Guiné > s/l > s/d (c-. 1968/70) > Jorge Félix, alf mil pil heli Al III (BA 12, BA 12, Bissalanca, 1968/70) e António Spínola (Com-Chefe e Governador Geral, CTIG, 1968/73)... O nosso camarada Jorge Félix foi um dos pilotos preferidos pelo Com-Chefe, no seu tempo. (O tratamento por "pilav" era reservado aos pilotos-aviadores que vinham da Academia Militar; repare-se, por outro lado, a famosa "lancheira do governador", no banco de trás.)
Foto: © Jorge Félix (2010). Todos os direitos reservados
I. Os nossos camaradas da Força Aérea conviveram, mais regularemente com o governador e comandante-chefe António de Spínola que, nas suas deslocações praticamente diárias ao interior da Guiné (o mítico "mato"), usava de preferência o heli AL III. Uma vez por outra, deslocava-se de DO-27.
Ao longo de cinco anos (!) (maio de 1968 / agosto de 1973), pilotos e "mecânicos", as equipas dos helis, foram testemunhas e comparsas de muitas situações, mais ou menos engraçadas e divertidas, que deram origem a anedotas, e que hoje,l perdidas pela Net, fazemos questão recolher e partilhar nesta subsérie "O Anedotário da Spinolândia", da série "Humor de Caserna".
Não se tome a palavra "comparsa" em sentido pejorativo, mas como figura "cinematográfica"...Sem esses comparsas (ou, melhor, "atores secundários"), muitas destas anedotas ter-se-iam, perdido...
Aqui vão mais algumas, que chegaram até nós e que circulam pela Net. São sempre revistas e melhoradas por nós. Comprovam, mais uma vez, o sentido de humor muito especial do general, cuja excentricidade e pose teatral eram, de resto, apreciadas pela generalidade das suas tropas.
São também uma homenagem aos nossos "gloriosos malucos das máquinas voadores"... Ao que se saiba, nunca houve nenhum acidente (ou sequer incidente) com o AL III ou a DO-27, em missão de transporte do nosso Caco Baldé.
Um piloto de Alouette III levava Spínola para visitar um destacamento no norte. Ao aproximar-se da zona, o piloto avisou:
— Meu general, não convém pousar já. A área não está segura.
Spínola respondeu, bruto e seco:
— Pois então ponha-a segura.
O piloto deu uma volta larga e comentou para o mecânico ao lado:
— Está resolvido. O general já tratou da segurança.
Numa deslocação para a zona de Bafatá, numa DO-27, o piloto comentou antes da aterragem:
— Meu general, a pista parece curta.
Spínola olhou pela janela e respondeu:
— Parece curta… mas larga o suficiente.
Diz-se que o piloto murmurou, entre dentes:
— Pois… mas quem trava sou eu.
Num voo de helicóptero para uma tabanca perto de Bissorã, o piloto explicou:
— Meu general, o helicóptero está no limite de peso.
Spínola perguntou:
— E qual é a solução?
Resposta do piloto:
— Alguém tem de ficar em terra.
Diz quem conta que Spínola respondeu de imediato:
— Então fica o medo.
E embarcou.
4. Então, isso voa ?
Num heliporto improvisado perto de Canchungo, Spínola viu um mecânico coberto de óleo a trabalhar num Alouette.
Perguntou-lhe:
— Então isso voa?
O mecânico respondeu:
— Voa, meu general… quando quer.
Spínola replicou:
— Então hoje tem de querer.
5. O voo turbulento
Num voo sobre o Oio, o helicóptero entrou numa zona de turbulência forte. Um oficial no banco de trás estava visivelmente nervoso.
Spínola virou-se para ele:
— O senhor tem medo de voar?
— Um pouco, meu general.
Resposta de Spínola:
— Não tenha. Aqui em baixo também disparam.
Entre pilotos da Força Aérea corria uma frase meio humorística:
— Com o Caco voa-se sempre mais baixo, porque ele quer ver tudo... De monóculo.
E outro respondia:
— E às vezes baixo demais… para gáudio do turra que gosta de fazer tiro ao alvo.
Último poste da série > 28 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27864: Humor de caserna (253): O anedotário da Spinolândia (XXV): "Senhor Comandante, espero que nos vamos entender muito bem", disse em maio de 1968 Spínola, ao acabar de conhecer o Alpoim Calvão, o qual lhe retorquiu: "Não sei se é possível, porque eu tenho três grandes defeitos: primeiro, sou oficial de marinha; segundo, não sou de cavalaria; e não sou do Colégio Militar’.
