Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta Mansoa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mansoa. Mostrar todas as mensagens

domingo, 30 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28306: Convívios (1072): Rescaldo do almoço/convívio do pessoal da CCAÇ 816, levado a efeito em Maio passado na linda cidade de Aveiro (Rui Silva, ex-2.º Sarg Mil)

Os velhinhos da OITO16, que têm a mania que ainda são novos


1. Mensagem do nosso camarada Rui Silva, ex-2.º Sarg Mil da CCAÇ 816 (Bissorã, Olossato e Mansoa, 1965/67) com data de 27 de Agosto de 2026:

Os velhinhos da OITO16 (Comp.ª Caç. n.º 816), que têm a mania que ainda são novos, e que estiveram na Guiné Portuguesa em 1965-1967 (Bissorã, Olossato e Mansoa), tiveram mais um Almoço-Convívio, feito anualmente, desta feita, e como imperadores que são, no Hotel Imperial em Aveiro no mês de Maio passado.

A Ana, filha do “Aveiro” nosso militar, primou em conceber um programa à altura dos pergaminhos da Companhia.

Assim, começou logo pela manhã numa visita ao Museu Santa Joana em Aveiro (ver duas primeiras fotos) e após um animado e concorrido almoço fizemos uma visita às famosas e muito propaladas Salinas de Aveiro (ver duas últimas fotos), e,... depois,... depois,... todos foram embora para casa após efusiva troca de abraços e até com lágrimas à mistura! Pró ano há mais, sDq.!

Um grande Abraço para todos os combatentes da Guiné!
Fiquem bem!
Rui Silva e as outras!


"Os teus olhos, negros, negros, / São gentios, são gentios da Guiné;"
"Da Guiné, por serem negros, / Gentios por não ter fé."
"Os teus olhos são brilhantes / Semelhantes aos luzeiros que o céu tem."
_____________

Nota do editor

Último post da série de 25 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28292: Convívios (1071): Almoço-Convívio do pessoal da 2.ª CART do BART 6521/72, a realizar-se no próximo dia 26 de Setembro, em Fátima (José Morgado, ex-Soldado CAR)

sábado, 8 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28250: (In)citações (289): Hoje estou triste, embora seja grato por cada nascer do sol... (Tony Borié, ex-1.º Cabo Op Cripto)



1. Mensagem do nosso camarada Tony Borié (ex-1.º Cabo Operador Cripto do CMD AGR 16, Mansoa, 1964/66), com data de 10 de Novembro de 2022, falando-nos da sua Unidade:

Olá Carlos,
Olha, hoje levantei-me a gritar coisas más contra os governos de Portugal que nos abandonaram e escrevi estas linhas para que todos eles saibam a revolta que continuo a sentir.

Se achares que deves publicar, publica, se não achares que é importante justamente ignora.

Um abraço meu eterno amigo companheiro combatente da Guiné.
Tony Borie



Hoje estou triste, embora seja grato por cada nascer do sol

…Companheiros ex-combatentes, nós, tal como vós, todos sabemos o trauma ou a angústia que sofremos mas…, as novas gerações e os políticos que nos governaram ou presentemente nos governam, (felizmente para eles), NÃO SABEM que…, lá no “posto avançado” onde estivemos pelo período de dois longos e dolorosos anos, não havia paz.

No silêncio da noite ou em qualquer outro infeliz momento, “DE REPENTE O INFERNO EXPLODIA” e…, não sabíamos se iríamos ser o próximo a ser embrulhado no nosso próprio camuflado sujo com o nosso próprio sangue.

…Assim, não sabemos as vezes que tanto nós, tal como vós companheiros ex-combatentes, estivemos perto de morrer, e nesses momentos, éramos forçados a aprender a valorizar um pouco as nossas vidas e…, éramos uns jovens de 20 e poucos anos. Às vezes pensando nisto, sentimos a pele a arrepiar-se.

…Por favor cuidem-se.
Toni Borie

_____________

Nota do editor

Último post da série de 28 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28141: (In)citações (288): Hoje estou triste, embora seja grato por cada nascer do sol, porque muitos sonham com o amanhã, mas nunca o veem (Tony Borié, ex-1.º Cabo Op Cripto)

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28146: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XXXVII: Ramadão de 1970: celebração do Korité (ou Eid al-Fitr, em árabe), o fim do jejum ritual (fotos de 8 a 14)



Foto nº 8 e 8A
 

Foto nº 9






Foto nº 10, 10A, 10B, 10C e 10 D





Fotos nº 11, 11A, 11B, 11C


Foto nº 12


Foto nº 13 E 13A




Foto nº 14, 14A e 14B

Guiné > Região do Oio > Mansoa > 30 de novembro de 1970 > Celebração do Korité (ou Eid al-Fitr, em árabe) que marca o fim do Ramadão (o mès sagrado). Homens, mulheres e crianças participam segundo os costumes locais, formando grupos distintos. Militares e civis portugueses assistem à festa como observadores, num raro testemunho fotográfico da convivência entre a administração portuguesa e a população muçulmana da vila, em plena guerra (*).

Fotos do álbum do Padre José Torres Neves, antigo capelão militar.

Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Continuação da publicação de um lote de 14 fotos ("slides" digitalizados) do alferes graduado
capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pretenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71)


De um modo geral, estas imagens são muito interessantes (embora já comuns no nosso blogue), quer do ponto de vista etnográfico, quer histórico. O padre José Torres Neves revela aqui a sua empatia, capacidade de observação participante, espírito ecuménico e sensibilidade sociocultural.

Em 1970, Mansoa encontrava-se relativamente segura, embora a guerra estivesse bastante próxima. Estamos na região Oio. Mas ia-se, com relativa segurança, de Bissau a Mansoa (c. 60 km). E nunca houve, praticamenmet, nenhuns casos muito graves de terrorsimo urnavo (com exceção de Farim enm 1965 e depois em Bissau, já no fim da guerra).

É significativo que uma festa muçulmana pudesse decorrer com esta dimensão pública, e sem nenhum dispositivo militar de segurança.  Estas imagens podiam ser usadas pelas NT contra a propaganda do PAIGC...

Também mostram, pro outro lado,  que as autoridades portuguesas, incluindo os capelães militares como o padre José Torres Neves, assistiam frequentemente às festividades religiosas das populações locais, num espírito de convivência e observação que muitos deles registaram em fotografia (como é o caso dos nossos camaradas Abílio Duarte,  António Marreiros, Armando Fonseca, Armando Oliveira, Arménio Estorinho, Jorge Pinto, José Carvalho, Luís Mourato Oliveira, Vasco da Gama) e/ou em cmentários e observações como os  nossos amigos Cherno Baldé e Cataraina Meireles. entre outros.


2. Sobre algumas destas fotos pode acrescentar-se o seguinte:

Fotos nº 8 e 10:  As mulheres e crianças participam, mas à parte. Os "tugas", curiosos, misturam-se também com os crentes. A Fotio nº 8  mostra um pequeno grupo de mulheres muçulmanas, quase todas envoltas em grandes panos brancos. 

Esse branco  (nas vestes de mulheres e homens) tem um significado simbólico importante: é a cor da pureza, da alegria religiosa e da festa. Muitos terão vestido a sua melhor roupa para o Korité (ou Eid al-Fitr), assinalando o fim do Ramadão. Sob o pano branco veem-se vestidos coloridos, como o da mulher em primeiro plano, revelando o gosto africano pelos tecidos estampados.

É interessante notar que os rostos permanecem descobertos. Isso corresponde aos costumes locais da Guiné-Bissau, onde, mesmo entre Mandingas e Fulas muçulmanos, nunca foi habitual o uso do véu integral como noutras regiões do mundo islâmico.(Mas já vemos hoje no Gabu sinais do regersso do fundamentalismo religioso, pelo menos a nível do vestuário feminino.)

Já na foto nº 1 e 2 do poste anterior (*),a separação dos grupos é ainda mais evidente. Essa disposição não significa propriamente uma segregação  socioespacial rígida, mas antes o respeito pelas normas sociais e religiosas da época. Nas cerimónias públicas, sobretudo depois da oração, homens e mulheres tendiam naturalmente a formar grupos distintos, embora todos participassem na mesma festividade.

Vejam-se tambéma as res stantes fotos nº 9, 10, 11, 12, 13 e 14:
  • homens sentados ou reunidos,  muitos vestidos de branco;
  • mulheres agrupadas um pouco mais atrás, formando um conjunto próprio;
  • crianças circulando livremente entre os adultos;
  • e, ao fundo, alguns militares e civis portugueses observando discretamente ou fotografando (fotos nº 10, 11, 13).

Na Foto nº 13, está o César Dias, fur mil trms da CCS (de camisinhja branca e ósiuclos escuros), mais o  Américo Caetano fur mi,l  da CCAÇ 2587/BCAÇ 2885 (Mansoa, Jugudul, Mansoa, 1969/71).
 
É um pormenor curioso, a  atitude dos "tugas"... Não há ali qualquer sinal de tensão. Pelo contrário, parecem simples espectadores, quase "turistas".  Alguns usam camisa de manga curta, outros óculos de sol, e misturam-se com naturalidade entre a população. Em Mansoa, em 1970, isso era ainda possível. Apesar da guerra estar presente na região, o núcleo urbano continuava a manter uma vida social relativamente aberta, permitindo este tipo de contacto. 

Também a arquitetura merece referência. As casas circulares de cobertura de colmo coexistem com edifícios de planta retangular e cobertura metálica, mostrando uma Mansoa em transição entre a construção tradicional e a influência urbana trazida pela administração colonial.

 Destaque para a foto nº 14, e os comentários já aqui produzidos pelo Cherno Baldé, em 2023  (ao poste P24207)(**):

(...) "Na parte final da reza tem lugar o que chamam de 'Cutuba' ou Sermão com a participação de um grupo seleto de discíplos e pessoas dedicadas a causa da religião na comunidade, todos do sexo masculino, durante o qual é revisitada a longa história do Islão dos primórdios a actualidade, incluindo partes do período Judaico e dos textos do antigo testamento do Cristianismo com particular destaque as peripécias do antes, durante e após a fuga dos Hebreus do Egipto e a épica ou mitológica travessia do Mar Vermelho com o Profeta Moisés (Mussa,  para os Árabes) a frente da nação rumo ao deserto do Sinaí e que culmina com a vida e obra do Profeta Muahammad.

Esta parte é a mais importante, mas também é a mais monótona e menos interessante para a rapaziada que já está com os sentidos voltados para as comidinhas que, entretanto, estariam a preparar em casa de maneiras que, não raras vezes, só ficam os mais velhos a acompanhar esta longa narrativa prenhe de recomendações dogmáticas sobre a religião, a vida em comum e a necessidade e fundamentos da preservação dos ensinamentos e da tradição islámicas, a bem da comunidade" (...). (**)

No conjunto, estas imagens têm um valor documental notável. Não retratam apenas uma cerimónia religiosa: mostram a convivência, durante a guerra, entre uma população maioritariamente muçulmana e militares portugueses que assistem, como vizinhos, convidados ou curiosos, sem interferirem na celebração. São um testemunho raro de um quotidiano que a historiografia militar nem sempre regista, mas que ajuda a compreender a complexidade das relações humanas na Guiné daqueles anos. E mais: têm um valor ecuménico, numa época em que crescem os sinais de islamofobia.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28145: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XXXVI: Ramadão de 1970: celebração do Korité (ou Eid al-Fitr, em árabe), o fim do jejum ritual (fotos de 1 a 7)



Foto nº 1 e 1A




Foto nº 2, 2A e 2B



Foto nº3 e 3A


Foto nº 4


Foto nº 5


Foto nº 6


Foto nº 7

Guiné > Zona Oeste > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) > 1970 > A festa do fim do Ramadão. (O Ramadão em 1970 terminou no dia 30 de novembro de 1970, correspondente ao 1.º de Shawwal de 1390 do calendário islâmico; esta data assinala a celebração da Eid al-Fitr, a festa festival que marca o fim do mês de jejum).

Fotos do álbum do Padre José Torres Neves, antigo capelão militar.

Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Alferes graduado capelão
José Torres Neves
1. O álbum fotográfico  do Padre José Torres Neves, do tempo em que foi alferes graduado capelão  em Mansoa (CCS/BCAÇ 2885, 1969/71), é um manancial de informação, memórias e emoções (*).

Do lote que nos foi enviada no passado dia 7 de junho  pelo nosso camarada e amigo Ernestino Caniço (o fiel guardião do álbum fotográfico da Guiné, do padre missionário da Consolata, José Torres Neves, natural de Meimoa, Penamacor),  publicamos hoja a primeira parte.

São fotos relativas ao fim do Ramadão de 1970. 
Na Guiné, o Ramadão em 1970 decorreu entre 31 de outubro e 30 de novembro. E em Mansoa, com em outros lados, "o fim do jejum ritual" foi marcada pelo forte respeito e convivência entre as tropas portuguesas e a população muçulmana local.

Data - domingo, 7/06/2026, 18:57
Assunto - Mansoa, Ramadão, 197'0


Caros amigos Luís e Carlos,

Votos de ótima saúde.

Anexo mais umas fotografias do álbum do Pe. Zé Neves, desta vez sobre o tema Mansoa – Ramadão.

Desejo-vos umas excelentes férias (se for o caso) com a família.

Grande abraço,
Ernestino Caniço

Anexos - 14 fotos



2. Conforme temos escrito, em geral as fotos trazem sumárias legendas (ou títulos). Sem data. E não vêm numeradas. Tanto quanto possível, procuramos agrupá-las por "temas" e "por ordem lógica e cronológica". E são sempre editadas (retocadas, melhoradas...) por nós.

A coleção de "slides" (digitalizados) do padre missionário da Consolata (hoje reformado), tirados na Guiné, será da ordem das 4 centenas, segundo a estimativa do Ernestino Caniço. Ou pelo menos, o acervo que ele disponibilizou para publicação no bogue.

O José Torres Neves entrou para a Tabanca Grande, em 22/2/2022, pela mão do Ernestino Caniço, que é médico (em Tomar)  e seu amigo deste os tempos de Mansoa. É o nosso grão-tabanqueiro nº 859. Tem cerca de meia centena de referências no nosso blogue.

3. Sobre o Ramadão em plena guerra colonial já aqui escrevemos sobre o seu significado (e os seus desafios, nomeadamente para os nossos camaradas muçulmanos) (**).

Q palavra Ramadão tem origem no árabe "ramida", que significa "ser ardente", possivelmente associada ao facto de o jejum islâmico ter sido celebrado pela primeira vez durante o período mais quente do ano. Para os crentes muçulmanos, este mês sagrado é um tempo de:
  • Renovação da fé
  • ática mais intensa da caridade
  • Vivência profunda da fraternidade
  • Reforço dos valores familiares
  • Maior proximidade aos valores sagrados
  • Leitura assídua do Alcorão
  • Frequência à mesquita
  • Correção pessoal e autodomínio
O Ramadão é o único mês mencionado pelo nome no Alcorão, sendo também o mês em que este livro sagrado foi revelado.

Durante a Guerra Colonial, os preceitos do Ramadão, e em especial o jejum diurno, eram escrupulosamente respeitados pelos soldados muçulmanos do recrutamento local, pelas milícias e pelos demais crentes, incluindo os guerrilheiros do PAIGC (especialmente entre os grupos de religião muçulmana como os Biafadas, Mandingas, Fulas, Nalus, Balantas Manés, entre outros)

No entanto, os graduados portugueses (em particular os oficiais) demonstravam, em geral, pouca sensibilidade para a importância e os constrangimentos deste período. Havia um conflito latente entre as exigências da atividade operacional e as restrições alimentares impostas pelo jejum.
 
Na CCAÇ 12, o jejum era respeitado pelos soldados, na medida do possível. (Soldados que, para mais, eram desanranchados; e que eram frugais, podiam andar numa operação de dois dias só com uma mão-cheia de arroz cozido, atada num lenço, o equivalente a 40/50 gr.; em contrapartida, mascavam noz de cola para aliviar a sensação de fome).

Este tema voltaria a ser discutido publicamente em 2014, durante o Campeonato Mundial de Futebol, quando a seleção nacional argelina levantou a polémica sobre a (in) ompatibilidade entre o jejum do Ramadão e a alta competição desportiva.
 
As 14 fotos de 1970, tiradas pelo José Torres Neves, capelão militar católico em Mansoa (Guiné), são um testemunho único da intersecção entre fé, cultura e conflito. Elas captam não só a espiritualidade dos combatentes e civis muçulmanos de Mansoa, como também os desafios de conciliar as suas crenças com as exigências da guerra.  A presença de s portugueses da metrópole que viviam em Mansoa (militares e algumas senhoras) também aparece aqui registada, a começar pelo fotógrafo (foto nº 3).

Nas primeiras fotos que apresentamos hoje vê-se a extensa fila de homens (e mullheres e crianças, apartadas) que  se dirigem ao local de culto, levando as suas esteiras (ou, em alternativca,  pedaços de pele curtida, de cabra ou ovelha) para se sentarem no chão.

 O dia (30 de novembro de 1970, já no início do tempo seco) era de muito calor (Foto nº 1). Mas os "chapéus de sol" não eram para todos. São também um "símbolo de status". A "Korité" (como se diz na África Ocidental, nos países francófos, podendo ser grafado "Koridé", na Guiné-Bissau) era/é também uma ocasião de estrear roupa nova (***).

Segundo informação do Cherno Baldé, a tambor na foto nº  7 chama-se “Tamulde” em fula, nome que, provavelmente, tem origem em outras linguas, é antes de mais um simbolo de “poder”, pois muito antes ja era usado como instrumento de comunicacao para chamamento dos reis e imperadores africanos (zona Africa Ocidental), mais tarde adoptado por régulos da epoca colonial. 

(...) "O cavalo 'branco' e o 'Tamulde+ eram de uso quase obrigatório dos nossos Mansas, Farins (mandingas) e Régulos (fulas), desde os tempos do império de Gabu ou Kaabu. A sua função é identica à utilizacão do 'Bombolon' entre os balantas e 'buramus' (papéis, manjacos, mancanhas) da Guiné-Bissau".(...)
_______________

Notas do editor LG:


(**) Sobre o Ramadáo temos 26 referências. Vd. por exemplo:

14 de julho de 2014 > Guiné 63/74 - P13399: Efemérides (164): O Ramadão de 1970 em Paunca (Abílio Duarte, ex-fur mil art, CART 2479 / CART 11, Os Lacraus, Contuboel, Nova Lamego, Piche e Paunca, 1969/70)

(...) A tradição de usar roupas novas não ocorre durante o Ramadão (que é um mês de jejum e introspeção), mas sim no Eid al-Fitr, a grande festa de três dias que celebra o fim do mês de jejum.

O uso de roupas novas e elegantes para esta ocasião simboliza a renovação espiritual após o mês de autodisciplina, sendo costume:

(i) acordar cedo e tomar banho purificador ("Ghusl");

(ii) vestir as melhores roupas disponíveis;

(iii) reunir com a família, vizinhos e amigos.(...)