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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27969: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XXXIV: O melhor do mundo ainda são as crianças




Foto nº 1



Foto nº 2


Foto nº 3

Guiné > Zona Oeste > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) >  Crianças vendedoras de mancarra... O que será feito destes meninos e meninas?  

Fotos do álbum do Padre José Torres Neves, antigo capelão militar.

Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Alferes graduado capelão José Torres Neves,  CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71).
É natural de Meimoa, Penamacor, terra também do nosso major general reformado João Afonso Bento Soares


1. Mais um conjunto de fotos sobre Mansoa, enviadas no passado dia 21 de janeiro pelo nosso camarada e amigo Ernestino Caniço, o fiel  guardião do álbum fotográfico da Guiné, do padre missionário da Consolata, José Torres Neves, natural de Meimoa, Penamacor.

O Padre José Torres Neves, antigo capelão do BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) reformou-se recentemente de uma vida inteiramente dedicada  às missões católicas, nomeadamente em África.Deve estar a fazer a bonita idade de 90 anos. Temos de festejatr.

Entrou para a Tabanca Grande, em 22/2/2022, pela mão do Ernestino Caniço, que é médico e seu a,igo deste os tempos de Mansoa. É o nosso grão-tabanqueiro nº 859. Tem cerca de meia centena de referências no nosso blogue. 

 Ele fotografou obsessivamente Mansoa e outras povoações do sector O4 onde havia destacamentos das NT, Braia, , Infandre, Cutia, Jugudul, Bindoro, 
etc. Pssaou também por Mansabá.

Em geral as fotos trazem sumárias legendas (ou títulos). Sem data. E não vêm numeradas.

(Revisão / fixação de texto, título: LG)
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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27923: Historiografia da presença portuguesa em África (525): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1967 (83) (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 6 de Novembro de 2025:

Queridos amigos,
O volume do Boletim Oficial da Guiné de 1967 é pesadíssimo, abre-se na expetativa de encontrar ressonâncias e consequências do conflito político-militar, mas a discrição é chave do negócio, a singularidade passa pelo amontoado de créditos, reforço de verbas, fundos de investimento, mas a ênfase é dada pela tomada de medidas da política ultramarina a partir de Lisboa; contemporiza-se com a falta de concursos para promoções na administração, justificando-se a necessidade de não abandonar os postos de trabalho; a Câmara Municipal de Bissau procura contrariar a inflação e a especulação tabelando preços; há mais delegações na PIDE, não se estranha a de Mansoa, mas estranha-se a criação de uma em Sangonhá, no ano seguinte o Brigadeiro António Spínola determinará o abandono de várias posições fronteiriças, entre elas Sangonhá, Guileje ficará muito exposto com a retirada destas posições. Mas isso é outra história, não vem nesta publicação que fala dos atos da governação e é profundamente discreta quanto ao conflito político-militar.

Um abraço do
Mário



Província da Guiné Portuguesa
Boletim Oficial da Guiné, 1967 (83)


Mário Beja Santos

Um dos aspetos mais relevantes da leitura do Boletim Oficial deste ano é sentir-se o depauperamento financeiro, as instituições carecem permanentemente de créditos especiais, reforço de verbas, fundos, isto a despeito de haver um orçamento – a despesa é muito superior à receita. Adotam-se alguns expedientes para encontrar receitas, fez-se a revisão da legislação reguladora do selo de assistência, passou a ser obrigatória a aposição do selo de assistência de $50 em toda a correspondência postal e haverá selos com importâncias superiores em encomendas postais e outras (Diploma Legislativo n.º 1858, Boletim Oficial n.º 45, 11 de novembro).

Uma das dificuldades sentidas devido à luta armada é a mobilidade dos quadros da administração civil. Logo no Boletim n.º 2, de 14 de janeiro, a Portaria n.º 1861 faz saber que existem 23 vagas de Administradores de Posto. “Porém, os adjuntos de administradores de posto de que dispõem os referidos quadros e Serviços não têm o tempo de serviço necessário na categoria para serem candidatos ao concurso de promoção aos referidos lugares de administradores de posto. Atendendo a que subsistem as circunstâncias que têm aconselhado a que os funcionários dos citados quadros e Serviços não se ausentem dos locais onde prestem serviço, a fim de se submeterem à prestação de provas do concurso de promoção, são tornadas extensivas aos candidatos à promoção a administradores de posto, de acordo com a Legislação de 19 de maio de 1961.”

Outro problema era a inflação. No Boletim Oficial n.º 3, de 21 de janeiro, temos a Postura n.º 1 de 1967, da Câmara Municipal de Bissau, é elucidativa, estabelece uma tabela de preços máximos, determina que a prática de preços superiores aos fixados será punida, o edital será fixado nos lugares públicos. Segue-se a tabela de preços, logo os hortícolas, como a abóbora, o baguiche, a batata-doce, a canja, feijão congo, jagatú, malagueta, milho, nabiça e outros.

A PIDE estende as suas atividades pelo território. No Boletim Oficial n.º 7, de 18 de fevereiro, pela Portaria n.º 22510, do Ministério do Ultramar, é criado o posto da PIDE na Vila de Mansoa. No Boletim Oficial n.º 20, de 20 de maio, pela Portaria n.º 22654, foi criado o posto da PIDE em Sangonhá, é de presumir que a estratégia desta polícia passava por uma tentativa de ter agentes em zonas fronteiriças, próximas de corredores frequentados pela guerrilha.

Surge o Regulamento da Caixa de Crédito da Guiné, instituição destinada à concessão de crédito agrícola, pecuário, industrial e imobiliário. Procurava-se proporcionar incentivo à iniciativa privada, necessitada de crédito barato, e havia também o objetivo de canalizar a poupança para o setor da produção. Atenda-se ao teor do artigo 1º deste Regulamento: “A Caixa de Crédito da Guiné é uma instituição de crédito do Estado dotado de personalidade jurídica, tendo como finalidade a concessão de crédito agrícola, pecuário, industrial e imobiliário, com vista ao desenvolvimento económico-social da Província.” A Caixa tem a sua sede em Bissau, mas poderá criar delegações.

Voltando atrás, ao Boletim Oficial n.º 25, de 30 de maio, um Despacho da Secretaria de Estado do Comércio dos Ministérios do Ultramar e Economia, vem tomar medidas para os preços das oleaginosas. Diz-se que em face das condições muito especiais em que se continua a processar a produção e comercialização da mancarra da Guiné, foi entendido, em relação à próxima campanha, manter o preço estabelecido na campanha passada, a fim de atender aos excecionais sacrifícios suportados pela agricultura da Província. A produção da mancarra da Guiné destinada à Metrópole será adquirida ao preço de 3$60 FOB por quilograma. Deste quantitativo será atribuída a quantidade necessário para abastecimento direto da indústria dos Açores. Não são fixados preços nem contingentes para as restantes oleaginosas necessárias de qualquer das Províncias ultramarinas.

Muito pouco mais há a dizer da atividade governativa, os sucessivos Boletins estão enxameados de nomeações, concursos, medidas disciplinares, ressalta a preocupação do Governo no sistema educativo, a construção de casas, o funcionamento dos serviços de saúde. Há um extremo cuidado em esconder a vida das populações decorrente da guerra de guerrilhas. Arnaldo Schulz deixará a Guiné na primavera, sucessivos Boletins irão encher-se de louvores, em 1968, como veremos.

Grupo de Mansoancas
Local de Irãs
Rapazes Balantas

As imagens foram retiradas de diversos números do Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, 1967

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 8 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27900: Historiografia da presença portuguesa em África (524): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1966 (82) (Mário Beja Santos)

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27906: (De) Caras (248): Jorge Moisir Pires, ex-alf mil mec auto, CCS / BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) (Ernestino Caniço, ex-alf mil cav, Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa, e Rep ACAP, Bissau, 1970/1971)


Foto nº 1 > O Jorge Moisir Pires à esquerda,  em 2012.03.03 no convívio do BCaç 2885 em Cantanhede. Ao centro Jorge Picado.


Foto nº 2 > O alferes Pires (à esquerda), com o oficial de dia (em segundo plano) e o alf graduado capelão José Torres Neves (examinando a "cobiçada" Kalash dos "turras")


Foto nº 3 > O alf mil cav Ernestino Caniço examinando uma AK 47 capturada ao IN; será a mesma da foto nº 2 


Foto nº 3 >  O alf mil cav Ernestino Caniçoposando com uma AK 47 capturada ao IN; será a mesma  da foto nº 2 

Guiné > Região Oeste > Mansoa > BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71)

Foto nº 2 (e legenda): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Fotos nº 1, 3 e 4  (e legendas): © Ernestino Caniço (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem do Ernestino Caniço, ex-alf mil cav, cmdt  do Pel Rec Daimler 2208 (Mansabá e Mansoa) e Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, (Bissau) (1970/1971), hoje médico em Tomar:

Data - quinta, 9/04/2026, 19:49

Assunto - Kalashnikov   

Caros amigos Luís e Carlos

Que a saúde não vos falte.

Venho desta vez à liça para responder ao Luís sobre quem é o alferes Pires (*) (Foto nº 2). Trata-se de Jorge Moisir Pires,  engenheiro mecânico que integrava a CCaç 2589 / BCaç 2885 (Mansoa, 1969/71) e que era responsável pela manutenção auto (Foto nº 1) (**)
Referido nos P6005 (20
10.03.17) e P20622 (2022.02.04) (***) pelo Jorge Picado (ex-cap mil da CCAÇ 2589/BCAÇ 2885, Mansoa, CART 2732, Mansabá e CAOP 1, Teixeira Pinto, 1970/72),

A Kalasnhikov na foto com o Pe. Zé Neves (1971) (*) será a mesma que também consta nas fotos comigo que anexo (Fotos nºs 3 e 4).

Um abraço,
Ernestino Caniço



2. Comentário do editor LG:

Obrigado, Ernestino, o Jorge Picado, no poste P20622, diz que o Pires era alf mil mec auto (ou seja, cmdt do pelotão da "ferrugem") da CCS/BCAÇ 2885. O que faz sentido: só as CCS tinham um alf mil mec auto. Nas unidades de quadrícula, como a CCAÇ 2589, havia só um furriel da "ferrugem".

Ainda a propósito de material capturado ao IN: registe-se que,  segundo a CECA, o número de AK 47 capturadas de 1963 a 1970 foi de 78: mínimo 2 (1964) e máximo 23 (1970)... (no mesmo período, foram capturadas 16 G3 ao IN).

 Não temos dados para o período de 1971 a 1974. Parece-nos, em todo o caso,  que 78 Kalash é um valor irrisório para 8 anos de intensa atividade operacional. De qualquer modo, impõe-se uma ressalva: este número (78 AK 47 capturadas pelas NT) deve dizer apenas respeito ao Exército, não incluindo a Marinha e a FAP (tropas paraquedistas)...

E deve pecar por defeito... Julgamos que, depois da Op Mar Verde (invasão anfíbia de Conacri, em 22 de novembrod e 1970), terão passado a haver, disponíveis no TO da Guiné, mais umas centenas de AK 47 que foram compradas, no estrangeiro, para equipar a força invasora. 
__________________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 8 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27899: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XXXIII: da "cobiçada" Kalash do IN ao nosso obus 14

(**) Último poste da série > 9 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27904: (De)Caras (247): Memórias da ida para a Guerra da Guiné integrado na CART 3494 (Sousa de Castro, ex-1.º Cabo Radiotelegrafista)

(***) Vd. postes de:


quarta-feira, 8 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27899: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XXXIII: da "cobiçada" Kalash do IN ao nosso obus 14


Foto nº 1 > O alferes Pires (à esquerda), com o oficial de dia (em segundo plano) e o alf graduado capelão José Torres Neves (examinando a "cobiçada" Kalash dos "turras")


Foto nº 2 > 28º Pel Art (obus 14 cm)


Foto nº 3 > A ponte nova



Foto nº 4 > Pòr do sol na ponte nova



Foto nº 5 > Passeio de domingo, paragem perto da ponte nova


Foto nº 6 > A antig ponte, em ruínas


Foto nº 7 > Messe de oficiais

Guiné > Zona Oeste > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) >


Fotos do álbum do Padre José Torres Neves, antigo capelão militar.


Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mais um conjunto de fotos sobre Mansoa, enviadas no passado dia 21 de janeiro pelo nosso camarada e amigo Ernestino Caniço.

Como é sabido,. tem sido o guardião, solicito, zeloso, dedicado, entusiasta, do álbum fotográfico da Guiné, do padre missionário da Consolata, José Torres Neves, natural de Meimoa, Penamacor.

O Padre José Torres Neves, antigo capelão do BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) reformou-se recentemente de uma vida inteira, generosa, abnegada, dedicada às missões católicas, nomeadamente em África.

Entrou para a Tabanca Grande, em 22/2/2022, pela mão do Ernestino Caniço, que é médico. É o nosso grão-tabanqueiro nº 859. Tem cerca de meia centena de referências no nosso blogue.

Segundo o Ernestino Caniço, seu amigo de longa data, deste os tempos de Mansoa, o álbum deve conter cerca de 400 fotos (obtidas a partir de "slides"), dos quais já teremos publicado mais de metade.

Em geral as fotos trazem sumárias legendas (ou títulos). Sem data. E não vêm numeradas.  

(Revisão / fixação de texto: LG)

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27769: Historiografia da presença portuguesa em África (518): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1962 (76) (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 12 de Setembro de 2025:

Queridos amigos,
Recorda-se ao leitor que surgiu, já no ano anterior, e agora às catadupas, extensa legislação, sobretudo emanada do Ministério do Ultramar. O investigador António Duarte Silva, em "O Império e a Constituição Colonial Portuguesa (1914-1974)", imprensa de história contemporânea, 2019, dá conta deste conjunto de reformas de 1961, sob a égide de Adriano Moreira (Páginas 208 a 214). O reflexo desta legislação na Guiné não se fez esperar. Como o leitor verificará, tomam-se medidas como os julgados municipais de trabalho ou as comissões municipais. Não há guerra de guerrilhas declarada, mas o Boletim Oficial não esconde em louvores ações que por vezes terminam com a morte de guineenses, membros da Polícia Administrativa e são igualmente retirados de funções pessoas "por práticas de atividades contrárias ao interesse nacional". Peixoto Correia deixa a Guiné em outubro, dentro em breve será Ministro do Ultramar; a escolha do novo governador recai de novo na Armada, trata-se do Capitão-de-Fragata (aviador) Vasco António Martins Rodrigues, que chega a Bissau em 21 de dezembro de 1962. Viverá, obviamente, as primeiras ações de guerrilha, a desarticulação do Sul. Num quadro que é historicamente turvo, entrará em desavença com o comandante-chefe, Brigadeiro Lourdes Sousa, têm abordagens estratégicas diferentes, as quezílias ganharão notoriedade, em abril de 1964 serão os dois removidos e entra na Guiné o Brigadeiro Arnaldo Schulz, dirá que resolverá a guerra em poucos meses.

Um abraço do
Mário



Província da Guiné Portuguesa
Boletim Oficial da Guiné, 1962 (76)


Mário Beja Santos

A apresentação do Boletim Oficial mudou profundamente, não de look, mas de natureza. Já lá vão os tempos em que a esmagadora legislação era nada e criada na Guiné, já não falo dos relatórios de campanhas e expedições, reporto-me exclusivamente às informações que eram dadas tantas vezes com carácter não oficioso, matéria viva para análise do estudioso. Os acontecimentos de Angola, no ano anterior, despoletaram uma nova política ultramarina, com Adriano Moreira o acervo legislativo emanado do Governo central passa a aparecer no Boletim Oficial das Províncias. Fica, pois, muito diluída a informação local, esta ganhou formalidade e monotonia: questões avulsas, nomeações, reforço de verbas para as forças aéreas ultramarinas em vigor na Guiné, propostas de fornecimento… é óbvio que vão avultar os acontecimentos da guerra, será o caso de como se regularizam as condições em que os militares da Armada prestam serviço nos comandos navais e de defesa marítima do ultramar ou a restruturação das normas que devem regular nas províncias ultramarinas as organizações de voluntários em caso de necessidade de prestar colaboração às Forças Armadas; isto para sublinhar que é importante esmiuçar com atenção o rame-rame de medidas como as licenças para tratamento, as disposições do Conselho Superior de Disciplina do Ultramar, os anúncios de concursos, das medidas que revelam a emergência da guerra, como é o caso das instruções para o abono da alimentação por conta do Estado e da subvenção de campanha. São estas redações, mesmo orientadas para um espaço superior ao da Guiné que nos convocam para a sabermos o que está a mudar, veja-se este exemplo:
“Os militares e os civis militarizados que, nas províncias ultramarinas, façam parte das forças com a missão de restabelecer a ordem nas zonas onde a ação terrorista ponha em perigo as condições normais da existência da população, têm direito a: vencimentos normais que lhes competem quando em serviço na província; alimentação por conta do Estado; subvenção de campanha.” Mas também medidas como a atualização do regime de ajudas de custo de embarque e subsídio de interrupção de viagem relativos às forças terrestres ultramarinas. Ganhou premência a abertura de créditos a inscrever em adicionamento à tabela de despesas extraordinárias do orçamento.

Enfim, a guerra está a mudar o decisor político. Veja-se o Decreto-Lei n.º 44356, da Presidência do Conselho, no Boletim Oficial n.º 22, de 2 de junho:
“É gratuita a admissão e instrução em todos os estabelecimentos de ensino do Estado dos filhos dos indivíduos falecidos, mutilados, estropiados ou por qualquer forma incapacitados ao serviço da Pátria. O internamento em estabelecimentos de ensino do Estado poderá ser gratuito ou beneficiar de redução quando as condições materiais dos estudantes abrangidos pelo presente diploma o justifiquem.”

É claro que a vida continua, tomam-se medidas compatíveis com as regras do comércio, é o caso do regime respeitante à determinação, prova e verificação de origem nacional das mercadorias transacionadas entre territórios nacionais; ou institucional como a organização da Guarda Fiscal. O Ministério do Ultramar não para, pelo Decreto n.º 44310, a revogação do Estatuto dos Indígenas e mais recentemente do Código do Trabalho Indígena implica a revisão da estrutura dos Tribunais de Trabalho, respetiva competência e processo aplicável; e aquela necessidade que mais se evidencia com a publicação do Código do Trabalho Rural (relações jurídicas de trabalho emergentes de qualquer convenção em virtude da qual uma pessoa, mediante remuneração, preste serviços a outra, sob direção desta); e há medidas fiscais que abrangem as províncias ultramarinas, caso do imposto sobre os proventos de cargos públicos; temos também a autorização que se dá aos governadores das províncias de Cabo Verde e da Guiné para abrir créditos, com contrapartida no saldo das contas de exercícios findos.

Há quem diga que a guerra de guerrilhas na Guiné começou em janeiro de 1963, o que não é rigorosamente verdade, basta ler-se o louvor a um 1.º Cabo do Corpo da Polícia de Segurança Pública pelo zelo, dedicação, valentia e patriotismo evidenciado numa ação efetuada pelas forças da ordem, concorrendo decisivamente para a captura de um indivíduo que pretendia praticar atos de subversão na Província. Há também referência à organização de autodefesa por parte das empresas consideradas como indispensáveis à vida regular da Província, é o caso de: António Silva Gouveia; Sociedade Comercial Ultramarina; Mobil Oil; SACOR; Shell e B.P. Sim, há guerra, veja-se o louvor dado ao cipaio Cofai Turé, da Administração do Concelho de Farim, pelo zelo, dedicação, valentia e patriotismo com que desempenhava várias missões de segurança, qualidades que especialmente evidenciou ao participar na madrugada de 24 de agosto na povoação de Cã Quelu, área de Mansabá, numa ação efetuada pelas forças da ordem da qual resultou a sua morte ao serviço da Pátria.

Mas há muito mais: foi aprovado o Código do Trabalho Rural, prosseguem os anúncios de concursos, autoriza-se a instituição de julgados municipais de trabalho nas sedes das comarcas. Ainda não há guerra de guerrilhas, mas há seguramente subversão: foram demitidos dos cargos de regedores de Caió e Churo e de alferes de 2.ª linha Francisco Mango e Luís Belencante Rodrigues dos cargos de encarregados do regulado de Indafe e Ocante Agebane por práticas de atividades contrárias ao interesse nacional. Há notícias da PIDE, partidas e chegadas de elementos. Foi publicado o Regulamento sobre o movimento migratório na Província: “É proibida a fixação na Província de quaisquer pessoas cuja presença seja inconveniente, mormente os que pela sua presença possam causar alteração da ordem pública ou outros graves inconvenientes, quer de ordem interna quer de ordem internacional.”

Peixoto Correia segue para a metrópole em 30 de outubro, assume funções de Encarregado de Governo o Coronel João Augusto da Silva Bessa. O novo governador, Capitão-de-Fragata (Aviador) Vasco António Martins Rodrigues chega a Bissau em 21 de dezembro.

Retém-se da mensagem de despedida de Peixoto Correia:
“A melhor e mais sã colaboração que podem dar ao meu substituto é de amarem constantemente Portugal, repudiando qualquer aliciamento no sentido deste território alinha com os países onde se notam já evidentes sinais de perturbação social e económica, devido à saída dos europeus.” E acena com o caos das lutas tribais que sem a presença dos portugueses não podiam ser facilmente dominadas.

Família Fula
Dança da “banda” Nalu
Penteado Saracolé
Regedor de Jugudul, de etnia Balanta, concelho de Mansoa

Estas quatro imagens foram reproduzidas do Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, ano de 1962

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 18 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27747: Historiografia da presença portuguesa em África (517): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1961 (75) (Mário Beja Santos)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27673: Notas de leitura (1889): "Vida e Morte na Grande Bolanha do Rio Mansoa", por Albano Dias da Costa; primeiro Prémio Literário Antigos Combatentes, atribuído pelo Ministério da Defesa Nacional, 2022 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 27 de Agosto de 2025:

Queridos amigos,
Faz todo o sentido uma breve recapitulação da trajetória da literatura da guerra colonial. Primeira fase: a exaltação das façanhas do soldado português, lembre-se Armor Pires Mota, as reportagens propagandísticas, a literatura encriptada de Álvaro Guerra. Segunda fase: o 25 de abril, os ajustes de contas, a procura da certidão da verdade sob a forma de romance, poesia, novela, conto, entra em cena a literatura memorial. Terceira fase: a matura idade, o período dos grandes romances, caso de Nó Cego, de Carlos Vale Ferraz, as obras de Lobo Antunes, de João de Melo. Quarta fase: as investigações, a manutenção de um quadro caleidoscópico para toda esta literatura, algo que se irá prolongar até aproximadamente década de 2010; daí em diante, vai pontificando a literatura memorial, pode bem acontecer que haja inéditos guardados nas gavetas, mas está praticamente tudo inventariado, resta o rodopio da memória. É o que faz Albano Dias da Costa com a sua prosa narrativa, andou pela Guiné nos primórdios da guerra, reduz ao essencial as atribulações e as perdas humanas, inesquecíveis; regressa à infância e dá-nos alguns parágrafos luminescentes do Alto Douro Vinhateiro. Não sou de profecias, mas estamos a voltar à guerra com os cartuchos que nos restam, não se pode subestimar o antes e o depois.

Um abraço do
Mário



A literatura memorial destronou todo o processo ficcionista da guerra colonial

Mário Beja Santos

Vida e Morte na Grande Bolanha do Rio Mansoa, prosa narrativa, por Albano Dias da Costa, primeiro Prémio Literário Antigos Combatentes, atribuído pelo Ministério da Defesa Nacional, 2022, é mais uma evidência de que a literatura memorial deixou muito para trás todos os processos de ficção, desde o romance ao diário. O protagonista e narrador, o Tenente Miliciano Luís Lapa, é o alter ego de Albano Dias da Costa, como ele próprio escreve: “Na presente narrativa, o autor transpõe temas de uma reflexão ensaística para uma narrativa ficcionada; procura exprimir numa diegese (realidade própria da narrativa) memorialística, o testemunho de quem também a viveu e padeceu.” Temos um prologo com o regresso de Luís Lapa da Guiné até à terra natal, a Folgosa, no Alto Douro, que ele escreve com o sobrepeso da emoção, envolvendo-nos com o colorido dos detalhes.

O primeiro episódio narra a sua partida para a Guiné, ele pertence à CCAÇ 413, bolanha do rio Mansoa, vai experimentar-se os horrores da guerra. Segundo episódio temos a tormentosa viagem numa operação em que ele irá desativar uma mina, voltaremos a tal ambiente, Lapa conhecerá os ferimentos. No terceiro episódio, no regresso a casa, agraciado com uma Cruz de Guerra, haverá uma extensa reflexão acompanhada de uma conversa com um Major no comboio, temo-lo em Coimbra, na retoma dos seus estudos. E o epílogo, o reencontro com a mãe, acompanhado de um poderosíssimo texto de amor à terra onde nasceu e se criou, aquele ponto do Alto Douro.

O regresso a casa é feito das lembranças: “Quando, antes, se deslocava ao Porto, recordava ele, a viagem era feita nos bancos duros de madeira das carruagens da terceira classe. Respirava-se o cheiro doloroso das merendas e o odor acre do vinho à mistura com discussões intermináveis intercaladas de impropérios.” Nessa viagem irá conhecer Maria Inês, encontro decisivo para o futuro dos dois. No apeadeiro toma a barca que o vai levar a casa, rememora o caminho poeirento que calcorreara para apanhar o comboio para ir à Régua, a Lamego, aos estudos em Coimbra, vem-lhe à mente mais recordações deste Alto Douro Vinhateiro, chega a casa: “A Folgosa era uma rua. Nascia lá em baixo, à beira do rio, junto da paragem da carreira de Tabuaço. Subia, depois, íngreme, estreita e sinuosa, até morrer lá em cima, junto da igreja. Aí, acabava o mundo.” Mais recordações da escola, dos exames, das brincadeiras, a dureza das caminhadas. O tenente miliciano Luís Lapa não gostou do acolhimento, perguntas incómodas. “Depois da guerra, os combatentes desmobilizados tinham ainda de suportar as agruras e as incompreensões de um país rural à deriva, alheado do conflito interminável que se desenrolava nas colónias da África distante.”

Chegou à Guiné ainda a guerra mal começara, a sua unidade é lançada na grande bolanha do rio Mansoa. Lança-se em profundas meditações, não faltam os filósofos gregos nem a pensadora Hannah Arendt, nem Santo Agostinho. Ouve no seu gira-discos a pilhas a Missa Solene de Beethoven. Esteve destacado na povoação de Encheia, localizada na margem noroeste da bolanha do rio Mansoa. “Lá chegado, em finais de junho do ano anterior, encontrou uma pequena povoação perdida no meio de cajueiros, constituída apenas por três habitações edificadas no alto de uma pequena elevação sobranceira à extensa bolanha serpenteada pelo rio Mansoa: a casa do chefe do posto, o celeiro anexo e o pequeno estabelecimento de um comerciante libanês, uma construção rudimentar de paredes de adobe cobertas de chapas de zinco. Adiante, de um lado e de outro da estrada de Bissorã, alinhavam-se algumas palhotas com uma ampla varanda onde homens de balandrau branco exerciam ofícios vários, de ferreiro, de alfaiate, de cesteiro.” E experimentam-se as flagelações.

Prometi voltar ao episódio em que Luís Lapa desmonta uma mina anticarro: “Pousou a arma no chão. Com o sabre, começou a afastar lentamente a terra que a envolvia. E, de repente, surgiu a cabeça da espoleta do temível engenho. Muito devagar, retirou as pedras que restavam à sua volta. A seguir, soprou para afastar a poeira que ainda a ocultava. E ei-la, brilhante e desafiadora, feita atração do abismo! Por breves instantes, contemplou-a, emudecido, sentia-se como se estivesse hipnotizado diante da cabeça de uma serpente que ia atacá-lo a todo o momento com a língua bífida.” A dureza do momento merece-lhe um digno desenvolvimento, o episódio acaba bem, mas a continuação da operação é manchada por o Cabo Serafim, moleiro de Temilobos, ter pisado uma mina antipessoal, não resistirá aos sofrimentos. A marcha prossegue, inesperadamente a coluna é sacudida por uma emboscada, o Sargento Santos atingido mortalmente na cabeça, há feridos, Luís Lapa incluído, ficará longo tempo internado no Hospital Militar de Bissau.

Dá-se a rendição da CCAÇ 413, ansiosamente esperada perante 751 infindáveis dias e noites. O texto polvilha-se de muitas considerações à posteriori, a conversa com o sr. Major no comboio só pode ser aceite ao nível da ficção, era totalmente impensável em 1965.

O texto tem agora parágrafos magníficos, já Luís Lapa despiu a farda, e ao som da missa solene vamos acompanhar uma esplêndida ode ao Douro de Cima-Corbo, terra de bom vinho, espesso e rijo. A mãe falece, o tenente na disponibilidade volta para Coimbra, de onde não alberga recordações amigáveis, vem ao encontro de Maria Inês, toda a missa solene de Beethoven irá acompanhar o derradeiro escrito. “Apenas iria persistir dentro de si, transfigurada pelo distanciamento no tempo, a Guiné dos Balantas fiéis ao barrete vermelho com que coroavam as suas cabeças, algumas paisagens ainda com a virgindade deslumbrante com que o criador lhes ofereceu aquando do Génesis e o cheiro da terra quente e avermelhada da grande África.”

Esta prosa narrativa é precedida de uma apresentação pelo General Chito Rodrigues, tece considerações sobre a guerra e enfatiza o trabalho de Albano Dias da Costa, sobretudo a magnífica descrição dos cinco momentos do ciclo da vinha, texto entremeado pelo reencontro com a mãe que irá falecer.

Estou em crer que o leitor não contestará quando digo que depois de décadas estuantes de romance, conto, novela, poesia, diarística, reportagem e afins, a idade confina o combatente aos escaninhos da memória, à trajetória que vai do antes ao durante, até ao peso maior do remanescente que fica como saudade, resquício de solidariedade, mágoa pela indiferença dos outros, talvez culpa por acontecimentos em que interveio e em que se pensa que podiam ter decorrido de outra maneira, agora só resta o apaziguamento.

Quartel de Mansoa. Imagem do Padre José Torres Neves, publicada no nosso blogue, com a devida vénia
Ponte sobre o rio Mansoa. Imagem do Padre José Torres Neves, publicada no nosso blogue, com a devida vénia
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Nota do editor

Último post da série de 23 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27663: Notas de leitura (1888): "Porto, 1934 a Grande Exposição", por Ercílio de Azevedo; edição de autor, 2003 (Mário Beja Santos)

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27612: In Memoriam (568): António José Mendes Matias (1949-2022), ex-Soldado At Inf da CCAÇ 3305/BCAÇ 3832; fica inumado, simbolicamente, à sombra do nosso poilão, no lugar n.º 910

IN MEMORIAM

António José Mendes Matias (Vide, Seia, 12/08/1949 - Coimbra, IPO, 22/02/2022)
Ex-Soldado At Inf da CCAÇ 3305/BCAÇ 3832
Mansoa, 1971/73

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1. Mensagem de Paulo Matias, filho do nosso camarada António José Mendes Matias, com data de 5 de Janeiro de 2026:

Chamo-me Paulo Matias e sou filho de um soldado atirador da CCaç 3305/RI2 (pertencente ao BCac 3832 que esteve em Mansoa) chamado António José Mendes Matias.

Tomei conhecimento deste website através de um amigo meu que o encontrou e me aconselhou a visitar.

Lamento informar, mas o meu pai faleceu em 2/2/2022, no IPO de Coimbra, vitima de cancro. Ele nasceu a 12 de Agosto de 1949 no lugar de Vide, concelho de Seia, onde vivia.

Gostaria de conhecer histórias desse tempo e partilhar algumas histórias que o meu pai me contava em conversas. Ele tinha muitas vezes reservas em falar destes assuntos e pouco me contava.

Em anexo junto 2 fotos antigas (não sei se foram tiradas em Mansoa ou no quartel de Abrantes antes de embarcar) e 1 atual do meu pai.

Caso pretendam contactar-me ou enviar noticias do vosso blog, utiliem o meu email

Com melhores cumprimentos,
Paulo Matias

Fotos sem data e sem indicação do local
António José Matias, o primeiro a partir da esquerda, de pé

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2. Mensagem enviada ao nosso amigo Paulo Matias no mesmo dia:

Caro Paulo Matias

Muito obrigado pelo seu contacto.
Primeiro que tudo, aceite os nossos sentimentos pela perda do senhor seu pai.
Falando do meu camarada António José Matias, ele ainda foi meu contemporâneo, eu estava cerca de 30 km mais a norte, em Mansabá.

Do batalhão do seu pai, faleceram dois furriéis sapadores em Fevereiro de 1971, pouco tempo após terem chegado à Guiné e a Mansoa. O incidente aconteceu uns quilómetros a norte de Mansabá, quando me encontrava a gozar férias em Portugal. Foi um choque para mim quando regressei e me deram a triste notícia. Mal tive tempo de os conhecer.

Uma vez que nos mandou fotografias do pai, se aceitar, gostaríamos de o receber a título póstumo na nossa Tabanca Grande, nome por que é conhecido o nosso Blogue. O seu nome ficará a constar na listagem dos nossos camaradas que já partiram. Veja aqui:
https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/p/tabanca-grande-lista-alfabetica-dos-897.html

No próximo contacto diga-nos se aceita a inclusão do seu pai na tertúlia.

Também queríamos que identificasse o seu pai na foto do grupo. Veja nas costas da foto se por acaso tem o local onde foi tirada.
Deixo-lhe dois links para explorar, um da CCAÇ 3305 (https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/search/label/CCA%C3%87%203305) e
outro do BCAÇ 3832 (https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/search/label/BCA%C3%87%203832)

Não esquecer que ao fim de cada página apresentada tem de clicar em "Mensagens antigas" até receber a mensagem para voltar à página inicial.

Ficamos na expectativa do seu contacto.
Receba um abraço dos editores e da tertúlia.

Carlos Vinhal
Coeditor


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3. Mensagem enviada ao blogue no dia 6 de Janeiro pelo Paulo Matias:

Caro sr Carlos Vinhal

Relativamente à proposta de inclusão do meu pai na tabanca, autorizo sem qualquer problema, estejam a vontade.

Agora que falou nos 2 furrieis, lembro me que o meu pai me contou uma história envolvendo uma emboscada. Que ele é que costumava levar o cinto das munições (se não for termo correto, as minhas desculpas) e que certa vez sairam para missão qualquer e um colega dele lhe disse que naquele dia ele quis levar o cinto e trocaram de lugar, passando para a frente do meu pai. 

Durante o trajeto lá no carreiro, foram atacados e esse colega dele foi atingido com uma bala e acabou por morrer. Talvez tivesse sido por este eventual trauma ele não gostasse de recordar esses tempos, digo eu. Ele dizia se tivesse ido normalmente no lugar, eu não teria nascido. Gostaria de saber mais sobre esse soldado, mas meu pai nunca me disse mais nada sobre isso.

Em relação a foto do grupo, o meu pai é o que está de pé atrás com a boina e camisa, e mãos à cintura, do lado esquerdo quem olha para a foto. Já verifiquei atrás e só tem números "25" e "11" e mais nada escrito. Talvez através dos edificios surgem atrás e comparando com outras fotos se consiga descobrir o local onte foi tirada. Mas dá ideia ser no quartel, talvez em Mansoa.

Cumprimentos,
Paulo Matias


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4. Comentário do editor CV:

Caro amigo Paulo Matias,

O seu pai vai passar a partir de hoje a figurar no nosso obituário e terá o n.º 910 da nossa tertúlia.

A história que ele contava àcerca da troca de lugar nas progressões apeadas ou em colunas auto, eram frequentes pelo que ele não teve teve culpa do infortúnio que vitimou o seu camarada, que tinha a sua morte destinada para aquele dia e naquele local.

Quanto ao transporte das munições, os pelotões normalmente eram compostos pela secção da metralhadora, que seguia à frente, pela secção da bazuca, que seguia a meio, e pela secção do morteiro 60 mm, por acaso a que eu comandava no meu pelotão, que seguia atrás. 

O pessoal de cada secção levava as respectivas munições, tais como fitas para a metralhadora e granadas para a buzuca e para o morteiro. Muitas vezes alombei com granadas de morteiro ao ombro quando em progressões apeadas no mato. Cada um ainda tinha de carregar, além da sua G3, 4 carregadores de reserva para a arma, 4 granadas ofensivas/defensivas, 1 ou 2 cantis com água e, por vezes a ração de combate para o dia.

Inclino-me para que as fotos sejam tiradas na Guiné (Mansoa?), primeiro pelo piso tão maltratado, talvez por chuvadas recentes, depois porque na Metrópole não se admitiam militares em troco nu.

Termino, deixando-lhe um abraço em nome da tertúlia e dos editores.
Ficamos à sua disposição
Carlos Vinhal

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Nota do editor

Último post da série de 6 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27609: In Memoriam (567): Horácio Neto Fernandes (1935 - 2025): "Maldita pátria amada, odiada, esquecida, / e quase sempre perdoada, / que tantos filhos pariste e rejeitaste!" (Luís Graça)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27606: Notas de leitura (1881): "Quatro Personagens à Procura de Abril", por Luís Reis Torgal; História e Memória, Temas e Debates, 2025 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 29 de Abril de 2025:

Queridos amigos,
O professor Reis Torgal foi oficial de Transmissões na Guiné, vem agora lembrar quatro personagens que ele associa aos tempos da ditadura, aos combates pela liberdade. Conviveu com o padre Mário e com Carlos Fabião. Sobre o padre Mário já aqui se fez a recensão do seu livro Como Eu Fui Expulso de Capelão Militar, acho que foi o momento azado para falar de Carlos Fabião. Ainda recentemente fui convidado a perorar na Faculdade de Letras quanto às encruzilhadas dos antigos combatentes, apareceu lá uma senhora doutora que entrou de pé em riste pelo crime praticado quanto ao abandono de comandos e milícias guineenses que tiveram de fugir ou que foram fuzilados. Deu-me uma coisa má e perguntei à dita senhora doutora se a História passou a ser por decreto uma História do depois, se não existe o antes e o durante. E falei em Carlos Fabião que se reuniu vezes sem conta com os comandos e os fuzileiros pedindo-lhes insistentemente que mesmo que fosse uma fase transitória que viessem até Portugal, na generalidade não aceitaram, diziam igualmente que o PAIGC os iriam tratar com dignidade. Mas Carlos Fabião que fez da Guiné nesse período que começou em maio de 1974 e findou em outubro não conta para a historiografia do pós-colonial.

Um abraço do
Mário



Um historiador de referência homenageia um capitão de abril, talvez o oficial que melhor conheceu a Guiné e as suas gentes

Mário Beja Santos

Luís Reis Torgal, professor catedrático aposentado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com currículo invejável no ensino e na ciência da História, cumpriu o serviço militar obrigatório na Guiné em 1968-69, uma das razões pelas quais escreveu Quatro Personagens à Procura de Abril, História e Memória, Temas e Debates, 2025. Vai discorrer longamente do Estado Novo ao 25 de Abril, mas por dever de memória selecionou quatro personagens com provas dadas dos combates pela liberdade e pela democracia: Luís de Sttau Monteiro, autor teatral e jornalista, Joaquim Santos Simões, ativista cultural, Mário de Oliveira, o Padre Mário ou o Padre de Macieira da Lixa, com quem o autor conviveu em Mansoa, e Carlos Fabião, um infortunado capitão de abril, derradeiro governador da Guiné, a quem a historiografia tem sido madrasta, ignorando praticamente o seu labor ao longo de um número inusitado de comissões que teve na Guiné. Justifica-se plenamente que se foque em exclusivo a nossa atenção em Carlos Alberto Idães Soares Fabião (1930-2006).

Reis Torgal era oficial de Transmissões em Mansoa, aí conheceu o Major Fabião, este esteve em comissão de serviço na Guiné 1955-1961, assistiu ao chamado Massacre do Pidjiquiti que considerou que foi pouco mais do que “uma guerra entre os polícias Papéis e os estivadores Manjacos”; com o início da guerra em Angola foi mobilizado como capitão, no BCAÇ 132, voltou à Guiné em 1965, aqui é condecorado em 1967 e promovido a Major por distinção; em março de 1968 apresentou-se no Comando de Agrupamento 2952, cobria o vasto Setor Oeste, abarcava os batalhões de Mansoa, Bula, Teixeira Pinto, Mansabá, Farim e S. Domingos, era o oficial de operações. Em julho de 1968, Fabião e Torgal serão transferidos para o Comando de Bissau (COMBIS), Fabião tornou-se auxiliar de Spínola. Finda esta comissão, voltou à Guiné em 1971-1973, estando à frente do Comando Geral das Milícias, regressa a Lisboa e é colocado no Centro de Estudos Psicotécnicos do Exército. Reis Torgal repertoria um conjunto epistolar trocado neste período, algumas destas cartas serão discretamente vigiadas pela PIDE/DGS.

Carlos Fabião ganha notoriedade quando denuncia no curso do Estado-Maior do Instituto dos Altos Estudos Militares, em 17 de dezembro de 1973 que estava no ar um golpe de direita contra o regime que se dizia ser promovido pelo General Kaúlza de Arriaga, foi transferido para Braga, para o Distrito de Recrutamento Militar. Depois do 25 de Abril regressa à Guiné como encarregado do Governo e da Junta de Salvação Nacional, equiparado a Governador, e só começou por ser muito espinhosa dado os sonhos mirabolantes de Spínola que desejava voltar à Guiné e com a estranhíssima missão de vir consagrar os propósitos de uma autodeterminação, isto quando o PAIGC já tinha proclamado unilateralmente a independência em 24 de setembro de 1973 com o reconhecimento de um número impressionante de Estados da ONU; a historiografia não lhe faz a devida justiça por ter procurado trazer para Portugal fundamentalmente os elementos guineenses das tropas especiais, é neste período que se encetam conversações com as forças do PAIGC no interior do território, Fabião estará sujeito a um tremendo desgaste e com elevados custos a nível psicológico nesta estadia que ocorreu entre 7 de maio de 15 de outubro de 1974, graduado em Brigadeiro. Isto quando tudo parecia facilitado pelos acordos de Argel onde o PAIGC até assegurava a plena integração dos militares que tinham colaborado com as Forças Armadas portuguesas num corpo único de Exército, o que se veio a revelar um dramático sanguinolento embuste.


Fabião regressa a Portugal depois da demissão de Spínola, é nomeado para substituir Jaime Silvério Marques na Junta de Salvação Nacional, no Conselho de Estado e no Conselho dos Vinte e toma posse do alto posto do Chefe de Estado-Maior do Exército, graduado em General de quatro estrelas. Vinha esgotado e foi apanhado no vórtice do PREC, é neste período que irão ocorrer acontecimentos para ele infaustos – o juramento de bandeira no RALIS, incidentes no RASP, entregas de armas de Beirolas aos paraquedistas sublevados – que irão ditar a sua não promoção a Coronel, mais tarde. Na previsão da queda do Governo de Vasco Gonçalves, terá sido convidado para vir a ser Primeiro-Ministro. Ao sair da cena política, dar-lhe-ão um novo Distrito no Recrutamento Militar. Irá contestar vivamente a decisão do Conselho da Arma de Infantaria que considerou não vir a ser coronel. Então sai de cena, dedica-se a produzir o “Guia do Terceiro Mundo”, colaborará com o Centro de Documentação 25 de Abril, foi Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente Lusitano. A justiça virá tarde, o Presidente Jorge Sampaio concede-lhe em 2004 o grau de Grande Oficial da Ordem da Liberdade.

Reis Torgal recorda-o pela camaradagem, pelo profundo conhecimento que tinha da realidade guineense, pelo esforço que foi o de estar à frente, na Guiné, quase sempre no fio da lâmina, e o seu sentido de dever, como capitão de abril, de aceitar incumbências no turbilhão do PREC, certamente num estado psicológico fragilizado e, conforme rezam as cartas que enviou a Reis Torgal, entristecido, amarfanhado por tanta crispação. Dirá numa dessas cartas:
“Sobre o seu comentário acerca do Poder e das intrigas, quero confessar-lhe que o que mais me choca é o estalinismo de todos os nossos partidos políticos. Jogam com as pessoas, ‘cortam’ cabeças, levantam calúnias sobre os adversários sem o menor pudor. Exigem, é o termo, o ámen, ámen para todas as decisões, mesmo as mais absurdas. Eu só acredito no diálogo e nos consensos que se obtêm por cedências recíprocas. O resto é matar a liberdade e a criatividade que dela emana. O povo descrê, desinteressa-se da política e fica à espera, cada vez com mais ansiedade. E se há coisas que eu tema, são os Messias que aparecem quando se criaram as condições para que eles apareçam.”
Há muita Guiné, muitas memórias do Padre Mário e de Carlos Fabião.


Dirá Reis Torgal das quatro personagens referidas: “São personalidades por vezes esquecidas ou só episodicamente lembradas, porque acompanharam a vitória de abril, mas também forma, de modo diferente em cada caso, vencidas, pelos princípios que assumiram, pelo seu caráter e temperamento, pelas circunstâncias e pelo tempo.”
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Nota do editor

Último post da série de 2 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27596: Notas de leitura (1880): Uma publicação guineense de consulta obrigatória: O Boletim da Associação Comercial, Industrial e Agrícola da Guiné (7) (Mário Beja Santos)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27589: Em busca de... (330): Maria João Sá Lopes pretende contactar camaradas de seu tio Vítor Manuel da Silva de Sá Lopes, ex-Fur Mil Op Esp da CART 3567, falecido em 21 de Maio de 1973, numa emboscada a uma coluna auto na estrada Mansabá-Mansoa


1. Mensagem de Maria João Sá Lopes, enviada hoje mesmo ao nosso Blogue atravé do Formulário de Contacto do Blogger:

Caro Luís Graça e editores do blogue,

Escrevo-vos com o coração cheio de esperança na vossa vasta rede de camaradagem.

Sou sobrinha do Furriel Miliciano de Operações Especiais Vítor Manuel da Silva de Sá Lopes, natural de Água Longa (Santo Tirso), que serviu na CART 3567, integrada no BCAC 4612, em Mansoa/Mansabá.

O meu tio faleceu em combate no dia 21 de Maio de 1973, numa emboscada na zona de Cutia, quando a coluna seguia de Mansabá para Mansoa.

Encontrei recentemente o relato emocionante do Dr. António Vasconcelos de Castro sobre esse dia trágico, que descreve a chegada das viaturas a Mansoa e o sacrifício do meu tio e dos seus camaradas.

Gostaria de pedir a vossa ajuda para chegar aos antigos camaradas da CART 3567 (mobilizada pelo RAL 5 de Penafiel) ou do BCAC 4612.

O meu objetivo é:
Tentar encontrar fotografias onde o meu tio apareça (em grupo, no quartel ou em operações).

Recolher algum testemunho de quem tenha convivido com ele e que possa partilhar um pouco de como ele era enquanto camarada de armas.

Ele encontra-se sepultado em Ermesinde e a nossa família guarda com muito respeito a sua memória, mas faltam-nos as imagens desse tempo que ele viveu convosco na Guiné.

Agradeço antecipadamente toda a ajuda que puderem dar na divulgação deste apelo no vosso blogue.

Com os melhores cumprimentos e estima,
Maria Joao Sá Lopes


Estrada Mansabá-Mansoa > © Infogravura Luís Graça & Camaradas da Guiné

2. Comentário do editor Carlos Vinhal

Cara amiga Maria João
Muito obrigado pelo interesse em saber notícias do seu tio Vítor.

Conheço um camarada do seu tio, o Luís Bateira, também ele Furriel Miliciano da CART 3567, a quem enviei já a sua mensagem, pedindo para entrar em contacto consigo.

Da tertúlia do nosso Blogue, faz parte o Coronel António José Pereira da Costa que, enquanto Capitão, comandou em Mansabá a CART 3567. Também enviei para ele a sua mensagem.

Esperemos que pelo menos um deles nos possa dar alguma informação.

A título informativo, fica aqui a nota do falecimento na mesma emboscada dos Soldados:
- Francisco António Cordeiro, natural do concelho de Torre de Moncorvo
- Jaime do Livramento Alexandre, natural do concelho de Alcobaça e
- José de Jesus Pessoa, natural do concelho de Cantanhede.

Eu também estive em Mansabá, a minha CART 2732 esteve ali colocada entre Abril de 1970 e Fevereiro de 1972. A CCAÇ 2753 substituiu-nos naquela data até à chegada da CART 3567 em Abril do mesmo ano.

Também nós perdemos naquela maldita estrada, em Mamboncó, em Dezembro de 1971, dois companheiros do meu pelotão, o Manuel Vieira e o José Espírito Santo Barbosa, a pouco tempo de terminarmos a nossa comissão de serviço e irmos para Bissau aguardar embarque para regressarmos definitivamente a casa.

Por agora é tudo quanto podemos fazer por si e pela memória do seu tio.
Continuamos ao seu dispor, vá-nos dando notícias do que conseguir obter.

Os nossos cumprimentos

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Nota do editor

Último post da série de 24 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27349: Em busca de... (329): Fur Mil Art Silva, de Rio Tinto - Porto, que fez parte da CART 6552/72 (Cameconde, Cacine e Cabedú, 1973/74), companhia que, estando mobilizada para S. Tomé, acabou por ir cumprir a sua comissão de serviço na Guiné (João Ferreira, ex-Fur Mil Art da CART 6254/72)

domingo, 7 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27501: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XXXII: crianças

 


Foto nº 1 >  Crianças em "dança a pedir festa". Em segundo plano, as instalações do quartel: quartos dos oficiais e sargentos.


Foto nº 2 > Meninos ensaiando dança (1)




Foto nº 3A e 3 >  Meninos ensaiando dança (2)


Foto nº 4 > Meninos rezando a N. Sra. Fátima


Foto nº 5 > Interior da igreja


Foto nº 6 > A Marina da mancarra


Foto nº 7 > Maria e Fátima



Foto nº 8A e 8 > Delegação de saúde


Guiné > Zona Oeste > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) >  

Fotos do álbum do Padre José Torres Neves, antigo capelão militar.



Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Alferes graduado capelão José Torres Neves,  CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71).
É natural de Meimoa, Penamacor.


1. Mais um conjunto de fotos sobre Mansoa, enviadas no passado dia 10 de outubro pelo nosso camarada e amigo Ernestino Caniço.

Nunca é demais  dizer que ele tem sido o guardião, solicito, zeloso, dedicado, entusiasta, do álbum fotográfico da Guiné, do padre missionário da Consolata, José Torres Neves, natural de Meimoa, Penamacor. 

O Padre José Torres Neves reformou-se recentemente de uma vida inteira, generosa, abnegada, dedicada às missões católicas, nomeadamente em África. 

Entrou para a Tabanca Grande, em 22/2/2022,  pela mão do Ernestino Caniço, que é médico.  É o nosso grão-tabanqueiro nº 859. Tem 46   referências no nosso blogue.

Segundo o  Ernestino Caniço, seu amigo de longa data, deste os tempos de Mansoa, o álbum deve conter cerca de 400 fotos (obtidas a partir de "slides"), dos quais já teremos publicado mais de metade.
 
 Em geral as fotos trazem sumárias legendas (ou títulos). Sem data. E não vêm numeradas. As que publicamos hoje têm a ver com o quotidiano do quartel Mansoa, semppre aberto à população, e noemadamente aos miúdos, às lavadeiras, etc.
 
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