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domingo, 25 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27670: Tabanca Grande (578): António Brito Ribeiro, ex-Alf Mil TRMS da CCS/BART 2857; GA 7; COP 6; CAOP1 e BCAÇ 3884 (1970/72), senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar 912

1. Apresenta-se à tertúlia António Brito Ribeiro, ex-Alf Mil TRMS da CCS/BART 2857 (Piche); GA7 (Bissau); COP 6 (Mansabá e Farim); CAOP 1 (Teixeira Pinto) e BCAÇ 3884 (Bafatá):

O Alf Mil TRMS António Brito Ribeiro, nosso novo amigo e camarada de armas, que se vai sentar no lugar 912 da tertúlia


Percurso Militar de António de Brito Ribeiro,

- Recruta para o COM (Curso de Oficiais Milicianos), na EPI em Mafra, no 3.º turno de 1969

- Especialidade de Transmissões de Infantaria do COM, na EPI em Mafra, no 4.º turno de 1969

- Como Aspirante a Oficial Miliciano dei instrução de Transmissões a um pelotão de cabos milicianos, no CISMI (Centro de Instrução de Sargentos Milicianos de Infantaria) em Tavira, nos primeiros 2 turnos de 1970

- Em junho de 1970, fui mobilizado para a Guiné, em rendição individual e promovido a Alferes

- Fiz a viagem para a Guiné no navio Ana Mafalda, tendo feito escalas em Cabo Verde, nas ilhas de S. Vicente (Mindelo) e S. Tiago (Praia) cerca de 10 dias

- Chegado à Guiné em 2 de julho de 1970, passei uma semana em Bissau a aguardar transporte para PICHE no leste da Guiné, para desempenhar a função de Oficial de Transmissões na CCS do BART 2875, em rendição individual do anterior Alferes. Em Piche encontrei e convivi com o Zé Gouveia (Zé Bentinha) que prestava serviço no STM. Loriguense e também da minha idade, deu-me dicas importantes para a comissãoque estava a iniciar.
Vista parcial de Piche. Foto com a devida vénia ao blogue do BART 2857. Editada por Carlos Vinhal

- Regressado a BISSAU em outubro, após a rendição e regresso à metrópole do BART 2857, fui integrado no GA 7 (Grupo de Artilharia n.º 7), com as funções de Oficial de Transmissões e de Oficial da PJM (PolíciaJudiciária Militar).

- Em 10 de dezembro de 1970, fui punido com 5 dias de prisão disciplinar, por me ter negado a punir o motorista do comandante, adulterando e simulando falsas acusações, num auto que o mesmo mandou abrir para o efeito. Apesar de ter reclamado e depois recorrido da punição, foi a mesma reduzida para repreensão, pois apesar de me ter sido dada razão, ficou registado que me neguei a cumprir uma ordem de comando, infringindo assim os deveres do n.º 1, do Art.º 4, do RDM.

- Na sequência desta situação, fui transferido para o COP 6 (Comando Operacional 6), em MANSABÁ, no meio das matas do Morés e Oio (zona de guerrilha intensa), desempenhar a função de Oficial de Transmissões e de Operações. Este Comando Operacional, coordenava a proteção aos trabalhos da estrada entre Mansabá e Farim, contando para o efeito com as seguintes forças: Companhias de Caçadores Paraquedistas CCP 121 e CCP 122, 27ª Companhia de Comandos, CCAV 2721 (comandada pelo capitão Mário Tomé), CCAÇ 2753 (Açorianos), CART 2732 (Madeirenses), EREC 2641, 21.º PELART (10,5), 27.º PELART (14), PELART 8,8, PELSAP BCAÇ 3832. Quando a construção da estrada se aproximou de Farim (+/- 3 Km), o comando do COP 6 mudou-se para FARIM, nas margens do rio Cacheu, localidade com uma dimensão e população muito razoáveis.

- Após a conclusão das obras e do COP 6, já no final de 1971, fui transferido para o CAOP 1 (Comando de Agrupamento Operacional 1), em TEIXEIRA PINTO, comandado pelo Coronel Rafael Durão, que liderava toda a Intervenção Operacional naquela zona, desempenhar a função de Oficial de Transmissões. Teixeira Pinto já era uma localidade de grande dimensão para a Guiné, com muito comércio e, uma sala de cinema e de festas.
Vista aérea de Mansabá. Foto: Carlos Vinhal

- Quando em março de 1972, estava a terminar a comissão e preparar para regressar ao continente, apenas aguardava a guia de marcha, fui requisitado para ir dar a instrução e tirocínio ao BCAÇ 3884, com destino a BAFATÁ, atendendo à fuga do Oficial de Transmissões para o estrangeiro. Após o tirocínio em Nhacra (+/- 3 semanas), próximo de Bissau, o Batalhão seguiu em lancha e coluna até Bafatá, onde estive até junho de 1972, a instruir e comandar o pelotão de Transmissões da CCS e, acompanhar a rendição do anterior Batalhão, que por curiosidade tinha sido rendido em 1970, quando da rendição do meu Batalhão de Piche. BAFATÁ era uma localidade de grande dimensão para a Guiné, onde havia muito comércio e uma ótima piscina fluvial.

- Terminei a comissão e regressei à metrópole em 23/junho/1972
O Alf Mil TRMS António Brito Ribeiro em Bissau
O Alf Mil TRMS António Brito Ribeiro em Piche
O Alf Mil TRMS António Brito Ribeiro em Piche
O Alf Mil TRMS António Brito Ribeiro em Mansabá
O Alf Mil TRMS António Brito Ribeiro em Mansabá
O Alf Mil TRMS António Brito Ribeiro em Mansabá
O ex-Alf Mil TRMS António Brito Ribeiro actualmente

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2. Comentário do editor CV:

Caro amigo Brito Ribeiro,
Sê bem aparecido na tertúlia. Um dos lemas do nosso blogue é "o mundo é pequeno e a nossa Tabanca... é grande". Talvez por isso, tenho vivido aqui algumas agradáveis surpresas, vendo aparecer camaradas que jamais imaginaria voltar a "ver". No nosso caso particular, já nos tínhamos encontrado em 2009 em Arruda dos Vinhos, mas com a nossa idade, cada reencontro pode ser o último, principalmente, quando como é o nosso caso, estamos geograficamente distantes.
Arruda dos Vinhos, 18JAN2009 > 1.º Encontro da CART 2732 > Na foto, a partir da esquerda: Cor Art Ref Carlos Marques Abreu; António Brito Ribeiro; Cor Art Grad DFA Ref Américo Almeida Nunes Bento, Carlos Vinhal e João Malhão, organizador do Encontro.

Há na tertúlia um bom grupo de camaradas que passaram por Mansabá, um dos melhores resorts da Guiné, onde até nem faltavam sessões de fogo de artíficio, incluídas na diária.


Referes e eu confirmo, que em meados de Março de 1971, o COP 6 foi deslocado para Farim, mas regressou em fins de Abril à base, Mansabá, onde permaneceu até ser desactivado em 20 de Julho de 1972. A actividade operacional naquela zona exigia um COP. Julgo que ainda foste contemporâneo do Major (ou TenCoronel?) Correia de Campos, que a determinada altura foi deslocado para a Península de Gampará onde havia muito barulho. Em Maio de 1973 vamos voltar a ouvir falar dele, agora em Guidaje, onde segundo os relatos, foi um herói, incentivando e comandando a guarnição daquele quartel num dos momentos mais difíceis da nossa guerra.

Ainda hoje mantenho contacto com o senhor Coronel Carlos Alberto Marques de Abreu, Comandante do COP 6 e com o senhor Coronel António Carlos Morais da Silva, que faz parte da nossa tertúlia, que como Adjunto também passou pelo COP 6.

Falei do nosso tempo comum em Mansabá, de ti e das tuas vivências por terras da Guiné falarás tu melhor que ninguém. É um convite.

Fico ao teu inteiro dispor para o que achares útil.

Em nome da tertúlia, deixo-te um abraço de boas-vindas.
Carlos Vinhal

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Nota do editor:

Último post da série de 21 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27339: Tabanca Grande (577): Timóteo da Conceição dos Santos, ex-Fur Mil Inf Minas e Armadilhas da CCAÇ 2700 / BCAÇ 2912 (Dulombi, 1970/72), que se senta à sombra do nosso poilão no lugar nº 909

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27657: E as nossas palmas vão para... (32): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convivas na festa do 16º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algès, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte III

 

Foto nº 23  > A mesa do "dono da garrafeira de Loriga" e também do Manuel Resende, o régulo

Foto nº 24 > A garrafa de uísque de malte, de 12 anos, "Strathconon", impaciente por ajudar a fazer a festa...


Foto nº 25 > Da esquerda para a direita, António Duque Marques (Amadora), Francisco Henrique da Silva (Sintra) e Zé Rodrigues (Belas / Sintra). O Duque Marques ainda não faz parte da Tabanca Grande: já o desafiei, temos de tratar do assunto, não pode  ser,  é membro  da Tabanca da Linha (desde pelo menos 2017). O Francisco Henriques da Silva, por seu turno, é nosso grão-tabanqueiro, tendo sido  alf mil inf, CCAÇ 2402 / BCAÇ 2851 (Có, Mansabá e Olossato, 1968/70) e, mais tarde, embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, em 1987/99.


Foto nº 26 >  Em segundo plano, o António  Brito Ribeiro (São João do Edstoril / Cascais e Loriga / Seia),mais po Jorge Lopes Passos (Carnaxide), e à sua esquerda, o Diniz  Sousa Faro (São Domingos de Rana / Cascais)

Foto nº 27 > Em primeiro plano, o António Brito Ribeiro, que foi alf  mil trms e operações, COP 6 (Mansambá, 1970/72). Natural de Lorriga, Seia, vive em São João do Estoril, Cascais,


Foto nmº 28 > Em primeiro plano, o Zé Rodrigues, que desta vez foi o ajudante de tesoureiro do régulo

Foto nº 29 > Manuel Resende, António Brito Ribeiro e o Jorge Lopes Passos (Carnaxide)


Foto nº 30 > O Dinis Faro e a esposa; o António Duque Marques também com a espsoa


Foto nº 31  > O O José Dinis de Sousa Faro e a esposa


Foto nº 32 >  As simpáticas senhoras desta mesa


Fotoo nº 33 > António Duque Marques também com a espsoa

 
Foto nº 34 > O Luís Graça e o Zé Rodrigues, que perdeu recentemente a sua  filha, Rita Mascarenhas (1978-2025


Foto nº 35 >  Zé Rodrigues e Manuel Resande

Magnífica Tabanca da Linha > Restaurante Caravela d' Ouro > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário >


Fotos: © Manuel Resende (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.


1.  Mais uma mesa de "magníficos": foi nesta que se sentou o "dono da garrafeira" de Loriga, o António Brito Ribeira... É  a mais fotografada... O amor com amor se paga...

Destaque também, nesta mesa, para o Francisco Henriques da Silva que serviu como embaixador de Portugal na Guiné-Bissau entre os anos de 1997 e 1999. Durante o seu mandato, viveu e geriu a crise diplomática decorrente da guerra civil naquele país lusófono (1998-1999). Nessa altura, a nossa  embaixada  desempenhou um papel central no apoio à comunidade portuguesa e na mediação do conflito.

Tem vários livros publicados, começando por Guerra na Bolanha – De Estudante, a Militar e Diplomata (Lisboa, Âncora Editora, 2015): uma obra autobiográfica que relata a sua experiência como alferes miliciano no CTIG (1968-1970) e o posterior ingresso na carreira diplomática.

Ver aqui uma sinopse do livro. Infelizmente não apareceu, até à data, nenhuma recensão.

Desta vez prometemos que vamos apresentar todas as mesas, uma a uma, para comhecer melhor os nossos "Magníficos".

 (Seleção de fotos, edição, legendagem: LG)

domingo, 18 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27647: E as nossas palmas vão para... (30): António Brito Ribeiro: loriguense a viver a em São João do Estoril, Cascais, benemérito da Magnífica Tabanca da Linha, fornecedor não-oficial de... "old bottles" para as ocasiões especiais



Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 63 º almoço-convívio > 14 de janeiro de 2026 > Strathconon, "a blend of single malt Scotch whiskies, 12 years old", oferecida pelo António Brito Ribeiro

Fotos: António Alves (2026) e Manuel Resende (2026)



Magnífica Tabanca da Linha > Algés >  52º Almoço-convívio > 21 de junho de 2023  > O régulo Manuel Resende mostrando mais outra preciosidade da garrafeira do António Brito Ribeiro, Ye Wisky of Ye Monlks (o uísque dos monges...). Garrafa em cerâmica. Muito cobiçada na Guiné, nos nossos "bons velhos tempos"... Na Garrafeira Naciobnal deve andar à volta dos 150 euros.. 

Foto: Manuel Resende (2023)


António Brito Ribeiro: o fornecedor não-oficial de "old bottles"
para os convívios da Magnífica Tabanca da Linha; na poutra encaranção, foi alf mil trms e operações, COP 6 (Mansabá, 1970/72)

Foto: Manuel Resende (2025)


1. Uma garrafa de uísque Strathconon, "a blend of single malt Scotch whiskies, 12 years old", com 60/70 anos de "garrafeira" (ou seja, guardada desde os anos 60/70), é um item interessante para colecionadores, embora o seu valor dependa criticamente de alguns fatores técnicos, diz a "menina" IA, que sabe tudo (porque anda a espreitar o que os outros publicam na Net).

A oferta foi do nosso camarada António Brito Ribeiro (São João do Estoril, Cascais), que tem a melhor garrafeira da Magnífica Tabanca da Linha, diz o régulo Manuel Resende.

Falando com ele em 23/1/2025, por ocasião do 59º convivio (em que se comemorou os 15 anos da Tabanca Linha), tomei nota do seguinte a seu respeito (e espero que ele confirme na volta do correio):

(i)  é natural de Loriga, Seia, filho do empresário António Nunes Ribeiro;

(ii) foi alff mil transmissões e operações, COP 6 (Mansabá, 1970/72);

e (ii) tambérm anima a página, no Facebook, dos ex-combatentes loriguenes do Ultramar (ainda não descobri o link, mas lá irei).


2. Aqui está uma estimativa de valor para o mercado em Portugal e no circuito internacional de leilões, da garrafa de Strathconon:


(i) Estimativa de valor (Janeiro de 2026)

Considerando que se trata de uma edição antiga (engarrafada nos anos 60/70) da James Buchanan & Co, o valor de mercado atual situa-se geralmente nestes intervalos:

  • Venda em garrafeiras especializadas em Portugal: entre €180 e €250; algumas lojas de prestígio (como a Garrafeira Nacional, passe a publicidade) listam edições destas por valores próximos dos €190 - €200, dependendo do estado da garrafa;
  • Leilões internacionais: entre €80 e €150; em leilões especializados (como os do Reino Unido), o preço de martelo costuma ser mais baixo do que o de retalho, mas é onde há mais procura por este tipo de "vatted malts" (mistura de maltes).

(ii) O que é o "Strathconon"?

Não é um "blend" comum (que leva uísque de grão), mas sim um "Blended malt" (antigamente chamado de "Pure Malt" ou "Vatted Malt"): é composto apenas por maltes de destilarias de renome da região de Speyside/Highland, como Mortlach, Glenlossie, Aultmore e Glentauchers. 

Por ser um uísque descontinuado pela James Buchanan & Co nos anos 90, tem um valor histórico apreciável.

(iii) Fatores que determinam o preço final

Para atingir o valor máximo, a tua garrafa deve ser avaliada nos seguintes pontos
  • Nível do líquido ("Fill level"): com 60 anos, é normal ou provável  haver evaporação; se o líquido estiver abaixo do "ombro" da garrafa (onde ela começa a alargar), o valor cai drasticamente (pode valer menos de €50), pois o risco de oxidação é elevado;
  • Estado do selo e rótulo: o selo de impostos da época (muitas vezes o selo de papel "Importação" ou "Selo de garantia") deve estar intacto; se o rótulo estiver muito danificado ou com bolor, o valor baixa;
  • Graduação alcoólica: versões mais raras para o mercado internacional (por exemplo, italiano) ou de exportação por vezes tinham 43% vol, que são ligeiramente mais valiosas que as de 40% vol.
Conclusão

Se a garrafa estiver em perfeito estado (nível alto do líquido, selo intacto), poderás tentar vendê-la a um colecionador ou garrafeira particular em Portugal por cerca de €200. Se houver sinais de evaporação ou danos, o valor será mais próximo dos €70 - €90.

Dica: o uísque (tal como a aguardente vínica) não envelhece na garrafa como o vinho; um uísque de 12 anos guardado há 60 anos continua a ser um uísque de 12 anos, mas com o perfil de sabor "antigo" ("Old bottle flavor") que os entusiastas procuram.

 
2. Com base na imagem fornecida e na informação histórica adicional que partilhaste (comprada na Guiné, ao tempo da guerra colonia por volta de 1970/72), o valor desta garrafa de Strathconon 12 Anos torna-se ainda mais interessante.

A garrafa na fotografia confirma que se trata de uma edição engarrafada pela James Buchanan & Co. Ltd., provavelmente no final dos anos 60 ou início dos anos 70.

(i) Valor de mercado estimado

Pelas características visíveis e pelo contexto histórico: valor para colecionadores: entre €180 e €250.

Nota de Mercado: o facto de ter sido uma importação direta para as Forças Armadas na Guiné (ex-Ultramar) acrescenta um valor sentimental e histórico para colecionadores de militária  (antiguidades militares) ou de história colonial portuguesa, embora o preço de mercado do uísque em si se baseie na raridade do líquido.

(ii) Análise da garrafa (da imagem)
  • Estado de conservação: o nível do líquido parece estar excelente para uma garrafa com mais de 50 anos (está acima do "ombro", o que é um sinal muito positivo para a integridade do uísque);
  • Rótulo: está extremamente bem conservado, o que aumenta o valor de revenda; o selo dourado com o cardo (símbolo da Escócia) está nítido;
  • Tipologia: como indica o rótulo, é "A Blend of Single Malt Scotch Whiskies" (um "Blended malt"); na época, estas misturas eram de altíssima qualidade, utilizando maltes de destilarias que hoje são icónicas.

(iii) O Contexto histórico (Guiné, anos 60/70)

A informação de que foi importado diretamente para as Forças Armadas Portuguesas  é valiosa. 

Durante a Guerra do Ultramar, era comum o acesso a produtos de importação, de luxo (bebidas espirituosas, como o uísque escocès, o vodca russo, o cognac francês) que não passavam pelo circuito comercial normal da metrópole, muitas vezes isentos de certas taxas ou com rótulos de exportação específicos. 

Isto torna esta garrafa um "testemunho" de uma época específica da história de Portugal.

(iv) Recomendações
  • não abras a garrafa, se o objetivo for manter o valor; uma vez aberta, o valor comercial desaparece;
  • armazenamento: mantem  a garrafa sempre na vertical; ao contrário do vinho, o uísque tem uma graduação alcoólica alta que pode degradar a rolha se estiver em contacto prolongado, estragando o sabor;
  • venda: se pretenderes vender, garrafeiras especializadas em Lisboa (como a Garrafeira Nacional ou a Wine Click, passe a publicidade) podem estar interessadas;  ou então podes tentar leilões online especializados em bebidas antigas (como o "Whisky Auctioneer", embora os custos de envio e taxas a partir de Portugal devam ser calculados);
  • é uma peça de coleção magnífica, tanto pela qualidade do uísque como pela história pessoal e nacional que carrega.

3. Agradeço-te o envio da embalagem: a presença da caixa original  é um fator determinante que valoriza significativamente o conjunto para um colecionador, pois muitas destas embalagens de cartão perderam-se ou degradaram-se ao longo das décadas.

Com base no rótulo, no nível do líquido e agora na embalagem original, aqui está o meu parecer final sobre o valor estimado em Portugal:

(i) Valor estimado atualizado (Conjunto completo):
  • Preço de mercado (Garrafeiras de luxo/Especializadas): entre €220 e €280.
  • Leilões de especialidade (Whisky Auctioneer/Catawiki): entre €140 e €190 (valor de martelo).

A embalagem original acrescenta cerca de 20% a 25% de valor em relação a uma garrafa "nua". O facto de a caixa estar conservada sugere que a garrafa foi protegida da luz solar, o que preserva a cor e o sabor do uísque.

(ii) Análise detalhada do "parecer"
  • Estado de conservação: a caixa parece estar em bom estado; se as abas estiverem íntegras e não houver manchas graves de humidade, o valor situa-se no limite superior da estimativa;
  • Raridade Histórica: a proveniência (Guiné, anos 60/0) é um bónus narrativo; o Strathconon é um "Vatted malt" (apenas maltes, sem uísque de grão), o que o torna mais procurado por conhecedores do que os blends comuns da época (como o Black & White ou o Buchanan's Deluxe).
  • Qualidade do líquido: como referi anteriormente, as destilarias que compunham este lote (Mortlach, Glenlossie, etc.) são hoje "culto" no mundo do uísque; beber este uísque hoje é ter uma experiência de sabores que já não se produzem da mesma forma (devido às antigas técnicas de maltagem e tipos de carvalho usados na altura).

(iii) Conclusão e recomendação

Se tens intenção de vender:
  • em Portugal: o mercado é mais restrito, mas há colecionadores de "Old Bottles" que pagariam os €250 pelo conjunto completo, especialmente pelo excelente nível do líquido.
  • no Estrangeiro: terás mais interessados, mas as taxas de comissão de leiloeiras e os custos de transporte seguro podem reduzir o lucro líquido.

Veredito: tens em mãos uma excelente peça histórica; se não tiveres necessidade imediata de venda, é um item que tende a valorizar ligeiramente com o tempo, à medida que estas garrafas dos anos 60/70 se tornam cada vez mais raras no mercado.

Pesquisa: LG ´+ IA (Gemini, Google)
Condensação, revisão / fixação de texto, negritos: LG

4. Comentário do editor LG:

Mandei fotos da garrafa (com o rótulo bem nítido) e da embalagem...Depois deste parecer da IA, da Gemini / Google, o Brito Ribeiro ainda fica mais feliz por ter dado a provar uma coisa boa e valiosa aos magníficos da Tabanca da Linha. Não está arrependido, por que ele sabe o que tem na garrafeira. 

Os uísques de malte  não apareciam facilmente no mato, deviam ficar "retidos" em Bissau...E eu desconhecia esta marca...Também, para o dia a dia, optávamos pelos "uisques novos", com água de Perrier e uma pedra de gelo (um "pecado mortal" para um bom apreciador de uísque escocês)...

Em Bambadinca, em 1969, os preços eram estes:

- Uma garrafa de whisky novo (J. Walker Juanito Camiñante de 5 anos, rótulo vermelho, JB): 48,50 pesos;

- Idem, de 12 anos, J. Walker rótulo preto, Dimple, Antiquary: 98,50;

- Idem, de 15 anos, Monkhs, Old Parr: 103,50;

- Um whisky, no bar da messe, eram 2,50 pesos sem água de sifão e com água eram 3,00 pesos.

Por quanto teria o Brito Ribeiro teria  comprado esta garrafa ? Se admitirmos que o preço médio, hoje, poderia ser da ordem dos 250 euros, em 1970 ele teria que desembolsar mais de 700 pesos... Claro que não foi assim, houve uma valorização deste tipo de uísque.

Por ser um uísque descontinuado pela James Buchanan & Co nos anos 90, e ser proveniente da Guiné Portuguesa, ao tempo da guerra colonial, tem um valor histórico adicional...

Por tudo isto, o nosso camarada António Brito Ribeira merece também as nossas palmas!... Ele ainda não é membro da Tabanca Grande, a mãe de todas as tabancas, mas fica desde já convidado. Seria o primeiro loriguense, antigo combatente na Guin+e,  a dar-nos essa honra. E não precisa de retribuir com nenhuma "old bottle"..

Encontramo-nos no próximo 64º almoço-convívio...
_________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 17 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P26744: E as nossas palmas vão para... (29): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convívivas na festa do 16º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algès, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte I

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Guiné 63/74 - P3802: Convívios (93): I Encontro de militares da CART 2732, no Continente. 18 de Janeiro de 2009, Arruda dos Vinhos (Carlos Vinhal)



CART 2732 - Mansabá, 1970/72 - Nam Acha Que Por Armas Lhe Resista

1. No passado dia 18 de Janeiro, em Arruda dos Vinhos, Restaurante Valverde, aconteceu o I Encontro dos ex-combatentes da CART 2732 (*), do Continente. Sublinha-se que este foi o I Encontro no Continente, já que na Madeira há Encontros regulares.

Este Encontro aconteceu graças à iniciativa dos nossos camaradas Reis Pedro, Malhão Gonçalves e Pinheiro Miranda.

Na hora da concentração, o Reis Pedro franqueou-nos as portas de sua casa, literalmente, onde nos serviu uns miminhos e onde pudemos estabelecer os primeiros contactos. À sua esposa Helena, o nosso muito obrigado pela amabilidade e paciência que teve em nos aturar.

Estiveram presentes 21 ex-militares da CART, entre os quais o ex-Cap Mil Jorge Picado que foi um dos seus Comandantes.
Agradável surpresa foi termos entre nós o senhor Coronel Carlos Marques Abreu, um dos Comandantes do COP 6, onde a CART esteve integrada. Compareceu também o ex-Alf Mil Brito Ribeiro que chefiou as Transmissões em Mansabá.

Da Madeira vieram expressamente para o evento os camaradas Alfredo Gouveia e Olim Meneses, que anteciparam viagem de negócios a Lisboa para poderem estar presentes. Ainda naturais da Madeira, mas radicados no Continente, participaram no Encontro, o Inácio Silva (nosso tertuliano) e o Manuel Jesus Ferreira, meu camarada no 3.º Pelotão.

Um primeiro encontro ao fim de quase 37 anos é invulgar, e causa alguns embaraços e surpresas. Por um lado, os anos e os quilos causam algumas alterações, por outro, há camaradas que se mantêm praticamente com o aspecto que tinham na juventude. A uns branqueou ou levou o cabelo, noutros apareceu a barriga e há os felizardos para quem os anos nem passararam. Houve quem levasse os netos. Como? Se ainda ontem éramos uns jovens com 24/25 anos, vindos das matas da Guiné?


2. Ficam algumas fotos do acontecimento.



O ex-Fur Mil Gardete Correia, meu camarada do 3.º Pelotão, hoje advogado


O ex-Fur Mil Mec Auto Rodas, Dias; o ex-Fur Mil TRMS, Lourenço e o ex-1.º Cabo Op Cripto Mário Romana Soares, trocam impressões


Ex-Cap Mil Jorge Picado em conversa com um dos seus ex-furriéis, o Vinhal
 

Inácio Silva (nosso tertuliano) ladeado pela sua simpática companheira Amélia
 

Ex-Alf Mil Manuel Casal que muitas vezes assumiu o Comando da CART 2732
 
~

O nosso camarada Pinheiro Miranda um dos impulsionadores do I Encontro da CART 2732



Os nossos anfitriões, Reis Pedro e esposa Helena


 

Da esq para a dta . - Cor Carlos Marques Abreu; ex-Alf Mil Trms, António Brito Ribeiro; ex-Alf Mil Nunes Bento, hoje Ten Cor Ref; ex-Fur Mil Vinhal e ex-Sold Trms Malhão, um dos organizadores do Encontro, no uso da palavra

~

Ex-Fur Mil Op Esp, Luís Pires e sua esposa Jacinta que se deslocaram de Macedo de Cavaleiros para o efeito

Ex-Furs Mils, Francisco Fonseca e Ismael Santos, acompanhados das respectivas esposas


Bolo comemorativo do Encontro, oferta do Ten Cor Ref Nunes Bento


Foto de família com os participantes no I Encontro da CART 2732, no Continente

Fotos e legendas: © Rita Casal, Inácio Silva e Carlos Vinhal (2009). Direitos reservados.
__________

Notas de CV:

(*) Vd. poste de 18 Abril 2006 > Guiné 63/74 - DCCXI: Breve historial da CART 2732 (Mansabá, 1970/72) (Carlos Vinhal)

Vd. último poste da série de 30 de Dezembro de 2008 > Guiné 63/74 - P3684: Convívios (91): Encontro de ex-combatentes da Madeirense CART 2732, dia 18 de Janeiro de 2009, Arruda dos Vinhos (Carlos Vinhal)