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domingo, 18 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27647: E as nossas palmas vão para... (30): António Brito Ribeiro: loriguense a viver a em São João do Estoril, Cascais, benemérito da Magnífica Tabanca da Linha, fornecedor não-oficial de... "old bottles" para as ocasiões especiais



Magnífica Tabanca da Linha > Algés > 63 º almoço-convívio > 14 de janeiro de 2026 > Strathconon, "a blend of single malt Scotch whiskies, 12 years old", oferecida pelo António Brito Ribeiro

Fotos: António Alves (2026) e Manuel Resende (2026)



Magnífica Tabanca da Linha > Algés >  52º Almoço-convívio > 21 de junho de 2023  > O régulo Manuel Resende mostrando mais outra preciosidade da garrafeira do António Brito Ribeiro, Ye Wisky of Ye Monlks (o uísque dos monges...). Garrafa em cerâmica. Muito cobiçada na Guiné, nos nossos "bons velhos tempos"... Na Garrafeira Naciobnal deve andar à volta dos 150 euros.. 

Foto: Manuel Resende (2023)


António Brito Ribeiro: o fornecedor não-oficial de "old bottles"
para os convívios da Magnífica Tabanca da Linha

Foto: Manuel Resende (2025)


1. Uma garrafa de uísque Strathconon, "a blend of single malt Scotch whiskies, 12 years old", com 60/70 anos de "garrafeira" (ou seja, guardada desde os anos 60/70), é um item interessante para colecionadores, embora o seu valor dependa criticamente de alguns fatores técnicos, diz a "menina" IA, que sabe tudo (porque anda a espreitar o que os outros publicam na Net).

A oferta foi do nosso camarada António Brito Ribeiro (São João do Estoril, Cascais), que tem a melhor garrafeira da Magnífica Tabanca da Linha, diz o régulo Manuel Resende.

Falando com ele em 23/1/2025, por ocasião do 59º convivio (em que se comemorou os 15 anos da Tabanca Linha), tomei nota do seguinte a seu respeito (e espero que ele confirme na volta do correio):

(i)  é natural de Loriga, Seia, filho do empresário António Nunes Ribeiro;

(ii) foi comandante do 5º Pel Art, que esteve no Cantanhez (Cabedu e Jemberém, de 1/7/1973 a 10/4/1974); 

e (ii) tambérm anima a página, no Facebook, dos ex-combatentes loriguenes do Ultramar (ainda não descobri o link, mas lá irei).


2. Aqui está uma estimativa de valor para o mercado em Portugal e no circuito internacional de leilões, da garrafa de Strathconon:


(i) Estimativa de valor (Janeiro de 2026)

Considerando que se trata de uma edição antiga (provavelmente engarrafada nos anos 60 ou 70) da James Buchanan & Co, o valor de mercado atual situa-se geralmente nestes intervalos:

  • Venda em garrafeiras especializadas (PT): entre €180 e €250. Algumas lojas de prestígio em Portugal (como a Garrafeira Nacional, passe a publicidade) listam edições destas por valores próximos dos €190 - €200, dependendo do estado da garrafa.
  • Leilões internacionais: entre €80 e €150. Em leilões especializados (como os do Reino Unido), o preço de martelo costuma ser mais baixo do que o de retalho, mas é onde há mais procura por este tipo de "vatted malts" (mistura de maltes).

(ii) O que é o "Strathconon"?

Não é um "blend" comum (que leva uísque de grão), mas sim um "Blended Malt" (antigamente chamado de "Pure Malt" ou "Vatted Malt"). É composto apenas por maltes de destilarias de renome da região de Speyside/Highland, como Mortlach, Glenlossie, Aultmore e Glentauchers. 

Por ser um uísque descontinuado pela James Buchanan & Co nos anos 90, tem um valor histórico apreciável.

(iii) Fatores que determinam o preço final

Para atingir o valor máximo, a tua garrafa deve ser avaliada nos seguintes pontos
  • Nível do líquido ("Fill level"): Com 60 anos, é normal haver evaporação; se o líquido estiver abaixo do "ombro" da garrafa (onde ela começa a alargar), o valor cai drasticamente (pode valer menos de €50), pois o risco de oxidação é elevado;
  • Estado do selo e rótulo: o selo de impostos da época (muitas vezes o selo de papel "Importação" ou "Selo de garantia") deve estar intacto; se o rótulo estiver muito danificado ou com bolor, o valor baixa;
  • Graduação alcoólica: versões mais raras para o mercado (por exemplo, italiano) ou de exportação por vezes tinham 43% vol, que são ligeiramente mais valiosas que as de 40% vol.
Conclusão

Se a garrafa estiver em perfeito estado (nível alto, selo intacto), poderás tentar vendê-la a um colecionador ou garrafeira particular em Portugal por cerca de €200. Se houver sinais de evaporação ou danos, o valor será mais próximo dos €70 - €90.

Dica: O uísque (tal como a aguardente vínica) não envelhece na garrafa como o vinho; um uísque de 12 anos guardado há 60 anos continua a ser um uísque de 12 anos, mas com o perfil de sabor "antigo" ("Old Bottle Flavor") que os entusiastas procuram.

 
2. Com base na imagem fornecida e na informação histórica adicional que partilhaste (comprada na Guiné, ao tempo da guerra colonial), o valor desta garrafa de Strathconon 12 Anos torna-se ainda mais interessante.

A garrafa na fotografia confirma que se trata de uma edição engarrafada pela James Buchanan & Co. Ltd., provavelmente no final dos anos 60 ou início dos anos 70.

(i) Valor de mercado estimado

Pelas características visíveis e pelo contexto histórico: valor para colecionadores: entre €180 e €250.

Nota de Mercado: o facto de ter sido uma importação direta para as Forças Armadas na Guiné (ex-Ultramar) acrescenta um valor sentimental e histórico para colecionadores de militária  (antiguidades militares) ou de história colonial portuguesa, embora o preço de mercado do uísque em si se baseie na raridade do líquido.

(ii) Análise da garrafa (da imagem)
  • Estado de conservação: o nível do líquido parece estar excelente para uma garrafa com mais de 50 anos (está acima do "ombro", o que é um sinal muito positivo para a integridade do uísque).
  • Rótulo: está extremamente bem conservado, o que aumenta o valor de revenda. O selo dourado com o cardo (símbolo da Escócia) está nítido.
  • Tipologia: como indica o rótulo, é "A Blend of Single Malt Scotch Whiskies" (um "Blended malt"); na época, estas misturas eram de altíssima qualidade, utilizando maltes de destilarias que hoje são icónicas.

(iii) O Contexto histórico (Guiné, anos 60/70)

A informação de que foi importado diretamente para as Forças Armadas Portuguesas  é valiosa. 

Durante a Guerra do Ultramar, era comum o acesso a produtos de importação, de luxo ( bebidas espirituosas, como o uísque escocès, o vodca, o cognac) que não passavam pelo circuito comercial normal da metrópole, muitas vezes isentos de certas taxas ou com rótulos de exportação específicos. 

Isto torna esta garrafa um "testemunho" de uma época específica da história de Portugal.

(iv) Recomendações
  • não abras a garrafa, se o objetivo for manter o valor; uma vez aberta, o valor comercial desaparece;
  • armazenamento: mantem  a garrafa sempre na vertical; ao contrário do vinho, o uísque tem uma graduação alcoólica alta que pode degradar a rolha se estiver em contacto prolongado, estragando o sabor;
  • venda: se pretenderes vender, garrafeiras especializadas em Lisboa (como a Garrafeira Nacional ou a Wine Click, passe a publicidade) podem estar interessadas;  ou então podes tentar leilões online especializados em bebidas antigas (como o "Whisky Auctioneer", embora os custos de envio e taxas a partir de Portugal devam ser calculados);
  • é uma peça de coleção magnífica, tanto pela qualidade do uísque como pela história pessoal e nacional que carrega.

3. Agradeço-te o envio da embalagem. A presença da caixa original  é um fator determinante que valoriza significativamente o conjunto para um colecionador, pois muitas destas embalagens de cartão perderam-se ou degradaram-se ao longo das décadas.

Com base no rótulo, no nível do líquido e agora na embalagem original, aqui está o meu parecer final sobre o valor estimado em Portugal:

(i) Valor estimado atualizado (Conjunto completo)
  • Preço de Mercado (Garrafeiras de Luxo/Especializadas): Entre €220 e €280.
  • Leilões de Especialidade (Whisky Auctioneer/Catawiki): Entre €140 e €190 (valor de martelo).

A embalagem original acrescenta cerca de 20% a 25% de valor em relação a uma garrafa "nua". O facto de a caixa estar conservada sugere que a garrafa foi protegida da luz solar, o que preserva a cor e o sabor do uísque.

(ii) Análise detalhada do "parecer"
  • Estado de conservação: a caixa parece estar em bom estado; se as abas estiverem íntegras e não houver manchas graves de humidade, o valor situa-se no limite superior da estimativa;
  • Raridade Histórica: a proveniência (Guiné, anos 60/0) é um bónus narrativo; o Strathconon é um "Vatted malt" (apenas maltes, sem uísque de grão), o que o torna mais procurado por conhecedores do que os blends comuns da época (como o Black & White ou o Buchanan's Deluxe).
  • Qualidade do líquido: como referi anteriormente, as destilarias que compunham este lote (Mortlach, Glenlossie, etc.) são hoje "culto" no mundo do uísque; beber este uísque hoje é ter uma experiência de sabores que já não se produzem da mesma forma (devido às antigas técnicas de maltagem e tipos de carvalho usados na altura).

(iii) Conclusão e recomendação

Se tens intenção de vender:
  • em Portugal: o mercado é mais restrito, mas há colecionadores de "Old Bottles" que pagariam os €250 pelo conjunto completo, especialmente pelo excelente nível do líquido.
  • no Estrangeiro: terás mais interessados, mas as taxas de comissão de leiloeiras e os custos de transporte seguro podem reduzir o lucro líquido.

Veredito: tens em mãos uma excelente peça histórica; se não tiveres necessidade imediata de venda, é um item que tende a valorizar ligeiramente com o tempo, à medida que estas garrafas dos anos 60/70 se tornam cada vez mais raras no mercado.

Pesquisa: LG ´+ IA (Gemini, Google)
Condensação, revisão / fixação de texto, negritos: LG

4. Comentário do editor LG:

Mandei fotos da garrafa (com o rótulo bem nítido) e da embalagem...Depois deste parecer da IA, da Gemini / Google, o Brito Ribeiro ainda fica mais feliz por ter dado a provar uma coisa boa e valiosa aos magníficos da Tabanca da Linha. Não está arrependido, por que ele sabe o que tem na garrafeira. 

Os uísques de malte  não apareciam facilmente no mato, deviam ficar "retidos" em Bissau...E eu desconhecia esta marca...Também, para o dia a dia, optávamos pelos "uisques novos", com água de Perrier e uma pedra de gelo (um "pecado mortal" para um bom apreciador de uísque escocês)...

Em Bambadinca, em 1969, os preços eram estes:

- Uma garrafa de whisky novo (J. Walker Juanito Camiñante de 5 anos, rótulo vermelho, JB): 48,50 pesos;

- Idem, de 12 anos, J. Walker rótulo preto, Dimple, Antiquary: 98,50;

- Idem, de 15 anos, Monkhs, Old Parr: 103,50;

- Um whisky, no bar da messe, eram 2,50 pesos sem água de sifão e com água eram 3,00 pesos.

Por quanto teria o Brito Ribeiro teria  comprado esta garrafa ? Se admitirmos que o preço médio, hoje, poderia ser da ordem dos 250 euros, em 1970 ele teria que desembolsar mais de 700 pesos... Claro que não foi assim, houve uma valorização deste tipo de uísque.

Por ser um uísque descontinuado pela James Buchanan & Co nos anos 90, e ser proveniente da Guiné Portuguesa, ao tempo da guerra colonial, tem um valor histórico adicional...

Por tudo isto, o nosso camarada António Brito Ribeira merece também as nossas palmas!... Ele ainda não é membro da Tabanca Grande, a mãe de todas as tabancas, mas fica desde já convidado. Seria o primeiro loriguense, antigo combatente na Guin+e,  a dar-nos essa honra. E não precisa de retribuir com nenhuma "old bottle"..

Encontramo-nos no próximo 64º almoço-convívio...
_________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 17 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P26744: E as nossas palmas vão para... (29): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convívivas na festa do 16º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algès, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte I

2 comentários:

Alberto Branquinho disse...

Pure marketing !! Et aussi beaucoup de charme.
Quando poderemos ler um texto idêntico sobre o chamado "vinho do Porto"? (assim designado, pelos "britishes", o vinho generoso do Alto Douro ou Douro Superior?).
O que é o "benefício"? Qual a diferença entre "vinho fino" e "vinho do Porto"?
A vinha da minha vizinha será melhor que a minha?
Ó Zé Lopes, acode!


Alberto Branquinho disse...

EM TEMPO:
"Zé Lopes" não chega OU até pode ser ofensivo. Corrijo: José Manuel Lopes, o poeta JOSEMA.
Excuse me!