Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta Descobrimentos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Descobrimentos. Mostrar todas as mensagens

domingo, 4 de outubro de 2026

sábado, 3 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28397: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XLIII: Porto Gole, na margem direita do rio Geba (3)





Foto nº 1, 1A, 1B, 1C




Foto nº 2, 2A, 2



Foto nº 3A, 3

Guiné > Região do Oio > Sector 04 (Mansoa) > Porto Gole >  CART 2411 > c. 1969


Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI)]

Legendas:


Foto nº 1> Quem seria este nosso camarada, trajando à civil, fotografado pelo capelão junto à praia fluvial" de Porto Gole ? Alguém conhecido do padre José Torres Neves ? Da sua terra, Penamacor, ou do até do seminário (pouco provável, o padre José Torres Neves devaria ser 10 anos mais velho) ... Setria um alferes ou furriel miliciano, ou um simples soldado, o sacristão que o ajudava a dizer a missa quando ia a Porto Gole ?... A legenda original é lacónica e ambígua. Só diz: "Porto Gole Geba Manso" (sic)...Provavelmente é Mansao (onde estava a CCS/BCAÇ 2885,a que pertencia o capelão). Mas poderá ser alguém com o apelido "Manso"... Talvez o nosso camarada Ernestino Caniço possa esclarecer...


Foto nº 2 > Praia fluvial de Porto Gole, margem direita do rio Geba (Largo)...Não sabempos de são "djubis" da povoação (balanta) ou se são militares, guineenses, do Pel Caç Nat 54.


Foto nº 3 > Monumento ao explorador português , Diogo Gomes Parente, também referido como Diogo Gomes de Sintra ou muito simnplesmente Diogo Gomes (c.1420– c. 1502) (teria vivido mais de 80 anos!), que aqui chegou em 1456 e estbeleceu boas relações com a população local...Aqui começa a história da Guiné-Bissau de hoje...É bom que os portugueses e guineenses saibam um pouco mais da sua história comum. E não façam leituras apressadas e enviesadas, heroicas ou miserabilistas, do seu passado... , fEste nosso antepassado foi um navegador e explorador do século XV, da casa do Infante Dom Henrique, conhecido pela exploração do arquipélago de Cabo Verde, do estuário do rio Gâmbia, e do estuário do rio Geba.

Vè-se, na foto, que há um troço de estrada que vai do quartel ao cais; antes do rio Geba, havia uma bolanha onde os habitantes locais cultivavam arroz. Ao fundo, a mais de 7 km de distância, vê-se a outra margem do rio Geba, a península de Gampará e, mais à esquerda, fica a Foz do rio Corubal, uma zona que ficou fora do controlo das NT até tarde (1972).

Este conhecido monumento em homenagem do Diogo Gomes foi inaugurado em 1946, no âmbito do "V Centenário do Descobrimento da Guiné", sendo governador-geral Sarmento Rodrigues...



1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do alferes graduado capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pertenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) (*)

Hoje missionário da Concordata, reformado (e j´+a na casa dos noventa nos), José Torres Neves é natural de Penamacor (a terra também do nosso atual Presidente da República, António José Seguro).

O espólio fotográfico do José Torres Nerves tem estado à guarda do seu e nosso amigo e camarada Ernestino Caniço (ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, Bissau, Fev 1970/Dez 1971; hoje, médico, foi diretor do Hospital de Tomar, 6 anos, de 1990 a 1996, e diretor clínico cumulativamente 3 anos, de 1994 a 1996, vivendo então em Abrantes; hoje vive em Tomar).


Como sugerem as fotos sobre Porto Gole, esta visita do capelão deve ter sido feita em julho / agosto de 1969, quando se faz na Guiné o plantio do arroz (a recolha é em novembro, dezembro, janeiro); em Porto Gole estava então a CART 2411 que foi rendida em 5 de março de 1970 pela CCAÇ 2587 / BCAÇ 2885, mas tamném o Pel Caç Nat 54 e 1 pelotãso (-) da CCAÇ 2589.

O nosso capelão deve ter-se deslocado de avioneta, de Mansoa até Porto Gole. Estamos em época das chuvas. Visitou Bissá, indo até lá de sintexm como veremos em próximo poste...

2. Em 1 de julho de 1969, o dispositivo das NT no Sector 04 (Oeste 4) (Mansoa) era o seguinte: 

Comando de Agrupamento Operacional
Comando - Zona Oeste Teixeira Pinto

(...) BCAÇ 2885
Comando - Sector 04 Mansoa
CArt 2411 (-) Porto Gole
- 2 Pel (-) Bissá
- 1 Pel Enxalé
CCaç 2587 (-) : Mansoa
- 1 PeI Bindiro
- 1 Pel Enxalé
- 1 PeI (-) Rossum
- 1 Pel (-) Jugudul
- 2 Sec Ponte Uaque
CCaç 2588 Mansoa
CCaç 2589 (-) Mansoa
- 1 Pel (+) Infandre
- 1 Pel Porto Gole
- 1 Pel Enxalé
- 1 Pel (-) Ponte rio Braia
Pel Nat Caç 54 Porto Gole
Pel Nat Caç 57 Cutia
Pel Nat Caç 62 Ponte rio Braia
Pel Mort 2004 (-) Mansoa
- 1 Esq" Cutia
- 1 Sec e Esq" Sector do COP 6
11º Pel Art (8,8 cm) Mansoa
2 Esq" do Pel Rec Daimler 2048 Mansoa
CMilI7
- Pel 155 Mansoa
- Pel 156 Mansoa

Fonte: Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 6.º volume: Actividade  Operacionals. Tomo I, Livro II, Guiné. Lisboa: 2015, pp.,
4514/415
__________________

Nota do editor LG:


quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28388: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XLII: Porto Gole, na margem direita do rio Geba (2)






Foto nº 1A, 1B e 1 > Capela de Porto Gole. Não   sabemos ainda por quem foi construída.







Foto nº 2A, 2B, 2C e 2 >  Monumento ao explorador português , Diogo Gomes Parente, que aqui chegou em 1456...Há um troço de estrada que vai do quartel ao cais; antes do rio Geba, há uma bolanha onde os habitantes locais cultivam arroz. Ao fundo, a mais de 7 km de distância, vê-se a outra margem do rio Geba, a península de Gampará e, mais à esquerda, fica a Foz do rio Corubal, uma zona que ficou fora do controlo das NT até tarde (1972).


Diogo Gomes (c. 1402-1420? – c. 1502), também referido como Diogo Gomes de Sintra, foi um navegador e explorador português do século XV, da casa do Infante Dom Henrique,  mais conhecido pela exploração do estuário do rio Gâmbia e sua alegação de ter descoberto a ilha de Santiago, Cabo Verde, e de ter chegado até ao estuário do rio Geba.



Foto nº 3 > O monumento visto pelo lado do rio. Foi mandado erigir em 1946, ao tempo do governador Sarmento Rodrigues, no àmbito das comemorações do V Centenário da chegada dos navegadores portugueses e das suas caravelas ao atual território da Guiné (Senegâmbia, no  passado)


Guiné > Carta de Fulacunda (1955) > Escala de 1/50 mil > Posição relativa de Porto Gole, rio Geba, península de Gampará e foz do Rio Corubal. Quinhentos anos antes, o Diogo Gomes andou por aqui a estabelecer os primeiros contactos com os "guinéus". 


Infografia:  Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)


Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI)]


1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do alferes graduado capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pertenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71).


Hoje missionário da Concordata, reformado e nonagenário, José Torres Neves é natural de Penamacor.

O seu espólio fotográfico  tem estado à guarda do seu e nosso amigo e camarada Ernestino Caniço (ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, Bissau, Fev 1970/Dez 1971; hoje, médico, foi diretor do Hospital de Tomar, 6 anos, de 1990 a 1996, e diretor clínico cumulativamente 3 anos, de 1994 a 1996, vivendo então em Abrantes; hoje vive em Tomar).

Com este publicamos o poste nº 42 (em numeração romana, XLII). Já devemos ter publicado perto de 3 centenas de imagens, obtidas a partir do álbum do nosso amigo e camarada, antigo capelão.

Tratando-se de "slides" digitalizados, as fotos em geral têm boa qualidade e resolução, permitindo-nos fazer "recortes de detalhes", como é o caso da presentes fotos (melhoradas, entretanto,  com recurso à IA).

Graças à paixão do padre José Torres Neves pela fotografia e ao seu amor pela Guiné e a sua gente, temos no nosso blogue uma documentação de excecional valor sobre o sector O4 (Oeste 4) (Mansoa) ao tempo do BCAÇ 2885 (1969/71).

Esta visita do capelão a Porto Gole (e também a Bissá) foi feita ainda  no tempo da CART 2411. 

Em 07nov68, rendendo a CART 1661, a CART 2411 assumiu a responsabilidade do subsector de Porto Gole, com destacamentos em Bissá e Enxalé (este até à sua passagem para a zona de acção do BCaç 2852, sector L1, Bambadinca, em 290ut69) e ficando integrada no dispositivo e manobra do BCAÇ  1912 e depois do BCAÇ 2885; foi rendida em 5 de março de 1970 pela CCAÇ 2587 / BCAÇ 2885. 

 O nosso capelão reve deslocou-se  de avioneta (ou heli) de Mansoa até Porto Gole. Visitou Bissá, indo até lá de sintex (!)... 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28110: Humor de caserna (275): E se os portugueses nunca tivessem chegado ao Brasil?





Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

 Imagem: A Primeira Missa no Brasil, 1860. Museu Nacional de Belas Artes, Brasil. Imagem do domínio público. Cortesia de Wikipédia.

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


1. E se os portugueses de Quatrocentos tivessem dado ouvidos ao "velho do Restelo" ? 

Nunca teriam descoberto o "caminho marítimo para a Índia"...
Nunca teriam aberto a "autoestrada" para o Novo Mundo...
Nunca teriam conhecido o "Cabo das Tormentas"... 
Nem nunca o teriam rebatizado como "Cabo da Boa Esperança"...
Nunca teriam chegado ao Japão, ao Brasil, à Califórnia, à Austrália... 
Nem o  pobre do Camões  teria sonhado sequer escrever "Os Lusíadas"...

E o nosso el-rei Dom João II ?  Esse, nunca teria seria o "Príncipe Perfeito"
E muito menos o Dom Manuel I,  a ter reinado, seria  o "Venturoso...

Nem eu nunca teria ido passar umas "férias" à Guiné, à pala do Estado...

Nem, por  certo, teria havido a República, o Estado Novo, o 25 de Abril...
Nem sei se Portugal ainda existiria hoje... 
(era mais provável que fosse uma província do Reino das Hespanhas
e os portugueses falassem "portunhol")...

Esta é a uma "caricatura" da  história que  não se escreveu... 
Foram os portugueses os primeiros a dobraram o "Cabo das Tormentas"
e chegarem  a "Porto Seguro" no Novo Mundo...
Mas bem poderiam ter sido outros!...

Bom,  é um facto que há muito mais gente no mundo a falar português 
do que os portugueses de Portugal...
(aqui, o Portugal europeu representa só 3% do universo dos falantes lusófonos).

Mal ou bem, caros leitores,  é a história, a nossa história...

PS - E eu, e eu, e nós, e nós... o que é que fazemos aqui, neste blogue ?!


A Primeira Missa no Brasil, 1860. Museu Nacional de Belas Artes, Brasil. Imagem do domínio público. Cortesia de Wikipédia.

A obra prima do pintor académico Victor Meirelles de Lima (Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, 1832 — Rio de Janeiro, 1903).  A tela é um hino ao ecumenismo, ao retratar a chegada pacífica da armada de Álvares Cabral a Porto Seguro, no sul da bahía, e a celebração da primeira missa, no Novo Mundo, assistida pelos habitantes locais, tupiniquins, pertencentes á nação tupi... Os descendentes dessas hstóricas testemunhas da chegada dos portugueses ao Novo Mundo não deverão ultrapassar hoje um milhar...

"A primeira missa no Brasil foi celebrada por Dom Frei Henrique de Coimbra no dia 26 de abril de 1500, um domingo, na praia da Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, no litoral sul da Bahia. Foi um marco para o inicio da história do Brasil e descrita por Pero Vaz de Caminha na carta que enviou ao rei de Portugal, D. Manuel I (1469-1521), dando conta da chegada ao Brasil, então Ilha de Vera Cruz, pela armada de Pedro Álvares Cabral que se dirigia à Índia" (Fonte: Wukipédia).
__________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 17 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28107: Humor de caserna (274): O pé de Salazar e o de Eusébio: "uma boa história para eu contar aos rapazes" (Cilinha) (excerto da sua biografia, por Sílvia Espírito-Santo)

segunda-feira, 23 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27850: Notas de leitura (1907): "Os Descobrimentos Portugueses, Viagens e aventuras", I volume, por Luís de Albuquerque, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Editorial Caminho, 1991 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 13 de Novembro de 2025:

Queridos amigos,
Não resisti a fazer uma recensão ao volume I do bem-sucedido projeto em que estiveram envolvidos o eminente historiador Luís de Albuquerque e duas escritoras consagradas principalmente na chamada literatura infantojuvenil, mas que também atingem outras camadas jovens. 

Será o caso deste livro aliciante na escrita, bem ilustrado por Emílio Vilar, descreve acontecimento históricos numa linguagem altamente acessível, com boas tábuas cronológicas e ilustrações de navios e instrumentos de navegação, mostrando igualmente os primeiro navios portugueses, as armas e as armaduras que se usaram na conquista de Ceuta, etc. 

É evidente que possuímos boas histórias dos Descobrimentos Portugueses, mas nada se compara com este projeto que aponta para as camadas mais jovens, não foi por acaso que esteve incluído no Plano Nacional de Leitura. Leitura oportuna para os nossos netos, digo-vos eu.

Um abraço do
Mário



O grande talento de saber contar a jovens a saga dos Descobrimentos Portugueses

Mário Beja Santos

Um eminente historiador, o Professor Luís de Albuquerque, duas notabilíssimas escritoras do infantojuvenil, e muito mais, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, um ilustrador altamente qualificado, Emílio Vilar, entraram numa aventura que comportava tremendos riscos de insucesso: fazer uma História dos Descobrimentos Portugueses sugestiva para as camadas mais jovens. Assim surgiu "Os Descobrimentos Portugueses, Viagens e aventuras", I volume, Editorial Caminho, 1991.

“Concebemos uma estrutura simples e incluímos alguns aspetos geralmente omissos como, por exemplo, armas e instrumentos musicais utilizados na conquista de Ceuta, povos que habitavam no Norte de África, peripécias curiosas que por um motivo ou por outro não passaram à História. E pusemos de lado certos mitos que falseiam a verdade. Decidimos ainda escrever para cada período aquilo a que chamamos ‘Uma história possível’. Essas histórias, embora enquadradas nos parâmetros da época, são pura ficção. Destinam-se a permitir ao leitor um contacto mais direto com outras maneiras de viver, sentir, de pensar. Fizemo-las porque entendemos que o relato de conquistas, viagens e aventuras proporciona uma ‘visão exterior’ e as ‘histórias possíveis’ de uma ‘visão interior’ dos Descobrimentos Portugueses.”

O renomado historiador e as duas grandes escritoras ganharam a aposta, é um livro invulgar em termos didático-pedagógicos, assim até apetece aprender. E vamos ao essencial das suas mensagens.

Primeiro, o que era o mundo antes dos Descobrimentos, para se sair do lugar onde se vivia era preciso navegar no mar alto. 

“E o mar era um grande desconhecido. Ninguém lhe sabia os limites. Ninguém lhe sabia os segredos. E quando assim é torna-se fácil inventar. As histórias que circulavam enchiam as pessoas de pavor e de espanto. O desafio começava para além da linha do horizonte, onde se imaginava existir a boca do Inferno, ondas gigantescas de água a ferver, remoinhos borbulhantes, monstros terríveis, sereias e tritões. Todas as estas coisas assustavam a faziam sonhar, de modo que uns se agarravam cada vez mais ao lugar onde viviam enquanto outros ansiavam partir ao encontro de tais maravilhas. Só no século XV começou a grande aventura que permitiu desvendar o mundo. A iniciativa coube aos portugueses.”

Segundo, enquadra-se Portugal nas vésperas da aventura, as supostas razões dadas para conquistar Ceuta, seguem-se desenhos sugestivos com as armas e armaduras no tempo da conquista de Ceuta, as bandeiras e os instrumentos musicais usados na guerra, conta-se como foram as primeiras viagens dos portugueses, como fomos às Canárias, Madeira e Porto Santo, como se processou o povoamento destas duas ilhas, seguiu-se o povoamento dos Açores, entremeiam-se histórias maravilhosas para prender a atenção dos jovens.

Terceiro, como se pensava e como se representava a Terra, em planisférios e livros de geografia e viagens, como foram as primeiras viagens ao longo da costa ocidental africana, como foi fundamental a passagem do Cabo Bojador; como, depois do desastre de Tânger, se avançou para o Sul. 

Em 1441, o Infante D. Henrique mandou armar um navio capitaneado por Antão Gonçalves, ele levava a incumbência de capturar lobos-marinhos, aproveitaram a circunstância para tentar capturar gente. Foi Antão Gonçalves quem fez os primeiros cativos na costa ocidental africana. Prosseguem as viagens, chega-se ao Golfo de Arguim, Lançarote de Lagos capturou 235 homens, mulheres e crianças. No seu regresso, fez-se a partilha em lotes equivalentes, o cronista Zurara dá-nos um relato dilacerante.

Quarto, o quadro das viagens abria as portas ao Novo Mundo, seguem-se as expedições à procura de novas terras e novas gentes, morreu Gonçalo de Sintra, comandava uma nova expedição ao golfo de Arguim, Dinis Dias atingiu o Cabo Verde, Nuno Tristão chegou ao rio Senegal; e tem lugar a primeira viagem pelo interior africano, no rio do Ouro, João Fernandes pôs-se ao caminho, regressou sete meses depois, trazia muitas histórias para contar.

Um veneziano, de nome Cadamosto, contacta o Infante, e partiu rumo ao Sul, visitou a Madeira, as Canárias, o Golfo de Arguim, a zona do Cabo Branco, o Senegal, o reino de Budomel, Cabo Verde continental, o rio de Barbacins, visita o reino de Budomel, irão ser achadas as ilhas de Cabo Verde. E faz-se um balanço dos Descobrimentos henriquinos. 

Enquanto isto se passa há mais conquistas no norte de África. Entra-se numa nova época no reinado de D. Afonso V, faz-se um contrato com Fernão Gomes, ele pode comerciar por aquela costa africana, mas foi comprometido a descobrir pelo menos 100 léguas de costa por ano. Os seus navios descobriram a faixa de terra desde a Serra Leoa até ao Cabo de Santa Catarina, incluindo as ilhas de São Tomé e Príncipe e Fernão do Pó. Edifica-se o Castelo da Mina.

Quinto, é época dos Descobrimentos joaninos, as viagens de Diogo Cão, os contactos com o Reino do Congo, a Viagem de Bartolomeu Dias e a descoberta da passagem para o Índico. Inevitavelmente que se fala do gigante Adamastor e vamos saber um pouco mais quem eram Diogo Cão, Diogo de Azambuja e Bartolomeu Dias, não é esquecida a viagem venturosa de Pêro da Covilhã.

Neste tempo já há outros intervenientes à procura de comércio e riqueza pelo mar fora. Cristóvão Colombo, ao serviço dos Reis Católicos, atingiu em 1492 as ilhas da América Central e convenceu-se de que chegara à Índia. Surgiram delicados problemas político-diplomáticos entre D. João II e os Reis Católicos. O desfecho para resolver todas as tensões foi o Tratado de Tordesilhas, em 1494, Portugal e Espanha dividiram o mundo ao meio, ficando metade para cada um. 

No século XV, os monarcas ibéricos sentiam-se no direito de proceder assim e não reconheciam a nenhum outro país a autoridade para lhes disputar o Novo Mundo: todas as terras descobertas a oriente pertenceriam a Portugal, e as terras descobertas ao ocidente pertenceriam a Castela. 

“No Tratado ficou escrito também que astrólogos e pilotos se deviam deslocar à zona de demarcação, viajando os espanhóis em navios portugueses e os portugueses em navios espanhóis. Se por acaso lá houvesse alguma ilha ou ‘ponta de terra firme’, construía-se uma torre ou muralha que marcasse o limite de forma bem visível. Incluiu-se também uma cláusula autorizando os navios espanhóis a circularem pelo mar português para se dirigirem À zona que lhes coubera.”

Finda este belíssimo livro que pertenceu ao Plano Nacional de Leitura referenciando navios e instrumentos de navegação e fazendo-se um balanço dos Descobrimentos joaninos e temos ainda uma cronologia que vai do reinado de D. Dinis ao reinado de D. João II. O II volume deste belo empreendimento foi também publicado na Editorial Caminho em 1996, inevitavelmente começa com a viagem de Vasco da Gama.

Doutor Luís Albuquerque
Isabel Alçada
Ana Maria Magalhães
O Castelo da Mina
Os primeiros contactos
_____________

Nota do editor

Último post da série de 20 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27840: Notas de leitura (1906): "Portugal em África depois de 1851 (Subsídios para a História)", pelo Marquês do Lavradio; edição da Agência Geral das Colónias, 1936 (7) (Mário Beja Santos)