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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28374: In Memoriam (586): António Dâmaso (ex-srg-mor pqdt) (1940-2026): Textos publicados no blogue dos Especialistas da BA12 - Parte I: os 50 anos dos "brevetados" do 1º Curso de Paraquedismo Militar (1962-2012)

Foto nº 1 > Tancos > Escola de Tropas Paraquedistas > 25 de outubro de 2012 > Três pioneiros do 16.º Curso, eu,  a enfermeira Eugénia e o Nunes Ferreira (eu e ele viemos do RL 1 em Elvas).

Foto nº 2 >  Tancos > Escola de Tropas Paraquedistas > 25 de outubro de 2012 > As enfermeiras Eugénia Espírito Santo Sousa e Maria do Céu Pedro, irrandiando ternura.


Foto nº 3 >  Tancos > Escola de Tropas Paraquedistas > 25 de outubro de 2012 > Na Capela da Unidade na missa por alma dos que já partiram.

Foto nº 4 >  Tancos > Escola de Tropas Paraquedistas > 25 de outubro de 2012 > Porta de armas das TP, com o emblema do Exército

Fotos (e legendas): ©  António Dâmaso  (2012). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI].


1. O António Dâmaso (1940-2026) (*), membro da Tabanca Grande desde 26/7/2009, tinha à data da sua morte  42 referências no nosso blogue. Publicou diversos postes aqui e no blogue dos Especialistas da Base Aérea  12 (Guiné, 1965/74). 

Vamos recuperar um ou outro poste que têm a ver com as relações, mais próximas, que manteve com os nossos camaradas da BA 12, nas suas passagens pelo CTIG (1966/68, 1969/70 e1972/74), e naturalmente com as tropas paraquedistas, a cujo batalhão pertencia, o BCP 12, como furriel e de+ppois 2º srgt

Oriundo de 1º cabo, tirou o brevet em abril de 1962 (16º Curso). Em 1966 era furriel e esteve ligado ao serviço de manuntenção auto, a "ferraugem", do BCP 12. Mas também foi operacional, como 2º sargento, na Guiné e em Moçambique. Já publicámos no nosso blogue (e estão publicadas também no blogue criado pelo Victor Barata, o nosso saudoso grão-tabanqueiro da FAP) algumas das  suas memórias da Guiné (anos de 1969 e 1973). 

O primeiro  texto que recuperamos, do blogue dos Especialistas da Base Aérea 12 (Voo nº 2552, de 14 de novembro de 2012)  é uma notícia do reencontro do pessoal do 16º Curso de Paraquedismo nº 16 (1962),  cinquenta anos depois, em Tancos (2012). 


Cinquentenário dos Brevetados em Paraquedismo Militar em 1962, Curso nº 16 


por António Dâmaso (1940-2026) 


Caros camaradas/companheiros de armas:

Alguns esqueceram-se que as Tropas Paraquedistas (TP) pertenceram por muitos e bons anos à Força Aérea Portuguesa, que o digam aqueles que,  não sendo paraquedistas, com eles prestaram serviço e viveram em harmonia com os Páras e, no que me foi dado observar nos vinte anos que lá estive, a sua colaboração foi excelente.

De início esteve o BCP (Batalhão de Caçadores Paraquedistas) com sede em Tancos Militar, posteriormente promovido a RCP (Regimento de Caçadores Paraquedistas), tudo isto debaixo da tutela do então Secretário de Estado da Aeronáutica, brigadeiro Kaúlza de Arriaga. 

Este senhor foi o impulsionador das TP em Portugal e, dentro das mesmas, do Quadro das Enfermeiras Paraquedistas. Estas jovens,  sem serem aventureiras na aceção da palavra, aventuraram-se no altruísmo e na convicção de que,  na sua qualificação de paraquedistas, poderiam alargar o seu horizonte na sua prestação de cuidados de saúde a militares.

Enfrentaram novos horizontes, tiveram de fazer ver a muita gente que podiam competir com os homens, isto na altura em que todos os que se lançavam em paraquedas eram malucos.

Depois da introdução vamos aos factos:

Desde há seis anos que tenho promovido esforços junto de diversas individualidades no sendo de saber endereços dos meus camaradas de Curso, o 16º, só recebi negas. E por último através deste blogue dos especialistas da BA 12 (Guiné, 1965/74).

Gastei algum dinheiro em chamadas que não deram em nada, mesmo assim contribuí para a localização de vários elementos não só do meu Curso como de outros.

A União Portuguesa de Paraquedistas, organizadora do evento,  convocou os que teve acesso ao endereço e que ainda estavam vivos para comparecerem na cerimónia: uns não compareceram por motivos económicos, por estado de saúde e outros porque não quiseram, estamos num país “livre”.

No dia 25 de outubro de 2012, data do termo do último Curso de 1962, lá fui a caminho de Tancos levando comigo um vizinho que é do Curso a seguir ao meu. Quando chegámos,  conheci a maior parte dos presentes, exceto aqueles que depois de terem cumprido a sua obrigação militar se foram embora.

Dos 78 finalistas do meu Curso (16º), encontrei 10, alguns que não via há 48 anos. A salientar que englobados no meu Curso estão 5 Enfermeiras que complementaram os saltos na mesma altura, em junho de 1962:

  • Maria Amélia Reis de Morais (nº 1596)

Destas apenas compareceram duas, foi com emoção que as cumprimentei por ter sido instruendo de uma e posteriormente ter tido o privilégio de ter trabalhado com elas em prol da prestação de cuidados de saúde a militares da Força Aérea Portuguesa. Para mim apesar da morfologia da idade, continuam a ser aquelas jovens que conheci e com quem privei profissionalmente.

Com elas aprendi a prestar cuidados de saúde com dedicação, entusiasmo e empatia, nos mais de trinta anos em  que exerci.

O dia estava de aguaceiros, mas com algumas pequenas abertas. Levava a minha máquina fotográfica que, apesar de estar na garantia, pifou,  julgo que devido a pilhas, e  fui obrigado a desembolsar 19 Euros pelo conjunto da reportagem.

Este "voo" é dedicado às Enfermeiras Paraquedistas e demais camaradas de 1962. Seguem algumas fotos.

António Dâmaso, srgt-mor pqdt ref
Azeitão

(Seleção, revisão / fixação de texto, links,  negritos, título: LG)
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 Nota do editor LG:

(*) Vd. poste de (*) Vd. poste de 23 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28373: In Memoriam (585): António Dâmaso, SMor Paraquedista Reformado (12/6/1940 - †22/9/2026) das CCP 121 e 123 (Guiné, 1969/70 e 1972/74)

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28372: Notas de leitura (1964): "Coragem, Altruísmo e Fé", biografia da cap enf pqdt Eugénia do Espírito Santo Sousa (Ribeira Grande, Santo Antão, Cabo Verde, 1935 - Sesimbra, 2025): comentário da autora, Rosalina Coelho Vaqueiro


Capa do livro de Rosalina Coelho Vaqueiro - "Coragem, Altruísmo e Fé". Lisboa: Chiado: Books, 2025, 540 pp.


1. Comentário de Rosalina Coelho Vaqueiro ao poste P28102 (*)

Muito grata ao Dr. Mário Beja Santos que teve a gentileza de referir aqui os meus "escritos" sobre a história de vida da minha querida amiga Geninha, essa pessoa extraordinária que tive a sorte de conhecer (*). 

Tentei transcrever o mais fielmente possível as histórias que a minha amiga me foi contando ao longo dos tempos, na minha forma simples de escrever.  

Era minha intenção trabalhar mais o texto e pedir a alguém que tivesse acompanhado a minha amiga nos tempos da guerra para fazer uma leitura crítica 

No entanto tudo isso implicaria muito mais tempo - meses provavelmente - até ter o livro pronto e eu queria que ela tivesse o prazer de ter a sua história em papel e poder oferecê-la aos amigos. 

Felizmente ainda fui a tempo (**). Mesmo internada no Hospital das Forças Armadas foi muito gratificante entregar-lhe o livro em mãos. 

Acrescento aqui que concorri a um concurso de biografias organizado por uma editora brasileira para os escritores de língua portuguesa espalhados pelo mundo e a história da nossa Eugénia agradou ao júri que lhe deu o 1º lugar. 

Não é um grande prémio literário, mas ainda assim, é gratificante para uma humilde "escrevinhadora" como eu.

Mais uma vez, muito grata pelas gentis palavras sobre o meu trabalho de escrita e a história da nossa extraordinária amiga.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026 às 14:41:09 WEST
(Seleção, revisão/fixação de texto: LG)
 

2. Sinopse do livro:


(...) Aos dois anos e meio fiquei sem mãe. Fui ao funeral ao colo de vizinhos e aquele povo ia passando a minha pessoa de mão em mão. Eu pensava que não devia chorar porque elas podiam arrepender-se de me tomar para criar. Desde muito cedo tive a percepção de que nada naquela casa pertencia-me. Elas davam-me tudo, mas eu sabia que nada era meu.

A partir de 1945 houve seca em Cabo Verde e eu vi pessoas morrerem de fome. O padre perguntou-me se cometia pecados das tentações da carne e eu não sabia o que isso era.


Subestimávamos o sono e a comida. O sofrimento da pessoa a ser evacuada não nos deixava pensar na fome. Dávamos o nosso tempo para tentar salvar vidas. Naqueles dias difíceis tínhamos que aguentar firme, encerrar o medo de morrer e não pensar.

Guiné 1973. Estava toda a agente a morrer e os aviões a cair. Todos os dias perdíamos algum colega ou piloto. As baratas davam-me a certeza de estar viva. Ao vê-las no meu quarto eu me beliscava falando baixinho: "Agora já sei que estou viva".

No avião, a ser evacuado para Lisboa o soldado, paralítico e sem sexo não queria ver a namorada e chorou agarrado ao meu pescoço. As minhas lágrimas juntaram-se às dele. (...)

(Fonte: Wook)


3. Sobre a autora: Rosalina Coelho Vaqueiro:


(i) nasceu em 1954, em Sesimbra!

(ii) tradutora, professora de inglês, correspondente de Línguas Estrangeiras;

(iii) em 2014 alcança o 2º lugar entre 1.265 concorrentes no Concurso Internacional de contos juvenis - "Prémio Cultural O Feiticeiro das Letras" no Brasil, com o seu conto "Feiticeira Maga";

(iv) em 2015 representa Portugal, como júri, no Campeonato Internacional "Troféu Corujão das Letras", no Brasil;

(v) é convidada para Júri no Concurso "Até que a vida nos separe" da Editora Papel D'Arroz;

(vi) em 2016 participa no II Encontro de Escritores brasileiros e portugueses, em Lisboa;

(viii) em 2023 é convidada a participar com oito poemas num coletivo de poesia das Edições Vieira da Silva, destinado apenas a 13 autores selecionados;

(ix) participa, como coautora, em mais de 80 Coletâneas e Antologias, de prosa e de poesia, de diversas editoras, em Portugal e no Brasil.

(x) em 2025 lança no mercado "Coragem, Altruísmo e Fé", a biografia de Eugénia Espírito Santo (uma das primeiras enfermeiras paraquedistas de Portugal, nascida em Cabo Verde, em 1935 e falecida em Sseimbra, em 2025).

(xii) foi a vebncedora do Prêmio Literário Clarice Lispector 2026 -  Melhor Biografia, "Coragem, Altruísmo e Fé"

(Seleção, revisão / fixação de texto: LG) (***)

___________________


Notas do editor LG:

(*) Vd. postes de


(**) Vd. poste de 4 de maio de 2025 > Guiné 61/74 - P26763: In Memoriam (546): Eugénia do Espírito Santo Sousa, cap enf pqdt (Ribeira Grande, Santo Antão, Cabo Verde, 1935 - Sesimbra, 2025): era do 2º curso (1962) e passou pelos 3 teatros de operações

(***) Último poste da série > 21 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28366: Notas de leitura (1963): "Sobretudo a Agonia, Angola, Memórias de uma Guerra Íntima", por Celso Braga Rosa, Edições Afrontamento, 2025 (Mário Beja Santos)

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28102: Notas de leitura (1928): "Coragem, Altruísmo e Fé", por Rosalina Coelho Vaqueiro; Chiado Books, 2025 (2) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 5 de Dezembro de 2025:

Queridos amigos,
Temos agora o percurso desta solícita paraquedista em toda a luta armada, percorre os diferentes teatros de operações e haverá a reforma, sempre bondosa e ativa, a sua biógrafa dedica-lhe páginas esplendentes, Eugénia do Espírito Santo deixa um rasto de grande discrição, espírito magnânimo, uma paraquedista da primeira hora tão pouco referida.

Um abraço do
Mário



Capitão Paraquedista Eugénia do Espírito Santo Sousa, de Santo Antão para as guerras de África: esteve na Guiné em 1962, 1969, 1972 e 1973, temos aqui uma biografia tocante - 2

Mário Beja Santos

Há parágrafos luminosos nesta biografia que Rosalina Vaqueiro dedicou à enfermeira paraquedista Eugénia do Espírito Santo Sousa, nomeadamente o capítulo dedicado à infância e juventude em que ela viveu na ilha de Santo Antão, em Cabo Verde. Nascida em 1935, tendo feito os estudos no arquipélago, continuou a sua formação primeiro no Porto e depois em Lisboa. Tirou o curso de paraquedismo em Tancos, em 1962, ano em que faz a sua primeira estadia na Guiné, relata algumas das peripécias que viveu, uma delas merece aqui realce: “Um doente da Marinha, que trouxe em evacuação para Lisboa, queria-lhe dar 100$00, porque Eugénia lhe deu uma aspirina. A enfermeira não aceitou e recorda à sua biógrafa que ainda se lembra da mão dele estendida com os 100$00.” Era sua colega na época a Arminda Lopes Pereira.

Depois da Guiné, Angola, Rosalina Vaqueiro dá-nos o quadro em que se desenvolveu a luta armada, a partir de 1961 e as tarefas árduas que couberam a estes primeiros combatentes, um chão de mato cerrado, sem estradas, a tormentosa tarefa de desbastar árvores e o capim, abrindo caminhos rudimentares, tudo dificultado pela guerrilha que atravessava troncos de embondeiro ou abriam valas fundas que impediam a circulação de veículos militares. Eugénia estava alojada com as suas colegas enfermeiras em Luanda, no edifício da Força Aérea. Não deixava de ser extenuante a missão de evacuação dos feridos.

Seguiu-se Moçambique, a autora dá-nos agora uma sinopse dos acontecimentos nesta região, vai tomando nota das observações de Eugénia. Esta conta-lhe que um dia em Nampula perguntou a um criado de mesa se já tinha almoçado, este respondeu que os criados tinham de esperar que todos comessem pelo que só podiam comer o que sobrava das mesas. Eugénia a partir daí passou a ter o cuidado de não sujar o prato todo e dizia discretamente ao criado, apontando, que só tinha usado metade do prato. Desta sua estadia guardou a recordação de um acidente de dois homens brancos que tinham ficado tão queimados que ela pensou que eram negros.

Está de regresso a Angola em 1965, no mesmo ano foi indicada para uma comissão no Hospital da Força Aérea, em Terra Chã, ilha Terceira, para dar aulas de enfermagem; a autora aproveita para nos falar da religiosidade açoriana, dizendo que em 1967 Eugénia será novamente destacada para este Hospital. Esse ano será um ano aziago na vida dela, teve um acidente num salto de paraquedas em Tancos, onde partiu os ossos da bacia. Ficou a recuperar em Lisboa e só voltou a Moçambique em 1968.

Temo-la novamente na Guiné em 1969. Dirá que as mulheres dos militares eram um ninho de víboras. Fala das evacuações. Não sei a que título e a que nível de informação Rosalina Vaqueiro escreve que nos anos de 1970 ainda havia canibalismo no interior da Guiné. E adiante escreve uns parágrafos sobre a operação Mar Verde.

Volta a Angola, irá a Santo Antão despedir-se de Rosáia, uma das três manas Sequeiras, aquela que ela mais amava, e estará presente na Guiné de 1972 a 1973. Também não sei a que nível de informação a autora escreve que o PAIGC declarou independência em Guilege. Eugénia, não é demais insistir, fala permanentemente da sua convicção religiosa, da fé que vem do berço, nesta fase da guerra, como ela declara, o trabalho das enfermeiras e de toda a equipa era demasiado intenso e sentia-se o constante perigo de vida da morte da colega Celeste Costa que ao correr para um avião em vez de contornar a cauda passou por baixo da zona do motor e veio a ser atingida pelas pás. Não esconde o sofrimento que esta morte lhe provocou. Fará referências detalhadas à chegada dos mísseis terra-ar, ao cerco de Guidaje e aos acontecimentos que ocorreram no sul. O livro está repleto de fotografias desta época.

E chegámos ao tempo de paz. De 1974 a 1983 não passou à vida civil como poderia imaginar-se com o fim da guerra. Fez fisioterapia e recuperação devido aos seus problemas ortopédicos, continuou o seu trabalho como enfermeira no Hospital da Força Aérea. Será depois professora de enfermagem, pediu autorização para fazer o curso de ensino. Tinha então casa em Santo António dos Cavaleiros. Reforma-se em 1983, reforma extraordinária vitalícia. Recebe a visita de Maria de Lourdes Sequeira, as outras Sequeiras já tinham falecido. Fala-se também das peripécias da herança das Sequeiras.

Eugénia instala-se em Sesimbra, muito do seu viver é para ajudar, humanos e animais. Procura manter atividade física, desloca-se sempre com a sua canadiana. A autora transcreve uma carta que Eugénia envia à mulher do coronel Morais da Silva, ex-chefe da Força Aérea, não resiste a contar-lhe algumas das suas reminiscências:
“As irmãs Sequeiras tinham orgulho de usar o seu dinheiro ajudando. Quando só estavam as três, eu sabia que iam poupar nas despesas para recuperar o dinheiro gasto. Era o seu orgulho. Eu era criança e sabia. Na época da fome, em 1950, elas cozinhavam um panelão, uma caldeira de cachupa e cada pessoa pobre ia lá a casa com um prato. Na rua faziam fila e eu ajudava a levar a cada pessoa um prato cheio de comida (…) O meu estado de saúde pirou depois de perder amigos. Tenho 50% de surdez e ando ansiosa. Não há grandes facilidades de consulta para mim, mesmo quando o psiquiatra recomendou consulta urgente. Não dormia. Agora com os comprimidos durmo, não quero tomá-los sempre, senão fico dependente ou drogada.”

A carta data janeiro 2016, a autora vai juntando recordações avulsas pelos anos seguintes. Anda sempre indisposta com a desarrumação das duas casas, a de Santo António dos Cavaleiros e a de Sesimbra. As suas recordações de enfermeira paraquedista persistem, como diz à autora: “Trabalhei muitas vezes sem poder ir à cama, e fiz diretas sem dormir, porque era preciso. Também durante todo o dia não tinha tempo de comer, porque as urgências me chamavam. Subestimávamos o sono e a comida. Dávamos o nosso tempo para tentar salvar vidas.” E permanentemente relembra à autora as pessoas de quem guarda uma eterna gratidão. Vai a reuniões das enfermeiras paraquedistas. O livro termina em janeiro de 2024, relata mais recordações da vida, tem então 88 anos.

Eugénia foi de facto uma mulher de coragem, altruísmo e fé.


Autora da biografia, Rosalina Vaqueiro
Eugénia do Espírito Santo Sousa, Cap. Enf. Pqdt. (Ribeira Grande, Santo Antão, Cabo Verde, 1935 - Sesimbra, 2025)
A Eugénia do Espírito Santo Sousa um bonito sorriso na sua idade maior, imagem retirada da Associação Portuguesa de Enfermagem Militar, com a devida vénia.
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Notas do editor:

Vd. post de 8 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28080: Notas de leitura (1926): "Coragem, Altruísmo e Fé", por Rosalina Coelho Vaqueiro; Chiado Books, 2025 (1) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 12 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28093: Notas de leitura (1927): A biografia de um combatente: O que experimentei na guerra da Guiné e como continuo a estudar a sua História (3): V - Depois do Cuor, seguiu-se a intervenção em Bambadinca e VI - O primeiro regresso à Guiné, 1990/1991, o início da escrita (Mário Beja Santos)

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28080: Notas de leitura (1926): "Coragem, Altruísmo e Fé", por Rosalina Coelho Vaqueiro; Chiado Books, 2025 (1) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 4 de Dezembro de 2025:

Queridos amigos,
É uma tocante biografia, a Eugénia do Espírito Santo Sousa, falecida este ano, com 89 anos, possuía um poder memorial incomum que seguramente facilitou a vida da biógrafa, que nos dá um quadro vivacissimo do viver na ilha de Santo Antão naquelas décadas de 1930, 1940 e 1950. Estudante aplicada, preparou-se no Porto e em Lisboa, em 1961 predispôs-se a ir ajudar quem sofria na guerra. Percorrerá os três teatros de operações, estará presente na Guiné em três momentos diferentes. Foi uma vida de serviço. Eu só lamento que a Rosalina Vaqueiro não tenha pedido auxílio para a revisão, há por ali alguns dislates e incorreções que facilmente se supriam, oxalá que haja segunda edição e humildade da escritora para pôr tudo num brinco.

Um abraço do
Mário



Capitão Paraquedista Eugénia do Espírito Santo, de Santo Antão para as guerras de África: esteve na Guiné em 1962, 1969, 1972 e 1973, temos aqui uma biografia tocante - 1

Mário Beja Santos

O que a biógrafa Rosalina Coelho Vaqueiro aqui nos apresenta, e seguramente surpreendendo toda a gente, é a infância e a juventude de uma menina em Santo Antão, primeiro, a narrativa arrebatadora, pois a memória daquela octogenária guardara tudo ao pormenor; temos depois a paraquedista que vemos na capa, esbelta, de farta cabeleira, com olhos castanho-verdes, em pose informal para o fotógrafo, não disfarçando cansaço. Como todos os anjos do céu, assim passámos a designar aquelas enfermeiras que confortavam os combatentes sinistrados, sabe-se lá a tristeza com que ela vinha daquela missão e que a imagem não revela. Uma biografia que releva a imagem de uma rapariga crente, crente ficará toda a vida, fez-se enfermeira, preparou-se em Tancos, tem a sua primeira missão em 1961, percorrerá todos os teatros de operações, manter-se-á firme e proativa na reforma, abala-nos, desperta-nos para a exemplaridade daquele altruísmo que era o timbre de todas estas mulheres, sempre solícitas, a recuperar militares e civis em situação crítica. Falamos de "Coragem, Altruísmo e Fé", por Rosalina Coelho Vaqueiro, Chiado Books, 2025.

Tive o privilégio de visitar a ilha de Santo Antão, embrenhei-me prontamente na terra natal da enfermeira Eugénia, e entender perfeitamente o que aqui se escreve sobre a fé que nos salva, a vida duríssima dessa ilha escarpada, onde também se espera a chuva e se teme a seca. “Tanto ano sem pingo de água, queira Deus que, quando essas nuvens enganadoras descarregarem não seja desgraça maior, inundando tudo o que é chão, com enxurradas que derramam e arrastam à sua frente qual lava de vulcão da ilha do fogo – árvores, casas, bicho e até gente, por todo o nosso Santo Antão, numa fúria desaustinada.” E também: “Sempre que as águas secam e a fome aperta, acabam-se os pastoreios e os homens dos rebanhos de cabras, os pastores de ovelhas mortas e a gente de côdea incerta, esgueiram-se, sorrateiramente, morro abaixo, esfomeados, cobertos de lã de cordeiro ou de pele de cabra, na calada da noite e, num ultimo rasgo de força, saltam muros e assaltam quintais onde adivinham reservas de milho ou feijão, algo que possam levar à boca para aplacar a agonia dos ventos ocos e, varando capoeiras como um bicho bravo, tiram o pão que resta da boca de outros esfomeados.”

A mãe de Eugénia chamava-se Cristina, haverá uma primeira filha, Maria de Fátima, com quem Eugénia se relacionará até ao fim da sua vida. Cristina era bordadeira, morrerá de tuberculose quando Eugénia tem dois anos. Nada se sabe do pai de Eugénia, dizia-se que era um tenente que se apaixonou pela jovem Cristina. Mergulhamos na vida da Ribeira Grande de Santo Antão, a tia Nininha tomará conta de Maria de Fátima, as meninas Sequeiras educaram Eugénia. É uma ternura o que ela vai contar das três mães, o seu dia-a-dia, a preferência pela mãe Rosáia, a vivacidade da descrição da vida daa criadagem, o trabalho dos homens e o trabalho das criadas, a vida agrícola, o papel crucial dos animais, o universo das crianças, as traquinices, o trapiche, o alambique onde faz a aguardente, o grogue. Eugénia recorda aquela cana-de-açúcar plantada nas encostas íngremes da ilha, o transporte pelos bois, as canas a prensar entre os ferros do engenho.

A menina vai à escola em Ponta do Sol, dez quilómetros ida e volta, mas Eugénia ficava em casa da professora e a criada Antónia ia lá todos os dias fazer cachupa guisada com ovo estrelado para pequeno-almoço. Eugénia foi educada por três irmãs muito tementes a Deus, muitas rezas e muitos santinhos, pede-se socorro nas horas de aflição, a fé é uma dádiva do céu, impossível não acompanhar toda esta memória da sua juventude em Santo Antão sem comoção, o sentimento genuíno de quem tudo recorda com lufadas de gratidão, o que nos conta de bruxaria e superstições, aquelas crenças com dedos em cruz atrás das costas, as figas, à noite não passar perto de uma pocilga de porcos, as almas penadas.

A menina cresce, interessava-se por tudo o que tinha a ver com feridas, ligaduras, queixas disto ou daquilo, gostava de ajudar. Entre os 10 e os 15 anos, Santo Antão enfrentou anos de seca extrema, anos de dor e morte. Eugénia vai a São Vicente para fazer o exame do segundo ano, joga-se então o seu futuro, vai para um curso de enfermagem numa escola no Porto, lembra-se muito bem da sua passagem por Lisboa. É no Porto que é admitida no Curso Geral de Enfermagem, na escola D. Ana Guedes da Costa, começa pelo Curso de Auxiliar de Enfermagem, tem 21 anos quando acabou a primeira fase do estudo. Foi colocada no Hospital de S. António para estagiar. Fim do curso, inscreveu-se no Curso Geral de Enfermagem, no Hospital de Santa Maria. Fez o curso prático na Propedêutica Cirúrgica. Lembra a todo o momento as pessoas a quem deve atenções.

E assim chegamos a 1961. Eugénia candidata-se no serviço de saúde no Estado-Maior da Força Aérea. Fará parte do curso de paraquedismo, em Tancos, conta ao detalhe a sua preparação. A biógrafa não perde oportunidade de recordar que no decorrer dos vários cursos, entre 1961 e 1974, viriam a ser formadas 47 enfermeiras paraquedistas, elencam-se as perdas e diz-se que a última missão delas viria a ser na evacuação de civis de Timor para Lisboa, via Honalulu e Bali, em 1975. Em 1962 está na Guiné, formalmente a guerra de guerrilhas ainda não começou. Eugénia acabara o segundo curso de paraquedistas em junho e foi colocada na Guiné em setembro, já lá estava a Maria Arminda. O seu posto é de tenente, tem 28 anos. Jamais esqueceu as experiências dolorosas que viver na Guiné.

Uma história que ela conta à biógrafa:
“Quando transportava feridos para o Hospital Militar de Bissau aconteceu ter de socorrer dois feridos ao mesmo tempo, um soldado guineense e um furriel branco, estavam a sofrer devido à explosão de uma mina. Enquanto preparava a injeção para ajudá-los, dentro do helicóptero, sentia que nenhum deles podia esperar pelo outro.
O soldado guineense puxava-me pelo camuflado, o furriel era mais paciente olhava-me com sofrimento e suplica. Senti-me tão preocupada com a expressão angustiante de ambos que, pela primeira e última vez na minha vida de enfermeira, usei a mesma seringa e a mesma agulha para lhes injetar a droga que os iria aliviar daquele sofrimento tão intenso. Infelizmente o furriel não suportou a anestesia:
‘Ainda me vem ao pensamento a visão daquele furriel a olhar para mim, sem um lamento, que no dia seguinte fui visitar ao hospital e já lá não estava. Isso ainda hoje me faz vir as lágrimas aos olhos’.”


Autora da biografia, Rosalina Vaqueiro
Eugénia do Espírito Santo Sousa, Cap. Enf. Pqdt. (Ribeira Grande, Santo Antão, Cabo Verde, 1935 - Sesimbra, 2025)
A Eugénia do Espírito Santo Sousa um bonito sorriso na sua idade maior, imagem retirada da Associação Portuguesa de Enfermagem Militar, com a devida vénia.

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 18 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28035: Notas de leitura (1925): "Estranha Guerra de Uso Comum" de Paulo Faria; Ítaca, 2016 (Mário Beja Santos)

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Guiné 61/74 - P27422: Agenda cultural (908): Sessão de lançamento da biografia de Eugénia do Espírito Santo Sousa (1935-2025). "Coragem, Altruísmo e Fé", da autoria de Rosalina Coelho Vaqueiro: Biblioteca Municipal de Sesimbra, sábado, 15, às 15h00

Carta da Sessão de lançamento da biografia de Eugénia Sousa (1935-2025),  "Coragem, Altruísmo e Fé", da autoria de Rosalina Coelho Vaqueiro: Biblioteca Municipal de Sesimbra, sábado, 15, às 15h00.

O livro é editado pela Chiado Books, Lisboa, 2025. A Eugénia do Espírito Santo foi enfermeira paraquedista, do 2º curso (1962). Tinha o posto de capitão graduado. Vivia em Sesimbra.


1. Morreu há pouco tempo, aos 89 anos, no passado mês de maio. Mas uma amiga (e vizinha, de Sesimbra, onde ela vivia) já lhe escrevera a sua história de vida. 

Apareçam amanhã, na biblioteca municipal de Sesimbra, às 15h00, na sessão de lançamento do livro.

Segundo informação da Arminda Santos, o livro já tinha saído quando a Eugénia Sousa faleceu, em maio passado.
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Nota do editor LG:

Último poste série > 10 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27406: Agenda cultural (907): Museu Nacional de Etnologia, Belém, Lisboa: Prolongada até 30/11/2025 a Exposição: “Desconstruir o Colonialismo, Descolonizar o Imaginário. O Colonialismo Português em África: Mitos e Realidades” ... Saiu, entretanto, a 2ª edição, revista e aumentada, do livro homónimo (Lx., Colibri, 2025, 360 pp.)

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Guiné 61/74 - P26767: História de vida (61): Eugénia do Espírito Santo Sousa (Ribeira Grande, Santo Antão, 1935 - Sesimbra, 2025): cap enf pqdt ref, cofundadora da Escola de Serviço de Saúde Militar (ESSM)

Capa do livro "Nós, enfermeiras paraquedistas", 2ª ed., org. Rosa Serra, prefácio do Prof. Adriano Moreira (Porto: Fronteira do Caos, 2014), 439 pp (com a devida vénia)



Eugénia do Espírito Santo Sousa, cap enf pqdt ref (Ribeira Grande, Santo Antão,
Cabo Verde, 1935 - Sesimbra, 2025)


1. Infelizmente não temos nenhum registo da passagem da Eugénia Sousa pelo TO da Guiné. Ela acaba de morrer, aos 89 anos (*). Publicou dois pequenos textos no livro supracitado, de que também é coautora. Foi enf pqdt durante 12 anos. Ainda estava na FAP no início dos anos 80, com o posto de capitão. Pertenceu ao grupo dos fundadores da Escola do Serviço de Saúde Militar (ESSM). Solteira, vivia em Sesimbra.

A ESSM foi criada pelo Decreto-Lei nº 266/79,de 2 de agosto, como estabelecimento de ensino técnico-militar, funcionando na directa dependência do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas. Foi herdeira das, entretanto extintas, Escola de Enfermagem da Armada e Escola do Serviço de Saúde do Exército. O seu primeiro regulamento foi aprovado pela Portaria n.º 582/80, de 10 de setembro.

A Eugénia deixou este apontamento biográfico no livro acima citado, pp. 40/41, que tomamos a liberdade de reproduzir.

  •  nasceu na ilha de Sto. Antão, na vila (hoje cidade) de Ribeira Grande, também conhecida por Povoação (**);
  • teve uma infância e adolescência difíceis;
  • só aos 20 anos pôde viajar para Portugal, tendo-se fixado em Penafiel:
  • tirou o curso de auxiliar de enfermagem no Porto e depois o curso geral de enfermagem, em Lisboa;
  • em 1962, fez o 2º curso de enfermeiras-paraquedistas.

Recorde-se que, em 9 cursos (1961, 1962, 1963, 1963, 1964, 1966, 1967, 1970, 1972 e 1974) formaram-se 46 enfermeiras paraquedistas, as primeiras mulheres a integrar as fileiras das Forças Armadas Portuguesas.



Armas da ESSM

 


In "Nós, enfermeiras paraquedistas", op. cit, 2014, pp. 40/41.
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Notas do editor LG:


(**) Último poste da série > 20 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26705: História de vida (60): A esloveno-americana Vilma Kracun, n. 1947, membro nº 900 da nossa Tabanca Grande (João Crisóstomo, grão-tabanqueiro nº 432)

domingo, 4 de maio de 2025

Guiné 61/74 - P26763: In Memoriam (546): Eugénia do Espírito Santo Sousa, cap enf pqdt (Ribeira Grande, Santo Antão, Cabo Verde, 1935 - Sesimbra, 2025): era do 2º curso (1962) e passou pelos 3 teatros de operações


 Eugénia do Espírito Santo Sousa,  cap  enf pqdt (Ribeira Grande, Santo Antão, 

Cabo Verde, 1935 - Sesimbra, 2025)


1. Faleceu, no Hospital Militar das Forças Armadas,  em 28 de abril passado,  aos 89 anos (iria completar os 90 em 13 de novembro próximo), a Eugénia (*). 

Foi enfermeira paraquedista durante 12 anos, passou pelos TO de Angola, Guiné e Moçambique. Fez parte do 2º Curso (1963) (que formou 5 enfermeiras pqdt).  

Foi nomeada em 1982 para prestar serviço, a partir de 1/1/1982,  na Escola do Serviço de Saúde Militar, com o posto de "capitão enfermeiro paraquedista (001373-A)", nos termos do Decreto-Lei nº 266/79, de 2 de agosto (**), e da Portaria nº 257/81, de 11 de março.

2. A notícia, triste, foi-nos dada pela Maria Arminda Santos, pessoalmente e pela sua página no Facebook.  (A Arminda, do 1º curso, 1961, é a decana das antigas enfermeiras paraquedistas, e membro, nº 500,  da nossa Tabanca Grande, desde 23/5/2011).

O corpo da Eugénia repousa no cemitério de Aiana, Sesimbra, no talhão dos combatentes, segundo informação do Aristides Santos, nosso amigo no Facebook e antigo 2º srgt pqdt do Regimento de Caçadores Paraquedistas (que deixou em 1970).

A Eugénia participou, com dois textos, no livro "Nós, enfermeiras paraquedistas", 2ª ed., org. Rosa Serra, prefácio do Prof. Adriano Moreira (Porto: Fronteira do Caos, 2014). 

Reproduzimos aqui, em sua homenagem, o que ela escreveu, no Cap XII ("Olhando para trás...", pág. 391) (com a devida vénia). 

Oportunamente publicaremos um outro texto seu, autobiográfico. Por informação da Maria Arminda, sabemos que a Eugénia não tinha filhos, ficou solteira, tendo apenas uma sobrinha (que vive nos EUA e veio ao funeral).


(Seleção, digitalização, edição da foto: LG)


Sesimbra > Cemitério de Aiana  > 2 de maio  de 2025 > No funeral da Eugénia, as antigas camaradas paraquedistas, da esquerda para a direita: (i)  Lourdes Lobão (é já do último curso, o 9º, de 1974, não foi ao Ultramar); (ii) Aura; (iii) Arminda: (iv) Cristina; e (v) Giselda.

Foto: Serrano Rosa (com a devida vénia)

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Notas do editor LG:


(**) Decreto-Lei n.º 266/79, de 2 de agosto. Artigo 1.º É criada a Escola do Serviço de Saúde Militar (ESSM), que será um estabelecimento de ensino técnico-militar, funcionando na directa dependência do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA).