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quinta-feira, 19 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27835: Os 50 anos da independência de Cabo Verde (24): "Catchupa é fidju di tera,/ku midju, fexon, tchouriçu,/ batata, karni na panela, / amor ki ta brilha na luz"... Cachupa é em Lisboa, na Kasa Crioula, restaurante, em Carnide



Cachupa ... Um dos ícones de Cabo Verde. Com a morna, a coladera, a Cesária Évora... E o mar, azul,m claro: "O retângulo azul da bandeira simboliza o espaço infinito do mar e céu que envolve as ilhas. As faixas, o caminho da construção do país. O branco, a paz que se quer. O vermelho, o nosso esforço. As estrelas, as dez ilhas que compõem o arquipélago"

Há anos que eu não comia uma "cachupa" de Cabo Verde... Rica. Fui à Kasa Crioula, ali em Carnide, Lisboa, com  a malta da tertúlia da "chef" Alice... Colegas dela. E até arrisquei (!) fazer uns versinhos, em crioulo, de homenagem à cachupa e aos presentes... Chamei-lhe a "Catucha di Tabanka Grandi"...Espero que os meus amigos cabo-verdianos me desculpem este crioulo aportuguesado (destilado, depois de meia dúzia de versões)... Não é "armar ao pingarelho"... Há aqui apenas amor, afeto, ternura pela terra e gentes de Cabo Verde. E a sua cultura. E a sua história. E tudo os que nos liga. Há morabeza. Há morna. Há coladera. Há lusofonia. Há saudade. 

Isso já é meio pedido de desculpa pelo atrevimento. Conheço uns rudimentos de crioulo. Estou a aprendser. Gostaria de poder falar. Claro que tive uma ajuda da IA (ou de várias ferramentas de IA). Mas o que importa é a intenção. 

Esta tertúlia é de malta, reformada, do Ministério da Agricultura e Pescas (que eu não sei se ainda existe com o desmantelamento progressivo do "aparelho de Estado" português, em todos os sectores, da saúde ao ambiente). São sobretudo mulheres, os homens estão em minoria. Encontram-se de mês a mês, num restaurante, popular, da cidade. E têm sempre um tema "literário" ou "filosófico" para servir, no fim da refeição, como "sobremesa cultural"... Procuram manter-se ativos, proativos, vivos e saudáveis. Gostam de conviver. Conhecem África. Alguns nasceram lá, outros viveram e trabalharam lá:  são quase todos quadros médios e superiores... Um parte foram retornados,. Há gente de Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique, e até de Goa, do tempo em que Portugal ia do Minho a Timor. Eu às vezes apareço. Tiro umas fotos. Faço uns versos. Participo.  


Catchupa di Tabanka Grandi

Bô ma, fidju di Guiné,
Casada ku Manel di Angola,
Piedade di Moçambique,
Marília, Fernanda, nha kriola.

Bia di Portugal, Emília, Alice,
Gentis di Ministério, retornadu,
Na tabanka grandi, mesa sta posta,
Catchupa kenti, tudu misturadu.

Catchupa é fidju di tera,
Ku midju, fexon, tchouriçu,
Batata, karni na panela,
Amor ki ta brilha na lus.

É vida inteiru na pratu,
É luta, é fé, é kruz,
É memória di nos povu,
É speransa ki ta benha ku lus.


Teixeira da Cruz, nos amigu,
Africanista sabi sabi,
Tabanka txora bu partida,
Ma bu lugar sta li, na nos kabesa i na nos sabi.

Tabanka, ô Tabanka,
Tera di amor i união,
Catchupa ta fervê na panela,
É nos revoluson!

(LG + IA generativa)


Página do Facebook >  Kasa Crioula - Cozinha by Chef Fátima Moreno ; "um projeto que celebra a rica tradição lusófona, com especial foco nas cozinhas cabo-verdiana e portuguesa". Fica em Carnide, R Guiomar Torresão 128, 1500-425 Lisboa (junto ao Metro de Carnide).

O restaurante funciona na sede da Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde, muitos dos quais passaram pelo antigo liceu nacional Infante Dom Henrique e depois Liceu Gil Eanes, na época colonial, e por onde passou a elite crioula (incluindo o Amílcar Cabral).



Lisboa > Carnide > Restaurante Cabo Verde > Decoração (excerto) > Répica em papel de parede, "Ronca Baxon, 2018. Autor: Luís Levy Lima. Técnica: acrílico sobre tela, 90 x  90 cm. Propriedade: Manuel Gomes dos Anjos & Filhos, SA, Praia, Santiago, Cabo Verde.   

Em relação a Cabo Verde, eu também gosto de lembrar que Portugal foi, no passado, Pai Tirano e Madastra, hoje felizmente Irmão, mais velho. Carlos Filipe Gonçalves,  Kalu Nhô Roque, explica lá à gente de Lisboa o que é o "Ronca Baxon"... Batuque, penso eu, a dança mais antiga das ilhas,o ADN de África...


Cabo Verde > Mindelo, Baía Grande e Monte Cara. 
Foto (pormenor) de quadro disponível nas paredes da Kasa Crioulo


Cabo Verde > Mindelo > Liceu Gil Eanes.
Foto (pormenor) de quadro disponível nas paredes da Kasa Crioulo


Cabo Verde > Mindelo > Retrato do senador Augusto Pereira Vera Cruz (1862-1933).
Foto (pormenor) de quadro disponível nas paredes da Kasa Crioulo

(...) A sua maior vitória política foi a Lei n.º 701, que criou o Liceu Nacional de Cabo Verde, com o nome, Infante D. Henrique.  que, mais tarde, tomou o nome de Gil Eanes. Durante quatro anos, Vera-Cruz lutou contra o desinteresse da metrópole. Por saber o que era a falta de estudos na pele, ele não descansou até ver a lei aprovada em 1917. E o seu gesto de desprendimento foi total: cedeu o seu próprio palacete no Mindelo para que as aulas pudessem começar. Sem o seu "Senador", Cabo Verde teria demorado décadas a formar a sua elite intelectual. (...).

Fotos e legendas : Luís Graça  (2026)
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Nota do editor LG:

quarta-feira, 18 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27832: Fotos à procura de... uma legenda (201): um falso Vhils em Évora, património mundial da humanidade ?



Évora > Património Mundial UNESCO (desde 1986) > Rua dos Mercadores > 28 de fevereiro de 2026 

Se por aqui passaram  construtores de monumentos megalíticos, e depois celtas e lusitanos, da pré-história à idade do ferro; romanos (a partir do séc. II a.C.);  visigodos (séc. V-VIII);  árabes, mouros, norte-africanos (715-1165); cristãos, judeus, "tugas"; e continuam a passar, hoje, turistas  de todo o mundo... Se tanta malta passa ou continua a passar hoje por aqui (e deixa marcas!), por que é que o nosso Vhils também não deixaria de passar, e deixar um arzinho da sua graça ?! 

Já está representado no Museu da Presidência da República....  E,  em boa verdade, já não há paredes que cheguem para satisfazer a procura do talento (extraordinário) deste nosso artista que muito nos honra,  a nível nacional e internacional. (Reconhecido internacionalmente, Vhils conta com obras em cidades como Lisboa, Paris, Londres, Nova Iorque, Xangai e Rio de Janeiro, e exposições em museus e galerias de referência.)

Por isso, não vem mal ao mundo (nem ao património) se um bocadinho de parede da Ebora Liberalitas Julia (em latinório, Évora, a Liberdade de Júlio César) passar a ter a assinatura (mesmo apócrifa) do Vhils...

O que vai mal são as "tripas de fora", os cabos, os fios, as pedras soltas da calçadas, as casas em ruína... Mesmo assim,  gosto de lá voltar, a Évora. 

E, a propósito, camarada, para visitares os 17 monumentos que estão disponíveis (10 sãpo igrejas e conventos), leva uns trocos, 33 euros chegam; não há "abébias" para os antigos combatentes, estão todos na classe generalista dos "+ 65". (O belíssimo Tempo Romano de Évora não está incluído; felizmente é monumento nacional e está ao ar livre, no meio da um espaço público, o Largo Conde de Vila Flor; era conhecido, erradamente, por Templo de Diana, até à década de 1980/90.)


PS - Passei por aqui e lembrei-me dos meus camaradas eborenses da CCAÇ 12, já falecidos, o António Manuel Martins Branquinho e o José Martins Rosado Piça... Grandes compinchas!

Foto (e legenda): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 5 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27798: Fotos à procura de... uma legenda (200): Bingo, Paulo Raposo e Nelson Herbert!... Acertaram: é o antigo edifício da Marinha e Oficinas Navais, junto ao cais do Pijiguiti, Bissau

domingo, 8 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27804: Bom dia desde Bissau (Patrício Ribeiro) (62): Antigo quartel da marinha e estaleiros navais, na avenida marginal


Foto nº 1 



Foto nº 2A e 2

Guiné Bissau > Bissau > Av 3 de Agosto > 7 de março de 2026 >  Antigos estaleiros navais (*) (**)

Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem de Patricio Ribeiro, autor da série "Bom dia, desde Bissau (***), e nosso "embaixador" em Bissau:

Data - 7 mar 2026 12:07

Assunto -  Fotos à procura de uma legenda (*)

Bom dia, amigos.

Hoje que estou em Bissau, "agarrado" ao computador, desenhos e papeis, vou tirar umas fotos do quartel da marinha (**).

Há uma parte que já foi os estaleiros navais, onde esteve a trabalhar uma equipa da Lisnave a dar formação paga pelos Suecos. Depois um presidente vendeu esta parte a um empreiteiro Marroquino, as oficinas navais estão paradas há muitos anos.

Agora outro presidente (já cá não mora), vendeu a outra parte a outro empresário da Guiné Equatorial. Antes de vender disse... que ia fazer um quartel novo para a Marinha.

A cooperação militar na marinha portuguesa tem lá andado a dar formação aos fuzileiros e também instalar equipamentos novos.

Abraço, desde o calor.
Patrício
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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 4 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27791: Fotos à procura de... uma legenda (199): Bissau, 1968: que edifício era (é) este ? E em que zona ?

quinta-feira, 5 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27798: Fotos à procura de... uma legenda (200): Bingo, Paulo Raposo e Nelson Herbert!... Acertaram: é o antigo edifício da Marinha e Oficinas Navais, junto ao cais do Pijiguiti, Bissau



Foto nº 1A e 1 > Guiné - Bissau > Bissau > c. 2010 > Foto aérea da zona ribeirinha, porto, cais do Pijiguiti (ou Pindjiguiti) e Instalações Militares da Marinha de Guerra (*)




Foto nº 2A e 2 > Guiné - Bissau > Bissau > c. 2010 > Foto aérea da zona ribeirinha, cais do Pijiguiti (ou Pindjiguiti) (à esquerda) e Instalações Militares da Marinha de Guerra (à direita, edifício em L) (*)



Foto nº 3 > Guiné - Bissau > Bissau > c. 2010 > Foto aérea da "Bissau Velho": em primeiro plano, o telhado e as torres sineiras da catedral católica (à esquerda), um troço da Av Amílcar Cabral, o estuário do Geba, o porto, o ilhéu do Rei, e, assinalado a amarelo, o edifício em L das Instalações Militares da Marinha de Guerra, sito na Av 3 de Agosto (antiga marginal)



Foto nº 4 > Guiné - Bissau > Bissau > c.  2010 > Foto aérea da parte meridional da "Bissau Velho"... Alguns pontos de referência: cais do Pijiguiti (1), porto (2), catedral (3), rua Eduardo Mondlane (4) e av Amílcar Cabral (5)  (*)


Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
 


Infografia nº 1 > Guiné-Bissau > Bissau > Planta de Bissau (edição, Paris, 1981) (Escala: 1/20 mil) > Alguns pontos de referência: a nordeste, assinalada a verde,m a zona de Santa Luzia (à esquerda,. o Pilão); o Hospital Nacional Simão Mendes (assinalado a vermelho); e as Instalações Militares da Marinha de Guerra (assinalado a azul).

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)




Foto nº 5 > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau". Foto do álbum do  Eduardo Figueiredo, já falecido, ex-alf mil, CCS/ BCAÇ 1933  (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69).

Foto alojada em Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzidas com a devida vénia).

Foto (e legenda): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

 
1. Mensagem de nosso amigo guineense, de origem cabo-verdiana, Nelson Herbert, jornalista reformada da VIA - Voz da América, com data de hoje, às 11:18, em resposta ao poste P27791 (**)


Saudações:

Por aquilo que a memória reteve da cidade que me viu nascer, Bissau (nasci na rua Engenheiro Sã Carneiro, junto à Messe dos Sargentos da Força Aérea) [hoje, e desde de 1975, Rua Eduardo Mondlane], portanto no muito distante de onde me parece estar localizado o edifício da foto, nos idos anos de “formatação” dessa área que viria dar origem à Avenida Marginal ao longo do Rio Geba …e a Avenida Republica … [ hoje Av 3 de Agosto e Av Amílcar Cabral, respetivamente].

Diria que o edificio com as guaritas, na foto nº 1, mais me parece ser o Quartel da Marinha ou as “Oficinas Navais”, este já junto ao Cais de Pindjiguiti e da Avenida Marginal no Geba.

Digo isto já que é visivel, na foto,um pantanal e o Rio Geba num dos angulos da imagem, área que diria viria a aer o “backyard” do aquartelamento da Marinha….que se estenderia (não o e visível na imagem) à Estrada da Sacor e em direcão a um Centro de Transmissões (no fim da mesma via) de que provavelmente os postes/ antenas da imagem seriam parte.

A foto provavelmente foi tirada de um edifício junto ao “Porto de Pindjiguiti”, e da Avenida Marginal ao longo do Geba. Provavelmente de algum prédio da então Casa Ultramarina~, nas redondezas.

Digo isto, e a tÍtulo de curiosidade que de criança, e da casa /rua onde nasci , eram parcialmente visiveis as obras da construção do que viria a ser a parte lateral (o muro) do quartel da Marinha, pelas bolanhas da estrada da Sacor.

Mais tarde, com a construção de duas novas ruas paralelas à Engenheiro Sá Carneiro (a rua que ia dar ao Hospital de Bissau, à Praça Honório Barreto, à Pensão/ Restaurante Ronda, do tal atentado bombista e ao Cemitério de Bissau … , em direção conytraria, aos Servicos de Meteorologia junto ao célebre "Chez Toi”) perdeu-se a vista do Geba e do edificio do Quartel da Marinha.

De uma das ruas paralelas ainda me lembro do nome: era pois a Rua Lamine Indjai, inaugurada se não me falha a memória, nos anos 70. A outra (hoje Severino Pina) escapa-me o nome de “baptismo” na época colonial.

Espero que a memória não me tenha traído.

Mantenhas

Nelson Herbert
Washington DC, USA


2. Comentário do editor LG:

Bingo, Nelson (Herbert) e Paulo (Raposo), foram vocês os únicos que acertaram...Eu próprio estava, inicialmente inclinado para o antigo Hospital Central de Bissau, e a IA, imaginem (!), dizia.me que era o quartel do Serviço de Transmissões de Santa Luzia (por causa das antenas)... Mas, quem sabe, sabe. E quem sabe, é quem viveu em Bissau, nesses anos de 40/50/60/70...

Claro, a fotografia do Eduardo Figueiredo não é "famosa", tem fraca resolução e profundidade de campo...Mas, comparando-a com as fotos que reproduzimos acima (**), e com as memórias do Nelson Herbert, não há margem para dúvidas: o edifício (ou o conjunto de instalações da antiga Marinha Portuguesa) ainda lá (ou estava, c. 2010)...

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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 17 de novembro de 2019 > Guiné 61/74 - P20356: Roteiro de Bissau: fotos de c. 2010, de um amigo do Virgílio Teixeira, empresário do ramo da hotelaria - Parte II


(...) fotos, na posse do nosso camarada Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, chefe do conselho administrativo, Comando do BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69).

Foram-lhe enviadas, sem legendas, por um português, das suas relações, empresário do setor hoteleira, que ele de momento não está autorizado a identificar. São fotos, muitas delas aéreas, com interesse documental para aqueles, como nós, que conheceram Bissau, que continuam a lá ir ou querem ainda lá ir. As fotos devem ter sido tiradas no início da década de 2010, e algumas serão mais antigas. Mas são de alguém que ama muito a cidade de Bissau...onde vive. E onde a gente vive é a nossa terra!... (...)


Hoje podemos acrescntar que esse empresário é o dono do nosso conhecido Coimbra Hotel & Spa,  de Bissau,

quarta-feira, 4 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27791: Fotos à procura de... uma legenda (199): Bissau, 1968: que edifício era (é) este ? E em que zona ?


Foto nº 1 > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau" (tudo indica que a foto tenha sido tirada da  varanda do 1º ou 2º andar da casa do fotógrafo, Eduardo Figueiredo, nosso camarada da CCS/ BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69 (entretanto falecido segundo o Virgílio Teixeira, que foi seu companmheiro de quarto no CTIG).

Foto alojada em Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzidas com a devida vénia).

Foto (e legenda): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Quem reconhece esta rua ou esta zona  de Bissau, de final da década de 1960 ? E quem identifica o edifício do lado esquerdo, uma obra claramente do Estado Novo, portanto, um edifício público ?

Numa primeira impressão, pareceu-nos ser  as traseiras do antigo Hospital Central de Bissau (hoje Hospital Nacional Simão Mendes, sito no quarteirão definido pela Av Pansau na Isna, paralela à Av Amílcar Cabral, do lado esquerdo de quem desce para o estuário do Geba) e pela sua perpendicular, a Rua  Eduardo Mondlane (Vd. infografia a seguir, nº 1A),



Infografia 1A > Guiné-Bissau > Bissau >  Planta de Bissau (edição, Paris, 1981) (Escala: 1/20 mil) > Posição relativa  do Hospital Nacional Simão Mendes,  sito no quarteirão definido pela Av Pansau Na Isna (paralela à artéria principal da zona histórica, a Av Amílcar Cabral) e pela Rua Eduardo Mondlane, que tem nos seus extremos, a noroeste os Serviços Metereológicos, e a a sudeste, o cemitário.


Infografia nº 1B  >Guiné-Bissau > Bissau >  Planta de Bissau (edição, Paris, 1981) (Escala: 1/20 mil) >  No quarteirão definido pela atual Av Pansau Na Isna e a Rua Eduardo Mondlane, há 3 edifícios da época colonial: Hospital de Bissau (5), Pavilhão de Tisiologia (7) e Pavilhão Central do Hospital de Bissau (9). No outro extremo da Rua Eduardo Mondlane, fica(va) a Estação Metereológica da Guiné (8). Esta era, já na época, a mais comprida da Bissau Velho (c. 2 km).

Mais uma ajuda, em relação à toponímia de Bissau, a partir de 1975: Av Amílcar Cabral era a antiga Av República; a Av Pansau Na Isna, a antiga Av Alm Américo Tomás; a Av Domingos Ramos, a antiga Av Governador Carvalho Viegas; a Praça dos Heróis Nacionais, a antiga Praça do Império; a Rua Eduardo Mondlane, a antiga Rua Sá Carneiro (homenagem ao eng. Rui Sá Carneiro, antigo subsecretário de Estado das Colónias, que visitou a Guiné em 1947, ao tempo do governador Sarmento Rodrigues).

Fonte: Milheiro, Ana Vaz, e Dias, Eduardo Costa - A Arquitectura em Bissau e os Gabinetes de Urbanização colonial (1944-1974). usjt - arq urb , nº 2, 2009 (2º semestre), pp.80-114 [ Disponível aqui em pdf ]
 



 Infografia nº 1C > Guiné-Bissau > Bissau >  Planta de Bissau (edição, Paris, 1981) (Escala: 1/20 mil) > A  norte do Hospital de Bissau ficava o bairro do Cupelon ou "Pilão",   à esquerda da nossa conhecida estrada de Santa Luzia... Aqui, em Santa Luziua, havia dois quartíes, o das Transmissões e do QG/CTIG

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)



2. Mas, observando melhor, o edifício da foto nº 1 tem uma guarita de cada lado, nas pontas (Foto nº 1A)... Logo, seria um estabelecimento militar... Mas com aquela volumetria ?  E logo no edifício a seguir, há uma torre, escadas de acesso, ou estação elevtória de águas (?)... E mais ao fundo, parece-nos descortinar um parque de viaturas automóveis (camiões militares ?) (Foto nº 1B).

Por outro lado, o fim da rua parece ir dar a uma  zona de mato, já nos arredores da entáo pequena cidade de Bissau que, em finais da década de 1960, não tinha mais do que 70 mil habitantes (cerca de 15% do total da população da Guiné no tempo de Spínola, não contando os refiugiados nos países limítrofes).

Refira-se, além disso, a presença de  antenas verticais muito altas, típicas de comunicações HF/VHF militares da época... Tudo indica que essa seria a zona do Quartel de Santa Luzia, o centro de transmissões do CTIG, com mastros bem visíveis à distância que eram uma referência na paisagem urbana da Bissau colonial da época;

Mas tanto o o quartel do Serviço de Transmissões como o do QG/CTIG eram construções típicas, mais recentes, da Engenharia Militar.

Resumindo, e reformulando a pergunta: este  edifício à esquerda, comprido, de dois pisos, com janelas repetitivas em ritmo regular, cobertura inclinada com claraboias, de estilo arquitetónico estado-novista (Foto nº 1)...,   seria o quê ? E onde se situava ?
 


Foto nº 1A  > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau" 



Foto nº 1B > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau"




Foto nº 1C > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau"


Foto nº 1D > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau"



Foto nº 2 > Guiné-Bissau > Bissau > Hospital Nacional Simão Mendes, na Av Pansau Na Isna. Foto da publicação Estamos a Trabalhar. Página do Facebook, 9 de março de 2025, 19:06 (sem indicação de autoria) (Com a devida vénia...)

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 12 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27728: Fotos à procura de... uma legenda (198): Restos da "batalha de Madina do Boé"...

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Guiné 61/74 - P27240: No céu não há disto: Comes & bebes; sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande (49): Peixinhos fritos, no Douro Bar Petiscaria, junto à Barragem do Carrapatelo; à mesa, os fantasmas do Zé do Telhado e do Serpa Pinto


Foto nº 1 > Cinfães > São Cristóvão da Nogueira > Barragem do Carrapatelo > Douro Bar Petiscaria > 18 de setembro de 2025 > Entrada: fritada de peixe-rei e diversos ciprinídeos, apresentada com limão e salsa. 



Foto nº 2 > Cinfães > São Cristóvão da Nogueira > Barragem do Carrapatelo > Douro Bar Petiscaria > 18 de setembro de 2025 > Entrada: enguias fritas... (durante muito tempo a enguia andou desaparecida do rio Douro, devido às barragens, tal como a lampreia e o sável)


Foto nº 3 > Cinfães > São Cristóvão da Nogueira > Barragem do Carrapatelo > Douro Bar Petiscaria > 18 de setembro de 2025 > Prato principal: peixe frito (boga, lúcio e outros), acompanhado com arroz de tomate e feijão.




Foto nº 4 e 4A > Cinfães > São Cristóvão da Nogueira > Barragem do Carrapatelo > Douro Bar Petiscaria > 18 de setembro de 2025 > Vinho de autor, "Terras de  Serpa Pinto" (*)... Um agradável surpresa.

Fotos (e  legendas): © Luís Graça  (2025). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Cinfães, em matéria de viticultura, pertence à subregião de Baião, Região Demarcada dos Vinhos Verdes... enquanto a nossa Quinta de Candoz pertence à subregião de Amarante...  Em São Cristóvão de Nogueira, na margem esquerda do rio Douro, junto à Barragem do Carrapatelo, fui lá descobrir duas coisas que não há no céu:

(i) peixinho do rio Douro (!), frito, incluindo como entrada umas "enguias fritas" que estavam simplesmente  "divinais" (parece que a enguia-.europeia já estava  a voltar ao Carrapatelo em 2022, diz a EDP!)

(ii) um vinho branco, de autor (!), "Terras de Serpa Pinto"...

Éramos seis (cinco mulheres, incluindo a "chef" Alice, mais eu)... As entradinhas foram uma travessa de peixinhos fritos, juvenis, só com molho de limão e salsa, e mais um prato de enguias fritas; "peixe-rei", disse-me a simpática jovem senhora que nos serviu à mesa, cá fora, sob um toldo, em dia de calor, com vista para a albufeira e a Casa do Carrapatelo (na outra margem).

 E quem diz Casa do Carrapatelo diz logo ( ou pensa no) Zé do Telhado, cujo fantasma continua a povoar a serra de Montedeiras e estas terras das bacias do Douro, Tâmega e Sousa (**).

O prato principal foi uma travessona de peixe frito do rio (lúcio, boga e outros), acompanhada de um tacho de arroz de tomate e feijão... 

Bebemos duas... garrafas do "Terras de Serpa Pinto". Mais o pão,  a salada e os cafés. No final, pagámos 110 euros, com gorjeta.

 Seguramente que no céu, condomínio de luxo, será mais caro (***)...

Aqui fica o nome e o endereço deste achado: 

Douro Bar Petiscaria,
São Cristovão da Nogueira, Cinfães,  
Telemóvel: + 351 916 093 515


Tem página no Facebook. Diz que está sempre aberto. Mas não: fecha á terça.

2. Os nossos "vagomestres" deviam ser  especialistas em peixe de rio (e de... bolanha). Mas infelizmente não o são...

Aqui vão então algumas dicas para suprir essa falha. Com a ajuda do assistente de IA / Perplexity.

O melhor peixe do rio Douro, especificamente na albufeira da Barragem do Carrapatelo, para fritar, é a boga.  É de pequeno porte e sabor delicado. É tradicionalmente servida frita em casas ribeirinhas da região que deviam abundar, em tempos, mas hoje não. 

Hoje em dia  aqui apanham-se várias espécies de peixe, tanto autóctones como exóticas.  As principais espécies invasoras são o lúcio-perca, o achigã e o lúcio. A sua introdução nas nossas albufeiras teve um impacto muito negativo.

Peixinhos bons  par fritar: 

  • a boga (Pseudochondrostoma polylepis) é muito apreciada frita, crocante por fora, é tradicional nas margens do Douro;
  • barbo (Barbus bocagei) também pode ser preparado frito ou em caldeiradas, sendo consistente e saboroso; 
  • enguia (Anguilla anguilla), embora menos comum, também é servida; 
  • peixinhos do rio (vários ciprinídeos, da família da Carpa,  de pequeno tamanho), usados para frituras rápidas, apresentados, com limão e salsa, e normalmente acompanhados com arroz de tomate ou migas.

Espécies que se apanham hoje (mas um crescente número são espécies exóticas):

Os peixes nativos de maior destaque são o barbo, a boga e a enguia:
  • Barbos (Barbus spp.);
  • Boga (Pseudochondrostoma polylepis);
  • Enguia (Anguilla anguilla).

A carpa (Cyprinus carpio) não é nativa.  Entre os peixes exóticos capturados, nomeadamente na pesca desportiva e artesanal, estão: achigã, lúcio-perca, carpa e pimpão, sobretudo nas zonas profundas da albufeira:
  • o siluro (Silurus glanis), o grande peixe-gato europeu, predador de topo, pode chegar a medir mais de 2 metros e pesar até 100 kg: é uma ameaça crescente para o rio Douro;
  • o achigã (Micropterus salmoides) é outra "praga", sendo originário da América do Norte: é um predador voraz de ovos e juvenis de peixes nativos; 
  • o lúcio (Esox lucius): espécie da Europa Central e Norte da Ásia, foi introduzida para a pesca desportiva.
Todos estes peixes têm valor algum comercial e são apreciados na gastronomia local. E inclusive já aparece nas bancas de peixe dos nossos hipermercados.

Outras espécies exóticas que representam ameaça ao ecossistem
a: 
  • Lúcio-perca (Sander lucioperca)
  • Ruivaco (Rutilus rutilus)
  • Alburno (Alburnus alburnus)
  • Pimpão (Carassius carassius)

3. A  EDP  diz que está a fazer a  monitorização das eclusas de peixes no Douro (esperemos que não seja "show-off"). É  um mecanismo que facilita a migração de peixes no rio; os resultados recentes são positivos e mostram que há espécies nativas a transpor as barragens; o projeto da EDP esteve em destaque na celebração do "World Fish Migration Day",  em 2022.


Num artigo publicado há mais de 3 anos, a EDP Global disse:

(...) Criadas para facilitar a passagem de peixes, as eclusas são um mecanismo essencial para garantir a biodiversidade e a proteção das espécies fluviais. 

A monitorização da ictiofauna que utiliza as eclusas de peixes está atualmente em operação em cinco barragens: Crestuma-Lever, Carrapatelo, Régua, Valeira e Pocinho.

Os resultados deste projeto demonstram, por exemplo, que uma espécie migradora em risco de desaparecimento, como é o caso da enguia-europeia, tem utilizado as eclusas para chegar à albufeira da Valeira, a 145 quilómetros da foz do rio Douro. 

É nas áreas a montante que crescem e se preparam para voltar ao mar, onde se reproduzem – no espaço de ano e meio, foram contabilizadas quase 25 mil enguias na barragem de Carrapatelo.

 Também já se observou o aparecimento de outras espécies nativas, como a solha das pedras, a truta marisca, o peixe-rei ou o robalo-legítimo.(...)

O investimento que foi feito para modernizar o funcionamento das eclusas, espera-se que venha a contribuir para que "outras espécies migradoras, como a lampreia e o sável, possam também transpor as barragens do Douro num número expressivo". 

Oxalá assim seja, senhores da EDP, de quem eu sou fidelíssimo cliente até agora!

 O projeto também permite detectar a presença de espécies invasoras (como a achigã ou o peixe-gato-negro).

(...) A presença do lúcio, lúcio-perca e achigã na bacia do Douro representa um dos principais desafios ecológicos contemporâneos da região. 

Proteger as espécies autóctones exige um esforço coordenado entre cientistas, autoridades locais e a sociedade civil. (...)

(Pesquisa: LG + Assistente de IA / Perplexity)

(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos: LG)

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Notas do editor LG:

(*) Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto,(1846-1900),  militar, explorador e administrador colonial, é filho de Cinfães.

(**) Vd. poste de 21 de setembro de 2025 Guiné 61/74 - P27238 : As nossas geografias emocionais (58): Rio Douro: Nos caminhos do Zé do Telhado: Barragem e Casa do Carrapatelo

(***) Último poste da série : 7 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27193: No céu não há disto: Comes & bebes; sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande (48): Jaquinzinhos da "arte xávega" da Praia da Vieira, azeitonas, arrozinho de tomate, pão, e vinho... Um home mata a sua fome e a sua sede..

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Guiné 61/74 - P27211: Felizmente ainda há verão em 2025 (32): Amarante, a princesa do Tâmega, a 30 km de Candoz, e onde a natureza, a história e a cultura se combinam na perfeição (Luís Graça) - Parte II





















Fotos nºs 20 a 32

Amarante > 5 de setembro de 2025 > Fosos de fachadas de prédios urbanos no centro histórico


Descrição do conjunto urbano ribeirinho de Amarante, estruturado pelo rio, a  ponte e a igreja e o convento:


ESTRUTURA URBANÍSTICA: 

Apresenta uma estrutura urbanística essencialmente linear, composta por ruas relativamente estreitas e de traçado irregular, que confluem de uma e de outra margem do Tâmega para a ponte de S. Gonçalo. 

Para além da ponte (...),  o conjunto é fortemente marcado pela monumentalidade da Igreja de São Gonçalo (...), estruturando-se em frente desta um Largo que antecede a entrada na ponte. 

Na mesma margem do rio, entre o edifício do Convento e o Tâmega, nos terrenos da antiga cerca conventual, abre-se a Alameda Teixeira de Pascoais com ligações até à variante da EN. 

Estes dois espaços, com vista sobre a ponte e o rio - Lg. de S. Gonçalo e a Alameda onde se realizava o antigo mercado - constituem o núcleo do centro cívico, religioso e turístico da cidade. 

Ao longo da margem esquerda do rio, a R. 31 de Janeiro (R. do Covelo) conduz ao Lg. Conselheiro A. Cândido, a partir do qual se faz a ligação à EN.

ESPAÇO CONSTRUÍDO: 

A fachada urbana de ambos os lados das ruas caracteriza-se pela existência de construções genericamente integráveis nos dois tipos essenciais da arquitectura tradicional urbana: 

(i) a casa de tipo vertical, estreita e alta, com um número variável de andares, com duas ou três portas, janelas ou varandas de frente; 

(ii) e a casa larga e baixa, com r/c e andar nobre, frequentemente brasonada. 

Dentro do primeiro tipo são muitas as variantes, apresentando as casas geralmente estrutura de pedra, visível nas molduras das portas, janelas e varandas. 

Noutras o último andar é em tabique, sobressaindo a madeira pintada das molduras das portas e janelas. A este último andar, geralmente o 2º, por vezes o 3º, corresponde a varanda. Esta pode ser em ressalto, sobre uma falsa cornija, ou em avanço sobre a rua. 

Na sua maioria, as varandas são corridas, ocupando toda a largura da fachada. Algumas casas apresentam varandas corridas no 2º andar e uma ou outra, mais pequenas, possuem-na no 1º. 

Têm geralmente gradeamentos de ferro, havendo também belos exemplares de varandas com balaústres de madeira pintada.

Fonte: adapt. de SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitetctónico > Núcleo Urbano da Cidade de Amarante (IPA.00006137)




Foto nº 33 > Amarante > 5 de setembro de 2025 > A antiga cadeia municipal > À deporta, os nossos amigos Laura Fonseca e Jaime Silva



Foto nº 34 > Amarante > 5 de setembro de 2025 > A antiga escola primária, em frente ao "Espaço Saudade - Teixeira de Pascoaes"... 

Era uma escola-tipo  "Conde Ferreira". Foi umas das 120 previstas construir, em vilas ou sedes de concelho,  ao abrigo do legado do benemérito Conde Ferreira. 

Por volta de 1886, construíram-se  91, das quais 21 foram entretanto demolidas. A de Amarante é uma das que restam, cerca de século e meio depois.

 Eram edifícios com arquitectura simples e com uma fachada encimada com frontão triangular e em todos eles está (ou estava) inscrito "24 de Março de 1866" (data  da morte do Conde de Ferreira).   

Segundo o seu testamento,  disponibilizou 144 000 000 réis para a construção de 120 escolas primárias. As construções tinham requisitos específicos no que foi a primeira planta escolar a nível nacional, com duas salas e um espaço para habitação do professor. O orçamento de casa uma não podia ultrapassar os 1,2 contos de réis.

Fotos (e legendas): © Luís Graça (2025). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


1. Dedicado ao João e à Vilma (que estão em Nova Iorque), e que ainda não conhecem Amarante, nem muito menos a Quinta de Candoz (no vizinho concelho de Marco de Canaveses, terra da Carmen Miranda, a pequena portuguesa que conquistou Hollywood nos anos 30/40)...

Pois, prosseguindo a crónica da nossa rápida  visita do passado dia 5, fiquei com a inpressão que os amarantinos gostam da sua cidade.  Pelo menos, e à primeira vista, não há muitos estragos  do camartelo camarário nem do plano de urbanização. Aliás, já bastaram os estragos dos séculos passados: 

  • 1763 - ruína da ponte devido a uma forte cheia;
  • 1788 - conclusão da reconstrução da ponte, segundo projecto do Eng. Carlos Amarante;
  • 1809 - Amarante sofre o ataque das forças invasoras napoleónicas de Soult,  comandada por Loison (o famigerado "Maneta");  após 14 dias de resistência do general Silveira, os os portugueses são desbaratados, são saqueados e incendiados os principais edifícios e casas; 
  • 1827 - foi palco de combates entre liberais e miguelistas (estes comandados por Teles Jordão); 
  • 1985, 8 de julho - elevação a cidade.

A tradição e a modernidade não se casam mal em Amarante. Claro que eu, desta vez, e nesta visita, só me fiquei pelo "centro histórico"... 

Noutros sítios, a política urbanística, a partir dos anos 50/60 do séc. XX, e prosseguida com o "poder autárquico democrático",  foi a do bota-abaixo. Do triunfo do mau gosto dos "patos bravos". Da especulação imobiliária. Da moda das "torres" (por complexo de inferioridade saloia")... 

Para minha felicidade, até a escolinha do Conde Ferreira fui aqui encontrar. (É hoje sede de junta de freguesia; a minha, onde estudei, construída na Lourinhã, foi uma das que foi botada abaixo!)


2. É bom quando uma terra deixa saudades aos forasteiros que a visitam, e sobretudo aos que lá vivem, e têm às vezes que emigrar, por razões económicas ou outras... 

Eu que regressei, a meio da tarde, a Candoz, mais a sul, a 30 km, também levei  saudades de Amarante... Tal como os meus companheiros de viagem, que seguiram para a Lixa...


Saudades de Amarante
(Tuna de Gondar, Amarante)

Deixei um dia o meu cantinho abençoado,
E fui levado  na ilusão de uma esperança,
Passei a Espanha, os Pirinéus, como emigrante,
Com Amarante, sempre, sempre, na lembrança.

Vi novas terras, vi costumes diferentes,
Vi outras gentes, vi o céu, vi o luar,
E até lá longe, nos castelos da Alemanha,
Em nenhuma terra estranha me esqueceu (sic)  do meu lugar,

Ai que saudades eu tenho de ti,
Linda Amarante, terrinha onde eu nasci,
E S. Gonçalo, romeiro sem igual,
Guiou meus passos de novo a Portugal.


Fonte: José Alberto Sardinha, "Tunas do Marão" (Livro + 4 CD). Vila Verde: Tradisom, 2005, pág. 347


(Continua)
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Nota do editor LG: