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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27967: Álbum fotográfico de Ernestino Caniço, ex-alf mil cav, Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa, e Rep ACAP/QG/CCFAG, Amura, Bissau, 1970/72 - Parte I: "Conquistar mentes e corações"




Foto nº 1 > População (homens e mulheres do "mato") junto ao Palácio do Governador


Foto nº 3 > População (homens do "mato") visitandio um posto sanitário


Foto 8 >  Entrevista de um elemento da população no Pifas


Foto nº 2 > Construção de tabanca pelas NT (reordenamentos)



Foto nº  4 > Vista aérea de uma tabanca (reordenamento)


Foto nº 5 > Trabalhos na estrada (asfaltagem, a cargo do BENG 447)



Foto nº 6  > Cerimónia de imposição dos galões do ten cor Lemos Pires



Foto  nº 7  > Bandeja com os galões do ten cor Lemos Pires da qual sou portador e permuta pelo major Luz Almeida

Foto (e legenda): © Ernestino Caniço (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné] 



O médico Ernestino
 Caniço (Tomar, 2014)
1. Mensagem, mais abaixo. de Ernestino Caniço (ex-Alf Mil Cav, Comandante do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Acção Psicológica, Bissau, jan 1970/ dez 1971, hoje médico, vive em Tomar, estando reformado do SNS (em 1971, era chefe da Rep ACAP o major inf Mário Lemos Pires, que será entretanto promovido a tenente-coronel); trabalhou com o então cap Otelo Saraiva de Carvalho sobre quem escreveu, em 26/7/2021:

 " (...) Faleceu Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho, o principal pilar do 25 de Abril de 1974. Durante o ano de 1971 fomos camaradas, em funções na ACAP (Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica), no quartel da Amura, na Guiné Bissau. Partilhámos a mesma sala com as secretárias lado a lado. Como é natural dialogámos muito. Face à sua morte, não posso deixar de manifestar o apreço e a amizade que nos uniu, pelo que lamento a sua perda. Foi fácil. A sua empatia, generosidade e humanismo assim o permitiram. O diálogo fluía naturalmente,
 não descortinando qualquer atitude lapuz. Que descanse em paz." (...)

Foi pela mão do Ernestino Caniço que o Otelo foi simbolicamente inumado à sombra do nosso poilão, no lugar nº 846.

Date: sexta, 30/07/2021 à(s) 17:59

Data - terça, 28/04, 22:01 (há 7 horas)

Assunto - Rep ACAP /QG / CCFAG

Olá,  Luís.

Que saúde não falte.

Face à tua solicitação (*) , vou tentar repescar algo, salvaguardando alguma imprecisão a esta distância temporal.

Na dependência da AP - Ação Psicológica, havia as secções Informações Psicológicas, Operações Psicológicas e Rádio Difusão e Imprensa. 

Quando fui colocado na Rep ACAP estava orientado para a Secção de Assuntos Civis. No entanto, após alguns contactos com o ainda major Lemos Pires (Lamego, 1931 - Lisboa, 2009) , este colocou-me na Secção de Operações Psicológicas (que visava, entre outros, credibilizar a presença portuguesa e manter o moral das forças portuguesas), pela minha putativa desenvoltura (sem pesporrência).

Além de contactos frequentes com as populações, fui colaborador do cap Otelo com enfoque nos contactos internacionais e corresponsável pela biblioteca com o major Eanes. 

Os impactes dos contactos com as populações eram processados na rádio pelo alf Arlindo Carvalho. Mais pormenores estão descritos no Post 22426 de 2021.08.02 (**), que deu origem a alguns comentários suscetíveis de serem considerados perspetivas olhizainas e interpretados como chifralgias (termo meu – basta decompor a palavra).

Anexo algumas fotos sobre esta temática

Foto 1 – população junto ao palácio do governo

Foto 2 – construção de tabanca pelas NT

Foto 3 – população visitando um posto sanitário

Foto 4 – vista aérea de uma tabanca

Foto 5 – trabalhos na estrada

Foto 6 – cerimónia de imposição dos galões do ten cor Lemos Pires

Foto 7 – bandeja com os galões do ten cor Lemos Pires da qual sou portador e permuta pelo major Luz Almeida

Foto 8 – entrevista de um elemento da população no Pifas

Abraço,

Ernestino Caniço

2. Comentário do editor LG:

Ernestino, obrigado pela tua generosidade e perceção da importància que tem esta documentação para a memória e a história  da nossa geração de antigos combatentes na Guiné.  Alguns destes distintos militares com quem tiveste o privilégio de trabalhar na Rep ACAP,  QG/CCFAG, na Amura, em Bissau em 1971, já morreram e fazem parte da nossa história contemporânea (maj gen Lemos Pires, cor art Otelo Saraiva de Carvalho, marechal António Spínola, etc.). O gen Ramalho Eanes ainda está felizmente entre nós. 

Só mais refentemente, em 2021, com a morte do Otelo,  foste ao teu álbum fotográfico, à parte dos "reservados", e selecionaste algumas fotos que quiseste partilhar connosco (**). 

O trabalho da "tua" Rep ACAP, onde passaste metade da tua comissão, depois de 4 meses em Mansabá e 6 meses em Mansoa, com os teus bravos do Pel Rec Daimler 2208 e as tuas "velhinhas latas de sardinha com roda"...), foi historicamente muito importante mas é, infelizmente, mal conhecido e está mal documentado. Que este seja o primeiro poste de mais alguns da série que eu acabei de criar para a ti...Um alfabravo, Luís.
_______________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 27 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27961: O PIFAS, de saudosa memória (21): O Programa das Forças Armadas ganha maior visibilidade com Otelo e Ramalho Eanes, na Rep ACAP: recordações dos radialistas Garcês Costa e Silvério Dias (1934-2026)

(**) Vd. poste de 2 de agosto de 2021 > Guiné 61/74 - P22426: Tabanca Grande (523): O cap art Otelo Saraiva de Carvalho, com quem trabalhei na Rep ACAP, QG/CCFAF, em 1971, ao tempo do major inf Ramalho Eanes e do ten cor inf Mário Lemos Pires (Ernestino Caniço)... Em sua memória, é reservado o lugar nº 846, à sombra do nosso poilão

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27961: O PIFAS, de saudosa memória (21): O Programa das Forças Armadas ganha maior visibilidade com Otelo e Ramalho Eanes, na Rep ACAP: recordações dos radialistas Garcês Costa e Silvério Dias (1934-2026)


Foto 1 > Guiné > Bissau > Amura > QG / CCFAG > Rep ACAP (Assuntos Civis e Acção Psicológica) > 1971 > Uma foto histórica: o  major Ramalho Eanes, de óculos de sol  (Diretor da Secção de Radiodifusão e Imprensa), à ponta esquerda; o ten cor Lemos Pires (chefe da repartição), na ponta direita;  o alf mil Ernestino Caniço está ao centro, na terceira fila.

O Ernestino Caniço acrescentou ainda os seguintes nomes à legenda (embora "orrendo o risco de me falhar a memória"):
  • alf Alberti (penso que de Abrantes) - 1ª fila à dtª (à esqº na foto) do ten cor Lemos Pires;
  • alf Janeiro, licenciado em Geografia - 2ª fila à esqª (à dtª na foto) do major Eanes;
  • alf Arlindo Carvalho, 2ª fila, à minha esqª (à dtª na foto);
  • alf Fidalgo, 3ª fila, 3º ao fundo da dtª para a esqª.

Foto (e legenda): © Ernestino Caniço (2021). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné] 


Foto nº 2 > Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas > c. 1970/72 >  Da esquerda para a direita: Silvério Dias, José Camacho Costa  e Garcez Costa


Foto nº 3 > Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas > c. 1970/72 > "No dia da minha estreia aos microfones, fardado a rigor, como quase sempre era obrigatório".


Foto nº 4 > Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas > c. 1970/72 >  "Garcez Costa a  ler 'a bíblia'e o João Paulo Diniz à espera qu'eu lhe passe 'a bola' "


Foto nº 5 > Lisboa > Páteo Alfacinha > 31 de maio de 1985 > Jantar de convívio do pessoal do emissor regional da Guiné e Programa das Forças Armadas. Foto do álbum do Garcès Costa

Legenda: "Passados anos ainda reconheço algumas personalidades, uns fizeram parte da minha convivência, e outros não identifico, porque não houve o cuidado, na altura, de proceder à legenda da foto.

Em cima: (i) Jerónimo (o nosso incansável dactilógrafo – não tinha horário de entrada e nunca se sabia a que horas saía de serviço);

(ii) Ramalho Eanes (incentivou-me a ter gosto pela música clássica);

(iii) Maria Eugénia (a nossa "mãezinha" e a célebre "senhora tenente");

(ii) Silvério Dias (está encoberto o "paizinho" de todos nós, que era então, no meu tempo, 1º sargento);

(iv) Dias Pinto (estava no mato, quando vinha a Bissau, colaborava nos noticários);

(v) Raul Durão (o 1º locutor do PFA);

(vi) José Manuel Barroso;

(vii) João Paulo Diniz (um companheiro fraterno que me ajudou a soltar a voz sem medos)...

Em baixo: (viii) Mário Feio; (ix) Júlio Montenegro (ensinou que a palavra é o corpo da rádio); (x) Faride Magide (técnico do Emissor Regional e bom amigo a par do locutor Lopes Pereira que nunca mais ninguém ouviu falar dele); (xi) José Avelino; (xii) José Camacho Costa (a nossa amizade estendeu-se desde a adolescência no Colégio Nun'Álvares em Tomar até aos seus últimos dias de vida); (xiii) eu (Garcez Costa),   o último da direita."
 
Fotos (e legendas): © Garcez Costa (2012). Todos os direitos reservados.  [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1.   Em 4 de abril de 1968, fez agora 58 anos, o nosso recém-falecido camarada Silvério Pires Dias  começava a trabalhar,   como "radialista", aos microfones do PFA - Programa das Forças Armadas, da Rep ACAP / QG / CCFAG, conhecido mais popularmente por PIFAS. Na altura ainda estava ao serviço da CART 1802 (Nova Sintra, 1967/69). 

Nessa data (se o "nosso primeiro" não se enganpou, eu acho que deve 4/4/1949), ainda era governador e comandante-chefe o general Arnaldo Schulz. Isto quer dizer que o PFA já existia (desde 1967), não foi uma criação do António Spínola. É, no entanto, com o novo governador e com-chefe, que a Rep ACAP ganha mais visibilidade, recursos (humanos, técnicos, logísticos) e importância. 

Eis o que já escreveu um dos seus radialistas, o Garcês Costa (de seu nome completo António Manuel Garcez da Costa , que cumpriu o serviço militar entre fevereiro de 1970 e 72, tendo sido substituído no final da comissão pelo Armando Carvalhêda no PIFAS:

(...) O PFA  - Programa das Forças Armadas tinha instalações na Avenida Arnaldo Schultz, onde funcionava o Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné, sob a tutela do Estado Maior do Exército, com uma tafefa específica a que se chamava Acção Psicológica. 

Daí a intenção da criação por volta de 1967, e cujo primeiro locutor foi Raul Durão, do célebre mais tarde conhecido Pifas, com o fim de transmitir emissões de animação cultural e-musical junto da própria população civil e dos militares aquartelados em toda a região da Guiné Portuguesa. 

Já agora o último a fechar as portas, em 1974, foi José Manuel Barroso, sobrinho do casal Mário Soares/Maria Barroso.

As 3 emissões diárias (12:00-13:00; 18:00-19:00; 23:00-24:00) eram radiodifundidas através do Emissor Regional da Guiné. 

Nos quadros desta estação, enquanto militares, passaram, por exemplo, os compositores Rui Malhoa e Nuno Nazareth Fernandes, e o açoriano António Lourenço de Melo,  da atual RDP-Antena 1 (...)

 Ainda sobre a história do programa radiofónico das Forças Armadas na Guiné, diz o Garcês Costa: 

(...) Após a intervenção logística dos Chefes da Repartição Otelo e depois [Ramalho] Eanes, esses seus empenhos não só contribuíram para a remodelação de todo o equipamento técnico dos estúdios de gravação e directos, como foi o período em que se projectou como mais recursos humanos a área de Rádio e Imprensa.

(...) Daí que foi uma mais valia, tipo 2 em 1, a conjugação de projectos dos jornalistas José Camacho Costa e Júlio Montenegro com o radialistas Silvério Dias, Garcez Costa, João Paulo Diniz, que foi admitido para render Carlos Macareno;

(...) De realçar, entretanto, o nosso Chefe de Núcleo, Arlindo de Carvalho, hoje figura pública político-partidária;  

(...) Outro Carvalho foi o António (Tony),  carinhosamente tratado por engenheiro de som e do discotecário Carlos Castro;

(v) E,  claro,  a nossa "senhora tenente",  esposa do nosso primeiro,  que emprestava graciosamente a sua colaboração administrativa e radiofónica;

(vi) Haverá outros nomes aqui em esquecimento mas que seja perdoado por isso.
 
Prometo, entretanto, reformular as gravações em fita magnética, a partir do meu velho gravador de bobines, passando-as aqui para o computador para efeitos de mistura, bem como procurar uma foto do Jantar de Convívio no Pátio Alfacinha em meados dos anos 80.

Junto em anexo algumas fotos pifanianas (...)



2. Do blogue do Silvério Dias, "Poeta Todos os Dias" (que vai de janeiro de 2011 a novembro de 2023) selecionámos alguns postes com referências à sua experiência e memórias da rádio:
 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014 > QUADRA DO DIA

O "Mundial da Rádio"
Se celebra neste dia.
Vivi momentos de gáudio,
Quando a Rádio servia.


"Pifas", o boneco que ajudou a popularizar
 o PFA - Programa das Forças Armadas

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018 
DEFERÊNCIAS

Amigos bem intencionados,
Um de Proença outro de Sacavém,
Atribuem-me uns predicados
Que,  por verdade, aceito bem:

Para um, sou "Homem-Palavra",
Já o outro diz ser "A Voz",
A distinguir esta pessoa falada,
Sem nenhum contra e alguns prós!

Referência às cordas vocais
De que disponho e bem.
Na Rádio, fui um dos tais ...
Já na oratória, como convém!

Fica dada a explicação.
Aos amigos, Marçal e Garcez,
um bem-haja, a "vocemecês"!


26 de fevereiro de 2018 > GRACEJO

Amigos que tive na Guiné
diziam, "depois do Caco Baldé,
és o mais famoso em Bissau".
Porque minha voz na Rádio local,
lhes soava menos mal ...
O comentário, nem era mau!

quarta-feira, 4 de abril de 2018 > OLÁ, SOU O "PIFAS"

Equipado, bem a rigor,
Apresento-me, sou o "Pifas"!
"Armado" de micro e gravador,
Alguém me disse, "bem ficas".

Tive uma nobre missão,
"Dar música" à rapaziada
Que, vivendo sob pressão,
Sentia uma saudade danada!

"Sempre ao vosso lado",
Um dos lemas que criei,
E nunca estive acomodado.
Tantos sectores visitei ...

Por estradas de lama e pó, ...
No "Unimog saltitão",
Pelos rios, em LDMs, não só,
No ares, "Alouette, "Dornier", o avião ...

Fui a todas, a muitos lados,
Sempre de peito feito
E aos camaradas soldados
Dei apoio, bem ao meu jeito!

Guardo imensas recordações.
Tantas, nem ouso contar...
Como prova, os vossos guiões
Que me quiseram ofertar.

Voluntário, prolonguei comissão
Até ao fim, em permanência,
E, quando terminei a missão,
A Guiné ganhou independência.

Hoje, passados cinquenta anos,
Revivo momentos e esqueço danos.
Com alguns de vós a meu lado,
Me sinto muito honrado!

Silvério Pires Dias
Ao tempo, 1.º Sargento de Art

sábado, 13 de fevereiro de 2021 > DIA MUNDIAL DA RÁDIO

A Rádio celebra o seu dia.
Quantos dias a servi
Naquela Rádio que se fazia?
Que bons momentos vivi ...

"Pifas", o símbolo criado
Para lhe dar evidência.
A alma, bem a seu lado, 
Era já de excelência!

Aos "Pifanianos da Guiné"
Vos desejamos muita Fé!
Recordando "aqueles dias", 
Tão cheios de agonias ...

Estive sempre convosco,
No Bem e no Desgosto!


13 de fevereiro de 2023 > DIA MUNDIAL DA RÁDIO

Ao tempo, fui radialista,
Função de que muito gostei.
Minha voz ainda regista
O tom, de quando comecei.

Órgão que prevalece, 
Mesmo a quem envelhece.



sexta-feira, 25 de agosto de 2023 > RECORDAR O P.FA.


Meio século já passou
Mas a recordação ficou,
A marcar uma saudade.
PFA foi um programa
Que na Rádio criou fama,
Com indiscutível verdade.

Pelo "Pifas", simbolizado,
Esteve sempre "ao vosso lado", 
Na tal guerra da Guiné.
Seus viventes seguidores,
Hoje já velhos senhores, 
Querem provar que assim é.

E reunem, no "Pátio Alfacinha".
Satisfação deles e minha!
A 9 de Setembro, a partir das 12H30.



sexta-feira, 8 de setembro de 2023 > AMANHÃ ACONTECERÁ

Um almoço/convívio do "Pifas".
Cerca de meio século passado,
Partilharemos as "tricas"
Que o tornaram afamado.

Será no "Pátio Alfacinha"
Que tem uma boa cozinha.

domingo, 10 de setembro de 2023 > ACONTECEU

Como tínhamos previsto,
Nos reunimos com gosto
E que bom tê-los visto,
Camaradas em antigo posto!

O "Pifas" foi recordado
Em momento contagiante,
Mas também chorado
Pelos que foram... adiante.

De vós que dizer, "meu" General?
Que gratificante. Sempre igual!


domingo, 17 de setembro de 2023 > REVIVER O "PIFAS"

Decerto nos orgulhamos
Considerar-nos "pifanianos",
Termo que por nós criado,
Justificando causa nobre.
Vaidade não nos sobre,
Ainda hoje é recordado.

Relacionado com Programa
Que na Rádio ganhou fama
Como sendo das Forças Armadas.
Nasceu e viveu na Guiné,
Quando em "tratos de polé",
Lutavam as nossas rapaziadas.

Tive ideia, e dela me gabo,
Criar um boneco/soldado
Como símbolo original.
Dado nome, o "Pifas" nasceu
E, de tal forma, "cresceu"...
Criando agrado geral.

Muitos anos passaram
E os tempos, esses, mudaram.
Independência da Guiné,
O "Pifas" passou à reforma,
Mas sempre em boa forma
Nos manteve na boa fé.

Um reencontro programado
Por interesse demonstrado,
Levou-nos a celebrar almoço.
Até o General Eanes, connosco,
Por sinal, bem disposto...
A foto exposta é bom esboço!

Referências,
Ao ex-alferes Jorge Varanda, "senhor" do evento ;
A todos os que marcaram presença;
Grande a saudade dos ausentes, tantos, infelizmente!

___________

terça-feira, 3 de maio de 2022

Guiné 61/74 - P23225: O Spínola que eu conheci (35): um militar de caracter reservado, com quem me cruzei várias vezes em Bissau no desmepenho das minhas funções na Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica. QG/CCFAG (Ernestino Caniço)

                                 
Foto nº 1 > Spínola condecorando um alferes 'comando' africano... Em segundo plano, eu sou o portador da bandeja que contem a condecoração 



Foto nº 2 > O General Spínola cumprimentando um  desportista numa cerimónia de condecorações. Ao lado, o Coronel Pedro Cardoso cumprimentando um jovem da Mocidade Portuguesa


Foto nº 3 > O general Spínola cumprimentando a população 



Foto nº 4 > Manifestação de população muçulmana de apoio ao general Spínola


Foto (e legenda): © Ernestino Caniço (2022) . Todos os direitos reservados (Edição e legendag complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)




1. Mensagem de  Ernestino Caniço, (i) ex-Alf Mil Cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2208, MansabáMansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, Bissau, fev 1970/dez 1971; (ii( médico, a viver em Tomar; (iii) membro da Tabanca Grande desde 21/5/2011; (iv) tem 50 referências no nosso blogue.


Data . terça feira, 3 de maio de 2022, 17h37
Assunto - Força Africana


Caros amigos

Votos de ótima saúde.

Face ao tema epígrafado envio-vos 2 fotografias:

(i) General Spínola condecorando um oficial africano;

(ii) General Spínola e cor Pedro Cardoso  condecorando deportistas e elementos da Mocidade Portuguesa

O interesse das fotos fica ao vosso critério.

Um abraço,

Ernestino Caniço

PS - O editor LG junta mais duas fotos (Poste P15272, de 20/5/2015) (*) que mostram o gosto do general Spínola pelo contacto com a população, apesar do seu "caracter reservado".


2. Em mensagem, anterior, de 18/10/2015, 18:21, publicada no poste P15272 (*), o Ernestino Caniço já tinha escrito o seguinte apontamento sobre o gen António Spínola (**):

Caros amigos

Rebuscando na memória remota algo sobre o tema "com-chefes da Guiné", encontrei algumas lembranças e fotos.

Só conheci o General Spínola, cruzando-me com ele algumas vezes, pois não foi infrequente o meu acesso ao Palácio do Governo. Isto porque, enquanto alferes da Repartição de Ação Psicológica (ACAP) e em funções na Secção de Operações Psicológicas, me dirigia ao Palácio nas minhas atividades correntes.

Um outro motivo pelo qual frequentei o Palácio, foi a minha participação num grupo de trabalho sobre o problema demográfico de Bissau, que integrava dois economistas, sendo um representante da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o outro não me recordo, e eu próprio em representação da área militar.

O caráter reservado do sr. General não me permitiu ilacionar qualquer opinião consubstanciada.

Anexo algumas fotos sobre a temática.

Um abraço,
Ernesto Caniço

_____________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de 20 de outubro de  2015 > Guiné 63/74 - P15272: Inquérito "on line" (11): Sobre o tema Com-Chefes da Guiné, encontrei algumas lembranças e fotos do General Spínola (Ernestino Caniço)

(**) Último poste da série > 24 de outubro de 2019 > Guiné 61/74 - P20273: O Spínola que eu conheci (34): um testemunho, de um ex-combatente, Ângelo Ribau Teixeira (Angola, 1962/64), que mostra não ter sido inspiração de circunstância o conceito de “Por uma Guiné Melhor” que o meu saudoso Comandante-Chefe materializou na Guiné anos mais tarde (1968) (Morais da Silva, cor art ref, cmdt da CCAÇ 2796, Gadamael, 1970/72)

sábado, 2 de abril de 2022

Guiné 61/74 - P23133: Documentos (36): Psico e propaganda: por uma "Guiné Feliz": um desdobrável com postais a cores, tipo Banda Desenhada, doado à Tabanca Grande pelo Joaquim Sequeira, o "Sintra", ex-1º cabo carpinteiro, BENG 447 (Brá, 1965/67)


Postal  nº 2


Postal  nº 3
Postal  nº 4

Postal  nº 5
Postal  nº 6


Postal  n 8

Postal  nº 9


Postal  nº 8


Postal   nº 1 > Guiné Portuguesa, Guiné Feliz... O nosso camrada Joaquim Sequeira, o "Sintra, que foi 1º cabo carpinteiro, BENG 447 (Brá, 1965/67) assinalou os nomes dos aquartelametos e destacamentos por onde passou em serviço: no sector de Bissau, Brá, Santa Luzia, Bissalanca e Safim; na região de Quínara, Enxudé, Tite, Jabadá e São Joao; no arquipélago dos Bijagós, ilha das Galinhas e Bolama; na região do Gabu, Nova Lamego e Canjambari: no região do Oio,  Cuntima, Jumbembem, Farim, K3, Mansabá,Mansoa, Cutia, Bissorã, Olossato; na região do Cacheu, Binta...

Fotos (e legendas): © Joaquim Sequeira (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Joaquim Sequeira, o "Sintra",
Tabanca da Linha (2016)


1. Já aqui falámos, mais do que uma vez, dos "cartazes de propaganda que deixávamos no mato, nas clareiras, nos trilhos, nas bolanhas, nas regiões fora do nosso controlo, na esperança de que os guerrileiros do PAIGC, as suas milícias e a sua população se entregassem em massa às nossas autoridades, administrativas e militares" (*).

Pessoalmente, "nunca cheguei a observar os efeitos práticos e objectivos deste tipo de propaganda. Os 'homens do mato' que conheci foram os que fizemos prisioneiros; a população do mato (mulheres, velhos e crianças) que recuperámos, foi a que arrancámos, à força, das zonas controladas pela guerrilha".

O A. Marques Lopes, logo no início do nosso blogue (Poste P81) (*), mandou-nos uma coleção de cartazes, ou melhor, de postais, que voltamos a publicar mas desta vez com melhor qualidade de inagem: a coleção foi-nos dada, para publicação no blogue, pelo Joaquim Nunes Sequeira,  mais conhecido na Tabanca da Linha pela alcunha "O Sintra". Ex-1º cabo carpinteiro, BENG 447, Bissau, 1965/67, é um camarada sempre sorridente, afável, voluntarioso, que exerce (ou exercia antes da pandemia, em 2019)  as funções de vogal da direção e porta-estandarte do Núcleo de Sintra da Liga dos Combatentes.  

Os postais foram por nós digitalizados. É um material produzido no âmbito da Acção Psicológica (mais congecida por Psico) e remonta ao tempo do com-chefe e governador-geral gen Arnaldo Schulz (1964-1968). 

Já aqui o dissemos: é um material "muito interessante,se bem que revele alguma ingenuidade e uma estética de duvidosa eficácia". Mas trata-se de um documenatação valiosa, com interesse iconográfico e historiográfico. Não a encontro, por exemplo, no sítio do Centro de Documentação 25 de Abril.

Já tínhamos pedido ao  A. Marques Lopes, para ver se descobria a origem e o ano ("Quem os produzia, quando, para usar onde"...).

O Marques Lopes respondeu-me, na altura,  que "esses folhetos que enviei tínhamo-los quer em Geba quer em Barro, portanto em 1967 e 1968, para espalhar pelas matas. Nenhum deles tem indicação de autor ou de origem, mas é certo que apareciam em pacotes vindos do Comando Chefe de Bissau". 

Uma coisa é certa: eram cartazes destinados especificamente ao teatro de operações da Guiné. E deviam ser produzidos no QG/CCFAG, na Rep ACAP- Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, cujas instalações se situavam na Fortaleza da Amura. Um dos nossos camaradas que lá trabalhou, na segunda parte da sua comissão, foi o Ernestino Caniço.

2. Julgo que também me passaram pelas mãos alguns desses cartazes, mas não fiquei com nenhum. Alguns foram deixados atabalhiadamente no terreno, depois de uma violenta embioscada dos "homens do mato". Não tive a preocupaçao de guardar nenhum documento desse tipo, de um lado ou do outro. Na altura o que eu queria mesmo era esquecer a Guiné... para sempre.  

A colecção (no fundo, é uma sequência de banda desenhada, sob a forma de um folheto desdobravel com uma meia dúzia de postais, impressos de um lado e do outro) começa com uma imagem do mapa da Guiné ("Guiné Portuguesa, Guiné Feliz") (Postal nº 1) (**)

A numeração é da minha única responsabilidade: tem a ver a lógica da sua sequência para efeitos de leitura.

O segundo postal mostra um grupo de guerrilheiros, no mato, feridos e/ou desmoralizados (vd. imagem no topo deste poste). Os combatentes do PAIGC nunca são tratados como tal, mas simplesmente como "homens do mato" (leia-se: bandidos, indivíduos que estão fora da lei e da ordem). 

Aliás, no nosso tempo, "ir no mato" era, no falar das gentes da Guiné, juntar-se à guerrilha, fugir das zonas sob administração portuguesa. Portugal, de resto, nunca reconheceu o PAIGC como inimigo, no sentido militar e legal do termo,  nem a luta contra o "terrorismo" (ou a "subversão) como uma situação de guerra, face à Convenção de Genebra. (Postal nº 2)

O título do cartaz é : "No mato, há doença, fome e morte", A legenda, por sua vez, diz o seguinte: "O Chefe do Grupo do mato julga que vai morrer. Foi gravemente ferido"

No Postal nº 3 vemos o mesmo grupo de "homens do mato" a entregar-se às autoridades militares portuguesas da zona. Depois do Chefe do mato ter ido falar com o "homem grande da tabanca" (que veste à maneira fula, o que está longe de ser inocente, já que os fulas eram os nossos grandes aliados).

Legenda: "O Homem Grande diz à tropa que estes homens foram enganados, estão arrependidos e fartos da guerra".

No Postal nº 4 vemos os "homens do mato, arrependidos" serem bem tratados pelas autoridades portuguesas: (i) são tratados pelos enfermeiros da tropa, (ii) bebem cerveja com soldados africanos; (iii) recebem alimentos (pão) da tropa.

No Postal nº 5 vemos uma tabanca, sob a bandeira portugesa (e, parece-me, ao canto superior direito, descortinar uma inverosímil antena de televisão ou takvez antes de rádio. Legenda: "A família e os amigos abraçam a gente do mato que estava enganada e não vivia na tabanca há muito tempo".  

Por fim, "a tropa e os civis ajudam aqueles que se apresentam a reconstruir a sua tabanca" (clara referência aos famosos "reordenamentos" (o equivalente às "aldeias estratégicas" na Argélia e no Vietname) que, no tempo do Spínola, tiveram um grande incremento (Postal nº 6).

Por fim, surgem os homens grandes de Bissau (o gen Arnaldo Schulz e a sua equipa) para observar (e regozijar-se com)  os progressos: "Agora sim! Aqueles que regressaram arrependidos  vivem contentes na tabanca nova..." concluindo.se que "há paz e alegria e nunca mais faltará Felicidade" (um conceito abstracto, para a generalidade dos guineenses daquela época). (Postal nº 7)

O postal seguinte  tem uma lógica implacável, a da deserção e da rendiçao: "Apresenta-te à tropa, levanta os braços"... Mostra dois "homens do mato", de braços levantados, segurando a sua espingarda semi-automática (Simonov ?) por cima da cabeça (Postal nº 8)... O último postal  é o da bandeira verde-rubra, que se repete nas costas dos postais anteriores.

3. Veja-se o que diz o Centro de Documentação 25 de Abril sobre a propaganda, usada durante a guerra colonial, por um lado e outro:

(...) "A acção psicológica destina-se a influenciar as atitudes e o comportamento dos indivíduos. Na guerra subversiva é utilizada para obter o apoio da população, desmoralizar e captar o inimigo e fortalecer o moral das próprias forças, assumindo três aspectos diferentes, embora intimamente relacionados: acção psicológica, acção social, acção de presença.

"Quer as forças portuguesas, quer os movimentos de libertação, usaram intensamente a acção psicológica como arma, integrando-a na panóplia de meios disponíveis para a conquista dos seus objectivos, dentro da ideia que as palavras são os canhões do séc. XX e que, como se ensinava aos futuros chefes da guerrilha na escola de estado-maior da China, na guerra revolucionária deve atacar-se com 70 por cento de propaganda e 30 por cento de esforço militar.

"A acção psicológica exercida sobre a população, o inimigo e as próprias forças foi conduzida através da propaganda, da contrapropaganda e da informação, de acordo com as finalidades de cada uma destas áreas: a primeira, pretendendo impor à opinião pública certas ideias e doutrinas; a segunda, tendo como finalidade neutralizar a propaganda adversa; por último, a informação, fornecendo bases para alicerçar opiniões. Mas, para serem eficazes, os meios de condicionamento psicológico necessitam de encontrar ambiente favorável.

"Quanto às populações, procurou-se criar esse ambiente propício com a acção social, que visava a elevação do seu nível de vida, para as cativar, conquistando-lhes os corações e originando condições mais receptivas à acção psicológica. Esta acção foi desenvolvida sob a forma de assistência sanitária, religiosa, educativa e económica.

"Relativamente ao adversário, a acção psicológica das forças portuguesas era isolar os guerrilheiros das populações, desmoralizá-los e conduzi-los ao descrédito quer na acção, quer na dos seus chefes. Para o efeito utilizaram-se panfletos e cartazes lançados de aviões ou colocados nos trilhos de acesso e nas povoações, emissões de rádio, propaganda sonora directamente a partir de meios aéreos, apelando à sua rendição e entrega às forças militares ou administrativas, garantindo-lhes e explicando-lhes que a participação na guerrilha constituía um logro". (...) (Negritos nossos)
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Notas do editor:


(**) Último poste da série > 20 de janeiro de  2022 > Guiné 61/74 - P22923: Documentos (35): Comunicações e Ordens enviadas pelo Estado-Maior do Exército e do Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné - Anexo à Circular N.º 1703/NP da 2.ª Repartição do Estado-Maior do Exército (2) (Victor Costa, ex-Fur Mil Inf)

terça-feira, 27 de julho de 2021

Guiné 61/74 - P22409: In Memoriam (401): Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho (1936-2021), com quem trabalhei lado a lado e fiz amizade, em 1971, na Rep ACAP, no QG/CCFAG, na Fortaleza da Amura (Ernestino Caniço, ex-Alf Mil Cav, e hoje médico)



Guiné-Bissau - Fortaleza da Amura > QG/CCFAG > Rep ACAP > Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica > Departamento de Fotocine > Ao centro, o Cap Art Otelo Saraiva de Carvalho e à sua esquerda o Alf Mil Cav Ernestino Caniço, seu colarador.

Foto (e legenda): © Ernestino Caniço (2021). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem de ontem, 26 de Julho de 2021, do nosso camarada Ernestino Caniço, ex-Alf Mil Cav, Comandante do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, Bissau, Fev 1970/DEZ 1971, hoje médico, que teima em continuar ao serviço dos outros de acordo com o seu juramento hipocrático):

Caros amigos:

Como sabeis, faleceu Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho, o principal pilar do 25 de Abril de 1974. (*)

Durante o ano de 1971 fomos camaradas, em funções na ACAP (Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica), no quartel da Amura, na Guiné Bissau.
Partilhámos a mesma sala com as secretárias lado a lado. Como é natural dialogámos muito.

Face à sua morte, não posso deixar de manifestar o apreço e a amizade que nos uniu, pelo que lamento a sua perda. Foi fácil. A sua empatia, generosidade e humanismo assim o permitiram. O diálogo fluía naturalmente, não descortinando qualquer atitude lapuz.

Que descanse em paz.

Ernestino Caniço
Médico – Chefe Serviço MGF
Gestor Serviços Saúde – Ordem Médicos
Pós Graduação em Direito da Medicina – Faculdade Direito Universidade de Coimbra

PS - Gostava de o ver aqui sentado, à sombra do poilão da Tabanca Grande, embora infelizmente a título póstumo.

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Nota do editor CV:

Último poste da série de 25 de julho de 2021 > Guiné 61/74 - P22404: In Memoriam (400): O Otelo Saraiva de Carvalho (1936-2021) que eu conheci... Ou "As armas e as mãos - Carta ao Otelo amigo" (José Belo, cap inf ref, Lapónia, Suécia)

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Guiné 61/74 - P19220: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (62): Directiva 43/68 - Reordenamento de populações e organização em autodefesa, de 23/09/1968, do Com-Chefe do CTIG


Guiné > Algures > Maio de 1973 > Costa Gomes, Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, dá início, a 25 de maio de 1973, a uma visita ao Comando Territorial Independente da Guiné (CTIG), para se inteirar do agravamento da situação militar e analisar medidas a tomar com vista a garantir o espaço de manobra do poder politico em Lisboa. Na foto, vê-se  o gen Spínola, ao centro, tendo o o Gen Costa Gomes à sua direita, falando com milícias guineenses.

Foto do francês Pierre Fargeas (técnico que fazia a manutenção dos helis AL III, na BA 12, Bissalanca), gentilmente enviada pelo nosso camarada Jorge Félix (ex-Alf Mil Pil Heli, BA12, Bissalanca, 1968/70).

Foto: © Pierre Fargeas / Jorge Félix (2009). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem:Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



I. Em complemento da brochura "Os reordenamentos no desenvolvimento sócio-económico das populações",  da Repartição de Assuntos Civis e Acção Psicológica (Rep ACAP), que publicámos anteriormente (*),  reproduz-se  a aqui a Directiva 43/68 - Reordenamento de populações e organização em autodefesa,  de 30 de setembro de 1968 (**). 

Mais uma vez, aqui fica o nosso agradecimento a nosso camarada e colaborador permanente José Marcelino Martins (ex-Fur Mil Trms da CCAÇ 5, Gatos Pretos, Canjadude, 1968/70). Este texto faz de um conjunto de três postes às Directivas de 1968 do COM-CHEFE do CTIG, Brigadeiro António de Spínola.


Directiva 43/68 - Reordenamento de populações e organização em autodefesa

1. O reordenamento das populações e a sequente organização das tabancas em autodefesa é um problema complexo e que requer técnica especializada.

2. Com efeito, o problema do reordenamento das populações não pode ser encarado com a superficialidade com que o tem sido, antes requer meditação e estudo profundo em íntima ligação com os serviços do Governo da Província, no sentido de se definirem as áreas economicamente ricas que, num reordenamento bem planeado, se deverão transformar em pólos de desenvolvimento económico-social.

Para além do aspecto episódico da defesa da população, problema de reordenamento das populações surge-nos como um imperativo de progresso dos povos, e como deverá ser encarado, por forma a que as áreas reordenadas se transformem simultaneamente em «pólos de atracção das populações e de irradiação de progresso».

Ao equacionar-se o problema do reordenamento, não se pode deixar de atender à compartimentação étnica da Província, a qual não só deverá ser respeitada como até fomentada.

3. O problema da defesa das áreas reordenadas (conjuntos de tabancas em autodefesa) também requer aprofundado estudo, com vista a estabelecerem-se «esquemas de dispositivo» suficientemente flexíveis para permitirem a escolha e adaptação daquele que, para cada caso, melhor se ajuste às condições locais.

Independentemente do trabalho de planeamento, haverá ainda que dar assistência técnica nas diferentes fases de execução, até que o conceito de «autodefesa» se transforme numa realidade efectiva e não num conceito simbólico sem qualquer significado prático.

Não se deve perder de vista que a organização de uma tabanca em autodefesa envolve responsabilidade da nossa parte perante a respectiva população, a qual perderá totalmente a confiança em nós se a defesa não se revelar eficaz em relação às reacções do IN.


4. Porque os problemas enumerados em 2 e 3 se revestem de alta importância, e têm necessariamente que ser equacionados à escala provincial, o seu estudo foi centralizado num dos departamentos do gabinete militar do Comando-Chefe, a que competirá:

  • estabelecer ligação com os serviços da Província com interferência directa ou indirecta na resolução do problema;
  • centralizar o estudo, controlo e fiscalização de todos os problemas de reordenamento e autodefesa da Província;
  • elaborar «normas gerais para o reordenamento das populações e organização em autodefesa»; 
  • colaborar o CTIG (Comando de Agrupamento e Batalhões Independentes) com as autoridades administrativas locais no reordenamento das populações; 
  • e dar a necessária assistência técnica no desenvolvimento do planeamento traçado.

5. A execução dos planos de reordenamento e de autodefesa é da responsabilidade dos respectivos comandantes, em colaboração com as autoridades administrativas locais.

6. Deve ser dado conhecimento desta directiva até ao escalão companhia, ficando interdito aos comandos e autoridades administrativas tomar decisões em matéria de reordenamento e autodefesa sem prévia consulta ao gabinete militar do Comando-Chefe.

Bissau, 30 de Setembro de 1968.

O Comandante-Chefe,
António Sebastião Ribeiro de Spínola,
Brigadeiro
.


[Revisão e fixação de texto: JM / LG]


___________

Notas do editor:

(*) Último poste da série > 21 de novembro de 2018 > Guiné 61/74 - P19215: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (61): os reordenamentos no desenvolvimento sócio-económico das populações, brochura da Repartição de Assuntos Civis e Acção Psicológica [ACAP], do QG / CCFAG - III (e última) Parte

(**) Vd. poste de 1 de setembro de 2014 > Guiné 63/74 - P13555: Directivas emanadas pelo COM-CHEFE, Brigadeiro António de Spínola em 1968 (3) (José Martins)

Vd. postes anteriores:

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Guiné 61/74 - P19215: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (61): os reordenamentos no desenvolvimento sócio-económico das populações, brochura da Repartição de Assuntos Civis e Acção Psicológica [Rep ACAP], do QG / CCFAG - III (e última) Parte


Guiné > Região de Bafatá > Setor L1 ( Bambadinca) > Xime > Cais fluvial do Xime >1970 > 2º Gr Comb da CCAÇ 12 (Bambadinca, 1969/71) >  Ao centro, em segundo plano, de óculos escuros e boné azul (da FAP),  o fur mil op esp Humberto Reis, cujo grupo de combate estava encarregue de escoltar o transporte de milhares de rachas de cibe, desembarcadas no cais do Xime, e destinadas ao reordenamento de Nhabijões, um dos maiores da época (iniciado com o BCAÇ 2852, 1968/70, e continuado com o BART 2917, 1970/72)... 

Foto: © Humberto Reis (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luis Graça & Camaradas da Guiné]


Já não nos lembramos quantas rachas de cibe levava uma casa... Só a estrutura do telhado, com cobertura de folha de zinco, deveria levar pelo menos umas 20... Mais outro lado, para suportar o telhado ao longo do varandim a toda a volta.. O total de casas em construção era de 350, fora os equipamentos coletivos ou sociais...  Na altura falava-se que cada racha de cibe ficava ao exército em 7$50 (sete pesos e meio)... Um total de 15 mil rachas de cibe,  é nossa estimativa do material transportado do Xime para Nhabijões, com um custo direto de mais 100 contos.  (A preços de hoje, seria qualquer coisa como 30 mil euros)... Fora as chapas de zinco, as portas e janelas, as ferragens, o cimento... O resto, a mão de obra (civil e militar), os transportes, a segurança, etc.  era de borla. Tudo em nome de uma "Guiné Melhor"... Ao que consta, o sucessor de Spínola não terá tido a mesma abundância de dinheiro para continuar a fazer a "psico"... 

O PAIGC não gostou da brincadeira: em 13 de janeiro de 1971, as NT acciona duas potentes minas A/C à saída do reordenamento, de que resultaram 1 morto e bastantes feridos graves... Em outubro de 1973,  ela primeira vez na história da guerra, o grande reordenamento de Nhabijões, de maioria balanta, foi flagelado, ao mesmo tempo que o destacamento do Mato Cão;

Nhabijões, no subsetor de Bambadinca, era então um importante aglomerado habitado por gente com parentes no "mato", e que era tradicionalmente considerado, antes do reordenamento,. como um conjunto de núcleos habitacionais ribeirinhos "sob duplo controlo".  Só a CCAÇ12 (, baseada em soldados do recrutamento), deu 1 alferes, 1 furriel e 1 cabo (metropolitanos) e 1 soldado (guineense) para integrar a equipa técnica do reordenamento de Nhabijões... E destacava periodicamente militares para a sua defesa... E os Nhabijões foram "regados com o nosso sangue"...

Estima-se que, entre 1969 e 1974, as Forças Armadas no CTIG tenham construidos 8 mil casas, no total das tabancas reordenadas... Admitindo que cada casa, com chapa de zinco, levasse pelo menos 50 rachas de cibe, temos um total de 400 mil rachas de cibe, com um custo de 3 mil contos (a preços de 1972  representariam hoje mais de 700 mil euros...).  Os ministros da Defesa, do Ultramar e das Finanças tramaram a política spinolista "Por Uma Guiné Melhor"...

Quer se goste ou não, há uma Guiné antes e depois de Spínola... Quando ele chega em meados de 1968, o território tinha 60 quilómetros de estrada alcatroada... Cinco anos depois, são 550 km. No ano escolar de 1970/71, a tropa administra 127 das 298 escolas primárias do território, ou seja cerca de 43%., O resto eram as escolas oficiais , como a de Bambadinca (30%)  e as escolas das Missões Católicas (27%)... 

Spínola deixa o território com uma criança em cada três, em idade escolar, a frequentar a escola... O despotismo iluminado de Spínola foi uma ameaça série ao PAIGC... Mas homens como Spínola ou Sarmento Rodrigues foram exceções na história da administração do império colonial português...





Guiné > Região de Tombali > Gadamael > CCAÇ 2769 (Gadamael e Quinhamel, de janeiro de 1971 a outubro de 1972) > Vista aérea de Gadamael Porto ( reordenamento, com o quartel à direita, em primeiro plano) nos finais do ano de 1971. Foto do cor art ref António Carlos Morais da Silva, e por ele gentilmente cedida ao nosso camarada Manuel Vaz (*)

Foto: © Morais da Silva (2012) Todos os direitos reservados.[Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


Guiné > Região de Tombali > Cufar > Matofarroba > Tabanca > 1973 > O alf mil inf Luís Mourato Oliveira, da CCAÇ 4740 (Cufar, 1973) (à direita do condutor)  e o alf mil médico (, o condutor do jipe,  e cuja identidade desconhecemos) em visita ao reordenamento feito pelas NT e pela população.  Matofarroba ficava nas proximidades de Cufar, a cerca de 2/3 km.

Foto: © Luís Mourato Oliveira  (2016) Todos os direitos reservados.[Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].



Capa da brochura "Os reordenamentos no desenvolvimento sócio-económico das populações". Província da Guiné, Bissau: QG/CCFAG [Quartel General do Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné]. Repartição AC/AP [, Assuntos Civis e Acção Psicológica]. s/d.

Foto: © A. Marques Lopes / António Pimentel (2007). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Na sequência do poste P19196 (**), decidimos reproduzir o documento supracitado, que nos chegou, em tempos, pela mão dos nossos camaradas António Pimentel e A. Marques Lopes, e que já foi publicado, no nosso blogue em 2007 (***) , com revisão e fixação de texto do nosso coeditor Virgínio Briote.  

Esta é a III (e última) Parte (****). Esperamos que o A. Marques Lopes que nos confirme: 

(i) o número de páginas da brochura (em princípio, 9 páginas); 

e (ii) se o texto foi publicado na íntegra na altura. 

Uma ou outra palavra está ilegível. A resolução da imagem dos mapas (nºs 1 e 2) precisa de ser melhorada.

Por outro lado, estamos a  pedir aos nossos leitores, amigos e camaradas da Guiné, que nos disponibilizem textos, fotografias e outros documentos sobre os reordenamentos populacionais. Tanto quanto sabemos, não há trabalhos académicos publicados sobre este tópico. Muitos de nós estiveram envolvidos, direta ou indiretamente, nos reordenamentos populacionais no TO da Guiné, nomeadamente no tempo do Com-Chefe e Governador Geral António Spínola (1968-1973).

Gostávamos de poder fazer um levantamento de todos os reordenamentos populacionais realizados ma Guiné, durante toda a guerra. E idenficar os nossos camaradas que integraram as equipas técnicas dos reordenamentos (graduados e praças) (, caso. por exemplo, do Luís R. Moreira) e que no BENG 447 planearam, coordenaram, apoiaram e/ou supervisionaram a construação de reordenamentos (caso,. pro exemplo, do Fernando Valente Magro).


Reprodução do documento [Revisão e fixação de texto: VB / LG].
   
IMPORTÂNCIA SOCIAL E ECONÓMICA DOS REORDENAMENTOS

 (pag. 6/9) (Continuação)


5. Não devendo em princípio existir um carácter de obrigatoriedade quanto à deslocação das populações das suas tabancas para um aldeamento, a não ser que o interesse comunitário superiormente o determine, há que empregar meios persuasivos quando se encontre alguma resistência. Para se criar ...[ilegível]

Esquematicamente vemos, assim:

Antes da construção:

  • auscultação das populações (indirecta, directa); 
  • auscultação e elucidação do Chefe da Tabanca; 
  • auscultação e elucidação do Guarda de Irã;
  • auscultação e elucidação das autoridades religiosas islâmicas.

Durante a construção:

  • garantir a autoridade constituída; 
  • garantir, tanto quanto possível, os interesses da localização dos aglomerados correspondentes às antigas tabancas, dentro do plano urbanístico; 
  • respeitar os usos e costumes das populações;
  • colaborar no transporte de todos os haveres das populações deslocadas;
  • interessar as populações na construção das casas, escolas, postos sanitários, etc., permitindo e desenvolvendo o sentimento de posse. 

6. A forma mais prática de se assegurar o deslocamento das populações para os reordenamentos é criar nelas a necessidade desse reordenamento. Para isso é necessário elucidá-las dos benefícios que vão auferir e garantir os seus desejos quanto a aspectos respeitantes aos seus usos e costumes. Será de toda a conveniência o conhecimento das suas motivações religiosas e étnicas. 

Nos quadros anteriores já foi feito um esquema suficientemente desenvolvido. Em novo quadro, indicar-se-ão as principais motivações a explorar para um útil e efectivo trabalho de consciencialização das populações.

1.BENEFíCIOS SOCIAIS

  • melhores casas;
  • escolas;
  • postos de socorros; 
  • assistência médica; 
  • água.

2. BENEFíCIOS ECONÓMICOS

  • melhores lavras;
  • celeiros colectivos;
  • mercado para escoamento da produção; 
  • lojas.

ISLAMIZADOS

Fulas

  • construção de mesquitas;
  • difundir a religião; 
  • os régulos governarão melhor com toda a população junta; 
  • os fulas têm de voltar a ser senhores dos seu "chão" que o IN quer roubar;
  • os antepassados foram valentes. 

Mandingas

  • construção de mesquitas;
  • difundir a religião; 
  • os chefes poderão dirigir melhor; 
  • as novas tabancas poderão ter lojas e fazerem comércio para terem riqueza; 
  • os antigos foram valentes e têm de os saber imitar.

ANIMISTAS

Balantas

  • terão maior protecção dos Irãs; 
  • o Balanta terá a liberdade na tabanca e no mato, que o IN impede; 
  • o Balanta vai deixar de ser escravo do IN; 
  • os Balantas juntos têm força para exterminar o IN;
  • haverá sempre muita fartura. 

Manjacos

  • terão maior protecção dos Irãs; 
  • juntos terão muita força;
  • impedirão o roubo de mulheres quando estiverem juntos; 
  • poderão fazer comércio;
  • cada família poderá ter os seu Irã. 

Brames
  • terão maior protecção dos Irãs; 
  • o régulo governará melhor; 
  • vão ter mais vacas para estrumar as terras e para o choro; 
  • os Brames não terão necessidade de emigrar porque nada lhes faltará; 
  • o IN quer escravizá-los e não o poderá fazer estando todos juntos.

[Fim do documento, de 9 páginas]
_________

Notas do editor:


(*) Vd. poste de 22 de maio de 2012 > Guiné 63/74 - P9936: Memórias da CCAÇ 798 (Manuel Vaz) (9): Uma perspectiva a partir de Gadamael Porto - 65/67 - VII Parte - Evolução da situação militar - Anexo IV

(**) Vd. poste de 5 de novembro de 2018 > Guiné 61/74 - P19196: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (58): os reordenamentos populacionais (Francesca Vita, doutoranda em arquitetura, Faculdade de Arquitetura, Universidade do Porto)

(***) Vd. postes de:
12 de setembro de 2007 > Guiné 63/74 - P2100: A Política da Guiné Melhor: os reordenamentos das populações (1) (A. Marques Lopes / António Pimentel)

16 de setembro de 2007 > Guiné 63/74 - P2108: A Política da Guiné Melhor: os reordenamentos das populações (2) (A. Marques Lopes / António Pimentel)

(****) Últimos dois postes da série:

20 de novembro de 2018 > Guiiné 61/74 - P19213: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (59): os reordenamentos no desenvolvimento sócio-económico das populações, brochura da Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológioco [ACAP], do QG / CCFAG - Parte I

21 de novembro de 2018 > Guiné 61/74 - P19214: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (60): os reordenamentos no desenvolvimento sócio-económico das populações, brochura da Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológioco [ACAP], do QG / CCFAG - Parte II