Prompt original e orientação editorial: Luís Graça.
Textos Jorge Golias (2024) | Luís Graça (2026)
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.
(...) 12. À margem da guerra
Por vezes alguém se lembra de um episódio, ou anedota, passada na Guiné e que, pela sua graça, aqui deixo alguns registos.
Um Comandante de uma Unidade de Artilharia, o major Gaspar [maj art José Joaquim Vilares Gaspar, mais conhecido na tropa por Gasparinho, na altura 2ª cmdt do GA7 - Grupo de Artilharianº 7 ] (*) enviou a seguinte mensagem Imediato para o Comando-Chefe:
– Info impossível cumprir missão por falta de mat rádio. Solicito envio urgente de meios rádio.
Resposta do Com-Chefe:
– Ref v/ msg info não haver rádios disponíveis; Mais info Teixeira Pinto pacificou Guiné sem rádios.
Réplica do major Gaspar com mensagem Relâmpago:
– Ref v/ msg solicito envio urgente de Teixeira Pinto.
Há quem atribua o protagonismo deste episódio ao ten-coronel Sanches da Gama, comandante das trms, e ao major Gaspar, de artilharia, ambos muito conhecidos pelo seu bom humor.
O major Gaspar, aliás, viria a tornar-se num mito, pelas deliciosas histórias que se contam da sua autoria. Relatarei apenas mais duas: quando um dia ao aproximar-se um heli com o general Spínola a caminho da sede do CAOP (**) ele enviou mensagem ao escalão superior dizendo: "Info Vexa que Sexa passou na mexa!"
Conta-se que a partir daqui foi proibido o uso destes termos em mensagens.
Era proverbial a aversão do major Gaspar aos papéis e à burocracia. Dizia-se que dependurava todas as notas vindas do QG/CTIG em cordões por cima da sua mesa de trabalho. E, quando vinha alguém de Bissau e indagava sobre um processo qualquer, ele, passando a mão pela nota dependurada e abanando-a, respondia:
– Está pendente!
À medida que o tempo ia passando, as pessoas iam ficando “apanhadas do clima”. Era o efeito do cacimbo em terra de extremos!
A propósito do passar do tempo, era prática corrente encher o calendário de cruzes à medida que os dias iam passando, e os que não confessavam esta prática eram traídos quando sabiam sempre os dias certos que estavam em falta para o regresso.
Mas, a partir de certa altura, quando se constatou que na messe se comia sempre uma banana de sobremesa (durante o ano de 1973 foi sempre assim), então começaram a aparecer os que mediam o tempo de comissão pelos km de bananas que tinham comido, ou o tempo em falta pelos km de bananas que faltava comer!
Coisas de apanhados! Ficou célebre o dito dos que iam acabando a sua comissão:
– Está na mala!
Apanhados e não, depois das refeições, nomeadamente à noite, saboreavamos um bom velho uísque, Martins20, Swing, Old Parr, com água “Perrier” ou um bom brandy Napoleón ou Curvoisier ou uma boa aguardente Carvalho Ribeiro & Ferreira.
Não fazíamos a coisa por menos porque estas excelentes bebidas eram baratas. Os mais modernaços iam para a coca-cola, bebida proibida em Portugal antes da revolução! E assim se descobriu a "Cuba-Livre" (***) que, na Guiné, era a mistura da coca-cola com uísque.
(Revisão / fixação de texto, negritos, títulos, notas de rodapé: LG) (****)
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Notas do editor LG:
(*) Mas antes, foi cap art, o primeiro de 3 comandantes da CART 3330 (Nhamate e Bula, dez 1970/dez 1972); Comandente do COP 6 (Mansabá) e 2º cmdt do GA7.
(**) Mais provavelmente COP6
(***) Variante do cocktail "Cuba-libre" (que junta rum, coca-cola e sumo de lima, simbolizando historicamente a transição da independência cubana e a influência dos Estados Unidos no Caribe da viragem do séc. XIX para o séc. XX); a criação do cocktail remonta ao contexto da Guerra Hispano-Americana (1898) e aos primeiros anos da ocupação militar norte-americana em Cuba; o brado de guerra das forças libertadoras cubanas contra o domínio colonial espanhol era "¡Cuba Libre!" (Cuba Livre).
(****) Último poste da série > 11 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28340: Em bom português nos entendemos (34): Camaradas. aqui sejamos..."betacistas", troquemos os "Vês" pelos "Bês" à (b)(v)ontade...













