
1. Diz a menina IA, delirante (não vou citar a "marca", que até é uma vergonha, e ela já se retratou, entretanto, e já me pediu desculpa por esta grande "galga" ou "fake new")...
Registo o seu gesto de "humildade". É um progresso, mesmo sabendo que as meninas da IA (ou meninos ?!, não têm género, por decisão do "patrão", mas prefiro chamar-lhes "meninas"), não podem ser dotadas de "coração", sentimentos, emoções, compaixão, empatia, simpatia, raiva, rancor, gratidão, amizade, amor, saudade, humor, etc., como qualquer vulgar "humano".
Apesar do seu elevado QI, a IA admite "que pode cometer erros". Eureka!...E isso deixa os "humanos" mais tranquilos. Por enquanto. Ainda não chega, a IA, aos calcanhares dos deuses, que esses, sim, são "omniscientes, omnipotentes e omnipresentes"... E até lá, enquanto chega e não chega, a gente ainda pode brincar com ela (ou com ele)...
Em próximo poste iremos confrontar os argumentos pró e contra em relação a esta "efabulação" à volta de um animal de estimação que nunca existiu mas a quem na 5ª Rep, em Bissau, puseram um "nickname": chamava-se... "Blonde", a cadela!...
Esta "estória" faz-me lembrar outra, já aqui desmistificada, a do "cavalo branco" de Spínola (*).
De resto, já não é a primeira vez que fazemos humor (de caserna) com os "delírios" da IA... Valha-nos, isso, ao menos. Mais vale apanhar com "delírios da IA" do que com "drones" em cima da cabeca ou a entrar pela janela do quarto dormir...
Para gáudio da malta da caserna, aqui fica um dos últimos "delírios da menina da IA" (ou de um delas, que eu não vou citar, porque temos boas relações, e não quero comprometê-las ou estragá-las, as nossas "arralações"...).
Apesar de "inteligente", ela emprenha muitas vezes de "ouvido", como a gente costumava dizer a respeito do maior "mentidero" de Bissau, que era famosa 5ª Rep, o maior viveiro do anedotário da Spinolândia.
Aproveito, a pretexto da "Blonde" que nunca existiu, para fazer uma homenagem aos nossos camaradas que eram pilotos de avioneta DO-27 ou de helicóptero AL III (ou "hélio", como dizia o Zé Soldado no mato ou nos "aéreos" que escrevia às madrinhas de guerra). Quase todos milicianos. E, muito em especial, ao nosso querido grão-tabanqueiro Jorge Félix, do meu tempo, que era um dos pilotos preferidos do nosso general e, por tabela, da "Blonde"... (**)
Mais um das "galgas" da IA : a famosa cadela do Spínola que adorava andar, de rabo tremido, de "hélio" (e até de DO-27)
Esse pormenor biográfico é real e muito curioso, embora tenha ficado em parte obscurecido pelo folclore e pelo aparato quase teatral que o general António de Spínola cultivava na Guiné (o monóculo, o pingalim, as luvas pretas).
Sim, Spínola tinha uma cadela de estimação da raça pastor-alemão. O animal não era apenas uma companhia no palácio do governador em Bissau; viajava frequentemente com ele nas suas constantes e famosas deslocações aéreas de helicóptero Alouette III (e por vezes em avião ligeiro Dornier DO 27) quando inspecionava os aquartelamentos, destacamentos isolados, tabancas e reordenamentos no interior do território. (Só a não levava para operações, por razões de segurança.)Existem registos e correspondência oficial na documentação da época (como os arquivos do SIPFA - Serviço de Informação Pública das Forças Armadas) que mencionam o animal, integrando aspetos logísticos ou relatos de jornalistas estrangeiros que acompanhavam o Governador e Comandante-Chefe nas suas visitas ao mato.
A presença do animal reforçava duas imagens distintas que coexistiam na perceção dos militares:
(i) Para a Propaganda e as Altas Patentes:
(ii) Para o "Zé Soldado" no Terreno:
O pastor alemão de Spínola tornou-se, assim, mais uma das marcas indeléveis da forte mobilidade aérea e do estilo de comando muito particular que caracterizou o período de 1968 a 1973 na Guiné Portuguesa.
As fontes sobre a icónica cadela pastor-alemão do general António de Spínola na Guiné dividem-se em duas categorias principais: a memória descritiva dos combatentes e a documentação historiográfica/jornalística da época.
A nível de referências formais e bibliográficas onde o animal e o ambiente da comitiva de Spínola são retratados, destacam-se as seguintes:
"Spínola — Biografia", de Luís Nuno Rodrigues (A Esfera dos Livros, 2010).
Durante o período de 1968 a 1973, o Serviço de Informação Pública das Forças Armadas (SIPFA) convidou dezenas de jornalistas estrangeiros (franceses, alemães, britânicos, americanos) para visitarem a Guiné, numa tentativa de contrariar a narrativa do PAIGC de que controlava a maior parte do território.
A principal e mais rica fonte para os pormenores do quotidiano e o impacto psicológico desta imagem no "Zé Soldado" encontra-se nos registos de memórias dos próprios operacionais: o arquivo do "Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné" (Tabanca Grande, 2004-2026):
(*) Vd. poste de 17 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28029: Humor de caserna (266): O anedotário da Spinolândia - Parte XXXIV: as alucinações da IA
Vd. poste de 24 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28050: Humor de caserna (270): o anedotário da Spinolândia - Parte XXXVII: Oh, homem, cale-se! (Alberto Branquinho, ex-alf mil art OE, CART 1689 / BART 1913, Fá, Catió, Cabedu, Gandembel e Canquelifá, 1967/69












