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quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Guiné 61/74 - P27098: Facebook...ando (92): João de Melo, ex-1º cabo op cripto, CCAV 8351 (1972/74): um "Tigre de Cumbijã", de corpo e alma - Parte IX: Praça Che Guevara (antiga Praça Honório Barreto)

Foto nº 1 > Guiné-Bissau > Bissau > Praça Che Guevara / Av Domingos Ramos (via Praça dos Mártires)

Foto nº 1A > Guiné-Bissau > Bissau > Praça Che Guevara / Av Domingos Ramos (via Praça dos Mártires) > Hotel K / Hotel Kalliste, restaurante  e esplanada

Foto nº 2> Guiné-Bissau > Bissau > Praça Che Guevara / Rua Eduardo Mondlane (via Rua Osvaldo Vieira) 


Foto nº 2A > Guiné-Bissau > Bissau > Praça Che Guevara / Rua Eduardo Mondlane (via Rua Osvaldo Vieira) > Restaurante Chinês Bar Bayana


Foto nº 3 > Guiné-Bissau > Bissau > Praça Che Guevara / Rua Eduardo Mondlane (via Av Amílcar Cabral)



Foto nº 3A  e 3B > Guiné-Bissau > Bissau > Praça Che Guevara / Rua Eduardo Mondlane (via Av Amílcar Cabral) > Centre Culturel Franco bissau guinéen (Centrro Cultural Franco-bissau-guineense)


Foto nº 4 > Guiné-Bissau > Bissau > Praça Che Guevara / Av Domingos Ramos  (via Av  Francisco Mendes) > 


Foto nº 4A > Guiné-Bissau > Bissau > Praça Che Guevara / Av Domingos Ramos  (via Av  Francisco Mendes) > Farmácia



Foto nº 5 e 5A > Guiné-Bissau > Bissau > Praça Che Guevara  > Efígie e placa: "Praça Ernesto Guevara, 'Che' "


Foto nº 6 > Guiné-Bissau >  Região do Cacheu > Cacheu > Fortaleza do Cacheu > Parte da antiga estátua do Honório Barreto, uma figura da história da Guiné-Bissau, vista pelo partido independentista como um "simbolo do esclavagismo e da opressão colonial" e liminarmente rejeitado e diabolizado: a sua estátua foi apeada e parcialmente destruída, o liceu que tinha o seu nome foi "rebatizado" (subtituído por uma das figuras do pan-africanismo),  enfim, como sempre, "deitou-se fora a água do banho com a criancinha"...  

A história é sempre um parto violento... Cabe agora aos historiadores (e aos guineenses) "redescobrir" o Honório Barreto na sua complexidade e no contexto do seu tempo, reconhecendo-o como uma importante e paradoxal figura da proto-história da Guiné-Bissau. Ele também faz parte do processo de nascimento da nação...

Fotos (e legendas): © João de Melo (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Guiné > Bissau > s/d [c 19690/70] > "Praça Honório Barreto e Hotel Portugal"... Bilhete postal, nº 130, Edição "Foto Serra" (Colecção "Guiné Portuguesa") (Detalhe). Colecção: Agostinho Gaspar / Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2010)

Agora a Praça chama-se Che Guevara (vd. mapa do Google)... e o antigo Hotel Portugal agora é o Hotel Kalliste (vd. foto nº 1). A estátua do Honório Barreto foi derrubada e levada (o que restou)  para a fortaleza do Cacheu (Foto nº 6).



João Melo (ou João Reis de Melo), ex-1º cabo op cripto, CCAV 8351, "Os Tigres do Cumbijã" (Cumbijã, 1972/74):

(i) é profissional de seguros, vive em  Alquerubim,  Albergaria-a-Velha;

(ii) viaja regularmente, desde 2017, para a Guiné-Bissau, em "turismo de saudade e de solidariedade" (em que distribui material pelas escolas de Cumbijã, e apoia também, mais recentemente, o clube de futebol local);

(iii) regressou há pouco mais de 2 meses  da sua viagem deste ano de 2025;

(iv) tem página no Facebook (João Reis Melo);

(vi) tem mais de duas dezenas e meia de referências no nosso blogue para o qual entrou em 1 de março de 2009.

1. Na sua viagem, em maio passado, de Bissau a Cumbijã, no sul, na região de Tombali, o nosso grão-tabanqueiro João Melo, passou por várias das nossas geografias emocionais... E fotografou esses lugares (Bissau, Quinhamel, Bula, Susana, Cacheu, Bambadinca, Saltinho, Buba, Mampatá, Cumbijã...).

 Temos procurado, com a sua autorização, fazer uma seleção das suas melhores imagens. Ele tornou-se um grande conhecedor e um excelente cicerone da atual Guiné-Bissau. 

2. Excerto da página do Facebook do João Reis Melo, postagem de 25 de julho de 2025, 15:29

“Retalhos de uma passagem pela Guiné-Bissau:

"A antiga Praça Honório Barreto em Bissau, atual Praça Ernesto Guevara “Ché”, é uma praça com rotunda uniforme e quatro vias perfeitamente delineadas que são o resultado do cruzamento das Avenida Domingos Ramos e a Rua Eduardo Mondlane.

"Quando foi desenhada, atribuiram-lhe o nome   de Honório Barreto, e lhe foi ali erigido um monumento em sua homenagem,  uma estátua em bronze construída em 1958 e que,  hoje, está depositada na Fortaleza de Cacheu. No antigo pedestal, restaurado ou reaproveitado,  foi colocada uma efígie do 'Che' Guevara e uma placa com o seu nome (Ernesto Guevara, 'Che').

"Honório Pereira Barreto (1813-1859), filho de pai cabo-verdiano e mãe guineense, nasceu na fortaleza de Cacheu, onde o pai estava como capitão-mor, atingindo depois os mais altos cargos da antiga província ultramarina portuguesa e falecendo na fortaleza de São José de Amura, em Bissau, onde estava como capitão-mor.

Apresento-vos fotos de minha autoria da mesma praça tiradas em maio passado."

(Revisão / fixação de texto: LG)

sábado, 2 de agosto de 2025

Guiné 61/74 - P27081: Felizmente ainda há verão em 2025 (6): Drave, na serra da Freita, Arouca... "O despertar da natureza" (José Teixeira)




Arouca > Serra da Freita > Drave, "aldeia mágica > Foto de Luís Pinto, com a devida vénia... Fonte: Visit Arouca


1. Mensagem do Zé Teixeira (régulo da Tabanca de Matosinmhos, ex-1.º cabo aux enfermeiro, CCAÇ 2381, Buba, Quebo, Mampatá e Empada, 1968/70; é um histórico da Tabanca Grande, que integrou a partir de 14/12/2005; tem c. quatrro centenas e meia de referências no blogue; vive em São Mamede de Infesta, Matosinhos; é gerente bancário reformado; escritor, poeta, escutista)...

Data - 1 agosto 21:52  

Assunto - Tempo de estar presente

Meus queridos amigos

Paz, saúde e bem-estar.

Chegou o tempo de férias, para aqueles não estão em férias todo o ano e para esses também.

Mudar de ares sabe sempre bem.

Um abraço do tamanho do Geba para a equipa em especial e para todos os camaradas bloguistas que ainda resistem.

Convido-vos a dar um passeio comigo pela Natureza na aldeia mágica da Drave em plena Serra da Freita - Arouca. 

__________________


O despertar da Natureza

por José Teixeira


 Acordo ao som da água cristalina,

Que se esgueira de rocha em rocha na ribeira

E desliza, toda lampeira, pela colina.

 

As folhas das árvores de casca carcomida

Murmuram os bons-dias ao vento, que passa em corrida,

Num divertido rodopio,

Transportando com ele um brando ar frio.

 

Espreito por uma frincha da tenda que me abriga,

E vislumbro os primeiros estiletes do sol doirado,

A mergulhar nos picos da montanha, minha amiga.

 

Ao longe, os primeiros gorjeios dos passarinhos,

A acordar, lá no alto, lentamente,

Ainda dentro dos seus ninhos.

E continuando a sua leda marcha, em direção ao poente,

O sol lança brandamente os seus raios pela ladeira.

 

Bate à porta de cada ninho, com o seu calor,

E incita, nos passarinhos, aquela soalheira,

O bel-prazer de louvar o Divino Criador!

 

Forma-se, assim, uma melodiosa orquestra,

Com os mais variados sons e tons,

Enriquecida em cada centímetro de verdura,

Franqueada pelos raios solares com muita ternura.

 

Peneireiros, chascos, rouxinóis, carriças e verdilhões,

Pardais, piscos, pintassilgos, chapins ou tentilhões,

Qual deles o mais sonoro!

 

E quando chega ao fundo da planura, suavemente,

O sol acorda, num repente, os melros dorminhões,

Que enriquecem a harmonia do espaço envolvente,

Com o seu trinar peculiar, que encanta toda a gente.

 

Que divinal momento!

Que singular beleza!...

Oh! Como é bom sentir o despertar da Natureza.

                                                           

José Teixeira


2. Comentário do editor LG:

Zé, obrigado. É tempo de estar presente. E tu estás sempre presente. És um histórico da nossa Tabanca Grande. E tens uma particular sensibilidade sociocultural. Além disso, és poeta. 

O teu poema, inspirado na Serra da Freita, fica muito bem nesta série, "Felizmente ainda há verão em 2025" (*).

É tempo também de falar do Portugal Profundo, que só é falado quase sempre por más razões como a tragédia dos incêndios de verão.  Drave, na serra da Freita, Arouca, espero, ao menos, que tenha sido poupada ao  incêndio que, mais uma vez, se abateu sobre Arouca. 

Já passei pela serra da Freita, e pela aldeia de Drave, há uns largos anos.  Afinal, estou do outro lado do rio Douro, frente à serra de Montemuro, mas Candoz já fica no distrito do Porto. E já fiz o passadiço do rio Paiva ainda antes da pandemia. 

Fico com "inveja" de não poder estar aí contigo que, sendo, escuteiro. conheces bem Drave e a zona.

Numa consukta à Net, e ao sítio "Visit Arouca", fico a saber sobre Drave mais o seguinte:

(...) Desabitada desde 2009, algumas casas têm sido intervencionadas pelo Centro Escutista, já que Drave é a Base Nacional da IV Secção do Corpo Nacional de Escutas.

Drave é sublime, com os seus miradouros criados pela própria natureza. Atravessando a ponte, encontramo-nos nas ruelas estreitas entre as casas, que apetece calcorrear. 

No meio das ruínas de xisto e lousa, sobressai, branquinha, a Capela de Nossa Senhora da Saúde e o Solar dos Martins, atualmente convertido em quartel-general da IV Secção do Corpo Nacional de Escutas. 

Mais ao fundo, escutamos o barulho das águas puras da ribeira de Palhais, ouvimos o som das cascatas e apreciamos as piscinas naturais. (...)

Recorde-se, por outro lado, os 17 arouquenses que morreram na guerra coloniual / guerra do ultramar, num total de cerca de 3 mil militares mobilizados neste oncelho do distrito de Viseu,  que em 1970 tinha 23,8 mil habitantes.  Dos mortos, 7 pelo menos foram na Guiné, 6 em Moçambique e 3 em Angola (n=16).
 
______________

Nota do editor:

(*) ), Último poste da série > 1 de agosto de 2025 > Guiné 61/74 - P27076: Felizmente ainda há verão em 2025 (5): afinal, Vila do Conde é um dos pontos-chave do Caminho Português da Costa que leva a "pelingrina" italiana a Santiago... (Virgílio Teixeira)

Vd. postes anteriores:

31 de julho de 2025 > Guiné 61/74 - P27074: Felizmente ainda há verão em 2025 (4): alzheimareados com a canícula...

30 de julho de 2025 > Guiné 61/74 - P27072: Felizmente ainda há verão em 2025 (3): recordando o meu esforçado, voluntarioso, amável , efémero e... clandestino professor de pilotagem do DO-27, o "Pombinho", que veio expressamente do Brasil para assistir ao lançamento do nosso livro "Nós, as enfermeiras paraquedistas", em 26/11/2014, no Estado Maior da Força Aérea, em Alfragide (Maria Arminda Santos, Setúbal)

29 de julho de 2025 > Guiné 61/74 - P27067: Felizmente ainda há verão em 2025 (2): E na próxima segunda-feira, dia 4 de agosto, às 19h30, os mordomos da Festa do Emigrante na Ventosa do Mar, Lourinhã, vão armar a "manjedouro do povo" para a monumental batatada de peixe seco!... Sigamos a "arraia", que o cherne está pela hora da morte!

sábado, 26 de julho de 2025

Guiné 61/74 - P27055: A Bissau do Meu Tempo (Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte V: Arredores: Safim, João Landim, Ensalmá e Nhacra

 


Foto nº 116A e 116


Foto nº 117A e 177



Foto nº 118 e 118A



Foto nº 114 e 114A


Foto nº 107A e 107




Foto nº  106, 106A e 106B


Foto nº 108A e 108

Foto nº 109A e 109


Foto nº 110A


Foto nº 111A


Foto nº 112


Foto nº 113A

Guiné > Ilha de Bissau   > Arredores: Safim, João Landim, Ensalmá e Nhacra

Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2025). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1.  Continuação da publicação de fotos do álbum do Virgílio Teixeira  (ex-alf mil, SAM, CCS/BCaç 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) (*)


A Bissau do meu tempo > Arredores: Safim, João Landim, Ensalmá e Nhacra


Legendas das fotos:

F106 – Cruzamento de estradas em Safim: Logo ao sair de Safim, está um cruzamento: para o lado esquerdo, Landim  (8 km) e Bula;  Para o lado direito, Ensalmá (5 km), Nhacra (e depois, Mansoa e Mansabá). Mas também uma ligaçáo mais curta e direta entre Bissau e Nhacra. 11 março 1968

 F107 – Ponte de Ensalmá, sobre o rio Impernal, afluente do rio Mansoa.  Ficava entre Safim e Nhacra. A 5 km do cruzamento em Safim a caminho de Nhacra, segundo diz na placa. 11 março 1968.

F108 – Vista da povoação de Nhacra. Por aqui já se viam casas e ruas arranjadas, erauma zona aparentemente calma, nessa época, mais tarde não era assim. Não me lembro de encontrar um tasco qualquer para comer umas coisas, acho que não havia, Safim ficava perto, e passava lá a tropa.  11 março 1968

F109 - Vista da povoação de Nhacra.  11 março 1968

F110 - Vista da povoação de Nhacra. 11 março 1968

F111 – Uma tarde de lazer , sentado na berma da piscina do quartel de Nhacra.  11 março 1968

F112 – Vista geral da pequena piscina do quartel de Nhacra.  11 março 1968.

F113 – Salto mortal e barrigada na piscina.  11 março 1968.

F114 – Caminhada de Safim até  João Landim.  11 março 1968

F116 – Jangada em João Landim. Junto com outro militar que ainda não sei quem era, mas andava muito comigo...11 agosto 1968.

F117 – Partida da jangada de João Landim a caminho do outro lado do Rio Mansoa..11 agosto 1968.

F118 – Na jangada na cambança do rio. 11 agosto 1968.


(Revisão / fixação de texto: LG)


2. Comentário de António Rosinha (*):


O canal Impernal que liga o Rio Geba ao Rio Mansoa, foi tão navegável que em Ensalmá foi construída uma ponte levadiça, na altura dos anos 40, uma obra caríssima de certeza, e tecnicamente interessantíssima.

O canal assoreou e em 1993 só fazia de Bissau um ilha na maré cheia.

E era em Ensalmá, onde o leito do canal dava mais pé, e um simples aqueduto resolveu a circulação da água e a ponte desativou-se.

O assoreamento deu-se, provavelmente,  porque os diques, "ouriques" em crioulo, que serviam para regularizar a água para os arrozais, não foram mais mantidos, porque a mão de obra foi para a guerra.

Talvez o amigo Virgílio ainda tenha circulado em cima da ponte de bicicleta.

Ainda conheci a ponte por cima e por baixo, uma "pérola", dava para passar uma regata de veleiros.

Hoje, no google Earth vê-se a ruina da ponte e dos encontros.


Guiné 61/74 - P27054: A Bissau do Meu Tempo (Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte IV: Arredores: Safim



Foto nº 101


Foto nº 102



Foto nº 103


Foto nº 104


Foto nº 105





Foto nº 106A e 106



Foto nº 115 e 115A

 

Foto nº 119






Foto nº 120, 120A e 120B



Foto nº  114A e 114

Guiné > Ilha de Bissau   >  Safim >  1968 > 

Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2025). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Mensagem de Virgílio Teixeira  (ex-alf mil, SAM, CCS/BCaç 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69):

Data - segunda, 30/06/2025, 23:47

Assunto - Safim, Nhacra, Landim, Ensalma

Meu caro amigo e camarada Luis,

Tenho seguido diariamente, várias vezes, o Blogue e todas as histórias, que não são infelizmente deste tipo que aqui trago. (...)

Este poste ando há cerca de 15 dias a tentar acabar, mas sempre algo me aparece e me faz parar, também o tema não é dos mais atractivos. É o que tenho, e ando a refazer o meu ábum e depois perco-me como uma criança que não sabe o caminho de casa.

As minhas dificuldades estão a agravar-se mas tenho sempre muitas outras coisas a fazer em prol da familia, porque todos , o quase, recorrem a mim para os mais variados assuntos sem interesse. Sou especialista em contestar multas de trânsito, e isso ocupa muito tempo, mas vale a pena.

Vamos ver em continuação como posso ir ajudando. (...)

Um grande abraço, e boa noite (...)

Em, 2025-06-30

Virgilio Teixeira

2.  A Bissau do Meu Tempo - Parte IV: Arredores: Safim 

2.1.  Introdução

O presente Poste sobre este tema, pode ferir a susceptibilidade de alguns combatentes, que não se revêm nestas fotos e descrição das mesmas.

É um tema que esteve sempre guardado, por respeito àqueles que não tiveram estas oportunidades, posso até dizer que pode ser um atentado a todos que tiveram uma guerra que não esta. Uns excessivamente mais dura, mas há muitos que também tiveram melhor vida.spero que sirva pelo menos para o conhecimento de tantos locais a rondar os 40 km de Bissau.

Já foi parcialmente postado parte deste espólio, mas como já não me lembro, vamos tentar relembrar com melhoramento das mensagens.

Como já disse, fui sempre um empreender nas viagens por aqueles lugares que na data não havia qualquer perigo, eu tinha muita vontade de um dia ir de motorizada até Mansabá.

Não sei porquê, era o nome que me soava a algo que não consigo entender. Acabei por nunca ter ido até aquela localidade , que só poderia ir desde Mansoa com escolta.

Ainda tive a ousadia de me pôr a caminho, mas fui travado por uma coluna que,  face à minha estupidez, mandaram regressar para trás, e assim foi e terminou a aventura.

Andei muitas vezes por esta zona, com especial destaque para Safim, Nhacra, João Landim, Ensalma, Rio Mansoa.

Aqui fica um resumo daquilo que andei a fazer, nas horas mortas, quando estava em Bissau e quando me deslocava para lá em serviço.

Os petiscos de Safim, a piscina de Nhacra, a jangada de João Landim, e Ensalma, as ostras de Quinhamel, e Biombo...

(22.2.  Mapas



Guiné > Bissau > Carta de Bissau (1949) (Escala 1/50 mil) >  Posição relativa de Bissau, na margem direita do estuário do Rio Geba (assinalada a vermelho) e seus arredores: Cumeré, Brá, Bissalanca, Safim, Ensalma, rio Mansoa, Nhacra (assinalados a amarelo). 

Em rigor Bissau não é uma ilha, como dizíamos no nosso tempo, diz a IA (Chatpgt)...Embora Bissau esteja quase rodeada de água por todos os lados, o que pode dar a sensação de ser uma ilha, não cumpre a definição geográfica de ilha, que exige ser completamente rodeada de água em permanência. Contrariamente à antiga capital, Bolama.

Senão vejamos: é limitada a norte e oeste pelo Rio Mansoa,a leste pelo rio ou canal do Impernal, e a sul, pelo estuário do rio Geba (navegável e ligado ao Atlântico). A oeste, porém, não há uma separação completa de água que isole a cidade do continente. Há ligações por terra que não implicam atravessar água, embora parte da área seja pantanosa ou de difícil acesso na época das chuvas.

Já outros assistentes de IA (Gemini e Perplexity) dizem que Bissau é uma ilha estuarina... Em que é que ficamos ? A Wikipedia diz que Bissau é uma ilha... 

Infografia: Blogue Luís Graça & Camarada da Guiné (2025)


Este mapa ajuda-me a perceber melhor por onde andei, com alguma "ligeireza",  nas minhas "acenturas de motorizada" quando estava em (ou vinha a) Bissau. Sem mapa!

Agora verifico que, saindo de Bissau, de Santa Luzia (Clube Militar) ou de Brá (Depósito de Adidos) (a 3 km) , e passando por Bissalanca (aeroporto e BA 12) (5 km), e chegando a Safim (18 km), temos depois duas vias alternativas:

(i) para a direita, íamos  por Nhacra (a 15 km de Safim), passando por Emsalma e atravessando o rio ou canal Impernal, afluente do rio Geba,

(ii) mas havia uma estrada, direta, de Bissau para Nhacra, sem passar por Brá, Bisslanca e Safim, que seguia  depois   para Mansoa e Mansabá, onde nunca fui, infelizmente; antes de Mansoa, à direita, cortava-se para leste (Jugudul, Porto Gole, Bambadinca,  Bafatá...), mas estava em 1967/69; mais e já para o o fim da guerra, estará em construção, o troço (alcatroado) Jugudul-Bambadinca, que deu muita porrada;

(iii) de Safim para o noroeste, região do Cacheu (Bula, Binar...),  só havia uma maneira de "cambar" o rio Mansoa:  era de jangada, em João Landim (cerca de  7 km de Safim).

Estive no outro lado do rio Mansoa, em João Landim por alguns momentos, o tempo de ir e vi na mesma jangada.


Guiné > Bula > Carta de Bula (1953) (Escala 1/50 mil) > Posição relativa de Bula, Binar, João Lamdim e Rio Mansoa.

Infografia: Blogue Luís Graça & Camarada da Guiné (2025)

2.3. Legendas das fotos

F101 – A caminho de Safim, partindo de Bissau, ou dos Adidos em Brá. Captada em 11 março 1968

F102 – E lá continuamos com nova paisagem, ao lado esquerdo estende-se um novo bairro com novas tabancas, parecido com o Bairro da Ajuda à entrada de Bissau. 11 marco 1968,

F103 – Continuando o caminho vejo a primeira pessoa, uma mulher local do outro lado da estrada, ela deveria andar pelo lado oposto, mas ainda não tinha chegado as novas regrs de peões nas estradas. 11 março 1968

F104 – Já vai longe a cidade de Bissau e o Depósito de Adidos em Brá, o terreno está deserto, vendo bem, qualquer turra me apanhava à mão, mas nunca pensei nisso, pelo que não há aqui qualquer louro para as minhas aventuras, era pura ignorância, leviandade, inocência, apesar da idade, pois já tinha os 25 anos de vida. 11 março 1968

F105 – Chegada a Safim, com foto da Placa.11 março 1968

F106 – Cruzamento de estradas em Safim: logo ao sair de Safim, está um cruzamento; para o lado esquerdo, Landim e Bula; para o lado direito, Ensalma, Nhacra, Mansoa e Mansabá. 11 março 1968.

F114 – Caminhada de Safim para  João Landim 11 março 1968

F115 – Bar esplanada à entrada de Safim. Um local muito calmo. 11 agosto 1968

F116 – Jangada em João Landim, no Rio Mansoa (cambança para Bula):

F117 – Partida da jangada de João Landim a caminho do outro lado do Rio Mansoa. 11 agosto 1968

F118 – Na jangada na cambança do rio. 11 agosto 1968

F119 – Novamente na Esplanada de Safim, com outro companheiro a bater a chapaAo lado um Unimog com tropa que foi beber uns copos 11 Agosto – 1968

F120 – Na esplanada de Safim noutro ângulo, a tomar uma bebida, junto com o furriel Riquito do meu CA (Conselho de Administração do BCAÇ 1933)  e o outro que não sei quem é, mas parace-me ou irmão ou familiar do Riquito. Em novembro de 1968

2.4. Notas complementares

 Muitas fotos são do mês de  março de 1968, foi o mês em que o meu batalhão esteve em Bissau, vindo de Nova Lamego em fins de fevereiro a caminho de São Domingos no final do mês de março. Foi o tempo mais longo em Bissau. Depois, e antes, seria uma vez por mês para a prestação de contas na Chefia de Contabilidade.

Nota-se a descontração saloia em que fazia estas aventuras, já tinha ido antes mas sem fotos.

Em várias fotos percebe-se que vai outro camarada noutra motorizada, também minha, para tirar a chapa. Uma vez foi o furriel Riquito do meu CA e acho que tinha lá um irmão ou alguém parecido que aparece em muitas fotos com ele e eu.

Uma das vezes fui com o meu homologo do BCAÇ 1932 de Farim, quando nos encontrámos em Bissau. Ele não sabia conduzir a motorizada, e fomos os dois na mesma, com o nosso peso, eu nem tanto, mas ele era muito alto e no assento de trás chegava com os pés ao chão.

Numa vez que chegámos de noite já com uns copos, ao Clube de Oficiais, eu a conduzir, ele só desiquilibrava, tinha medo de tudo.

Caimos nas valas altas, a motorizada mandou-nos pelo ar, foi uma gargalhada enorme, ele só perguntava se tinha sido o IN, fomos para o Biafra, mudar de roupa e tomar banho, depois para a Messe jantar.

O trambolhão foi grande e aparatoso, mas , tirando umas escoriações, tive de mandar reparar a minha Peugeot mas tinha a Honda entretanto.

Estive várias vezes em Safin, a maioria delas ia sozinho, não tinha muita malta para me acompanhar, não sei a razão.

Era um sitio agradável, longe da confusão de Bissau, tinha um café-cervejaria-bar logo è entrada, com boa esplanada. Bom local para descansar, comer umas ostras ou camarão e e beber  umas 'bazucas' de cerveja bem fresca. Não existiam outros motivos de interesse para fazer fotos, julgo eu, era lugar de passagem para  Bula (através de João Lamdim, a noroeste).

Como ia muitas vezes sozinho, nem sequer levava a máquina fotográfica, além do peso faltava outro para chapear. Claro que hoje penso doutra maneira, em vez de sistematicamente fazer fotos a mim próprio (narcisismo?!) deveria fotografar tantos locais que hoje não me lembro muito bem.

Faltam as fotos de Quinhamel por onde passei e do Cumeré também, não havia nada de interesse, mas o destino prega-nos partidas, pois passados mais de 15 anos, depois do meu regresso, estive lá nas instalações industriais de descasque de arroz, que foram abandonadas. (...)

Em 30 de Junho de 2025

(Continua)

(Revisão / fixação de texto: LG)

_______________

Nota do editor LG:

Último poste dsa série > 19 de junho de 2025 > Guiné 61/74 - P26936: A Bissau do Meu Tempo (Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte IIIc: O "Clube Militar de Oficiais" de Bissau, QG/CTIG, Santa Luzia (Fotos de 18 a 24)