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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28014: Notas de leitura (1922): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1.º cabo aux enf, 2.ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte X: À falta de vaca, avançou o hipopótamo para o rancho


Guiné > Região do Cacheu >Có > 2ª CART /BART 6521/72 (Có, 1972/74) > s/d> "À falta de vaca, o hipopótamo avançou para o 'rancho' " (Ferreira, L. C., "Os Có Boys", ed. autor, s/l, 2025, pág. 82). Não sabemos se o animal foi caçado pela tropa ou por algum nativo.

Foto (e legenda): ©  Luís da Cruz Ferreira (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Oeiras > Algés > Magnífica Tabanca da Linha > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário >  Luís da Cruz Ferreira (o "Beatle") (Cascais),  autor do livro de memórias "Os Có Boys" (ed. autor, Cascais, 2025, 184 pp.), nosso grão-tabanqueiro nº 913, apadrinhado pelo Pinto Carvalho.
 
1. Retomamos hoje a nossa leitura do livro do Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhos da memória" (edição de autor, 2025, il., 184 pp,) (ISBN 978-989 -33.7982-0) (*). (Revisão / fixação de texto: J. Pinto de Carvalho.)

Faz parte da nossa Tabanca Grande desde 26/2/2026. Vive em Cascais.


Sinopse dos postes anteriores (*):

(i) o Luís, de alcunha o "Beatle", empregado de hotelaria e restauração, nascido na Benedita, Alcobaça;

(ii) é mobilizado para a Guiné, indo formar batalhão, o BART 6521/72, no RAL 5, Penafiel (jun / set 1972);

(iii) não tendo sido "repescado" para o CSM, tira a especialidade de 1º cabo aux enf, em Coimbra, no RSS (Regimento de Serviços de Saúde) (jan/mai 1972);

(iv) parte para o CTIG, por via aérea (TAM), em 22/9/1972;

(v) no CIM de Bolama, faz a IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional.

(vi) após a realização da IAO, a 2ª C/ BART 6521/72 seguiu, em 290ut72 para Có, sector do Pelundo, a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a CCaç 3308;

(vii) um mês depois, em 25Nov72, assumiria a responsabilidade do subsector de Có, ficando os "periquitos" entregues a si próprios.

(viii) a 2ª C/BART 6521/72 também teve que adotar um nome de guerra, neste caso "Os Có Boys"; a companhia dos "velhinhos", que eles foram render, a CCAÇ 3308, eram os "Jagunços de Có";

(ix) no último poste relatou a emboscada à coluna Teixeira Pinto - Pelundo - Có - João Landim - Bissau, ocorrida em 31/10/1972 (*).


2. Ainda na fase da sobreposição com os "velhinhos", a CCAÇ 3308, o "Beatle" tinha que sair para o mato, a mala de bolsa de enfermeiro e a G3, integrado num pelotão (geralmente iam dois), em patrulhamentos de reconhecimento do subsector de Có (contactos com a população, identificação dos trilhos e exploração dos pontos de maior risco, etc.)



(pág. 81)

Foi nessas saídas que o nosso "Beatle" viu hipopótamos, animais que não era fácil de avistar ao perto. Não crem0s que muitos dos nossos camaradas os tenham visto, dado o seu "habitat" e comportamento furtivo. 

As populações continentais, de água doce, estão ligadas às grandes bacias hidrográficas do interior ( Cacheu, Geba, Corubal, Mansoa, entre outras) e deslocam-se sobretudo de noite para alimentação em savana húmida e bolanhas. Já os de Orango, nos Bijagós, da mesma espécie, que vivem também em água salgada, têm um comportamento adapativo.

Nas zonas dos grandes rios ( Cacheu, Mansoa, Geba, Corubal ) os hipopótamos sempre tiveram uma relação ambígua com as populações locais: animal respeitado ("sagrado", nos Bijagós, na ilha de Orango), por vezes temido, também é fonte ocasional de carne, gordura e couro. 

Em tempos de escassez, um único hipopótamo podia alimentar uma tabanca inteira durante vários dias.

Quanto ao sabor, os testemunhos de caçadores, viajantes e populações africanas de várias regiões costumam descrevê-lo assim: (i) carne escura, vermelha, muito densa; (ii) textura firme, entre vaca brava e búfalo; (iii) sabor forte, “selvagem”, mas menos intenso do que o da caça grossa africana; (iv) para alguns, seria uma mistura de vaca e javali; (v) a gordura é apreciada em certos locais, mas pode ter um cheiro intenso; (vi) a carne dos animais mais velhos tende a ser dura, exigindo cozedura longa ou fumagem (em África, muitas vezes é seca ao sol ou fumada para conservação).

Na época colonial, alguns "tugas" consideravam a  carne de hipopótamo como “boa para estufados” e “muito nutritiva”, embora não fosse propriamente um produto "gourmet".  

Hoje, porém, o consumo está muito mais condicionado,  por diversas razões: (i) o hipopótamo está legalmente protegido; (ii) há uma dominuição drática das população (outrora muito abundante na África Ocidental, as populações de hipopótamios da Guiné-Bissau representam atualmente o extremo ocidental da distribuição da espécie); (iii) continua a haver a pressão da caça furtiva; (iv) há cada vez mais riscos sanitários ligados ao consumo de carne selvagem, sob controlo veterinário; (v) os parques naturais, como o dos Tarrafes do Rio Cacheu e o de Orango, tentam preservar a espécie.

Curiosamente, na tradição bijagó, sobretudo em Orango, os hipopótamos têm também uma dimensão simbólica e espiritual muito forte, o que limita ou proíbe a caça em certas comunidades. Já no continente, a relação foi historicamente mais pragmática.


Mas voltando às memórias do Luís da Cruz Ferreira, depreende-se da sua leitura que as relações da tropa com a população local (de etnia predominantemente mancanha), parece que eram boas, apesar de algumas famílias terem "parentes no mato". 

(pág. 83)


Embora a zona não fosse das de maior risco ("em termos da atividade da guerrilha", pág. 84),a caça era relativamente abundante. Os caçadores de Có, nomeadamente mancanhas e que pertenciam também à milícia, saíam, com a  devida autorização, para caçar com a velha Mauser. Eram eles que forneciam a caça para o quartel: "Gazelas, javalis e cabras eram estas as espécies que os caçadores com mais frequência faziam chegar até nós" (pág. 84).

(Continua)

Pesquisa: LG + Net + IA (ChatGPT/OpenAi)
(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos: LG) 

Fonte: Excertos de Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhas da memória" (edição de autor, 2025, pp. 81-82 (**)
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(**) Último poste da série > 11 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28010: Notas de leitura (1921): "Querido Pai, uma conversa entre ausentes – Cartas da guerra 1961-1975", por Ana Vargas e Joana Pontes; Tinta da China, 2025 (7) (Mário Beja Santos)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27755: Tabanca Grande (579): Luís da Cruz Ferreira, grão-tabanqueiro nº 913: foi 1.º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72, "Os Có Boys" (Có, 1972/74): natural da Benedita, Alcobaça, vive em Cascais, e é também membro da Tabanca da Linha


Luís da Cruz Ferreira, grão-tabanqueir nº 913;  natural da Benedita, Alcobaça, vive  em Cascais; é empresário na área da restauração coletiva

 

Capa do livro do Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhos da memória" (edição de autor, 2025, il., 184 pp,) (ISBN 978-989 -33.7982-0). (Revisão / fixação de texto: J. Pinto de Carvalho.)


1. Luís da Cruz Ferreira (de alcunha, o "Beatle", já antes da tropa), natural da Benedita, Alcobaça, teve o posto de 1.º cabo aux enf, mas também foi "barman" e depois professor do Posto Escolar Militar n.º 20, na tabanca (reordenada) de Có, chão mancanha, onde a companhia, 2ª C/BART 6521/72, esteve sediada, de 1972 a 1974.

"Os Có Boys", um  nome de guerra que só por si é um achado, tinham uma divisa que podemos considerar, no mínimo,  como pícara, divertida e irreverente: "Quatro Chapos e Bolinha Baixa"...

Luís, não tínhamos até agora nenhum representante dos "Có Boys" na Tabanca Grande. Passas tu a sentar-te no lugar nº 913, à sombra do nosso poilão. 

Aceitas, com muito agrado, o convite que te formulámos no passado dia 14 de janeiro, por ocasião ao 63.º almoço-convívio da Magnífica Tabanca da Linha, de que tu também fazes parte. 

Conheces as nossas regras de convívio.  Aqui falamos da Guiné e das nossas memórias de tropa e de guerra. Deixamos à porta da Tabanca Grande a G3 e as eventuais diferenças que nos podem dividir (opiniões, perceções, representações, preferências, etc.), nomeadamente em matérias como a politica, a religião e o futebol. 

Como camaradas de guerra que fomos, tratamo-nos por tu. E cultivamos o bom humor. Tudo isto para te dizer que a vossa divisa "Quatro Chapos e Bolinha Baixa" não pode  aqui ser aplicada à letra...

Ficamos  a saber, com satisfação que este teu livro, que estamos a seguir com interesse e a partilhar com os nossos leitores (**),  faz parte de um projeto autobiográfico mais vasto, a tua história de vida. Para já cumpre a função de um roteiro de memórias desse  tempo.

Vamos falando e vamo-nos encontrando, nomeadamente em Algés. Vá dando notícias. E traz mais "có boys" para o nosso blogue.


Guiné > Região do Cacheu > Pelundo > Có > CCAÇ 2402 (1968/70) >A tabanca de Có, incendiada, na sequência do segundo ataque ao aquartelamento, em 12 de Outubro de 1968,ao cair da noite.


Guiné > Região do Cacheu > Pelundo > Có > CCAÇ 2402 (1968/70) > 13 de outubro de 1968: O brigadeiro  Spínola observando os destroços nas zonas atingidas, acompanhado do comandante da CCAÇ 2401, o cap inf Vargas Cardoso

Fotos (e legendas): © Raul Albino (2007). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
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Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 25 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27670: Tabanca Grande (578): António Brito Ribeiro, ex-Alf Mil TRMS da CCS/BART 2857; GA 7; COP 6; CAOP1 e BCAÇ 3884 (1970/72), senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar 912

(**) Vd. poste de 19 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27749: Notas de leitura (1897): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte IX: o batismo de fogo numa das primeiras colunas de Teixeira Pinto - Pelundo - Bissau (Luís Graça)

Guiné 61/74 - P27751: Excertos do Diário de António Graça de Abreu (CAOP1, Canchungo, Mansoa e Cufar, 1972/74) (25): A coluna de Teixeira Pinto, 31 de outubro de 1972


Guiné > Região de Tombali > Cufar > CAOP1 > c. 1973/74 >O António Graça de Abreu no rio Cumbijã. Tem c. 390 referèncias no blogue

Foto (e legenda) : © António Graça de Abreu (2007). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Comentário do  António Graça de Abreu, ex-alf mil, CAOP1 (Canchungo, Mansoa e Cufar, 1972/74) ao poste P27749 (*)


"Esta história parece-me mal contada.

No meu 'Diário da Guiné0 tenho o relato de um ataque do PAIGC à coluna Teixeira Pinto-Bissau. Aí vai."

2. Nota do editor LG:

Desde o Natal de 2011 que temos vindo a publicar a série "Excertos do Diário do António Graça de Abreu (CAOP1, Canchungo, Mansoa e Cufar, 1972/74) (**). 

Já lá vão 25 postes com este. Temos a competente autorização (e sobretudo a manifestação  da amizade e da camaradagem) do autor para publicar excertos do seu livro que sejam de interesse para o nosso blogue e os nossos leitores. 

Temos o ficheiro em word, completo (com exceção das fotos) do seu "Diário da Guiné", bem como um exemplar do livro com uma dedicatória autografada, datada de março dr 2007... A brincar, já lá vão quase vinte anos!...

Estamos a falar do livro Diário da Guiné: Lama, Sangue e Água Pura (Lisboa: Guerra & Paz Editores, 2007, 220 pp), que é uma referência absolutamente obrigatória para quem quiser aprofundar o conhecimento da situação político-militar no CTIG nos últimos 3 anos (1972, 1973, 1974), vista por um alferes miliciano de um CAOP, com formação universitária, 
culto, vivido, informado e mais velho (25/26 anos) do que a média dos outros milicianos, tendo passado por  regiões nevrálgicas e sensíveis da Guiné, na zona Oeste (Mansoa / setor O1 e Teixeira Pinto / sector O5) e Sul (Cufar /S3).


3. Diário da Guiné > Canchungo, 31 de outubro de 1972 (**)


Esta manhã às seis e vinte, acordei de maneira diferente. Era pum, pum, pum, catrapum, os rebentamentos secos na distância.

Acordámos os três alferes, o que é, estão a atacar o quê? Era longe daqui, mas não muito. Eu disse: “Deve ser a coluna para Bissau.” 

O Tomé telefonou para as transmissões do CAOP1. Trava-se mesmo da coluna, a tal que não era atacada há imenso tempo e hoje pumba, um festival de fogo. 

A emboscada foi entre Pelundo e Có, a uns quinze quilómetros daqui. Passei por lá duas vezes, com a 35ª CComandos, em setembro, e outra vez há três semanas atrás quando vim de Bissau.

O IN concentrou o fogo sobre as primeiras viaturas, só cinco é que foram atingidas num total de quarenta. 

E quem ia à frente? A abrir a coluna, um Unimog com pessoal armado cujas armas parece que não funcionaram, depois o jipe com o meu coronel Rafael Durão que caiu na zona de morte e nada sofreu, a seguir outro jipe com dois tenentes-coronéis e um major, tendo ficado um dos tenentes-coronéis muito estilhaçado, mas sem gravidade. 

Atrás vinham as viaturas pesadas cujo pessoal levou com mais estilhaços, tendo alguns deles partido pernas e braços ao saltarem para o chão. A coluna seguia a razoável velocidade,  o que contribuiu para a confusão.

Houve cerca de dez feridos, alguns graves. Um alferes do Pelundo que ia na primeira viatura saltou com os primeiros tiros e por azar foi atropelado pelo jipe do meu coronel, mas dizem-me que debaixo de fogo o coronel mostrou uma coragem e sangue-frio notáveis.

Quando acontecem estas coisas, pedem-se logo os helicópteros de Bissau para a evacuação dos feridos e vem também o helicanhão que faz fogo sobre os itinerários de retirada do IN. 

Foi então abatido um guerrilheiro que veio de heli para Teixeira Pinto. Eu sabia que havia feridos e lá estava na pista. 

O fuzileiro do PAIGC chegou ainda vivo, com o uniforme azul manchado de sangue e um estilhaço na cabeça, de bala de helicanhão. 

O médico [Mário Bravo?] e um furriel enfermeiro fizeram-lhe massagens no coração que de nada valeram, o homem morreu ali. Foi o primeiro guerrilheiro que vi, e logo agonizando numa maca de lona.

António Graça de Abreu

(Revisão / fixação de texto, parênteses retos,  negritos, itálicos: LG)

Fonte:   António Graça de Abreu  - Diário da Guiné: Lama, Sangue e Água Pura (Lisboa: Guerra & Paz Editores, 2007, il, 220 pp. ), pág. 62
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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 19 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27749: Notas de leitura (1897): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte IX: o batismo de fogo numa das primeiras colunas de Teixeira Pinto - Pelundo - Bissau (Luís Graça)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27749: Notas de leitura (1897): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte IX: o batismo de fogo numa das primeiras colunas de Teixeira Pinto - Pelundo - Bissau (Luís Graça)


Oeiras > Algés > Magnífica Tabanca da Linha > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário > Joaquim Pinto Carvalho (Cadaval) e o Luís da Cruz Ferreira (o "Beatle") (Cascais),  autor do livro de memórias "Os Có Boys" (ed. autor, Cascais, 2025, 184 pp.), e próximo grão-tabanqueiro nº 913, apadrinhado pelo Pinto Carvalho.

Foto © Manuel Resende (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legtendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
 

1. Retomando a nossa leitura do livro do Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhos da memória" (edição de autor, 2025, il., 184 pp,) (ISBN 978-989 -33.7982-0) (*). (Revisão / fixação de texto: J. Pinto de Carvalho.)

Sinopse dos postes anteriores (*):

(i) o Luís, de alcunha o "Beatle", empregado de hotelaria e restauração, nascido na Benedita, Alcobaça;

(ii) é mobilizado para a Guiné, indo formar batalhão, o BART 6521/72, no RAL 5, Penafiel (jun / set 1972);

(iii) não tendo sido "repescado" para o CSM, tira a especialidade de 1º cabo auxiliar de enfermeiro, em Coimbra, no RSS (Regimento de Serviços de Saúde) (jan/mai 1972);

(iv) parte para o CTIG, por via aérea (TAM), em 22/9/1972;

(v) no CIM de Bolama, faz a IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional.



(vi) após a realização da IAO, a 2ª C/ BART 6521/72 seguiu, em 290ut72 para Có, sector do Pelundo, a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a CCaç 3308;

(vii) um mês depois, em 25Nov72, assumiria a responsabilidade do subsector de Có, ficando os "periquitos" entregues a si próprios.
(viii) a 2ª C/BART 6521/72 também teve que adotar um nome de guerra, neste caso "Os Có Boys"; a companhia dos "velhinhos", que eles foram render, a CCAÇ 3308, eram os "Jagunços de Có" ( o nome não poderia sugerido pela personagem da novela brasileira Roque Santeiro, uma vez que esta só foi produzida pela TV Globo em 1985 e exibida em Portugal, na RTP1, entre outubro de 1987 e agosto de 1988).


2. Uma das partes notáveis do livro, pela vivacidade da descrição, a riqueza de detalhes e também sua dose de humor de caserna,  é "a coluna de Teixeira Pinto" (hoje, Canchungo) (pp. 73-80). 

Num troço de estrada já alcatroada (entre o Pelundo e o Có), e ainda na altura da sobreposição da 2ª C/BART 6521/72 com a CCAÇ 3308, o PAIGC monta uma emboscada com fornilhos, à coluna que seguia  de Teixeira Pinto para Pelundo, Có, Joâo Landim e Bissau (havia duas por semana).

É o batismo de fogo de alguns  "periquitos" (2ª C/BART 6521/72) e a despedida dos "velhinhos" (CCAÇ 3308). O autor não ia na coluna, que de resto não era atacada há muito, mas reconstituiu a "cena" a partir dos depoimentos de quem viveu os acontecimentos.

Vamos selecionar agluns excertos. 

Recorde-se que o BART 6521/72 veio render, em 25Nov72,  o BCaç 3833, passando a assumir a responsabilidade do Sector 07 (Oeste 7), com sede em Pelundo (1ª Comp: Pelundo. 2ª Comp: Có: 3ª Comp: Jolmete.

Pormenor importante: as estradas alcatroadas da "Guiné Melhor" não vieram resolver o problema das "minas & armadilhas"... Resolveram, sim,  a "chatice" da picagem, penosa, cansativa, perigosa... E cruaram uma perigosa sensação de liberdade de movimentos e de segurança.

Nas novas estradas, andava-se a maior velocidade (por evezes exessiva)  e o alcatrão não impedia que, nas bermas, o IN instalasse traiçoeiros e perigosíssimos  fornilhos, com fios de tropeçar de muitos metros...

Meia-dúzia de atiradores do PAIGC, apoiados na retaguarda por armas pesadas de infantaria, podiam dar cabo de uma coluna ou gerar o pânico (entre civis e militares)...E sobretudo obrigavam  um esforço redobrado (e desmedido) das NT em termos de segurança. 

Parafraseando o autor, mais do que "desvastadora", aquela guerra era sobretudo "desmoralizadora"... De resto, para ambos os lados...Mas, para os "periquitos", acabados de chegar da Metrópole, aquela emboscada na "curva da morte", na estrada Pelundo-Có, era de mau agoiro, começava-se mal...Como dizia, na chalaça e para desanuviar o ambiente, um dos "có boys", que seria de etnia cigana, também o seu povo "não gostava de ver bons princípios aos filhos" (pág. 79).

Curiosamente, são raras as referências à participação de militares, oriundos da minoria étnica cigana, na guerra que a elite dirigente do país, na época, dizia que era uma guerra de todos nós, portugueses da metrópole e do ultramar, de Angola a Goa, de Cabo Verde a Timor, "brancos, pretos, mestiços, amarelos"...



Guiné > Carta de Pelundo (1953) (Escala 1/50 mil) >
 Troço Pelundo - Có - Rio Mansoa; a nrodeste, Jolmete; este triángulo formava o Sector O7.

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)









pp. 73-77 (**)



Esta emboscada à coluna oriunda de Teixeira Pinto (que em princípio se fazia duas vezes pro semana), foi mais perto de Có, na chamada "curva da morte" (havia muitas, nas estradas e picadas da Guiné). Os feridos mais ligeiros foram tratados em Có, o aquartelamento mais próximo. Entre eles, estava o 2º cmdt do BCAC 3833, que o BART 6521/72 vinha render. 

O major (maj inf Bernardino Rodrigues dos Santos ou maj inf  Manuel Basílio de Almeida Teixeira de Aguiar da Câmara, um deles) terá sido cuspido do jipe (não se usava cinto de segurança nesse tempo, ironiza o nosso "Beatle"). 

Depois de uma massagem com a "milagrosa pomada Synalar", foi-lhe recomendado que se dirigisse ao bar de oficiais para tomar a segunda dose da medicação, o "reconfortanto xarope James Martin" (pp. 78/79).

E aproveita o autor para descrever o a cantina das praças, com o traço grosso da caricatura, e a imagem deliciosa do "bordel do mato":

"Na cantina a abarrotar de velhos e novos de garganta seca e fumando como comboios a carvão, a luta para se abeirarerm do balcão era intensa. Ali, a  sede era menos exclusiva, contudo mais extensa, e necessitava de mais quantidade de líquido para se apaziguar" (pág. 79).

Fazendo juz à sua experiência e ao seu saber de "barman" na vida civil, o "Beatle" acrescentaem tom pícaro e  com um delicioso sarcasmo:

"O sistema na cantina era como aquele velho ditado sobre a mais velha profissão do mundo: «cú no chão, dinheiro na mão". 

Não havia fiados para as praças. Soldados e cabos não usufruíam desse direito que era comum aos restantes  militares graduados. O que é certo  é que, por isso, só se abeirava do balcão da cantina quem tinha algum dinheiro, para comprar a sua 'bazuca' ou para oferecer uma ao camarada." (pág. 79).




(...) 

pág. 80

Fonte: Excertos de Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhas da memória" (edição de autor, 2025, pp. 73-77 e 80

(Revisão/fixação de texto: LG)
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A Metralhadora Ligeira Degtyarev RPD, se é essa a que te referes, era alimentada por um ambor com fita no seu interior com 100 projécteis.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P26744: E as nossas palmas vão para... (29): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convivas na festa do 16º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algès, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte I

 

Foto nº 1 > Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário > O bolo... Não podia faltar...16 anos, bolas, bolos!, são 8 comissões de serviço na Guiné!... Compareceram 73 convivas dos 76 inscritos!... Algumas caras novas, como sempre... O que é bom: a Tabanca da Linha está viva e recomenda-se.


Fotio nº 2 > Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63ºalmoço-convívio > 16º aniversário > O António Graça de Abreu, de microfone em punho, falando em nome dos cofundadores da Tabanca da Linha, em 2010...Além  dele, estavam ali o Zé Carioca (à esquerda) e o Mário Fitas (à direita)...  Não consegui ouvir o "discuro", mas por certo foram evoados os nomes dos dois anteriores régulos, já falecidos, o Jorge Rosales e o Zé Manuel Diniz.

O camarada que está em primeiro plano, de perfil, é   José Iná Ribeiro (Linda-a-Velha).


Foto nº 3 > Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63ºalmoço-convívio > 16º aniversário > O bolo foi regado um velhinho uísque de malta, oferecido pelo  V António Brito Ribeiro (São João do Estoril)... Não, o António Graça de Abreu não está a leiloar a garrafa (que valia mais de 700 pesos,c. 250 euros)...Deu para 73 goles (a 3,5 euros cada gole, "ficou paga". estou a brincar, foi oferta da casa, quero eu dizer, do Brito Ribeiro...).


Foto nº 4 > Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63ºalmoço-convívio > 16º aniversário >  "Strathconon" ("a belend of single malt scotch whiskies"), 12 anos (!),  daquele que vinha "from Scotland with Love for the Portuguese Armed Forces" (da Escócia com amor para as Forças Armadas Portuguesas em missão de soberania na Guiné).,.
Obrigado,  António Ribeiro!


Fotio nº 5 > Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63ºalmoço-convívio > 16º aniversário > Cantaram-se os parabéns a você... Ao centro, em segundo planio, o António Brito  Ribeiro, o António Marques (outro histórico da Tabanca da Linha) e  o Mário Fitas. Em primeiro plano, à esquerda de perfil, o António Graça de Abreu.

Foto nº 6 > Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário > Um homem discretíssimo, "low profile", de quem nunca se fala, a não ser do rodopé ou  legenda da fotogaleria, por causa dos créditos fotográficos: é que ele é o régulo, o administrador, o secretário, o tesoureiro, o organizador, o "public-relations", o  fotógrafo,  o editor do Facebook da Magnífica... Manuel  Resende ( à direita),  e o seu ajudante de tesouraria (desta vez o José Rodrigues, de Belas).   

Fotio nº 7 > Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63ºalmoço-convívio > 16º aniversário > A mesa do canto direito, com vistas, largas, para o estuário do Tejo...

 
Foto nº 8 > Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário >  Da esquerda para a direita, (i) Abílio Duarte (Amadora):  (ii) Joaquim Mesquita Martins (Algés), um "periquito" nestas andanças (antigo alferes dos "Lacraus", a CART 2473 / CART 11, a que pertenceu o Abílio, e com quem eu também estive em Contuboel, junho/julho de 1969), e (iii) João Rosa (Lisboa).


Foto nº 9 > Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário >  O Luís Paulino, à diierta: nunca falha,k quer faça sol ou chuva...Quemn desta vez falhou foi o Manuel Macias, também ele um "Lacrau"... Estava de "férias" da Trumplândia...



Foto nº 10 > Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário > Da esquerda para a direita,  Daniel Gonçalves (Carcavelos), Joaquim Grilo Almeida (Lisboa) e Adolfo Cruz (Algés).


Foto nº 11 > Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário >  Da esquerda para a direita, João Rosa (Lisboa), António Andrade (Oeiras) e Daniel Gonçalves (Carcavelos)... Também eles nunca costumam falhar à chamada.

Foto nº 12 > Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário >  Mesa com direito a reserva e onde se sentou o casal Crisóstomo (que partia no dia seguinte para Nova Iorque)


Foto nº 13 > Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário >  Vilma e João Crisóstomo

Foto nº 14 > Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário >  Luís Graça (Lourinhã, e editor deste blogue) e Vilma Crisóstomo (Nova Iorque)

Foto nº 15 > Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário > Joaquim Pinto Carvalho  (Cadaval) e o Luís da Cruz Ferreira (o "Beatle"), autor do livro de memórias "Os Có Boys" (ed. autor, Cascais, 2025, 184 pp., de que ele trouxe uns tantos exemplares para divulgação).


Foto nº 16 > Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário > Da direita para a esquerda, Manuel Leitão (Mafra), o filho Pedro, e o João Rebelo (Lisboa) ( O Manuel Calhandra Leitão foi 1º cabo, Pel Mort 1028, Enxalé, 1965/67; é membro  nº 867 da Tabanca Grande; aparece quando também o João Crisóstomo vem).

Fotos: © Manuel Resende  (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legtendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Cascais > São Domingos de Rana > Adega Zé Dias > 14 de janeiro de 2010 > Uma foto histórica... Alguns dos 10 magníficos que fundaram a Magnífica Tabanca da Linha (sete dos quais membros da Tabanca Grande): da esquerda para a direita: 

(i) Zé Dias (dono do restaurante);

(ii) António Fernandes Marques (ex-fur mil at inf, CCAÇ 12, Contuboel e Bambadinca, 1969/71); 

(iii) José Manuel Matos Dinis (1948-2021) (ex-fur mil at inf, CCAÇ 2679, Bajocunda, 1970/71) (foi coorganizador de muitos dos convívios posteriores, juntmente com o Jorge Rosales); 

(iv) Manuel Domingos ( falecido logo a seguir, nesse ano, era do Batalhão do Rogério Cardoso, era fadista amador com prémios); 

(v) Rogério Cardoso (ex-fur mil art, CART 643 / BART 645, Bissorã, 1964/66); 

(vi) António Graça de Abreu (ex-alf mil, CAOP1, Teixeira Pinto, Mansoa e Cufar, 1972/74);

 (vii) José Carioca (ex-fur mil trms e cripto, CCAÇ 3477, Gringos de Guileje, Guileje, 1971/72);

 (viii) Jorge Rosales (1939-2019 (ex-alf mil da 1.ª CCAÇ, Farim, Porto Gole e Bolama, 1964/66) (foi o primeiro régulo da Tabanca da Linha); 

e (ix) Zé Caetano.

Falta o Mário Fitas (ex-fur il op esp, CCAÇ 763, Cufar, 1965/66) (que deve ter sido o fotógrafo)

Foto (e legenda): © Manuel Resende (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Eu acho que o Manuel Resende ainda vai ter saudades desta azáfama toda, desta saudável excitação, deste "eustress" (ou stress bom),  que é chamar a capítulo a Magnífica Tabanca da Linha, de dois em dois meses, para fazer prova de vida e marcar presença no Restaurante Chave d'Ouro, em Algés, e ocupar todo o 2º piso com vistas esplêndidas sobre um rico pedaço do nosso querido Portugal...

Vai ter saudades, sim, senhor,  quando, chegada a idade-limite  dos 100 anos (para os régulos), ele tiver mesmo que se reformar por imperativo legal...

As minhas, as nossas, palmas, vão antes de mais para ele, que logo no princípio do ano de 2026 conseguiu, com a eficiência e a discrição do costume, organizar mais este convívio... especial, porque foi festa de aniversário da Tabanca.

(Continua)

(Seleção, edição e legendagem das fotos: LG)




Lista dos 76 inscritos no 63º almoço-convívio. Compareceram 73.

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Nota do editor LG:

Último poste da série >11 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P26726: E as nossas palmas vão para... (28): A Magnífica Tabanca da Linha que comemora 4ª feira, dia 14, 16 anos de existência... (De "menino da Linha" a "Magnífico" vai uma grande distância... Saibam como: podem ainda inscrever-se, até ao final de 2ª feira, no próximo 63º almoço-convívio)