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terça-feira, 3 de novembro de 2026

Guiné 61/74 - P28487: A Nossa Marinha (7): Uma viagem inesquecível no "Bor", de Bolama a Bissau, em fevereiro de 1965, com uma avaria na Ilha das Cobras, e a minha filha a querer nascer... (Rui Santos, ex-alf mil, 4.ª CCAÇ, Bedanda, e CIM Bolama, 1963/65)


Guiné > Viagem no "Bor" > Fevereiro de 1965 > Entre Bolama e Bissau. Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné  + IA (ChatGPT / Open AI) .

Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Rui Santos (2014)
Imagens : António Bastos (2014) + Arquivo do blogue
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI (2026)



Guiné > Bolama > 1964 > O ferryboat "Bor", em viagem entre Bissau e Bolama. Foto, a sépia, de António Paulo [Bastos], ex 1º cabo at inf, Pelotão Caçadores 953, Cacheu , Farim, Canjambari, Jumbembem, 1964/66. Resconstituida e colorizada com recurso à IA. 

Acrescenta o Rui Santos: "Amigo Luís, de certeza que era o Bor, foi em fevereiro de 1965, dias antes do nascimento de nossa filha, o Bor nessa altura ja navegava de 'bengalas' e 'boias nos braços', enferrujado, velho combatente,  mas navegando à superficie dos canais e rios limítrofes de Bolama e Bissau".

1. Afinal muita boa gente (ou gente boa) andou na Bor (ou no  Bor, já que, além de embarcação dos Serviços da Marinha da Província, era "motor" e  "ferryboat"): do general Spínola ao José Colaço, do Ismael Augusto ao Torcato Mendonça, do Luís Dias ao Libério Lopes, do Manuel Amante da Rosa ao Fernando Chapouto...

Ninguém sabe donde veio, nem quando (diz um "anónimo", que veio de Alverca, em 1963!)... Só se sabe que morreu na praia... Em Bolama, já depois da independência. Ingloriamente, como todas as embarcações, depois de terem feito muitas milhas náuticas, num vida que em geral era muito mais curta do que a dos seus marinheirtos... Morreu na Guiné na terra dos mil e um rios e braços de mar...

Um dos muitos passageiros, nosso camarada,  foi o veteraníssimo Rui Santos (ex-alf mil, 4.ª CCAÇ, Bedanda, e CIM, Bolama, 1963/65) de quem não tenho notícias desde meados de 2024 (!), e a quem mando um alfabravo fraterno. 

O motor "Bor" pertencia ao Serviço da Marinha da Província. Mas tanto era usado pelos civis como pelos militares.  Foi pau (ou melhor, ferro) para toda a obra!... Entrou em batalhas como a Op Tridente (1964) ou a Op Lança Afiada (1969). Fazia a carreira normal Bissau - Bolama - Bissau. Mas também levou muita tropa e bagagens até ao Xime e até Bambadinca (!), a porta de entrada da zona leste, o chão fula por excelencia...

Alguém escreveu, um "anónimo", em comentário ao poste P13967, de 2 de dezembro de 2014: 

"A Bor era um ferry-boat fluvial construido em 1963 pela Argibay, Alverca. Muita semelhança com dezenas de pequenos ferries usados na Suécia (os barcos da classe Farja) e rio Reno (Alemanha e Holanda). terça-feira, 9 de dezembro de 2014 às 21:51:00 WET .



Um viagem inesquecível no Bor, de Bolama para Bissau, em fevereiro de 1965

por Rui Santos


Já aqui contei a minha história a bordo do Bor, minha e de minha mulher que estava "pançuda" e o médico disse que não devíamos ir de avião... 


Rui Santos
Então vai disto ... Bor,  "bamo bora" e lá vai um jovem casal,  sentado em rolos de cabos grossos, quando começa uma tempestade daquelas que todos conhecem, os que estiveram pisando o solo da Guiné, quase à saida do Canal de Bolama...

À passagem defronte da Ilha das Cobras começa o motor a... puff, puiuff e puift mêmo,  já perto do Geba, chuva na chube noss alfer ...

Pois... e eu à rasca por causa da minha mulher que nem lhe via a cor branca da face, mas aguentou estoicamente... Fui falar ao "comandante" mas pouco, e ninguém conseguía pôr a nau Catrineta a funcionar...

 E eu a ver os canais do Geba e a imaginar duas coisas:  ou ficamos aqui nos baixios ou vamos a caminho do Atlântico, sem rádio, sem comunicação com terra ... Zero!

Não sei o que se passou...  De repente ouço os motores trabalhando e os "mecânicos" rindo, cantando e dançando. 

Fui para o pé da minha mulher e, passado uma hora, para mais  não para menos, eis-nos chegando ao Pidjiguiti (se não for assim, é parecido) onde estava o capitão João Nogueira e a esposa,  esperando, ambos  muito apreensivos.

A minha/nossa aventura do Bor...

PS - A propósito, a minha mulher foi comigo para a Guiné, quando fui tranferido para Bolama, após as férias que me concederam em maio de 1964, quando aproveitei para me casar.

Naquela terra, da qual tenho saudades e por vezes sobrevoo no Google Earth, verificando o abandono dos edificios do quartel do CIM em Bolama, fabricámos uma filha que ainda hoje mostra, orgulhosa, o B.I. onde se lê: natural de Guiné-Bissau! (...)

(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)

2. Comentãrio do editor LG:

Rui, foi uma viagem atribulada, essa  no Bor, em fevereiro de 1965, acompanhando a tua mulher,  grávida,  de Bolama para Bissau. A escassos dias de nascer a vossa filha... Atribulada, por isso inesquecível... O motor parou entre bancos de areia, mais próximo do cam das areias do que do canal do Furo, não ?! Mas voltou, felizmente,  a funcionar. Se tivesse ficado à deriva, sem rádio (!), seria uma tragédia!...

Quanto ao tempo de viagem, há uma referência posterior ao motor "Corubal", que fazia a ligação em cerca de duas horas. Mas isso não prova que a pachorrenta  Bor demorasse o mesmo,  ajuda apenas a enquadrar a estimativa.

Rui, aceita estacpequena composição comemorativa, juntando a fotografia restaurada e colorizada do Bor (o original é do António Bastos), mais o mapa com o percurso Bolama–Bissau... 

Achei que devia recuperar esta tua pequena história, de  uma viagem atribulado no Bor, de Bolama a Bissau, a caminho da maternidade. Uma avaria, um grande susto e uma história para contar, meio século depois. Mas faz parte das nossas memórias da Guiné, de que tu (e muitos de nós) continuas a guardar saudades.

Acho que  é uma bonita recordação para os dois,  e para a tua filha que estava prestes a nascer!

 Quanto ao  desenho" do percurso, dá o devido desconto à IA, que não é boa em geografia... Perdi aqui duas horas, desde as 6h30 da manhã, a dizer-lhe, meia dúzia de vezes,  que:

(i) estava a pôr sistematicamente a ilha das Cobras, no lugar da ilha das Galinhas (a noroeste da Bolama);

(ii) de acordo com carta de Bolama (1952, escala 1:50 000), e a descfrição do Rui, a "Bor" deve ter feito o seguinte trajeto: partiu de Bolama (em frente, São João, região de Quínara, no continente), seguiu pelo Canal do Porto, contornou a ponta a nordeste, onde fica a ilha das Cobras, aqui teve uma varia já no Canal do Furo (ou talvez mais a frente), atravessou os baixios, alcançou o canal de Pedro Álvares e finalmente o Canal do Geba até Bissau;

(iii) Bissau ficava na margem direita (Norte) do estuário do Geba...

O gerador gráfico, do ChatGPT / Open AI, o Nano Banana 2,  "chumbava" a geografia se fosse ao fazer o exame da 4ª Classe...Mas, em compensação, faz outras coisas com piada...



Guiné > Carta de Bolama (1952 ) / Escala 1/50 mil >  Reconstituição do provável percurso da "Bor", no trajeto Bolama -Bissau.  A sudoeste fica a ilha das Galinhas.

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 2 de novembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28485: A Nossa Marinha (6): O motor Bor (uma UAM, unidade auxiliar da marinha), que pertencia aos Serviços da Marinha da Província, tal como o "Corubal", o "Formosa", o "BM1" e o "BM2"

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Guiné 61/74 - P28485: A Nossa Marinha (6): O motor Bor (uma UAM, unidade auxiliar da marinha), que pertencia aos Serviços da Marinha da Província, tal como o "Corubal", o "Formosa", o "BM1" e o "BM2"





Foto nº 1, 1A, 1B


Foto onº 2

Guiné > Bissau >  Cais do Comando de Defesa Marítima  > 1970 > "UAM BOR", ao lado da LFG Orion P362 e LFG Cassiopeia P373. Bissau.  Foto da página do Facebook de Carlitos Montego. O pai foi marinheiro cabo-de-mar no motor "Bor", em 1969/72. Promovido a cabo em 1970. E ele próprio foi "filho da Escola".  Foto (a cores) do Carlitos Montego (Carlos Gomes), Reconstituída e melhorada, em termos de resolução e qualidade da imagem.


1.  É uma (nº 2)  da página do Facebook do Carlitos Montego, nosso amigo do Facebook da Tabanca Grande. Vive em Benfica, Lisboa, é filho de marinheiro, e também ele "filho da Escola". E ele próprio (e o irmão, Paulo Gomes) "bebeu a água do Geba" (estiveram os dois em Bissau, com os pais; vamos apresentá-los em próximo poste). 

Tem uma página popular na rede social Facebook (com cerca de 2,8 mil seguidores) dedicada à partilha de memórias, fotografias, vídeos e histórias ligadas à Marinha Portuguesa e à vida no mar. Ele próprio se define, de maneira poética e bem-humorada, como "Calceteiro Marítimo. Endireitar o mar, como se o mar fosse calçada."

Publica frequentemente imagens históricas e atuais de navios da Marinha Portuguesa (incluindo os que operaram no CTIG) e promove o convívio e a partilha de recordações entre antigos e atuais camaradas do meio naval.

O Carlitos Montego adicionou há tempos uma foto (nº 2)  da "UAM Bor"  ao álbum Bissau > 23 de janeiro de 2023 ·

 Bissau Ponte-cais

UAM BOR
LFG Orion P362
LFG Cassiopeia P373
1970


Legendagem:

"Meu pai foi Mar. CM [ leia-se: marinheiro cabo-de-mar]  na BOR de 69 a 72, promovido a Cabo em 70. A BOR pertencia ao Comando da Defesa Marítima de Bissau.

"Esta embarcação era como um ferryboat, com dois motores, um a bombordo à proa, e outro a estibordo na popa, com pás (não tinha hélices) navegava para qualquer direcção. É um tipo de propulsão com pás verticais (tipo “remadores”) que giram num disco horizontal. Ao contrário das hélices normais, pode mover o barco para frente, trás, lado, ou girar no próprio eixo.

Era usado para transporte de carga diversa, desde vacas, galinhas, viaturas, e passageiros, podendo transportar cerca de 400 passageiros e bagagem, que viajavam em pé e alguns sentados. E também fazia o transporte de guarnições militares, ou a rendição de companhias de unidades militares, nos postos do rio Geba principalmente. 

"Apanhou por duas vezes, atracado no Xime, o 'macaréu', penso que em 1971. Pode formar ondas de até dezenas de metros de largura, com até três a cinco metros de altura, e velocidades de até trinta a cinquenta quilómetros por hora...

"  E por uma vez, depois de ter rebentado com quase todos os cabos reforçados que prendiam o Bor ao cais, a sorte é que o 'macaréu'  acabou, a maré baixou,  a corrente perdeu força, e a embarcação ficou presa por um cabo de aço.

"A guarnição (dois militares e dois civis), que estava em terra,  ficou aliviada, se demorasse mais alguns minutos o cabo rebentaria e a embarcação sairia desgovernada rio Geba abaixo. 

"Aqui uma vez, numa viagem Bissau-Xime, numa curva 'famosa' do rio, de que não lembro o nome [provavelmente Mato Cão],  foi atacada, penso que em 1972.

"Nas missões de rendição de companhias era escoltado e acompanhado por LDG, LDM, Patrulhas, e apoiada pelos Fiat da Força Aérea."


2.  UAM - Unidade Auxiliar da Marinha

Este acrónimo e  designação são atribuídos a embarcações ao serviço da Marinha que, pelas suas características ou funções específicas, não são consideradas navios de guerra combatentes da linha da frente (ou seja, não recebem o prefixo militar NRP — Navio da República Portuguesa).

No contexto da Guerra do Ultramar na Guiné (como o caso da "Bor" na foto, um "motor", de 40 toneladas), as UAM desempenhavam um papel logístico crucial:

(i) eram frequentemente utilizadas para o transporte de tropas, reabastecimento de material, combustíveis ou água doce ao longo dos rios, e apoio logístico geral aos fuzileiros e companhias no interior do território;

(ii) no caso do motor "Bor" (é assim que a CECA, 2014, lhe chama, pág. 482) a sua estrutura de fundo chato e a rampa à proa assemelhavam-na visualmente e funcionalmente a uma lancha de desembarque (daí poder ser confundida com as LDG), ideal para encalhar em bancos de areia e margens lamacentas para carregar ou descarregar pessoal e viaturas;

(iii)  tinha um sistema de propulsão especial (Voith-Schneider):  contava com dois motores, dispostos de forma assimétrica, um à proa a bombordo (lado esquerdo) e outro à popa a estibordo (lado direito), como já se disse acima; este sistema utilizava hélices de pás verticais orientáveis (cicloides), que giravam num disco horizontal.

(iv) este arranjo conferia à embarcação uma manobrabilidade excecional: conseguia girar 360 graus praticamente sobre o seu próprio eixo e navegar lateralmente, algo crucial para escapar de emboscadas ou contornar os canais estreitos, sinuosos e de pouca profundidade (os "tarrafes" e esteiros) dos rios da Guiné;

(v)  embora fossem consideradas unidades auxiliares não-militares no papel, podiam ser tripuladas por militares da Armada, ou por marinheiros militarizados ou civis;

(vi) o "Bor" e outros "motores" pertenciam aos Serviços da Marinha da Província; caso do "Corubal (30 t), do "BM1" (40 t), do "BM2" (40 t) e ainda do "Formosa", fazendo tanto transportes militares como civis:
 
(vii)  devido ao seu perfil lento e vulnerável, sempre que navegava em missões fluviais mais arriscadas, as UAM eram, em geral. escoltada por Lanchas de Fiscalização Grandes (LFG) ou Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP), como as que aparecem ao lado da "Bor" na foto original (Orion e Cassiopeia) (fotos nº 1 e 2);

(viii) sendo uma UAM,  a "Bor" não dispunha originalmente de sistemas de armas pesados de fábrica; contudo, no ambiente de guerra da Guiné, uma UAM como esta embarcação podia ser reforçada à pressa com reparos locais para metralhadoras pesadas (como as Browning 12.7 ou canhões de 20mm) à proa e nos flancos para autodefesa contra fogo vindo das margens;

(ix) a "Bor" participou, por exemplo, na Op Tridente (jan-mar 1964).

Continuamos a chamar-lhe "ferryboat" (como de resto, a CECA também lhe chama). Tem 9 referências no nosso blogue. Procuram-se mais testemunhos e fotos da "Bor". Falaremos mais e melhor, em próximo poste, dos "transportes fluviais" na Guiné.
 
 [ Pesquisa: IA  + Facebook do Carlitos Montego + CECA + IA (ChatGPT / Open AI | Gemini / Google AI)]

(Condensação, revisão / fixação de texto : LG)
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Nota do editor LG:

Último poste da série >  28 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27474: A Nossa Marinha (5): Os últimos marinheiros do Império

domingo, 1 de novembro de 2026

Guiné 61/74 - P28482: As nossas geografias emocionais (70) : Bolama dos anos de 1978/79 - Parte I: Fotos de embarcações do nosso tempo, a "Bor" e a "Corubal"...



Foto nº 1 > Bolama: Ferryboat "Bor" a apodrecer no cais


Foto nº 2 > Bolama: Embarcação "Corubal", ainda a navegar 

Foto nº 3 > Bolama: porto-cais,  baixa-mar


Foto nº 4 > Bolama: Avenida prinicpal e o seu casario colonial


Foto nº 5 > Bolama:  antigos combatentes


Foto nº 6 > Bolama: alfaiate



Foto nº 7 > Bolama: capitão de embarcação (seria da "Corubal" ?)

Guiné-Bissau >  Arquipélago dos Bijagós > Bolama > c. 1978/79 >  

Fotos: Cortesia do sítio Guiné-Bissau Recordações em Imagens  
(Melhoradas com recurso à IA/Google | Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, 2026)


1. Há tempos (há 12 anos atrás!), o nosso camarada João Parreira  [ex-fur mil op esp, CART 730 / BART 733, Bissorã, 1964/65; ex-fur mil comando, Gr Cmds Fantasmas, CTIG, Brá, 1965/66], descobriu uma foto da velha Bor, um antigo ferryboat, ao serviço do Comando Defesa  Marítima da Guiné... A apodrecer no cais de Bolama...

Data: 12 de dezembro de 2014 às 23:09

Assunto: Bor

Boa noite,  Luís,

Os meus camaradas que fizeram a viagem para Bolama na Bor [em 1964,] e que contatei, já me responderam a dizer que não tinham nenhuma foto.(**)

Assim, comecei a procurar e acabei agora de descobrir onde fui buscar a foto do ferryboat Bor  com a qual ilustrei o meu diário na parte referente à minha viagem para Bolama em 1964.

Foi no blog Guiné-Bissau - Recordações em Imagens : a  foto da balsa Bor  foi tirada em 1978 por um casal de brasileiros que viveu na Guiné-Bissau em 1978-79.

Um abraço, João


2. Comentário do editor LG.:


Os dois brasileiros, um casal, que criou
o sítio "Guiné-Bissau: Recordações em Imagens"

Estas fotos têm quase meio século. A da Bor, a do Corubal (duas embarcações do nosso tempo) e outras tiradas em Bolama. 

Repescámos algumas, com a devida vénia, de um sítio criado por um jovem casal de brasileiros, cooperantes, ainda no tempo do regime de Luís Cabral (1978/79). 

 A qualidade das fotos, a cores, foi melhorada com recurso à IA / Google. Há fotos de Bolama, Bolama de Baixo e Bubaque, e da população local. 

O sítio ainda está "on line" (!), e merece uma visitinha, mesmo descontando a profissão de fé
no Amílcar Cabral e as diatribes contra os "tugas":


["De um casal de brasileiros que viveu naquele grande pequeno país em 1978-79, voluntários das Nações Unidas, professores do Jardim Escola e da Escola Piloto do PAIGC, na ilha de Bolama, arquipélago dos Bijagós."].

[https://guinebissaulembrancas.blogspot.com/p/blog-page_580.html] 

[https://web.archive.org/web/20181112051545/https://guinebissaulembrancas.blogspot.com/p/blog-page_580.html]

Seria uma pena estas fotos perderem-se na voragem do tempo e no turbilhão da Internet. São imagens que pertencem ao mundo e à lusofonia. E em primeiro lugar aos guineenses. Mas também a nós, antigos combatentes... Para muitos de nós, Bolama foi o primeiro contacto com aquela terra verde-rubra. Bolama, tal como a Bor, fazem parte das nossas geografias emocionais. 

Obrigado aos nossos  camaradas que resgataram as memórias da velha Bor: Manuel Amante da Rosa, João Parreira,  Libério Lopes, José Botelho Colaço, António Bastos, Rui Santos, Torcato Mendonça, Ismael Augusto, Fernando Chapouto... Obrigados ao(s) fotógrafo(s) brasileiro(s).

A Bor participou, por  avaria de uma LDG,  na Op Lança Afiada (Sector L1, BambadincA, 8-19 de março de 1969). Fez muitas viagens até Bolama. Mas também ao Xime e a Bambadinca. 

Segundo o falecido João Candeias Silva  (1950-2022)  (ex-fur mil, CCAÇ 12, 1973), "a Bor pifou de vez e passou em 1973, em meados de junho, a deslocar-se atrelada a um rebocador". 

E acrescentou: 

"Numa das viagens que fiz, Xime-Bambadinca, por deferência do comandante do rebocador, foi bem mais confortável e com direito a bebida a bordo do rebocador. Curiosamente nunca fiz a viagem inversa de barco."
________________________

Nota do editor LG:

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Guiné 63/74 - P14038: (Ex)citações (256): Afinal, a foto do "BOR" era de 1978/79, tirada em Bolama por um casal de brasileiros (João Parreira)


Guiné-Bissau > Bolama > c. 1978/79 > O ferry boat Bor, em fim de vida... Fazia a carreira Bissau-Bolama


Guiné-Bissau > Bolama > c. 1978-79 > O barco de carreira "Corubal" que fazia a ligação Bolama-Bissau.

Fotos: Cortesia do sítio Guiné-Bissau Recordações em Imagens (*)


1. Mensagem enviado ao nosso camarada Manuel Amante da Rosa [, atual embaixador de Cabo Verde em Roma: ex-fur mil, QG/CTIG, Bissau, 1973/74]

Data: 13 de dezembro de 2014 às 07:23
Assunto: "BOR"

Boas festas, embaixador!..

Tinhas razão em relação à agonia do "BOR"... Vou publicar esta nota do João Parreira, comando de Brá, 1965/66...

Um natal sem vulcões nem tsunamis...

Bebo um grogue à tua saúde e à felicidade do teu povo.
Luis

2. Mensagem do João Parreira  [, foto atual, à esquerda]:

[ex-fur mil op esp, CART 730 / BART 733, Bissorã, 1964/65; ex-fur mil comando, Gr Cmds Fantasmas, CTIG, Brá, 1965/66]

Data: 12 de dezembro de 2014 às 23:09
Assunto: "BOR"

Boa noite Luís,

Os meus camaradas que fizeram a viagem para Bolama na "BOR"[, em 1964,]  e que contatei, já me responderam a dizer que não tinham nenhuma foto.(**)

Assim, comecei a procurar e acabei agora de descobrir onde fui buscar a foto do ferry-boat "BOR" com a qual ilustrei o meu diário na parte referente à minha viagem para Bolama em 1964.

Foi no blog guinebissaulembrancas.blogspot.com . A foto da balsa "BOR" foi tirada em 1978 por um casal de brasileiros que viveu na Guiné em 1978-79.

Um abraço.
João


3. Comentário de LG:

O nosso camarada Manuel Amante, que conheceu bem as embarcações que sulcaram os rios e braços de mar da Guiné, já nos tinha chamado a atenção para o facto de esta foto do "BOR", enviada pelo João Parreira, ser de alguns anos após a independência da Guiné, sendo mais provavelmente  do "início possível do seu desmantelamento". E comentava: 

" Uma sombra triste e desolada de uma embarcação que, sob qualquer tempo ou contingência, muito navegou pelos rios e canais da Guiné". (***)

No sítio Guiné-Bissau Recordações em Imagens, encontrámos uma foto de outra embarcação que faz parte parte das memórias do Manuel Amante, o "Corubal"
________________

Notas do editor:

 (*) Sítio Guiné-Bissau Recordações em Imagens (*):

(...) De um casal de brasileiros que viveu naquele grande pequeno país em 1978-79, voluntários das Nações Unidas, professores do Jardim Escola e da Escola Piloto do PAIGC, na ilha de Bolama, arquipélago dos Bijagós.(...) 

(**) Vd. poste de 3 de dezembro de 2014 > Guiné 63/74 - P13969: O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande (90): Foto do ferryboat BOR que levou a CART 730, de Bissau para Bolama, um dia depois de desembaracar do T/T Niassa (João Parreira, ex-fur mil op esp e cmd, CART 730 / BART 733, Bissorã, 1964/65; Gr Cmds Fantasmas, CTIG, Brá, 1965/66)

(***) Último poste da série > 7 de dezembro de  2014 > Guiné 63/74 - P13981: (Ex)citações (255): Fomos pioneiros numa série de coisas: (i) a colorir fotos a preto e branco para matar o tempo; (ii) a recliclar garrafas de cerveja; (iii) a fazer cadeiras de baloiço com as aduelas dos barris ... (José Nunes, ex-1º cabo eletricista, BENG 447, Brá, 1968-70)

sábado, 29 de novembro de 2014

Guiné 63/74 - P13958:(Ex)citações (254): quando Spínola viajou, com mais 300 homens, na BOR, em 17/3/1969, no decurso da Op Lança Afiada, em pleno Rio Corubal, da Ponta Luís Dias à Ponta do Inglês

  
Guiné > Rio Geba > Barco BOR > 2/5/1967 > " (...) No dia dois de maio [de 1967], a seguir ao almoço formar e seguir para as viaturas, carregar as lembranças nas respectivas viaturas destinadas a cada Pelotão e seguir para Bambadinca onde nos esperava o barco, a BOR,  que nos transportava no rio Geba até Bissau onde nos esperava o barco Uíge" (...).

[Cortesia de Fernando Chapouto, ex-fur mil op esp, CCAÇ 1426, Geba, Camamudo, Banjara e Cantacunda, 1965/67 >  Cantinho do Fernando > As minhas mnemnórias da Guiné 65/67]

Foto: © Fernando Chapouto  (2009). Todos os direitos reservados. [Edição: LG]



1. A propósito da BOR, a embarcação civil que era utilizada em 1968/69 no transporte de tropas, com ums pequena escolta de fuzileiros (*):


Excerto do relatório da Op Lança Afiada (**):


Dia D + 9 (17 de Março de 1969)

O PCV com o comandante do Agrupamento Táctico Norte sobrevoou os Dest A, B e C cerca das 07H00, verificando que estavam no local que a carta indica como sendo o “Porto” de Ponta Luís Dias. Não conseguiu entrar em contacto rádio com a FN [ Força Naval] , apesar desta força ter indicativo e frequência marcados no Anexo de Transmissões da OOP.

O PCV regressou depois a Bambadinca para se reabastecer. Cerca das 09H20 chegou a Bambadinca o heli de Sua Excia o Comandante-Chefe que deixara Sua Excia junto dos Dest A, B e C.

Aparentemente o embarque não podia ser feito onde as NT se encontravam pois via-se uma grande língua de areia. O heli levantou para escolher um local onde a língua de areia fosse mais estreita, o que ocorreu cerca de 1,5 quilómetros a Norte.

Quando a maré subiu, verificou-se que a água cobria toda a língua de areia e que as LDM [lanças de desembarque médias ] e a BOR [, embarcação a motor do Serviço da Marinha da Província,] podiam ter abicado no local onde as NT se encontravam inicialmente. O esforço que a estas foi exigido de caminhar quilómetro e meio pelo lodo podia ter sido poupado se a bordo do PCV tivesse ido um oficial de marinha.

Foi nessa altura que Sua Excia o Comandante-Chefe informou que, por uma questão de marés, as NT não seriam transportadas ao Xime como ficara combinado na véspera mas sim apenas a Ponta do Inglês  [na Foz do Corubal, margem direita]. A CART 1743, no entanto, seguiria para Bissau. Os Dest A e B, desembarcados em Ponta do Inglês, seguiriam depois a pé para o Xime, o que aconteceu.

A avaria de uma das LDM obrigou a outra a ficar-lhe ao pé e levou a BOR a transportar 300, isto é, mais do que a sua lotação permite. Como o heli do COMCHEFE não chegou a tempo, Sua Excia tomou também lugar na BOR, com o Comandante da Operação e com o Delegado do QG [ Quartel General ] que viera coordenar o embarque.

Cerca do meio dia as LDM e a BOR abicaram a Ponta do Inglês.

 Sua Excia tomou o seu heli para Bissau e o Comandante da Operação [cor inf Hélio Felgas,] tomou o das evacuações que entretanto mandara vir para fazer duas evacuações para Bambadinca.

Os Dest A e B chegaram ao Xime cerca das 15h30 depois de terem sofrido novo ataque de abelhas que, tal como em Ponta Luís Dias, de manhã, ocasionou desorganização e levou os carregadores a abandonarem material, recuperado mais tarde.

Ao compreender-se que apenas era deixado o heli de evacuações, deu-se ordem aos Dest E, F, G, H e I para se aproximarem dos respectivos aquartelamentos [Mansambo e Xitole]. Não se podiam abandonar sem alimentação nem água garantidos.

Aliás aqueles Dest haviam saído às 03H30 da tabanca do Fiofioli onde se haviam reunido e, uns por Cancodea Balanta e por outros por Cancodea Beafada, completaram a destruição de todos os meios de vida IN da região. 

Encontraram vacas que mataram, levando outras consigo. Em Cancodea Beafada capturaram 2 homens, 3 mulheres e 3 crianças.

Estes Dest passaram depois por Mina e por Gã Júlio, utilizando sempre trilhos diferentes dos de ida. Quando, ao fim da tarde, foram sobrevoados pelo PCV, encontravam-se próximos da foz do Rio Bissari, tendo já percorrido nesse dia uns 30 quilómetros. Foram-lhes recomendadas todas as cautelas e autorização para prosseguirem quando quisessem pois não se poderiam reabastecer.

Mal o PCV saiu da área, o IN flagelou o Dest com 2 morteiradas e rajadas, de longe, procedimento este que afinal utilizou durante toda a operação e que revelou impotência [no original, importância] e falta de agressividade. (...)

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Notas do editor:

(*) Vd, postes de:

29 de novembro de 2014 > Guiné 63/74 - P13956: (Ex)citações (253): de facto sou eu, estou a preparar o embarque de um jipe Willys com destino a Bissau (devidamente canibalizado)...E aproveito para recordar a BOR, embarcação civil que fazia transporte de tropas com uma pequena escolta de fuzileiros (Ismael Augusto, ex-alf mil manut, CCS/BCAÇ 2852, Bambadinca, 1968/70)

(...) Relativamente ao cais, em 1968, a CCS do BCAÇ 2852 chegou a Bambadinca num barco civil que fazia o transporte de tropas. 

Era um barco (lancha ou navio, para não ofender os nossos amigos da marinha, que fazem muita questão na destrinça entre estas designações dadas pelos menos conhecedores, o que é o caso).

Chamava-se BOR e dispunha de apoio de uma pequeno grupo de fuzileiros, que nos acompanhou a bordo durante todo o percurso. Obrigado a eles. Foi por eles que fiquei a saber da existência do macaréu que, com outra designação [pororoca ] tem a sua réplica no rio Amazonas, pelo menos nesse. (...) 


Ainda sobre a BOR, vd. os postes:

12 de fevereiro de 2008 > Guiné 63/74 - P2527: Estórias de Mansambo (Torcato Mendonça, CART 2339) (11): Na Bor, Rio Geba abaixo, com o Alferes Carvalho num caixão de pinho...

(...) Um dia, as más notícias correm céleres, soube-se: vítima de mina antipessoal,  faleceu o Alferes Carvalho. Na malfadada estrada para Madina do Boé ficava o amigo. Menos de três meses após a chegada àquela terra. Soube agora no Blogue a data esquecida, 17 de Abril [ de 1968] e o local onde hoje repousa (...).

Mais um nome, a juntar a tantos vitimados naquela estrada. Toda a Companhia sentiu aquela morte. A primeira sofrida pelas duas Companhias gémeas.

Voltaram-se a encontrar-se, como e porquê? Por acaso ou porque se deviam despedir ainda. Tinha que ir a Bissau, ao Hospital Militar. A curiosidade e não só levou-o a fazer a viagem na BOR – um barco com pás na proa, verde-claro, e que se habituara a ver passar nas seguranças a Mato Cão. (...)


28 de dezembro de 2009 > Guiné 63/74 - P5555: A navegação no Rio Geba e as embarcações do meu tempo: Corubal, Formosa, BOR... (Manuel Amante da Rosa)

(...) Quanto ao BOR, como os outros, também era do Comando da Defesa Marítima. Era o que se chamava um ferryboat, para transporte de viaturas, cargas a granel, passageiros, gado e tudo o mais que houvesse, incluindo a guarnição de várias unidades militares a nível de companhias e seus apetrechos e viaturas. Tinha dois potentes e ruidosos motores, um a bombordo e outro a estibordo, que lhe permitia grande capacidade de manobra e calava pouco. Mas era lento de exasperar e desconfortável. O sol era abrasador para quem não estivesse abrigado. Levava facilmente mais de 400 passageiros e cargas.Era seguro e muito utilizado para o transporte das guarnições militares. (...)