1. Na sua página do Facebook, Tita Pipoka (ativista e empreendedora social,a viver em Bissau, e que tem mais de 200 mil seguidores!), esvreveu em 24 de março de 2026, 16:15:
2. Recordemos aqui alguns dados económicos e fianneeiros respeotantes ao caju (ou castanha de caju) na Guiné-Bissau
É, reconhecidamente, e de há muito (há 30/40 anos) a principal riqueza da Guiné-Bissau E ttem um forte potencial de desenvolvimento. Com esceção do arquipélago dos Bijagós e demais ilhas, o caju é produzido em todas as regiões do país, e muito em esepcial presente em todas as terras secas.
- Podução: c. 300 mil toneladas (2021) de castanha "in natura";
- Área: c. 513,5 mil hectares;
- Nº de produtores: mais de 650 mil (2,5% dos quais são mulheres);
- Produtividade (baixa): entre 500 e 600 kg/ha.
- A grande maioria dos agricultores da Guiné-Bissau está envolvida e vive na produção de caju;
- O país exportou um volume de 231 2 mil toneladas em 2021 e 235 mil toneladas em 2022;
- 14 unidades de processamento estão registadas em 2022, das quais 12 unidades estão operacionais para uma média de 20.000 toneladas de castanhas "in natura" processadas, ou menos de 10% da produção;
- constitui a maior fonte de receitas fiscais do Estado;
- funciona como principal motor da balança comercial e da entrada de divisas.
- Zona Norte (regiões de Biombo, Cacheu e Oio) > 54,6%
- Zona Leste (regiões de Bafatá e Gabu) > 28,5%
- Zona Sul (regiões de Quínara, Bolama e Tombali) > 16,9 %
- 18% do PIB;
- 90% das receitas de exportação;
- 33% do rendimento familiar;
- a taxa de utilização das unidades instaladas no país gira em torno de 25%;
- o preço ao produtor das nozes cruas está entre 375 e 500 farncos CFA/kg em 2022;
- o valor dos impostos de exportação é de 15 FCFA/kg para nozes cruas e 8 FCFA/kg para amêndoas.
(2) Já ouvimos chamar ao caju, ou melhor, à castanha de caju, o "petróleo" ou
o "ouro branco" da Guiné-Bissau. É uma metáfora, que tem diferentes leituras.
(3) Em termos sociais, estima-se que:
- mais de 80% da população ativa rural esteja ligada direta ou indiretamente à fileira do caju;
- e que cerca de 40% a 50% das pessoas dependam dele para sobreviver, num país com pouco mais de dois milhões de habitantes.
(4) A campanha do caju é, na prática, “a estação económica” do país.
- há mais circulação de dinheiro nos tabancas e mercados;
- aumenta o comércio informal;
- sobem as importações de arroz e bens de consumo;
- o Estado respira melhor financeiramente.
Quando a campanha corre mal (c0mo vai acontecer provavelmente este ano):
- toda a economia guineense abana;
- sendo isso devido sobretudo a factores exógenos, portanto fora do contro dos produtores (como o caso das secas, chuvas fora de tempo, pragas, crise política ou queda do preço internacional)
Há ainda um problema estrutural importante: a Guiné-Bissau exporta sobretudo castanha em bruto, praticamemnte sem qualquer transformação industrial local.
Ou seja: o camponês guineense produz a matéria-prima; mas o maior valor acrescentado, emprego industrial e lucro ficam fora do país.
É um velho problema de economia colonial ou neoextrativa: exportar produto bruto e importar quase tudo o resto.
(5) Apesar disso, o cajueiro tem uma importância "quase civilizacional" na Guiné-Bissau contemporânea:
- fixa populações no interior;
- gera rendimento monetário onde há pouco emprego no sector formal;
- permite pagar escola, arroz, roupa, medicamentos, telecomunicações;
- e sustenta grande parte da economia informal das “bideras”, comerciantes e pequenos transportadores.
Curiosamente, o “falso fruto” do caju (a maçã de caju) continua subaproveitado. Há produção artesanal de vinho, sumos e aguardente (“cana de caju”), mas em escala reduzida. O "ouro" económico continua a ser a castanha com casca!
E há, de facto, um paradoxo desconcertante, como diz a Tita Pipoka, troca-se caju por arroz... Até quando ? A Guiné-Bissau é um dos maiores produtores mundiais de castanha de caju "per capita"… mas continua entre os países mais pobres do mundo. E pior: depende dos outros para se alimnentar...
- transformação industrial;
- infraestruturas (incluindo rede rodoviária);
- crédito;
- apoio técnico;
- estabilidade política;
- e capacidade do Estado.


2 comentários:
Este é o mundo em que vivemos... E não há volta a dar ?
Na Guiné-Bissau, o preço da castanha de caju é fixado pelo governo. Na campanha oficial, o valor mínimo garantido ao produtor ronda os 410 francos CFA por quilo (cerca de 0,63 euros).
Na Europa, o preço do caju para o consumidor final varia, mas atinge frequentemente ou ultrapassa os €30 por quilo, dependendo de diversos fatores, mas também do "valora crescentado" e do tipo de produto à disposição do consumidor (caju natural, com sal, torrado, biológico...).
Os preços médios por quilo em Portugal e no mercado europeu oscilam da seguinte forma:
Caju Cru/Natural: varia geralmente entre os €12 e os €18.
Caju Torrado e Salgado: situa-se habitualmente entre os €20 e os €25.
Caju Premium, Selecionado ou Bio (Biológico): pode facilmente atingir ou ultrapassar os €30.
Estamos a falar de 25 a 50 vezes mais! Esta diferença colossal entre a matéria-prima e o produto final deve-se a vários fatores. O valor acrescentado ocorre maioritariamente nos países consumidores. O caju é colhido nos países de origem (maioritariamente em África e no Brasil) e, posteriormente, exportado em bruto. A subida de preço até à nossa mesa justifica-se por:
(i) Processamento complexo: a castanha é colhida com casca (castanha bruta) e passa por um processo industrial complexo e maioritariamente manual para extrair o miolo; secagem e torrefação.
(ii) Logística e intermediários: a castanha com casca (em bruto) é quase toda exportada (sobretudo para a Índia e Vietname), implicando custos de frete, contentores e margens de lucro para vários intermediários até chegar à Europa;
(iii) Embalagem e retalho: o produto vendido em Portugal já está embalado e fracionado em pequenas porções, o que encarece o preço ao consumidor final.
Há lojas em Lisboa do "fair trade" / "preço justo", como a Muka (passe a publicidade), onde se pode comprar o caju biológico e certificado aparentemente mais em conta...e beneficiando, teoricamente, o produtor.
(...) Certificação Bio e Faitrade (comércio justo).
Origem: África (Guiné Bissau/Burkina Faso).
Escolhemos esta origem pois para nós era importante que:
- o caju tivesse a certificação fairtrade (para além de bio), pela qual pagamos um preço acrescido, de forma a garantir salários dignos, segurança física dos trabalhadores e não utilização de trabalho infantil;
- origem em pequenos produtores e processado localmente.
Grande parte do caju que chega à Europa, "made in" Vietname e na Índia é, na verdade, cultivado em África e depois enviado para esses países para ser processado/embalado.
Preferimos encurtar estas distâncias e garantir que fica uma maior parcela do valor de venda no país que o cultiva e junto dos seus produtores.
O caju é embalado em vácuo para uma melhor preservação. Validade: 12 meses. (...)
Infelizmente, a situação não é única: passa-se o mesmo com a nossa agricultura, as nossas pescas... O preço dos nossos vinhos são escandalosamente altos nos restaurantes, mas o mesmo se passa com o peixe, o marisco, os produtos fruto-hortícolas...
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