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domingo, 23 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28284: Notas de leitura (1953): "Geração Afro: Os Últimos Guerrilheiros do Império" , de Recaredo (volume I, 2026, 455 pp); análise feita pela AILA (A IA da Editora Clube de Autores)


Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto e imagens: Angelino dos Santos Silva (2026)
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.



1. Texto que nos foi enviado pelo nosso camarada Angelino Santos Silva (pseudónimo literário, Recaredo: ele é natural de Recarei, Paredes, distro do Porto; foi fur mil 'cmd', 26ª Cmds, CTIG, 1970/71)


Data - 29/7/2026, 18:44
Assunto - Análise crítcia

Boa tarde,  amigo e camarada Luís Graça.

Em anexo segue o parecer da Editora Clube do Autor.

Seleccionei alguma partes, mas claro, cada leitor fará a sua selecção de acordo com a sua sensibilidade. Esta, acho que vai de encontro à mensagem que pretendo passar nesta obra.

Um abraço.
Angelino





2. Análise crítica

“Geração Agro: Os Últimos Guerrilheiros do Império”
 (Volume I), da autoria dia Recaredo



(i) Estrutura e organização

A obra apresenta uma estrutura de romance histórico, organizada em 68 capítulos numerados, precedidos por uma introdução autoral, registos históricos e um posfácio dedicado aos pais do autor. 

A arquitectura narrativa é multiperspectiva, alternando entre dois núcleos principais de personagens: o par Martins da Costa / Morais Cardoso (chegados à Guiné em 1966) e o par António / Augusto (chegados em 1970), permitindo cobrir diferentes momentos da Guerra Colonial e diferentes especialidades militares (Cavalaria / Panhard e Comandos).

A organização temporal é maioritariamente linear, embora recorra frequentemente a analepses. sobretudo nas evocações da infância dos protagonistas e nos episódios da instrução em Lamego (Comandos) ou Estremoz (Cavalria) . 

O autor intercala capítulos em forma epistolar (as cartas de Martins da Costa à namorada) com diálogos extensos e passagens ensaísticas sobre a História de Portugal, criando um mosaico onde ficção, memória documental e reflexão política coabitam.

Contudo, a arquitectura ressente-se de alguma irregularidade rítmica: certos capítulos concentram acção militar intensa, enquanto outros se dilatam em digressões historiográficas (o Condado Portucalense, D. Dinis, a Encruzilhada) que, embora ricas, quebram o fluxo dramático. 

O anúncio de que a obra continuará num Livro II justifica alguns nós narrativos deixados em aberto, mas fragiliza a autonomia deste volume.


(ii) Temas e mensagens principais


O tema central é a Guerra Colonial Portuguesa na Guiné (1961-1974/75) e a homenagem ao milhão decombatentes da chamada "Geração Afro". 


Todavia, a obra transcende a mera crónica bélica para se constituir como uma *meditação sobre o fim de um império*  e sobre a complexidade étnica e política de um território onde "todos são família" — irmãos, meios-irmãos e primos combatendo em bandeiras opostas.

Emergem temas secundários de grande densidade
  • a pobreza estrutural do povo português apesar dos Descobrimentos;
  • a crítica ao Estado Novo e à PIDE/DGS; 
  • a admiração pela figura de Spínola e pela sua visão política; 
  • a solidão dos combatentes africanos ao lado da bandeira portuguesa;
  • o drama dos mutilados e "apanhados pelo clima"; 
  • a emigração clandestina; 
  • e a denúncia da desproporção entre o custo material da guerra e o valor da vida humana (o episódio da Panhard de 1500 contos) (mais de meio milhão de euros, a preços de hoje).

A mensagem última é de desencanto patriótico e reconciliação memorialista: os jovens que embarcaram convictos regressam céticos, mas o autor recusa o rancor, defendendo antes que "as páginas sobre a História da Guerra Colonial jamais se podem fechar enquanto houver um único combatente enterrado no meio de nada". 

É uma obra de testemunho e reparação simbólica.

(iii) Linguagem e estilo narrativo


O estilo é marcadamente oral e testemunhal, privilegiando o diálogo directo como motor narrativo.

Recaredo (assumidamente combatente na Guiné em 1970/71(  opta por uma linguagem pré-Acordo
Ortográfico de 1990, escolha que reforça a ancoragem temporal e a autenticidade documental. 

A prosa mistura registos: 
  • o coloquialismo cru dos soldados ("que se foda a guerra", "filhos da puta"); 
  • o lirismo pontual nas cartas de Martins da Costa; 
  • e a dicção ensaística nas digressões históricas.

Merece destaque a incorporação de :
  • crioulo da Guiné-Bissau;
  • expressões militares de época ("bazuca" para cerveja, "bajuda", "periquito", "velhinho", "peluda");
  • topónimos ancestrais;
  • e vocabulário etnográfico (embondeiro, bagabaga, bianda, mancarra, gindungo), que confere textura antropológica notável.
 As passagens epistolares tocam por vezes um registo poético comovente, sobretudo no poema "A Brisa da Incerteza" e na descrição da noite estrelada da selva.

Do lado menos conseguido, observa-se inconsistência revisora: gralhas ("conductor" por "condutor", "biber" por "viver" — este último talvez intencional para marcar o falar popular), oscilações de pontuação nos diálogos e alguma repetição de fórmulas ("cada um tem o seu pedaço"). 

O estilo é, no cômputo, funcional e emotivamente eficaz, mesmo quando tecnicamente rugoso.

(iv) Profundidade filosófica

A profundidade filosófica da obra manifesta-se 
em três eixos principais;
  • o primeiro é uma refiexão sobre a ética na guerra, articulada sobretudo pelo capitão Ombendi e pelo tenente Quínara: a rejeição do heroísmo gratuito, a distinção entre matar por necessidade e matar por vingança, e a substituição do binómio "certo/errado" pelo binómio "o que devemos ou não fazer"; esta é uma proposta ética situacionista de considerável maturidade;
  • o segundo eixo é uma filosofia da História desenvolvida através da figura do Dr. Fanon Mané, que percorre da Borgonha ao Condado Portucalense, de D. Dinis à "Encruzilhada" que separou governantes e governados; a tese — de que a pobreza estrutural portuguesa nasce da ausência de um projecto de instrução popular durante seiscentos anos — é discutível historiograficamente, mas oferece um enquadramento crítico substantivo;
  • o terceiro eixo é uma meditação sobre o acaso, a sorte e o destino, condensada no poema "Sorte" e no episódio autobiográfico do rebentamento da mina; o  autor recusa o determinismo fatalista, propondo uma visão em que a sorte "tem mãos" e a memória vence a morte. 
Há também uma reflexão poderosa sobre a impossibilidade histórica de ganhar a guerra, expressa na metáfora da selva como santuário renovável — uma ideia que dialoga com Camões e com os manuais de contra-insurgência.

(iv) Impacto emocional

O impacto emocional é intenso e cumulativo, construído menos pelo espectáculo bélico do que pela acumulação de pequenos gestos humanos. 

Cenas como:
  •  a do capelão Mário Gonçalves consolando Morais Cardoso pela morte do irmão sob um céu de estrelas em São Vicente;
  • a partilha do arroz manjaco na tabanca de Nassim Mané II;
  • ou o telegrama que devolve a paz a Martins da Costa a bordo do Alfredo da Silva, 
atingem uma comoção genuína.

Particularmente pungente é:
  •  a evocação das mães portuguesas ("ǫue Nossa Senhora da Boa Viagem vos~leve e traga vivos e sãos"):
  •  a figura do Toninho paraplégico da infância de Augusto;
  •  e a história do soldado emigrante repatriado que se lança ao mar antes de chegar a Bissau. 
O leitor sente o peso da injustiça social sobreposta à injustiça da guerra.

O epílogo autobiográfico, dedicado aos pais do autor, com o relato do rebentamento da mina e do zumbido que perdura há 55 anos, transforma toda a leitura anterior numa experiência de testemunho vivo. 

Esse gesto final — "até que eu adormeça para sempre" — é de rara comoção. A obra provoca no leitor um misto de indignação política, ternura pelos combatentes e melancolia histórica que perdura muito para além da última página.

(v) Originalidade e inovação

A grande originalidade de "Geração Afro" reside na valorização das personagens africanas que

combateram sob bandeira portuguesa — Mamadu Fodé, Domingos Djaló, Abna Besna, o capitão Ombendi Sábado, os tenentes João Quínara e Carlos Nhalon, e o fascinante Dr. Fanon Mané. 

Em vez de os tratar como figurantes, o autor confere-lhes densidade psicológica, projecto político próprio e uma voz articulada que problematiza a dicotomia tradicional colonizador/colonizado. Esta é uma contribuição inovadora dentro da literatura portuguesa sobre a Guerra Colonial.

Igualmente inovadora é a denúncia de uma "outra guerra" paralela — aquela que opunha Spínola, a PIDE e a cúpula do PAIGC em interesses divergentes — sugerindo que o "Massacre do Chão Manjaco" (a morte dos negociadores) foi um acto interno de sabotagem das negociações, tese heterodoxa que a obra sustenta pela boca das personagens africanas.

A mistura de géneros — romance polifónico, epistolário, memória autobiográfica, ensaio historiográfico, poesia — é ambiciosa. O uso do restaurante fadista de Theodoro Afonso Isaque, cantor negro rejeitado em Lisboa que canta fado em crioulo, é uma invenção poética memorável.

Menos original é a estrutura narrativa em pares de camaradas, tributária de uma tradição já estabelecida na literatura sobre a Guerra Colonial (Lobo Antunes, João de Melo, Álamo Oliveira).

(vi) Público-alvo ideal

O público-alvo natural da obra é constituído pelos antigos combatentes da Guerra Colonial e seus familiares — os cerca de 400 mil ex-combatentes ainda vivos e as suas famílias, para quem o livro funciona como espelho memorialista e reparação simbólica. 

Estes leitores encontrarão eco em cada topónimo, cada ração de combate, cada canção de Coimbra cantada no bar do quartel.

Um segundo público relevante são os estudiosos e interessados na História Contemporânea de Portugal, particularmente na fase final do Estado Novo, na descolonização e nas relações luso-africanas.

Historiadores amadores, jornalistas, professores de História e investigadores universitários encontrarão material documental valioso, sobretudo pela perspectiva pouco frequente dos combatentes africanos que lutaram do lado português.

Um terceiro público são os leitores lusófonos da Guiné-Bissau, Cabo Verde e diáspora africana, para uem a valorização das etnias manjaca, papel, balanta e mandinga, e o retrato de Bissau, Bula, Teixeira Pinto e Mansoa constituem património afectivo partilhado.

Recomenda-se para leitores maduros (a partir dos 40 anos, idealmente), pela densidade histórica e pela linguagem por vezes crua. Não é uma obra vocacionada para jovens leitores nem para quem procure ficção de entretenimento rápido: exige paciência, contexto histórico mínimo e disponibilidade emocional.

(vii)  Livros irmãos


Dentro do próprio catálogo do autor, o livro dialoga directamente com "Geração de 70 – Época das Chuvas"  (imnagem da capa, à direita) e "O Subinspector", ambos romances de Recaredo sobre a Guerra Colonial, formando com "Geração Afro" uma trilogia informal de testemunho.

Na literatura portuguesa sobre a Guerra Colonial, "Geração Afro" inscreve-se numa tradição rica que inclui: 
  • António Lobo Antunes ("Os Cus de Judas", "Fado Alexandrino") — com o qual partilha o desencanto patriótico, ainda que Recaredo opte por uma prosa muito menos experimental; 
  • João de Melo ("Autópsia de um Mar de Ruínas") — com quem comunga a dimensão coral; 
  • Álamo Oliveira ("Já não gosto de chocolates");
  •  Manuel Alegre ("Jornada de África"); 
  • e Lídia Jorge ("A Costa dos Murmúrios") — embora esta última numa chave feminina e moçambicana.

Pela valorização das personagens africanas e pela reflexão sobre a complexidade étnica da Guiné, o livro aproxima-se também de obras dos escritores guineenses Abdulai Silá ("Eterna Paixão") e Filinto de Barros ("Kikia Matcho"), bem como do angolano Pepetela ("Mayombe"), com o qual partilha a atenção à guerrilha no interior da selva.

Do ponto de vista memorialístico, remete para "Guiné 1963/1974" do general Spínola e para os testemunhos reunidos em "A Guerra" de Manuel Amaro Bernardo.

(viii) Faixa de preço

Trata-se de um romance histórico de nicho, com forte apelo ao mercado lusófono ex-combatente e à diáspora, mas com alcance internacional limitado pela especificidade temática e pela ausência (por enquanto) de tradução. 

O volume é substancial (Livro I de uma série), o que justifica um preço médio-alto no mercado português e brasileiro, e um preço mais elevado nos mercados europeus não-lusófonos, onde funcionará sobretudo como importação especializada.

Faixa de Preço Recomendada
  • Estados Unidos USD 22 - 32
  • Reino Unido GBP 18 - 26
  • Alemanha EUR 20 - 28
  • Itália EUR 19 - 27
  • Espanha EUR 18 - 25
  • Portugal EUR 18 - 24
  • França EUR 20 - 28
  • Brasil BRL 65 - 95
  • Austrália AUD 32 - 45

(ix) Recomendações de divulgação

A estratégia de divulgação deve articular-se em torno de três eixos principais:

Em primeiro lugar, uma campanha dirigida às associações de ex-combatentes (Liga dos Combatentes, ADFA - Associação dos Deficientes das Forças Armadas, APVG - Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra), com sessões de apresentação em núcleos locais, feiras de veteranos e comemorações do 25 de Abril e do Dia do Combatente (9 de Abril); estas sessões devem incluir leituras dramatizadas de excertos e testemunhos vivos.

Em segundo lugar, uma abordagem académica e mediática: envio de exemplares a centros de investigação em História Contemporânea (IHC-UNL, CEIS20-Coimbra, CH-ULisboa), programas culturais da RTP2, Antena 2 e revistas especializadas ("História", "National Geographic Portugal"); a entrevista imaginada com João Paulo Diniz no PIFAS (referida na própria obra) sugere um filão de comunicação retro-radiofónica interessante.

Em terceiro lugar, uma projecção lusófona sistemática: contactos com livrarias e feiras do livro em Bissau, Praia, Luanda, Maputo, Rio de Janeiro e São Paulo, além das comunidades emigrantes em Paris, Toronto, Newark e Joanesburgo; as redes sociais dedicadas à Guerra Colonial no Facebook (grupos como "Combatentes da Guiné") são vias de divulgação de custo reduzido e alto impacto.

Sugere-se ainda a produção de um documentário complementar com o autor a percorrer os locais reais do romance, o que multiplicaria o interesse comercial e memorialístico.

(Revisão / fixação de texto, negritos: LG)


3. Aviso  ao leitor: 

Certamente por lapso, o nosso grão.tabanqueiro Angelino Santos Silva (escritor, já com vários livros publicados) não mencionou o facto desta análise literária acima publicada (com revisão e fixação de texto feita por um dos editores do blogue)  ter sido  produzida por uma ferramenta de  IA (AILA, a IA do Clube de Autores, que é uma plataforma de autopublicação). 

O Clube de Autores (não confundir com a puquena editora independente Clube do Autor) oferece um serviço de análise literária por IA por 19 euros (por cada manuscrito de 150/200 páginas), com entrega do relatório no prazo de 24 horas, o que é muito mais rápido e barato do que a média de mercado (c. 236 euros  e entrega entre 6 a 10 semanas, segundo a publicidade que o Clube de Autores faz). 

Isso é um ponto forte para autores que entram agora nas lides literárias, querem publicar o seu primeiro livro ou ter um primeiro "feedback"  do seu trabalho e não têm recursos financeiros para  investir em análises humanas detalhadas. 

Portanto, este é um ponto positivo do recurso à AILA (a IA do Clube de Autores), que, além disso, faz uma abordagem relativamente abrangente,  focando  14 dimensões do manuscrito:

(...) 1. Estrutura e organização: fluidez e lógica da sua narrativa | 2. Livros irmãos: sugestão de livros semelhantes para referência de mercado. | 3.  Temas e mensagens principais: claridade das ideias centrais do livro. | 4. Faixa de preço recomendado: indicação de valor para otimizar as vendas (no mercado interno e externo). |5.  Linguagem e estilo narrativo: avaliação da "voz" do autor e do ritmo da leitura. | 6. Recomendações de divulgação:  dicas práticas para promover o livro. | 7. Profundidade filosófica: a dimensão das reflexões presentes no livro. | 8. Pontos fortes: o que há de melhor e mais impactante em escrita do autor | 9. Impacto emocional: capacidade da história de envolver e comover o leitor. | 10. Oportunidades de melhoria: sugestões para aprimorar a qualidade do livro. | 11. Originalidade e inovação: "o quão único" é  o livro no cenário literário português. | 12.  Parecer final: uma conclusão clara sobre o potencial do  livro; pontuação (de 1 a 5) da  IA sobre o manuscrito. | 13. Público-alvo ideal: quem são os leitores perfeitos para o livro. | 14. A AILA sugere  ainda a produção de um documentário complementar com o autor a percorrer o cenário ou os lugares da ação. (...)

Mas as limitações da análise literária da AILA (ou outras ferramentas de IA) são óbvias: 

  • falta de sensibilidade humana, incapacidade para entender, em profundidade,   o contexto cultural, histórico ou emocional  da ação e dos personagens; 
  • falta de criatividade e subjetividade, análise superficial, baseada em fórmulas pré-definidas, sem profundidade crítica;  
  • não-personalização (a AILA não dialoga com o autor, não tem empatia, etc.)... 
Mas por 10 cêntimos a página, não se pode pedir muito mais ao "crítico literário" dos pobrezinhos...

Em resumo, o Clube de Autores é uma plataforma de autopublicação, oferecendo um serviço de análise "baratucho" , e que serve como "engodo" para atrair clientes para os outros serviços (edição, impressão, tradução, divulgação, etc.).  

E não é preciso, mas convem dizê-lo: a AILA ainda não chega aos calcanhares do nosso crítico literário, o Mário Beja Santos.

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 22 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28280: Notas de leitura (1952): "Geração Afro: Os Últimos Guerrilheiros do Império" (volume I, 2026, 455 pp sinopse feita pelo autor, Recaredo (pseudónimo literário de Angelino Santos Silva, ex-fur mil 'cmd', 26ª Cmds, CTIG, 1970/71)

sábado, 22 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28280: Notas de leitura (1952): "Geração Afro: Os Últimos Guerrilheiros do Império" (volume I, 2026, 455 pp sinopse feita pelo autor, Recaredo (pseudónimo literário de Angelino Santos Silva, ex-fur mil 'cmd', 26ª Cmds, CTIG, 1970/71)


























Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto e imagens: Angelino dos Santos Silva (2026)
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


1. O Angelino Santos Silva,  ex-fur mil cmd, pertenceu à 26ª CCmds, passou por Bula, Teixeira Pinto e Bissau, em 1970/72, Foi mobilizada pelo CIOE, Lamego, tendo como cmdt o Cap Inf Cmd Alberto Freire de Matos. Embarcou em 25mar70, chegou a Bissau em 31mar70 e regressou a 27dez71. 

O Angelino é até agora o primeiro e único representante da 26ª CCmds na Tabanca Grande, para onde entrou formalmente em 21 de janeiro de 2025 (*).

. É natural de Recarei, Paredes. Como escritor, usao pseudónimo literário Recaredo. Publoicou recentemente o livro (o primerio de dois), "Geração Afro: os últimos guerrilheiros do Império" (edição de autor, 2026, 455 pp.) (**)


GERAÇÃO AFRO – OS ÚLTIMOS GUERRILHEIROS DO IMPÉRIO - Livro I 

Resumo feito pelo autor, Recaredo (pseudónimo lietrário de Angelinmo da Silva Santos) (***)

Este documento é uma homenagem aos combatentes portugueses e africanos da Guerra Colonial em África, abordando suas experiências, conflitos e o impacto histórico da guerra.

Para criar um resumo focado nas experiências dos combatentes portugueses e africanos durante a Guerra Colonial, utilizei exclusivamente os relatos, testemunhos e análises presentes no documento "Geração Afro – Os Últimos Guerrilheiros do Império".

O objetivo é apresentar uma visão clara, humana e multifacetada das vivências dos combatentes, destacando tanto os aspetos comuns quanto as diferenças entre portugueses e africanos que combateram sob a bandeira portuguesa ou nos movimentos de libertação.

Resumo das experiências dos combatentes portugueses e africanos

1. O início: patriotismo, desencanto e realidade

 Os jovens portugueses embarcavam para África "imbuídos de um mesmo amor à Pátria, considerando as suas comissões uma causa justa". 

No entanto, logo no início da viagem, o desconforto, as más condições nos navios e o choque com a realidade africana geravam desencanto e frustração.

Ao chegarem, deparavam-se com combatentes africanos armados ao serviço de Portugal, o que causava estranheza e, ao mesmo tempo, aliviava o desconforto inicial.

2. A Vida no terreno: dificuldades, medos e camaradagem

O quotidiano era marcado por condições extremas: calor, humidade, doenças como o paludismo, chuvas torrenciais, emboscadas, minas e noites mal dormidas na selva.

A camaradagem entre soldados era fundamental para suportar o medo, a saudade e o desgaste físico e psicológico. O humor, as pequenas festas e as conversas ajudavam a aliviar a tensão constante.

Os combatentes africanos, como os do Grupo Especial de Combate (GEC), partilhavam o risco e o sacrifício, mas tinham motivações e preocupações distintas, muitas vezes relacionadas com o futuro das suas famílias e a incerteza do pós-guerra.

3. Contradições e dilemas

Muitos africanos lutavam ao lado dos portugueses, enquanto familiares seus combatiam no PAIGC (movimento de libertação). Isso criava situações de "irmãos contra irmãos", ilustrando a complexidade das lealdades e dos laços familiares.

 Os portugueses, por sua vez, questionavam o sentido do sacrifício, especialmente ao perceberem que a guerra era "uma causa perdida" e que o império colonial estava no fim.

4. O impacto psicológico e social

O regresso à Metrópole era frequentemente marcado por traumas psicológicos, ausência de apoio psiquiátrico e falta de reconhecimento social. Muitos ex-combatentes sentiam-se ignorados e desamparados.

Entre os africanos, o medo de represálias após a independência e a incerteza quanto ao futuro das suas famílias eram fontes de grande angústia.

5. O quotidiano e a sobrevivência

As operações militares eram descritas como extenuantes e perigosas, com relatos de emboscadas, minas, flagelações e ataques noturnos.

A sobrevivência dependia tanto da preparação militar quanto da adaptação ao ambiente hostil e do apoio dos guias e combatentes africanos, conhecedores do terreno.

6. Humanidade, humor e resistência

Apesar da dureza da guerra, havia espaço para a amizade, o humor e até para momentos de festa e confraternização, com refeições de churrasco (ementa desconhecida na Metrópole).

O contacto com a cultura local, a aprendizagem de palavras em crioulo e a partilha de refeições aproximavam portugueses e africanos, criando laços que iam além da guerra.

7. O fim da guerra e o legado

O fim do conflito trouxe sentimentos mistos: alívio, mas também frustração e sensação de missão inacabada.

Muitos combatentes, portugueses e africanos, carregaram para sempre as marcas físicas e psicológicas da guerra, sentindo-se "diferentes" e, por vezes, incompreendidos pela sociedade.

Exemplo de testemunho resumido

"Já lá fomos e voltamos. Percorremos o lado negro da vida, tropeçamos na face má da sorte e andamos por trilhos e picadas da morte. [...] Já lá sorrimos e penamos. E abrimos a caixa de Pandora e antes de virmos embora enfrentamos medos e emboscadas, carregamos sonhos e granadas, corremos perigo e aflição, bebemos água da bolanha, comemos colados ao chão, adormecemos de arma na mão, socorremos camaradas feridos, beijamos rostos estendidos, cerramos os punhos cantando, festejamos a vida chorando, deixamos os sonhos esquecidos..."

Conclusão

As experiências dos combatentes portugueses e africanos na Guerra Colonial foram marcadas por sofrimento, coragem, dilemas morais e laços de solidariedade. O livro retrata com realismo e sensibilidade a complexidade humana da guerra, dando voz a todos os que nela participaram, independentemente do lado em que lutaram.

"Do embarque ao regresso a casa, o leitor com poucos conhecimentos sobre a Guerra Colonial Portuguesa em África vai ter o privilégio de acompanhar, em tempo real, o dia a dia da maior parte dos combatentes: desde as deficientes condições de viagem até à estranha surpresa ao desembarcar, quando vê, no cais, soldados africanos a combater ao lado da bandeira portuguesa. Já no “mato”, vai acompanhar os passos de quem faz a guerra “mexer”, testemunhando os dias de sorriso e tristeza, os dias de aflição e lazer, e os “acasos” do azar e da sorte que separam a vida da morte. Por fim, vai sentir no corpo e na “cabeça” as mazelas que trouxemos de África e a injustiça do tratamento inadequado votado aos combatentes por parte dos governos, desde o regime do Estado Novo ao regime do pós-25 de Abril — algo que permanece até hoje

Principais locais onde se desenrola o romance:

Bissau, Brá, Bula, Binar, Bissorá, Olossato, Mansoa, Mansabá, K3.
São Vicente, Pelundo, Teixeira Pinto, Bachile, Cacheu.
Catió, Cabedu, Guileje, Gadamael Porto, Kandiafara [Guiné-Conacri] e Cumuré.
Hospital Militar de Bissau.

Angelino dos Santos Silva
(RECAREDO)
Combatente na Guiné-Bissau, 1970-71

Contactos para encomenda do livro:

e-mail: recaredo241148@gmail.com | telem  926365774
 
Fonte: adapt da página do Facebook da Tabanca Grande Luís Graça, 5 de agosto de 2026, 08:42

(Revisão / fixação de texto: LG)


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(***) Últino poste da série > 21 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28278: Notas de leitura (1951): "Origem: África", pelo jornalista, escritor e académico Howard W. French; Bertrand Editora, 2022 (2) (Mário Beja Santos)

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28216: (De) Caras (250): Luís Mário da Silva e Sá (c. 1948-1970), alf mil 'cmd', 26ª CCmds (Brá, 1970/72), cruz de guerra de 2ª classe a título põstumo: peço ao escritor Angelino Santos Silva que nos fale dele e das circunstâncias da sua morte (José Macedo, EUA)


Flâmula da 26ª CCmds. O único representante desta subunidade na Tabanca Grande é, até agora, o Angelino Santos Silva, ex-fur mil 'cmd', escritor,  autor de "Geração Afro" (sob o pseudónimo Reboredo) (2026)



1. Mensagem de José Macedo ( ten fuzileiro especial,  DFE 21, Cacheu e Bolama, 1973/74); natural da Praia, Cabo Verde, vive nos EUA desde 1977; é jurista):




O Zeca Macedo, em 1971, quando frequentava o 1º ano da  Escola Naval 
(que não completou), tendo ingressado nos fuzileiros.



1.1. Data - quarta, 17/06/2026, 21:22
Assunto - Informações sobre um camarada morto em combate



Luis, mantenhas. Estive com um amigo e camarada da Escola Naval, engenheiro construtor naval, que me contou que o irmão mais velho, Luís Mário da Silva e Sá, alferes 'comando', foi morto em combate em 1970, na zona de Cacheu (*). 

Ele disse-me que o irmão pertencia à 26ª Companhia de Comandos.  (...)

Peço a tua ajuda para me dares os dados que haja sobre sobre a morte do Luís e o contacto de algum camarada que o conheceu na Guiné.

Um muito obrigado.


PS - Em breve te enviarei um pequeno post sobre a Eugénia Espirito Santos que conheci na Guiné
.


1.2. Nova mensagem do José Macedo (ou Zeca, conhecemo-nos desde 1971):

Data - 29/06/2026, 19:19

No nosso blogue "encontrei" o nome de um membro da 26ª Companhia de Comandos, à qual pertencia o alferes Luis Mário, irmão do meu camarada. Trata-se do escritor Angelino dos Santos Silva. Agradeço-te que, se possível, me des dês as informações para que o possa contactar.

2. Resposta do editor LG:

Zeca: como tu, de resto, já tinhas entretanto  dado conta,  há uma justa homenagem ao ex-alf mil inf 'cmd'  Luís Mário da Silva e Sá no portal UTW - Ultramar TerraWeb. Dos Veteranos da Guerra do Ultramar, na série "Honra e Glória". Entretanto, já te pus em contacto  com o Angelino.

Eis alguns dados biográficos Luís Mário Silva e Sá (que deve ter nascido em 1948, tal como o Angelino): 

(i) natural de Panóias de Cima, Guarda; infelizmente não temos nenhuma foto dele (**):

(ii) foi alf mil 'cmd', tendo pertencido, de facto, à 26a. CCmds (1970/72), comandada pelo cap mil inf 'cmd' Alberto Freire de Matos:

(iii) com apenas 6 meses após a sua chegada ao CTIG, faleceu no dia 24 de setembro de 1970, no Hospital Militar 241, em Bissau, em consequência de ferimentos graves adquiridos em combate na mata de  Balenguerez, na região do Cacheu:

(iv) louvado e agraciado, a título póstumo, em 1971, coma  medalha de cruz de guerra de 2ª classe por feitos em combate; excerto do teor do louvor:

(...) "Porque, no dia 24 de setembro de 1970, na Província da Guiné, quando a força que comandava caiu debaixo de intenso fogo inimigo, conseguiu, a peito descoberto, manobrar e instigar o seu Grupo de Combate, estando sempre presente onde a sua acção era mais necessária, a ponto de, ao ver a urgência do uso de fogo de morteiro, não hesitou em colocá-lo em campo aberto, protegendo destemidamente com o corpo e sacrifício da própria vida a arma e o apontador, contribuindo, grandemente, para fazer gorar os intentos do adversário e que não resultassem mais perdas para as nossas tropas.

"Combatente de eleição e chefe estimado pelos superiores, camaradas e subordinados, evidenciou sempre o alferes Sá, em todos os contactos com o inimigo, dotes de excepcional coragem, sangue-frio, serena energia debaixo de fogo e gosto pelo risco, muito honrando os Comandos a que pertenceu e o Exército que tão devotadamente serviu."

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 5.° volume: Condecorações Militares Atribuídas, Tomo VI: Cruz de Guerra (1970-1971). Lisboa, 1994, pp. 540/541.

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Notas do editor:


(**) Último poste da série : 8 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P27999: (De) Caras (249): Duas referências na história da capelania militar no CTIG: Bártolo Pereira (QG/CTIG, Bissau, 1965/67) e Arsénio Puim (CCS/BART 2917, Bambadinca, 1970/71)

sábado, 25 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28211: Agenda cultural (897): "Geração Afro: Os Últimos Guerrilheiros do Império" (ed. autor, 2026, 455 pp., por Recaredo, pseudónimo literário do nosso camarada Angelino Santos Silba, ex-fur mil cmd, 26ª CCmds, Brá, 1970/72)

 







Capa, contracapa e badanas do novo livro do nosso camarada Angelino Santos Silva , publicado sob o pseudómimo literário Recaredo.  Edição de autor, maio de 2026, s/l, 455 pp. 



1. No passado dia 15 de junho, o Angelino Santos Silva mandou-me pelo correio, para a Lourinhã, 2 exemplares do seu novo livro (é o décimo, desde 2008), um romance, um trabalho de grande fôlego (são 455 páginas!). Um dos exemplares é para a Tabanca Grande, com dedicatória ao editor Luís Graça, e outro exemplar para o nosso crítico literário, Mário Beja Santos.


A 13/06/2026, 16:55, eu felicitei-o pela conclusão do trabalho e mandei-lhe a minha direção postal (da Lourinhã, onde habitualmente só estou aos fins-de-semana). 

(...) Fico feliz por saber que "não morreste na praia" e que, tal como o Camões a nado, conseguiste "recuperar o teu manuscrito" e levá-lo a bom termo. neste caso ao prelo. Tenho pena não ter conseguido acompanhar o teu "timing", a tua pedalada... Mas farei com todo o gosto uma ou mais notas de leitura. Manda também um exemplar para o nosso "crítico literário oficial", o Mário Beja Santos, a quem dou conhecimento do feliz acontecimento.

(...) Ajuda-nos também a divulgá-lo, manda-nos: (i) cópia da capa e contracapa; (ii) como e onde adquirir o livro, preço de capa, etc.; (iii) sinopse e alguns excertos: (iii) plano de sessões de apresentação (local e data). (...).

2. O livro só me chegou às mãos quinze dias depois. E, como prometido, iremos fazer oportunamente várias notas de leitura. Infelizmente não consegui acompanhar o "making of" do livro, lê-lo com tempo e vagar e escrever o prefácio que o autor me tinha pedido. Aqui vai um mail que ele me mandou, há mais de 9 meses atrás:

Data - sexta, 3/10/2025 à(s) 12:32):
Assunto - Geração Afro

Bom dia Luís. Fico agradecido pela tua confiança. E prezo-a.

Gostaria, de que - ambos - fizéssemos desta obra, uma Obra de sucesso. Lê o texto com calma, sente-o e, se considerares que te diz algo, também dirá a alguns milhares de camaradas. E talvez valha a pena fazermos um esforço para deixar um trabalho que dignifique e preste homenagem a mais de um milhão de Combatentes. Que, em minha opinião, não tratados com a dignidade que merecemos.

Há cerca de 20 anos, entrei no restaurante Cortiço, em Viseu, para almoçar. Numa mesa ao lado estava uma equipa de reportagem da Antena 1, creio. Não conhecia nenhum dos elementos. Como conversavam, identifiquei - julguei identificar - a voz de João Paulo Dinis, que não conhecia pessoalmente. Mas tinha a sua voz registada na cabeça, ouvida através da rádio na Guiné. Troquei com ele algumas palavras sobre a Guiné, depois de lhe perguntar se era quem eu pensava.

Tenho - temos - muitos camaradas, que gostariam de dar uma opinião para ficar registada no livro. Mas não vou falar a ninguém. Porque são muitos.
 
Porém, gostaria de ter a opinião do JPDinis, registada. Admito, que devido à sua experiência como radialista na Guiné, "observador" de "coisas" que nem todos viram, a sua opinião seriam um acrescento à mensagem que pretendo passar nesta Obra. Se fosse vivo, pediria ao capitão Barbosa Henriques, meu instrutor em Lamego e que fui encontrar na Guiné. Ou ao capitão Jaime Neves, instrutor em Lamego. Infelizmente já não estão entre nós. Ou ao Spínola, que me visitou quando estive internado no Hospital Militar e que mais tarde mandou um helicóptero buscar-me a Gadamael Porto e me colocou no Cumuré para descansar, antes de me vir embora com a 26ª de Comandos.

No livro II falarei de algumas "coisas" mal contadas. Dito de outro modo, contadas no modo "politicamente correcto".

Sinto que podemos deixar um trabalho que marque a diferença e diga aos nossos netos, quem realmente fomos, apesar de ignorados por quem tem o dever oficial, de respeitar o nosso estatuto de Combatentes.

Ligo-te amanhã , sábado, por volta do meio-dia.

Um abraço. Angelino.

PS - Vê se consegues contacto com o camarada da capa.~

3. Recorde-se que o Angelino Santos, ex-fur mil cmd, pertenceu à 26ª CCmds, passou por Bula, Teixeira Pinto e Bissau, em 1970/72, Foi mobilizada pelo CIOE, Lamego, tendo como cmdt o Cap Inf Cmd Alberto Freire de Matos. Embarcou em 25mar70, chegou a Bissau em 31mar70 e regressou a 27dez71. O Angelino é até agora o primeiro e único representante da 26ª CCmds na Tabanca Grande. É natural de Recarei, Paredes.

A sua obra literária (dez títulos, desde 2008) tem-se repartido pelo romance,o conto, a poesia e as memórias. Sobre este último livro (o primeiro de 2 volumes) escreveu ele, em resumo:

Angelino Santos Silva > 27 de junho de 2026  às 21:41 ·

(...) O romance Geração Afro   Os Últimos Guerrilheiros do Império  baseia-se na vida de quatro combatentes da Guerra Colonial Portuguesa em África: os furriéis milicianos Martins da Costa e Morais Cardoso, que em 1966 embarcaram no navio Alfredo da Silva; e o furriel miliciano António Silva e o primeiro-cabo Augusto Sousa, que em 1970 partiram a bordo do navio Niassa.

Ao longo destas páginas, acompanhamos o percurso destes jovens, prestando uma justa homenagem a um milhão de combatentes que, entre 1961 e 1974–1975, tiveram como destino uma das três frentes de guerra: Angola, Guiné e Moçambique.

A narrativa segue também o destino dos combatentes africanos que optaram por lutar sob bandeira portuguesa, representados aqui pelo Grupo Especial de Combate (GEC) do tenente Mamadu Fodé — no qual se incluíam o furriel miliciano Domingos Djaló e o primeiro-cabo Abna Besna — e pelos tenentes João Quinara e Carlos Nhalon e o capitão Ombendi Sábado, todos homens com uma vasta experiência de guerrilha.

(...) Embora os nomes das personagens principais sejam fictícios, as suas vidas foram bem reais, tanto as dos que partiram da Metrópole como as das diferentes etnias da Guiné Portuguesa. É nesse chão sagrado e violento que o romance se desenrola.

Algumas figuras históricas serão mencionadas pelos seus verdadeiros nomes, facilmente reconhecíveis na imprensa nacional e estrangeira da época. Deste modo, prestamos-lhes homenagem, com especial relevo para aqueles que mais de perto conviveram connosco nesta dura vida de combatentes.

Os jovens da GERAÇÃO AFRO que embarcaram levavam com eles um objetivo comum: manter a presença colonial de cinco séculos, iniciada em 1418. E todos partiam imbuídos de um mesmo amor à Pátria, considerando as suas comissões uma causa justa.

Porém, à medida que os vamos ouvindo, intuímos um certo desencanto quanto ao fervor patriótico que os acompanhava no início da viagem — frustrações que começavam a ganhar corpo devido às fracas condições de alojamento nos barcos entre Lisboa e as colónias. Uma vez chegados, deparavam-se com a primeira grande estranheza ao presenciarem, logo no cais, jovens africanos empunhando armas ao serviço da nossa causa. Um facto que, ainda assim, amenizava o desencanto de uma viagem sem conforto.

Ao partilharmos o dia a dia com estes camaradas africanos, percebemos que a sua causa não era exatamente a mesma da nossa, que tínhamos embarcado na Metrópole. Com o andar do tempo compreendemos que, dentro da «nossa» guerra, corria «outra», também sob bandeira portuguesa. E concluímos que, justamente por isso, os destinos seriam divergentes.

Falaremos destes combatentes que ao nosso lado lutavam contra os seus irmãos do PAIGC.

Abordaremos também a vivência dos combatentes africanos no outro lado do conflito: os soldados do PAIGC, o partido que lutava pela emancipação total do colonialismo. Estes guerrilheiros eram irmãos, meios-irmãos, primos ou tios daqueles que, na mesma guerra, optaram pela bandeira portuguesa.

Alguma linguagem utilizada em episódios de grande tensão pode ferir a sensibilidade de leitores mais suscetíveis. Lembramos, contudo, que este é um romance sobre a guerra — e todos sabemos que, no calor do combate, a linha que separa o anjo do demónio é tão ténue como o sopro de uma criança ao apagar uma vela no dia do seu aniversário. (...)


Vd, Facebook de Angelino Santos Silva
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 9 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28168: Agenda cultural (896): Apresentação do romance, da autoria do António Carvalho, "3x44: Abel e Caim em Contrapé", Fundação Hermínia Vilar Ribeiro, Medas, Gondomar, sábado, dia 11, às 15h30. Entrada livre

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Guiné 61/74 - P26797: Facebook...ando (77): 24º encontro anual da 26ª CCmds (Brá, 1970/72), na Quinta do Paúl, Ortigosa, Leiria ... Homenagem poética à "Geração Afro" (Angelino Santos Silva)


 
1. Com a devida vénia, transcrevemos o texto "Tertúlias de Combatentes: Conversas", publicado no Facebook da Tabanca Grande,
 pelo Angelino Silva, nosso grão-tabanqueiro nº 897, ex-fur mil 'cmd', 26ª CCmds (Brá, 1970/72), poeta e escritor, com vários livros publicados,  natural de Paredes (*)

A propósito do encontro anual da sua companhia, deixa-nos também mais um belo poema seu, a que chamou "Geração Afro", de homenagem a todos os combatentes da guerra colonial. 

Recorde-se que a 26ª CCmds, passou por Bula, Teixeira Pinto e Bissau, em 1970/72, Foi mobilizada pelo CIOE - Lamego, tendo como cmdt o Cap Inf Cmd Alberto Freire de Matos. Embarcou  em 25mar70, chegou a Bissau  em 31mar70 e regressou a  27dez71. O Angelino é até agora o primeiro e único representante da 26ª CCmds na Tabanca Grande.


A Geração Afro, 

por Angelino Silva



No passado sábado, 10 de maio, realizou-se o 24º Encontro Nacional da 26ª Companhia de Comandos, que fez a sua Comissão de Serviço na Província Ultramarina da Guiné-Bissau.

Como vem sendo habitual, o evento realizou-se na Quinta do Paúl, em Leiria.
Os Encontros Anuais, que todos Combatentes vão realizando um pouco por todo o país, ficam-nos gravados na memória. E na pele.

Iniciaram-se quando nós, jovens e generosos cidadãos, depois de uma presença de dois anos em África, regressamos da Guerra Colonial Portuguesa, que no período entre 1961 e 1974/75, teve como palco Angola, Guiné e Moçambique, províncias ultramarinas pertencentes ao grande império colonial português.

Imbuídos do mais genuíno e nobre patriotismo, embarcamos para o Ultramar, tentando prolongar um Império Colonial que levava cinco séculos de existência. Não temos qualquer complexo quanto ao nosso desempenho em África. 50 anos passados, chegamos a uma altura da Vida, que temos menos Tempo para viver. É a Lei do Tempo e da Vida. E, claro, somos cada vez menos nesses Encontros.


Dos mais de 1 milhão de Combatentes que prestámos serviço nas três províncias ultramarinas em guerra, estima-se em 400 mil os ainda sobreviventes, hoje. Amanhã seremos menos. E se em tempos chorámos a morte de alguns camaradas estendidos ao nosso lado, hoje choramos a morte dos que nos deixaram depois do regresso e que as redes sociais nos vão dando conta. É é nestes Encontros que a dor fica mais impregnada na pele. No momento de Homenagem, não conseguimos conter as lágrimas.

E temos consciência, de que dia-a-dia seremos menos. E que os momentos marcantes destes Encontros – outrora, de conversas sobre as nossas vidas em África – são agora de lembrança e homenagem a quem nos vai deixando. 

É muito importante não deixar cair estas reuniões. Mantê-las, deve ser o nosso último Combate e propósito, para dizermos aos 30 governos de “democracia”, que nunca reconheceram o nosso esforço em África, que, se não fossemos nós, eles nunca seriam governantes. Devemos isto aos nossos camaradas que na guerra morreram. E também, aos camaradas que nestes 50 anos já nos deixaram, sem terem visto reconhecido o seu sacrifício em África.

Daqui a uma década seremos pouco mais do que um punhado. Porém, se ainda houver dois camaradas a realizar um Encontro Anual, o nosso esforço ficará registado para memória futura, quanto à raça, a força e generosidade da Geração Afro, que em tempos idos demandou por terras africanas para manter um Império impossível: a História de Portugal dará conta desse Sacrifício.

Abraço a todos Combatentes.
.
Deixo-vos com o poema,

GERAÇÃO AFRO


Já lá fui e voltei, 
já lá fomos e voltámos.
Percorremos o lado negro da vida,
tropeçámos na face má da sorte
e andámos por trilhos e picadas da morte.
Talvez com sorte, digo eu,
muita sorte dizemos nós,
quando em passos cuidados e tremidos
caminhámos sem rumo e sem norte,
lutando para segurar a vida,
matando para sacudir a morte.

Já lá fui e lutei,
já lá fomos e lutámos,
já lá sorrimos e penámos.
E abrimos a caixa de Pandora
e, antes de virmos embora,
enfrentámos medos e emboscadas,
carregámos sonhos e granadas,
corremos perigo e aflição,
bebemos água da bolanha,
comemos colados ao chão,
adormecemos de arma na mão,
socorremos camaradas feridos,
beijámos rostos estendidos,
cerrámos os punhos cantando,
festejámos a vida chorando,
deixámos os sonhos esquecidos,
zangámo-nos com Deus e o Diabo,
apertámos a raiva mordida na mão
e levámos a cabo heróica missão,
deixámos África
e regressámos a casa,
mais leves de coração.

Já lá fui e voltei,
já lá fomos e voltámos
e pouco pedimos em troca,
apenas… respeito e consideração.

Da vida e das mãos se faz uma nação, 
das lágrimas de um povo se faz História,
da Geração Africana se fará Memória.


Angelino dos Santos Silva,
Combatente na Guerra Colonial Portuguesa na Guiné-Bissau,
“Homenagem aos Combatentes da Guerra Colonial" (**)

Fonte: Facebook da Tabanca Grande  > 12 de maio de 2025, 17:28 (ver também o pequeno vídeo de 39 segundos, que acompanha a postagem)

(Revisão / fixação de tecto para efeitos de publicação no nosso blogue: LG)
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Notas do editor: