Pesquisar neste blogue

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27908: Humor de caserna (255): O anedotário da Spinolândia (XXVII): Os comparsas da FAP - Parte II


Guiné > Região de Cacheu > Bula > Pecuré > Op Ostra Amarga > 18 de outubro de 1969 > Depois da emboscada, o general Spínola, ao centro, ladeado à esquerda pelo major João Marcelino (2.º cmdt do BCAV 2868, então em Bissau e que apanhou boleia no heli) e o ten cor Alves Morgado, cmdt do BCAV 2868 que acompanhou o desenrolar da acção. 

À direita de Spínola, o seu ajudante de campo, o cap cav Almeida Bruno (que faleceu em 10/8/2022, aos 87 anos), de luvas, empunhando uma G3, e de costas o cap cav José Maria Sentieiro, cmdt da CCAV 2485 que, por impedimento do comandante da CCAV 2487, foi encarregado de dirigir a Op Ostra Amarga.

Vd. também o vídeo "Guerre en Guinée" (1969) (13' 50''), imagens da chegada do Spinola e do Almeida Bruno, 11' 30'' ... Cortesia de INA - Institut National de l' Audividuel.

A foto acima reproduzida (e editada pelo blogue) é do Paris-Match nº 1071, de 15 de novembro de 1969 (Com a devida vénia...).

 

I. Spínola ficou conhecido na Guiné por voar muito mais que os anteriores comandantes-chefes, visitando frequentemente unidades isoladas no mato. Isso contribuiu para a aura quase teatral do personagem:  monóculo, luvas, pingalim, camuflado impecável, acompanhado pelo seu ajudante de campo (o mais conhecido de todos provavelmente era o cap cmd João Almeida Bruno, 1935-2022, mais tarde general, e que deu origem a uma das diversas alcunhas do general, "Aponta, Bruno").

A malta dos Alouettes III (AL III), pilotos e especialistas, ficaram com fama de estarem na origem de muitas anedotas atribuídas a Spínola.  Muitas terão um fundo de verdade, outras são variantes de primitivas versões. Impossível hoje é comprovar a veracidade das situações. Algumas serão mais verosímeis do que outras...Mas em geral são todas divertidas... De qualquer modo, convém sempre ressalvar o seguinte sobre a personalidade e o comportamento como comandante-chefe: António Spínola podia ser temerário mas não era doido...

E os nossos camaradas pilotos e especialistas da BA 12 (Bissalanca), mesmo anónimos, podem ser, sem desprimor, verdadeiros "comparsas", merecendo o devido destaque nesta série "Humor de Caserna: o Anedotário da Spinolândia"... 

Nenhum de nós (com exceção de dois très dos nossos grão-tabanqueiros da FAP, o Jorge Félix, o Jorge Narciso, etc.)  teve o privilégio de viajar de heli com o governador e comandante-chefe, no período em que foi o "régulo-mor" da Tabanca Grande da Guiné, mas pode imaginar (e rir-se, ou apenas sorrir, com) estas situações...

 Aqui vai mais um "balaio" de anedotas da Spinolândia,  recolhidas da Net (via IA) e depois revistas pelo editor LG (*):


1. General não tem medo

Um piloto de Alouette III contou que, numa viagem baixa,  no mato, a rasar a copa das árvores, ouviram tiros de armas ligeiras.

O piloto disse pelo intercomunicador:

— Meu general, estão a disparar.

Spínola respondeu calmamente:

— Ó nosso alferes piloto, se fosse para me acertarem já tinham acertado.

Silêncio na cabine. O mecânico, que ia ao lado do piloto, murmurou:

— Pois… mas nós não somos generais.

2. A aterragem impossível

Num destacamento remoto, o piloto avisou:

— Meu general, aqui não há sítio para pousar.

Spínola espreitou pela porta do heli e disse:

— Há ali um bocadinho.

O piloto respondeu:

— Meu general… aquilo é uma bolanha, um campo de arroz.

Resposta:

— Então pousamos antes de ele crescer.

Dizem que o helicóptero pousou mesmo… e saiu de lá cheio de lama.

3. O famoso “salto rápido”

Spínola tinha fama de sair do helicóptero antes das pás pararem.

Num destacamento no interior, o piloto ainda estava a estabilizar o aparaelho quando o general abriu a porta.

— Meu general, espere pelas pás!

Spínola saltou e respondeu:

— Quem está com pressa são eles. 

E apontou para a mata.

O piloto comentou a seguir:

— Ele saltava como se estivesse a sair de um táxi em Lisboa.

4. O táxi aéreo

Entre pilotos corria uma piada recorrente:

— O helicóptero do general não é da Força Aérea…

— Então?

— “É táxi aéreo da praça de Bissau.

Porque Spínola pedia frequentemente voos curtos para visitar aquartelamentos, destacamentos, tabancas, reordenamentos, ciruncrições, postos administratvios.

5. A pergunta incómoda

Um piloto,  jovem,  ainda "periquito", nervoso por transportar o comandante-chefe, perguntou:

— Meu general, prefere que voe mais alto ou mais baixo?

Resposta imediata:

— Não prefiro, exijo apenas que voe bem.


6. O capacete de segurança

Outra história muito contada: no início, ainda  era brigadeiro,  deram a Spínola um capacete de voo como parte do equipamento de segurança.

Ele experimentou e disse:

— Isto estraga-me o penteado.

O piloto respondeu:

— Meu brigadeiro, estraga menos que uma bala.

Consta que o Spínola riu a bom rir e nunca usou mais capacete. (**)

(Pesquisa: LG + IA (ChatGPT / Open AI)
(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos, títulos: LG)

_______________________

Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 1 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27876: Humor de caserna 
(254): O anedotário da Spinolândia (XXVI): Os comparsas da FAP - Parte I


(**) Esta anedota parece-nos inteiramente "forçada", para não dizer "descabida" no âmbito da nossa Spinolândia. Pior só a galga do "cavalo branco" nas traseiras do palácio do Governador, para o Spínola de vez em quando matar saudades dos seus tempos gloriosos de aristocrático cavaleiro hípico...

Tanto quanto sabemos não havia hipódromos em Bissau...  E o gado equino (e em especial os cavalos importados da Europa) sempre se deram mal na Guiné (e em grande parte da África Ocidental) durante a época colonial, dificultando a sua introdução e utilização pelas autoridades portuguesas... Primeiro foi a Tripanossomíase Animal Africana, frequentemente referida na época apenas como doença da mosca tsé-tsé; mais tarde,  a  Peste Equina Africana que, julgamos,  será endémica (causa de mortandade grave, caracterizada por febre alta e edema).

Segundo consulta á ferramenta de IA, francesa (Le Cha Mistral), "o contexto da Guerra Colonial Portuguesa (1961–1974), nomeadamente no TO da Guiné,  o uso de capacetes de segurança pelos passageiros do Aérospatiale Alouette III não era prática comum nem estava formalmente previsto nos regulamentos da época.

(---) "Os pilotos e, por vezes, os tripulantes (como mecânicos de bordo ou operadores de rádio) usavam capacetes de voo, principalmente para comunicação via intercomunicador e proteção contra ruído e eventuais impactos.

(...) Os soldados transportados no Alouette III (como paraquedistas ou comandos)  geralmente não usavam capacetes de segurança.(...)

(...) Não existiam normas específicas que obrigassem ao uso de capacetes de segurança para passageiros em helicópteros durante a guerra colonial. A prioridade era a mobilidade rápida e a capacidade de resposta imediata após a aterragem, o que tornava o uso de capacetes pouco prático.

(...) O Alouette III era um helicóptero pequeno, com capacidade para cerca de 6 passageiros além da tripulação. O uso de capacetes volumosos reduziria ainda mais o espaço e a comodidade.

(...) As missões eram muitas vezes de inserção/extração rápida, com necessidade de desembarque imediato e ação no terreno.

(...) Não existiam capacetes leves ou adaptados para passageiros em contexto de transporte aéreo táctico na altura.

(...) Muitos veteranos da Guerra Colonial, incluindo os que serviram na Guiné, confirmam que o uso de capacetes durante o transporte em helicóptero não era habitual. O foco estava no equipamento de combate individual e na rapidez de movimento.
 
A segurança em voo era garantida pela perícia dos pilotos e pela manutenção das aeronaves, não por equipamentos de proteção individual para passageiros. (...)

Também não encontro no blogue dos nossos camaraadas  Especialistas da BA 12, Guiné, 1965/74 qualquer referência ao uso de capacetes,. quer de voo (tripulantes), quer de segurança (passageiros), a bordo  nos helis AL III, no TO da Guiné.

Sem comentários: