sábado, 28 de abril de 2018

Guiné 61/74 - P18574: Os nossos seres, saberes e lazeres (264): De Estremoz para as Termas de S. Pedro do Sul (2) (Mário Beja Santos)

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70) com data de 26 de Fevereiro de 2018:

Queridos amigos,
Saiu-se de Estremoz um tanto de asa murcha, bem se gostaria de ter andado um pouco mais por igrejas e capelas, já que o património é fértil, seguiu-se até Nisa, povoação que encanta pelo espraiamento por fora e o ensimesmamento do casco urbano, há por ali muita beleza ao abandono.
O que vai assombrando durante a viagem são as alterações na fisionomia da paisagem, saiu-se por estradas afogadas vendo montes, planícies e a típica florestação alentejana, mais adiante chegou-se ao território do granito e as primeiras notícias graves das calamidades dos incêndios, enfim, os terrenos pedregosos vão ganhando altura, vislumbra-se, como longo dorso, a Serra da Estrela, e depois é o prazer da aproximação de Monsanto, houvesse uma boa câmara e ter-se-iam registado as imagens, por sucessivas fases, da aproximação. Na ausência da tecnologia, levava-se entusiasmo e um livro que é uma pequena raridade, uma edição dedicada à atribuição do Galo de Prata em 1938 a Monsanto, há ali textos tocantes e fotografias de Tom e Carlos Botelho, e desenhos deste último.
Monsanto é inesquecível, amanhã será visitada em todas as direções, está prometido.

Um abraço do
Mário


De Estremoz para as termas de S. Pedro do Sul (2)

Beja Santos

Sai-se de Estremoz e são quilómetros infindáveis de planície verdejante, gado à solta, sobreiros e azinheiras. Em dado momento, crescem os pedregulhos, encrespam-se os solos, sente-se no ar uma certa aridez e aquele céu translúcido que se experimentou de onde partimos ganha nuvens. E assim se chega a Nisa, está na hora de amesendar, há quem suspire por um queijo de ovelha, de lendária fama, acorda-se em hora e meia para andar por ali ao desafio. O viandante gosta de Nisa, mesmo sentindo melancolia por tanto desfalecimento e abandono, patente em solo urbano. É vila templária, está cercada de importantes vestígios megalíticos, há por ali pontes romanas à volta. O castelo sofreu as consequências da zanga de dois irmãos, um que era rei, e o outro que queria ser, e o outro que queria ser deitou as muralhas do castelo a baixo, felizmente ficaram umas amostras de panos de muralha e há esta fabulosa porta da vila para nos receber.




É muito belo e equilibrado este largo, tem imponência o edifício autárquico, que tem ao lado a Igreja da Misericórdia do séc. XVI, aparece na imagem com as laranjeiras à frente, tem portal de volta perfeita, inserido num alfiz retangular, enquadrado com pilastras, o mínimo que se pode dizer é que é uma fachada com caráter e elegância.



Deambula o viandante sem pressa e sem tino, sabe que ainda há outra porta da vila, que vale a pena bisbilhotar as cantarinhas e bilhas decoradas com pequenas pedras brancas, são um dos ex-líbris de Nisa, tal como as rendas de bilros, é um prazer cirandar pelas ruas sinuosas e apertadas, de belo empedrado, a despeito do manifesto abandono.



A Igreja Matriz, que data do séc. XVIII, tinha as portas fechadas, percorreram-se várias ruas à procura de distintos sinais do tempo e foi-se premiado. Olha-se para o relógio, estuga-se o passo, a fome aperta, sabe-se lá porquê recordou-se passeio anterior ali a cerca de 10 km de Nisa às águas minerais de Fadagosa, bem interessantes como estância termal, são quilómetros uns atrás dos outros num território que parece uma reserva da cultura megalítica. Basta de lembranças, há que comer e partir, o viandante traz de baixo do braço ainda o livro do Património Religioso de Estremoz, ficou um pouco amargado por não ter revisitado a Capela da Rainha Santa Isabel, a igreja e o convento de S. João da Penitência e, mais grave do que tudo, continua a adiar a visita à Igreja de S. Francisco, o que bem lamenta.


Nisa teimou e alcançou, tem cineteatro, agora acrescido, está vivo e recomenda-se, enquanto comia mesmo na sua frente, foi dando nota de filmes e eventos que por ali passam, fizeram um bonito acrescento e há sinais de que a vida cultural não deixou Nisa adormecida. Bom, até à próxima.





O viandante não é bibliófilo mas guarda algumas preciosidades, obras estimáveis, caso do livro sobre Monsanto editado pelo SNI, a propósito da atribuição do Galo de Prata a Monsanto, como “A Aldeia Mais Portuguesa de Portugal”. Fazia parte do regulamento que as aldeias portuguesas do continente comprovassem uma maior resistência oferecida à decomposição e influências estranhas, tivessem um elevado estado de conservação na habitação, mobiliário e alfaia doméstica, trajo, artes e indústrias populares, vertente cultural e lúdica e uma panorâmica de altíssimo valor. Evocando Monsanto, escreveram Cardoso Martha e Adolfo Simões Muller:  

“Quem uma vez visitou a nobre aldeia beiroa, dificilmente a esquecerá. Fechamos os olhos e revemo-la na sua arquitetura de sonho, obra inicial de ciclopes que dispusessem penedos sobre penedos e rasgassem veredas entre fragas. São as suas casas disfarçadas na rocha, como que encapuchadas à maneira das mulheres da região. São as calhas pedregosas apostadas na escalada do monte, como se tivessem aprendido, na lição dos séculos, as manhas das hostes de assédio. São as suas casas solarengas, a sua igreja e as suas capelas; é o seu cemiteriozinho perdido no vale e que parece erguer para o céu as suas mãos verdes. E é sobretudo o seu castelo que a encima orgulhoso, na sua coroa de muralhas”.
Aqui chegámos, e amanhã também é dia de Monsanto. Esta edição foi enriquecida com desenhos de Carlos Botelho, com orgulho aqui se mostra um deles.


Largo do Cruzeiro, Monsanto, Carlos Botelho, 1941
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Nota do editor

Último poste da série de 21 de abril de 2018 > Guiné 61/74 - P18547: Os nossos seres, saberes e lazeres (263): De Estremoz para as Termas de S. Pedro do Sul (1) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P18573: (De)Caras (106): A minha guerra: o 'burro do mato' e como saí daqui vivo... Canquelifá, 3 de fevereiro de 1971 (Francsco Palma, ex-sold cond auto, CCAV 2748, 1970/72)


Guiné > Região de Gabu > Cnaquelifá > CCAV 2748 (1970/72) > O Unimog 411 ("burrinho do mato"), depois da explosão da mina A/C, em 16 de abril de 1972.

Foto (e legenda): © Francisco Palma (2017) Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem do nosso grã-tabanqueiro Francisco Palma (ex-soldado condutor auto rodas, CCAV 2748 / BCAV 2922, Canquelifá, 1970/72):

Data: 27 de março de 2018 às 08:56

Assunto: A minha guerra: o burro do mato e como saí daqui vivo. Memórias da minha estadia nas termas de Canquelifá (1970-72)

Canquelifá. Guiné, 3 de fevereiro de 1971

No seguimento do meu relato sobre o ocorrido em 2 de Fevereiro de 1971 (*),  após uma noite horrível de forte ataque directo cerca das 2 horas, ao arame farpado por cerca de 150 tropas IN, onde ficaram mortos o "Comandante" e seu adjunto,  a cerca de 30 metros do aramado, e tendo soado que o IN tinha sofrido cerca de 30 baixas, seguido de ataque com mais quatro mísseis (foguetões 122),  cerca das 4h,  logo que rompeu a luz do dia,  saíram 3 grupos operacionais (1 da CCAV 2748 e 2 da CART 3332),  bem como 2 condutores, onde me inclui, e um Cabo mecânico, como voluntários, para bater,  em linha e posição de fogo, a retirada das tropas inimigas (turras), até perto da fronteira com o Senegal, 

Apesar do "stress" (e, porque não, do medo) de possível novo confronto com o IN, fomos dobrando capim até sentiremos "agulhas" a cravarem-se nos músculos tal era a dor após tanto esforço. Impressionante como no meio da savana, não se ouvia macaco ou pássaros a piar, captávamos no ar o odor a sangue e encontrávamos coágulos de sangue e pequenos ossos no meio do capim e outros sinais de ferimentos, nunca tinha imaginado que o ser humano teria tal capacidade, e se me o dissessem eu certamente duvidaria.

Cerca de 20/30 minutos mais, encontrámos dois cadáveres IN, cobertos com pasto, tendo um camarada tropeçado nos pés dos mesmos e tombado em cima de um dos corpos. Mais 30 minutos junto a uma bolanha,  fomos mandados a parar silenciosos. O silencio fazia zumbir e doer os ouvidos, e sentíamos que, no outro lado das árvores da bolanha seca, julgávamos ouvir sons baixos de conversas, perante tal fomos mandados retirar e, com as devidas cautelas retirámos de volta ao aquartelamento sem mais percalços.

Passados que são 41 anos ainda julgo sentir aquela sensação que,  embora forte, não rejeitávamos em avançar em procura de combater o IN. (**)

Francisco Palma
Cond Auto Rodas 10003269
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Notas do editor:

Guiné 61/74 - P18572: Convívios (852): Caldas da Rainha, 2 de junho de 2018, almoço-convívio, 48º aniversário da partida para o CTIG, CCAV 2748 / BCAV 2922, Canquelifá, 1970/72 (Francisco Palma)




Informação enviada pelo nosso camarada, amigo e grã-tabanqueiro Francisco Palma (ex-soldado condutor auto rodas, CCAV 2748 / BCAV 2922, Canquelifá, 1970/72), nesta foto em primeiro plano,
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Nota do editor:

Último poste da série > 27 de abrill de 2018 > Guiné 61/74 - P18569: Convívios (851): XXXIII Encontro dos Combatentes da CART 3494, dia 9 de Junho de 2018, em Oliveira do Hospital (Sousa de Castro)

Guiné 61/74 - P18571: Efemérides (279): O 25 de Abril de 1974... visto de Bissau, através de aerogramas enviados por Jorge Gameiro ( REP / ACAP / QG / CC) à sua esposa Ana Paula Gameiro e ao seu filhinho Nuno Gameiro... Documentação comprada no OLX, há 5 ou 6 anos (Carlos Mota Ribeiro, Maia) - Parte III


Cópia da segunda e última parte do aerograma de 6 de maio de 1974, enviada por Jorge Gameiro á sua jovem esposa Ana Paula Gameiro, mãe do Nuninho [Gameiro]. A família vivia então na av Mouzinho de Albuquerque, 5-5- Esq, Lisboa-1.



1. Continuação da publicação dos aerogramas de Jorge Gameiro [ REP / ACP / QG /CC, Bissau, 1974], relativos aos acontecimentos pós-25 de abril... 

Cópias desses aerogramas foram-nos enviadas pelo leitor (e futuro membro da Tabanca Grande, Carlos Mota Ribeiro, engenheiro, residente na Maia, filho do nosso querido amigo, camarada e coeditor Eduardo Magalhães Ribeiro; estes documentos foram comprados por ele há 5 ou 6 anos no OLX).

Os aerogramas (o primeiro datado de Bissau, 30/4/1974) (*) eram dirigidos à esposa do Jorge Gameiro, Ana Paula Gameiro. O casal tinha um filho de tenra idade, Nuno Gameiro, cujo paradeiro o Carlos Mota Ribeiro gostaria de poder descobrir para lhe poder oferecer esta correspondência que ele provavelmente nunca terá lido.

Como nos explicou o Carlos Mota Ribeiro [, foto atual à direita]:

(...) Em relação aos aerogramas comprei-os a alguém no OLX, já foi há uns 5 ou 6 anos e não me recordo do nome da pessoa que mos vendeu, lembro-me que os comprei por terem o sentido histórico do 25 de Abril de 74 e os achei muito interessantes.

Como tenho um colega britânico que se interessa pela Revolução dos Cravos, enviei-lhe as fotos dos aerogramas com a tradução em inglês para ele dar uma leitura e compreender o sentimento que alguns jovens tinham naquela época e naqueles dias conturbados.

Quando estava a transcrever o mencionado no aerograma, fiquei a pensar no Nuninho (Nuno Gameiro) do aerograma e do carinho daquele pai pelo filho. Por isso entrei em contacto contigo para tentar encontrar o tal Nuninho e lhe fazer chegar a meia dúzia de aerogramas que tenho, enviados pelo seu pai, da Guiné Portuguesa para a Metrópole.

É claro que apenas lhos vou oferecer, se o Nuno Gameiro quiser esta recordação dos pais, pode nem querer saber deste assunto ou não dar qualquer valor sentimental aos aerogramas, mas como para mim este tipo de itens tem muito valor e são documentos que considero históricos, guardo-os religiosamente na minha coleção particular sobre o Ultramar Português. [...]


No primeiro aero [sic] deste dia 6 de maio, o Jorge Gameiro comenta o atraso do correio, devido à falta de transporte aéreo, bem como os acontecimentos ocorridos na Rua António Maria Cardoso, ao Chiado, por ocasião da rendição da PIDE/DGS. Foram os únicos quatro mortos conhecidos da "Revolução dos Cravos", todos jovens (o mais novo tinha 18 anos, o mais velho 37), 1 militar, Fernando dos Reis, e 3 civis, Fernando Gesteiro, João Arruda e José Barnetto. Os seus nomes foram esquecidos...

No segundo aero [sic], o Jorge Gameiro tranquiliza a esposa, dizendo que voltou tudo à normalidade em Bissau [, com recolher obrigatório só a partir da meia noite...) , e que não há notícia de combates no mato [sic], ou seja, fora de Bissau:  (...) "para nós, em Bissau, nem chegamos a saber que há guerra. a não ser por aquilo que nos contam os que estão no interior (no mato)".

É um homem apaixonadíssimo que espera, com ansiedade, os 4 meses que lhe faltam para acabar a comissão. Está.se já no início da época das chuvas.


2. Segunda parte do aerograma de 5 de maio de 1974

Continuação do aero [sic] dia 6.5.74:


[Esperemos mais algum tempo. pelo menos o cessar-fogo imediato já era um grande passo em frente, assim terminaria a morte estúpida e sem justa causa dos homens que]

lutam no mato. 

Isto aqui por Bissau já voltou tudo à normalidade, o recolher obrigatório ontem e hoje já passou a ser à meia-noite,  pelo mato as coisas têm andado calmas sem ataques de parte a parte, o que é para admirar pois este mês costuma a ser o mais quente e fértil em matéria de porrada, como aconteceu o ano passado, pois é o mês em que se começam as chuvas e depois da chegada destas,  com as bolanhas inundadas,  ficam os guerrilheiros em desvantagem. 

Por isso se pensa que esta calma seja já o reflexo do que vem acontecendo desde o dia 25 [de Abril]. Era já muito bom um cessar-fogo,  mesmo que isto continuasse com mobilizações por mais algum tempo, era uma grande vitória para os tipos do mato, já que para nós, em Bissau, nem chegamos a saber que há guerra. a não ser por aquilo que nos contam os que estão no interior (no mato).

Esperemos agora o desenrolar dos acontecimentos. Agora vou terminar,  esperando e desejando ardentemente que chegue a amanhã para ver se já recebo alguma cartinha tua,  meu amor, depois do dia 25.

Beijinhos ao nosso querido Nuninho do papá que o adora. Do teu Jorge,  toda a minha vida numa longa e terna união de nossos corpos e lábios tradutora de todo o grande amor que nos une, adoro-te minha Paula querida. Quero que tudo isto termine, quero voltar voltar finalmente para ti para juntos com o nosso Nuno irmos para a nossa casinha,  recomeçarmos a viver a nossa verdadeira vida pela qual tanto ansiamos e que tantos obstáculos se nos tem deparado, mas a vitória está para breve,  apenas mais quatro mesitos, que eles passem depressa. Preciso tanto de calma, de ti, meu amor, de viver, VIVER.  Adoro-te, Paula, adoro-te, teu, só teu para sempre:

Jorge

Amo-te,  minha mulherzita adorada. Quero-te com todas as minhas forças, Amor, Amor.

Fotos (e legendas): © Carlos Mota Ribeiro (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

[Revisão e fixação de texto: Carlos Mota Ribeiro / Luís Graça]


Translation in English:

Continuation of Aero 06-05-74

Fight in the bush. This here for Bissau everything has returned to normal, the obligatory curfew yesterday and today has already become midnight through the bush things have been calm without attacks from part to part, which is to admire because this month is usually the warmer and more fertile in the matter of beating as happened last year, because it is the month when the rains begin and after the arrival of these with the flooded bolanhas the guerrillas are disadvantaged. That is why it is thought that this calm is already the reflection of what has been happening since the 25th. It was already very good a cease-fire even if this continued with mobilizations for some time, it was a great victory for the types of the bush since for us in Bissau we have not even come to know that there is War except for what we are told by those inside (in bush). Let us now wait for the events to unfold. Now I will end up waiting and longing for tomorrow to see if I already receive any letters from you, my love, after the 25th. Kisses to our beloved Papa Nuninho who adores him. From your Jorge all my life in a long and tender union of our bodies and lips translator of all the great love that unites us, I adore you my Paula dear I want all this to end I want to return finally come back to you to together with our Nuno we go to our little house to begin to live our true life for which we have longed and so many obstacles have come to us, but victory is soon four more tables, that they pass quickly need so much calm, you my love, to live, to live I adore you, Paula, I adore you and only yours forever:
Jorge
I love you, my beloved little lady.
I want you with all my strength, my love

A remark:

Bolanha (from the Guinea-Bissau Creole) - Vast swampy and fertile terrain, usually used for growing rice.

[Translation by Carlos Mota Ribeiro]
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Notas do editor:

(*) Vd. poste de 25 de abril 2018 > Guiné 61/74 - P18558: Efemérides (275): O 25 de Abril de 1974... visto de Bissau, através de aerogramas enviados por Jorge Gameiro ( REP / ACAP / QG / CC) à sua esposa Ana Paula Gameiro e ao seu filhinho Nuno Gameiro... Documentação comprada no OLX, há 5 ou 6 anos (Carlos Mota Ribeiro, Maia) - Parte II

(**) Último poste da série > 27 de abril de  2018 > Guiné 61/74 - P18570: Efemérides (278): Cerimónia levada a efeito no dia 12 de Novembro de 2017, pela Câmara Municipal de Loures e Núcleo de Loures da Liga dos Combatentes, junto ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra (José Martins)

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Guiné 61/74 - P18570: Efemérides (278): Cerimónia levada a efeito no dia 12 de Novembro de 2017, pela Câmara Municipal de Loures e Núcleo de Loures da Liga dos Combatentes, junto ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra (José Martins)




1. Com atraso considerável, mas para memória futura, aqui fica a notícia da cerimónia levada a efeito no dia 12 de Novembro do ano transacto, pela Câmara Municipal de Loures e Núcleo de Loures da Liga dos Combatentes, junto ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra, enviada pelo nosso camarada José Marcelino Martins (ex-Fur Mil Trms da CCAÇ 5, Gatos Pretos, Canjadude, 1968/70), nesse mesmo dia.


Com um abraço
No dia 12 de Novembro, a Câmara Municipal de Loures e o Núcleo de Loures da Liga dos Combatentes, levaram a efeito uma cerimónia junto ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra.
A cerimónia teve a presença do Presidente da Câmara Municipal e Presidentes de Juntas de Freguesia; representante da Assembleia Municipal, Comandante do Regimento de Transportes, representante dos Bombeiros Voluntários de Loures, Direcção do Núcleo de Loures da Liga dos Combatentes, a que se associaram alguns Lourenses.
As honras militares foram prestadas por uma secção do Regimento de Transportes e os toque da ordenança, pelos clarins da secção de Bandas e Fanfarras do Exército.
Usaram da palavra o Presidente do Núcleo, um combatente e o Presidente da Câmara.
Seguiu-se a homenagem com colocação de coroas de flores junto do Monumento.

José Martins

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Nota do editor

Último poste da série de 25 de abril de 2018 > Guiné 61/74 - P18563: Efemérides (277): Homenagem a minha mãe, Georgina Araújo (1928-2015) e ao 25 de Abril (Jorge Araújo)

Guiné 61/74 - P18569: Convívios (851): XXXIII Encontro dos Combatentes da CART 3494, dia 9 de Junho de 2018, em Oliveira do Hospital (Sousa de Castro)





1. Em mensagem de hoje, dia 27 de Abril de 2017, o nosso camarada Sousa de Castro (ex-1.º Cabo Radiotelegrafista, CART 3494/BART 3873, Xime e Mansambo, 1971/74) enviou-nos para publicação o anúncio do XXXIII Almoço/Convívio do pessoal da Companhia, a levar a efeito no próximo dia 9 de Junho, em Oliveira do Hospital.


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Nota do editor

Último poste da série de 20 de Abril de 2018 > Guiné 61/74 - P18541: Convívios (850): A Tabanca de Matosinhos, que está a ter problemas com o "senhorio" (...o Faceboook), continua a fazer gala da sua proverbial alegria, boa disposição e melhor mesa... O próximo encontro semanal, 4ª feira, 25 de Abril, Dia da Liberdade, será em Vila do Conde (José Teixeira)

Guiné 61/74 - P18568: Notas de leitura (1061): Os Cronistas Desconhecidos do Canal do Geba: O BNU da Guiné (32) (Mário Beja Santos)

Interior do BNU em Bissau


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 12 de Dezembro de 2017:

Queridos amigos,
Os efeitos do conflito mundial, como temos vindo a observar, fizeram-se sentir na colónia da Guiné na perda de poder aquisitivo, na perda de receitas devido ao contrabando, à rarefação de matérias-primas, até que chegamos a 1945e verificam-se duas velocidades: o Governador Sarmento Rodrigues traz projetos e meios de financiamento e a praça revitalizou-se, foram duas situações nem sempre coincidentes. Mas chegara a prosperidade e até conflitos noutro extremo do globo, caso da guerra da Coreia, trouxeram benefícios económicos, o preço da borracha subiu bastante e conforme anota o gerente do BNU as matérias-primas, todas elas, deram um salto. É uma década completamente diferente das anteriores, basta pensar que muito do arroz que se come na metrópole é arroz da Guiné.

Um abraço do
Mário


Os Cronistas Desconhecidos do Canal do Geba: O BNU da Guiné (32)

Beja Santos

É no final da década de 1940 que é possível retomar os relatórios de exercícios do BNU em Bissau. Como se constatará mais abaixo, há uma relativa discrepância entre o surto desenvolvimentista, inegável, contemporâneo da governação de Sarmento Rodrigues e o que se vai escrever. Mudou a gerência, aproveita-se a circunstância para se fazer o ponto da situação e assim se escreve para Lisboa:

“Excelentíssimos Senhores:
Em cumprimento das disposições em vigor, foi este relatório elaborado com inteira observância das normas de há muito estabelecidas, pelo que apresenta, nos seus vários capítulos e mapas que o acompanham, todos os elementos indispensáveis ao exacto conhecimento e apreciação de como decorreu a acção desta dependência nos dois últimos exercícios de 1949 e 1950.
Ao assumirmos a gerência desta filial, em 15 de Agosto de 1949, viemos encontrar a colónia no auge da segunda crise comercial que a atingira depois da última guerra, ambas resultantes de ter cessado o avultado e rendoso comércio praticado com os territórios vizinhos.
Da primeira vez, ocorreu isso em 1944, quando, libertada a França do jugo alemão, as suas colónias da África Ocidental passaram a importar tecidos americanos e dispensaram os da indústria nacional, que o comércio da Guiné importou e lhes forneceu, em grande escala, nos três anos anteriores; da segunda vez, em meados de 1948, quando novamente cessou esse comércio, que se voltara a fazer em 1947, porque as perturbações internas daquele país e a desvalorização da sua moeda haviam dificultado a importação dos países de meda forte, tanto de tecidos como de muitas outras mercadorias.

Na desmedida ânsia de auferir os excessivos lucros que dessa situação lhes adivinha, só curou o comércio de importar o máximo possível e o resultado foi ao falharem depois esses mercados, poucos serem os que não ficarem com colocação imediata para os stocks que constituíram.
E a isso, claro está, seguiu-se o sudário de letras protestadas e o consequente descrédito da praça.
Ao findar, porém, o ano de 1949, já a situação se havia desanuviado um pouco, porque, nesse lapso de tempo, não só se verificou o aumento dos preços como da produção dos principais produtos da colónia, o que veio elevar o poder aquisitivo do indígena e possibilitar o escoamento de uma boa parte dos excedente importado, não sem que, todavia, o comércio o tivesse de fazer com prejuízo, porque, entretanto também, mexeram os preços dos tecidos e houve que sacrificar mercadorias para realizar dinheiro e satisfazer compromissos, tudo isso nos levando a querer que alguns exportadores da metrópole terão ainda por algum tempo os seus créditos em mãos do comércio da colónia, sobretudo no libanês, se todos conseguirem reaver.

No decurso do ano 1950, circunstâncias várias contribuíram para que essa melhoria se acentuasse, pois, à regular campanha de produtos que nesse ano se verificou, seguiu-se a inconsequência da guerra na Coreia, uma razoável alta nos preços dos tecidos e a procura da borracha desta colónia, que passou a ser extraída pelo indígena em grandes quantidades e que tendo começada a ser vendida ao comércio a 8 escudos o quilo, ao findar do ano já atingia 16 escudos, o que tudo se crê que é permitido o completo escoamento desses tecidos. E a resolução que tomou o governo central, já no início de 1951, de providenciar o aumento de 20 centavos na cotação da mancarra estabelecida pelos industriais da metrópole, como também que fosse elevado para 40% o contingente da exportação para o estrangeiro do coconote, onde se obtêm preços elevadíssimos em comparação com os que se cotam na metrópole, permitirão certamente que o comércio se refaça completamente dos prejuízos que sofreu.
No respeita à posição da filial, com a prudência de que se tem rodeado, a crise que afligiu o comércio nos últimos anos, embora não desejável, só lhe trouxe benefícios, pois a excessiva importação que a originou em muito contribuiu para os elevados resultados verificados nesse período”.


Passara pois a haver progresso, desafogo, valorização dos produtos da terra. É neste contexto que o relatório introduz a novidade de nos informar quais as instituições então existentes que realizam operações consideradas bancárias, devidamente autorizadas. Diz o gerente que não se poderiam considerar concorrentes e explica porquê: “É bem de ver que se usássemos os mesmos processos, todas essas operações seriam canalizadas para o nosso banco porque a nossa organização lhes permitiriam serem prontamente atendidos, sem terem de aguardar, como naquelas, os dias marcados, semanas seguidas e até meses, para que apurem os fundos necessários”.

As instituições em causa eram três: a Caixa Económica Postal, fazendo empréstimos a funcionários, a diferentes taxas de juro, consoante os meses de liquidação da dívida; a Caixa de Aposentações e Pensões às Famílias dos Funcionários Públicos da Colónia e da Guiné, dispunha de um migalheiro que, por falecimento do sócio ou do pensionista inscrito assegurava aos herdeiros um capital de 50 contos, a Caixa também facultava empréstimos aos seus sócios e pensionistas; o Montepio das Alfândegas da Guiné, que tem como fins estabelecer pensões de sobrevivência, conceder subsídios de reforma, dar subsídios de luto, auxiliar os seus sócios por meio de empréstimos incluindo a construção ou compra de moradias.

Sendo a maior riqueza da Guiné a sua agricultura, entende-se que é por aí que o relator inicia a situação da praça. Tece um comentário lisonjeiro:

“Porque foram maiores as áreas cultivadas e o tempo se manteve sempre propício, permitindo que as plantações se conservassem em excelente estado até às colheitas, esperava-se que a produção fosse superior no corrente ano agrícola, tanto da mancarra como do arroz, mas se é certo que com este cereal isso se está a verificar, tanto em qualidade como em quantidade, outro tanto não sucede com aquela oleaginosa, pois há já informações seguras de que se apresenta este ano muito leve, com uma quebra sobre o peso normal que se computa em 20 a 25%. Esta circunstância aliada ao grande contrabando que dessa oleaginosa se está a fazer para os territórios vizinhos, porque ali a pagam por preço muito superior, um pouco mais do dobro, permite prever-se uma diminuição em relação ao ano anterior de umas 8 a 10 mil toneladas na sua exportação. Estão, porém, longe de ser fidedignos os dados fornecidos pelas estimativas, pois não sendo possível conseguir do indígena o manifesto da produção esta é calculada grosso modo”.

Dá um enfoco das obras que correm nos portos e sobre as vias de comunicação. Revela-se seguramente informado, os dados que envia constam de vários documentos oficiais, até de relatórios anteriores: “Depois que a ponte-cais de Bissau se arruinou totalmente, passou-se a utilizar a velhíssima ponte-cais do Pidjiquiti, resto de um velho fortim colocado fora do recinto das antigas fortificações da cidade”. E faz menção do que se já se escrevera em 1852, notificando o estado desastroso em que se encontrava a ponte-cais de Bissau. E então anuncia que se espera que dentro do ano seja o porto de Bissau dotado de uma excelente ponte-cais que está em construção e refere as suas caraterísticas.

Falando das vias de comunicação, tem boas novas a dar: “Têm sido consideravelmente melhoradas nos últimos anos, mas não o bastante ainda para evitar que se danifiquem na época das chuvas e com as fortes pressões da rodagem dos camiões, sobretudo na ocasião das campanhas de compra da mancarra, do que resulta estarem pouco tempo durante o ano em bom estado de conservação". A sua extensão total aproxima-se dos 3 mil quilómetros, mas não especifica as estradas em terra-batida, macadamizadas e alcatroadas.

Outra novidade é a de terem sido iniciadas, a 10 de Julho de 1948, os trabalhos de construção da ponte de Ensalmá, que vai ligar a ilha de Bissau ao continente. E apresenta a obra ainda em curso no canal do Impernal: “Consta essencialmente de três tramos metálicos, os dois extremos apoiados em encontros nas margens e em pilares no leito do rio e o tramo central, móvel, apoia-se nos outros dois. O vão útil do tramo móvel é de 9,5 metros e permite, folgadamente, a passagem de embarcações que fazem a navegação pelos canais, cuja largura não chega a atingir 6 metros. Cada um dos pilares que serve de apoio aos tramos fixos é constituído por 2 cilindros de ferro fundido de 1,8 metros de diâmetro, cravados por havage e cheios de betão, cravados ao lado do outro e contraventados. A fundação dos encontros é feita empregando estacas de madeira com 20 centímetros de diâmetro”.

Este início da década de 1950 dá sinais claros de que a agricultura prospera e as exportações aumentam, para o gerente de Bissau o contexto internacional é facilitador: “Pode dizer-se, de um modo geral, em 1951 a situação voltou a prosperar, o que de resto só se poderia esperar de uma praça que viu os seus produtos valorizados e a sua exportação aumentada em 22%, mercê da procura que durante alguns meses e em consequência da guerra na Coreia voltou a ter a borracha desta província melhores preços. Enquanto que em 1950, o preço médio dos principais produtos de exportação – a mancarra, o coconote, o óleo de palma, os couros, a cera e, eventualmente, a borracha, foram de 2$19, 2$46, 3$79, 15$00, 20$99 e 5$55, por quilo, respectivamente, em 1951 subiram para 2$62, 2$99, 6$46, 21$33, 31$07 e 15$32. E melhor o atesta o pequeno número de letras protestadas existentes em carteira”.

(Continua)
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Notas do editor

Poste anterior de 20 de abril de 2018 > Guiné 61/74 - P18542: Notas de leitura (1059): Os Cronistas Desconhecidos do Canal do Geba: O BNU da Guiné (31) (Mário Beja Santos)

Último poste da série de 23 de abril de 2018 > Guiné 61/74 - P18553: Notas de leitura (1060): “Integração Nacional na Guiné-Bissau desde a Independência”, por Christoph Kohl, no Caderno de Estudos Africanos do Centro de Estudos Africanos do ISCTE, n.º 20, Janeiro de 2011 (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P18567: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte XXIX: As minhas estadias por Bissau: (i) a chegada do T/T Timor com o pessoal do meu batalhão, em 3 de outubro de 1967


Guiné > Bissau > 3 de outubro de 1967 >  Foto nº 1 > Chegada do navio Timor de T/T (Transporte de Tropas) ao Porto de Bissau, no dia 3 de outubro de 1967, trazendo a bordo cerca de 700 militares, sendo a CCS, CCAÇ 1790, CCAÇ 1791 do BCAÇ 1933, e mais duas Companhias de Infantaria do BCAÇ 1932.


Guiné > Bissau > 3 de outubro de 1967 > Foto nº 5 > Chegada do navio T/T Timor ao cais de Bissau, e desembarque das tropas do BAÇ 1933. Eu estava lá porque já tinha chegado de avião em 21set67, por isso fiz estas poucas fotos, ainda sem grande experiência.


Guiné > Bissau > 2 de outubro de 1967 > Foto nº 19 > Vista da marginal e cidade, alguns edifícios oficiais militares. Após a independência da Guiné, ali se localizaram alguns Ministérios, cheguei a estar lá no Ministério das Finanças em 1984 na minha primeira visita, pós-independência, em reunião de negócios com o Ministro das Finanças do Governo de 'Nino' Vieira, formado na mesma faculdade de Economia do Porto, a mesma em que me licenciei, mas nunca o tinha conhecido antes. Esta foto foi tirada dentro do porto e do cais de embarque. Bissau, 02outT67.


Guiné > Bissau > 3 de outubro de 1967 > Foto nº 3 > A bordo do T/T Timor, um tripulante negro, junto ao barco salva vidas; ao longe o Rio Geba e o ilhéu do Rei.


Guiné > Bissau > 3 de outubro de 1967 > Foto nº 6 > Eu, a ver a chegada do navio T/T Timor ao Porto de Bissau, tendo como horizonte o cais, o rio, as aves.


Guiné > Bissau > 2 de outubro de 1967 > Foto nº 7  > Aguardando a chegada do navio T/ T Timor, tendo como pano de fundo o ilhéu do Rei, o estuário do rio Geba, o cais... Foto tirada em 2out67.


Guiné > Bissau > c. 28 ou 30 setembro de 1967 > 2 – Uma das primeiras fotografias que captei em Bissau na Guiné e as primeiras da minha vida até esta data. Trata-se do cais, um navio T/T a carregar ou descarregar tropas, barcos ao largo, podendo  ser LDP ou LDM, ou barcaças civis. A foz do Rio Geba, ao longe pode ver-se o ilhéu do Rei.. Foto tirada  entre 28 a 30 set 67.


Guiné > Bissau > 3 de outubro de 1967 > Foto nº 8 > No interior do navio T/T Timor, quando recebi a minha arma G3, exibindo-a com grande orgulho.

Guiné > Bissau >  CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69).

Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Continuação da publicação do álbum fotohgráfico do Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69); natural do Porto, vive em Vila do Conde, sendo economista, reformado; tem mais de 4 dezenas de referências no nosso blogue:

Mensagem de 24 do corrente:




Caro Luís,

Conforme te disse ontem, tenho pronta outra reportagem sobre o Tema - As minhas estadias em Bissau - Parte i.

É um ficheiro com 79 fotos, variadas e algumas de algum interesse, mostrar Bissau a muita gente que nunca conheceu.

Eu tenho de ir agrupando por temas, embora muitas fotos estejam noutros temas e são em Bissau também, como é o caso das reportagens de Tomaz e Caetano e outras, como o render da guarda do governador, etc.

Depois como tenho tantas, sem temas específicos, vou juntando num ficheiro, talvez com um numero exagerado, mas só se aproveita as que interessam. Para mim, eu vou fazendo o meu arquivo definitivo, e vou arrumando assim as coisas, senão perco-me.

As fotos estão numeradas, não estão por ordem cronológica, apenas por anos, 67, 68, 69. e em cada uma tem o seu número e um resumo de que se trata, a data, quer seja o dia, o mês ou apenas o ano, conforme aquilo que sei.

Depois temos o relatório da Legendagem, um pouco de história da unidade, o enquadramento do território onde estamos, os aspectos militares e de logística, e uma descrição, foto a foto, mais discriminada, com as datas, e algumas explicações, juntando um pouco de histórias que me lembro.
Esta legendagem tem duas partes:

(i) A primeira com 12 páginas, que diz respeito às fotos em si, e ao local das mesmas. Está livre para publicação; Nem sempre sou politicamente correcto, mas penso não haverá nada que incomode muita gente.

(ii) A segunda parte, da pag 12 a pag 31, são alguns 'excertos' daquilo a que chamo o meu livro, não publicado. Pedia o especial favor de veres se tem interesse e é oportuno meter estas partes incertas do livro. Eu não tenho opinião, pedia-te a ti na qualidade de sociólogo, dares uma olhada e ver se interessa ou não ocupar o blogue com 'tretas' que só me dizem respeito. 

Eu não ponho obstáculos, e acho que já fiz algumas alterações para retirar do 'original' algo que possa chocar, e para 'preservar a minha intimidade e a minha vida e família' . Isto entra nas redes sociais, e quem quiser terá sempre acessos a pormenores que podem não me interessar. Eu tenho de ser mais cuidadoso, é por isso que peço este favor. Eu não tenho interesse especial em que estejam a ler aquilo que ainda ninguém leu, é uma escrita sem pretensões, e que sai ao sabor do meu pensamento, poucos elementos utilizei para escrever, quase tudo está cá metido no 'disco rígido'.

Fica portanto à tua consideração, e até pode ser chato demais escrever coisas que a maioria não lhe interessa. No Poste de Nova Lamego, eu até escrevi demais, foram muitas páginas que juntei. Isto é apenas um resumo de cerca de 400 páginas escritas sobre a Guiné apenas, e ainda falta o serviço militar aqui até à data de embarque. Também lá iremos um dia.

Vou enviar agora,
Um Bom Dia da Liberdadel
Virgilio Teixeira
24-04-2018

2. Gniné 1967/69 - Álbum de Temas: T031 – Bissau - Parte 1

Anotações e Introdução ao tema:

Legendas e Anotações

- AS MINHAS ESTADIAS POR BISSAU

Alguns elementos retirados da História da Unidade, sendo na sua maioria a experiência e conhecimento pessoal:

1 – O autor embarcou em Figo Maduro no dia 20 Set 67 pelas 8,00 horas, num avião militar Douglas DC6 da Força Aérea Portuguesa, juntamente com mais 6 outros militares, nos quais se incluía o Comandante Tenente Coronel de Infantaria Armando Vasco de Campos Saraiva. Desembarcou em Bissau 24 horas depois, no dia 21 Set 67. Regressou definitivamente no navio T/T UIGE, em 4 OUT 69. Passou à disponibilidade em 3 SET 69, pelo RI15 de Tomar.

2 – A sua Unidade Operacional - BCAÇ1933 desembarcou em 03OUT67, deslocou-se para Brá, e às 4H00 embarcou numa lancha com destino a Bambadinca, onde chegou às 15H, e de coluna auto para NL tendo chegado por volta das 18H, já quase noite.

3 – Esta reportagem pretende focar apenas a cidade e arredores de Bissau, as suas várias escapadelas, outras deslocações em serviço, as vivências e acima de tudo as loucuras da juventude, por esta cidade-capital, que, apesar de tudo, ficou marcada para o resto da vida.

4 – As fotos e comentários que são feitos, são apenas de memória, o que veio à cabeça, e por consulta a vários elementos escritos, em especial aquilo que está escrito nas fotos.

5 – Vou chamar-lhe “As minhas Estadias por Bissau”

6 – Num ambiente de guerra isto pode até parecer uma viagem de fim de curso, mas não é.

7 – Deixo para a futura reportagem ‘Bissau – Parte II’ e aí sim, vou dar-lhe um nome sonante: “As minhas férias na Guiné” que engloba tudo, Bissau, Nova Lamego e São Domingos, incluindo os aquartelamentos de Cacheu, Susana e as praias de Varela.

(Continua)
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