atenção a ter em conta, especialmente pelos condutores.

Desta vez tivemos de alugar um “carro” para transportar alguns materiais (mesas e cadeiras) que o Jardim Mágico (creche e jardim de infância, fundado em 2016, e que fica na Rua Santo António de Motael, em Díli, junto à Igreja de Motael) ofereceu, a fim de equiparmos a Escola de São Francisco. Carga pronta, e lá fomos até Liquiçá, onde dois amigos − o professor Mário e a educadora Mariana − nos esperavam para seguirmos a viagem até Boebau.

Por conselho do Eustáquio a Mariana deixou o seu “motor” em Hepu’u, em casa de familiares da família Sobral. E começou então propriamente a aventura desta viagem:os dois “motores” do Eustáquio e do Mário à frente, e o “carro” do Apeu atràs, onde viajávamos eu e a Mariana. 

Para além dos solavancos e apertões a que fomos sujeitos, pois os buracos do caminho são cada vez mais e maiores  não há manutenção nem seviços de estrada - por três vezes tivemos de descer da viatura para a ajudarmos a sair do lamaçal ou de subidas íngremes onde o cheiro dos pneus queimados nos ia entupindo as narinas. 

Valeu-nos em situação mais difícil a boa vontade dos viajantes da “anguna” (camioneta ou carrinha, tipo toca-toca)  que prontamente acudiram para empurrar.

Depois de duas horas de caminho com mais ou menos doze quilómetros de distância carregado de peripécias, chegámos finalmente a Boebau, onde nos esperavam as crianças, as assistentes e bastantes pais à entrada da Escola de São Francisco. 

Cantado o hino da escola e mais algumas canções anteriormente aprendidas procedeu-se à sessão de fotografias das crianças que frequentam esta escola: 

  • grupo A (3, 4 anos) )= 16; 
  • grupo B (5,6 anos) = 25. 

A professora Rita Gonçalves, a lecionar na escola de Kilo, e que colobora na escola de São Francisco, reuniu os pais das crianças e quis que eu dissesse algumas palavras sobre esta visi ta. Quiseram também saber qual o motivo da presença do professor Mário e da educadora Mariana. E tive que lhes dizer que é uma visita de amigos, porque alguns já pensavam que eram os professores para a Escola de São Francisco de Assis. Quem nos dera!...

Chegou a hora do almoço e, como sempre, fomos até à casa do Bozé, onde nos esperavam as iguarias desta refeição: arroz, folha de mandioca, flor de papaia, bocadinhos de frango caseiro (aqui não há frango de aviário) ("manus") e água. 

A Mariana comentava: 

 −Adoro estas comidas... 

Eu também.

A Mariana ainda teve tempo para dar as instruções necessárias sobre a utilização e aplicação do material pedagógico que nos trouxe.

Rui Chamusco  | Revisão / fixação de texto, título, negritos: LG.

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Nota do editor LG: