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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28092: (Ex)citações (447): O pessoal das transmissões: músicos, de talento só eu era especialista em "campaínhas de missa": o que é é feito de vocês, camaradas, Luís Dutra (já falecido), Eduardo Pinto, Barros, Carlos Lã, Fernando Cruz, Fernando Marques, António Camilo, Miguel Pacheco, José Fanha, Nélson Batalha (já falecido), e outros, do meu curso de transmissões... (Hélder Sousa)



Porto > Ribeira > 27 de maio de 2015 > VI Encontro dos "Ilustres TSF" > Em baixo, o Carlos Lã. De pé, da esquerda para a direita: António Calmeiro (já entretanto falecido), M. Rodrigues, Eduardo Pinto, J. Reis, Hélder Sousa, M. Martins, Fernando Cruz e Fernando Marques. Faltou o Nelson Batalha que já não compareceu por razões de saúde, e que viria a morrer, entretanto, um ano e meio depois (*)


Foto (e legenda): © Hélder Sousa (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Lisboa > 20 de Outubro > XI Encontro dos Ilustres TSF > Foto de família > Sentados: Marques, Miguel, Martinho, Cruz e Eduardo. De pé: Lã e Hélder

Foto (e legenda): © Hélder Sousa (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

 
1. Comentário do nosso "ilustre TSF" e colaborador permanente, Hélder Valério, ao poste P15386 (*), com mais de 10 anos, mas que vem a propósito dos "nossos músicos",  artistas, cançonetistas, fadistas, humoristas, apresentadores de televisão, atores, radialistas, etc.,  civis e militares, que ajudaram a alegrar os nossos dias no CTIG ao longo dos anos de guerra. Com ou sem o apoio e a benção do Movimento Nacional Feminino, o que para o caso não é relevante. 

Alguns, de facto, eram "prata da casa" (Conjunto Académico João Paulo, Conjunto Musical das Forças Armadas, Conjunto Os Bambas D' Incas...), e não será demais recordá-los. É da mais elementar justiça.

Pelo TO da Guiné passaram filhos de muitas mães, jovens generosos,  inquietos,  fogosos, curiosos, com a ânsia de liberdade, viajar, conhecer mundo, estudar, aprender, amar, jovens da geração da música "yé-yé", gente com múltiplos talentos, que a tropa soube aproveitar nalguns casos, ou desaproveitar, na maior parte dos casos.

Por exemplo, em Santa Luzia, bairro que fazia paredes-meias com o famigerado Pilão , por detrás de um "ilustre TSF" havia sempre (ou quase sempre) um músico desconhecido, como recorda o Hélder Sousa, com a sua prodigiosa memória para os  nomes e terras dos seus camaradas de curso!... 

Até parece que foram todos escolhidos a dedo, com a única exceção do próprio Hélder,  que, esse,  enganou os gajos das transmissões, dizendo na entrevista de seleção que tinha jeito para engenheiro e até tinha construído... um telégrafo!... (É preciso, lata, camaradas!...Eu não me lembrei dessa, era tanso,  disse que era jornalista e mandaram-me ...para as armas pesadas de infantaria!).

Podiam ter-se feito "n" bandas para alegrar a malta com os "ilustres TSF". Sim, porque a Guiné era triste, chata, plana, os dias custavam a passar como o caraças, as noites um pesadelo, as namoradas estavam longe,  a 4 mil km de distância, a comida era uma merda, a água intragável,  os mosquitos aos milhões, as bolanhas cheias de sanguessugas, não havia primavera nem outono, nem sábados nem domingos nem feriados... 

Em boa verdade,  nem sei como é que há gajos que têm saudades da Guiné!

Mas, também, é verdade, que a malta estava ali para fazer a guerra e dar cabo do "turra"... Os "ilustres TSF" eram pagos, em primeiro lugar, para apanhar o "turra" na converseta... E só depois é que podiam, nos intervalos do serviço de escuta, pegar na guitarra elétrica, oferecida pela Cilinha, tão querida, que era a nossa "mãe Natal".

2. Leiam o que o nosso Hélder Sousa, ribatejano a viver hoje em Setúbal, nos conta (em 2015), desses tempos em que podíamos ter sido tão felizes (o Hélder Valério de Sousa foi fur mil trms TSF, Piche e Bissau, 1970/72; candidato a régulo da Tabanca de Setúbal, uma tabanca que nunca chegou a abrir) (**);

(...) Em meados dos anos 60, conforme calculo que se lembrem, decorreu o Concurso "Yé-yé" em que diversas bandas de "rock" actuavam em eliminatórias no Cinema Monumental, em Lisboa.

Tratou-se do primeiro grande impulso da música "rock".

Influenciados pelo modelo dos "The Shadows", com 3 violas e 1 bateria, como base, e depois com vocalista dedicado ou também músico, havendo por vezes teclas. enfim, lá se foram proliferando conjuntos por esse País fora e isso ajudou a aglutinar muita juventude.

As eliminatórias foram-se sucedendo e houve a final. Entre os conjuntos finalistas estavam "Os Tubarões", de Viseu. Não ganharam, eram da província.....

  • Dois dos seus elementos, o Luís Dutra (infelizmente falecido há em 2013, vítima de "doença incurável" por acção do tabaco nos pulmões) e o Eduardo Pinto, foram meus colegas de curso nas Transmissões, fazendo parte do grupo que eu costumo chamar de "Ilustres TSF".

Foram os dois para a Guiné, mobilizados em rendição individual, tal como eu, e ao mesmo tempo que eu.

O Dutra foi inicialmente para Farim. Por motivos de saúde, se bem me lembro um problema qualquer de coração, veio para Portugal e voltou mais tarde para lá. O Eduardo esteve todo o tempo na Escuta, sendo um dos seus iniciadores.

  • Além deles também um outro elemento, o Barros, esteve nas Transmissões e também na Guiné.
Do meu curso, além desses dois, alguns mais eram músicos. Tenho para mim que essa ligação à música acabava por induzir o encaminhamento para o morse, para as Transmissões/TSF.

  • O Carlos Lã era de um conjunto do Algarve e ainda hoje [em 2015...] está no activo nas animações dos Hotéis, mesmo depois de deixar de ser "residente" do Montechoro.
  • O Fernando Cruz, do Porto, tinha também a sua banda de garagem;
  • O mesmo com o Fernando Marques, de Alhandra, o António Camilo, de Castelo Branco, o Miguel Pacheco, de Barcelos, o José Fanha (primo do animador da televisão), da Meia Via, Tomar, o Nélson Batalha, que tocava acordeão e órgão num restaurante com música ao vivo em Setúbal.
O curso tinha mais 6 elementos:
  • o José Canudo, de Elvas, de que não tenho a certeza se tinha alguma relação com a música;
  • o mesmo digo do António Calmeiro, de Tinalhas;
  • e do José Alves, de S. Miguel;
  • sendo que o José Reis, do Porto, era funcionário da Emissora;
  • o Manuel Martinho tinha abandonado o Seminário de Fátima;
  • e eu, Hélder Valério de Sousa, costumo dizer que era especialista em 'campainhas de missa' e eu que apenas tinha dado a informação de ter construído um telégrafo.
Mas muitos mais elementos ligados à música estiveram nas Transmissões, conforme já tem aparecido notícias por aqui.

Um deles, por exemplo, foi o Vítor Raposeira, aqui de Setúbal, que ainda recentemente tem andado a reanimar os "Sixties".

Hélder Sousa


(Seleção, revisão/fixação de texto, negritos, parênteses retos, título: LG)

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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de > 19 de novembro de 2015 > Guiné 63/74 - P15386: Álbum fotográfico de Alfredo Reis (ex-alf mil, CART 1690, Geba, 1967/69) (2): A visita, à sede da companhia, do Conjunto Académico João Paulo, em 24 de agosto de 1968

(**) Último poste da série > 19 de março de 2026 > Guiné 61/74 – P27838: (Ex)citações (446): A necessidade de mudar (Hélder Valério de Sousa, ex-Fur Mil TRMS TSF)