
Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 13 de Maio de 2026:
Queridos amigos,
A língua albanesa é indo européia mas desconhece-se a sua origem, pensa-se que houve povos nativos que foram influenciados pelos Ilírios; foi um ponto de encruzilhada na península balcânica, por aqui andaram gregos, romanos, temos mostras evidentes do período helenistico e da arte bizantina, muita gente aqui bateu à porta, até a República de Veneza, não contando com os mais de quatro séculos da presença de turcos otomanos. Daí a riqueza patrimonial, natural e edificada, ainda com muitos sinais de uma ditadura que começou em 1944 e se estendeu até 1992, um ditador bem singular, fechou hermeticamente o país, decidiu em 1967 que o país seria ateu, tornou-se marxista-leninista-estalinista, cortou relações com a URSS, odiava mortalmente o Marechal Tito, recebeu calorosamente a China e despediu-a quando esta ingressou no seu modelo de comunismo com a economia de mercado. São todas as particularidades que geram um fascínio entre o lugar e a História.
Um abraço do
Mário
Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (256):
Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 1
Mário Beja Santos
Há muito que sonhava visitar a Albânia, tinha apreciado o passeio que dera na Sérvia, Montenegro, Croácia, e daqui o Trieste e Veneza; comecei por arquitetar uma digressão que incluísse a Macedónia do Norte, o Kosovo, a Bósnia e depois a Albânia, cedo reconsiderei o tremendo disparate, andar a saltitar com passagens praticamente epidérmicas de lugares que merecem o devido desfrute. Centrei-me então na Albânia, escolhi a região da capital do sul, um plano de doze dias; nada de excursões organizadas, para mim têm mais contras que prós. Não há voos diretos, depois de várias tentativas na linha do low cost, conseguiu-se um voo de Lisboa até Bérgamo, daqui um comboio até Milão e por fim um voo para Tirana. Muitas surpresas nas buscas digitais de apartamentos, preços módicos para dormir, então marcaram-se dois dias em Tirana e depois viagens em pequenos furgões até Pogradec, só para ver o lago Ohrid, nova viagem até Korçë, local maravilhoso, novo furgão até Përmet, depois Gjirokastër e depois Saranda/Butrint. No antepenúltimo dia um estirão de cinco horas de Saranda até Tirana, havia ainda muita coisa para ver na capital, tinha curiosidade em tomar um autocarro até Porcelane e visitar um dos projetos mais megalómanos de Enver Hoxa, o abrigo antinuclear, estamos a falar de um país onde o então regime ditatorial espalhou pelo território cerca de 175 mil bunkers.
Guardo as mais belas recordações desta viagem, o país tem belezas inacreditáveis, quase cerca de 70% do seu território é montanhoso, quando se viaja no furgão contemplam-se montanhas algumas delas com neves eternas, sempre panoramas diversificados; Tirana lembra a aventura arquitetónica de Berlim (claro, ressalvadas as grandes distâncias) a cidade lembra um estaleiro de arquitetura arrojada, certamente discutível, não entendi como foi possível construir edifícios altíssimos na Praça Skanderbeg, possuía uma harmonia própria, tinha a ver com os anos eufóricos da independência, logo nos inícios do século XIX; ali perto desta Praça estão os quarteirões ministeriais, todos embandeiram o país e a União Europeia, a Albânia faz parte dos pretendentes balcânicos.
Devo dar ao leitor uma explicação sobre este conjunto de imagens. No regresso de Tirana, no aeroporto de Barajas, tive a fatalidade de deixar o meu telemóvel no segundo check-in, vinha de um país fora da União Europeia, tive que sair e entrar novamente, estava exausto dos quilómetros percorridos a pé dentro daquela estrutura medonha, felizmente que a segurança entregou o telemóvel no serviço de objetos extraviados, conto voltar a ter telemóvel em breve, nele estão muitas imagens que captei ao longo da viagem.
Mas tive a dita de enviar algumas dessas imagens para dentro do meu computador, são essas as que agora mostro e espero ter oportunidade de detalhar os dez dias úteis do passeio. O que aqui mostro é um pormenor da belíssima parte alta da cidade de Bérgamo, tirei imagens da Piazza Vechia, da Basílica de Santa Maria Maior e da Catedral. Entrei numa igreja onde está sepultado Bartolomeu Colleoni, uma das figuras mais importantes de Bérgamo, mas não me deixaram tirar qualquer imagem. Daqui segui para Tirana, mostro a Praça Skanderbeg, onde está a estátua do herói nacionalista, visitei a Grande Mesquita, opulenta e recentíssima, como mais tarde mostrarei a catedral ortodoxa albanesa denominada de Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Enfim, há duas imagens do bunker antinuclear e há algumas outras que fui tirando ao longo do percurso. O que aqui se mostra é um mero aperitivo de um país que é hoje apresentado como a nova pérola do mediterrâneo, não só graças aos seus panoramas naturais como também a turística Riviera que tem o seu polo no mar Jónico entre Saranda e Ksamil. Espero que desfrutem.
Bérgamo, um pormenor da Piazza Vechia
Bérgamo, fachada da Capela Colleoni, aqui está sepultado o condottiero veneziano Bartolomeu Colleoni
Pormenor da Praça Skanderbeg, Tirana
Pormenor da Grande Mesquita de Tirana
Entrada do bunker antinuclear, obra do regime de Enver Hoxa, Tirana
Pormenor do quarto destinado ao ditador no bunker antinuclear, Tirana
Pogradec, pormenor do lago Ohrid, ao fundo uma montanha da Macedónia do Norte, uma das fronteiras da Albânia
Dois pormenores da belíssima igreja ortodoxa denominada de Sexta-Feira Santa, em Përmet
Skënduli House em Gjirokastër, Património da Humanidade, uma esplendorosa casa Otomana
Zekate House em Gjirokastër, Património da Humanidade, pormenor do quarto dos hóspedes
Pormenor da Grande Basílica ou residências episcopais do século V, Butrint, Património da Humanidade
Pormenor da fachada do Santuário de Esculápio, o Deus da Medicina, século IV a.C., estilo helenístico, Butrint, Património da HumanidadePavimento bizantino, Museu Arqueológico de Saranda, sul da Albânia, século VI d.C.
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Nota do editor
Último post da série de 9 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28004: Os nossos seres, saberes e lazeres (734): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (255): No Palácio Nacional de Queluz, para ver as obras de conservação e restauro - 2 (Mário Beja Santos)













