Guiné > Região de Cacheu > Bula > Pecuré > Op Ostra Amarga > 18 de outubro de 1969 > Depois da emboscada, o general Spínola, ao centro, ladeado à esquerda pelo major João Marcelino (2.º cmdt do BCAV 2868, então em Bissau e que apanhou boleia no heli) e o ten cor Alves Morgado, cmdt do BCAV 2868 que acompanhou o desenrolar da acção.
Vd. também o vídeo "Guerre en Guinée" (1969) (13' 50''), imagens da chegada do Spinola e do Almeida Bruno, 11' 30'' ... Cortesia de INA - Institut National de l' Audividuel.
A foto acima reproduzida (e editada pelo blogue) é do Paris-Match nº 1071, de 15 de novembro de 1969 (Com a devida vénia...).
I. Spínola ficou conhecido na Guiné por voar muito mais que os anteriores comandantes-chefes, visitando frequentemente unidades isoladas no mato. Isso contribuiu para a aura quase teatral do personagem: monóculo, luvas, pingalim, camuflado impecável, acompanhado pelo seu ajudante de campo (o mais conhecido de todos provavelmente era o cap cmd João Almeida Bruno, 1935-2022, mais tarde general, e que deu origem a uma das diversas alcunhas do general, "Aponta, Bruno").
Aqui vai mais um "balaio" de anedotas da Spinolândia, recolhidas da Net (via IA) e depois revistas pelo editor LG (*):
1. General não tem medo
Um piloto de Alouette III contou que, numa viagem baixa, no mato, a rasar a copa das árvores, ouviram tiros de armas ligeiras.
O piloto disse pelo intercomunicador:
— Meu general, estão a disparar.
Spínola respondeu calmamente:
— Ó nosso alferes piloto, se fosse para me acertarem já tinham acertado.
Silêncio na cabine. O mecânico, que ia ao lado do piloto, murmurou:
— Pois… mas nós não somos generais.
2. A aterragem impossível
Num destacamento remoto, o piloto avisou:
— Meu general, aqui não há sítio para pousar.
Spínola espreitou pela porta do heli e disse:
— Há ali um bocadinho.
O piloto respondeu:
— Meu general… aquilo é uma bolanha, um campo de arroz.
Resposta:
— Então pousamos antes de ele crescer.
Dizem que o helicóptero pousou mesmo… e saiu de lá cheio de lama.
3. O famoso “salto rápido”
Spínola tinha fama de sair do helicóptero antes das pás pararem.
Num destacamento no interior, o piloto ainda estava a estabilizar o aparaelho quando o general abriu a porta.
— Meu general, espere pelas pás!
Spínola saltou e respondeu:
— Quem está com pressa são eles.
O piloto comentou a seguir:
— Ele saltava como se estivesse a sair de um táxi em Lisboa.
4. O táxi aéreo
Entre pilotos corria uma piada recorrente:
— O helicóptero do general não é da Força Aérea…
— Então?
— “É táxi aéreo da praça de Bissau.
Porque Spínola pedia frequentemente voos curtos para visitar aquartelamentos, destacamentos, tabancas, reordenamentos, ciruncrições, postos administratvios.
5. A pergunta incómoda
Um piloto, jovem, ainda "periquito", nervoso por transportar o comandante-chefe, perguntou:
— Meu general, prefere que voe mais alto ou mais baixo?
Resposta imediata:
— Não prefiro, exijo apenas que voe bem.
6. O capacete de segurança
Outra história muito contada: no início, ainda era brigadeiro, deram a Spínola um capacete de voo como parte do equipamento de segurança.
Ele experimentou e disse:
— Isto estraga-me o penteado.
O piloto respondeu:
— Meu brigadeiro, estraga menos que uma bala.
Consta que o Spínola riu a bom rir e nunca usou mais capacete. (**)
(*) Último poste da série > 1 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27876: Humor de caserna (254): O anedotário da Spinolândia (XXVI): Os comparsas da FAP - Parte I
(**) Esta anedota parece-nos inteiramente "forçada", para não dizer "descabida" no âmbito da nossa Spinolândia. Pior só a galga do "cavalo branco" nas traseiras do palácio do Governador, para o Spínola de vez em quando matar saudades dos seus tempos gloriosos de aristocrático cavaleiro hípico...
(---) "Os pilotos e, por vezes, os tripulantes (como mecânicos de bordo ou operadores de rádio) usavam capacetes de voo, principalmente para comunicação via intercomunicador e proteção contra ruído e eventuais impactos.
(...) O Alouette III era um helicóptero pequeno, com capacidade para cerca de 6 passageiros além da tripulação. O uso de capacetes volumosos reduziria ainda mais o espaço e a comodidade.
(...) Muitos veteranos da Guerra Colonial, incluindo os que serviram na Guiné, confirmam que o uso de capacetes durante o transporte em helicóptero não era habitual. O foco estava no equipamento de combate individual e na rapidez de movimento.
A segurança em voo era garantida pela perícia dos pilotos e pela manutenção das aeronaves, não por equipamentos de proteção individual para passageiros. (...)

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