Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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terça-feira, 23 de dezembro de 2025
Guiné 61/74 - P27567: Parabéns a você (2446): Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150/73 (Bigene e Guidaje, 1973/74); Carlos Pinheiro, ex-1.º Cabo TRMS do STM/QG/CTIG (Bissau, 1968/70) e Felismina Costa, Amiga Grã-Tabanqueira, poetisa a declamadora
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Nota do editor
Último post da série de 20 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27550: Parabéns a você (2445): José Botelho Colaço, ex-Sold TRMS da CCAÇ 557 (Cachil e Bafatá, 1963/65) e José Casimiro Carvalho, ex-Fur Mil Op Esp da CCAV 8350/72 e CCAÇ 11 (Guileje, Gadamael e Paunca, 1972/74)
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2024
Guiné 61/74 - P26301: Parabéns a você (2339): Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150/73 (Bijene e Guidaje, 1973/74); Carlos Pinheiro, ex-1.º Cabo TRMS do STM/QG/CTIG (Bissau, 1968/70) e Felismina Costa, Amiga Grã-Tabanqueira, poetisa e declamadora
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Nota do editor
Último post da série de 19 de dezembro de 2024 > Guiné 61/74 - P26286: Parabéns a você (2338): Humberto Reis, ex-Fur Mil Op Especiais da CCAÇ 2590/CCAÇ 12 (Bambadinca, 1969/71)
Nota do editor
Último post da série de 19 de dezembro de 2024 > Guiné 61/74 - P26286: Parabéns a você (2338): Humberto Reis, ex-Fur Mil Op Especiais da CCAÇ 2590/CCAÇ 12 (Bambadinca, 1969/71)
sábado, 23 de dezembro de 2023
Guiné 61/74 - P24990: Parabéns a você (2235): Albano Costa, ex- 1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150/73 (Bigene e Guidaje, 1973/74); Carlos Pinheiro, ex-1.º Cabo TRMS do STM/QG/CTIG (Bissau, 1968/70) e Felismina Costa, Amiga Grã-Tabanqueira, poetisa e declamadora
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Nota do editor
Último poste da série de 20 de Dezembro de 2023 > Guiné 61/74 - P24977: Parabéns a você (2234): José Botelho Colaço, ex-Soldado TRMS da CCAÇ 557 (Cachil e Bafatá, 1963/65) e José Casimiro Carvalho, ex-Fur Mil Op Especiais da CCAV 8350/72 e CCAÇ 11 (Guileje, Gadamael e Paunca, 1972/74)
sexta-feira, 23 de dezembro de 2022
Guiné 61/74 - P23907: Parabéns a você (2128): Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150/73 (Bigene e Guidage, 1973/74); Carlos Pinheiro, ex-1.º Cabo TRMS do STM/QG/CTIG (Bissau, 1968/70) e Felismina Costa, Amiga Grã-Tabanqueira, poetisa e declamadora
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Nota do editor
Último poste da série de 20 de Dezembro de 2022 > Guiné 61/74 - P23897: Parabéns a você (2127): José Botelho Colaço, ex-Soldado TRMS da CCAÇ 557 (Cachil e Bafatá, 1963/65) e José Casimiro Carvalho, ex-Fur Mil Op Esp da CCAV 8350/72 e CCAÇ 11 (Guileje, Gadamael e Paunca, 1972/74)
Nota do editor
Último poste da série de 20 de Dezembro de 2022 > Guiné 61/74 - P23897: Parabéns a você (2127): José Botelho Colaço, ex-Soldado TRMS da CCAÇ 557 (Cachil e Bafatá, 1963/65) e José Casimiro Carvalho, ex-Fur Mil Op Esp da CCAV 8350/72 e CCAÇ 11 (Guileje, Gadamael e Paunca, 1972/74)
quinta-feira, 23 de dezembro de 2021
Guiné 61/74 - P22832: Parabéns a você (2017): Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150/73 (Bigene e Guidaje, 1973/74); Carlos Pinheiro, ex-1.º Cabo TRMS do STM/QG/CTIG (Bissau, 1968/70) e Felismina Costa, Amiga Grã-Tabanqueira
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Nota do editor
Último poste da série de 20 de Dezembro de 2021 > Guiné 61/74 - P22822: Parabéns a você (2016): José Botelho Colaço, ex-Soldado TRMS da CCAÇ 557 (Cachil e Bafatá, 1963/65) e José Casimiro Carvalho, ex-Fur Mil Op Esp da CART 8350/72 e CCAÇ 11 (Gulieje, Gadamael e Paunca, 1972/74)
quarta-feira, 23 de dezembro de 2020
Guiné 61/74 - P21678: Parabéns a você (1912): Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150/73 (Guiné, 1973/74); Carlos Pinheiro, ex-1.º Cabo TRMS do STM/QG/CTIG (Guiné, 1968/70); Felismina Costa, Amiga Grã-Tabanqueira e José Manuel Matos Dinis, ex-Fur Mil Inf da CCAÇ 2679 (Guiné, 1970/71)
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Nota do editor:
Último poste da série de 22 de Dezembro de 2020 > Guiné 61/74 - P21673: Parabéns a você (1911): Miguel Vareta, ex-Fur Mil Comando da 38.ª CComandos (Guiné, 1972/74)
segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
Guiné 61/74 - P20484: Parabéns a você (1728): Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150/73 (Guiné, 1973/74); Carlos Pinheiro, ex-1.º Cabo TRMS do STM/QG/CTIG (Guiné, 1968/70); Felismina Costa, Amiga Grã-Tabanqueira e José Manuel Matos Dinis, ex-Fur Mil Inf da CCAÇ 2679 (Guiné, 1970/71)
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Nota do editor
Último poste da série de 22 de Dezembro de 2019 > Guiné 61/74 - P20479: Parabéns a você (1727): Miguel Vareta, ex-Fur Mil Comando da 38.ª CComandos (Guiné, 1972/74)
domingo, 23 de dezembro de 2018
Guiné 61/74 - P19321: Parabéns a você (1546): Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150/73 (Guiné, 1973/74); Carlos Pinheiro, ex-1.º Cabo TRMS do STM/QG/CTIG (Guiné, 1968/70); Felismina Costa, Amiga Grã-Tabanqueira e José Manuel Matos Dinis, ex-Fur Mil Inf da CCAÇ 2679 (Guiné, 1970/71)
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Nota do editor
Último poste da série de 22 de Dezembro de 2018 > Guiné 61/74 - P13914: Parabéns a você (1545): Miguel Vareta, ex-Fur Mil Comando da 38.ª CCom (Guiné, 1972/74)
sábado, 23 de dezembro de 2017
Guiné 61/74 - P18126: Parabéns a você (1361): Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150/73 (Guiné, 1973/74); Carlos Pinheiro, ex-1.º Cabo TRMS do STM/QG/CTIG (Guiné, 1968/70); Felismina Costa, Amiga Grã-Tabanqueira e José Manuel Matos Dinis, ex-Fur Mil Inf da CCAÇ 2679 (Guiné, 1970/71)
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Nota do editor
Último poste da série de 22 de Dezembro de 2017 > Guiné 61/74 - P18121: Parabéns a você (1360): Miguel Vareta, ex-Fur Mil Comando da 38.ª CComandos (Guiné, 1972/74)
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Guiné 61/74 - P17883: In Memoriam (306): Cadi Candé (c.1927-2017), arquétipo da mãe africana, exemplo de humildade, abnegação e coragem... Homenagem à mãe do nosso amigo e irmãozinho Cherno Baldé (Bissau)
Guiné-Bissau > Bissau > c. 1995/1997 > Eu e a minha mãe, Cadi Candé (c. 1927-2017) ... Aqui com c. 70 anos. A foto foi tirada depois do primeiro regresso do Chermo Baldé, de Lisboa, onde frequentou, um mestrado no ISCTE (1993/95)
Guiné > Região de Bafatá > Fajonquito > 1973 > A mãe Cadi Candé (c. 1927-2017), acompanhada da minha irmãzinha, nos trabalhos da bolanha. Aqui com c. 46 anos
Fotos (e legendas): © Cherno Baldé (2011). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. Pela página do Facebook do Cherno Baldé soubemos da triste notícia, a morte da sua querida mãe, Cadi Candé, com cerca de 90 anos de idade:
17/210/2017
Tudo acaba.
No dia 13 de Outubro faleceu em Bissau a minha querida mãezinha, Cadi Candé (que a sua alma repouse em paz), e no dia seguinte foi enterrada na vila de Fajonquito, onde viveu a maior parte da sua vida.
A todos que nos acompanharam nessa dor, quero manifestar os nossos sentimentos de gratidão. Tudo acaba, mas a vida continua.
2. Seu neto, Braima K. Nhamadjo (, "meu sobrinho, filho da minha irmã que está numa das fotos com a nossa mae na bolanha de Fajonquito, actualmente docente na Universidade Lusófona de Bissau#.), também escreveu na sua págima do Facebook:
17/10/2017
Tudo acaba.
Andar com fé é saber que cada dia é um recomeço. É saber que temos asas invisíveis e fazer pedido para as estrelas, voltando os olhos para o céu. Andar com fé é manter a mão estendida para dar e receber. Andar com fé é usar a força e a coragem que habitam dentro de nós, quando tudo parece acabado. Tudo finda, menos o amor, pois este sempre viverá. O amor a minha falecida avo é eterno...RIP MAMA CADI
17/210/2017
Tudo acaba.
No dia 13 de Outubro faleceu em Bissau a minha querida mãezinha, Cadi Candé (que a sua alma repouse em paz), e no dia seguinte foi enterrada na vila de Fajonquito, onde viveu a maior parte da sua vida.
A todos que nos acompanharam nessa dor, quero manifestar os nossos sentimentos de gratidão. Tudo acaba, mas a vida continua.
2. Seu neto, Braima K. Nhamadjo (, "meu sobrinho, filho da minha irmã que está numa das fotos com a nossa mae na bolanha de Fajonquito, actualmente docente na Universidade Lusófona de Bissau#.), também escreveu na sua págima do Facebook:
17/10/2017
Tudo acaba.
Andar com fé é saber que cada dia é um recomeço. É saber que temos asas invisíveis e fazer pedido para as estrelas, voltando os olhos para o céu. Andar com fé é manter a mão estendida para dar e receber. Andar com fé é usar a força e a coragem que habitam dentro de nós, quando tudo parece acabado. Tudo finda, menos o amor, pois este sempre viverá. O amor a minha falecida avo é eterno...RIP MAMA CADI
3. Excertos do Cherno Baldé, com memórias da sua mãe (*)
(i) Amiga Felismina (**),
Obrigado por este bonito quadro da vida portuguesa dos anos 60, pleno de doçura e de reconhecimento que me encantou sobremaneira. (...)
A descrição que fazes da tua mãe, salvaguardada a diferença do contexto, claro, corresponderia na perfeição a minha mãezinha, um pouquinho só mais alta (um metro e sessenta) talvez, inteligente e incansável no trabalho.
Ela assumia a sua condição de mulher africana, extremamente dócil e obediente, mas ao mesmo tempo, sabia mostrar os limites da tolerância, quando era necessário.
Uma vez, estalou na família uma discussão sobre se eu devia ou não continuar na escola portuguesa. A minha mãe não vacilou nem um palmo e disse na cara do meu pai:
- O meu filho vai continuar na escola.
(...) A minha mãe, quando era caso para isso, dizia brincando que, se a cabeça da família era ele, o meu pai, o pescoço era ela e perguntava, rindo:
- Agora, digam-me lá uma coisa, entre estas duas, a cabeça que se encontra em cima, baloiçando, e o pescoço que a suporta, quem é a mais importante?
(...) Hoje, com mais de 80 anos de idade (disse-me que por volta de 1936/37, quando o pai voltou de Canhabaque, ela teria aproximadamente 9/10 anos de idade), e como se ela soubesse do futuro, é cega e sou eu e a minha esposa que cuidamos dela. A saúde e a boa disposição começam a faltar mas ainda encontra-se fisicamente bem e de sentido bem lúcido, a sua memoria é prodigiosa. (...)
A descrição que fazes da tua mãe, salvaguardada a diferença do contexto, claro, corresponderia na perfeição a minha mãezinha, um pouquinho só mais alta (um metro e sessenta) talvez, inteligente e incansável no trabalho.
Ela assumia a sua condição de mulher africana, extremamente dócil e obediente, mas ao mesmo tempo, sabia mostrar os limites da tolerância, quando era necessário.
Uma vez, estalou na família uma discussão sobre se eu devia ou não continuar na escola portuguesa. A minha mãe não vacilou nem um palmo e disse na cara do meu pai:
- O meu filho vai continuar na escola.
E aí o meu pai ficou completamente confundido: afinal o filho era dela?... desde quando?
- Desde o momento em que ele ainda vivia na minha barriga de mulher, - respondeu ela, sem pestanejar. - Não é agora, depois de tantos anos de trabalho e de pancadas, é que ele vai abandonar, para ir onde?
A sua decisão prevaleceu diante de todos os Almames e Califas da aldeia.
As características típicas da sociedade africana com que os etnólogos europeus pintaram os africanos, onde o homem é o centro do mundo e decide tudo, não corresponde sempre a realidade destes povos, é tudo muito mais complexo e muito mais difícil de destrinçar e de catalogar.(...)
(iii) (...) Sobre a minha mãe podia dizer muito e não dizer nada, na verdade, ela nunca foi p'ra além daquilo para que tinha sido moldada, isto é, ser uma mulher de casa, camponesa activa, devota e dedicada ao seu marido e à sua família. Cumpriu a sua missão, foi uma autêntica escrava, uma máquina de trabalho, nunca teve tempo para o repouso e muitas vezes comia de pé, a andar, os restos da panela e não sabia o que era o cansaço. Era a última a dormir, quando dormia, e a primeira a por-se de pé, antes das 5 da manhã.
- Desde o momento em que ele ainda vivia na minha barriga de mulher, - respondeu ela, sem pestanejar. - Não é agora, depois de tantos anos de trabalho e de pancadas, é que ele vai abandonar, para ir onde?
A sua decisão prevaleceu diante de todos os Almames e Califas da aldeia.
As características típicas da sociedade africana com que os etnólogos europeus pintaram os africanos, onde o homem é o centro do mundo e decide tudo, não corresponde sempre a realidade destes povos, é tudo muito mais complexo e muito mais difícil de destrinçar e de catalogar.(...)
(iii) (...) Sobre a minha mãe podia dizer muito e não dizer nada, na verdade, ela nunca foi p'ra além daquilo para que tinha sido moldada, isto é, ser uma mulher de casa, camponesa activa, devota e dedicada ao seu marido e à sua família. Cumpriu a sua missão, foi uma autêntica escrava, uma máquina de trabalho, nunca teve tempo para o repouso e muitas vezes comia de pé, a andar, os restos da panela e não sabia o que era o cansaço. Era a última a dormir, quando dormia, e a primeira a por-se de pé, antes das 5 da manhã.
- Agora, digam-me lá uma coisa, entre estas duas, a cabeça que se encontra em cima, baloiçando, e o pescoço que a suporta, quem é a mais importante?
Mas isto era a brincar e em família.
(...) Hoje, com mais de 80 anos de idade (disse-me que por volta de 1936/37, quando o pai voltou de Canhabaque, ela teria aproximadamente 9/10 anos de idade), e como se ela soubesse do futuro, é cega e sou eu e a minha esposa que cuidamos dela. A saúde e a boa disposição começam a faltar mas ainda encontra-se fisicamente bem e de sentido bem lúcido, a sua memoria é prodigiosa. (...)
Quero agradecer a todos os editores do Blogue da Tabanca Grande por se interessarem por uma pessoa tão simples como é a minha mãe que espero possa representar, mesmo que de forma simbólica, a mãe africana, em particular, e as mães de todos nós, de forma geral, exemplos de humildade e de abnegação.
4. Poema de Felismina Mealha, de homenagem à sua mãe (*)
Saudade
Há sempre no fundo do meu ser
Uma saudade do passado!
Saudade de uma voz.
De um corpo querido
Que há muito partiu
e nos deixou sós!
Uma voz estridente!
Bem timbrada!
Inteligente!
Forte!
Calma!
Uma voz que me enche a alma
e me acalma…
A voz da minha mãe!..
Felismina Costa
Agualva, 26 de Março de 2006
6. Comentário dos nossos editores:
Cherno, nosso amigo e irmãozinho:
Temos dificuldade em aceitar a morte, mesmo quando somos crentes. E, pior ainda, a morte daquela por quem viemos ao mundo, A "mindjer grandi" Cadi Candé chegou ao km 90 da autoestrada da vida, Africana, guineense, mulher, que conhecei a violência da guerra e os tempos difíceis do pós-independência, o seu caminho foi mais o da "picada" do que o da "autoestrada", a avaliar pela evocação, tão realista e tão terna, que fazes dela.
Afinal, a mãe de cada um de nós, na Guiné, em Portugal, ou na China, será sempre, para nós, a melhor mãe do mundo... E quando ela morre, é muito de nós que também morre com ela. Daí a nossa obrigação de evocarmos a sua memória, de fazer.lhe a devida homenagem e mostrar-lhe a nossa gratidão....
A Candi Candé terá tido grandes alegrias e profundas tristezas, como todas as nossas mães. Uma alegria, grande por certo, foi a de saber que o seu filho querido tinha conseguido fazer o seu percurso escolar, com sucesso, chegando até à universidade, e diplomando-se com um curso superior. Tu e nós todos, os teus amigos, estamos-lhe gratos por ela (e oo teu pai...) te deixar continuar a estudar na escola dos "tugas"... Isso fez toda a diferença, entre vocês, os irmãos...(Julgo que tens um outro irmão, licenciado pela Universidade de Lisboa, farmacêutico.)
Devia ser uma senhora, a tua mãe, com grande inteligência emocional, mesmo sendo analfabeta. Pelos textos que escrevestes, sobre a tua saga familiar, percebe-se que foi uma figura estruturante na tua vida, e na vida dos teus irmãos. Como tu lembras, e muito bem, se o teu pai era a "cabéça", ela era o "pescoço", se não mesmo a "coluna vertebral" da família.
Por outro lado, estás de parabéns, tu e a tua família, e em especial a tua esposa, por cuidares bem da tua mãezinha, nos últimos anos de vida, na tua casa em Bissau, com tanto amor e carinho. São valores, esses, que transmites aos teus filhos e que se estão a perder em todo lado, a começar pela Europa. Os "velhos" hoje são apartados das famílias e institucionalizados, nos famiegrados "lares de idosos", verdadeiros "terminais da morte", e morrem quase sempre sozinhos, sem alguém, querido, que lhes segure a mão e lhes feche os olhos, ajudando-os a fazer a derradeira viagem.
Aceita, Cherno, este pequena homenagem dos teus amigos da Tabanca Grande. Força para ti, para os teus filhos, tua esposa e demais família. (LG/CV/EMR) (***)
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Uma saudade do passado!
Saudade de uma voz.
De um corpo querido
Que há muito partiu
e nos deixou sós!
Uma voz estridente!
Bem timbrada!
Inteligente!
Forte!
Calma!
Uma voz que me enche a alma
e me acalma…
A voz da minha mãe!..
Felismina Costa
Agualva, 26 de Março de 2006
6. Comentário dos nossos editores:
Cherno, nosso amigo e irmãozinho:
Temos dificuldade em aceitar a morte, mesmo quando somos crentes. E, pior ainda, a morte daquela por quem viemos ao mundo, A "mindjer grandi" Cadi Candé chegou ao km 90 da autoestrada da vida, Africana, guineense, mulher, que conhecei a violência da guerra e os tempos difíceis do pós-independência, o seu caminho foi mais o da "picada" do que o da "autoestrada", a avaliar pela evocação, tão realista e tão terna, que fazes dela.
Afinal, a mãe de cada um de nós, na Guiné, em Portugal, ou na China, será sempre, para nós, a melhor mãe do mundo... E quando ela morre, é muito de nós que também morre com ela. Daí a nossa obrigação de evocarmos a sua memória, de fazer.lhe a devida homenagem e mostrar-lhe a nossa gratidão....
A Candi Candé terá tido grandes alegrias e profundas tristezas, como todas as nossas mães. Uma alegria, grande por certo, foi a de saber que o seu filho querido tinha conseguido fazer o seu percurso escolar, com sucesso, chegando até à universidade, e diplomando-se com um curso superior. Tu e nós todos, os teus amigos, estamos-lhe gratos por ela (e oo teu pai...) te deixar continuar a estudar na escola dos "tugas"... Isso fez toda a diferença, entre vocês, os irmãos...(Julgo que tens um outro irmão, licenciado pela Universidade de Lisboa, farmacêutico.)
Devia ser uma senhora, a tua mãe, com grande inteligência emocional, mesmo sendo analfabeta. Pelos textos que escrevestes, sobre a tua saga familiar, percebe-se que foi uma figura estruturante na tua vida, e na vida dos teus irmãos. Como tu lembras, e muito bem, se o teu pai era a "cabéça", ela era o "pescoço", se não mesmo a "coluna vertebral" da família.
Por outro lado, estás de parabéns, tu e a tua família, e em especial a tua esposa, por cuidares bem da tua mãezinha, nos últimos anos de vida, na tua casa em Bissau, com tanto amor e carinho. São valores, esses, que transmites aos teus filhos e que se estão a perder em todo lado, a começar pela Europa. Os "velhos" hoje são apartados das famílias e institucionalizados, nos famiegrados "lares de idosos", verdadeiros "terminais da morte", e morrem quase sempre sozinhos, sem alguém, querido, que lhes segure a mão e lhes feche os olhos, ajudando-os a fazer a derradeira viagem.
Aceita, Cherno, este pequena homenagem dos teus amigos da Tabanca Grande. Força para ti, para os teus filhos, tua esposa e demais família. (LG/CV/EMR) (***)
___________
Notas do editor:
(*) Vd, 23 de novembro de 2011 > Guiné 63/74 - P9085: Memórias do Chico, menino e moço (Cherno Baldé) (31): A minha Mãe Cadi representa a mãe africana em particular e as mães de todos nós em geral (Cherno Baldé)
(**) 17 de novembro de 2011 > Guiné 63/74 - P9054: In memoriam (96): Dia 17 de Novembro de 1967, data tão distante, ainda hoje lembrada (Felismina Costa)
(***) Último poste da série > 11 de outubro de 2017 > Guiné 61/74 - P17851: In Memoriam (305): José Martinho da Silva (1944-2013), ex-soldado corneteiro, CCAÇ 818, Xitole e Fá Mandinga, 1965/67... Natural de Ereira, vivia em Caixeira, Montemor-o-Velho, morreu em 25/12/2013... Faria hoje anos: homenagem da sua neta, Tânia Pereira
(*) Vd, 23 de novembro de 2011 > Guiné 63/74 - P9085: Memórias do Chico, menino e moço (Cherno Baldé) (31): A minha Mãe Cadi representa a mãe africana em particular e as mães de todos nós em geral (Cherno Baldé)
(**) 17 de novembro de 2011 > Guiné 63/74 - P9054: In memoriam (96): Dia 17 de Novembro de 1967, data tão distante, ainda hoje lembrada (Felismina Costa)
(***) Último poste da série > 11 de outubro de 2017 > Guiné 61/74 - P17851: In Memoriam (305): José Martinho da Silva (1944-2013), ex-soldado corneteiro, CCAÇ 818, Xitole e Fá Mandinga, 1965/67... Natural de Ereira, vivia em Caixeira, Montemor-o-Velho, morreu em 25/12/2013... Faria hoje anos: homenagem da sua neta, Tânia Pereira
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
Guiné 61/74 - P17839: O poemário de Mário Vitorino Gaspar: Ler poesia faz bem ao cérebro e a minha proposta de leitura para hoje é... (1): Filomena Mealha, nossa amiga e grã-tabanqueira Felismina Costa (Parte I)
Lourinhã > 9 de outubro de 2017 > 8h40 > O nascer do sol, visto da minha janela com a torre sineira da igreja matriz do séc. XVI; pelo meio...
Foto (e legenda): © Luís Graça (2017). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Felismina Maria Costa Mealha, nascida na freguesia de Santa Luzia, concelho de Ourique, Baixo Alentejo, a 23 de dezembro de 1948...
A Felimina Costa tem cerca de 70 referências no nosso blogue e honra.nos, com a sua presença sob o poilão da Tabanca Grande, desde 16/7/2010... Além de poeta ou poetisa, é uma das raras madrinhas de guerra que contamos nesta já vasta comunidade virtual de amigos/as e camaradas da Guiné (*).
1. O nosso amigo e camarada Mário Gaspar (, ex-Fur Mil At Art, Minas e Armadilhas, CART 1659, Gadamael e Ganturé, 1967/68), laminador de diamantes reformado, cofundador e antigo dirigente da Associação APOIAR, mandou-nos a seguinte mensagem em 6 de setembro último:Caras Amigas e Caros Amigos
Cada dia acrescentamos um pouco de conhecimento. Temos que admitir que somos meros aprendizes da vida. Há que guardar espaço para armazenar no cérebro o que iremos aprender, no dia seguinte. Os cérebros das pessoas mais velhas, são lentos só porque elas sabem muito.
Não esqueçam, leiam Poesia.
O Mário Gaspar mandou-nos também excertos da imprensa em que se refere os resultados de um novo estudo da Alemanha, comparando as habilidades de memória de pessoas mais velhas com "discos rígidos completos: eles não perdem o poder cognitivo ao longo do tempo", simplemente "eles funcionam mais devagar por causa de uma quantidade crescente de informações."
"O cérebro humano trabalha mais devagar na velhice, mas apenas porque nós armazenamos mais informações ao longo do tempo", disse o investigador principal, Dr. Michael Ramscar.
A equipe de pesquisadores da Universidade de Tübingen, na Alemanha, usou computadores para replicar diferentes estágios do recall de memória de um adulto. Os modelos de computador foram alimentados com pequenas quantidades de informações por dia (bem como jovens adultos), mas à medida que os dispositivos reuniam mais informações, suas performances refletiam as pessoas mais velhas, de acordo com o estudo, publicado na revista "Topics in Cognitive Ciência.
"Esqueça de esquecer", disse o investigador Peter Hendrix ao The Independent. "Se quisesse que o computador se pareça com um adulto mais velho, tive que manter todas as palavras aprendidas na memória e deixá-las competir pela atenção". (...)
Noutro recorte de imprensa que o Mário Gaspar nos mandou, lê-se: "Ler Poesia é mais Útil para o Cérebro Que Livros de Autoajuda, Dizem Cientistas"
Resumo: ler poesia pode ser mais eficaz em tratamentos psicológicos do que livros de autoajuda, segundo um estudo da Universidade de Liverpool. Ler autores clássicos, como Shakespeare, Camões, Fernando Pessoa ou T.S. Eliot, estimula a mente.
Os resultados da pesquisa, antecipados pelo jornal britânico “Daily Telegraph”, mostram que a atividade do cérebro “dispara” quando o leitor encontra palavras incomuns ou frases com uma estrutura semântica complexa, mas não reage quando esse mesmo conteúdo se expressa com fórmulas de uso cotidiano.
Resumo: ler poesia pode ser mais eficaz em tratamentos psicológicos do que livros de autoajuda, segundo um estudo da Universidade de Liverpool. Ler autores clássicos, como Shakespeare, Camões, Fernando Pessoa ou T.S. Eliot, estimula a mente.
Os resultados da pesquisa, antecipados pelo jornal britânico “Daily Telegraph”, mostram que a atividade do cérebro “dispara” quando o leitor encontra palavras incomuns ou frases com uma estrutura semântica complexa, mas não reage quando esse mesmo conteúdo se expressa com fórmulas de uso cotidiano.
Os especialistas descobriram que a poesia “é mais útil que os livros de autoajuda”, já que afecta o lado direito do cérebro, onde são armazenadas as lembranças autobiográficas, e ajuda a refletir sobre eles e entendê-los desde outra perspectiva. “A poesia não é só uma questão de estilo. A descrição profunda de experiências acrescenta elementos emocionais e biográficos ao conhecimento cognitivo que já possuímos de nossas lembranças”....
(O Mário Gaspar não cita as fontes...)
2. Então vamos ao poeta cuja leitura o Mário Gaspar nos propõe, em mensagem de 5 do corrente, e que vai começar a alimentar esta nova série....
Trata-se de uma mulher, Felismina Maria Costa Mealha, nascida na freguesia de Santa Luzia, concelho de Ourique, Baixo Alentejo, a 23 de dezembro de 1948. (Vd. foto acima).
Filha e neta de pequenos agricultores, o Alentejo está-lhe na alma. Escreveu na “XIX Antologia de Poesia da Associação Portuguesa de Poetas, 2015":
“E lembro as Primaveras encantadas, que desenhavam os meus livros de poemas, com cores das flores das macieiras, que em tons de branco e rosa me cercavam, e cantavam canções à minha beira”.
Conheço esta Portuguesa que é Poeta, diz o Mário Vitorino Gaspar [, responsável pela seleção de poemas da Felismina Mealha]... E nós também!...
Nota do editor - Felimina Costa tem cerca de 70 referências no nosso blogue e honra.nos, com a sua presença sob o poilão da Tabanca Grande, desde 16/7/2010... Além de poeta, é uma das raras madrinhas de guerra que contamos nesta já vasta comunidade virtual de amigos/as e camaradas da Guiné (*)... Vive na Grande Lisboa desde 1970.
No sítio "Confrades da Poesia", pode ainda ler-se a respeito de Felismina Mealha:
(...) "O gosto pela poesia vem-lhe desde o berço e foi a sua maior herança! Deu-lha a mãe, que a embalou com palavras de infinita ternura, que semeou em terra fértil.
Uma pedra, uma cor, uma flor, um fruto, uma semente germinando, uma ave, o sol escaldante da planície alentejana, as noites magníficas de verão, o cantar dos grilos e das cigarras… a paz do seu chão, transportam-na à dimensão, sem dimensão, que faz com que as palavras se transformem e tomem a forma do que a inspira." (...)
Fica aqui também o desafio ao Mário Gaspar para ir alimentando esta sua nova série... Confesso que não combinei nada com ele, nem ele comigo, mas ele tem-nos mandado mais poemas, de outros poetas, que eu vou selecionar e publicar (acauteladas as questões de direitos de autor...). O Mário não é poeta mas gosta de ler (e de dar a ler) poesia. Obrigado a ambos, à poetisa e ao seu leitor e admirador. (LG)
3. Três poemas de Felismina Mealha
Quem Somos?
Somos robôs?
Não!
Somos o choro, o riso, a voz
que enche a casa, a escada, a rua,
os transportes, as fábricas,
os escritórios, os campos!
Somos a voz que crítica.
A força que edifica.
Somos o corpo curvado
sobre a pá e o arado
pedindo à terra resposta.
Somos o atento motorista.
O homem que vai ao leme.
O médico.
O malabarista.
O poeta enlouquecido.
O escritor de romances.
Alfaiates, cartomantes.
Peças soltas, indefinidas!
Somos juízes, dentistas…
Julgamos quem desconhecemos
porque assim o entendemos …
Somos tempo de chegada!
Somos tempo de partida!
Somos múltiplos personagens
num só corpo e numa só voz.
Conservamos, destruímos,
refazemos, construímos.
Somos o eu, que se identifica sob um nome,
ser andante e petulante
que nada sabe da vida!
Somos seres que se constroem
sobre manuais que herdamos
todos os dias da vida!
Somos memórias, ideias
coisas bonitas e feias…
Somos Paz e somos Guerra!
Somos a ciência viva
que procura sem descanso
a razão por que nasceu…
Que faço aqui? Digo eu!
E tu procuras a resposta
que insipidamente chega.
Que não satisfaz, não chega!
Quero mais!
Quero que tu me convenças.
Que desmistifiques minhas crenças.
Que esclareças minhas dúvidas.
Quero saber porque vim,
porque vivo e estou aqui
À tua espera… e porquê?
Registo
Enfeitei com rosas multicolores
a minha velha casa!
Com rosas multicolores
de todos os jardins desta Primavera!
Pus na mesa, a toalha de linho e renda,
que acompanha digna, todas as nossas reuniões,
e sobre ela, o serviço de jantar, que a embeleza.
Nos pratos, pus o amor e a alegria,
que servi transbordantes aos meus convivas,
que me ajudaram a colher as rosas,
a pôr a toalha,
e, sobre ela, o serviço de jantar,
onde despejo sabores e cheiros
do velho clã que idolatro,
de quem herdei a capacidade de olhar as rosas,
de aspirar o perfume,
e do repartir por todos aqueles de que me rodeio!
Sei que as rosas que hoje vos ofereço,
voltarão a florir por várias gerações
com todo o seu perfume
e todas as suas cores…
E outras mesas e outras toalhas, voltarão a pôr-se…
Por mãos tão minhas, como se eu fosse,
presença ali…
Como sou hoje!...
Hino à Terra
Ainda um dia vamos voltar para o Alentejo…
Meu Amor!
O infindável espaço da planície…espera-nos!
Vamos voltar a semear as searas.
Criar os rebanhos.
Olhar o horizonte sem muros
e plantar muitas árvores…
Que na Primavera… abrirão em flor…
Queres ir, meu amor?
Vamos voltar a amanhar as quintas,
plantar roseiras de armar,
fazer jardins junto às noras,
sentir o cheiro da terra molhada,
aspirar o cheiro das laranjeiras floridas…
Esquecer as horas!..
Queres ir, meu amor?
Vamo-nos sentar nos tanques, olhar a água,
observar as aves, escutar as fontes.
Vamos ver o sol nascer, qual bola vermelha
a elevar-se.
Vamos assistir aos ocasos do Rei
pintando o poente, sempre diferente,
em telas tão lindas
que mais belas não sei.
Queres ir, meu amor?
Vamos esperar a noite, que vem devagar,
cansada do dia, de tanto esperar…
Noites de luar, pejadas de estrelas,
brilhantes, douradas…noites de encantar!
Vamo-nos calar…
Que os grilos e as cigarras
já se ouvem cantar
e durante a noite não se vão calar.
Vem, meu amor, vamo-nos amar!
Sem que ninguém veja…
As searas crescem, na terra vicejam
e o tempo a passar
faz com que amadureçam,
e os grãos dourados
são de novo a semente para continuar…
Vem… meu amor, a terra é um hino,
que quero cantar!...
[Seleção: MG. Revisão / fixação de texto: LG]
________
Nota do editor:
Trata-se de uma mulher, Felismina Maria Costa Mealha, nascida na freguesia de Santa Luzia, concelho de Ourique, Baixo Alentejo, a 23 de dezembro de 1948. (Vd. foto acima).
Filha e neta de pequenos agricultores, o Alentejo está-lhe na alma. Escreveu na “XIX Antologia de Poesia da Associação Portuguesa de Poetas, 2015":
“E lembro as Primaveras encantadas, que desenhavam os meus livros de poemas, com cores das flores das macieiras, que em tons de branco e rosa me cercavam, e cantavam canções à minha beira”.
Conheço esta Portuguesa que é Poeta, diz o Mário Vitorino Gaspar [, responsável pela seleção de poemas da Felismina Mealha]... E nós também!...
Nota do editor - Felimina Costa tem cerca de 70 referências no nosso blogue e honra.nos, com a sua presença sob o poilão da Tabanca Grande, desde 16/7/2010... Além de poeta, é uma das raras madrinhas de guerra que contamos nesta já vasta comunidade virtual de amigos/as e camaradas da Guiné (*)... Vive na Grande Lisboa desde 1970.
No sítio "Confrades da Poesia", pode ainda ler-se a respeito de Felismina Mealha:
(...) "O gosto pela poesia vem-lhe desde o berço e foi a sua maior herança! Deu-lha a mãe, que a embalou com palavras de infinita ternura, que semeou em terra fértil.
Uma pedra, uma cor, uma flor, um fruto, uma semente germinando, uma ave, o sol escaldante da planície alentejana, as noites magníficas de verão, o cantar dos grilos e das cigarras… a paz do seu chão, transportam-na à dimensão, sem dimensão, que faz com que as palavras se transformem e tomem a forma do que a inspira." (...)
Fica aqui também o desafio ao Mário Gaspar para ir alimentando esta sua nova série... Confesso que não combinei nada com ele, nem ele comigo, mas ele tem-nos mandado mais poemas, de outros poetas, que eu vou selecionar e publicar (acauteladas as questões de direitos de autor...). O Mário não é poeta mas gosta de ler (e de dar a ler) poesia. Obrigado a ambos, à poetisa e ao seu leitor e admirador. (LG)
3. Três poemas de Felismina Mealha
Quem Somos?
Somos robôs?
Não!
Somos o choro, o riso, a voz
que enche a casa, a escada, a rua,
os transportes, as fábricas,
os escritórios, os campos!
Somos a voz que crítica.
A força que edifica.
Somos o corpo curvado
sobre a pá e o arado
pedindo à terra resposta.
Somos o atento motorista.
O homem que vai ao leme.
O médico.
O malabarista.
O poeta enlouquecido.
O escritor de romances.
Alfaiates, cartomantes.
Peças soltas, indefinidas!
Somos juízes, dentistas…
Julgamos quem desconhecemos
porque assim o entendemos …
Somos tempo de chegada!
Somos tempo de partida!
Somos múltiplos personagens
num só corpo e numa só voz.
Conservamos, destruímos,
refazemos, construímos.
Somos o eu, que se identifica sob um nome,
ser andante e petulante
que nada sabe da vida!
Somos seres que se constroem
sobre manuais que herdamos
todos os dias da vida!
Somos memórias, ideias
coisas bonitas e feias…
Somos Paz e somos Guerra!
Somos a ciência viva
que procura sem descanso
a razão por que nasceu…
Que faço aqui? Digo eu!
E tu procuras a resposta
que insipidamente chega.
Que não satisfaz, não chega!
Quero mais!
Quero que tu me convenças.
Que desmistifiques minhas crenças.
Que esclareças minhas dúvidas.
Quero saber porque vim,
porque vivo e estou aqui
À tua espera… e porquê?
Registo
Enfeitei com rosas multicolores
a minha velha casa!
Com rosas multicolores
de todos os jardins desta Primavera!
Pus na mesa, a toalha de linho e renda,
que acompanha digna, todas as nossas reuniões,
e sobre ela, o serviço de jantar, que a embeleza.
Nos pratos, pus o amor e a alegria,
que servi transbordantes aos meus convivas,
que me ajudaram a colher as rosas,
a pôr a toalha,
e, sobre ela, o serviço de jantar,
onde despejo sabores e cheiros
do velho clã que idolatro,
de quem herdei a capacidade de olhar as rosas,
de aspirar o perfume,
e do repartir por todos aqueles de que me rodeio!
Sei que as rosas que hoje vos ofereço,
voltarão a florir por várias gerações
com todo o seu perfume
e todas as suas cores…
E outras mesas e outras toalhas, voltarão a pôr-se…
Por mãos tão minhas, como se eu fosse,
presença ali…
Como sou hoje!...
Hino à Terra
Ainda um dia vamos voltar para o Alentejo…
Meu Amor!
O infindável espaço da planície…espera-nos!
Vamos voltar a semear as searas.
Criar os rebanhos.
Olhar o horizonte sem muros
e plantar muitas árvores…
Que na Primavera… abrirão em flor…
Queres ir, meu amor?
Vamos voltar a amanhar as quintas,
plantar roseiras de armar,
fazer jardins junto às noras,
sentir o cheiro da terra molhada,
aspirar o cheiro das laranjeiras floridas…
Esquecer as horas!..
Queres ir, meu amor?
Vamo-nos sentar nos tanques, olhar a água,
observar as aves, escutar as fontes.
Vamos ver o sol nascer, qual bola vermelha
a elevar-se.
Vamos assistir aos ocasos do Rei
pintando o poente, sempre diferente,
em telas tão lindas
que mais belas não sei.
Queres ir, meu amor?
Vamos esperar a noite, que vem devagar,
cansada do dia, de tanto esperar…
Noites de luar, pejadas de estrelas,
brilhantes, douradas…noites de encantar!
Vamo-nos calar…
Que os grilos e as cigarras
já se ouvem cantar
e durante a noite não se vão calar.
Vem, meu amor, vamo-nos amar!
Sem que ninguém veja…
As searas crescem, na terra vicejam
e o tempo a passar
faz com que amadureçam,
e os grãos dourados
são de novo a semente para continuar…
Vem… meu amor, a terra é um hino,
que quero cantar!...
[Seleção: MG. Revisão / fixação de texto: LG]
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Nota do editor:
(*) Vd. poste de 16 de julho de 2010 > Guiné 63/74 - P6746: Tabanca Grande (230): Felismina Costa, madrinha de guerra de Hélder Martins de Matos, ex-1.º Cabo Escriturário, Bafatá, 1963/64
Vd. também poste de 27 de Fevereiro de 2010 > Guiné 63/74 - P5894: Em busca de... (119): Afilhado de guerra, Hélder Martins de Matos, ex-1.º Cabo Escriturário, Bafatá, 1963/64 (Felismina Costa)
Vd. também poste de 27 de Fevereiro de 2010 > Guiné 63/74 - P5894: Em busca de... (119): Afilhado de guerra, Hélder Martins de Matos, ex-1.º Cabo Escriturário, Bafatá, 1963/64 (Felismina Costa)
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
Guiné 63/74 - P16871: Parabéns a você (1181): Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150/73 (Guiné, 1973/74); Carlos Pinheiro, ex-1.º Cabo TRMS dos STM/QG/CTIG (Guiné, 1968/70); Felismina Costa , Amiga Grã-Tabanqueira e José Manuel Matos Dinis, ex-Fur Mil Inf da CCAÇ 2679 (Guiné, 1970/71)
____________
Nota do editor
Último poste da série de 22 de Dezembro de 2016 > Guiné 63/74 - P16866: Parabéns a você (1180): Miguel Vareta, ex-Fur Mil Comando da 38.ª CComandos (Guiné, 1972/74)
domingo, 27 de dezembro de 2015
Guiné 63/74 - P15546: Blogpoesia (428): "Era Dezembro, Mãe" (Felismina Costa)
1. Mensagem da nossa amiga tertuliana Felismina Costa, aniversariante no passado dia 23, juntamente com os camaradas Albano Costa e Carlos Pinheiro, com data de hoje 27 de Dezembro:
Boa noite amigo Carlos Vinhal
Quebrando um longo silêncio, por aqui, decidi voltar à Tabanca, donde nunca saí!
Obrigada por mais um ano ter editado o poste alusivo ao meu aniversário e por ter permitido os comentários dos amigos.
Envio um poema que ofereço a todos os Tertulianos da Tabanca, muito especialmente aos aniversariantes que comigo festejaram a data.
Grata pela vossa amizade:
Felismina Mealha
"Era Dezembro mãe"
Era Dezembro mãe!
Tão Dezembro!
Tão perto do Natal…
E eu quis vir à festa,
Trazendo como prenda
o meu eu, que me ofereceste…
e que ficou tão meu, tão unicamente meu
que, sem ele… não sou eu…
Às vezes, querem que eu, não seja eu,
mas eu, não sei ser outro, senão eu!
E talvez, porque recordo os teus afagos,
os teus beijos, sublimados,
os teus braços e abraços
a tua voz cristalina,
eu… sou ainda uma menina!
Lembro Março, florindo sem cansaço
inundando o largo espaço de poesia,
enquanto no teu regaço, eu sorria e crescia.
Lembro Abril, de luz dançante
quando as nuvens com o vento se fragmentam
e desenham alegria esvoaçante.
Lembro o Maio das novas aves
dos chilreios coloridos, exultantes…
Lembro, os Agostos escaldantes e longuíssimos
que queimavam apenas os dias que passavam…
E à noite, o luar, trazia mensagens de outras galáxias,
Contava-me histórias que ouvia encantada,
ao som de orquestras, que não divisava.
Lembro os Outonos que amavas e me ensinaste a amar
nas cores dos poentes que namorávamos
em êxtase total,
absorvendo aromas que retenho ainda, como se o tempo
tivesse parado, ali à esquina…
E eis que regresso ao Dezembro de então,
Trazendo na mão o presente teu…
que era somente… a luz do que é meu.
Sorrindo me olhaste, sabendo que eu era
a pequena magia desse teu Natal,
Que juntas vivemos, e fomos cantar
A essa Belém, onde, de outra Maria,
um outro Menino…
Nascia também!
Felismina mealha
Agualva, 24 de Outubro de 2012
____________
Nota do editor
Último poste da série de 13 de dezembro de 2015 Guiné 63/74 - P15482: Blogpoesia (427): No meio da Ponte (Joaquim Luís Mendes Gomes, ex-Alf Mil da CCAÇ 728)
Boa noite amigo Carlos Vinhal
Quebrando um longo silêncio, por aqui, decidi voltar à Tabanca, donde nunca saí!
Obrigada por mais um ano ter editado o poste alusivo ao meu aniversário e por ter permitido os comentários dos amigos.
Envio um poema que ofereço a todos os Tertulianos da Tabanca, muito especialmente aos aniversariantes que comigo festejaram a data.
Grata pela vossa amizade:
Felismina Mealha
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"Era Dezembro mãe"
Era Dezembro mãe!
Tão Dezembro!
Tão perto do Natal…
E eu quis vir à festa,
Trazendo como prenda
o meu eu, que me ofereceste…
e que ficou tão meu, tão unicamente meu
que, sem ele… não sou eu…
Às vezes, querem que eu, não seja eu,
mas eu, não sei ser outro, senão eu!
E talvez, porque recordo os teus afagos,
os teus beijos, sublimados,
os teus braços e abraços
a tua voz cristalina,
eu… sou ainda uma menina!
Lembro Março, florindo sem cansaço
inundando o largo espaço de poesia,
enquanto no teu regaço, eu sorria e crescia.
Lembro Abril, de luz dançante
quando as nuvens com o vento se fragmentam
e desenham alegria esvoaçante.
Lembro o Maio das novas aves
dos chilreios coloridos, exultantes…
Lembro, os Agostos escaldantes e longuíssimos
que queimavam apenas os dias que passavam…
E à noite, o luar, trazia mensagens de outras galáxias,
Contava-me histórias que ouvia encantada,
ao som de orquestras, que não divisava.
Lembro os Outonos que amavas e me ensinaste a amar
nas cores dos poentes que namorávamos
em êxtase total,
absorvendo aromas que retenho ainda, como se o tempo
tivesse parado, ali à esquina…
E eis que regresso ao Dezembro de então,
Trazendo na mão o presente teu…
que era somente… a luz do que é meu.
Sorrindo me olhaste, sabendo que eu era
a pequena magia desse teu Natal,
Que juntas vivemos, e fomos cantar
A essa Belém, onde, de outra Maria,
um outro Menino…
Nascia também!
Felismina mealha
Agualva, 24 de Outubro de 2012
____________
Nota do editor
Último poste da série de 13 de dezembro de 2015 Guiné 63/74 - P15482: Blogpoesia (427): No meio da Ponte (Joaquim Luís Mendes Gomes, ex-Alf Mil da CCAÇ 728)
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Guiné 63/74 - P15530: Parabéns a você (1006): Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150/73 (Guiné, 1973/74); Carlos Pinheiro, ex-1.º Cabo TRMS dos STM/QG/CTIG (Guiné, 1968/70); Felismina Costa, Amiga Grã-Tabanqueira (2010) e José Manuel Matos Dinis, ex-Fur Mil Inf da CCAÇ 2679 (Guiné, 1970/71)
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Nota do editor
Último poste da série de 22 de Dezembro de 2015 Guiné 63/74 - P15524: Parabéns a você (1005): Miguel Vareta, ex-Fur Mil Com da 38.ª CCOM (Guiné, 1972/74)
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Guiné 63/74 - P14070: Parabéns a você (834): Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150/73 (Guiné, 1973/74); Felismina Costa, Amiga Grã-Tabanqueira e Carlos Pinheiro, ex-1.º Cabo TRMS do STM/QG/CTIG (Guiné, 1968/70)
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Nota do editor
Último poste da série de 22 de Dezembro de 2014 > Guiné 63/74 - P14063: Parabéns a você (833): Miguel Vareta, ex-Fut Mil CMD da 38.ª CCMDS (Guiné, 1972/74)
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