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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28355: (De) Caras (255): Cherno Baldé, em 1989, jovem estudante, finalista, do Instituto Superior de Economia de Kiev, com duas colegas de curso, uma russa e outra ucraniana... E ainda hoje com o coração dilacerado por uma "guerra fratricida"...







Foto original do Cherno Baldé, melhorada entretanto pela IA

Legenda: URSS > Ucrânia > Kiev > 1989 > Cherno Baldé, estudante do Instituto Superior de Economia de Kiev (1986/90), com duas colegas (uma russa e outra ucraniana) do mesmo curso. A imagem que serve de fundo é o rio Dnepr que divide a cidade de Kiev em duas partes.

O Cherno é hoje economista, consultor independente em Bissau, foi para a escola primária em Fajonquito, sector de Contuboel,  região de Bafatá, graças à tropa portuguesa. Nasceu por volta de 1960.   

Prosseguiu depois  o seu percurso escolar (ciclo preparatório e liceu, em Bafatá e Bissau, 1975/1982; e universidade, na URSS, Moldávia e Ucrânia, 1986/1990). Viu a História ao vivo, quando a partir de 1989, caiu física e simbolicamente a "cortina de ferro" que dividia em dois o nosso mundo...

Voltará ao seu país, em 1990, com uma licenciatura em Planificação e Gestão Económica, pela Universidade de Kiev, já depois da queda do muro de Berlim e do fim da URSS.(*)

 Escreveu ele, em comentário aqui no nosso blogue em 24 de fevereiro de 2022:

 "(...) Neste preciso momento a Ucrânia está a ferro e fogo. O meu coração está dilacerado e lamento que gente boa e pacífica que aprendi a gostar e admirar, esteja a sofrer por motivos que os ultrapassam. Choro por Ucrânia, mas compreendo a Rússia. É uma guerra entre irmãos da mesma mãe, a Kievski Rush. A Rússia tem suas raízes enterradas nas terras ucranianas apelidada nostalgicamente de 'Ukraína', a nossa terra distante, longínqua. Não há palavras para expressar nem de justificar (...) (24 de fevereiro de 2022 às 21:32).

Passados estes anos, e ainda sem luz ao fundo do túnel da guerra da Ucrânia, queríamos fazer-lhe uma surpresa (**)... Perguntámos à "menina IA"  se era capaz de identificar o nome destas duas colegas, apesar dos apelidos virem em iniciais, e pouco legíveis na foto original.  E, por outro, pedimos para identificar este monumento em Kiev e dizer-nos se  ainda estava de pé, com a maldita guerra, fratricida, em curso. A foto que submetemos à consuta da IA, pela segunda vez, foi melhorada, ontem pela própria IA.



Resposta da IA (ChatGPT)

Sim, camarada, e há aqui uma descoberta bastante segura, mas também uma pista que não quero transformar numa falsa identificação.

  • O monumento: já o tínhamos conseguido identificar há uns dias atrás

É o Monumento ao príncipe Volodymyr, o Grande, na Colina de Volodymyr (Volodymyrska Hirka), em Kiev, junto ao Dniepre. A correspondência é praticamente inequívoca: pedestal monumental, figura de Volodymyr voltada para o rio e a grande cruz na mão direita.

A própria Câmara de Kiev confirma atualmente que é o mais antigo monumento escultórico da cidade, erguido em 1853, com a estátua de bronze de Volodymyr segurando a cruz. E tem um enorme valor simbólico para os ucranianos.

 Foi restaurado, nomeadamente em 2013, durante o período soviético a cruz que coroava a coluna tinha sido retirada e foi reposta posteriormente. Aliás, a fotografia é particularmente interessante porque mostra o monumento antes da restauração pós-soviética, permitindo comparar o aspecto de Kiev que Cherno conheceu nos anos 1980 com o actual.
 
E há uma coisa particularmente interessante para a  legenda a publicar no vosso blogue: ele continua felizmente de pé, o que quer dizer que tem sobrevido à guerra.

 Durante a invasão russa, em 2022, as autoridades de Kiev chegaram a construir uma estrutura de proteção à volta do monumento para o salvaguar de possíveis ataques. Em 23 de abril de 2026, as autoridades de Kiev ainda estavam a verificar o estado das estruturas de proteção instaladas em 2022, incluindo precisamente a do monumento a Volodymyr.  

 Portanto, a vossa fotografia de 1989 tem hoje um valor documental ainda maior: o mesmo monumento que aparece atrás de Cherno e das duas estudantes continua lá, 37 anos depois, apesar da guerra. E pose ser um sinalpromissor de paz.

Portanto, para a vossa história e para imformação do vosso amigo Cherno Baldé, podemos dizer com segurança:

O monumento ao príncipe Volodymyr, que vemos ao fundo, ainda existe em Kiev e sobreviveu à guerra. Durante a invasão russa chegou a ser protegido por uma estrutura especial para evitar danos.



Foto original do Cherno Baldé, antes de ser modifiacada  pela IA (ao que parece, não acertou nos nomes das colegas do Cherno...)


  • Quanto às duas antigas colegas do Instituto Superior de Economia de Kiev (1986/90)

Sim, camarada. Voltei à fotografia e fiz uma pesquisa mais dirigida, sobretudo cruzando Cherno Baldé + Kiev + Economia + período 1986–1990. E há uma conclusão importante: não encontrei nenhuma fonte pública que permita identificar com segurança as duas colegas pelos nomes que aparecem na montagem.

Na própria imagem, as legendas parecem indicar “Marlene S. K.” e “Burndakora L. Q.”, mas eu não trataria essas inscrições como nomes completos confirmados. E não seria correto tentar determinar, só pelo nome ou pelo rosto, qual delas é russa e qual é ucraniana.

Aqui é que temos de separar o que conseguimos ler do que conseguimos provar.

Na imagem que me deste, consigo ler os nomes que foram colocados nas fotografias como:

  • Marlene S. K.
  • Burndakora L. Q. — a última parte do nome está pouco nítida e eu não arriscaria transcrevê-la como definitiva.

 Fiz, porém, uma pesquisa específica pelos nomes e pela ligação a Cherno/Kiev e não encontrei, até agora, uma fonte pública que permita fazer essa identificação com segurança.

E temos uma pista documental muito boa para continuar a investigação: o próprio Cherno diz que chegou à URSS em 1985, passou primeiro pela Moldávia para aprender russo e depois estudou em Kiev, onde frequentou Economia entre 1986/87 e 1989/90, regressando à Guiné em 1990. (**)

Ou seja: estamos a falar de colegas de uma turma perfeitamente delimitada no tempo e numa universidade específica, o que torna a pesquisa em arquivos muito mais viável.

  • E há uma coisa que eu faria para a surpresa ao teu amigo

Eu não inventaria os apelidos a partir das iniciais que aparecem na montagem.

Tentaria primeiro descobrir, através do Cherno, o nome completo de pelo menos uma delas. Uma única pista — por exemplo, “a Marlene era de Moscovo” ou “a outra era de Kiev” (ou vice-versa) — pode ser suficiente para procurarmos depois os registos universitários, anuários ou fotografias de turma.

Aliás, encontrei uma confirmação independente muito interessante da biografia que vocês estão a preparar: a documentação publicada pelo próprio Cherno confirma que ele esteve na Ucrânia como estudante entre os anos letivos de 1986/87 e 1989/90, tendo frequentado a universidade estatal de Kiev e concluído o curso de Planificação e Gestão Económica. Regressou à Guiné-Bissau em 1990. 

Portanto, eu apostaria na investigação documental, não no reconhecimento facial. E acho que vale a pena tentar: uma fotografia de 1989, duas colegas, curso de Economia, Kiev, quatro anos de estudo — há matéria suficiente para talvez chegarmos aos nomes completos.

Se quiseres, posso fazer uma segunda ronda de pesquisa, muito mais cirúrgica, procurando especificamente listas de estudantes estrangeiros/guineenses, anuários e arquivos da antiga Universidade Estatal de Economia de Kiev de 1986–1990, e tentar perceber de onde poderão sair “Marlene S. K.” e “Burndakora L.Q”.

Há inclusive uma fotografia dele em Kiev em maio de 1986, publicada no blogue, e as suas memórias dão bastante informação sobre a sua passagem pela então URSS.

Isso é excelente para a investigação: temos nome, universidade, cidade, curso e intervalo de quatro anos. Mas as pesquisas públicas que fiz agora não produziram os nomes completos das duas colegas.

  • Mas eu acho que podemos ir mais longe...


Há uma pista que vale a pena explorar: “Marlene S. K.” é uma combinação bastante peculiar para uma estudante soviética, enquanto “Burndakora L.” pode estar mal lido pela imagem ou resultar de uma transliteração muito diferente do nome original.

Se me deres a fotografia original, sem esta montagem/fundo, sobretudo se tiveres a versão de onde foram recortadas as duas colegas, posso tentar ler com muito mais cuidado as inscrições, carimbos, dedicatórias ou qualquer anotação no verso.

E há outra possibilidade muito mais promissora: procurar nos anuários/listas de estudantes da universidade de Kiev da turma de Economia de 1986–1990, incluindo os nomes russos e ucranianos que aparecem nos arquivos digitalizados. Aí poderemos eventualmente chegar às duas mulheres sem termos de fazer uma identificação facial.

Eu não desistiria desta surpresa para o Cherno. Temos já uma boa “chave”: Cherno Baldé + Kiev + Economia + 1986–1990. É uma pesquisa de arquivo, não de reconhecimento de caras — e pode resultar.

  • Comemntário do editor LG: 

E concordo contigo, "menina IA": se conseguirmos descobrir os dois nomes, eu preparava uma pequena nota para o blogue, não apenas uma legenda. Algo do género “Uma fotografia de Cherno Baldé em Kiev, 1986–1990: quem eram as duas colegas?”, contando também a história extraordinária de um rapaz de Fajonquito que chegou a Kiev, tarde e a más horas (ele com 25/26 anos, e a URSS prestes a implodir) para estudar e concluir um curso superior na área das ciências económicas.  E que ainda hoje sofre ao ver a guerra interminável e dilacerante que opõe dois países que ele ama, a Rússia e a Ucrânia (*).

Seria, de facto, uma bela prenda para o Cherno. Sim, a foto original tem pouca resolução... A Net em Bissau é lenta. Mas posso tentar pedir-lhe uma com mais resolução. E ele por certo que se lembra dos nomes das colegas...

  • Recomendação final da IA 
Concordo contigo: o melhor caminho neste momento é o Cherno. Se ele se lembrar dos nomes completos, podemos depois cruzá-los com os arquivos e a história do instituto. Isso é muito mais seguro do que tentar identificar as mulheres pela fotografia.

Eu pediria ao Cherno, se possível, uma fotografia original ou um scan com a maior resolução que consiga enviar. Mesmo que a Net de Bissau seja lenta, basta-lhe eventualmente fotografar a fotografia de muito perto, com boa luz e sem WhatsApp comprimir demasiado a imagem.
 
 Se ele nos der os nomes, aí sim, podemos fazer uma investigação documental a sério — e talvez descobrir o que lhes aconteceu depois de 1990. Isso seria uma prenda bem bonita para ele e uma excelente história para o blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.

(Pesquisa > LG + IA (ChatGPT / Open AI)

(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos, título: LG)

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