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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28394: Notas de leitura (1967): O espólio fotográfico de Álvaro de Barros Geraldo (1955-1975) - 2 (Mário Beja Santos)

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 7 de Julho de 2026:

Queridos amigos,
É agora a ocasião se sabermos algo mais sobre o proprietário do estabelecimento fotográfico Foto Câmera, Álvaro de Barros Geraldo, um bom conhecedor da Guiné, trabalhou com a imprensa e a RTP, é autor de um filme até agora não localizado e foi um fotógrafo que trabalhou assiduamente com o Governador Spínola, terá fixado residência em Bissau em meados da década de 1950, foi responsável por uma primeira exposição fotográfica de Usos e Costumes da Guiné as suas muitas milhares de imagens repartem-se pela atividade social, a chegada e partida de unidades militares, acompanhar o comandante-chefe em operações, imagens que depois iam ser transmitidas para a metrópole, um sem número de tranches fotográficas que nos revelam até a excisão feminina, vêem-se slides de brancos em festa, a alegria da inauguração do cinema de Bolama, Spínola a falar com um guerrilheiro, o jovem capitão Salgueiro Maia, porventura no Cumeré, à sua chegada em 1971. Um belíssimo livro/catálogo que merecia um maior destaque editorial.

Abraço do
Mário



O espólio fotográfico de Álvaro de Barros Geraldo (1955-1975) - 2

Mário Beja Santos

A exposição e livro sobre trabalhos de Álvaro Barros Geraldo constituiu um acontecimento, revelava-se a obra de alguém que parecia encoberto pelo nome de um estabelecimento fotográfico sediado em Bissau que legou um acervo monumental que está depositado no Arquivo Histórico Ultramarino.

No texto anterior, vários autores pronunciaram-se sobre a problemática arquivística, o legado deste importantíssimo espólio de Álvaro de Barros Geraldo, o historiador Pedro Aires Oliveira contextualizou a governação de Spínola que o fotógrafo acompanhou com a maior das regularidades, vamos agora ver alguns dados biográficos deste fotógrafo até agora pouco analisado. Álvaro de Barros Geraldo (1922-1993) viveu e trabalhou na Guiné-Bissau entre, pelo menos, 1955 e 1974. Poucos elementos biográficos transparecem do espólio. O seu nome não consta no Arquivo Histórico Militar. Terá fixado residência em Bissau, onde realizou, entre 1955 e 1956, a primeira Exposição Fotográfica de Paisagens, Tipos, Usos e Costumes da Guiné Portuguesa, no Museu da Guiné, e era o proprietário da loja e laboratório Foto Câmera, pelo menos desde 1964. Realizou o filme Guiné, Princesa Africana, uma obra cujo paradeiro permanece até hoje desconhecido.

Foi chefe do departamento de fotografia e cinema do Centro de Informação e Turismo da Guiné, correspondente da RTP e chefe do Gabinete Fotográfico do Jornal Voz da Guiné, fundada em janeiro de 1972. Terá também colaborado com a Agência Geral do Ultramar. Ele tornou-se o fotógrafo de confiança do General Spínola. Barros Geraldo regressou a Portugal um pouco antes do 25 de abril. Em Portugal exerceu atividade como fotojornalista no Jornal do Comércio e, mais tarde, no Jornal de Notícias. As curadoras da exposição procuraram obter informações junto de pessoas que com ele trabalharam. José Manuel Barroso, assessor de imprensa do General Spínola, e João Egreja, fotocine ao serviço do exército português convergem na descrição de um homem de trato difícil.

Após a morte do fotógrafo, o seu acervo foi adquirido pela Fundação Gulbenkian, que o doou, em 2000, ao Arquivo Histórico Ultramarino.

Caracterizando a essência deste espólio, diz-se previamente que a exposição não pretendeu ser o resultado de uma investigação exaustiva, é uma seleção de imagens dos tais 82.300 negativos, centenas de provas de contacto, diapositivos, bobines de película etc. etc. A exposição também mostra jornais onde o fotógrafo colaborou. O foco incidiu sobre a Guerra Colonial, mostrou imagens do programa psicossocial Por uma Guiné Melhor, onde se tentou o empoderamento de chefes locais; não faltam imagens de prisioneiros políticos, de armamento apreendido ao PAIGC, fotografias de chefes islâmicos regressados de Meca, acampamentos da Mocidade Portuguesa, abertura de um novo edifício da PIDE/DGS, a presença de Rafael Barbosa, então presidente do Comité Central do PAIGC, a apoiar o programa político Por uma Guiné Melhor.

As curadoras observam:
“Ainda que de forma involuntária, as imagens denunciam a escassez de realizações concretas e expõem a incapacidade estrutural do Governo português em consolidar o seu domínio. Através deste espólio, percebemos como, em plena Guerra Colonial, foi precisamente o conflito que obrigou o regime a tentar efetivar a sua ação colonizadora. Por sua vez, a incapacidade do regime em responder eficazmente à prolongada guerra acabou por catalisar a formação do MFA.”


Referem as mesmas curadoras que a colonização da Guiné só se tornou uma realidade efetiva com o início da Guerra Colonial, apreciação que não aceitamos, pois em período anterior, correspondente ao mandato do Comandante Sarmento Rodrigues foi encetado um esforço administrativo integral, digamos que o General Spínola, em termos de desenvolvimento socioeconómico e cultural deu impulso, com invulgares meios recebidos, ao ímpeto desenvolvimentista impulsionado por Sarmento Rodrigues.

Não se partilha igualmente a opinião das curadoras quanto às imagens dos corpos das mulheres, sugerindo que aparecem em poses manifestamente de dominação, revelando uma posição de autoridade colonial, bem como outros testemunhos que não uma apropriação do olhar etnográfico que não passa de mero protesto de documentação científica.

Se tomarmos em consideração o importante volume de João Loureiro sobre os bilhetes postais da Guiné Portuguesa, constata-se que há um longo histórico, a partir do século XIX de mostrar mulheres seminuas, como, aliás, homens de todas as idades e crianças de todas as idades. Admitamos, em retrospetiva, que esta enormidade de imagens exige reflexão. Aquando da Exposição Colonial do Porto, em 1934, as senhoras protestaram com as mulheres africanas de peito ao léu, acontecimento que deu origem a muitas excursões no Norte para ver um acontecimento nunca visto. Henrique Galvão, o comissário da exposição, foi perentório face ao protesto ético das ditas senhoras e até membros da clerezia: é assim que estes povos vivem, não se pretende esconder a realidade.

A exposição inclui também o período revolucionário, as curadoras recordam a força de elite que era o Batalhão de Comandos Africanos:
“Estes combatentes negros permaneceram à margem das narrativas dominantes sobre o fim da guerra. Foram não só secundarizados neste espólio, como também foram excluídos tanto das celebrações das independências da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, quanto do novo regime democrático que então se instaurava em Portugal. A última fotografia do espólio do fotógrafo tem a ver com um incêndio em barracas de cabo-verdianos em Algés de Cima, 1975, o que nos remete para as condições de habitação degradantes destes migrantes que desde o início da década eram uma das forças motrizes da construção civil e dos novos equipamentos urbanos."

“No contexto das comemorações dos 50 anos das independências das antigas colónias portuguesas em África, debruçamo-nos sobre um espólio fotográfico inédito que coincide com o período da guerra colonial e das lutas de libertação. Álvaro de Barros Geraldo (1922-1993), fotógrafo português a viver na Guiné-Bissau desde meados de 1950, registou de perto este período marcado por tensões e profundas transformações sociais e políticas (…) Este livro, tal como a exposição homónima, constitui um contributo para a problematização crítica dos legados do colonialismo português. Através da fotografia e de investigação histórica, propõe-se revisitar a memória do passado colonial e refletir sobre o forjar de identidades nacionais, assim como o contexto pós-revolucionário em Portugal.

Para além de imagens de Álvaro de Barros Geraldo – que oferecem um olhar singular sobre a construção de narrativas visuais –, este livro reúne contributos de investigadores que questionam a história, a memória e a continuidade de estruturas coloniais nas dinâmicas do presente”.

Texto de apresentação para a exposição Imaginários da Guiné-Bissau, reproduzido na contracapa do livro
Catarina Laranjeiro e Inês Vieira Gomes são as curadoras da exposição Imaginários da Guiné-Bissau. O espólio de Álvaro de Barros Geraldo (1955-1975), que será inaugurada no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa, no dia 8 de Maio às 18h.

Partindo de parte de um acervo do Arquivo Histórico Ultramarino de cerca de 82 mil negativos (bem como um conjunto de slides e provas de contacto) da Guiné-Bissau e Lisboa, as curadoras investigaram o papel da fotografia na construção do argumento de “manutenção de paz” num território em guerra. Este espólio inédito, nunca antes estudado, exposto ou devidamente catalogado pertenceu a Álvaro de Barros Geraldo (1922-1993), fotógrafo de trajetória enigmática, cuja biografia fragmentada exigiu uma leitura crítica do seu legado. Através de fotografias de emboscadas, cerimónias protocolares e iniciativas militares e sociais, Catarina e Inês procuraram analisar criticamente como esse discurso legitimou e perpetuou tensões pós-coloniais ao longo dos séculos XX e XXI.

Para os interessados fica o site do Inventário do Acervo Fotográfico do Arquivo Histórico Ultramarino: https://ahu.dglab.gov.pt/wp-content/uploads/sites/24/2016/09/PT-AHU-FOT.pdf
Inauguração do cinema, Bolama, 4 de março de 1971
Slide, sem título, sem data, lê-se no cartaz de pano Nhacra Felicita Homem Grande
Horácio Caio, considerado o primeiro repórter de guerra da televisão portuguesa, chega a Bissau em 15 de janeiro de 1974. Diz no texto que o acompanha em segundo plano Baltazar Rebelo de Sousa, então Ministro do Ultramar, o que não é verdade. Mas, efetivamente, nesse dia chegou a Bissau o Ministro em visita oficial.
Acampamento da Mocidade Portuguesa, Quinhamel, 1 de abril de 1969, à esquerda pode-se ver o Secretário-Geral do Governo, Tenente-Coronel Pedro Cardoso.
Chegada de tropas e despedida de fuzileiros, 11 de julho de 1971. O capitão Salgueiro Maia em destaque.
Operação Sul, 21 de abril de 1972
Governador em entrevista com um elemento do PAIGC, 14 de junho de 1970
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Notas do editor:

Vd. post de 25 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28376: Notas de leitura (1965): O espólio fotográfico de Álvaro de Barros Geraldo (1955-1975) - 1 (Mário Beja Santos)

Último post da série de 28 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28382: Notas de leitura (1966): "Os Anos da Guerra, 1961/1975, Os Portugueses em África, Crónica, Ficção e História", por João de Melo; Círculo de Leitores e Publicações Dom Quixote, 1988 - 1 (Mário Beja Santos)

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28376: Notas de leitura (1965): O espólio fotográfico de Álvaro de Barros Geraldo (1955-1975) - 1 (Mário Beja Santos)

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 6 de Julho de 2026:

Queridos amigos,
Terá sido uma exposição esplêndida, uma oportunidade em conhecer o espólio deste fotógrafo que tinha estabelecimento em Bissau e que se revelou particularmente ativo na governação de Spínola. Este espólio tem a sua história que aqui se conta, uma técnica conceituada, Catarina Mateus, reflete sobre questões de acesso, legado e poder colonial, para nos lembrar a exiguidade de recursos, daí poder dizer-se que deste espólio monumental só se conhece um vislumbre. Foi convocado o historiador Pedro Aires Oliveira para contextualizar a governação de Spínola, nela mergulhou este fotógrafo, registando um sem número de eventos. Deixamos para o texto seguinte as considerações das curadoras da exposição do que foi organizar a partir do Arquivo esta exposição de que resulta este livro/catálogo que conheceu uma edição muito magra, trezentos exemplares.

Um abraço do
Mário



O espólio fotográfico de Álvaro de Barros Geraldo (1955-1975) - 1

Mário Beja Santos

A exposição e livro sobre trabalhos de Álvaro de Barros Geraldo constituiu um acontecimento, revelava-se a obra de alguém que parecia encoberto pelo nome de um estabelecimento fotográfico sediado em Bissau que legou um acervo monumental que está depositado no Arquivo Histórico Ultramarino.

A então colaboradora técnica deste arquivo, Catarina Mateus, depõe no livro/catálogo: que tomara conhecimento deste espólio em 2025, pois na altura integrava uma equipa que se ocupava da identificação e diagnóstico do vastíssimo acervo fotográfico do Instituto de Investigação Científica Tropical; no ano seguinte, em 2006, iniciaram-se os tratamentos às coleções.
“Foi neste contexto que o espólio de Álvaro de Barros Geraldo (ABG) foi integrado no Arquivo Histórico, analisado e diagnosticado. Estima-se um acervo de 82.300 fotografias, maioritariamente negativos em película de 120mm e de 35mm, e um conjunto de slides e provas de contacto, para além de uma pasta com documentação impressa e recortes de imprensa. Excetuando estes últimos, todos os negativos se encontram embalados em envelopes de papel, devidamente identificados, que por sua vez, se encontram em caixas de cartão distribuídas por ano. Documentam uma década de trabalho deste fotógrafo que, estabelecido com uma casa comercial de fotografia na Guiné-Bissau a partir da década de 1950, acompanhou de perto as movimentações políticas sociais e culturais, que registou entre os anos de 1966 e 1974.”

Porventura e atendendo a estas datas, convidou-se o historiador Pedro Aires Oliveira a depor sobre a governação de Spínola na Guiné, de algum modo ABG colaborou para a sua imagem, as suas fotografias aparecem na publicação Voz da Guiné e tratadas em meio local. O historiador procura dar sentido histórico à ação desenvolvida por este governador, apresentada em inúmeras fotografias. Instalado em Bissau, a partir de finais de maio de 1968, foi delineando o seu plano de contrassubversão, plano esse sistematizado através de um conjunto de Diretivas do Comando-Chefe.

Em Lisboa, recebe-se um diagnóstico por ele escrito que era devastador, relevava a desmoralização das forças portuguesas, a deficiência no campo das informações e à forma como o dispositivo militar se encontrava organizado – dispersão excessiva em aquartelamentos sujeitos à flagelação persistente do inimigo; para inverter este estado de coisas, o Comandante-Chefe recria uma mais completa unidade de comando (uma maior concentração de todas as competências operacionais) e pedia meios compatíveis para reequilibrar o estado da guerra, atendendo à notória falta de armamento e equipamento dissuasor. Vieram helicópteros Alouette III, equipamentos de transmissões, reforços para a Marinha, uma expansão da estrutura local da PIDE/DGS, ao mesmo tempo que se criava um novo serviço de informações.

Pedia inovações e obteve-as: a preparação dos efetivos a realizar no final da especialidade passariam a ser feitos na Guiné; e acentuou a africanização do recrutamento, deu-se ênfase a tropas de elite guineenses, envolvendo comandos, fuzileiros e tropas especiais. Na linha dos ensinamentos da guerra contra subversiva, foi criado o programa Por uma Guiné Melhor, criaram-se aldeamentos, diques, escolas, melhoraram-se as estruturas habitacionais, algumas destas com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian; a ação psicossocial e da propaganda ganhou novo fôlego, com o uso do panfleto, do cartaz, dos materiais audiovisuais, da fotografia, sobretudo, da rádio, esta passou a ter emissões em línguas nativas.

É evidente que tudo isto é matéria consabida, por muito carisma pretoriano que acompanhasse toda esta ação, como observa o historiador, acabou num beco sem saída, Marcello Caetano recusou-lhe a negociação com a força nacionalista, deu mesmo a entender que não era forçoso que os exércitos vencessem em todas as circunstâncias, o que veio agitar o fantasma da União Indiana, em que o regime encontrou os seus bodes expiatórios.

E assim passamos do Arquivo à exposição e a olhar o espólio de ABG como uma indeclinável fonte documental relevante. O texto de Inês Vieira Gomes e Catarina Laranjeiro, intitulado do Arquivo à Exposição: Guerra Colonial, Revolução e o Espólio de ABG retoma as considerações de Catarina Mateus, a então conservadora de fotografia do Arquivo Histórico Ultramarino.

“Mostrar este espólio no contexto das comemorações dos 50 Anos do 25 de abril pareceu-nos extremamente pertinente. Esta retrospetiva revela não só a importância histórica na guerra da Guiné-Bissau para as independências das ex-colónias portuguesas, mas também o seu papel central na própria Revolução de Abril. A Guerra Colonial continua frequentemente ausente daas comemorações do 25 de abril, como se se tratasse de um capítulo incómodo que o regime democrático preferisse manter à margem da memória pública.”

As autoras põem enfâse no número dos efetivos militares, lembram as obras plásticas produzidas, algumas delas entraram em sinergia com o período da exposição que decorreu no Museu Nacional de História Natural e da Ciência.

Fala-se então do espólio:
“A parte da Guiné-Bissau no inventário do Arquivo Histórico pode ser subdividida em dois conjuntos temáticos. O primeiro é constituído por reportagens que documentam atividades sociais, políticas e desportivas. Incluem-se aqui receções protocolares, inaugurações de edifícios, visitas oficiais, procissões, atividades escolares, bem como atividades e operações militares. Nestes registos, destaca-se as exibições de armamento apreendido ao PAIGC, e a libertação de prisioneiros, entre outros eventos. Imagens de propaganda. O segundo conjunto insere-se no amplo desígnio de usos e costumes: retratos, danças ou outras expressões culturais, detalhes (penteados, tatuagens, roupas, acessórios). É evidente o modo como a fotografia foi apropriada no contexto colonial: homens e mulheres são fixados pela câmara como objetos etnográficos, captados num olhar que os classifica e os distancia, reiterando uma visão hierárquica e exotizante sobre as populações colonizadas. É notável a forma como ABG organizou o seu espólio.”

Veremos depois a biografia controversa e fragmentada de ABG, mostrando mais um acervo fotográfico das suas imagens.

“No contexto das comemorações dos 50 anos das independências das antigas colónias portuguesas em África, debruçamo-nos sobre um espólio fotográfico inédito que coincide com o período da guerra colonial e das lutas de libertação. Álvaro de Barros Geraldo (1922-1993), fotógrafo português a viver na Guiné-Bissau desde meados de 1950, registou de perto este período marcado por tensões e profundas transformações sociais e políticas (…) Este livro, tal como a exposição homónima, constitui um contributo para a problematização crítica dos legados do colonialismo português. Através da fotografia e de investigação histórica, propõe-se revisitar a memória do passado colonial e refletir sobre o forjar de identidades nacionais, assim como o contexto pós-revolucionário em Portugal.

Para além de imagens de Álvaro de Barros Geraldo – que oferecem um olhar singular sobre a construção de narrativas visuais –, este livro reúne contributos de investigadores que questionam a história, a memória e a continuidade de estruturas coloniais nas dinâmicas do presente”.

Texto de apresentação para a exposição Imaginários da Guiné-Bissau, reproduzido na contracapa do livro
Catarina Laranjeiro e Inês Vieira Gomes são as curadoras da exposição Imaginários da Guiné-Bissau. O espólio de Álvaro de Barros Geraldo (1955-1975), que será inaugurada no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa, no dia 8 de Maio às 18h.

Partindo de parte de um acervo do Arquivo Histórico Ultramarino de cerca de 82 mil negativos (bem como um conjunto de slides e provas de contacto) da Guiné-Bissau e Lisboa, as curadoras investigaram o papel da fotografia na construção do argumento de “manutenção de paz” num território em guerra. Este espólio inédito, nunca antes estudado, exposto ou devidamente catalogado pertenceu a Álvaro de Barros Geraldo (1922-1993), fotógrafo de trajetória enigmática, cuja biografia fragmentada exigiu uma leitura crítica do seu legado. Através de fotografias de emboscadas, cerimónias protocolares e iniciativas militares e sociais, Catarina e Inês procuraram analisar criticamente como esse discurso legitimou e perpetuou tensões pós-coloniais ao longo dos séculos XX e XXI.

Para os interessados fica o site do Inventário do Acervo Fotográfico do Arquivo Histórico Ultramarino: https://ahu.dglab.gov.pt/wp-content/uploads/sites/24/2016/09/PT-AHU-FOT.pdf
João Egreja e Álvaro de Barros Geraldo na fronteira do Senegal, Pirada, 14 de junho de 1972
Ramadão, 27 de fevereiro de 1969
Congresso de Etnia Balanta, 22 de abril de 1972
Chegada do Duo Ouro Negro, 4 de novembro de 1969

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 23 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28372: Notas de leitura (1964): "Coragem, Altruísmo e Fé", biografia da cap enf pqdt Eugénia do Espírito Santo Sousa (Ribeira Grande, Santo Antão, Cabo Verde, 1935 - Sesimbra, 2025): comentário da autora, Rosalina Coelho Vaqueiro

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Guiné 61/74 - P26773: Agenda cultural (882): Convite para a inauguração da exposição "Imaginários da Guiné-Bissau: o Espólio de Álvaro de Barros Geraldo": amanhã, dia 8, das 18h00 às 20h00 no Museu Nacional de História Natural e da Ciência (As curadoras Catarina de Castro Laranjeiro e Inès Vieira Gomes)


A exposição vai estar de 8 de maio a 31 de agosto de 2025, no  Museu Nacional de História Natural e da Ciência, R. da Escola Politécnica 56, 1250-102 Lisboa. 



1. Mensagem da Catarina de Castro Laranjeiro, investigadora do Instituto de História Contemporânea, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas / Universidade NOVA de Lisboa:


Data - 6 mai 2025 19:15
Assunto - Convite: Inauguração da exposição Imaginários da Guiné-Bissau (8 de maio)


Caro Luís Graça


Na próxima quinta-feira, 8 de maio, entre as 18h e as 20h, inaugura-se, no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, a exposição Imaginários da Guiné-Bissau: O Espólio de Álvaro de Barros Geraldo, com curadoria minha e da Inês Vieira Gomes. (*)

A exposição parte do espólio de Álvaro de Barros Geraldo para questionar o argumento de "manutenção de paz" num território em guerra. Através de imagens de emboscadas, cerimónias e iniciativas militares e sociais, propõe-se uma leitura crítica desse discurso e dos seus legados pós-coloniais, no ano em que se assinalam os 50 anos das independências das antigas colónias portuguesas.

Gostaríamos muito de contar com vocês — com a vossa presença, mas também com o vosso olhar atento e crítico sobre o nosso trabalho curatorial.


Um abraço, Catarina e Inês

2.  Comentário do editor LG:

Obrigado, Catarina e Inês. Desejo o maior sucesso para este evento, organizado sob a vossa competente e entusiástica curadoria. Fico impressionado como, em tão pouco tempo, planearam, organizaram e montaram esta exposição. Espero que o nosso blogue vos tenha dado alguma ajuda ou pista, mesmo que pequena.  Temos poucas referência ao antigo fotógrafo oficial do gen Spínola, enquanto governador e comandante-chefe na antiga Guiné Portuguesa (1968-1973) (**)

O Álvaro de Barros Geraldo só era conhecido de alguns de nós como fotógrafo "etnográfico", o A. B. Geraldo de alguns postais ilustrados que compravamos em Bissau. Sabemos que também colaborou com o jornal "Voz da Guiné", assinando algumas reportagens fotográficas. Desconhecíamos completamente a existência de um tão vasto espólio fotográfico, seguramente relevante para o estudo do(s) nosso(s) imaginário(s) da Guiné-Bissau.

Obrigado pelo convite. Não estarei em Lisboa a essa hora, mas espero que algum dos nossos coeditores ou colaboradores permanentes possa representar a Tabanca Grande. E até ao fim de agosto, terei oportunidade de conhecer e apreciar o vosso trabalho. Parabéns.

3. Sinopse da exposição:


(...) "Esta exposição parte de um acervo do Arquivo Histórico Ultramarino de cerca de 82.000 negativos (bem como um conjunto de slides e provas de contacto) da Guiné-Bissau e Lisboa — um espólio inédito, nunca antes estudado, exposto ou devidamente catalogado. 

As imagens são da autoria de Álvaro de Barros Geraldo (1922-1993), fotógrafo de trajetória enigmática, cuja biografia fragmentada exige uma leitura crítica do seu legado.

Imaginários da Guiné-Bissau, investiga o papel da fotografia na construção do argumento de “manutenção de paz” num território em guerra. 

Através de fotografias de emboscadas, cerimónias protocolares e iniciativas militares e sociais, procura-se analisar criticamente como esse discurso legitimou e perpetuou tensões pós-coloniais ao longo dos séculos XX e XXI. 

No ano em que se assinalam os 50 anos das independências das antigas colónias portuguesas, esta exposição questiona os legados dessa narrativa e as suas implicações no presente e no futuro.

A exposição é produzida no âmbito do Programa «Arte pela Democracia», uma iniciativa da Comissão Comemorativa 50 anos do 25 de Abril em parceria com a Direção-Geral das Artes." (,,..)

Fonte: Cortesia de Buala (Excerto)
________________

(**) Vd. poste de 22 de novembro de 2024 > Guiné 61/74 - P26179: O Nosso Blogue como fonte de informação e conhecimento (107): alguém conheceu Álvaro de Barros Geraldo, o fotógrafo oficial do gen Spínola, no período da guerra colonial, na Guiné-Bissau ?(Catarina Laranjeiro, investigadora no Instituto de História Contemporânea da NOVA/FCSH)
 

domingo, 1 de dezembro de 2024

Guiné 61/74 - P26222: O Spínola que eu conheci (38): Nunca o vi com um fotógrafo atrás, no mato (António Martins de Matos / Luís Graça / Valdemar Queiroz / Virgílio Teixeira)... Havia um fotógrafo fardado, que tirava fotos de forma muito dsicreta (Domingos Robalo)



~
Guiné > Algures > Maio de 1973 > Costa Gomes, Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, dá início, a 25 de maio de 1973, a uma visita ao Comando Territorial Independente da Guiné (CTIG), para se inteirar do agravamento da situação militar e analisar medidas a tomar com vista a garantir o espaço de manobra do poder politico em Lisboa. 

Na foto, vê-se o Gen Costa Gomes à direita de Spínola, falando com milícias guineenses. Foto do francês Pierre Fargeas (técnico que fazia a manutenção dos helis AL III, na BA 12, Bissalanca), gentilmente enviada pelo nosso camara Jorge Félix (ex-Alf Mil Pil Heli, BA12, Bissalanca, 1968/70).

Foto (e legenda): © Pierre Fargeas / Jorge Félix (2009). Todos os direitos reservados. [Edução e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Comentários ao poste P26179(*): 


(i) Virgílio Teixeira:

Infelizmente não conheço, não conheci, e não sabia de um fotografo oficial do nosso General Spínola.

Encontrei-o algumas vezes em Bissau, quer no Grande Hotel, quer no Solar dos Dez, em Bissau.

Mas nunca falei com ele.

Vi nele sempre uma pessoa acima de tudo e todos. Gostei dele, e o fotografo não vi!
 
22 de novembro de 2024 às 15:05


(ii) Valdemar Queiroz:

Estive por duas vezes a um palmo do Spínola.

A primeira vez foi quando assistiu a tiros de morteiro 60mm de recrutas, na bolanha de Contuboel, e calhou ser o Umaru Baldé do meu Pelotão a disparar uma granada que nunca mais caía e acertar no bidon-alvo. Alguns dos presentes deram uns passos nervosos, mas eu fiquei ao lado de Spínola que não se mexeu e fez um sinal quase imperceptível de "calma".

A segunda vez foi no Hospital Militar em Bissau, quando estive internado devido a uma intervenção cirúrgica. Ele todos os dias ia de manhã ao Hospital visitar, principalmente, quem tinha chegado ferido, tendo visitado um oficial que estava no meu quarto mais outros dois doentes. Esse oficial doente tinha a cara cheia de feridas devido a uma explosão de uma mina A/P, o Spínola olhou pra mim como me conhecendo e disse ao oficial ferido, que era um magricelas, "dos fracos não reza a historia".

Tenho a ideia que o oficial disse qualquer coisa, quando o Spínola saiu, que os outros riram-se.

22 de novembro de 2024 às 17:03

(iii) Luís Graça:

Náo estou a ver um militar a ficar 5 anos ao lado do Spínola para lhe bater as "chapas"... Ajudantes de campo, teve 3, se não me engano...E fotógrafos oficiais deve ter tido mais do que um...O Geraldo terá sido um deles...

A questão é de saber se era civil ou militar ("fotocine", por exemplo, a menos que fosse também da arma de cavalaria, como os ajudantes de campo...).

22 de novembro de 2024 às 23:14


(iv) António Martins Matos:

Via assiduamente o general Spínola, na Base Aérea nº 12, em Biossalanca, a partir para as suas visitas a aquartelamentos, de DO-27 ou AL-III. 

Nunca vi que levasse algum fotógrafo a reboque.

23 de novembro de 2024 às 08:51
 
(v) Luís Graça:

Catarina, o gen Spínola cuidadava da sua imagem, era de cavalaria, foi vedeta no hipismo, mas não ao ponto de andar com um "fotógrafo pessoal, oficial" atrás de si, e muito menos no mato, na Guiné...

Levava o ajudante de campo, que era também seu guarda-costas... Nunca ninguém o viu armado, e correu riscos...

Em Bissau, nas cerimónias militares, oficiais, é possível que o palácio do governador recorresse a algum fotógrafo civil, com estúdio montado na cidade... Ainda não sabemos se esse Geraldo era civil ou militar.

Era importante, por outro lado, saber se o jornal "A Voz da Guiné" tinha algum fotógrafo ou fotojornalista no seu quadro de pessoal. Ou se as fotos que publicava tinham autor.

Os únicos "paparazzi" que o fotografavam, no mato, eram os militares das unidades e subunidades que ele visitava, muitas vezes de surpresa. Não se batia à fotografia, mas também não se importava que o fotografassem..

23 de novembro de 2024 às 11:44 

(vi) Domingos Robalo:

Tive três contactos com o general Spínola. 

O primeiro numa visita que este fez a Fulacunda, onde estava sediada a CCAV 2482, “Os Bpoinas Negras”. Era eu comandante do 22° Pel Art, em apoio a esta Companhia comandada pelo capitão H. Morais. 

A segunda vez, estando eu de Sargento da Guarda no QG, em Bissau,o general passando o portão a pé recebeu as honras da “Guarda”. Assim que passou mandei destroçar a secção. O general voltou atrás e de forma pedagógica falou; “A guarda não destroça, recolhe”. Nunca mais me esqueci. 

A terceira vez, foi na parada da minha Unidade, a BAC1, que ia passar a Grupo, por aumento significativo de forças e material de artilharia. Nesse mesmo dia e nessa cerimónia, foi homenageado o Sargento de Artilharia, morto em combate, sendo dado o seu nome à parada da unidade; “Parada Issa Jao”. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Guiné 61/74 - P26179: O Nosso Blogue como fonte de informação e conhecimento (107): alguém conheceu Álvaro de Barros Geraldo, o fotógrafo oficial do gen Spínola, no período da guerra colonial, na Guiné-Bissau ?(Catarina Laranjeiro, investigadora no Instituto de História Contemporânea da NOVA/FCSH)



Gen Spínola, governador e comandante-chefe no CTIG, s/d. Foto editada e reproduzida com a devida vénia do livro de Luís Nuno Rodrigues,. "Spínola: Biografia" (Lisboa, A Esfera dos Livras, 2010, 748 pp.). Pertence ao Arquivo António Spínola, desconhece-s o autor. Poderá ter sido o fotógrafo oficial do general, no TO da Guiné,  Álvaro de Barros Geraldo ?


1. Através do Formulário de Contacto do Blogger (e depois por mail), chegou-nos o seguinte pedido:

Data - Quarta, 20/11/2024, 12:48


Boa Tarde a todos,

Espero que se encontrem bem.

O meu nome é Catarina Laranjeiro e sou investigadora no Instituto de História Contemporânea da NOVA/FCSH.

Estou juntamente com uma colega, a Inês Vieira Gomes (em cc neste email), a realizar uma investigação sobre a obra do fotógrafo Álvaro de Barros Geraldo, que foi o fotógrafo oficial do General Spínola na Guiné-Bissau, no período da Guerra Colonial.

Alguem se lembra deste fotografo na Guiné? Tem alguma pista sobre a família de Álvaro de Barros Geraldo?

Um abraço
Catarina
Cumprimentos,
Catarina de Castro Laranjeiro | claranjeiro@fcsh.unl.pt

2. Comentário do editor LG:

Catarina: Como sempre, procuramos que o nosso blogue seja também útil à comunidade académica.  Sobre o seu pedido, que agradeço,  vamos torná-lo público. É possível que, em cinco anos de presença do gen Spínola no TO da Guiné, como governador e comandante-chefe, haja alguém de nós que tenha conhecido esse fotógrafo (em Bissau, não no mato),

Eu desconhecia completamente o seu nome e a sua função. O próprio biógrafo de Spínola (Luís Nuno Rodrigues,. "Spínola: Biografia", Lisboa, A Esfera dos Livroas, 2010, 748 pp.), não faz qualquer referência a esse fotógrafo. E as fotos que publica, infelizmente poucas,  sobre o general na Guiné, são citadas como pertencentes ao "Arquivo António Spínola".

O Geraldo seria militar ? Talvez um "fotocine"... Ou seria um "civil" ?...Sei que o seu arquivo está em depósito na Torre do Tombo, doado em 1974.  Pode ser, entretanto, que algum dos nossos leitores tenha mais alguma pista. Boa saúde, bom trabalho.

PS - A Catarina Laranjeiro, investigadora e realizadora de cinema, tem  7 referèncias no nosso blogue.

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Guiné 63/74 - P1140: Postais Ilustrados (5): Bajuda manjaca, Ilha de Pecixe (Beja Santos)


Guiné Portuguesa > Postal Ilustrado > Legenda > FF3. Bajuda Manjaca, Pecixe (1). Kodachrome de A. B. Geraldo. Edição da Casa Mendes, Bissau. s/d.

Postal ilustrado enviado, por avião, pelo Alf Mário Beja Santos a uma pessoa sua amiga... Data e local: Missirá [SPM 3378], 18/XII/[1968]. Carimbo do correio de Bissau: 23/12/68. Valor dos selos: 1$80 pesos.

Bilhete postal gentilmente cedido pelo nosso camarada Beja Santos (ex-Alf Mil, comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70)(2).

Escreveu ele neste postal:

 (...) "O Natal ergue-se desta bruma densa, onde paira a maior parte do dia. Nós todos O sentimos. Talvez com mais força do que aí, pois se sabe se não fizermos uma união autêntica de amizade, todos estão desprotegidos" (...).

Foto: Álvaro de Barros Geraldo

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Notas de L.G.:

(1) A Ilha de Pecixe fica a leste de Bissau, no estuário do Rio Mansoa, na sua margem direita, frente a Quinhamel.

(2) Vd. post anterior (desta série sobre postais ilustrados da Guiné):

28 de Setembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1125: Postais Ilustrados (4): Rapaz balanta, cesteiro (Beja Santos)

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Guiné 63/74 - P1031: Postais Ilustrados (3): Tocador fula, Bafatá (Beja Santos)



Legenda: FF10 - Tocador fula, Bafatá.

Edição: Casa Mendes, Bissau, s/d.

Kodachrome de A. B. Geraldo.

Bilhete postal gentilmente cedido pelo nosso camarada Beja Santos (1).

Segundo a brochura que era distribuída aos militares mobilizados para o TO da Guiné (Missão na Guiné, edição do Estado-Maior do Exército, 1971), os fulas (fulas-forros e fulas-pretos) eram a segunda maior etnia, a seguir aos balantas. O seu número atingia os 120 mil, de acordo com o censo de 1960. Neste número não estavam incluídos os cerca de 10 mil futa-fulas.

Os fulas povoavam, na época, o Nordeste da Guiné, as regiões de Gabu, Bafatá e Forreá.

"Os primeiros fulas a entrar na Província foram os fulas-forros, que subjugaram e escravizaram grande número de mandingas, a quem designaram por fulas-pretos.

"De um modo geral, são hospitaleiros, considerando mesmo a hospitalidade como um dever sagrado.

"Apesar da influência que o islamismo tem entre eles, praticam também o animismo.

"Dedicam-se ao cultivo do arroz, sem grande entusiasmo, milho e amendoim e à pesca, à linha or por envenenamento das águas.

"Do gado que criam, considerado como um sinal de prestígio apenas aproveitam o leite para a sua alimentação".

Fonte: extractos de: Missão na Guiné. Lisboa: Estado-Maior do Exército. 1971. 26-27.

Foto: Álvaro de Barros Geraldo
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Nota de L.G.

(1) Vd. posts anteriores:

4 de Agosto de 2006 > Guiné 63/74 - P1023: Postais Ilustrados (1): Pescadora, de etnia papel (Beja Santos)

7 de Agosto de 2006 > Guiné 63/74 - P1030: Postais Ilustrados (2): Dança nalu, Cacine (Beja Santos)

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Guiné 63/74 - P1030: Postais Ilustrados (2): Dança nalu, Cacine (Beja Santos)



Legenda: FF2 - Dança nalu, Cacine

Edição: Casa Mendes, Bissau, s/d.

Kodachrome de A. B. Geraldo.

Bilhete postal gentilmente cedido pelo nosso camarada Beja Santos (1).

Segundo a brochura Missão na Guiné, editada em 1971 pelo Estado-Maior do Exército, os Nalus (cerca de 5500, de acordo com o censo de 1960) habitavam a região de Tombali (Cacine), no sul. 

Eram descritos pelos nossos etnógrafos, como sendo "pouco robustos e de estatura média. Muito individualistas, recusam-se a manter relações com as tribos vizinhas. Têm um conceito perfeito de justiça. Encontram-se em grande parte islamizados"... 

A foto é de Álvaro de Barros Geraldo. (LG)
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Nota de L.G.

(1) Vd. post de 4 de Agosto de 2006 > Guiné 63/74 - P1023: Postais Ilustrados (1): Pescadora, de etnia papel (Beja Santos)